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ANEMIA CARENCIAL: FERROPÊNICA/FERROPRIVA

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Hematologia
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DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL 
- Deve ser feito com outras causas de microcitose, como talassemias, anemia 
sideroblástica congênita, envenenamento por chumbo e, eventualmente, anemia 
das doenças crônicas. Entre estas, as formas de menor gravidade da 
betatalassemia são as mais comuns (diagnosticado pela eletroforese de 
hemoglobina — evidenciando níveis elevados de HbA2)
- Anemia de doença crônica (aumenta ferritina, diminui TIBIC e aumenta hepcidina)
- Talassemia (reticulocitose e RDW normal)
TRATAMENTO 
- O tratamento de escolha é a reposição de ferro por via oral (drágeas, xaropes, 
gotas pediátricas), além de tratar a doença de base
- A dose recomendada para a correção da anemia ferropriva é de 60 mg de ferro 
elementar (o que equivale a 300 mg de sulfato ferroso) três a quatro vezes ao dia, 
com estômago vazio (ou durante as refeições caso o desconforto abdominal for um 
problema para não adesão). Em crianças, a dose deve ser 5 mg/kg/dia (3-6 mg/
kg/dia) de ferro elementar, dividido em três tomadas 
- Quantidade de sulfato ferroso (mg) = 5x quantidade de ferro elementar (mg), ou 
ainda, o ferro elementar constitui 20% da massa do sulfato ferroso
- Efeitos colaterais ocorrem de 10 a 20% dos pacientes, sendo os mais comuns a 
distensão abdominal, a diarreia e a obstipação intestinal 
- Administração do medicamento junto com as refeições diminui o desconforto 
abdominal, levando à melhor adesão ao tratamento, o que compensa apesar de ter 
menor absorção (os elementos presentes no alimento podem se ligar ao ferro e 
diminuir a absorção)
- A absorção aumenta em presença de suco de laranja e de carne e é inibida por 
cereais, chá, leite e medicações que diminuem o pH gástrico
- Casos de intolerância: medicamentos líquidos, que permitem melhor titulação da 
dose
- Após três semanas de tratamento, observa-se:
- Aumento médio de 2 g/dL na dosagem de hemoglobina
- VCM aumenta gradativamente à medida que a população microcítica vai sendo 
substituída pela população normal
- Reticulócitos podem aumentar, mas não são um indicador confiável de resposta
- A resposta ao tratamento deve ser observada avaliando-se a contagem de 
reticulócitos que aumenta nos primeiros dias de reposição, atingindo um pico 
entre 5-10 dias. O tratamento visa a normalização da concentração de 
hemoglobina e a reposição dos estoques de ferro. A hemoglobina e o hematócrito 
começam a subir em duas semanas (o início da melhora é mais rápido quanto 
mais grave for a anemia), geralmente voltando ao normal em dois meses após o 
início da terapia. A reposição de ferro deve durar 3-6 meses após a normalização 
do hematócrito (total de 6-12 meses), no intuito de reabastecer os estoques 
corporais desse elemento. O controle pode ser feito com a ferritina sérica, que 
deve chegar a valores acima de 50 ng/ml... Em crianças, recomenda-se uma 
duração de 3-4 meses para a terapia de reposição, ou dois meses após a 
normalização da hemoglobina 
- Falhas no tratamento podem ocorrer por: falta de adesão, diagnóstico incorreto, 
anemia multifatorial, doença crônica associada (infecção, neoplasia, colagenoses), 
sangramentos excessivos com perdas maiores que a reposição, outra deficiência 
associada, má absorção do medicamento 
- TRATAMENTO PARENTERAL é tão efetivo quanto por via oral, mas é mais 
perigoso e de custo mais elevado. Deve ser indicado quando:
- Síndromes de má absorção duodenojejunais, como a doença celíaca
- Intolerância às preparações orais
Ádila Cristie Matos Martins 	 	 	 Hematologia
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- Anemia ferropriva refratária à terapia oral, apesar da adesão terapêutica
- Necessidade de reposição imediata dos estoques de ferro, quando utilizamos, 
por exemplo, a eritropoietina recombinante humana em pacientes com 
insuficiência renal crônica em tratamento dialítico
- Perdas muito intensas, mais rápidas do que a reposição oral (p. ex., 
telangiectasia hemorrágica hereditária, angiodisplasia intestinal)
- Doenças do trato gastrintestinal nas quais os sintomas possam se agravar por 
tratamento oral (p. ex., doenças inflamatórias intestinais)
- Necessidade de reposição rápida dos estoques, como ocorre antes de grandes 
cirurgias
- Pode ser por via intramuscular (em desuso) e endovenosa (tendo como vantagem 
poder administrar doses maiores por vez, evitando desconforto e repetidas 
injeções. Deve ser feito um teste antes em local com disponibilidade de suporte 
para reversão de parada cardiorrespiratória. Deve esperar 15 minutos por alguma 
reação adversa, se não acontecer, o resto da dose pode ser administrada)
- Tem como reações adversas:
- Locais: dor na veia injetada, vermelhidão e gosto metálico, especialmente com a 
administração rápida do medicamento
- Sistêmicas: (imediatas) hipotensão, cefaleia, mal-estar, urticária, náusea e 
anafilaxia; (tardias) linfadenopatia, mialgia, artralgia e febre
- A preparação mais antiga de ferro parenteral é o ferro-dextran. Contém 50mg de 
ferro elementar por ml de solução
- Nos dias de hoje dispomos de outros preparados de ferro para uso parenteral 
(endovenoso): o gluconato férrico de sódio e o ferro-sucrose. Tais preparados 
são comprovadamente mais seguros que o ferro-dextran
- O ferumoxitol é uma nova formulação de ferro parenteral que permite a 
administração de uma enorme quantidade de ferro em bolus intravenoso. É 
recomendado que o produto passe a ser diluído em 50-250 ml de SF 0,9% ou SG 
5%, com infusão em 15min... Neste composto, o ferro é revestido por uma “capa 
protetora” de carboidratos complexos (poliglicose-sorbitol-carboximetil-eter), o que 
aumenta a absorção pelos macrófagos do sistema reticuloendotelial ao mesmo 
tempo em que diminui a toxicidade do ferro no sangue
- A dose total requerida é diretamente proporcional ao deficit de ferro na 
hemoglobina, somado à quantidade necessária para repor os estoques de ferro 
(1.000 mg no homem e 600 mg na mulher)
(15 - Hb) x peso (kg) x 2,3 + (quantidade para repor estoque) 
- O deficit total de ferro pode ser reposto em dose única, diluída em soro fisiológico 
ou glicosado a 5%, ou então (modo preferencial) em doses fracionadas 
REFERÊNCIAS 
1.Tratado de Hematologia — Zago (capítulo 18, 19 e 20) 
2.HEMATO (volume 1) — MedCurso 2019 
3.Clínica Médica (volume 3) — USP (capítulo 6 e 8) 
4.Anemia carencial — Hemorio 
5.Diagnóstico diferencial da deficiência de ferro - Perla Vicari e Maria 
Stella Figueiredo