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Extrusão Prof.: Dr. André G. S. Galdino • Após esta aula, o aluno deverá ser capaz de: a) Entender o que é o processo de extrusão; b) Compreender a mecânica de extrusão; c) Definir os critérios geométricos para a fabricação de matrizes de extrusão; d) Classificar os vários tipos de processos de extrusão. 1. Objetivos: PF I - Dr. André G. S. Galdino 2 • Para melhor aproveitamento da aula, o aluno precisará dos seguintes conceitos: a) Textura e anisotropia; b) Discordâncias; c) Trabalho a quente, a frio e a morno. 2. Pré-requisitos necessários para a aula: PF I - Dr. André G. S. Galdino 3 3. Conceitos iniciais de extrusão: • A extrusão é um processo de conformação plástica que consiste em fazer passar um tarugo ou lingote (de seção circular), colocado dentro de um recipiente, pela abertura existente no meio de uma ferramenta, colocada na extremidade do recipiente, por meio da ação de compressão de um pistão acionado pneumática ou hidraulicamente. PF I - Dr. André G. S. Galdino 4 PF I - Dr. André G. S. Galdino Figura 1 – Ilustração do processo de extrusão direta. 5 • Os produtos da extrusão são perfis e tubos, e, particularmente, barras da seção circular. • Porém, formas de seção transversal mais irregulares podem ser conseguidas em metais mais facilmente extrudáveis como o alumínio. PF I - Dr. André G. S. Galdino 6 • A passagem do tarugo pela ferramenta, com furo de seção menor do que a do tarugo, provoca a deformação plástica, mas sem efeito de encruamento, pois comumente o processo é conduzido a uma temperatura de trabalho acima da temperatura de recristalização do metal. PF I - Dr. André G. S. Galdino 7 • Normalmente, portanto, o processo de extrusão é um processo de trabalho a quente e visa obter perfis metálicos com propriedades mecânicas controladas e de comprimento limitado pelo volume do lingote inicial. PF I - Dr. André G. S. Galdino 8 • Como a estrutura metálica do produto da extrusão se encontra na condição recristalizada, é possível aplicar ao metal extrudado intensos trabalhos de deformação a frio adicionais como os de trefilação. PF I - Dr. André G. S. Galdino 9 • O lingote inicial é assim denominado por ser proveniente de um processo de fundição. • Contudo, se a peça inicial, matéria-prima para a extrusão, for obtida do processo de laminação de barras de grande seção, é melhor ser designada como barra inicial ou tarugo. PF I - Dr. André G. S. Galdino 10 • A extrusão também produz barras de menor diâmetro para serem trabalhadas pelo processo de trefilação. • Para esse último processo, no entanto, a matéria-prima pode também ser proveniente do processo de laminação. PF I - Dr. André G. S. Galdino 11 • Para os metais não-ferrosos comuns, é usual a utilização do processo de extrusão para a obtenção dos perfis de forma variada, ao invés do processo de laminação, apesar da limitação do comprimento do produto obtido. • A extrusão, nesse caso, permite ainda obter um produto mais homogêneo, estrutural e dimensionalmente, e menos atacado por oxidação superficialmente. PF I - Dr. André G. S. Galdino 12 • A primeira vantagem resulta da manutenção da temperatura de trabalho em níveis mais constantes e a segunda decorre do pequeno contato do tarugo, ou lingote, com o meio ambiente durante o processamento. PF I - Dr. André G. S. Galdino 13 • A extrusão apresenta também algumas desvantagens em relação à laminação, tais como custo maior de aquisição de equipamento, limitação de comprimento do perfil, velocidade de trabalho menor e maior não uniformidade de deformação ao final do processo. PF I - Dr. André G. S. Galdino 14 4. Mecânica da extrusão: • A extrusão é classificada como processo de compressão indireta, pois são as paredes internas da ferramenta que provocam a ação de compressão sobre o tarugo, devido à reação à pressão do pistão. PF I - Dr. André G. S. Galdino 15 • O processo de extrusão, quanto ao tipo de movimento, do material, pode ser classificado em dois tipos: direta e inversa (indireta). • Outros tipos de extrusão são: hidrostática; por impacto; e lateral. PF I - Dr. André G. S. Galdino 16 • Apesar da extrusão inversa exigir menor esforço de deformação e permitir a obtenção de um produto mais homogêneo (não provocando, também, o aparecimento do defeito típico de final do processo, como pode ocorrer na extrusão direta), o primeiro tem uma utilização maior em face da maior simplicidade do equipamento, pois não exige um pistão oco (que tem uma resistência limitada à flambagem para grandes componentes). PF I - Dr. André G. S. Galdino 17 PF I - Dr. André G. S. Galdino Figura 2 – Ilustração do processo de extrusão direta. 18 PF I - Dr. André G. S. Galdino Figura 3 – Ilustração do processo de extrusão indireta. 19 • Na extrusão direta, o pistão age sobre o tarugo forçando a sua passagem pela ferramenta, colocada no lado oposto do recipiente, e provocando uma intensa ação de atrito entre o tarugo e o recipiente de extrusão. PF I - Dr. André G. S. Galdino 20 • Na extrusão inversa, o pistão se mantém fixo, com a ferramenta colocada na sua extremidade, e o recipiente com o tarugo avança em sua direção, tornando inexistente o atrito entre o tarugo e o recipiente. PF I - Dr. André G. S. Galdino 21 • A redução do atrito no recipiente, quando do uso de extrusão direta, pode ser obtida com o uso de lubrificantes resistentes a temperatura elevada. O fluxo de saída do metal é, nesse caso, denominado "escoamento frontal". PF I - Dr. André G. S. Galdino 22 • Esse processo pode, contudo provocar o aparecimento de defeitos causados pelo atrito na superfície do produto, tais como bolhas e escamas - defeitos estes provenientes do desalinhamento entre o pistão e o recipiente, da distribuição deficiente do lubrificante, do desajuste entre o disco de pressão e o disco do recipiente e da superfície irregular do recipiente. PF I - Dr. André G. S. Galdino 23 • Para eliminar estes inconvenientes, utiliza-se o processo de extrusão direta sem lubrificante, mas com um disco de diâmetro menor que o do recipiente. • Forma-se, neste caso, uma casca de metal não-extrudado e aderente ao recipiente, que deve ser retirada após ter sido completada a extrusão de um tarugo. PF I - Dr. André G. S. Galdino 24 • Nesse processo, o escoamento do núcleo do tarugo ocorre em primeiro lugar, pois a sua superfície fica refreada pelo intenso atrito com o recipiente, caracterizando, assim, um "escoamento central" com rotação das camadas frontais do tarugo. • Parte da superfície frontal do tarugo fica bloqueada na região do recipiente, adjacente à ferramenta, e não é extrudada, devendo ser retirada depois de completado o processo. PF I - Dr. André G. S. Galdino 25 • O escoamento da parte central do tarugo, sendo predominante, provoca um defeito na extremidade final do produto extrudado, caracterizado por um vazio interno, se não for deixado um resto ou resíduo de tarugo no recipiente. PF I - Dr. André G. S. Galdino 26 4.1. Extrusão direta: • Na extrusão direta, o bloco metálico é colocado numa câmara e forçado através do orifício da matriz pelo êmbolo. • É muito comum utilizar um bloco de aço (falso pistão) entre o bloco metálico e o êmbolo para proteger o pistão das altas temperaturas e da abrasão provenientes deste tipo de extrusão. PF I - Dr. André G. S. Galdino 27 • A abertura da matriz pode ser circular ou de outro formato. PF I - Dr. André G. S. Galdino 28 PF I - Dr. André G. S. Galdino Figura 4 – Ilustração do processo de extrusão direta. 29 4.2. Extrusão indireta: • Na extrusão indireta, o êmbolo é oco e a ele está presa a matriz; a extremidade oposta da câmara é fechada com uma placa. • O atrito, neste caso, é menor do que na extrusão direta, devido a não haver movimento relativo entre as paredes da câmara e o bloco metálico; em consequência, o esforço necessário à deformação é menor. PF I - Dr. André G. S. Galdino 30 • Em contrapartida, como o êmbolo é oco, existe a limitação da carga a ser aplicada,o que dificulta a produção de perfis com geometrias mais complexas. • Isso explica porque a extrusão direta é mais empregada. PF I - Dr. André G. S. Galdino 31 PF I - Dr. André G. S. Galdino Figura 5 – Ilustração do processo de extrusão indireta. 32 4.3. Extrusão hidrostática: • Na extrusão hidrostática, a pressão para a operação de extrusão é proveniente de um meio fluido que envolve o tarugo. Não existe fricção entre parede e tarugo. • As pressões usadas são da ordem de 1400 MPa. PF I - Dr. André G. S. Galdino 33 • O método foi desenvolvido nos anos 1950 e evoluiu para o uso de uma segunda câmara pressurizada mantida a uma pressão mais baixa. • É a chamada extrusão fluido a fluido, que reduz os defeitos do produto extrudado. PF I - Dr. André G. S. Galdino 34 • A extrusão por pressão aumenta a ductilidade do material, portanto materiais frágeis podem se beneficiar desta forma de extrusão. • Entretanto as vantagens essenciais do método são: • baixa fricção; • pequenos ângulos de matriz; • altas relações de extrusão. PF I - Dr. André G. S. Galdino 35 • Podem ser extrudados por este método uma grande variedade de metais e polímeros, formas sólidas, tubos e outras formas vazadas como favo de abelha (honeycomb) e perfis. • A extrusão hidrostática é realizada usualmente a temperatura ambiente, em geral usando óleo vegetal como meio fluido, combinando as qualidades de viscosidade e lubrificação. PF I - Dr. André G. S. Galdino 36 • Pode-se também trabalhar em alta temperatura. • Neste caso, ceras, polímeros ou vidro são usados como fluido, que também tem a função de manter o isolamento térmico do tarugo durante o procedimento de extrusão. PF I - Dr. André G. S. Galdino 37 PF I - Dr. André G. S. Galdino Figura 6 – Ilustração do processo de extrusão hidrostática. 38 4.4. Extrusão por impacto: • A extrusão por impacto é similar a extrusão indireta e frequentemente incluída na categoria da extrusão a frio. • O punção desce rapidamente sobre o tarugo que é extrudado para trás. • A espessura da seção extrudada é função da folga entre o punção e a cavidade da matriz. PF I - Dr. André G. S. Galdino 39 • Os produtos de extrusão por impacto incluem os tubos de pastas e assemelhados que são peças descartáveis. • A maioria dos metais não ferrosos podem ser extrudados por impacto, usando-se prensas verticais e taxas de produção de até duas peças por segundo. PF I - Dr. André G. S. Galdino 40 • O processo permite produzir seções tubulares de paredes muito finas (relações de diâmetro/ espessura da ordem de 0,005). • Por esta razão, a simetria da peça e concentricidade do punção são fatores importantes. PF I - Dr. André G. S. Galdino 41 PF I - Dr. André G. S. Galdino Figura 7 – Ilustração do processo de extrusão por impacto. 42 PF I - Dr. André G. S. Galdino Figura 8 – Exemplos de peças conformadas por extrusão por impacto. 43 4.5. Extrusão lateral: • Na extrusão lateral, o material do tarugo é forçado através de abertura lateral da câmara. • Os eixos do punção e da peça tem diferentes direções (ângulo reto). PF I - Dr. André G. S. Galdino 44 PF I - Dr. André G. S. Galdino Figura 9 – Ilustração do processo de extrusão lateral. 45 5. Máquina de extrusão: • A máquina de extrusão é uma prensa hidráulica, comumente horizontal, de 1.000 a 8.000 t (10 a 80 kN), e que pode adotar o sistema de acionamento hidropneumático ou oleodinâmico. PF I - Dr. André G. S. Galdino 46 • A prensa de extrusão é essencialmente um conjunto cilindro-pistão hidráulico, em que o cilindro necessita de constante alimentação de líquido sob pressão para fazer movimentar o pistão. • A alimentação do cilindro pode se dar com auxílio de uma bomba hidráulica, que mantém a velocidade do pistão necessária à extrusão, ou com o emprego de um acumulador de pressão. PF I - Dr. André G. S. Galdino 47 • No primeiro caso, a alimentação e o acionamento são do tipo oleodinâmico e, no segundo caso, é do tipo hidropneumático. PF I - Dr. André G. S. Galdino 48 • Na alimentação oleodinâmica, o fluido (no caso, óleo hidráulico) é mantido no cilindro sob pressão constante, com auxílio de uma bomba de vazão regulável, em função da velocidade de extrusão, cujas principais características a serem consideradas são: a pressão máxima atingida e a velocidade de resposta ao comando da velocidade de alimentação. PF I - Dr. André G. S. Galdino 49 • Na alimentação hidropneumática, adota-se um acumulador de pressão variável, que é um recipiente sob pressão, contendo um líquido (água com pequeno teor de óleo em emulsão para reduzir a ação corrosiva da água sobre o recipiente) pressionado por um gás (ar). • A resposta que se obtém nesse sistema de acionamento é de elevada velocidade. PF I - Dr. André G. S. Galdino 50 • A máquina mais adequada à extrusão de metais não-ferrosos, que requerem uma velocidade de extrusão com pequena variação para não surgir defeitos nas peças extrudadas, é a que adota um sistema de acionamento e alimentação oleodinâmico com vazão regulável. • A potencia da bomba nesse sistema é substancialmente maior. PF I - Dr. André G. S. Galdino 51 • Nas máquinas com acionamento hidropneumático, devido ao sistema de acumulador de pressão, a bomba poderá ser de potência menor, pois a pressão máxima não é necessária durante todo o ciclo de extrusão. • Essas máquinas, no entanto, não podem ser aplicadas aos metais mais sensíveis às variações de velocidade de extrusão (como o alumínio e suas ligas). PF I - Dr. André G. S. Galdino 52 • Além do conjunto pistão-cilindro hidráulico, e do sistema acoplado de alimentação do fluido sob pressão, deve-se considerar ainda as seguintes partes básicas da máquina de extrusão: pistão de extrusão, recipiente e camisa, conjunto suporte da ferramenta (fieira) e estrutura. PF I - Dr. André G. S. Galdino 53 PF I - Dr. André G. S. Galdino Figura 10 – Esquema simplificado da máquina de extrudar. 54 PF I - Dr. André G. S. Galdino Figura 11 – Ilustração de uma extrusora. 55 PF I - Dr. André G. S. Galdino Figura 12 – Extrusora para perfis de alumínio. 56 • O pistão de extrusão, solidário ao pistão do cilindro hidráulico, é o componente em que se concentra todo o esforço da máquina de extrusão, devendo, portanto, ser fabricado em aço-liga resistente ao calor. • Esse pistão é trocado por outros de dimensões diferentes (mais particularmente, de diâmetros diferentes), em função das dimensões dos tarugos e peças extrudadas. PF I - Dr. André G. S. Galdino 57 • O recipiente recebe o tarugo aquecido que deve ser extrudado sob ação do pistão de extrusão. • Pode ser constituído de duas partes coaxiais, sendo que a parte interna, que entra em contato com o tarugo, denomina-se camisa interna do recipiente. PF I - Dr. André G. S. Galdino 58 • A camisa sofre a ação dos esforços de compressão e de atrito em temperaturas elevadas, sendo, como decorrência, submetida a uma ação de desgaste constante. PF I - Dr. André G. S. Galdino 59 • Devem ser tomados cuidados especiais na montagem das duas partes (que é feita a quente para permitir interferência a frio) para evitar o aparecimento de fissuras decorrentes dos níveis de tensão indevidamente elevados que podem surgir nessa montagem. PF I - Dr. André G. S. Galdino 60 • Os materiais que constituem o recipiente e a camisa são aços-liga resistentes ao calor, pois tais componentes são mantidos constantemente a uma temperatura elevada por um sistema de aquecimento elétrico, necessário para proceder a operação de extrusão a quente do tarugo (o tarugo, que é previamente aquecido em fornos, tem a sua temperatura mantida no recipiente por esse sistema de aquecimento elétrico por resistência ou indução). PF I - Dr. André G. S. Galdino 61 • O conjunto suporte da fieira é constituído de diversos componentes com a finalidade de aumentar a resistência mecânica, posicionar e facilitar a troca da fieira. • Como esses componentes não entram em contato direto com o metal aquecido, podemser fabricados em aços-liga de custo menor que os aços-liga resistentes ao calor. PF I - Dr. André G. S. Galdino 62 • A estrutura da máquina é constituída, na prensa de extrusão horizontal comumente encontrada, de uma base para suporte de todos os componentes, exceto do sistema de alimentação que fica à parte da estrutura. PF I - Dr. André G. S. Galdino 63 • Numa extremidade dessa base se apoia o conjunto do cilindro hidráulico e do pistão de extrusão; na outra extremidade se encontra, solidariamente, o recipiente, o conjunto suporte da fieira e a placa de apoio terminal, esta última acoplada ao conjunto do cilindro hidráulico por dois tirantes superiores. PF I - Dr. André G. S. Galdino 64 • A máquina de extrusão industrial é, na realidade, bem mais complexa, apresentando outros sistemas auxiliares e componentes complementares das partes descritas, tais como, por exemplo, cilindros hidráulicos de retrocesso do pistão, sistema de corte da barra extrudada e da retirada do resto do tarugo no recipiente, sistema de controle e comando dos conjuntos hidráulicos e do aquecimento do recipiente. PF I - Dr. André G. S. Galdino 65 • São, no entanto, sistemas e componentes que conferem à máquina melhores condições de operação e mais produtividade, mas a natureza do princípio básico de funcionamento, acima descrito, não se altera. PF I - Dr. André G. S. Galdino 66 • Um equipamento complementar é o forno de aquecimento dos tarugos ou lingotes. • Esses fornos podem ser de diversos tipos, de acordo com os sistemas de aquecimento por combustível ou elétrico. • Os fornos devem ter a capacidade de aquecer uniformemente o tarugo (ou lingote), sem ou com pouca oxidação superficial. PF I - Dr. André G. S. Galdino 67 • O forno que melhor atende às condições de aquecimento uniforme é o forno elétrico à indução magnética, que apresenta ainda a possibilidade de controle e leitura precisa da temperatura. • A ausência de oxidação superficial é obtida com o uso de atmosfera controlada no forno de aquecimento. PF I - Dr. André G. S. Galdino 68 6. Ferramenta de extrusão: • As ferramentas para extrudar, ou fieiras, podem apresentar diversos tipos de perfis, sendo que a escolha deste depende do tipo do metal a ser trabalhado e da experiência acumulada em cada condição de trabalho. • Como as reduções de seção são comumente acentuadas, porém os ângulos de abertura das ferramentas são grandes, atingindo normalmente o valor de 180°. PF I - Dr. André G. S. Galdino 69 • Da mesma forma que no caso da trefilação, também para a extrusão existe um ângulo ótimo de abertura da ferramenta (ou ângulo de trabalho). PF I - Dr. André G. S. Galdino 70 • Esse ângulo, porém, é determinado com maior dificuldade no processo de extrusão, devido à notável influência das condições incertas de atrito existentes e criado pela movimentação do tarugo no recipiente de extrusão, pela elevada tensão de compressão contra o recipiente e pelas condições superficiais e de lubrificação do tarugo e do recipiente. PF I - Dr. André G. S. Galdino 71 • As seguintes condições devem ser, contudo, observadas no estabelecimento dos perfis: a) Propriedades do metal a ser extrudado; b) Tolerâncias de distorção no extrudado; c) Níveis das tensões aplicadas; d) Contração térmica no extrudado e e) Escoamento uniforme e equilibrado do metal pela matriz. PF I - Dr. André G. S. Galdino 72 7. Descrição do processo de extrusão: • As etapas do processo de extrusão não tem a mesma diversificação do processo de laminação. PF I - Dr. André G. S. Galdino 73 7.1. Etapas do processo de extrusão: • O lingote para extrusão apresenta uma superfície praticamente isenta de oxidação, devido à forma com que é produzido: a fundição do lingote se dá em coquilhas verticais que apenas permitem o contato do metal-líquido com o meio ambiente na parte superior, que é cortada após a solidificação. PF I - Dr. André G. S. Galdino 74 • O tarugo para extrusão, obtido do processo de laminação, apresentará uma superfície mais irregular, e com maior intensidade de oxidação, se o lingote inicial para o trabalho mecânico não tiver sido usinado por fresamento, para eliminar a oxidação. PF I - Dr. André G. S. Galdino 75 • No processo de extrusão, porém, pode-se - e muitas vezes assim se faz - adotar um pistão de diâmetro inferior ao diâmetro do tarugo, de maneira que o pistão possa penetrar por dentro do tarugo deixando uma casca superficial contendo as irregularidades e os óxidos formados nos processos anteriores ou no aquecimento para a extrusão. PF I - Dr. André G. S. Galdino 76 • Da mesma forma que, após a extrusão do tarugo, retira-se a casca deixada no recipiente, deve-se também remover o fundo ou resíduo do tarugo (ou lingote) não-extrudado. PF I - Dr. André G. S. Galdino 77 • Esse resto de tarugo (cerca de 12% do comprimento) não é extrudado porque provoca um fluxo de metal irregular, que reduz a qualidade do produto: o defeito que surge no extrudado se manifesta na forma de um furo interno. PF I - Dr. André G. S. Galdino 78 • O tarugo (ou lingote) inicialmente é aquecido no forno (preferencialmente forno elétrico de indução, pela melhor qualidade obtida quanto a uniformidade de aquecimento) e rapidamente transportado para o recipiente, restringindo-se assim ao máximo o contato com o meio ambiente (para evitar uma oxidação superficial intensa). PF I - Dr. André G. S. Galdino 79 • O tarugo é colocado num apoio diante do recipiente e o pistão é acionado de encontro ao tarugo, instalando-o no interior do recipiente. • Entre o pistão e o tarugo coloca-se um disco metálico para evitar a soldagem do pistão no tarugo em virtude das temperaturas e pressões elevadas. PF I - Dr. André G. S. Galdino 80 • A presença do disco, de diâmetro próximo ou inferior ao da camisa (de acordo com a intenção de se deixar ou não formar uma casca), cria um motivo a mais para se deixar um resto de tarugo sem extrudar, que é o de se evitar que o disco atinja a ferramenta de extrudar. PF I - Dr. André G. S. Galdino 81 • Após o pistão ter completado o curso de extrusão, o recipiente se afasta para a retirada do disco e do resto de tarugo, que será cortado do extrudado, e o pistão, por sua vez, será recuado. • Antes da colocação de um novo tarugo para extrusão, os resíduos de óxidos na camisa são removidos com auxílio de outro disco raspador acionado pelo pistão. PF I - Dr. André G. S. Galdino 82 • Mesmo para prensas relativamente grandes (cerca de 2.000 t) o tempo (cerca de 60 s) para o ciclo completo de extrusão é pequeno . PF I - Dr. André G. S. Galdino 83 7.2. Controle do processo de extrusão: • Existe um número grande de fatores que exercem influência no processo de extrusão e a análise dessa influência é complexa em face dos efeitos de interação entre eles, das dificuldades teóricas de se isolarem os efeitos para análise e das dificuldades experimentais referentes à natureza do material metálico (que exige elevadas temperaturas e elevada tensão de trabalho e não permite, com facilidade, o acompanhamento da evolução do ciclo do processo). PF I - Dr. André G. S. Galdino 84 • As técnicas experimentais podem ser utilizadas em duas áreas de estudo do problema: a) Análise das propriedades mecânicas e características estruturais do material metálico, na forma de matéria-prima (lingote fundido ou tarugo laminado) e na forma de produto final (barra ou perfil extrudado); PF I - Dr. André G. S. Galdino 85 b) Análise das condições de processamento ligadas ao desempenho da máquina de extrusão e ao comportamento do material durante o processo de extrusão. PF I - Dr. André G. S. Galdino 86 • Na primeira área são aplicadas técnicas convencionais de ensaios mecânicos e de exame metalográfico, incluindo-se observação de defeitos provenientes da falta de homogeneidade e de continuidade do material, bem como a verificação de regularidades dimensionais. PF I - Dr. André G. S. Galdino 87 • Determinam-se: a) A composição química (elementosde liga e impurezas da matéria-prima); b) A estrutura metalográfica (tamanho e forma do grão, distribuição de fases e inclusões da matéria-prima e do produto extrudado); c) As propriedades mecânicas (de resistência e de ductilidade principalmente do produto extrudado); PF I - Dr. André G. S. Galdino 88 d) As dimensões (regularidade do diâmetro ao longo do extrudado, ovalização e variação deste, ou seja, a tolerância dimensional do diâmetro); e) A presença de defeitos (porosidades, escamas, cascas de óxidos, inclusões e vazios internos na matéria-prima e no extrudado). PF I - Dr. André G. S. Galdino 89 • Para análise das condições de processamento é muito importante a observação da maneira como ocorre o fluxo ou escoamento do material no recipiente e através da ferramenta de extrusão. PF I - Dr. André G. S. Galdino 90 • Para a análise das condições de operação da máquina, são necessárias as medições da força ou pressão de extrusão, da velocidade de extrusão (regularidade de intensidade) e da temperatura do tarugo (ou lingote), do recipiente de extrusão e do perfil da ferramenta. PF I - Dr. André G. S. Galdino 91 PF I - Dr. André G. S. Galdino Figura 13 – Ciclo do processo de extrusão. 92 • As condições de operação dos tratamentos prévios também precisam ser controladas: na preparação da matéria-prima (por fundição ou laminação) no tratamento de recozimento (com controle de tempo, temperatura e atmosfera do forno de tratamento). PF I - Dr. André G. S. Galdino 93 • O objetivo da análise dos fatores de influência é encontrar as condições de trabalho mais favoráveis e que conduzem à obtenção de um produto de qualidade e custo especificados. • De forma geral, procura-se obter as seguintes condições: PF I - Dr. André G. S. Galdino 94 a) Matéria-prima de composição e estrutura homogênea e com propriedades mecânicas elevadas; b) Temperatura de trabalho baixa para poupar energia, evitar o desgaste acentuado dos componentes da maquina (recipiente e ferramenta principalmente) e reduzir o ataque corrosivo do tarugo; PF I - Dr. André G. S. Galdino 95 c) Pressão de trabalho baixa para poupar energia, reduzir a robustez e o custo de aquisição da máquina e evitar o desgaste acentuado dos componentes da mesma; d) velocidade de trabalho elevada para aumentar a produtividade e reduzir o resfriamento do tarugo no recipiente; PF I - Dr. André G. S. Galdino 96 e) Extrudado de qualidade mecânica e metalúrgica suficientemente elevada para atender aos requisitos de uso especificados. • Contudo, como essas indicações para a operação apresentam aspectos contraditórios, deve-se procurar estabelecer condições para que os diferentes fatores de influência possam ser mantidos sob controle e em níveis ótimos de equilíbrio entre si. PF I - Dr. André G. S. Galdino 97 8. Produtos extrudados: • Os produtos extrudados são classificados de acordo com a forma de seção transversal. • Entre os produtos estão: barras (redondas, quadradas, hexagonais, etc.), arames, tubos e perfis (ocos ou maciços) de formas diversas. PF I - Dr. André G. S. Galdino 98 • Formas resultantes: Praticamente qualquer forma de seção transversal vazada ou cheia pode ser produzida por extrusão. • Como a geometria da matriz permanece inalterada, os produtos extrudados tem seção transversal constante. PF I - Dr. André G. S. Galdino 99 PF I - Dr. André G. S. Galdino Figura 14 – Exemplos de produtos obtidos pelo seccionamento do perfil extrudado. 100 • Os produtos mais comuns, produzidos através de extrusão, são: a) Quadros de janelas e portas; b) Trilhos para portas deslizantes; c) Tubos de várias seções transversais e formas arquitetônicas. PF I - Dr. André G. S. Galdino 101 • Produtos extrudados podem ser cortados nos tamanhos desejados para gerarem peças como: a) Maçanetas; b) Trancas; c) Engrenagens. PF I - Dr. André G. S. Galdino 102 • Em operação combinada com forjamento pode gerar componentes para automóveis, bicicletas, motocicletas, maquinário pesado e equipamento de transporte. PF I - Dr. André G. S. Galdino 103 8.1. Materiais comumente extrudados: • Os materiais mais comumente utilizados para extrusão são: • Alumínio; • Cobre; • Aço; • Magnésio; • Chumbo. PF I - Dr. André G. S. Galdino 104 • Tubos e barras de aço podem ser produzidos pelo processo de extrusão, mas isso ocorre de forma limitada pelas dificuldades operacionais. • Esses materiais (aços-carbono, aços inoxidáveis e alguns aços-liga) exigem elevadas temperaturas e pressões de trabalho que criam dificuldades de lubrificação e, em consequência, impõem baixas velocidades de trabalho e pequenas reduções. PF I - Dr. André G. S. Galdino 105 Tabela 1 – Faixas de temperatura de extrusão para vários metais. Metal Temperatura (°C) Chumbo 200 – 250 Alumínio e suas ligas 375 – 475 Cobre e suas ligas 650 – 950 Aços 875 – 1300 Ligas refratárias 975 - 2200 PF I - Dr. André G. S. Galdino 106 PF I - Dr. André G. S. Galdino Figura 15 – Características da seção transversal para extrusão. 107 9. Formas de extrusão: • A extrusão pode ser a quente ou a frio, dependendo do tipo de metal que deve suportar ou não rigorosas condições de atrito e temperatura e também da seção a ser obtida. • A extrusão a quente é realizada quando exige grande esforço para a deformação. Um exemplo típico de material extrudado a quente é o aço. PF I - Dr. André G. S. Galdino 108 • Reduções de área da ordem de 1:20 podem ser conseguidas. Isso significa que uma barra de área inicial de 100 mm2 pode sofrer redução para 5 mm2. • No caso de materiais mais dúcteis, como o alumínio, as reduções obtidas com a extrusão são da ordem de 1:100. PF I - Dr. André G. S. Galdino 109 • Esse processo envolve as etapas a seguir: 1. Fabricação de lingote ou tarugo de seção circular; 2. Aquecimento uniforme do lingote ou tarugo; 3. Transporte do lingote aquecido para a câmara de extrusão, de forma rápida para diminuir ou evitar que a superfície do material aquecido sofra oxidação; PF I - Dr. André G. S. Galdino 110 4. Execução da operação de extrusão: acionar o pistão o qual empurra o material aquecido já posicionado na câmara para o interior desta; 5. Fim da extrusão: o pistão recua e a câmara se afasta para a retirada do disco e da parte restante do lingote ou tarugo; 6. Operação de remoção dos resíduos de óxido com o auxílio de disco raspador acionado pelo pistão. PF I - Dr. André G. S. Galdino 111 • No processo de extrusão a temperatura do material na zona de deformação depende da velocidade de deformação e do grau de compressão. • A temperatura é proporcional à velocidade de deformação por causa do aumento do atrito devido ao aumento da velocidade de deformação e do grau de compressão. PF I - Dr. André G. S. Galdino 112 • Na extrusão a frio, o material endurece por encruamento durante a deformação porque os grãos do metal se rompem e assim permanecem, aumentando as tensões na estrutura e, consequentemente, sua dureza. • É importante salientar que na extrusão a quente os grãos se reconstituem após a extrusão por causa do aumento da temperatura. PF I - Dr. André G. S. Galdino 113 10. Fluxo do metal na Extrusão: • O fluxo do metal determina a qualidade e as propriedades mecânicas do produto final. • O fluxo do metal é comparável ao escoamento de um fluido num canal. • Os grãos tendem a alongar-se formando uma estrutura com orientação preferencial. PF I - Dr. André G. S. Galdino 114 • O fluxo inadequado pode causar inúmeros defeitos. • A técnica de observação do fluxo consiste em seccionar o tarugo ao longo de seu comprimento e marcar uma das faces com um quadriculado. • As duas metades são então colocadas juntas na câmara e extrudadas. PF I - Dr. André G. S. Galdino 115 • Após a extrusão as partes são novamente separadas para exame. • Na figura a seguir pode ser observado o resultado desta técnica, para três situações típicas da extrusão direta para matriz quadrada (ângulo da matriz de 900). PF I - Dr. AndréG. S. Galdino 116 PF I - Dr. André G. S. Galdino Figura 16 – Tipo de fluxo do metal na extrusão com matrizes quadradas. 117 • As zonas mortas estão ilustradas na figura 16(b) e 16(c), onde o metal fica praticamente estacionário nos cantos. • A situação é similar ao escoamento de fluido num canal com cantos vivos e curvas. PF I - Dr. André G. S. Galdino 118 • As velocidades do pistão podem chegar até 0,5m/s. • Geralmente, velocidades menores são recomendadas para o alumínio, magnésio e cobre, e velocidades mais altas para aços, titânio e ligas refratárias. • As tolerâncias na extrusão estão na faixa de 0,25 - 2,5 mm e aumentam com as dimensões da seção transversal. PF I - Dr. André G. S. Galdino 119 11. Defeitos da extrusão: • Os defeitos mais comuns na extrusão são: a) Linhas internas de óxido no interior do produto: elas são causadas pela diferença entre a velocidade do núcleo e da periferia do lingote. O centro do lingote ou tarugo move-se de forma mais rápida que a periferia, formando-se então uma “zona morta” ao longo da superfície externa do lingote. PF I - Dr. André G. S. Galdino 120 • Quando a maior parte do bloco de metal já passou pela matriz, a superfície externa move- se para o centro e começa a fluir pela matriz. • Desta forma são observadas as linhas de óxido resultantes da película de óxido formada na superfície externa, que têm um aspecto de um anel quando o produto é cortado transversalmente; PF I - Dr. André G. S. Galdino 121 b) Formação de uma cavidade no centro da superfície do material em contato com o pistão: também resultante da diferença entre a velocidade do núcleo e da periferia do lingote. Essa cavidade pode crescer em diâmetro e em profundidade de tal forma que pode transformar o que seria uma barra em um tubo, defeito esse com o aspecto semelhante ao de um rechupe interno. PF I - Dr. André G. S. Galdino 122 PF I - Dr. André G. S. Galdino 123 c) Arrancamento: é formado na superfície do produto e aparece na forma de perda de material da superfície, quando o produto passa muito rapidamente pela matriz. d) Bolhas: estas bolhas são observadas na superfície do material extrudado devido a presença de hidrogênio e materiais provenientes da fundição do lingote ou por ar contido dentro do recipiente da prensa. PF I - Dr. André G. S. Galdino 124 12. Parâmetros geométricos: • Os parâmetros geométricos da extrusão são: a) O ângulo da matriz α; b) A relação de extrusão que é o quociente entre a áreas das seções transversais do tarugo A0 e do produto extrudado Af; c) O diâmetro do círculo circunscrito DCC, que é o diâmetro do menor círculo no qual se inscreve a seção transversal. PF I - Dr. André G. S. Galdino 125 PF I - Dr. André G. S. Galdino 126 • A complexidade da extrusão é medida pela relação entre o perímetro da seção do produto extrudado e a área da seção transversal. • Esta relação é denominada fator de forma. PF I - Dr. André G. S. Galdino 127 PF I - Dr. André G. S. Galdino 128 13. Força de extrusão: • A força requerida para o processo depende da resistência do material, da relação de extrusão, da fricção na câmara e na matriz, e outras variáveis como a temperatura e a velocidade de extrusão. PF I - Dr. André G. S. Galdino 129 • A força pode ser estimada pela fórmula: [1] • Os valores da constante de extrusão K são dados na figura a seguir, para o campo usual de temperaturas. PF I - Dr. André G. S. Galdino 130 PF I - Dr. André G. S. Galdino 131 14. Outras variáveis de processo: • Tem papel de influência no processo outras variáveis, entre as quais citamos: a) A temperatura do tarugo; b) A velocidade de deslocamento do pistão; c) O tipo de lubrificante. PF I - Dr. André G. S. Galdino 132 15. Propriedades de produtos extrudados: • A microestrutura (controlada comumente pelo exame macrográfico) da seção transversal pode se apresentar de maneira não-uniforme quanto à forma e ao tamanho dos grãos, e essa variação de microestrutura pode ser diferente ao longo do comprimento do extrudado. PF I - Dr. André G. S. Galdino 133 • A não uniformidade é decorrente das condições em que ocorre o fluxo de metal, que por sua vez é dependente do tipo de processo (extrusão direta, com ou sem lubrificação, ou extrusão inversa). • As propriedades mecânicas ficam dependentes do tamanho e forma dos grãos, da natureza do metal ou da liga metálica e de tratamentos térmicos posteriores. PF I - Dr. André G. S. Galdino 134 • As características dimensionais são controladas tomando-se como referência às tolerâncias das dimensões de diâmetros, ou de arestas, dentro de determinadas faixas de grandeza; para o comprimento controla-se a flecha máxima da ondulação. PF I - Dr. André G. S. Galdino 135 Referências: • BRESCIANI FILHO, E.; ZAVAGLIA, C. A. C.; NERY, F. A. C.; BUTTON, S. T. Conformação plástica dos metais, Vol. I, 3ª edição. Campinas: Editora da Unicamp, 1986, 147 p. • BRESCIANI FILHO, E.; ZAVAGLIA, C. A. C.; NERY, F. A. C.; BUTTON, S. T. Conformação plástica dos metais, Vol. II, 3ª edição. Campinas: Editora da Unicamp, 1986, 234 p. PF I - Dr. André G. S. Galdino 136