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CEDERJ - CENTRO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR A DISTÂNCIA 
DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
 
 
Curso: Licenciatura em Geografia 
Disciplina: Geografia do Estado do Rio de Janeiro 
Professor: Miguel Ângelo Ribeiro 
Colaborador: Artur Leonardo Andrade 
 
AULA 5 – O Processo de Urbanização Fluminense: o Urbano e o Rural 
 
Meta 
Compreender o processo de urbanização no Estado do Rio de Janeiro a partir 
de um olhar geográfico, no qual o urbano é privilegiado diante do rural, 
delimitados por critérios oficiais, muitas vezes não correspondendo à realidade. 
 
Objetivos 
- Abordar o processo de urbanização do estado do Rio de Janeiro à luz da 
urbanização brasileira; 
- Compreender a maneira como o rural e o urbano são estudados na 
Geografia, possibilitando uma leitura mais próxima da realidade; 
- Analisar a urbanização no território fluminense, destacando a ideia de “eixos 
de urbanidades”. 
 
Introdução 
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o 
Brasil possuía uma população predominantemente rural até a década de 1960. 
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Na década de 2010, ano do último Censo Demográfico, a porcentagem da 
população que residia em áreas urbanas já passava de 84%. 
O estado do Rio de Janeiro, até a década de 1940, tinha a maior parte 
de sua população vivendo em áreas rurais, podendo ser exemplificado pelo 
gráfico 1, que registra a evolução da população fluminense no período de 1950 
a 2010. Atualmente, o estado fluminense apresenta a maior taxa de 
urbanização do país, com mais de 96% da população considerada urbana. A 
Região Metropolitana do Rio de Janeiro, que exerce um papel fundamental no 
processo de urbanização, em todo território fluminense, apresenta uma taxa de 
urbanização superior a 99%. 
Gráfico 1 
 
Fonte: IBGE. Censos demográficos, 1950-2010. 
Cumpre mencionar que tais percentuais estão associados ao critério 
oficial que delimita os espaços urbano – rural no Brasil. 
Nesta aula, busca-se compreender o processo de urbanização do 
território fluminense a partir do debate sobre o rural e o urbano e suas relações. 
Para a realização deste objetivo, dividiu-se o texto em quatro partes. 
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Em 2010, a população do estado do Rio de Janeiro era de 15.989.929 
habitantes. Esse registro faz do Rio de Janeiro a terceira unidade federativa 
mais populosa do Brasil, a retaguarda apenas de São Paulo e Minas Gerais. 
Devido ao tamanho de seu território, o Rio de Janeiro possui a maior densidade 
demográfica do país, com 365 habitantes por km². 
Assim como nas demais unidades federativas brasileiras, o Rio de 
Janeiro possuía um certo crescimento da população rural até os anos 1940. 
Atualmente, o Rio de Janeiro é o estado com a maior população urbana do 
Brasil. 
Os dados do IBGE mostram que o Rio de Janeiro possui uma taxa de 
urbanização superior a 96%. Somente a Região Metropolitana do Rio de 
Janeiro apresenta uma taxa de urbanização de 99,3%. A população 
metropolitana fluminense corresponde a 74, 2% de toda população do estado, 
o que evidencia sua importância nas dinâmicas socioespaciais do estado 
(RIBEIRO; O’NEILL, 2012), conforme indicado na tabela 1. 
 
O peso da região metropolitana na organização do território fluminense 
fica ainda mais evidente quando se analisa as 22 sedes municipais mais 
populosas do estado, pois 13 estão nos limites metropolitanos e as restantes 
no interior (tabela 2). 
Tabela 2 
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A primeira parte consiste em apresentar a evolução da urbanização 
brasileira, e fluminense, apontada nos dados estatísticos (1940-2010). A 
segunda procura discutir o parâmetro utilizado pelo IBGE para considerar o que 
é urbano e o que é rural, parâmetro bastante polêmico entre os pesquisadores. 
A polêmica gerada pelo debate sobre o critério utilizado nas estatísticas 
do IBGE nos remete à terceira parte, que trata do rural e urbano, cidade e 
campo no pensamento geográfico e suas possibilidades de uma abordagem 
mais próxima da realidade. Por fim, na última parte, se analisa o processo de 
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urbanização fluminense a partir de um ponto de vista sócio-espacial, que tem 
na ideia de “eixos de urbanidades” seu principal suporte. 
Nosso objetivo nesta aula é focar a análise da urbanização na escala 
estadual fluminense. 
 
As taxas de urbanização no território nacional 
Reboratti (2007), ao analisar o espaço rural na América Latina, destaca 
que as transformações responsáveis por esse intenso processo de urbanização 
começam a se manifestar na década de 1930 e ganha mais força na década de 
1950. Alimentado pela migração rural e pela industrialização, o processo de 
urbanização altera de modo significativo a configuração do espaço rural, 
reduzindo, por exemplo, a população economicamente ativa do campo latino-
americano. Essa população passa a residir em cidades, mas muitas vezes, 
trabalhando no campo (espaços rurais). 
Ao trazer essa análise para o contexto brasileiro, pode-se dizer que a 
urbanização ganha novas dinâmicas a partir da Era Vargas (1930) e se 
consolida no Governo JK (1956-1961), momento em que se intensifica o 
projeto urbano-industrial de desenvolvimento econômico no Brasil: 
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Figura 1 – Juscelino Kubitschek (à direita) durante a montagem de um automóvel. 
Fonte: http://flaviogomes.grandepremio.uol.com.br/tag/juscelino-kubitschek/ 
A população rural brasileira foi dominante no Brasil por muitos anos. Na 
década de 1960, a população urbana representava cerca de 45% da população 
total. A partir deste período, este quadro populacional começa a se inverter. 
Os últimos dados do Censo de 2010 apontam para a maior taxa de 
urbanização da história do Brasil, compreendendo mais de 84,0% da 
população total (Gráfico 2). 
 
 
 
 
 
 
 
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Gráfico 2 – Taxa de urbanização no Brasil (em porcentagem) 
 
 
Fonte: IBGE. 
 
Como se pode observar no gráfico, de 1940 a 2010 a porcentagem de 
população urbana brasileira quase que triplicou, passando de 31,2% para 
84,4%. 
No mapa 1 a taxa de urbanização pode ser analisada na escala 
estadual, havendo uma concentração nos estados do Rio de Janeiro, São 
Paulo e Goiás. Nota-se que no Centro-Sul brasileiro a taxa de urbanização é na 
ordem de mais de 80,0%, a região concentradora de residentes em cidades e 
vilas. 
 
 
3
1
,2
4
 
3
6
,1
6
 4
4
,6
7
 5
5
,9
2
 6
7
,5
9
 7
5
,5
9
 
8
1
,2
3
 
8
3
,4
8
 
8
4
,3
6
 
1 9 4 0 1 9 5 0 1 9 6 0 1 9 7 0 1 9 8 0 1 9 9 1 2 0 0 0 2 0 0 7 2 0 1 0 
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Mapa 1 – Taxa de urbanização no território brasileiro (2010) 
Fonte: 
http://www.atlassocioeconomico.rs.gov.br/conteudo.asp?cod_menu_filho=807&cod_menu=805
&tipo_menu=POPULA&cod_conteudo=1392 
 
Para o IBGE, grande parte do território nacional é altamente urbanizado. 
Na figura 3 pode-se destacar os estados de Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo, 
que apresentam uma taxa de urbanização superior a 90,0%. Nesta aula, 
enfocaremos a urbanização no estado do Rio de Janeiro. 
As altas taxas de urbanização no país, indicas pelos dados do IBGE, 
demonstram que o processo iniciado a partir do modelo de desenvolvimento 
http://www.atlassocioeconomico.rs.gov.br/conteudo.asp?cod_menu_filho=807&cod_menu=805&tipo_menu=POPULA&cod_conteudo=1392
http://www.atlassocioeconomico.rs.gov.br/conteudo.asp?cod_menu_filho=807&cod_menu=805&tipo_menu=POPULA&cod_conteudo=1392
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urbano-industrial brasileiro, fruto de demandas globais do modo de produção 
capitalista, transformou intensamente o território nacional. 
Entretanto, algumas questões podem ser lançadas: será que todo o 
território brasileiro é essencialmente urbano? Os estados do Amapá e Goiás 
são tão urbanizados quanto São Paulo e Rio de Janeiro? 
Essas e outras questões podem ser respondidas a partir de um debate 
extremamente necessário para a compreensão das transformações 
socioespaciais atuantes no espaço brasileiro. Esse tema, consequentemente, 
nos invita a refletir do ponto