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Núbia pereira- Odontologia Referência: Livro Genival Veloso de França 11º edição SÍNDROME DO ANCIÃO MALTRATADO Na Inglaterra, aproximadamente em 1975, surgiu pela primeira vez o conceito de ancião maltratado, como uma síndrome de características da violência intrafamiliar. Na maioria das vezes é desconhecido, tornando difícil seu diagnóstico e sua distinção com os acidentes próprios da idade, a exemplo das fraturas, contusões e ferimentos outros, muitas vezes pelo temor de o ancião denunciar seus próprios filhos, parentes próximos e serviçais. Em alguns países, como nos EUA, a incidência de anciãos maltratados é de 10%, chegando muitas vezes a ultrapassar as cifras dos maus-tratos infantis. O envelhecimento demográfico da população mundial certamente aumentará ainda mais esta forma de agressão. O ambiente familiar é o lugar de maior evidência desses maus- tratos, pois grande parte das pessoas idosas vive ali. Mas não quer dizer que noutros lugares como hospitais, creches de velhos, asilos e casas especiais de abrigo não se venham a verificar tais excessos. Os maus-tratos mais comuns são por abuso e negligência, ou seja, por ação, por omissão ou por cuidados inadequados. No entanto, didaticamente, classificamos os maus-tratos em anciãos em: maus-tratos físicos, maus-tratos psíquicos e maus-tratos econômicos. Os maus-tratos físicos são sempre caracterizados por ferimentos repetidos e pouco justificáveis, queimaduras, fraturas, escoriações e equimoses. Os maus-tratos psíquicos pelas agressões verbais, “dano do silêncio”, ameaças, reprovações, desprezo e isolamento. E os maus-tratos econômicos pela privação dos alimentos, supressão dos bens e pelo mau uso de suas disponibilidades. Dentro dessa pungente realidade há que se entender a existência de fatores de risco que naturalmente podem agravar mais ainda o quadro: fatores individuais (antecedentes psiquiátricos, uso abusivo de álcool e de drogas dos agressores); herança violenta (filhos que sofreram violência dos pais); dependência econômica (conflitos entre o maltratante e o maltratado); estresse (tipo de vida que levam os agressores); isolamento social do ancião (quando eles vivem em comunidade, o fato é mais raro). A perícia médico-legal em tais eventos deve orientar-se pela história clínica, que deve ouvir oancião e seus acompanhantes separadamente. Ter em conta também o tempo decorrido entre as lesões e a procura do tratamento. Ainda, se é evidente a existência de lesões de datas diferentes. Em regra, os sintomas e sinais apresentados são semelhantes aos de uma doença crônica, cabendoestabelecer a diferença entre os maus-tratos e essas patologias. Um fato muito importante nestaavaliação é o do estado psíquico do paciente, principalmente no que se refere à aparência de terror emedo que eles possam apresentar. Sobre o aspecto físico é muito importante verificar os locais das lesões, como, por exemplo, os pulsos e tornozelos, por onde esses pacientes muitas vezes são imobilizados ao leito. Uma das formas comuns destes maus- tratos, principalmente em casas de hospedarias ou hospitaisde anciãos, é verificada pela contenção física em que se utilizam cintos de contenção em acamados ou durante a noite, provocando lesões ou até a morte por asfixia devido a hiperpressão abdominal ou por constrição do pescoço, atitude justificada como medida para evitar acidentes diante de agitações ou demência. Na maioria das vezes isto é motivado pela qualidade inadequada dos cintos ou pela forma errada de seu ajuste. O mesmo estudo pode ser aplicado às pessoas deficientes maltratadas. Entende-se aqui como“pessoas deficientes” aquelas que são incapazes de assegurar, por si mesmas, as necessidades de uma vida individual ou social normal, em decorrência de uma acentuada deficiência, congênita ou não, em suas capacidades físicas ou mentais (FRANÇA, 2017).