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Vida e Obra de María Rostworowski María Rostworowski Tovar de Diez Canseco nasceu em 08 de agosto de 1915, em Barranco. Foi uma historiadora peruano-polaca, seu pai era polonês e sua mãe peruana. Aos cinco anos viajou à Polônia levada por seu pai e lá aprendeu diversos idiomas como o francês, polonês e inglês. Como não foi à escola, aprendeu a ler e escrever em francês com professores particulares, aos 13 anos foi parar em um internato inglês, pois não se adaptou ao sistema escolar. Revelou em uma entrevista cedida ao jornal El Comercio em 1995 que seu único refúgio eram os livros que havia em sua casa na Polônia, lia de tudo, desde os clássicos franceses ao gótico. Ao ir tão cedo para a Polônia, não tinha memórias construídas sobre o Peru, era tudo uma incógnita. Tudo o que sabia era o que sua mãe contava, e essas dúvidas foram importantes para a formação do pensamento acadêmico de María. Investigar as origens do Peru foi uma de suas principais linhas de pesquisa. A crise de 1930 forçou grandes mudanças. María se casou com um jovem aristocrata polonês, mas eles voltaram para o Peru em 1935, e se divorciaram. Em Ancón, conheceu seu outro marido o empresário Alejandro Diez Canseco. Com Alejandro, María viajou pelo interior do Peru e foi descobrindo o seu país de origem, porém o casamento durou pouco também, Alejandro morreu cedo devido a um infarto. Contudo, esse casamento lhe deu raízes porque até então ela não se sentia membro de nenhum lugar em particular. Durante seu retorno para o Peru, María não largava suas leituras e cada vez mais ia se encantando com as crônicas sobre os Incas. Ficou surpresa com o livro de Markham sobre os Incas, pois ela tinha fascínio pelas figuras de Pachacútec e Túpac Yupanqui. Conheceu também Riva Agüero, ela conta que costumava ler muito e não tirava os olhos do livro de Riva Agüero. E em mais um dia de suas leituras, em uma pensão em Ancón, conheceu a pessoa que daria um pontapé em sua vida acadêmica. Seu interesse pelo passado peruano foi incentivado pelo ilustre historiador Raúl Porras Barrenechea, que a conheceu na pensão em Ancón. Porras deve ter sido surpreendido por esta jovem mulher com traços europeus absortos em ler um autor que já era uma celebridade até então. Eles se conheceram, conversaram, e ela teve a audácia de dizer que planejava escrever uma biografia de Pachacútec. Isso mudou a direção de sua vida. O contato entre os dois só foi aumentando e Porras a incentivou a frequentar suas aulas na Universidad de San Marcos, como uma aluna avulsa. O renomado intelectual ensinou a ela os procedimentos historiográficos e a análise de fontes históricas, além de conseguir livros na biblioteca da Universidade e ordenar todas as suas leituras. Em San Marcos, ela também recebeu os ensinamentos de Julio C. Tello, Luis Valcárcel e do antropólogo americano John Murra, que a apresentou ao estudo da etno história. Sob todos esses ensinamentos e influências, publicou seu primeiro livro em 1953, que é uma biografia de Pachacutec, quem ela considera o personagem mais importante do mundo antigo. Esse livro foi bem sucedido porque ganhou um prêmio e lhe permitiu uma primeira presença no mundo acadêmico. Ela começou a trabalhar nos arquivos de Lima que continham informações abundantes sobre a costa pré-hispânica, assim, ela publicou, em 1961, seu segundo livro sobre Curacas e Sucessiones de la Costa. Nesses primeiros anos, por influência de Porras, acabou se dedicando mais ao período pré-colonial. Posteriormente, María escreveu um dos marcos da historiografia peruana. Um estudo meticuloso da figura do Inca que transcende a simples biografia para mergulhar na história do Tahuantinsuyo. Um livro que abre um novo caminho e que levou María a persistir em suas leituras dos cronistas e, sobretudo, a percorrer arquivos no Peru e no exterior. No capítulo um, “El Cusco primitivo”, a autora inicia o capítulo apontando que o chamado Estado Inca teve um desenvolvimento tardio quando comparado às altas culturas pré-hispânicas. Apontando que existiram nos Andes civilizações que habitaram antes dos Incas a autora faz o apontamento de que esta etapa pertence à arqueologia e não necessariamente à história que se fundamenta nos documentos do século XVI. Havia uma marcha de alguns povos em busca de terras férteis para se estabelecer e uma pluralidade de povos de diversas origens co-habitavam a região do futuro Cusco. Anteriormente aos Incas a divisão dos diversos povos andinos no local era divido em quatro grandes bairros, e de outras formas que foram se modificando ao longo do tempo, porém a autora aponta que desde Acamama até o Tahuantinsuyu se basearam nas divisões que já haviam sido feitas nos primórdios, mesmo que motivos políticos tivessem feito com que existissem novas divisões o principio fundamental era o mesmo. Rostworowski trabalha no que segue do capítulo os grupos que ocuparam Cusco primitivo antes da formação do Império Inca. Mostrando a sua interdisciplinaridade a autora argumenta, segundo Rowe, que escreve um trabalho arqueológico, que a cerâmica do “Late Intermediate of Cusco” aponta a substituição de uma cultura por outra, ou seja, mostra que a cultura Inca tem raízes e influências em culturas mais próximas dela e não necessariamente nas mais antigas dos Andes. Historia del Tahuantinsuyu (1988), é hoje um dos livros mais importante das ciências sociais peruana. Nele podemos ver a formação, estruturas, expansão e decadência do Império Inca, com destaque para o uso de fontes primárias e secundárias da América e Europa em campos como a história, etnografia, arqueologia e ecologia. Essa obra pode ser considerada uma crítica à historiografia peruana que enxergava a história dos Incas como perfeita, coerente e linear. Uma obra que possui muitos detalhes sobre a história dos Incas e que abre as portas para conhecimentos antes não estudados sobre o Peru. Portanto é uma obra que afirma a história do Peru por um olhar que não seja o europeu.