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Ação Popular

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Ação Popular. 
	Inicialmente, cumpre destacar que a ação popular é uma ferramenta constitucional, disposta no artigo 5º, inciso LXXIII da Constituição/88, que tem como objetivo, ser ajuizada por ocorrência das hipóteses de lesão ou perigo de lesão ao patrimônio público, seja ele material ou imaterial.
	Relativamente a propositura da ação popular, podemos verificar que todo e qualquer cidadão brasileiro, maior, e em poder de suas faculdades mentais, pode vir a propor a presente, contudo, a comprovação de regularidade de sua situação eleitoral é ponto indispensável para que este esteja apto para figurar no polo ativo.
	A ação popular simboliza um remédio constitucional, que é utilizado como ferramenta de fiscalização do uso dos recursos públicos, sendo seu principal objetivo o de promover a reparação diante de ato lesivo, ou até mesmo, como meio para impedir a prática destes. Nela é possível realizar pedido liminar, a fim de impedir a concretização de ilícito que possa ensejar em prejuízos ao Estado.
	Acerca disso, Lenza (2021, p. 76) destaca o seguinte:
“A ação popular é instrumento de proteção dos interesses difusos. O autor ressalta ainda que o objeto da ação popular foi muito ampliado, tendo o texto da CF/88 incluído a proteção à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, enquanto as Constituições anteriores se limitaram a autorizar que a ação popular fosse ajuizada diante de atos lesivos ao patrimônio estatal.”
Em relação da necessidade de se proteger o patrimônio material, nossa Constituição/88, disciplina, de modo amplos, a amplitude do que pode vir a ser discutido em sede de ação popular. Nesta seara, o já mencionado autor, estabelece que as “entidades de que o Estado participe”, relacionadas no texto constitucional atingem a todas as entidades da administração, seja ela direta ou indireta, podendo serem incluídas as empresas públicas e as sociedades de economia mista, uma vez que, o objeto que se trata a presente ação, é a proteção do patrimônio material e imaterial de quaisquer pessoa jurídica, as quais tenham recebido recursos públicos.
Acerca dos atos que podem vir a ser discutidos na ação popular, Theodoro Jr. (2020, p. 79) destaca o seguinte:
“Podem ser discutidos na ação popular os atos nulos ou anuláveis, de acordo com a lei que disciplina o tema – Artigos 2º e 3º da Lei nº 4.717/65, sendo que o rol descrito na lei não é taxativo, cabendo analisar no caso concreto se o ato ilegítimo e lesivo estaria abrangido nas hipóteses de discussão por meio da ação popular.”
Assim sendo, segue o rol descrito pelo autor:
Art. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de:
a) incompetência;
b) vício de forma;
c) ilegalidade do objeto;
d) inexistência dos motivos;
e) desvio de finalidade.
Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observar-se-ão as seguintes normas:
a) a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou;
b) o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato;
c) a ilegalidade do objeto ocorre quando o resultado do ato importa em violação de lei, regulamento ou outro ato normativo;
d) a inexistência dos motivos se verifica quando a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido;
e) o desvio de finalidade se verifica quando o agente pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto, explícita ou implicitamente, na regra de competência.
Art. 3º Os atos lesivos ao patrimônio das pessoas de direito público ou privado, ou das entidades mencionadas no art. 1º, cujos vícios não se compreendam nas especificações do artigo anterior, serão anuláveis, segundo as prescrições legais, enquanto compatíveis com a natureza deles.
Nesta linha, Meirelles, Mendes e Wald (2019, p. 109) explicam que:
“A ação popular é instrumento voltado à anulação de contratos administrativos, atos administrativos ou qualquer espécie de ato que a ambos possa ser considerado equivalente. O procedimento da ação popular é o comum, com algumas alterações pontuais.”
O que os autores citados se referem é acerca da ilicitude ainda na origem do ato impugnado, como não sendo requisito para a sua discussão em sede de ação popular, sendo portanto, imprescindível, a verificação da ilegalidade na formação do ato discutido ou em seu objeto. 
Relevante destacar que, existe uma ligação muito evidente entre a ação popular e a moralidade administrativa, que vai muito além da possibilidade de utilizar o remédio constitucional como forma de impedir o cometimento de qualquer ato que possa afrontar o princípio da moralidade, princípio este que norteia todo o ordenamento jurídico, como também, se encontra estabelecido de forma expressa no caput do artigo 37 da Constituição/88.
Assim, é possível observar que a ação popular se presta a impedir, ou até mesmo anular, atos que se mostrem comissivos por parte da Administração Pública, contudo, está também poderá ser proposta quando verificada a omissão do Poder Público, desde que se possa visualizar lesão ao patrimônio.
Entretanto, alguns doutrinadores entendem que não há impedimento para o ajuizamento de ação popular, quando verificada a necessidade de se desconstituir leis que venham a ter o efeito concreto, sempre ressaltando que as espécies normativas, necessariamente, devem regulamentar matérias de modo bem parecido, com a que é feita por meio de atos administrativos.
Ou seja, o proposito constitucional, na prevalência da ação popular, é conceder aos cidadãos, o direito subjetivo a um governo honesto.
Portanto, resta ao cidadão, quando da propositura da ação popular, indicar ao polo passivo os agentes que tiverem cometido ato lesivo a administração pública, bem como, o ente que sofrera o prejuízo e o agente que tenha se beneficiado de tal ato, tudo na forma do artigo 6º da Lei nº 4.717/65.
Neste diapasão, Theodoro Jr. (2020, p. 341) afirma que:
“O litisconsórcio passivo previsto pela lei que disciplina a matéria é do tipo necessário, não sendo facultado ao autor da ação popular deixar de apontar como réus todos os mencionados sujeitos. Ressalte ainda que, não se trata de litisconsórcio unitário, sendo possível que o julgador determine soluções diferentes para cada um daqueles que compõem o polo passivo da contenda.”
Ressalta que, quando da citação dos réus, na ação popular, estes podem vir a encampar o pedido do autor, ocasião em que se verifica a confissão expressa em relação à prática das ilegalidades retratadas na peça inicial, o que vem a facilitar a compensação do patrimônio que suportou o dano em questão.
Outro ponto importante em relação aos detalhes pormenores da ação popular, é a possibilidade da presença de terceiros interessados no processo, seja atuando como litisconsortes do autor ou dos réus, seja intervindo como assistentes, desde que estejam preenchidos os requisitos legais para o efetivo ingresso, sendo tal situação conhecida como intervenção de terceiros.
Relativamente a competência para a ação popular, Lenza (2021, p.88) leciona que:
“Se a entidade lesada integrar a Administração Pública federal, será necessário que a ação popular seja processada diante da Justiça Federal, conforme o Artigo 109, I da CF/88. Intentada a ação perante a Justiça Federal é obrigatório se estiver presente interesse da União, ainda que esse concorra com interesse de um dos Estados da federação ou de município. A propositura da ação popular é reservada aos cidadãos, isto é, aos brasileiros que gozem de direitos políticos. É indispensável que se apresente o título de eleitor para o ajuizamento dessa ação!”
Relevante destacar que, em relação a legitimidade ativa da pessoas jurídicas para a propositura de ação popular, o Supremo Tribunal Federal, editou a súmula de nº 365, vedado esta possibilidade. 
Outro ponto importante a se ressaltar