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TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Irene Carmem Picone Prestes TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Irene Carmem Picone Prestes IESDE BRASIL S/A Curitiba 2014 © 2014 – IESDE BRASIL S/A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito dos autores e do detentor dos direitos autorais. Todos os direitos reservados. IESDE BRASIL S/A. Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 Batel – Curitiba – PR 0800 708 88 88 – www.iesde.com.br Produção Capa: IESDE BRASIL S/A. Imagem da capa: Shutterstock CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ ________________________________________________________________________ P939t Prestes, Irene Carmem Picone Tecnologia assistiva e comunicação alternativa / Irene Carmem Picone Pres- tes. - 1. ed. - Curitiba, PR : IESDE BRASIL S/A, 2014. 164 p. : il. ; 21 cm. ISBN 978-85-387-4537-2 1. Comunicação - Aspectos sociais. 2. Mídia social. 3. Tecnologia da infor- mação. I. Título. 14-18578 CDD: 302.23 CDU: 302.23 ________________________________________________________________________ 11/12/2014 11/12/2014 Apresentação No século XXI – da sociedade do conhecimento – todas as crianças têm direi- to fundamental à educação. A Educação para Todos tem o desafio da promoção integral do desenvolvimento e da formação do aluno. A escola é o espaço, por excelência, do processo e do progresso da aprendizagem, devendo também, oferecer convivência humana e exercício de cidadania. A cidadania na sociedade informacional vai considerar como direito de todos o acesso aos recursos tecnológicos. Mostra-se promissora na implementação e consolidação de ações inclusivas e de acessibilidade, que atendam às diferenças individuais e à diversidade cultural. Numa visão psicológica, sócio-histórica, cul- tural e integrada do ser humano, que requer observar o potencial expressivo e criativo inerente a ele em qualquer idade. A Tecnologia Assistiva desponta como área do conhecimento atualizada ca- paz de pesquisar e planejar recursos e serviços em prol de efetivas ações transfor- madoras das práticas discriminatórias da sociedade em relação às pessoas com deficiência, mobilidade reduzida ou idosas. Norteia suas ações na promoção de um estilo de vida independente e no respeito aos estilos e ritmos de aprendiza- gem de cada aluno, essenciais para a verdadeira inclusão socioeducativa. Neste Guia de Estudos convidamos você a conhecer e ser um promotor de tecnologias acessíveis a todas as pessoas em nossa sociedade. Boa leitura! Sobre a autora Irene Carmem Picone Prestes Mestre em Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Especialista em Antropologia Cultural pela UFPR. Especialista em Psicopedagogia pela Universidade Tuiuti do Paraná (UTP). Psicanalista. Psicóloga. Docente na UTP. Presidente da Comissão de Educação Inclusiva da UTP. Sumário Aula 01 DIMENSÕES DE ACESSIBILIDADE 9 PARTE 01 | CONTEXTUALIZAÇÃO DA ACESSIBILIDADE 11 PARTE 02 | LEGISLAÇÃO DA ACESSIBILIDADE 15 PARTE 03 | COMPREENDENDO AS DIMENSÕES DA ACESSIBILIDADE 22 Aula 02 ACESSIBILIDADE VIRTUAL 27 PARTE 01 | SOBRE A INCLUSÃO DIGITAL 29 PARTE 02 | UNIVERSALIZAÇÃO TECNOLÓGICA E COMUNICACIONAL 33 PARTE 03 | CIDADANIA NA ERA DA INFORMAÇÃO 37 Aula 03 TECNOLOGIA ASSISTIVA E A INCLUSÃO 41 PARTE 01 | SOBRE O DIAGNÓSTICO NA INCLUSÃO 43 PARTE 02 | IMPACTO CAUSADO PELA DEFICIÊNCIA NO SER HUMANO 47 PARTE 03 | TECNOLOGIA ASSISTIVA – VALORIZANDO A DIVERSIDADE HUMANA 53 Aula 04 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA I 57 PARTE 01 | DESCREVENDO AS CATEGORIAS DA TECNOLOGIA ASSISTIVA 59 PARTE 02 | TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA À VIDA DIÁRIA 65 PARTE 03 | TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA ÀS HABILIDADES FÍSICAS 69 Aula 05 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA II 73 PARTE 01 | SOB O PARADIGMA DA INCLUSÃO PSICOSSOCIAL 75 PARTE 02 | TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA AOS RECURSOS AMBIENTAIS 80 PARTE 03 | TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA AO ESPORTE E LAZER 85 Sumário Aula 06 CONHECENDO A CIF – CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE FUNCIONALIDADE, INCAPACIDADE E SAÚDE E O DESENHO UNIVERSAL 89 PARTE 01 | MODELOS CONCEITUAIS – MÉDICO E SOCIAL 91 PARTE 02 | APRENDENDO COM O DESENHO UNIVERSAL 97 PARTE 03 | COMPREENDER A INCAPACIDADE E A FUNCIONALIDADE 101 Aula 07 SOFTWARE EDUCATIVO 105 PARTE 01 | TECNOLOGIAS NAS PRÁTICAS EDUCATIVAS 107 PARTE 02 | SOFTWARES E AS DEFICIÊNCIAS 111 PARTE 03 | DIMENSÕES DO USO DAS TECNOLOGIAS EDUCATIVAS 115 Aula 08 CONHECENDO A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 119 PARTE 01 | APRENDENDO SOBRE A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 121 PARTE 02 | DEFININDO UM SISTEMA DE COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 125 PARTE 03 | COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA APLICADA À EDUCAÇÃO 130 Aula 09 RECURSOS PARA A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 135 PARTE 01 | SISTEMAS ALTERNATIVOS DE COMUNICAÇÃO 137 PARTE 02 | ESTRATÉGIAS NOS RECURSOS PARA COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 141 PARTE 03 | COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA – DESENVOLVENDO AUTONOMIA 145 Aula 10 SALA DE RECURSOS MULTIFUNCIONAL E ACESSIBILIDADE 149 PARTE 01 | ESCOLA ACESSÍVEL 151 PARTE 02 | RECONHECENDO A SALA DE RECURSOS MULTIFUNCIONAL 155 PARTE 03 | ESPAÇO MULTIFUNCIONAL DE APRENDER A SER 159 Conhecer a contextualização atual da acessibilidade, entender a legislação que envolve a acessibilidade e reconhecer a aplicabilidade das dimensões de acessibilidade no processo de inclusão. DIMENSÕES DE ACESSIBILIDADE Aula 01 Objetivos: A rt is tic co /S hu tte rs to ck ALTERAR IMAGEM CONFORME A IMAGEM DO SEPARADOR TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 11 DIMENSÕES DE ACESSIBILIDADE Pa r t e 01 CONTEXTUALIZAÇÃO DA ACESSIBILIDADE Uma proposta de contextualização busca revelar a articu- lação das diversas realidades presentes na sociedade do mundo globalizado para que possam emergir um significado e um sen- tido da realidade observada. Assim apresentamos alguns pontos relevantes para a contextualização e compreensão da acessibi- lidade na atual sociedade inclusiva brasileira. Para enfrentar os desafios do século XXI, novas concepções de educação devem ser ampliadas para uma visão de plenitude, em que as pessoas possam, em síntese, aprender a ser conforme aponta o relatório da Comissão Internacional de Educação para o século XXI feito para a UNESCO (2010) sobre os pilares da educa- ção. A Constituição Brasileira de 1988 garante o direito de igual- dade a todos os cidadãos no espaço social da nação. Esse direito inclui o acesso a serviços essenciais, como habitação própria, saúde, educação e trabalho, para todas as pessoas sem qualquer forma de discriminação. É direito do cidadão e cabe ao Estado a promoção e a proteção desse direito por meio da implementação e manutenção de ações que atendam, individual e coletivamen- te, às necessidades e às expectativas do cidadão. Na celebração dos 25 anos de vigência da Carta Constitucional do Brasil, como parte das comemorações, o Governo Federal lançou uma versão da Constituição em tex- to, áudio e linguagem de sinais – Libras (Língua Brasileira de Sinais), fortalecendo o paradigma vigente de acessibilidade na sociedade inclusiva brasileira. A Constituição está disponível ALTERAR IMAGEM CONFORME A IMAGEM DO SEPARADOR TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA12 DIMENSÕES DE ACESSIBILIDADE Pa r t e 01 para consulta de todas as pessoas no site PCD Legal, uma bi- blioteca virtual disponível em: <www.pcdlegal.com.br/consti- tuicaofederal/#.VDwiSPldWm2>. É notório que grande parte da população é confrontada co- tidianamente com diferentes barreiras, que tornam inacessíveis o transporte coletivo, prédios públicos, metodologias educa- cionais, tecnologias de baixo custo, a comunicação nos setores públicos, entre outros obstáculos. Vale verificar os números no Censo Demográfico do IBGE, realizado em 2010, de caracterís- ticas da população, religião e pessoa com deficiência: Os resultados do Censo Demográfico de 2010 apon- taram 45 606 048 milhõesde pessoas que declaram ter pelo menos uma das deficiências investigadas, correspondendo a 23,9% da população brasileira. Dessas pessoas 38 473 702 se encontravam em áre- as urbanas e 7 132 347 em áreas rurais. A região Nordeste concentra os municípios com os maiores percentuais da população com pelo menos uma das deficiências investigadas [...]. (IBGE 2010, p. 73.) Os dados do Censo são significativos e justificam o incre- mento nas ações voltadas à acessibilidade, inclusão, tecnolo- gias assistivas e comunicação alternativa nos espaços de edu- cação formal e não formal e organizações do estado nacional. Ainda, vale um alerta, devemos considerar que a possibilidade de enfrentamento das barreiras, obstáculos do cotidiano ou até mesmo da condição de deficiência temporária assola qualquer pessoa em alguma situação de vida, senão a todos os sujeitos no processo do desenvolvimento do envelhecer que traz limitações naturais a todo o ser humano. ALTERAR IMAGEM CONFORME A IMAGEM DO SEPARADOR TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 13 DIMENSÕES DE ACESSIBILIDADE Pa r t e 01 Outro aspecto fundamental nessa contextualização e que interfere na acessibilidade e no processo inclusivo trata da globalização que, como um processo complexo atual, traduz o modo das interações entre os continentes e os países. Esse mecanismo interfere nas decisões numa gama de aspectos eco- nômicos, educacionais, culturais e políticos, que articulam os confrontos planetários. Por meio da globalização, as pessoas estão mais próximas de todo mundo, os governos e as organizações trocam ideias, realizam transações e disseminam um modus operandi nas questões da educação e cultura pelos quatro cantos do planeta, como as proposições da ONU e da UNESCO, expandindo, dessa forma, os limites das fronteiras e da territorialidade e conse- quentemente interferindo nas atitudes das pessoas. O sociólogo português Boaventura de Sousa Santos confir- ma essa complexidade e nos ajuda a refletir sobre o conceito de “globalização” quando considera que “o global e o local são so- cialmente produzidos no interior dos processos de globalização” (2002, p. 63). Isso nos conduz a compreender a complexidade da globalização, a qual produz trocas entre as redes humanas sem fronteiras, indiscriminada e instantaneamente. Ampliam desta forma a territorialidade dos continentes e estabelecem a complexidade das decisões, dos recursos, dos instrumentos, entre outros, hoje em dia. Sem dúvida, favorecem e fortalecem cada vez mais as ações coletivas civilizatórias. Extra Recomendamos a leitura da Declaração Mundial sobre Educação para Todos (Conferência de Jomtien – 1990). Brasil, UNICEF. Disponível em: <www.unicef.org/brazil/pt/resour- ces_10230.htm>. Acesso em: 13 out. 2014. ALTERAR IMAGEM CONFORME A IMAGEM DO SEPARADOR TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA14 DIMENSÕES DE ACESSIBILIDADE Pa r t e 01 Atividade Liste cinco palavras-chave que devem significar acessibilidade. Referências BRASIL. Unicef. Declaração Mundial sobre Educação para Todos (Conferência de Jomtien – 1990). Disponível em: <www.unicef.org/brazil/pt/ resources_10230.htm>. Acesso em: 13 out. 2014. DELORS, Jacques. Educação: um tesouro a descobrir. Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional para a educação do século XXI. Brasília: Julho, 2010. Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0010/001095/109590por. pdf>. Acesso em: 13 out. 2014. INSTITUTO BRASILEIRO DE ESTATÍSTICA E GEOGRAFIA – IBGE. Censo Demográfico 2010. Características gerais da população, religião e pessoas com deficiência. Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão. IBGE. ISSN 0104-3145. Censo demogr. Rio de Janeiro, p. 1-215, 2010. Disponível em: <ftp://ftp.ibge.gov.br/Censos/Censo_Demografico_2010/Caracteristicas_ Gerais_Religiao_Deficiencia/caracteristicas_religiao_deficiencia.pdf>. Acesso em: 13 out. 2014. SOUSA SANTOS, Boaventura (Org.). A Globalização e as Ciências Sociais. São Paulo: Cortez, 2002. Disponível em: <www.ebah.com.br/content/ ABAAABRBkAA/santos-boaventura-s-org-a-globalizacao-as-ciencias-sociais>. Acesso em: 13 out. 2014. Resolução da atividade Acessibilidade = lei, cidadania, autonomia, globalização, comunicação. ALTERAR IMAGEM CONFORME A IMAGEM DO SEPARADOR TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 15 DIMENSÕES DE ACESSIBILIDADE Pa r t e 02 LEGISLAÇÃO DA ACESSIBILIDADE Inicialmente, define-se acessibilidade como a possibilida- de para a remoção dos entraves que representam as barrei- ras para a efetiva usabilidade e participação de pessoas nos diversos cenários da vida pessoal, social e profissional. Ainda, entende-se que a acessibilidade está diretamente vinculada aos pressupostos da inclusão social e educacional, ou seja, trata-se de questões próprias dos Direitos Humanos Universais e do ple- no exercício da cidadania. A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) é um documento marco na história dos di- reitos humanos. Elaborada por representantes de diferentes origens jurídicas e culturais de todas as regiões do mundo, a Declaração foi proclama- da pela Assembleia Geral das Nações Unidas em Paris, em 10 de Dezembro de 1948 [...]. Ela es- tabelece, pela primeira vez, a proteção universal dos direitos humanos. [...] Uma série de tratados internacionais de direitos humanos e outros instrumentos adotados desde 1945 expandiram o corpo do direito internacional dos direitos humanos. (DUDH,1948.) A acessibilidade enquanto direito humano deve nortear-se nos alicerces da inclusão que visam à autonomia, à independên- cia e ao empoderamento da pessoa com deficiência. Segundo Sassaki (1997, p. 38), empoderamento significa “o processo pelo qual uma pessoa usa o seu poder pessoal inerente à sua ALTERAR IMAGEM CONFORME A IMAGEM DO SEPARADOR TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA16 DIMENSÕES DE ACESSIBILIDADE Pa r t e 02 condição para fazer escolhas e tomar decisões, assumindo, as- sim, o controle de sua vida”. Portanto, a acessibilidade nas dimensões arquitetônica, tecnológica, comunicacional, linguística, pedagógica e atitudi- nal (preconceito, medo e ignorância), preconiza a construção de acesso e a eliminação dos diversos tipos de barreiras, favo- recendo a dignidade e o bem-estar daqueles que têm limitações ou mobilidade reduzida. A legislação, em geral, existe para promoção da igualdade de oportunidades entre as pessoas, especificamente da pessoa com deficiência, visando a um fim comum: tornar a estrutura em que vivemos apta a acolher as diferenças individuais e a di- versidade cultural. Assim, é importante destacar e compreender o sentido e o significado da lei, em uma citação de Dischinger. Lei: no sentido jurídico, é a regra jurídica escrita, instituída pelo legislador, no cumprimento de um mandato, que lhe é outorgado pelo povo. Segundo Clóvis Beviláqua, “A ordem geral obrigatória que, emanada de uma autoridade competente reco- nhecida, é imposta coativamente à obediência de todos”. A lei institui a ordem jurídica, em que se funda a regulamentação, para manter o equilí- brio entre as relações do homem na sociedade, no tocante a seus direitos e deveres. (DISCHINGER, 2012, p. 103-104) A lei organizadora da sociedade visa, então, ao aprimo- ramento da civilização e à evolução do ser humano. A legis- lação da acessibilidade consiste na construção de um mundo includente, permitindo a existência integral e plena da pessoa. ALTERAR IMAGEM CONFORME A IMAGEM DO SEPARADOR TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 17 DIMENSÕES DE ACESSIBILIDADE Pa r t e 02 Fazer parte de uma sociedade significa ter condições de desem- penhar papéis dos quais somos capazes, como o de pais, cida- dãos, estudantes, trabalhadores, entre outros, de modo que a nossa capacidade não seja obstada por barreiras externas. O Decreto 5.296/2004, que regulamenta, inclusive, a Lei Federal 10.098/2000, sustentando a acessibilidade e esta- belecendo as normas e critérios básicospara a Promoção de Acessibilidade de pessoas com deficiência ou mobilidade redu- zida, em seu artigo 8.º (incisos I e II) esclarece: Das condições gerais da acessibiliade Art. 8.° Para os fins de acessibilidade, considera-se: I. acessibilidade: condição para utilização, com segurança e autonomia, total ou assistida, dos es- paços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos serviços de transporte e dos dis- positivos, sistemas e meios de comunicação e in- formação, por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida; II. barreiras: qualquer entrave ou obstáculo que limite ou impeça o acesso, a liberdade de movi- mento, a circulação com segurança e a possibi- lidade de as pessoas se comunicarem ou terem acesso à informação, classificadas em: a) barreiras urbanísticas: as existentes nas vias públicas e nos espaços de uso público; b) barreiras nas edificações: as existentes no entorno e interior das edificações de uso públi- co e coletivo e no entorno e nas áreas internas de uso comum nas edificações de uso privado multifamiliar; ALTERAR IMAGEM CONFORME A IMAGEM DO SEPARADOR TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA18 DIMENSÕES DE ACESSIBILIDADE Pa r t e 02 c) barreiras nos transportes: as existentes nos ser- viços de transportes; e d) barreiras nas comunicações e informações: qualquer entrave ou obstáculo que dificulte ou im- possibilite a expressão ou o recebimento de men- sagens por intermédio dos dispositivos, meios ou sistemas de comunicação, sejam ou não de massa, bem como aqueles que dificultem ou impossibi- litem o acesso à informação; (BRASIL, Decreto n. 5.296/2004) Ainda baseando-se na legislação, é possível desdobrar a acessibilidade em seis dimensões: 1. Acessibilidade arquitetônica – sem barreiras ambien- tais físicas em todos os recintos internos e externos da escola e nos transportes coletivos. 2. Acessibilidade comunicacional – sem barreiras na co- municação interpessoal, na comunicação escrita e na comunicação virtual e digital. 3. Acessibilidade metodológica – sem barreiras nos mé- todos e técnicas de estudo, de ação comunitária, cul- tural e de educação dos filhos, dos estudantes e nas relações familiares. 4. Acessibilidade instrumental – sem barreiras nos ins- trumentos e utensílios de estudo, de atividades ha- bituais da vida diária e de lazer, esporte e recreação (dispositivos que atendam às limitações sensoriais, fí- sicas e mentais etc.). ALTERAR IMAGEM CONFORME A IMAGEM DO SEPARADOR TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 19 DIMENSÕES DE ACESSIBILIDADE Pa r t e 02 5. Acessibilidade programática – sem barreiras invisí- veis embutidas em políticas públicas (leis, decretos, portarias, resoluções, medidas provisórias etc.), em regulamentos (institucionais, escolares, empresariais, comunitários etc.) e em normas de um modo geral. 6. Acessibilidade atitudinal – através de programas e práticas de sensibilização e de conscientização das pessoas em geral e da convivência na diversidade hu- mana resultando em quebra de preconceitos, estig- mas, estereótipos e discriminações. A legislação de acessibilidade assim descrita pretende con- tribuir para que todo ser humano, independentemente de suas diferenças físicas ou capacidades sensório-perceptivas, possa ter garantido a equidade de oportunidades para além das defi- ciências, na valorização da dignidade, independência e autono- mia do cidadão. Extra Recomendamos assistir ao vídeo Jovens brasileiros parti- cipam na sede da ONU de debate sobre a inclusão. Disponível no YouTube e também no link <www.inesc.org.br/noticias/no- ticiasdo-inesc/2014/setembro/quatro-adolescentes-e-jovens- brasileiros-participam-na-sede-da-onu-de-debate-sobre-inclu- sao-escolar>. Atividade Construa um pequeno texto de três a quatro linhas relacio- nando Direitos Humanos Universais – Cidadania – Diversidade. ALTERAR IMAGEM CONFORME A IMAGEM DO SEPARADOR TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA20 DIMENSÕES DE ACESSIBILIDADE Pa r t e 02 Referências BRASIL. Lei 10.098, de 19 de Dezembro de 2000. Estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida e dá outras providências. Publicada no Diário Oficial da União, em 20 dezembro de 2000. Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l10098.htm>. Acesso em: 13 out. 2014. BRASIL. Decreto 5.296, de 02 de Dezembro de 2004. Regulamenta as Leis 10.048, de 8 de novembro de 2000, que dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica, e 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida e dá outras providências. Publicado no Diário Oficial da União, em 3 dezembro de 2004. Disponível em: <www. planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Decreto/D5296.htm>. Acesso em: 30 out. 2014. Declaração Universal pelos Direitos Humanos – DUDH. Paris, 1948. Disponível em: <www.dudh.org.br/declaracao>. Acesso em: 13 out. 2014. DELORS, Jacques. Educação: um tesouro a descobrir. Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional para a educação do século XXI. Brasília: julho, 2010. Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0010/001095/109590por. pdf>. Acesso em: 13 out. 2014. DISCHINGER, Marta. Promovendo Acessibilidade Espacial nos Edifícios Públicos: programa de acessibilidade às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida nas edificações de uso público. Florianópolis: MPSC, 2012. 161p. Disponível em: <www.mp.sc.gov.br/portal/conteudo/imagens/ noticias/manual_acessibilidade.pdf>. Acesso em: 13 out. 2014. SASSAKI, Romeu. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. Rio de Janeiro: WVA,1997. UNICEF. Declaração Mundial sobre Educação para Todos (Conferência de Jomtien – 1990). Disponível em: <www.unicef.org/brazil/pt/resources_10230. htm>. Acesso em: 13 out. 2014. Resolução da atividade Entende-se que, em essência, o que as leis voltadas aos direitos humanos preservam é o valor da diversidade humana ALTERAR IMAGEM CONFORME A IMAGEM DO SEPARADOR TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 21 DIMENSÕES DE ACESSIBILIDADE Pa r t e 02 e a garantia de igualdade social como instrumento de bem- -estar e de desenvolvimento inclusivo, social e educacional. Para ser cidadã ou cidadão, cada pessoa, única e singular, pre- cisa conviver com toda a sociedade e oferecer a todos o seu sa- ber, habilidades e competências, em uma troca de permanente aperfeiçoamento. ALTERAR IMAGEM CONFORME A IMAGEM DO SEPARADOR TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA22 DIMENSÕES DE ACESSIBILIDADE Pa r t e 03 COMPREENDENDO AS DIMENSÕES DA ACESSIBILIDADE Reconhecer a aplicabilidade das seis dimensões de acessibi- lidade propostas na legislação nos fortalece no reconhecimento do caminho trilhado nas práticas para a verdadeira sociedade inclusiva, que abre suas portas à pessoa com deficiência na vida escolar para a vida profissional, a fim de conquistar o pleno exercício da cidadania, entendido como o lugar máximo de todo ser humano na civilização. É importante considerar, na aplicação das propostas de acessibilidade, a existência de situações ambientais, atitudi- nais, tecnológicas em que possam ocorrer barreiras, obstáculos de diversos âmbitos. Essas situações devem ser tomadas como parâmetros investigativos para se encontrar a solução viável aos problemas vividos. A alternativa acessível deve considerar o processo histórico, cultural e educacional, demonstrando a necessidade de constante alinhamento para soluções criativas e enriquecedoras do ser humano na permanente construção e atualização da sociedade inclusiva. Para a aplicação das seis dimensões de acessibilidade apre- sentamos algumas alternativas: 1. Acessibilidade arquitetônica – sem barreiras am- bientais físicas dentro dos critérios preconizados pela norma NBR 9050 (2004), que estabelece os parâme-tros técnicos a serem observados quando do projeto, construção, instalação e adaptações de edificações, ALTERAR IMAGEM CONFORME A IMAGEM DO SEPARADOR TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 23 DIMENSÕES DE ACESSIBILIDADE Pa r t e 03 mobiliários, equipamentos urbanos ás condições de acessibilidade como rampas, piso tátil, banheiros adaptados, nos transportes coletivos, entre outros. co w ar dl io n / Sh ut te rs to ck R io Pa tu ca /S hu tte rs to ck 2. Acessibilidade comunicacional – sem barreiras na comunicação interpessoal (face a face, língua de si- nais, linguagem corporal, linguagem gestual etc.), na comunicação escrita (jornal, revista, livro, carta, apostila etc., incluindo textos em braile, textos com letras ampliadas para quem tem baixa visão, notebook e outras tecnologias assistivas para comunicar) e na comunicação virtual (acessibilidade digital). to m gi ga bi te /S hu tte rs to ck N at aL T/ Sh ut te rs to ck ALTERAR IMAGEM CONFORME A IMAGEM DO SEPARADOR TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA24 DIMENSÕES DE ACESSIBILIDADE Pa r t e 03 3. Acessibilidade metodológica – sem barreiras nos mé- todos e técnicas de estudo (adaptações curriculares, aulas baseadas nas inteligências múltiplas, uso de to- dos os estilos de aprendizagem, participação do todo de cada aluno, novo conceito de avaliação de apren- dizagem, novo conceito de educação, novo conceito de logística didática etc.), de ação comunitária (me- todologia social, cultural, artística etc. baseada em participação ativa) e de educação dos filhos (novos métodos e técnicas nas relações familiares etc.). 4. Acessibilidade instrumental – sem barreiras nos instrumentos e utensílios de estudo (lápis, caneta, transferidor, régua, teclado de computador, materiais pedagógicos), de atividades da vida diária (tecnolo- gia assistiva para comunicar, fazer a higiene pessoal, vestir, comer, andar, tomar banho etc.) e de lazer, es- porte e recreação (dispositivos que atendam às limita- ções sensoriais, físicas e mentais etc.). Ja re n Ja i W ic kl un d/ Sh ut te rs to ck H un ts to ck .c om /S hu tte rs to ck 5. Acessibilidade programática – sem barreiras invisí- veis embutidas em políticas públicas (leis, decretos, ALTERAR IMAGEM CONFORME A IMAGEM DO SEPARADOR TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 25 DIMENSÕES DE ACESSIBILIDADE Pa r t e 03 portarias, resoluções, medidas provisórias etc.), em regulamentos (institucionais, escolares, empresariais, comunitários etc.) e em normas no geral. 6. Acessibilidade atitudinal – através de programas e práticas de sensibilização e de conscientização das pessoas em geral e da convivência na diversidade hu- mana, resultando em quebra de preconceitos, estig- mas, estereótipos e discriminações. Finalizamos esta aula com uma reflexão significativa. A legislação brasileira voltada à pessoa com deficiência nas suas diferentes expressões, acessibilidade, tecnologias assistivas e comunicação alternativa é de boa qualidade e possui quantida- de bastante abrangente, a ponto de destacar o Brasil ao nível de países mais desenvolvidos do ponto de vista político, eco- nômico e social. A questão “deficiente” está no cumprimento prático da legislação e no frágil exercício prático da cidadania. Extra Sugerimos a leitura do artigo de Romeu Sassaki intitula- do Inclusão: acessibilidade no lazer, trabalho e educação. Disponível em: <www.apabb.org.br/admin/files/Artigos/ Inclusao%20-%20Acessibilidade%20no%20lazer,%20trabalho%20 e%20educacao.pdf>. Acesso em: 26 out. 2014. Atividade No artigo indicado anteriormente, de Romeu Sassaki, é apresentado um histórico da acessibilidade no Brasil. Monte um esquema com o principal aspecto de cada década. ALTERAR IMAGEM CONFORME A IMAGEM DO SEPARADOR TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA26 DIMENSÕES DE ACESSIBILIDADE Pa r t e 03 Referências BRASIL. Lei 10.098, de 19 de Dezembro de 2000. Estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências. Publicada no Diário Oficial da União, em 20 dezembro de 2000. Disponível em: <www. planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l10098.htm>. Acesso em: 13 out. 2014. BRASIL. Decreto 5.296, de 02 de Dezembro de 2004. Regulamenta as Leis 10.048, de 8 de novembro de 2000, que dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica, e 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida e dá outras providências. Publicada no Diário Oficial da União, em 3 dezembro de 2004. Disponível em: <www. planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Decreto/D5296.htm>. Acesso em: 30 out. 2014. SASSAKI, Romeu. Inclusão: acessibilidade no lazer, trabalho e educação. Disponível em: <www.apabb.org.br/admin/files/Artigos/Inclusao%20 -%20Acessibilidade%20no%20lazer,%20trabalho%20e%20educacao.pdf>. Acesso em: 26 out. 2014. VILLAVERDE, Adão (Org.). Manual de Redação – mídia inclusiva. Porto Alegre: Assembleia Legislativa, 2011. Disponível em: <www.portaldeacessibilidade. rs.gov.br/uploads/1313497232Manual_de_Redacao_AL_Inclusiva.pdf.> Acesso em: 26 out. 2014. Resolução da atividade Breve histórico de acessibilidade no brasil: • Anos 50 – profissionais denunciam a existência de barreiras. • Anos 60 – Universidades do EUA iniciam eliminação das barreiras arquitetônicas. • Anos 70 – 1975, ONU – Declaração dos Direitos das Pessoas Diferentes. • Anos 80 – Participação plena e igualdade. Ano Internacional das pessoas deficientes. • Anos 90 – Desenho Universal. Diversidade Humana. • Século XXI – 2006, ONU – Acessiblidade. Compreender a universalização tecnológica e comunicacional e reconhecer o exercício da cidadania na sociedade informacional. ACESSIBILIDADE VIRTUAL Aula 02 Objetivos: Se rg ey N iv en s/ Sh ut te rs to ck TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 29 ACESSIBILIDADE VIRTUAL Pa r t e 01 SOBRE A INCLUSÃO DIGITAL A inclusão digital, entendida como um dos desdobramentos das acessibilidades comunicacional e instrumental, constitui- -se como um desafio e um compromisso para a inclusão social. Coerente com o Desenho Universal1, trilha caminhos para a me- lhoria da qualidade de vida de cada cidadão, oferecendo dis- positivos de acesso a qualquer usuário em todos os espaços e lugares na sociedade. Um dos princípios da inclusão digital é atender a questão do baixo custo com alto benefício ao usuário. Os programas de inclusão digital para pessoas com defici- ência buscam desenvolver tecnologias que respeitem a acessi- bilidade, a usabilidade e a comunicabilidade desses usuários na interface com a internet, eliminando, assim, as barreiras que os impedem de fazerem uso de sistemas computacionais. Sobre a aplicação da inclusão digital no processo de apren- dizagem no âmbito da Comunicação e da Educação, especifica- mente, Richt e Maltempi dizem que Na dimensão educacional, consideramos relevante que as tecnologias participem da formação dos es- tudantes, propiciando diferentes modos de apren- der e ensinar, redefinindo as relações interpessoais em sala de aula, possibilitando abordagens dife- renciadas para conteúdos curriculares e fomentan- do novas práticas pedagógicas. Simultaneamente, consideramos que o uso de tecnologias nas práti- cas educativas escolares precisa fomentar, tanto 1 Desenho Universal: descrito pelo Instituto Nacional para a Reabilitação, visa à concepção de objetos, equipamentos e estru- turas do meio físico destinados ao uso por todas as pessoas indiscriminadamente. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA30 ACESSIBILIDADE VIRTUAL Pa r t e 01 para estudantes quanto para professores, modos diferentes de se relacionarem com conteúdos e de se apropriarem de novos conhecimentos. Para que esses modos diferentes de relacionar-secom o conteúdo tornem-se possíveis, todos preci- sam apropriar-se das tecnologias de maneira ati- va, crítica e inclusiva. (RICHIT; MALTEMPI, 2013, p. 37-38) Compreende-se que a inclusão digital, em sua aplicação em diferentes campos sociais e educacionais, visa à universalização do acesso às tecnologias da informação e da comunicação, bem como ao domínio da linguagem básica para potencializar a au- tonomia, a independência e o empoderamento da pessoa. Nesse sentido, as políticas públicas de inclusão digital podem ser analisadas como políticas de acesso ao cidadão na era da in- formação. Destaca-se, em 1997, a criação do Programa Nacional de Informática Educativa (ProInfo), focado na promoção do uso de tecnologias no contexto da educação em diferentes níveis, desde a Educação Básica até o Ensino Superior. Vale consultar o site do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e verificar as inúmeras legislações que ancoram as práticas de acessibilidade virtual no século XXI, e, dessa maneira, atendem a emergente necessidade do cidadão. Extras Sugere-se a consulta dos seguintes documentos: • Programa Nacional de Informática Educativa (ProInfo): diretrizes. Disponível em: <www.gestaoescolar.diaadia. pr.gov.br/arquivos/File/pdf/proinfo_diretrizes1.pdf>. Acesso em: 22 out. 2014. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 31 ACESSIBILIDADE VIRTUAL Pa r t e 01 • Manual de Orientação e Apoio para Atendimento às Pessoas com Deficiência, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Disponível em: <www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/acessibilida- de/manual-de-orientacao-e-apoio-para-atendimento-pes- soas-com-deficiencia>. Acesso em: 29 out. 2014. Atividade Leia o documento Programa Nacional e Informática na Educação (ProInfo): diretrizes, do Ministério da Educação (MEC) e do Desporto e Secretaria de Educação a Distância (SEaD) – tópicos Contexto, Justificativa e Objetivos (páginas 1 a 3). Construa uma breve produção escrita de, no máximo, 20 palavras. Disponível em: <www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/pdf/ proinfo_diretrizes1.pdf>. Acesso em: 22 out. 2014. Referências FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO. Programa Nacional de Informática Educativa (ProInfo). Disponível em: <www.fnde.gov.br/ programas/programa-nacional-de-tecnologia-educacional-proinfo>. Acesso em: 22 out. 2014. BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação a Distância. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Programa Nacional de Informática na Educação: diretrizes. Disponível em: <www. gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/pdf/proinfo_diretrizes1.pdf> Acesso em: 22 out. 2014. BRASIL. Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social. Instituto Nacional para a Reabilitação. Desenho Universal. Disponível em: <www.inr. pt/content/1/5/desenho-universal>. Acesso em: 30 out. 2014. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA32 ACESSIBILIDADE VIRTUAL Pa r t e 01 RICHIT, A.; MALTEMPI, M. V. A formação de professores nas políticas públicas de inclusão digital: o programa UCA – Erechim (RS). Conjectura: Filos. Educ. Caxias do Sul – RS , v. 18, n. 1, p. 17-41. Jan./abr. 2013. Disponível em: <www. rc.unesp.br/igce/demac/maltempi/Publicacao/Richit-Maltempi-cibem.pdf>. Acesso em: 22 out. 2014. BRASIL. Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Manual de Orientação e Apoio para Atendimento às Pessoas com Deficiência. Dispo- nível em: <www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/acessibilidade/manual- de-orientacao-e-apoio-para-atendimento-pessoas-com-deficiencia>. Acesso em: 29 out. 2014. Resolução da atividade O documento (de 1997) apresenta um contexto que pro- jeta para os 10 anos seguintes a criação de empregos, que até então não existiam em decorrência dos avanços tecnológicos que trazem consigo mudanças nos sistemas de conhecimento e novas formas de trabalho, assim como influenciam na econo- mia, na política e na organização das sociedades. Havia uma nova gestão social do conhecimento a partir do desenvolvimen- to de novas técnicas de produção, armazenamento e processa- mento de informação, alavancadas pelo progresso da informá- tica e das telecomunicações. Esperava-se, com essa iniciativa, possibilitar a criação de uma nova ecologia cognitiva nos am- bientes escolares mediante a incorporação adequada das novas tecnologias. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 33 ACESSIBILIDADE VIRTUAL Pa r t e 02 UNIVERSALIZAÇÃO TECNOLÓGICA E COMUNICACIONAL O avanço das tecnologias e da comunicação revela-se como alavanca na consolidação de um mundo verdadeiramente aces- sível a todas as pessoas pelas possibilidades de construção de ferramentas adequadas às necessidades de cada indivíduo. Quando dirigidas ao espaço escolar, considera-se que: É por meio de novos canais de comunicação que todas as formas de expressão e estilos de apren- dizagem serão valorizadas permitindo, ao aluno, o acesso ao conhecimento. Conhecer sobre as tec- nologias de informação e comunicação sensibiliza o professor para que se paute pelas potencialida- des dos seus alunos e não pelas suas limitações. (GIROTO; POKER; OMOTE, 2012, p. 10) Na universalização tecnológica e comunicacional, é im- portante considerar três qualidades da interação pessoa-tec- nologia. Essas três qualidades, quando interrelacionadas e in- tegradas, garantem o sucesso no processo das inclusão social e educacional. 1.º Acessibilidade: tem por princípio garantir o acesso e a utilização dos bens e serviços privados e públicos existentes na sociedade para todos; 2.º Usabilidade: traduz-se na facilidade de uso na interfa- ce usuário diante do recurso tecnológico. Se o usuário aprende TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA34 ACESSIBILIDADE VIRTUAL Pa r t e 02 a utilizar um recurso com facilidade, agilidade e qualidade, isso significa que o recurso tem boa usabilidade. Identifica-se aqui o grau de satisfação do usuário; 3.º Comunicabilidade: tem por premissa identificar a aces- sibilidade de comunicar na interface com o usuário. Destaca-se que é na interface1, na experiência, que o usuário deverá reco- nhecer a finalidade do recurso tecnológico. Na especificação de requisitos para a comunicabilidade, Pontes destaca que: São necessárias interfaces mais eficazes que pos- sam atender a uma variedade cada vez maior de usuários, devendo utilizar-se de métodos e téc- nicas na construção de websites que permitam que a mensagem seja devidamente captada. Estas técnicas, é importante ressaltar, devem ser ba- seadas na experiência dos usuários. Atualmente, existem ferramentas desenvolvidas para prestar apoio na aplicação de alguns métodos de avalia- ção. (PONTES, 2008, p. 7) Sendo assim, é fundamental que todos os aspectos cita- dos sejam considerados, pois fazem parte de um diversificado conjunto de instrumentos virtuais atualmente disponíveis nas redes sociais virtuais, tais como: programas de computador, chats, correios eletrônicos, homepages, ambientes virtuais de aprendizagem no ensino a distância, ferramentas que facilitam o acesso a navegação na web e softwares específicos a pessoas com deficiências. Em outras palavras, equipamentos e tecno- logias geralmente presentes na dimensão das acessibilidades instrumental e comunicacional. 1 Interface, neste contexto, significa interconexão ou interação entre usuário e recurso tecnológico. Na interconexão, existem trocas de informações. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 35 ACESSIBILIDADE VIRTUAL Pa r t e 02 Sobre o espaço escolar, especificamente, vale destacar o avanço da tecnologia de informação, que tem sido usada para incrementar a comunicação das informações escolares. Os alu- nos têm disponíveis uma série de serviços pela internet, como boletins de notas e frequência, reservasde livros na biblioteca, disciplinas a distância, entre outros. Extra Uma boa fonte de consulta para aprofundamento temáti- co é o artigo de Rogério da Costa, Por um novo conceito de comunidade: redes sociais, comunidades pessoais, inteligên- cia coletiva. O artigo discute o conceito de comunidade em redes sociais. Apresenta o contexto das comunidades virtuais no ciberespaço como uma nova maneira de se fazer socieda- de. Descreve a estrutura dinâmica das redes de comunicação. No centro dessa transformação, conceitos como capital social, confiança e simpatia parcial são invocados para que se possa pensar as novas formas de associação que regulam a atividade humana na época atual. Disponível em: <www.scielo.br/scielo. php?script=sci_arttext&pid=S1414-32832005000200003&lng=pt &nrm=iso>. Acesso em: 30 out. 2014. Atividade Assista ao vídeo em que Ederson Granetto entrevista o professor Claudemir Viana sobre o tema “tecnologia de infor- mação na sala de aula”. Disponível em: <www.youtube.com/ watch?v=Uf6MYEZNHF8>. Acesso em: 23 out. 2014. Escreva no máximo 20 palavras sobre como o entrevistado descreve a postura atual do professor na sala de aula. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA36 ACESSIBILIDADE VIRTUAL Pa r t e 02 Referências COSTA, R. Por um novo conceito de comunidade: redes sociais, comuni- dades pessoais, inteligência coletiva. Disponível em: <www.scielo.br/scielo. php?script=sci_arttext&pid=S1414-32832005000200003&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 30 out. 2014. GIROTO, C.; POKER, R.; OMOTE, S. (Org.). As tecnologias nas práticas pedagógicas inclusivas. Marília: Oficina Universitária; São Paulo: Cultura acadêmica, 2012. Disponível em: <www.marilia.unesp.br/Home/Publicacoes/ as-tecnologias-nas-praticas_e-book.pdf>. Acesso em: 20 out. 2014. PONTES, P. Especificação de requisitos para comunicabilidade em websites na engenharia semiótica. 108 f. Trabalho de Conclusão de Curso. Sistemas de Informação, Faculdade de Informática, Centro Universitário Ritter dos Reis, Porto Alegre, 2008. Disponível em: <www.uniritter.edu.br/graduacao/ informatica/sistemas/downloads/tcc2k8/TCC_Final_Patricia_Elisalde_ Pontes.pdf>. Acesso em: 20 out. 2014. Resolução da atividade O professor Claudemir destaca a importância de o profes- sor ser agente mediador no processo da acessibilidade virtual. O professor deve incluir produtos culturais atuais, como a edu- cação e a comunicação, uma vez que são de acesso do apren- diz. O professor, em sua prática pedagógica, é um pesquisador permanente, portanto um eterno aprendiz. O professor deve rever suas metodologias e atualizá-las, incluindo os produtos da comunicação, da mídia. Discute então a educomunicação. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 37 ACESSIBILIDADE VIRTUAL Pa r t e 03 CIDADANIA NA ERA DA INFORMAÇÃO Não encontramos na literatura um consenso sobre a defi- nição de cidadania, mas é visível que o exercício da cidadania abarca direitos e deveres numa convivência em sociedade. Na era da informação, a complexidade da globalização1 e o avan- ço das tecnologias de informação e comunicação contribuem para a relativização do conceito de cidadania. De acordo com o proposto pelo Ministério da Educação em 2007, a definição e o exercício da cidadania consistem em: Entender a cidadania a partir da redução do ser humano às suas relações sociais e políticas não é coerente com a multidimensionalidade que nos caracteriza e com a complexidade das relações que cada um e todas as pessoas estabelecem com o mundo à sua volta. Deve-se buscar compreen- der a cidadania também sob outras perspectivas, por exemplo, considerando a importância que o desenvolvimento de condições físicas, psíquicas, cognitivas, ideológicas, científicas e culturais exerce na conquista de uma vida digna e saudá- vel para todas as pessoas. Tal tarefa, complexa por natureza, pressupõe a educação de todos [...] com a intenção explícita de promover a cidadania pautada na democracia, na justiça, na igualdade, na equidade e na parti- cipação ativa de todos os membros da sociedade nas decisões sobre seus rumos. (BRASIL, 2007, p. 11-12, grifo nosso.) 1 Sobre a temática complexidade da globalização, pode-se aprofundar a compreensão com a leitura do livro de Souza Santos (Org., 2002), A Globalização e as Ciências Sociais. Disponível em: <www.ebah.com.br/content/ABAAABRBkAA/santos-boa- ventura-s-org-a-globalizacao-as-ciencias-sociais>. Acesso em: 13 out. 2014. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA38 ACESSIBILIDADE VIRTUAL Pa r t e 03 Assim, a cidadania na era da informação considera o acesso aos recursos tecnológicos um direito de todos. Mostra-se pro- missora na implementação e consolidação de ações inclusivas à rede digital. Destaca a autonomia do cidadão globalizado em acessar as informações e serviços da web, o direito a se comu- nicar, armazenar e processar informações em qualquer local, independentemente da condição social ou financeira, das capa- cidades física, visual e auditiva, do gênero e da idade. Segundo Delors, “a tensão entre o global e o local: tornar-se, aos pou- cos, cidadão do mundo sem perder suas raízes pela participação ativa na vida do seu país e das comunidades de base” (DELORS, 2001, p. 8). A sociedade informacional tem o interesse de levantar as potencialidades das pessoas com deficiência e abrir-lhes o ca- minho à acessibilidade digital por meio da utilização das di- versas possibilidades tecnológicas. Pensar e intervir na inclusão sociodigital significa projetar um mundo onde a igualdade de direitos, a liberdade, a dignidade e o respeito às diferenças individuais e à diversidade humana são praticadas. A percepção da diferença contribui para a cons- trução da identidade e tem, por isso, um papel determinante na aprendizagem. Não se pode cons- truir uma identidade senão num ambiente diverso. Nunca agradeceremos o suficiente aos outros por nos ajudarem a entender e a estruturar o que so- mos a partir da diferença que neles percebemos. (GIROTO; POKER; OMOTE, 2012, p. 30) Esperamos que a compreensão da complexidade da definição de cidadania na sociedade informacional atual para uma inclusão TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 39 ACESSIBILIDADE VIRTUAL Pa r t e 03 total e a plena acessibilidade nas suas diversas dimensões, atre- ladas às experiências cotidianas dos cidadãos, seu envolvimento e comprometimento para com um mundo melhor, contribua para uma maior sistematização das práticas sobre a acessibilidade, o desenho universal, as tecnologias assistivas e a comunicação alternativa, apoiando o Brasil na construção de uma sociedade cada vez mais inclusiva, acessível a todas as pessoas. Extras Indicamos uma entrevista sobre a temática “cidadania: in- clusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho”. Na entrevista, discorrem sobre o tema Patrícia Siqueira Silveira, auditora fiscal do trabalho, e Eugênia Augusta Gonzaga, procu- radora regional da República. Disponível em: <www.youtube. com/watch?v=lB2po8CdGt4>. Acesso em: 30 out. 2014. Indicamos também a leitura do material Ética e ci- dadania: construindo valores na escola e na sociedade, da Secretaria de Educação Básica, Ministério da Educação. Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/ materiais/0000015509.pdf>. Acesso em: 23 out. 2014. Atividade Tomemos como referência a citação: “A tensão entre o global e o local: tornar-se, aos poucos, cidadão do mundo sem perder suas raízes pela participação ativa na vida do seu país e das comunidades de base” (DELORS, 2001, p. 8). TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA40 ACESSIBILIDADE VIRTUAL Pa r t e 03 De posse das informações desta aula, redija uma frase que traduza as ideias apresentadas na citação de Delors. Referências DELORS, J. Educação: um tesouro a descobrir. Brasília: 2010. 41 p. Dispo- nível em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0010/001095/109590por.pdf>. Acesso em: 20 out. 2014. Relatório para a UNESCOda Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI. GIROTO, C.; POKER, R.; OMOTE, S. (Org.). As tecnologias nas práticas pedagógicas inclusivas. Marília: Oficina Universitária; São Paulo: Cultura acadêmica, 2012. Disponível em: <www.marilia.unesp.br/Home/Publicacoes/ as-tecnologias-nas-praticas_e-book.pdf>. Acesso em: 23 out. 2014. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Ética e cidadania: construindo valores na escola e na sociedade. 1. ed. Brasília: Ministério da Edu- cação, 2007. Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/ materiais/0000015509.pdf>. Acesso em: 23 out. 2014. SOUSA SANTOS, B (Org.). A Globalização e as Ciências Sociais. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2002. Disponível em: <www.ebah.com.br/content/ABAAABRBkAA/ santos-boaventura-s-org-a-globalizacao-as-ciencias-sociais>. Acesso em: 13 out. 2014. Resolução da atividade O respeito às diferenças individuais e à diversidade huma- na é praticado. A interação entre o singular e o coletivo é uma premissa na sociedade informacional. Refletir sobre a importância do diagnóstico nos processos de inclusão e apresentar a Tecnologia Assistiva. TECNOLOGIA ASSISTIVA E A INCLUSÃO Aula 03 Objetivos: A fri ca S tu di o/ Sh ut te rs to ck TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 43 TECNOLOGIA ASSISTIVA E A INCLUSÃO Pa r t e 01 SOBRE O DIAGNÓSTICO NA INCLUSÃO Saber lidar com a diversidade humana implica compreen- der os processos diagnósticos e não o diagnóstico, “porque não entendemos que deva ser feito em momentos específicos do tra- tamento, e sim, que deve ser uma preocupação constante do profissional” (FABRICIO; CANTOS, 2011, p. 2). Desta maneira, o diagnóstico deve ser um processo sistemático e permanente de investigação e análise de hipóteses diagnósticas, com a finalida- de primordial de evitar a discriminação, a estigmatização ou a rotulação da pessoa com deficiência. Todo o processo diagnóstico deve se sustentar na ética dos Direitos Universais do Ser Humano. “Uma postura diagnóstica e a observação cuidadosa do momento do indivíduo são pressupostos indispensáveis para construção de uma intervenção positiva”. (FABRICIO; CANTOS, 2011, p. 2) O tema do diagnóstico no processo inclusivo é delicado e fundamental quando pensamos numa sociedade plenamente acessível e respeitosa da diversidade e das diferenças individuais. [...] as diferenças entre os indivíduos, indicadas pelos limites, são também determinadas social- mente, mas tais limites, quando não são produ- tos de um delírio, tem uma base real. Quem tem deficiência visual, deficiência auditiva, deficiên- cia intelectual, deficiência física, pode ter diver- sos destinos, dependendo dos significados que a cultura atribui a essas deficiências; significados que dependem de condições sociais objetivas. (CROCHIK, 2012, p. 43). TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA44 TECNOLOGIA ASSISTIVA E A INCLUSÃO Pa r t e 01 Quer dizer, ser deficiente, ser incapaz, está relacionado ao contexto sócio-histórico-cultural. Por vezes, não reconhe- cemos que as diferenças individuais constituem aquilo que é o comum entre os seres humanos, somos todos digitalmente diferentes, uns dos outros. Por vezes, desconsideramos este de- talhe fundamental e estruturante de cada pessoa. Saber sobre as diferenças individuais é considerar que cada pessoa é única e detentora de potencialidades singulares. Boaventura Souza Santos assim se expressa: “temos o direito a ser iguais quando a diferença nos inferioriza, e temos o direito a ser diferentes quando a nossa igualdade nos descaracteriza” (SANTOS, 2003 apud SOUSA, 2011, p.1). O diagnóstico é o início de um atendimento, que pode des- dobrar-se num plano de tratamento, num encaminhamento. É no ato de debruçar-se na procura de sinais, sintomas, causas que o levantamento de hipóteses diagnósticas estabelece pro- váveis prognósticos e prescreve direções de tratamento para os respectivos quadros particulares que singularizam o diagnóstico de cada pessoa. Um processo diagnóstico satisfatório exige uma postura de distanciamento do seu próprio ponto de vista para considerar os outros pontos de vista, muitas vezes, contrários aos seus. Assim, o diagnóstico inclusivo sugere uma prática em equipe multidisciplinar e interdisciplinar, entre profissionais de diver- sos segmentos da saúde como: psicólogo, médico, fisioterapeu- ta, fonoaudiólogo, entre outros. Finalmente, as práticas diagnósticas precisam ser repen- sadas dia a dia para que os discursos não sejam abstrações de TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 45 TECNOLOGIA ASSISTIVA E A INCLUSÃO Pa r t e 01 palavras vazias, sem sentido e significado, ditos de todos, que se revestem de padronizações limitadoras, que rotulam, e que excluem de maneira velada as diferenças existentes no espaço escolar, até mesmo na sociedade. Extra A sugestão é assistir ao fime Somos Todos Diferentes (Taare Zameen Par, Índia, 2007), dirigido por Aamir Khan, trata de um assunto muito delicado e importante: a dislexia e a falta de conhecimento e informação do educador para observar e diagnosticar esses casos. Disponível em: <www.youtube.com/ watch?v=fK09tpyvEr4>. Acesso em: 4 nov. 2014. Atividade Sugerimos a leitura do artigo de Fernanda Rodrigues Cacciari, Flávia Teresa de Lima e Marli da Rocha Mernard: Ressignificando a prática: um caminho para a inclusão. Publicado em 2005. A ati- vidade consiste em escrever uma síntese breve com as principais ideias apresentadas no artigo. Disponível em: <http://pepsic. bvsalud.org/scielo.php?pid=S141569542005000100011&script=s ci_arttext>. Acesso em: 30 out. 2014. Referências CACCIARI, Fernanda Rodrigues; LIMA, Flávia Teresa De e BERNARDI, Marli da Rocha. Ressignificando a prática: um caminho para a inclusão. Constr. psicopedag. [online]. v. 13, n. 10. São Paulo: 2005. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415- 69542005000100011&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em 30 out. 2014. CROCHIK, José Leon. Educação inclusiva e preconceito: Desafios para a prática pedagógica. In: GALVÃO FILHO, Teófilo Alves; MIRANDA, Theresinha TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA46 TECNOLOGIA ASSISTIVA E A INCLUSÃO Pa r t e 01 Guimarães orgs. O professor e a educação inclusiva: formação, práticas e lugar. Salvador: EDUFBA, 2012. Disponível em: <www.galvaofilho.net/ noticias/baixar_livro.htm>. Acesso em: 23 out. 2014. FABRICIO, Nivea Maria de Carvalho; CANTOS, Paula Virgínia Viana. Diagnóstico- intervenção-perspectivas: atuação da escola inclusiva. Construção Psicopedagógica, v 19, n. 19. São Paulo: 2011. Disponível em: <http://pepsic. bvsalud.org/scielo.php?pid=S141569542011000200009&script=sci_arttext>. Acesso em: 25 out. 2014. SOUSA,Nair Heloisa Bicalho de. Memorial de candidatura de Boaventura de Sousa Santos ao título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Brasília. Brasilia: UnB, 2011. Disponível em: <www.boaventuradesousasantos. pt/media/Memorial_Nair%20Heloisa%20Bicalho%20de%20Sousa_29%20 Outubro%202012.pdf>. Acesso em: 23 out. 2014. Resolução da atividade As autoras concluem que a instituição demanda tanta atenção e cuidados quanto a própria criança a ser incluída. O professor também merece um olhar diferenciado, pois estabe- lece com essa criança uma relação que precisa ser cuidada. A atenção dispensada a todos os envolvidos institucionalmente resultam na melhoria do ambiente para todos que nela estão inseridos. A metodologia do diálogo percorreu o trabalho e se pode entender a complexidade das atuações subjetivas, bem como das relações institucionais estabelecidas. A atuação junto ao professor é fundamental para que a inclusão escolar aconte- ça de forma satisfatória. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 47 TECNOLOGIA ASSISTIVA E A INCLUSÃO Pa r t e 02 IMPACTO CAUSADO PELA DEFICIÊNCIA NO SER HUMANO Saber do impacto do diagnósticosobre a pessoa com defi- ciência é importante quando pensamos na longevidade do ser humano e os avanços das tecnologias de informação e comuni- cação, quer dizer, após o diagnóstico é necessário atentar às Ajudas Técnicas para o planejamento de ações que considerem o dia a dia das pessoas, a limitação na execução das tarefas e a restrição na convivência em sociedade e, finalmente, o contex- to ambiental que interfere facilitando ou dificultando a respon- sividade da pessoa no desempenho das suas tarefas, comprome- tendo a inclusão social. As limitações de atividade são as dificuldades que o indivíduo pode ter para executar uma de- terminada atividade. As restrições à participação social são os problemas que um indivíduo pode enfrentar ao se envolver em situações de vida. (FARIAS, 2005, p. 190.) A inclusão social e educacional pautada na proposição de trabalhar com a diversidade cultural deve focar sua atenção e ação na superação das práticas educativas de exclusão, desta forma, vai buscar estratégias que promovam a qualidade de vida e a equiparação de oportunidades para todas as pessoas. Assim, a comunidade escolar constrói práticas educativas éti- cas, democráticas e de respeito à cidadania. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA48 TECNOLOGIA ASSISTIVA E A INCLUSÃO Pa r t e 02 Jacques Delors no relatório para a UNESCO (2010) destaca que o século XXI da Civilização do Conhecimento se alicerça: [...] na esperança de um mundo melhor à medida que sabe respeitar os direitos humanos, colocar em prática a compreensão mútua e transformar o avanço do conhecimento em um instrumento, não de distinção, mas de promoção do gênero huma- no. (DELORS, 2010, p. 6.) Assim, é importante saber que a “deficiência” interfere no desenvolvimento e na estruturação do ser humano, especi- ficamente nele, o si mesmo e, também na constelação e rela- ção familiar, valer dizer que: “a informação sobre o diagnósti- co acrescido da funcionalidade fornece um quadro mais amplo sobre a saúde do indivíduo” (FARIAS; BUCHALLA, 2005, p. 194). Tomando como referência os sites: Deficientes em ação, Vez da voz e Espaço Psiquê1, apresentamos a seguir uma breve descrição das deficiências com suas características, indicadores mais comuns, que auxiliam no reconhecimento das mesmas: Na Deficiência visual, que significa a diminuição da res- posta e acuidade visual em virtude de causas hereditárias e adquiridas. A diminuição da resposta visual pode ser leve, mo- derada, severa ou profunda (que compõem o grupo de visão subnormal ou baixa visão) e ausência total da resposta visual (cegueira). Verifica-se que essas especificidades da deficiência visual interferem no desempenho diário, seja no âmbito social ou escolar, de modo diverso a cada pessoa com baixa visão ou 1 http://www.deficientesemacao.com/deficiencia-visual www.vezdavoz.com.br/site/deficiencia_visual.php http://espacopsyque.blogspot.com.br/2009/12/deficiencia-visual.html TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 49 TECNOLOGIA ASSISTIVA E A INCLUSÃO Pa r t e 02 cega. O tempo de perda da acuidade visual se ao nascer ou ainda na infância, exigirá necessidades sociais e educacionais diferentes daquelas que perderam a visão mais tarde. Na Deficiência física, podemos dizer que existe uma va- riedade de fatores que interferem na mobilidade corporal e na coordenação motora global e fina, comprometendo o sistema dos movimentos físicos que compreende o sistema ósteoarticu- lar, o sistema muscular e o sistema nervoso. As causas podem ser adquiridas e ou genéticas, com índices de alta incidência de malformações genéticas que ocasionam alterações funcionais e estruturais no cérebro e como consequência, levam a um parto com complicações, às paralisias cerebrais de grau leve, mode- rado ou grave. Na Deficiência intelectual, são inúmeros os fatores de ris- co que podem ocasioná-la. O atual conceito de deficiência in- telectual compreende limitações significativas tanto no funcio- namento intelectual (raciocínio, aprendizagem, resolução de problemas) quanto no comportamento adaptativo das pessoas, que se expressam nas habilidades conceituais, práticas e sociais e ocorrem antes dos 18 anos de idade (AAIDD, 2010 – American Association on Intellectual and Developmental Disabilities). As Ajudas Técnicas ao deficiente intelectual devem ser planejadas como os recursos e estratégias individuais necessários para a promoção do desenvolvimento integral e da qualidade de vida. Na Deficiência auditiva conhecer os fatores que a ocasio- nam é importante, para o planejamento de ações de prevenção e proteção das dificuldades do surdo. Uma vez que, na deficiência TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA50 TECNOLOGIA ASSISTIVA E A INCLUSÃO Pa r t e 02 auditiva, a comunicação está comprometida em diferentes graus, seja no reconhecimento das intenções do ouvinte e das regras conversacionais para estabelecer um diálogo ou transmi- tir uma ideia. As causas mais comuns da surdez são: genéticas, pré-natais (como, por exemplo, rubéola, toxoplasmose, sífilis, medicamentos, incompatibilidade Rh), perinatais (como trauma- tismos de parto, falta de oxigênio) e pós-natais (como traumatis- mos, infecções, medicamentos). Para minimizar os impactos da deficiência sobre o ser hu- mano, atualmente encontramos as Tecnologias Assistivas, no planejamento e desenvolvimento de recursos ou procedimentos que aumentam ou restauram a função humana. Extras Para refletir sobre o impacto causado pela deficiência no ser humano, sugerimos alguns vídeos: • Comercial Inclusão Social – Pessoa com deficiência. (Disponível em: <www.youtube.com/watch?v=ANFu9gcIQho>. Acesso em: 4 nov. 2014.) • Eficiente ou deficiente? (Disponível em: <www.youtube.com/watch?v=G9xjw7Wec8I>. Acesso em: 4 nov. 2014.) Além destes vídeos, sugerimos também alguns filmes con- sagrados sobre diferentes casos de deficiência: • Deficiência Física – Meu pé esquerdo (1989). • Deficiência Visual – Ensaio sobre a Cegueira (2008). • Deficiência Auditiva – Filhos do silêncio (1986). • Deficência Intelectual – Uma Mente Brilhante (2002). TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 51 TECNOLOGIA ASSISTIVA E A INCLUSÃO Pa r t e 02 Atividade Retire do texto da ficha de estudo uma frase que apresenta a função comprometida em cada uma das deficiências descri- tas: deficiência auditiva, deficiência visual, deficiência física e deficiência intelectual. Referências Deficientes em Ação. (PORTAL). Disponível em: <www.deficientesemacao. com/deficiencia-visual>. Acesso em: 4 nov. 2014. DELORS, Jacques. Educação um tesouro a descobrir. Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional para a educação do século XXI. Brasília: Julho, 2010. Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0010/001095/109590por. pdf>. Acesso em: 13 out. 2014. Espaço Psiquê. (BLOG). Disponível em: <http://espacopsyque.blogspot.com. br/2009/12/deficiencia-visual.html>. Acesso em: 4 nov. 2014. FARIAS, Norma; BUCHALLA, Cassia Maria. A classificação internacional de funcionalidade, incapacidade e saúde da organização mundial da saúde: conceitos, usos e perspectivas. 2005. Disponível em: <www.scielosp.org/pdf/ rbepid/v8n2/11.pdf>. Acesso em: 20 out. 2014. Vez da Voz. (PORTAL) Disponível em: <www.vezdavoz.com.br/site/ deficiencia_visual.php>. Acesso em: 4 nov. 2014. Resolução da atividade • Deficiência Auditiva – reconhecer as intenções do ouvinte e as regras para conversação e transmissão de ideias; • Deficiência Visual – diminuição da resposta visual pode ser leve, moderada, Severa ou profunda; TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA52 TECNOLOGIA ASSISTIVA E A INCLUSÃO Pa r t e 02 • Deficiência Física – interfere na mobilidade corporal e na coordenação motora global e fina, comprometendo o sis- tema dos movimentos físicos. • Deficiência Intelectual – limitações no funcionamento in- telectual (raciocínio, aprendizagem, resolução de proble- mas) e no comportamento adaptativoda pessoa. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 53 TECNOLOGIA ASSISTIVA E A INCLUSÃO Pa r t e 03 TECNOLOGIA ASSISTIVA – VALORIZANDO A DIVERSIDADE HUMANA Num giro histórico pela valorização da diversidade huma- na nos processos educativos, apresentamos a precursora Maria Montessori, 1870-1952, médica e educadora italiana, que se dedicou ao tratamento e a educação de crianças com necessi- dades especiais, especificamente, com deficiência mental. Seu método pedagógico voltado à estimulação sensório-perceptiva e intelectual, com atividades motoras e sensoriais dirigidas para cada aluno. Montessori teve a preocupação em atender às diferenças individuais de modo a preservar a liberdade e a espontaneidade do aluno para que se adapte à vida social e desenvolva suas potencialidades integralmente. Na atualidade destacamos a contribuição do relator Jacques Delors que no relatório para a UNESCO, 2010, descreve que o século XXI da Civilização do Conhecimento deverá supe- rar tensões, entre elas: A tensão entre o extraordinário desenvolvimento dos conhecimentos e as capacidades de assimi- lação do homem. [...] acrescentar novas disci- plinas, tais como o autoconhecimento e a busca dos meios adequados para garantir a saúde física e psicológica ou, ainda, a aprendizagem de maté- rias que levem a conhecer melhor e preservar o meio ambiente. (DELORS, 2010 p. 9, grifo nosso.) TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA54 TECNOLOGIA ASSISTIVA E A INCLUSÃO Pa r t e 03 Nestas considerações, Delors ressalta o trabalho atual na construção da sociedade acessível a todas as pessoas calcada na valorização da diversidade cultural. Especificamente na edu- cação, o trabalho com as diferenças individuais, no ambiente escolar, na sala de aula, deverá desenvolver ações para a emer- gência das potencialidades e os variados ritmos de aprendiza- gem com os alunos, sejam deficientes ou não. Acrescentamos, neste momento, a contribuição da Tecno- logia Assistiva – TA, que por definição dirige-se aos recursos de acessibilidade que atendam à pessoa com deficiência ou mo- bilidade reduzida e limitada nas suas funções motoras, audi- tivas, visuais ou de comunicação. Teófilo Galvão Filho (2013), ao refletir sobre a definição de tecnologia assistiva, declara que em relação às características, deve-se considerar na TA: O QUE, PARA QUEM e PARA QUE. O primeiro caracteriza o tipo de recurso tecnológico, por exemplo, um recurso de acessibilida- de física. O segundo, caracteriza a quem se destina o recur- so, exemplo, o usuário com limitação motora no caminhar. O terceiro, o PARA QUE, caracteriza a finalidade do recurso em auxiliar na mobilidade de determinada limitação do usuário em questão, para um idoso com dificuldade de locomoção será útil um andador que lhe proporcione segurança e autonomia no caminhar. Favorece deste modo, a vida independente e a inclusão social. Percebe-se que os recursos das Tecnologias Assistivas configuram-se coerentes com a Civilização do Conhecimento, valorizando as diferenças individuais e reconhecendo a diver- sidade cultural. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 55 TECNOLOGIA ASSISTIVA E A INCLUSÃO Pa r t e 03 Extra Sugere-se a consulta ao site Assistiva – Tecnologia e Educação que apresenta comentários, informações e defini- ções sobre Tecnologia Assistiva. Disponível em: <www.assistiva. com.br/tassistiva.html>. Acesso em: 4 nov. 2014. Atividades Assista ao video Método Montessori (“Material sensorial”), sobre a aplicação dos materiais pedagógicos de Montessorianos ao desenvolvimento das experiências sensoriais dirigidas, a qual destaca a diversidade na aprendizagem em sala de aula. Em seguida, produza um pequeno texto que reflita sobre o traba- lho com os materiais apresentados no vídeo. Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=izomt9M5gw4&spfrelo ad=1>. Acesso em: 4 nov. 2014. Referências DELORS, Jacques. Educação um tesouro a descobrir. Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional para a educação do século XXI. Brasilia. Julho, 2010. Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0010/001095/109590por. pdf>. Acesso em: 13 out. 2014. GALVÃO FILHO, Teófilo. A construção do conceito de tecnologia assistiva: alguns novos interogantes e desafios. Revista Entreideias, Salvador, v. 2, n.1, p. 25-42, jan/jun.2013. Disponível em: <www.planetaeducacao.com.br/ portal/artigo.asp?artigo= 2430>. Acesso em: 20 out. 2014. SOUSA, Nair Heloisa Bicalho de. Memorial de candidatura de Boaventura de Sousa Santos ao título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Brasília. Brasilia: UnB, 2011.Disponível em: <www.boaventuradesousasantos. pt/media/Memorial_Nair%20Heloisa%20Bicalho%20de%20Sousa_29%20 Outubro%202012.pdf>. Acesso em: 23 out. 2014. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA56 TECNOLOGIA ASSISTIVA E A INCLUSÃO Pa r t e 03 Resolução da atividade Montessori partiu de um princípio básico: A Criança é ca- paz de aprender naturalmente: Ofereça a ela um ambiente adequado com riqueza nos materiais e com experiências edu- cativas. Um ambiente onde a criança possa, sem a interven- ção inadequada do adulto, mergulhar em atividades e des- cobertas pessoais. O ambiente deve ser preparado para que a criança consiga desenvolver a espontaneidade, iniciativa, independência. Revoluciona as práticas pedagógicas com seu método inovador. Sua pedagogia se sustenta em valores para que a criança se revelar era necessário que o educador inter- ferisse no seu trabalho de modo adequado e oportunamente. As origens do desenvolvimento são internas: o desenvolvimen- to psico-mental, se faz pela interação; o ambiente preparado visa nutrir o desenvolvimento mental da criança; os conceitos de percepção da criança são geralmente determinados pelo meio social e físico; a criação determina a linguagem, os con- ceitos, as percepções e os valores individuais; a capacidade é determinada pela aprendizagem. Conhecer a aplicação e compreender o contexto atual e a legislação das Tecnologias Assistivas. TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA I Aula 04 Objetivo: ca rlo s ca st illa /S hu tte rs to ck TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 59 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA I Pa r t e 01 DESCREVENDO AS CATEGORIAS DA TECNOLOGIA ASSISTIVA Vamos identificar a trajetória histórica da Tecnologia Assistiva – TA na busca por uma melhor conceituação. Dizemos que o século XXI é o auge da TA, uma vez que vai ao encontro do paradigma da inclusão social de potencializar a autonomia, independência e o empoderamento das pessoas com deficiên- cia, mobilidade reduzida ou idosos. Em acordo à Conferência da Guatemala (1999), promulgada no Brasil pelo Decreto 3.956/2001, que define como ato discriminatório com base na deficiência toda diferenciação que impeça o exercício dos di- reitos humanos e de suas liberdades fundamentais. Outro ponto é destacar o contexto social atual, complexo, globalizado, tecnológico, comunicacional e as contingências das políticas públicas brasileiras, conferências que na luta pe- los direitos do cidadão com deficiência têm exigido dos diversos arranjos sociais a acessibilidade, em todas as suas dimensões e para todos, nos diversos aspectos da vida do cidadão. As pesquisadoras Patricia Rodrigues e Lynn Rosalina Alves, no artigo “Tecnologia Assistiva – uma revisão do tema”, discor- rem sobre o conceito de TA, que: remete a concepções e paradigmas diferentes ao longo da história, com características específicas a partir do referencial de cada país. Contudo, em todas essas variáveis podemos identificar como objetivo essencial a qualidade de vida, com TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA60 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA I Pa r t e 01 referência a processos que favorecem, compen- sam, potencializam ou auxiliam habilidades ou funções pessoais comprometidas por algum tipo de deficiência ou pelo envelhecimento. (ALVES e RODRIGUES, 2013, p. 174) Em complemento à buscapor uma configuração conceitual da TA, citamos o Programa de Inovação em TA, que atrelado ao Plano Viver sem Limites (2012), instigam o desenvolvimento de produtos, estratégias e serviços inovadores que aumentem a autonomia, o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas com deficiência. Também orientam uma rede de pesquisa em universidades públicas do país. Ainda, disponibilizam uma linha de crédito facilitado para aquisição de produtos. Todo cidadão deve conhecer a Lista Nacional de Produtos acessando o site: <http://assistiva.mct.gov.br>. Podemos mencionar também a conclusão do Comitê de Ajudas Técnicas1 que define como sendo adequada a nomencla- tura TA e sugere uma definição mais ampla para TA entendendo- -a como área do conhecimento de prática multidisciplinar, vol- tada à promoção da funcionalidade de pessoas com o objetivo de potencializar a autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social. Deve ser coerente aos princípios do Desenho Universal na composição de produtos, estratégias e serviços. Vale citar que a Legislação Brasileira, no Decreto 3.298/99, reconhece que os primeiros conceitos para TA foram iniciados 1 Comitê de Ajudas Técnicas-CAT, instituído em 2006, pela Portaria nº 142, estabelecido pelo Decreto nº 5.296/2004 no âmbito da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, na perspectiva de ao mesmo tempo aperfeiçoar, dar transparência e legitimidade ao desenvolvimento da Tecnologia Assistiva no Brasil. Ajudas Técnicas é o termo anteriormente utilizado para o que hoje se convencionou designar Tecnologia Assistiva. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 61 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA I Pa r t e 01 a partir dos conceitos de Ajudas Técnicas. O decreto apresenta no seu artigo 19 a referência ao direito do cidadão às Ajudas Técnicas: Consideram-se ajudas técnicas, para os efeitos deste Decreto, os elementos que permitem com- pensar uma ou mais limitações funcionais moto- ras, sensoriais ou mentais da pessoa portadora de deficiência, com o objetivo de permitir-lhe supe- rar as barreiras da comunicação e da mobilidade e de possibilitar sua plena inclusão social. (BRASIL, Lei n. 3.298/99) Acrescentam-se aqui as tecnologias para a inclusão social em consonância com as políticas públicas brasileiras. Refere-se à Tecnologia Social entendida como: O termo “Tecnologia Social” é pensado de forma ampla para as diferentes camadas da sociedade. O adjetivo “social” não tem a pretensão de afir- mar somente a necessidade de tecnologia para os pobres ou países subdesenvolvidos. Também faz a crítica ao modelo convencional de desenvolvi- mento tecnológico e propõe uma lógica mais sus- tentável e solidária de tecnologia para todas as camadas da sociedade. Tecnologia social implica participação, empoderamento e autogestão de seus usuários. (JESUS, 2013, p. 17) De posse dessas informações é que se poderá ajudar a es- tabelecer modelos para serviços e projetos de desenvolvimento tecnológico em nosso país. Caminhamos, então, para a aplica- ção de Tecnologia Assistiva, a qual abrange todas as ordens do desempenho humano, desde as tarefas básicas de autocuidado até o desempenho de atividades profissionais. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA62 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA I Pa r t e 01 A TA pode ser descrita em onze categorias como: 1. auxílio para a vida diária, 2. comunicação suplementar e alternativa, 3. recursos de acessibilidade ao computador, 4. sistemas de controle de ambiente, 5. projetos arquitetônicos para acessibilidade, 6. órteses e próteses, 7. adequação postural, 8. auxílio de mobilidade, 9. auxílios para cegos ou com visão subnormal, 10. auxílios para surdos ou com déficit auditivo, 11. adaptações em veículos. A CIF descreve as Ajudas Técnicas coerentes a ISSO 9.999: A classificação ISSO 9.999 das Ajudas Técnicas define-se como ‘qualquer produto, instrumento, equipamento ou sistema técnico utilizado por uma pessoa incapacitada, especialmente produzido ou geralmente disponível, que se destina a prevenir, compensar, monitorizar, avaliar ou neutralizar a incapacidade’. É aceite que qualquer produto ou tecnologia pode ser de apoio. (vide ISSO 9.999: Ajudas Técnicas para pessoas com incapacidade – CIF, 2004, p. 157) Finalmente, a TA está engajada em trabalhar para ampliar a compreensão sobre ela e as necessidades de diferentes áre- as do conhecimento e pessoas, se envolvendo na pesquisa do TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 63 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA I Pa r t e 01 tema, visando à inter-relação de saberes em prol de efetivas ações transformadoras das práticas discriminatórias da socie- dade em relação às pessoas com deficiência. Extra A sugestão é a leitura do artigo de Luciana Baptista, inti- tulado Novas tecnologias da informação e comunicação no contexto educacional. O artigo, a partir de pesquisas bibliográficas, apresen- ta como as Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTIC) se comportam no contexto educacional. Analisando seus pontos fortes, fracos, ameaças e oportunidades para o processo de ensino e aprendizagem apresentados. Demonstra a impor- tância do recurso para a construção de conhecimentos e todos (educadores e alunos) devem se preparar para a utilização das NTIC no ambiente educacional. Disponível em: www.revista- fatecjd.com.br/retc/index.php/RETC/article/view/180/pdf. Acesso em: 30 out. 2014. Atividades A partir do texto desta aula retire o nome de 4 documentos legais (leis, decretos etc.) que fundamentam a TA. Referências BRASIL. Decreto 3.298, de 20 de dezembro de 1999. Regulamenta a Lei n. 7.853, de 24 de outubro de 1989, dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência. Publicada no Diário Oficial da União, de 20 de dezembro de 1999. Disponível em: <www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decreto/d3298.htm>. Acesso em: 30 out. 2014. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA64 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA I Pa r t e 01 BRASIL. Decreto 3.956, de 8 de outubro de 2001. Promulga a Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência. Publicada no Diário Oficial da União, de 9 de outubro de 2001. Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/ decreto/2001/d3956.htm>. Acesso em: 30 out. 2014. BRASIL. Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Secretaria Nacional da Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Viver sem Limite – Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Brasília, 2013. Disponível em: <www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/sites/default/files/ arquivos/%5Bfield_generico_imagens-filefield-description%5D_0.pdf>. Acesso em: 30 out. 2014. JESUS, Vanessa. Tecnologia social: breve referencial teórico e experiências ilustrativas. In: COSTA, Adriano(Org.).Tecnologia social e políticas públicas. São Paulo: Instituto Polis, Brasilia, Fundação Banco do Brasil, 2013. Disponível em: <www.fbb.org.br/data/files/74/F0/9D/40/74652410D7D06524BD983EA8/ Livro%20TS%20e%20Pol_ticas%20P_blicas.pdf>. Acesso em 30 out. 2014. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. CIF – Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. Direção-Geral da Saúde. Lisboa- Portugal, 2004. Amélia Leitão – tradução e revisão. Disponível em: <www.inr. pt/uploads/docs/cif/CIF_port_%202004.pdf>. Acesso em: 1 nov. 2014. RODRIGUES, Patricia e ALVES, Lynn Rosalina. Tecnologia Assistiva – uma revisão do tema. HOLOS, Ano 29, v. 6, 2013. Disponível em: <www2.ifrn.edu.br/ojs/ index.php/HOLOS/article/viewFile/1595/765>. Acesso em: 29 out. 2014. Resolução da atividade • Conferência da Guatemala • Decreto 3.956/2001; • Decreto 3.298/99 – Política nacional para a integração da pessoa portadora de deficiência; • Plano Viver sem Limite; • Comitê Ajudas Técnicas. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 65 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA I Pa r t e 02 TECNOLOGIA ASSISTIVAAPLICADA À VIDA DIÁRIA Iniciamos este conteúdo justificando que não há consenso entre os pesquisadores e órgãos legislativos quanto à uma única forma de classificar e categorizar as tecnologias assistivas. O critério que optamos para descrever as tecnologias assis- tivas foi pelo critério da aplicação visto na troca usuário-tec- nologia, considerando as três qualidades: acessibilidade, usabi- lidade e comunicabilidade. Nesse critério elegemos 11 (onze) categorias, sendo que nessa aula apresentaremos seis delas. Outro aspecto relevante como proposição de aplicação sur- ge do modelo de classificação Horizontal European Activities in Rehabilitation Technology (HEART), o qual propõe um foco em Tecnologia Assistiva, com base nos conhecimentos envolvidos na sua utilização. Consideram-se três componentes de plane- jamento em Tecnologia Assistiva: técnicos, humanos e socio- econômicos. Especificamente, neste momento, destacamos o componente humano: Este grupo de componentes de formação inclui tó- picos relacionados com o impacto causado pela de- ficiência no ser humano. As noções adotadas pelas ciências biológicas, pela psicologia e pelas ciências sociais, podem ajudar na compreensão das transfor- mações da pessoa, e como esta se relaciona com o espaço em que vive, como resultado de uma defici- ência, e como é que a TA pode facilitar a autonomia dessa pessoa. (BRASIL, 2009, p. 21, grifo nosso.) TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA66 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA I Pa r t e 02 No componente humano analisa-se a limitação da defici- ência que favoreça a reabilitação e a autonomia, aceitação e imagem social da TA, análise de necessidades e adequação da pessoa à tecnologia. Esses aspectos podem interferir no sucesso ou fracasso da TA. Na aplicação de um recurso ou serviço da tecnologia de informação e comunicação deve-se observar que traduzam as melhores condições de vida, preservem a igualdade de oportu- nidades, assegurem valores éticos socialmente desejáveis por parte da comunidade e que seja uma maneira de enfrentar as práticas excludentes e um bom caminho para uma ação que visa o exercício da cidadania. Na comunidade escolar, especifi- camente, saber lidar com a diversidade e saber visualizar cada aluno como possuidor de competências é um desafio para a ga- rantia de acesso e permanência na escola para todos. Apresentamos aqui seis possíveis aplicações das tecnolo- gias à vida diária: 1. como auxilio às atividades do cotidiano – materiais e pro- dutos para auxílio em tarefas rotineiras, como: comer, co- zinhar, vestir-se, tomar banho e executar cuidados pesso- ais de higiene etc.; 2. na comunicação suplementar e alternativa – consiste de recursos eletrônicos ou não, que permitem a comunicação expressiva e receptiva das pessoas. São muito utilizadas as pranchas de comunicação com os símbolos PCS ou Bliss, além de vocalizadores e softwares dedicados para este fim; TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 67 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA I Pa r t e 02 3. como auxílio de mobilidade – cadeiras de rodas manuais e motorizadas, bases móveis, andadores, scooters de 3 rodas e qualquer outro veículo utilizado na melhoria da mobili- dade pessoal; 4. como auxílios para cegos ou com visão subnormal – inclui lupas e lentes, Braille para equipamentos com síntese de voz, grandes telas de impressão, sistema de TV com au- mento para leitura de documentos e publicações; 5. como auxílios para surdos ou com déficit auditivo – auxílios que inclui vários equipamentos (infravermelho, FM) apa- relhos para surdez, telefones com teclado-teletipo (TTY), sistemas com alerta tátil-visual, entre outros; 6. nas adaptações em veículos – acessórios e adaptações que possibilitam a condução do veículo, elevadores para ca- deiras de rodas, camionetas modificadas e outros veículos automotores usados no transporte pessoal. Extra Sugerimos a leitura do material Tecnologia Assistiva nas es- colas: Recursos básicos de acessibilidade sócio-digital para pesso- as com deficiência, da ITS Brasil (Instituto de Tecnologia Social). Disponível em: <www.itsbrasil.org.br/sites/itsbrasil.w20.com.br/ files/Digite_o_texto/Cartilha_Tecnologia_Assistiva_nas_esco- las_-_Recursos_basicos_de_acessibilidade_socio-digital_para_ pessoal_com_deficiencia.pdf>. Acesso em: 30 out. 2014. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA68 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA I Pa r t e 02 Atividade Assista ao vídeo – Tecnologia Assistiva. A partir do que é exposto, retire informações importantes que relacionam-se à TA. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=WEF- -PvLC_QE>. Acesso em 30 out. 2014. Referência BRASIL. Subsecretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Comitê de Ajudas Técnicas Tecnologia Assistiva. Tecnologia Assistiva. – Brasília: CORDE, 2009. Disponível em: <www.pessoacomdeficiencia. gov.br/app/sites/default/files/publicacoes/livro-tecnologia-assistiva.pdf>. Acesso em 30. Out. 2014. Resolução da atividade O vídeo justifica de forma lúdica que a TA veio para me- diar as relações do homem com o ambiente, e isso decorre do advento do desenvolvimento da tecnologia, o efeito da globali- zação e a mudança no perfil dos alunos. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 69 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA I Pa r t e 03 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA ÀS HABILIDADES FÍSICAS Nesta aula descrevemos as tecnologias aplicadas às habi- lidades físicas, que como visto anteriormente, devem relacio- nar os recursos e serviços da TA ao critério de aplicação, quer dizer, as possibilidades de propiciar uma maior independência, autonomia, qualidade de vida, de outra maneira, que para sua utilização deve atender as habilidades, as potencialidades do usuário incrementando assim a inclusão social. Justifica-se o foco no aspecto social, na medida em que o indivíduo faz trocas e tem experiências no ambiente social como: a família, a escola e o trabalho. É neste ambiente de convivência sócio-histórico-cultural que o indivíduo se relacio- na com pessoas e diversos grupos sociais. É no espaço interativo indivíduo-ambiente que é confrontado cotidianamente a resol- ver desafios e daí extrair significados e sentidos para sua vida. Esse aspecto está bem descrito, no documento que o modelo de classificação Horizontal European Activities in Rehabilitation Technology – HEART (BRASIL, 2009) apresenta sobre a aplicação da Tecnologia Assistiva. Destaca que se deve conhecer o seu uso e a sua utilização no ambiente de convivência social do usuário. O HEART considera três componentes fundamentais de planejamento e de produção em Tecnologia Assistiva: técnicos, humanos e socioeconômicos. Especificamente, neste momento, destacamos o componente socioeconômico: Este grupo de componentes indica que a tecnolo- gia afeta as interações dentro do contexto social TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA70 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA I Pa r t e 03 (pessoas, relacionamentos e impacto no usuário final). Os socioeconômicos também enfatizam as vantagens e desvantagens dos diferentes modelos de prestação de serviços. (BRASIL, 2009, p. 22) O HEART (BRASIL, 2009) destaca que o componente socio- econômico vai contemplar no planejamento as qualidades de acessibilidade e usabilidade do recurso ou serviço de TA, adap- tações do local de trabalho, perspectivas na sociedade, procedi- mentos para financiamento de TA. Lembrando que os contextos de vida do usuário podem ser o profissional, o escolar ou familiar. No espaço escolar, a questão da aplicação da TA focali- za a prática educativa facilitadora e promotora do aprender. “Potencializar pode ser a chave do processo, no sentido de ampliar as facilidades do ensino e da aprendizagem” (BARROS, 2012, p. 211). Quer dizer, para compreender como as pesso- as aprendem e como focar no desenvolvimento das habilidades pessoais do aprendiz, a descoberta de estilos de aprendizagem facilita esse processo. Assim, o sucessoescolar está associado à oferta de recursos e soluções da TA que auxiliem o aluno na superação de limitações funcionais no ambiente escolar. Apresentamos nessa aula a descrição de outras cinco cate- gorias de TA e sua aplicação: 1. Recursos de acessibilidade ao computador – equipamentos de entrada e saída (síntese de voz, Braille), teclados adap- tados, auxílios alternativos de acesso (ponteiras de cabe- ça, de luz), acionadores, softwares especiais (de reconhe- cimento de voz); 2. Sistemas de controle de ambiente – sistemas eletrônicos que permitem às pessoas com limitações locomotoras con- trolar remotamente aparelhos eletroeletrônicos, sistemas de segurança, entre outros, localizados em seu quarto, sala, escritório, casa e arredores; TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 71 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA I Pa r t e 03 3. Projetos arquitetônicos para acessibilidade – adaptações estruturais na casa e/ou ambiente de trabalho, através de rampas, elevadores, adaptações em banheiros entre ou- tras, que eliminam ou reduzem as barreiras físicas; 4. Órteses e próteses – troca ou ajuste de partes do corpo, faltantes ou de funcionamento comprometido, por mem- bros artificiais ou outros recursos ortopédicos (talas, apoios etc.). Incluem-se os protéticos para auxiliar nos déficits ou limitações cognitivas, como os gravadores de fita magnéti- ca ou digital que funcionam como lembretes instantâneos. 5. Adequação postural – adaptações para cadeira de rodas ou outro sistema de sentar, visando o conforto e distribuição adequada da pressão na superfície da pele (almofadas es- peciais, assentos e encostos anatômicos), bem como po- sicionadores e contentores que propiciam maior e melhor estabilidade e postura adequada do corpo através do su- porte e posicionamento de tronco/cabeça/membros. Extras A sugestão é a consulta às seguintes fontes: • Site: Assistiva – Tecnologia e Educação, de Mara Lucia Sortoretto, e Rita Bersch (2014). (Disponível em: <www.assistiva.com.br/tassistiva.html>. Acesso em: 30 out. 2014.) • Texto: Design e Avaliaçao de Tecnologia Web-acessível, de Amanda Melo, e Maria Cecilia C. Baranauskas, apresentado no XXV Congresso da Sociedade Brasileira de Computação. UNISINOS, São Leopoldo. RS. (Disponível em: <www.lbd.dcc.ufmg.br/colecoes/jai/2005/006.pdf>. Acesso em: 30 out. 2014.) TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA72 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA I Pa r t e 03 Atividade É necessário conhecer o ambiente escolar para que a TA auxilie as práticas educativas como facilitadora e promotora do aprender. A TA participa como potencializadora do processo do aprender. Quais as perguntas iniciais que devemos fazer ao ambiente escolar, a fim de identificar a TA adequada? Referências BARROS, Daniela. Estilos de aprendizagem e uso de tecnologias na formação de professores para a prática pedagógica inclusiva valorizando as competências individuais. In: GIROTO, Claudia; POKER, Rosimar e OMOTE, Sadao (Orgs.). As tecnologias nas práticas pedagógicas inclusivas. Marília: Oficina Universitária. São Paulo: Cultura acadêmica, 2012. Disponível em: <www.marilia.unesp.br/Home/Publicacoes/as-tecnologias-nas-praticas_e- book.pdf>. Acesso em: 20 out. 2014. BRASIL. Subsecretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Comitê de Ajudas Técnicas Tecnologia Assistiva. Tecnologia Assistiva. Brasília: CORDE, 2009. 138 p. Disponível em: <www. pessoacomdeficiencia.gov.br/app/sites/default/files/publicacoes/livro- tecnologia-assistiva.pdf>. Acesso em: 30 out. 2014. Resolução da atividade Perguntas básicas: 1. Quem é o aluno ? (por exemplo, deficiência física) 2. Quais são as barreiras que limitam sua aprendizagem? (por exemplo, limitações motoras) 3. Que recursos a escola tem para minimizar as barreiras ? (TA disponíveis na escola) 4. Que novos recursos podem ser construídos que vão facili- tar a aprendizagem ? (planejamento e produção de TA) Refletir sobre os pressupostos do paradigma da inclusão e conhecer a aplicação da Tecnologia Assistiva. TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA II Aula 05 Objetivos: Ja so n L. P ric e/ Sh ut te rs to ck TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 75 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA II Pa r t e 01 SOB O PARADIGMA DA INCLUSÃO PSICOSSOCIAL Esta aula busca refletir sob a égide do paradigma da inclu- são psicossocial, seus alicerces e alavancas como: as diferenças e a diversidade. Falar em evolução e progresso, atualmente, implica em um respeitar as diferenças individuais e a diversida- de cultural. Vivemos numa sociedade que busca a inclusão psi- cossocial que envolve dimensões políticas, sociais e educacio- nais e seus desdobramentos no ambiente imediato do cidadão e nos ambientes do entorno. Trata-se aqui de questões próprias aos Direitos Humanos Universais e ao pleno exercício da cida- dania. Complementando, a conceituação de Direitos Humanos de acordo com a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF): Direitos Humanos Desfrutar de todos os direitos nacional e inter- nacionalmente reconhecidos que são atribuídos às pessoas pelo simples facto da sua condição humana, tais como, os direitos humanos reco- nhecidos pela Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas (1948) e as Normas Padronizadas para a Igualdade de Oportunidades para Pessoas com Incapacidades (1993); o direito à autodeterminação ou autonomia; e o direito de controlar o próprio destino. (OMS, 2004, p. 150) É essencial uma atitude compreensiva do contexto sócio- -histórico-ambiental que engendra o paradigma psicossocial. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA76 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA II Pa r t e 01 Para que possamos assumir um posicionamento mais crítico e construtivo em relação à inclusão numa perspectiva psicossocial e as modificações que se atrelam a ela, precisamos conhecer o que está sendo proposto. (MINETTO, 2008, p. 17). A informação, os recursos e o conhecimento proporcionam um pensamento crítico-reflexivo e apontam na direção de outra atitude frente às pessoas com deficiência, mobilidade reduzida ou idosos. Refere-se aqui à postura adotada coerente com a acessibilidade atitudinal. Nesse contexto identificamos outra postura, um outro es- tilo de vida, um pensar e intervir, do/no século XXI. O clima ambiental promove muitos dispositivos legais para o movimento inclusivo psicossocial. Um dos dispositivos fundamentais apre- sentado por SASSAKI (2007), como sendo a semente da inclu- são, a Disabled People International (DPI), Organização Não Governamental dirigida por pessoas com deficiência, define em sua Declaração de Princípios de 1981, o conceito de equipara- ção de oportunidades, que era, em parte, o seguinte: O processo mediante o qual os sistemas gerais da sociedade, tais como o meio físico, a habilitação e transporte, os serviços sociais e de saúde, as oportunidades de educação e trabalho, e a vida cultural e social, incluídas as instalações esporti- vas e de recreação, é feito acessível para todos. Isto inclui a remoção de barreiras que impedem a plena participação das pessoas deficientes em todas estas áreas, permitindo-lhe assim alcançar uma qualidade de vida igual à de outras pessoas. (SASSAKI, 1997, p. 39) TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 77 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA II Pa r t e 01 Conhecer os dispositivos legais atuais e históricos volta- dos aos processos inclusivos, o conceito de inclusão e a sua forma normatizadora significa saber que, como toda relação social, a inclusão é pautada em direitos e deveres que cons- troem a cidadania participativa e transformadora da realidade sócio-histórica-cultural. A inclusão social e educacional ainda no século XXI depara- -se com grandes obstáculos, uma vez que a sociedade não está preparada para os desafios implícitos ao processo de inclusão. Entre eles, o estranhamento é o mais difícil de ser percebido e vencidopor todos. O estranhamento é uma reação humana às novidades que permeiam as inter-relações, portanto, podem aparecer nas relações pessoais a qualquer tempo e momento. A estabilidade é algo que buscamos frequente- mente, pois ela nos dá segurança. Quanto mais conhecemos determinado fato ou assunto, mais nos sentimos seguros diante dele. O novo gera insegurança e instabilidade, exigindo reorgani- zação, mudança. É comum sermos resistentes ao que nos desestabiliza. Sem dúvida, as ideias inclu- sivas causaram muita desestabilidade e resistên- cia. (MINETTO, 2008, p. 17). Aqui tratamos de uma das dimensões de acessibilidade que acredita-se ser essencial e determinante à inclusão psi- cossocial: a acessibilidade atitudinal. Na relação custo/bene- fício de acessibilidade, tem o menor custo financeiro e o maior benefício, pois está na raiz da diversidade humana. Depende tão somente da atitude, da postura pessoal de cada um de nós, ninguém fará isso por você. Conceitua-se atitude como a TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA78 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA II Pa r t e 01 manifestação de um ponto de vista interno aplicado no meio externo, quer dizer, reflete os comportamentos e ações de cada indivíduo frente às outras pessoas e situações do seu ambiente. Extra O filme Entre os Muros da Escola, do diretor Laurent Cantet, é baseado em situações reais vividas por um professor e seus alunos. A escola está localizada na periferia de Paris e o perfil do alunado é diverso. A trama discute o choque entre as diferentes culturas na comunidade escolar, aborda as dificuldades na relação profes- sor-aluno e abre diálogos fundamentais entre os personagens. O filme nos convoca a responsividade frente à diversidade, e apon- ta para uma reflexão importante: como nós nos posicionamos frente às barreiras atitudinais do preconceito, da arrogância e do egoísmo que impedem a verdadeira inclusão psicossocial? Atividade Assista ao filme Entre os Muros da Escola e em segui- da relacione-o com os principais conceitos da Acessibilidade Atitudinal, num breve texto de até 10 linhas. Referências MINETTO, Maria de Fátima. Currículo na educação inclusiva: entendendo esse desafio. Curitiba: IBPEX, 2008. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. CIF – Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. Direção-Geral da Saúde. Lisboa- Portugal, 2004. Amélia Leitão – tradução e revisão. Disponível em: <www.inr. pt/uploads/docs/cif/CIF_port_%202004.pdf>. Acesso em: 1 nov. 2014. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 79 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA II Pa r t e 01 SASSAKI, Romeu. Construindo uma sociedade para todos. Rio de Janeiro: WVA, 1997. _____. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. 7. ed. Rio de Janeiro: WVA, 2007. Resolução da atividade O filme retrata as relações intra e interpessoais do cotidia- no de muitas escolas, que pode nos remeter inclusive à realidade das escolas brasileiras. Retrata nos diálogos entre os persona- gens as ambiguidades inter e intrapessoais frente às diferenças, quer dizer, revela os amores e os ódios humanos, as qualidades e os defeitos, a natureza boa e má das pessoas, quer seja aluno ou professor. Retrata de maneira brilhante as mazelas e con- tradições sociais que engendram a convivência grupal, na lida com as hierarquias, a liderança, a autoridade, as tarefas em grupo. Finalmente, revela as barreiras nas atitudes das pesso- as em aceitar a diversidade e as diferenças individuais, marca a necessidade de normatizar os comportamentos estabelecen- do critérios de normalidade para uma convivência entre iguais. Esquecem o principal propósito da acessibilidade atitudinal que é aceitar a diferença, a singularidade constituinte das pessoas e respeitar os direitos iguais de todos os cidadãos. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA80 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA II Pa r t e 02 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA AOS RECURSOS AMBIENTAIS Refletir sobre as tecnologias assistivas aplicadas aos recur- sos ambientais remete-nos aos impactos ambientais que envol- vem o ambiente imediato do indivíduo e o ambiente no entorno de todas as pessoas e seus grupos sociais. O espaço ambiental constitui-se do ambiente físico, social e atitudinal no qual as pessoas convivem desde o nascimento ao longo de toda a vida e o modo como são reconhecidas e se sentem pertencentes ao grupo. As TAs integram, interagem, e fazem continente ao estabelecimento da acessibilidade no am- biente a todos os indivíduos. Compreende-se que os fatores ambientais são de natureza externa ao indivíduo, e podem exercer uma influência favo- rável ou desfavorável ao desenvolvimento e a inclusão psicos- social. Especificamente, na escola, os fatores ambientais im- pactam e podem interferir no aproveitamento, desempenho e relacionamento intra e interpessoal daqueles que transitam no espaço escolar, professores, pais, alunos, diretor, merendeiro, bibliotecário, terceirizado, dentre outros. A CIF – Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde apresenta os fatores ambientais referen- dados por dois níveis específicos: (1) Os Fatores Ambientais estão organizados na classificação tendo em vista dois níveis distintos: TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 81 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA II Pa r t e 02 (a) Individual – no ambiente imediato do indi- víduo, englobando espaços como o domicílio, o local de trabalho e a escola. Esse nível inclui as características físicas e materiais do ambiente em que o indivíduo se encontra, bem como o contato direto com outros indivíduos, tais como, família, conhecidos, colegas e estranhos. (b) Social – estruturas sociais formais e informais, serviços e regras de conduta ou sistemas na comu- nidade ou cultura que têm um impacto sobre os indivíduos. Esse nível inclui organizações e servi- ços relacionados com o trabalho, com atividades na comunidade, com organismos governamentais, serviços de comunicação e de transporte e redes sociais informais, bem como, leis, regulamentos, regras formais e informais, atitudes e ideologias. (2) Os Fatores Ambientais interagem com os com- ponentes das Funções e Estruturas do Corpo e as Atividades e a Participação. Para cada componen- te, a natureza e a extensão dessa interação podem ser mais bem definidas com base nos resultados de trabalhos científicos a desenvolver no futuro. A incapacidade é caracterizada como o resultado de uma relação complexa entre a condição de saúde do indivíduo e os fatores pessoais, com os fatores externos que representam as circunstâncias nas quais o indivíduo vive. Assim, diferentes ambien- tes podem ter um impacto distinto sobre o mes- mo indivíduo com uma determinada condição de saúde. Um ambiente com barreiras, ou sem facili- tadores, vai restringir o desempenho do indivíduo; TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA82 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA II Pa r t e 02 outros ambientes mais facilitadores podem me- lhorar esse desempenho. A sociedade pode limitar o desempenho de um indivíduo criando barreiras (e.g. prédios inacessíveis) ou não fornecendo faci- litadores (e.g. indisponibilidade de dispositivos de auxílio). (OMS, 2004, p.19, grifo nosso.) Os fatores ambientais vão ao encontro, e devem se interagir e integrarem-se a acessibilidade nas suas dimensões: arquite- tônica, comunicacional, instrumental, atitudinal, metodológica e programática. Conceitua-se aqui as TAs como área do conhe- cimento, que com seus recursos e serviços instrumentaliza as pessoas com deficiência para sua autonomia e empoderamento, para seu pleno exercício de cidadania e para a conquista da inclusão psicossocial. Apresentamos nesse grupo as possíveis aplicações de TA como dispositivos de auxílio ambiental, seja pessoal ou para a vida coletiva: • nos ambientes íntimos adaptados como quartos de dormir e banheiro; • facilitadores na mobilidade pessoal como as cadeiras de ro- das manuais e motorizadas, osmais variados tipos de anda- dores para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida; • no ambiente do entorno do indivíduo levantamos as adap- tações nos veículos, como acessórios e adaptações que possibilitam a condução do veículo, elevadores para ca- deiras de roda e camionetas modificadas e outros veículos automotores usados no transporte pessoal; TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 83 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA II Pa r t e 02 • no ambiente natural e de mudanças feitas pelo homem, como a geografia física, clima, flora e fauna; • na comunicação suplementar e alternativa que consiste de recursos eletrônicos ou não, que permitem a comunica- ção expressiva e receptiva das pessoas. São muito utiliza- das as pranchas de comunicação com os símbolos PCS ou Bliss, além de vocalizadores e softwares dirigidos para esta finalidade. Extra O documentário nacional Pro dia nascer feliz, dirigido por João Jardim, tem o foco central no ambiente individual e social e seus efeitos ao indivíduo e ao grupo social. Especificamente, mostra o cotidiano de escolas de três estados brasileiros e as relações entre professores e alunos circunscritas no ambiente educacional, bem como seus comportamentos. Expõe o cotidia- no da desigualdade, da discriminação, da violência, quer dizer, aponta para a complexidade ambiental que envolve a vida pes- soal e coletiva entre as pessoas. O documentário pode ser aces- sado pelo link: <www.youtube.com/watch?v=g5W7mfOvqmU>. Acesso em: 7 nov. 2014. Atividade Ao assistir o documentário Pro dia nascer feliz, verifica- mos que a ausência de fatores ambientais, essenciais na vida in- dividual e social dos alunos e professores, interfere no sucesso das relações, do desempenho e do aproveitamento escolar com reflexos na formação profissional. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA84 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA II Pa r t e 02 Apresente sua análise reflexiva, num texto, com o máximo de 05 linhas, sobre os efeitos da ausência de fatores ambientais na escola. Referências ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. CIF – Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. Direção-Geral da Saúde. Lisboa- Portugal, 2004. Amélia Leitão – tradução e revisão. Disponível em: <www.inr. pt/uploads/docs/cif/CIF_port_%202004.pdf>. Acesso em: 1 nov. 2014. Resolução da atividade O documentário Pro dia nascer feliz mostra a diferença entre os ambientes das escolas particulares e públicas e os efeitos da desigualdade social na educação dos adolescentes e o drama vivenciado pelos professores. Desde as precárias con- dições físicas das escolas, o desinteresse dos alunos pelo apren- der, os péssimos salários dos professores das escolas públicas, retrata a banalização da educação nacional, do ambiente social no entorno dos alunos e professores. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 85 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA II Pa r t e 03 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA AO ESPORTE E LAZER Estudar as TAs aplicadas ao esporte e lazer é considerar seu âmbito de aplicação que envolve atividades básicas da convi- vência social organizada distanciadas das atividades essenciais familiares, assim, constituem atividades aplicadas à vida comu- nitária, social e cívica. Recreação e lazer participar em qualquer forma de jogos, atividade recreativa ou de lazer, como por exemplo, jogos ou desportos informais ou or- ganizados, programas de exercício físico, relaxa- mento, diversão, ir a galerias de arte, museus, cinema ou teatro; participar em trabalhos artesa- nais ou ocupar-se em passatempos, ler por prazer, tocar instrumentos musicais; fazer excursões, tu- rismo e viajar por prazer. (OMS, 2004, p. 149) Para o planejamento, execução e avaliação dos recursos e serviços da TA ao esporte e lazer, usam-se balizadores de funcionalidade, que são: as limitações da atividade e as res- trições na participação eliminando barreiras discriminatórias da sociedade em relação às pessoas com deficiência, mobilida- de reduzida ou idosas. Alinhada a essas ideias, as Tecnologias Assistivas contribuem no enfrentamento dos desafios e na reso- lução de problemas com vistas a atuar de forma cidadã, ética e responsável em sua comunidade e na sociedade. Esses balizadores são conceituados na CIF – Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, da Organização Mundial da Saúde (2004, p. 187), sendo que: TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA86 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA II Pa r t e 03 Atividade é a execução de uma tarefa ou ação por um indivíduo. Ela representa a perspectiva indivi- dual da funcionalidade. Limitações da atividade são dificuldades que um indivíduo pode ter na execução das atividades. Uma limitação da atividade pode variar de um desvio leve a grave em termos da quantidade ou da qualidade na execução da atividade comparada com a maneira ou a extensão esperada em pessoas sem essa condição de saúde. Participação é o envolvimento de um indivíduo numa situação da vida real. Ela representa a pers- pectiva social da funcionalidade. Restrições na participação são problemas que um indivíduo pode enfrentar quando está envolvido em situações da vida real. A presença da restrição de participação é determinada pela comparação entre a participação individual com aquela espe- rada de um indivíduo sem deficiência naquela cul- tura ou sociedade. Apresentamos neste grupo as possíveis aplicações de TA como dispositivos ao esporte e lazer: • apoios e relacionamentos com pares, colegas, pessoas em posição de autoridade e animais domesticados; • vida comunitária em todos os aspectos da vida social em comunidade, como, vínculos com associações esportivas, beneficentes e clubes profissionais; • nas atividades desportivas a participação em jogos TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 87 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA II Pa r t e 03 colaborativos e competitivos ou de atletismo, organizados informal ou formalmente, sozinho ou em grupo, como por exemplo, atividades de ginástica, tênis de mesa, basquete e nado sincronizado; • participação em jogos com regras ou jogos sem regras, que podem ser “livres” e a recreação espontânea ou dirigida, como por exemplo, jogos de roda, jogo de xadrez, corrida do saco, brincadeiras, jogos de tabuleiro e pular corda. Extra A sugestão é navegar no site da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência e conhecer as propostas voltadas às politicas públicas no Esporte, Cultura e Lazer. Disponível em: <www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/ node/518>. Acesso em: 6 nov. 2014. Atividade Consulte o texto As modalidades paraolímpicas, da autora Ana França, no qual ela indica os critérios paraolímpicos e a lista do quadro de modalidades esportivas. Selecione os crité- rios de classificação dos atletas para as categorias esportivas. Disponível em: <http://esporte.hsw.uol.com.br/jogos-parao- limpicos3.htm>. Acesso em: 6 nov. 2014. Referências ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. CIF – Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. Direção-Geral da Saúde. Lisboa- Portugal, 2004. Amélia Leitão – tradução e revisão. Disponível em: <www.inr. pt/uploads/docs/cif/CIF_port_%202004.pdf>. Acesso em: 1 nov. 2014. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA88 TECNOLOGIA ASSISTIVA APLICADA II Pa r t e 03 Resolução da atividade Conforme o Movimento Paraolímpico Internacional, os atletas podem ser classificados em seis grupos: • amputados; • paralisados cerebrais; • deficientes visuais; • lesionados na medula espinhal; • deficientes mentais; • les autres (inclui todos os atletas com alguma defi- ciência de mobilidade e que não se enquadram nos demais grupos) Além desses critérios, o atleta ainda é classificado de acordo com os critérios próprios de cada modalidade, segundo suas habilidades funcionais e desempenho. Conhecer as premissas que organizam a CIF e o Desenho Universal. CONHECENDO A CIF – CLASSIFICAÇÃOINTERNACIONAL DE FUNCIONALIDADE, INCAPACIDADE E SAÚDE E O DESENHO UNIVERSAL Aula 06 Objetivo: M ac ro ve ct or /S hu tte rs to ck TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 91 CONHECENDO A CIF – CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE FUNCIONALIDADE, INCAPACIDADE E SAÚDE E O DESENHO UNIVERSAL Pa r t e 01 MODELOS CONCEITUAIS – MÉDICO E SOCIAL A sociedade inclusiva do século XXI, pautada no exercício pleno da cidadania, abre-se para as pessoas com deficiência a fim de que conquistem uma vida independente. Dessa maneira, a compreensão do conceito e a classificação de “deficiência” estão pautadas em um modelo denominado psicossocial. A TA se alinha perfeitamente a essa conceituação, uma vez que funciona como Ajuda Técnica, como recurso-chave pelo qual as pessoas com deficiência têm equiparadas as oportunidades, a fim de conquistar um estilo de vida independente, autônomo, no qual tenham a liberdade para escolher e arcar com as consequên- cias em todos os aspectos da vida social, familiar e profissional. Historicamente, a legislação que referendou o direito à igualdade de oportunidades se deu no ano 2000, na Lei 10.098, regulamentada pelo Decreto 5.296/2004 que aprovou a criação do Comitê de Ajudas Técnicas “com a finalidade principal de propor a criação de políticas públicas, aos órgãos competen- tes, relacionadas com o desenvolvimento e uso de Tecnologia Assistiva” (BRASIL, 2009, p. 11). A Tecnologia Assistiva, ante- riormente, era chamada de Ajuda Técnica. Nessa retrospectiva, em torno dos anos de 1976-1980, a Organização Mundial da Saúde (OMS), preocupada com os vários aspectos e estados da saúde, busca um sistema de classifica- ção às “deficiências” e propõe a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), tendo como baliza- dor os componentes da funcionalidade e das atividades desen- volvidas pela pessoa que tem alterações em seu desempenho TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA92 CONHECENDO A CIF – CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE FUNCIONALIDADE, INCAPACIDADE E SAÚDE E O DESENHO UNIVERSAL Pa r t e 01 da estrutura do corpo próprio e público. A funcionalidade e a incapacidade da pessoa são determinadas pelos fatores am- bientais, individuais e sociais, que dizem respeito à pessoa e ao seu entorno. A CIF, de acordo com Farias e Buchalla (2005), parte de uma referência biopsicossocial de leitura da “deficiência” que integra os componentes de saúde nos níveis corporais e sociais, ou seja, na classificação da pessoa com deficiência desconside- ra o modelo biomédico baseado no diagnóstico etiológico da disfunção, evoluindo para um modelo que incorpora as três dimensões: a biomédica, a psicológica (dimensão individual) e a social. Nesse modelo cada nível age sobre e sofre a ação dos demais, sendo todos influenciados pelos fatores ambientais. (FARIAS; BUCHALLA, 2005, p. 189) Veja como esses mesmos autores descrevem em esquema as interações entre as dimensões: Figura 1 – Interação entre os componentes da CIF. Adaptação: OMS (2003) Condição de saúde (transtorno ou doença) Funções e estruturas do corpo Fatores ambientais Fatores pessoais ParticipaçãoAtividades (FARIAS; BUCHALLA, 2005, p. 190). TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 93 CONHECENDO A CIF – CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE FUNCIONALIDADE, INCAPACIDADE E SAÚDE E O DESENHO UNIVERSAL Pa r t e 01 Historicamente, a “deficiência” foi definida e classificada sob a égide do modelo médico que considerava as limitações da pessoa como consequências intrínsecas ao corpo deficiente. Atualmente, as limitações da atividade e restrições na partici- pação da pessoa com deficiência articulam-se ao seu ambiente imediato e ao seu entorno, considera o contexto sócio-históri- co-cultural, portanto a abordagem biopsicossocial, multifato- rial proposta pela CIF e adotada na OMS é o modelo social ou psicossocial. A CIF distingue os modelos conceituais médico e social: MODELO MÉDICO – considera a incapacidade como um problema de pessoa, causado diretamente pela doença, traumas ou outro problema de saú- de, que requer assistência médica sob forma de tratamento individual por profissionais. Os cuida- dos em relação à incapacidade tem por objetivo a cura ou a adaptação do indivíduo e mudança de comportamento. A assistência médica é conside- rada como a questão principal e, a nível político, a principal resposta é a modificação ou reforma da política de saúde. (CIF, 2004, p. 21, grifo nosso.) MODELO SOCIAL – incapacidade, por sua vez, considera a questão como um problema criado pela sociedade e como uma questão de integra- ção plena do indivíduo na sociedade. A incapa- cidade não é um atributo de um indivíduo, mas sim um conjunto complexo de condições, muitas das quais criadas pelo ambiente social. Assim, a solução do problema requer uma ação social e é da responsabilidade coletiva da sociedade fazer TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA94 CONHECENDO A CIF – CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE FUNCIONALIDADE, INCAPACIDADE E SAÚDE E O DESENHO UNIVERSAL Pa r t e 01 as modificações ambientais necessárias para a participação plena das pessoas com incapacidade em todas as áreas da vida social. Portanto, é uma questão atitudinal ou ideológica que requer mudanças sociais que, a nível político se trans- formem numa questão de direitos humanos. De acordo com este modelo, a incapacidade é uma questão política. (CIF, 2004, p. 21-22, grifo nosso.) De posse dessas informações, é possível apresentar à pes- soa com deficiência um diagnóstico funcional e planejar a TA adequada que fortaleça e favoreça a vida independente e o de- senvolvimento das potencialidades da pessoa com deficiência, mobilidade reduzida ou idosa. Extra Sugerimos assistir ao filme Lutando contra o destino, diri- gido por Andy Wolk, 2005. O roteiro do filme baseia-se em fatos da vida real. O drama gira em torno da personagem principal – Marilyn Gambrell. O enredo descreve os obstáculos vividos por Marilyn para implantar um programa de autoajuda com vistas a treinar o autocontrole e fortalecer a autoestima de crianças em idade escolar cujos pais estão presos. O desejo de Marilyn é que as crianças possam fazer escolhas na vida diferente das escolhas feitas por seus pais. Atividade “Conhecer a aplicação da CIF na abordagem da “deficiên- cia” psicossocial e nos critérios de aplicação, funcionalidade e TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 95 CONHECENDO A CIF – CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE FUNCIONALIDADE, INCAPACIDADE E SAÚDE E O DESENHO UNIVERSAL Pa r t e 01 restrições de participação”. Em poucas palavras, construa um texto identificando esses aspectos no estudo de caso apresen- tado abaixo: QUEIXA PRINCIPAL -Desequilíbrio e Instabilidade na Marcha RFC CID(AVCH) ESTRUTURA E FUNÇÃO CORPORAL -Cérebro (s1100.370) -Hemiparesia (b7302.2) -Hiperlonia Esquerda (b7352.2) -Hiper-reflexia Esquerda (b7502.2) -Desiquilíbrio (b2351.2) -Diminuição de ADM (b7101.3) FATORES PESSOAIS -Sente-se desanimado sobre seu futuro. 45 anos, do lar FATORES AMBIENTAIS -Faz uso de medicamentos (e1101+3) -Faz uso de bengala para locomo- ção (e1201+4) ATIVIDADES -Sensação de cansaço durante o dia (d2301.13) -Não realiza perfeitamente a limpeza de casa(d6402.24) -Dificuldade para se deslocar dentro e fora de casa (d465.14) -Dificuldade em realizar movimentos finos com a mão (d440.22) PARTICIPAÇÃO -Dificuldade em participar de eventos sociais (missa) (d9300.14) -Impossibilidade de realizar atividades artesanais (pin- tura, crochê) (d9203.23) RESTRIÇÕES (OLIVEIRA; SILVEIRA, 2011, p. 657) Referências BRASIL. Subsecretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Comitê de Ajudas Técnicas. Tecnologia Assistiva. Brasília: CORDE, 2009. p. 138. Disponível em <www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/ sites/default/files/publicacoes/livro-tecnologia-assistiva.pdf>. Acesso em: 3 nov. 2014. FARIAS, Norma; BUCHALLA,Cassia. A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde da Organização Mundial da Saúde: conceitos, usos e perspectivas. Revista Brasileira de Epidemiologia, v. 8, n. 2, São Paulo, Jun. 2005. Disponível em: <www.scielosp.org/pdf/rbepid/ v8n2/11.pdf>. Acesso em: 3 nov. 2014. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA96 CONHECENDO A CIF – CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE FUNCIONALIDADE, INCAPACIDADE E SAÚDE E O DESENHO UNIVERSAL Pa r t e 01 OLIVEIRA, Ana Irene Costa de; SILVEIRA, Katyana Rocha Mendes da. Utilização da CIF em Pacientes com Sequelas de AVC. Rev Neurocienc, 2011; 19(4):653- 662. Disponível em: <www.revistaneurociencias.com.br/edicoes/2011/ RN1904/relato%20de%20caso%2019%2004/561%20relato%20de%20caso.pdf>. Acesso em: 26 nov. 2014. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. CIF – Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. Direção-Geral da Saúde. Lisboa, Portugal, 2004. Tradução e revisão de Amélia Leitão. Disponível em: <www. inr.pt/uploads/docs/cif/CIF_port_%202004.pdf>. Acesso em: 1 nov. 2014. Resolução da atividade A avaliação considera a abordagem biopsicossocial da CIF nos fatores individuais e coletivos, voltada à saúde integral do ser humano. Aborda a compreensão da “deficiência” numa visão contextualizada e possibilita uma ação que atende e res- ponsabiliza o indivíduo e o grupo. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 97 CONHECENDO A CIF – CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE FUNCIONALIDADE, INCAPACIDADE E SAÚDE E O DESENHO UNIVERSAL Pa r t e 02 APRENDENDO COM O DESENHO UNIVERSAL O Desenho Universal, atrelado aos demais dispositivos le- gais à acessibilidade, mostra-se coerente com a abordagem biopsicossocial da “deficiência”, entendida como um problema nas funções do corpo1 ou nas suas estruturas do corpo2, tais como um desvio significativo ou uma perda. Assim, a conceitu- ação de Desenho Universal contempla a diversidade e o “bem- -estar”3 do ser humano. O conceito de Desenho Universal do Instituto Nacional de Reabilitação, descrito a seguir, visa à concepção de objetos, equipamentos e estruturas do meio físico destinados a ser uti- lizados por todas as pessoas indiscriminadamente. Seu fun- damento é simplificar a vida de todos, tornando os produtos, estruturas, a comunicação e o meio edificado utilizáveis pelo maior número de pessoas possível, a baixo custo ou sem custos extras, para que todas as pessoas possam integrar-se totalmen- te numa sociedade inclusiva. Desenho Universal: O conceito de desenho uni- versal se propõe a gerar ambientes, serviços, programas e tecnologias acessíveis, utilizáveis equitativamente, de forma segura e autônoma por todas as pessoas – na maior extensão possível 1 Funções do corpo são as funções fisiológicas dos sistemas orgânicos, incluindo as funções psicológicas. “Corpo” refere-se ao or- ganismo humano como um todo e, portanto, inclui o cérebro. Assim, as funções mentais (ou psicológicas) são consideradas parte das funções do corpo. O padrão para essas funções é a norma estatística para a população humana. (CIF, 2004, p.186) 2 Estruturas do corpo são as partes estruturais ou anatômicas do corpo, tais como órgãos, membros e seus componentes classificados de acordo com os sistemas orgânicos. O padrão para essas estruturas é a norma estatística para a população humana. (CIF, 2004, p.187) 3 Bem-estar é um termo geral que engloba o universo total dos domínios da vida humana, incluindo os aspectos físicos, men- tais e sociais, que compõem o que pode ser chamado de uma “vida boa”. Os domínios da saúde são um subconjunto dos do- mínios que compõem o universo total da vida humana. Esta relação é apresentada no seguinte diagrama que representa o bem-estar. (CIF, 2004, p.185) TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA98 CONHECENDO A CIF – CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE FUNCIONALIDADE, INCAPACIDADE E SAÚDE E O DESENHO UNIVERSAL Pa r t e 02 – sem que precisem ser adaptados ou readaptados especificamente. O desenho universal engloba e avança conceitualmente em relação à acessibili- dade e às ajudas técnicas. O propósito do dese- nho universal é atender às diversas necessidades e viabilizar a participação social e o acesso a bens e serviços à maior gama possível de usuários, con- tribuindo para que pessoas impedidas de interagir com a sociedade passem a fazê-lo. (ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO RS, 2011, p. 7) A realização de um projeto em Desenho Universal obedece a sete princípios básicos: 1. Uso equiparável – pode ser utilizado por qualquer grupo de usuários com igualdade de oportunidade a todos; 2. Uso flexível – engloba as preferências e capacidades indi- viduais; flexibilização de utilização; 3. Utilização simples e intuitiva – fácil de compreender, inde- pendentemente da experiência do usuário, dos seus conhe- cimentos, aptidões linguísticas ou nível de concentração; 4. Informação perceptível – Fornece a informação necessária a qualquer usuário; 5. Tolerância ao erro – minimiza riscos decorrentes de ações acidentais ou involuntárias; 6. Pouca exigência de esforço físico – pode ser utilizado de forma eficaz e confortável com um mínimo de fadiga; 7. Tamanho, espaço de acesso e de utilização – dimensão e espaço adequado para a abordagem, manuseamento e uso. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 99 CONHECENDO A CIF – CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE FUNCIONALIDADE, INCAPACIDADE E SAÚDE E O DESENHO UNIVERSAL Pa r t e 02 O Desenho para Todos assume-se, assim, como instrumen- to privilegiado para a concretização da acessibilidade e, por extensão, de promoção da inclusão social. Finalmente, com mais esse dispositivo de acessibilidade, podemos deduzir que qualquer produto de TA que seja desen- volvido, atendendo a limitações e a funcionalidade derivadas de deficiências individuais, possibilitará e facilitará também o acesso por todos os usuários que, sem sofrer essas deficiências, se encontrem em contextos coletivos, como é o caso da esco- la. A escola é definida aqui como espaço de cultura inclusiva e de convivência social, importante para o desenvolvimento das habilidades e competências dos alunos. Desse modo, a escola cumpre seu papel de formadora, facilitando assim o exercício da cidadania. Extras Recomendamos a palestra de Romeu Sassaki: Acessibilidade, Inclusão, Desenho Universal – Universalidade M2U03989. Disponível em: <www.youtube.com/watch?v=FbBx-gfZCJI>. Acesso em: 30 nov. 2014. Outra dica é navegar pelas propostas de acessibilidade da Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados de Gaia (CERCIGaia), fundada em 1976 (Portugal) por iniciativa de um grupo de pais de crianças deficientes men- tais que não encontravam resposta sobre seus filhos, em cre- ches ou em escolas. Disponível em: <www.cercigaia.org.pt/>. Acesso em: 8 nov. 2014. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA100 CONHECENDO A CIF – CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE FUNCIONALIDADE, INCAPACIDADE E SAÚDE E O DESENHO UNIVERSAL Pa r t e 02 Atividade Para esta atividade, acesse o livro infantil O menino que tinha medo do escuro de Susana Campos, e escreva um bre- ve comentário sobre suas impressões. Disponível em: <http:// omeninoquetinhamedodoescuro.com/videolivro/>. Acesso em: 9 nov. 2014. Referências ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO RIO GRANDE DO SUL. Manual de Redação. Mídia inclusiva. Assembleia inclusiva. Rio Grande do Sul, 2011. Disponível em: <www2.al.rs.gov.br/assembleiainclusiva/LinkClick.aspx?fileticket=Pyw-mnm UWDc%3d&tabid=5248&language=pt-BR>. Acesso em: 6 nov. 2014. INSTITUTO NACIONAL DE REABILITAÇÃO. Desenho Universal. Disponível em: <http://www.inr.pt/content/1/5/desenho-universal>. Acesso em: 6 nov. 2014. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. CIF - Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. Direção-Geral da Saúde. Lisboa, Portugal, 2004. Tradução e revisão de Amélia Leitão. Disponível em: <www. inr.pt/uploads/docs/cif/CIF_port_%202004.pdf>. Acesso em: 1 nov. 2014.Resolução da atividade O livro traz, em formato alternativo, um exemplo de como um livro multiformato pode se “abrir” a novos leitores e a no- vas leituras. Serve ao Desenho Universal uma vez que pode ser lido por todos. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 101 CONHECENDO A CIF – CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE FUNCIONALIDADE, INCAPACIDADE E SAÚDE E O DESENHO UNIVERSAL Pa r t e 03 COMPREENDER A INCAPACIDADE E A FUNCIONALIDADE A CIF tem por objetivo organizar um sistema de classifi- cação voltado a pensar a saúde e o bem-estar do ser humano, que possibilite uma via de comunicação universal às diferentes áreas do conhecimento e setores da saúde, em um trabalho em equipes multi e interdisciplinares; descreve a saúde e os esta- dos relacionados com a saúde como exemplos de domínios da saúde incluem ver, ouvir, andar, aprender e recordar, enquanto que exemplos de domínios relacionados com a saú- de incluem transporte, educação e interações so- ciais. (CIF, 2004, p. 11, grifo nosso.) A CIF representa uma mudança de paradigma para se pen- sar e trabalhar a “deficiência” e serve como uma aliada funda- mental às propostas da TA enquanto área do conhecimento que pesquisa as melhorias na funcionalidade, nos interesses e na participação da pessoa com deficiência na sociedade. Como a CIF é uma classificação da saúde e dos estados relacionados com a saúde também é utilizada por setores, tais como, seguros, segu- rança social, trabalho, educação, economia, po- lítica social, desenvolvimento de políticas e de legislação em geral e alterações ambientais. Por estes motivos foi aceita como uma das classifica- ções sociais das Nações Unidas, sendo mencionada e estando incorporada nas Normas Padronizadas para a Igualdade de Oportunidades para Pessoas TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA102 CONHECENDO A CIF – CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE FUNCIONALIDADE, INCAPACIDADE E SAÚDE E O DESENHO UNIVERSAL Pa r t e 03 com Incapacidades. Assim, a CIF constitui um ins- trumento apropriado para o desenvolvimento de legislação internacional sobre os direitos huma- nos bem como de legislação a nível nacional. (CIF, 2004, p. 9-10, grifo nosso.) A CIF permite descrever situações relacionadas com a fun- cionalidade do ser humano que remete às funções do corpo e às suas incapacidades, ou, dito de outra forma, às suas restrições e limitações na participação, e serve como enquadramento para organizar essas informações. A CIF organiza a informação em duas partes com dois componentes cada. 1. Componentes da Funcionalidade e da Inca- pacidade O componente Corpo inclui duas classificações, uma para as funções dos sistemas orgânicos e outra para as estruturas do corpo. Nas duas classificações os capítulos estão organizados de acordo com os sistemas orgânicos. O componente Atividades e Participação cobre a faixa completa de domínios que indicam os aspec- tos da funcionalidade, tanto na perspectiva indivi- dual como social. 2. Componentes dos Fatores Contextuais O primeiro componente dos Fatores Contextuais é uma lista de Fatores Ambientais. Estes têm um impacto sobre todos os componentes da funciona- lidade e da incapacidade e estão organizados de forma sequencial, do ambiente mais imediato do indivíduo até ao ambiente geral. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 103 CONHECENDO A CIF – CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE FUNCIONALIDADE, INCAPACIDADE E SAÚDE E O DESENHO UNIVERSAL Pa r t e 03 Os Fatores Pessoais também são um componente dos Fatores Contextuais, mas eles não estão clas- sificados na CIF devido à grande variação social e cultural associada aos mesmos. (CIF, 2004, p. 11-12) A CIF articula-se desta maneira à acessibilidade e ao de- senho universal, removendo barreiras em todas as dimensões da acessibilidade, e a TA se revela neste espaço como recurso e serviço chave que abre as portas para todas as pessoas ao pleno exercício da cidadania, ou melhor, a vida com cidadania. Significa ter oportunidade para tomar decisões que afetam a própria vida, responsividade e autodeterminação. Significa ter a liberdade de falhar e aprender com as próprias falhas, tal qual fazem todas as pessoas. Finalmente, a TA promove um es- tilo de vida independente, essencial para acessar a verdadeira inclusão social. Extra Sugere-se a leitura do livro Direitos das pessoas com de- ficiência: garantia de igualdade na diversidade, de Eugênia Favero, Editora WVA, Rio de Janeiro: 2004. Atividades “Conhecer a aplicação da CIF na abordagem da ‘deficiên- cia’ psicossocial e nos critérios de aplicação, funcionalidade e restrições de participação”. Em poucas palavras, construa um texto identificando esses aspectos no estudo de caso apresen- tado a seguir: TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA104 CONHECENDO A CIF – CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE FUNCIONALIDADE, INCAPACIDADE E SAÚDE E O DESENHO UNIVERSAL Pa r t e 03 QUEIXA PRINCIPAL -Dificuldade em movimen- tar MSD RFC CID(AVCH) ESTRUTURA E FUNÇÃO CORPORAL -Cérebro (s1100.370) -Hipertonia D (b7352.2) -Ausência de sensibilidade em hemicorpo D (b2708.3) FATORES PESSOAIS -Tem pouca confiança em si mesma -Sente-se desanimada sobre seu futuro 35 anos, aguarda aposentadoria FATORES AMBIENTAIS -Faz uso de medicamentos (e1101+3) -Faz tratamento com a Psicologia (e355+3) -Sua mãe como cuidadora (e330+3) ATIVIDADES -Dificuldades na Marcha (d4502.32) -Dificuldade para (concentração e memorização) (d160.33) PARTICIPAÇÃO -Diminuição de suas atividades de lazer (cinema, sair com amigas) (d9300.14) -Impossibilidade de voltar à ocupação prévia (d8502.23) RESTRIÇÕES (OLIVEIRA; SILVEIRA, 2011, p. 658) Referências OLIVEIRA, Ana Irene Costa de; SILVEIRA, Katyana Rocha Mendes da. Utilização da CIF em Pacientes com Sequelas de AVC. Rev Neurocienc 2011; 19(4):653- 662. Disponível em: <www.revistaneurociencias.com.br/edicoes/2011/ RN1904/relato%20de%20caso%2019%2004/561%20relato%20de%20caso.pdf>. Acesso em: 26 nov. 2014. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. CIF – Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. Direção-Geral da Saúde. Lisboa, Portugal, 2004. Tradução e revisão de Amélia Leitão. Disponível em: <www. inr.pt/uploads/docs/cif/CIF_port_%202004.pdf>. Acesso em: 1 nov. 2014. Resolução da atividade A avaliação considera a abordagem biopsicossocial da CIF nos fatores individuais e coletivos, voltada à saúde integral do ser humano. Aborda a compreensão da “deficiência” numa visão contextualizada e possibilita uma ação que atende e res- ponsabiliza o indivíduo e o grupo. Figura 2 – Caso Clínico 2 Conhecer as tecnologias nas práticas educativas. SOFTWARE EDUCATIVO Aula 07 Objetivo: El la gr in /S hu tte rs rt oc k TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 107 SOFTWARE EDUCATIVO Pa r t e 01 TECNOLOGIAS NAS PRÁTICAS EDUCATIVAS Após conhecer e trabalhar sob as prerrogativas do Desenho Universal, da CIF e da acessibilidade, a escola introduz parâ- metros técnicos relacionados à acessibilidade, por exemplo, arquitetônica, dos espaços escolares que devem ser observados durante o projeto, construção, instalação e adaptação de edi- ficações e mobiliário. Vamos pensar nas tecnologias: O que são tecnologias? Qual a definição de tecnologia? Verificamos que não existe consenso na definição de tec- nologia. Veraszto et al. (2008), no seu artigo “Tecnologia: bus- cando uma definição para o conceito”, apresenta uma revisão literária de envergadura histórica e atual considerando a tec- nologia como [...] um corpo sólido de conhecimentos que vai muito além de servir como uma simples aplica- ção de conceitos e teorias científicas, ou do ma- nejo e reconhecimento de modernos artefatos. Precisamos deixar bem claro que o conhecimento tecnológico tem uma estrutura bastante ampla e, apesar de formal, a tecnologia não é uma disci- plina como qualquer outra que conhecemos, nem tampouco pode ser estruturada da mesma for- ma. O conhecimento tecnológiconão é algo que pode ser facilmente compilado e categorizado da mesma forma como o conhecimento científico. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA108 SOFTWARE EDUCATIVO Pa r t e 01 A tecnologia poderia ser apresentada como uma disciplina, mas sabemos que é mais bem qualifica- da como uma forma de conhecimento, e por isso adquire formas e elementos específicos da ativi- dade humana. Dessa forma podemos dizer que o caráter da tecnologia pode ser definido pelo seu uso. (VERASZTO et al, 2008, p. 75, grifo nosso.) Os autores finalizam dizendo que “a tecnologia abrange um conjunto organizado e sistematizado de diferentes conhe- cimentos, científicos, empíricos e intuitivos. Sendo assim, pos- sibilita a reconstrução constante do espaço das relações huma- nas”. (VERASZTO et al, 2008, p. 79) Na medida em que a escola norteia suas práticas educati- vas sob a diversidade humana, as diferenças individuais e, pro- põem facilitadores1 ao processo do aprender, avança diversos passos na efetivação do paradigma da inclusão psicossocial, neste mesmo caminho, as TAs integram as práticas educativas como ajudas tecnológicas adequadas no ambiente escolar. As tecnologias, aplicadas ao contexto educacional, vêm para possibilitar o acesso virtual, a inclusão digital a todas as pessoas que devido às restrições participativas e limitações que podem ser motoras, visuais, auditivas e físicas necessitam do uso dos recursos de hardware e software que a sociedade infor- macional disponibiliza. 1 Facilitadores são fatores ambientais que, através da sua ausência ou presença, melhoram a funcionalidade e reduzem a incapacidade de uma pessoa. Estes fatores incluem aspectos como um ambiente físico acessível, disponibilidade de tecnologia de assistência apropriada, atitudes positivas das pessoas em relação à incapacidade, bem como serviços, sistemas e políticas que visam aumentar o envolvimento de todas as pessoas com uma condição de saúde em todas as áreas da vida. A ausência de um fator também pode ser um facilitador, por exemplo, a ausência de estigma ou de atitudes negativas. Os facilitadores podem impedir que uma deficiência ou limitação da atividade se transforme numa restrição de participação, já que o desempenho real de uma ação é melhorado, apesar do problema da pessoa estar relacionado com a capacidade. (CIF, 2004, p. 187) TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 109 SOFTWARE EDUCATIVO Pa r t e 01 As tecnologias assistivas como área de conhecimento, oferecem muitas alternativas, recursos e serviços de apoio ao professor que ajudam na educação dos alunos com deficiência. Todos os alunos, em determinado momento de sua vida esco- lar podem apresentar necessidades educacionais especiais que comprometam o sucesso escolar pela falta de soluções que os auxiliem na superação de dificuldades funcionais no ambiente da sala de aula e fora dele. Os professores que conhecem as TAs se beneficiam de diferentes estratégias para dar respostas às necessidades dos alunos. Garantem, desta maneira, o acesso e a permanência na escola para todos os agentes escolares. Buscar alternativas e estratégias que promovam melhores condições de vida para toda a comunidade, na igualdade de oportunidades educativas e sociais e na construção de valores éticos socialmente desejáveis, é uma maneira de enfrentar a exclusão, eliminar barreiras e um bom caminho para uma vida com mais qualidade, mais independência na coletividade. Extra Indicamos o livro Inclusão: construindo uma sociedade para todos, de Romeu Sassaki. (Rio de Janeiro, WVA,1997). Atividade Assista ao vídeo Mobiliário adaptado em pvc e comen- te brevemente, num texto de até 10 linhas, o vídeo articu- lado ao conceito de tecnologia facilitadora. Disponível em: (<www.youtube.com/watch?v=JKy-dKQMEvc>. Acesso em: 9 nov. 2014) TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA110 SOFTWARE EDUCATIVO Pa r t e 01 Referências ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. CIF - Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. Direção-Geral da Saúde. Lisboa- Portugal, 2004. Amélia Leitão - tradução e revisão. Disponível em: <www.inr. pt/uploads/docs/cif/CIF_port_%202004.pdf> Acesso em: 1 nov. 2014. VERASZTO, Estéfano; et al. Tecnologia: buscando uma definição para o conceito. Prisma, COM, n. 7, 2008. Disponivel em: <http://revistas.ua.pt/ index.php/prismacom/article/viewFile/681/pdf>. Acesso em: 11 nov. 2014. Resolução da atividade O vídeo mostra o desenvolvimento de tecnologia assistiva de baixo custo, aplicado a crianças com disfunção neuromoto- ra. As crianças precisam de um mobiliário para uso cotidiano. O exemplo apresentado trabalha com tubos de PVC de solda e de roscas, que mostra ser um material com acessibilidade e usabilidade. Neste sentido é um recurso facilitador na elimina- ção de barreiras e, restrição de participação às crianças com deficiência. O grupo relata que desenvolveu sete tipos de equi- pamentos, como: andadores, vaso sanitário, mesas, entre ou- tros. Os recursos apresentados, por exemplo, o andador pode ser ajustado com um sistema de roscas, de acordo ao tamanho da criança. Este mobiliário, segundo relato de profissionais da saúde auxilia no tratamento complementar realizado em casa. A confecção do mobiliário é fácil e não exige alta tecnologia. Um outro ponto interessante da reportagem trata da divulga- ção da TA, esta é uma atitude importante que atende a acessi- bilidade atitudinal, ao desenho universal fortalecendo o com- promisso da TA com o estilo de vida independente das pessoas. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 111 SOFTWARE EDUCATIVO Pa r t e 02 SOFTWARES E AS DEFICIÊNCIAS O objetivo desta aula é descrever algumas Ajudas Técnicas à inclusão digital, seus recursos e serviços em prol da acessibi- lidade instrumental, comunicacional e atitudinal, que permi- tam a vida independente e autônoma das pessoas com deficiên- cias. Muitos são os pesquisadores preocupados em divulgar as tecnologias e sua aplicação às pessoas com deficiência, en- tre eles, Andrea Poletto Sonza, Adrovane Kade, André Luiz Rezende e Sirlei Bortolini. A seguir descrevemos algumas dessas tecnologias. 1. Deficiência visual e a acessibilidade digital, alguns exemplos: a. Ampliadores de imagens • Lupa eletrônica – ampliação de tela; • Lente Pro – Projeto Dosvox; • Magic – software de ampliação de tela. b. Impressoras braille • Thermoform – copiadora para material adaptado; • Braille falado – sistema portátil de armazenamen- to e processamento de informação; • Linha braille – ligado ao computador por cabo, que possui uma régua de células braile, cujos pinos se movem para cima e para baixo e que representam uma linha de texto da tela do computador. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA112 SOFTWARE EDUCATIVO Pa r t e 02 c. Sistema operacional • DOSVOX – software de interface especializada que se comunica com o usuário em português, por meio de síntese de voz. É um recurso nacional de relação custo/benefício acessível. d. Leitora de tela • Virtual Vision – software de leitura de telas de- senvolvido para funcionar sobre os aplicativos mais comuns utilizados; • Jaws – permite ao usuário que configure a inten- sidade da leitura; • OpenBook – permite acesso e edição de materiais impressos mediante um processo de digitalização. 2. Deficiência auditiva e a acessibilidade digital, alguns exemplos: a. Tecnologia baseada na oralização • Comunicar e palavras baralhadas – videojogos educativos. b. Tecnologia baseada na Libras • Karytu – software de letramento; • Falibras – tradutor de português para libras; • Dicionário de Libras INES - Instituto Nacional de Educação de Surdos; • Teclado especial – utiliza recursos das ferramen- tas de autotexto e autocorreção do Word. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 113 SOFTWARE EDUCATIVO Pa r t e 02 3. Deficiência motora e a acessibilidade digital, alguns exemplos: a. Hardwares • Teclados - variedades deteclados; • Máscara de teclado – placa de plástico com um orifício correspondente a cada tecla; • Pulseiras de pesos – diversos modelos ajudam a reduzir a amplitude do movimento causada pela flutuação do tônus; • Mouses e acionadores – adaptados de acordo com as necessidades do usuário; • Teclado virtual da PUCPR – reúne características de teclado virtual, sintetizador de voz e sistema de predição da palavra. Extra Visite o site e conheça o Projeto Redescola, onde podem ser encontrados diversos softwares educacionais. Disponível em: <http://www.redescola.com.br/site/index.php?option=com_ content&view=article&id=126&Itemid=55>. Acesso em: 13 nov. 2013. Atividade Assista ao vídeo Educação e mudança, de Celso Antunes, e escreva um breve comentário, de no máximo 10 linhas. Disponível em: <www.youtube.com/watch?v=bLee1851_q0 &feature=player_embedded#%21>. Acesso em: 7 nov. 2014. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA114 SOFTWARE EDUCATIVO Pa r t e 02 Referências MANZINI, Eduardo José; DELIBERATO, Débora. Portal de ajudas técnicas para educação – Equipamento e material pedagógico especial para educação, capacitação e recreação da pessoa com deficiência física - RECURSOS PARA COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA. 2. ed. Brasília: MEC/SEESP, 2006. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/ajudas_tec.pdf>. Acesso em: 14 nov. 2014. SONZA, Andréa P. (Org.) Acessibilidade e tecnologia assistiva: pensando a inclusão sociodigital de PNEs. Ministério da Educação. Bento Gonçalves, RS. 2013. Disponível em: <www.planetaeducacao.com.br/portal/conteudo_ referencia/acessibilidade-tecnologia-assistiva.pdf>. Acesso em: 20 out. 2014. Resolução da atividade O vídeo faz uma reflexão sobre o tema da mudança pessoal aplicada ao contexto educacional. Destaca a importância da formação continuada para que o professor se mantenha atua- lizado e que possa atualizar suas práticas educativas. Celso Antunes sugere que o professor deva refletir sobre algumas interrogações, como: O mundo mudou? o aluno não é mais o mesmo? Antunes, diz que sim, o aluno mudou e muitas vezes o professor percebe isso, mas não reconhece que ele também tem que mudar, tem que se atualizar frente a sociedade infor- macional, globalizada. O professor precisa perceber o papel fundamental da tecnologia na vida cotidiana e aplicá-la às suas práticas pedagógicas. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 115 SOFTWARE EDUCATIVO Pa r t e 03 DIMENSÕES DO USO DAS TECNOLOGIAS EDUCATIVAS Os softwares educativos são recursos tecnológicos indica- dos como ajudas técnicas, assim, são planejados adequadamen- te para atender as características individuais de cada aluno e da fase do desenvolvimento em que se encontra e ainda, res- peitam os dispositivos legais como: desenho universal, CIF e a acessibilidade, para que pessoas com limitações visuais, auditi- vas, motoras possam conquistar o mundo digital. Para escolher um software educativo para um aluno com necessidades educacionais especiais, algumas perguntas bási- cas são importantes: • Para que o sistema serve? • Qual a vantagem de utilizá-lo? • Como o sistema funciona? • Quais os princípios gerais de interação com o sistema? O computador a serviço da educação oferece softwares que agregam no seu planejamento, funcionalidade e usabilida- de com objetivos pedagógicos (SONZA, 2013), podem ser classi- ficados em: tutoriais, de programação, aplicativos, exercícios e práticas, multimídia e internet, simulação, modelagem e jogos. Tutoriais – apresentam informações planejadas e organi- zadas para instigar a aprendizagem do aluno, partindo da in- teração computador – usuário e pertinência curricular. No site da Secretaria de Educação do Paraná: Dia a Dia Educação – TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA116 SOFTWARE EDUCATIVO Pa r t e 03 você pode encontrar orientações sobre diversos softwares educacionais. O site pode ser acessado pelo link: <www.ges- taoescolar.diaadia.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo. php?conteudo=167>. Acesso em: 13 nov. 2014. Veja alguns exemplos: Programação/Autoria – tecnologia usada como ferramenta auxiliando a aprendizagem, dá liberdade ao usuário para criar seu próprio programa de atividade. Como exemplo, podemos citar o Scratch, um website desenvolvido com o foco na apren- dizagem e educação, onde é possível desenvolver e programar diversas atividades de forma dinâmica e estimuladora. Pode ser acessado através do link: <http://scratch.mit.edu/>. Acesso em: 13 nov. 2014. Aplicativos – voltados para aplicações específicas, como processadores de texto, planilhas eletrônicas e gerenciadores de banco de dados. Exercícios e Práticas – consiste somente na resolução de questões e atividades, sem se preocupar com o uso pedagógico, o aprendizado e o propósito do software. Multimídia e Internet – com recursos de acessibilidade na escolha de multimídias para executar uma navegação na internet. Simulação e Modelagem – consistem na apresentação de situações problema que devem ser resolvidas pelo aluno, possi- bilita vivências, teste de hipóteses, incentiva o aluno a procurar soluções para os desafios apresentados. A robótica educativa é hoje um exemplo significativo de aplicação de simuladores. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 117 SOFTWARE EDUCATIVO Pa r t e 03 Jogos – softwares educativos lúdicos consistem numa fer- ramenta pedagógica excelente para motivar o aluno à aprendi- zagem, são planejados de acordo com a idade do aluno. Softwares educativos às pessoas com deficiência – que auxiliam os professores no ensino de diversas disciplinas, como: Língua portuguesa, inglês, matemática, artes etc. SONZA et al. (2013) apresentam uma lista de jogos, rela- cionados a seguir: • Menino curioso – software direcionado a crianças em fase de alfabetização, com jogos relacionados à caixinha mági- ca, por exemplo. Disponível em: <http://infoeducindiaquaresma.blogspot. com.br/2010/03/software-menino-curioso.html>. Acesso em: 13 nov. 2013. • Programa Gcompris 9.2 – é um aplicativo amplo com mui- tas atividades e atende a diversas áreas do conhecimento. Disponível (em inglês) em: <http://gcompris.net/index-en. html. Acesso em: 13 nov. 2013. • Cobpaint – desenvolvido para pessoas com dificuldades mo- toras e deficiência visual; • Creative Painter – personagens animados; • Tux Paint – usada com crianças com paralisia cerebral; • Smart Panda – software de matemática; • Zac Browser – favorece a interação social; • Hércules e Jiló – usado para a criança com deficiência intelectual. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA118 SOFTWARE EDUCATIVO Pa r t e 03 A sociedade globalizada e tecnológica exige que o cidadão utilize os recursos e serviços tecnológicos. Atualmente são mui- tos os recursos disponíveis ao processo educativo e são muito eficazes, desde que sejam usados adequadamente. Extra A sugestão é assistir a reportagem do Jornal Record – Prensa: tecnologias acessíveis. Disponível em: <www.youtube. com/watch?v=9Z2WmHWdR7U>. Acesso em: 8 nov. 2014. Atividades Quais as perguntas básicas para escolher um software edu- cativo para um aluno com necessidades educacionais especiais? Referências SONZA, Andréa P. (Org.) Acessibilidade e tecnologia assistiva: pensando a inclusão sociodigital de PNEs. Ministério da Educação. Bento Gonçalves, RS. 2013. Disponível no site: <www.planetaeducacao.com.br/portal/conteudo_ referencia/acessibilidade-tecnologia-assistiva.pdf>. Acesso em: 20 out. 2014. Resolução da atividade A escolha do software deve ser pautada a partir dos se- guintes questionamentos: • Para que o sistema serve? • Qual a vantagem de utilizá-lo? • Como o sistema funciona? • Quais os princípios gerais de interação com o sistema? Conhecer a comunicação alternativa e a sua aplicação na educação. CONHECENDO A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Aula 08 Objetivo: D ie go S ch tu tm an /S hu tte rs to ck TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃOALTERNATIVA 121 CONHECENDO A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Pa r t e 01 APRENDENDO SOBRE A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA O que é comunicação? É transmitir oralmente uma mensa- gem? É a ação de um emissor enviar uma mensagem a um re- ceptor? É possível viver sem comunicação? Essas questões são de grande importância para elucidar o conceito de comunicação. Comunicação é a possibilidade de uma pessoa expressar uma mensagem de forma diversificada e possibilita a interação entre as pessoas nos diferentes ambientes que estão ao seu redor. A comunicação é um marco histórico que revo- lucionou o mundo, desde os primatas até os dias atuais. A tecnologia avançou a passos largos e a comunicação teve seu contributo na medida em que o tempo passava, e ela estava sempre pre- sente. A comunicação foi e continua a ser o elo mais importante da evolução humana, fez o gran- de diferencial entre o hoje e o ontem. Será a mola propulsora entre o hoje e o amanhã e será uma grande força contributiva de um futuro bem pró- ximo. (BRAGANÇA, 2009, p. 1, grifo nosso.) Cada um de nós possui variados modos de comunicar: com o olhar, o sorriso, movimentos corporais, com o corpo ou par- tes do corpo etc. Por exemplo: acenar com o braço para dizer “tchau” ou para chamar um táxi na rua e balançar a cabeça para dizer “sim” ou “não”. Com os gestos corporais, comunica- mos nossas vontades, interesses, concordâncias ou discordân- cias, emoções, sentimentos. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA122 CONHECENDO A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Pa r t e 01 A comunicação entre pessoas é marcada e comple- mentada por vários elementos comunicativos que permitem compreender o outro e, também, ser compreendido. (MANZINI; DELIBERATO, 2006, p. 3) O sistema de comunicação humana consiste em diversos sinais que podem ser gestos, sons, signos linguísticos que pos- suem significados singulares ou universais, transmitidos por via de comunicação natural e/ou alternativa1. O livro O Corpo Fala, de Weil e Tompakow (2001), é um clás- sico da literatura que descreve de maneira brilhante as diversas modalidades da linguagem não verbal do corpo humano, apre- sentadas como ferramentas de comunicação, de troca mútua en- tre pessoas. Os autores convidam o leitor a interagir com o texto por meio de recursos como desenhos e personagens. Explicam o processo de comunicação emissor-informação-receptor, desde a emissão da informação até a recepção e decodificação pelo re- ceptor, que interpreta e dá um significado à mensagem. “O tema abrange a comunicação psicossomática inconsciente do próprio leitor e por isso o fascina, diverte, desafia e esclarece ao mesmo tempo!” (WEIL; TOMPAKOW, 2001, p. 4) A comunicação é um recurso essencial ao homem, é um indicador da evolução da espécie humana. Por isso, quando nos deparamos com pessoas com deficiência que não conseguem se comunicar bem, nos incomodamos. Isso acontece, por exemplo, quando temos à frente uma pessoa com paralisia cerebral ou 1 “Comunicação alternativa e aumentativa (CAA): refere-se a qualquer meio de comunicação que complemente ou substitua os meios usuais de fala ou escrita. A comunicação é aumentativa quando o indivíduo utiliza um outro meio de comunicação para complementar ou compensar deficiências que a fala apresenta. Possui alguma comunicação, mas essa não é suficiente para suas trocas sociais. A comunicação alternativa ocorre quando o indivíduo utiliza outro meio para se comunicar ao invés da fala, pelo fato de estar impossibilitado de articular ou produzir sons adequadamente”. (SONZA, 2013, p. 255 apud FERNANDES, 2000) TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 123 CONHECENDO A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Pa r t e 01 sequelas na área da fala, ou uma pessoa surda que deseja co- municar algo e não consegue. Nesses momentos, a comunicação alternativa é uma importante aliada. Em educação especial, a expressão comunicação alternativa e/ou suplementar vem sendo utiliza- da para designar um conjunto de procedimentos técnicos e metodológicos direcionado a pessoas acometidas por alguma doença, deficiência, ou alguma outra situação momentânea que impede a comunicação com as demais pessoas por meio dos recursos usualmente utilizados, mais especifica- mente a fala. (MANZINI e DELIBERATO, 2006, p. 4) Inseridos na sociedade informacional, globalizada, e preo- cupados com acessibilidade comunicacional, nos interrogamos sobre as formas alternativas de comunicação. O que é preciso construir para ajudar uma pessoa a comunicar suas vontades, conversar com os demais? Nesse ponto insere-se a comunicação alternativa. Extra A sugestão é a leitura do livro O Corpo Fala: a linguagem silenciosa da comunicação não verbal, de Wel e Tompakow (2001). Disponível em: <www.teleaulaead.com.br/ocorpofala. pdf>. Acesso em: 10 nov. 2014. Atividade Assista ao vídeo O que é Comunicação? Construa uma breve resposta para a pergunta: qual a importância da comu- nicação para o homem? Disponível em: <www.youtube.com/ watch?v=5HMyHoK6Tc8>. Acesso em: 10 nov. 2014. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA124 CONHECENDO A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Pa r t e 01 Referências BRAGANÇA, I. Evolução da Comunicação Humana. Podemos explicar a história da existência humana através das etapas do desenvolvimento da comunicação. Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/16088693/Evolucao- da-comunicacao-humana-Podemos-explicar-a-historia-da-existencia-humana- atraves-das-etapas-do-desenvolvimento-da-comunicacao>. Acesso em: 10 nov. 2014. MANZINI, E.; DELIBERATO, D. Recursos para Comunicação Alternativa: equipamento e material pedagógico especial para educação, capacitação e recreação da pessoa com deficiência física. 2. ed. Brasilia: MEC, SEESP, 2006. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/ajudas_tec. pdf>. Acesso em: 10 nov. 2014. SONZA, A. P. (Org.). Acessibilidade e Tecnologia Assistiva: pensando a inclusão sociodigital de PNEs. Ministério da Educação. Bento Gonçalves, RS. 2013. Disponível em: <www.planetaeducacao.com.br/portal/conteudo_ referencia/acessibilidade-tecnologia-assistiva.pdf>. Acesso em: 20 out. 2014. WEL, Pierre; TOMPAKOW, Roland. O Corpo Fala: a linguagem silenciosa da comunicação não verbal. Disponível em: <http://www.teleaulaead.com.br/ ocorpofala.pdf>. Acesso em: 26 nov. 2014. Resolução da atividade A comunicação é essencial ao homem, constitui-se num indicador de evolução da espécia humana, com a necessidade do homem em socializar-se. A comunicação é um mediador de- terminante na interação do homem com seu ambiente e com outros homens. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 125 CONHECENDO A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Pa r t e 02 DEFININDO UM SISTEMA DE COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA A comunicação alternativa (suplementar ou ampliada, como termos sinônimos) enfatiza diferentes modalidades de co- municação com finalidades definidas a partir da necessidade do usuário, que podem ser, segundo Deliberato e Manzini (2006): • Propiciar uma comunicação alternativa para o usuário; • Criar recursos de manutenção da comunicação alternativa para o usuário. Os autores supracitados sugerem ainda duas dimensões às comunicações alternativas: 1. Comunicação apoiada; 2. Comunicação não apoiada. A comunicação apoiada indica que os recursos para a co- municação utilizam apoios de expressão linguística que estejam fora do corpo do usuário e que recebem ajuda de outra pes- soa, assim, “são objetos reais, miniaturas de objetos, pranchas de comunicação com fotografias, desenhos e outros símbolos gráficos e, ainda, os sistemas computadorizados”. (MANZINI; DELIBERATO, 2006, p. 5) Em decorrência das dificuldades motoras, certos usuários de recursos de comunicação apoiada vão, também, depender de alguém para sele- cionar e indicar os estímulos necessários para que seja interpretado. É o caso dos alunos que necessitam de uma outra pessoa para realizar o TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA126 CONHECENDOA COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Pa r t e 02 manuseio do material confeccionado, apontando as figuras ou as fotos necessárias para estabelecer uma comunicação. A pessoa que auxilia vai indi- cando uma figura após a outra até que a escolha seja feita (sistema de varredura na linha e/ou na coluna). Após a seleção da figura pelo usuário, há necessidade de retomar novas seleções. Há alu- nos que conseguem selecionar os estímulos pelo olhar ou pelo apontar com a língua, mas não con- seguem virar uma página ou pegar uma prancha temática. Nessas situações, também, esses alu- nos necessitam de auxílio do professor. (MANZINI; DELIBERATO, 2006, p. 5, grifo nosso.) Já a comunicação não apoiada indica que os recursos de comunicação estão na pessoa, ou, em outras palavras, o “banco de comunicação” é dela mesma, “tais como os sinais manu- ais, expressões faciais, língua de sinais, movimentos corporais, gestos, piscar de olhos para indicar ‘sim’ ou ‘não’” (MANZINI; DELIBERATO, 2006, p. 5-6). As expressões são totalmente produzidas pelos seus usuários, ou seja, ela é realizada por meio das ações que o próprio aluno pode produzir, sem o auxílio de outra pessoa ou de equipamentos. Cabe salientar que o uso da escrita, assim como o da língua de sinais, é um recurso importante quan- do o aluno não tem a possibilidade de falar, pois estabelece uma comunicação face a face. Embora sejam possibilidades comunicativas importantes, tanto a escrita como a língua de sinais requerem TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 127 CONHECENDO A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Pa r t e 02 habilidades motoras e, nesse sentido, nem todos os alunos com deficiência física têm possibilidade de utilizá-las. (MANZINI; DELIBERATO, 2006, p. 6, grifo nosso.) Para selecionar, planejar e aplicar um sistema de comu- nicação, Manzini e Deliberato (2006) advertem que temos que estar atentos ao ambiente individual e do entorno do aluno e, também, aos dispositivos legais voltados à acessibilidade, de- senho universal, CIF, entre outros. Para essa tarefa, os autores descrevem algumas das propriedades que devem ser atendidas pelo sistema de comunicação alternativa: • o sistema utilizará objetos concretos? • o sistema será composto por fotografias, figuras ou desenhos? • terá como base um sistema de símbolos gráficos (pictográficos, ideográficos ou aleatórios)? • o sistema será combinado? • far-se-á uso da ortografia? • o sistema será composto por sistemas gestuais? Esses autores observam ainda: Para fazer esse delineamento é necessária uma avaliação do aluno (DELIBERATO & MANZINI, 1997), e também da participação do professor, da família, do fonoaudiólogo e, se possível, de uma equipe para avaliar as possibilidades do aluno e da situação. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA128 CONHECENDO A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Pa r t e 02 Em linhas gerais, para avaliar o aluno e a situ- ação na qual o sistema será utilizado, deveremos verificar: 1. as habilidades físicas do usuário: acuidade vi- sual e auditiva; habilidades perceptivas; fato- res de fadiga; habilidades motoras tais como preensão manual, flexão e extensão de mem- bros superiores, habilidade para virar páginas; 2. as habilidades cognitivas: compreensão, expressão, nível de escolaridade, fase de alfabetização; 3. o local onde o sistema será utilizado: casa, escola, comunidade; 4. com quem o sistema será utilizado: pais, pro- fessores, amigos, comunidade em geral; 5. com qual objetivo o sistema será utilizado: ensi- no em sala de aula, comunicação entre amigos. Dessa forma, é importantíssimo fazer um le- vantamento das habilidades já existentes e do po- tencial do aluno, uma vez que o recurso alternati- vo de comunicação dará possibilidade ao professor de trabalhar aspectos da compreensão e expres- são da linguagem do aluno. Tendo em mãos os dados dessa avaliação, é possível preparar o recurso a ser utilizado, ou seja, qual será a forma desse recurso, por exem- plo, se ele deverá conter um vocabulário especí- fico para a sala de aula ou para outra situação, se haverá um vocabulário básico com figuras acopla- do com letras, ou mesmo com objetos. (MANZINI; DELIBERATO, 2006, p. 6-7) TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 129 CONHECENDO A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Pa r t e 02 Extra Assista ao vídeo A Importância da Comunicação. Disponível em: <www.youtube.com/watch?v=u8kI_5D2RoM>. Acesso em: 15 nov. 2014. Atividade Para essa atividade é necessário assistir ao vídeo Comunidade Alternativa – Atividade Preparatória para Uso de Pranchas de Comunicação. Após assistir ao ví- deo, escreva cinco linhas sobre o processo de aplicação das pranchas de comunicação à criança com deficiência. Disponível em: <www.youtube.com/watch?v=YjIf6ICIGhg>. Acesso em: 26 nov. 2014. Referência MANZINI, Eduardo; DELIBERATO, Debora. Recursos para a Comunicação Alternativa. Brasilia: Ministério da Educação, 2006. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/ajudas_tec.pdf>. Acesso em: 10 nov. 2014. Resolução da atividade A comunicação alternativa em pranchas será desenvolvida gradativamente. No vídeo, a professora descreve os passos para essa atividade. É necessário ampliar o repertório de símbolos do aluno, usando objetos ou brinquedos. Para isso, a criança deverá explorar os objetos para que depois passem para as fi- guras que estarão na prancha. Desse modo, trabalham-se a se- gurança, a autonomia, as escolhas e, com isso, a criança passa a estabelecer laço com o professor e a comunidade no entorno. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA130 CONHECENDO A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Pa r t e 03 COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA APLICADA À EDUCAÇÃO Pensar sobre a comunicação alternativa aplicada à educa- ção é refletir sobre os princípios da educação atual sustentada na ética e na cidadania, para o pleno desenvolvimento do ser humano; uma educação que valoriza o acesso e a permanência do aluno no espaço escolar. É a escola para todos. Santos (2007), quando reflete so- bre os indicadores de uma escola atual, identifica como sen- do aquela que foca seu trabalho com as diferenças em sala de aula, no contexto da diversidade cultural, em ações que desen- volvam o trabalho com as diferenças e os variados ritmos de aprendizagem do alunado. Transformação das dinâmicas e das metodolo- gias utilizadas em sala de aula: organização dos tempos e espaços com características individuais, em dupla, em pequeno grupo e em grande grupo, viabilizando a ocorrência não apenas de ensino, mas de aprendizagens que ocorrem nas interações professor e alunos. Reorganização do tempo e espaço de forma fle- xível: o Projeto escolar pressupõe flexibilidade de horários (aulas geminadas, aulas curtas etc.) e ocupação de outros espaços que permitam ritmos e atividades diversificados. Formação em serviço: a aprendizagem perma- nente não para e o desafio de uma educação de TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 131 CONHECENDO A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Pa r t e 03 qualidade está sempre presente para que os estu- dos contínuos aconteçam sempre. (SANTOS, 2007, p. 27, grifo nosso.) Esses sinais revelam o quanto a escola é coerente com os dispositivos legais para o desenvolvimento do indivíduo, alicer- çada no paradigma da inclusão: autonomia, empoderamento e independência. Uma boa via na efetivação do paradigma, segundo Galvão (2012), está na atitude paciente, respeitosa ao ritmo da crian- ça, e persistente ao estímulo, por parte do professor, no en- frentamento dos obstáculos cotidianos. Um exemplo: A escola ao lidar com o aluno surdocego precisa estar ciente da importância da comunicação para este aluno, compreendendo, por exemplo, que não basta o aluno surdocego usar gestos e sons que só ele entende. É preciso que as suas formas de ex- pressão estejam inseridas em um sistema linguísti- co, seja este baseado na língua oral ou gestual. Ou seja, para facilitar o acesso do aluno aos conteúdosescolares é importante conhecer as peculiaridades que envolvem a sua comunicação, acolhendo os li- mites e possibilidades das formas de comunicação usadas pelos alunos. (GALVÃO, 2012, p. 333) Ressalta-se a importância da aplicabilidade das Ajudas Técnicas, especificamente da comunicação alternativa, para as- segurar e viabilizar as políticas públicas educacionais à pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida ou idosa. Desse modo, a educação favorece o acesso, participação e qualidade de vida por parte de todas as pessoas. Devendo assim estarem integrados aos recursos da sociedade informacional e ao currículo escolar. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA132 CONHECENDO A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Pa r t e 03 Extra Assista ao vídeo Brinquedo para todos – Parque infantil inclusivo – Acessibilidade – Desenho Universal. Disponível em: <www.youtube.com/watch?v=AitFN62dMts>. Acesso em: 15 nov. 2014. Atividade Leitura do texto Audiodescrição – Recurso de Acessibilidade para Inclusão Cultural das Pessoas com Deficiência, da autora Livia Maria Villela de Mello Motta. Disponivel em: <www.ver- compalavras.com.br/pdf/artigo-audiodescricao-recursode acessibilidade.pdf>. Acesso em: 12 nov. 2014. A partir dessa leitura, defina audiodescrição. Referências GALVÃO, Nelma de Cássia Silva Sandes. A comunicação construindo redes entre a escola e o aluno com surdocegueira. In: MIRANDA, Theresinha Guimarães; GALVÃO FILHO, Teófilo Alves (Org.). O Professor e a Educação Inclusiva. Salvador: EDUFBA, 2012. MOTTA, Lívia Maria Villela de Mello. Audiodescrição – recurso de acessibilidade para a inclusão cultural das pessoas com deficiência visual. Disponível em: <www.vercompalavras.com.br/pdf/artigo-audiodescricao-recurso-de- acessibilidade.pdf>. Acesso em: 26 nov. 2014. SANTOS, Maria. Inclusão social e educação: inclusão escolar desafios e possibilidades. In: BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Ética e Cidadania: construindo valores na escola e na sociedade. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, Brasília, 2007. Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/materiais/0000015509. pdf>. Acesso em: 23 out. 2014. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 133 CONHECENDO A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Pa r t e 03 Resolução da atividade A audiodescrição é um recurso de acessibilida- de que amplia o entendimento das pessoas com deficiência visual em eventos culturais (peças de teatro, programas de TV, exposições, mostras, musicais, óperas, desfiles, espetáculos de dan- ça), turísticos (passeios, visitas), esportivos (jo- gos, lutas, competições), acadêmicos (palestras, seminários, congressos, aulas, feiras de ciências, experimentos científicos, histórias) e outros, por meio de informação sonora. Transforma o visu- al em verbal, abrindo possibilidades maiores de acesso à cultura e à informação, contribuindo para a inclusão cultural, social e escolar. Além das pessoas com deficiência visual, a audiodescri- ção amplia também o entendimento de pessoas com deficiência intelectual, idosos e disléxicos. (MOTTA, p. 1) TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA134 CONHECENDO A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Pa r t e 03 Aplicar os recursos dos sistemas alternativos de comunicação. RECURSOS PARA A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Aula 09 Objetivo: El la gr in /S hu tte rs to ck TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 137 RECURSOS PARA A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Pa r t e 01 SISTEMAS ALTERNATIVOS DE COMUNICAÇÃO Os sistemas alternativos de comunicação são representa- dos por marcadores como gestos, alfabeto digital, signos, fotos, figuras e desenhos. Os sistemas alternativos mais populares no Brasil são: Blissymbols (Bliss), Picture Communication Symbols (PCS) e Pictogram Ideogram Communication Symbols (PIC). SONZA (2013, p. 255) destaca que os sistemas de comuni- cação aumentativa e alternativa se referem aos componentes (símbolos, gestos, recursos, estratégias e técnicas) utilizados pelos indivíduos para comunicação. Podem ser manuais ou grá- ficos, sendo que os primeiros são aqueles que não requerem ajuda externa, como: gestos, alfabeto digital e Libras (sem as flexões), além de outros marcadores gramaticais complexos que venham a ser utilizados por ouvintes. SISTEMA BLISS: [...] os símbolos são compostos por um número pequeno de formas, os elementos simbólicos. Esses são combinados para representar milhares de significados. Os símbolos podem ser: picto- gráficos (desenhos que parecem com aquilo que desejam simbolizar); arbitrários (desenhos que não possuem relação pictográfica entre forma e aquilo que desejam simbolizar); ideográficos (de- senhos que simbolizam a ideia de algo, criam uma associação gráfica entre símbolo e o conceito que ele representa) e compostos (grupos de símbo- los agrupados para representar objetos e ideias). (SONZA, 2013, p. 256) TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA138 RECURSOS PARA A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Pa r t e 01 Figura 1 – Exemplo Sistema Bliss Mulher Proteção Mãe + = Fonte: Sonza (2013, p. 256) SISTEMA PCS: [...] é basicamente pictográfico. Criado para in- divíduos com comprometimento na comunicação oral e que não compreendem o sistema ideográ- fico. Segue a mesma divisão sintática e cores dos Símbolos Bliss (FERNANDES, 2000 apud SONZA, 2013, p. 256) Figura 2 – Exemplo Sistema PCS Mãe Casa Dormir Feliz Fonte: Sonza, (2013, p. 257) SISTEMA PIC: [...] sistema basicamente pictográfico. Os símbo- los são desenhos estilizados em branco com fundo preto. Visualmente são fáceis de serem reconhe- cidos, porém, de acordo com Fernandes (2000), o sistema é menos versátil e mais limitado, pelo fato de os símbolos não serem combináveis. (SONZA, 2013, p. 257) TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 139 RECURSOS PARA A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Pa r t e 01 Figura 3 – Exemplo Sistema PIC Mãe CaminhãoComer Fonte: Sonza, (2013, p. 257) Extra Sugerimos a leitura do artigo: Desafios para a Tecnologia da Informação e Comunicação em Espaço Educacional Inclusivo, dos autores Amanda Meincke Melo, Janaína Speglich de Amorim, M. Cecília C. Baranauskas e Susie de Araujo Campos Alcoba. Publicado no XXV Congresso da Sociedade Brasileira de Computação. São Leopoldo-RS, 22 a 29 de julho, 2005. O Arquivo pode ser encontra- do no link: <http://styx.nied.unicamp.br/todosnos/artigos-cien- tificos/arq0002.pdf/view>. Acesso em: 11 nov. 2014. Atividade Para esta atividade, leia o artigo de Maria Cecília Martins e registre quatro aspectos básicos sobre os quais a autora re- flete: Situando o Uso da Mídia em Contextos Educacionais. Disponível em: <www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/ File/cursoobjetosaprendizagem/situando_usomidias_mec. pdf>. Acesso em: 11 nov. 2014. Referências SONZA, Andréa P. (Org.) Acessibilidade e Tecnologia Assistiva: pensando a inclusão sociodigital de pessoas com necessidades especiais. Bento Gonçalves: Ministério da Educação, 2013. Disponível em: <www.planetaeducacao.com. br/portal/conteudo_referencia/acessibilidade-tecnologia-assistiva.pdf>. Acesso em: 11 nov. 2014. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA140 RECURSOS PARA A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Pa r t e 01 Resolução da atividade O texto reflete sobre as práticas educacionais em alguns pontos: • a integração de materiais e mídias diversificadas; • desafios e possibilidades da era digital; • processo de desenvolvimento e diversidade expressiva do ser humano diante dos elementos tecnológicos atuais; • dificuldades para apropriação de recursos tecnológicos na educação; • fluência tecnológica. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 141 RECURSOS PARA A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Pa r t e 02 ESTRATÉGIAS NOS RECURSOS PARA COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Para identificar o recurso de comunicação alternativa mais adequado às necessidades do aluno com deficiência, Manzini e Deliberato (2006) descrevem o banco de ideias,com a fina- lidade de instrumentalizar o professor na seleção do recurso que atenda ao estilo de aprendizagem e garanta acessibilidade instrumental e comunicacional ao aluno. A seguir apresentamos o banco de ideias composto por cinco temas principais: 1. Adaptação do formato dos recursos • Pastas e fichários: tipos, cores e tamanhos variados que atendam às características físicas e motoras do aluno. • Pranchas com estímulos removíveis: por exemplo, ál- buns de fotografias, de desenhos. • Prancha temática: figuras com tema específico, por exemplo, materiais de higiene pessoal. • Prancha fixa na parede: o professor pode fixar figuras relacionados ao tema da aula. • Prancha fixa sobre a carteira: para alunos que apre- sentam movimentos involuntários. • Pasta frasal: como um cardápio com figuras que repre- sentam ações (com verbos). • Prancha frasal: utilizada para construir textos com aluno. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA142 RECURSOS PARA A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Pa r t e 02 2. Tipos de estímulos e estratégias utilizados Podem ser compostos pelo próprio objeto, ou seja, mais próximos do real, proporcionando melhor manuseio para o aluno. • Objeto concreto e sua representação: por exemplo, laranja, banana. • Miniaturas: por exemplo, animais, brinquedos. • Símbolos gráficos: utilizam-se fotos ou figuras com os nomes dos objetos representados. • Figura temática: figuras com identificação dos nomes. • Fotos e figuras de atividade sequencial: usadas para comunicar relato de experiência. • Símbolos gráficos com fundo diferente: cores contras- tantes facilitam a comunicação. • Misto: integram mais de um estímulo. • Gestos: usam-se partes do corpo. • Expressões faciais: os olhos podem expressar vonta- des, interesses. 3. Quantidade de estímulos utilizados Planejados para o trabalho com aspectos de percepção vi- sual, auditiva e sinestésica. • Estímulo único: uma figura, um desenho. • Dois estímulos: composição de figuras, fotos, desenhos. • Vários estímulos: integram mais de um estímulo, auxi- liam na interação professor-aluno. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 143 RECURSOS PARA A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Pa r t e 02 4. Participação do usuário na construção do recurso Para selecionar os objetos, fotos ou figuras dependendo do usuário. • Seleção dos estímulos. • Confecção do recurso. • Organização do recurso. 5. Ambientes e parceiros de comunicação alternativa Facilitam a interação e a participação entre todos na escola. • Parceiros de comunicação alternativa. • Participação da família. Finalmente, conforme Manzini e Deliberato: A aparência do recurso em si pode ser muito sim- ples, porém, o seu processo de implementação necessita ser pensado, elaborado e testado em situação prática. [...] um recurso só adquire funcionalidade para comunicar mensagens quando conseguimos iden- tificar as potencialidades de nossos alunos e ade- quamos o meio para que essas potencialidades possam ser expressas. Feito isso, estaremos dando voz a nossos alunos, que é uma das primeiras for- mas para a construção de uma sociedade inclusi- va. (MANZINI; DELIBERATO, 2006, p. 42) Os autores destacam o quão fundamental é a comunicação alternativa e como o seu planejamento e uso devem ser cuida- dosos. Inicialmente deve-se conhecer o ambiente pessoal e o do entorno do aluno para que se preserve a natureza do recurso como um mediador no processo de acessibilidade que promove TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA144 RECURSOS PARA A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Pa r t e 02 a qualidade de vida. O aluno é um parceiro importante na es- colha do recurso para a sua aprendizagem, para a conquista da vida independente, para a autonomia e para o exercício da cidadania. Extra Sugestão: assistir ao filme Meu Pai, Meu Herói. Direção de Nils Tavernier, 2013. Baseado em fatos reais, conta a histó- ria dos desafios vencidos por pai e filho para serem parceiros. Na vida real disputaram diversas competições esportivas, entre elas a Ironmam, que é apresentada no filme. Atividade Assista ao vídeo Projeto de inovação – a comunicação al- ternativa no tablet e indique o aspecto que não foi contem- plado na escolha do recurso tecnológico. Disponível em www. youtube.com/watch?v=s9USL2T-JjY>. Acesso em: 13 nov. 2014. Referência MANZINI, Eduardo; DELIBERATO, Debora. Recursos para a Comunicação Alternativa. Brasília: MEC, SEESP, 2006. Disponível em: <http://portal.mec. gov.br/seesp/arquivos/pdf/ajudas_tec.pdf>. Acesso em: 10 nov. 2014. Resolução da atividade Aspecto não contemplado: participação do usuário na construção do recurso. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 145 RECURSOS PARA A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Pa r t e 03 COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA – DESENVOLVENDO AUTONOMIA A comunicação alternativa desenvolvendo autonomia aten- de as prerrogativas da ONU – Organização das Nações Unidas e da Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) – quando descrevem as 3 dimensões dos direitos humanos: 1. as liberdades individuais ou direito civil; 2. os direitos sociais; 3. os direitos coletivos da humanidade conjugam os di- reitos e as liberdades individuais e os deveres para com a comunidade em que se vive. A comunicação alternativa disponibiliza ao usuário uma comunicação eficiente e eficaz, que explora as diversas possi- bilidades da linguagem, respeita as diferenças individuais e a diversidade humana. Ao interagir com as práticas pedagógicas, identifica-se o estilo de aprendizagem do aluno e assim elimina-se qualquer barreira que impede o aprender e o sucesso escolar do aluno, ou seja, respeita-se o conhecimento prévio do aluno e trabalha- -se com a zona de desenvolvimento proximal. A zona de desenvolvimento proximal refere-se, assim, ao caminho que o indivíduo vai percorrer para desenvolver funções que estão em processo de amadurecimento e que se tornarão funções consolidadas, estabelecidas no seu desenvolvi- mento real. A zona de desenvolvimento proximal TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA146 RECURSOS PARA A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Pa r t e 03 é, pois, um domínio psicológico em constante transformação: aquilo que uma criança é capaz de fazer com ajuda de alguém hoje, ela conse- guirá fazer sozinha amanhã. (OLIVEIRA,1993, p. 60, grifo nosso.) A educação nos dias atuais tem por meta a autonomia do aprendiz, o uso da criatividade no enfrentamento e na resolu- ção dos problemas cotidianos. O professor é quem apresenta os desafios ao aprendiz e colabora na pesquisa de recursos e de instrumentos de resolução da problemática em sala de aula. Assim, ele oferece as condições no ambiente de aprendizagem. As tecnologias assistivas e a comunicação alternativa são aliadas essenciais quando o professor tem um aluno com defi- ciência na sala de aula. Possibilitam a construção de recursos de acessibilidade nas suas diferentes dimensões: metodológica, instrumental, comunicacional, atitudinal e arquitetônica. Nas últimas décadas tem se consolidado a concepção que considera o processo de aprendizagem resultado da ação do aprendiz. Por isso a função do professor é criar condições para que o aluno possa exercer sua função de aprender participando de situações que favoreçam isso. Nesse sentido, com relação aos alunos com deficiência, torna-se indispensável a criação de condições de aprendizagem pelo professor por meio da constru- ção de recursos de acessibilidade. Programas Geradores de Autonomia e Auxiliares na Comunicação Alternativa 1. Sistema Plaphoons – software de comunicação para pesso- as com limitações graves. Finalidade: construir mensagens TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 147 RECURSOS PARA A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Pa r t e 03 para que a pessoa possa comunicar suas vontades e inte- resses. Usado para leitura e escrita. O programa permite criar pranchas e pode ser utilizado como editor de pran- chas, prancha de comunicação, comunicador. 2. SistemaNotevox – da USP laboratório de psicologia. Sistema concebido para servir paralisados cerebrais alfabetizados e portadores de esclerose lateral amiotrófica. Tem três ver- sões: Notevox-teclado, Notevox-mouse e Notevox-chave. 3. Sistema Boardmaker – processo computadorizado no qual as pranchas de comunicação são montadas e impressas con- forme a necessidade do usuário. O sistema é composto por 3 500 símbolos do tipo PCS e possui suporte para a língua de sinais. É uma ferramenta de autoria que permite cons- truir os recursos de comunicação e aprendizado dos quais o aluno necessitará em cada fase de seu desenvolvimen- to educacional. Os exemplos e modelos que o Boardmaker possui servem apenas para mostrar aos professores o po- tencial de criação deste software. Extra Sugerimos a leitura do artigo O Cenário Educacional: o professor e a tecnologia da informação e comunicação diante das mudanças atuais. Autores: Mainardi Andreia; Liziany Muller e Aline Arruda Pereira. Santa Maria: Universidade Federal de Santa Maria, 2014. Disponível em: <http://cascavel.ufsm.br/ revistas/ojs-2.2.2/index.php/reget/article/view/12647/pdf>. Acesso em: 10 nov. 2014. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA148 RECURSOS PARA A COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Pa r t e 03 Atividade Para esta atividade é necessária a leitura do artigo de Luciana Ferreira Baptista: Novas Tecnologias da Informação e Comunicação no Contexto Educacional. Disponível em: <www.revista-fatecjd.com.br/retc/index.php/RETC/article/ view/180>. Acesso em: 13 nov. 2014. Após a leitura do artigo sugerido, escreva os pontos fortes que a autora destaca sobre a aplicação das tecnologias à apren- dizagem do aluno. Referências OLIVEIRA, Marta. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento um processo sócio-histórico. São Paulo: Scipione, 1993. ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Declaração Universal dos Direitos Humanos. ONU, Paris: 1948. Disponível em: <www.dudh.org.br/declaracao/>. Acesso em: 17 nov. 2014. Resolução da atividade Pontos fortes: • destaca a aprendizagem colaborativa; • incrementa a interação e troca entre professor-aluno; • desperta a criatividade do aluno; Conhecer a escola acessível e compreender o uso da sala de recursos multifuncional. SALA DE RECURSOS MULTIFUNCIONAL E ACESSIBILIDADE Aula 10 Objetivos: A rt is tic co /S hu tte rs to ck TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 151 SALA DE RECURSOS MULTIFUNCIONAL E ACESSIBILIDADE Pa r t e 01 ESCOLA ACESSÍVEL A escola acessível é aquela instituição educacional que se instrumentaliza das mudanças sociais e dos dispositivos legais de inclusão e acessibilidade para atualizar os seus recursos e práti- cas didático-pedagógicas com fins de promover o progresso edu- cacional e a inclusão dos alunos com deficiência. “Toda criança possui características, interesses, habilidades e necessidades de aprendizagem que são únicas” (SALAMANCA,1994, p. 1)1. A escola acessível acompanha os avanços da ciência e da tecnologia e aplica-os de acordo ao seu ambiente de uso, o espaço escolar, àquilo que é necessário para potencializar a autonomia, a independência e o empoderamento do aluno. Os “sistemas educacionais deveriam ser implementados no sentido de se levar em conta a vasta diversidade de tais características e necessidades” (SALAMANCA,1994, p. 1). A Tecnologia Assistiva ocupa lugar de destaque na escola acessível como área de conhecimento que aborda a deficiência na sua abrangência psicossocial, e pesquisa as possibilidades oferecidas pelos recursos e serviços tecnológicos e as condições de sua aplicação no ambiente escolar para o aluno. Tecnologia apropriada e viável deveria ser usada quando necessário para aprimorar a taxa de su- cesso no currículo da escola e para ajudar na co- municação, mobilidade e aprendizagem. Auxílios técnicos podem ser oferecidos de modo mais 1 Conferência Mundial de Educação Especial realizada em Salamanca, Espanha, de 7 a 10 de Junho de 1994. Dirigentes do governo e da comunidade internacional reafirmam o compromisso para com a Educação para Todos em acordo a outras declarações, decretos e leis internacionais voltadas aos direitos universais humanos. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA152 SALA DE RECURSOS MULTIFUNCIONAL E ACESSIBILIDADE Pa r t e 01 econômico e efetivo se eles forem providos a par- tir de uma associação central em cada localidade, aonde haja know-how que possibilite a conjugação de necessidades individuais e assegure a manuten- ção. (SALAMANCA, 1994, p. 9, grifo nosso.) Cabe à gestão escolar abrir espaço à TA para experimentar e verificar como a tecnologia informacional se transformou em algo tão importante para a sociedade e, gradativamente, vem sendo incorporada ao dia a dia das pessoas, no seu ambiente direto e de entorno, como um instrumento revolucionário. É o que registra o Programa Nacional de Informática na Educação (PROINFO) Há uma nova gestão social do conhecimento a partir do desenvolvimento de novas técnicas de produção, armazenamento e processamento de informações, alavancado pelo progresso da in- formática e das telecomunicações. Os computadores estão mudando também a ma- neira de conduzir pesquisas e construir o conheci- mento, e a forma de planejar o desenvolvimento tecnológico, implicando novos métodos de produ- ção que deixam obsoleta a maioria das linhas de montagem industriais clássicas. (PROINFO, 1997, p. 2, grifo nosso.) O desafio da escola acessível passa a ser compreender a diversidade e as diferenças individuais em sua complexidade, multidimensionalidade e transversalidade para que possa defi- nir com clareza suas estratégias de ensino e de aprendizagem. Dessa maneira, respeitará os diferentes estilos de aprendiza- gem dos alunos, especificamente, daqueles com deficiência. E, TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 153 SALA DE RECURSOS MULTIFUNCIONAL E ACESSIBILIDADE Pa r t e 01 finalmente, deverá utilizar com eficácia os recursos presentes na sociedade informacional para promover qualidade de vida, exercício de cidadania aos alunos com deficiência, mobilidade reduzida ou em idade avançada (idosos). A educação para a diversidade envolve a criação de um novo olhar. Para que seja mais proveitosa, ela deve incluir alternativas que permitam tra- balhar essa temática de forma transversal. Isso significa, por um lado, pensar a educação como algo além de capacitação e formação e, por outro, assumir o desafio de educar para transformar ins- tituições e não somente indivíduos. (MONTAGNER. et al. 2010, p. 53, grifo nosso.) Extra Assista à Campanha do Plano Viver sem Limite 2014. Disponível em: <www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/viver- semlimite/campanhas>. Acesso em: 19 nov. 2014. Atividade Para esta atividade, assista ao vídeo Tecnologia Assistiva – Inclusão Escolar – Comunicação Alternativa – Treino de escrita. Disponível em: <www.youtube.com/watch?v=WamEl8aeQxc>. Acesso em: 19 nov. 2014. Esse vídeo exemplifica o que se entende por escola aces- sível. Recorte do texto dessa aula uma frase de três linhas que contemple essa ideia. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA154 SALA DE RECURSOS MULTIFUNCIONAL E ACESSIBILIDADE Pa r t e 01 Referências DECLARAÇÃO DE SALAMANCA. Sobre Princípios, Políticas e Práticas na Área das Necessidades Educativas Especiais. Espanha, 1994. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/salamanca.pdf> Acesso em: 20 out. 2014. BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação a Distância. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Programa Nacional de Informática na Educação – PROINFO: diretrizes. Disponível em: <www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/pdf/proinfo_diretrizes1. pdf>. Acesso em: 10 nov. 2014. MONTAGNER, Paula. et al. Diversidade e Capacitação em Escolas de Governo: mesa-redonda de pesquisa-ação. Brasília: ENAP, 2010. Disponível em: <www. enap.gov.br/downloads/Caderno_Diversidade.pdf>.Acesso em: 10 nov. 2014. Resolução da atividade A escola acessível acompanha os avanços da ciência e da tecnologia e aplica-os de acordo ao seu ambiente de uso, ao espaço escolar e àquilo que é necessário para potencializar a autonomia, a independência e o empoderamento do aluno. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 155 SALA DE RECURSOS MULTIFUNCIONAL E ACESSIBILIDADE Pa r t e 02 RECONHECENDO A SALA DE RECURSOS MULTIFUNCIONAL O Decreto 7.611/2011 reconhece e regulamenta a sala de recursos multifuncional no seu artigo 5.º parágrafo 3.º: “As sa- las de recursos multifuncionais são ambientes dotados de equi- pamentos, mobiliário e materiais didáticos e pedagógicos para a oferta do atendimento educacional especializado”. O Documento Orientador do Programa Implantação de Sala de Recursos Multifuncionais, do Ministério da Educação, deli- neia os aspectos legais e pedagógicos do atendimento educa- cional especializado: A inclusão educacional é um direito do aluno e requer mudanças na concepção e nas práticas de gestão, de sala de aula e de formação de profes- sores, para a efetivação do direito de todos à es- colarização. No contexto das políticas públicas para o desenvolvimento inclusivo da escola se insere a organização das salas de recursos mul- tifuncionais, com a disponibilização de recursos e de apoio pedagógico para o atendimento às espe- cificidades educacionais dos estudantes público- -alvo da educação especial matriculados no ensi- no regular. (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 2013, p. 5, grifo nosso.) Galvão Filho e Miranda (2012), em uma análise crítica so- bre questões da educação inclusiva na atualidade, discorrem sobre a parceria entre a sala de recursos multifuncional e as TAs TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA156 SALA DE RECURSOS MULTIFUNCIONAL E ACESSIBILIDADE Pa r t e 02 e a extensão dos efeitos dessa parceria para além dos muros da escola, incrementando a vida social do aluno e sua autonomia1. É na sala de recursos multifuncional que o alu- no aprende a utilizar os recursos de TA, tendo em vista o desenvolvimento da sua autonomia. Porém, estes recursos não podem ser exclusiva- mente utilizados nessa sala, encontra sentido quando o aluno utiliza essa tecnologia no contex- to escolar comum, apoiando a sua escolarização. Portanto, é função da sala de recursos avaliar esta TA, adaptar material e encaminhar esses recursos e materiais adaptados, para que sirvam ao aluno na sala de aula comum, junto com a família e nos demais espaços que frequenta. (GALVÃO FILHO; MIRANDA, 2012, p. 249, grifo nosso.) Dessa forma, garantem a acessibilidade do aluno com de- ficiência. São atitudes que paulatinamente eliminam ou evitam a segregação, a discriminação e a exclusão no ambiente esco- lar. Preservam a equidade2 de oportunidades a todos os alunos, “para que a deficiência não seja utilizada como impedimento à realização de sonhos, desejos e projetos, valorizando o prota- gonismo e as escolhas dos brasileiros com e sem deficiência.” (BRASIL, 2013, p. 8) 1 Segundo Zatti (2007), a autonomia como condição de uma pessoa que determina ela mesma a lei à qual se submete não está apenas na cabeça dos sujeitos. Como condição, sua construção envolve dois aspectos: o poder de determinar a própria lei e também o poder ou capacidade de realizar. O primeiro aspecto está ligado à liberdade de decidir e o segundo ao poder ou capacidade de fazer. Para que haja autonomia, os dois aspectos devem estar presentes e o pensar autônomo deve estar ligado ao fazer autônomo. No entanto, é preciso considerar que o fazer não acontece fora do mundo, pois está cerceado pelas leis naturais, pelas leis civis, pelas convenções sociais, ou seja, a autonomia é limitada por condicionantes, não é absoluta. 2 Equidade pode ser entendida como reconhecimento e efetivação dos direitos da população, com igualdade, sem restringir o acesso a eles nem estigmatizar as diferenças entre os diversos segmentos que a compõem. É a possibilidade de as diferen- ças serem manifestadas e respeitadas sem discriminação, uma condição que favorece o combate das práticas de subordina- ção ou de preconceito em relação às diferenças de gênero, políticas, étnicas, religiosas, culturais etc. (SPOSATI, 2002 apud MONTAGNER et al, 2010, p.16). TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 157 SALA DE RECURSOS MULTIFUNCIONAL E ACESSIBILIDADE Pa r t e 02 Extra Recomendamos a leitura da cartilha: Viver sem Limite – Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, do Governo Federal do Brasil, Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR)/Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNPD). Brasília, 2013. Disponível em: <www.pessoacomdeficiencia. gov.br/app/sites/default/files/arquivos/%5Bfield_generico_ imagens-filefield-description%5D_0.pdf>. Acesso em: 27 Nov. 2014. Atividade Assista ao vídeo da campanha do Plano Viver Sem Limite. Reportagem com Juliana Oliveira – deficiente motora –, Fernanda Honorato – Deficiente Intelectual –, Vanessa Vidal – deficiente auditiva e Gabrielzinho do Irajá – deficiente visual. Disponível em: <www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/viversemlimite/ campanhas>. Acesso em: 27 nov. 2014. Nessa reportagem os quatro entrevistados apresentam uma palavra-chave importante a todos nós para a verdadeira inclu- são. Identifique-a e descreva-a brevemente. Referências BRASIL. Decreto n. 7.611, de 17 de Novembro de 2011. Dispõe sobre a educação especial, o atendimento educacional especializado e dá outras providências. Publicado no Diário Oficial da União, em 18 de novembro de 2011. Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Decreto/D7611. htm#art11>. Acesso em: 27 nov. 2014. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA158 SALA DE RECURSOS MULTIFUNCIONAL E ACESSIBILIDADE Pa r t e 02 BRASIL. Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República / Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Viver sem Limite – Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Brasília, 2013. Disponível em: <www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/sites/default/ files/arquivos/%5Bfield_generico_imagens-filefield-description%5D_0.pdf>. Acesso em: 10 nov. 2014. GALVÃO FILHO, Teófilo; MIRANDA, Theresinha Guimarães. Tecnologia assistiva e salas de recursos: análise crítica de um modelo. In: MIRANDA, Theresinha Guimarães e GALVÃO FILHO, Teófilo (orgs). O Professor e a Educação Inclusiva: formação, práticas e lugares. Salvador: EDUFBA, Salvador, 2012. Disponível em: <www.planetaeducacao.com.br/portal/conteudo_referencia/ o-professor-e-a-educacao-inclusiva.pdf>. Acesso em: 10 nov. 2014. BRASIL. Ministério da Educação. Documento Orientador do Programa Implantação de Salas de Recursos Multifuncionais. 2013. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id =17430&Itemid=817>. Acesso em: 27 nov. 2014. BRASIL. Ministério da Educação. Edital n. 01 de 26 de Abril de 2007. Programa de Implantação de Salas de Recursos Multifuncionais. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/2007_salas.pdf>. Acesso em: 10 nov. 2014. MONTAGNER, Paul. et al. Diversidade e Capacitação em Escolas de Governo: mesa-redonda de pesquisa-ação. Brasília: ENAP, 2010. Disponível em: <www.enap.gov.br/downloads/Caderno_Diversidade.pdf>. Acesso em: 10 nov. 2014. ZATTI, Vicente. Autonomia e Educação em Immanuel Kant e Paulo Freire. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2007. Disponível em: <www.pucrs.br/edipucrs/ online/autonomiaeeducacao.pdf>. Acesso em: 10 nov. 2014. Resolução da atividade A palavra é “autonomia”, importante para todos nós a fim de que possamos viver plenamente. Autonomia é um dos ali- cerces da inclusão. Não é a deficiência que impede a pessoa de exercer a autonomia e a cidadania e sim a falta de acessibilida- de em todas as dimensões. Assim, o Programa Viver Sem Limite trabalha sob 4 eixos: atenção à saúde, acesso à educação,in- clusão social e acessibilidade. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 159 SALA DE RECURSOS MULTIFUNCIONAL E ACESSIBILIDADE Pa r t e 03 ESPAÇO MULTIFUNCIONAL DE APRENDER A SER No espaço multifuncional de aprendizagem, um dos aspec- tos fundamentais trata do acesso e domínio das ferramentas tecnológicas, necessários para uma convivência harmoniosa na civilização do conhecimento do século XXI. É, portanto, vital para a sociedade brasileira que a maioria dos indivíduos saiba operar com as no- vas tecnologias da informação e valer-se destas para resolver problemas, tomar iniciativas e se comunicar. Uma boa forma de se conseguir isto é usar o computador como prótese da inteligência e ferramenta de investigação, comunicação, cons- trução, representação, verificação, análise, divul- gação e produção do conhecimento. E o locus ideal para deflagrar um processo dessa natureza é o sis- tema educacional. (MEC, 1997, p. 2, grifo nosso.) O Programa Nacional de Informática na Educação (PROINFO), 1997 integra os eixos Informática e Educação e justifica que para melhorar os processos de ensino e de aprendizagem é ne- cessário investir na melhoria da construção do conhecimento e, para isso a qualidade do ensino nas escolas é determinante. É urgente investir na melhoria dos espaços, ambientes educacio- nais e suas propostas pedagógicas que atendam à diversidade do alunado e dos professores. A tecnologia da informação, com seus serviços e recursos, é uma importante aliada para essa transformação educacional. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA160 SALA DE RECURSOS MULTIFUNCIONAL E ACESSIBILIDADE Pa r t e 03 O PROINFO considera a igualdade de oportunidades como uma marca de evolução da sociedade tecnológica, assim nos seus objetivos visa abrir oportunidades a todos: • a igualdade de acesso a instrumentos tecno- lógicos disponibilizadores e gerenciadores de informação; • os benefícios decorrentes do uso da tecnologia para desenvolvimento de atividades apropria- das de aprendizagem e para aperfeiçoamento dos modelos de gestão escolar construídos em nível local, partindo de cada realidade, de cada contexto. (MEC, 1997, p. 3) Outro aspecto fundamental no espaço multifuncional é o reconhecimento e a promoção da diversidade humana como es- sencial ao aprender a ser. O educar para a diversidade deve privilegiar o respeito às diferenças individuais, as particulari- dades de cada pessoa e a igualdade de oportunidades a todos como direito humano e como atitude de valorização da digni- dade humana. A educação é o espaço por excelência para se pensar e intervir na efetivação de novos comportamentos, atitudes in- clusivas, em que a discriminação, o preconceito, o estereótipo e o estigma são banidos das relações interpessoais no ambiente escolar. Esses conceitos são compreendidos de acordo com o des- crito no caderno Diversidade e Capacitação em Escolas de Governo: mesa-redonda de pesquisa-ação, de Paula Montagner et al.: TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 161 SALA DE RECURSOS MULTIFUNCIONAL E ACESSIBILIDADE Pa r t e 03 Discriminar – ação de discriminar, tratar diferen- te, anular, tornar invisível, excluir, marginalizar. Preconceito – qualquer atitude negativa em re- lação a uma pessoa ou grupo social que derive de uma ideia preconcebida sobre tal pessoa ou grupo. É possível, então, dizer que a atitude preconcei- tuosa está baseada não em uma opinião adquirida com a experiência, mas em generalizações que advêm de estereótipos. Estereótipos – consiste na generalização e atri- buição de valor (na maioria das vezes negativo) a algumas características de um grupo, reduzin- do-o a esses traços e definindo os “lugares de poder” a serem ocupados. É uma generalização de julgamentos subjetivos feitos em relação a um determinado grupo, impondo-lhes o lugar de inferior e de incapaz no caso de estereótipos negativos. Estigma – marca ou rótulo atribuídos a pessoas e grupos, seja por pertencerem a determinada clas- se social, por sua identidade de gênero, por sua cor/raça/etnia. O estigma é sempre uma forma de simplificação, de desqualificação da pessoa e do grupo. Os estigmas decorrem de preconceitos e ao mesmo tempo os alimentam, cristalizando pensa- mentos e expectativas com relação a indivíduos e grupos. (Centro Latino Americano em Sexualidade e Direitos Humanos(Clam) 2009, p. 35 e 197, apud MONTAGNER et al., 2010, p. 20-21) TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA162 SALA DE RECURSOS MULTIFUNCIONAL E ACESSIBILIDADE Pa r t e 03 As práticas educativas concretas para a diversidade per- meiam as relações humanas em todos os ambientes. Não há consenso para a definição de diversidade segundo Montagner: [...] vão desde descrições funcionais e declara- ções humanísticas que defendem a aceitação da alteridade – isto é, do(a) outro(a). Na prática, há definições que apontam diversidade como qual- quer uma(um) ou qualquer coisa que ‘não seja eu’ e, também, análises razoavelmente detalha- das e abrangentes que consideram qualidades e características pessoais. (MONTAGNER et al, 2010, p. 21) Trabalhar sob a perspectiva da diversidade implica consi- derá-las nos seus diversos desdobramentos, implicações e di- mensões, a saber: • Dimensão da personalidade – aspectos psíquicos e subjetivos; • Dimensões internas – idade, gênero, língua, orientação se- xual, habilidades físicas; • Dimensões externas – localização geográfica, hábitos de la- zer, histórico educacional; • Dimensões organizacionais – local de trabalho, nível funcio- nal, campo de trabalho. (MONTAGNER, 2010) Extra Indicamos o vídeo Tecnologia Assistiva – Inclusão escolar – Sala de recursos multifuncionais. Disponível em: <www.you- tube.com/watch?v=BQvxfCYhaZg>. Acesso em: 17 nov. 2014. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA 163 SALA DE RECURSOS MULTIFUNCIONAL E ACESSIBILIDADE Pa r t e 03 Atividade Assista ao vídeo Tecnologia Assistiva – sobre os objetos de aprendizagem. Disponível em: <www.youtube.com/watch? v=M7aHFTxX1pQ>. Acesso em: 17 nov. 2014. Depois disso, des- creva em 3 linhas a inter-relação entre objetos de aprendiza- gem e o espaço multifuncional. Referências BRASIL. Ministério da educação e do desporto. Programa Nacional de Informática na Educação – PROINFO: Diretrizes. Ministério da Educação e do Desporto – MEC; Secretaria de Educação a Distância – SEED. 1997. Disponível em: <www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/pdf/ proinfo_diretrizes1.pdf>. Acesso em: 10 nov. 2014. MONTAGNER, Paula; et al. Diversidade e Capacitação em Escolas de Governo: mesa-redonda de pesquisa-ação. Brasília: ENAP, 2010. Disponível em: <www. enap.gov.br/downloads/Caderno_Diversidade.pdf>. Acesso em: 10 nov. 2014. Resolução da atividade Os objetos de aprendizagem atendem às prerrogativas da acessibilidade e da inclusão quando servem de recursos para a aprendizagem significativa e ao progresso educacional do alu- no. São mediadores nas práticas pedagógicas dos professores, assim, servem adequadamente às salas multifuncionais. TECNOLOGIA ASSISTIVA E COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA Página em branco Página em branco