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Ex.: anencefa-
lia (ausência da maior parte do encéfalo).
É evidente que esses conceitos são aplicados apenas na anatomia. Os 
termos anomalia ou monstruosidade não devem ser aplicados nos con-
textos clínico, político ou social, para os quais se sugere o uso do termo 
deficiência.
4. Conceitos de descrição
4.1. Terminologia anatômica
A anatomia possui determinada terminologia para descrever estruturas e nomeá-las. 
Para tanto, utiliza alguns critérios:
a) A forma. Ex.: músculo serrátil, músculo trapézio, músculo redondo 
maior, músculo redondo menor;
b) A posição ou localização. Ex.: nervo facial, artéria renal;
c) As relações. Ex.: articulação temporomandibular, disco intervertebral, 
parte oral da faringe;
d) A relação com o esqueleto. Ex.: músculo zigomático maior, músculo 
temporal;
e) A função. Ex.: músculo levantador do ângulo da boca, músculo abaixa-
dor do lábio inferior.
18Capítulo I · Manual de anatomia humana para estudantes de nutrição
Muitas vezes a terminologia anatômica conjuga características de des-
crição para eliminar a ambiguidade e tornar a nomenclatura precisa. 
Por exemplo: o nome “músculo abaixador do ângulo da boca” deixa 
clara a sua constituição (músculo), fixação (no ângulo da boca) e fun-
ção (abaixador).
4.2. Posição anatômica 
Para descrever e relacionar as estruturas existentes no corpo humano, utiliza-se um 
padrão de posicionamento, denominado posição anatômica: indivíduo em posição 
bípede (ou ortostática), cabeça na posição neutra com o olhar fixo no horizonte, membros 
superiores ao longo do corpo, palmas das mãos voltadas anteriormente, membros inferiores 
paralelos e pés juntos com os dedos voltados anteriormente.
A posição anatômica padroniza as relações das estruturas no espaço e resolve 
qualquer conflito que possa existir quando da descrição das estruturas anatômicas e 
suas relações, independentemente do decúbito (posicionamento) que o corpo assuma.
4.3. Planos de delimitação 
Consistem em planos virtuais que delimitam o corpo, ou seja, que tangenciam 
a superfície corporal de maneira a tomarmos essa geométrica como forma de refe-
rência. São eles: 
a) Plano de delimitação anterior ou ventral;
b) Plano de delimitação posterior ou dorsal;
c) Plano de delimitação superior ou cranial;
d) Plano de delimitação inferior ou podálico (relacionado aos pés);
e) Planos de delimitação laterais.
19Capítulo I · Manual de anatomia humana para estudantes de nutrição
Todas as faces do corpo estão delimitadas por um plano. Esses planos servi-
rão de parâmetro para a localização de estruturas. Ex.: o umbigo está mais próximo 
do plano de delimitação anterior do corpo do que a coluna vertebral, que por sua 
vez está mais próxima do plano de delimitação posterior; portanto, é possível afir-
mar que o umbigo é uma cicatriz localizada anteriormente à coluna vertebral. Aqui 
se comparam apenas duas estruturas, mas pode-se realizar tal atividade/descrição 
para diversas outras presentes no corpo humano, como será verificado ao longo dos 
capítulos deste Manual. 
4.4. Planos de secção
São planos que cortam o corpo humano dividindo-o em partes. Tais planos permi-
tem um meio para se analisarem e estabelecerem relações entre as estruturas inter-
nas ou profundas do corpo. São eles (Fig. 1.1):
a) Plano de secção mediano: divide o corpo em partes “proporcionais” 
(ou metades) direita e esquerda, que também recebem a denominação 
de antímeros;
b) Plano de secção sagital: divide o corpo em partes direita e esquerda 
desproporcionais;
c) Plano de secção frontal: divide o corpo em partes anterior e posterior;
d) Plano de secção transversal (ou axial): divide o corpo em partes supe-
rior e inferior.
O termo “proporcionais” está devidamente entre aspas dada a impossibi-
lidade de se dividir o corpo em metades literalmente iguais, uma vez que 
existem órgãos ímpares que estariam predominantemente de um lado 
do corpo. Ex.: estômago, coração e fígado. Os planos de secção frontal e 
transversal (axial), evidentemente, não permitem divisão proporcional.
20Capítulo I · Manual de anatomia humana para estudantes de nutrição
Figura 1.1 – Ilustração dos planos de secção do corpo humano: a) plano de secção mediano; 
b) plano de secção sagital; c) plano de secção frontal; d) plano de secção transversal.
21Capítulo I · Manual de anatomia humana para estudantes de nutrição
4.5. Termos de direção 
São termos utilizados para descrever estruturas anatômicas e correlacioná-las. No 
pretérito estudo da anatomia, utilizavam-se termos como “do lado de”, “embaixo do”, 
“acima da”, que devem ser abandonados. A correta utilização dos termos de posi-
cionamento e direção leva a uma melhor compreensão e uma precisa descrição das 
estruturas anatômicas. Os termos, abaixo descritos, sempre devem ser definidos em 
relação a uma estrutura próxima e utilizando-se os planos de delimitação como um 
parâmetro. São eles (Fig. 1.2):
No tronco:
• Superior: estrutura superior, ou mais próxima do plano de delimitação 
superior;
• Inferior: estrutura inferior, ou mais próxima do plano de delimitação 
inferior;
• Média: estrutura disposta entre uma superior e uma inferior, ou entre uma 
anterior e uma posterior;
• Anterior: estrutura anterior, ou mais próxima do plano de delimitação 
anterior;
• Posterior: estrutura posterior, ou mais próxima do plano de delimitação 
posterior;
• Medial: estrutura mais próxima do plano de secção mediano;
• Lateral: estrutura mais distante do plano de secção mediano, ou próxima 
do plano de delimitação lateral;
• Intermédia: estrutura disposta entre uma medial e lateral.
Nos membros:
• Proximal: estrutura mais próxima das raízes dos membros;
• Distal: estrutura mais distante das raízes dos membros;
• Média: estrutura entre uma proximal e uma distal.
22Capítulo I · Manual de anatomia humana para estudantes de nutrição
Para membros, não se usam os termos superior e inferior, e sim proxi-
mal e distal. Uma vez que essas regiões do corpo possuem partes livres, 
seria um empecilho denominar qual parte é superior e qual é inferior 
de acordo com cada movimento. Os demais termos também são apli-
cados aos membros.
Nos órgãos maciços
• Superficial: estrutura mais próxima da superfície maciça;
• Profundo: estrutura mais distante da superfície maciça.
Ex.: a cápsula adiposa envolve os rins superficialmente; a fáscia reveste a 
superfície dos músculos; os vasos sanguíneos adentram os músculos em sua face 
profunda.
Nos órgãos cavitários
• Externo: estrutura localizada externamente à cavidade ou à sua parede;
• Interno: estrutura localizada internamente à cavidade ou à sua parede.
Ex.: a urina fica acumulada no interior da bexiga urinária; o sangue trafega 
no interior dos vasos sanguíneos; o peritônio reveste o estômago externamente.
Exemplos práticos: a semente da banana está localizada profunda-
mente à sua casca. A água do coco está localizada internamente à 
sua casca.
23Capítulo I · Manual de anatomia humana para estudantes de nutrição
Figura 1.2 – Ilustração da secção transversa do abdome para o estudo dos termos de direção. 
As linhas pontilhadas representam os planos virtuais de delimitação anterior e posterior, e as 
linhas tracejadas representam os planos virtuais de delimitação lateral. O plano mediano está 
representado pela linha apontada em a). Entenda a descrição das relações das três estruturas 
entre si: (b, c, d), (e, f, g), (h, i, j): b) estrutura dita anterior em relação a “c” e “d”; c) estrutura dita 
média em relação a “b” e “d”; d) estrutura dita posterior em relação a “b” e “d”; da mesma forma 
ocorre com as estruturas em e), f) e g); contudo, as estruturas apontadas em b), c) e d) também 
podem ser descritas como medianas, pois o plano mediano as atravessa. Em h) está represen-
tada estrutura dita como lateral em relação às estruturas em “i” e “j”; i) é denominada estrutura 
intermédia em relação a “h” e “j”; j) é denominada estrutura medial