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FEBRE Sinal clínico de elevação da temperatura corporal acima da faixa de normalidade, associada a um aumento no ponto de ajuste térmico hipotalâmico. A febre não é uma doença, é um mecanismo de resposta do organismo a alguma anomalia. HIPERTERMIA Elevação da temperatura do núcleo central para valores acima 38°C, sem alteração do ponto de ajuste hipotalâmico e sem atuação de agentes indutores de um estado febril. FISIOPATOLOGIA Febre X Hipertermia CLASSIFICAÇÃO DA FEBRE INTERMAÇÃO Intermação é definida pela elevação da temperatura corporal central (aferida por via retal) acima de 40ºC, sendo acompanhada de alterações no sistema nervoso central que incluem desorientação, confusão mental, delírio, convulsões e até coma. Intermação é consequência da falha nos mecanismos termorreguladores associada a resposta da fase aguda exagerada e alteração na expressão das proteínas de choque térmico. O quadro resultante é de disfunção de múltiplos órgãos devido aos efeitos citotóxicos do calor e da ativação da resposta inflamatória e da cascata de coagulação no indivíduo afetado. DIFERENÇAS ENTRE INTERMAÇÃO CLÁSSICA E POR ESFORÇO TRATAMENTO A intermação clássica e a intermação por esforço são tratadas de maneira semelhante. A importância do rápido reconhecimento e do resfriamento efetivo e vigoroso: melhor prognóstico 1. Cuidado de suporte agressivo Reposição de eletrólitos EV com SF gelado O2 alto fluxo umidificado 2. Técnicas de resfriamento Imersão em água fria Toalhas, compressas e coletes com gelo Resfriamento por evaporação ventila e asperge água gelada 3. Métodos internos Lavagem gástrica com salina gelada Lavagem peritoneal com salina gelada PROGNÓSTICO A taxa de mortalidade e a morbidade são significativas, porém variam acentuadamente com idade, doenças subjacentes, temperatura máxima e, mais importante, duração da hipertermia e rapidez do resfriamento. Sem tratamento imediato e eficaz, a taxa de mortalidade aproxima-se de 80%. Cerca de 20% dos sobreviventes têm lesão cerebral residual, independente da intervenção. Em alguns pacientes, a insuficiência renal persiste. A temperatura pode ser instável por semanas CASO CLÍNICO 1 JAS, 32 anos, pai de duas filhas, apresentou cansaço progressivo, sudorese profusa, cefaleia e náuseas, após algumas horas de trabalho numa siderúrgica. No atendimento médico da empresa, informaram-lhe que estava com febre (39,7ºC) devido à gripe e à ressaca (JAS bebera duas cervejas na véspera). Recebeu dipirona 500 mg via oral e foi enviado de volta ao trabalho. JAS concluiu seu turno cometendo erros operacionais e chegou em sua casa cambaleante, necessitando ser amparado. Permaneceu deitado, ofegante, com as extremidades quentes e progressivamente confuso. Levado ao Pronto Atendimento, chegou inconsciente e hipotenso: foi diagnosticado quadro de desidratação e o paciente recebeu antitérmicos e hidratação venosa. Evoluiu para estado de choque nas horas seguintes, recebendo oxigênio e antibióticos, pois o diagnóstico mudara para choque séptico. Doze horas depois de ter sido atendido na siderúrgica, ele apresentou parada cardíaca e faleceu. QUESTÃO 1) Considerando o relato acima prestado pela viúva, no posto de atendimento médico da siderúrgica, é correto afirmar sobre o tratamento recomendado para JAS: a. Foi feito de forma correta, pois JAS apresentava febre alta, necessitando de antitérmicos para prevenir convulsões. b. Foi feito de forma incorreta, pois a febre alta que JAS apresentava sempre requer repouso, hidratação e antitérmicos, e ele não poderia retornar ao trabalho. c. Foi feito de forma incorreta, pois não foi feita a distinção entre febre e hipertermia: sendo o último diagnóstico o mais provável, e o paciente deveria ter sido afastado do ambiente quente e instituídas outras medidas emergenciais. d. Foi feito de forma parcialmente correta, pois recebeu antitérmico, mas deveria ter sido orientado a não retornar ao trabalho. QUESTÃO 2) No hospital, a conduta terapêutica adotada provavelmente foi: a. Adequada, pois JAS apresentou-se com quadro típico de choque septicêmico em decorrência de infecção aguda de causa desconhecida. b. Adequada, pois a hidratação venosa, associada a antitérmicos e antibióticos, é o tratamento indicado para a desidratação grave decorrente de ressaca associada à febre provocada por virose. c. Inadequada, pois JAS deveria ter sido tratado inicialmente como hipertermia grave e submetido a técnicas de resfriamento corporal de urgência (compressas de gelo, banheira com água fria). d. Inadequada, pois JAS apresentou quadro de choque cardiogênico por esforço físico, na presença de febre de origem virótica. RELATO DE CASO Homem de 36 anos, previamente hígido, apresentou perda de consciência após percorrer trajeto de aproximadamente 8km em uma corrida de rua (corrida rústica) na cidade de Manaus (Amazonas), sob condições de elevada temperatura ambiente (35ºC). O paciente foi atendido em um serviço de emergência local, onde recebeu hidratação parenteral e medidas de resfriamento, recobrando a consciência. A tomografia computadoriza de crânio não mostrou anormalidades, recebendo alta hospitalar. Nos dois dias seguintes passou a sentir-se mais letárgico, com episódios de confusão, instalação de inapetência, icterícia cutaneomucosa, colúria e acolia. Ao procurar serviço médico 72 horas após o quadro de hipertermia, realizou exames que revelaram extenso dano hepatocelular. Qual provável diagnóstico e sua complicação?