Prévia do material em texto
Prezado (a) Acadêmico (a), bem-vindo (a) à UNINGÁ – Centro Universitário Ingá. Primeiramente, deixo uma frase de Só- crates para reflexão: “a vida sem desafios não vale a pena ser vivida.” Cada um de nós tem uma grande res- ponsabilidade sobre as escolhas que fazemos, e essas nos guiarão por toda a vida acadêmica e profissional, refletindo diretamente em nossa vida pessoal e em nossas relações com a socie- dade. Hoje em dia, essa sociedade é exigente e busca por tecnologia, informação e conheci- mento advindos de profissionais que possuam novas habilidades para liderança e sobrevivên- cia no mercado de trabalho. De fato, a tecnologia e a comunicação têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, diminuindo distâncias, rompendo fronteiras e nos proporcionando momentos inesquecíveis. Assim, a UNINGÁ se dispõe, através do Ensino a Distância, a proporcionar um ensino de quali- dade, capaz de formar cidadãos integrantes de uma sociedade justa, preparados para o mer- cado de trabalho, como planejadores e líderes atuantes. Que esta nova caminhada lhes traga muita experiência, conhecimento e sucesso. Reitor: Prof. Me. Ricardo Benedito de Oliveira Pró-reitor: Prof. Me. Ney Stival Diretora de Ensino a Distância: Profa. Ma. Daniela Ferreira Correa PRODUÇÃO DE MATERIAIS Designer Educacional: Clovis Ribeiro do Nascimento Junior Diagramador: Alan Michel Bariani Revisão Textual: Letícia Toniete Izeppe Bisconcim / Mariana Tait Romancini Domingos Produção Audiovisual: Eudes Wilter Pitta / Heber Acuña Berger Revisão dos Processos de Produção: Rodrigo Ferreira de Souza Fotos: Shutterstock © Direitos reservados à UNINGA - Reprodução Proibida. - Rodovia PR 317 (Av. Morangueira), n° 6114 Prof. Me. Ricardo Benedito de Oliveira REITOR UNIDADE 3WWW.UNINGA.BR ENSINO A DISTÂNCIA SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................................... 04 HISTÓRIA DA ENGENHARIA ................................................................................................................................... 05 ORIGEM DO ENSINO DE ENGENHARIA NO BRASIL ............................................................................................. 09 O FUTURO DA ENGENHARIA NO BRASIL ............................................................................................................... 10 O ENGENHEIRO - AQUELE QUE BUSCA SOLUÇÕES ............................................................................................. 11 O JOVEM E O CURSO ................................................................................................................................................ 12 VALORIZAÇÃO DA QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL .............................................................................................. 13 DEMANDA POR PROFISSIONAIS COM BOM RELACIONAMENTO ..................................................................... 13 A HISTÓRIA DA ENGENHARIA E INTRODUÇÃO À ENGENHARIA PROF. ME. LOURIVAL ZAMUNER 01 4WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO Essa disciplina tem por objetivo apresentar e discutir 4 Unidades ligadas à Introdução à Engenharia. Vamos fazer uma discussão sobre a importância da História da Engenharia no mun- do e no Brasil; quali� car o engenheiro e as qualidades dos pro� ssionais e sua regulamentação da pro� ssão no nosso país. Vamos abordar a ética como ser humano e na pro� ssão e � nalizaremos com os conceitos de sustentabilidade e atividades práticas na engenharia. O intuito desta discipli- na Introdução à Engenharia é apresentar a você, estudante, os conceitos fundamentais da enge- nharia que são relevantes a todas as especialidades, dentro dos objetivos e das especi� cidades de cada curso. Mas, o mais importante é mostrar a engenharia como ela é, descrevendo sua história, suas aptidões, suas abordagens, sua ética no trato com os pro� ssionais, mostrando as tendências tecnológicas, en� m, queremos encantá-los para o estudo da engenharia para que sejam FUTU- ROS ENGENHEIROS. Os tópicos que serão abordados na primeira unidade são: na História da Engenharia tere- mos os marcos históricos, as primeiras escolas de engenharia, os fatos marcantes da ciência e tec- nologia e a origem do ensino e o futuro da Engenharia no Brasil e no mundo. Também veremos sobre: O Engenheiro – aquele que busca soluções; O Jovem e o Curso; Valorização da quali� cação pro� ssional e, por � m, estudaremos sobre a Demanda por pro� ssionais com bom relacionamen- to. Os engenheiros são indivíduos que combinam conhecimento da ciência, matemática e economia para solucionar os problemas técnicos com que se defronta a sociedade. À medida que a civilização progrediu e se tornou mais tecnológica, o impacto dos engenheiros na sociedade aumentou (HOLTZAPPLE & REECE, 2006). É muito fácil perceber a dependência da sociedade moderna aos frutos da engenharia e a história nos mostra que ela esteve praticamente presente em todos os momentos da humanidade. Agora é hora de avançar no estudo dessa disciplina do curso. Ótimos estudos e boas práticas virtuais. 5WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA HISTÓRIA DA ENGENHARIA Nessa parte da nossa apostila, veremos sobre marcos históricos e as primeiras escolas de engenharia. Estudaremos quais foram os fatos mais marcantes da ciência e tecnologia. O conceito atual de ENGENHEIRO é o de uma pessoa que possui diploma e e, por isso, é legalmente habilitada a exercer as múltiplas atividades inerentes às descritas na pro� ssão de Engenheiro, como iremos ver adiante, data da segunda metade do Século XVIII. A engenharia é a ciência e pro� ssão de adquirir e de aplicar os conhecimentos matemáticos, técnicos e cientí� - cos na criação, aperfeiçoamento e implementação de utilidades, tais como, materiais, estruturas, máquinas ou aparelhos que realizem uma determinada função ou objetivo sempre pensando no bem-estar do ser humano. Nos primórdios, por meio da engenharia, o ser humano desenvolveu invenções, hoje ain- da consideradas fundamentais, tais como a roda e a polia. Cada uma destas invenções, baseadas em observações e pela necessidade, é consistente com a moderna de� nição de engenharia, pois foram explorados os princípios básicos da mecânica para desenvolver ferramentas e objetos uti- litários. O termo “engenharia” em si tem uma etimologia muito mais recente, derivando da pa- lavra “engenheiro”, que apareceu na língua portuguesa no início do século XVI e que se referia a alguém que construía ou operava um engenho. Naquela época, o termo “engenho” referia-se apenas a uma máquina de guerra como uma catapulta ou uma torre de assalto. A palavra “enge- nho”, em si, tem uma origem ainda mais antiga, vindo do latim “ingenium” que signi� ca “gênio”, ou seja, uma qualidade natural, especialmente mental, portanto, uma invenção inteligente (CRE- A-RN, 2013). Mais tarde, à medida que o projeto de estruturas civis - como pontes, aquedutos e edifí- cios - amadureceu como uma especialidade técnica autônoma, entrou no léxico o termo “enge- nharia civil” como forma de distinção entre a atividade de construção daqueles projetos não mi- litares e a mais antiga especialidade da engenharia militar. Hoje em dia, os signi� cados originais dos termos “engenharia” e “engenharia civil” estão já largamente obsoletos, mas ainda são usados como tal em alguns países ou dentro do contexto de algumas forças armadas. O Farol de Alexandria, as Pirâmides do Egito, os Jardins Suspensos da Babilônia, a Acró- pole de Atenas, o Parthenon, os antigos aquedutos romanos, a Via Ápia, o Coliseu de Roma, Teotihuacán e as cidades e pirâmides dos antigos Maias, Incas e Astecas, a Grande Muralha da China, entre muitas outras obras, mantêm-se como um testamento do engenho e habilidade dos antigos engenheirosmilitares e civis, ou seja, das primeiras civilizações que se tem notícias (CRE- A-RN-2013). Considera-se que Imhotep, um dos funcionários do faraó Djoser, foi o primeiro enge- nheiro civil conhecido. Imhotep provavelmente projetou e supervisionou a construção da Pirâ- mide de Djoser, uma pirâmide de degraus em Saqqara, por volta de 2630 a.C. a 2611 a.C. A ele também é creditada a responsabilidade pelo primeiro uso da coluna na arquitetura. Os antigos gregos desenvolveram máquinas tanto no domínio civil como no militar (CREA-RN, 2013). Os egípcios inventaram e usaram muitas máquinas simples, como a rampa e a alavanca para auxiliar os seus processos de construção. O suporte de escrita egípcio, feito do papiro, e a cerâmica foram produzidos e exportados para toda a bacia do Mediterrâneo. 6WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 01 - Pirâmides do Egito. Fonte: Mundo Estranho (2017). Já a civilização romana dominava o conhecimento para a Arquitetura e engenharia, para Construção de estradas, Agricultura intensiva, Metalurgia, Leis relativas à propriedade individu- al, para Engenharia militar, Fiação e tecelagem e muitos feitos que até hoje impressionam, por exemplo, os guindastes, engrenagens, sistemas de esgotos e de água, navios mercantes e o início da utilização do concreto. Infelizmente, muitas destas técnicas acabaram abandonadas devido a decadência do Império Romano e precisaram ser redescobertas anos mais tarde. Na Grécia, a Máquina de ANTIKYTHERA (o primeiro computador mecânico conheci- do) e as invenções mecânicas de Arquimedes são exemplos da primitiva engenharia mecânica. Estas invenções requereram um conhecimento so� sticado de engrenagens diferenciais e planetá- rias, dois princípios-chave na teoria das máquinas que ajudou a projetar as embreagens empre- gadas na Revolução Industrial e que ainda são amplamente utilizadas na atualidade, em diversos campos como a robótica e a engenharia automóvel. Os exércitos chineses, gregos e romanos empregaram máquinas e invenções complexas como a artilharia que foi desenvolvida pelos gre- gos por volta do século IV a.C. Estes desenvolveram a trirreme, a balista e a catapulta. Na Idade Média, foi desenvolvido o trabuco (CREA-RN, 2013). O período do Renascimento foi marcado por transformações em muitas áreas da vida humana, que assinalam o � nal da Idade Média e o início da Idade Moderna. A partir da Re- nascença, o engenheiro passou a ganhar importância e reconhecimento. Filippo Brunelleschi, pioneiro, projetou o domo da catedral de Santa Maria del Fiore, em Florença, Itália (BUILDIN ENG., 2017). Em Portugal, já havia começado um surto de progresso da engenharia e, por isso, o Rei D. João V instigou a sua armada a produzir navios e tecnologia a � m de recuperar o atraso que seu país se encontrava em relação aos outros. A Revolução Cientí� ca caracteriza-se pelo período que começou no século XV e prolon- gou-se até o � m do século XVI. A partir desse período, a Ciência, que até então estava atrelada à Filoso� a, separa-se desta e passa a ser um conhecimento mais estruturado e prático. As causas principais da revolução podem ser resumidas em: renascimento cultural, a reforma protestante e o hermetismo. Eventos marcantes causados pela revolução cientí� ca, no início do século XVI, foram a publicação das obras de Nicolau Copérnico e por Andreas Vesalius. Galileu Galilei com seus diálogos e o enunciado das Leis de Kepler impulsionaram decisivamente a revolução cientí� ca. 7WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Desta forma, nos séculos XV e XVI, a engenharia naval emerge na Europa, principalmen- te em Portugal e Espanha. Os novos tipos de navios então desenvolvidos - como a caravela, a nau redonda e o galeão - irão ser fundamentais nos grandes descobrimentos marítimos. A partir destas mudanças e na forma de como descobrir a ciência é que surgiram pessoas como William Gilbert, o qual é considerado o primeiro engenheiro eletrotécnico, devido à pu- blicação da obra De Magnete em 1600, o qual foi o criador do termo “eletricidade” (CREA-RN, 2013). Já a primeira máquina a vapor foi construída em 1698 por � omas Savery que é conside- rado o primeiro engenheiro mecânico moderno. O desenvolvimento desta máquina deu origem à Revolução Industrial nas décadas se- guintes, permitindo o início da produção em massa. Com a ascensão da engenharia como pro- � ssão, durante o século XVIII, o termo tornou-se mais estritamente empregado para designar as atividades para cujos � ns eram aplicadas a matemática e a ciência. Além disso, além das enge- nharias militar e civil, também foram incorporadas na engenharia o que antes eram conhecidas como “artes mecânicas”. A engenharia elétrica pode traçar as suas origens às experiências de Alexandre Volta em 1800, às experiências de Michael Faraday, Georg Ohm e outros, bem como à invenção do motor elétrico em 1872. O trabalho de James Maxwell e de Heinrich Hertz no � nal do século XIX deram origem à eletrônica (CREA-RN, 2013). As invenções de � omas Savery e de James Watt deram origem à moderna engenharia mecânica. O desenvolvimento de máquinas especializadas e de ferramentas para a sua manuten- ção durante a Revolução Industrial levaram ao crescimento acentuado da engenharia mecânica. A engenharia química - tal como a engenharia mecânica - desenvolveu-se no século XIX, durante a Revolução Industrial. A produção em escala industrial precisava de novos materiais e de novos processos. Por volta de 1880, a necessidade da produção em larga escala de químicos era tanta que foi criada uma nova indústria, dedicada ao desenvolvimento e fabricação em massa de pro- dutos químicos em novas fábricas. A função do engenheiro químico era a de projetar essas no- vas fábricas e processos. A engenharia aeronáutica lida com o projeto de aeronaves (CREA-RN, 2013). Nos tempos modernos, começou-se também a designá-la como “engenharia aeroespa- cial”, dando ênfase à expansão daquele campo da engenharia que passou também lidar com o projeto de veículos espaciais. As suas origens podem ser traçadas até aos pioneiros da aviação da viragem do século XIX para o século XX. Os conhecimentos primitivos de engenharia aeronáu- tica eram largamente empíricos, com alguns conceitos e perícias a serem importados de outros ramos da engenharia. Apenas alguns anos depois dos bem-sucedidos voos dos irmãos Wright, a década de 1920 viu um desenvolvimento extensivo da engenharia aeronáutica, através do desen- volvimento de aviões militares da época da Primeira Guerra Mundial. Entretanto, as pesquisas, para fornecer bases cientí� cas fundamentais, continuaram através da combinação da física teóri- ca com experiências (CREA-RN, 2013). Durante a Segunda Guerra Mundial, inicia-se o desenvolvimento da engenharia de com- putação. Devido a grande expansão da informática, os engenheiros da computação e da informá- tica compõem os maiores grupos de pro� ssionais da engenharia. Há grandes contribuições para a ciência e muitas obras construídas que são conheci- das por todos, destacando-se: William John Macquorn Rankine, enorme contribuição a área de mecânica dos solos com a teoria sobre empuxos em maciços terrosos; Henry Philibert Gaspard Darcy, que lançou as bases da hidráulica, publicando a Lei de Darcy; Charles Augustin de Cou- lomb, deu enorme contribuição à engenharia e à física, principalmente na área de resistência dos materiais; Stephen Prokofyevich Timoshenko, dedicou-se ao estudo da resistência dos materiais e sistemas estruturais; Torre Ei� el em Paris e a estrutura da Estátua da Liberdade em Nova York: projetadas e construídas pelo engenheiro civil Gustave Alexandre Ei� el; a Ponte Golden Gate em San Francisco, dentre tantas outras (BAZZO & PEREIRA, 2006). 8WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA O Brasil possui as engenharias deprodução, elétrica e mecatrônica muito desenvolvidas, juntamente com os sistemas elétricos, equiparando-se aos países mais desenvolvidos. Isto se deve a grandes obras como usinas hidroelétricas, rodovias, pontes, etc., e a centros de pesquisas avan- çadas nas diversas áreas das engenharias. Há grandes obras como a Complexo Hidroelétrico de Itaipu, em Foz do Iguaçu, no Para- ná, cuja construção foi uma parceria entre o Brasil e o Paraguai e é uma das maiores barragens do mundo. Outra obra signi� cativa é a chamada Ponte Rio-Niterói, construída na Baía Guanabara, a Ponte Presidente Costa e Silva mede 13,29 km, sendo quase 8,83 km sobre a água e 72 m de altura em seu ponto mais alto. Na área de edi� cações, a engenharia ganha destaque cada vez maior devido o empenho e a qualidade dos engenheiros graduados no país, podendo ser vistos pelos arranha-céus cada vez maiores e complexos, sempre para servir o cidadão. Figura 02 - Usina Hidroelétrica de Itaipu Binacional. Foz do Iguaçu-Pr. Fonte: Google Images (2017). Figura 03 - Ponte Rio-Niterói. Brasil. Fonte: Yahoo Images (2017). 9WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA ORIGEM DO ENSINO DA ENGENHARIA NO BRASIL Entretanto, o ensino da engenharia no Brasil tem origem em 1699, ano em que o rei D. Pedro II de Portugal ordena a criação de aulas de Forti� cação para a formação de engenheiros militares em vários pontos do Ultramar Português, para não estarem tão dependentes de enge- nheiros vindos do Reino. Em território brasileiro, foi no Rio de Janeiro, em Salvador da Baía e no Recife que essas aulas foram criadas. A mais antiga escola a ministrar cursos de engenharia segundo os moldes modernos foi a Real Academia de Artilharia, Forti� cação e Desenho, fundada em 1792 no Rio de Janeiro pela rainha D. Maria I de Portugal, segundo o modelo da academia com o mesmo nome existente em Lisboa. Os atuais “Escola Politécnica do Rio de Janeiro” e “Instituto Militar de Engenharia” consideram-se sucessores daquela academia, este último reivindicando ser a mais antiga escola de engenharia das Américas (CREA-RN, 2013). Nessa escola, os futuros o� ciais da infantaria e artilharia concluíam seus cursos, respectivamente, em três e cinco anos, e os o� ciais da engenharia cursavam mais um ano em cadeiras da Arquitetura Civil. A vinda da família Real portuguesa para o Brasil, em 1808, foi o marco fundamental para o ensino superior, fato este que permitiu a criação de diversas instituições, algumas delas oferecendo cursos de ensino superior. Em 1810 foi criada a Academia Real Militar, a partir das instalações da Real Academia de Artilharia, Forti� cação e Desenho que é a raiz do atual Instituto Militar de Engenharia (IME) o qual tem a missão a formação de engenheiros em diversas habili- tações. Ao longo do século XIX, várias outras instituições foram criadas por iniciativas isoladas e determinadas a contextos especí� cos, destacando-se algumas: Escola de Engenharia Mackenzie (1891); Escola Politécnica de São Paulo (1893); Escola de Engenharia de Pernambuco (1896) dentre outras, mas sem, no entanto, dispor de sistema universitário. Somente em 1920 foi criada a universidade do governo federal, chamada de Universidade do Rio de Janeiro, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), reunindo as escolas de Medicina, Politécnica e de Direito, e a partir deste ano foram criadas outras universidades em diferentes estados brasileiros. Tradicionalmente, a engenharia lidava apenas com objetos concretos e palpáveis. Moder- namente, porém, esse cenário mudou. A engenharia lida agora também com entidades não-pal- páveis, tais como custos, obrigações � scais, aplicações informáticas e sistemas. Na engenharia, os conhecimentos cientí� cos, técnicos e empíricos são aplicados para exploração dos recursos naturais e para a concepção, construção e operação de utilidades. O projeto e a instalação de aero geradores representam problemas de aplicação de várias ciências e de técnicas da engenharia. Os engenheiros aplicam as ciências físicas e matemáticas na busca por soluções adequadas para problemas ou no aperfeiçoamento de soluções já existentes (KOLTZAPPLE & REECE, 2006). Mais do que nunca, aos engenheiros é agora exigido o conhecimento das ciências relevan- tes para os seus projetos, o que resulta que eles tenham que realizar uma constante aprendizagem de novas matérias ao longo de suas carreiras. A ferramenta da informática disponibiliza os computadores e os programas informáticos para o aprendizado desempenhando um papel cada vez mais importante na engenharia. Existem inúmeras aplicações assistidas por computador especí� cas para a engenharia. Os computadores podem ser usados para gerar modelos de processos físicos fundamentais, que podem ser resol- vidos através de métodos numéricos. Umas das ferramentas mais utilizadas são as aplicações de desenho assistido por computador (CAD), que permitem criar desenhos e esquemas em 2D e modelos em 3D. 10WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Outra importante ferramenta atualmente na engenharia para compatibilização de projeto é o so� ware BIM (Building Information Modeling ou Building Information Model - Modelagem da Informação da Construção ou Modelo da Informação da Construção), programa que fornece informações durante todo o ciclo de vida dos edifícios ali cadastrados. Existe também uma série de ferramentas para suporte de tarefas especí� cas de engenha- ria, como as aplicações de fabricação assistida por computador (CAM) que geram instruções para as máquinas de controlo numérico computadorizado (CNC), as de gestão de processos de fabrico (MPM) para a engenharia de produção, as ferramentas de desenho de eletrônica assistido por computador (ECAD ou EDA) para desenho de esquemas de circuitos elétricos e de circuitos impressos para a engenharia eletrônica; as de manutenção, reparação e operações para a ges- tão da manutenção e as de arquitetura, engenharia e construção (AEC) para a engenharia civil. Recentemente, o uso do computador no auxílio ao desenvolvimento de utilidades passou a ser coletivamente conhecido como gestão do ciclo de vida do produto. A engenharia é uma ciência bastante abrangente que é muitas vezes subdividida em di- ferentes ramos ou especialidades. Cada uma destas especialidades preocupa-se com um deter- minado tipo de tecnologia ou com um determinado campo de aplicação. Apesar de inicialmente um engenheiro se formar normalmente numa especialidade especí� ca, ao longo da sua carreira, na maioria dos casos, irá tornar-se polivalente, pois atuará com trabalho em diferentes áreas da engenharia (CREA-RN, 2013). O FUTURO DA ENGENHARIA NO BRASIL A importância da Engenharia no desenvolvimento do país é tão grande que se torna praticamente impossível pensar o mundo sem a sua presença. Só ela está habilitada a lidar com projetos e construções de edifícios, instalações elétricas, hidráulicas, estradas, túneis, metrôs, barragens, portos, aeroportos e até usinas de geração de energia. O campo de trabalho é vasto, mas está relacionado diretamente com a situação econômica do país. Se estivermos passando por uma fase desenvolvimentista, certamente sobram vagas para esse pro� ssional. O engenheiro pode trabalhar em escritórios de construção civil, indústrias, empresas construtoras, serviço pú- blico, instituições especí� cas, bancos de desenvolvimento e investimento e dentre várias outras especialidades. Figura 04 - Museu do Amanhã, na cidade do Rio de Janeiro. Fonte: Buildin Eng. (2017). Finalmente, podemos ver uma obra moderna executada com os mais modernos conceitos de Engenharia e Arquitetura, e que tem como matéria prima o concreto e aço, com comprimento de 340 metros, que é o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, uma das obras de maior impacto para as Olimpíadas 2016, dentre tantas outras executadas por engenheiros brasileiros. 11WWW.UNINGA.BRIN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA O ENGENHEIRO – AQUELE QUE BUSCA SOLUÇÕES Praticamente todos os objetos feitos pelo homem que podemos ver a nossa volta resul- taram do esforço conjuntos de engenheiros. O início de um curso superior é um período de exploração de novos espaços, principalmente para o jovem, que está passando por uma fase de reconhecimento de identidade. A universidade não pode deixar de encarar como realidade este fenômeno. Um processo de formação pro� ssional precisa fornecer elementos para que o jovem pen- se em si próprio e nas suas perspectivas de futuro. Embora vários cursos de engenharia contem- plem em seus currículos disciplinas como história, metodologia cienti� ca, geogra� a e � loso� a, dentre tantas outras que, a par de sua importância, não são indiscutivelmente imprescindíveis para a formação do engenheiro e raros são os que têm espaço de� nido para a recepção do jovem no seu processo de formação pro� ssional (BAZZO & PEREIRA, 2006). Em algum momento, no início do curso, o aluno precisa ter acesso a informações que o permitam encontrar-se com a pro� ssão escolhida e imaginar-se nela. Isso só acontece quando ele puder inseri-la no seu próprio contexto pessoal, o que responsabilidade de um processo educa- cional (BAZZO & PEREIRA, 2006). Engenheiros são indivíduos que combinam conhecimentos da ciência, da matemática e da economia para solucionar problemas técnicos com os quais a sociedade se depara. É o conhe- cimento prático que distingue os engenheiros dos cientistas, que também são mestres da ciência e da matemática (HOLTZAPPLE & REECE, 2006). Os engenheiros desempenham um papel importante ao trazer objetos comuns até o mer- cado. Além disso, os engenheiros são participantes fundamentais em alguns dos mais excitantes feitos da humanidade. Por exemplo, o programa Apolo foi uma empreitada fabulosa que per- mitiu a humanidade se libertar de seu con� namento da Terra e pousar na Lua. Foi uma façanha da engenharia que empolgou todo o mundo. Desta forma, engenheiros são vistos como pessoas que solucionam problemas e reúnem os recursos necessários para alcançar um objetivo técnico claramente de� nido (HOLTZAPPLE & REECE, 2006). Outro exemplo que podemos citar são as Rodas de Falkirk, na Escócia, que é um exemplo de várias técnicas e ciências da engenharia (YAHOO, 2017). Figura 05 - Rodas de Falkirk, na Escócia. Fonte: Yahoo (2017). 12WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Em certo sentido, todos os seres humanos são engenheiros. Uma criança que brinca com blocos de construção (Lego) e aprende a montar uma estrutura alta faz engenharia. Uma secre- tária que nivela uma mesa, inserindo algum tipo de calço sobre a perna mais curta, engenha, apresenta uma solução para o problema (HOLTZAPPLE & REECE, 2006). Nos primórdios da história da humanidade, não havia escolas formais para o ensino da engenharia, que era praticada por aqueles que tinham o dom de manipular o mundo físico e alcançar um objetivo prático e o conhecimento era adquirido por meio de aprendizado com experientes praticantes da engenharia. Os engenheiros, com frequência, devem solucionar pro- blemas, mesmo sem um entendimento da teoria que os envolve. Certamente, os engenheiros se bene� ciam da teoria cientí� ca, mas algumas vezes, uma solução é exigida antes que a teoria en- contre a prática. Exempli� cando, os teóricos ainda buscam explicar completamente o fenômeno de supercondutividade elétrica a altas temperaturas. Enquanto isso, engenheiros estão ocupados desenvolvendo � os � exíveis com esses novos materiais, que podem vir a ser usados em futuras gerações de dispositivos elétricos (HOLTZAPPLE & REECE, 2006). O JOVEM E O CURSO Logo que ingressam num curso superior, os alunos passam a questionar e a colocar em dúvida o acerto de sua escolha pela pro� ssão. É comum, quando chegam a escola, que recebam documentos que lhes indicam horários que devem cumprir, quais as salas que devem frequentar, e passem a recebê-los numa espécie de ritual, sem que lhes seja mostrado como, nem por que, devem assim proceder. Ou seja, aportaram na universidade e são literalmente jogados na “roda- -viva” do ambiente universitário, e quando conseguem recuperar-se deste impacto já se passaram vários meses, talvez mais de um ano, de suas vidas acadêmicas. A solução que se vem desenhando para este problema tem sido formulada com frequência, embora raras vezes implementada. Não importa o nome da disciplina que se dê na Universidade, o que importa é que exista um espaço no programa do curso que possa desempenhar o importante papel da recepção do aluno e os aconselhamentos, encaminhamentos, orientações e preparações para os estudos que um curso de engenharia requer (BAZZO & PEREIRA, 2006). FUTURO DA ENGENHEARIA Sem sombra de dúvida, a incerteza está presente tendo em vista a crise econômica pela qual o país está passando e pode paralisar muitos jovens no momento de decidir por qual curso superior escolherá. Entretanto, é necessário entender que, mesmo num cenário de tantas incerte- zas, é possível, sim, fazermos algumas previsões, mas para tanto, precisamos analisar o contexto social, econômico e tecnológico e associá-los a tendências de mercado. Muito provavelmente, a Engenharia, qualquer que seja a especialidade, continuará a ser uma das pro� ssões mais valori- zadas do país. 13WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA VALORIZAÇÃO DA QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL Segundo o IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada haverá uma carência de pro� ssionais da engenharia para 2020. Essa carência se justi� ca se � zermos uma análise na re- lação entre a oferta e a demanda. De acordo com esta projeção, a escassez de engenheiros não será pela falta de pro� ssionais formados, mas pela falta deles em serem quali� cados. Em outras palavras, haverá engenheiros su� cientes para suprir a demanda, entretanto, esse mercado vai requerer pro� ssionais de qualidade (UNA, 2017). Figura 06 - Futuro do mercado da Engenharia. Fonte: Blog. UNA, 2017. Como os investimentos na formação para a Engenharia foram tímidos nas últimas déca- das, podemos considerar que ainda é baixa a quantidade de pro� ssionais da engenharia quali� - cados para assumir cargos altos e quali� cados, como o de Gerência, fazendo com que as grandes organizações careçam de líderes para conduzir grandes projetos de Engenharia (UNA, 2017). Pensando assim, enquanto o mercado está cheio de graduados, são poucos aqueles que se destacam para assumir posições no topo da hierarquia empresarial. Essa projeção anuncia que agora é hora de os jovens investirem em formação e experiência pro� ssional para que sejam requisitados nos próximos anos. Segundo o IPEA, outro fator que contribui para esse gargalo é que muitos engenheiros acabam se desviando de sua área de formação original e passam a atuar em outros setores. O mesmo Instituto nos mostra que menos da metade (41%) dos engenheiros exercem suas ocupações típicas. Se um lado dessa moeda revela desa� os no mercado da Enge- nharia, o outro lado nos mostra como esse pro� ssional da Engenharia é versátil. Um diploma de engenheiro é uma janela para inúmeras possibilidades de atuação (UNA, 2017). DEMANDA POR PROFISSIONAIS COM BOM RELACIONAMENTO Cada vez mais, as empresas buscam por pro� ssionais completos. Isso inclui não só co- nhecimentos técnicos, mas principalmente, habilidades de relacionamento com pessoas. O En- genheiro do futuro precisa saber se comunicar e trabalhar em equipe. Antes, as corporações investiam em treinamentos para esse � m. 14WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Contudo, a cultura da e� ciência eliminou essa prática nas empresas. Hoje, elas esperam que os pro� ssionais já integrem as equipes com essas habilidades resolvidas. As organizaçõesnão estão dispostas a gastar dinheiro para ensinar o pro� ssional a se relacionar com seus colegas e clientes. Nas corporações, o foco da capacitação pro� ssional é mais técnico do que relacional. Finalizando, a cobrança por atitudes empresariais responsáveis tem permanecido mais intensa nos últimos anos, e a previsão é que o conceito de sustentabilidade seja cada vez mais aplicado nos negócios. Além de cumprir a legislação ambiental, a organização que investe no meio ambiente agrega valor à sua imagem. E essa vai ser uma tarefa e tanto para o pro� ssional da Engenheira do futuro, qualquer que seja a modalidade. Essas são apenas algumas das alternativas que a Engenharia oferece. A pro� ssão do futuro tem trabalho para todos os per� s pro� ssionais. Com certeza, o cenário será diferente nas próximas décadas e o pro� ssional de Engenharia será requisitado em funções que sequer conseguimos imaginar agora (UNA, 2017). Em um Congresso de Inovação e Megatendências 2016 – Os grandes desa� os do futuro – Megatendências 2050, Inovações e Internet das Coisas, em São Bernardo do Campo, São Paulo, pro� ssionais da engenharia, professores, pesquisadores e alunos debateram o futuro da pro� ssão e a importância da quali� cação pro� ssional, os desa� os aos planejadores e executores, gestão, sustentabilidade e competividade, novas tecnologias, conectividade mobilidade. Percebemos, então, o quanto os pro� ssionais da engenharia estão preocupados com o futuro da Engenharia, quais os caminhos iremos percorrer, mas uma certeza é corrente: a quali� cação pessoal é indis- cutível neste momento. A necessária afirmação da engenharia brasileira Sabemos que a engenharia é a base para o desenvolvimento econômico de um país, bem como da qualidade de vida da população. A garantia de desenvolvimento de qualquer sociedade passa, impreterivelmente, pelos investimentos direcionados à área tecnológica. Vivemos em um mundo em que os avanços tecnológicos são muito céleres, tornando imperativo a necessi- dade de domínio das regras básicas dessa dinâmica para conquistar destaque em um cenário internacional cada vez mais restrito e disputado. Nesse contexto, a engenharia figura como peça central no desenvolvimento de uma nação ao priorizar a inovação, novas tecnologias e a busca por novos conhecimentos. Fonte: http://domtotal.com/noticia/1195084/2017/10/a-necessaria-afirmacao- -da-engenharia-brasileira. Acesso 01.11.2017. REFLITA A máquina de Anticítera é um computador analógico da Grécia antiga e pla- netário usado para prever posições astronômicas e eclipses como função de calendário e astrologia. Este mecanismo assusta até hoje os cientistas pela sua complexidade e o mesmo está exposto na coleção de bronze do Museu Arqueo- lógico Nacional de Atenas, acompanhado de uma réplica. https://pt.wikipedia.org/wiki/maquina_de_anticitera. Acesso 01.11.2017 15WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA • Introdução à Engenharia Mecânica. Editora: Cengage Learning. • Introdução à Engenharia de Produção. Coleção: Campos – ABEPRO. Elsevier: Organizador: Mário Otávio Batalha. • CALLISTER, W.D; RETHWISH, D. G. Ciência e Engenharia de Materiais: uma Intro- dução. Editora LTC. 8a. edição. UNIDADE 16WWW.UNINGA.BR ENSINO A DISTÂNCIA SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................ 18 A ENGENHARIA E A SOCIEDADE ............................................................................................................................ 19 AS FUNÇÕES DO ENGENHEIRO .............................................................................................................................. 20 QUALIDADES DO PROFISSIONAL .......................................................................................................................... 21 QUALIDADES DO PROFISSIONAL: CONHECIMENTOS OBJETIVOS .................................................................... 21 QUALIDADES DO PROFISSIONAL: A DIFÍCIL TAREFA DO ENGENHEIRO SOCIAL .............................................. 22 QUALIDADES DO PROFISSIONAL: COMUNICAÇÃO ............................................................................................. 22 QUALIDADES DO PROFISSIONAL: TRABALHO EM GRUPO ................................................................................. 23 O ENGENHEIRO E AS QUALIDADES DO PROFISSIONAL DE ENGENHARIA PROF. ME. LOURIVAL ZAMUNER 02 17WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA QUALIDADES DO PROFISSIONAL: APERFEIÇOAMENTO CONTÍNUO ................................................................. 24 REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO ..................................................................................................................... 25 ENGENHARIA MECATRÔNICA ................................................................................................................................ 26 ENGENHARIA DE PRODUÇÃO ................................................................................................................................. 27 ENGENHARIA ELÉTRICA ......................................................................................................................................... 28 SISTEMAS ELÉTRICOS ............................................................................................................................................ 29 ASSOSIAÇÕES PROFISSIONAIS DE CLASSE - NÍVEL NACIONAL ....................................................................... 29 SISTEMA CONFEA/CREA ....................................................................................................................................... 30 18WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO Na unidade 2, trabalharemos a engenharia e sua presença na sociedade, bem como as funções do engenheiro e as qualidades necessárias para a atuação pro� ssional. Atualmente, o engenheiro precisa lançar mão de conhecimentos objetivos e trabalha numa difícil tarefa de en- genheiro social. O pro� ssional precisa ter noções de comunicação e relacionamentos, pois o trabalho do engenheiro é realizado em grupo e demanda aperfeiçoamento contínuo. Com essas caracterís- ticas, o engenheiro é capaz de lidar melhor com os desa� os e di� culdades da pro� ssão, pois ao relacionar-se e comunicar-se melhor e com os aperfeiçoamentos constantes, se tornará um pro- � ssional completo e com mais força para tomar decisões e tocar projetos diversos. Nessa unidade também estudaremos um aspecto muito importante que é a regulamen- tação da Pro� ssão. Iremos detalhar as áreas de atuação e atos de engenharia praticados pelos diplomados; apresentaremos as associações pro� ssionais de classe – nível nacional e o Sistema CONFEA/CREA. 19WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA A ENGENHARIA E A SOCIEDADE É incontestável a dependência cada vez maior da sociedade moderna em relação aos fru- tos da engenharia. Aliás, o importante papel que ela vem tendo ao longo de toda a história da humanidade é evidente. A engenharia esteve presente praticamente todos os momentos desta história, desenvolvendo, dentre tantas outras coisas, sistemas de transporte e de comunicação, sistemas de produção, processamento e estocagem de alimentos, sistemas de distribuição de água, esgoto e de energia. Sempre criando instrumentos, informações, dispositivos ou processos, os engenheiros contribuem para que se garanta ao homem um trabalho menos árduo e uma vida mais digna. Pode-se dizer que a sociedade moderna depende do pro� ssional da engenharia pela sua capacidade de resolução de problemas técnicos e pelo seu raciocínio analítico e sintético no enfrentamento das questões sociais (BAZZO& PEREIRA, 2006). Engenheiros são pessoas que buscam soluções de problemas. Dadas as raízes históricas da palavra engenheiro, podemos estendê-las e dizer que os engenheiros são pessoas engenhosas na solução do problema. Uma característica importante do engenheiro é sua visão sistêmica, que lhe confere um bom domínio da realidade física, social e econômica. Isto proporciona um panorama de conjunto que lhe garante a interpretação dos sistemas e subsistemas num contexto mais amplo. Assim, o pro� ssional da engenharia tem uma ideia integrada de seu trabalho com o ambiente que o cerca. E isso não é difícil de acontecer, pois a engenharia também é uma forma de pensar. Além do mais, o engenheiro, por formação tem um raciocínio analítico. Talvez seja exa- tamente por isso que ele se sai bem em diversas atividades, mesmo não ligadas diretamente a sua área de formação técnica, como administração, vendas, análise de sistemas, entre outras (BAZZO & PEREIRA, 2006). Vários aspectos devem ser lembrados a quem está iniciando um curso de engenharia. O primeiro deles diz respeito à formação do pro� ssional. Ainda, quando estudante, ele deve ter bem claro o papel que irá desempenhar e, principalmente, que deve haver uma preparação para um novo contexto político, social e econômico, posto que a sociedade se desenvolve constantemente. Desde o início de seu curso de graduação, o estudante precisa considerar que certamente só será um engenheiro ativo e que contribui de forma substancial para a resolução dos proble- mas, dentro de sete ou dez anos – contando cinco anos de graduação e mais aproximadamente cinco anos de experiência pro� ssional. Assim, ele deve se preparar para o futuro e, principalmen- te, não esquecer que muitas técnicas são perecíveis, mas o embasamento cientí� co é duradouro e vale em qualquer situação (BAZZO & PEREIRA, 2006). Outro aspecto que merece atenção preliminar é quanto à atuação do engenheiro na so- ciedade. Para que seu trabalho contribua de forma signi� cativa para o avanço da tecnologia, deve haver uma boa dose de ousadia neste trabalho. Se todos os engenheiros fossem excessivamente cautelosos, usando apenas materiais, processos e sistemas já consagrados, a engenharia perma- neceria estagnada (BAZZO & PEREIRA, 2006). Os desa� os técnicos raramente são vencidos por um engenheiro solitário. O desenvolvi- mento tecnológico é um processo complexo que requer os esforços coordenados de uma equipe a qual será composta por Cientistas, Engenheiros, Arquitetos, Tecnólogos, Técnicos e Artesãos (HOLTZAPPLE & REECE, 2006). 20WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Um alerta importante deve ser feito ao estudante: não se deixar levar por modismos na hora de tomar decisões quanto a sua formação. Desde o ingresso na universidade até a atuação pro� ssional, o mercado de trabalho poderá estar radicalmente modi� cado. Uma área que esteja em destaque num ano poderá estar em declínio em outros anos (BAZZO & PEREIRA, 2006). Por isso, o estudante precisa estar atento as tendências de mercado e de tecnologia; participar de fóruns, congressos, workshops, encontros e outros eventos, ou seja, participar de tudo que referir ao seu aprimoramento da engenharia. AS FUNÇÕES DO ENGENHEIRO O Engenheiro pode desempenhar inúmeras funções. De uma maneira geral, quanto à forma de seu trabalho, pode-se dizer ele atua como autônomo, empregado ou empresário. O autônomo é aquele que tem maior independência de decisão sobre sua pro� ssão, estabelecendo seus honorários e condições de trabalho, atuando geralmente em escritório próprio. O empre- gado trabalha diretamente para uma empresa, com a qual mantém um contrato de trabalho es- tabelecendo um vínculo mais duradouro, prestando serviços técnicos permanentes (BAZZO & PEREIRA, 2006). Este último tipo de prestação de serviço pelo Engenheiro representa uma gran- de parcela dos pro� ssionais atuantes na área no Brasil. São Engenheiros que prestam serviços técnicos em órgãos públicos, em bancos estatais e particulares, prefeituras municipais e agencias estaduais, como também em instituições de ensino superior. Nas suas atividades, os pro� ssionais Engenheiros desempenham tarefas que vão desde a pesquisa básica - aplicando os princípios cientí� cos e muito pouco conceitos de administração e � nanças – até a administração – onde a priori, aplicam pouco os fundamentos cientí� cos, e bas- tante os conceitos de administração, gerência e � nanças. O Quadro 1, a seguir, mostra o amplo espectro das funções que o Engenheiro pode exer- cer no mercado de trabalho. Normalmente, os recém-formados trabalham mais nas áreas de operação, manutenção ou construção e, com a experiência advinda ao longo do tempo, e consi- derando suas aptidões ou preferências pessoais, passam a atuar nas áreas de administração ou de desenvolvimento de produtos (BAZZO & PEREIRA, 2006). Quadro 1: Funções que o Engenheiro pode exercer Fonte: Bazzo & Pereira (2006). Deve-se deixar claro aos alunos que há campo de trabalho su� cientemente importante e promissor em qualquer área, tanto para os recém-formados quanto para os mais experientes, ou ainda, os mais ambiciosos, porque são indivíduos que combinam conhecimento com ciência, matemática e economia para solucionar os problemas técnicos com que se defronta a sociedade. À medida que a civilização progrediu e se tornou mais tecnológica, o impacto dos engenheiros na sociedade aumentou (HOLTZAPPLE & REECE, 2006). 21WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA QUALIDADES DO PROFISSIONAL As principais armas que o Engenheiro tem, sem sombras de dúvida, são a sua formação básica e o seu raciocínio analítico. Essas características são muito procuradas no mercado de tra- balho. Por isso, os Engenheiros devem sempre estar mergulhados no aperfeiçoamento por meio, principalmente, do estudo continuado (HOLTZAPPLE & REECE, 2006). Conhecimento é um precioso bem que só possui valor de fato quando transmitido. Conhecimento precisa se manter em movimento, sem um dono único, para poder ser o ouro absoluto que de fato é. Para isso, a in- ternet caiu como uma luva e ideias de compartilhamento livre de conteúdo pela rede vêm sendo assimilados e utilizadas não só por jovens ou artistas independentes, mas também por grandes instituições (BAZZO & PEREIRA, 2006). Porém, a competência pro� ssional não se encerra no conhecimento especí� co do cam- po técnico. Ao contrário, estende-se pelos campos da economia da psicologia, da sociologia, da ecologia, do relacionamento pessoal. Exige-se do Engenheiro que o mesmo tenha um mínimo de conhecimento em todos os campos de conhecimento, para a formulação completa de vários problemas e para a procura das soluções (BAZZO & PEREIRA, 2006). O conhecimento do comportamento da vida econômica é primordial para levar a bom termo um projeto, pois projetos são um investimento de alto risco e o conhecimento dos aspec- tos econômicos, tais como taxas de juros, taxa de retorno de investimentos, comportamento da in� ação são extremamente importantes para a solução � nal de custos. QUALIDADES DO PROFISSIONAL: CONHECIMENTOS OBJETIVOS As grandes mudanças industriais e econômicas aumentaram os requisitos para a competi- tividade das empresas num mundo globalizado, onde a concorrência está cada vez mais acirrada. Paralelamente, os pro� ssionais dessas organizações também precisam se adequar ao novo cená- rio, onde as competências exigidas tornam-se cada vez mais elevadas. Várias pesquisas colocam que o Engenheiro, além do seu lado técnico, precisa ter noção e conhecimentos em diversas áreas como � nanças, economia, “marketing”, psicologia do trabalho e muitas outras, que antes não eram tão consideradas. Mas, isto também já não é o su� ciente para garantir que esse pro� ssional esteja preparado para enfrentar o mercado de trabalho. Ele precisa desenvolver características e habilidadespara trabalhar em grupo, liderar pessoas, trabalhar com diversos tipos de con� itos e pressões. Assim, as empresas vão moldando o per� l desse pro� ssional ao mesmo tempo em que as mudanças vão alterando o seu comportamento e desenvolvimento (COBENGE, 2001). A familiarização com a tecnologia requer que o pro� ssional saiba muito de ciências físicas aplicadas e domine conhecimentos empíricos sistematizados, tendo em vista que são importan- tes para o bom desempenho pro� ssional, pois auxiliam na realização de trabalhos cotidianos da engenharia no dia-a-dia. 22WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA QUALIDADES DO PROFISSIONAL : A DIFÍCIL TAREFA DO ENGENHEIRO SOCIAL Um Engenheiro é aquele que usa as leis da física para intervir sobre o mundo. Sabendo as leis da matéria, da química e as forças, pode-se recompor os elementos de formas mais con- venientes: fazendo pontes, estradas, edifícios, barragens ou carros e aviões, os engenheiros reor- ganizam a matéria na direção do nosso conforto. Apesar da complexidade que alguns projetos acarretam, e de todas as análises matemáticas que são necessárias, a tarefa do engenheiro goza, ainda assim, de uma segurança: a imutabilidade das leis da física. Elas existem e resta-nos desco- bri-las. Uma vez descobertas, podemos atuar sobre a realidade e transformá-la segundo a nossa vontade. É assim que se tem conseguido o progresso material da humanidade (MOTA, 2014). Mas isso diz só respeito à recomposição dos elementos naturais. Acontece que há todo um outro lado da vida, que não diz respeito aos elementos inanimados, mas à interação entre os seres humanos. A isso chama-se o domínio social. Aí, olhamos para as relações humanas (que originam ordens e acasos), que são o objeto de estudo das ciências sociais. Neste domínio, tam- bém podemos dar o salto que é dado da física para a engenharia e pensar em política social. Isto é, o que nós podemos fazer para atuar sobre a sociedade, conduzindo-a a uma situação melhor? Essa é uma tarefa muito complicada, que podemos denominar por engenharia social (MOTA, 2014). Uma coisa é certa: o Engenheiro raramente escapa da responsabilidade de administrar pessoal, ou seja, ele passa muito tempo lidando com pessoas. Dessa maneira, a capacidade de manter boas relações é uma qualidade altamente desejável, e suas soluções nos trabalhos pre- cisam ser sensatas e ter boa aceitação, considerando que o engenheiro deve saber quais são as necessidades e aspirações da sociedade (BAZZO & PEREIRA, 2006). QUALIDADES DO PROFISSIONAL: COMUNICAÇÃO Uma qualidade que muitas vezes é relegada a segundo plano por pro� ssionais da enge- nharia é a capacidade de Comunicação, que é muito importante para o bom desempenho da sua atividade pro� ssional. Normalmente, o engenheiro vale-se da sua comunicação técnica, que exige atenções especiais, principalmente quanto aos aspectos da escrita e das representações ma- temática e grá� ca. Ao � nal desta Unidade, no item SAIBA MAIS, apresentamos aos alunos uma forma de proceder quando da elaboração de uma resenha. Vale a pena apresentar a de� nição: Resenha é uma abordagem para a construção de relações entre as propriedades de um determinado objeto, analisando-o, descrevendo-o e enumerando aspectos considerados relevantes sobre ele. Resenha também é o texto que serve para apresentar outro, que seja desconhecido do leitor (SIGINIFICA- DO, 2017). 23WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 07- Ferramenta de Comunicação para Engenheiros: comunicação e� caz, gestão de con� itos e lide- rança. Fonte: RELVAS, A. 2017. Ainda neste contexto, existe também a resenha cientí� ca, trabalho acadêmico ou resenha acadêmica, que são resenhas elaboradas e ensinadas na universidade. Esse tipo de resenha apre- senta uma síntese e uma crítica sobre um trabalho cientí� co e pode ser elaborada com base em leitura motivada por interesse próprio ou sob demanda (SIGNIFICADO, 2017). Não são poucas as oportunidades em que a capacidade de comunicação, tanto oral quan- to a escrita, é indispensável, e seminários, congressos, mesas redondas e outros eventos servem de amostras para corroborar esta a� rmação. Entretanto, vários são os cursos que oferecem, aos pro� ssionais da engenharia, oportunidades de comunicação e� caz, gestão de con� itos e lide- rança, destinados a Engenheiros que realizem funções técnicas ou de gestão e que pretendem dominar uma ferramenta comportamental e de comunicação que lhes permita sistematizar abor- dagens de comunicação que assegurem resultados, aumentando o seu desempenho pro� ssional, motivação, produtividade e bem-estar, melhorando várias vertentes da inteligência emocional (RELVAS, 2017). QUALIDADES DO PROFISSIONAL: TRABALHO EM GRUPO O exercício de todas as pro� ssões, e a engenharia não poderia � car fora, exige uma habi- lidade para o trabalho em grupo e, no nosso mundo moderno, essa característica é uma das mais relevantes do ser humano. Raramente os desa� os técnicos atuais são vencidos por pro� ssionais solitários. Um trabalho em equipe ou em grupo, como queira se chamar, bem-sucedido resulta em realizações maiores do que as que poderiam ser alcançadas individualmente pelos membros da equipe. Algo mágico ocorre quando uma equipe trabalha em conjunto e as ideias tornam-se pro- fícuas (HOLTZAPPLE & REECE, 2006). 24WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 08 – Engenheiros trabalhando. Fonte: Agiliza Estágios (2017). Uma tarefa, quando desenvolvida por vários pro� ssionais de uma área, ou de áreas de formação diferentes, exige capacidade para trabalhar em conjunto. Essa forma de trabalho exige respeito mútuo pelas ideias dos companheiros de equipe; habilidade dos membros para transmi- tir e receber ideias; habilidade para deixar de lado as críticas sobre uma ideia durante o processo inicial de formulação da solução de um problema; habilidade para criar a partir de ideias mal incompletas ou fracamente formuladas (HOLTZAPPLE & REECE, 2006). QUALIDADES DO PROFISSIONAL: APERFEIÇOAMENTO CONTÍNUO A Engenharia é fundamental para o desenvolvimento de qualquer país, região ou cidade. Sem ela, as áreas de criação e produção � cariam comprometidas, e a inovação estagnada. Entre- tanto, por conta da grande oferta de tecnologias e o surgimento de novidades a cada dia, o pro� s- sional desta área precisa estar sempre atualizado e adaptado aos novos conhecimentos e técnicas. Por isso, para se destacar dos concorrentes, principalmente os estrangeiros, o pro� ssional dessa área deve buscar aperfeiçoamento contínuo o qual pode vir por meio de cursos de pós-gradua- ção ou especialização, além de idiomas (inglês � uente é essencial em várias áreas), congressos, palestras e outros eventos e cursos de formação. Além de melhorar o currículo, a especialização contínua mostra que o pro� ssional possui interesse na pro� ssão e atitude de buscar sempre o aperfeiçoamento e não � car estagnado. Traços muito valorizados nos processos de contratação. Para tanto, os pro� ssionais Engenheiros devem sempre estudar e isso se inicia desde o primeiro ano do seu curso de engenharia. O engenheiro sempre será um aluno e, por isso, é interessante ter uma visão inovadora até do seu curso. Também é preciso considerar que isso de- pende de uma série de fatores, como investimentos, soma de tecnologias, conhecimento técnico e muito trabalho. Mas, mesmo quando todos estes fatores estão presentes, nada acontece sem um pro� ssional de visão inovadora para combiná-los. Por isto, aqueles com mentalidade de inova- ção saem na frente e são os preferidos do mercado. Estes pro� ssionais apresentam boas ideias e estão dispostos a se arriscar e apostar em novos processos. Comportamento fundamental para o desenvolvimento e o crescimento de empresas e dos próprios pro� ssionais. 25WWW.UNINGA.BR IN TROD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Para se tornar um pro� ssional inovador e voltado ao empreendedorismo, um Engenheiro precisa estar sempre voltado para os assuntos em destaque, pesquisar bastante e trocar informa- ção com outros pro� ssionais. É assim que se descobrem as novidades, novas tecnologias e técni- cas para melhorar seu dia a dia e seu trabalho. Como essa é uma área muito ampla, os conhecimentos são muito diversos e a gama de tecnologias disponíveis é enorme. Essa é uma das diversidades a ser explorada para se tornar um pro� ssional mais versátil e completo. Mesmo que o engenheiro trabalhe numa empresa, é inte- ressante que procure variar as suas funções e responsabilidades advindas para o seu cargo para se manter em contínuo crescimento. Com isto, se evita a estagnação, adquirindo novas experiências e vivência pro� ssional. Outro ponto que facilita alcançar novos horizontes é que muitos Enge- nheiros, com o passar do tempo, acabam assumindo funções administrativas e se afastam dos trabalhos práticos o que os leva a atuar em novas áreas(BAZZO & PEREIRA, 2006). Finalizando, seguramente, a formação do engenheiro não acaba na escola e, por isso, deve continuar por toda a vida pro� ssional. Entretanto, é na universidade que deve ser obtida a forma- ção conceitual e teórica básica. REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO Áreas de Atuação e Atos de Engenharia Praticados pelos Diplomados – SISTEMA CONFEA/CREA O Engenheiro, dependendo de sua quali� cação, pode atuar em diversas áreas. Em todas elas, o interesse e a facilidade em lidar com a Matemática é fundamental. Ele pode trabalhar em pesquisa, buscando novos conhecimentos e técnicas; no desenvolvimento de tecnologias, empregando esses conhecimentos e técnicas; no desenho e planejamento de soluções; na pro- dução, transformando matérias primas em produtos; na construção, concretizando os desenhos; na operação, mantendo e administrando as máquinas para otimizar a produtividade; em vendas, oferecendo serviços, ferramentas e produtos; e na administração, plani� cando, organizando, pro- gramando, dirigindo e controlando o desenvolvimento de projetos. A pro� ssão atrai muitos jovens, por ser muito vasto e variado o campo de atuação e as modalidades de cursos. O Engenheiro pode trabalhar em universidades, institutos de pesquisas tecnológicas, órgãos públicos, em empresas, no mercado � nanceiro, em consultorias, entre ou- tros (PROFICIÊNCIA, 2017). Depois de formados, os atos de engenharia praticados pelos diplomados estão embasados na Lei 5.194/66 de 24 de dezembro de 1966, que regula o exercício das pro� ssões de Engenheiro, Arquiteto e Engenheiro Agrônomo (CONFEA, 1966). As pro� ssões de engenheiro, arquiteto e engenheiro agrônomo são caracterizadas pelas realizações de interesse social e humano que im- portem na realização dos seguintes empreendimentos: a) aproveitamento e utilização de recursos naturais; b) meios de locomoção e comunicações; c) edi� cações, serviços e equipamentos urbanos, rurais e regionais, nos seus aspectos técnicos e artísticos; d) instalações e meios de acessos a costas, cursos e massas de água e extensões terrestres; e) desenvolvimento industrial e agropecuário. 26WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA São reservadas exclusivamente aos pro� ssionais referidos nesta Lei quando do uso do Título Pro� ssional, as denominações de engenheiro, arquiteto ou engenheiro-agrônomo, acres- cidas, obrigatoriamente, das características de sua formação básica (CONFEA, 1966). As atividades e atribuições pro� ssionais do engenheiro, do arquiteto e do engenheiro-a- grônomo consistem em (CONFEA, 1966): • Desempenho de cargos, funções e comissões em entidades estatais, paraestatais, autár- quicas e de economia mista e privada; • Planejamento ou projeto, de regiões, zonas, cidades, obras, estruturas, transportes, ex- plorações de recursos naturais e desenvolvimento da produção industrial e agropecuária; • Estudos, projetos, análises, avaliações, vistorias, perícias, pareceres e divulgação técnica; • Ensino, pesquisa, experimentação e ensaios; • Fiscalização de obras e serviços técnicos; • Direção de obras e serviços técnicos; • Execução de obras e serviços técnicos; • Produção técnica especializada, industrial ou agropecuária. Seguem abaixo relações sucintas dos principais assuntos que objetivam a formação pro- � ssional geral nas grandes áreas da Engenharia (CONFEA, 1966). ENGENHARIA MECATRÔNICA O pro� ssional formado em Engenharia Mecatrônica pode criar e aplicar projetos de auto- mação em indústrias. Ele é capaz de operar, construir e dar manutenção nos mais diversos tipos de máquinas, além de projetar sistemas para controle de equipamentos em prédios comerciais e residenciais; desenvolver e implantar projetos de automação em indústrias, manipulando robôs; projetar, construir e operar equipamentos utilizados nas indústrias de biotecnologia; programar sistemas de informação e bancos de dados. É uma pro� ssão que exige grande capacidade de observação, atualização constante, ha- bilidade com cálculos e capacidade de trabalhar em equipe. Ser criativo, curioso, interessado e organizado também são características importantes para quem deseja seguir a carreira de Enge- nharia Mecatrônica. Com a automação crescente das linhas de produção, e aqui podemos exempli� car com as fábricas de automóveis, e com o emprego cada vez maior do computador na engenharia, um novo campo de trabalho vem sendo aberto. Para atuar nesta nova área há necessidade de um pro� ssional com boa formação em mecânica e eletrônica. A fusão destas duas áreas tem gerado cursos que levam o nome de Mecatrônica ou Con- trole de Automação. Pro� ssionais dessa nova área são responsáveis pelo projeto, operação e ma- nutenção de processos e sistemas automatizados, quase sempre comandados por microprocessa- dores. Estes cursos também podem derivar da Engenharia Elétrica (BAZZO & PEREIRA, 2006). Figura 09 – Montagem de automóveis. Fonte: Portal Guia da Carreira (2017). 27WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Os pro� ssionais de Engenharia Mecatrônica se concentram na indústria de transforma- ção. Isso inclui hidrelétricas, siderúrgicas, petroquímicas, fábricas de medicamentos e automó- veis. O nicho deve se expandir cada vez mais com o crescente uso de máquinas computadori- zadas em substituição ao trabalho braçal. Com conhecimentos que abrangem vários campos da Engenharia, o pro� ssional formado em Mecatrônica também pode trabalhar no desenvolvimen- to de so� ware e automação de processos. Para exercer a pro� ssão de engenheiro mecatrônico, é necessário ter o diploma de bacha- rel em Engenharia Mecatrônica emitido por um curso reconhecido pelo MEC e obter um registro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA). ENGENHARIA DE PRODUÇÃO A Engenharia de Produção é uma habilitação especí� ca derivada de qualquer uma das seis grandes áreas de engenharia. Assim, existem cursos de engenharia de produção elétrica, de produção civil, de produção mecânica, dentre outros. Numa empresa, a produção implica racionalização e otimização de processos, das maté- rias primas empregadas ou de energia consumida, bem como o melhor aproveitamento possível do pessoal disponível. Compete ao engenheiro de produção realizar o projeto, a implantação, operação, melhoria e manutenção de sistemas produtivos integrados de bens e serviços, envol- vendo materiais, tecnologias, informações e energia. Deve também estudar as implicações destes sistemas para a sociedade e o meio ambiente. Utiliza conhecimentos especializados de Matemáti- ca, Física, Informática, Ciências Humanas e Sociais e os princípios e métodos de análise e projeto de Engenharia. Também são suas responsabilidades (BAZZO & PEREIRA, 2006): • Escolher a localização de indústrias, determinar o equipamento e processo de manufa-tura, modi� cando hábitos não recomendáveis ao trabalho; • Analisar as operações e introduzir modi� cações no sentido de racionalizar o trabalho; • Estudar os custos operacionais e dedicar-se ao estudo de tempos e métodos; • Cuidar da segurança do processo produtivo, da avaliação econômico-� nanceira da em- presa e do layout das instalações industriais, dentre outras. Este pro� ssional pode atuar em vários setores da indústria ou de serviços, tais como em- presas de manufatura, consultorias, bancos, indústria de base, setor agroindustrial, operadores logísticos, universidades, instituições de pesquisa e órgãos públicos, dentre outros. Figura 10 – Engenharia de Produção. Fonte: Portal Guia do Estudante (2017). 28WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Considerando o movimento das empresas de buscar a máxima e� ciência, produzindo com qualidade e com menos recursos, podemos considerar que o engenheiro de produção qua- li� cado será muito disputado no mercado das próximas décadas. ENGENHARIA ELÉTRICA Os engenheiros eletricistas atuam nos setores energéticos, como as termoelétricas e as hidrelétricas. Sua função é gerar, transmitir e distribuir a energia. Por isso, também atuam na área de Telecomunicações. O engenheiro elétrico é um pro� ssional muito valorizado no mercado de trabalho, dado que vivemos numa sociedade baseada em, consumidora e dependente de energia elétrica (BAZZO & PEREIRA, 2006). Figura 11 - Usina Hidroelétrica Itaipu Binacional. Fonte: Itaipu Binacional (2017). A habilitação de engenharia elétrica envolve campos especí� cos de atuação, tais como: eletricidade em geral – geração, transmissão e distribuição de energia; eletrônica; telecomuni- cações, vídeo e áudio. São atribuições dos pro� ssionais de Engenharia Elétrica, dentre outras (BAZZO & PEREIRA, 2006): a) realizar pesquisar, elaborar projetos e prestar assessoramento em problemas que en- volvam: máquinas e equipamentos elétricos, sistemas de proteção e chaveamento, instrumentos elétricos de medição, iluminação, transformadores; b) elaborar, executar e dirigir estudos e projetos para construção, montagem ou manuten- ção de instalações, aparelhos e equipamentos eletrônicos; c) elaborar e executar projetos de sistemas de geração, transmissão e distribuição de ener- gia elétrica; d) planejar e implantar sistemas de micro-ondas, telefonia, transmissão de informações digitais, etc.; e) na área de eletrônica, trabalhar em projetos de microprocessadores, microcomputado- res, modens, terminais, periféricos; f) executar e dirigir projetos de montagem e manutenção de vídeo e áudio. 29WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA O conhecimento em Matemática e Física é fundamental, visto que lidam basicamente com eletromagnetismo. A pro� ssão requer também o domínio do cálculo, principalmente para as modelagens computacionais. Atualmente, na Engenharia Elétrica abre-se o leque para o estudo, implantação e manu- tenção em fontes alternativas de energia elétrica, destacando-se a energia solar e a energia foto- voltaica, a energia eólica e a tradicional, ou seja, a energia de origem hídrica. SISTEMAS ELÉTRICOS No Curso Superior de Tecnologia em Sistemas Elétricos, o aluno aprende a projetar, mon- tar, instalar e operar equipamentos de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica, tanto em zonas rurais como em metrópoles e megalópoles. Devido a sua formação acadêmica fundamentada em ciências exatas, como matemática, física e química, o estudante dessa gradu- ação recebe uma formação técnica especí� ca que lhe permite conhecer todos os aspectos rela- cionados à geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. Depois de formado, espera-se que o pro� ssional dessa área seja capaz de instalar e dar manutenção preventiva ou corretiva e garantir o funcionamento perfeito do sistema de energia elétrica. Figura 12 – Engenheiros elétricos. Fonte: Google Images (2017). Esse curso também habilita o pro� ssional formado para trabalhar realizando o aciona- mento eletrônico de turbinas e a automatização de procedimentos em usinas elétricas e hidroelé- tricas. Ainda pode atuar nas áreas de venda e assistência técnica de instrumentos de alta e baixa tensão, de iluminação e de conservação de dispositivos automáticos, ou ainda em indústrias de metalurgia, assistência técnica, telecomunicações e construção civil e implantação de políticas de gerenciamento energético sustentável. ASSOCIAÇÕES PROFISSIONAIS DE CLASSE – NÍVEL NACIONAL A maioria das pro� ssões possui sociedades e entidades dos pro� ssionais e essas associa- ções atendem aos interesses de cada indivíduo a elas vinculados. Desta forma, os engenheiros também têm sociedades pro� ssionais que atendem seus interesses e iremos conhece-las melhor agora. 30WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA O Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA) é um conselho de � scali- zação pro� ssional, não é entidade de classe e, na forma de autarquia pública, é responsável pela regulamentação e julgamento � nal no Brasil das atividades pro� ssionais relacionadas às classes das: Engenharias, Agronomia, bacharéis em Geogra� a, Geologia e Meteorologia. O CONFEA lida com mais trezentos títulos pro� ssionais dessas áreas, nos níveis técnico e superior (tecnólo- go, licenciado e bacharel), além dos títulos de pós-graduação (CREA, 2017). Foi instituído em 1933 por decreto do Presidente da República, senhor Getúlio Vargas, e coordena todos os Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia (CREA). No dia 31 de de- zembro de 2010, o Presidente da República Luís Inácio Lula da Silva, sancionou a Lei n° 12.378, criando o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) o qual atende apenas os pro� ssionais de Arquitetura com suas especi� cidades. SISTEMA CONFEA/CREA A nível Estadual, os Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia (CREA) são entidades que pertencem à esfera estadual e constituem a manifestação regional do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA). Essas duas entidades são responsáveis pela � scalização da atuação e exercício das pro� ssões da área tecnológica em âmbito regional. O CREA exerce o papel de primeira e segunda instância e trabalha veri� cando, orien- tando e � scalizando o exercício pro� ssional. A missão do CREA é a de � scalizar a prática dos engenheiros e outros pro� ssionais associados e, com isso, defender a sociedade da prática ilegal das atividades abrangidas pelo sistema CONFEA/CREA. A nível municipal, a Associação de Engenheiros e Arquitetos de Maringá (AEAM), fundada em setembro de 1959, reune os engenheiros e arquitetos da comunidade. A AEAM tem por missão Promover ações de valorização, quali� cação e integração das classes de Engenharias e Arquitetura, evidenciando sua importância para a Classe e a Sociedade (AEAM, 2017). Há também, tanto a nível municipal quanto estadual, o Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná – SENGE, com mais de 80 anos de história. O Sindicato renova, a cada dia, os seus princípios de defesa dos pro� ssionais de engenharia e do trabalho permanente em favor dessa categoria pro� ssional que tem como marca a presença em todas as fases do desenvol- vimento do nosso Estado e do nosso País (SENGE, 2017). A função primária das sociedades pro� ssionais é a troca de informações entre seus membros o que é feito por meio da publicação de revistas técnicas, realização de conferências, manutenção de bibliotecas, oferecimento de workshops e cursos de educação continuada, de modo que os membros possam interagir ao longo das suas carreiras (HOLTZAPPLE & REECE, 2006). Como estudante, é aconselhável que se integre aos capítulos de sociedade pro� ssionais de sua especialidade. Eles oferecem vários benefícios, como encontros que permitem que o alu- no interaja com a indústria, colegas deestudo e professores (HOLTZAPPLE & REECE, 2006). Tanto o CREA quanto o SENGE oferecem aos estudantes o ingresso no seu quadro de associa- dos por meio do CREA Jovens e SENGE Jovens de modo que possam aprender já com o mundo real da engenharia, ou seja, ir provocando a COMUNICAÇÃO, item tão importante para o sucesso dos pro� ssionais da engenharia. Após formados, os pro� ssionais de engenharia e de sistemas elétricos tornam-se por- tadores da Carteira de Identidade Pro� ssional a qual vai quali� cá-los para o exercício da sua pro� ssão, e esse registro é fornecido pelo CREA de Registro de seu estado de origem. A emissão da carteira é realizada pelo CREA, formalizado pelo Resolução 1.059/2014/CONFEA (CREA- -PR, 2017). 31WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO À ENGENHARIA DE PRODUÇÃO Autor: Mário Batalha Editora: Elsevier Brasil, março de 2013. 336 pg. Este livro tem como objetivo apresentar a Engenharia de Produção e as suas principais áreas de conhecimento e atuação. Ele permite que o leitor tenha seu primeiro contato e adquira suas primeiras impressões sobre a Engenharia de Produção. Os capítulos são apresentados de forma didática, em linguagem acessível aos iniciantes em Engenharia de Produção e ilustrados por exemplos práticos. COMO FAZER UMA RESENHA Diferença entre Resumo e Resenha: - Resumo: nada mais é do que uma diminuição de um texto ou de algum assunto abordado, nunca perdendo o foco do assunto principal. - Resenha: deve ser feita com base em algo que você leu, podendo colocar suas opiniões próprias no meio da resenha de forma crítica. As resenhas apresentam algumas divisões que vale destacar. A mais conhecida delas é a resenha acadêmica, que apresenta moldes bastante rígidos, respon- sáveis pela padronização dos textos científicos. Ela, por sua vez, também se subdivide em resenha crítica, resenha descritiva e resenha temática. Na resenha acadêmica crítica, os nove passos a seguir formam um guia ideal para uma produção completa: 1. Identifique a obra: coloque os dados bibliográficos essenciais do livro ou artigo que você vai resenhar; 2. Apresente a obra: situe o leitor descrevendo em poucas linhas todo o conteú- do do texto a ser resenhado; 3. Descreva a estrutura: fale sobre a divisão em capítulos, em seções, sobre o foco narrativo ou até, de forma sutil, o número de páginas do texto completo; 4. Descreva o conteúdo: Aqui sim, utilize de 3 a 5 parágrafos para resumir clara- mente o texto resenhado; 5. Análise de forma crítica: Nessa parte, e apenas nessa parte, você vai dar sua opinião. Argumente baseando-se em teorias de outros autores, fazendo com- parações ou até mesmo utilizando-se de explicações que foram dadas em aula. É difícil encontrarmos resenhas que utilizam mais de 3 parágrafos para isso, porém não há um limite estabelecido. Dê asas ao seu senso crítico. Se julgar necessário, pode apresentar exemplos, exercícios práticos, etc. 32WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA 6. Recomende a obra: Você já leu, já resumiu e já deu sua opinião, agora é hora de analisar para quem o texto realmente é útil (se for útil para alguém). Utilize elementos sociais ou pedagógicos, baseie-se na idade, na escolaridade, na ren- da etc. 7. Bibliografia consultada: Indique a bibliografia utilizada por você como embasa- mento para elaboração da análise crítica do texto. 8. Identifique o autor: Cuidado! Aqui você fala quem é o autor da obra que foi resenhada e não do autor da resenha (no caso, você). Fale brevemente da vida e de algumas outras obras do escritor ou pesquisador. 9. Assine e identifique-se: Agora sim. No último parágrafo você escreve seu nome e fala algo como “Acadêmico do Curso de Engenharia Civil do Centro Uni- versitário Ingá (UNINGÁ). UNIDADE 33WWW.UNINGA.BR ENSINO A DISTÂNCIA SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................................... 35 ÉTICA: DEFINIÇÃO CONCEITUAL E HISTÓRICA .................................................................................................... 36 ÉTICA VERSUS MORAL ........................................................................................................................................... 37 ÉTICA PROFISSIONAL ............................................................................................................................................. 39 CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL CREA/CONFEA ............................................................................................. 39 TEORIAS ÉTICAS - RESOLVENDO CONFLITOS ...................................................................................................... 40 INTRODUÇÃO AO PROJETO ..................................................................................................................................... 42 IDENTIFICAR A NECESSIDADE E DEFINIR O PROBLEMA ................................................................................... 42 ÉTICA E ÉTICA NA ENGENHARIA E INTRODUÇÃO AO PROJETO PROF. ME. LOURIVAL ZAMUNER 03 34WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA SEQUÊNCIA DE AVALIAÇÃO E DEFINIÇÃO DE UM PROJETO ............................................................................... 43 MONTAR A EQUIPE DO PROJETO ........................................................................................................................... 44 IDENTIFICAR LIMITAÇÕES E CRITÉRIOS DE SUCESSO ...................................................................................... 44 BUSCAR SOLUÇÕES ................................................................................................................................................ 46 ESTUDO DE VIABILIDADE ....................................................................................................................................... 47 PROJETO PRELIMINAR E PROJETO DETALHADO ................................................................................................. 47 CONSTRUIR A SOLUÇÃO ......................................................................................................................................... 48 RESUMO ................................................................................................................................................................... 48 35WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO Nessa Unidade 3, abordaremos os seguintes tópicos: Ética e a De� nição conceitual e his- tórica; Ética versus moral; Ética Pro� ssional; Código de Ética Pro� ssional CREA/CONFEA; Teo- rias éticas - Resolvendo Con� itos (Ética das Virtudes, Ética Religiosa, Ética do Dever e Utilitaris- mo). Também veremos Introdução ao Projeto com os tópicos: identi� car a necessidade e de� nir o problema; montar a equipe de projeto; identi� car limitações e critérios de sucesso; buscar solu- ções; estudo de viabilidade; projeto preliminar e projeto detalhado; construir a solução. Por � m, o aluno encontra um resumo para melhor � xação do conteúdo. A ética parece estar na ordem do dia de acordo com os acontecimentos que estão vivos em nossa memória, ou seja, aqueles relacionados com a ordem política, econômica, social e am- biental. Livros são publicados sobre o tema, artigos são escritos em revistas e jornais, empresas e escolas investem em programas de educação ética, en� m, é um dos assuntos do momento em que estamos vivendo. Esse retorno ao universo da ética talvez esteja ligado a uma espécie de stress diante de um modelo de sociedade industrial e capitalista que cresceu arraigada no materialismo e na supremacia do homem sobre a natureza. A ênfase que esse estilo de vida deu à competição, ao individualismo e ao consumismotalvez tenha nos conduzido a uma situação de crise socio- ambiental sem precedentes e irreversível. Problemas como a poluição, em todas as suas formas, o aquecimento global, destruição de milhares de espécimes animais e a devastação das � orestas já fazem parte do nosso cotidiano e das nossas preocupações diárias. As constantes crises econômicas, a desigualdade social – causada pela má distribuição de riquezas e pelo crescimento populacional acelerado nas regiões mais pobres do planeta – tam- bém são sintomas de que alguma coisa não vai bem na nova ordem mundial e que urgentes re� e- xões de natureza ética tornam-se necessárias. Sobre o assunto, o � lósofo Gilles Lipovetsky (2005, 221) comenta que: O avanço da comoção ética é algo que parece não conhecer limites. Com uma lógica implacável, todas as esferas da vida são arrastadas pela mesma onda: pri- meiro a natureza; depois as ciências medicas e a mídia; por � m, é o próprio mundo dos negócios que sucumbe aos inesperados encantos do critério dos ne- gócios. É sobre essa inusitada e surpreendente aproximação entre a ética e os negócios que vamos tratar nessa unidade. Ela visa discutir e re� etir sobre os aspectos éticos e os paradigmas relativos ao comportamento pessoal e pro� ssional. Todos os dias, importantes questões éticas desa� am todos os setores da atividade humana. Ocupando-se a ética da re� exão racional acerca do agir humano ideal e melhor, toda organização, grupo (aluno, professor, diretor de escolas) ou pessoa se preocupa em atingir a excelência pessoal ou organizacional precisa ponderar suas práticas, avaliando seus fundamentos éticos. 36WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA ÉTICA: DEFINIÇÃO CONCEITUAL E HISTÓRICA Dentre os muitos roteiros de discussão das questões éticas, optamos por um contemple uma introdução à disciplina ao mesmo tempo em que coloca em evidência aquilo que é mais relevante ao futuro pro� ssional da engenharia em consequência do seu papel pro� ssional na sociedade e dos dilemas cotidianos que vivencia, como qualquer outro cidadão, pro� ssional e/ou pessoa. As questões éticas estão envolvidas com todos os setores da atividade humana. Todos os tipos de decisões referentes ao certo e errado, bem e mal, permitido e proibido estão presentes tanto na política e na economia como na educação, na religião, nos negócios e até nas nossas re- lações entre alunos, professores e tudo que envolve o curso no qual estão matriculados em uma Instituição de Ensino Superior. En� m, ética está presente em tudo que diz respeito ao ser huma- no no mundo, à sua condição humana. É fato conhecido que os indivíduos, no seu cotidiano, estão constantemente diante de problemas como: “Devo dizer a verdade em todas as situações ou existem momentos em posso mentir? É certo ajudar um amigo em perigo, mesmo que eu coloque minha própria vida em ris- co? Existe alguma ocasião em que pode ser considerado correto atravessar um sinal de trânsito vermelho? Um policial trabalhando que atira em um bandido para evitar um assalto deve ser condenado pela sua ação ou estaria somente cumprindo seu dever?” Diante de essas e outras questões, percebemos, então, quantos dilemas éticos enfrentamos no decorrer da nossa jornada de trabalho ou estudos. Por isso, é possível a� rmar que as pessoas possuem senso crítico e estão constantemente analisando e julgando cada uma de ações, que, quase sempre, não envolvem apenas o indivíduo sozinho, mas também as outras pessoas que serão atingidas pelas as consequ- ências do que este � zer. Por viver em sociedade, os seres humanos realizam sua existência na convivência uns com os outros, pois, já ao nascerem encontram-se sempre diante de uma comunidade já consti- tuída e, para seu desenvolvimento, não é possível descartar o apoio dessa comunidade. As ações e decisões dos indivíduos afetam outras pessoas e são, ao mesmo tempo, afetadas por elas. Deve-se considerar a grande in� uência cultural nas comunidades humanas: “As coletividades humanas dão origem ao que comumente se denomina de cultura, ou seja, tudo aquilo que caracteriza a existência social de um povo ou nação, ou então de grupos no interior de uma sociedade” (SAN- TOS, 1994, p. 24). Desta forma, a cultura de um determinado povo é o conjunto de seus valores e conheci- mentos perenes. Em outras palavras, cultura pode ser de� nida como “o conjunto dos modos de viver e pensar cultivados, civilizados, polidos que também costumam ser indicados pelo nome de civilização” (ABBAGNANO, 1998, p. 225). Podemos dizer, então, que a cultura é a totalidade dos produtos desenvolvidos pela atividade humana, seja representada por elementos materiais ou simbólicos. Cultura é tudo aquilo que envolve os instrumentos que o ser humano constrói para so- breviver, as linguagens e a comunicação, as leis, normas e regras que regulam e mantêm a con- vivência social e até mesmo as religiões e suas especi� cidades. Com isso, é possível a� rmar que a cultura engloba “todo o conhecimento que uma sociedade tem sobre si mesma, sobre outras sociedades, sobre o meio natural em que vive e sobre a própria existência” (SANTOS, 1994, p. 41) e isso abrange, inclusive, as expressões artísticas, as práticas religiosas, os modos de produção e a organização política. 37WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA As variadas formas de cultura possuem uma racionalidade própria que precisa ser bem compreendida para que as práticas façam sentido. Essas práticas culturais também precisam es- tar relacionadas aos contextos nas quais foram produzidas para continuar fazendo sentido. Um exemplo é o das variações encontradas nas organizações familiares e nos hábitos de moradia, ou nas indumentárias e vestimentas, que, são capazes de traduzir a experiência histórica do grupo social (SANTOS, 1994, p. 8). A maioria das ações humanas, desde andar até o ato de dormir e o alimentar-se, não são atividades puramente naturais, visto que são marcadas pela cultura em que cada sujeito, nasce, cresce e vive. A estrutura da personalidade de cada pessoa, que orientará suas ações e comporta- mentos, é in� uenciada pelos valores principais da cultura a qual se pertence. Esses valores foram transmitidos, desde seu nascimento, pelo seu meio cultural e, de alguma forma, foram assimila- dos e internalizados por cada indivíduo. Para a professora Marilena Chauí (2001, p. 339) “toda cultura e cada sociedade instituem uma moral, isto é, valores concernentes ao bem e ao mal, ao permitido e ao proibido, e à condu- ta correta, válida para todos os membros”. Sendo assim, a professora defende que as “culturas e sociedades fortemente hierarquizadas e com diferenças de castas ou de classes muito profundas podem até possuir várias morais, cada uma delas referida aos valores de uma casta ou de uma classe social”. Dessa maneira, quando falamos em cultura, podemos de� nir que é um sistema de valores implícitos e profundamente interiorizados em cada um de nós e que de� ne as nossas atitudes diante do meio cultural em que vivemos. Assim, estamos entrando necessariamente no campo da ética. ÉTICA VERSUS MORAL Frequentemente as palavras Ética e Moral são utilizadas como sinônimos, mas na lin- guagem � losó� ca adquirem signi� cados mais precisos e diferenciados. No campo da � loso� a, é mais apropriado utilizar a palavra ética para referir-se à disciplina ou à ciência que tem por foco o estudo das normas morais. A moral, na � loso� a, é relacionada aos costumes e as normas de comportamento, internalizadas e aceitas em uma determinada comunidade humana. Em outras palavras, a ética é o estudo de uma forma especí� ca de comportamento humano, uma “ciência que tem por objeto a moral” (HEEMANN, 2001, p. 10). Essa é a interpretação mais comumente adotada pelos principais estudiosos do assunto. Vásquez (1995, p. 12), por exemplo, a� rma que “a ética é a teoria ou ciência do comportamentomoral dos homens em sociedade”. REFLITA A palavra ética admite várias interpretações e significados. Geralmente, é tradu- zida como “ciência da conduta” (ABBAGNANO, 1998, p. 380), pois procura analisar e definir a natureza da vida correta, tanto no âmbito social como no aspecto individual. Faz parte da ética o estudo de como ocorre a formação dos hábitos, dos costumes e até mesmo das regras e leis que regem determinada sociedade. A ética também preocupa-se em compreender o modo como cada indivíduo se posiciona em relação às normas sociais e as decisões tomadas individualmente pela sua aceitação ou negação. 38WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA A ética é, portanto, teoria. Seja como “ciência do comportamento” ou “re� exão � losó� ca sobre a moral”, é a ciência que tem como objeto de estudo um determinado tipo de costumes, cujas normas são interiorizadas por socialização e coletivamente aceitas numa dada sociedade. O maior interesse da ética é compreender como se dá a formação dos hábitos, costumes e até mesmo das regras e leis que regem uma determinada sociedade. Outro aspecto que diferencia bastante a ética da moral é a tendência ao universal da pri- meira e a insu� ciência da segunda neste aspecto. A ética tende ao universal, procura estabelecer o que seja o bom e o desejável em termos muito amplos de preferência de maneira que pudesse ser adotada por qualquer indivíduo. A moral embora algumas vezes pretenda ter o mesmo al- cance, não consegue extrapolar os limites restritos de códigos morais cristalizados e especí� cos. Por exemplo: se a moral defende que não mentir é uma obrigação, a ética concordará, pois isso se fundamenta na ideia de que a construção de relações sociais e interpessoais estáveis supõe a sin- ceridade e a manutenção da con� ança. No primeiro caso, não mentir é apenas uma regra e, como ocorre com muitas regras, elas deixam de exibir claramente seu sentido original, sua fundamen- tação. Retomar as razões originárias de algumas regras assegura que investigaremos novamente o porquê de certa regra, sua causa, sua justi� cação. Isso é objeto da ética. Outra situação que poderia surgir desse exemplo mostra a vitalidade da explicação ética frente à rigidez da moral. A ética é a parte inteligente da moral. Analisemos a seguinte situação: numa guerra, você abriga pessoas que seriam mortas caso fossem encontradas. Um soldado em busca solicita informação sobre o paradeiro dessas pessoas e você diz que elas não estão em sua casa. Você mentiu, mas isso não seria antiético, pois você agiu em conformidade com o princípio ético de preservação de vida, ao preço da inobservância de uma regra moral amplamente aceita para situações usuais. Esse exemplo ilustra como o alcance da ética é maior, e o quanto ele é mais útil e � exível que o da moral. Isso se deve ao fato de que a ética se move no terreno dos princípios, que é o que permite maior possibilidade de análise frente às situações, enquanto a moral com suas regras já de� nidas não poderia, sem recorrer ao sentido das regras mesmas, modi� car seu encaminhamento para situações concretas como a que colocamos anteriormente. Lembramos também que isso não deve ser utilizado em um relativismo do tipo: ‘ah, gostaria de não cumprir essa ou aquela regra de conduta, pois sua diretiva não me agrada ou não me faz sentido’. O fato das pessoas não saberem justi� car as regras morais que lhe apresentam não implica que essas re- gras não fundamentos éticos. Isso mostra, antes, como a moral é irre� etida pela maior parte das pessoas. Em resumo, a ética não apresenta um conjunto fechado de regras, mas possibilita que estas e as situações concretas sejam pensadas de modo inteligente e justo em busca das melhores soluções. Do ponto de vista ético, não haveria 10 mandamentos (um caso de um código moral especí� co) mas 10.000: um encaminhamento próprio para cada situação concreta, embasado num princípio ético válido. REFLITA Quando se fala sobre comportamento humano em relação às escolhas a serem feitas entre o bem e o mal, o certo e o errado, o permitido e o proibido, também é muito como o uso do termo moral. Moral e ética representariam o mesmo conceito filosófico? (HOLTZAPPLE, RECCE, 2006). 39WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA ÉTICA PROFISSIONAL Muitos autores de� nem a ética pro� ssional como sendo um conjunto de normas de con- duta que deverão ser postas em prática no exercício de qualquer pro� ssão. Seria a ação “regula- dora” da ética agindo no desempenho das pro� ssões, fazendo com que o pro� ssional respeite seu semelhante quando no exercício da sua pro� ssão. Figura 13 - Cadernos CREA-PR, caderno 1, 6ª. ed. 2016. Fonte: CREA (2016). A ética pro� ssional estuda e regulamenta o relacionamento do pro� ssional com sua clien- tela e com outros pro� ssionais da área e de outras áreas envolvidas, visando a dignidade humana e a construção do bem-estar no contexto sociocultural onde se exerce sua pro� ssão. Ela atinge todas as pro� ssões e, quando falamos de ética pro� ssional, estamos nos refe- rindo ao caráter normativo e até jurídico que regulamenta determinada pro� ssão a partir de es- tatutos e códigos especí� cos. Assim temos a ética médica, do advogado, do biólogo, etc. Acontece que, em geral, as pro� ssões apresentam a ética � rmada em questões muito relevantes que ultra- passam o campo pro� ssional em si. Questões como o aborto, pena de morte, sequestros, eutaná- sia, AIDS, por exemplo, são questões morais que se apresentam como problemas éticos - porque pedem uma re� exão profunda - e, um pro� ssional, ao se debruçar sobre elas, não o faz apenas como tal, mas como um pensador, um “� lósofo da ciência”, ou seja, da pro� ssão que exerce. Desta forma, a re� exão ética entra na moralidade de qualquer atividade pro� ssional humana. Sendo a ética inerente à vida humana, sua importância é bastante evidenciada na vida pro� ssional, porque cada pro� ssional tem responsabilidades individuais e responsabilidades so- ciais, pois envolvem pessoas que dela se bene� ciam. A ética é ainda indispensável ao pro� ssional porque, na ação humana, “o fazer” e “o agir” estão interligados. O fazer diz respeito à competên- cia, à e� ciência que todo pro� ssional deve possuir para exercer bem a sua pro� ssão. O agir se refere à conduta do pro� ssional, ao conjunto de atitudes que deve assumir no desempenho de sua pro� ssão (BAZZO, 2006). CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL CREA/CONFEA Cabe sempre, quando se fala em virtudes pro� ssionais, mencionarmos a existência dos códigos de ética pro� ssional. As relações de valor que existem entre o ideal moral traçado e os diversos campos da conduta humana podem ser reunidos em um instrumento regulador. É uma espécie de contrato de classe e os órgãos de � scalização do exercício da pro� ssão passam a controlar a execução de tal peça magna. Tudo deriva, portanto, de critérios de condutas de um indivíduo perante seu grupo e o todo social. Tem como base as virtudes que devem ser exigíveis e respeitadas no exercício da pro� ssão, abrangendo o relacionamento com usuários, colegas de pro� ssão, classe e sociedade (CREA-PR, 2016). 40WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA O interesse no cumprimento do aludido código passa, dessa forma, a ser de todos. O exercício de uma virtude obrigatória torna-se exigível de cada pro� ssional, como se uma lei fos- se, mas com proveito geral. Cria-se a necessidade de uma mentalidade ética e de uma educação pertinente que conduza à vontade de agir, de acordo com o estabelecido. Essa disciplina da ati- vidade é antiga, já encontrada nas provas históricas mais remotas, e é uma tendência natural na vida das comunidades. É inequívoco que o ser tenha sua individualidade, sua forma de realizar seu trabalho, mas também o é que uma norma comportamental deva regera prática pro� ssional no que concerne a sua conduta, em relação a seus semelhantes. Em toda comunidade existem alguns indivíduos que transgridam a prática das virtudes; seria utópico admitir uniformidade de conduta. A disciplina, entretanto, através de um contrato de atitudes, de deveres, de estados de consciência, e que deve formar um código de ética, tem sido a solução, notadamente nas classes pro� ssionais que são egressas de cursos universitários (contadores, médicos, advogados, etc.). Uma ordem deve existir para que se consiga eliminar con� itos e especialmente evitar que se ma- cule o bom nome e o conceito social de uma categoria. Se muitos exercem a mesma pro� ssão, é preciso que uma disciplina de conduta ocorra (CREA-PR, 2016). TEORIAS ÉTICAS - RESOLVENDO CONFLITOS Desde a Grécia Antiga, diversas teorias têm sido formuladas para explicar o comporta- mento ético do ser humano. São formulações que surgem em diversas épocas e sociedades como respostas aos problemas trazidos pelo comportamento das pessoas. Seu estudo aprofundado é uma tarefa que exige um grau de aprofundamento que foge aos objetivos desta aula. Porém, de forma simpli� cada e didática, é possível dividi-las, em função de suas motivações básicas, em: ética das virtudes, ética religiosa, ética do dever, � nalismo e utilitarismo. Em Ética das Virtudes signi� ca uma qualidade positiva de um indivíduo que o motiva a agir de forma a fazer o bem para si e para os outros. As virtudes são então atributos ou qualida- des que o ser humano deve cultivar para chegar a ser feliz. (ARISTÓTELES, 1992, p. 19-20). A coragem, a justiça, a prudência e a temperança são exemplos das virtudes aristotélicas. Deriva-se daí a importância da promoção de hábitos sociais através dos quais se desenvolva nas pessoas um modo de ser maduro e que se convertam na fonte principal de seu agir moral. Aristóteles dividiu as virtudes em éticas (morais, as quais se chega pelo exercício contínuo do hábito, e dianoéticas (não morais/intelectuais) as quais são conquistadas pelo ensinamento. Entre as primeiras, estariam a justiça, a temperança, a honestidade, a lealdade, e a � delidade e, no segundo grupo, encontra-se a coragem, a sapiência e a prudência. Os dois grupos se apoiam ao mesmo tempo. A coragem, por exemplo, é uma virtude dianoética necessária para que alguém exija publicamente que se faça justiça que é uma virtude ética. Já a Ética Religiosa é delimitada por parâmetros, princípios e regras, obviamente, religio- sos: os mandamentos de Deus têm o caráter de imperativos supremos. Na concepção cristã, o ato de matar ou roubar, por exemplo, não se justi� cariam, pois seriam contrários aos mandamentos bíblicos universais que devem ser obedecidos. A ética cristã é um bom exemplo do que seria uma ética religiosa, visto que apregoa a obediência aos deveres religiosos. Em Ética do Dever, temos as ações centradas na razão humana e não mais na religião. Esse sistema foi pensado por Kant (1724-1804). Para este � lósofo, o dever nasce do reconheci- mento por parte do ser humano, um ser racional, por meio do uso da sua razão, da necessidade obrigatória de obedecer às regras ou “imperativos categóricos”. 41WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA A primeira delas é a necessidade imperativa, da qual nenhum homem pode escapar, de respeitar todos os seres racionais na qualidade de � ns em si mesmos. A segunda regra seria a obrigação de “agir apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal” (KANT, 1984, p. 135). O ato de matar, por exemplo, deve ser evitado, pois, além de ir contra a dignidade da pessoa humana, que deve ser respeitada sempre como um � m (primeiro imperativo categórico), também não pode ser universalizado (segundo imperativo), pois, se todos podem matar indiscriminadamente, não há como garantir o direito à vida de quem quer que seja. Logo, “não matar” deve ser assumido como regra universal. No Utilitarismo clássico, que teve como principais mentores Jeremy Bentham (1748- 1832) e John Stuart Mill (1806-1873), mencionara-se as ações que seguem o princípio do útil ao bom. Para eles, o objetivo da ética é o de proporcionar o máximo de felicidade ao maior número de pessoas. Esse seria o princípio da “maior felicidade” ou “maior utilidade”. A felicidade residiria na busca do máximo prazer e do mínimo de dor. O Bem consiste na maior felicidade e as ações positivas são aquelas que a produzem. O Utilitarismo vê o bom como aquilo que é útil para a maioria, tornando-se assim uma espécie de altruísmo ético, sempre admitindo a possibilidade do sacrifício individual a favor da coletividade. Deve-se ter em conta que, se as consequências de um ato podem ser tantos positivas quanto negativas, a escolha moral será sempre por aquela opção que cause maior bem e prejudique menos os envolvidos, numa espécie de matemática ou cálculo moral (HOLTZAPPLE; REECE, 2006). Cada sistema ético tem seus prós e contras. As éticas que enfatizam normas e deveres estabelecidos a priori, as chamadas éticas deontológicas (do grego deon = dever), além de não estarem bem equipadas para lidar com as exceções, também, pela sua rigidez, podem conduzir ao fanatismo. A ética religiosa e a ética do dever, exemplos de ética deontológicas – quando seguidas cegamente podem trazer efeitos colaterais desastrosos (HOLTZAPPLE; REECE, 2006). Abaixo, elencamos algumas áreas de preocupação e que nos deparamos no nosso dia, quando do exercício da nossa pro� ssão, na escola, no nosso lar, etc.: Áreas De Preocupação Da Ética Fonte: Por Carole Bennet, Ética Pro� ssional, São Paulo: Cengage Learning, 2008. p. 4-5, com adaptações do autor. Con� ito de interesses: existe quando um indivíduo tem que escolher se atende a seus interesses pessoais, aos da empresa ou aos de algum outro grupo. Qual deles merece prioridade? Honestidade e justiça: honestidade refere-se à veracidade, integridade e probidade. Jus- tiça é a qualidade de ser justo, equitativo e imparcial. Comunicação: refere-se à transmissão de informações e à partilha de signi� cado. As co- municações que são falsas ou enganosas podem destruir a con� ança que as pessoas (colaborado- res, usuários, comunidade, etc.) têm na organização. Mentir envolve um grande dilema ético. Relacionamentos organizacionais: envolvem o comportamento dos funcionários de uma empresa dispensado aos usuários, fornecedores, subordinados, superiores e outros colegas. Uma questão ética ligada aos relacionamentos é o plágio – copiar o trabalho de alguém e apre- sentá-lo como se fosse seu sem dar o devido crédito ou compensação ao autor. Para encerrar essa parte da nossa unidade relacionada às decisões éticas, vale a pena men- cionar um já tradicional “teste de ética” em forma de � uxograma e adaptado para ser utilizado em várias empresas. São três perguntas que, diante de uma situação difícil, o indivíduo pode fazer para ele mesmo para decidir se deve ou não agir. 42WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 14 – Teste de ética. Fonte: adaptado de Blanchand e Peale (1996, p. 29). INTRODUÇÃO AO PROJETO Quanto aos projetos de uma empresa, em um mercado cada vez mais globalizado e com- petitivo, que tem levado as organizações a viverem permanente estado de mudança, temos pre- senciado nos últimos anos, especialmente no Brasil, uma busca incessante das empresas no uso de melhores práticas de gerenciamento de projetos. Um projeto é uma sequência bem-de� nida de eventos com um início e um � m, que é conduzido por pessoas dentro de parâmetros pré-estabelecidos, como tempo, custos, recursos e qualidade e que se destina a atingir um objetivo claro. Um projeto é algo especi� co e não rotinei- ro e requer um planejamento de acordo com a sua complexidade: quanto mais difícil o projeto, maior deve ser o planejamento. A possibilidade de criar algo a partir dozero torna o projeto um dos mais excitantes aspectos da engenharia (HOLTZAPPLE; REECE, 2006, p.83). De maneira geral, os projetos são idealizados para a solução de problemas e a falha em de- � ni-los adequadamente é o que, algumas vezes, nos leva até os problemas. Um objetivo desejado não é um problema em si. A essência de um problema é que existe um obstáculo que impede o sujeito de atingir seu objetivo diretamente. Resolver problemas consiste em encontrar maneiras de superar ou desviar-se de obstáculos. No aspecto pro� ssional, um novo projeto é um meio de melhorar as habilidades dos par- ticipantes e desa� á-los a produzir projetos mais consistentes com a � nalidade proposta. Em um ambiente competitivo como o empresarial, torna-se essencial reagir com rapidez e � exibilidade às demandas dos clientes. IDENTIFICAR A NECESSIDADE E DEFINIR O PROBLEMA Para obter êxito, um projeto deve possuir metas bem de� nidas que precisam ser aceitas por toda a equipe envolvida. A � nalidade ou objetivo do projeto deve manter-se permanente- mente coerente com as proposições iniciais (ALDABÓ, 2006). A Figura 15 mostra este contexto: 43WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 15 – Lidando com projetos. Fonte: Google Images (2017). Independentemente do local em que o Engenheiro ocupa ou do tipo do projeto a ser exe- cutado, o trabalho do engenheiro inicia quando uma necessidade é identi� cada (HOLTZAPPLE; REECE, 2006, p.83). Os objetivos devem ser priorizados em função da sua real importância para a empresa ou para as necessidades da sociedade. As metas principais podem ser identi� cadas mais facilmente se outras pessoas forem ouvidas, inclusive os consumidores, ou seja, metas bem de� nidas e adequadas são fatores de entusiasmo e motivação para a equipe. Quando o engenhei- ro estiver prestes a iniciar um projeto, seja ele um projeto para uma determinada empresa, ou um projeto de uma edi� cação ou um projeto de uma determinada planta de fábrica que irá produzir determinado produto do segmento de uma marca, é muito interessante que seja o mais especí� co possível, de� nindo sua extensão, pessoas ou grupos afetados ao cronograma. SEQUÊNCIA DE AVALIAÇÃO E DEFINIÇÃO DE UM PROJETO Material elaborado por: Ricardo Aldabó. Livro: Gerenciamento de Projetos: Procedi- mento básico e etapas essenciais. 2. ed. São Paulo: Artliber Ltda, 2006. p. 32. Com adaptações introduzidas por Lourival Domingos Zamuner, autor dessa apostila. • Complexidade do projeto: veri� que se o seu projeto é complexo e se requer muito planejamento, sem esquecer que um projeto é composto por Engenheiros, Arquitetos, etc., que requer novos procedimentos e tecnologias existentes no mercado e necessitará, sem dúvida, de rigorosos controles de custos devido as suas múltiplas etapas de execução. • Custos e prazos do projeto: quais são os parâmetros ou restrições que precisam ser elencados e trabalhados para o sucesso do projeto. Identi� car os custos, prazos, restrições de tempo para entrega de materiais novos ou com tecnologia agregada. • Objetivo do Projeto: certi� que-se sempre que o seu objetivo proposto terá um alcance e com quantas e quais pessoas serão afetadas por este projeto e o seu cronograma de execução. No ambiente empresarial que convivemos hoje, permanentemente sujeito a mudanças tecnológicas, ambientais e de estratégias, a capacidade de um Engenheiro de pensar a frente pode fazer toda a diferença entre atingir ou não os objetivos de um projeto. Por isso, o mesmo deve ser capaz de sofrer alterações de um modo rápido e � exível. 44WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Desta forma, o sucesso de um projeto depende dos principais fatores abaixo elencados e o resultado obtido quando falta um deles (ALDABÓ, p. 33, 2006): ✓ Podemos a� rmar que o sucesso de um projeto é o resultado da soma de: Planejamento, conhecimento, estrutura, recursos e estratégia; ✓ Quando se falta Planejamento o resultado é a Confusão; ✓ A ansiedade é o que se obtém quando não há o fator Estrutura; ✓ Quando não há recursos, principalmente o � nanceiro e o humano, o que se obtém é a Frustação de não ver o projeto executado; ✓ Múltiplos Obstáculos aparecem e são enfrentados quando não se utiliza o fator Estra- tégia. MONTAR A EQUIPE DE PROJETO Na maioria das organizações conhecidas, pessoas são designadas para fazer parte da equipe de projetos porque estão disponíveis, mas não necessariamente porque elas sejam opções adequadas ao projeto. Possivelmente por serem as únicas disponíveis, elas serão indicadas. Nor- malmente, os mesmos pro� ssionais são usados em todos os projetos, ou seja, quem estiver dis- ponível será disponibilizado. Retirar uma pessoa de um projeto e alocá-la em um outro projeto vai prejudicar o primeiro. No entanto, designar pessoa errada para um projeto só porque ela está disponível faz menos sentido ainda (ALDABÓ, p. 33, 2006). Há que se pensar seriamente sobre o assunto ao designar um pro� ssional de uma empresa para compor certa equipe de projeto. Atualmente, as empresas estão trabalhando com equipes enxutas de recursos humanos e técnica e, mesmo dessa maneira, os pro� ssionais tentam fazer o trabalho tão bem como faziam antes, ou seja, há equipes subdimensionadas, e isso serve como explicação para observarmos projetos fracassados, com prazos e orçamentos sempre prorrogados e, principalmente, com pro- blemas de qualidade de� ciente em termos de desempenho. De acordo com Holtzapple e Reece (2006, p. 86), “devido à complexidade dos modernos projetos de engenharia, raramente um projeto é feito por um único indivíduo; ao contrário, o projeto é feito por equipes de indivíduos que têm aptidões complementares”. Dessa forma, cada membro da equipe formada para desenvolver determinado projeto deve ser capaz de reconhecer a contribuição de cada colega para o projeto e, se cada um entender os papéis que os demais re- presentam, não haverá razão para con� ito e incerteza. IDENTIFICAR LIMITAÇÕES E CRITÉRIOS DE SUCESSO Ainda de acordo com Holtzapple e Reece (2006, p. 86): “todo projeto tem limitações ou restrições, pois os recursos � nanceiros nunca são in� nitos”. Todo projeto tem sua limitação, quer seja de ordem técnica, quer seja de ordem � nanceira, e, assim, é conveniente identi� car logo no início essas limitações e inclui-las no planejamento. Por isso, antes de iniciar um projeto, é preci- so que o engenheiro se assegure de que ele tem boas chances de sucesso, além de certi� car-se de que ele estará sendo feito no momento apropriado, que é viável e que possui uma boa relação de custo/benefício. Somente após conferir tudo isso, desencadeie o processo de formação do proces- so. Algumas fontes de limitações podem ser sugeridas: 45WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA • Orçamento ou Cálculo dos Custos – o peso � nanceiro dos recursos pode ser calculado por dois meios: custo absoluto ou custo marginal. O primeiro permite calcular o custo exato do recurso considerado e o segundo aloca custos ao projeto se eles não fossem ocorrer (como se o projeto não fosse realizado). • Tempo – cada projeto resulta em um produto único, que utiliza uma combinação di- ferente de tarefas. Quanto mais único for, mais difícil � ca de estimar o tempo de conclusão de um projeto. Alguns projetos devem ser concluídos rapidamente, pois a necessidade é urgente (HOLTZAPPLE; REECE, 2006, p. 86). • Pessoal – o sucesso ou o fracasso de um projeto depende da capacidade e do empenho da equipe. Desta forma, a aptidão do gerente para motivar e administrar pessoas é fundamental. O gerente tem a responsabilidade de criar a melhor equipe possível, conduzi-la rumo ao objetivo e garantir que os membros da equipe se bene� ciem da experiência um do outro. • Leis – antes de iniciar qualquer projeto de engenharia, sejam eles de qualquerproce- dência, de mecânica, elétrica ou civil, o engenheiro deve se certi� car da existência de leis que poderão ser restritivas para a execução do mesmo nas mais diferentes áreas de responsabilidade. • Propriedades de materiais e disponibilidade – os engenheiros sempre foram limitados pelas propriedades de materiais. Na engenharia mecânica, é de conhecimento notório que a e� - ciência dos motores aumenta à medida que temperaturas mais altas são usadas (HOLTZAPPLE, REECE, 2006, p. 86). Na engenharia civil, por exemplo, em resistência de materiais, quando da junção de materiais heterogêneos como o cimento, a areia, e o aço, forma-se o concreto armado, sabe-se que é preciso haver o cuidado para se juntar essas partes para não levar as estruturas de concreto armado à ruína pelo mau uso dos mesmos. Na engenharia elétrica, outro exemplo, exis- te o uso de cabos em alumínio substituindo os de cobre, visto que sabemos que os primeiros são maus condutores de energia. • Competição – é salutar a competição entre os pro� ssionais da mesma equipe na solução dos problemas que porventura surgem. Essa competição, com certeza, trará ao grupo o fortaleci- mento da equipe e novas ideias para o projeto. • Viabilidade de fabricação – na vida pro� ssional dos engenheiros, é comum falarmos que o engenheiro sabe produzir, mas, às vezes, não sabem vender porque podem perder o foco inicial do projeto. Então, a pergunta que se faz: é viável sair produzindo qualquer coisa para ver se dará no futuro. A resposta será: NÃO! Há que se avaliar a viabilidade desse projeto, se haverá disponi- bilidade para o mesmo no mercado, se haverá compradores, se é o que compradores querem para o seu uso, dentre várias outras alternativas. Ao ver que essas limitações do projeto foram identi� cadas, determina-se o critério de sucesso desse empreendimento, podemos citar alguns: ◆ Estética, Desempenho e Qualidade – Os engenheiros mecânicos desenvolvem um carro que será destinado ao mercado consumidor. Poderá esse veículo ser de uma marca consagrada no mercado, ser potente, baixo consumo de combustível e resistente, mas se não cair ao gosto do cliente não venderá; 46WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA ◆ Produtos para uso de humanos – como a maioria dos produtos é projetado e constru- ídos para uso de humanos, os produtos de sucesso devem ser projetados tendo em vista os usu- ários humanos (HOLTZAPPLE; REECE, 2006, p. 87). Nos projetos elétricos de uma edi� cação, por exemplo, é buscar soluções inovadoras existentes no mercado para facilitar a vida dos usuá- rios, como equipamentos e lâmpadas que consomem pouca energia; edi� cações inteligentes que têm seu controle total por meio de smartphone, como acender e apagar lâmpadas, ligar TV, abrir e fechar janelas, e uma enorme gama de serviços que esse pro� ssional poderá introduzir nesta edi� cação. ◆ Custo – “um produto que seja esteticamente agradável, de alta qualidade e de uso sim- ples ainda pode fracassar no mercado se for muito caro” (HOLTZAPPLE, REECE, 2006, pg. 87). Nesse caso, podemos considerar o custo de capital inicial que será o preço de compra do produto e o custo do ciclo da vida que se considera o tempo que este produto estará disponível no mercado; a sua manutenção, operação e seguro. Há que se considerar o custo de investimento para determinado tempo de retorno deste produto. Muitos outros objetivos deverão ser considerados tão importantes quantos os já descritos, tais como: segurança, ambiente de operação, interface com outros sistemas, logística, con� abili- dade, viabilidade de manutenção, facilidade de consertos e disponibilidade no mercado. BUSCAR SOLUÇÕES Segundo Holtzapple e Reece (2006, p. 88), “a busca de soluções exige que os engenheiros gerem ideias que solucionem os problemas de projeto. A geração de ideias é, inerentemente, um processo criativo que não pode ser completado simplesmente seguindo um algoritmo prescrito”. Para ajudar a encontrar soluções de projeto, deve-se colocar em um ambiente físico que estimule a criatividade e esse ambiente físico difere de pessoa para pessoa. Embora um indivíduo possa, certamente, ter ideias criativas, trabalhar com outros pode ajudar em muito. A interação estimula ideias que a pessoa, sozinha não teria. Existem muitas técnicas que foram desenvolvidas para auxiliar as pessoas a trabalharem juntas, por exemplo: a) Brainstorming; b) Técnica do Grupo Nominal; c) Técnica Delphi. É sabido entre os engenheiros que o chão de fábrica de uma determinada indústria, ou canteiro de obras de uma determinada empresa de engenharia de construção ou de elétrica, po- dem sair muitas vezes ideias geniais que podem vir a facilitar o dia dos empregados ou até a mo- di� car certos processos de fabricação de peças industriais, como temos muitos exemplos neste sentido. A Figura 16 abaixo mostra o sentido que queremos dizer quando falamos “chão de fábri- ca”, ou seja, o local onde trabalhadores realmente desenvolvem as suas atividades, de acordo com projeto executado para determinado serviço. 47WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 16 - “Chão de fábrica”. Fonte: Google Images (2017). ESTUDO DE VIABILIDADE O estudo de viabilidade visa eliminar ideias rapidamente, sem consumir muito tempo do engenheiro. O propósito do estudo de viabilidade é fazer um levantamento “rápido e grosseiro” para determinar se valia a pena empenhar mais esforço. Se a resposta for positiva, os engenheiros, então, se dedicam a um projeto preliminar mais detalhado que o estudo de viabilidade. PROJETO PRELIMINAR E PROJETO DETALHADO A elaboração e análise de projetos é estudo obrigatório nos cursos de engenharias, eco- nomia, administração, ciências contábeis, gestão da informação, entre outros, e um tema com que se defrontam os dirigentes e gestores das empresas, sobretudo em relação a uma tomada de decisão. De forma resumida, podemos identi� car as fases de um projeto, como mostra a � gura 17: Figura 17- Identi� cação das fases de um projeto. Fonte: Aldabó (2006, p. 39). Desta forma, Holtzapple e Reece (2006, p. 93) nos ensinam que quando um projeto pas- sou pela fase de projeto preliminar, pode ser levado à fase de projeto detalhado. Nesse caso, o projeto detalhado envolve uma grande equipe que trabalha na solução que emergiu da fase do projeto preliminar. É conveniente também analisarmos o que signi� ca Projeto Básico ou Detalhado sob a luz da Lei 8.666/93 que é a Lei das Licitações no Brasil. Diz assim: 48WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA O conjunto de elementos necessários e su� cientes, com nível de precisão ade- quado, para caracterizar a obra ou serviço, ou complexo de obras ou serviços objeto da licitação, elaborado com base nas indicações dos estudos técnicos preliminares, que assegurem a viabilidade técnica e o adequado tratamento do impacto ambiental do empreendimento, e que possibilite a avaliação do custo da obra e a de� nição dos métodos e do prazo de execução. CONSTRUIR A SOLUÇÃO Construir a solução nada mais é do que alavancar recursos � nanceiros disponíveis e � - nalizar o projeto. Se for algum projeto relacionado a engenharia mecânica, será elaborado um protótipo e testado. Se for bem-sucedido este teste, será construído uma linha de produção para a construção e venda do produto ao consumidor. Pessoal técnico especializado como também os fornecedores serão convidados e será montada uma estratégia de vendas para chegar até aos pontos de vendas mais distantes da fonte de fabricação. RESUMO De acordo com Holtzapple e Reece (2006, p. 104) o engenheiro é uma pessoa que aplica ciência, matemática e economia para atender às necessidades da humanidade: ele atende a tais necessidades implementando o método de projeto de engenharia para projetar novos produtos, serviços, edi� caçõesou processos. Ainda, o método de projeto de engenharia envolve a síntese de novas tecnologias, análise de seu desempenho, comunicação dentro da equipe de engenharia e com a gerência e implementação da nova tecnologia, e este envolve a concepção de novas tec- nologias para atender as necessidades humanas e trazer o produto ao mercado. De certa forma, o projeto é o coração da engenharia. Executar um projeto de engenharia é uma tarefa múltipla, que pode durar até anos de- pendendo da complexidade e do tamanho do empreendimento. Cada etapa exige atividades, ma- teriais e competências diferentes, e só um engenheiro capacitado sabe o que fazer em cada uma delas. Finalmente, listamos alguns itens que um engenheiro deve fazer ao executar qualquer serviço de engenharia, seja ele de qualquer especialidade: 1. Analisar planos de longo alcance, relatórios de levantamento, mapas e outros dados para planejar a execução do projeto; 2. Considerar custos de construção, regulamentações governamentais, potenciais riscos ambientais e outros fatores no planejamento das etapas e análise de risco do projeto; 3. Compilar e enviar pedidos de licenças a agências locais, estaduais e federais, garantindo que as obras estejam em conformidade com as leis; 4. Realizar ou supervisionar testes de solo, para determinar a adequação e força das fun- dações; 49WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA 5. Testar materiais de construção – como concreto, aço ou madeira – para uso em proje- tos especí� cos; 6. Fornecer estimativas de custos de materiais, equipamentos ou mão de obra para deter- minar a viabilidade econômica de um projeto; 7. Realizar ou supervisionar operações de levantamento, a � m de estabelecer pontos de referência, graus e elevações para orientar os serviços; 8. Gerenciar o orçamento com base também nos imprevistos, e fazer com que o mesmo seja seguido durante o percurso da execução dos serviços; 9. Implantar tecnologias que facilitem a gestão de materiais, tarefas e do trabalho dos colegas de equipe; 10. Checar a qualidade construtiva do projeto executado; 11. Garantir que a expectativa do cliente, o projeto inicial e o projeto entregue sejam com- patíveis. Figura 18 - O futuro está aqui. Fonte: Net� ix (2017). Atualmente, há so� ware disponível para quase todas as tarefas de engenharias e é quase inimaginável trabalhar sem eles na vida pro� ssional. Assim, parte do aprendizado que temos que adquirir durante a graduação é justamente nos principais programas das áreas de interesse. Serão apresentados alguns dos programas voltados à área de projetos que devemos pro- curar aprender e, se possível, dominar durante a graduação. Seu estudo oportuno, paralelo ao aprendizado das disciplinas, irá auxiliar no processo de formação e trazer experiência prática através da simulação de exemplos que são adotados em sala de aula. O ideal é que você faça esse aprendizado de acordo com o estágio de desenvolvimento de seu curso e, por esta razão, procure relacionar o período do curso ao so� ware correspondente. 50WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Programas para desenho 2D e 3D. Procure aprender e tomar contato, inicial- mente, com o AutoCAD. https://www.youtube.com/watch?v=CzoWEUD1Wzc. https://www.youtube.com/watch?v=vjKaWlEvyvU EDUCAÇÃO, CONVENIÊNCIA E ÉTICA audácia e esperança! Autor: Mário Sergio Cortella. Editora: Cortez Editora, setembro de 2015. 112 pg. UNIDADE 51WWW.UNINGA.BR ENSINO A DISTÂNCIA SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................................... 53 SUSTENTABILIDADE ............................................................................................................................................... 54 VISÃO PANORÂMICA ............................................................................................................................................... 54 ÁGUA ......................................................................................................................................................................... 55 ENERGIA ................................................................................................................................................................... 56 MEIO AMBIENTE, INFRAESTRUTURA E DESENVOLVIMENTO URBANO ........................................................... 58 MUDANÇAS CLIMÁTICAS ....................................................................................................................................... 59 RESÍDUOS SÓLIDOS ................................................................................................................................................ 59 SUSTENTABILIDADE E ATIVIDADES PRÁTICAS PROF. ME. LOURIVAL ZAMUNER 04 52WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA O QUE PODEMIOS FAZER? ..................................................................................................................................... 60 O PROJETO E SUA VIABILIZAÇÃO ........................................................................................................................... 61 ESCALAS DOS PROJETOS ....................................................................................................................................... 62 COTAS NUM PROJETO DE ENGENHARIA .............................................................................................................. 63 REGRAS BÁSICAS AO COTAR UM DESENHO ........................................................................................................ 63 TRAÇOS .................................................................................................................................................................... 64 PLANTAS .................................................................................................................................................................. 64 CORTES .................................................................................................................................................................... 64 COMUNICAÇÃO ....................................................................................................................................................... 65 SISTEMAS DE CONVERSÃO DE UNIDADES .......................................................................................................... 66 53WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO Tópicos a serem abordados: De� nições e Visão Panorâmica: Água, energia, meio am- biente, mudanças climáticas e resíduos sólidos, O projeto e sua viabilização. A Comunicação Sistemas de conversão de unidades. Nesta unidade iremos conceituar o que é SUSTENTABILIDADE e as ações que se re- lacionam com a sustentabilidade. Desta forma, a engenharia englobou, há anos, o papel que a sustentabilidade tem por desa� o na engenharia no Brasil. Os setores que a compõem estão dan- do um destaque expressivo e tendo consciência do papel que a engenharia nacional representa dentro de uma ideia de diminuição das alterações climáticas e do desejo de realizar medidas que visam a melhoria das condições ambientais e da vida da população. Inclui-se, nestes estudos, os de avaliação dos impactos ambientais positivos e negativos gerados pelos setores da indústria, tanto da engenharia civil (hidroelétricas, reservatórios e lagos, etc.) como pela metalmecânica, e o que podemos dizer da indústria do garimpo, que provoca assoreamento em rios e lagos, ou seja, pela engenharia de uma forma global, como também pelo mercado consumidor sobre o meio ambiente, os consumidores de uma forma geral e a economia. 54WWW.UNINGA.BRIN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA SUSTENTABILIDADE “Sustentabilidade é um termo usado para de� nir ações e atividades humanas que visam suprir as necessidades atuais dos seres humanos, sem comprometer o futuro das próximas gera- ções” (DIAS, 2009). Ou seja, a sustentabilidade está diretamente relacionada ao desenvolvimento econômico e material sem agredir o meio ambiente, usando os recursos naturais de forma inte- ligente para que eles se mantenham no futuro. Seguindo estes parâmetros, a humanidade pode garantir o desenvolvimento sustentável. VISÃO PANORÂMICA “O desenvolvimento de nossa sociedade urbana e industrial, por não conhecer limites, ocorreu de forma desordenada, sem planejamento, à custa de níveis crescentes de poluição e degradação ambiental” (BRAGA et. al., 2005, p. 216). Esses níveis de degradação iniciaram por causar os impactos negativos signi� cantes, advindos do aumento considerável do consumo da população. Estudos dizem que, mesmo com a crise existente no país, existem milhões de brasi- leiros com renda possível de obter a sua casa própria. Com o atendimento pela indústria dessa demanda econômica estocada apenas com a tecnologia existente hoje no país, de bens, produtos e serviços a disposição das construtoras, teremos uma grande possibilidade de adiarmos e com- prometer o desenvolvimento sustentável do país em prazos médio e longo. Neste contexto, abre-se espaço para os jovens estudantes de engenharia, no que diz res- peito a inovação e criatividade no sentido de atuar com protagonismo para absorver esses novos consumidores com sustentabilidade. Atualmente, uma grande parcela da população brasileira vive e trabalha nas regiões urbanas do país, sendo que uma parcela razoável destes estão distri- buídos pelas cinco maiores regiões metropolitanas. Na infraestrutura, enfrentamos graves pro- blemas devido aos poucos investimentos do poder público e que impactam substancialmente a qualidade de vida da população, tornando, sem sombra de dúvida, a nossa economia menos competitiva no que diz respeito a produção de bens materiais serviços, inclusive no quesito de inovação. Sem dúvida alguma, a Engenharia e seus ramos empregam, em épocas normais, muitas pessoas, e desta forma, gera empregos formais e informais. Por cadeia de construção, entende-se todo o processo que se inicia na retirada de matérias-primas, passando pela fabricação de mate- riais nas distintas suas fases, pela comercialização, por projeto e planejamento e � nanciamento e chegando na outra ponta, na atividade da construção, envolvendo aqui todos os ramos da enge- nharia, seja ela mecânica, elétrica, civil, produção, etc. Segundo a CBIC (2014), Com o aumento do crescimento, da urbanização, da diminuição dos recursos naturais disponíveis e mudanças climáticas levam o aparecimento surgimento de outra economia, a transformação de bens e que representa grandes opor- tunidades para amplo espectro dos setores de base da cadeia de produção da produção da engenharia. 55WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Os desa� os que a sociedade brasileira enfrenta atualmente sobre mobilidade, susten- tabilidade e infraestrutura precisam serem passadas pelas áreas de saúde, educação e ao meio ambiente. Vamos focar esse nosso estudo na Sustentabilidade nas áreas voltadas a Engenharia visando o amadurecimento entre os níveis da cadeia de produção da engenharia para termos a promoção do desenvolvimento harmônico, responsável e integrado, com diretivas, propostas e ações para os assuntos a serem abordados logo adiante tendo em vista da importância do tema nas relações entre as engenharias. Sabemos que, para a Engenharia alcançar um estágio susten- tável na sua cadeia construtiva, é necessário adotar práticas universalizadas e atuantes dentro de pontos estratégicos: trabalhar com as políticas dos setores envolvidos e públicas e com inovação à legislação; ao poder de compra do Estado; conceber projetos pensando sempre com inovação tecnológica e na gestão de pessoas e processos. A seguir, serão abordados os 5 temas que entendemos serem atuais e considerados prio- ritários. Apesar de serem distintos entre si, não é possível ignorar os temas são interdisciplinares, e a nossa intenção é focar os nossos estudos nas Construções Sustentáveis, por entendermos que envolvem basicamente todos os ramos da Engenharia. ÁGUA De acordo com o melhoramento na gestão de recursos hídricos, as formas para com- bater os desperdícios e melhorar o uso racional da água no Brasil são ponto primordial para o desenvolvimento de uma cadeia produtiva sustentável na engenharia. Dados de 2015 da ANA/ Agência Nacional de águas mostraram que, na época, 55% dos municípios brasileiros poderiam ter dé� ct no abastecimento de água. Para minimizar essa questão de saneamento, o país precisar investir fortemente em infraestrutura com prioridade para obras estruturais e não estruturais nos mananciais de superfície e na melhoria de coleta de tratamento de esgotos, com o propósito de proteger as fontes e locais de abastecimento (rios e lagos). De acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS, 2017) do Ministério das Cidades, “mais de um terço da água retirada da natureza pelas empresas de abas- tecimento é perdido durante o processo de tratamento e distribuição”, e ainda, de acordo com o próprio SNIS, o consumo médio de água no Brasil é de 180 litros/habitante/dia, sendo que em regiões de maior renda este consumo pode aumentar. Ainda de acordo com esse Instituto, apenas 50,6% da população urbana brasileira é atendida por esgotos sanitários, e somente 34,6% do es- goto sanitário gerado recebe tratamento. Muitos dejetos (sejam eles de origem industrial ou agrí- cola) são lançados nos rios e reservatórios ou ainda no solo, o que gera poluição/contaminação e pode veicular doenças, valendo também para boa parte das aguas contaminadas por processos industriais e atividades de irrigação. A Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei Federal nº 9.433/97), também conhecida como a “Lei das Águas” sancionada em 1997, foi robusta e su� ciente para promover os necessá- rios avanços nas relações de produção que usam da água como produto básico, e desta forma, ga- rante-se a integridade das bacias hidrográ� cas brasileiras. Entretanto, as partes envolvidas neste arranjo, ou seja, para que a introdução de legislação e seus instrumentos se façam valer e possam avançar, é necessário que a sociedade e o governo se comprometam para que haja disciplina- mento ao acesso a esse bem tão necessário para a população. Segundo o próprio SNIS, os níveis de desperdício atuais das empresas públicas chegam a média aproximada de 40% e chegando a patamares de até 55% em algumas localidades brasileiras, e isso é inaceitável e injusti� cável para que se possa oferecer a continuidade de oferecimento deste bem. 56WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 19 - São Félix do Xingu. Fonte: Google Imagens (2017). Desta forma, o uso desse bem (água) nos serviços de Engenharia deve envolver não só o comprometimento por parte dos órgãos públicos na divulgação e promoção da educação entre seus diversos setores como também buscar a gestão integrada (do manejo das águas até a drena- gem urbana, tanto na forma de microdrenagem como na macrodrenagem), até o gerenciamento equilibrado entre a oferta e a demanda e, o mais importante, deve-se incentivar a população à inovação tecnológica. Ainda, segundo o SNIS (2017), a SUSTENTABILIDADE desse insumo depende da diminuição do oferecimento desse produto em, pelo menos, três níveis: macro, com a exploração racional dos recursos hídricos; intermediário, com a gestão melhorada dos entes públicos; e por � m, a micro, que seria a melhora constante uso e do consumo de água nos edifí- cios residenciais e comerciais. Necessariamente,deve-se pensar nas edi� cações e o tripé da gestão e deve contemplar: o fornecimento de água potável, a geração e uso de águas pluviais e, ainda, o esgoto sanitário. Quanto ao consumo e economia de água pelas famílias, foi sancionada a Lei Federal Lei 13.312/2016 que obriga a instalação de medidores individuais de consumo de água nas edi� ca- ções, devendo serem instalados a partir de 2021. De acordo com esta lei, “os medidores indivi- duais trazem redução de água e garante mais justiça. Aquela pessoa que mora sozinha deixa de pagar a mesma conta de uma família com quatro ou cinco pessoas”. Haverá, então, uma redução consistente nos consumos de água potável das famílias que, além e haver ganho econômico, a afe- rição individual alimenta também um pensamento diferente nos hábitos das pessoas quando, a partir deste mecanismo de aferição, oferece ao usuário a possibilidade de conferir o seu consumo e introduzir, no seu ciclo de vida, métodos de economia deste bem. Finalizando, nós, engenheiros que somos chamados de “modi� cadores de espaço”, neces- sitamos buscar um melhor ordenamento do ambiente urbano primando pela qualidade de vida da população e trabalhar por uma cidade sustentável. Melhorar a mobilidade urbana, a poluição sonora e atmosférica, o descarte de resíduos sólidos orgânicos, e� ciência energética, economia de água, entre outros aspectos, contribuem para uma cidade tornar-se sustentável. ENERGIA A� rmamos, com certeza, que a e� ciência energética nas edi� cações, por exemplo, a im- plantação correta da edi� cação em função do posicionamento do norte verdadeiro é um dos indicadores de desempenho e um dos requisitos mais avaliados nas construções sustentáveis, tarefas essas que o Engenheiro Eletricista tem primordial importância. De acordo com o SNIS (2017), o consumo de energia elétrica nas residências brasileiras corresponde a 44% do consumo medido por fatura no país, divididos da seguinte maneira: 22% medidos nas instalações residen- ciais; 14% nas instalações comerciais e apenas 8% nas instalações públicas. 57WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Ousamos dizer o Brasil é um pais em franco desenvolvimento, passando por diversas crises econômicas, mas podemos a� rmar que a tendência é que esse consumo aumente. Nessa questão de sustentabilidade da energia, o país contabilizou enormes avanços para promover o desenvolvimento sustentável com a introdução nas edi� cações residenciais, nas instalações co- merciais e nos públicos da etiqueta nacional de conservação (INMETRO/PROCEL). Os produtos etiquetados que apresentam o melhor desempenho energético em sua cate- goria poderão também receber um selo de e� ciência energética. Isso signi� ca que estes produtos foram premiados como os melhores quando dizemos sobre consumo especí� co de energia e faz a distinção dos mesmos para o consumidor. Para os equipamentos elétricos domésticos etique- tados é concedido, anualmente, o Selo PROCEL e para aparelhos domésticos a gás é concedido o Selo CONPET. Figura 20 – Selos CONPET e PROCEL, do Inmetro (2017). Fonte: Inmetro (2017). O interessante nesta etiqueta é que o mesmo tem caráter, vamos dizer assim, voluntá- rio para essas edi� cações existentes, e para com as novas edi� cações será de forma obrigatória ainda em prazo a ser de� nido pelo Ministério das Minas e Energia. Objetiva-se com este siste- ma em criar condições para a introdução do nível de e� ciência energética nas edi� cações. Esse conceito vai de “A” (como sendo mais e� ciente) a “E” (sendo menos e� ciente) e é concedido em duas oportunidades: na fase inicial de projeto e após a � nalização da construção. Nas edi� cações comerciais, públicas e de serviços serão avaliados três sistemas: o externo da construção (como brises, arborização, calçadas, etc.); iluminação (LED, solar, etc.) e instalação de condicionamento de ar. Nas edi� cações residenciais serão avaliadas: a envoltória e a implantação de sistema de aquecimento de água, além dos normalmente encontrados em áreas comuns dos edifícios mul- tifamiliares, como a parte de iluminação, elevadores de carga e de pessoas, bombas centrífugas, entre outros. Não há necessidade de dizermos, então, o quanto é necessário a presença de ENGENHEI- ROS nos projetos bem racionalizados e com tecnologia atualizadas que antecedem uma determi- nada obra ou serviço. O conhecimento da legislação de uso obrigatório desta etiqueta para con- servação de energia em edi� cações e instalações, bem como o incentivo a introdução e, ainda, o monitoramento à sua implantação são metas primordiais nas construções sustentáveis, haja visto que envolvem todos os ramos da Engenharia. 58WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Nessas ações incluem até um projeto de proposta para que as novas construções, sejam elas de qualquer natureza, edi� cadas a partir de 2022 implantem ao conceito de consumo zero de energia ZEB (Zero Energy Buildings) nas edi� cações e que atendem e projetem uma e� ciência máxima do uso de energias, com geração local, por meio de fontes renováveis. Sabemos que é de difícil implementação, mas precisamos perseguir metas nesse sentido. Como exempli� cação, podemos calcular o consumo médio de energia (kwh) de um equi- pamento com seu hábito de uso. Então, procure a potência do aparelho no manual do fabricante podendo ser encontrado, inclusive no próprio aparelho. Na sequência, faça o cálculo da seguinte forma: Potência do equipamento (W) x Nº de horas utilizadas x Nº de dias de uso ao mês 1.000 Para achar o custo mensal em reais, multiplique o seu consumo médio em kwh pelo va- lor da tarifa cobrada pela concessionária local. Este valor é encontrado na conta que recebemos mensalmente em nossas residências (PROCELINFO, 2017). MEIO AMBIENTE, INFRAESTRUTURA E DESENVOLVI- MENTO URBANO Ainda, segundo o SBIC (2014), o que se espera com a implantação destas edi� cações sustentáveis é a criação de residências ou edi� cações projetadas de acordo com às necessidades de seus usuários, pensando em termos de presente e futuro. Dentre essas necessidades podemos exempli� car como sendo os espaços públicos, tais como: edi� cações, praças e parques bem pro- jetados; uso e� ciente e consciente dos recursos naturais disponíveis; na mobilidade também; e� - ciência energética; planejamento do e uso solo; conservação dos recursos hídricos; minimização de resíduos sólidos, dentre outros. Como nosso pensamento de urbanização é aquele determinado pelo setor imobiliário das grandes cidades, a tendência é que esse tipo de urbanização avance e mudanças substanciais devem ser implementadas pensando no enorme conjunto de ações sobre os espaços urbanos e que permitam melhorar as condições de infraestrutura das cidades, como a introdução ao forne- cimento de água potável, do esgotamento sanitário, mobilidades, dentre outros, que serão neces- sários para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. O crescimento não muito ordenado, o que ocorreu nas grandes cidades, resultou na im- plantação de assentamentos desprovidos de água potável, esgoto e águas pluviais, ocupando sem- pre as áreas vulneráveis, tais como encostas e locais propicias a inundações e deslizamentos. Mesmo com o Governo Federal fazendo um esforço grande nos últimos tempos com os projetos MCMV (Minha Casa, Minha Vida) e outros, não foi possível retirar essas pessoas de assentamen- tos precários no país e as nossas cidades ainda permanecem como sendo as que projetam locais e pessoas das maneiras mais desiguais do mundo. O modelo atual de implantação da urbanização também não está conseguindo ser am- bientalmente sustentável e é preciso fazer uma re� exão e tentar minimizar os impactos de forma a termos uma redução dos efeitos das mudanças climáticas. 59WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Se o consumo e a geração de energia,processos esses principais na geração dos gases de efeito estufa, as principais áreas urbanas resultarão como sendo grandes as poluidoras do país. No caso brasileiro, o planejamento necessita programar uma demanda da implementação de políticas permanentes que estimulem não só o investimento em infraestrutura e uma maior exe- cução de recursos disponíveis, por parte do setor público, como também a ampliação da oferta de transporte coletivo, terrenos urbanizados, moradia digna e outros serviços. Como os terrenos estão � cando escassos dentro das áreas urbanizadas das pequenas e grandes cidades, o que se vê é que estamos empurrando as pessoas de menor poder aquisitivo a morar em locais mais afastados, principalmente na periferia e sempre desprovidos de equipa- mentos públicos. Na outra ponta da questão, tem-se dado muita ênfase à procura de soluções que amenizem a urbanização de lotes em áreas de grandes concentrações, para que não se eleve o preço da terra, viabilizando a construção/implantação de projetos de moradias populares. Atualmente, esses temas se mostram grandes inibidores da expansão sustentável das cida- des, gerando um passivo de consequências negativas à economia, ao meio ambiente e à vida das pessoas, com a perda de tempo no transporte de pessoas de um local para outro e a produtividade no trabalho, com a consequente aumento de poluição, de doenças relacionadas, como depressão e acidentes de percurso do trabalho. MUDANÇAS CLIMÁTICAS Em relação as mudanças climáticas, tanto em escala global quanto aos climas regionais da Terra ao longo do tempo, temos que a cadeia produtiva que envolve a Engenharia tem se en- volvido muito na discussão global no que tange aos temas das mudanças climáticas. Além das emissões associadas ao uso da energia, sabe-se que a cadeia de construção é responsável por uma parcela considerável das emissões globais de gases de efeito estufa relacionadas ao consumo energético advindos da fabricação e do transporte de materiais, sua utilização durante a constru- ção e no pós-obra e no tratamento de resíduos o que, em muitos casos, gera ainda uma pressão adicional nos solos e aos sistemas urbanos de água e saneamento. A redução das emissões não passa, necessariamente, a paralização ou obstrução das ati- vidades da engenharia, mas sim, torná-la mais e� ciente sob o ponto de vista ambiental e econô- mico, e o mais importante de todos, o social. O incentivo as iniciativas visando a mitigação dos esforços a adaptação e dos efeitos climáticos passam pelos modelos de energia, de edi� cação, da produção de materiais e do tratamento de resíduos. O que se pretende com isso é colocar as estra- tégias para mitigar esses efeitos que preveem a utilização racional de energia pelo setor; redução da geração de resíduos; tratamento de e� uentes líquidos e gasosos, de esgoto sanitário e de águas pluviais e da geração de energia elétrica a partir da queima do biogás; a diminuição, a reciclagem ou reutilização de resíduos e de materiais; oferta e demanda da água; implantação de campanhas que visam a conscientização do uso racional da energia e da água. RESÍDUOS SÓLIDOS Nas ações necessárias sobre a Sustentabilidade na Engenharia e de pensamento sobre forma sustentável no país, a gestão de resíduos sólidos, tanto os resíduos orgânicos como os RCC – Resíduos da Construção Civil é, sem sombra de dúvida, a que mais rápido pode oferecer resultados signi� cativos. 60WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Dispomos de legislação como a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), regula- mentada pela Lei Federal 12.305/2010; da Resolução 307 do CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente; ABNT NBR – 10.004:2004, de 30.11.2004 e da Política Nacional de Saneamento Básico (PNSB) regulamentado pela Lei Federal nº 11.445/07, que coloca o setor no tema com alguma maturidade. Estima-se que, no Brasil, a construção civil e os outros ramos da engenharia gerem entre 20% e 25% do total de resíduos da indústria. Essa quantidade pode variar signi� cativamente de acordo com o tipo de atividade da construção, e com as práticas construtivas implantadas na empresa de engenharia. Quantos aos processos construtivos, podemos debitar que grande parte dos resíduos da construção é provocada nos processos, e neste pode ser contabilizado os resíduos gerados nas etapas de geração do produto, da construção e da desmobilização, como extração de matérias-primas, fabricação, transporte e comercialização de materiais. Em qualquer dos ramos da cadeia construtiva, seja ela os empreendedores, setor públi- co ou sociedade, os custos são muito elevados quando se trata das gestões dos resíduos sólidos. Outro fator que se deve levar em conta, mas de difícil controle são as deposições clandestinas de entulho, principalmente os da construção civil e com isso provocando o assoreamento dos córregos, redes de drenagem entupidas e, como consequência, provocando em alguns casos, as enchentes urbanas. Os aterros sanitários ou controlados ilegais, por sua vez, acabam por se tornar locais atrativos para destinação � nal a custo baixo, e evidente, agravando o problema. A forma de mitigar estes problemas é incentivar a autorregulação, que seria a criação e implementação para que uma terceira possa fazer, antecipando assim, o pensamento do setor da cadeia construtiva do país em relação às responsabilidades de� nidas na Política Nacional de Recursos Sólidos (PNRS) e suas vertentes em nível estadual e municipal. Essa autorregulação deve ser incentivada por todas as pessoas que detém responsabilidade na cadeia de produção da engenharia e posicionando muito bem a parcela formal do setor como agente de SUSTENTABI- LIDADE. O QUE PODEMOS FAZER? Os desa� os sobre a sustentabilidade são enormes. Com os hábitos de consumo da socie- dade moderna, ousamos dizer os efeitos sobre o meio ambiente são consideráveis, e podemos a� rmar, com certeza, que se torna impossível evitar os impactos ambientais oriundos de sistemas energéticos. O que os estudiosos fazem é oferecer várias alternativas para a sociedade a � m de que ela escolha a sua melhor alternativa e tome suas decisões baseadas em conceitos já pré-con- cebidos. Essas são as direções que deverão guiar os esforços de inovação tecnológica para a área energética daqui para frente, para um futuro com menores impactos ambientais. Finalmente, os estudos sobre SUSTENTABILIDADE (harmonia, equilíbrio, respeito aos limites do sustentável) não se encerram aqui. Há necessidade de se ampliar os conhecimentos fazendo a leitura de livros, revistas, etc. Artigo: Sustentabilidade: Um Desafio para Engenharia. Autor: Bráulio José Pereira, Engenheiro Civil e pós-graduado em Engenharia de Planejamento pelo IETEC. Disponível em: <http://www.techoje.com.br/site/techoje/categoria/detalhe_artigo/1693> 61WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA A projetação e seus Horizontes: Questões Contemporâneas para a Engenharia de Produção. Autores: Carla Cipolla, Francisco Jose De Castro Moura Duarte, Roberto Bartholo. Engenharia Ambiental: Conceitos, Tecnologia e Gestão. Autores: Por Maria do Carmo Calijuri, Davi Gasparini Fernandes Cunha. O PROJETO E SUA VIABILIZAÇÃO Nessa última parte de nossa apostila abordaremos temas de ordem mais prática, que en- volverão desde a leitura de projetos, comunicação, sistemas de unidades, sistemas de conversão de unidades até a resolução de exercícios propostos. Esperamos que toda essa teoria transmitida culmine em habilidades criativas e técnicas adquiridas. Na Unidade III, com o tema “Introdução ao Projeto”, vimos introdutoriamente as espe- ci� cidades dos temas que incluíam: Estudo de Viabilidade, Projeto Preliminar e Detalhado, no entanto, na Unidade IV, veremos como proceder para viabilizar este tema. De certa forma, o projeto é o coração da engenharia (HOLTZAPPLE, REECE, 2006, p. 105),e para serem bem-su- cedidos, os engenheiros de projeto devem ter excelentes habilidades criativas, técnicas, organiza- cionais e com pessoas. Existem pessoas que têm uma capacidade inerente muito grande para elaborar projetos, enquanto outras têm certa di� culdade em transmitir os seus pensamentos e vontades para o pa- pel ou em, em termos mais atuais, projetar em so� wares como o AutoCAD e suas extensões. Os projetistas, quando do desempenho de suas atividades pro� ssionais, deixam seu le- gado de experiência em seus projetos e procuram deixar suas marcas legíveis para que outros possam compreender e entender suas ideias projetadas. O entendimento, o estudo dos projetos de engenharia é parte fundamental para a concretização de qualquer atividade relacionada as áreas de engenharia, pois nos projetos estão representados todos os pensamentos dos projetistas nas suas mais diversas fases da obra, incluindo os desejos das pessoas que os contratam, aqui no nosso caso, o cliente. Todo projeto necessita ser executado de acordo com o pensamento do projetista que o concebeu e a não realização pode nos inserir dentro do contexto da ética pro� ssional. Dentro desse contexto da arte de projetar em que se consegue colocar todo o processo da construção do conhecimento, vamos descobrir que muitos elementos e formas são descritas de forma padrão e em cada projeto existe a forma que seu projetista tem de se expressar, ou seja, cada projeto é único e concebido pela vontade daquele cliente que o contratou, de acordo com uma simbologia grá� ca. O que queremos dizer é que toda pessoa é passível de fazer projetos, não sendo necessário exclusivamente a necessidade de saber desenhar, e, para ler e interpretar projetos e dele retirar todas as considerações projetadas e ao desenvolvimento das fases de construção de um serviço de engenharia, é necessário ter o conhecimento de uma simbologia própria da arte de desenhar e para o que ele foi concebido. Esse conhecimento está ao alcance de todos os estudantes que procuram trabalhar nas áreas de engenharias (SENAI, 2011). 62WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 21 – Reproduções grá� cas de projetos. Fonte: Google Images (2017). Para a quali� cação em interpretar projetos e sua consequente leitura, é necessário um aprendizado, que sem sombra de dúvida, deve começar pelo conhecimento das fases de instru- mentalização utilizados rotineiramente para os desenhos das várias formas dos projetos, inician- do-se com as noções básicas até a � nalização com a correta interpretação e leitura dos projetos relacionados aos serviços de engenharia. Ao percorrer este longo caminho, vai se adquirindo informações relativas a arte de projetar, o que enriquece a vida pro� ssional do projetista e contri- bui, positivamente, para a sua formação e quali� cação pro� ssional. O meio utilizado pelos projetistas para materializar suas ideias é a representação grá� ca dos projetos, e para ter-se uma ótima representação, faz-se necessária a utilização de equipa- mentos/instrumentos, tais como: a prancheta, a régua, o escalímetro, a mesa de desenho, dentre outros. Com a evolução tecnológica, os so� wares, por exemplo, o AutoCAD e suas extensões, como visto anteriormente, são ferramentas completas e indispensáveis aos projetistas a � m de representar gra� camente seus projetos, entretanto, seu uso não invalida os citados anteriormen- te. As escalas métricas, como também as cotas e as projeções ortogonais e o seu conhecimento, tornam-se necessários para a atividade de leitura e interpretação de projeto. A escala pode ser compreendida como sendo a relação entre cada medida vista no de- senho e o seu real tamanho, ou ainda, é uma relação que envolve a proporcionalidade vista em ambos, podendo ser aqui ser relacionada entre sua redução ou ampliação. Especi� camente, na engenharia, o seu emprego se dará sempre com o uso de redução, pois se projetam edi� cações, ferramentas, quadros de força e luz, dentre outros, que são trans- portados do seu tamanho natural para uma simples folha de papel tamanho A4. Isso é possível com a utilização da escala. E quando quisermos, podemos ter a ampliação dos objetos, o que é encontrado, geralmente, nas engenharias mecânica e microeletrônica, cujas peças são minúscu- las e necessitam ser desenhadas com ampliações para facilitar o entendimento e suas minúcias. Exemplos que podemos citar são os microchips. ESCALAS DOS PROJETOS Cada projeto executado tem sua escala e elas classi� cam-se em numérica e grá� ca. A numérica é representada por números, daí vem seu nome, como se vê abaixo. A grá� ca, é a repre- sentação do número através da grá� ca. 63WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 22 - Modelo de escala métrica. Fonte: Google Images (2017). A escala vai representar a relação de verdadeira grandeza das dimensões, seja de peças mecânicas ou de medidas de terreno, prédio ou ambiente nas engenharias. COTAS NUM PROJETO DE ENGENHARIA De acordo com a NBR 10.126/1987, as cotas no projeto de engenharia são “a representa- ção grá� ca no desenho da característica do elemento, através de linhas, símbolos, notas e valor numérico numa unidade de medida”. Elas são os números que representam as dimensões do que está sendo representado pelo desenho. Qualquer que seja a escala do desenho, as cotas signi� cam a verdadeira grandeza das dimensões. Ainda, de acordo com a NBR 10.126/1987, “as cotas devem ser escritas na posição hori- zontal, de modo que permitam a leitura com o desenho na posição normal e o observador a sua direita; os algarismos devem ser colocados acima da linha de cota, quando esta for contínua” e, pela mesma NBR citada, todas as cotas de um desenho devem estar na mesma unidade de medi- da. REGRAS BÁSICAS AO COTAR UM DESENHO As cotas devem ser escritas na posição horizontal, de modo que se permita a leitura com o desenho na posição normal e o observador a sua direita; os algarismos devem ser colocados acima da linha de cota, quando esta for contínua; todas as cotas de um desenho devem estar na mesma unidade de medida; uma cota não deve ser cruzada por uma linha do desenho; as linhas de cota são desenhadas paralelas à direção da medida; passar as linhas de cota de preferência fora da área do desenho; evitar a repetição de cotas; e por � m, o valor das cotas prevalece sobre as medidas calculadas tendo como base o desenho. Figura 23 - Tipos de linhas de cotas. Fonte: Google Images (2017). 64WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA TRAÇOS A compreensão de uma projeção (ou desenho) está relacionada intimamente aos traços que compõem este trabalho. Cada tipo de linha vai passar uma informação ao leitor que o auxi- liará na interpretação do desenho. Saber reconhecer, portanto, cada tipo de linha é uma atividade indispensável ao pro� ssional de engenharia, pois ela trará informações importantes para execu- ção de um projeto. Existe um padrão utilizado pelo desenho técnico em relação às espessuras e os tipos de traços. Estes devem estar de acordo com a NBR 6942:1994 que de� ne que as linhas devem ser: Linha contínua e traço grosso, linha contínua e traço mais suave, Linha tracejada e traço suave, Linha traço e ponto e traço suave, linha de ruptura ou zig-zag e traço suave, Linhas auxi- liares – Contínuas, dentre outras. PLANTAS Planta Geral ou situação: A NBR 6942:1994 especi� ca que: “Planta que compreende o partido arquitetônico como um todo, em seus múltiplos aspectos. Pode conter informações es- pecí� cas em função do tipo e porte do programa, assim como para a � nalidade que se destina”. Planta de localização ou de locação: A NBR 6942:1994 também diz que: “Planta que compreende o projeto como um todo, contendo, além do projeto de arquitetura, as informações necessárias dos projetos complementares, tais como movimentode terra, arruamento, redes hi- dráulica, elétrica e de drenagem, entre outros”. Planta baixa: Ainda a NBR-6942:1994 especi� ca que: “Vista superior do plano secante horizontal, localizado a, aproximadamente, 1,50 m do piso em referência”. Representa em pro- jeção horizontal de uma obra de construção civil ou uma edi� cação ou em partes ou o serviço contratado, podendo ser uma peça estrutural, ou um parafuso ou um quadro. CORTES A mesma NBR 6942:1994 trata essa questão como sendo: “Plano secante vertical que divide a edi� cação em duas partes, seja no sentido longitudinal, seja no transversal”. Projeto que especi� ca a projeção de uma peça ou seção na vertical (ou plano) em um projeto de edi� cação, indicando a altura desta peça, e normalmente, não aparece na planta, indicando a altura desta peça, altura dos itens mais importantes do projeto, e nos casos da construção civil, os postigos, pé-direito, etc. 65WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA A COMUNICAÇÃO No mundo em que vivemos a forma como nos comunicamos no nosso dia a dia é muito valorizada. Aos melhores comunicadores no seu ambiente de trabalho, seja ele uma sala de aula ou nos ambientes de negócios, são dadas sempre as melhores oportunidades, tanto de emprego quanto de posição hierárquica dentro da empresa. Comunicamos, hoje, mais através das redes sociais por meio da internet (e-mail, etc.) do que propriamente dito por um texto escrito e essa forma de nos expressarmos corretamente pode ser o diferencial na vida pro� ssional dos engenheiros ou outra pro� ssão qualquer. Nós, os enge- nheiros ou outro pro� ssional, precisamos dominar bem o nosso idioma e as formas de escrever para elaborarmos textos precisos e entendíveis e bem estruturados para que as pessoas que nos rodeiam ou façam parte do círculo pro� ssional nos entenda. Segundo Holtzapple e Reece, (2006, p. 106), “os engenheiros se comunicam tanto oral- mente quanto de forma escrita. Independentemente do método, os engenheiros usam tanto pa- lavras como grá� cos para apresentar suas ideias. Até agora sua educação focou a comunicação com palavras”. Ainda, o mesmo autor diz que: o aprimoramento das habilidades de comunicação é essencial para alcançar esse objetivo. Se costumamos ler jornais, revistas, matérias na internet, entre outras publicações, deve- mos ter percebido que é necessário muito mais que uma ideia na cabeça e uma caneta na mão para se escrever um bom texto. Muitas vezes, paramos a leitura de um texto logo nos primeiros parágrafos pelo fato do texto ser desinteressante, e principalmente mal escrito, mas a e� ciência dos engenheiros depende tanto da qualidade do seu trabalho quando da sua habilidade de fazer com que as pessoas o entendam. Desta forma, veremos adiante algumas regras fundamentais que deverão se tornar um hábito quando você estiver escrevendo seus textos. São regras simples, mas que sem dúvida farão uma grande diferença em suas redações. Para Basso & Pereira (2006, p. 52), “o processo de comunicação pressupõe, no mínimo, a existência de cinco elementos que devem ser tratados com clareza para quem desejar se expressar bem”: 1. Emissor – aquele que envia a mensagem; 2. Mensagem – o assunto a ser transmitido, que deve relatar com precisão o trabalho realizado e seus resultados; 3. Receptor - aquele que decodi� ca e capta a mensagem; 4. Canal de comunicação – o meio de transmissão; o papel, no caso de relatório escrito; 5. Código – a linguagem que deve ser entendida por ambos, emissor e receptor. Ainda, para Basso e Pereira (2006, p. 53) “não há atalhos para se conseguir escrever bem. Para conseguir uma boa redação de um trabalho, é necessário, no mínimo, o domínio do código a ser utilizado para transmitir os conhecimentos”. O ato de escrever bem também pode ser conse- quência da prática constante da redação e da boa leitura. Por isso, algumas dicas para se escrever de modo e objetivo: 66WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA a) Saiba o que você quer dizer e, antes de escrever, você precisa saber qual o assunto, qual é o seu objetivo dentro o assunto, que estrutura será utilizada para entregar a mensagem. b) Conheça sua audiência – o que eu posso fazer para que o leitor possa entender melhor a minha mensagem, ou seja, fazendo uma pergunta por vez, uma ideia por sentença e o uso de palavras fáceis com sentenças curtas. c) As palavras desconhecidas precisam de� nidas no momento em que o termo aparecer, as siglas devem de� nidas, mesmo que seja obvias e ainda, considere que seu texto possa entendi- do por leigos. d) Ao redigir qualquer redação use sentenças curtas porque elas são fáceis de serem en- tendidas. Se você tentar juntar muitas palavras em uma sentença seu texto perderá a clareza. Pala- vras usadas que geralmente não tem função por terem sentido muito amplos, como por exemplo, os advérbios: “na verdade”, “Atualmente”, “Realmente”, “Literalmente”, e os adjetivos: “muito”, e outras palavras que podem ser descartadas, e muito usada atualmente como “com certeza”. e) A consistência num texto é sempre bem-vindo, de modo que é bom ser previsível, porque faz com que o leitor acompanhe mais facilmente seu raciocínio. Desta forma, considere o tamanho de frases e parágrafos (parágrafos longos são cansativos); evite a voz passiva na sua estrutura escrita; dê preferência a 3ª. pessoa na sua escrita; o sistema de unidades que utilizamos no Brasil; utilize sempre os algarismos signi� cativos e manter sempre o estilo nas citações e refe- rências. f) E, por � m, revise seu texto � nal para garantir que não há erros gramaticais; palavras e frases sem signi� cado; se a mensagem você pretende passar foi claramente transmitida e se o texto é consistente com seu objetivo. Finalizando, o domínio da comunicação na engenharia é essencial. Não ajudará apenas na sua vida estudantil, como também na sua vida pro� ssional. SISTEMAS DE CONVERSÃO DE UNIDADES Segundo o INMETRO (2013), o Sistema Métrico Decimal adotou, inicialmente, três uni- dades básicas de medida: o metro, o quilograma e o segundo. Entretanto, o desenvolvimento cientí� co e tecnológico passou a exigir medições cada vez mais precisas e diversi� cadas. Varia- das modi� cações ocorreram até que, em 1960, o Sistema Internacional de Unidades (SI), mais complexo e so� sticado, foi consolidado pela 11ª Conferência Geral de Pesos e Medidas. O SI foi adotado também pelo Brasil em 1962, e rati� cado pela Resolução nº 12 (de 1988) e aprovada pela Portaria 590/2013 do Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial - CONMETRO, tornando-se de uso obrigatório em todo o Território Nacional. É de fundamental importância o uso do SI de acordo com suas regras de emprego. O en- genheiro, como qualquer outro pro� ssional, deve ter o cuidado extremo de veri� car se o nome, o símbolo e a gra� a das unidades estão em conformidade com as regras de emprego do SI. 67WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Finalmente, convido os alunos a lerem o “Apêndice A” do livro texto que é Introdução a Engenharia, de Walter Antônio Basso e Luiz Teixeira do Valle Pereira, tendo em vista que traz tabelas de conversões de unidades que serão frequentemente utilizadas na sua vida acadêmica, e que não há razão de transportá-las para este espaço. O QUE É CRIATIVIDADE: Definir criatividade não é tarefa simples. Mas podemos adiantar que ela é uma propriedade bem humana e que todos possuem a capacidade de desenvolver o seu material criativo. O que é criatividade? Que pode ser criativo? De forma resumida, dizemos que a criatividade pode ser encontrada nas pesso- as que geram ideias calcadas em características tais como novidade, utilidade e simplicidade. Uma pessoa criativa também é aquela distinguida pela capacidade de sintetizar novas combinações de ideais e conceitosentre formas comuns e usuais. Seria como olhar para a mesma coisa que os demais olham e ver algo diferente, visualizá-la sob outro ponto de vista, num outro contexto, desempe- nhando nova função. BAZZO, W.A., PEREIRA, L. T. V. Introdução a Engenharia – conceitos, ferramentas e comportamentos. 4a. Ed. Florianópolis, editora UFSC, 2013. MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE Autores: Viviane Moschini Carlos, André Henrique Rosa, Leonardo Fernandes Fra- ceto. Editora: Bookman. São Paulo. SINOPSE: este é um livro especial e são as características que o fazem assim. Abrangente, porque nenhum assunto que preocupa a sociedade e ao meio am- biente foi esquecido. Teve um rigor cientifico e comprometido com a sustenta- bilidade, buscando as soluções de problemas ambientais que também sejam economicamente eficientes e socialmente justas. Introdução à Engenharia - 3a Edição Uma abordagem baseada em projeto Autores: Patrick Little, Erik Spjut, Elizabeth Orwin e Clive Dym Bookman, dezembro de 2010. SINOPSE: Concebido para utilização no primeiro período dos cursos de enge- nharia, oferece uma visão abrangente mostrando todas as etapas de desenvol- vimento de projetos na área. 68WWW.UNINGA.BR IN TR OD UÇ ÃO À E NG EN HA RI A | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA https://www.youtube.com/watch?v=HAtJgPODRs4. https://www.youtube.com/watch?v=3WakTL1-mWc. https://www.youtube.com/watch?v=WlQLRjMvKIY. https://www.youtube.com/watch?v=SQBSXZfwakA. https://www.youtube.com/watch?v=7S8vJXxYTGc. Espera-se que essa apostila, dividida em 4 unidades, lhe proporcione condições de visu- alizar os princípios gerais da engenharia e seus ramos, e que também auxilie a obter um conhe- cimento maior sobre a Engenharia e o curso que escolheu, principalmente porque estamos num mundo que se atualiza a todo instante. Sucesso a todos, ótimos estudos e boas práticas virtuais. 69WWW.UNINGA.BR ENSINO A DISTÂNCIA REFERÊNCIAS ABBAGNANO, N. Dicionário de � loso� a. 2. Ed. São Paulo: M. Fontes, 1998. AGILIZA ESTÁGIOS. 5 Dicas para Engenheiros. Disponível em: <http://www.agilizaestagio. com.br/dica/5-DICAS-PARA-ENGENHEIROS>. Acesso em: 15 fev. 2017. ALDABÓ, R. Gerenciamento de Projetos. Procedimento básico e etapas essenciais. 2. ed. São Paulo: Artliber Editora, 2006. ARISTÓTELES. Ética e Nicômano. 3. ed. Brasília: Ed. da UnB, 1992. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Normas Brasileiras. NBR 6942:1994. Representação de projetos de Engenharia. Rio de Janeiro: 1994. _____. Normas Brasileiras. NBR 8196:1999. Desenho Técnico – emprego de escalas. Rio de Janeiro: 1999. _____. Normas Brasileiras. NBR 10.067:1995. Princípios Gerais de representação em desenho técnico. Rio de Janeiro: 1995. _____Normas Brasileiras. NBR 10.126:1987. Cotagem em desenho técnico. Rio de Janeiro: 1987. BAZZO, W.A.; PEREIRA, L.T.V. Introdução à engenharia. Conceitos, Ferramentas e Compor- tamentos. 3ª. edição revista. Florianópolis: Ed. UFSC, 2013. BENNET, C. Ética pro� ssional. São Paulo: Cengage Learning, 2008. BLANCHARD, K; PEALE, N.V. O poder da administração ética. 3. Ed. Rio de Janeiro: Record, 1996. BRAGA, B. et al. Introdução à engenharia ambiental – O desa� o do desenvolvimento susten- tável. 2. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. BRASIL, MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Plano Nacional de Saneamento Básico. Dis- ponível em: <http://www.mma.gov.br/cidades-sustentaveis/qualidade-do-ar/item/485-plano- -nacional-de-saneamento-b%C3%A1sico>. Acesso em: 03 nov. 2017. BRASIL. Lei Obriga Medição Individual de Água em Condomínios. Disponível em: <http:// www.brasil.gov.br/governo/2016/07/lei-obriga-medicao-individual-de-agua-em-condominios>. Acesso em: 02 nov. 2017. CÂMARA BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO. Publicações. Disponível em: <http://cbic.org.br/pagina/publicacoes-cma>. Acesso em: 01 jun. 2017. CBIC. Câmara Brasileira da Indústria da Construção. Desenvolvimento com sustentabilidade. Cadernos. 2014. 70WWW.UNINGA.BR ENSINO A DISTÂNCIA REFERÊNCIAS CENTRO UNIVERSITÁRIO UNA. 3 Previsões para o futuro do Mercado de Engenharia. Dis- ponível em: <http://blog.una.br/3-previsoes-para-o-futuro-do-mercado-de-engenharia>. Aces- so em: 16 fev. 2017. CHAUÍ, M. Convite à � loso� a. 4. ed. São Paulo: Ática, 2001. CONAMA – CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. ABNT NBR – 10.004:2004, de 30.11.2004. _____. ABNT NBR Resolução 307. CONFEA. Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura. Legislação. Lei 5194 de 24.12.1966. Disponível em: <http://techne.pini.com.br/engenharia-civil/tecnologias-sistemas>. Acesso em: 13 out. 2017. CREA-PR. http://www.confea.org.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=1776. Acesso em 02.11.2017. FÓRUM DA CONSTRUÇÃO. A importância da Engenharia para a sociedade e para o Brasil do século XXI. Disponível em: <http://www.forumdaconstrucao.com.br/conteudo.php?a=0&- Cod=1812>. Acesso em: 13 out. 2017. GUIA DE CARREIRA. Guia das pro� ssões: Engenharia Mecatrônica. Disponível em: <http:// www.guiadacarreira.com.br/guia-das-pro� ssoes/engenharia-mecatronica>. Acesso em: 02 nov. 2017. GUIA DO ESTUDANTE. Pro� ssões: Engenharia de Produção. Disponível em: <https://guiado- estudante.abril.com.br/pro� ssoes/engenharia-de-producao>. Acesso em: 02 nov. 2017. HEEMANN, A. O corpo que pensa: ensaio sobre o nascimento e legitimação dos valores. Join- ville: Ed. da Univille, 2001. HOLTZAPPLE, M.T.; REECE, W Dan. Introdução a Engenharia. Rio de Janeiro: LTC, 2006. INMETRO. Consumidor – selos. Disponível em: <http://www.inmetro.gov.br/consumidor/pbe- Selo.asp>. Acesso em: 03 nov. 2017. INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. IPEA. Disponível em: <http://www. ipea.gov.br/portal>. Acesso em: 13 out. 2017. KANT, I. Fundamentação da metafísica dos costumes. 2. ed. São Paulo: Abril Cultural, 1984. LEI FEDERAL 8.666/93 de 21.06.1993. Normas para licitações e contratos da Administração Pública e dá outras providencias. 1993. 71WWW.UNINGA.BR ENSINO A DISTÂNCIA REFERÊNCIAS LIPOVETSKY, G. A sociedade pós-moralista: o crepúsculo do dever e a ética indolor dos novos tempos democráticos. Barueri: Manole, 2005. MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR. INSTI- TUTO NACIONAL DE METROLOGIA, QUALIDADE E TECNOLOGIA – INMETRO. Qua- dro Geral de Unidades de Medida. Portaria nº 590, de 02 de dezembro de 2013. MMA/GOV. Recursos hídricos: plano nacional de recursos hídricos. Disponível em: <http:// www.mma.gov.br/agua/recursos-hidricos/plano-nacional-de-recursos-hidricos>. Acesso em: 02 nov. 2017. MOTA, G.L. A difícil tarefa do engenheiro social. Opinião. 2014. Disponível em: <https://www. publico.pt/2014/04/16/economia/noticia/a-di� cil-tarefa-do-engenheiro-social-1632364>. Aces- so em: 13 out. 2017. NOSE, M. M; REBELATTO, A. D.N. O per� l do Engenheiro segundo as empresas. Disponível em: <http://www.pp.ufu.br/Cobenge2001/trabalhos/DTC007.pdf>. Acesso em: 15 fev. 2017. Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) - Lei Federal nº 9.433/97. Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) – Lei Federal 12.305/2010. Disponível em: <http:// www.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=636>. Acesso em: 02 nov. 2017. Plano Nacional de Saneamento Básico (PNSB) – Lei Federal nº 11.445/07. REINALDO, DIAS. Sustentabilidade - origem e fundamentos. São Paulo: Atlas, 2009. RELVAS, A. Ferramenta de Comunicação para Engenheiros: comunicação e� caz, gestão de con� itos e liderança. 2017. SÁNCHEZ VÁSQUEZ, Adolfo. Ética. Tradução de João Dell’Anna. 16. ed. Rio de Janeiro: Civi- lização Brasileira, 1996. SANTOS, A. R. Ética: caminhos para a realização humana. São Paulo: Ave Maria, 1997. SANTOS, J. L. O que é cultura. 14. ed. São Paulo: Brasiliense, 1994. (Coleção Primeiros Passos). SENAI – SERVIÇO NACIONAL DA INDÚSTRIA. Leitura e interpretação de projetos. Noções sobre projeto arquitetônico, mecânico e elétrico. 2011. SINDICATO DOS ENGENHEIROS DO ESTADO DO PARANÁ. SENGE. Defesa do Enge- nheiro. Disponível em: <http://www.senge-pr.org.br/defesa-do-engenheiro>. Acesso em: 13 out. 2017. 72WWW.UNINGA.BRENSINO A DISTÂNCIA REFERÊNCIAS SNIS. Diagnóstico: água e esgotos. 2015. Disponível em: <http://www.snis.gov.br/diagnostico-a- gua-e-esgotos/diagnostico-ae-2015>. Acesso em: 02 nov. 2017. SUA PESQUISA. Sustentabilidade. Disponível em: <http://www.suapesquisa.com/ecologiasau- de/sustentabilidade.htm>. Acesso em 02 nov. 2017.