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Jornalismo Literário

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FACULDADE DOIS DE JULHO
Jornalismo Literário
JÔNATAS ALMEIDA 
Salvador
2016
JÔNATAS ALMEIDA 
Jornalismo Literário
Trabalho apresentado à turma de comunicação social jornalismo, turno matutino, pela faculdade 2 de Julho, a disciplina de gêneros jornalismo com orientação da professora Danila Conceição.
Salvador
2016
Vidas e Destino
É comum nos pegarmos imaginando como será o amanhã, a próxima semana ou os próximos. Fazemos o que achamos que será o melhor, mesmo sabendo que o futuro pode nos surpreender. Pessoas entram e saem das nossas vidas, mas cada um deixa a sua marca de forma distinta, uns para o bem outros infelizmente para o mal. Essa é a história de uma heroína no qual o destino pregou uma peça e ela.
Na maternidade Tsylla Balbino nasceu à futura comentarista de rádio, apesar de comentar fora do estúdio, da emissora, mas propriamente em sua casa com seus amigos pombos.
 Uma garotinha forte, negra teve ao seu redor cinco irmãos para mima-la e pais que davam seus suores para conseguir dinheiro para levar alimentação para casa, que fica longe do local aonde Yve Ramos nasceu. 
Um bairro populoso, com lojas e terreiros de candomblé, no final de uma rua apertada próxima a praça do bairro, que na história teve engenhos de açúcar na época da escravidão e com isso muitos negros ali trabalharam, no local hoje conhecido como Engenho Velho da Federação.
Quando adolescente, ela decidiu trabalhar convenceu com muito sacrifício os pais a deixa-la conseguir seu primeiro emprego, mas aonde uma garota sem estudos iria trabalhar? Ramos poderia ajudar a mãe na arte de bordar e fazer belos vestidos ou traçar estratégias no alto mar, raivoso, para um peixe pescar ao lado do seu velho. 
Mas, Yve sonhava com mais, ela queria que o dinheiro pudesse chegar mais rápido do que esperar uma blusa ser costurada, fosse um valor maior do que se arriscar no azul do mar e também desse para ajudar nas despesas de casa e ainda sobrasse um valor que desse para comprar uma roupa que ela viu na revista. 
Depois de observar, investigar e analisar, nossa heroína chegou à profissão ideal, alias nas profissões ideais, isso mesmo, profissões, ela descobriu duas, catadora de latinhas e diarista.
Quando no relógio marcava meio dia, todos sentavam a mesa para almoçar, mas em apenas uma garfada Ramos devorava a comida e saia rumo aos bares e restaures para pedir aos donos que a deixasse pegar as tão importantes latinhas de cerveja, refrigerante e suco. Em todos os locais que ia, conseguia muitas, e em no maximo duas horas conseguia impressionantes 5kg.
 Logo depois do pagamento, uma casa a esperava para cozinhar faxinar, lavar e passar roupas e as pesadas colchas. E nesse ritmo ela foi conquistando seus objetivos. 
Na vida chega um momento que a idade vai avançando e o corpo pede um momento de descanso e cuidados, foi dessa forma que os pais dela demonstraram que a maquina corpo, não tinha mais condições de botar nem um prego na parede. Como era a única que ainda morava com os pais, Yve tomou para se essa responsabilidade de retribuir ao máximo todo o carinho, preocupação e força que eles tiveram durante todos os momentos. E assim ela embarcou na nova profissão.
Faltava pouco para amanhecer o dia, quando a bula do café apitava. Três xícaras, café com leite e o pão francês torradinho com manteiga nos pratos estavam, e no quarto dos pais os moradores da casa tomavam seus breakfast. Esse era o tempo para que o sol aparecia para ela ir ocupar o lugar que por muitos é temido, aonde o escorrer do sangue reina, muitas moscas tomam conta do ambiente, sendo a única mulher no meio de seis trabalhadores, de um lugar que vamos comprar um misero pedaço de frango, o Abatedouro. 
Poucas coisas Ramos conseguia comprar para manter a alimentação da casa e pagar as contas, para não ficar sem água e luz. Mas seus irmãos a ajuda, eles já haviam casados, não moravam próximo do Engenho, porém sempre faziam uma reunião no final de semana para todos se reverem. 
 Em um belo dia de segunda feira, Yve levantou antes de o galo cantar, como sempre fazia, mas ao levar o banquete ao no quarto branco, com apenas um guarda roupa e uma cama de casal, onde os pais estavam ela percebeu algo diferente, uma sensação que nunca tinha sentido antes. 
- Mainha! Painho!
Chamava-a, mas nenhum dos dois respondia.
- mainhaa! Painhoo! Acordem! 
Naquele momento as lagrimas amargas começaram a escorrer belo rosto negro e o desespero tomou conta. Ela colocou a bandeja ao lado da cama e foi balançar os pais para eles acordarem, mas nada adiantou.
- Mainha, painho, por favor, acordem!
Repetia ela varias vezes, até perceber que não tinha mais jeito. 
Os dias se passaram e a irmã de Yve, Rosana, foi fazer uma vista a ela, 
- Minha irmã, você está muito abatida, o que está acontecendo, vou marcar uma consulta médica para você.
- Não, quem procura acha, não marque!
- Olhe amanhã vou te levar no hospital, se arrume porque irei passar aqui logo cedo.
No Santa Isabel, a noticia veio com um gosto ruim, realmente quem procura acha, mas a chance de se curar é maior.
- Yve, pelos sintomas que você está apresentando e pelos resultados dos exames o diagnostico é de mioma.
- Doutor, isso é grave?
- É um tumor benigno e no seu caso recomendo fazer uma cirurgia imediata.
- Ela vai fazer Dr. Paulo.
E assim foi, na semana seguinte, a nossa personagem estava no local que menos gostava e teria que passar muito mais tempo do que se era esperado. Depois da cirurgia, o médico pediu para que ficasse mais 24h na enfermaria em observação e foi durante esse período que perceberam que ela não estava respondendo como esperado, e que uma bactéria tinha infectando-a.
E depois de duas semanas chegou à liberação e a pedido da irmã ela foi morar na casa dela com o cunhado e o sobrinho.
A casa do número 34 era de médio porte, a varanda toda gradeada tinha um jardim pequeno, girassóis, rosas vermelhas e brancas e dois pingos de ouro no formato de dois corações. Ao abrir a porta você entrava na pequena sala, mas aconchegante, com um sofá e um rack marfim com uma televisão e som que dividiam espaços com portas retratos e livros de enfermagem. A residência tinha quatro quartos, um banheiro e uma cozinha, toda decorada de revestimento com frutas. 
Depois de um ano morando na Baixa de Quintas, Yve resolveu voltar para o bairro onde foi criada, mas a irmã impedia que ela fosse, alegava que iria ficar lá sozinha e ia entrar em depressão com saudades dos pais. Ela acabou se conformando, mas não imaginava o que estava por vim. 
O tempo passou e o sobrinho começou a namorar uma jovem, filha da dona do armazém que fica em rente a casa. A mãe da garota, uma mulher rígida, queria que a sua filhota casse-se com um bom partido e, apesar de não ser o esperado, ela aceitou o namoro, pois o jovem, Tiago, tinha como mãe uma das mulheres com melhor condição naquela região das Quintas.
Os pais do garoto também aceitaram e todas as noites Rafaela jantava com eles. E em um desses jantares dona Jovelina, fechou a banca mais cedo e acompanhou a filha prometendo uma surpresa naquela linda noite estrelada.
- Dona Jovelina, que prazer recebe-la aqui. Falou Rosane
- O prazer é todo meu, que bela casa, respondeu observando todos os detalhes.
- Que nada, estamos precisando fazer uma reforma, minha irmã está cuidando disso.
A mesa estava pronta, com muita fartura, como é de costume. Porém Tiago estava surpreso com a visita da futura sogra, mas acreditava que não tinha do que se preocupar, pois ela sempre o tratou muito bem.
Todos começaram comer, quando a dona do armazém começou a explicar o motivo da visita.
- Tiago, estou aqui por um motivo muito especial. Você se lembra de que pediu meu tesouro em namoro a três messes e todos vocês sabem que viemos do interior, de Bonfim, uma cidade muito pequena e lá os pais são muito rígidos com relação ao firmamento de algum compromisso, comigo foi assim. E estou aqui para saber quando você pretende marcar o noivado, porque não quero que minha raridade fique falada