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TCC - BENEFÍCIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA: A possibilidade de análise subjetiva do requisito de miserabilidade.

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 BENEFÍCIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA: A possibilidade de análise subjetiva do requisito de miserabilidade.
THE BENEFIT OF CONTINUOUS ASSISTANCE: The possibility of subjective analysis of miserableness requirements.
Laís Cristina Catapan[footnoteRef:1] [1: Acadêmica do curso de direito do Centro Universitário Univel.] 
Dr. Eloir Francisco Milano da Silva[footnoteRef:2] [2: Doutor Eloir Francisco Milano da Silva. Professor do Curso de Direito do Centro Universitário Univel.] 
RESUMO: O objetivo desse trabalho é estudar a partir de doutrinas e jurisprudências o Benefício de Prestação Continuada (BPC), regulamentado pela Lei Orgânica de Assistência Social – Lei 8.742/93 (LOAS), o qual tem por finalidade auxiliar ao idoso e ao portador de deficiência que se encontre em situação de miserabilidade, isto é, comprovem não possuir meios de prover à própria subsistência ou tê-la provida por sua família. De acordo com a lei, a miserabilidade é um critério objetivo, obtido através do cálculo da renda familiar per capita do indivíduo. Considera-se miserável, portanto, o indivíduo que possui renda per capita inferior a um quarto do salário mínimo. Através da pesquisa, observou-se que o conceito de miserabilidade gera estranheza no âmbito jurídico, visto que o Poder Judiciário afere o requisito por outros meios idôneos, deixando certo questionamento acerca do conceito do requisito essencial para a concessão do benefício, motivo pelo qual deveria ser revisto e reformado.
PALAVRAS-CHAVE: Benefício Assistencial de Prestação Continuada, miserabilidade, Lei Orgânica de Assistência Social LOAS, direito previdenciário.
 
ABSTRACT: The aim of this article is to study from doctrines and jurisprudence the “Continuous Benefit, in portuguese, “Benefício de Prestação Continuada, which is regulated by the Organic Law of Social Assistance - Law 8.742/93 whose propose is to give assistance to elderly and disabled people that fit in miserable situation, that is, those who can’t provide their own subsistence or cant have it provided by their family. According to the law, miserableness is an objective criterion obtained by calculating the per capita income of the individual. Therefore, the person who has per capita income less than a quarter of the minimum wage is considered miserable. Through the research, observed that the concept is miserableness creates a blur in the legal arena because the judiciary rules the requirement by other means, leaving some questioning about the concept of the essencial requirement for granting the benefit, reason why it should be reviewed and reformed.
KEYWORDS: Continuous Assistencial Benefit, Miserableness, Organic Law of Social Assistance, Social Security Law. 
1 INTRODUÇÃO
Ao explorar a Constituição Federal/1988, é possível constatar em seu texto jurídico a proteção aos direitos fundamentais dos cidadãos, principalmente no que tange as garantias sociais. 
Nesse sentido, visando abranger e proteger toda a população, em seu artigo 203, inciso V - Constituição Federal/1988, o legislador reconheceu a um grupo vulnerável – composto por pessoas portadoras de deficiência e idosos – o direito de auferir um benefício de caráter assistencial na quantia do salário mínimo. Isto é, “uma ajuda” responsável por promover e garantir o mínimo existencial, tanto para seus beneficiários, quanto para a família que arca com gastos, para que os mesmos não passem por necessidades e vivam dignamente.
Assim, fez-se necessário a criação de uma lei que estruturasse as hipóteses de cabimento e complementasse esse direito, surgindo então a Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS), a qual foi encarregada de definir quem são os possíveis beneficiados pelo amparo constitucional. 
Inicialmente, no art. 20 do referido dispositivo observa-se que o benefício de prestação continuada é destinado a idosos ou portadores de deficiência (primeiro requisito) que comprovem hipossuficiência econômica, isto é, miserabilidade (segundo requisito). 
Nesse sentido, verifica-se a limitação dos possíveis amparados devido a um requisito bem objetivo – o critério miserabilidade – que resta preenchido pela renda per capita familiar inferior a um quarto do salário mínimo. Assim, os possíveis amparados pelo benefício devem necessariamente se enquadrar no texto da lei. 
Por isso, questiona-se acerca de uma análise subjetiva do que se entende por necessidade, expressão esta trazida pelo artigo 203 da Constituição Federal, contextualizando de acordo com cada caso concreto – respeitando principalmente o conceito inicial trazido pela Constituição Federal – e por fim verificar o cabimento da relativização do mesmo.
2 ASSISTÊNCIA SOCIAL NO BRASIL
Disciplinada nos artigos 203 e 204 da Constituição Federal e no artigo 4º da Lei nº 8.212/91 a Assistência Social será gratuitamente concedida, em caráter universal, via política pública e social de dever do Estado, “que será prestada a quem dela precisar, independente de contribuição à seguridade social” (BRASIL, CF, art. 203, 1988). 
Seus objetivos principais destinam-se especialmente à proteção social daqueles que não possuem condições de garantir o próprio sustento, elencados no art. 203 da Constituição Federal: 
Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos:
[...]
V - a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei. (BRASIL, CF, art.203, 1988)
Conforme exposto, é possível verificar que se trata de um amparo destinado aos cidadãos incapazes de prover suas necessidades básicas e que se encontram excluídos da “órbita protetiva da previdência social”, cabendo ao Estado, portanto, com a finalidade de cessar tal situação, suprir o absolutamente necessário e indispensável para a vida digna dos mesmos. (VELLOSO; ROCHA; BALTAZAR JUNIOR, 2005)
Corroborando com esse pensamento, Martins (2014) conceitua assistência social como um aglomerado de regras e princípios que tem por finalidade alcançar e atender os hipossuficientes através de uma política social (através de atividades particulares e estatais) que conceda benefícios e serviços a estes, independentemente de contribuições.
Vale ressaltar que a assistência social não se restringe apenas a consagrar o assistencialismo, ela tem por objetivo também abranger funções de transformação social, isto é, nas palavras de Santos (2011) “as prestações devem promover a integração e a inclusão do assistido na vida comunitária, fazer com que, a partir do recebimento das prestações assistências, seja “menos desigual” e possa exercer atividades que lhe garantam subsistência.”
Desta maneira, torna-se evidente que os benefícios assistenciais são políticas públicas destinadas ao combate da pobreza, destinados a promover condições que reduzam as desigualdades sociais, com a finalidade de obter à universalização dos direitos sociais. (MEDEIROS; BRITTO; SOARES, 2007)
Contudo, devido à escassez dos recursos – problema econômico – é necessário delimitar as hipóteses de cabimento dos amparos assistenciais (o que é feito levando em consideração os riscos e as necessidades dos indivíduos) - visto que as necessidades humanas são infinitas, enquanto os recursos disponibilizados pelo Estado são limitados. (VELLOSO; ROCHA; BALTAZAR JUNIOR, 2005).
Assim, o presente trabalho verifica a possibilidade de criação de um mecanismo dedicado inteiramente à assistência – Lei Orgânica de Assistencial Social - Lei n.º 8.742/93, com o intuito de preencher possíveis lacunas deixadas pela Constituição Federal e, delimitar o âmbito do assistencialismo. 
2.1 O BENEFICIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA (BPC)
A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 203, inciso V, assegura o benefício assistencial a aqueles que se enquadrarem nos requisitos previstos pela Lei Orgânica da Assistência Social Lei n. º 8.742/93, conhecida popularmente