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Autoras: Profa. Ivete Maria Soares Ramirez Ramirez
 Profa. Claudia Maria Martins
Colaboradores: Prof. Adilson Rodrigues Camacho
Elementos de 
Climatologia; Domínios 
e Paisagens Vegetais
Professoras conteudistas: Ivete Maria Soares Ramirez Ramirez/ 
Claudia Maria Martins
Ivete Maria Soares Ramirez Ramirez
Cursou bacharelado e licenciatura em Ciências Sociais e Geografia pela Universidade de São Paulo (USP). É 
pós-graduada em Jornalismo Científico pelo Laboratório de Estudos Avançados de Jornalismo Científico da Universidade 
de Campinas (Labjor/Unicamp). Além disso, é mestranda em Educação e cursou as disciplinas Qualidade de Vida em 
Sociedades Complexas, Sustentabilidade e Políticas Públicas, Desenvolvimento, Meio Ambiente e Mudanças Ambientais 
Globais em nível de pós-graduação stricto sensu no Nepam/Unicamp como aluna especial do programa de doutorado.
É autora de material didático do Ensino Médio e professora de Geografia do curso pré-vestibular e do Ensino Médio 
do Sistema de Ensino Objetivo. Escreveu o livro Tiwanaku: um olhar sobre os Andes, editado pela Escola de Comunicação 
e Artes (ECA) da USP como proposta de mestrado. Atualmente, realiza trabalho de assessoria de coordenação do Ensino 
Médio no Departamento de Programação Geral (DPG) do Colégio Objetivo em São Paulo e em outros estados do Brasil. 
Participa de aulas online na TV Web Objetivo e faz comentários sobre exames vestibulares e Enem, além de ministrar 
encontros pedagógicos para professores do Ensino Médio do Sistema Objetivo de Ensino. Coordena também o curso de 
Licenciatura em Geografia, na modalidade de ensino a distância da Universidade Paulista (UNIP).
Claudia Maria Martins
É doutoranda em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP, mestre em Saúde Pública 
pela Universidade de São Paulo, licenciada em Filosofia pela Universidade Estadual de Maringá, bacharel e licenciada 
em Geografia pela Universidade de São Paulo – USP. Realizou estágio de iniciação científica no Laboratório de 
Planejamento Urbano e Territorial da Geografia da USP. Trabalhou como geógrafa nas Centrais Elétricas de São Paulo 
e na Fundação de Desenvolvimento Administrativo – FUNDAP, ocupando-se de questões ambientais e de políticas 
públicas de saneamento, recursos hídricos e educação ambiental. 
© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou 
quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem 
permissão escrita da Universidade Paulista.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
R173e Ramirez, Ivete Maria Soares Ramirez.
Elementos de climatologia; domínios e paisagens vegetais. / 
Ivete Maria Soares Ramirez Ramirez, Claudia Maria Martins. São 
Paulo: Editora Sol, 2020.
148 p., il.
Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e 
Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230.
1. Climatologia. 2. Paisagens vegetais. 3. Efeitos climatológicos 
especiais. I. Martins, Claudia Maria. II. Título.
CDU 551
U504.95 – 20
Prof. Dr. João Carlos Di Genio
Reitor
Prof. Fábio Romeu de Carvalho
Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças
Profa. Melânia Dalla Torre
Vice-Reitora de Unidades Universitárias
Prof. Dr. Yugo Okida
Vice-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa
Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez
Vice-Reitora de Graduação
Unip Interativa – EaD
Profa. Elisabete Brihy 
Prof. Marcelo Souza
Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar
Prof. Ivan Daliberto Frugoli
 Material Didático – EaD
 Comissão editorial: 
 Dra. Angélica L. Carlini (UNIP)
 Dra. Divane Alves da Silva (UNIP)
 Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR)
 Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT)
 Dra. Valéria de Carvalho (UNIP)
 Apoio:
 Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD
 Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos
 Projeto gráfico:
 Prof. Alexandre Ponzetto
 Revisão:
 Carla Moro
 Amanda Casale
Sumário
Elementos de Climatologia; Domínios 
e Paisagens Vegetais
APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7
INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................8
Unidade I
1 A CLIMATOLOGIA ............................................................................................................................................. 13
1.1 A atmosfera terrestre .......................................................................................................................... 16
1.2 Estações meteorológicas e instrumentos ................................................................................... 19
1.2.1 Estações meteorológicas ...................................................................................................................... 19
1.2.2 Instrumentos ............................................................................................................................................ 20
2 CLIMA E TEMPO CLIMÁTICO........................................................................................................................ 21
2.1 Principais elementos do clima ........................................................................................................ 22
2.1.1 Radiação solar e insolação .................................................................................................................. 22
2.1.2 Temperatura .............................................................................................................................................. 25
2.1.3 Umidade do ar ......................................................................................................................................... 27
2.1.4 Pressão atmosférica ............................................................................................................................... 28
2.1.5 Vento ............................................................................................................................................................ 29
2.1.6 Nebulosidade ............................................................................................................................................ 32
2.1.7 Precipitação ............................................................................................................................................... 36
2.2 Principais meteoros (fenômenos visíveis na atmosfera) ...................................................... 40
2.3 Principais fatores do clima ............................................................................................................... 42
2.3.1 Latitude ....................................................................................................................................................... 42
2.3.2 Altitude ....................................................................................................................................................... 42
2.3.3 Continentalidade e maritimidade .................................................................................................... 43
2.3.4 Vegetação ................................................................................................................................................... 44
2.3.5 Solos ............................................................................................................................................................. 44
2.3.6 Disposição do relevo .............................................................................................................................. 45
2.3.7 Intervenção antrópica .......................................................................................................................... 45
2.3.8 Correntes marítimas ..............................................................................................................................47
3 CIRCULAÇÃO DE AR NA ATMOSFERA ..................................................................................................... 48
3.1 Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e Zona de Convergência do 
Atlântico Sul (ZCAS) ................................................................................................................................... 48
3.2 Centros de ação .................................................................................................................................... 49
3.2.1 Centros de ação da América do Sul ................................................................................................ 51
4 AS MASSAS DE AR .......................................................................................................................................... 53
4.1 O mecanismo das frentes .................................................................................................................. 54
4.2 As massas de ar atuantes no Brasil ............................................................................................... 56
4.3 Domínio médio das massas de ar no Brasil ............................................................................... 57
Unidade II
5 EVENTOS ESPECIAIS ....................................................................................................................................... 63
5.1 Efeito estufa ........................................................................................................................................... 63
5.2 Inversão térmica ................................................................................................................................... 68
5.3 Tempestades tropicais ........................................................................................................................ 69
5.4 El Niño e La Niña .................................................................................................................................. 70
6 CLIMA LOCAL E MICROCLIMAS URBANOS: INTERFERÊNCIAS NAS CONDIÇÕES 
DE VIDA E DE SAÚDE DA POPULAÇÃO ....................................................................................................... 73
6.1 A questão metodológica das escalas nos estudos do clima ............................................... 73
6.2 O ambiente urbano e clima local ................................................................................................... 76
6.3 Microclima e condições de vida e saúde .................................................................................... 79
7 CLASSIFICAÇÃO CLIMÁTICA ........................................................................................................................ 85
7.1 Classificação climática de Köppen ................................................................................................ 85
7.2 Classificação climática de Strahler ................................................................................................ 86
7.3 Classificação climática de Lysia Bernardes ................................................................................ 87
7.4 Zonas climáticas ................................................................................................................................... 88
7.4.1 Zonas polares............................................................................................................................................ 88
7.4.2 Zonas temperadas .................................................................................................................................. 90
7.4.3 Zonas tropicais ......................................................................................................................................... 90
7.4.4 Desertos ...................................................................................................................................................... 91
7.4.5 Altas montanhas ..................................................................................................................................... 92
7.5 Grandes domínios climáticos do mundo .................................................................................... 93
7.5.1 Zona climática das latitudes baixas ................................................................................................ 93
7.5.2 Zona climática das latitudes médias .............................................................................................. 97
7.5.3 Zona climática das latitudes altas .................................................................................................102
8 BRASIL: CLASSIFICAÇÃO CLIMÁTICA .....................................................................................................105
8.1 Clima equatorial .................................................................................................................................107
8.2 Clima tropical úmido (litorâneo úmido) ...................................................................................108
8.3 Clima tropical .......................................................................................................................................109
8.4 Clima tropical de altitude ...............................................................................................................110
8.5 Clima pseudomediterrâneo ............................................................................................................111
8.6 Clima subtropical ................................................................................................................................112
8.7 Clima semiárido ..................................................................................................................................113
8.8 Domínios morfoclimáticos .............................................................................................................114
8.9 Formações vegetais do Brasil ........................................................................................................116
8.9.1 Formações florestais ............................................................................................................................ 117
8.9.2 Formações arbustivas e herbáceas ............................................................................................... 123
8.9.3 Formações complexas ........................................................................................................................ 127
7
APRESENTAÇÃO
Este é um livro-texto que se destina àqueles que pretendem apreender noções importantes sobre 
climatologia, como elementos e fatores que compõem o clima e ao mesmo tempo determinam sua 
classificação. 
Inicialmente, estudaremos a diferenciação entre clima e tempo e a composição da atmosfera 
terrestre, como atua o Sol na sua radiação e o que é a insolação.
Avaliaremos as condições de temperatura, umidade do ar, a pressão atmosférica, a circulação do ar 
com suas classificações de acordo com a intensidade, a nebulosidade e suas influências, bem como o 
ciclo hidrológico e as precipitações.
Também consideraremos importante para nosso estudo os principais fenômenos visíveis na 
atmosfera, os meteoros, assim como é de grande importância em estudos climáticos avaliar os efeitos da 
atuação dos fatores: latitude, altitude, continentalidade ou maritimidade, vegetação, solos, a disposição 
do relevo, as correntes marítimas e os efeitos da ação antrópica sobre os ambientes.
Em meteorologia avalia-se a circulação do ar em zonas de convergência intertropical e do Atlântico 
Sul, bem como o mecanismo das frentes e a dinâmica da circulação das massas de ar e seu domínio no 
Brasil.
As evidências das mudanças climáticas já são incontestáveis, não só em termos de aumento médio 
de temperatura, como também quanto ao aumento do índice de carbono na atmosfera.
Houve um aumento considerável de tempestadestropicais, com intensidade maior dos furacões, 
segundo informes do Centro Nacional para Pesquisa Atmosférica dos Estados Unidos, além de outros 
eventos climáticos que estariam associados ao aquecimento global.
 Observação
Centro Nacional para Pesquisa Atmosférica, em inglês, National Center 
for Atmospheric Research – NCAR, é um instituto não governamental 
situado no Colorado, onde pesquisadores e meteorologistas emitem avisos 
sobre a qualidade do ar e mudanças climáticas, estudos sobre biosfera e a 
sociedade humana. Ele é dotado de computadores potentes que suportam 
modelos para previsão de sistemas complexos e efeitos sobre o aquecimento 
global.
Outra evidência de tais alterações pode ser verificada quanto ao derretimento das geleiras ao longo 
dos últimos anos, como pode ser observado na Cordilheira dos Andes, na América do Sul, além das 
regiões Ártica e Antártica.
8
Segundo informes dos estudos do Greenpeace (2006), entre 1950 e 1993, as temperaturas diárias 
mínimas do ar à noite sobre o solo aumentaram em média 0,2 ºC por década no planeta Terra. No sul 
do Brasil, houve um aumento de 1,4 ºC na temperatura mínima entre 1913 e 1998, além do aumento 
de ondas de calor, de chuvas com maior intensidade e da precipitação pluvial anual, que cresceu nos 
últimos 50 anos a uma taxa média de 6,2 mm/ano.
Com o aumento da temperatura, os oceanos vêm sofrendo o branqueamento dos corais, colocando 
em situação de risco os recifes que vivem próximos a um limite térmico.
Nas considerações de Carlos Nobre, climatologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais 
(Inpe), para o relatório do Greenpeace (GREENPEACE, 2006, p. 13):
Nosso padrão de consumo, como a utilização do automóvel e da proteína 
animal, terá que mudar para reduzir as emissões de carbono, se não mudar, 
no ano 2.200, teríamos uma temperatura de 7 ºC a 10 ºC mais quente. Seria 
outro planeta, com enormes ameaças à nossa habitabilidade.
Como resultado desses dados, estudaremos os eventos especiais, como: o efeito estufa, a inversão 
térmica, as tempestades tropicais e os eventos El Niño e La Niña, além das variações climáticas no 
Brasil e no mundo, suas causas e efeitos, o estudo do clima local, microclimas urbanos e sua interferência 
nas condições de vida e na saúde da população.
Temos ainda as distintas classificações climáticas: Koppen, Strahler e Lysia Bernardes e a influência 
do clima na determinação das paisagens vegetais e domínios morfoclimáticos.
Devemos ressaltar que, em decorrência do aumento da temperatura, as mudanças climáticas podem 
colocar em risco os biomas, promover seca na Amazônia, com a decorrente savanização da floresta, 
comprometer o complexo hidrológico, causar enchentes desastrosas, agravar o risco do surgimento 
de desertos no território brasileiro, degradar os solos e promover a intensificação das migrações das 
pessoas residentes em áreas rurais para as urbanas, agravando ainda mais os problemas das cidades. 
Enfim, trata-se de um problema dentro da ótica de atuação da gestão ambiental.
INTRODUÇÃO
Devemos considerar, para os estudos que envolvem os grupos humanos e as mudanças climáticas, 
a questão da vulnerabilidade à qual estão submetidas as sociedades e a natureza. Tanto a humanidade 
quanto a biodiversidade dependem de uma satisfatória gestão ambiental para sobreviverem às mudanças 
climáticas.
Trata-se de uma questão de riscos aos quais estão expostos os seres vivos do planeta e de uma 
natureza que perece diante das alterações que ocorrem em seu hábitat e nos distintos ecossistemas, 
ocasionadas devido às mudanças climáticas que decorrem tanto de fatores naturais como também da 
interferência humana.
9
Ayoade (1986) afirmou que a interface clima/sociedade pode ser considerada em termos de 
ajustamento à extensão e aos modos como as sociedades funcionam em uma relação harmônica com 
seu clima. O homem e suas sociedades são vulneráveis às variações climáticas. 
Não podemos separar, no entanto, o sujeito do meio em que vive. A subjetividade está implícita, 
portanto, na relação entre as mudanças ambientais globais e o indivíduo, não se resumindo apenas em 
como o sujeito percebe, reage e é influenciado pelas mudanças, mas também como ele contribui para 
que elas ocorram e qual a sua atuação diante delas.
Para tanto, recordamos o trabalho de Guattari (1990, p. 8), em sua obra As Três Ecologias, a do 
meio ambiente, a das relações sociais e a da subjetividade humana, o autor os considera como três 
registros ecológicos e afirma: 
O que está em questão é a maneira de viver daqui em diante sobre esse 
planeta, no contexto da aceleração das mutações técnico-científicas 
e do considerável crescimento demográfico. Em função do contínuo 
desenvolvimento do trabalho maquínico redobrado pela revolução 
informática, as forças produtivas vão tornar disponível uma quantidade 
cada vez maior do tempo da atividade humana potencial. Mas com que 
finalidade? A do desemprego, da marginalidade opressiva, da solidão, da 
ociosidade, da angústia, da neurose, ou da cultura, da criação, da pesquisa, 
da reinvenção do meio ambiente, do enriquecimento dos modos de vida e 
da sensibilidade. O desenvolvimento requer recursos da natureza, alteração 
no curso dos rios, emissão de poluentes, compromete a biodiversidade e a 
própria existência humana.
Como afirmou o Greenpeace, em um relatório publicado em 2007, mudanças no clima representam 
também mudanças de vida. Segundo o organismo internacional, o aquecimento global já estaria afetando 
o Brasil e o mundo de forma preocupante. O trabalho de pesquisa concluiu que é muito difícil ao Brasil 
adaptar-se às mudanças globais do clima e que os impactos seriam de modo geral negativos. O que 
sugerem então? Que é necessário empreender esforços para evitá-las; uma das formas de minimizar os 
problemas seria criar oportunidades para energias alternativas, renováveis ou, se possível, não poluentes, 
como a biomassa.
Qual a razão dessa preocupação? O aumento no último século da temperatura do planeta em média 
0,7 ºC, com tendência observada em aumentar, chegando até 5,8 ºC, o que dependerá das medidas a 
serem tomadas para “descarbonizar” a atmosfera. Os cientistas preveem um cenário preocupante para 
determinados biomas, no caso a Amazônia, a região sul do Brasil, além de outros pontos do país, quanto 
à expansão dos agronegócios, destruindo de maneira devastadora a biodiversidade e esgotando solos. A 
sugestão seria ter uma atitude mais sustentável, de conservação, e ampliar o esforço de desenvolvimento 
para uma matriz energética limpa e renovável.
Um dos grandes vilões em áreas urbanas do país é o uso dos combustíveis fósseis, derivados 
do petróleo, e um modelo de transportes baseado no individualismo e privatização em 
10
detrimento de uma boa infraestrutura em transportes coletivos urbanos que deem conta de 
atender à demanda de passageiros. Por outro lado, somam-se aos problemas de transportes 
para passageiros os transportes de carga que trafegam em grandes quantidades pelas estradas 
e vias urbanas do Brasil.
Realmente, os cidadãos precisariam, juntamente com os órgãos públicos, se esforçar muito a fim 
de encontrar uma solução viável, não só em termos de energia limpa, como de levantamento das 
vulnerabilidades regionais do nosso imenso país, visando a mitigar os riscos das mudanças climáticas.
Podemos, no entanto, afirmar que no Brasil os efeitos do aquecimento global ainda não são tão 
severos. Os cientistas e o próprio relatório do Greenpeace (2006) afirmam que existem até oportunidades 
de negócios para retirada dos gases como o CO² e o metano da atmosfera. No entanto, essa visão 
parcialmente otimista fica comprometida quando se apontam problemas como secas na Amazônia, 
enchentes em excesso na região Sul e Sudeste, aumento da desertificação no semiárido nordestino 
ou ainda furacões inéditos no Atlântico Sul. Assim, o Greenpeace constatou, para alertar o governo 
brasileiro e a sociedade em geral, que os efeitos das mudanças globaisjá podem ser encontrados no 
Brasil e que a sociedade tem que se mobilizar para tentar reverter os problemas.
Além de abordarmos essa problemática, estudaremos a Climatologia clássica, com os principais 
conceitos necessários para uma satisfatória compreensão do tema. Começaremos pela diferenciação de 
clima e tempo, entre outros, até as classificações climáticas e a influência do clima na determinação das 
paisagens vegetais.
Deixemos claro que problemas ambientais e alterações climáticas decorrem de causas não só 
existentes no meio rural, como também daquelas no meio urbano, e que os organismos públicos, sejam 
eles municipais, estaduais ou federais, devem tomar medidas eficazes, além de leis e procedimentos de 
fiscalização e controle para coibir as causas das alterações em ambos os ambientes.
Finalmente, devemos recordar que mudanças de clima implicam mudanças nos estilos de vida.
A lei municipal de Plano diretor deve ser um instrumento importante na contribuição para um 
crescimento compatível com a proteção ambiental e a garantia de bem-estar para a população.
Além disso, existem organismos municipais e estaduais que devem agir no sentido de permitir a 
fiscalização adequada e a aplicação de normas ambientais, tais como a Cetesb, Secretaria do Meio 
Ambiente, Ibama, Conama, entre outros.
A racionalidade em termos ambientais depende de um saber ambiental que ultrapasse a racionalidade 
e a subjetividade. Contudo, existe uma ambiguidade nessa ação: como promover o desenvolvimento 
sem comprometer a sobrevivência?
É fundamental para uma atitude ambiental que os indivíduos sejam conscientes e comprometidos 
no sentido de empreenderem políticas públicas satisfatórias para a sociedade.
11
A preocupação pública com os problemas de deterioração ambientais tem crescido de forma 
contínua desde a década de 1970, inicialmente pelos países do Norte, como o Canadá, Japão, Nova 
Zelândia, Austrália, países da Europa Ocidental como a Alemanha, e atingindo na década de 1980 a 
Europa Oriental, a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviética) e países da Ásia e América Latina. A 
partir daí, surgem grupos de estudos, cientistas, agências de governo em escala nacional e internacional, 
além de reuniões como a ECO 92 (RJ) e o Fórum Global, com atuação de Ongs, além da convenção sobre 
alterações climáticas. Em todas elas, metas foram estabelecidas e não cumpridas por falta de consenso 
entre os países participantes.
No decorrer do livro-texto, abordaremos algumas medidas sugeridas e o que ainda falta por realizar 
a fim de que sejam mantidas condições satisfatórias de vida no planeta Terra.
13
ELEMENTOS DE CLIMATOLOGIA; DOMÍNIOS E PAISAGENS VEGETAIS
Unidade I
1 A CLIMATOLOGIA
A superfície terrestre apresenta paisagens singularizadas e diferen ciadas que resultam da combinação 
da atuação conjunta de múltiplos agentes naturais, como a estrutura geológica, o relevo, o clima, o solo, 
os rios, a vegetação, a fauna etc.
O clima é um importante agente natural responsável pela diferenciação espacial das paisagens 
terrestres, pois assume um significado expressivo na configuração externa da paisagem, influenciando 
outros elementos, como a vegetação, o solo e o relevo, bem como é influenciado por eles. A distribuição 
espacial das formações vegetais (biomas) está intimamente ligada ao clima. Em regiões semelhantes no 
aspecto climático encontram-se geobiocenoses e paisagens semelhantes.
Segundo Troppmair (2004), [...] metade das espécies animais do planeta 
tem sua área de ocorrência nos trópicos, mais precisamente nos 7% da 
superfície do globo, cobertos por florestas tropicais. Isso se deve, ao 
fato de as zonas temperadas terem sofrido o rigor das glaciações, que 
sacrificaram inúmeras espécies e “empurraram” outras às regiões mais 
quentes. Por outro lado, próximo aos trópicos, o ambiente permaneceu 
estável, o que facilitou o desenvolvi mento de ecossistemas mais 
ricos e complexos, adaptados a um clima de pouca variação (TORRES; 
MACHADO, 2011, p. XV).
O clima influencia na formação dos solos, na decomposição das rochas, na elaboração das formas 
de relevo, no regime dos rios e das águas subterrâneas, no aproveitamento dos recursos econômicos, na 
natureza e no ritmo das atividades agrícolas, nos tipos de cultivos praticados, nos sistemas de transporte 
e na própria distribuição dos seres humanos na superfície da Terra.
Na ciência da atmosfera é feita uma distinção entre tempo e clima, e entre meteorologia e climatologia. 
Durante um longo período da história do homem, a meteorologia e a climatologia permaneceram como 
parte de um só ramo do conhecimento no estudo da atmosfera terrestre. Com a sistematização do 
conhecimento científico nos séculos XVIII e XIX, deu-se a divisão do conhecimento científico em ramos 
específicos, dando origem à ciência moderna.
Com essa divisão, o estudo da atmosfera pela meteorologia passou a pertencer ao campo das ciências 
naturais, ao ramo da Física, sendo de sua competência o estudo dos fenômenos isolados da atmosfera 
e do tempo atmosférico.
14
Unidade I
 Observação
Tempo atmosférico: estado momentâneo da atmosfera em um dado 
instante e lugar. Estado da atmosfera: conjunto de atributos que a 
caracterizam naquele momento, tais como radiação (insolação), temperatura, 
umidade (precipitação, nebulosidade etc.) e pressão (ventos etc.).
Cabe à meteorologia estudar a dimensão física da atmosfera e abordar fenômenos meteorológicos, 
como raios, trovões, descargas elétricas, nuvens, composição físico-química do ar, previsão do tempo. Por 
suas características de ciência física, a meteorologia trabalha com instrumentos para a mensuração dos 
elementos e fenômenos e cria uma fonte de dados de fundamental importância para o desenvolvimento 
dos estudos da climatologia.
A climatologia surge como um campo do conhecimento científico com identidade própria, logo após 
a sistematização da meteorologia. Voltada ao estudo da espacialização dos elementos e fenômenos 
atmosféricos e de sua evolução, a climatologia integra-se como uma subdivisão da meteorologia e 
da Geografia, compondo o campo das ciências humanas, estudando o espaço geográfico a partir da 
interação da sociedade com a natureza.
Os clássicos conceitos de clima (climate, climat) revelam a preocupação 
com a apreensão do que seja a característica do clima em termos do 
comportamento médio dos elementos atmosféricos, tais como a média 
térmica, pluviométrica e de pressão. Formulados conforme as prerrogativas 
da OMM, alguns conceitos internalizam também a determinação temporal 
cronológica para a definição de tipos climáticos, de onde as médias 
estatísticas devem ser estabelecidas a partir de uma série de dados de um 
período de 30 anos. O conceito elaborado por Julius Hann, no final do século 
XIX, enquadra-se no conceito clássico de clima, considerando-o “o conjunto 
dos fenômenos meteorológicos que caracterizam a condição média da 
atmosfera sobre cada lugar da Terra”. Por sua vez, o conceito apresentado 
por J. O. Ayoade, na década de 1980, liga-se mais àqueles formulados de 
acordo com a OMM, pois, para o autor, o clima é “a síntese do tempo num 
determinado lugar durante um período de 30 a 35 anos” (MENDONÇA, 
DANNI-OLIVERIA, 2007, p. 14-15).
Um importante aspecto dos estudos climáticos refere-se à Meteorologia. As primeiras previsões 
científicas do tempo são bem recentes. A Meteorologia – ciência que estuda os fenômenos da atmosfera 
e do clima – surgiu há menos de dois séculos (em grego antigo, meteoros significava “no alto do céu”). 
No início, essa nova ciência não era capaz de prever muita coisa. Seus pesquisadores estavam 
apenas procurando entender o que acontecia na atmosfera. Por isso, os humoristas diziam que os 
meteorologistas previam o tempo jogando “cara ou coroa”.
15
ELEMENTOS DE CLIMATOLOGIA; DOMÍNIOS E PAISAGENS VEGETAIS
Entretanto, a Meteorologia já avançou muito e, hoje, ela pode prever o tempo em qualquer parte do 
planeta com vários dias de antecedência.Pode mesmo antever a formação de tufões, furacões e tornados.
Atualmente, as previsões do tempo são anunciadas diariamente na televisão. Todos os jornais e 
alguns sites também trazem informações confiáveis sobre a previsão do tempo, assim como para o 
estudo cada vez mais importante das mudanças climáticas.
A Meteorologia é, portanto, a ciência que estuda os fenômenos atmosféricos. Seus campos de estudo 
mais conhecidos são a previsão do tempo e a climatologia.
 Lembrete
OMM significa Organização Meteorológica Mundial.
A partir dessas informações, podemos concluir que tempo é o estado momentâneo da atmosfera de 
determinado lugar e clima pode ser definido como a sucessão ou o conjunto de variações desses estados 
médios que caracterizam a atmosfera de um lugar. Clima é o conjunto de fenômenos meteorológicos 
que caracterizam, durante um longo período, o estado médio da atmosfera e sua evolução em um 
determinado local. Por exemplo, é possível ocorrer tempo frio em uma região de clima quente. A 
determinação e a caracterização do clima de uma determinada área acontecem por meio de uma longa 
série ininterrupta de observações diárias dos “tempos”, algumas vezes por dia, e essas observações 
nunca podem ser realizadas em um período inferior a 30/35 anos.
Segundo Ayoade (2003 apud TORRES; MACHADO, 2011, p. XIX) e Mendonça e Danni-Oliveira (2007, 
p. 23-25), o campo da climatologia tem as seguintes divisões:
• quanto à escala espacial do clima:
— macroclimatologia: relacionada com os aspectos dos climas de amplas áreas da Terra e com os 
movimentos atmosféricos em larga escala que afetam o clima;
— mesoclimatologia: preocupada com o estudo do clima em áreas relativa mente pequenas, entre 
10 km e 100 km de largura (por exemplo, o estudo do clima urbano e dos sistemas climáticos 
locais severos, como os tornados e os temporais);
— microclimatologia: preocupada com o estudo do clima próximo à superfície ou de áreas muito 
pequenas, com menos de 100 m de extensão.
• quanto à escala temporal do clima:
— escala geológica: são estudados os fenômenos climáticos que ocorreram no planeta desde a 
sua formação. É nessa escala que são desenvolvidos os estudos ligados à Paleoclimatologia, que 
estuda os climas do passado a partir de alguns indicadores biológicos (fósseis, polens e anéis 
16
Unidade I
de árvores), litológicos (sedimentos, camadas de aluviões, depósitos de sal etc.) e morfológicos 
(terraços fluviais, dunas, formas residuais do relevo, inselbergs);
— escala histórica: trata-se também do estudo do clima do passado, mas somente de períodos da 
história registrados pelo homem. Nesses estudos são utilizados vários documentos: a descrição 
escrita dos diferentes ambientes (relatos de viagens), os desenhos em paredes de cavernas, os 
utensílios utilizados na lavoura, e os registros dos elementos atmosféricos mensurados nos 
primeiros instrumentos meteorológicos;
— escala contemporânea: é nessa escala que trabalha a maioria dos climatólogos da atualidade. 
Na elaboração desses estudos são utilizados uma série de dados meteorológicos produzidos 
por uma ou mais estações meteorológicas, de preferência superior a 30 anos.
A característica climática de determinada região é controlada pelos elementos e fatores climáticos. 
Os elementos do clima são seus componentes principais, aqueles que se conjugam para formar o tempo 
atmosférico e o clima propriamente dito. Os fatores climáticos provocam alterações por vezes bastante 
significativas no clima e/ou nos seus elementos. São esses fatores climáticos que produzem alterações e 
interferências diretas e/ou indiretas nos elementos climáticos e nos tipos climáticos.
Os principais elementos do clima e do tempo são: temperatura, umidade do ar, pressão atmosférica, 
ventos, nebulosidade, insolação, radiação solar e precipitação. Entre os principais fatores climáticos 
podemos destacar: latitude, altitude, maritimidade e continentalidade, solos, vegetação, correntes 
marítimas, disposição do relevo e, não menos importante, interferência antrópica.
 Observação
Segundo o Vocabulário Básico de Recursos Naturais e Meio Ambiente 
(IBGE, 2004, p. 184), inselberg é um “forma residual que apresenta 
feições variadas tais como crista, cúpula, domo e dorso de baleia e cujas 
encostas mostram declives entre 50° e 60°, dominando uma superfície de 
aplanamento herdada ou funcional, com a qual forma uma ruptura de 
onde divergem as rampas de erosão”.
1.1 A atmosfera terrestre
A atmosfera terrestre é constituída por uma combinação de diversos gases, como o nitrogênio, o 
oxigênio, os chamados gases raros (argônio, neônio, criptônio e xenônio), o dióxido de carbono, o ozônio, 
o vapor d’água, o hélio, o metano, o hidrogênio etc. Além desses gases, há na atmosfera partículas de pó, 
cinzas vulcânicas, fumaça, matéria orgânica e resíduos industriais em suspensão, denominados aerossóis, 
termo usualmente reservado para partículas materiais, exceto água e gelo. Os aerossóis são importantes 
na atmosfera como núcleos de condensação e de cristalização, como absorvedores e dispersores de 
radiação e participantes de vários ciclos químicos. Atualmente, os aerossóis produzidos pelo homem são 
considerados como responsáveis por 30% dos aerossóis contidos na atmosfera.
17
ELEMENTOS DE CLIMATOLOGIA; DOMÍNIOS E PAISAGENS VEGETAIS
A atmosfera divide-se em várias camadas ou estratos superpostos. Segundo Ayoade (2003 apud 
TORRES; MACHADO, 2011, p. 5), evidências provenientes de radiossondas, foguetes e satélites indicam 
que a atmosfera está estruturada em três camadas relativamente quentes separadas por duas camadas 
relativamente frias com camadas de transição entre as cinco camadas principais denominadas “pausas”.
Segundo Torres e Machado (2011, p. 5-6), geralmente são reconhecidas as seguintes camadas da 
atmosfera:
• Troposfera: é a camada mais baixa da atmosfera, estendendo-se até mais ou menos 12 km. Essa 
camada se estende a partir da superfície até a altura de 14/16 km nas zonas equatoriais e até 
8/10 km nas zonas polares, pois nessas últimas as baixas temperaturas promovem a contração 
dos componentes atmosféricos. Nessa camada, ocorre a maior parte dos “meteoros”, fenômenos 
ocorridos na atmosfera que podem ser aéreos ou mecânicos (ventos), acústicos (trovão), aquosos 
(chuva), óticos (arco-íris) ou elétricos (raios). O limite superior da troposfera, denominado 
tropopausa, corresponde às zonas de temperaturas mais baixas.
• Estratosfera: estende-se da tropopausa até cerca de 50 km. Nessa camada a temperatura aumenta 
com a altitude chegando a 17°C na estratopausa. Segundo Ross (1998, p. 72), na camada de 
ozônio a temperatura chega a 50°C, em virtude da absorção da radiação ultravioleta do Sol pelo 
ozônio (O3), que a transforma em energia térmica.
• Mesosfera: camada que se estende da estratopausa até cerca de 80 km de altitude, apresentando 
queda de temperatura de -3,5°C por quilômetro. No seu limite superior (mesopausa), observa-se a 
tempera tura mais baixa da atmosfera, cerca de -90°C. A mesosfera contém uma pequena parte de 
ozônio e vapores de sódio, os quais desempenham um importante papel nos fenômenos luminosos 
da atmosfera, como as auroras.
• Termosfera: estende-se da mesopausa até cerca de 500 km de altitude e é bastante rarefeita. Aqui, 
a atmosfera é muito afetada pelos raios-X e pela radiação ultravioleta, o que provoca ionização 
ou carregamento elétrico. As camadas inferiores da ionosfera desempenham papel importante 
nas transmissões de rádio e televisão, pois refletem ondas de diversos comprimentos emitidas da 
Terra, o que possibilita sua captação pelas emissoras. O limite superior denomina-se termopausa. 
A temperatura, nessa camada, aumenta com a altitude em razão da absorção da radiação 
ultravioleta pelo oxigênio atômico.
• Exosfera: estende-se da termopausa até 800 km a 1000 km de altitude. Predominam os átomos de 
hidrogênio e hélio, pois são mais leves. Nessa camada, a atmosfera vai se rarefazendo, tendendo 
ao vácuo. Ocorremelevadíssimas temperaturas e grande incidência de poeira cósmica.
18
Unidade I
10.000 km
3.500 3.500
1.000 1.000
600 600
200 200
100 100
90 90
80 80
50 50
-90º -60º 20º C
1.300
100
10
1
10-1
10-2
10-3
10-7
18 18
70 70
60 60
25 25
10.000 km
Composição
Hidrogênio 
atômico
EXOSFERA
HE
TE
RO
SF
ER
A
HO
M
OS
FE
RA
Termopausa
Mesopausa
Estratopausa
Tropopausa
TERMOSFERA
TROPOSFERA
ESTRATOSFERA
Efeito estufa
Absorção 
ultravioleta
Reflexão de 
ondas de 
rádio
Absorção 
de raios X e 
gama
Absorção 
de raios X e 
gama
... Auroras1%
Temperatura
MESOSFERA
Hélio 
atômico
Oxigênio 
atômico
Nitrogênio 
molecular
outros
vapor + aerossóis 
25 km: N2 + O2 +
Concentração 
de O3
Dendidade 
g/m3 Massa Propriedade
Compartimentação térmica 
limites térmicos
24% em 
15% do 
volume
75% em 
1% do 
volume
 
Figura 1 − Características da atmosfera
 Saiba mais
No site a seguir você pode observar imagens de satélite mostrando 
condições climáticas em tempo real:
<http://br.weather.com/>
19
ELEMENTOS DE CLIMATOLOGIA; DOMÍNIOS E PAISAGENS VEGETAIS
1.2 Estações meteorológicas e instrumentos
1.2.1 Estações meteorológicas
Sobre as observações de superfície, é importante atentar para o que está escrito no Manual de 
Observação de Superfície (Ministério da Agricultura, 1969 apud TORRES; MACHADO, 2011, p. 241):
Uma observação meteorológica de superfície consiste na medição ou 
determinação de todos os elementos que, em seu conjunto, representam 
as condições meteorológicas em um momento dado e em determinado 
lugar, utilizando instrumental adequado e valendo-se da vista. Estas 
observações, realizadas em forma sistemática, uniforme, ininterrupta, e 
em horas estabelecidas, permitem conhecer as características e variações 
dos elementos atmosféricos, os quais constituem os dados básicos para a 
confecção de cartas de previsões de tempo, para o conhecimento do clima, 
para investigação das leis gerais que regem o fenômeno etc. As observações 
devem ser feitas, invariavelmente, nas horas indicadas e sua execução terá 
lugar no menor tempo possível. É de capital importância prestar a atenção 
a estas duas indicações porque o descuido das mesmas dará lugar, pela 
constante variação dos elementos, à obtenção de dados que, por serem 
tomados a distintas horas, não podem ser comparáveis. A definição anterior, 
por si mesma, exclui qualquer possibilidade de informação com caráter de 
previsão de condições futuras do tempo por parte do observador. Com isso, 
deve ficar claro que o observador, ao preparar uma observação meteorológica 
de superfície, deverá se restringir a informar as condições de tempo reinantes 
no momento da observação. Não lhe é facultado informar o tempo que 
ocorrerá em momento futuro, mesmo que sua experiência e conhecimentos 
pessoais lhe permitam prever mudanças importantes no tempo.
Classificação das estações meteorológicas de superfície quanto à finalidade:
• Estação sinótica: objetiva a previsão do tempo. As medições realizadas são direção e velocidade 
do vento, temperatura do ar, umidade relativa do ar, chuva, pressão atmosférica, nuvens, geadas. 
As leituras são realizadas às 9 horas, 15 horas e 21 horas.
• Estação climatológica: tem por finalidade obter dados para determinar o clima de uma região, 
após um histórico de no mínimo 30 anos de observação. As medições realizadas são direção 
e velocidade do vento, temperatura do ar, umidade relativa do ar, chuva, pressão atmosférica, 
nuvens, geadas, temperatura do solo, evapotranspiração, orvalho, evaporação e radiação solar. As 
leituras são realizadas às 9 horas, 15 horas e 21 horas.
• Estação agroclimatológica: tem por finalidade fornecer informações para estudar a influência do 
tempo (elementos meteorológicos) sobre culturas, além de realizar observações que determinam 
o crescimento e desenvolvimento das culturas.
20
Unidade I
O local e a instalação da estação devem ser representativos na região, com abrangência de cerca de 
150 km2 ao redor da estação. 
A seguir, apresentamos os requisitos da área para instalação de estações meteorológicas:
• exposição aos ventos gerais da região, não deve ser instalada em fundo de vale;
• horizontes amplos, ou seja, não pode haver barreiras que impeçam a incidência da radiação solar 
ou que modifiquem o vento;
• distante de cursos d’água, pois eles modificam o balanço de energia;
• solo representativo da região, plano, que não acumule água; a área deve ser gramada a fim de 
minimizar os efeitos das diferentes texturas.
1.2.2 Instrumentos
Como os meteorologistas e os climatologistas estudam o tempo e o clima? Os cientistas e técnicos 
estudam a atmosfera terrestre por meio de quatro instrumentos fundamentais:
• a rede mundial de estações meteorológicas;
• os satélites meteorológicos;
• os computadores;
• os modelos matemáticos da atmosfera.
As estações meteorológicas
Uma estação meteorológica é uma instalação onde são coletadas as informações destinadas a prever 
o tempo.
Quanto mais estações houver numa região, tanto mais exata poderá ser a previsão do tempo para 
aquele lugar.
As estações meteorológicas mais avançadas são automatizadas, ou seja, transmitem suas informações 
pelo rádio às centrais meteorológicas que coordenam todas essas informações.
Além disso, temos outros instrumentos, descritos a seguir:
• heliógrafo de Campbel-Stokes: aparelho que mede a insolação, ou seja, mede o intervalo de tempo 
de céu descoberto quando o sol se encontra acima do horizonte (em horas);
21
ELEMENTOS DE CLIMATOLOGIA; DOMÍNIOS E PAISAGENS VEGETAIS
• geotermômetro: determina a temperatura do solo;
• pluviógrafo: registra a cada instante de tempo a precipitação pluvial, informando o total de chuva 
e a intensidade (mm/h);
• pluviômetro: mede a quantidade de precipitação pluvial (chuva) em milímetros (mm). A altura da 
chuva é dada pela razão entre o volume inicial e a superfície em questão;
• evaporímetro de Pichè: mede a evaporação – em mililitros (mL) ou em milímetros de água evaporada 
– com base em uma superfície porosa, mantida permanentemente umedecida por água;
• tanque de evaporação: determina a capacidade evaporante da atmosfera a fim de medir a 
evaporação de uma superfície livre de água;
• termômetro de máxima e mínima: registra as temperaturas máxima e mínima do ar (°C) ocorridas 
no dia;
• termômetro: indica a temperatura do ar;
• psicômetro: mede a umidade relativa do ar – de modo indireto – em porcentagem (%);
• anemômetro e catavento: mede a velocidade (em m/s) e a direção (em graus) do vento;
• anemógrafo: registra continuamente a intensidade do vento, bem como sua direção e seu sentido;
• barômetro: mede a pressão atmosférica em coluna de milímetros de mercúrio (mm Hg) e em 
hectopascal (hPa);
• barógrafo: registra a pressão atmosférica ao longo do dia;
• termo-higrográfo: registra continuamente a temperatura do ar e a umidade relativa do ar à 
sombra.
2 CLIMA E TEMPO CLIMÁTICO
Clima é a sucessão habitual dos tipos de tempo durante um longo período, enquanto tempo 
climático é a combinação momentânea dos elementos que constituem o clima, refletindo as condições 
atmosféricas em um determinado instante. Portanto, o estudo do clima deve apoiar-se na análise dos 
elementos e fatores climáticos.
São elementos que constituem o clima: radiação solar e insolação, temperatura, pressão atmosférica, 
umidade, precipitações – chuva, neblina, granizo, neve – e massas de ar. Já os fatores que influenciam 
o clima são a latitude, altitude, disposição do relevo, maritimidade/continentalidade, hidrografia e 
vegetação, intervenção antrópica e corrente marítimas.
22
Unidade I
Equatorial
Oceano
Pacífico
Oceano
Atlântico
Oceano
Índico
Desértico Temperado oceânico Continental Frio de montanha
Tropical Mediterrâneo Temperado continental Subtropical Glacial ou polar
Oceano
Pacífico
Figura 2
2.1 Principais elementos do clima
2.1.1 Radiação solar e insolação
Conceitualmente, existe uma diferença entre radiaçãoe insolação. A insolação é a duração do 
período do dia com luz solar ou a duração do brilho solar. A radiação solar é a energia recebida da Terra 
na forma de ondas eletromagnéticas provenientes do sol; portanto, a radiação solar é a fonte de energia 
de que dispõe o globo terrestre.
Para Ayoade (2003 apud TORRES; MACHADO, 2011, p. 29-30), graças à baixa nebulosidade 
em comparação com a região equatorial, a distribuição latitudinal da insolação indica que 
as maiores quantidades de insolação são recebidas nas zonas subtropicais sobre os principais 
desertos do globo. Os valores de insolação diminuem em direção aos polos e atingem o mínimo 
em torno das latitudes de 70°–80° no hemisfério norte e de 60°–70° no hemisfério sul. Essa 
diferença entre os dois hemisférios é decorrente da maior proporção de oceanos em relação 
aos continentes do hemisfério sul, ou seja, quanto maior a quantidade de água evaporando, 
maior a nebulosidade.
Segundo Soares e Batista (2004), radiação é uma forma de energia que 
emana, sob forma de ondas eletromagnéticas, de todos os corpos com 
temperaturas superiores ao zero absoluto (–273°C). Ainda de acordo 
com os autores, o sol fornece 99,97% da energia utilizada no sistema 
Terra/atmosfera e é, direta ou indiretamente, responsável por todas 
23
ELEMENTOS DE CLIMATOLOGIA; DOMÍNIOS E PAISAGENS VEGETAIS
as formas de vida encontradas no planeta. A cada minuto, o sol emite 
56 x 1026 calorias de energia propagadas em todas as direções, no entanto, 
a intensidade da radiação diminui inversamente ao quadrado das distâncias 
do sol, com isso, o planeta recebe apenas dois bilionésimos da energia que 
sai da fonte. Apesar de serem consideradas constantes, as diferenças da 
incidência de raios solares de acordo com as estações do ano interferem 
nos valores de energia (cal.cm–2.min–1) que chega à superfície (TORRES; 
MACHADO, 2011, p. 30).
Segundo Torres e Machado (2011, p. 31), ao atravessar a atmosfera, a radiação solar é atenuada por 
três processos:
• difusão (espalhamento pelas partículas da atmosfera, como gases, cristais e impurezas): uma 
parte dessa radiação difundida é devolvida ao espaço, enquanto outra parte atinge a superfície e 
é chamada de radiação difusa;
• absorção: absorção seletiva por certos constituintes atmosféricos para certos comprimentos de 
ondas, como a absorção da radiação ultravioleta pelo ozônio (O3);
• reflexão: a reflexão pelas nuvens depende principalmente da espessura, estrutura e constituição 
delas.
[...] em média, de 100% da energia do sol que chega à atmosfera, cerca de 40% 
incidem sobre as nuvens, desse total, 1% é absorvido e 25% são refletidos e se 
perdem no espaço, chegando apenas 14% à superfície. Dos demais 60% que 
incidem sobre áreas sem cobertura de nuvens, 7% são refletidos/difundidos 
por aerossóis e 16% são absorvidos por gases atmosféricos, chegando 37% 
à superfície. Dos 51% que chegam à superfície, subtraem-se 5%, que são 
refletidos pela própria superfície. Assim, aproximadamente 46% da energia 
que incide sobre a atmosfera é absorvida pela superfície terrestre. (TORRES; 
MACHADO, 2011, p. 31).
A energia absorvida ou refletida depende da superfície sobre a qual incide a radiação. A seguir, estão 
alguns conceitos importantes para a Climatologia:
• albedo: indica a refletividade total de uma superfície iluminada pelo sol;
• absortividade: fração da energia incidente absorvida pelo material;
• transmissividade: fração da energia incidente transmitida pelo material;
• emissividade: é o coeficiente que indica a eficiência de um corpo em emitir energia.
24
Unidade I
Tabela 1 − Albedo de algumas superfícies
Superfície Albedo Superfície Albedo Superfície Albedo
Água 5% Areia seca 18% Areia úmida 9%
Asfalto 7% Concreto 22% Culturas 15%-25%
Floresta 16%-37% Grama seca 16%-19% Solo claro 27%
Solo escuro 10% Solo úmido 15% Nuvens 50%-55%
Fonte: Torres; Machado (2011, p. 32).
Tabela 2 − Absortividade (ondas curtas) e emissividade (ondas longas) 
de algumas superfícies em relação à radiação total
Superfície Absortividade Emissividade
Areia seca 83 90
Areia úmida 91 95
Coníferas 95 95
Floresta de Pinus spp 86 90
Grama seca 68 90
Ferro galvanizado 65 13
Fonte: Torres; Machado (2011, p. 32).
A quantidade de radiação solar e de insolação que incide sobre a superfície depende de alguns 
fatores, como período do ano (estações); período do dia (manhã ou noite); latitude (nas latitudes 
entre 35°N e 35°S ocorre excesso de energia, pois a quantidade absorvida é maior que a irradiada ao 
espaço; fora dessas latitudes, há déficit energético); cobertura de nuvens (a insolação no Nordeste 
brasileiro, em qualquer época do ano, é muito superior a da região Norte, evidência de que aquela 
é a região de maior disponibili dade de insolação relativa no Brasil). Nota-se que a cobertura do céu 
(nebulosidade) é o complemento da insolação relativa e verifica-se que o céu fica encoberto 52% 
do período diurno na região Norte, 49% na região Sul, 41% no Sudeste e no Centro-Oeste, apenas 
34% no Nordeste.
A energia absorvida pela superfície terrestre em ondas curtas é reirradiada 
por meio de ondas longas, promovendo o aqueci mento atmosférico. A 
parte absorvida é usada no aquecimento da superfície do planeta (solo 
e água). Dessa forma, a atmosfera (ou o ar) não é aquecida diretamente 
pelos raios solares, que passam por ela, mas, sim, pelo calor irradiado 
da Terra, ou seja, o aquecimento da atmosfera ocorre de forma indireta 
(TORRES; MACHADO, 2011, p. 33).
25
ELEMENTOS DE CLIMATOLOGIA; DOMÍNIOS E PAISAGENS VEGETAIS
25% são refletidos 
pelas nuvens
7% são refletidos/difundidos 
por aerossóis
16% são absorvidos por 
gases atmosféricos
5% são refletidos 
pela superfície
1% absorvido 
pelas nuvens
14% 32%
37%
60%
100%
40%
+ 46%=
Figura 3 − Balanço energético da Terra
2.1.2 Temperatura
Segundo Vianello e Alves (1991, p. 92 apud TORRES; MACHADO, 2011, p. 34), calor “é uma forma de 
energia que pode ser transferida de um sistema para outro, sem transporte de massa e sem execução 
de trabalho mecânico”.
De acordo como Ayoade (2003, p. 50), a temperatura pode ser definida em 
termos de movimento de moléculas – quanto mais rápido esse movimento, 
mais elevada a temperatura. Pode ser definida também tomando-se por 
base o grau de calor que um corpo possui: “A temperatura é condição 
que determina o fluxo de calor que passa de uma substância para outra”. 
O calor desloca-se de um corpo com maior temperatura para outro com 
menor temperatura. A temperatura de um corpo é determinada pelo 
balanço entre a radiação que chega (ondas curtas) e a que sai (ondas 
longas) e pela sua transformação em calor latente e sensível. De acordo 
com Vianello e Alves (1991, p. 93), “Calor sensível é o calor que se detecta, 
estando associado à mudança temperatura. Já o calor latente é o calor 
que deve ser absorvido por uma substância para que ela mude seu estado 
físico” (TORRES; MACHADO, 2011, p. 34).
Na meteorologia há três modalidades principais de temperatura: do ar, da água e do solo. Esse 
importante elemento do clima sofre influência de diversos fatores, mas principalmente da altitude, da 
latitude dos efeitos da maritimidade e da continentalidade.
Geralmente, a temperatura diminui em razão do aumento de latitude, ou seja, a temperatura diminui 
à medida que se afasta do Equador em direção aos polos. Essa modificação de temperatura está ligada 
basicamente a dois fatores.
26
Unidade I
Primeiro fator: a forma como se dá a incidência dos raios solares sobre a superfície terrestre. 
Nas baixas latitudes, próximas ao Equador, as temperaturas são mais elevadas em função da maior 
intensidade dos raios solares que incidem perpendicularmente sobre a superfície, atravessando uma 
camada atmosférica menos profunda do que nas altas latitudes junto aos polos, onde os raios solares 
incidem sobre a superfície com maior inclinação, resultando em menores temperaturas. A temperatura 
é mínima nos polos não somente porque os raiossolares incidem com grande obliquidade, mas também 
em razão da grande capacidade de reflexão (albedo) da neve que cobre a superfície dessas regiões.
Segundo fator: a atmosfera tem uma espessura menor sobre o Equador e maior sobre os polos, o 
que favorece a incidência maior e mais intensa na faixa tropical e, em especial, na faixa equatorial.
Há influência do fator altimétrico agindo sobre os valores térmicos. A temperatura do ar diminui 
aproximadamente 0,6°C, em média, a cada 100 metros de altitude, gradiente que pode variar de 1°C para cada 
105 metros quando o ar está ligeiramente úmido até 1°C para cada 200 metros quando o ar está saturado. 
Esse fato ocorre porque a atmosfera é aquecida de forma indireta pelo calor irradiado pela superfície, sendo 
que as regiões mais aquecidas são aquelas em contato mais direto com a fonte de irradiação – a superfície 
terrestre e as águas. Uma vez que o aquecimento da atmosfera parte da superfície terrestre, esse processo 
ocorre de baixo para cima. Deve-se considerar também que o ar é mais rarefeito nas regiões mais elevadas, o 
que contribui para uma menor temperatura, pois quanto menos ar menor a quantidade de calor contida nele.
Com isso, temos a seguinte conclusão: a hora em que há maior ganho 
energético do sol é justamente a hora do dia em que ele está mais próximo 
da superfície, ou seja, meio dia (12 horas), quando está a pino no horizonte 
(fazendo zênite). Analisando os primeiros dois metros de superfície como área 
de maior atividade biológica, tem-se que o horário de maior temperatura é 
por volta de 14 horas. Por outro lado, sabendo-se que depois do pôr do sol a 
superfície perde sua fonte de energia e que, com isso, o ar começa a perder 
temperatura culminando nos instantes anteriores ao primeiro raio solar do 
outro dia, a superfície atinge sua temperatura mínima, variando o horário 
de acordo com a época do ano e a latitude (TORRES; MACHADO, 2011, p. 35).
A influência dos fatores continentalidade e maritimidade sobre a temperatura se dá em virtude 
da diferença de calor específico entre a terra e as superfícies hídricas. Regiões próximas a grandes 
corpos hídricos apresentam temperaturas mais regulares, pois além do efeito das brisas e das correntes 
marítimas, a água tem a propriedade de manter o calor absorvido por mais tempo e misturá-lo a maiores 
profundidades que o solo. Por sua vez, o solo tem uma capacidade menor de transportar calor e o calor 
específico da superfície terrestre (solo, rocha, vegetação) é muito diferente do da água.
 Observação
“O calor específico de uma substância é a quantidade de calor necessário 
para elevar em um grau centígrado a temperatura de sua unidade de massa” 
(RETALLACK, 1977, p. 24 apud TORRES; MACHADO, 2011, p. 36).
27
ELEMENTOS DE CLIMATOLOGIA; DOMÍNIOS E PAISAGENS VEGETAIS
Segundo Torres e Machado (2011, p. 36), “as regiões próximas aos grandes corpos hídricos têm um 
gradiente térmico menor que o de regiões distantes desses corpos”. Como a água ganha calor mais 
lentamente, perde-o mais lentamente também, assim, mesmo com o pôr do sol, o ar atmosférico, apesar 
de parar de receber calor da superfície terrestre, continua recebendo-o das superfícies hídricas.
2.1.3 Umidade do ar
Segundo Torres e Machado (2011, p. 38), a umidade do ar é o termo utilizado para representar a 
quantidade de vapor de água presente na atmosfera. A umidade do ar resulta da evaporação da água 
das superfícies terrestres e hídricas e da evapotranspiração de animais e vegetais, portanto, depende 
do calor e, logicamente, necessita de água para ser evaporada. Um deserto, por exemplo, tem calor 
suficiente para promover o processo de evaporação, mas não tem água para ser evaporada, então, a 
umidade do ar permanece baixa.
O vapor de água representa somente 2% da massa total da atmosfera e 4% de seu volume; é o 
componente atmosférico mais importante na determinação do tempo e do clima. A quantidade de vapor 
de água presente na atmosfera varia de lugar para lugar e no transcurso do tempo em determinada 
localidade, podendo variar de quase zero, nas áreas quentes e áridas, até no máximo 3%, nas latitudes 
médias, e 4% nos trópicos úmidos.
A umidade absoluta é uma forma para expressar a concentração de vapor de água no ar. A expressão 
“ar saturado” é quando o ar apresenta a concentração máxima de vapor de água que pode conter.
A concentração máxima de vapor de água ou saturação aumenta com a 
elevação de temperatura, ou seja, com maior temperatura, logo, com maior 
grau de calor, o ar se torna mais quente e se expande, podendo, assim, 
conter mais vapor de água. Dessa forma, quanto maior a temperatura, maior 
a capacidade do ar de reter o vapor de água. O ar pode chegar à saturação 
se a temperatura diminuir, mesmo sem ocorrer aumento da quantidade de 
vapor de água. A umidade relativa pode variar, ainda que o conteúdo de 
vapor de água permaneça constante. Isso ocorre quando a temperatura da 
amostra de ar muda. Por essa razão a umidade relativa alcança seus valores 
máximos durante a madrugada quando ocorre a temperatura mínima do 
ar. [...] Durante o dia, a temperatura aumenta e isso implica diminuição 
da umidade relativa, pois o ar dilata e pode conter mais vapor de água. 
Pode-se dizer, então, que a umidade relativa é inversamente proporcional à 
temperatura (TORRES; MACHADO, 2011, p. 38-40).
A temperatura diminui com o aumento da altitude, quanto menor a temperatura, menor o volume 
de vapor de água presente no ar. Quanto maior a altitude, menor a temperatura e menor o volume de 
vapor de água presente no ar (umidade absoluta).
Nota-se que a umidade relativa média anual apresenta uma estreita relação com o total anual de 
precipitação, pois a precipitação é o processo de alimentação das fontes naturais de vapor de água.
28
Unidade I
Tabela 3 − Relação entre umidade relativa do ar e 
precipitação em alguns estados brasileiros
Estados Umidade relativa (%) Precipitação (mm/ano)
Ceará 70 971
Bahia 72 1.203
Mato Grosso 75 1.404
Minas Gerais 76 1.421
Rio Grande do Sul 77 1.555
Amazonas 87 2.705
Fonte: Torres; Machado (2011, p. 40).
O teor de água desempenha um importante papel no balanço térmico da atmosfera, principalmente 
na manutenção da temperatura nas camadas mais baixas. 
 Observação
Umidade absoluta: expressa o peso do vapor de água em um dado 
volume de ar, representado em gramas por metro cúbico (g/m3).
Umidade relativa: é dada pela razão entre o peso do vapor de água e 
o peso do ar, isto é, quantos gramas de vapor existem em cada quilograma 
de ar úmido.
2.1.4 Pressão atmosférica
A Terra está completamente envolvida por uma grande camada de ar, a atmosfera. Como todos os 
corpos, o ar tem peso. Qualquer ponto na superfície terrestre está sujeito a uma pressão correspondente 
ao peso da coluna de ar que lhe fica sobreposta. Essa pressão, denominada pressão atmosférica, 
representa um papel importante no clima, pois suas variações estão intimamente ligadas aos diferentes 
estados do tempo. O ar atmosférico tem peso que se manifesta sob a forma de pressão exercida pela 
atmosfera em todas as direções, especialmente sobre a superfície terrestre.
Em qualquer ponto da superfície terrestre, a pressão se deve ao peso do ar sobre esse lugar. Assim, 
para as áreas em que há menor pressão, denomina-se baixa pressão (BP); para as áreas onde a pressão 
é maior, denomina-se alta pressão (AP).
A pressão atmosférica está sujeita a variações de acordo com a temperatura, latitude e altitude.
A temperatura faz variar a pressão atmosférica porque quanto mais elevada, menor será a pressão 
atmosférica, pois o calor dilata o ar, tornando-o mais leve e determinando, por consequência, menor 
29
ELEMENTOS DE CLIMATOLOGIA; DOMÍNIOS E PAISAGENS VEGETAIS
pressão do ar sobre a superfície (baixa pressão). Para uma mesma condição de altitude entre dois pontos 
quaisquer, a pressão sofre variação se a temperatura desses dois pontos for diferente. A faixa equatorial, 
por ser uma zona de altas temperaturas,determina a existência de áreas de baixa pressão (BP); já nos 
polos, locais onde as temperaturas são mais frias, com o ar mais denso e pesado, ocorrem áreas de alta 
pressão (AP). Podemos concluir que, geralmente, a pressão atmosférica aumenta do Equador em direção 
aos polos. A pressão atmosférica aumenta com o aumento da latitude.
A pressão atmosférica também sofre variações em razão da altitude, pois, quanto mais elevado for 
o local, menor será a camada de ar a pesar sobre ele e, consequentemente, menor será o peso exercido 
pelo ar sobre a superfície terrestre. Podemos afirmar que a pressão atmosférica diminui com a altitude 
em decorrência da densidade do ar, da aceleração da gravidade e da temperatura do ar (TUBELIS; 
NASCIMENTO, 1984 apud TORRES; MACHADO, 2011, p. 42).
A influência da temperatura sobre a pressão atmosférica também pode 
ser notada quando se compara a variação anual da pressão atmosférica 
com o desenvolvimento das temperaturas no decorrer das estações do 
ano. As áreas de baixa pressão (BP) são denominadas ciclones ou áreas 
ciclonais e são receptoras de ventos. As áreas de alta pressão (AP) são 
denominadas anticlones ou áreas anticiclonais e são áreas dispersoras de 
ventos. No hemisfério sul, em uma região de baixa pressão, o ar apresenta 
um movimento par ao interior do núcleo, no sentido horário. Em uma região 
de alta pressão, o ar se move para fora do núcleo, no sentido anti-horário. O 
oposto ocorre no hemisfério norte. Isso ocorre em virtude dos mecanismos 
de convergência e divergência do ar, que se correlacionam com as variações 
de temperatura e, conse quentemente, de pressão. As regiões nas quais o ar 
faz o movimento ascendente são denominadas zonas de baixa pressão; já 
as regiões nas quais o ar faz o movimento descendente são denominadas 
zonas de alta pressão (TORRES; MACHADO, 2011, p. 43.).
Por esse motivo, verificamos que o ar atmosférico está sempre circulando a partir das áreas de maior 
para as de menor pressão, resultando na formação dos ventos que sopram porque o ar é comprimido 
para fora por massas de ar frio descendentes e sugado para baixo da massa de ar quente em elevação, 
ou seja, os ventos sopram, no nível do solo, de lugares frios para lugares quentes.
2.1.5 Vento
O vento é o ar em movimento e sua origem está ligada às diferenças de temperatura e pressão 
existentes entre duas regiões da atmosfera, sempre soprando de áreas de alta para áreas de baixa 
pressão. Isso significa que, quando uma área é submetida a temperaturas elevadas, o ar sofre 
dilatação e torna-se leve. Esta área, então, fica com baixas pressões, convergindo para ela o ar 
proveniente de outra área onde a temperatura é menor (mais frio) e a pressão é maior. O vento é 
o movimento do ar em relação à superfície terrestre, que se processa tanto no sentido horizontal 
como no sentido vertical.
30
Unidade I
Em geral, o vento é mais forte e veloz nas partes mais altas, pois a velocidade próxima do solo é 
diminuída pela fricção ou pelo atrito do próprio vento com os obstáculos da superfície.
Segundo Soares e Batista (2004 apud TORRES; MACHADO, 2011, p. 46), a direção do vento é o ponto 
cardeal de onde o vento vem. No Brasil, são adotadas oito direções fundamentais: Norte (N), Nordeste (NE), 
Sul (S), Sudeste (SE), Oeste (W), Noroeste (NW), Leste (E) e calmaria para a ausência de qualquer movimento.
Podemos classificar os ventos como:
• brisas terrestres e marítimas: são ventos locais que ocorrem principal mente nas costas tropicais. São 
causadas pelas diferenças de pressão existentes entre o continente e o mar, e essa, por sua vez, tem 
origem nas diferenças térmicas (calor específico) entre a superfície terrestre e a superfície hídrica;
• ventos de vale e de montanha: em parte, são ventos de origem térmica, pois durante o dia, quando 
a radiação do sol é intensa, algumas vertentes montanhosas mais expostas são aquecidas mais 
rapidamente que os fundos de vale. Assim, forma-se uma área de baixa pressão receptora de ventos 
nas partes mais elevadas e, com isso, os ventos deslocam-se vertente acima. Esses ventos, denominados 
ventos de vale ou anabáticos, “são muitas vezes acompanhados pela formação de nuvens cúmulos 
sobre as montanhas ou perto delas” (AYOADE, 2003, p. 95 apud TORRES; MACHADO, 2011, p. 47);
• alísios: são ventos constantes que provêm das regiões subtropicais, áreas de alta pressão 
e dispersoras de ventos, para a faixa equatorial, área quente, de baixa pressão e receptora de 
ventos. Em razão do movimento de rotação da Terra, os ventos alísios sopram de nordeste para 
sudoeste (alísios de nordeste) no hemisfério norte; de sudeste para noroeste (alísios de sudeste) 
no hemisfério sul.
A seguir, apresentamos outras classificações de ventos:
• constantes: dos trópicos para o Equador, podendo causar chuvas pela sua unidade;
• periódicos: conhecidos como brisas das regiões litorâneas, se alternam regularmente, surgem pela 
desigualdade de aquecimento entre a terra e o mar;
• locais e variáveis: depende da época e o local. Ex: Minuano – (RS). Ventos de Noroeste – da 
Amazônia, que podem deslocar-se até São Paulo;
• perigosos: que podem causar grandes danos materiais e humanos;
• ciclones: são ventos circulares, como: tufão, furacão, tornado. São tempestades violentas que 
ocorrem em regiões tropicais e subtropicais com velocidades que superam 50 km/h, atingindo 
mais de 160 km/h. Os ciclones classificam-se em:
— furacão: é um vento circular forte, com velocidade igual ou superior a 100 km/h. São ciclones que 
se formam no mar do Caribe (Oceano Atlântico) ou nos Estados Unidos. Os ventos precisam ter 
31
ELEMENTOS DE CLIMATOLOGIA; DOMÍNIOS E PAISAGENS VEGETAIS
mais de 119 km/h para uma tempestade ser considerada um furacão. Giram no sentido horário (no 
Hemisfério Sul) ou anti-horário (no Hemisfério Norte) e medem de 200 km a 400 km de diâmetro;
— tufão: é a denominação que recebem os ciclones formados no Sul da Ásia e na parte ocidental 
do Oceano Índico, entre julho e outubro. É o mesmo que furacão, só que na região equatorial 
do Oceano Pacífico. Os tufões surgem no Mar da China e atingem o leste asiático;
— tornado: é o mais forte dos fenômenos meteorológicos, menor e mais intenso que os demais 
tipos de ciclones. Com alto poder de destruição, atinge até 490 km/h de velocidade no centro 
do cone. Produz fortes redemoinhos e elevam a poeira. Forma-se entre 10 e 30 minutos e tem, 
no máximo, 10 km de diâmetro. O tornado é menor e em geral mais breve que o furacão, ocorre 
em zonas temperadas do Hemisfério Norte. Os tornados podem atingir até 500 km/h. No mar, 
chama-se tromba d’água;
— vendaval: vento forte com até 150 km/h. Geralmente ocorre de madrugada, pode durar várias 
horas. Na Austrália e países da Oceania os ventos fortes são conhecidos como Willy-Willy.
Os ventos são o deslocamento do ar das áreas de alta pressão atmosférica para as áreas de baixa 
pressão. No Hemisfério Norte, os ventos polares são conhecidos como mistral, enquanto na América 
do Sul são conhecidos como minuano ou pampeiro. Nos polos, são os blizzards. Já os ventos que se 
deslocam junto à superfície dos Trópicos para o Equador são os alísios, caracterizando-se como quentes 
ou tépidos e úmidos. O encontro dos ventos alísios de NE e SE forma uma zona de baixa pressão (ciclonal), 
conhecida como Zona de Convergência Intertropical (CIT) ou Frente Intertropical (FIT), que provoca as 
chuvas convectivas, típicas das regiões intertropicais e equatoriais. Por outro lado, os ventos contra-alísios, 
que se deslocam em maiores altitudes no sentido contrário (do Equador para os Trópicos) e desprovidos 
de boa parte de sua umidade, formam os centros de alta pressão, conhecidos como anticiclonais.
Quando o anticiclone se forma nos continentes geralmente surgem desertos, como o Saara, no 
Norte africano, e o Grande Deserto de Areia, no Centro-Oeste australiano.
 Saiba mais
Para saber mais sobre ventos e questões climáticas sugerimos os 
seguintes filmes:
O DIA depoisde amanhã. Dir. Roland Emmerich. EUA: 20th Century Fox, 
2004. 124 min.
TWISTER. Dir. Jan de Bont. EUA: Universal Studios, 1996. 113 min. 
UMA VERDADE inconveniente. Dir. Davis Guggenheim. EUA: Paramount, 
2006. 94 min.
32
Unidade I
Alta60ºN
60ºS
30ºN
Equador
30ºS
Alta
Alta
Alta
Baixa
Baixa
Baixa
Polo Norte
Ventos Alísios Nordeste
Ventos Alísios Sudeste
Ventos Nordeste
Ventos Sudeste
Ventos Oeste
Ventos Oeste
Polo Sul
Figura 4 
2.1.6 Nebulosidade
Entre 4,5 bilhões e 3 bilhões de anos atrás, a Terra ainda estava muito quente, o que impedia os 
gases suspensos no ar de se transformarem em líquido. Conforme a Terra foi esfriando, entre 3 bilhões 
e 2 bilhões de anos, as primeiras nuvens apareceram. As nuvens continham, além de água, metano, 
amônia, hidrogênio, hélio e gás carbônico. Atualmente, as nuvens são bem mais leves e são compostas 
por gotículas de água e impurezas encontradas no ar.
Segundo Tubelis e Nascimento (1984, p. 174 apud TORRES; MACHADO, 2011, p. 50), uma nuvem 
pode ser definida como “um conjunto visível de partículas de água líquida e/ou de gelo, em suspensão 
na atmosfera”. O vapor de água presente no ar atmosférico pode passar para a fase líquida pelo processo 
de condensação, que dá origem às nuvens. 
O nascimento de uma nuvem pode ser resumido assim: em dias quentes, o 
sol aquece o solo com maior intensidade em alguns lugares. As bolhas de ar 
quente que se formam nos locais de maior incidência sobem impulsionadas 
pelo ar mais denso e mais frio em volta delas. Quando encontram uma 
pressão atmosférica mais baixa, as bolhas se expandem e resfriam – uma 
nuvem se forma quando o ar sobe e esfria tanto que o vapor de água que o 
ar contém se condensa em gotículas (TORRES; MACHADO, 2011, p. 51).
Segundo Mendonça e Danni-Oliveira (2007, p. 67), as nuvens são classificadas em famílias, de acordo 
com a altura de suas bases em relação ao nível do solo:
33
ELEMENTOS DE CLIMATOLOGIA; DOMÍNIOS E PAISAGENS VEGETAIS
• nuvens altas: as bases estão a mais de 7 km da superfície; correspondem às nuvens do tipo Cirros 
compostas por cristais de gelo ou às de forma mista com prefixo Cirro, compostas por cristais de 
gelo e água super-resfriada;
• nuvens médias: as bases estão entre 2 e 7 km de altura, prefixo Alto, compostas preferencialmente 
de água e comumente associadas a mau tempo;
• nuvens baixas: as bases estão abaixo de 2 km; correspondem às do tipo Estratos e Estratos-cúmulos. 
Pertencem a esta família as nuvens Nimbos-estratos, que são nuvens geradas a partir dos Estratos;
• nuvens de desenvolvimento vertical: também classificadas como nuvens baixas, são aquelas geradas 
pelos movimentos convectivos que formam nuvens do tipo Cúmulos (em forma de couve-flor), 
e que nos trópicos podem ultrapassar os 18 km de extensão. Quando pequenas e isoladas, são 
chamadas apenas de Cúmulos e indicam bom tempo. Contudo, se evoluem de Cumulus congestus, 
mais crescidas e encor padas, para Cúmulos-nimbos, que se formam comumente à tarde, podem 
trazer chuvas pesadas, com pelotas de gelo (granizo), neve, relâmpagos; e, em algumas regiões 
dos Trópicos, há formação de grandes tornados. Cúmulos-nimbos também se formam ao longo 
de um sistema frontal, de um ciclone tropical (furacão) ou e outros sistemas meteorológicos.
9.000
Cirrus
Cirrus-cúmulos
Altos-cúmulos
Altos-estratos
Nimbos-estratos
Estratos
Estratos-cúmulos
De
se
nv
ol
vi
m
en
to
 v
er
tic
al
 (m
)
Ba
ix
as
M
éd
ia
s
Al
ta
s
Cúmulos
Cúmulos-nimbus
Cirrus-estratos7.500
6.000
4.500
3.000
1.500
Figura 5 
34
Unidade I
A figura representa os principais tipos de nuvens que resultam do modo como o conteúdo de umidade 
do ar é levado a ascender na Troposfera. Quando concentrados e velozes, os movimentos ascensionais 
geram nuvens do tipo cumuliformes; quando mais lentos e graduais, resultam em nuvens estratiformes; 
e quando extensivos e prolongados, geram os cirros.
Cirros
Cirros-cúmulos
Figura 6 – Nuvens altas
35
ELEMENTOS DE CLIMATOLOGIA; DOMÍNIOS E PAISAGENS VEGETAIS
Altos-cúmulos
Altos-estratos
Figura 7 − Nuvens médias
36
Unidade I
Cúmulos
Estratos-cúmulos
Estratos
Figura 8 − Nuvens baixas
2.1.7 Precipitação
A água é um dos principais elementos naturais de manutenção da vida no planeta e a precipitação 
é o resultado de um estado avançado de condensação da água. A precipitação ocorre quando a força 
37
ELEMENTOS DE CLIMATOLOGIA; DOMÍNIOS E PAISAGENS VEGETAIS
gravitacional supera a força que mantém a umidade suspensa, então a umidade atinge o solo sob a 
forma líquida (chuva ou chuvisco/garoa) ou sólida (granizo, saraiva e neve).
É importante destacar o ciclo hidrológico, que, de forma geral, tem origem na evaporação da água 
formando nuvens (condensação) e termina com a precipitação, quando o ciclo se reinicia.
Vapor 
d’água
Vulcão
Glaciar
Armazenagem
ArmazenagemInfiltração
Percolação
Evaporação
Evaporação
Evapotranspiração
Escoamento Corrente fluvial
Águas subterrâneas 
circulantes
Águas subterrâneas 
circulantes
Mar
Armazenagem
Lago
Armazenagem
Superfície do 
lençol freático
Evaporação 
da chuva
Evaporação 
da superfície Radiação
Solar
Chuva
Chuva
Rio
Vento
Nuvem
Neve
Figura 9 − Ciclo hidrológico
2.1.7.1 Ciclo hidrológico
O ciclo hidrológico ou ciclo da água está ligado ao ciclo energético da Terra, ou seja, à distribuição 
da energia proveniente do Sol que é responsável pela passagem da água pelos três estados da matéria 
(sólido, líquido e gasoso), além de promover a circulação dessa água pelo globo.
Segundo Torres e Machado (2011, p. 55-59), as etapas desse ciclo são as seguintes:
• evaporação ou vaporização: é a passagem da água do estado líquido para o de vapor. Aqui se 
inclui a evapotranspiração, ou seja, a evaporação, por transpiração, da água presente nos seres 
vivos (animais e vegetais). Para haver evaporação, dois agentes são fundamentais: água para ser 
evaporada e temperatura para promover a passagem da água do estado líquido para o gasoso.
• condensação: é o processo pelo qual o vapor de água presente no ar atmosférico é novamente 
transformado em água líquida. O início do processo de condensação é visualizado pela formação 
de uma nuvem no céu;
• precipitação: é o processo pelo qual a água condensada na atmosfera atinge a superfície terrestre 
na forma líquida (chuva ou chuvisco) ou sólida (granizo, saraiva ou neve):
— chuva: é a precipitação de partículas de água líquida na forma de gotas com diâmetro mínimo 
de 0,5 mm e velocidade de queda de 3 m/s (SOARES; BATISTA, 2004 apud TORRES; MACHADO, 
2011, p. 57);
38
Unidade I
— chuvisco: precipitação de gotas de água muito pequenas, com diâmetros inferiores a 0,5 mm, 
que se dispersam uniformemente, parecem flutuar no ar acompanhando o movimento da 
brisa;
— granizo: precipitação de grãos redondos ou cônicos de gelo. Ocorre quando a solidificação é 
muito rápida, ou seja, quando ocorre a sublimação (passagem do estado gasoso diretamente para 
o estado sólido) ou quando se produz em um meio contendo pequenas gotas super-resfriadas, 
como resultado de um resfria mento muito rápido a temperaturas entre -12°C e -40°C, o gelo 
se forma em massas amorfas ou apresenta pequenos traços de cristalização, precipitando em 
forma de granizo;
— saraiva: precipitação de pedras de gelo mais ou menos ovais, com diâmetros entre 0 mm e 50 
mm ou mais, que caem ora separadas umas das outras, ora aglomeradas em blocos irregulares.
• Neve: se a condensação (sublimação) se dá a temperaturas muito baixas (em torno ou abaixo de 
-40°C) e de forma lenta e progressiva, o vapor de água também passa diretamente para o estado 
sólido, então, o gelo toma formas cristalinas mais ou menos regulares, simples ou complexas, e 
constituem a neve.
Ainda segundo os autores, de acordo com sua gênese, as chuvas podem ser classificadas em três 
tipos principais:
• chuva convectiva ou de origem térmica: as nuvens de convecção (grandes cúmulos ou 
cúmulos-nimbos) são formadas com a ascensãode uma massa de ar úmido em regiões quentes; 
são comuns em áreas quente e úmidas. Com o aumento da concentração de vapor de água ou 
com o resfria mento da massa de ar ocorre a saturação do ar, resultando em chuvas pesadas e 
intensas, de duração curta.
• chuva frontal: esse tipo de chuva, também chamada de ciclônica, está associada à instabilidade 
causada pelo encontro de duas massas de ar com características térmicas diferentes (uma massa 
de ar quente e outra de ar frio). É uma precipitação moderadamente intensa, contínua, que afeta 
áreas bastante extensas;
• chuva orográfica ou de relevo: orogênicas ou de relevo, ocorrem em razão da ascensão forçada de 
ventos úmidos ante um obstáculo do relevo. O ar, obrigado a se elevar para transpor o obstáculo, 
resfria-se (com a altitude) e pode ficar saturado. As vertentes do obstáculo voltadas para o vento 
ficam cobertas de nuvens das quais cai a chuva. Do outro lado do obstáculo, o ar descendente é 
seco e, em geral, frio, com suas características iniciais modificadas;
39
ELEMENTOS DE CLIMATOLOGIA; DOMÍNIOS E PAISAGENS VEGETAIS
TPO
TPO
TPO
Ar fresco
Frente fria
Fren
te q
uen
te
Ar quenteAr frio
A
C
B
Chuva convectiva: a convenção resulta do forte aquecimento 
do ar e caracteriza-se por movimentos ascencionais turbilhonares 
e vigorosos, que elevam o ar úmido. A saturação, expressa pela 
temperatura do ponto de orvalho (TPO), promove a formação de 
nuvens e a precipitação.
Chuva frontal: forma-se pela ascensão forçada do ar úmido ao longo das frentes. As frentes frias, por gerarem movimentos 
ascensionais mais vigorosos, tendem a formar nuvens cumuliformes mais desenvolvidas. Nas frentes quentes, a ascensão é mais 
lenta e gradual, gerando nuvens preferencialmente do tipo estratiforme.
Chuva orográfica ou de relevo: a vertente a barlavento força o ar úmido a ascender, 
atingindo a saturação do vapor (TPO) nos níveis mais elevados, onde são formadas as nuvens, 
podendo ocorrer chuva. A vertente a sotavento não gera nuvens, uma vez que há descenso 
do ar e este encontra-se mais seco.
Advecção
Figura 10 − Principais processos geradores de chuvas
Segundo Ayoade (2003 apud TORRES; MACHADO, 2011, p. 60), reconhecem-se os seguintes padrões 
de precipitação pluvial sazonal:
• precipitação pluvial equatorial: abundante, ocorre durante todo o ano e é amplamente convectiva 
quanto à origem;
• precipitação pluvial savana: amplamente convectiva e ocorre durante o verão;
• precipitação pluvial de deserto tropical: baixa em todas as estações;
• precipitação pluvial mediterrânea: é principalmente ciclônica (frontal) e ocorre no inverno;
• precipitação do oeste europeu: abundante, com mais chuvas no inverno que no verão;
40
Unidade I
• precipitação pluvial continental: a chuva cai principalmente no verão;
• precipitação pluvial costeira leste: é elevada e provém de ventos marítimos em baixas latitudes; 
nas latitudes médias, a precipitação é derivada de massa de ar úmida e moderadamente quente 
que se dirige para o interior no verão e de tormentas ciclônicas no inverno;
• precipitação pluvial polar: é baixa, com precipitação máxima no verão, quando há mais umidade 
no ar e a influência ciclônica pode alcançar a área circunvizinha aos polos.
Janeiro
Julho
Equador
0 0 01.400 km 1.274 km 700 km
3.000 mm
2.700 mm
2.400 mm
2.100 mm
1.800 mm
1.500 mm
1.200 mm
900 mm
600 mm
300 mm
Escala aproximada
Paralelo 30º
Preciptação
Paralelo 60º
Figura 11 − Variação espacial das chuvas no mundo
A zona tropical-equatorial caracteriza-se por apresentar valores mais elevados de pluviosidade. A 
partir dessa zona em direção aos polos, os índices pluviométricos diminuem, com exceção das bordas 
costeiras dos continentes, em geral mais chuvosos do que o interior.
2.2 Principais meteoros (fenômenos visíveis na atmosfera)
Os meteoros são fenômenos visíveis na atmosfera. Podem ser astronômicos, originados de corpos 
que procedem do espaço e penetram na atmosfera e nos fazem pensar nas estrelas cadentes, e não 
astronômicos, que são os mais frequentes.
Em meteorologia esses corpos são fenômenos ou eventos que se mani festam na atmosfera 
terrestre. Para os meteorologistas, meteoro é um fenômeno, além das nuvens, observado na 
41
ELEMENTOS DE CLIMATOLOGIA; DOMÍNIOS E PAISAGENS VEGETAIS
atmosfera ou na superfície terrestre. Esse fenômeno pode ser uma precipitação, uma suspensão ou 
um depósito de partículas líquidas ou sólidas, podendo ser também uma manifes tação de natureza 
ótica ou elétrica.
Segundo Torres e Machado (2011, p. 65), a Organização Meteorológica Mundial (OMM) classifica 
os meteoros de acordo com a natureza de suas partículas constituintes ou os processos físicos que 
intervêm em sua formação em quatro grupos principais:
• hidrometeoros: meteoro que consiste em um conjunto de partículas de água líquida ou sólida, em 
queda ou em suspensão na atmosfera, levantadas da superfície pelo vento ou, ainda, depositadas 
sobre os objetos no solo ou na atmosfera livre. Os hidrometeoros são a chuva, a garoa ou chuvisco, 
a neve, o granizo, a saraiva, nevoeiro, névoa úmida, escuma, orvalho e geada;
• litometeoro: conjunto de partículas que, em sua maneira, são sólidas e não aquosas. Essas 
partículas estão mais ou menos em suspensão na atmosfera ou são levantadas do solo pelo vento. 
A névoa seca é um exemplo de litometeoro;
• fotometeoro: fenômeno luminoso produzido pela reflexão, refração ou interferência da luz solar 
ou lunar. O arco-íris, o halo, a coroa, a irisação, a glória são exemplos de fotometeoro;
• eletrometeoro: manifestação visível ou audível de eletricidade atmosférica. São exemplos de 
eletrometeoro a aurora polar, o relâmpago e o trovão.
Exemplos de meteoros:
• escuma: conjunto de gotículas de água levantadas pelo vento de uma superfície líquida (lago, mar 
etc.), geralmente das cristas das ondas, e levadas à pequena distância na atmosfera;
• halo: fenômeno ótico na forma de anéis, arcos, colunas ou focos luminosos produzidos pela 
refração ou pela reflexão da luz solar ou lunar por cristais de gelo em suspensão na atmosfera;
• coroa: uma ou mais séries (raramente mais de três) de anéis coloridos centrali zados sobre o sol ou 
sobre a lua e de raio relativamente fraco;
• irisação: são cores que aparecem nas nuvens, algumas vezes misturadas, outras em forma de 
faixas, sensivelmente paralelas aos bordos das nuvens. Predominam as cores verde e rosa, muitas 
vezes em tom pastel. As linhas de separação entre as cores não forma círculos com o sol no centro, 
mas faixas que acompanham os contornos da nuvem;
• glória: uma ou mais séries de anéis coloridos vistos pelo observador ao redor da sua própria 
sombra projetada, sobre uma nuvem constituída de numerosas gotículas de água ou sobre um 
nevoeiro ou, ainda, mais raramente, sobre o orvalho. Observadores aéreos veem uma glória ao 
redor da sombra projetada de uma aeronave.
42
Unidade I
2.3 Principais fatores do clima
2.3.1 Latitude
Segundo Torres e Machado (2011, p. 81), existe uma relação entre a variação da latitude e a modificação 
geral dos valores da temperatura e da pressão atmosférica. Essa variação também está relacionada com 
a radiação solar, uma vez que sua perpendicularidade somente se dá na zona intertropical, incidindo 
tanto mais obliquamente quanto maior for a proximidade dos polos. Os climas têm seus valores térmicos 
na razão inversa da latitude, ou seja, à medida que se afasta do Equador (latitude 0°) e conforme vai 
aumentando a latitude, as temperaturas vão se tornando menores. Quanto à precipitação, há um máximo 
principal no Equador e dois secundários na altura das latitudes médias, ambos coincidindo com áreas de 
baixa pressão; dois mínimos nas latitudes em torno dos 30° e nos polos norte e sul, correspondendo às 
zonas de alta pressão, como podemos observar na figura a seguir:
Latitude Norte Latitude Sul
mm
1.500
1.000
0
500
90º 80º 60º 40º 20º 0º 20º 40º 60º 80º 90º
Figura 12 − Distribuição das precipitações de acordo com a latitude2.3.2 Altitude
Existe uma relação entre a variação altimétrica e os elementos climáticos, como temperatura e 
pressão. Embora de altitudes modestas, nosso relevo apresenta áreas relativamente elevadas e habitadas 
de mais de 800 m, com altitudes suficientes para amenizar os exageros da tropicalidade, como é o caso 
do Sudeste, caracterizado como uma região de clima tropical de altitude.
A disposição do relevo também influencia na circulação atmosférica, pois as áreas de planícies, que 
se estendem do litoral ao interior, facilitam a circulação das massas de ar úmidas oceânicas que podem 
chegar até o interior, como é o caso da planície do Rio Amazonas. Já o relevo planáltico delimitado 
por escarpas (serras) ou por montanhas junto ao oceano serve como obstáculo à invasão da umidade 
oceânica, que é retida nas encostas, formando chuvas orográficas, enquanto o interior torna-se menos 
úmido ou até desértico.
A localização e a distribuição de espécies vegetais são motivadas pelas grandes altitudes, pois estas 
modificam os valores de temperatura. A variação altimétrica da vegetação, em linhas gerais, se dá 
43
ELEMENTOS DE CLIMATOLOGIA; DOMÍNIOS E PAISAGENS VEGETAIS
quase da mesma forma que a variação latitudinal. A figura a seguir representa a variação altimétrica e 
latitudinal das espécies vegetais.
Latitude
geleiras
coníferas
floresta
co
ní
fe
ra
s
es
te
pe
s/
sa
va
na
s
estepes/savanas
ge
le
ira
s
tu
nd
ra
tundra
Al
tit
ud
e
(m
)
4.000
3.000
2.000
1.000
0
0º 10º 20º 30º 40º 50º 60º 70º 80º 90º
Figura 13 − Esquema da distribuição vegetacional conforme a latitude e altitude
2.3.3 Continentalidade e maritimidade
Porque as massas oceânicas demoram mais tempo para se aquecerem ou para se resfriarem, a 
atmosfera oceânica permanece mais amena e mais úmida do que o interior, e a oscilação de temperatura 
entre o dia e a noite, bem como a amplitude entre o verão e o inverno, é menor do que no interior do 
continente. Assim, geralmente a continentalidade caracteriza-se por verões ou invernos mais rigorosos, 
e maior amplitude térmica em relação às regiões litorâneas.
A continentalidade apresenta influência moderada no clima brasileiro. A ação da maior ou 
menor proximidade do mar é mínima, em razão da fácil penetração das influências marítimas, 
favorecidas pelas moderadas altitudes do relevo no país. Ao efetuar a comparação entre algumas 
localidades brasileiras situadas umas à beira-mar e outras no interior, ressaltamos a pequena 
influência da continentalidade.
Tabela 4
Localidade LatitudeSul
Amplitude
Térmica
Belém – PA (litoral) 1°28’ 1,3°C
Manaus – AM (litoral) 3°09’ 1,9°C
Olinda – PE (litoral) 8°01’ 2,7°C
Sena Madureira – AC (interior) 9°04’ 2,1°C
Vitória – ES (litoral) 20°10’ 5,0°C
Aquidauana – MS (interior) 20°29’ 7,0°C
44
Unidade I
Dessa maneira, podemos verificar que a conjugação de tais fatores serve para explicar os contrastes 
que passamos a descrever.
As máximas temperaturas absolutas no Brasil não atingem marcas excessivas, pois oscilam entre 40°C 
e 44°C. Em Paratinga, na Bahia, o termômetro já registrou 43,8°C. As mínimas temperaturas absolutas 
raramente ultrapassam 10°C abaixo de zero. Constituem raridades entre nós os casos de São Francisco 
de Paula (RS): –14,1°C; São Joaquim (SC): – 11°C; Palmas (PR): – 10°C; Curitiba (PR): – 8,9°C.
Quanto às médias térmicas anuais, as mais altas encontram-se no Nordeste (28°C). Nas áreas 
próximas ao Equador, a temperatura média anual é sempre superior a 25°C, apresentando amplitudes 
térmicas anuais inferiores a 5°C.
2.3.4 Vegetação
Segundo Torres e Machado (2011, p. 85), “o clima exerce influência marcante e decisiva na vida 
vegetal, sobretudo por meio de seus elementos: umidade, precipitação, temperatura, radiação solar, 
insolação e ventos”.
Miller (1982) destaca que o clima é o principal determinante do tipo de 
vegetação. A presença de matas, bosques ou campos, por exemplo, é 
determinada pela quantidade de chuvas. No entanto, a vegetação age 
poderosamente sobre o clima. A densa vegetação das áreas intertropicais, 
com sua intensa evapotranspiração, aumenta a umidade do ar, o que facilita 
a produção de chuvas. As matas influem na temperatura, especialmente nas 
máximas, que são mais moderadas em virtude da sombra que proporcionam, 
do calor que absorvem e da evaporação da água que transpiram. (...) Nas 
áreas de grande densidade de vegetação, “a transpiração das folhas 
chega a representar 50% do volume de água transferido dos solos para a 
atmosfera” (BRANCO, 1993, p. 63). Na Amazônia, como ilustrado por Ross 
(1995, p. 69), “56% das chuvas locais e regionais dependem da floresta”. A 
evapotranspiração devolve para atmosfera cerca de 1.400 toneladas de água 
por hectare de floresta. De acordo com o último autor, é isso que possibilita 
novas chuvas (TORRES; MACHADO, 2011, p. 85).
2.3.5 Solos
Os solos apresentam cores escuras e claras que acabam determinando o clima. As superfícies 
escuras absorvem os raios solares mais que as claras e permanecem mais quentes durante o dia, 
consequentemente, o ar aquece sobre elas. Os terrenos secos, como a areia, têm calor específico baixo e 
variam rapidamente de temperatura, ao contrário dos úmidos, como os argilosos, que retêm a umidade 
e tendem a conservar o calor e o frio.
Bloom (1988) afirma que o solo reflete porcentagem maior de energia 
incidente que a água. Ao passo que a superfície do mar pode refletir somente 
45
ELEMENTOS DE CLIMATOLOGIA; DOMÍNIOS E PAISAGENS VEGETAIS
2% da radiação que chega, o chão nu pode refletir entre 7 e 20%. As terras 
cultivadas ou os campos de grama refletem, normalmente, de 20 a 25% da 
luz solar, as florestas, somente de 3 a 10% (TORRES; MACHADO, 2011, p. 86).
2.3.6 Disposição do relevo
Segundo Mendonça e Danni-Oliveira (2007, p. 47), o relevo apresenta três atributos importantes na 
definição dos climas:
• posição do relevo: favorece ou dificulta os fluxos de calor e umidade entre áreas contíguas. Um 
sistema orográfico que se disponha latitudinalmente em uma região como o Himalaia, por exemplo, 
irá dificultar as trocas de calor e umidade entre as áreas frias do interior da China e aquelas mais 
quentes da Índia. A Cordilheira dos Andes, por se dispor no sentido dos meridianos, não impede 
que as massas de ar polares atinjam o norte da América do Sul e nem que as equatoriais cheguem 
ao sul do Brasil; entretanto, inibem a penetração da umidade proveniente do Pacífico para o 
interior do continente;
• orientação do relevo: nas zonas mais carentes de energia solar (latitudes extratropicais), a 
orientação do relevo em relação ao Sol irá definir as vertentes mais aquecidas e mais secas, e 
aquelas mais frias e mais úmidas. No hemisfério Sul, por exemplo, as vertentes mais quentes serão 
aquelas voltadas para o Norte, pois, nesse hemisfério, o Sol estará sempre no horizonte Norte, 
deixando à sombra as vertentes voltadas para o horizonte Sul;
• declividade: as regiões de superfície ondulada terão esse fator modificando a relação 
superfície/radiação incidente. Além de depender da forma como a energia entra no Sistema 
Superfície-Atmosfera (SSA), a absorção dos raios solares por uma dada superfície dependerá 
também das características físicas que ela apresenta, isto é, do tipo de cobertura que possui, 
podendo seu estudo ser organizado em coberturas vegetadas e não vegetadas.
2.3.7 Intervenção antrópica
O impacto do homem no meio ambiente se faz sentir também no clima e tem relação direta com as 
atividades que ele desempenha.
Um dos maiores impactos antrópicos sobre o clima são as cidades. Para se ter uma ideia, o clima 
urbano é totalmente distinto, em suas características, do clima das áreas rurais circundantes.
De acordo com Mota (1981), o processo de urbanização pode causar alterações sensíveis 
no ciclo da água, como aumento da precipitação; diminuição da evapotranspiração, como 
consequência da redução da vegetação; aumento do escoa mento superficial; diminuição da 
infiltração da águapor causa da impermeabilização do solo; mudanças no nível freático, podendo 
ocorrer sua redução ou seu esgotamento; maior erosão do solo e consequente assoreamento 
dos corpos hídricos; aumento da ocorrência de enchentes; poluição das águas superficiais e 
subterrâneas (TORRES; MACHADO, 2011, p. 88).
46
Unidade I
Além disso, a velocidade dos ventos é menor nas cidades em virtude das edificações que fazem o 
papel de barreiras. Nas cidades, também se observa maior precipitação pluvial que nos campos e áreas 
periféricas, porque as atividades humanas no meio urbano produzem maior número de núcleos de 
condensação (poluentes). Quanto à temperatura, nas cidades ela costuma ser mais alta.
A visibilidade nas cidades é menor que no campo, pois há mais partículas de pó em suspensão na 
atmosfera, resultando em mais neblina e nevoeiros.
A retirada da vegetação em áreas urbanas pode provocar várias alterações climáticas, pois a vegetação 
é responsável pela manutenção das temperaturas, da umidade e da evaporação, contribuindo para uma 
maior ventilação.
A figura a seguir apresenta resultados da comparação entre as medidas de alguns elementos 
realizadas em áreas urbanas e outras realizadas em áreas rurais.
Características climáticas Alterações
Radiação
Global
Ultravioleta (inverno)
Ultravioleta (verão)
Duração de exposição ao sol
15% a 20%
30%
5%
5% a 15% menor
Temperatura
Média anual
Média das mínimas no inverno
0,5 ºC a 1,0 ºC maior
1,0 ºC a 2,0 ºC maior
Contaminantes
Núcleos de condensação
Misturas gasosas
10 vezes maior
5 a 25 vezes maior
Velocidade do vento
Média anual
Rajadas extremas
Calmarias
20% a 30% menor
10% a 20% menor
5% a 10% menor
Precipitação
Total
Dias com menos de 5 mm
5% a 10% maior
10% maior
Nebulosidade
Cobertura
Nevoeiro (inverno)
Nevoeiro (verão)
5% a 10% maior
100% maior
30% maior
Umidade relativa
Inverno
Verão
2% menor
8% menor
Figura 14 − Mudanças médias em características climáticas causadas pela urbanização
47
ELEMENTOS DE CLIMATOLOGIA; DOMÍNIOS E PAISAGENS VEGETAIS
2.3.8 Correntes marítimas
As correntes marítimas são movimentos de grandes massas de água dentro de um oceano ou mar. 
As correntes marítimas têm a característica de influenciar o clima das regiões em que atuam e possuem 
direções e constâncias bem definidas.
De acordo com Miller (1982, p. 69 apud TORRES; MACHADO, 2011, p. 91), “muitos aspectos dos 
climas marítimos e continentais que não podem ser explicados adequadamente pelos contrastes entre 
terra e mar, geralmente se devem às correntes marítimas”.
Assim como os ventos, as correntes marítimas influenciam na temperatura do ar, pois podem 
transportar ou transmitir “calor” ou “frio” de uma área para outra, dependendo de suas características 
e das características térmicas das áreas nas quais exercem influência. Áreas costeiras banhadas por 
correntes frias, por exemplo, têm temperaturas mais baixas que outras situadas na mesma latitude, mas 
que não são afetadas por tais correntes (TORRES; MACHADO, 2011, p. 91).
As principais correntes marinhas do mundo são: a Corrente do Golfo, que se move no sentido sul-norte pela 
costa oeste dos EUA e depois pela Europa; a Corrente do Brasil, que se move no sentido sul-norte pela costa 
brasileira; a Corrente de Humbolt, que se move pelo Oceano Pacífico e que está relacionada com o acontecimento 
do efeito El-Niño, e a Corrente de Benguela, que se move no sentido oeste-leste na direção do Oceano Índico.
As correntes marítimas podem ser classificadas de acordo com a temperatura do local onde se 
formam: correntes quentes, que se formam nas zonas equatoriais (correntes das Guinas, do Golfo do 
México, do Brasil e a Sul Equatorial); correntes frias, que se formam nas regiões polares (correntes do 
Labrador, de Humbolt, das Malvinas, de Bengala e a Circumpolar Antártica).
Correntes quentes
Correntes frias
N
0 2.050 km
Figura 15 - Mundo - correntes marinhas
48
Unidade I
3 CIRCULAÇÃO DE AR NA ATMOSFERA
Como mencionado anteriormente, a atmosfera terrestre é formada por um conjunto de gases que 
são presos ao planeta pela ação gravitacional. A movimentação do ar é alimentada pela repartição 
desigual da energia solar e influenciada diretamente pela rotação da Terra.
A circulação geral da atmosfera é o conjunto dos movimentos atmosféricos que, na escala planetária, 
determina zonas climáticas e, nos diferentes lugares da Terra, define os tipos de tempos.
[...] a quantidade de energia solar recebida pela Terra não é igual em todos 
os pontos da superfície do Planeta, variando principalmente em decorrência 
da latitude e das estações do ano. As áreas de baixas latitudes recebem mais 
energia do que perdem por emissão para o espaço e, nas latitudes médias e 
elevadas, observa-se o contrário. Há, assim, um equilíbrio no balanceamento de 
energia do Planeta, pois o excesso de energia recebido na zona intertropical é 
transferido pelas correntes atmosféricas e oceânicas para as zonas temperadas 
e polares. A atmosfera circula permanentemente, o que torna bastante difícil 
captar e representar de maneira fiel as leis que regem esse dinamismo. Assim, 
a representação da circulação atmosférica é feita por meio da cartografia dos 
campos médios de pressão da atmosfera, próximos à superfície e em altitude. 
Esses campos de pressão, ou centros de ação da atmosfera, são definidos 
por observações em estações e postos meteorológicos situados sobre os 
continentes e sobre os oceanos, tanto em superfície quanto em altitude (com 
sensores a bordo de satélites) (MENDONÇA; DANNI-OLIVEIRA, 2007, p. 84).
Esses centros de ação da atmosfera são reconhecidos como de alta pressão (anticiclonais) ou de 
baixas pressões (ciclonais ou depressões).
3.1 Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e Zona de Convergência do 
Atlântico Sul (ZCAS)
Segundo Torres e Machado (2011, p. 105), a zona de convergência intertropical (ZCIT) forma-se na área de 
baixas latitudes. Nessa área, o encontro dos ventos alísios provenientes de sudeste com aqueles provenientes 
de nordeste cria a ascendência das massas de ar, que são normalmente úmidas. Essa zona, também chamada 
de Equador Meteorológico (EM), Descontinuidade Tropical (DI), Zona Intertropical de Convergência (ZIC) e 
Frente Intertropical (FIT), limita a circulação atmosférica entre o hemisfério norte e o hemisfério sul.
[...] os conceitos de descontinuidade tropical (DI) e de equador meteorológico 
(EM) trazem implícita uma perspectiva de divisão da atmosfera entre os dois 
hemisférios, ao passo que as noções de convergência (ZCIT e ZIC), vinculam-se 
mais à descrição da ascendência do ar e à decorrente formação da expressiva 
massa de nuvens que caracterizam a cintura equatorial do planeta. A ideia de 
frente intertropical (FIT) relaciona-se diretamente com o encontro das massas 
de ar em um plano inclinado – sub-horizontal – e com a mudança rápida do 
ponto de orvalho que aí ocorre (TORRES; MACHADO, 2011, p. 105).
49
ELEMENTOS DE CLIMATOLOGIA; DOMÍNIOS E PAISAGENS VEGETAIS
Ainda segundo Torres e Machado (2011, p. 105), a zona de convergência do Atlântico Sul (ZCAS) 
apresenta características semelhantes à zona de convergência do Pacífico Sul (ZCPS), que se forma sobre 
o oceano Pacífico, e à zona frontal de Baiu, parte oceânica (Pacífico Oeste cruzando o Japão), e Meiyu 
parte continental (China). Elas são chamadas, de maneira geral, de zonas de convergência subtropical 
(ZCST) e estão associadas a processos pluviométricos convectivos das áreas sobre as quais se formam.
A Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) pode ser facilmente 
identificada em imagens de satélite por meio de uma alongada distribuição 
de nebulosidade de orientação NW/SE, tal qual a Linha de Instabilidade (IT), 
de Edmond Nimer. A ZCAS resulta da intensificação do calor e a umidade 
proveniente do encontro de massas de ar quentes e úmidas da América e do 
Atlântico Sul na porção central do Brasil. Em geral, uma ZCAS estende-se 
desde o sul da região Amazônicaaté a porção central do Atlântico Sul 
(MENDONÇA; DANNI-OLIVEIRA, 2007, p. 92).
Segundo Mendonça e Danni-Oliveira (2007, p. 92), as características comuns a essas três zonas de 
convergência são:
• estendem-se para leste, nos subtrópicos, a partir de regiões tropicais específicas de intensa 
atividade convectiva;
• formam-se ao longo de jatos subtropicais em altos níveis e a leste de cavados semiestacionários;
• são zonas de convergência em uma camada inferior úmida, espessa e baroclínica;
• estão localizadas na fronteira de massas de ar tropical úmida, em regiões de forte gradiente de 
umidade em baixos níveis, com geração de instabilidade convectiva por processo de advecção 
diferencial.
3.2 Centros de ação
Segundo Mendonça e Danni-Oliveira (2007, p. 96), os centros de ação são extensas zonas de alta 
ou de baixa pressão atmosférica que dão origem aos movimentos da atmosfera, portanto, aos fluxos 
de ventos predominantes e aos diferentes tipos de tempo. O movimento de ar se faz geralmente dos 
centros de ação positivos (A), de alta pressão (anticiclonais), para os negativos (B), de baixa pressão 
(ciclonais ou depressionários).
Os centros de ação atmosférica são, de maneira geral, sazonalmente 
móveis, ou seja, apresentam deslocamentos ao longo do ano, sobretudo 
devido à variação da radiação dos dois hemisférios. Assim, quando é 
verão no hemisfério Sul, os anticiclones e suas massas de ar apresentam 
seus mais expressivos deslocamentos em direção sul, ocorrendo o 
oposto no inverno, e vice-versa para o hemisfério Norte (MENDONÇA, 
DANNI-OLIVEIRA, 2007, p. 96).
50
Unidade I
Janeiro
Julho
A
A A
A
AA
AA
A A A A
A
B
B
B
B
B
DDD
D D
Figura 16 − Grandes centros de ação do globo
Os principais centros de ação positivos, que atuam na configuração climática do globo, dividem-se 
em dinâmicos, como os subtropicais, e térmicos, como os polares. Podem ocorrer três dinâmicos no 
hemisfério sul e dois no hemisfério norte.
Hemisfério sul:
• anticiclone de Santa Helena, anticiclone semifixo do Atlântico ou anticiclone subtropical do 
Atlântico Sul, localizado sobre o oceano Atlântico;
• anticlone da Ilha de Páscoa, anticiclone semifixo do Pacífico ou anticiclone subtropical do Pacífico 
Sul, localizado sobre o oceano Pacífico;
• anticiclone de Mascarenhas, localizado sobre o Oceano Índico.
Hemisfério norte:
• anticiclone dos Açores, localizado sobre o Oceano Atlântico;
• anticiclone da Califórnia ou anticiclone do Havaí, localizado sobre o Oceano Pacífico.
51
ELEMENTOS DE CLIMATOLOGIA; DOMÍNIOS E PAISAGENS VEGETAIS
Os centros de ação negativos sobre a superfície da Terra são quatro, mas outras células depressionárias 
de gênese sazonal também podem se formar sobre os continentes superaquecidos das latitudes tropicais 
e temperadas. Além da zona equatorial, as três células depressionárias mais expressivas localizadas nas 
zonas de 50°/60° estão assim distribuídas: duas no hemisfério norte e uma no hemisfério sul.
Hemisfério sul:
• depressão do Mar de Weddel sobre o Atlântico.
Hemisfério norte:
• depressão da Islândia sobre o Atlântico;
• depressão das Aleutas sobre o Pacífico.
3.2.1 Centros de ação da América do Sul
Segundo Torres e Machado (2011, p. 109), a dinâmica e a circulação atmosférica da América do Sul 
são controladas pela interação de sete centros de ação que conjugam suas participações ao longo do 
ano. Esses centros de ação são distribuídos em cinco centros positivos e dois negativos.
Anticiclone 
migratório polar
Anticiclone 
dos Açores
Anticiclone 
migratório polar
Anticiclone de 
Santa helena
Depressão 
do Chaco
Doldrum
An
tic
ic
lo
ne
 il
ha
 
de
 P
ás
co
a
Depressão do 
mar de Weddel
Figura 17 − Grandes centros de ação da América do Sul
52
Unidade I
Centros de ação positivos:
• Anticiclone dos Açores: situa-se na faixa de altas pressões subtropicais do hemisfério norte 
sobre o Oceano Atlântico (próximo aos 30°N), entre a África e a América Central. Sua influência 
sobre a circulação atmosférica da América do Sul se faz sentir, sobretudo, quando da ocorrência 
do solstício de verão do hemisfério sul, pois o avanço da frente polar do hemisfério norte em 
direção sul provoca o seu deslocamento nessa direção. Assim, interagindo com os ventos alísios de 
nordeste, sua ação será observada de forma mais direta na porção norte e nordeste do continente 
sul-americano;
• Doldrums: ao mesmo tempo em que atua como uma área de baixas pressões em relação ao 
Oceano Atlântico, que atrai, portanto, o ar úmido de nordeste dali proveniente (o que intensifica 
sobremaneira a umidade da região), a bacia amazônica atua também como um importante 
centro produtor e exportador de massas de ar. Mesmo sendo uma área onde as temperaturas 
são consideravelmente elevadas, garantindo a formação de centro de baixas pressões, as 
modestas cotas do relevo da bacia, associadas à divergência dos alísios no interior do continente, 
atestam-lhes características de uma região produtora e exportadora de massas de ar, sobretudo 
durante o verão austral, quando o centro de ação atinge latitudes bem mais altas. A denominação 
doldrum (do inglês, calmaria, apatia) diz respeito à predominância da circulação convectiva do ar 
na região da ZCIT, que historicamente marcou a navegação em caravelas na área, já que para esse 
tipo de transporte importava o deslocamento horizontal do ar em relação à superfície, e não o 
vertical;
• Anticiclone semifixo do Atlântico Sul: assim como o do Pacífico Sul, sua mobilidade é decorrente 
do deslocamento sazonal do centro de altas pressões, que ora se posiciona mais próximo da 
costa oeste dos continentes (no verão, quando é atraído pelo campo de baixas pressões que se 
forma sobre ele), ora se posiciona mais afastado (no inverno, quando o campo de pressões mais 
baixas posiciona-se sobre o oceano). Esses dois centros apresentam um deslocamento sazonal no 
sentido leste-oeste. Ambos são decorrentes do movimento subsidente do ar nas proximidades dos 
30°S, ou seja, na faixa das altas pressões subtropicais. O anticiclone semifixo do Atlântico exerce 
considerável influência sobre todos os climas da porção central, nordeste, sudeste e sul do Brasil, 
com mais destaque no verão;
• Anticiclone semifixo do Pacífico: apresenta, conforme notamos, as mesmas características que o 
anticiclone semifixo do Atlântico, porém diferencia-se deste principalmente quando se observa 
a pouco expressiva abrangência da região influenciada por ele sobre o continente. Nesse caso, 
a pequena área de atuação desse centro é consequência direta da força de atrito do relevo 
(atuando como uma barreira) sobre a circulação do ar, representada pela Cordilheira dos Andes, 
que impede a passagem do ar quente e úmido proveniente do anticiclone do Pacífico sobre o leste 
sul-americano;
• Anticiclone migratório polar: esse anticiclone forma-se no extremo sul da América do Sul, em 
latitudes subpolares, por causa do acúmulo do ar polar oriundo dos turbilhões polares sobre os 
oceanos. A condição de centro de alta pressão migratório deve-se ao fato de que esse campo de 
53
ELEMENTOS DE CLIMATOLOGIA; DOMÍNIOS E PAISAGENS VEGETAIS
pressão atmosférica posiciona-se, no inverno, sobre latitudes mais baixas (chega próximo dos 
30°S, na altura do norte da Argentina e do Uruguai) em razão da queda sazonal da radiação no 
hemisfério sul; no verão, recua para latitudes mais elevadas (próximo aos 60°S, ao sul da Terra do 
Fogo), impelido que é para o sul pela elevação do fluxo de energia do hemisfério sul nessa época 
do ano.
Centros de ação negativos:
• Depressão do Chaco: a elevação sazonal das temperaturas do continente, mais expressivas que 
sobre o oceano, por ocasião do solstício de verão, acentua as condições favoráveis à formação 
de um centro de baixas pressões na latitude da faixa de altas pressões subtropicais no hemisfério 
sul. Assim, a depressão do Chaco se indivi dualiza como um centro de baixas pressões de origem 
térmica. Nessas condições, a região atraipara o interior do continente o ar quente e úmido dos 
centros anticiclonais que o circundam, quais sejam, o anticiclone semifixo do Atlântico, nessa 
época do ano posicionado mais próximo ao continente, e o centro de ação da Amazônia, com 
maior deslocamento em direção ao sul. No inverno, a situação inverte-se, e a depressão do Chaco 
geralmente atrai o anticiclone migratório polar na direção norte, facilitando a propagação do ar 
polar até as baixas latitudes sul-americanas, principalmente em virtude das ondulações da frente 
polar atlântica, que aproveita a calha natural do relevo regional para deslocar-se;
• Depressão dos 60° de latitude sul: situa-se na faixa subpolar das baixas pressões do globo e 
localiza-se sobre os mares vizinhos à Península Antártica (Mar de Weddel e Mar de Ross), 
consideravelmente distante do continente sul-americano, embora desempenhe um importante 
papel na dinâmica de sua atmosfera. Quando esses centros de baixas pressões subpolares são 
reforçados pela propagação de ciclones, exercem atração dos sistemas intertropicais em direção 
sul, pois o campo de pressões negativas é reforçado.
4 AS MASSAS DE AR
As massas de ar são porções da atmosfera que possuem características particulares de temperatura, 
pressão e umidade. Abrangem uma grande extensão horizontal e apresentam espessura bem desenvolvida, 
homogeneidade horizontal de suas propriedades físicas, principalmente temperatura e umidade, e 
pequena ou mesmo nenhuma variação dessas propriedades no sentido vertical. Segundo Hare (1963 
apud TORRES; MACHADO, 2011, p. 117), “uma massa de ar pode ser definida, como um grande corpo 
de ar horizontal e homogêneo, deslocando-se como uma entidade reconhecível e tendo tanto origem 
tropical quanto polar”.
Para que uma massa de ar adquira propriedade ou caracterís ticas uniformes 
é necessário que ela permaneça estacionária, durante algum tempo, sobre 
uma extensa região, cuja superfície tenha também características bastante 
uniformes ou homogêneas (como os oceanos, os polos ou os desertos). 
Quanto mais tempo a massa de ar permanecer sobre essa área antes de se 
deslocar, mais afetada ela será pelas características térmicas e/ou hídricas 
do local. Essa região é denominada região de origem, área fonte ou região 
54
Unidade I
nascente. As principais, mas não as únicas, regiões de origem de massas de 
ar (grande berçários) são os grandes centros de alta pressão, como as regiões 
polares e subtropicais (TORRES; MACHADO, 2011, p. 117).
Por deslocar-se constantemente sobre o globo terrestre, as massas de ar são muito importantes no 
estudo e na caracterização do tempo e do clima, uma vez que durante o deslocamento influenciam 
diretamente as áreas nas quais predominam. Porém, à medida que uma massa de ar se afasta de sua 
região de origem, suas propriedades iniciais (temperatura e umidade) se modificam, isto é, essa massa 
de ar é alterada pelas condições presentes nos locais que atravessa.
Por exemplo, se uma massa de ar passa pelo oceano ou sobre uma superfície hídrica, sua umidade 
aumenta. Quando essa massa de ar desloca-se sobre o continente, absorve menos umidade ou mesmo 
essa umidade se perde. Acontece o mesmo com as temperaturas: ao deslocar-se sobre uma superfície 
mais fria que ela própria, a massa de ar perde calor nos seus níveis mais baixos (resfriamento basal). 
Por outro lado, se a massa se desloca sobre uma superfície mais quente que ela, tende a modificar suas 
propriedades na base pelo aquecimento (aquecimento basal).
As massas de ar podem ser quentes ou frias, além de secas ou úmidas, dependendo das peculiaridades 
locais na sua formação e deslocamento.
Segundo Torres e Machado (2011, p. 118), em decorrência da circulação geral da atmosfera, as massas 
de ar podem ser originadas em diferentes áreas, de diferentes latitudes e recebem denominações distintas, 
baseadas na respectiva área de origem: polares (P), tropicais (T), equatoriais (E). Contudo, para uma mesma 
condição de latitude, as massas de ar podem se formar sobre continentes (c) ou marítima (m), respectivamente. 
Em geral, as massas de ar continentais são secas e as marítimas são úmidas, mas há uma exceção: a região 
de origem amazônica que, embora sendo uma área continental, a densa floresta, a grande evaporação, 
evapotranspiração e umidade do ar aliadas à rica bacia fluvial, dão origem a massas de ar quentes e úmidas.
4.1 O mecanismo das frentes
Segundo Torres e Machado (2011, p. 118), as frentes podem ser definidas como regiões de transição 
ou “zonas limite” entre massas de ar de propriedades ou características diferentes. Assim, frente é uma 
zona de transição ou de contato, na qual as propriedades do ar passam gradativamente de uma massa 
para outra (mistura ou troca). Onde elas ocorrem, o ar é muito agitado e o tempo, instável.
Essas descontinuidades frontais (as frentes) podem ser classificadas, tendo-se como base o seu 
deslocamento e as mudanças de temperatura que elas causam, em frente fria, frente quente e frente 
estacionária.
• frente fria: é uma descontinuidade frontal na qual uma massa de ar de menor temperatura 
desloca, da superfície do solo, uma massa de maior temperatura;
• frente quente: é uma descontinuidade frontal na qual uma massa de ar de menor temperatura é 
substituída, de junto do solo, por uma massa de ar de maior temperatura;
55
ELEMENTOS DE CLIMATOLOGIA; DOMÍNIOS E PAISAGENS VEGETAIS
• frente estacionária: é toda descontinuidade frontal que apresenta pequeno ou nenhum 
deslocamento horizontal. Às vezes, ocorre que o ar polar não tem força para avançar mais para o 
norte, nem o ar quente tem energia suficiente para empurrar uma massa de ar polar para o sul (no 
caso do hemisfério sul). Formam-se as chamadas frentes estacionárias, responsáveis por chuvas 
continuadas sobre a área em que se localizam. Quando isso acontece, podem ocorrer enchentes, 
que causam grandes prejuízos aos habitantes das regiões atingidas.
ar q
uen
te r
ecu
and
o
e se
 ele
van
do
distância horizontal média: 1.000 km
distância horizontal média: 400 km
chuva
ar quente penetrandoar frio recuando
ar frio penetrando
frente quente
frente fria
al
tu
ra
 5
 k
m
 a
 7
,5
 k
m
al
tu
ra
 3
 k
m
 a
 4
,5
 k
m
Figura 18 − Esquema de frente fria e frente quente
Cumpre lembrar, ainda, de acordo com Ayoade (2003, p. 106), que “a 
passagem de um frente é caracterizada pela sequência de tempo”, ou seja, 
ocorre uma sequência de tipos de tempo que acompanha a passagem de 
uma frente, fria ou quente, e que caracteriza o estado atmosférico do lugar 
durante a atuação de uma ou de outra, notadamente, quanto aos elementos 
pressão atmosférica, ventos, temperatura, umidade do ar, nebulosidade, 
visibilidade e ocorrência de fenômenos meteorológicos associados a elas, 
como chuva, nevoeiro etc. (TORRES; MACHADO, 2011, p.120).
56
Unidade I
4.2 As massas de ar atuantes no Brasil
A
A
B
B
C
C
D
D
E E
Figura 19 
Por sua dimensão continental, todas as massas de ar responsáveis pelas condições climáticas na 
América do Sul atuam no Brasil, direta ou indiretamente. As massas de ar que não atuam no Brasil 
originam-se no Pacífico: massa equatorial pacífica (mEp) e massa polar pacífica (mPp).
As massas de ar que atuam no Brasil são: Equatorial Atlântica (mEa); Equatorial Continental (mEc); 
Tropical Atlântica (mTc); Tropical Continental (mTa); e Polar Atlântica (mPa). Dos deslocamentos dessas 
massas de ar no decorrer do ano resulta o regime de nossos ventos e, consequentemente, o regime das 
chuvas e o estado do tempo.
Segundo Torres e Machado (2011, p. 123), podemos caracterizar as massas de ar atuantes no Brasil 
da seguinte maneira:
• Massas de ar equatoriais (continental e oceânica): originam-se na faixa equatorial de pressões 
baixas; são instáveis, dotadas de elevadas temperaturas e umidade, associadas à pequena 
amplitude térmica anual. A forte convecção no interior dessa massa provoca condensação do 
vapor de água, nebulosidade constante e chuvas abundantes;— mEc: a massa de ar equatorial continental é causada, basicamente, pela baixa pressão da região 
amazônica, ou seja, forma-se sobre o continente aquecido, onde dominam as calmarias e os 
ventos fracos, sobretudo no verão; 
— mEa: ocorre tanto no hemisfério norte (mEan) quanto hemisfério sul (mEas). São 
comuns aos dois hemisférios e formam-se sobre o Oceano Atlântico; são massas de ar 
quentes e úmidas.
57
ELEMENTOS DE CLIMATOLOGIA; DOMÍNIOS E PAISAGENS VEGETAIS
• Massas tropicais marítimas: estão associadas aos anticiclones no Atlântico e do Pacífico. A 
pouca umidade dessas massas de ar dá origem a chuvas leves, principalmente de origem 
orográfica, que ocorrem no litoral. Limitam-se ao sul com as massas polares, formando as 
frentes polares;
— mTp: a massa de ar tropical marítima do Pacífico tem efeito direto sobre as condições climáticas 
do Brasil somente no verão; 
— mTa: a massa de ar tropical do Atlântico Sul ocorre o ano todo no Brasil (com mais destaque 
no inverno), atingindo o litoral brasileiro. Forma-se na região marítima quente do Atlântico Sul 
e recebe calor e umidade na superfície;
— mTc: a massa de ar tropical continental adquire maior importância durante o verão, ou melhor, 
entre o fim da primavera e o início do outono. Sua região de origem é a estreita zona baixa, 
quente e árida a leste dos Andes e ao sul dos trópicos.
• Frente Polar: as massas de ar que deixam o continente Antártico penetram por sobre os oceanos 
onde se “aquecem” e ganham umidade rapidamente. Com o desaparecimento da subsidência, 
elas se tornam instáveis e com tal estrutura invadem o continente sul-americano entre os dois 
centros de ação, do Pacífico e do Atlântico, seguindo duas trajetórias diferentes condicionadas 
pelo relevo: a primeira, a oeste dos Andes (mPp), e a segunda, sob a forma de grandes anticiclones, 
a leste da cordilheira (mPa);
— mPa: inicialmente, essa massa de ar possui ar frio, seco e estável, mas na medida em que se 
desloca sobre o Oceano – Atlântico (mPa) ou Pacífico (mPp) – ganha calor e umidade. Essa 
massa de ar propicia o frio e causa o fenômeno da geada, principalmente nos estados da região 
Sul do país. Os anticiclones polares ocorrem o ano todo, mas são mais frequentes e fortes 
durante o inverno.
4.3 Domínio médio das massas de ar no Brasil
Segundo Torres e Machado (2011, p. 128), ao longo do ano, a posição das massas de ar 
se modifica em razão da atuação das altas pressões polares combinada com o deslocamento 
do Equador Térmico. Assim, no verão, as massas de ar se deslocam para o sul e, no inverno, 
movimentam-se para o norte; com isso, os domínios médios das massas de ar durante o ano são 
modificados.
58
Unidade I
A) Verão
D) Primavera
mEan
mEc
mEc mEc
mEc
mTc
m
Ta
 (e
 m
Ea
s)
m
Ta
 (e
 m
Ea
s)
mTa (
e mEa
s)
mTa
 (e m
Eas)
mTc
Equador
Equador
Equador
Equador
B) Outono
C) Inverno
Figura 20 − Domínio anual médio das massas de ar que atuam no território brasileiro
• Verão: nessa época do ano, em virtude do maior aquecimento do continente em relação ao 
mar, o anticiclone semifixo do Atlântico e o anticiclone da Antártida (localizado muito ao sul, 
além dos 65° de latitude) são enfraquecidos. A massa equatorial continental (mEc) apresenta 
seu maior desenvolvimento, dominando praticamente todo o território nacional, e a massa 
tropical continental (mTc) ocorre na porção ocidental dos estados do Rio Grande do Sul e 
de Santa Catarina. A mTa (massa tropical atlântica), incluindo-se a mEas (massa equatorial 
atlântica sul), propicia ventos de leste e alísios de sudeste. Ocorre no litoral brasileiro, na 
região nordeste, ao passo que a massa equatorial do atlântico norte (mEan) propicia alísios 
de nordeste, que penetram no interior do continente formando a monção de verão do norte 
do Brasil (estação de chuvas).
• Outono: com a diminuição da radiação solar nos trópicos (no caso do hemisfério sul, trópico 
de Capricórnio), quando se vai do solstício de verão para o equinócio de outono, a mEc (massa 
equatorial continental) tem seu domínio. No outono, a mEc domina a bacia amazônica, ao passo 
que a mEan continua a ocorrer no litoral norte e foz do Amazonas. A mTa (e a mEas) predomina 
desde parte do nordeste até o Rio Grande do Sul, abrangendo inclusive o sul de Goiás e de Mato 
Grosso do Sul. A mTc, forçada pela mTa, desloca-se para latitudes menores, localizando-se nas 
proximidades do pantanal mato-grossense.
• Inverno: a contínua diminuição da radiação solar quando se vai do outono para o inverno aumenta 
o domínio das massas de ar atlânticas (mTa e mEas), pois, nessa época, não existe depressão 
continental, o que permite ao anticiclone do Atlântico, agora com pressão máxima, avançar sobre 
o continente. No inverno, essas massas (mTa e mEas) dominam praticamente todo o território 
brasileiro. Somente no noroeste da Amazônia, no vale do alto Amazonas, continua dominando a 
59
ELEMENTOS DE CLIMATOLOGIA; DOMÍNIOS E PAISAGENS VEGETAIS
mEc que é, assim, a única zona instável durante todo o ano ao sul do Equador (chuvas durante o 
ano, sem estação seca). O anticiclone frio da Antártida tem suas pressões aumentadas (em função 
do inverno no hemisfério sul). É nessa época que a invasão da mPa (massa polar atlântica) ocorre 
com maior vitalidade e intensidade. O anticiclone dos Açores (mEan) continua a tangenciar o 
continente, mas desaparece a monção da estação quente. Embora no litoral norte do Brasil seja 
muito acentuado o vento marítimo do hemisfério norte (alísios de nordeste), sua penetração para 
o interior diminui.
• Primavera: a partir do inverno, começa a aumentar o recebimento de energia e, em consequência, 
a mTa começa a recuar em favor da mEc. Na primavera, a mEc já se encontra bem desenvolvida, 
dominando extensa faixa desde Roraima até parte ocidental de Goiás e Mato Grosso. No Pará, 
Amapá, Maranhão, em todo o Nordeste, na parte oriental de Goiás, no Mato Grosso do Sul e nas 
regiões Sul e Sudeste, domina a mTa (e a mEas).
 Lembrete
As massas de ar são grandes volumes da atmosfera que se deslocam sobre 
a superfície levando suas condições de temperatura, pressão atmosférica e 
umidade das áreas de origem para outras áreas. Geralmente, as massas de 
ar que se formam nos trópicos são quentes, enquanto nos oceanos são 
úmidas. As massas de ar formadas em áreas continentais mais distantes 
dos continentes, onde a evaporação é maior do que as precipitações, são 
mais secas. As massas de ar polares são frias e, quando em contato com 
outras massas de ar mais quentes e úmidas, formam as frentes frias, que 
provocam instabilidades no tipo de tempo, tornando-o nublado e/ou 
chuvoso. Quando as massas polares são mais intensas e atingem regiões de 
latitudes médias e elevadas altitudes, provocam nevascas e geadas.
 Resumo
A Climatologia constitui-se em um importante segmento para os 
estudos geográficos e para a Gestão Ambiental.
Para que sejam realizados nos dias de hoje os estudos sobre as condições 
atmosféricas do tempo e a determinação e características dos distintos tipos 
climáticos, destacam-se o trabalho realizado pelas estações meteorológicas 
e os instrumentos utilizados por elas.
Os satélites meteorológicos destinam-se a monitorar o tempo e os 
climas do planeta Terra. Os satélites têm a capacidade de acompanhar o 
comportamento e a formação das nuvens, as queimadas, os desmatamentos, 
a poluição atmosférica, a movimentação das geleiras, entre outros eventos.
60
Unidade I
Os computadores são usados para coordenar, analisar e interpretar 
as informações coletadas pelas estações e os satélites meteorológicos. 
A partir daí, são desenvolvidos programas (softwares) de computação 
meteorológica que avaliam os dados, permitindo prever as condições 
do tempo com antecedência, com velocidade e partindo-se de grande 
quantidade de informações.
Outro aspecto abordado nesta unidade foi a análise dos 
elementos do clima e sua atuação, a saber: radiação solar e insolação, 
temperatura, umidade do ar, pressãoatmosférica, vento, nebulosidade 
e precipitação. Também avaliamos a ação dos fatores do clima e os 
principais meteoros visíveis na atmosfera. Significativas são também 
a circulação de ar na atmosfera e as massas de ar, cuja atuação foi 
mencionada nesta unidade.
 Exercícios
Questão 1. (UEM 2012) As questões climáticas afetam diretamente o cotidiano das pessoas das 
mais variadas maneiras ao redor do planeta. Sobre as questões climáticas e seus respectivos fenômenos, 
assinale a alternativa correta:
A) O El Niño é um fenômeno climático zonal que pode provocar a elevação das médias térmicas 
mensais e o aumento significativo das precipitações ou longas secas. E por isso mesmo não pode 
adquirir dimensões continentais, por causa do volume imenso de águas do Oceano Pacífico.
B) A absorção de calor e a circulação atmosférica variam de um local para outro. Alguns dos principais 
fatores a serem considerados nessa variação são: a altitude, a presença de áreas urbanas e de 
vegetação e as correntes marítimas.
C) O granizo pode provocar prejuízos para a agricultura, danificar veículos, machucar pessoas e 
animais, entre outros acidentes. É constituído por gotas de água congelada ou grânulos de neve 
envolvidos por uma fina camada de gelo.
D) O frio que predomina nas altas montanhas, em qualquer local do planeta Terra, deve-se ao ar 
rarefeito, que ocorre porque a pressão aumenta com a altitude e reduz o poder de absorção das 
radiações solares.
E) A inversão térmica acontece exclusivamente nos meses de verão e durante a primavera. Como 
resultado do fenômeno, a circulação atmosférica local fica bloqueada por certo tempo, ocorrendo 
uma inversão na posição habitual das camadas, com o ar frio permanecendo embaixo e o ar 
quente em cima. É um fenômeno antrópico, ou seja, da ação humana.
Resposta correta: alternativa B.
61
ELEMENTOS DE CLIMATOLOGIA; DOMÍNIOS E PAISAGENS VEGETAIS
Análise das alternativas
A) Alternativa incorreta.
Justificativa: o El Niño adquire proporções continentais, podendo alterar os padrões climáticos em 
imensas porções dos continentes sul-americano e oceânico. Quanto ao Oceano Pacífico, ele participa 
(com suas águas superficiais aquecidas) da relação de movimentos ciclonal e anticlonal (sistemas de 
baixa e alta pressão), que nas condições de El Niño revertem as variações normais da célula de Walker 
(base de modelo explicativo do gradiente longitudinal de temperatura do ar à superfície).
B) Alternativa correta.
Justificativa: há uma variação espacial e os fatores elencados são de fato aqueles que condicionam 
os fenômenos climáticos, como albedo e circulação geostrófica.
C) Alternativa incorreta.
Justificativa: o granizo (como modalidade ou etapa do ciclo hidrológico) deriva de gotas de água 
congelada quando ocorre solidificação rápida; já a formação de neve exige temperaturas normalmente 
abaixo de – 40ºC (mais do que o gelo por resfriamento muito rápido, a temperaturas entre –12°C e – 40°C).
D) Alternativa incorreta.
Justificativa: o frio que aumenta com a altitude em um gradiente ambiental (6,5 ºC/km) ocorre em 
virtude do aquecimento da atmosfera de forma indireta, pelo calor irradiado pela superfície, sendo 
que a superfície terrestre e as águas são mais aquecidas, pois estão em contato direto com a fonte de 
irradiação. O aquecimento da atmosfera parte da superfície terrestre, ocorrendo de baixo para cima. 
Além disso, o ar rarefeito nas regiões mais elevadas, com diminuição da pressão (que é o oposto do 
que se afirma na alternativa), contribui para menores temperaturas, pois quanto menos ar menor a 
quantidade de calor contida nele.
E) Alternativa incorreta.
Justificativa: a inversão térmica dá-se no período oposto ao declarado na alternativa, nos meses 
de inverno, quando uma camada de ar frio acaba por bloquear outra camada de ar menos frio, que 
se localiza abaixo desta e que não consegue se libertar devido ao peso da camada de ar mais frio 
(obstruindo as trocas locais por convecção). O fenômeno da inversão térmica costuma ter efeito nefasto 
na saúde da população, pois a camada de ar “mais quente” que ali fica aprisionada é formada por poeira, 
poluição, gases tóxicos e materiais particulados provenientes das atividades humanas.
Questão 2. (UFRJ 2007, adaptada) Todas as grandes aglomerações urbanas situadas em sítios do 
Brasil Tropical Atlântico oferecem entraves para o escoamento das águas originadas em momentos 
de fortes chuvas (AB’SÁBER, Aziz. São Paulo: Ensaios Entreveros. São Paulo: Edusp/Imprensa Oficial do 
Estado de São Paulo, 2004.).
62
Unidade I
Assinale a alternativa com os fatores decorrentes do processo de urbanização, que influenciam a 
frequência e a magnitude das enchentes que ocorrem em grandes cidades brasileiras.
A) o processo de urbanização promove: impermeabilização do solo urbano; aumento do escoamento 
superficial das águas; obras de canalização dos rios; deposição de resíduos sólidos nos rios e 
canais; ocupação “desordenada” do solo urbano; desmatamento e aceleração de processos 
erosivos em encostas; interferência no curso natural dos rios; precariedade da rede subterrânea 
de escoamento; utilização de fundos de vale para a construção de ruas e avenidas.
B) as condições atmosféricas, entre elas, principalmente as precipitações, são responsáveis diretas 
pelas enchentes.
C) o clima é fator imponderável (sem planejamento em longo prazo), sendo causa exclusiva dos 
problemas de seca e desertificação que vêm assolando nossas cidades.
D) os problemas descritos nada têm de políticos, posto que as vicissitudes ambientais sejam 
imprevisíveis.
E) as decisões sobre os problemas não podem esperar pela participação popular, pois os citadinos 
não têm conhecimento técnico para oferecer as soluções requeridas em cada área.
Resolução desta questão na plataforma.

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