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Aula 03 Medicina Legal p/ PC-MA (Delegado) Com videoaulas - Pós-Edital Professor: Alexandre Herculano Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 1 de 50 Aula 03: Aspectos médico-legais das toxicomanias e da embriaguez. SUMÁRIO PÁGINA 1. Apresentação 1 2. Toxicologia Forense 2 2.1. Cáusticos e venenos 2 2.2. Embriaguez 9 2.3. Toxicomanias 13 3. Questões propostas 27 4. Questões comentadas 34 5. Gabarito 50 1. Apresentação Olá, meus amigos! Então, hoje, vou abordar o seguinte tópico: Traumatologia Médico-legal. Energias de Ordem Química, cáusticos e venenos, embriaguez, toxicomanias. Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 2 de 50 2. Toxicologia Forense Pessoal, essa parte estuda os cáusticos, os envenenamentos e a intoxicação alcoólica e por tóxicos, pelo emprego de processos laboratoriais. Aqui, temos as chamadas energias de ordem química. 2.1 Cáusticos e venenos São energias de ordem química que, entrando em contato interno ou externo com o organismo, são capazes de provocar danos à saúde ou à vida, como os cáusticos, produtores das lesões viscerais e cutâneas denominadas vitriolagem, e os venenos. Os cáusticos são substâncias que, de acordo com sua natureza química, provocam lesões tegumentares mais ou menos graves. Essas substâncias podem resultar em efeitos coagulantes ou liquefacientes. A primeira são aquelas que desidratam os tecidos e lhes causam escaras endurecidas e de tonalidade diversa, como por exemplo, o nitrato de prata, o acetato de cobre e o cloridato de zinco. Já as de efeito liquefacientes produzem escaras úmidas, translúcidas, moles e têm como modelo a soda, a potassa e a amônia. Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 3 de 50 Na vitriolagem surgem as lesões viscerais e cutâneas produzidas por substâncias cáusticas (de Kaustikos, o que queima). A causa jurídica da vitriolagem pode ser criminosa, suicida ou acidental. Quando criminosa, quase sempre determinada por ciúme ou vingança é crime perpetrado mediante arremesso de ácidos ou de bases cáusticas na face, pescoço, tórax, ou aparelho genital da vítima, objetivando causar-lhe danos corporais deformantes, resultando, pois, a lesão gravíssima a que se refere o dispositivo 129, § 2.º, IV, de nossa lei substantiva penal. Já no caso de acidente é explicado pela ingestão involuntária de substâncias cáusticas por embriagados ou nas fábricas, por explosões ou derrame de recipientes que as contêm. A mortalidade precoce na vitriolagem grave está relacionada com hipotensão e necrose tubular aguda, devido a um frequente erro de subestimação inicial da extensão e profundidade e consequente reposição hídrica insuficiente. Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 4 de 50 A morte pode ser consequente ao choque neurogênico, à perfuração do estômago, à hemorragia gástrica, à asfixia por edema da glote, infecções local e/ou sistêmica, broncopneumonia, caquexia por estenose do esôfago etc. À necropsia, encontra o perito lesões múltiplas dos rins, do fígado, do aparelho gastrintestinal, vasos trombosados, hiperemia do sistema nervoso central; estômago de coloração negra, volume reduzido e, por vezes, pergaminhado ou coriáceo, na vitriolagem produzida pela ingestão de ácidos. E toda a parede gástrica edemaciada e necrosada, de consistência diminuída, com suas pregas tendendo a desaparecer, na vitriolagem por ingerimento de bases cáusticas. Finalmente, transforma-se o sangue numa massa gelatinosa e achocolatada, lembrando o sangue dos grandes queimados. Lesões internas causadas por ação cáustica Devem-se à ingestão e/ou aspiração do cáustico. São observadas: Na boca Em toda a extensão do esôfago e do estômago Ao longo das vias aéreas, no caso de aspiração Dependendo da quantidade ingerida e do tempo de sobrevida, pode haver comprometimento do duodeno e porção inicial do jejuno. Mas isso não é comum porque costuma haver espasmo do piloro. A mucosa oral e o tubo digestivo revelam coloração e consistência modificadas de acordo com o tipo de cáustico e do tempo entre a ingestão Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 5 de 50 e o início do tratamento médico. A mucosa resiste muito menos do que a pele porque não tem a camada de células queratinizadas presentes na epiderme. O órgão mais lesado, na maioria das vezes, é o estômago, já que o esôfago é apenas um canal de passagem, o que não impede que ele seja sede de intensas lesões e mesmo perfuração. Porém, as alterações mais características de cada cáustico são encontradas na parede gástrica. Em geral, notam-se congestão intensa e hemorragia de intensidade variável, conforme o cáustico e o tempo de sobrevida, caracterizando uma gastrite aguda grave. Pode haver perfuração do órgão e consequente peritonite química. Havendo sobrevida por mais de um dia, é possível reconhecer extensas áreas de necrose e destruição da mucosa e edema das outras camadas da parede do órgão, que fica muito espessada. A intensidade pode ser atenuada se o cáustico encontra o estomago cheio de alimentos. Em todos os casos de ingestão de cáusticos, a morte é precedida de choque e colapso circulatório. Qualquer que seja o agente cáustico, se a vitima sobreviver, haverá fibrose das lesões devido à evolução da reação inflamatória da fase aguda. Segundo especialistas, apesar de o esôfago ser um órgão de passagem para o estômago, as queimaduras evoluem para a formação de aderências entre as faces anterior e posterior do órgão, levando à estenose cicatricial. Simultaneamente à ingestão, pode ocorrer inalação de vapores ou aspiraçao do cáustico. Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 6 de 50 Conforme o grau de penetração nas vias aéreas, as lesões podem restringir-se à laringe ou interessar os pulmões. Nesse caso, há intenso edema pulmonar, e a morte pode ser antecipada. Já os venenos são substâncias que, quando introduzida no organismo em quantidades relativamente pequenas e agindo quimicamente, é capaz de produzir lesões graves à saúde, no caso do indivíduo comum e no gozo de relativa saúde. Podemos classificá-los em: quanto ao estado físico: líquidos, sólidos e gasosos; quanto à origem; animal, vegetal, mineral e sintético; quanto as funções químicas: óxidos, ácidos, bases e sais; quanto ao uso: doméstico, agrícola, industrial, medicinal, cosmético,etc. Uma questão boa para sua prova é perguntarem as fases quanto ao percurso do veneno no organismo! O percurso do venenoatravés do organismo tem as seguintes fases: penetração, absorção, distribuição, fixação, transformação e eliminação. Há algumas situações ou fenômenos que podem ocorrer após a penetração do veneno, tais como: mitridatização, toxicidade, intolerância, sinergismo e equivalente tóxico. Vejamos cada uma: Penetração - oral, gástrica, retal, etc. A via Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 7 de 50 orogastrointestinal é a mais usada; Absorção - é o processo pelo qual o veneno chega à intimidade dos tecidos; Fixação - é a etapa do envenenamento em que a substância tóxica se localiza em certos órgãos de acordo com o seu grau de afinidade; Transformação - é o processo pelo qual o organismo tenta se defender da ação tóxica do veneno, facilitando sua eliminação e diminuindo seus efeitos nocivos; Distribuição - é a fase em que o veneno, penetrando na circulação, estende-se pelos mais diversos tecidos; Eliminação - é a etapa na qual o veneno é expelido seguindo as vias naturais; Mitridatização - é o fenômeno caracterizado pela elevada resistência orgânica aos efeitos tóxicos dos venenos; Toxicidade - a propriedade que tem determinada substância de causar internamento um dano a um organismo; Sinergismo - é a ação potencializadora dos efeitos tóxicos decorrentes da ingestão simultânea de várias substâncias venenosas; Equivalente tóxico - a quantidade mínima de veneno capaz de, por via intravenosa, matar 1kg do animal Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 8 de 50 considerado. Pessoal, o envenenamento é a ação ou efeito de envenenar peculiar a cada veneno. Consoante o estado físico, ou a composição química, ou a sua proveniência, dois autores - Buzzo e Soria, assim subdividem os venenos: venenos gasosos; venenos voláteis; venenos minerais: metais e metaloides; ácidos e álcalis minerais; ácidos orgânicos; alcaloides, ptomaínas e glicosídeos; venenos orgânicos sintéticos (medicamentos); venenos de origem alimentar; venenos vegetais (toxalbuminas); venenos animais. Aproveitando que estamos falando sobre envenenamento, não posso deixar de falar sobre a Síndrome do Body Packer (imagem abaixo), conhecida também como "mula" ou "correio", é usada para aqueles que conduzem no interior do seu organismo drogas ilícitas do Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 9 de 50 tipo cocaína, anfetaminas e heroína. É diferente da chamada body pusher, pois esta se dá aos que transportam pequenas quantidades de drogas nos orifícios naturais. Mas porque estou falando isso na parte de envenenamento? Simples, quando um "mula" - transportador de drogas ilícitas, carrega essas drogas no estômago, as cápsulas podem romper- se, assim, a morte sempre se dá por intoxicação aguda e maciça da droga ingerida, sendo a mais comum a cocaína, logo, fiquem atentos nesses nomes, ok? 2.2 Embriaguez É a intoxicação alcoólica, ou por substância de efeitos análogos, aguda, imediata e passageira. A despeito da dificuldade, do ponto de vista médico, em reconhecer limite nítido de separação entre os períodos da embriaguez, usa-se habitualmente dividi-la em fases de excitação, de confusão e do sono. Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 10 de 50 A primeira fase, de excitação, ou do macaco, é a ebriedade subaguda, ou incompleta, em que o indivíduo torna-se irrequieto. A segunda fase, de confusão ou do leão, é a que constitui periculosidade, tornando-se o ébrio insolente e agressivo, empregando desconexa linguagem de baixo calão, falando insultuosamente de imaginárias infidelidades e prevaricações da esposa e recriminações e ofensas morais a terceiros. Já a terceira, do sono ou comatosa, é completa e o paciente não se mantém em pé. Constitui perigo apenas para o ébrio, que, caído, inconsciente, mergulhado em sono profundo, incapaz de delinquir. É devida à intoxicação simples e não há dificuldade para o seu reconhecimento. Embriaguez patológica De grande importância médico-legal porque se manifesta nos descendentes de alcoólatras, nos predispostos e tarados e em personalidades psicopatas, desencadeando acessos furiosos e atos de extrema violência, mesmo sob ingestão de pequenas doses de álcool. Trata-se de uma forma especial de intoxicação alcoólica aguda, geradora de transtornos psíquicos manifestados por formas que vão desde a excitação eufórica até o estupor e o coma alcoólico. A embriaguez patológica compreende quatro tipos: Embriaguez agressiva e violenta — o ébrio torna-se agressivo e violento, podendo mesmo cometer homicídios, Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 11 de 50 “consumados com tal segurança que sugerem premeditação”; Embriaguez excitomotora — o alcoólatra, inquieto, é acometido de raiva destrutiva seguida de amnésia lacunar; Embriaguez convulsiva — impulsos destruidores seguidos de crises epileptiformes; Embriaguez delirante — delírios com ideias de autoacusação e de autodestruição, sobrevindo tendência ao suicídio. Esses quatro tipos de embriaguez patológica são considerados reações individuais idiossincrásicas ao álcool etílico, independentes de consumo excessivo do mesmo e sem sinais neurológicos manifestos de intoxicação. Esses indivíduos são extremamente perigosos, pois são neles comuns os impulsos em que agridem, produzindo toda sorte de lesões corporais, e matam, agindo inopinadamente com terrível violência. A embriaguez quanto à origem: embriaguez acidental, pode advir de caso fortuito ou força maior. Assim, quando ela será acidental proveniente de caso fortuito e quando é de força maior? Caso fortuito: Quando o agente desconhece o efeito inebriante da substância que ingere. Força maior: Quando ele é obrigado a ingerir a substância. Exemplo de Damásio: Alguém cai no tonel de pinga, sai dali e mata o segurança. Exemplo da jurisprudência: Uma mulher foi seqüestrada e Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 12 de 50 drogada no cativeiro. Ela conseguiu fugir naquele estado. Esse é um exemplo mais factível. A embriaguez acidental, seja por razão de caso fortuito, seja por razão de força maior, ela pode ser completa ou incompleta: Completa : Quando exclui capacidade de entendimento e autodeterminação no momento da conduta. Incompleta: Quando diminui capacidade de entendimento e autodeterminação. Embriaguez não-acidental: Pode ser voluntária ou culposa, vejamos: Voluntária: Será voluntária quando o agente quer se embriagar. Eu falei que ele quer se embriagar. Eu não falei que ele quer se embriagar para praticar crime. Ele simplesmentedecidiu ‘tomar todas’. Culposa: Não queria se embriagar, mas aconteceu. A embriaguez não-acidental, seja voluntária, seja culposa, também pode ser completa ou incompleta. Embriaguez doentia: É a embriaguez patológica, iniciamos falando sobre ela. É equiparada a uma doença mental. Também pode ser completa e se completa, será equiparada ao art. 26, caput, e se incompleta, será equiparada ao art. 26, § único. Embriaguez preordenada: A embriaguês é meio para a prática do crime. Também pode ser completa ou incompleta. O que diz o art. 28, § 1º, do CP? Só exclui a imputabilidade a embriaguez acidental completa. E se for incompleta, somente reduz a Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 13 de 50 pena. Só isenta de pena a embriaguez acidental proveniente de caso fortuito ou força maior completa. Somente essa! A acidental incompleta não isenta de pena. Diminui pena. A embriaguez não acidental não isenta de pena jamais, seja completa, seja incompleta. Não exclui a culpabilidade. A patológica só exclui a imputabilidade se completa, caso em que é comparada ao art. 26, caput. Se incompleta, não exclui. A preordenada não exclui a imputabilidade, não importa se completa ou incompleta. 2.3 Toxicomanias Pessoal, primeiramente, o tóxico é “qualquer substância de origem animal, vegetal ou mineral que, introduzida em quantidade suficiente num organismo vivo, produz efeitos maléficos, podendo ocasionar a morte”. Toxicomania, segundo o Comitê dos Peritos da Organização Mundial de Saúde (OMS), “é um estado de intoxicação crônica ou periódica, prejudicial ao indivíduo e nociva à sociedade, pelo consumo repetido de determinada droga, seja ela natural ou sintética”. Segundo a doutrina, têm como características: invencível desejo ou necessidade (obrigação) de continuar a consumir a droga ou de procurá-la por todos os meios; tendência a aumentar a dose; Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 14 de 50 dependência de ordem psíquica (psicológica) e física em face dos efeitos da droga. Dependência a uma droga é o condicionamento do indivíduo a ela. Quando o dependente escravizado à droga, por qualquer motivo, sofre supressão da substância tóxica, desencadeia-se nele a síndrome ou reação de abstinência. Esta, desatada pela supressão brusca da droga tóxica leva o usuário a tomar nova dose, cada vez mais frequentemente e em maior quantidade, instalando a total e irremediável dependência da qual sairá submetendo-se a rigoroso tratamento médico especializado, sem, contudo, propiciar que as consequências orgânicas já estabelecidas regridam. Meus caros, as toxicomanias têm início iatrogênico, por prescrição médica de medicamentos tranquilizantes e de estupefacientes (ou de anorexígenos) objetivando, respectivamente, efeito tranquilizador ou analgésico, in casus, na vigência de neuroses ou de psicopatias, ou de moléstia consuntiva com sintomatologia intensamente dolorosa. Devido a isso é que aos médicos se obriga estarem atentos ao receitar entorpecentes ou psicotrópicos, para alívio de dor ou de tensões emocionais, notadamente aos portadores de personalidade psicopata inferior, só o fazendo em última instância, quando outros medicamentos não preencham a mesma finalidade, para evitar que seus pacientes se tornem dependentes. O morfinômano é todo aquele que se entrega ao uso habitual e reiterado da morfina. A morfina é um alcaloide fenantrênico, isolado do Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 15 de 50 ópio. Dessa forma, dependendo da dose, exerce a morfina ação narcótica, no homem, manifestada por analgesia, sonolência eufórica, incapacidade de concentração, raciocínio dificultoso, apatia, abulia, diminuição sensível dos movimentos respiratórios por influência direta sobre o centro bulbar, miose bilateral característica e sonhos eróticos, por muitas horas. À exceção dos vasos sanguíneos, a morfina produz notável contração da musculatura lisa e do musculus uterinus, sem, contudo, interferir na dinâmica do parto. Tanto o vício quanto a tolerância ocorrem, por mecanismo desconhecido, com a morfina, depois de cerca de duas semanas de uso contínuo da mesma dose do alcaloide; desse modo, os efeitos deprimentes desse narcótico sobre o sistema nervoso central só tornam a manifestar-se se a dose for aumentada. Já a heroína é a diacetilmorfina, droga intensamente tóxica derivada sinteticamente da morfina. A heroína leva o indivíduo ao hábito, ou seja, à sujeição psíquica e emotiva à droga, mais facilmente do que a morfina. Empregada usualmente por via hipodérmica, produz maior euforia e excitação, com doses menores do que as daquele alcaloide. Demais, embora tenha ação narcótica mais intensa que a da morfina, produz, também, maior excitação do sistema nervoso central. O heroinômano, em geral, é astuto, vil, cacambeador, amoral e perigoso, pois a degenerescência psíquica e o alto custo do narcótico levam-no a cometer de cambulhada toda sorte de diatribes antisociais e até crimes, no afã de obter dinheiro para comprar a dose diária da droga. Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 16 de 50 Quanto à cocaína ou metil-benzoil-ecgonina é um poderoso estimulante do sistema nervoso central obtido das folhas da Erythroxylon coca. Seu efeito estimulante sobre a cortiça cerebral desencadeia, no homem, ausência de fadiga, carecimento de fome, aceleração do pulso, respiração rápida, insônia, aumento da atividade motora, sentimentos físicos e mentais estereotipados, loquacidade, excitação eufórica com conservação da inteligência e da consciência, e, amiúde, alucinações auditivas, visuais e táteis. Há indícios de que a ideação e a atenção aumentam. Duas são as vias pelas quais o cocainômano introduz a droga no organismo: hipodérmica subcutânea e aspiração nasal do pó de cocaína chamado “neve”. A aplicação subcutânea repetida de cocaína produz vasoconstrição da pele, com prejuízo da nutrição dos tecidos, à qual sobreajuntam-se infecções, por falta de assepsia e pelo malfadado hábito que têm os viciados em narcóticos de utilizar, entre si, uma mesma seringa e agulhas mal esterilizadas. No canabismo, também chamado maconhismo, ou diambismo, é o conjunto de fenômenos patológicos consequentes ao uso abusivo da Cannabis sativa L (outrora Cannabis indica) ou maconha. A Cannabis sativa L é também chamada haxixe, charas, bagulho, coisa, erva, fumo de Angola, ópio-de-pobre, rosa maria, dólar e parango, no jargão dos toxicofílicos. Comercialmente, entre os traficantes, um dólar é igual a um parango; um parango equivale a quatro porções de maconha. Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 17 de 50 Psicotrópicos São substâncias químicas, sintéticas ou naturais, que agem sobrea atividade mental, determinando excitação, depressão ou uma reação no psiquismo. Psicolépticos: são sedativos psíquicos que inibem a motricidade, a sensibilidade, as emoções e o raciocínio. Compreendem: Hipnóticos, hipnossedativos ou noolépticos: são medicamentos indutores do sono representados pelos hipnóticos barbitúricos e pelos hipnóticos não barbitúricos; Neurolépticos ou timolépticos: medicamentos antipsicóticos que criam um estado de indiferença mental, ou seja, inibidor sobre os processos intelectuais e psicomotores. Por isso, são indicados nos estados de agitação e nas psicoses agudas ou crônicas, nos delírios e na confusão mental. Compreendem a clopormazina, a flufenazina, a reserpina, o haloperidol, o maleato de levomepromazina. Podem provocar hipotensão, bradicardia, sonolência, apatia, hipercinesia do tipo extrapiramidal e galactorreia. Tranquilizantes ou ataráxicos: são miorrelaxantes musculares, anticonvulsivantes, hipnógenos e ansiolíticos, como o Lorazepam, o Diazepam, o Meprobamato etc., indicados nos distúrbios psiconeuróticos, inclusive ansie Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 18 de 50 dade e reações depressivas, obsessivo-compulsivas, fóbicas ou mistas. Podem desenvolver: hábito e dependência, nos predispostos; danos fetais, quando administrados às gestantes; síndrome de abstinência, após a interrupção abrupta da droga; discrasias sanguíneas e elevação das enzimas hepáticas. Psicanalépticos: são estimulantes do sistema nervoso central: Nooanalépticos, psicotônicos ou psicoestimulantes Timoanalépticos ou antidepressivos Psicodislépticos, psicotóxicos, psicodélicos, psicomiméticos, alucinógenos: são drogas que provocam alterações no psiquismo, criando distorções apreciáveis, dissolvendo os limitadores do ego, sem alterar significativamente a consciência. Panpsicotrópicos: compreendem os anticonvulsivantes hidantoinatos (feniletilmalonilureia, fenitoína, carbomazepina), que podem induzir tolerância e dependência física e psíquica com o uso continuado, e a Sulpirida, indicada na neurose de angústia e reativa, estados depressivos, estados delirantes, alucinatórios, confusionais. Professor, quanto nome estranho! Pois é, mas isso já foi abordado em prova e temos que estudar. Vejamos: Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 19 de 50 "(FUNCAB - 2012 - PC-RJ - Delegado de Polícia) Depoimento de uma mulher usuária de drogas em reabilitação: “... porque para mim a era uma pessoa e as pessoas eram coisas, de que eu precisava para me encontrar com a .” A palavra droga substituiu a palavra originalmente utilizada pela mulher que fazia referência a uma substância específica. Esse pensamento retrata claramente o comportamento de adicção. Essa manifestação de desejo de consumo associado ao efeito residual da droga tem potencializado atos de extrema violência. Contudo, o comportamento agressivo está, na imensa maioria das vezes, associado ao uso de estimulantes do sistema nervoso, em geral, e um depressor. Esses estimulantes e o depressor seriam, respectivamente: A) solventes inalantes, ecstasy e cocaína. B) solventes inalantes, crack e ecstasy. C) ecstasy, álcool e crack. D) cocaína, crack e álcool. E) cocaína, solventes inalantes e álcool." Gabarito: D. Fiz um quadro para vocês gravarem: d Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 20 de 50 As substâncias que atuam no psiquismo são chamadas de psicoativas ou psicotrópicas. Podem ser classificadas em: Classificação Ação Exemplos/mnemôni cos Psicolépticas Ação depressora Podem ser incluídos nesse grupo (B.O.B.A): álcool etílico (atua como excitante em doses baixas); barbitúricos; opiáceos (substâncias derivadas do ópio); benzidiazepínicos (ansiolíticos). Psicoanalépticas Estimulant e As substâncias mais conhecidas são (CRA.CO.CA.NI.AN.E): crack; anfetaminas; cocaína; nicotina; cafeína; ecstasy. Psicodislépticas Ação As substâncias mais conhecidas são 8 Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 21 de 50 perturbado ra (alucinóge nos) (M.A.L): maconha; lsd; ayahuasca (Chá do Santo Daime). Perícia toxicológica Um dos objetivos da perícia, nessa área, é essencialmente distinguir o dependente do traficante. O laudo de constatação pode ser realizado por um só perito; não é perícia, mas simples informação que antecipa o resultado do laudo definitivo. É, portanto, provisório e não possui eficácia para a comprovação da materialidade do delito, cingindo- se a sua função a dar lastro à lavratura do auto de prisão em flagrante e para o oferecimento da denúncia. A Lei n. 11.343/2006, no art. 50, § 1.º, admite a realização do exame de dependência ao tóxico por pessoa idônea, na falta do perito oficial, não constituindo o fato nulidade a ser decretada. E conforme o § 2.º do art. 50 desta Lei, o perito que participou do laudo de constatação não fica impedido de participar da feitura do laudo toxicológico propriamente dito. O laudo toxicológico propriamente dito, elaborado por perito, é o exame químico que estabelece o diagnóstico da investigação 5 Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 22 de 50 tóxica da substância, prova da materialidade do delito e indispensável ao julgamento, sendo nula a sentença condenatória proferida sem a presença de tal peça nos autos. O procedimento criado pela Lei n. 11.343/2006 determina que será o laudo toxicológico encaminhado ao processo até a data da audiência de instrução e julgamento, donde a certeza de que a supradita peça é necessária para o probus judicare do réu e dispensável para sua prisão em flagrante, desde que haja elementos outros que demonstrem tratar-se de tóxico a substância encontrada em seu poder. Perícia nos envenenamentos e nas intoxicações O material de vômitos, a urina e as amostras colhidas de sangue devem ser guardadas em refrigerador. Esse conjunto de materiais fornece a dosagem das drogas nos diversos momentos da evolução clinica, livre de artifícios decorrentes de alterações post mortem ou de contaminação das amostras por vício de coleta. Deve-se procurar algum frasco de veneno ou medicamento encontrado no mesmo ambiente do cadáver. A ausência desse indício pode sugerir não se tratar de suicídio nem de acidente, mas de homicídio. Necrópsia d Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 23 de 50 O exame externo pode fornecer alguns dados importantes, a começar pelos fenômenos cadavéricos. Os livores hipostáticos podem identificar, por exemplo, tratar-sede provável envenenamento por monóxico de carbono se a cor for vermelho-carmim. Os agentes oxidantes como nitratos, cloratos, sulfonas, deixam os livores com coloração de tonalidade parda, mais escura nos pontos de maior intensidade. A estricnina causa antecipação da rigidez muscular, o mesmo ocorrendo com os tóxicos que matam por asfixia. A pele ao redor da boca e as mucosas labial e bucal apresentam lesões escorridas, em se tratando de cáusticos, tanto pelo próprio contato no momento da ingestão, como por ocasião de vômitos. A queda de pelos, principalmente, no couro cabeludo é outro indício de ação prolongada de alguns tóxicos, como o tálio. Algumas drogas hepatotóxicas causam icterícia se a vitima da intoxicação sobreviver alguns dias. Alguns tipos de venenos podem provocar lesões características desde que o individuo sobreviva por tempo suficiente para que as alterações micro e macroscópicas se instalem, é o caso do monóxido de carbono. Quando a vitima fica em coma e só morre alguns dias depois, é possível encontrar focos de hemorragia petequial e focos de necrose no encéfalo. Coleta de material para exame toxicológico b Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 24 de 50 A valorização do resultado dos exames toxicológicos depende: Do momento da coleta - o material deve ser colhido o mais próximo possível do momento da morte; Do local do corpo em que as amostras foram recolhidas - mesmo no vivo, a concentração dos tóxicos varia conforme o local de onde for colhido o sangue. A dosagem de cocaína proveniente do crack é maior no sangue arterial que no venoso. A dosagem de drogas absorvidas por via oral é maior no sangue da veia porta do que na veia femoral. O álcool contido no estomago pode difundir e contaminar o liquido presente no saco pericárdico. Assim, a coleta de sangue derramado para o saco pericárdico pode fazer com que resulte uma dosagem muito maior do que a real. Por isso, alguns autores preferem o das veias periféricas mais calibrosas, como a femoral e a subclávia; Do uso de preservativos e, quantidade correta - No caso de sangue, é imperioso o uso de anticoagulantes, principalmente se a autópsia for feita pouco tempo depois da morte, pois o sangue ainda quente costuma coagular-se Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 25 de 50 até nos recessos da mesa de necropsia. Mesmo que já tenha havido a dissolução do coágulo post mortem, como nos casos de morte rápida autopsiados depois de várias horas, as amostras devem ser tratadas pelos mesmos anticoagulantes, que também atuam como preservativos. O sangue assim colhido deve ser colocado em refrigerador, mas não é preciso que seja congelado. Mas é conveniente colher uma parte em separado, sem preservativos, que deve ser congelada e estocada como reserva. Os segmentos as vísceras devem ser colocados em freezer, de modo a inibir as ações enzimáticas em curso e a deterioração das amostras. O sangue coletado de um cadáver pode refletir a concentração das drogas no momento imediato da morte, ou não. Se ficar estocado por várias horas antes da análise, em temperatura ambiente, pode haver alteração da concentração das substâncias. As células do sangue permanecem vivas por algum tempo depois d morte e são capazes de metabolizar, por exemplo, o álcool, diminuindo sua concentração na amostra. Por outro lado, a putrefação pelas bactérias e fungos produz álcool por fermentação da glicose, principalmente se ficar em temperatura ambiente mais elevada. Assim, é interessante que as amostras de sangue só serão examinadas várias horas depois de serem Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 26 de 50 tratadas por agentes conservantes. Os preservativos devem ser usados também nas amostras de urina, vítreo e bile. Da forma de estocagem e, transporte para o laboratório - o material coletado pode ser estocado em vidro ou plástico, dependendo do material a ser coletado. Ao enviar as amostras de líquidos e tecidos, deve rotular os frascos, esclarecendo o que cada recipiente contém, e novamente lacrar sua tampa. Nos casos de exumação, é aconselhável que seja embalsamado para interromper o processo de decomposição. Certas pesquisas e dosagens são possíveis mesmo em corpos embalsamados, por exemplo, de cocaína. É importante que se colha a terra ao redor do caixão, uma vez que, no período coliquativo, a perda de líquidos do corpo é grande, o que carreia os tóxicos porventura presentes para o solo onde se deu a inumação. Contudo, é forçoso colher amostra de área afastada do sepulcro para evitar a possibilidade de falsos exames positivos por contaminação prévia do terreno. Vamos, agora, fazer algumas questões. Espero vocês na próxima aula! Grande abraço e bons estudos! Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 27 de 50 1) (2016 – Inédita - Estratégia Concursos) Julgue os itens abaixo com base na Toxicologia Forense. Os psicotrópicos são substâncias químicas, sintéticas ou naturais, que agem sobre a atividade mental. Entre outras classificações temos os psicanalépticos que são estimulantes do sistema nervoso central. 2) (2016 – Inédita - Estratégia Concursos) Julgue os itens abaixo com base na Toxicologia Forense. No crime de vitriolagem surgem as lesões viscerais e cutâneas produzidas por venenos. 3) (2016 – Inédita - Estratégia Concursos) Julgue os itens abaixo com base na Toxicologia Forense. Os venenos são substâncias que, quando introduzida no organismo em quantidades relativamente pequenas e agindo quimicamente, é capaz de produzir lesões graves à saúde. Eles podem ser classificados, quanto à origem, em: animal, vegetal, mineral e sintético. ==d85db== Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 28 de 50 4) (2016 – Inédita - Estratégia Concursos) Julgue os itens abaixo com base na Toxicologia Forense. O morfinômano é todo aquele que se entrega ao uso habitual e reiterado de cocaína. 5) (2016 – Inédita - Estratégia Concursos) Julgue os itens abaixo com base na Toxicologia Forense. A cannabis sativa L é também chamada haxixe, charas e bagulho, e é classificada como psicodislépticos. 6) (FUNCAB - 2012 - PC-RO - Médico Legista) Ao estudar as energias de ordem química, deve-se conhecer a ação dos cáusticos e venenos. Assinale a alternativa correta. A) A ação dos cáusticos é principalmente interna, com alterações da coagulação sanguínea. B) Os cáusticos, assim como os venenos, podem ser classificados quanto ao seu estado físico em líquidos, sólidos e gasosos, podendo agir internamente e externamente. C) As lesões descritas como vitriolagem são causadas por envenenamento crônico. D) São fases do percurso do veneno no organismo: penetração, absorção, distribuição, fixação, transformação, eliminação. E) São formas de se classificar os cáusticos: estado físico, origem,funções químicas e quanto ao uso. Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 29 de 50 7) (FUNCAB - 2013 - PC-ES - Médico legista) Em relação aos envenenamentos, assinale a alternativa INCORRETA. A) Na morte por injeção de cloreto de potássio na veia, o diagnóstico exclusivo por exame de autopsia é praticamente impossível. B) A presença de livores róseos, sangue de cor vermelho-vivo, trombose dos vasos cerebrais e dos pulmões, pneumonia e amolecimento cerebral apontam para intoxicação por óxido de carbono. C) O cianeto é um gás com odor de amêndoas amargas, que inibe as enzimas que atuam na cadeia respiratória mitocondrial e produz livores róseos. D) No saturnismo, o indivíduo pode apresentar um transtorno psicótico capaz de ensejar a prática de crimes violentos. E) A intoxicação crônica pelo gás arsênico produz o fenômeno conhecido como mitridatismo. 8) (COPESE - UFT - 2012 - DPE-TO - Analista Jurídico - de Defensoria Pública) Nos termos do Código Penal, é isento de pena o agente que pratica o fato: A) Pela emoção ou pela paixão. B) Pela embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool. Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 30 de 50 C) Pela embriaguez, voluntária ou culposa, por substâncias de efeitos análogos ao do álcool. D) Pelo estado de embriaguez completa do agente, proveniente de caso fortuito ou força maior ao tempo da ação ou da omissão, que o torne inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. 9) (FCC - 2012 - TRF - 5ª REGIÃO - Analista Judiciário - Execução de Mandados) Em matéria penal, a embriaguez incompleta, resultante de caso fortuito ou de força maior, A) não suprime a imputabilidade penal, mas diminui a capacidade de entendimento gerando uma causa geral de diminuição de pena. B) não exclui, nem diminui, a imputabilidade penal, não operando qualquer efeito na aplicação da pena. C) é hipótese de elisão da imputabilidade penal porque afeta a capacidade de compreensão, tornando o agente isento de pena. D) não exclui, nem diminui, a imputabilidade penal, servindo como circunstância agravante. E) embora não suprima a imputabilidade penal, é censurável, e serve como circunstância agravante. 10) (UFPR - 2012 - TJ-PR - Juiz) A embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeito análogo: Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 31 de 50 A) isenta o réu de pena, mas pode ser recepcionada como crime independente punido com pena de detenção. B) é sempre considerada atenuante na prática de qualquer delito. C) não exclui a imputabilidade penal. D) só tem relevância penal quando a embriaguez atinge percentual perceptível por exame de bafômetro. 11) (UFPR - 2007 - PC-PR - Delegado de Polícia) Sobre a imputabilidade penal, considere a seguinte afirmativa: Não excluem a imputabilidade penal a emoção ou a paixão, a embriaguez voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos análogos 12) (PC-MG - 2008 - PC-MG - Delegado de Polícia) Quanto à imputabilidade penal, assinale a afirmativa CORRETA. A) A embriaguez preordenada só agravará a pena quando completa, revelando maior censurabilidade da conduta já que o agente coloca o estado de embriaguez como primeiro momento da execução do crime. B) A emoção e a paixão, mesmo quando causarem completa privação dos sentidos e da inteligência, não excluem a culpabilidade, exceto se forem estados emocionais patológicos. C) Em todos os casos de inimputabilidade, se aplica a medida de segurança de internação, podendo, entretanto, ser apenas Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 32 de 50 reduzida a pena ou aplicada medida de segurança de tratamento ambulatorial aos casos de semi-imputabilidade. D) O critério normativo é exceção no sistema brasileiro que, em regra, trabalha com o critério biológico para aferição da imputabilidade penal. 13) (CESPE - 2010 - OAB - Exame de Ordem Unificado - I) Em relação à imputabilidade penal, assinale a opção correta. A) Quanto à aferição da inimputabilidade, o CP adota, como regra, o critério psicológico, segundo o qual importa saber se o agente, no momento da ação ou da omissão delituosa, tem ou não condições de avaliar o caráter criminoso do fato e de orientar-se de acordo com esse entendimento. B) A pena poderá ser reduzida se o agente, em virtude de perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado, não for inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. C) A pena imposta ao semi-imputável não pode ser substituída por medida de segurança. D) A embriaguez não acidental, seja voluntária ou culposa, completa ou incompleta, exclui a imputabilidade do agente que, ao tempo da ação ou omissão delituosa, for inteiramente incapaz Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 33 de 50 de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. 14) (CESPE - 2009 - PC-RN - Agente de Polícia) A imputabilidade penal pode ser excluída pela embriaguez A) proposital. B) pré-ordenada. C) voluntária. D) culposa. E) por caso fortuito. 15) (FUNCAB - PC - RO - 2011) Ao estudar as energias de ordem química, deve-se conhecer a ação dos cáusticos e venenos.Assinale a alternativa correta. A) A ação dos cáusticos é principalmente interna, com alterações da coagulação sanguínea. B) Os cáusticos, assim como os venenos, podem ser classificados quanto ao seu estado físico em líquidos, sólidos e gasosos, podendo agir internamente e externamente. C) São fases do percurso do veneno no organismo: penetração, absorção, distribuição, fixação, transformação, eliminação. D) As lesões descritas como vitriolagem são causadas por envenenamento crônico. Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 34 de 50 Questões Comentadas 1) (2016 – Inédita - Estratégia Concursos) Julgue os itens abaixo com base na Toxicologia Forense. Os psicotrópicos são substâncias químicas, sintéticas ou naturais, que agem sobre a atividade mental. Entre outras classificações temos os psicanalépticos que são estimulantes do sistema nervoso central. Comentários: Isso mesmo! Os psicanalépticos são estimulantes do sistema nervoso central: Nooanalépticos, psicotônicos ou psicoestimulantes Timoanalépticos ou antidepressivos Gabarito: C. 2) (2016 – Inédita - Estratégia Concursos) Julgue os itens abaixo com base na Toxicologia Forense. No crime de vitriolagem surgem as lesões viscerais e cutâneas produzidas por venenos. Comentários: Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. AlexandreHerculano www.estrategiaconcursos.com.br 35 de 50 Na vitriolagem surgem as lesões viscerais e cutâneas produzidas por substâncias cáusticas (de Kaustikos, o que queima). A causa jurídica da vitriolagem pode ser criminosa, suicida ou acidental. Gabarito: E. 3) (2016 – Inédita - Estratégia Concursos) Julgue os itens abaixo com base na Toxicologia Forense. Os venenos são substâncias que, quando introduzida no organismo em quantidades relativamente pequenas e agindo quimicamente, é capaz de produzir lesões graves à saúde. Eles podem ser classificados, quanto à origem, em: animal, vegetal, mineral e sintético. Comentários: Os venenos são substâncias que, quando introduzida no organismo em quantidades relativamente pequenas e agindo quimicamente, é capaz de produzir lesões graves à saúde, no caso do indivíduo comum e no gozo de relativa saúde. Podemos classificá-los em: quanto ao estado físico: líquidos, sólidos e gasosos; quanto à origem; animal, vegetal, mineral e sintético; quanto as funções químicas: óxidos, ácidos, bases e sais; quanto ao uso: doméstico, agrícola, industrial, medicinal, cosmético,etc. Gabarito: C. Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 36 de 50 4) (2016 – Inédita - Estratégia Concursos) Julgue os itens abaixo com base na Toxicologia Forense. O morfinômano é todo aquele que se entrega ao uso habitual e reiterado de cocaína. Comentários: O morfinômano é todo aquele que se entrega ao uso habitual e reiterado da morfina. A morfina é um alcaloide fenantrênico, isolado do ópio. Dessa forma, dependendo da dose, exerce a morfina ação narcótica, no homem, manifestada por analgesia, sonolência eufórica, incapacidade de concentração, raciocínio dificultoso, apatia, abulia, diminuição sensível dos movimentos respiratórios por influência direta sobre o centro bulbar, miose bilateral característica e sonhos eróticos, por muitas horas. Gabarito: E. 5) (2016 – Inédita - Estratégia Concursos) Julgue os itens abaixo com base na Toxicologia Forense. A cannabis sativa L é também chamada haxixe, charas e bagulho, e é classificada como psicodislépticos. Comentários: A Cannabis sativa L é também chamada haxixe, charas, bagulho, coisa, erva, fumo de Angola, ópio-de-pobre, rosa maria, dólar e parango, no Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 37 de 50 jargão dos toxicofílicos. Comercialmente, entre os traficantes, um dólar é igual a um parango; um parango equivale a quatro porções de maconha. Psicolépticos Depressoras (Exemplo: Álcool) Psicoanalépticos Estimulantes (Exemplo: Cocaína, Crack, Ectasy e Anfetamina). Psicodislépticos Alucinógenas (Exemplo: Maconha, Skunk, LSD). Gabarito: C. 6) (FUNCAB - 2012 - PC-RO - Médico Legista) Ao estudar as energias de ordem química, deve-se conhecer a ação dos cáusticos e venenos. Assinale a alternativa correta. A) A ação dos cáusticos é principalmente interna, com alterações da coagulação sanguínea. B) Os cáusticos, assim como os venenos, podem ser classificados quanto ao seu estado físico em líquidos, sólidos e gasosos, podendo agir internamente e externamente. C) As lesões descritas como vitriolagem são causadas por envenenamento crônico. D) São fases do percurso do veneno no organismo: penetração, absorção, distribuição, fixação, transformação, eliminação. Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 38 de 50 E) São formas de se classificar os cáusticos: estado físico, origem, funções químicas e quanto ao uso. Comentários: Diferenciação básica: Cáusticos Venenos Atuam externamente Atuam internamente Lesões tegumentares Ágricolas, industriais, etc. Efeitos coagulantes ou liquefacientes Podem ser ingeridos por diversas vias Vitriolagem Função orgânica ou não orgânica Líquidos, sólidos ou gasosos. Penetração, absorção, distribuição, fixação, transformação, eliminação, mitridatização, toxicidade, intolerância, sinergismo e equivalente tóxico Gabarito: D. 7) (FUNCAB - 2013 - PC-ES - Médico legista) Em relação aos envenenamentos, assinale a alternativa INCORRETA. A) Na morte por injeção de cloreto de potássio na veia, o diagnóstico exclusivo por exame de autopsia é praticamente impossível. Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 39 de 50 B) A presença de livores róseos, sangue de cor vermelho-vivo, trombose dos vasos cerebrais e dos pulmões, pneumonia e amolecimento cerebral apontam para intoxicação por óxido de carbono. C) O cianeto é um gás com odor de amêndoas amargas, que inibe as enzimas que atuam na cadeia respiratória mitocondrial e produz livores róseos. D) No saturnismo, o indivíduo pode apresentar um transtorno psicótico capaz de ensejar a prática de crimes violentos. E) A intoxicação crônica pelo gás arsênico produz o fenômeno conhecido como mitridatismo. Comentários: Pessoal vou falar mais sobre isso na aula 6! A intoxicação aguda por ingestão de arsênico ou seus derivados provoca a inflamação e formação de úlceras na boca e no tubo digestivo, provocando por vezes hemorragias significativas e uma série de problemas hepáticos, renais, cardíacos e encefálicos que evoluem rapidamente. E o Midridatismo, não tem nada a ver, é um efeito de tolerância do organismo contra o agente, após sucessivas ingestões. Gabarito: E. 8) (COPESE - UFT - 2012 - DPE-TO - Analista Jurídico - de Defensoria Pública) Nos termos do Código Penal, é isento de pena o agente que pratica o fato: Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 40 de 50 A) Pela emoção ou pela paixão. B) Pela embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool. C) Pela embriaguez, voluntária ou culposa, por substâncias de efeitos análogos ao do álcool. D) Pelo estado de embriaguez completa do agente, proveniente de caso fortuito ou força maior ao tempo da ação ou da omissão, que o torne inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. Comentários: Embriaguez quanto à ORIGEM: embriaguez acidental: Pode advir de caso fortuito ou força maior. Assim, quando ela será acidental proveniente de caso fortuito e quando é de força maior? Caso fortuito: Quando o agente desconhece o efeito inebriante da substância que ingere. Força maior: Quando ele é obrigado a ingerir a substância. Exemplo de Damásio: Alguém cai no tonel de pinga, sai dali e mata o segurança. Exemplo da jurisprudência: Uma mulher foi seqüestrada e drogada no cativeiro. Ela conseguiu fugir naquele estado. Esse é um exemplo mais factível. A embriaguez acidental, seja por razão de caso fortuito, seja por razão de força maior, ela pode ser completa ou incompleta: Completa : Quando exclui capacidade de entendimento e autodeterminação no momento da conduta. Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculanoʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 41 de 50 Incompleta: Quando diminui capacidade de entendimento e autodeterminação. Embriaguez não-acidental: Pode ser voluntária ou culposa. Voluntária: Será voluntária quando o agente quer se embriagar. Eu falei que ele quer se embriagar. Eu não falei que ele quer se embriagar para praticar crime. Ele simplesmente decidiu ‘tomar todas’. Culposa: Não queria se embriagar, mas aconteceu. A embriaguez não-acidental, seja voluntária, seja culposa, também pode ser completa ou incompleta. Embriaguez doentia: É a embriaguez patológica. É equiparada a uma doença mental. Também pode ser completa e se completa, será equiparada ao art. 26, caput, e se incompleta, será equiparada ao art. 26, § único. Embriaguez preordenada: A embriaguês é meio para a prática do crime. Também pode ser completa ou incompleta. Logo, para respondermos a nossa pergunta, o que diz o art. 28, § 1º, do CP? Só exclui a imputabilidade a embriaguez acidental completa. E se for incompleta, somente reduz a pena. Só isenta de pena a embriaguez acidental proveniente de caso fortuito ou força maior completa. Somente essa! A acidental incompleta não isenta de pena. Diminui pena. A embriaguez não acidental não isenta de pena jamais, seja completa, seja incompleta. Não exclui a culpabilidade. A patológica só exclui a imputabilidade se completa, caso em que é comparada ao art. Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 42 de 50 26, caput. Se incompleta, não exclui. A preordenada não exclui a imputabilidade, não importa se completa ou incompleta. Gabarito: D. 9) (FCC - 2012 - TRF - 5ª REGIÃO - Analista Judiciário - Execução de Mandados) Em matéria penal, a embriaguez incompleta, resultante de caso fortuito ou de força maior, A) não suprime a imputabilidade penal, mas diminui a capacidade de entendimento gerando uma causa geral de diminuição de pena. B) não exclui, nem diminui, a imputabilidade penal, não operando qualquer efeito na aplicação da pena. C) é hipótese de elisão da imputabilidade penal porque afeta a capacidade de compreensão, tornando o agente isento de pena. D) não exclui, nem diminui, a imputabilidade penal, servindo como circunstância agravante. E) embora não suprima a imputabilidade penal, é censurável, e serve como circunstância agravante. Comentários: Agora ficou tranquilo: "II – a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos análogos. § 1º – É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou força maior, era, ao tempo da ação Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 43 de 50 ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. § 2º – A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, por embriaguez, proveniente de caso fortuito ou força maior, não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento." Gabarito: A. 10) (UFPR - 2012 - TJ-PR - Juiz) A embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeito análogo: A) isenta o réu de pena, mas pode ser recepcionada como crime independente punido com pena de detenção. B) é sempre considerada atenuante na prática de qualquer delito. C) não exclui a imputabilidade penal. D) só tem relevância penal quando a embriaguez atinge percentual perceptível por exame de bafômetro. Comentários: Essa, também, ficou tranquila depois das explicações acima. Só exclui a imputabilidade a embriaguez acidental completa. E se for incompleta, somente reduz a pena. Só isenta de pena a embriaguez acidental proveniente de caso fortuito ou força maior completa. Somente essa! A acidental incompleta não isenta de pena. Diminui pena. A embriaguez não Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 44 de 50 acidental não isenta de pena jamais, seja completa, seja incompleta. Não exclui a culpabilidade. A patológica só exclui a imputabilidade se completa, caso em que é comparada ao art. 26, caput. Se incompleta, não exclui. A preordenada não exclui a imputabilidade, não importa se completa ou incompleta. Gabarito: C. 11) (UFPR - 2007 - PC-PR - Delegado de Polícia) Sobre a imputabilidade penal, considere a seguinte afirmativa: Não excluem a imputabilidade penal a emoção ou a paixão, a embriaguez voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos análogos. Comentários: Vejamos: O item está correto, a imputabilidade é a capacidade de entender o caráter ilícito do fato e de determinar-se de acordo com este entendimento. O agente deve ter condições físicas psicológicas, morais e mentais de saber que está realizando um ilícito penal. Logo, diz o "Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal: I - a emoção ou a paixão; Embriaguez II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos análogos." Gabarito: C. 12) (PC-MG - 2008 - PC-MG - Delegado de Polícia) Quanto à imputabilidade penal, assinale a afirmativa CORRETA. Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 45 de 50 A) A embriaguez preordenada só agravará a pena quando completa, revelando maior censurabilidade da conduta já que o agente coloca o estado de embriaguez como primeiro momento da execução do crime. B) A emoção e a paixão, mesmo quando causarem completa privação dos sentidos e da inteligência, não excluem a culpabilidade, exceto se forem estados emocionais patológicos. C) Em todos os casos de inimputabilidade, se aplica a medida de segurança de internação, podendo, entretanto, ser apenas reduzida a pena ou aplicada medida de segurança de tratamento ambulatorial aos casos de semi-imputabilidade. D) O critério normativo é exceção no sistema brasileiro que, em regra, trabalha com o critério biológico para aferição da imputabilidade penal. Comentários: Viram como as questões repetem-se, logo, ficou fácil a resolução pelas explicações acima. A patológica só exclui a imputabilidade se completa, caso em que é comparada ao art. 26, caput. Se incompleta, não exclui. Gabarito: B. 13) (CESPE - 2010 - OAB - Exame de Ordem Unificado - I) Em relação à imputabilidade penal, assinale a opção correta. A) Quanto à aferição da inimputabilidade, o CP adota, como regra, o critério psicológico, segundo o qual importa saber se o agente, no momento da ação ou da omissão delituosa, tem ou não condições de Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 46 de 50 avaliar o caráter criminoso do fato e de orientar-se de acordo com esse entendimento. B) A pena poderá ser reduzida se o agente, em virtude de perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mentalincompleto ou retardado, não for inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. C) A pena imposta ao semi-imputável não pode ser substituída por medida de segurança. D) A embriaguez não acidental, seja voluntária ou culposa, completa ou incompleta, exclui a imputabilidade do agente que, ao tempo da ação ou omissão delituosa, for inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. Comentários: Nos termos do artigo 26 do Código Penal, senão vejamos: "É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. Parágrafo único - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, em virtude de perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado não era inteiramente capaz de entender o caráter Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 47 de 50 ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento." Gabarito: B. 14) (CESPE - 2009 - PC-RN - Agente de Polícia) A imputabilidade penal pode ser excluída pela embriaguez A) proposital. B) pré-ordenada. C) voluntária. D) culposa. E) por caso fortuito. Comentários: Vejamos um pequeno resumo quanto a embriaguez: proposital, quando o agente quer se embriagar, porém sem dolo de praticar algum ilícito. Pré-ordenada, quando o agente se embriaga justamente para tomar coragem na pratica de algum ilícito. Voluntária, será voluntária quando o agente quer se embriagar, ou seja, igual a proposital. Culposa, O agente não quer embriagar-se, agindo imprudentemente, ingere doses excessivas e acaba embriagando-se. Gabaritos: E. Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 48 de 50 15) (FUNCAB - PC - RO - 2011) Ao estudar as energias de ordem química, deve-se conhecer a ação dos cáusticos e venenos.Assinale a alternativa correta. A) A ação dos cáusticos é principalmente interna, com alterações da coagulação sanguínea. B) Os cáusticos, assim como os venenos, podem ser classificados quanto ao seu estado físico em líquidos, sólidos e gasosos, podendo agir internamente e externamente. C) São fases do percurso do veneno no organismo: penetração, absorção, distribuição, fixação, transformação, eliminação. D) As lesões descritas como vitriolagem são causadas por envenenamento crônico. Comentários: Questão bem parecida com a do início. Vejamos novamente a diferenciação básica: Cáusticos Venenos Atuam externamente Atuam internamente Lesões tegumentares Ágricolas, industriais, etc. Efeitos coagulantes ou liquefacientes Podem ser ingeridos por diversas vias Vitriolagem Função orgânica ou não orgânica Líquidos, sólidos ou gasosos. Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 49 de 50 Penetração, absorção, distribuição, fixação, transformação, eliminação, mitridatização, toxicidade, intolerância, sinergismo e equivalente tóxico Gabarito: C. Medicina Legal ʹ Delegado ʹ Polícia Civil - PCMA Teoria e Exercícios Prof. Alexandre Herculano ʹ Aula 03 Prof. Alexandre Herculano www.estrategiaconcursos.com.br 50 de 50 1-C 2-E 3-C 4-E 5-C 6-D 7-E 8-D 9-A 10-C 11-C 12-B 13-B 14-E 15-C