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Cláudio Torres Alin do Amaral Máquinas elétricas © 2013 by Universidade de Uberaba Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Universidade de Uberaba. Universidade de Uberaba Reitor: Marcelo Palmério Pró-Reitora de Ensino Superior: Inara Barbosa Pena Elias Pró-Reitor de Logística para Educação a Distância: Fernando César Marra e Silva Assessoria Técnica: Ymiracy N. Sousa Polak Produção de Material Didático: • Comissão Central de Produção • Subcomissão de Produção Editoração: Supervisão de Editoração Equipe de Diagramação e Arte Capa: Toninho Cartoon Edição: Universidade de Uberaba Av. Nenê Sabino, 1801 – Bairro Universitário Catalogação elaborada pelo Setor de Referência da Biblioteca Central UNIUBE Torres, Cláudio. T636m Máquinas elétricas / Cláudio Torres, Alin do Amaral. – Uberaba: Universidade de Uberaba, c2013. 180 p. : il. ISBN 978-85-7777-520-0 1. Máquinas elétricas. 2. Motores elétricos. 3. Engenharia elétrica. I. Amaral, Alin do. II. Universidade de Uberaba. III. Título. CDD: 621.31042 Cláudio Torres Mestre em Educação Para a Ciência e o Ensino de Matemática (2010) pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Graduado em Engenharia Elétrica (1989) pelo Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná/CEFET. Alin do Amaral Mestra em Engenharia Elétrica (2012) e graduada em Engenharia Elétrica (2009) pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Docente nas subáreas de Circuitos elétricos industriais e Eletrônica industrial do curso de Engenharia Elétrica, na Universidade de Uberaba (Uniube). Sobre os autores Apresentação ...............................................................................................................IX Fundamentos da eletromecânica e motores de corrente contínua ....... 1 1.1 Fundamentos de eletromecânica ............................................................................5 1.1.1 Conversão eletromecânica de energia ...........................................................5 1.1.2 Relações existentes entre indução eletromagnética e força eletromagnética ...............................................................................................6 1.1.3 Comparação entre ação motora e ação geradora .......................................15 1.2 Motores de corrente contínua .................................................................................19 1.2.1 Composição dos motores CC .......................................................................19 1.2.2 Construção da máquina CC ..........................................................................19 1.2.3 Torque ............................................................................................................22 1.2.4 Equação fundamental do torque em máquinas CC .....................................26 1.2.5 Força contraeletromotriz ou tensão gerada no motor ..................................28 1.2.6 Velocidade do motor como função da fcem e do fluxo .................................32 1.2.7 Relação entre torque e velocidade do motor ................................................35 1.2.8 Controle de Velocidades nos Motores CC ....................................................37 1.2.9 Tipos de excitação ........................................................................................41 1.2.10 Vantagens e desvantagens dos acionamentos em corrente contínua ......42 1.2.11 Dispositivo de partida para motores de CC ................................................43 1.2.12 Características do torque eletromagnético dos motores CC .....................47 1.2.13 Característica de velocidade dos motores CC ...........................................50 1.2.14 Comparação das características do torque e velocidade-carga com corrente nominal ..........................................................................................51 1.2.15 Reação da armadura ..................................................................................52 1.2.16 Efeito do fluxo da armadura no fluxo polar .................................................53 1.2.17 Compensação para reação da armadura em máquina CC .......................54 1.2.18 Redução no fluxo da armadura ..................................................................56 1.2.19 Enrolamento de compensação ...................................................................57 1.2.20 Compensação para a reação da armadura em máquinas CC ..................57 1.2.21 Perdas em máquinas elétricas....................................................................57 1.2.22 Rendimento das máquinas de corrente contínua .......................................59 Capítulo 2 Máquinas de indução polifásicas ....................................... 67 2.1 Motor de indução ....................................................................................................69 2.2 Comentários básicos de construção ......................................................................70 Sumário 2.2.1 Rotor gaiola de esquilo .................................................................................70 2.2.2 Rotor bobinado ..............................................................................................70 2.3 Produção de campo magnético e girante ...............................................................71 2.4 Princípio do Motor de Indução ................................................................................74 2.5 Ensaios a vazio e em curto circuito ........................................................................78 2.5.1 Ensaio a vazio ...............................................................................................78 2.5.2 Ensaio em curto circuito ................................................................................78 2.5.3 Determinação da resistência equivalente de um motor de indução trifásico ..........................................................................................................78 2.6 Circuito equivalente do motor de indução trifásico .................................................84 2.7 Torque no motor de indução ...................................................................................92 2.8 Curvas operacionais de um motor de indução .......................................................94 2.9 Métodos de partida de um motor de indução .........................................................95 2.9.1 Partida do motor de indução trifásico ...........................................................95 2.9.2 Partida estrela – triângulo ou Y– Δ ................................................................97 2.9.3 Partida através de chave compensadora ...................................................102 2.10 Classificação e aplicação dos motores de indução ...........................................106 2.10.1 Categoria A ................................................................................................107 2.10.2 Categoria B ...............................................................................................108 2.10.3 Categoria C ...............................................................................................108 2.10.4 Categoria D ...............................................................................................109 2.10.5 Categoria F ................................................................................................109 2.11 Principais partes do motor de indução trifásico..................................................110 2.12 Considerações de ligações dos motores trifásicos ............................................112 Capítulo 3 Motores de indução monofásicos e máquinas síncronas 119 3.1 Motores de indução monofásicos .........................................................................121 3.1.1 Comentários básicos de construção ...........................................................121 3.1.2 Torque no motor de indução monofásico ...................................................123 3.1.3 Motor de fase dividida .................................................................................126 3.1.4 Motor de fase dividida com capacitor .........................................................128 3.1.5 Motor de fase dividida com capacitor permanente .....................................130 3.1.6 Motor de indução com duplo capacitor .......................................................132 3.1.7 Motor universal ............................................................................................133 3.2 Máquinas síncronas ..............................................................................................137 3.2.1 Generalidades .............................................................................................137 3.2.2 Circuito equivalente para máquinas síncronas ..........................................139 3.2.3 Características de circuito aberto ..............................................................142 3.2.4 Características de curto-circuito ................................................................143 3.2.5 Geradores e motores síncronos ................................................................153 3.2.6 Métodos de partida .....................................................................................155 3.2.7 Excitação de geradores e motores síncronos ............................................157 3.2.8 Máquinas síncronas em paralelo ................................................................164 Prezado(a) aluno(a). Organizamos este livro para orientá-lo, em seus estudos, acerca das máquinas elétricas, os fundamentos da eletromecânica e os motores. Nele, constam três capítulos cujas especificações estão descritas a seguir: No primeiro capítulo, “Fundamentos da eletromecânica e motores de corrente contínua”, vamos abordar sobre o processo de conversão juntamente com as ações motoras e geradoras, compreender o funcionamento dos motores de corrente contínua, com a sua variação de velocidade e rendimento. No segundo capítulo, “Máquinas de indução polifásicas”, é demonstrado o funcionamento de um motor trifásico através da análise de suas curvas, os métodos de partida, como partida direta, estrela / triângulo e chave compensadora que são usadas no meio industrial. Esse capítulo apresenta os diagramas de comando e potência e finaliza com a análise de seu rendimento. No terceiro capítulo, “Motores de indução monofásicos e máquinas síncronas”, serão vistos os motores de indução monofásicos, no que diz respeito ao seu princípio de funcionamento, procedimentos de partida e aplicações. Serão vistas, também, as máquinas síncronas, utilizadas, principalmente, como geradores em usinas hidroelétricas. Esperamos que os capítulos de estudos propostos o auxiliem na construção de seus conhecimentos acadêmicos e profissionais. Bons estudos! Apresentação Claudio Torres Introdução Fundamentos da eletromecânica e motores de corrente contínua Capítulo 1 Muitos dos equipamentos que operam na atualidade, como motores, geradores, microfones, alto-falantes, transformadores, funcionam graças à conversão eletromecânica de energia. A conversão eletromecânica trata justamente dos processos e princípios que envolvem a transformação de energia mecânica em elétrica e vice-versa, feita pelos transdutores eletromecânicos. Neste capítulo, será visto o princípio da conversão eletromecânica de energia e os modelos de transdutores eletromecânicos, os responsáveis pela conversão. Serão estudados, também, os motores de corrente contínua, ou seja, equipamentos que utilizam este princípio. Os motores de corrente contínua são muito utilizados na indústria, quando a carga exige um controle de velocidade, já que eles permitem que esse controle seja facilmente realizado, o que não é conseguido, por exemplo, em motores de indução, embora o advento de inversores de frequência tenda a mudar isso no futuro. 4 UNIUBE Ao término do estudo desse capítulo, você deverá estar apto a: • definir os processos de conversão de energia; • explicar e conhecer relações entre indução e forças eletro- magnéticas; • demonstrar os princípios, como Lei de Faraday e Lei de Lenz; • comparar e explicar ações motoras e geradoras; • reconhecer o funcionamento de uma máquina de corrente contínua; • discutir as causas da variação de velocidade e torque de um motor CC; • reconhecer as relações dos rendimentos e perdas dos motores CC. 1.1 Fundamentos de eletromecânica 1.1.1 Conversão eletromecânica de energia 1.1.2 Relações existentes entre indução eletromagnética e força eletromagnética 1.1.3 Comparação entre ação motora e ação geradora 1.2 Motores de corrente contínua 1.2.1 Composição dos motores CC 1.2.2 Construção da máquina CC 1.2.3 Torque 1.2.4 Equação fundamental do torque em máquinas CC 1.2.5 Força contraeletromotriz ou tensão gerada no motor 1.2.6 Velocidade do motor como função da fcem e do fluxo 1.2.7 Relação entre torque e velocidade do motor 1.2.8 Controle de velocidades nos motores CC Objetivos Esquema UNIUBE 5 1.2.9 Tipos de excitação 1.2.10 Vantagens e desvantagens dos acionamentos em corrente contínua 1.2.11 Dispositivo de partida para motores de CC 1.2.12 Características do torque eletromagnético dos motores CC 1.2.13 Característica de velocidade dos motores CC 1.2.14 Comparação das características do torque e velocidade- carga com corrente nominal 1.2.15 Reação da armadura 1.2.16 Efeito do fluxo da armadura no fluxo polar 1.2.17 Compensação para reação da armadura em máquina CC 1.2.18 Redução no fluxo da armadura 1.2.19 Enrolamento de compensação 1.2.20 Compensação para a reação da armadura em máquinas CC 1.2.21 Perdas em máquinas elétricas 1.2.22 Rendimento das máquinas de corrente contínua 1.1.1 Conversão eletromecânica de energia É o estudo dos processos de conversão de energia elétrica em mecânica e vice-versa, conforme a seguir: • conversão em dispositivos de força Motores e Geradores; • conversão em dispositivos de posição Microfones, alto-falantes e etc. Fundamentos de eletromecânica 1.1 6 UNIUBE Podemos classificar os transdutores em três partes: • parte elétrica; • parte mecânica; • parte eletromagnética. Observe a Figura 1: Figura 1: Partes de um transdutor eletromecânico. Fonte: Adaptado de Kosow (2000). 1.1.2 Relações existentes entre indução eletromagnética e força eletromagnética 1.1.2.1 Lei de Faraday da Indução Eletromagnética Faraday, em 1831, descobriu que, por meio do movimento relativo entre um campo magnético e um condutor de eletricidade, gerava uma tensão nos terminais deste condutor. A esse fenômeno, Faraday chamou de tensão. A Figura 2 demonstra o princípio deste funcionamento. UNIUBE 7 Figura 2: Princípio descoberto por Faraday. Fonte: Adaptado de Kosow (2000). Condutor de comprimento l movendo-se em um campo magnético B, para gerar uma fem (força eletromotriz). Lei de Faraday O valor da tensão induzida em uma espira de fio condutor é diretamente proporcional à razão de variação das linhas de força que cortam a espira. IMPORTANTE! Ainda para a Figura 2, para um condutor de comprimento l ativo, a fem induzida instantânea pode ser expressa como: Sendo: B = densidade de fluxo em gauss (linhas / cm2); l = comprimento do condutor que concatena o fluxo em cm; v = velocidade relativa entre o condutor e o campo em cm/s. 8 UNIUBE Para que possamos utilizar as equações apresentadas,deveremos levar em conta: a. campo com densidade do fluxo uniforme; b. movimento relativo uniforme entre o campo e o condutor; c. perpendicularidade entre o condutor, o campo e o sentido que o condutor se move em relação ao campo. A Lei de Faraday é a base para a conversão da energia mecânica em energia elétrica. 1.1.2.2 Lei de Lenz Sempre nos casos da indução eletromagnética, quando ocorre uma variação de fluxo concatenado, uma tensão é induzida, dando forma a uma corrente elétrica em uma direção, de maneira que produza um campo em oposição à variação do fluxo que concatena as espiras do circuito. Observe a Figura 3: Figura 3: Lei de Lenz. Fonte: Kosow (2000). Na Figura 3, o condutor é acionado por uma força mecânica na direção “para cima”. Ligando-se uma carga a este condutor, sendo um circuito fechado, teremos uma corrente circulando por este condutor, no mesmo sentido da fem, dando origem a um campo magnético em torno do condutor, conforme figura 03b. O campo magnético ao redor do UNIUBE 9 condutor com sentido anti-horário, conforme figura 3c, repele o campo magnético acima e atrai o campo magnético abaixo dele. Dessa forma, podemos enunciar a lei de Lenz da seguinte forma: A corrente elétrica induzida dá origem a um campo magnético que se opõe às causas que a criaram (movimento que o originou). Dessa forma, podemos equacionar: Motor: a c a aV E I R= + Gerador: g a a aE V I R= + Sendo: aV – tensão aplicada nos terminais da armadura; cE – fcem (força contraeletromotriz) gerada na armadura do motor; gE – fem (força eletromotriz) gerada na armadura do gerador; a aI R – queda de tensão na armadura devido a uma resistência aR própria. 1.1.2.3 Força eletromagnética A conversão eletromagnética de energia depende de dois princípios básicos do eletromagnetismo: 1. indução eletromagnética; 2. força eletromagnética. 10 UNIUBE Veja a Figura 4: Figura 4: Princípios da conversão eletromagnética. Fonte: Kosow (2000). O campo magnético mostrado na figura 4 é uniforme, e o condutor nele imerso está perpendicular às linhas de campo, sendo percorrido por uma corrente elétrica. Quando um condutor está submetido a uma ddp (diferença de potencial) dentro de um campo magnético, surge neste uma corrente elétrica capaz de gerar um campo inverso ao original. Como há uma componente perpendicular às linhas de campo, surgirá uma força que causará movimento do condutor em relação ao campo e vice-versa. Denominamos este princípio de ação motora. A força eletromagnética é afetada por três fatores: 1. campo magnético (B); 2. comprimento do condutor ativo (l); 3. corrente que circula no condutor (i). UNIUBE 11 Assim, a força magnética pode ser definida pela seguinte equação: . . .F B l i senφ= Sendoφ o ângulo entre as direções i e B, conforme Figura 5. Figura 5: Condutor imerso em um campo magnético. Fonte: Adaptado de Kosow (2000). Veja alguns exemplos de atividades a seguir. 1) Um fio retilíneo, horizontal, percorrido por uma corrente elétrica de 24A, movimenta-se em um campo magnético de módulo 0,06mT. Determine a força magnética sobre um fio de comprimento de 1m. Solução: F Bl i senφ= ( ) ( ) ( )30,06 .1 0 . 1 . 24 . 90F T m A sen−= ° 1,44F mN= 2) Determine o valor do campo magnético em Tesla, de um fio retilíneo de 0,5m perpendicular ao campo, sendo este percorrido por uma corrente de 40A com uma força magnética de 5mN. 12 UNIUBE Solução: F B l i senφ= 35.10 B . 0,5 . 40 . sen90− = ° 3 35.10 5.10 0,25 0,5 . 40 .1 20 B mT − − = = = 3) Determine a força magnética sobre um fio de 0,75m, inverso em um campo magnético de 0,12mT, percorrido por uma corrente de 60A. O fio movimenta-se no mesmo sentido do campo magnético. Solução: F B l i senφ= 3F 0,12 .1 0 . 0,75 . 60 .sen0−= ° F 0N= Com o objetivo de exercitar esse conhecimento, realize as atividades a seguir. Atividade 1 Determine o valor do campo magnético, em Tesla, de um fio retilíneo de 1m, perpendicular ao campo magnético, sendo este percorrido por uma corrente de 80A, com uma força de 10mN. Atividade 2 Determine o valor da força F, sendo que um fio de 3m de comprimento está imerso em um campo magnético de 200 μT. O fio tem movimento de 45° em relação ao campo magnético. A corrente é de 90A. AGORA É A SUA VEZ UNIUBE 13 Atividade 3 Para o exercício anterior, considere o condutor com ângulo de 60° em relação ao campo magnético. Atividade 4 Determine o ângulo que um condutor retilíneo de 1m faz com as linhas de campo magnético de 1mT. A corrente que percorre o condutor é de 10A. Considere a força de 5mN. Atividade 5 Determine o valor da corrente, em um fio retilíneo de 2m perpendicular ao campo magnético, sendo exercida sobre ele uma força de 20mN e o campo de 150μT. Atividade 6 Determine o ângulo em que um condutor retilíneo de 0,75m de comprimento, percorrido por uma corrente de 60A, faz com as linhas de campo magnético de 0,12mT. Considere F=0N. Agora, verifique, a seguir, as resoluções das atividades e compare-as com as que você realizou: Resolução da atividade 1 sinF B l i ϕ= ⋅ ⋅ ⋅ 310 10 1 80 1B−⋅ = ⋅ ⋅ ⋅ 125B Tµ= 14 UNIUBE Resolução da atividade 2 sinF B l i ϕ= ⋅ ⋅ ⋅ 6200 10 3 90 sin 45ºF −= ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ 0,038 F N= Resolução da atividade 3 6 sin 200 10 3 90 sin 60º 0,046765 F B l i F F N ϕ − = ⋅ ⋅ ⋅ = ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ = Resolução da atividade 4 3 3 sin 5 10 1 10 1 10 sin 30º F B l i ϕ ϕ ϕ − − = ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ = ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ = Resolução da atividade 5 6 6 sin 20 10 150 10 2 sin 90º 66,67 F B l i i i mA ϕ − − = ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ = ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ = Resolução da atividade 6 3 sin 0 0,12 10 60 0,75 sin sin 0 0º 180º F B l i ϕ ϕ ϕ ϕ ϕ − = ⋅ ⋅ ⋅ = ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ = = = UNIUBE 15 1.1.3 Comparação entre ação motora e ação geradora Uma máquina elétrica pode ser operada como gerador e/ou como motor. Podemos afirmar que ação motora e ação geradora ocorrem ao mesmo tempo nas máquinas elétricas. Para comprovar essa afirmação, faremos um estudo mais detalhado, comparando um motor e um gerador elementar. Observe as Figuras 6a, 6b, 6c e 6d: Figura 6a, 6b, 6c e 6d: Princípio de funcionamento de máquinas rotativas. Fonte: Adaptado de Kosow (2000). Observando a Figura 6, percebemos que, na Figura 6a, aplicamos uma tensão que dá origem a uma corrente no motor que deverá girar no sentido horário. Observa-se que o sentido da força contraeletromotriz induzida é oposta à tensão aplicada. Para que a máquina elétrica opere como motor e este gire, no caso, em sentido horário, é necessário que a tensão aplicada aos terminais da armadura, denominados de aV , seja obrigatoriamente maior que a fcem, , cfcem E . 16 UNIUBE No caso do gerador, Figura 6b, percebe-se que, por meio de uma força mecânica, o rotor gira no sentido horário, obtendo uma força eletromotriz induzida, conforme Figura 6c. Na Figura 6d, observamos que, ligando uma carga ao gerador, este, por meio da corrente de armadura, produzirá uma força resistente. Observamos que a força resistente, por meio do fluxo de corrente, opõe-se ao torque motor do gerador. Dessa forma, a corrente da armadura tem o mesmo sentido da fem gerada gE e é maior que a tensão de armadura aV , que é aplicada à carga. Vejamos, a seguir, alguns exemplos. 1) Sendo um motor, cuja armadura apresenta uma resistência de 0,50Ω, ligado em uma fonte de tensão de 220V, solicita uma corrente de 100A. Determine a fcem gerada na armadura do motor. Solução: 2) Considerando-se um gerador em que a armadura de 380V entrega uma corrente de 120A a uma carga, determine a fem gerada, sendo que a resistência de armadura é de 0,75Ω. Solução: 220 (100 0,5) 170 c a a a c c E V I R E x E V = − = − = 380 (120 0,75) 470 g a a a g g E V I R E x E V = + = + = UNIUBE 17 Com o objetivo de exercitar esse conhecimento, realize as atividades a seguir. Atividade 7 Determine a fcem de um motor, cuja armadura possui uma resistência de 0,75Ω, ligado a uma fonte de tensãode 280V, e que solicita uma corrente de 180A. Atividade 8 Determine a corrente, sendo a fcem de um motor igual a 60V, cuja resistência da armadura é de 1.2Ω, ligado a uma fonte de tensão de 360V. Atividade 9 Considerando um motor, cuja armadura possui uma resistência de 1Ω, ligado a uma fonte de tensão de 220V, uma fcem de 80V, determine o valor da corrente solicitada. Atividade 10 Determine o valor Ra, considerando um motor ligado a uma fonte de tensão de 380V, com uma fcem de 100V, sendo a corrente de 150A. Atividade 11 Determine o valor da fcem de um motor em que a resistência da armadura é de 1.5Ω, ligado a uma fonte de 440V, cuja corrente é de 150A. Agora, verifique, a seguir, as resoluções das atividades e compare-as com as que você realizou: AGORA É A SUA VEZ 18 UNIUBE Resolução da atividade 7 280 0,75 180 70 c a a a c c E V I R E E V = − = − ⋅ = Resolução da atividade 8 60 360 1,2 250 c a a a a a E V I R I I A = − = − = Resolução da atividade 9 80 220 1 160 c a a a a a E V I R I I A = − = − = Resolução da atividade 10 100 380 150 1,87 c a a a a a E V I R R R = − = − = Ω Resolução da atividade 11 440 1,5 150 215 c a a a c c E V I R E E V = − = − ⋅ = UNIUBE 19 1.2.1 Composição dos motores CC Os motores CC são compostos de um indutor de polos salientes, fixo ao estator e um induzido rotativo. O rotor compõe-se da armadura e do comutador. Na armadura, encontra-se o enrolamento induzido, que é distribuído em várias bobinas parciais, alojadas em ranhuras, em cujos terminais são soldadas as lâminas do comutador. A indução magnética muda em cada ponto devido ao seu movimento de rotação submetido a um campo magnético estacionário no espaço e produzido pelo enrolamento do estator excitado em corrente contínua. Os geradores e motores CC são divididos em duas partes, sendo uma estacionária e outra gigante. A parte fixa é chamada estator e a móvel, rotor. De acordo com Kosow (2000), o estator tem como objetivo proporcionar o campo magnético no qual giram os condutores de armadura. Sendo assim, além dos polos propriamente ditos, temos também o conjunto de escovas. O rotor é formado por um núcleo de aço laminado, em que existem ranhuras destinadas a receber os condutores (enrolamentos). No mesmo eixo dessa peça, há um conjunto de segmentos de cobre, o comutador ou o coletor, sobre o qual deslizam as escovas que servem de condutores intermediários entre o enrolamento da armadura e o circuito externo. 1.2.2 Construção da máquina CC A Figura 7 mostra um corte de uma máquina CC comercial típica, simplificada para dar destaque às principais partes. Motores de corrente contínua1.2 20 UNIUBE Figura 7: Máquina CC em corte e esquemas de conexão do campo. Fonte: Adaptado de Kosow (2000). UNIUBE 21 O rotor consiste de: 1. eixo da armadura, que imprime rotação ao núcleo da armadura, enrolamentos e comutador; 2. núcleo da armadura, construído de camadas laminadas de aço, provendo uma faixa de baixa relutância magnética entre os polos. As lâminas servem para diminuir as correntes parasitas no núcleo, e o aço usado é de qualidade destinada a produzir uma baixa perda por histerese; 3. enrolamento da armadura, constituído de bobinas isoladas entre si e do núcleo da armadura; 4. comutador, o qual, devido à rotação do eixo, providencia o necessário chaveamento para o processo da comutação. O comutador consiste de segmentos de cobre, individualmente isolados entre si e do eixo, eletricamente conectados às bobinas do enrolamento da armadura; O rotor da armadura das máquinas de CC tem quatro funções principais: • permite rotação para ação geradora ou ação motora mecânica; • em virtude da rotação, produz a ação de chaveamento necessária para a comutação; • contém os condutores que induzem a tensão ou providenciam um torque eletromagnético; • providencia uma faixa de baixa relutância para o fluxo. De acordo com Kosow (2000), o rotor da máquina CC consiste de: 1. uma estrutura cilíndrica de aço ou ferro fundido ou laminado. Não somente a carcaça atua como suporte das partes descritas anteriormente, mas também, providencia uma faixa de retorno do fluxo para o circuito magnético criado pelos enrolamentos de campo; 2. enrolamentos de campo, consistindo de umas poucas espiras de fio grosso para o campo-série ou muitas espiras de fio fino para o campo-shunt. Essencialmente, as bobinas de campo são eletromagnetos, cujos ampère-espiras (Ae) providenciam uma 22 UNIUBE força magnetomotriz (fmm) adequada à produção, no entreferro, do fluxo necessário para gerar uma fem ou uma força mecânica. Os enrolamentos de campo são suportados pelos polos; 3. polos, constituídos de ferro laminado aparafusados ou soldados na carcaça, depois da inserção dos enrolamentos de campo nos mesmos. A sapata polar é curvada, e é mais larga que o núcleo polar, para espalhar o fluxo mais uniformemente; 4. o interpolo e seu enrolamento também são montados na carcaça da máquina. Eles estão localizados na região interpolar, entre os polos principais e são, geralmente, de tamanho menor. O enrolamento do interpolo é composto de algumas poucas espiras de fio grosso, pois é ligado em série com o circuito da armadura, de modo que a fmm é proporcional à corrente da armadura; 5. enrolamentos de compensação (não vistos) são opcionais; eles são ligados da mesma maneira que os enrolamentos do interpolo, mas estão colocados em ranhuras axiais na sapata polar; 6. escovas e anéis-suporte de escovas como interpolos e enrolamentos de compensação são parte do circuito da armadura. As escovas são de carvão e grafito, suportadas na estrutura do estator por um suporte tipo anel, e mantidas nos suportes por meio de molas, de forma que as escovas estão sempre instantaneamente conectadas a um segmento e em contato com uma bobina localizada na zona interpolar; 7. detalhes mecânicos. Mecanicamente conectados à carcaça, estão os suportes contendo mancais nos quais o eixo da armadura se apoia, bem como os anéis-suporte de escovas em algumas máquinas. Esses detalhes são mostrados, na Figura 8, a seguir. 1.2.3 Torque A Figura 8 mostra a relação entre a força em um condutor e o torque. As forças 1f e 2f que surgem na espira devido ao campo magnético tendem a produzir rotação nesta. Neste caso, pode-se observar pelo sentido das forças que a rotação se dará no sentido horário. UNIUBE 23 Figura 8: Torque em uma espira inserida em um campo magnético. Fonte: Adaptado de Kosow (2000). Definimos torque como a tendência de acoplamento mecânico por produzir rotação. Por definição, o torque não é o mesmo para cada condutor, conforme Figura 9. Esta figura mostra claramente a diferença entre a força desenvolvida por estes condutores para produzir rotação. Figura 9: Torque útil na bobina. 24 UNIUBE O torque é definido como o produto de uma força e de sua distância perpendicular ao eixo de referência. A força é igual a: .f F senθ= Em que: F = força em cada condutor; θ = complemento de ângulo criado pela força desenvolvida pelo condutor e a força f útil tangencial da armadura. A fórmula do torque desenvolvido por qualquer condutor é: ( ) c rT f F sen rθ= = Em que: f = força r = distância radial ao eixo de rotação Vejamos alguns exemplos a seguir. A bobina da figura 9 encontra-se a um raio de r=60cm, em um campo de 0,1mT. Sendo a corrente de 30A, calcule: a. a força desenvolvida em cada condutor; Solução: 3 0,1 .1 0 . 30 . 0,6 1,8 F B I l F F mN − = = = UNIUBE 25 b. a força útil no momento em que a bobina se encontra em um ângulo de 60° com relação ao eixo interpolar de referência; c. o torque desenvolvido. f = F.sen -3 -3 f = 1,8. 10 . sen60° f = 1,56.10 N f = 1,56mN c r 3 c r c 3 c T f f .r T f 1,56 . 1 0 . 0,6 T 0,94m N m T 0,94 .1 0 N m − − = = = = = = Tc= fr = (F sen)θ r Veja que os condutores da região interpolar (figura 10) geram uma força igual a dos condutoresque se encontram diretamente sob a superfície polar, embora a componente útil da força, tangencial à armadura é zero. Adiante, se a bobina é livre para girar no sentido do torque desenvolvido sem que haja comutação, os sentidos nos condutores continuam inalterados, entretanto a força neles desenvolvida sofrerá uma reversão, como se vê a seguir, na Figura 10 (Kosow, 2000). Figura 10: Comutação em máquinas cc. Fonte: Kosow ( 2000). 26 UNIUBE 1.2.4 Equação fundamental do torque em máquinas CC O torque também está diretamente ligado ao número de polos. É importante salientar que, para um motor de CC, o número de caminhos, polos e condutores na armadura é fixo e constante. Daí, podemos considerar a equação do torque apenas em função das seguintes variáveis: aT k Iφ= Em que: φ = Fluxo por polo concatenando os condutores; aI = Corrente total que penetra na armadura. A semelhança da equação . . . F k B I l= , em que B e l determinam a força eletromagnética que produz o torque do motor, como o torque está em função do fluxo e da corrente de armadura, é independente da velocidade do motor. Adiantamos que a velocidade de motor depende do torque; no entanto, estes termos não podem ser usados como sinônimos, uma vez que um motor bloqueado tende a ter um alto valor de torque, no entanto, nenhuma velocidade. Vejamos o exemplo a seguir. Considerando-se um motor com um torque de 200Nm, com uma redução de 15% no fluxo de campo, produzindo um acréscimo de corrente de 40% na corrente de armadura, determine o novo torque. Solução: Inicialmente, temos: φ = 1,0mT aI = 1,0A T = 200Nm UNIUBE 27 Daí, ( ) 1, 40,85200 . . 1,0 1,0 200 . 0,85 .(1,4) 238 a a IT I T T Nm φ φ = = = Com o objetivo de exercitar esse conhecimento, realize as atividades a seguir. Atividade 12 Considerando-se um motor com um torque de 300Nm, com uma redução de 10% no fluxo de campo, produzindo um acréscimo de 30% na corrente de armadura, determine o novo torque. Atividade 13 Um motor, cujo torque é de 400Nm, com uma redução de 15% no fluxo de campo, produz um acréscimo de 40% na corrente de armadura. Determine o novo torque. Agora, verifique, a seguir, as resoluções das atividades e compare-as com as que você realizou. Resolução da atividade 12 AGORA É A SUA VEZ 1,30,9300 . . 1,0 1,0 351 a a IT I T N m φ φ = = ⋅ 28 UNIUBE Resolução da atividade 13 1,40,85400 . . 1,0 1,0 476 a a IT I T N m φ φ = = ⋅ 1.2.5 Força contraeletromotriz ou tensão gerada no motor Ao operar como motor em uma máquina CC, a força contraeletromotriz ocorre, simultaneamente, à ação geradora, pois os condutores se movimentam num campo magnético. Os condutores são percorridos pela corrente e produzem um torque no sentido horário e a fcem gira em sentido oposto. O fluxo da corrente, por meio da armadura, está limitado a sua resistência. Assim, a fcem pode ser representada por: ( ) /a a c aI V E R= − A fcem não pode igualar a tensão aplicada nos terminais; ora o sentido do fluxo inicial determina o sentido da rotação e cria, dessa forma, a fcem. Assim como a resistência da armadura, a fcem é um fator limitante à circulação da corrente. A queda de tensão nas escovas, BD, e a limitação da corrente pela fcem são exemplificadas a seguir. Um motor CC possui uma resistência de armadura 0,3Ω e uma queda de tensão nas escovas de 4V, com uma tensão aplicada de 120V na armadura. Determine a corrente de armadura, sendo: a. a velocidade produz uma fcem de 110V para uma dada carga; b. devido à aplicação de uma carga, a fcem tem um valor de 105V; UNIUBE 29 c. determine o percentual de variação na fcem e na corrente de armadura. Solução: a. ( ) 120 (110 4) 20 0,3 c a a V E BDI A R − + − + = = = b. No caso do aumento de carga 120 (105 4) 36,67 0,3a I A− += = c. 110 105 100% 4,54% 110c E −∆ = ⋅ = (20 36,67) .100% 83,35% 20 − ∆ = = Observe que há uma baixa variação na fcem e na velocidade (4,54%), resultando 7,57% numa considerável variação na corrente da armadura. A velocidade do motor varia, correspondendo em grandes variações na corrente do motor. Por isso, em alguns casos, a corrente do motor é usada para indicação da carga e da velocidade. Com o objetivo de exercitar esse conhecimento, realize as atividades a seguir. Atividade 14 Um motor de 200V, com resistência de circuito de armadura de 0,3Ω, resistência de 80Ω no circuito de campo, absorve da rede uma corrente de linha de 80A a plena carga de 1800rpm. Determine: a) a velocidade em meia carga; b) a velocidade em sobrecarga de 1,2%. AGORA É A SUA VEZ 30 UNIUBE Atividade 15 Calcule os vários valores da resistência de partida para limitar a corrente de um motor-shunt CC de 120V que possui uma resistência da armadura de 0,2Ω e uma queda no contato das escovas de 2V, e a corrente nominal a plena carga é 75A, para: a. uma carga 150% superior na partida ao valor nominal; b. uma fcem com 25% do valor da tensão da armadura, V_a, com uma corrente de 150% do valor nominal; c. uma fcem com 50% do valor da tensão de armadura, com uma I_st = 1,5 I_N; d. calcule a fcem a plena carga, sem resistência de partida. Agora, verifique, a seguir, as resoluções das atividades e compare-as com as que você realizou. Atividade 14 a) a fI I Iι= − 20080 80 77,5 ( ) 200 (77,5 . 0,3 3) 173,75 a a c a a a c c I I A E V I R BD E E V = − = = − + = − + = Em velocidade nominal de 1800rpm: 173,75 77,5 c a E V I A = = No caso de meia carga, temos: 77,5 38,75 2 ( ) 200 (38,75 . 0,3 3) 185,37 a c a a a c c I E V I R BD E E V = = = − + = − + = UNIUBE 31 Logo, 185,37. 1800. 1920,38 173,75 final orig orig E N N rpm E = = = b) Para sobrecarga de 20%, temos: 20% 1,2 . 77,5 93 ( ) 200 (93 . 0,3 3) 169,10 173,751800. 1687,16 185,37 a c a a a c c I E V I R BD E E V N rpm = = = − + = − + = = = Atividade 15 a) Na partida, cE é zero: ( ) 120 2 0, 2 1,05 0,2 1,5 . 75 0,85 a c s a a s s V E BDR R I R R − + = − − = − = − = Ω b) a c s a a V (E BD)R R I 120 30 2 0, 2 0,782 0,2 1,5 . 75 0,582 s s R R − + = − − − = − = − = Ω 32 UNIUBE c) s 120 (60 2)R 0,2 0,516 0,2 1,5 . 75 0,316sR − + = − = − = Ω d) ( ) c a a aE V (I R BD) 120 75 . 0, 2 2 103 c c E E V = − + = − + = 1.2.6 Velocidade do motor como função da fcem e do fluxo Para uma dada máquina CC, em função de suas variáveis, equações e fem podem ser expressas por: cE k Nφ= Em que: φ é o fluxo por polo; k é ( 8)( / 60 )10ZP a − para uma dada máquina; N é a velocidade de rotação do motor em RPM. A fcem, incluindo a queda de tensão nas escovas, BD, é ( )c a a aE V I R BD= − + Substituindo k Nφ por cE e resolvendo em função da velocidade, teremos a equação fundamental da velocidade do motor CC: ( )a a aV I R BDN kφ − + = UNIUBE 33 Assim, podemos rapidamente avaliar a performance de um motor CC. Como exemplo, se o fluxo polar é enfraquecido, o motor dispara. Ficando em zero o denominador, a velocidade se aproxima do infinito. Da mesma forma, se corrente e fluxo são constantes, enquanto a tensão aplicada aumenta, a velocidade sobe na mesma proporção. Portanto, se o fluxo polar e a tensão aplicada nos terminais continuarem fixos, e a corrente da armadura aumentar por acúmulo de carga, a velocidade cairá na proporção do decréscimo da fcem. IMPORTANTE! Vejamos os exemplos a seguir. 1) Um motor de 180V, com resistência de circuito de armadura de 0,3Ω, resistência de 80Ω no circuito de campo, absorve da rede uma corrente de linha de 80A a plena carga. Sendo a queda de tensão nas escovas na situação nominal de 4V e a velocidade a plena carga de 1800rpm, determine: a. a velocidade em meia carga; b. a velocidade em sobrecarga de 20%. Solução: a. ( ) 18080 77,75 80 180 (77,75 0,3 4 152,67a l f c a a a c I I I A E V I R BD x E V = − = − = Ω = − + = − + = ) 34 UNIUBE em velocidade nominal de 1800 rpm 152,67 77,75 c a E V I A = = no caso de meia carga, temos: ( ) 77,75 38,87 2 180 (38,87 0,3 4) 164,34 a c a a a c I A E V I R BD x E V = = = − + = − + = logo: 164,341800 1937,6 152,67 final orig orig E N N rpm E = = = b. Para sobrecarga de 20%, temos: ( ) ( ) 20% 1,20 77,75 93,3 180 93,3 0,3 4 148 148,01800 1745 152,67 a c a a a I x A E V I R BD x V N rpm = = = − + = − + = = = 2) Para o exemplo anterior, carregamos temporariamente com uma corrente de linha de 88A; no entanto, para conseguirmos produzir o torque necessário, o fluxo polar é aumentado em 10% por meio da redução da resistência do circuito do campo para 50Ω. Determine a velocidade do motor. Solução: ( ) 18088 84,4 50 180 (84,4 0,3 4) 150,68 a l f c a a a c I I I A E V I R BD x E V = − = − = = − + = − + = UNIUBE 35 Daí, 150,68 1,01800 . 152,67 1,1 1615 ckEN N rpm φ = = = 1.2.7 Relação entre torque e velocidade do motor De uma forma ideal, vamos considerar a queda de tensão nas escovas BD igual a zero. Sendo ( ) /a a aN V I R kφ= − , temos uma inconsistência entre aT k Iφ= , uma vez que o torque é uma força tendendo para produzir rotação, de acordo com o aumento de fluxo polar, haverá uma tendência de aumentar o torque e a velocidade. No entanto, o aumento do fluxo polar reduzirá a velocidade. Na realidade, não há inconsistência, sendo ( ) /a a c aI V I R= − , podemos explicar de forma qualitativa: a. no caso do motor-shunt, o fluxo do polo é reduzido pelo decréscimo da corrente de campo; b. cE (fcem) diminui instantaneamente; c. diminuindo cE , temos um aumento na corrente de armadura aI ; d. sendo que uma pequena variação no fluxo polar gera um grande aumento na corrente de armadura; e. daí, sendo aT k Iφ= , com um pequeno decréscimo no fluxo é compensado por um grande aumento na corrente de armadura. Chamamos a atenção para o fato de que o aumento no torque é superior à redução de fluxo. f. o aumento do torque gera um aumento na velocidade. 36 UNIUBE Concluímos que é possível aumentar o fluxo polar e, simultaneamente, aumentar a velocidade, desde que a corrente de armadura for mantida constante, aT k Iφ= . Conseguimos isto por meio de um servomotor CC, em que a corrente aI é invariável, uma vez que a armadura está ligada a uma fonte de corrente constante. IMPORTANTE! Caso não aplicarmos nenhuma tensão CC no enrolamento de campo com excitação independente, não haverá torque. Conforme a equação aT k Iφ= , quando uma pequena tensão CC é aplicada ao campo, tem-se um pequeno torque e a armadura gira lentamente. Uma vez que a corrente de armadura não varia, o torque e a velocidade são proporcionais apenas ao fluxo polar. Veja a Figura 11: Figura 11: Servomotor. Fonte: Adaptado de Kosow (2000). Caso o circuito de campo de um motor-shunt seja desligado, o que acontecerá com o motor? UNIUBE 37 Sabemos que pequenas diminuições no fluxo geram grandes aumentos no torque e na corrente de armadura. Um motor com carga e com o enrolamento de campo aberto absorve uma corrente muito elevada de armadura à medida que vai alcançando velocidades cada vez maiores; por consequência, produz cargas mecânicas e forças centrífugas muito elevadas nos seus condutores de armadura. O que vai proteger o motor será o uso de disjuntor e fusíveis para proteção, uma vez que teremos excessiva corrente de armadura. 1.2.8 Controle de Velocidades nos Motores CC O modelo do circuito elétrico do motor CC é ilustrado na Figura 12. Figura 12: Modelo elétrico de um motor cc. Fonte: Adaptado de Kosow (2000). A Lei de Kirchhoff aplicada ao circuito de armadura resulta em: .a a aU R I E= + Em que: aU : tensão de armadura; aR : resistência de armadura; aI : corrente de armadura; E : força eletromotriz induzida ou Força Contra-Eletromotriz da armadura. 38 UNIUBE Pela Lei de Faraday, a força eletromotriz é proporcional ao fluxo e à rotação, ou seja: 1. .E K φη= Combinando as equações, a expressão para a velocidade do motor CC é dada por: 1 .a a aU R IKη φ − = Em que: η : velocidade de rotação; 1K : constante que depende do tamanho do rotor, do número de polos do rotor, e como esses polos são interconectados; φ : fluxo no entreferro. Admitindo-se que a queda de tensão na armadura é pequena, ou seja, . 0a aR I ≅ , a expressão se reduz a: 1 aUKη φ = Portanto, a velocidade é diretamente proporcional à tensão de armadura, e inversamente proporcional ao fluxo no entreferro. O controle da velocidade, até a velocidade nominal, é feito por meio da variação da tensão de armadura do motor mantendo-se o fluxo constante. Velocidades superiores à nominal podem ser conseguidas pela diminuição do fluxo, mantendo-se a tensão de armadura constante. Sabendo que o fluxo é proporcional à corrente de campo, ou seja: 2. fK Iφ = UNIUBE 39 Em que: 2K : constante; fI : corrente de campo. Tais velocidades são atingidas por meio da diminuição da corrente de campo, mantendo-se a tensão de armadura constante. O conjugado do motor é dado por: 3. .aC K I φ= Em que: C : conjugado eletromagnético do motor; 3K : constante. Como vimos anteriormente, o controle de velocidade, até a rotação nominal, é feito por meio da variação da tensão da armadura, mantendo- se o fluxo constante. Dessa forma, observando-se a equação, a corrente de armadura se eleva transitoriamente, de forma apreciável, de modo a produzir o conjugado total requerido pela carga, mais o conjugado necessário para a aceleração. O conjugado acelerador incrementa a velocidade da máquina e, de acordo com a equação, a força eletromotriz induzida no motor também aumenta. Assim, a corrente transitória cai até um ponto de equilíbrio, que corresponde à manutenção do torque exigido pela carga. Esse ponto de equilíbrio é definido pelo valor da tensão de armadura aplicado e pela queda da tensão na resistência de armadura. Se o conjugado requerido pela carga for constante, o motor tenderá a supri-lo, sempre absorvendo uma corrente de armadura também praticamente constante. Somente durante as acelerações provocadas pelo aumento da tensão, que transitoriamente a corrente se eleva para 40 UNIUBE provocar a aceleração da máquina, retornando, após isso, ao seu valor original. Portanto, em regime, o motor CC opera a corrente de armadura essencialmente constante também. O nível dessa corrente é determinado pela carga no eixo. Neste sentido, no modo de variação pela tensão de armadura, até a rotação nominal, o motor tem a disponibilidade de acionar a carga exercendo um torque constante em qualquer rotação de regime estabelecida, como mostra a figura a seguir, que representa as curvas características dos motores CC. Esse pode ser um torque qualquer, até o limite do valor nominal, que corresponde a uma corrente de armadura nominal, definida por aspectos térmicos de dimensionamento do motor. Analise a Figura 13: Figura 13: Características motor cc. Fonte: Adaptado de Kosow (2000). O controle da velocidade após a rotação nominal é feito variando-se o fluxo e mantendo a tensão de armadura constante e, por isso, chama-se zona de enfraquecimento de campo. UNIUBE 41 Para se aumentar a velocidade, deve-se reduzir o fluxo, existindo, entre ambos, uma relação hiperbólica. Assim, 4. .a aK U IC η = Portanto, acima da rotação nominal, como a tensão e a corrente de armadura são constantes, o conjugado é inversamente proporcional à rotação, como também pode ser visto na figura anterior. 1.2.9 Tipos de excitação As características dos motores de corrente contínua são profundamente afetadas pelo tipo de excitação prevista. O quadro, a seguir, apresenta os diferentes tipos de excitação e suas respectivas características. Veja o Quadro 1 a seguir: Quadro 1: Tipos de excitação do campo Tipo de excitação Representação CaracterísticasSérie • Bobinas de campo estão em série com o enrolamento da armadura. • Só há fluxo no entreferro da máquina quando a corrente da armadura for diferente de zero (máquina carregada). • Conjugado é a função quadrá- tica da corrente, uma vez que o fluxo é praticamente proporcional à corrente de armadura . • Conjugado elevado em bai- xa rotação. • Potência constante . • Velocidade extremamente elevada quando o motor é descarregado, por isso não se recomenda utilizar trans- missões por meio de polias e correias. 42 UNIUBE Paralelo • Velocidade praticamente constante • Velocidade ajustável por variação da tensão de ar- madura Independente • Motor excitado externamen- te pelo circuito de campo • Velocidade praticamente constante • Velocidade ajustável por variação da tensão de ar- madura e também por en- fraquecimento de campo • São os motores mais apli- cados com conversores CAiCC na indústria • Aplicações mais comuns: máquinas de papel, lamina- dores, extrusoras, fornos de cimento etc. 1.2.10 Vantagens e desvantagens dos acionamentos em corrente contínua Dependendo da aplicação, os acionamentos em corrente contínua são geralmente os que apresentam os maiores benefícios, também em termos de confiabilidade, operação amigável e dinâmica de controle. Por outro lado, esse tipo de acionamento apresenta algumas desvantagens. Vantagens: • operação em 4 quadrantes com custos relativamente mais baixos; • ciclo contínuo mesmo em baixas rotações; • alto torque na partida e em baixas rotações; • ampla variação de velocidade; • facilidade em controlar a velocidade; UNIUBE 43 • os conversores CA/CC requerem menos espaço; • confiabilidade; • flexibilidade (vários tipos de excitação); • relativa simplicidade dos modernos conversores CA/CC. Desvantagens: • os motores de corrente contínua são maiores e mais caros que os motores de indução, para uma mesma potência; • maior necessidade de manutenção (devido aos comutadores); • arcos e faíscas devido à comutação de corrente por elemento mecânico (não pode ser aplicado em ambientes perigosos); • tensão entre lâminas não pode exceder 20V, ou seja, não podem ser alimentados com tensão superior a 900V, enquanto que motores de corrente alternada podem ter milhares de volts aplicados aos seus terminais; • necessidade de medidas de partida, mesmo em máquinas pequenas. 1.2.11 Dispositivo de partida para motores de CC Aplicando uma tensão nos terminais de armadura aV para iniciar a rotação, não haverá uma fcem. Teremos apenas uma queda de tensão nos contatos das escovas e a resistência no circuito da armadura, que, juntos, atingem, no máximo, 15% da tensão aplicada. Vamos exemplificar, por meio do exercício, a seguir. Sendo um motor CC de 180V que possui uma resistência de armadura de 0,3 Ω e uma queda de tensão nas escovas de 3V, determine a corrente na partida e o valor percentual em relação à corrente nominal, sendo que a corrente a plena carga é igual a 80A. 44 UNIUBE Solução: Percentual a plena carga: 180 3 590 0,3 a p a V BDI A R − − = = = 590 1 00 737,5% 80 A x A = Diante disto, devido à falta da fcem no instante da partida, para o exemplo apresentado, temos 737,5% de aumento do valor da corrente nominal. Deveremos utilizar um dispositivo de partida para limitar esta corrente. Iniciando a rotação, a fcem irá crescer proporcionalmente ao aumento da velocidade. Devemos inserir uma resistência em série com o circuito de armadura para limitar esta corrente no momento da partida. À medida que o motor vai adquirindo velocidade, vai-se diminuindo a resistência do reostato. Inserindo este reostato, temos: ( )a c a a s V E BDI R R − + = + A seguir, temos um exemplo do cálculo do resistor de partida: Determine os vários valores do reostato Rs, para o exemplo anterior. a. carga de 180% superior acima da nominal; b. sendo a fcem 20% do valor da tensão de armadura, com uma corrente de 200% do valor nominal; c. sendo a fcem com 50% do valor da tensão de armadura, com uma corrente de 1,8pI In= ; d. calcule a fcem a plena carga, sem resistência de partida. ( )a c s a a V E BDR R I − + = − UNIUBE 45 Solução: a. Na partida, cE é zero, logo: 180 -3 - 0,3 0,93 1,8 80 a s a a s V BDR R I R x − = − = = Ω b. ( ) 180 (45 3) 0,3 0,62 1,8 80 a c s a a s V E BDR R I R x − + = − − + = − = Ω c. 180 (90 3) 0,3 0,3 1,8 80s R x − + = − = Ω d. ( ) ( ) 180 80 0,3 3 153 c a a a c E V I R BD E x V = − + = − + = Na Figura 14, a seguir, veremos três tipos de máquinas CC usando o dispositivo de partida. 46 UNIUBE Figura 14: Dispositivos de partida do motor cc. Fonte: Adaptado de Kosow (2000). UNIUBE 47 Estes exemplos são apenas didáticos; os dispositivos usados comercialmente se diferem um pouco. 1.2.12 Características do torque eletromagnético dos motores CC A equação fundamental do torque nos prediz como o torque de cada tipo de motor varia quando aplicado à corrente da armadura. Supondo que cada tipo de motor foi ligado e acelerado, de modo que a armadura está ligada por meio dos terminais de linha, que efeito causa o aumento de carga sobre o torque dos motores CC? • Motor-shunt Em funcionamento normal, a corrente no circuito do campo-shunt é constante para o valor do reostato de campo e, assim, o fluxo também é constante. À medida que aumentamos a carga mecânica, o motor diminui um pouco sua velocidade, diminuindo a fcem e aumentando a corrente de armadura. Na equação básica do torque, então, o fluxo é essencialmente constante e, se a corrente da armadura aumenta diretamente com a aplicação da carga mecânica, podemos expressar a equação do torque para o motor-shunt por uma equação linear, ' aT k I= . • Motor-série Rompendo as bobinas do campo-shunt da máquina CC e substituindo- as por um enrolamento de campo-série, a armadura idêntica produzirá a curva de torque para o motor-série, como se observa na Figura 16. No motor-série, as correntes de armadura e do campo-série são as mesmas, e o fluxo proveniente é, durante todo o tempo, proporcional à corrente da armadura. 48 UNIUBE A equação básica do torque para a operação do motor-série torna-se 2" aT k I= . Sendo o núcleo polar não saturado, a relação torque-carga é exponencial, como podemos observar na Figura 15 a seguir. Figura 15: Características torque-carga da máquina cc. Fonte: Adaptado de Kosow (2000). Observe que o torque do motor-série para cargas de baixo valor é inferior ao do motor-shunt, pois desenvolve fluxo menor. Todavia, para a mesma corrente na armadura a plena carga, o torque é superior, comparando, respectivamente, as duas equações. • Motores compostos Quando enrolamentos de campo série e shunt combinados são instalados nos polos da máquina CC considerada, o efeito campo-série poderá ser composto cumulativo ou diferencial. Apesar da composição, contudo, a corrente no circuito do campo-shunt e o fluxo polar, durante a partida UNIUBE 49 ou funcionamento normal, é essencialmente constante. A corrente no campo-série é uma função da corrente de carga solicitada pela armadura. A seguir, a equação básica do torque para motor composto cumulativo: ( )f s aT k Iφ φ= + O motor composto cumulativo produz uma curva de torque sempre mais elevada que a do motor-shunt para o mesmo valor de corrente da armadura. No caso do motor composto diferencial, este produz uma curva de torque sempre menor do que o do motor-shunt. Isto se deve ao fato de que partindo com fluxo igual ao do campo-shunt sem carga, qualquer valor da corrente de armadura produzirá uma fmm do campo-série, que deverá reduzir o fluxo total no entreferro e, desta forma, o torque. ( )f sT k φ φ= + Vejamos o exemplo a seguir. Sendo um motor-série que absorve uma corrente de 30A com um torque de 100Nm, calcule: a. torque quando a corrente aumenta para 40A, considerando o campo sem saturação; b. o torque quando a corrente aumenta para 60A, produzindo70% de acréscimo ao fluxo. Solução: 2 2 40 . 100 . 177,78 30a T k I Nm = = = 60 1,7 . . 100 . . 340 30 1,0a T k I Nmφ = = = 50 UNIUBE 1.2.13 Característica de velocidade dos motores CC O gráfico da Figura 16 mostra a curva característica de velocidade-carga para cada motor: Figura 16: Característica carga-velocidade de uma máquina cc. Fonte: Adaptado de Kosow (2000). • Motor-shunt Por meio do gráfico, podemos notar que, quando uma carga mecânica é aplicada ao eixo do motor, a fcem desde a vazio até plena carga sofre uma variação de 20%, ou seja, de 0,95Va a 0,75Va. A velocidade não sofre grandes variações. • Motor-série Com uma carga pequena, temos um elevado valor de velocidade, desta forma sem carga, com pequena corrente de armadura e pequeno fluxo polar, a velocidade é excessivamente elevada. Com o aumento de carga, a velocidade cai. UNIUBE 51 Os motores-série são normalmente equipados com chaves centrífugas que atuam em 150% acima do valor nominal. Normalmente, são utilizadas acopladas ou engrenadas com a carga. • Motor composto diferencial A velocidade cai pouco para cargas leves, mas com o aumento da carga, a velocidade aumenta, tendo assim o que chamamos de instabilidade dinâmica. Este tipo de motor raramente é usado. • Motor composto cumulativo A velocidade deste motor cai em uma razão mais elevada do que a velocidade do motor-shunt com a aplicação de carga. 1.2.14 Comparação das características do torque e velocidade-carga com corrente nominal Os gráficos da Figura 17 fornecem-nos uma comparação dos motores de CC, de mesma tensão e potência mecânica de saída e mesmas especificações de velocidade. Figura 17: Característica torque e velocidade carga para corrente nominal. Fonte: Adaptado de Kosow (2000). 52 UNIUBE 1.2.15 Reação da armadura Todas as armaduras, sejam rotativas ou estacionárias, carregam corrente CA. Em todas as máquinas elétricas, os condutores da armadura estão engatados em ranhuras no núcleo de ferro da armadura, em que eles produzem fluxo ou fmm proporcional à quantidade de corrente que carregam. No caso dos motores, a corrente que flui nos condutores da armadura, resultado da tensão aplicada ao motor, deve ser investida à medida que o condutor se move sob um polo de polaridade oposta. Neste caso, isto é, cumprido pelo comutador que converte a CC aplicada às escovas em CA nos condutores da armadura. Para a Figura 18, cada condutor conectado em série, com corrente, produz uma fmm sob a superfície de um polo e uma fmm de polaridade oposta sob um polo oposto. O efeito resultante das fmm individuais é a produção de um fluxo resultante na armadura no sentido mostrado na figura em questão. Figura 18: Fluxo resultante na armadura da máquina. Fonte: Adaptado de Kosow (2000). UNIUBE 53 1.2.16 Efeito do fluxo da armadura no fluxo polar Temos duas fmm e dois fluxos operando na máquina, um deles é o fluxo da armadura e o outro é o fluxo de campo ou polar, produzido pelos enrolamentos de campo em torno dos polos. Vejamos a Figura 19, a seguir. Figura 19: Reação da armadura. Fonte: Adaptado de Kosow (2000). 54 UNIUBE O fluxo da armadura, mostrado na figura 19a, com seu fasor de campo magnético ∅_a, é produzido pela fmm da armadura ( o aN I ). Já, o fluxo de campo principal é mostrado na figura 19b, com seu fasor ∅_f, produzido pela fmm polar ( f fN I ). Desta forma, obtemos a soma fasorial das duas fmm, figura 19c, com o fluxo resultante ∅_r. Obtemos um fluxo de campo, que entra na armadura, deslocado e também torcido (Figura 19 c). De acordo com a figura 19c, podemos concluir que: a. fluxo mútuo no entreferro não é mais uniformemente distribuído nos polos, além do plano neutro ficar deslocado; b. redução no fluxo principal de campo, que, no caso do motor, é responsável pelo aumento de velocidade do motor com o aumento de carga. 1.2.17 Compensação para reação da armadura em máquina CC Extremidades dos polos com alta relutância. Usando uma técnica para impedir a concentração da densidade de fluxo numa extremidade qualquer do polo, podemos solucionar a situação, uma vez que o fluxo entraria na armadura sem deslocar a linha neutra. UNIUBE 55 Figura 20: Compensação da reação da armadura. Fonte: Adaptado de Kosow (2000). Mostramos esta técnica por meio da figura 20a, na qual o centro do polo está mais próximo da circunferência periférica da armadura do que as extremidades polares. Daí, temos um maior entreferro nas extremidades do polo, forçando o fluxo de campo a ser confinado no centro de cada um dos núcleos polares. Veja a Figura 20: Outra forma consiste em alternar as lâminas, conforme figura 20b, fazendo com que o centro do núcleo polar tenha mais ferro que as extremidades, logo, menos relutância no centro. 56 UNIUBE Figura 21: Redução do fluxo da armadura. Fonte: Adaptado de Kosow (2000). 1.2.18 Redução no fluxo da armadura Ao reduzirmos drasticamente o fluxo da armadura, sendo o fluxo polar praticamente o mesmo, utilizando laminação nos polos, perfurados e ranhurados, introduzimos vários entreferros no caminho magnético de fluxo da armadura, sem, é claro, alterar o caminho de fluxo polar. Observe a Figura 21: UNIUBE 57 1.2.19 Enrolamento de compensação Em grandes máquinas, utilizamos o enrolamento de compensação, também chamado de enrolamento de face polar, ou ainda enrolamento Thomson-Ryan. Este enrolamento é inserido em ranhuras na face da sapata polar estacionária. Temos que o fluxo resultante na armadura cai na zona interpolar ou neutro magnético, entre polos, perpendicular ao fluxo polar principal. Caso os polos da figura 18a sejam girados no sentido horário, temos que o neutro magnético irá se deslocar no sentido dos ponteiros de relógio de um mesmo grau, uma vez que ele é sempre perpendicular ao campo magnético. 1.2.20 Compensação para a reação da armadura em máquinas CC Não podemos manter uma posição em uma máquina e deslocar as escovas de acordo com as variações de carga e aplicações. Vamos expor brevemente alguns dos vários métodos de compensação para os efeitos da variação da armadura: • extremidade dos polos com alta relutância; • redução do fluxo da armadura; • enrolamento de compensação. 1.2.21 Perdas em máquinas elétricas A potência total recebida por uma máquina deve se igualar a sua potência de saída mais a perda total de potência. En saída perdasP P P= + 58 UNIUBE Claro que a potência entregue a uma máquina deve ser superior à potência de saída, uma vez que temos as perdas de potência, onde não se realiza um trabalho útil, isto é, transforma-se em calor, luz ou energia química. Podemos definir o rendimento de um motor por: En perdas En P P n P − = As perdas de potência nas máquinas podem ser divididas em duas grandes classes: 1. as que são produzidas pela circulação de corrente pelas diferentes partes do enrolamento de máquinas chamadas perdas elétricas; 2. as que são função direta do movimento dinâmico da máquina, chamadas de perdas rotacionais ou potência extraviada. Observe o Quadro 2: Quadro 2: Perdas e potências nas máquinas cc DISTRIBUIÇÃO DAS PERDAS DE POTÊNCIA DAS MÁQUINAS A. Perdas Elétricas Descrição e fórmulas para as perdas componentes 1. Perda no circuito de excitação CC do campo No reostato, 2f rI R e, no enrolamento de campo, 2f rI R: f fV I 2. Perda no enrolamento da armadura, 2a aI R 3. Perda na excitação CA do estator, 2a aI R 4. Perda no enrolamento do rotor, 2r rI R 5. Perda na escova ou na resistência do contato tecla-escova (ou perda nos anéis), e aV I 6. Perdas nos interpolos, enrolamentos de compensação, campos-série, campos de controle etc. Efeitos da aplicação de carga 1. Razoavelmente constante com a carga, mas pode aumentar um pouco, dependendo da regulação requerida e do fator de potência – uma função de fI 2. Aumenta com o quadrado da carga 3. Aumenta com o quadrado da carga 4. Aumenta com o quadrado da carga 5. Aumentacom a carga 6. Aumenta com o quadrado da carga UNIUBE 59 B. Perdas rotacionais (Potência extraviada) Descrição e fórmulas para os componentes das perdas 1. Atrito nos rolamentos 2. Ventilação (atrito com o ar) no rotor 3. Atrito nas escovas 4. Perda no ventilador 5. Perdas na bomba de resfriamento e/ou óleo dos rolamentos (se montada no eixo do rotor) Efeitos da aplicação de cargas Estas perdas são constantes a uma velocidade constante: variam apenas na proporção direta da variação de velocidade Perdas no núcleo (ou no ferro) 1. Perdas por histerese, xh hP K B fV= 2. Perdas por correntes parasitas 2 2 2e 1P K B f t V= Efeitos da aplicação de cargas Estas perdas são constantes a velocidade constante: variam na proporção direta das variações do fluxo e da velocidade (frequência) C. Perdas adicionais sob carga Fluxo disperso nos dentes, cantos de ranhuras, estrutura-suporte, faces polares etc. Fluxo de reação da armadura nos dentes, cantos de ranhuras, estruturas-suporte, faces polares etc. As perdas adicionais são usualmente estabelecidas como sendo de 1% da potência de saída de geradores acima de 150kW e de motores acima de 200 HP; são consideradas desprezíveis para máquinas abaixo destas potências. 1.2.22 Rendimento das máquinas de corrente contínua Determinamos as perdas rotacionais fazendo o motor (ou gerador também) funcionar como um motor trabalhando a vazio, com a velocidade nominal e com uma tensão aplicada à armadura, que deve corresponder à sua fcem induzida ou gerada a plena carga. A Figura 22 mostra a disposição dos instrumentos para realizar este ensaio. 60 UNIUBE Figura 22: Métodos para a determinação de perdas rotacionais de máquinas cc. Fonte: Adaptado de Kosow (2000). Realizando a medição da potência elétrica de entrada, e computadas as perdas elétricas, temos que a diferença entre a potência elétrica total de entrada e as perdas elétricas computadas deve representar as perdas rotacionais do motor à velocidade nominal. Desta forma: Perdas rotacionais = Potência elétrica de entrada – Perdas elétricas Perdas rotacionais = Potência elétrica de entrada – (Perdas no circuito do campo + Perdas combinadas no circuito de armadura) Perdas rotacionais = 2 . a a a a a aV I I R V I− ≅ Notamos que as perdas elétricas na armadura, a vazio, são tão pequenas que podem ser desprezadas e as perdas rotacionais podem ser simplesmente a aV I . UNIUBE 61 Vejamos o exemplo a seguir. Considerando um motor de 10kW, 220V, 1800rpm sem carga para podermos determinar suas perdas rotacionais à carga nominal. aV aplicada foi de 250V, sendo aI a igual a 3A. A resistência de campo do gerador é de 250Ω e a medida do circuito de armadura 0,3 Ω. Determine: a. as perdas rotacionais (potência extraviada) a plena carga; b. as perdas do circuito da armadura, a plena carga e as perdas no campo; c. o rendimento do gerador a 1/4, 1/2 e 3/4 da carga nominal; à carga nominal e a 1¼ dela. Solução: a. Perdas rotacionais = 2 a a a aV I I R− Perdas rotacionais = ( )2250 3 3 0,3 750 2,7x x− = − Perdas rotacionais = 747,30W Desta forma, são desprezíveis as perdas por 2a aI R , e que, se aproximar- mos para a aV I , ficam muito próximas do valor correto. b. 10000 40 250L t PI A V = = = 250 80 81 250 a f L VI I I A= + = + = Ω Perda da armadura a plena carga 2 2 . (81) 0,3 1968,3a aI R x W= = Perda no campo 250 1 250f fV I V x A W= = 62 UNIUBE c. O rendimento a qualquer carga: Potência de saída para a referidacargan Potência saída para referidacarga Perdas rotacionais Perdas elétricas a plenacarga = + + , Rendimento de 1/4 carga = [ ] 10000 4 1 00 10000 747,3 1968,3 /16 250 4 x + + + Rendimento de 1/4 carga 2500 2500 1 00 1 00 2500 747,3 373 3620,3 x x= = + + Rendimento de 1/4 carga = 69% Rendimento de 1/2 carga = [ ] 10000 2 1 00 10000 747,3 1968,3 / 4 250 2 x + + + Rendimento de 1/2 carga 5000 5000 1 00 1 00 5000 747,3 742 6489,37 x x= = + + Rendimento de 1/2 carga = 77% Rendimento de 3/4 carga = [ ] [ ] 10000 x (3 / 4) x1 00 10000(3 / 4) 747,3 1968,3(9 /16) 250+ + + Rendimento de 3/4 carga 7500 7500 1 00 1 00 7500 747,3 1357 9604,5 x x= = + + Rendimento de 3/4 carga = 78% Rendimento a plena carga = 10000 1 00 10000 747,3 (1968,3 250) x + + + Rendimento a plena carga = 10000 1 00 12965,6 x Rendimento a plena carga = 77,13% Rendimento de 1,25 da carga nominal = [ ] 10000 x1 , 25 x1 00 10000 x1 , 25 747,3 1968,3 x1 , 25 250+ + + Rendimento de 1,25 da carga nominal 12500 x1 00 12500 747,3 2710+ + UNIUBE 63 Rendimento de 1,25 da carga nominal = 12500 x1 00 15957,7 Rendimento de 1,25 da carga nominal = 78% Com o objetivo de exercitar o conhecimento construído, realize as atividades a seguir. Atividade 16 Determine o valor do campo magnético, em Tesla, de um fio retilíneo de 1m, perpendicular ao campo magnético, sendo este percorrido por uma corrente de 80A, com uma força de 10mN. Atividade 17 Determine o valor da força F, sendo que um fio de 3m de comprimento está imerso em um campo magnético de 200 μT. O fio tem movimento de 45° em relação ao campo magnético. A corrente é de 90A. Atividade 18 Para o exercício anterior, considere o condutor com ângulo de 60° em relação ao campo magnético. Atividade 19 Determine o ângulo que um condutor retilíneo de 1m faz com as linhas de campo magnético de 1mT. A corrente que percorre o condutor é de 10A. Considere a força de 5mN. Atividade 20 Determine o valor da corrente, em um fio retilíneo de 2m perpendicular ao campo magnético, sendo exercida sobre ele uma força de 20MN e o campo de 150μT. AGORA É A SUA VEZ 64 UNIUBE Agora, verifique, a seguir, as resoluções das atividades e compare-as com as que você realizou. Atividade 16 3 3 . . . 10.10 10.10 . 1.80. 90 80 0,125 125 F B l i sen FB li sen sen B mT B T φ φ µ − − = = = = ° = ∴ = Atividade 17 F = B l i . xn o F = 200.10-6 . 3 . 90 . sen 45° F = 38, 18 MN Atividade 18 3 310.10 10.10 . 1.80. 60 69,28 0,144 144 FB li sen sen B mT B T φ µ − − = = = ° = ∴ = Atividade 19 3 3 3 3 . . . 5.10 . . 1.10 .1.10 5.10 5 0,5 10 .10 10 30 F B l i sen Fsen B l i sen sen φ φ φ φ − − − − = = = = = = = ° UNIUBE 65 Atividade 20 3 6 3 6 . . . 20 .10 150 .1 0 . 2 . . 90 20.10 66,6 150 .10 . 2 . 90 F B l i sen i sen i A sen φ − − − − = = ° = = ° Neste capítulo, estudamos a conversão eletromecânica de energia, princípio responsável pelo funcionamento de vários equipamentos, como motores e geradores elétricos, microfones, alto-falantes, transformadores, entre outros. Além disso, vimos a teoria acerca dos motores de corrente contínua, um dos equipamentos que utilizam a conversão eletromecânica. Foram abordados aspectos como, sua construção, as relações das grandezas na máquina, características de velocidade e seu controle, tipos de excitação, vantagens e desvantagens de sua aplicação, fluxo na máquina e reação da armadura. Esse tipo de motor é muito utilizado em aplicações que requerem controle de velocidade. Resumo JORDÃO, Rubens Guedes. Máquinas síncronas. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos. São Paulo: EDUSP, 1980. KINGSLEY JUNIOR, Charles; FITZGERALD, A. E.; UMANS, Stephen D. Solução máquinas elétricas. 6. ed. Porto Alegre: Art Med Editora S.A, 2006. KOSOW, Irving L. Máquinas elétricas e transformadores. 14. ed. São Paulo: Editora Globo, 2000. MARTIGNONI, Alfonso. Máquinas síncronas. Série de manuais técnicos. São Paulo: Edart, 1967. Referências Claudio Torres Introdução Máquinas de indução polifásicas Capítulo 2 Do ponto de vista magnético, todas as máquinas elétricas baseiam- se no princípio da tendência de alinhamento existente entre dois campos magnéticos, produzidos em partes diferentes, estator e rotor. É exatamente esta tendência que permite a contínua conversão eletromecânica de energia, e cujos princípios constituema base de funcionamento de máquinas de indução polifásicas. As máquinas de indução são as de mais largo emprego na indústria, operando, principalmente, como motor. Sua grande utilização se deve ao seu baixo custo, pouca necessidade de manutenção, robustez e possibilidade de emprego em qualquer ambiente. Possui, no entanto, a desvantagem de não ter sua velocidade facilmente controlada, como no caso de motores de corrente contínua. Mas essa limitação também tende a diminuir, pois, atualmente, está bastante difundido o uso de inversores de frequência, que fazem esse controle de forma efi ciente. Esse estudo é fundamental para sua atuação na área de engenharia elétrica. Neste sentido, organizamos este capítulo. Assim, veremos o funcionamento do motor de indução trifásico, os circuitos de equivalência, suas características. Veremos ainda os métodos de partida desses motores e aprenderemos a analisar o rendimento deles. 68 UNIUBE Objetivos Após o término dos estudos deste capítulo, esperamos que você esteja apto(a) a: • reconhecer o funcionamento do motor de indução trifásico; • analisar circuito de equivalência do motor de indução trifásico; • entender as curvas características do motor de indução trifásico; • reconhecer os métodos de partida dos motores de indução; • realizar análises de rendimento do motor de indução. Esquema 2.1 Motor de indução 2.2 Comentários básicos de construção 2.2.1 Rotor gaiola de esquilo 2.2.2 Rotor bobinado 2.3 Produção de campo magnético e girante 2.4 Princípio do motor de Indução 2.5 Ensaios a vazio e em curto circuito 2.5.1 Ensaio a vazio 2.5.2 Ensaio em curto circuito 2.5.3 Determinação da resistência equivalente de um motor de indução trifásico 2.6 Circuito equivalente do motor de indução trifásico 2.7 Torque no motor de indução 2.8 Curvas operacionais de um motor de indução 2.9 Métodos de partida de um motor de indução 2.9.1 Partida do motor de indução trifásico 2.9.2 Partida estrela – triângulo ou Y– Δ 2.9.3 Partida através de chave compensadora 2.10 Classificação e aplicação dos motores de indução UNIUBE 69 2.10.1 Categoria A 2.10.2 Categoria B 2.10.3 Categoria C 2.10.4 Categoria D 2.10.5 Categoria F 2.11 Principais partes do motor de indução trifásico 2.12 Considerações de ligações dos motores trifásicos Motor de indução2.1 O motor de indução é uma máquina de dupla excitação em que uma tensão CA é aplicada a ambos os enrolamentos, estator (armadura) e rotor. Normalmente, a tensão aplicada ao estator é uma tensão de excitação de frequência e potencial constante. A tensão aplicada ao rotor é uma tensão induzida, produzida como consequência da velocidade do rotor, com relação à velocidade síncrona. O motor de indução de gaiola de esquilo é o mais simples no aspecto construtivo. Não tem anéis coletores, comutador, enfim, não há nenhum contato móvel entre o rotor e o estator. Vantagens do motor de gaiola de esquilo: • manutenção quase inexistente; • indicado para utilização em locais remotos e em condições severas de trabalho. 70 UNIUBE Comentários básicos de construção2.2 A armadura do estator é idêntica à de uma máquina síncrona CA, não havendo necessidade de nenhuma elaboração adicional. O núcleo do rotor de um motor de indução é um cilindro de aço laminado, em que condutores de cobre e alumínio são fundidos e enrolados paralelos ou quase paralelos ao eixo, em ranhuras ou orifícios existentes no núcleo. Na construção do rotor, os condutores não necessitam ser isolados do núcleo, uma vez que suas correntes induzidas seguem o caminho de menor resistência. CURIOSIDADE 2.2.1 Rotor gaiola de esquilo Os condutores são curto-circuitados em cada terminal por anéis. No caso dos rotores maiores, os anéis terminais são soldados aos condutores, em vez de serem moldados na construção do rotor. É interessante ressaltar que barras do rotor nem sempre são paralelas ao seu eixo, mas podem ser deslocadas ou colocadas segundo um pequeno ângulo, em relação a esse, no sentido de produzir um torque mais uniforme e, também, para produzir o que chamamos de zumbido magnético durante a operação do motor. 2.2.2 Rotor bobinado São rotores que utilizam condutores de cobre que são inseridos nas ranhuras e, normalmente, isolados do núcleo de ferro. Usualmente, são ligados em ∆ nas máquinas trifásicas ou em Y nas máquinas de indução polifásicas. Podemos, também, encontrar um resistor trifásico ou polifásico equilibrado variável, que é ligado aos anéis coletores através das escovas, como meio de variar a resistência total do rotor, por fase. UNIUBE 71 Em função do elevado custo inicial e de manutenção, o motor de rotor bobinado é usado, apenas, onde se necessita: • de elevado torque de partida; • de controle de velocidade; • de se introduzir tensão externa ao circuito do rotor. IMPORTANTE! Produção de campo magnético e girante2.3 Sendo os enrolamentos dispostos fisicamente deslocados no espaço da armadura e as correntes que circulam através dos enrolamentos também defasadas no tempo, obtemos um campo magnético girante, girando a velocidade síncrona, 120S fN P = , com amplitude constante. Em se tratando de máquinas de indução trifásicas, necessitamos de três enrolamentos individuais e idênticos, deslocados no estator de 360 120 3 = ° elétricos e polos nos quais circulam correntes defasadas de 120° no tempo, ou na fase. Observe a Figura 1: 72 UNIUBE Figura 1: Campo girante. Fonte: Adaptado de Kosow (2000). A figura 1a mostra um diagrama fasorial, com a sequência de fases ABC. Na figura 1b, temos as variações senoidais de cada corrente em um ciclo. No caso da figura 1c, temos um enrolamento trifásico concentrado típico, mostrando claramente o deslocamento espacial. Vemos bobinas concentradas, ao invés de enrolamentos distribuídos, o que permite saber o fluxo resultante produzido por todas as bobinas de uma fase. Daí, conforme desenho 1c, temos 12 condutores correspondendo e 6 bobinas por fase, em que os correspondentes terminais das bobinas de cada fase estão ligadas a um ponto comum. O outro lado de cada fase está ligado à alimentação trifásica. UNIUBE 73 Verificamos que, no instante t1, a fase A, conforme mostra figura 1b, está em um valor máximo em um determinado sentido, enquanto que as correntes nas bobinas das fases A, B e C têm 0,707 do valor máximo no sentido oposto. Pela figura 1c e 1d, para o instante t1, os sentidos das correntes nas fases B e C são opostos ao do sentido da fase A. Utilizando-se a regra da mão direita, o fluxo produzido por estes condutores nas diversas fases são vistos na figura 1d. Nos desenhos, podemos observar que B∅ e C∅ em A∅ produzem um fluxo resultante R∅ . Podemos notar, também, nos desenhos da figura 1, que as componentes dessas projeções cancelam-se entre si, pois são iguais e opostas em sua posição de fase. O raciocínio é o mesmo para as outras fases. Podemos verificar, nos desenhos da Figura 1, que, no instante t2, com 60° elétricos mais tarde que o instante t1, o fluxo resultante girou 60°, mas permaneceu com seu valor constante. Para o instante t1 e t2, notamos que o estator tem um comportamento de um solenoide em que todos os condutores de um lado de R∅ carregam corrente entrando no estator, e do outro lado, tem correntes saindo do estator. Teremos um fluxo resultante em sentido horizontal da direita para a esquerda, entrando no estator, quando optou-se por S do lado esquerdo e deixando o estator num polo N à esquerda. Vejamos algumas considerações importantes: • um enrolamento trifásico localizado no estator produz um único campo magnético girante constante; • a frequência da fonte, que corresponde ao deslocamento no tempo é o mesmo do deslocamento no espaço, resultante do campo magnético girante. Conforme figura C, temos dois polos com seis ranhuras para cada enrolamento trifásico; • a velocidade do campo magnético girante é diretamente proporcional à frequência e inversamente proporcionalao número de polos; 74 UNIUBE 120 fN P = • para se inverter o sentido de rotação de um motor de indução trifásico, basta inverter uma fase com outra e teremos outra sequência de fase. Vejamos o exemplo: Sendo 60f Hz= , determine a velocidade de um motor trifásico de indução de 4 polos: Solução: 120 120 60 7200 1800 4 4 f xN rpm P = = = = Realize a atividade a seguir. Atividade 1 Sendo 60f Hz= , determine a velocidade do campo girante de um motor trifásico de indução de 2 polos. Agora, verifique, a seguir, a resolução da atividade e compare-a com a que você realizou. Resolução da atividade 1 120 120 60 7200 3600 2 2 f xN rpm P = = = = AGORA É A SUA VEZ Ilustramos na Figura 2, a seguir, o princípio de funcionamento de um motor de indução através do uso de um imã permanente suspenso por um fio sobre um disco de alumínio ou cobre apoiado em um mancal de apoio com pouquíssimo atrito sobre uma placa fixa de ferro. Princípio do Motor de Indução2.4 UNIUBE 75 Figura 2: Esquema do MIT. Fonte: Adaptado de Kosow ( 2000). Girando o imã, teremos também o giro do disco num mesmo sentido, porém, com uma velocidade menor que a do imã, provocando um movimento relativo entre o condutor e o campo magnético, que produzem correntes parasitas no disco. Sabemos que, pela Lei de Lenz, o sentido da tensão induzida e, desta forma, consequentemente, das correntes parasitas, produz-se um campo que tende a se opor à força, isto é, ao movimento que produziu a tensão indutiva. Classificamos o motor de indução como uma máquina duplamente excitada, uma vez que é devido à ação geradora que se produz corrente em um resultante campo magnético oposto, isto é, enquanto o torque magnético é o resultado da interação entre os campos magnéticos produzidos pelas duas correntes de excitação, ocorre, consequentemente, a ação geradora. Concluímos que no motor de indução CA, nem a ação motora e nem a ação geradora poderão ocorrer com velocidade síncrona, logo, uma máquina que funciona sob o princípio de indução é chamada de máquina não síncrona ou assíncrona. 76 UNIUBE Para que haja uma corrente induzida a produção do fluxo magnético e o torque, é necessário que a velocidade do disco nunca seja igual à do imã. Este “escorregamento” em velocidade é que produz o torque. IMPORTANTE! Chamamos de S, o percentual de escorregamento, logo : velocidadedeescorregamentoS velocidade síncrona velocidade síncrona velocidadedorotorS velocidade síncrona = − = Sendo: Ns = velocidade síncrona; Nr = velocidade do rotor; Daí: ( ) ( ) .100 1 1 20 (1 )r s Ns NrS Ns fN N s s P − = = = − = − Vejamos algumas definições: • Velocidade síncrona (Ns): é a velocidade do campo girante, vinculada à frequência para qualquer máquina de indução. Esta velocidade síncrona é dada por (120f/P) em rpm; • Velocidade de escorregamento: é a diferença entre a velocidade síncrona e a velocidade do rotor. % UNIUBE 77 Veja o exemplo a seguir. Considerando-se um motor de indução trifásico de 6 polos, sendo f = 60Hz, calcule: a. a velocidade em rpm do campo magnético girante; b. o valor da velocidade do campo magnético para f=50Hz. Solução: 120 120 . 60 1200 6 120 120 . 50 1000 6 fNs rpm P fNs rpm P = = = = = = Realize a seguinte atividade. Atividade 2 Considerando-se um motor de indução trifásico de 12 polos, sendo f = 60Hz, calcule: a) a velocidade em rpm do campo magnético girante; b) o valor da velocidade do campo magnético girante para f = 50Hz. Agora, verifique, a seguir, a resolução da atividade e compare-a com a que você realizou. Resolução da atividade 2 120 120 60 7200 600 12 12 120 120 50 7000 500 12 12 f xN rpm P f xN rpm P = = = = = = = = AGORA É A SUA VEZ 78 UNIUBE Ensaios a vazio e em curto circuito2.5 2.5.1 Ensaio a vazio Ligamos um motor à sua tensão nominal, sem carga acoplada ao seu eixo. Classificamos as perdas em: a. perdas mecânicas rotacionais; b. perdas elétricas no cobre do estator e rotor. 2.5.2 Ensaio em curto circuito Desliga-se o motor e bloqueia-se o rotor para que não possa girar. Aplica- se um valor de tensão por uma fonte trifásica de forma gradativa ao estator, até que circule uma corrente de linha nominal da placa. Constata-se que as perdas no núcleo (ferro) são desprezíveis e não há perdas mecânicas, uma vez que o motor está parado. Dessa forma, a potência total do motor representa as perdas elétricas no cobre, a plena carga, correspondendo ao estator e rotor. 2.5.3 Determinação da resistência equivalente de um motor de indução trifásico Para que possamos prosseguir com nossos ensaios, precisamos determinar a resistência equivalente entre os terminais do motor, relativa aos circuitos do rotor e do estator, nas condições de rotor bloqueado. Veja as Figuras 3a e 3b. UNIUBE 79 Figura 3a: Ligação em delta. Fonte: Adaptado de Kosow ( 2000). Figura 3b: Ligação em estrela. Fonte: Adaptado de Kosow (2000). Vamos nos concentrar na figura 3a, em que temos um motor de indução com o estator ligado em triângulo e o rotor bloqueado. Podemos comparar o motor com o rotor bloqueado como um transformador em que o estator ligado em delta pode ser considerado como primário e o secundário como o rotor em curto circuito. Temos a resistência equivalente entre linhas: el Ra . 2Ra 2 3R = = ou Ra Ra+2Ra 3 2 elRa R= 80 UNIUBE Uma vez que o rotor está bloqueado, aplicamos uma tensão de excitação de, no máximo, 10% da nominal no estator. Consideramos, nesse caso, desprezíveis as perdas no núcleo. Consideramos apenas as perdas no cobre, equivalentes do rotor e estator combinados. Daí: 2 2 l c a a a 2 c l a 2 c l el IP =3I R -3 R 3 P =I , ent o :.R 3P = I R 2 ã Sendo: lI = corrente de linha de um motor de indução trifásico; elR = resistência equivalente total entre linhas de um rotor referida ao estator. Considerando o estator do motor ligado em estrela, temos: el el a a e RR = 2R R = 2 (estator ligado em estrela) À tensão reduzida, temos o potencial de entrada ou perda equivalente no cobre, dada por: 2 2 233 3 2c a a l a l el P I R I R I R= = = Verificamos que a fórmula é a mesma, logo concluímos que não é necessário sabermos se o estator está ligado em estrela ou delta. Veja o exemplo a seguir. Considerando um motor de indução trifásico, de 5HP, 60Hz, 220V e fp = 0,9, tem-se uma corrente nominal de 16A, como corrente de linha, com uma velocidade de 1750 rpm. UNIUBE 81 A seguir, no Quadro 1, apresentamos os dados obtidos pelos ensaios de circuito aberto e de curto circuito. Quadro 1: Ensaios de circuito aberto e de circuito fechado Ensaios Grandezas Obtidas Ensaio de Circuito Aberto Ensaio de Curto Circuito Corrente de linha 6,5A 16A Tensão de linha 220V 50V Wattímetro 300W *800W *Perdas no cobre equivalentes à plena carga Calcule: a. a resistência total equivalente, entre linhas, do motor de indução; b. as perdas rotacionais; c. as perdas equivalentes no cobre a 1/4, 1/2, 3/4 e 1¼ da carga nominal; d. o rendimento para estas cargas e a potência de saída em HP para essas cargas. Soluções: a. 2 2 800 2. 2,08 (3 / 2) 16 3 c el l PR I = = = Ω b. 2 2300 6,5 2,08 300 132 168r l elP I R x W− = − = − = c. Perdas equivalentes no cobre: 1/4: ( )2800 1/ 4 50Wx W= 1/2: 2800 (1/ 2) 200Wx W= 3/4: 2800 (3 / 4) 450Wx W= 1 ¼: 2800 (5 / 4) 1250Wx W= 82 UNIUBE d. O rendimento em porcentagem, é dado por: ( ) . 1 00 ( . à ) P deentrada à plenacarga x a fraçãodacarga as perdas x P deentrada plenacarga x a fraçãodacarga η − = A potência de entrada à plena carga: 3 220 1 6 0,9 5480x x x W= As perdas rotacionais = 168W Assim, 1/4: (5480 / 4) (168 50) 1370 218 1 00 1 00 84,2% (5480 / 4) 1730 x x− + −= = 1/2: (5480 / 2) (168 200) 1 00 86,5% (5480 / 4) x− + = 3/4: [ ]5480(3 / 4) (168 450) 1 00 84,9% 5480 (3 / 4) x − + = 1 ¼: [ ]5480(5 / 4) (168 1250) 1 00 79,3% 5480 (5 / 4) x − + = A potênciade saída em HP é dada por: HP=(Potência de entrada- perdas)/(746W/HP) Assim, 1/4: (5480 / 4) 218 1,545 746 HP− = 1/2: (5480 / 2) 368 3,18 746 HP− = 3/4: [ ]5480 (3 / 4) 618 4,68 746 x HP − = 1 ¼: [ ]5480 (5 / 4) 1418 7,28 746 x HP − = UNIUBE 83 Realize a atividade a seguir. Atividade 3 Considerando um motor trifásico de 12 HP, 60 Hz, 220V, com fp = 0,98, uma corrente nominal de 35A, como corrente de linha, com velocidade de 1750 rpm, calcule: Dados: perdas no cobre equivalente à plena carga: 1300W; potência e corrente em ensaio de curto circuito: P = 440W e I = 12A; potência e corrente em ensaio de circuito aberto: P = 200W e I = 5A; a. a resistência total equivalente, entre linhas, do motor de indução; b. as perdas rotacionais; c. as perdas equivalentes no cobre à 0,5 e 1,25 da carga nominal. Agora, verifique, a seguir, a resolução da atividade e compare-a com a que você realizou. Resolução da atividade 3 a) ( ) 22 2 2 2 2 440 2 2,043 12 32 200 5 2 0,5 ,04 14 : 1,25 9 1440 110 2 4: 40 1,25 687,5 c el l r l el PR I P I R W W W = = ⋅ = Ω − = − = ⋅ = ⋅ = ⋅b) c) d) AGORA É A SUA VEZ 84 UNIUBE O motor de indução pode ser analisado como um transformador contendo um entreferro e tendo uma resistência variável ao secundário. Dessa forma, o primário do transformador corresponde ao estator do motor de indução, enquanto o secundário corresponde ao rotor. A Figura 4, a seguir, mostra o circuito equivalente, em termos monofásicos. Circuito equivalente do motor de indução trifásico2.6 Figura 4: Circuito equivalente por fase. Fonte: Adaptado de Kosow (2000). Em que: 1 1 2 2 1 1 1 2 2 2R /s R X R X V E I E I : resistência por fase efetiva do estator; 1 1 2 2 1 1 1 2 2 2R /s R X R X V E I E I : reatância de dispersão por fase do estator; 1 1 2 2 1 1 1 2 2 2R /s R X R X V E I E I : resistência por fase efetiva do rotor; 1 1 2 2 1 1 1 2 2 2R /s R X R X V E I E I : reatância de dispersão por fase do rotor; 1 1 2 2 1 1 1 2 2 2R /s R X R X V E I E I : tensão de fase aplicada no motor; 1 1 2 2 1 1 1 2 2 2R /s R X R X V E I E I : fcem gerado pelo fluxo de entreferro resultante; 1 1 2 2 1 1 1 2 2 2R /s R X R X V E I E I : corrente no estator; 1 1 2 2 1 1 1 2 2 2R /s R X R X V E I E I : tensão induzida no rotor; 1 1 2 2 1 1 1 2 2 2R /s R X R X V E I E I : corrente no rotor; 1 1 2 2 1 1 1 2 2 2R /s R X R X V E I E I : representa o efeito combinado de carga no eixo e resistência do rotor. UNIUBE 85 Deveremos expressar as quantidades do rotor referidas ao estator; dessa forma, conheceremos a razão de transformação, como em um transformador. Denominaremos esta razão por “a” e deveremos incluir os efeitos das distribuições dos enrolamentos do estator e rotor. Dessa forma, ' 2 2 2R a R= ' 2 2 2X a X= Em que: ' 2 ' 2 m m m R X X R I : resistência por fase do rotor referida ao estator; ' 2 ' 2 m m m R X X R I : reatância de dispersão por fase do rotor referida ao estator; ' 2 ' 2 m m m R X X R I : reatância que considera a magnetização do núcleo; ' 2 ' 2 m m m R X X R I : resistência que considera a perda no núcleo; ' 2 ' 2 m m m R X X R I : corrente devido à magnetização e a perdas no núcleo. Levando em consideração essa similaridade entre um motor de indução e um transformador, podemos referir as quantidades do rotor para o estator, obtendo-se o circuito equivalente por fase, mostrado na Figura 5 a seguir. R1 Figura 5: Circuito equivalente do motor por fase. O valor de '2 /R S pode ser separado em duas parcelas: ' ' '2 2 2 .(1 5) 5 5 R RR= + − S S S 86 UNIUBE ' 2R representa a resistência por fase do rotor parado referido ao estator e ( )'2 1 s / sR − a resistência dinâmica por fase, que depende da velocidade do rotor, e corresponde à carga no motor, conforme figura. Todos os cálculos são realizados em termos matemáticos, admitindo-se uma operação balanceada do motor. A seguir, na Figura 7, temos a distribuição de potências e as várias perdas por fase do motor. Figura 7: Distribuição de potência num motor de indução. Veja a Figura 6: Figura 6: Circuito equivalente do motor por fase. R1 R2 UNIUBE 87 Sendo: i e ee ne g r d mec o P P P P P P P P P : potência de entrada;i e ee ne g r d mec o P P P P P P P P P : potência devido à perda no estator (enrolamento mais núcleo); i e ee ne g r d mec o P P P P P P P P P : potência devido à perda no cobre da bobina do estator; i e ee ne g r d mec o P P P P P P P P P : potência devido à perda do núcleo, em que a maior parte está no estator; i e ee ne g r d mec o P P P P P P P P P : potência que atravessa o entreferro; i e ee ne g r d mec o P P P P P P P P P : potência perdida no rotor (condutores); i e ee ne g r d mec o P P P P P P P P P : potência eletromagnética desenvolvida; i e ee ne g r d mec o P P P P P P P P P : potência correspondente à perda rotacional (mecânica); i e ee ne g r d mec o P P P P P P P P P : potência de saída no eixo. Determinamos o rendimento de um motor como sendo a razão entre a potência de saída no eixo e a potência de entrada, isto é: 1 o i P P = . Vejamos, a seguir, alguns exemplos. 1 O rotor de um motor de indução trifásico de 60Hz, 4 polos, consome 130KW a 4Hz. Determine: a. a velocidade do rotor; b. as perdas no cobre do rotor. Solução: a. 4 .60 0,06 fr sf s s = = = 120 120 . 60 1800 4 18000,06 1800 1692 fns rpm P ns nrs ns nr nr rpm = = = − = − = = 88 UNIUBE b. A potência que atravessa o entreferro é dada por g i eP P P= − . Desprezamos as perdas no estator (não foram dadas). Temos: 130g iP P KW= = , sendo: 2 2 2 '' .g RP I s = , sendo a potência devido às perdas do cobre do rotor, que é dada por: 2 2 2' . 'rP I R= , tem-se: . 0,066.130 8,66 r g r P S P P Kw = = = 2 Considerando-se um motor similar ao do exercício anterior, que tem uma perda no cobre do estator de 4KW, uma perda mecânica de 2,5KW e uma perda no núcleo de 1,8KW, determine a potência de saída no eixo do rotor e o rendimento. Solução: Temos: 130 8,66 g r P Kw P Kw = = As outras potências dadas são: 4 2,5 1,8 ee mec ne P KW P KW P KW = = = A potência de saída é dada por: 130 8,66 2,5 118,84 o d mec g r mec o P P P P P P P KW = − = − − = − − = UNIUBE 89 Para o cálculo do rendimento, temos: Potência de entrada: 130 4 1,8i g eP P P= + = + + 135,8iP KW= Logo, o rendimento será: ( )118,84 0,875 13 8 % 5,8 7,5o i PN P = = = 3 De acordo com o circuito equivalente, apresentado no desenho a seguir, para um motor de indução de 400V (linha), 60Hz, triângulo, ligação estrela, 4 polos, são: 1 2 1 20, 2 , 0,1 , 0,5 , ' 0, 2 20 mR R X X e X= Ω = Ω = Ω = Ω = Ω 1 2 1 20, 2 , 0,1 , 0,5 , ' 0, 2 20 mR R X X e X= Ω = Ω = Ω = Ω = Ω . Considerando que as perdas totais mecânicas a 1755rpm são 820W, determine para esta rotação: a) corrente de entrada; b) potência total de entrada; c) potência total de saída; d) torque de saída; e) rendimento. Observe a Figura 8: Figura 8: Circuito equivalente para resolução do exemplo. 90 UNIUBE Solução: a. Devemos calcular a impedância equivalente; para isso, necessitamos calcular o valor do escorregamento para 1755rpm. 120 120 . 60 1800 4 1800 1755 0,025 1800 fns rpm P ns nrs ns = = = − − = = = Logo, 2 (1 ) 3,9R S S − = , sendo que a impedância equivalente fica: ( ) 0 20 4 0,2 0,2 0,5 4 20 0,2 0,2 0,5 3,77 0,9 44 4,22 / 20 e e e j j Z j j j Z j j Z + = + + + + = + + + = Ω Calculando a corrente: 0 0 1 01 1 400 / 0 231/ 0 3 54,7 / 20 e V V VI A Z = = = = − b. Sendo a potência total de entrada três vezes a potência monofásica, temos: ( ) 03 1 1 3 3 . . 3 . 231 . 54,7 . 20 35,6 i i P V I cos cos P Kw φ φ φ= == c. Temos para a potência total de saída: (1 ) o d mec d i P P P P S P = − = − UNIUBE 91 Como mR é nulo, a potência total que atravessa o entreferro jP , para o circuito equivalente, pode ser calculada por: 2 3 33 3 35,6 3.0,2.54,7 33,80 j i e i ee j P P P P P P Kw φ φ= − = − = − = Daí, ( )1 5 0,975 . 33,80 32,96 32,96 0,80 32,16 d g o P P Kw P Kw = − = = = − = d. Cálculo do torque de saída (T); P=T.ω 17552 183 / 60 32160 175,74 183 o o o PT rad s T Nm ω ω π = = = = = e. Cálculo do rendimento ( )32,16 0,90 35,60 90%o i Pn P = = = Realize a atividade a seguir. Atividade 4 Para um rotor de um motor de indução trifásico de 60 Hz, 6 polos, que consome 20KW a 6Hz, determine: a) a velocidade do rotor; b) as perdas no cobre do rotor. AGORA É A SUA VEZ 92 UNIUBE Agora, verifique, a seguir, a resolução da atividade e compare-a com a que você realizou. Resolução da atividade 4 a. fr sf= 6 .60 0,1 s s = = 120 120 . 60 1200 6 12000,1 1200 1080 fns rpm P ns nrs ns nr nr rpm = = = − = − = = b. 20 . 0,1.20 2 g i r g P P KW P S P kW = = = = = O torque desenvolvido (T) em cada um dos condutores individuais do rotor, na situação de motor parado, pode ser expresso por: . . .t r rT K I cosφ θ= , em que: tK : constante de torque para o número de polos, enrolamento, unidades empregadas etc. ϕ: fluxo produzido por cada polo unitário do campo magnético girante que concatena o condutor do rotor. Torque no motor de indução2.7 UNIUBE 93 .cosr rI θ : componente da corrente do rotor em fase com ϕ. Vejamos um exemplo a seguir. Um motor de indução de rotor de gaiola de 8 polos, 60Hz, é carregado ao ponto onde ocorre o torque máximo. A resistência do rotor, por fase, é de 0,3Ω e o motor desacelera por ter atingido torque máximo a 650rpm. Calcule: a. o escorregamento correspondente ao torque máximo; b. a reatância do rotor bloqueado; c. a frequência do rotor correspondente ao ponto do torque máximo. a. s s r Tmax s 120f 120 . 60n 900rpm P 8 n n 900 650s 0,278 n 900 = = = − − = = = b. max 0,3 1,08 0,278 r rb T RX s = = = Ω c. r Tmaxf s .f 0, 278 . 60 16,7Hz= = = Realize a seguinte atividade. Atividade 5 Um motor de indução de rotor de gaiola de esquilo de 6 polos, 60 Hz, é carregado ao ponto onde ocorre o torque máximo. A resistência do rotor por fase é de 0,4Ω e o motor desacelera por ter atingido torque máximo a 1000 rpm. Calcule: AGORA É A SUA VEZ 94 UNIUBE a. o escorregamento correspondente ao torque máximo; b. a reatância do rotor bloqueado; c. a frequência do rotor correspondente ao torque máximo. Agora, verifique, a seguir, a resolução da atividade e compare-a com a que você realizou. Resolução da atividade 5 a. max 120 120 . 60 1200 6 - 1200 -1000 0,167 1200T fns rpm P ns nrs ns = = = = = = b. max max 0, 4 2,4 0,167 0,167 60 10 r rb T r T RX s f s n f n Hz = = = Ω = ⋅ = ⋅ = De acordo com Kosow (2000), estando um motor desligado, ao aplicar- se a ele sua tensão nominal, ele desenvolverá seu torque de partida, de tal modo que sua velocidade começa a crescer. Com o motor em movimento, o escorregamento diminui, pois o rotor está aumentando sua velocidade e o torque aumenta até a condição de torque máximo. Sendo assim, a velocidade do motor irá aumentar ainda mais, diminuindo o escorregamento e, simultaneamente, o torque desenvolvido pelo motor. É importante perceber que a velocidade do motor continuará a aumentar até que atinja um valor de escorregamento em que o torque desenvolvido torna-se igual ao torque aplicado. Assim, neste ponto de equilíbrio, o motor continuará a girar na velocidade estabelecida até que o torque aplicado aumente ou diminua (KOSOW, 2000). Curvas operacionais de um motor de indução2.8 UNIUBE 95 A figura 9, a seguir, demonstra a relação entre os valores do torque de partida, máximo e de plena carga desenvolvidos pelo motor em função da sua velocidade e escorregamento. A figura ressalta, também, a corrente no rotor do instante da partida (ponto A) até as condições de funcionamento em regime permanente, limitadas pelas posições: a plena carga e a vazio (pontos C e D) (KOSOW, 2000). Observe a Figura 9: Figura 9: Torque desenvolvido e corrente no motor. Fonte: Adaptado de Kosow (2000). 2.9.1 Partida do motor de indução trifásico O grande problema na partida direta do motor de indução trifásico é o elevado valor da corrente. O motivo da alta corrente é o baixo valor de Z_eq na partida, que é algumas vezes menor que seu valor à velocidade nominal. Métodos de partida de um motor de indução2.9 96 UNIUBE Vejamos o exemplo a seguir. Será calculada a impedância equivalente de um motor de indução trifásico na partida e na velocidade nominal. O motor é ligado em Y, 440V, 60Hz, possui 4 polos, gira nominalmente a 1755rpm, e apresenta os seguintes parâmetros, em Ω/fase, referidos ao estator:_ 0,2 0,5 20 0,1 0,2 s s m r r Z eq r x x r x = Ω = Ω = Ω = Ω = Ω Solução: a. Cálculo do escorregamento Na partida: como mN 0= , logo, s s N 0s 1 N − = = À velocidade nominal: mN 1755rpm= e sN 1800rpm= , logo, 1800 1755s 0,025 1800 − = = b. Cálculo da impedância Na partida: p (0,1/1+j0,2).j20Zeq 0,2+j0,5+ =0,76 0,1/1+j0,2+j20 = Na velocidade nominal: (0,1/ 0,025 j0,2).j20Zeq 0,2 j0,5 4,23 0,1/ 0,025 j0,2 j20n + = + + = + + ; ; ; Ω Ω n p Zeq 5,57 Zeq = Como a tensão nominal não se altera, tem-se: p n n n p p n p logo, I ZeqZeq .I =Zeq .I = =5,57 I Zeq _ 0, 2 0,5 20 0,1 0, 2 s s m r r Z eq r x x r x = Ω = Ω = Ω = Ω = Ω ; . UNIUBE 97 A corrente de partida de um motor de indução trifásico tipo gaiola típica varia entre 4 a 8 vezes a corrente nominal. Normalmente, os fabricantes informam o valor da corrente de partida de forma indireta, seja pelo fator Ip/In, como visto anteriormente, ou através da letra código (norma NEMA), que fornece os kVA/HP com o rotor travado. A corrente de partida em Ampères pode ser facilmente calculada a partir destas informações. A elevada corrente de partida pode trazer problemas para a instalação elétrica, no que diz respeito a afundamentos de tensão, podendo causar a má operação de outras cargas ligadas ao mesmo barramento. Isso motivou a busca de técnicas de partida para amenizar tais efeitos. Cabe realçar que o motor em si é projetado para partida direta de cargas de baixa inércia, e esta opção não deve ser descartada antes de uma análise do problema. 2.9.2 Partida estrela – triângulo ou Y– Δ Condições para ser utilizada, segundo Kosow (2000): 1. o motor deve ter, no mínimo, seis terminais acessíveis; 2. a tensão nominal da rede deve coincidir com a tensão nominal da ligação Δ; 3. o torque inicial solicitado pela carga deve ser pequeno. Preferencial- mente, o motor deve partir a vazio. Consequências: 1. o torque de partida Y (TpY) fica reduzido a 1/3 do torque de partida direto (Tpd); 2. a corrente de partida, na linha Y (IpY), fica reduzida a 1/√3 da corrente de partida direta (Ipd). O procedimento para o acionamento do motor é realizado ligando- o, inicialmente, na configuração estrela até que este alcance uma velocidade próxima da velocidade de regime, aproximadamente em 98 UNIUBE Figura 10: Diagrama de força (ou potência) da chave estrela-triângulo. 90%, quando então esta conexão é desfeita e executada à ligação em triângulo. A troca da ligação durante a partida é acompanhada por uma elevação de corrente, fazendo com que as vantagens de sua redução desapareçam se a comutação for antecipada em relação ao ponto ideal. (KOSOW, 2000). Circuito de força de uma chave estrela-triângulo conectada aos terminais de um motor de indução trifásico. Veja a Figura 10: UNIUBE 99 Durante a partida em Y, o conjugado fica reduzido a 1/3 de seu valor nominal, então, um motor só pode partir através da chave Y-Δ quando o seu conjugado,na ligação Y, for superior ao conjugado da carga do eixo. Devido ao conjugado de partida baixo e relativamente constante a que fica submetido o motor, as chaves Y-Δ são mais adequadamente empregadas em motores cuja partida se dá em vazio. Vantagens e desvantagens das chaves Y-Δ: a. Vantagens: • custo reduzido; • elevado número de manobras por hora; • corrente de partida reduzida a 1/3 da corrente de partida nominal; • dimensões relativamente reduzidas. b. Desvantagens: • os motores devem ter dupla tensão nominal e dispor de, pelo menos, seis terminais acessíveis; • conjugado de partida reduzido a 1/3 do nominal; • a tensão da rede deve coincidir com a tensão em triângulo do motor; • o motor deve alcançar, pelo menos, 90% de sua velocidade de regime para que, durante a comutação, a corrente de pico não atinja valores elevados, próximos, portanto, da corrente de partida com acionamento direto. A forma mais comum de se identificar o momento de se realizar a comutação na chave Y-Δ é através de temporizador ou relé de tempo. Porém, como não se pode garantir que o motor terá alcançado a velocidade nominal no tempo programado, o mais adequado seria lançar mão de sensor de corrente ou de velocidade para que se tenha uma comutação satisfatória, embora isso signifique maior custo e complexidade. 100 UNIUBE Observe a Figura 11a e b: Figura 11a: Conjugado e corrente no acionamento Y-Δ em função da velocidade. UNIUBE 101 Figura 11b: Conjugado e corrente no acionamento Y-Δ em função da velocidade. Assumindo que a transição de Y para Δ se dê sob velocidade nominal, pode-se demonstrar que as correntes nos contatores serão: dC1 nD dC2 nD dC3 nD I I / 3 I I / 3 I I / 3 = = = 102 UNIUBE Veja a Figura 12: Figura 12: Estrela – Triângulo com Reversão. 2.9.3 Partida através de chave compensadora A chave compensadora é composta, basicamente, de um transformador com várias derivações, sendo as mais comuns: 50, 65 e 80% da tensão nominal. Esse autotransformador é ligado ao circuito do estator. O ponto estrela do autotransformador fica acessível, e, durante a partida, é curto-circuitado e esta ligação se desfaz logo que o motor é conectado diretamente à rede. Normalmente, esse tipo de partida é empregado em motores de potência elevada, acionando cargas com alto índice de atrito, tais como britadores e semelhantes. UNIUBE 103 Vantagens e desvantagens da chave compensadora em relação às chaves Y- Δ: a. Vantagens: • na derivação 65%, a corrente de partida na linha se aproxima do valor da corrente de acionamento, utilizando chave estrela-triângulo; • a comutação da derivação de tensão reduzida para a tensão de suprimento não acarreta elevação da corrente, já que o autotransformador se comporta, nesse instante, como uma reatância que impede o crescimento dessa mesma corrente; • pode-se variar, gradativamente, as derivações para aplicar as tensões adequadas à capacidade do sistema de suprimento. b. Desvantagens: • custo superior ao da chave estrela-triângulo; • dimensões normalmente superiores às das chaves Y- Δ, acarretando o aumento no volume dos Centros de Controle de Motores (CCM). Relações de transformação de tensão e corrente e suas consequências sobre o conjugado, usando a chave compensadora: p p s sV x I V x I= Em que: p p s s V I V I : tensão de linha no primário ou de alimentação do autotransformador;p p s s V I V I : corrente de linha no primário; p p s s V I V I : tensão de saída do autotransformador, equivalente ao tap de ligação; p p s s V I V I : corrente de saída do autotransformador. Se a chave compensadora está ajustada ao tap, por exemplo, de 80%, a tensão nos terminais de um motor de 50cv (380V), durante a partida, fica reduzida a: sV 0,80 x 380 340V= = 104 UNIUBE Nessas condições, a corrente nos terminais desse motor, que na partida equivale a 516A, também se reduzirá ao valor de 80% da mesma, ficando: sI 0,80 x 516 412,8A= = A corrente de linha assume o valor de: p sI 0,80 x I 0,80 x 412,8 330,2A= = = O conjugado de partida fica reduzido, relativamente ao valor nominal, de: p np npC 0,80 x 0,80 x C 0,34C= = Dimensionamento: a. os autotransformadores possuem, opcionalmente, instalado na bobina central, um termostato. O termostato tem a função de proteção do equipamento contra aquecimento excessivo, ocasionado por sobrecarga ou número de partidas acima do especificado. O termostato é especificado em função da classe de isolamento do autotransformador; b. para se definir a potência do autotransformador, deve-se considerar: • potência do motor; • frequência de partida (número de partidas por hora). Existem limitações quanto ao número de partidas, sob pena de danificação dos enrolamentos. Assim sendo, ficam estabelecidas: • 5 partidas/hora, podendo ser duas consecutivas com intervalo mínimo de 0,5 minutos entre elas ou cinco, com intervalos de, aproximadamente, doze minutos; • 10 partidas/hora, podendo ser três consecutivas com intervalo mínimo de 0,5 minutos entre elas ou dez, com intervalos de, aproximadamente, seis minutos; UNIUBE 105 • 20 partidas/hora, podendo ser seis consecutivas com intervalo mínimo de 0,5 minutos entre elas ou vinte, com intervalos de, aproximadamente, três minutos. c. Tempo de partida do motor. Normalmente, os autotransformadores são projetados para suportarem a corrente de partida durante 20s. Após a definição da potência, para completar a especificação do autotransformador, devem ser citados: d. tensão nominal da rede; e. classe de isolamento – em sua maioria classe “B” (130°C); f. derivadores (taps) de tensão necessários – normalmente, utilizam-se taps 65 e 80%. Veja a Figura 13: Figura 13: Diagrama de Força. 106 UNIUBE Veja a Figura 14: Figura 14: Diagrama de Comando (esquema de ligação tripolar de chave compensadora). Classificação e aplicação dos motores de indução2.10 Para distinguir entre os vários tipos de motores com rotor tipo gaiola de esquilo, a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), com base em estudos de NEMA (National Eletrical Manufctures Association), adotou um sistema de código alfabético, no qual cada tipo de motor de indução de rotor em gaiola de esquilo é construído de acordo com um tipo particular normalizado de projeto e se situa numa certa categoria específica. UNIUBE 107 2.10.1 Categoria A É um motor de indução do tipo gaiola, normalmente construído para o uso em velocidade constante. Durante a partida, a densidade de corrente é elevada em pontos próximos à superfície do rotor e, durante o funcionamento, ela se distribui de maneira mais uniforme. Esta diferença resulta em alta resistência e baixa reatância na partida, resultando em um torque de partida 1,5 a 1,75 vezes o torque nominal, isto é, a plena carga. Sendo o torque de partida um pouco alto e a baixa resistência do rotor, produzem uma aceleração bastante rápida até a melhor regulação em velocidade, cerca de 3 a 5%. Mas, sua corrente de partida, infelizmente varia entre cinco e sete vezes a corrente nominal, tornando-o menos desejável para partida direta, principalmente para os tamanhos maiores. Em potências menores que 5HP, entretanto, um motor de indução da categoria A tem, frequentemente, partida direta; e, devido à sua rápida aceleração, não se produzem os efeitos indesejáveis das correntes extremamente elevadas (Figura 15). Figura 15: Característica torque-escorregamento de MIT. Fonte: Adaptado de Kosow ( 2000). 108 UNIUBE 2.10.2 Categoria B Esta letra designa um motor de indução que é, algumas vezes, chamado de motor de utilização geral. Sua curva torque-escorregamento assemelha-se muito à do motor normal. O enrolamento do motor está mais profundamente engastado nas ranhuras do rotor, do que o normal da categoria A, e a maior profundidade tende a aumentar as reatâncias de partida e de funcionamento do rotor. O aumento da reatância de partida reduz um pouco o torquede partida, mas reduz, também, a corrente de partida. Um valor algo menor de corrente de excitação é usado neste motor para produzir a corrente reduzida de partida e a característica mostrada na figura 15. As correntes de partida variam de 4,5 a 5 vezes a corrente nominal; e, nos tamanhos maiores, acima de 5HP, ainda se usam métodos de arranque à tensão reduzida para esta categoria. Devido à sua corrente de partida um pouco menor e sua característica praticamente igual aos da categoria A, os da categoria B são os motores, geralmente, preferidos em tamanhos maiores. 2.10.3 Categoria C O motor de indução identificado pela letra C é um motor cujo rotor é do tipo dupla-gaiola descrito anteriormente. Desenvolve um torque de partida maior, de 2 a 2,5 vezes o nominal, em comparação com os das categorias A e B, e uma corrente de partida (menor) de 3,5 a 5 vezes a nominal. Devido ao seu elevado torque, ele acelera rapidamente, quando usado com cargas pesadas, de elevada inércia, entretanto, tem dissipação térmica limitada, já que a maior parte da corrente se concentra no enrolamento superior. Sob condições de partidas frequentes, o motor pode apresentar tendência ao sobreaquecimento. UNIUBE 109 Adapta-se melhor a cargas instantâneas elevadas, mas de pequena inércia. Este motor continua a desenvolver um torque elevado quando o escorregamento cresce até o correspondente ao torque máximo, que ocorre com o rotor bloqueado. O motor categoria C, entretanto, tem pior regulação em velocidade que os das categorias B e A. 2.10.4 Categoria D A designação D refere-se ao motor conhecido como motor do rotor de alta resistência, portanto, de alto torque. As barras do rotor são construídas de uma liga de alta resistência e são colocadas em ranhuras próximas à superfície ou engastadas em ranhuras de pequeno diâmetro. A relação da resistência para a reatância do rotor, na partida, é maior que nos motores das categorias anteriores. O torque de partida desses motores aproxima-se a 3 vezes o torque nominal, com correntes de partida de 3 a 8 vezes a carga nominal, dependendo do projeto. Ele é projetado para ciclos de trabalho, incluindo partidas pesadas; mas, novamente, como nos motores categoria C, não é recomendável para partidas pouco frequentes devido à pequena seção transversal e à pouca capacidade de dissipação térmica. Encontra sua principal aplicação em cargas, tais como estampadoras e guilhotinas, que exigem elevado torque com a aplicação de cargas súbitas. A regulação em velocidade é a mais pobre de todas as categorias. 2.10.5 Categoria F O motor de indução identificado pela letra F é conhecido como motor de dupla-gaiola, baixo-torque. É projetado fundamentalmente para ser um motor de baixa corrente de partida, uma vez que requer a menor corrente de partida entre todas as categorias apresentadas. 110 UNIUBE O motor categoria F tem uma resistência do rotor muito elevada em ambos os enrolamentos, quer o de partida, quer o de funcionamento, tendendo a aumentar a impedância de partida e de funcionamento, e a reduzir as respectivas correntes. O motor categoria F foi projetado para substituir o motor categoria B. Esse tipo de motor produz torques de, aproximadamente, 1,25 vezes o nominal. Os motores categoria F, para serviços usuais, são, geralmente, produzidos em tamanhos maiores que 25HP. Devido às resistências relativamente elevadas do rotor, quer na partida, quer em funcionamento, estes motores têm regulação em velocidade mais pobre que a dos motores de categoria B, menor capacidade de sobrecarga, e, normalmente, menor rendimento. Quando acionados com cargas leves, entretanto, as baixas correntes de partida eliminam a necessidade de equipamento de tensão reduzida, mesmo nos tamanhos grandes. Principais partes do motor de indução trifásico2.11 Observe a Figura 16: Figura 16: Composição do Motor de Indução Trifásico. Fonte: Adaptado de Weg Indústrias. UNIUBE 111 Estator: - (1) Carcaça – é a estrutura suporte do conjunto; de construção robusta em ferro fundido, aço ou alumínio injetado, resistente à corrosão e com aletas; - (2) Núcleo de chapas – as chapas são de aço magnético, tratadas termicamente para reduzir, ao mínimo, as perdas no ferro; - (8) Enrolamento trifásico – três conjuntos iguais de bobinas, uma para cada fase, formando um sistema trifásico ligado à rede trifásica de alimentação; Rotor: - (7) Eixo – transmite a potência mecânica desenvolvida pelo motor. É tratado termicamente para evitar problemas como empenamento e fadiga; - (3) Núcleo de chapas – as chapas possuem as mesmas características das chapas do estator; - (12) Barras e anéis de curto-circuito – são de alumínio injetado sob pressão numa única peça. Outras partes do motor de indução trifásico: - (4) tampa; - (5) ventilador; - (6) tampa defletora; - (9) caixa de ligação; - (10) terminais; - (11) rolamentos. Características do “motor de gaiola”, cujo rotor é constituído de um conjunto de barras não isoladas e interligadas por anéis de curto-circuito. O que caracteriza o motor de indução é que só o estator é ligado à rede de alimentação. O rotor não é alimentado externamente, e as correntes que circulam nele são induzidas eletromagneticamente pelo estator, originando seu nome de motor de indução. 112 UNIUBE 2.12 Considerações de ligações dos motores trifásicos Como estudamos, o motor trifásico tem as bobinas distribuídas no estator e ligadas de modo a formar três circuitos simétricos distintos, chamados de fase de enrolamento. Essas fases são interligadas, formando ligações em estrela (380V) ou em triângulo (220V) para o acoplamento a uma rede trifásica. Para isso, deve-se levar em conta a tensão na qual irá operar. Na ligação em estrela (380 V), os terminais 4, 5, e 6 são interligados e os terminais 1, 2 e 3 são ligados à rede. Veja a Figura 17: Figura 17: Esquema ligação estrela. Na ligação em triângulo (220V), o início de uma fase é fechado com o final da outra e essa junção é ligada à rede. UNIUBE 113 Veja a Figura 18: Figura 18: Esquema ligação triângulo. Os motores trifásicos de uma só velocidade podem dispor de 3, 6, 9 ou 12 terminais para a ligação à rede elétrica. A ligação de motores trifásicos com três terminais à rede é feita conectando-se os terminais 1, 2, e 3 aos terminais de rede RST em qualquer ordem. Observe a Figura 19: Figura 19: Terminais de um MIT. 114 UNIUBE Obs.: para inverter o sentido de rotação do motor trifásico, basta inverter duas fases R com S, por exemplo: Os motores trifásicos com seis terminais só têm condição de ligação em 2 tensões: 220/380V ou 440/760V. Esses motores são ligados em triângulo na menor tensão e em estrela, na maior tensão. A Figura 20 mostra uma placa de ligação desse tipo de motor. Figura 20: Placa do MIT de seis terminais. Obs.: nos motores de seis terminais, é comum encontrarmos as marcações U, V, W, X, Y e Z, ao invés de 1, 2, 3, 4, 5 e 6, respectivamente. Os motores com nove terminais têm possibilidade de ligação em três tensões: 220/380/440V. Os motores com doze terminais têm possibilidade de ligação em quatro tensões: 220/380/440/760V. Figura 21: Placa do MIT de seis terminais. UNIUBE 115 Com o objetivo de exercitar os conhecimentos construídos, realize as atividades a seguir. Atividade 6 Sendo f = 60Hz, determine a velocidade do campo girante de um motor trifásico de indução de 2 polos. Atividade 7 Um motor de indução trifásico de 12 polos, sendo f = 60Hz, calcule: a. a velocidade em rpm do campo magnético girante; b. determine o valor da velocidade do campo magnético girante para f = 50Hz. Atividade 8 Considerando um motor trifásico de 12 HP, 60 Hz, 220V, com fp = 0,98, tem uma corrente nominal de 35A, como corrente de linha, com velocidade de 1750 rpm. Dados: perdas no cobre equivalente a plena carga: 1300W; potência e corrente em ensaio de circuito aberto: P = 440W e I = 12ª. Calcule: a. a resistência totalequivalente, entre linhas, do motor de indução; b. as perdas rotacionais; c. as perdas equivalentes no cobre à 0,5 e 1,25 da carga nominal. AGORA É A SUA VEZ 116 UNIUBE Atividade 9 O rotor de um motor de indução trifásico de 60 Hz, 6 polos, consome 200KW a 6Hz. Determine: a. a velocidade do rotor; b. as perdas no cobre do rotor. Atividade 10 Um motor de indução de rotor de gaiola de esquilo de 6 polos, 60 Hz, é carregado ao ponto onde ocorre o torque máximo. A resistência do rotor por fase é de 0,4Ω, e o motor desacelera por ter atingido torque máximo a 1000 rpm. Calcule: a. o escorregamento correspondente ao torque máximo; b. a reatância do rotor bloqueado; c. a frequência do rotor correspondente ao torque máximo. Agora, verifique, a seguir, as resoluções das atividades e compare-as com as que você realizou. Resolução da atividade 6 120f 120 x 60N= = =3600 rpm P 2 Resolução da atividade 7 a. 120f 1200 x 60Ns= = =600 rpm P 12 120f 1200 x 50Ns= = =500 rpm P 12b. UNIUBE 117 Resolução da atividade 8 a. 2 2 1300 2. 0,71 (3 / 2) 35 3 c el l PR I = = = Ω b. 2 2r l elP -I R =440-12 x 0,71=440-102,24=337,7W c. Perdas equivalentes no cobre, sendo: ( )2 2 1/2: 1 ¼: 1300Wx 1/2 =325W 1300Wx(5/4) =2031 ,25W Resolução da atividade 9 a. r 120f 1200 x 60Ns= f = s . f 6 = s . 60 s = = =1.20 0,1 0 rpm P 6 b. No caso, Pg = Pi = 200KW, sendo: Pr = s . Pg = 0,1 x 200 Pr = 20 KW Resolução da atividade 10 a. T 120 f 120.60ns= = =1200 rpm p 6 ns-nr 1200-1000S máx= = =0,167 ns 1200 b. T Rr 0,4Xrb= = =2,39 S máx 0,167 Ω c. r T zf = S máx.f=0,167 x 60=10,0 H 118 UNIUBE Resumo Neste capítulo, estudamos motores de indução trifásicos. Foram explicitados os aspectos construtivos, o princípio de funcionamento, as características e métodos de partida e aplicações. Além disso, discorremos sobre a abordagem da produção do campo magnético girante que garante a compreensão do princípio de funcionamento dos motores de indução trifásicos. Vimos que com o estudo dos ensaios a vazio e em curto-circuito é possível realizar cálculos para obter os parâmetros do circuito equivalente da máquina de indução trifásica. Percebemos também que o circuito equivalente do motor possibilita o cálculo de diversas grandezas do motor de indução trifásico como corrente, potência, torque. Assim, obtém-se, entre outras, as grandezas de entrada e saída do dispositivo e o rendimento. Referências FITZGERALD; A.E. Máquinas elétricas. São Paulo: Editora McGRAW – Hill do Brasil, 1975. JORDÃO, Rubens Guedes. Máquinas síncronas. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos. São Paulo: EDUSP, 1980. KOSOW, Irving L. Máquinas elétricas e transformadores. 14. ed. São Paulo: Editora Globo, 2000. MARTIGNONI, Alfonso. Máquinas síncronas. Série de manuais técnicos. São Paulo: Edart, 1967. Alin do Amaral Martins Introdução Motores de indução monofásicos e máquinas síncronas Capítulo 3 Existem várias instalações dentro da rede elétrica que recebem tensões alternadas monofásicas, como residências, escritórios, zona rural e até algumas indústrias de menor porte. Dentro deste contexto, são utilizados os motores de indução monofásicos. Além disso, em algumas aplicações industriais são utilizados motores de indução monofásicos de pequeno porte para acionar sistemas maiores. O princípio de funcionamento é semelhante ao do motor trifásico, aplicando-se tensão em um dos enrolamentos e obtendo-se tensão por indução no outro. A diferença é que este motor não possui partida própria, tendo que ser adotadas algumas técnicas para partir o motor. Os motores são, inclusive, classifi cados de acordo com o modo de partida operado. Neste capítulo, será dada ênfase ao motor de indução de fase dividida, de fase dividida com capacitor permanente, com duplo capacitor e o universal. Além disso, serão vistos, também, as máquinas síncronas, utilizadas principalmente como geradores nas usinas hidroelétricas. 120 UNIUBE A máquina síncrona é uma máquina de corrente alternada, cuja velocidade em condições de regime permanente é proporcional à frequência da corrente na armadura. À velocidade síncrona, o campo magnético girante, criado pelas correntes da armadura caminha à mesma velocidade que o campo magnético criado pela corrente de campo, resultando em um conjugado constante. A frequência em Hertz é igual à velocidade do rotor em rotações por segundo, isto é, a frequência elétrica está sincronizada com a velocidade mecânica, e esta é a razão para a designação de máquina síncrona. Após o término deste capítulo, você deverá estar apto(a) a: • discutir o funcionamento do motor de indução monofásico; • descrever as relações de torque no motor de indução monofásico; • descrever os procedimentos de partida utilizados em motores monofásicos; • discutir o princípio de funcionamento do motor universal; • descrever a construção e o princípio de funcionamento das máquinas síncronas; • analisar o circuito equivalente de uma máquina síncrona e encontrar seus parâmetros; • analisar as características de circuito aberto e curto-circuito de uma máquina síncrona; • diferenciar o funcionamento de uma máquina síncrona como motor e como gerador; • reconhecer os métodos de partida de motores síncronos; • analisar a excitação das máquinas síncronas e o suprimento de potência reativa; • descrever o paralelismo de máquinas síncronas. Objetivos UNIUBE 121 3.1 Motores de indução monofásicos 3.1.1 Comentários básicos de construção 3.1.2 Torque no motor de indução monofásico 3.1.3 Motor de fase dividida 3.1.4 Motor de fase dividida com capacitor 3.1.5 Motor de fase dividida com capacitor permanente 3.1.6 Motor de indução com duplo capacitor 3.1.7 Motor universal 3.2 Máquinas síncronas 3.2.1 Generalidades 3.2.2 Circuito equivalente para máquinas síncronas 3.2.3 Características de circuito aberto 3.2.4 Características de curto-circuito 3.2.5 Geradores e motores síncronos 3.2.6 Métodos de partida 3.2.7 Excitação de geradores e motores síncronos 3.2.8 Máquinas síncronas em paralelo Esquema Motores de indução monofásicos3.1 3.1.1 Comentários básicos de construção O motor de indução monofásico possui apenas um conjunto de bobinas, sendo alimentado por uma única fase em corrente alternada. O rotor é semelhante ao do motor polifásico, não havendo, da mesma forma, interligação entre ele e o estator, mas um entreferro uniforme. O enrolamento monofásico não pode ser simples, pois ele não produziria torque de partida, sendo utilizado, normalmente, um enrolamento parcial de dupla camada. 122 UNIUBE O enrolamento do estator é composto por duas partes, deslocadas entre si no espaço e no tempo. Vejamos: (I) uma constitui-se no enrolamento principal, distribuído uniformemente nas ranhuras e com alta impedância para manter uma baixa corrente no estator, (II) a outra, ligada em paralelo com o primeiro, é o enrolamento de partida ou auxiliar defasado de 90º elétrico do principal. O enrolamento auxiliar pode se manter no circuito após a partida ou ser aberto, conforme o tipo do motor. Como dito, o motor de indução monofásico possui um enrolamento distribuído no estator da máquina e o rotor em gaiola de esquilo. As Figuras 1 e 2 mostram um motor monofásico em corte. Figura 1: Constituição do motor monofásico. Fonte: Acervo EAD-Uniube. UNIUBE 123 Veja a Figura 2: Figura 2: Constituição do estator. Fonte: Adaptado de máquinas de indução monofásicas, Gil Marques (2005). Observe a Figura 3: Figura 3: Constituição do rotor. Fonte: Adaptado de máquinas de indução monofásicas, Gil Marques (2005). 3.1.2 Torque no motor de indução monofásico 3.1.2.1 Torque com rotor parado Será usado um método de linearização da linha média do rotor para mostrar que o motor não possui torque de partida. 124 UNIUBE Alimentando o estator com uma tensão alternada V, circulará pelos enrolamentos uma corrente Ique produzirá uma f.m.m (força magneto motriz). Considerando a linha média do entreferro da máquina linear (eixo θ) e adotando a origem no eixo da fase, estabelece-se a expressão da f.m.m em função de θ e t (tempo), conforme Figura 4. Figura 4: Fmm no rotor linearizado. ( ) , ( ) cosfmm t F tθ θ= (1) Como a onda é pulsante, tem-se: ( ) cos( )pF t k I tω α= ⋅ + (2) Em que, k → fator que depende do enrolamento; Ip → valor máximo de I; ω → 2πf; f → frequência de V e I; α → ângulo que corresponde ao valor instantâneo de I [i(t)], para t = 0. Substituindo a equação (2) em (1), tem-se: ( , ) cos cos( )pfmm t k I tθ θ ω α= ⋅ ⋅ ⋅ + (3) Linha média entreferro UNIUBE 125 Como: ( ) ( )1cos cos (cos cos( ))2t t tθ ω α ω θ α ω θ α⋅ + = − − + + + (4) Substituindo (4) em (3): ( ) ( ) ( ), cos cos 2 2 p pkI kIfmm t t tθ ω θ α ω θ α= ⋅ − − + ⋅ + + (5) Analisando a equação (5) conclui-se que a fmm pulsante fmm (θ,t) pode ser decomposta em duas girantes, uma no sentido positivo de θ (1º termo do 2º membro da equação (5)), e outra no sentido contrário ao positivo de θ (2º termo do 2º membro da equação (5)). Cada onda girante produz um conjugado no sentido de levá-lo consigo. Como o rotor está inicialmente parado, as duas ondas girantes cortam-no, com velocidades iguais, porém em sentidos opostos. Como a intensidade de cada onda é a mesma, e como o conjugado depende da velocidade relativa e da intensidade da onda, teremos conjugados iguais em sentido opostos. Observe a Figura 5: Figura 5: Ondas girantes opostas. O conjugado de partida do motor seria dado pela diferença dos dois conjugados: 1 2pT T T= − (6) 126 UNIUBE Mas, como os dois torques possuem a mesma intensidade, o conjugado de partida será zero. Conclui-se, portanto, que o motor de indução monofásico não possui conjugado de partida e, para parti-lo, é necessário que se coloque um dispositivo auxiliar de partida. 3.1.2.2 Torque com rotor em movimento Quando o dispositivo auxiliar de partida provoca um pequeno deslocamento do rotor no sentido de T1, por exemplo, vai haver uma diferença entre T1 e T2, surgindo um conjugado líquido no sentido de T1. Este conjugado líquido faz com que a velocidade do rotor aumente, e, daí por diante, o processo se repete aumentando T1 e diminuindo T2. Isso acontece até o valor de máximo conjugado, em que T1 começa, então, a diminuir até o valor nominal, momento em que o motor gira à velocidade nominal. 3.1.3 Motor de fase dividida Este motor possui dois enrolamentos paralelos, um principal e um auxiliar utilizado para partida, defasados de 90º elétricos no espaço. O enrolamento auxiliar cria uma defasagem angular que produz o torque necessário para a partida do motor. Depois que o motor acelera, ele continuará em movimento mesmo sem essa defasagem, pelos motivos já explicados. O enrolamento auxiliar é, então, aberto por um disjuntor ou um relé de corrente, chave manual, entre outros. Esse enrolamento é dimensionado para operar apenas na partida, logo se ele não for desligado depois desta, ele pode se danificar. UNIUBE 127 O ângulo que se consegue obter entre as correntes dos dois enrolamentos é pequeno, sendo por isso sua aplicação limitada, pois seu torque será pouco superior ao nominal, não servindo para acionar potências fracionárias e cargas que exigem maior torque de arranque. O enrolamento auxiliar tem baixa reatância e alta resistência (fio de menor bitola) e possui menos espiras. Já o principal tem baixa resistência, alta reatância (fio de maior bitola) e mais espiras. A Figura 6 mostra a ligação deste motor e a Figura 7 mostra o diagrama fasorial das correntes na partida. Figura 6: Ligação do motor de fase dividida Fonte: Adaptado de Kosow (2000). Observe a Figura 7: Figura 7: Diagrama fasorial do motor de fase dividida Fonte: Adaptado de Kosow (2000). 128 UNIUBE Vejamos o exemplo a seguir. 1. Um motor monofásico de 0,5 cv, 220 V, de fase dividida, tem uma corrente de partida (Ip) de 3 A no enrolamento auxiliar atrasada de 20º em relação à tensão da fonte e 6 A no enrolamento principal (Ir) atrasada de 50º. Calcular para a partida: a. a corrente total a rotor bloqueado (Itr) e o fator de potência; b. a componente da corrente do enrolamento de partida que está em fase com a tensão da fonte; c. a componente da corrente do enrolamento de funcionamento que está atrasada de 90º em relação à tensão da fonte. Resolução: a. ( ) tr p r tr I I I 3 20º 6 50º I 8,73 40º fp cos 40º 0,766 em atraso A = + = − + − = − = − = ∟ ∟ ∟ b. ( )cos 3cos -40º 2,298pI Aϕ = = c. ( )sin 3sin -40º -1,928I A= = 3.1.4 Motor de fase dividida com capacitor Este tipo de motor é semelhante ao de fase dividida, mas com a inserção de um capacitor eletrolítico em série com o enrolamento auxiliar. Neste caso, o ângulo entre as correntes do enrolamento auxiliar e principal terão uma defasagem maior, proporcionando assim torques de partida maiores. Quando o motor atinge de 75% a 80% da velocidade nominal, o capacitor e o enrolamento auxiliar são desligados. Este tipo de motor possui torque de partida cerca de 200% a 350% do nominal, podendo ser utilizado para potências de ¼ cv a 15 cv. UNIUBE 129 A Figura 8 mostra a ligação deste motor, e a Figura 9 mostra o diagrama fasorial das correntes na partida. Figura 8: Ligação motor de fase dividida com capacitor. Figura 9: Diagrama fasorial do motor de fase dividida. Vejamos o seguinte exemplo. 2. Considere o motor do exemplo 1 acrescido de capacitor ao enrolamento auxiliar de partida, o que adiantou a corrente de partida para 53º em relação à tensão da fonte. As correntes nos enrolamentos auxiliar e principal permanecem as mesmas, e o defasamento da corrente principal permanece o mesmo. Calcule: a. a corrente total a rotor bloqueado e o fator de potência; b. o defasamento angular entre as correntes de partida e de funcionamento; c. compare os resultados com os do exemplo 1. 130 UNIUBE Resolução: a. ( ) 3 53º 6 50º 6,07 21,24º cos 21,24 0,986 tr p r tr I I I I A fp ematraso = + = + − = − = − = ∟ ∟ ∟ b. ( )50 - -53 103ºθ = = c. A corrente de partida foi reduzida de 8,73 40ºA−∟ para 6,07 21,24º A−∟ e o fator de potência aumentou de 0,766 para 0,986. A relação entre o torque desenvolvido com e sem capacitor é dada por: sin103º 1,949 sin 30º pc pr T T = = 3.1.5 Motor de fase dividida com capacitor permanente Semelhante ao anterior, mas, neste caso, o enrolamento auxiliar e o capacitor não são desligados após a partida. Com este tipo de ligação, as condições do motor ficam muito semelhantes às do motor de indução polifásico no que diz respeito a torque máximo, rendimento e fator de potência. Eles possuem a vantagem auxiliar de exigir menos manutenção, por não terem contatos móveis e serem menores. Mas, como seu torque de partida é elevado, sua aplicação é limitada para equipamentos que requerem baixo torque de partida, como bombas centrífugas, furadeiras, condicionadores de ar, ventiladores, exaustores, sopradores, entre outros. A Figura 10 mostra a ligação deste motor, e a Figura 11 mostra o diagrama fasorial das correntes na partida. UNIUBE 131 Figura 10: Ligação do motor – fase dividida com capacitor permanente. Figura 11: Diagrama fasorial do motor de fase dividida. A figura 11 mostra as relações de tensão para este tipo de ligação. Observe a Figura 12: Figura 12: Característica de tensão para o motor de fase dividida com capacitor. 132 UNIUBE Devido às suas características, este tipo de motor é utilizado para ventiladores, exaustores, máquinas de escritório e unidades de aquecimento. 3.1.6 Motor de indução com duplo capacitor Combina as vantagens dos dois anteriores, alto torque de partida como o do motor com capacitor e funcionamento em regime permanente semelhante ao com capacitor permanente. No entanto, apresenta a desvantagem do alto custo, sendo porisso utilizados apenas para potências superiores a 1 cv. Veja a Figura 13: Figura 13: Ligação motor fase dividida com duplo capacitor. Pode ser utilizada também outra forma de ligação, que utiliza um autotransformador no lugar do capacitor, que é chaveado do circuito. Se a polaridade da alimentação for invertida, o eixo do motor inverte o sentido de rotação; por isso, fala-se que este tipo de motor é reversível. Possui menor corrente de partida e melhor fator de potência que os motores a capacitor e são bastante utilizados em unidades de ar condicionado residenciais devido a essas características. UNIUBE 133 3.1.7 Motor universal São chamados de universal porque funcionam tanto com corrente contínua, como alternada, em qualquer frequência. Diferentemente dos motores de indução, neste caso há uma ligação física entre as bobinas do estator e do rotor, feita por contatos deslizantes, conhecidos como escovas. A ligação entre estator e o rotor é em série. A variação do sentido da corrente alternada provoca variação no campo, mas como estator e rotor estão em série, essa variação ocorre da mesma forma nos dois; por isso, o sentido do torque é sempre o mesmo, e não há inversão da rotação com a alternância de corrente. O sentido de rotação neste motor só é invertido mudando-se a ligação das escovas. Apresentam alto torque de partida e têm a tendência a disparar, mas por outro lado permitem o controle da variação da velocidade através da variação da tensão aplicada. Suas velocidades variam entre 1500 e 15000 rpm, com a potência não ultrapassando 0,75 cv. Seu princípio de funcionamento é semelhante ao do motor em série de corrente contínua. É utilizado em máquinas de costura, liquidificadores, enceradeiras, eletrodomésticos, furadeira, lixadeiras e serras. Observe a Figura 14: 134 UNIUBE Figura 14: Motor universal. Fonte: Adaptado de China Suppliers (2011). Com o objetivo de exercitar os conhecimentos construídos, realize as atividades a seguir. Atividade 1 Um motor monofásico de 0,25 cv, 110 V, de fase dividida tem uma corrente de partida (Ip) de 1,5 A no enrolamento auxiliar atrasada de 10º em relação à tensão da fonte e 2 A no enrolamento principal (Ir) atrasada de 35º. Calcular para a partida: a. a corrente total a rotor bloqueado (Itr) e o fator de potência; b. a componente da corrente do enrolamento de partida que está em fase com a tensão da fonte; c. a componente da corrente do enrolamento de funcionamento que está atrasada de 90º em relação à tensão da fonte. Atividade 2 Explique por que o motor de indução monofásico não possui torque de partida. Atividade 3 Explique como é produzido o torque de partida nos motores de fase dividida. AGORA É A SUA VEZ UNIUBE 135 Atividade 4 Embora o motor de fase dividida consiga resolver o problema da ausência de torque de partida, ele ainda apresenta certas desvantagens. Explique quais são. Atividade 5 Considere o motor do exercício 1 acrescido de capacitor ao enrolamento auxiliar de partida, o que adiantou a corrente de partida para 40º em relação à tensão da fonte. As correntes nos enrolamentos auxiliar e principal permanecem as mesmas, e o defasamento da corrente principal permanece o mesmo. Calcule: a. a corrente total a rotor bloqueado e o fator de potência; b. o defasamento angular entre as correntes de partida e de funcionamento; c. compare os resultados com os do exemplo 1. Atividade 6 Explique a vantagem do motor a duplo capacitor sobre os outros dois tipos que utilizam capacitor. Agora, verifique, a seguir, as resoluções das atividades e compare-as com as que você realizou. Resolução da atividade 1 a. ( ) 1,5 -10º 2 -35º 3,42 - 24,3º cos -24,3º 0,91 tr p r tr I I I I A fp ematraso = + = + = = = ∟ ∟ ∟ b. ( )cos 1,5cos -24,3º 1,367pI Aϕ = = c. ( )sin 3sin -24,3º -0,617pI Aϕ = = 136 UNIUBE Resolução da atividade 2 A corrente alternada vai produzir uma onda de conjugado pulsante composta por duas ondas girantes contrárias e de mesmo módulo. Como o rotor está inicialmente parado, as duas ondas girantes cortam-no com velocidades iguais, porém em sentidos opostos. Como a intensidade de cada onda é a mesma, e como o conjugado depende da velocidade relativa e da intensidade da onda, teremos conjugados iguais em sentido opostos, o que resulta em um conjugado nulo. Resolução da atividade 3 A resistência inserida em paralelo com a resistência principal cria um defasamento angular entre sua corrente e a do principal que será responsável por produzir o torque de partida. Resolução da atividade 4 O defasamento angular obtido pela inserção da resistência em paralelo é pequeno, por isso não se consegue, nesse motor, altos torques de partida, o que limita sua aplicação e inviabiliza o acionamento de potências fracionárias e cargas que exigem alto torque de partida. Resolução da atividade 5 a. ( ) 1,5 40º 2 35º 2,79 3,76º cos 3,76º 0,998 tr p r tr I I I I A fp ematraso = + = + − = − = − = ∟ ∟ ∟ b. ( )35 - -40 75ºθ = = c. A corrente de partida foi reduzida de 3, 42 24,3º A−∟ para 2,79 3,76º A−∟ e o fator de potência aumentou de 0,91 para 0,998. A relação entre o torque desenvolvido com e sem capacitor é dada por: UNIUBE 137 Máquinas síncronas3.2 3.2.1 Generalidades Como dito, geralmente as máquinas síncronas são construídas com o enrolamento de campo no rotor (excitado por corrente contínua através de escovas de carvão) e a armadura no estator. É vantajoso ter o enrolamento de campo de baixa potência sobre o rotor devido a vários motivos, dentre os quais: • de acordo com Kosow (2000), maior resistência dos dentes da armadura: máquinas de maior potência requerem mais cobre e ranhuras mais profundas no ferro. Se a armadura for estacionária para ranhuras mais profundas, os dentes da armadura se tornam mais largos e resistentes. Em contrapartida, se a armadura for girante, os dentes se tornam mais estreitos para uma maior profundidade. Além disso, em uma armadura girante os dentes podem estar sujeitos a forças centrífugas elevadas [1]; • menor reatância da armadura: a relutância ao fluxo da armadura estacionária é reduzida, devido à maior seção transversal do ferro; • facilidade no isolamento: é mais fácil isolar o enrolamento de tensão cc e baixa potência no elemento rotativo (mais difícil de ser isolado), pois como a armadura necessita de uma isolação maior (tensão maior e alternada), se ela for estacionária o trabalho será menor; pc pr T sin 75º 2,286 T sin 25º = = Resolução da atividade 6 O motor a duplo capacitor combina as vantagens dos outros dois que utilizam capacitores: alto torque de partida e funcionamento em regime permanente semelhante ao dos motores de indução polifásicos. 138 UNIUBE • vantagens construtivas: a construção da armadura de uma máquina de vários polos é complexa, sendo feita mais facilmente em uma estrutura rígida; • necessidade de número menor de anéis coletores: se a armadura fosse girante, seria necessário um anel coletor para cada fase para transferir a tensão e corrente da armadura para escovas estacionárias. No entanto, essa transferência não é fácil de ser realizada, e a isolação dos anéis coletores também o é. Para um número maior de fases, os problemas de isolação tornam-se mais complexos. Em uma armadura estacionária esses problemas não existem, e a tensão é mais facilmente isolada e trazida para fora da máquina. Já o enrolamento de campo precisa de apenas dois anéis coletores para ser excitado, e com tensão cc baixa; • peso e inércia do rotor reduzidos: como a tensão de campo é mais baixa que a de armadura, ele requer fios de cobre mais finos e isolação menor, o que diminui o peso; • vantagens na ventilação: a maior parte do calor é produzida no enrolamento da armadura. Com a armadura estacionária, seu resfriamento pode ser feito mais facilmente. Nossa análise será feita sobre um par de polos da máquina, e caso esta possua maispares, as condições elétricas e magnéticas encontradas para o par estudado poderão ser aplicadas aos demais. O ângulo será expresso em graus (ou radianos) elétricos, a partir do valor mecânico: 2e m Pθ θ= Em que, θe – ângulo em unidades elétricas; θm – ângulo mecânico; P número de polos. Quando um par de polos passa pela bobina da máquina, a tensão desta completa um ciclo, o que corresponde a P/2 vezes sua rotação. A frequência da tensão é dada por: UNIUBE 139 2 60 P nf = Em que, n – velocidade mecânica (rpm); n/60 – velocidade em rotação por segundo. A frequência angular w da onda de tensão é: 2 m Pw w= Em que, wm – velocidade mecânica (rad/s). Existem dois tipos de construção do rotor de uma máquina síncrona, de polos lisos (cilíndricos) ou de polos salientes. Este último tipo é utilizado principalmente como gerador em usinas hidroelétricas, devido à necessidade destes funcionarem com baixas velocidades, para se acoplarem às turbinas hidráulicas. Como se necessita gerar tensão a 60 Hz, é necessário um número grande de polos, e as máquinas de polos salientes, se adaptam melhor mecanicamente à esta situação. Quando as características das turbinas, no entanto, exigem velocidades mais altas, as máquinas de polos lisos são as utilizadas. É o caso das turbinas a vapor e a gás presentes em turbogeradores. 3.2.2 Circuito equivalente para máquinas síncronas Uma forma simples de representar uma máquina síncrona é tratá-la como uma impedância. Esse circuito equivalente representa a máquina de rotor cilíndrico em regime permanente sob alimentação equilibrada por meio de uma reatância indutiva. Essa reatância representa o efeito do fluxo na armadura da máquina. 140 UNIUBE O fl uxo resultante no entreferro da máquina é a soma dos fl uxos produzidos na armadura e no campo da máquina, como mostra a Figura 15. Figura 15: Diagrama fasorial dos fl uxos em uma máquina síncrona. A tensão resultante no entreferro (Er) será a soma da tensão gerada pelo fl uxo da armadura (Ear) e da tensão gerada pelo fl uxo do campo (Ef). Essas tensões são proporcionais às correntes de campo e armadura e atrasados de 90º do fl uxo que o produz. O fl uxo da armadura está em fase com a corrente da armadura, assim tem-se: f a rE jI X Eϕ− = Em que, Xφ – reatância indutiva (constante proporcionalidade entre Ear e Ia). Essa reatância é chamada de reatância magnetizante ou de reação da armadura. A tensão no terminal da máquina (Vt) será menor que a tensão gerada no entreferro (Er) devido às quedas na resistência da armadura (ra) e na reatância de dispersão (x). Com base no exposto, chega-se ao circuito equivalente mostrado na Figura 16. UNIUBE 141 Figura 16: Circuito equivalente da máquina síncrona. O circuito anterior pode ser simplificado, chegando-se ao circuito mostrado na Figura 17, em que a máquina é representada pela resistência da armadura e por uma reatância síncrona (Xs). Figura 17: Circuito equivalente da máquina síncrona simplificado. sX X Xϕ= + A reatância síncrona será constante para máquinas de rotor cilíndrico não saturado e frequência constante. 142 UNIUBE 3.2.3 Características de circuito aberto O transformador, o motor de indução são dispositivos de fluxo constante, determinado pela tensão alternada aplicada. Já nas máquinas síncronas o fluxo varia de acordo de acordo com a corrente de campo. Devido a isso, é necessário que se conheça a curva de magnetização da máquina. Esta pode ser obtida por meio da determinação da característica de circuito aberto. A característica de circuito aberto de uma máquina síncrona trata-se da relação entre a tensão terminal da máquina operando sem carga e a corrente de campo (excitação) com a máquina girando na velocidade síncrona. Utilizando este gráfico, é possível determinar as perdas rotacionais em vazio da máquina. Em geral, determina-se essa característica experimentalmente através do ensaio em vazio. Para tal, aciona-se a máquina até a velocidade síncrona com os terminais da armadura em aberto e mede-se a tensão terminal para vários valores de corrente de campo, variada através de um reostato. A Figura 18 mostra o circuito com o esquema do ensaio. Figura 18: Esquema de ligação para determinação da característica de circuito aberto. UNIUBE 143 A potência mecânica gasta durante o ensaio de circuito aberto pode ser determinada pelas perdas rotacionais em vazio. Dentro dessas perdas, têm-se as perdas por atrito e ventilação que são constantes à velocidade síncrona e as perdas no ferro que são função do fluxo, ou da tensão de circuito aberto. A Figura 19 mostra a característica de um circuito aberto. Figura 19: Característica de circuito aberto. A perda mecânica com a máquina em vazio, e sem excitação, corresponde às perdas por atrito e ventilação. Quando a máquina é excitada, as perdas são por atrito, ventilação e no ferro. Para obter, portanto, as perdas no ferro, basta subtrair as perdas com excitação das sem excitação. 3.2.4 Características de curto-circuito A característica de curto-circuito de uma máquina síncrona trata-se da relação entre a corrente de armadura da máquina operando em curto-circuito e a corrente de campo (excitação) com a máquina girando na velocidade síncrona. 144 UNIUBE Para tal, aciona-se a máquina até a velocidade síncrona com os terminais da armadura curto-circuitado e mede-se a corrente da armadura para vários valores de corrente de campo, variada através de um reostato. A Figura 20 mostra as curvas das características de circuito aberto e curto-circuito. Figura 20: Características de circuito aberto e de curto-circuito. Com as curvas características da máquina síncrona, pode-se determinar a reatância síncrona: ( ) f s a E X I cc = Em que, Ef – tensão na linha do entreferro (característica em vazio); Ia – corrente na armadura (característica de cc). A corrente de campo aplicada nos dois ensaios para determinar Ef e Ia deve ser a mesma. UNIUBE 145 Uma aproximação pode ser feita quando a máquina opera em tensão nominal ou perto dela; trata-se de considerar a máquina não saturada, ou seja, a característica de saturação como uma reta passando pela origem como mostrado na Figura 21. Figura 21: Características de circuito aberto e de curto-circuito para máquina não saturada. A partir dessa simplificação, a reatância síncrona pode ser calculada da seguinte forma: ' ( ) t ns a VX I cc = A relação de curto-circuito é definida como a relação entre a corrente de campo para obter tensão nominal em circuito aberto e a corrente de campo necessária para a corrente nominal de armadura em curto-circuito, como segue: ' '' OfRCC Of = Ou 1 ( ) RCC Xs pu = 146 UNIUBE Veja o exemplo a seguir. 3. Os seguintes dados são tomados dos ensaios em circuito aberto e de curto-circuito de uma máquina síncrona de 45kVA, trifásica, estrela, 220V, 6 polos, 60 Hz: Curva característica Iexcitação Vlinha Iarmadura Característica de circuito aberto 2,84 220 - Linha de entreferro 2,20 202 118 Característica de curto-circuito 2,20 - 118 2,84 - 152 Calcular, considerando os dados anteriores: a. o valor não saturado da reatância síncrona em Ω/fase e pu; b. o valor saturado em Ω/fase e pu; c. a relação de curto-circuito (RCC); d. o fator de saturação (Ks). Resolução: a. ( ) ' ( ) 202 3 0,988 / 118 220 3 1,07 / 118 0,988 0,92 1,07 t ns a ns b b b ns VX I cc X fase VX fase I X pu pu = = = Ω = = = Ω = = UNIUBE 147 b. ( ) 220 3 0,836 / 152 0,836 0,78 1,07 f s a s s E X I cc X fase X pu = = = Ω = = c. 1 ( ) 1 1, 28 0,78 RCC Xs pu RCC = = = d. 0,92 1,18 0,78 ns s s XK X = = = A potência mecânica gasta durante o ensaio em curto-circuito é a soma das perdas por atrito e ventilação e as perdas causadas pela circulação de corrente na armadura. Portanto, para obter as perdas causadas pela corrente da armadura, devemos subtrair da potência mecânica as perdaspor atrito e ventilação obtidos pelo ensaio em curto-circuito. Essas perdas são conhecidas como perdas de curto-circuito, sendo compostas de perdas no cobre no enrolamento de armadura, perdas locais no ferro pelo fluxo de dispersão da armadura e uma pequena perda no ferro causada pelo fluxo resultante. A perda que ocorre na resistência do cobre pode ser calculada, medindo- se a resistência e corrigindo-a para a temperatura de operação da máquina, quando necessário. O calculo é feito da seguinte forma: ' 234,5 ' 234,5 tr r t + = ⋅ + 148 UNIUBE Em que, r' - resistência corrigida para a temperatura t^'; r – resistência medida na temperatura t. Se esta perda for subtraída das perdas em curto-circuito, encontram-se as perdas devido às correntes de Foucault e ao efeito Skin, e as perdas locais no ferro. Estas são perdas adicionais causadas pela corrente alternada na armadura, chamadas de perdas suplementares. Como as perdas suplementares são função da corrente da armadura, considera-se que em operação nominal elas são iguais aos do ensaio em curto-circuito. • Efeito pelicular (Skin) é caracterizado pela tendência da corrente alternada circular pela periferia do condutor, devido à repulsão eletromagnética de suas linhas. Este efeito é proporcional à intensidade e frequência da corrente e às características magnéticas do condutor. Quando a corrente circula pela periferia do condutor, a área efetiva deste diminui, o que aumenta sua resistência aparente, aumentando, consequentemente, as perdas. • Correntes de Foucault é a corrente induzida em um condutor submetido à variação de fluxo magnético. A circulação desta corrente no material magnético das máquinas síncronas aumenta a dissipação de energia por efeito joule, aumentando as perdas e aquecimento da máquina. Para diminuir o problema, é usual que os materiais sujeitos à variação de campo sejam laminados, sendo essas lâminas isoladas entre si, o que evita a circulação dessas correntes. O efeito pelicular é uma manifestação da corrente de Foucault. IMPORTANTE! UNIUBE 149 Vejamos, a seguir alguns exemplos: 4. Para a máquina do exemplo 3, as perdas de curto-circuito são 1,5 kW a uma temperatura de 28º C. A resistência da armadura nesta temperatura é 0,02 Ω/fase. Calcular a resistência efetiva da armadura a 40º C em Ω/fase e em pu, e sua relação com a resistência cc. Resolução: Para calcular a resistência, basta dividir a perda por fase (1,5kW/3) pelo quadrado a corrente nominal (exemplo 3). 2 1500 3 0,0359 / 118a r fase= = Ω Corrigindo a resistência encontrada para 40º C: ' ' ' 234,5 ' 234,5 234,5 40º 0,0359 234,5 28º 0,0375 / a a a a tr r t r r fase + = ⋅ + + = ⋅ + = Ω A relação entre as resistências é: ' ( ) ( ) ( ) 234,5 40 0,02 0,0209 / 234,5 28 0,0375 1,79 0,0209 a cc a efet a cc r fase r r + = ⋅ = Ω + = = 5. Os seguintes dados são tomados dos ensaios em circuito aberto e de curto-circuito de uma máquina síncrona de 150 kVA, trifásica, estrela, 220V, 6 polos, 60 Hz: 150 UNIUBE Curva característica Iexcitação Vlinha Iarmadura Pmec (kVA) Característica de circuito aberto 5,32 220 - 1 Linha de entreferro 4,5 198 394 - Característica de curto-circuito 4,5 - 394 2,5 5,32 - 512 - A potência mecânica gasta pela máquina a vazio e com excitação é 800 W. Calcule a resistência efetiva da armadura na temperatura do ensaio em curto-circuito. Despreze o fluxo de dispersão da armadura. Resolução: Como a corrente nominal é conhecida para se determinar a resistência, basta encontrar o valor das perdas joule. Através dos dados do ensaio com circuito aberto, é possível determinar as perdas por atrito e ventilação (Prot): ( ) rot femec vazP P P= + A perda mecânica em vazio é 1 kW e a perda no ferro é 800 W (perdas a vazio com excitação). Fazendo a diferença entre essas perdas, obtêm-se as perdas por atrito e ventilação (perdas a vazio sem excitação). 1000 800 200 rot rot P P W = + = A potência mecânica gasta durante o ensaio em curto-circuito é devido às perdas por atrito e ventilação e perdas no cobre, quando se despreza o fluxo disperso. ( ) 2 2500 200 2300 rot jamec cc ja ja ja a a P P P P P W P r I = + = + = = UNIUBE 151 2 2300 394 0,015 / a a r r fase = = Ω Realize as atividades a seguir. Atividade 7 Os seguintes dados são tomados dos ensaios em circuito aberto e de curto-circuito de uma máquina síncrona de 150kVA, trifásica, estrela, 220V, 6 polos, 60 Hz: Curva característica Iexcitação Vlinha Iarmadura Característica de circuito aberto 5,32 220 - Linha de entreferro 4,5 198 394 Característica de curto-circuito 4,5 - 394 5,32 - 512 Calcule, considerando os dados apresentados: a. o valor não saturado da reatância síncrona em Ω/fase e pu; b. o valor saturado em Ω/fase e pu; c. a relação de curto-circuito (RCC); d. o fator de saturação (Ks). Atividade 8 Para a máquina do exercício 7, as perdas de curto-circuito são 4 kW a uma temperatura de 35º C. A resistência cc da armadura nesta temperatura é 0,007 Ω/fase. Calcule a resistência efetiva da armadura a 70º C em Ω/fase e em pu e sua relação com a resistência cc. Agora, verifique, a seguir, as resoluções das atividades e compare-as com as que você realizou. AGORA É A SUA VEZ 152 UNIUBE a. ( ) ' ( ) 198 3 0,29 / 394 220 3 0,32 / 394 0,29 0,91 0,32 t ns a ns b b b ns VX I cc X fase VX fase I X pu pu = = = Ω = = = Ω = = b. ( ) 220 3 0,248 / 512 0,248 0,78 0,32 f s a s s E X I cc X fase X pu = = = Ω = = c. 1 ( ) 1 1, 28 0,78 RCC Xs pu RCC = = = d. 0,91 1,167 0,78 ns s s XK X = = = Resolução da atividade 8 Para calcular a resistência basta dividir a perda por fase (1,5kW/3) pelo quadrado a corrente nominal (exemplo 3). 2 4000 3 0,00859 / 394a r fase= = Ω Corrigindo a resistência encontrada para 70º C: ' ' ' 234,5 ' 234,5 234,5 70º 0,00859 234,5 35º 0,0097 / a a a a tr r t r r fase + = ⋅ + + = ⋅ + = Ω UNIUBE 153' ' ' 234,5 ' 234,5 234,5 70º 0,00859 234,5 35º 0,0097 / a a a a tr r t r r fase + = ⋅ + + = ⋅ + = Ω A relação entre as resistências é: ' ( ) ( ) ( ) 234,5 70 0,007 0,00791 / 234,5 35 0,00859 1,09 0,00791 a cc a efet a cc r fase r r + = ⋅ = Ω + = = 3.2.5 Geradores e motores síncronos Vejamos o que Pereira e Delaiba explicam: Com poucas exceções, os geradores síncronos são máquinas trifásicas, devido às vantagens dos sistemas trifásicos para geração, transmissão e utilização de grandes potências. Quando um gerador síncrono supre potência elétrica a uma carga, a corrente na armadura cria uma onda de fluxo no entreferro, que gira à velocidade síncrona. Este fluxo reage com o fluxo criado pela corrente de campo e resulta daí um conjugado eletromagnético, devido à tendência dos dois campos magnéticos se alinharem. Em um gerador, este conjugado se opõe à rotação, e a máquina motriz deve aplicar conjugado mecânico a fim de sustentar a rotação. Correspondente ao gerador síncrono, temos o motor síncrono. A corrente alternada é fornecida ao enrolamento de armadura, e a excitação de corrente contínua é suprida ao enrolamento de campo. O campo magnético da corrente de armadura gira à velocidade síncrona. Para produzir um conjugado eletromagnético permanente, os campos magnéticos do estator e do rotor precisam ser constantes em amplitude e estacionários um em relação ao outro. Em um motor síncrono, a velocidade de regime permanente 154 UNIUBE é determinada pelo número de polos e a frequência da corrente na armadura. Assim, um motor síncrono alimentado por uma fonte ca de frequência constante precisa girar a uma velocidade constante em regime permanente. Em um motor, o conjugado eletromagnético está na direção de rotação e equilibra o conjugado oponente exigido para mover a carga mecânica. (PEREIRA; DELAIBA, 2007, p. 89). Na indústria, não é muito comum a utilização de motores síncronos, mas estes apresentamalgumas vantagens sobre outros tipos de motores: • correção fator de potência: as indústrias são obrigadas pelas concessionárias de energia a manter o fator de potência de suas instalações em um valor mínimo (atualmente, este valor é 0,92, no Brasil), sob risco de penalização. Isto é feito porque quando o fator de potência é baixo, a energia reativa requerida pela carga é transportada pela linha, ocupando parte da capacidade que deveria ser utilizada para transporte de potência ativa. Com a correção do fator de potência a energia reativa é produzida localmente, não circulando pela linha. Como as plantas industriais geralmente possuem predominância de cargas reativas indutivas, como motores de indução, seu fator de potência frequentemente tem que ser corrigido através da instalação de bancos de capacitores. Uma alternativa é a utilização de motores síncronos em detrimento dos de indução. Um motor síncrono corrige o fp porque o controle do seu fornecimento de energia ativa e reativa pode ser feito separado, visto que sua excitação é separada; • baixo custo inicial: para potências iguais ou superiores a duas vezes a rotação do motor, o custo de um motor síncrono é menor que qualquer outro de corrente alternada; • características de partida especiais: combinações de conjugados altos ou baixos e baixa corrente de partida podem ser fornecidos sem afetar as características em regime; • velocidade constante; • alto rendimento: possuem baixo custo operacional. Se não for necessário fornecimento de potência reativa a corrente de linha pode ser minimizada diminuindo as perdas joules, resultando em um aumento do rendimento; UNIUBE 155 • alta capacidade de torque; • manutenção reduzida; • maior estabilidade na utilização com inversores de frequência. Como exposto anteriormente, a armadura, alimentada por corrente alternada, fica no estator e o campo no rotor, alimentado por corrente contínua. A corrente alternada na armadura da máquina produz um campo girante. Já o campo produzido pelo rotor é estacionário, pois este é alimentado por corrente contínua. Como na partida do motor, o rotor está inicialmente parado, seu campo estará estacionário em relação à armadura, não estando, portanto, estacionário em relação ao campo da armadura que gira na velocidade síncrona. Como os dois campos não são estacionários entre si, o motor síncrono não possui torque de partida, necessitando de dispositivos auxiliares para partir. 3.2.6 Métodos de partida Como o motor síncrono não tem conjugado de partida, ele deve ser acionado até a velocidade síncrona. As sequências de operação para a partida são: 1. curto-circuita-se o campo do motor síncrono com uma resistência, a fim de reduzir o valor da tensão induzida; 2. põe-se o motor síncrono a girar por um dos dois métodos existentes, que serão descritos a seguir; 3. quando um rotor atingir a velocidade de sincronismo, retira-se a resistência de campo, estabelece-se a corrente contínua no indutor e retira-se a máquina auxiliar. Os dois métodos de partida são: 1. por meio de um motor auxiliar acoplado ao eixo do motor síncrono que o aciona a velocidade síncrona, quando então o motor síncrono é sincronizado com a rede. A partida deve ser efetuada em vazio, para a potência do motor acionador não precisar ser elevada. 156 UNIUBE Como motor auxiliar, pode ser utilizado: motor hidráulico, térmico, elétrico de indução, elétrico com coletor de lâminas; 2. utilizando um enrolamento amortecedor que funciona como um enrolamento em gaiola. Neste caso, o motor síncrono parte como se fosse um motor de indução (partida assíncrona), atingindo uma velocidade próxima à síncrona (98 a 99%). É, então, aplicada corrente contínua no enrolamento de campo e o motor entra em sincronismo; 3. por meio de uma fonte de alimentação alternada com frequência variável, que pode ser uma máquina síncrona auxiliar ou um inversor de frequência. Quando é utilizada uma máquina síncrona auxiliar, a máquina parte seguindo as etapas: • o motor parado é excitado pela máquina síncrona auxiliar com uma tensão alternada de baixa frequência; • o motor começa a girar em regime assíncrono e a baixa frequência se sincroniza com a máquina síncrona auxiliar girando à baixa velocidade; • aumenta-se suavemente a rotação do motor síncrono auxiliar, aumenta- se a do motor que se está partindo, sem perder o sincronismo; • quando o motor síncrono atinge a velocidade de sincronismo com a rede, acerta-se o valor de tensão da máquina pelo valor da tensão da rede principal; • verifica-se as condições de sincronização; • liga-se o motor síncrono à rede principal. Neste método, é necessário que se excitem as duas máquinas síncronas por uma fonte de corrente contínua independente. O conversor estático de frequência converte a energia da rede elétrica da rede em uma energia com tensão e frequência diferentes e variáveis, o que permite o arranque síncrono do motor. Sua utilização apresenta as seguintes vantagens: UNIUBE 157 • economia de energia, pois apenas uma parte do consumo nominal é gasto; • partida mais suave, diminuindo os desgastes mecânicos ligados ao rotor; • corrente e torque de partida independentes de outros parâmetros; • é um sistema estático, o que aumenta a fiabilidade e reduz a manutenção; • um único sistema pode acionar vários motores síncronos; • pode alterar o sentido de rotação do motor; • pode atuar na frenagem do motor. 4. por meio de máquina síncrona auxiliar, porém com as duas máquinas sem excitação até que se atinja de 20 a 40% da velocidade nominal da máquina. 3.2.7 Excitação de geradores e motores síncronos O gerador, quando está sobreexcitado, fornece corrente atrasada em relação à tensão do sistema. Como um capacitor, ele fornece potência reativa ao sistema. Neste caso, a tensão gerada é maior que a tensão terminal. Quando o gerador está subexcitado, fornece corrente adiantada em relação à tensão do sistema. O gerador subexcitado recebe potência reativa do sistema. Esta ação pode ser explicada pela fmm interna e pela corrente adiantada da tensão terminal. Observa-se que, neste caso, a tensão gerada é menor que a terminal. As figuras 22 e 23 mostram o diagrama fasorial para os dois casos. Figura 22: Gerador subexcitado. 158 UNIUBE Figura 23: Gerador sobrexcitado. Utilizando a equação, a seguir, calcula-se a fem induzida em uma máquina síncrona operando com gerador. g t a a a sE V R I jI X= + + O motor síncrono sobreexcitado solicita corrente adiantada em relação à tensão e se comporta como um sistema capacitivo quando visto do sistema para o qual fornece potência reativa, pois, nesse caso, a tensão do motor é maior que a tensão terminal. O motor subexcitado solicita corrente em atraso, absorve potência reativa e se comporta tal qual circuito indutivo quando visto do sistema, pois neste caso a tensão do motor é menor que a tensão terminal. As Figuras 24 e 25 mostram o diagrama fasorial para estes dois casos. Figura 24: Motor sobrexcitado UNIUBE 159 Figura 25: Motor subexcitado Por meio da equação, a seguir, calcula-se a fem induzida em uma máquina síncrona operando com motor. - -g t a a a sE V R I jI X= As figuras mostram que geradores e motores síncronos sobreexcitados fornecem potência reativa ao sistema, enquanto que subexcitados absorvem potência reativa do sistema. Vejamos a seguir alguns exemplos: 5. Um alternador de polos lisos 10 MVA, 13,2 kV, estrela, ra = 1,75 Ω/ fase, Xφ = 2,61 Ω/fase e Xra = 0,7 pu, encontra-se conectado a um barramento infinito de 13,8 kV. Se o alternador está recebendo reativos e fornece 50% de sua potência nominal com cosφ = 0,9, determinar o ângulo de carga e a fem induzida. Esboce o diagrama fasorial. Resolução: Antes de calcular a fem é necessário que se passe as grandezas para pu: 13,8 1,045 13, 2t pu V pu= = 0,5 puS pu= 160 UNIUBE ( ) ( ) 22 0,5 0,48 1,045 cos 0,9 25,84º 13,2 17,424 / 10 1,75 0,1 17,424 2,610,15 17,424 pu pu pu b b b a pu pu S I pu V VZ fase S r pu X puϕ ϕ ϕ = = = = = = = = Ω = = = = Como o gerador está recebendo reativo, ele encontra-se subexcitado, estando sua corrente adiantada da tensão terminal (referência) de 25,84º. 1,045 0º 0,1 0,48 25,84º 0,48 25,84º (0,15 0,7) 0,989 23,09º 13,06 23,09º g t a a a s g g E V R I jI X E j E pu kV = + + = + × + × + = = ∟ ∟ ∟ ∟ ∟ 6. Um motor de 5 MVA, 4,16 kV, estrela, ra = 0,05 pu, Xφ = 4,15 Ω/fase e Xra = 0,6 pu, está recebendo reativo conectado a um barramento de tensão 3,8 kV. A potência ativa do motor é 2 MW e a reativa 3 MVAR. Determinar o ângulo de carga e a fem induzida. Esboce o diagrama fasorial. Resolução: 2 2 2S P Q= + UNIUBE 161 2 2 2 ( ) 2 3 3,61 3,61 0,72 5 tan 56,31º 3,8 0,91 4,16 0,72 0,79 0,91 4,16 3 3,46 / 693,93 4,15 1,2 3,46 pu t pu pu pu pu b b b pu S S MVA S pu Q P V pu S I pu V kVZ fase I X puϕ ϕ ϕ = + = = = = = = = = = = = = = Ω = = Como o motor está recebendo reativo, ele encontra-se subexcitado, estando sua corrente atrasada da tensão terminal (referência) de 56,31º. - - 0,91 0º -0,05 0,79 -56,31º - 0,79 -56,31 (1,2 0,6) 0,81 -111,32º g t a a a s g g E V R I jI X E j E = = × × + = ∟ ∟ ∟ ∟ 162 UNIUBE Com o objetivo de exercitar os conhecimentos construídos, realize as atividades a seguir. Atividade 9 Um gerador de polos lisos, 5 MVA, 4,16 kV, conexão delta, ra = 0, Xφ = 0,2 pu, Xra = 0,9 pu, encontra-se conectado a um barramento infinito, operando com potência nominal e fornecendo reativos. Sendo o ângulo da corrente com a tensão terminal de 30º, determinar o ângulo de carga e a fem induzida. Esboçar o diagrama fasorial. Atividade 10 Um motor de polos lisos, estrela, 60 Hz, 10 MVA, 13,8 kV, encontra-se conectado a um barramento infinito fornecendo 5 MW de potência ativa e 3 MVAr de potência reativa. Sendo Xs = 1 pu, determinar o ângulo de carga e a fem induzida. Esboçar o diagrama fasorial. Agora, verifique, a seguir, as resoluções das atividades e compare-as com as que você realizou. Resolução da atividade 9 Como o gerador está fornecendo reativo, ele encontra-se sobreexcitado, estando sua corrente atrasada da tensão terminal (referência) de 30º. 1 0º 1 -30º (1,1) 1,819 31,57º 7,57 31,57º g t a a a s g g E V R I jI X E j E kV = + + = + × = = ∟ ∟ ∟ ∟ AGORA É A SUA VEZ UNIUBE 163 Resolução da atividade 10 2 2 2 2 2 25 3 5,83 5,83 0,583 10 0,583 0,583 1 3tan 5 30,96º 1 0º - 0,583 30,96º 1 0,583 -30,96 g g S P Q S S MVAr S pu SI pu V Q P E j n E ϕ ϕ = + = + = = = = = = = = = = = ∟ ∟ ∟ 164 UNIUBE 3.2.8 Máquinas síncronas em paralelo Veja o que Pereira e Delaiba nos explicam: Alternador é um gerador síncrono de corrente alternada que por indução eletromagnética transforma a energia mecânica em elétrica, sob a forma de corrente alternada, cuja frequência para uma dada máquina, depende exclusivamente da rotação. (PEREIRA; DELAIBA, 2007, p. 90). É interessante para um sistema elétrico que se trabalhe com alternadores em paralelo, pois isto traz várias vantagens, dentre as quais: • várias unidades pequenas permitem um serviço mais flexível que uma única unidade, pois se uma unidade ficar, eventualmente, fora de serviço, não se é obrigado a interromper todo o fornecimento de energia; • as unidades podem ser ligadas ou desligadas à medida que aumenta ou diminui a solicitação. Assim todas as máquinas trabalharão próximo à plena carga, o que aumenta o rendimento da operação; • a central geradora sendo constituída de mais de uma unidade, torna-se possível a manutenção preventiva e de emergência sem grande perturbação no sistema. A perturbação será tanto menor quanto maior for o número de unidades; • à medida que a demanda do sistema aumenta, novas unidades podem ser instaladas nas centrais, segundo etapas de construção previstas. (PEREIRA; DELAIBA, 2007, p. 90). • Poucas unidades de reserva são utilizadas para um grande número de máquinas, já que a probabilidade de ocorrer defeito em várias destas é muito pequena. • A confiabilidade do sistema é alta, pois a carga não deixa de receber alimentação decorrente de defeito em uma máquina. UNIUBE 165 O sistema elétrico nacional (SIN – Sistema Interligado Nacional) trabalha com geradores em paralelo. Condições para a ligação em paralelo: • mesma tensão (forma de onda e valor eficaz ou de pico); • mesma frequência; • mesmo defasamento angular; • mesma sequência de fases. Para verificar a sequência de fases, pode-se usar: • Sequencímetro: instrumento de três bornes onde são conectados os terminais do sistema trifásico a ser identificado. Um sinal luminoso indica se a sequência é ABC ou CBA. Motor de indução trifásico: alimenta-se o motor com um alternador, depois o outro. Se o sentido de rotação for o mesmo, as fases estão na mesma ordem. Se não, deve-se trocar a ligação de duas fases de um dos alternadores com o barramento.(PEREIRA; DELAIBA, 2007, p. 91). Sincronização: Em geral, todas as condições anteriormente descritas podem ser atendidas exceto a que diz respeito à frequência. Isto acontece porque mesmo os aparelhos mais precisos não conseguem determinar se as duas frequências são exatamente iguais. Isso acontece, porque qualquer mínimo desvio na frequência faz que, com o tempo, a forma de onda vá deslizando uma sobre a outra, até o ponto em que as duas ficam contrárias. 166 UNIUBE Existem vários métodos de determinação do instante de sincronização. Entre eles, destacam-se: • Lâmpadas: ligam-se duas lâmpadas entre fases idênticas ou entre fases diferentes. No primeiro caso faz-se a associação no momento em que as lâmpadas estão apagadas. No segundo caso, quando acendem com o máximo brilho. Este último tem o inconveniente de não se poder precisar o momento exato da concordância de fase, devido ao ofuscamento. • Fogo girante: é composto por três lâmpadas. A lâmpada 1 é ligada entre duas fases idênticas e as outras duas são ligadas entre fases diferentes. Essas lâmpadas apagam e acendem uma atrás da outra, dando a impressão de uma luz girante. Quando as máquinas estão longe do sincronismo, as lâmpadas acendem e apagam com grande rapidez. É, então, necessário regular a velocidade do alternador a associar, até se notar a maior lentidão possível no acender e no apagar das lâmpadas. A associação deve ser feita no momento em que a lâmpada 1 apagar. • Sincronoscópio: aparelho que indica o momento exato de oposições de fase bem como a igualdade de frequência. (PEREIRA; DELAIBA, 2007, p. 92). Os dois primeiros são métodos primordiais utilizados geralmente em laboratórios de ensino, onde não se dispõem de equipamentos mais sofisticados. Em grandes sistemas, eles não são utilizados. Com o objetivo de exercitar os conhecimentos construídos, realize as atividades a seguir. Atividade 11 Escreva por que o enrolamento de campo de uma máquina síncrona geralmente é no rotor. AGORA É A SUA VEZ UNIUBE 167 Atividade 12 Escreva por que a máquina síncrona é largamente utilizada como gerador e tem um emprego relativamente baixo como motor. Atividade 13 Escreva por que os rotores de geradores hidrelétricos geralmente são de polos salientes. Atividade 14 Escreva quais são as vantagens do funcionamento de geradores síncronos em paralelo. Atividade 15 Escreva o que é e para qual finalidade se usa um enrolamento amortecedor na fase dos polos das máquinas síncronas. Agora, verifique, a seguir, as resoluções das atividades e compare-as com as que você realizou. Resolução da atividade 11 O enrolamento de campo de uma máquina síncrona geralmente é no rotor porque a construção da armadura estacionária e do campo girante é vantajosa devido aos seguintes aspectos: • maior resistência dos dentes da armadura; • menor reatância da armadura; • melhor isolamento; • a construção da armadura é mais complexa que a do campo, logoé vantajoso fazê-la em uma carcaça rígida; 168 UNIUBE • é mais fácil isolar a tensão de uma armadura estacionária e trazê- la para fora da máquina; • o peso e inércia do rotor são reduzidos; • vantagens na ventilação, visto que o maior aquecimento ocorre na armadura. Resolução da atividade 12 A máquina síncrona é largamente utilizada como gerador e é pouco utilizada como motor principalmente pela ausência de torque de partida. No emprego como gerador, a máquina é acionada mecanicamente e produz tensão; como resultado, então não há o problema da ausência de torque de partida. Além disso, no funcionamento como gerador possui a vantagem auxiliar de ter baixa velocidade nominal, característica necessária, pois as turbinas hidráulicas funcionam também com baixa velocidade. Resolução da atividade 13 Os rotores de geradores hidrelétricos geralmente são de polos salientes, pois como as turbinas hidráulicas funcionam com velocidades relativamente baixas, um número relativamente grande de polos é necessário para produzir a frequência desejada. A construção de polos salientes adapta-se mais, mecanicamente, a esta situação. Resolução da atividade 14 Vantagens do funcionamento de geradores síncronos em paralelo: • várias unidades pequenas permitem um serviço mais flexível que uma única unidade, pois se uma unidade ficar, eventualmente, fora de serviço, não se é obrigado a interromper todo o fornecimento de energia. UNIUBE 169 • as unidades podem ser ligadas ou desligadas à medida que aumenta ou diminui a solicitação. Assim, todas as máquinas trabalharão próximo à plena carga, o que aumenta o rendimento da operação. • a central geradora sendo constituída de mais de uma unidade, torna-se possível a manutenção preventiva e de emergência sem grande perturbação no sistema. A perturbação será tanto menor quanto maior for o número de unidades. • à medida que a demanda do sistema aumenta, novas unidades podem ser instaladas nas centrais, segundo etapas de construção previstas. • poucas unidades de reserva são utilizadas para um grande número de máquinas, já que a probabilidade de ocorrer defeito em várias destas é muito pequena. • a confiabilidade do sistema é alta, pois a carga não deixa de receber alimentação decorrente de defeito em uma máquina. Resolução da atividade 15 O enrolamento amortecedor na fase dos polos das máquinas síncronas é um dispositivo auxiliar de partida, utilizado em motores síncronos, visto que não possuem torque natural de partida. Neste capítulo, foram estudados dois tipos de máquinas elétricas, os motores de indução monofásicos e os motores e geradores síncronos. Foram explicitados o princípio de funcionamento, as características construtivas e as características e métodos de partida, aplicações. Além disso, abordou-se a excitação de máquinas síncronas, a diferença entre seu emprego como motor e gerador, e o paralelismo de alternadores. Esse tipo de máquina é muito utilizado como gerador em usinas hidrelétricas. Resumo 170 UNIUBE Referências China Suppliers. Disponível em: <http://ccymotor.en.made-in-china.com/product/ ObumzToBYfWt/China-Universal-Motor-U7025FN1-. html>. Acesso em: 08 julho de 2011. FITZGERALD, A. E., UMANS, S. D., KINGSLEY JR. C. Máquinas elétricas. 6. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. JORDÃO, Rubens Guedes. Máquinas síncronas. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos. São Paulo: EDUSP, 1980. KINGSLEY JUNIOR, Charles; FITZGERALD, A. E.; UMANS, Stephen D. Solução máquinas elétricas. 6. ed. 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