Prévia do material em texto
RESUMO DO TEXTO “Gramática, ensino de português e ‘adequação linguística’”, de Maria Eugênia Lammoglia Duarte, Carolina Ribeiro Serra. CONCEITOS DE GRAMÁTICA 1- GRAMÁTICA INTERNALIZADA- Língua I (L1), é o conhecimento que todo falante tem de sua língua, independente do acesso à escola. Sua aquisição se dá de forma natural, durante a infância, à medida que a criança é exposta aos dados de sua língua materna no meio em que é criada. 2- GRAMÁTICA LIVRO – se propõe a descrever sistemas linguísticos ou a elencar normas de uso, são os manuais utilizados na escola, cheios de regras e exceções. Todos adquirem as mesmas propriedades abstratas (L1), como por exemplo, a ordem dos constituintes dentro do sintagma nominal, dentro da oração, dentro do período; a constituição silábica e o conjunto de melodias de sua língua, ainda que seu desempenho revele aspectos variáveis da fala que lhe serviu com input. Ninguém fala “menino o”, todo falante do português rejeita essa estrutura, pois é agramatical, não faz parte de sua gramática interna. E não é na escola que adquirimos esse conhecimento, esta é a gramática internalizada, que todo falante exposto a algum estímulo e que não sofra de algum comprometimento fisiológico ou mental “adquire” naturalmente sem qualquer esforço. O contato com a escola e a literatura, pode acrescentar outras estruturas a essa gramática internalizada e leva-lo, através da “aprendizagem”, a utilizar formas que não fazem parte de sua L1. Portanto, o que é gramatical ou agramatical em determinada língua nada tem a ver com as noções de certo e errado da tradição gramatical. Cada falante tem a sua L1 e pode fazer julgamentos de gramaticalidade sobre os enunciados que ouve. Essa aptidão pertence à competência dos falantes. O falante constata a “agramaticalidade” ou “gramaticalidade”, sem formular uma “apreciação”. Se a frase é possível naquela gramática, o falante nativo a entende perfeitamente. Se há diferenças entre falantes sobre a gramaticalidade de uma frase, é porque sua competências ( suas gramáticas) são variantes do mesmo sistema ou constituem sistemas diferentes. Ex.: O João é difícil de pagar. Para o português brasileiro, “João” pode ser sujeito ou objeto de “pagar”, mas para o português europeu só pode ser objeto. COMPÊNDIOS GRAMATICAIS A gramática tradicional, continua a tradição gramatical europeia, modelo iniciado por gregos e continuado por romanos que buscavam descrever a língua com base nos autores clássicos. Nos referimos às gramáticas tradicionais como normativas. Porém, estas são igualmente descritivas. As conceituações e classificações são parte da descrição. As normas em geral são introduzidas por como “não se deve...”, “é imperioso tal uso...”, “o bom uso da língua...” As críticas feitas às gramáticas tradicionais, em geral, são de certa forma injustas, porque elas foram escritas em outro momento histórico. Costuma-se cobrar delas uma consistência teórica de que não se dispunha quando da sua preparação. No entanto, estas vêm sendo reeditadas sem incorporar os avanços dos estudos linguísticos, sem sanar a inconsistência/incoerência dos conceitos utilizados na descrição da língua e sem atualizar os dados relativos ao uso normal da escrita. Essas gramáticas, pela tradição, utilizam como modelo a escrita literária de sincronias passadas. Entretanto, é certo que tudo o que se fez em termos de descrição gramatical partiu das gramáticas tradicionais. As revisões feitas com base nessas gramáticas não podem cobrar delas o que elas não podiam apresentar. O que se pode criticar é o fato de que , hodiernamente, a descrição e as normas nelas contidas sejam reeditadas sem qualquer atualização. É evidente que há uma imensa defasagem entre as normas de bom uso da língua, e o que se pratica efetivamente na escrita contemporânea, seja porque algumas delas nunca fizeram parte da gramática do português do Brasil ou porque caíram em desuso. Por escrita padrão entende-se as variedades de escrita veiculada em jornais e revistas de ampla circulação, em trabalhos acadêmicos, ou seja, a escrita produzida por indivíduos escolarizados em contato frequente com a escrita. Embora em menor escala do que a fala, a escrita também apresenta significativa variação – ainda que a escrita seja uma modalidade mais conservadora. Sincrônicas- tomam dados do momento em que são escritas; Históricas- procuram descrever outras sincronias ou estágios de uma língua; Gramáticas descritivas Comparadas- buscam comparar diferentes línguas ou diferentes variedades de uma língua. GRAMÁTICA DA FALA, GRAMÁTICA DE ESCRITA E A TAL ADEQUAÇÃO LINGUÍSTICA. Como a gramática da fala é dinâmica e variável é a da escrita a mais conservadora, é razoável que haja uma distância entre as duas modalidades, porém essa distância se tornará excessiva, se não se procede , de tempos em tempos, a uma atualização das normas que guiam o ensino escolar à luz dos dados da escrita contemporânea. ADEQUAÇÃO LINGUÍSTICA X MUDANÇA DE GRAMÁTICA A adequação se refere à polidez no tratamento, ou maior ou menor nível de educação do falante. Adequação e mudança vêm sendo confundidas, quem prega adequação, na realidade está se referindo à mudança de gramática em situações formais, o que só se pode esperar daqueles indivíduos que passaram pela escola e aprenderam normas que não fazem parte da sua gramática internalizada. Qualquer falante com ou sem escolaridade, sabe se comportar de acordo com o contexto , embora não possa mudar de gramática , o que o torna “inadequado”.