Direito Administrativo (44)
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Direito Administrativo (44)

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PREPARATÓRIO PARA OAB

Professora: Dra. Renata Aguiar

DISCIPLINA: DIREITO ADMINISTRATIVO

CAPÍTULO 11 AULA 1

RESTRIÇÕES DO ESTADO

SOBRE A PROPRIEDADE PRIVADA

Coordenação: Dr. Carlos Toledo

01

Limitação Administrativa, Servidão, Ocupação Temporária,

Requisição Administrativa e Tombamento.

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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Há várias formas pelas quais o Estado interfere na propriedade do particular. Isso se justifica porque o direito

de propriedade veio sofrendo transformações ao longo do tempo e evoluiu do sentido individual para o

social, razão pela qual passou a ter restrições impostas pelo Poder Público, cuja finalidade é condicionar o

exercício desse direito ao bem-estar social. Daí se falar no princípio da função social da propriedade.

A propriedade, no Direito Civil, consiste no direito individual que confere ao seu titular os poderes de usar,

gozar e dispor da coisa, de forma absoluta. No entanto, para o Direito Administrativo, esses poderes não

podem ser exercidos ilimitadamente, porque existem interesses públicos maiores que se sobrepõem aos

interesses individuais.

Aliás, é justamente o fundamento da função social da propriedade que estabelece limites ao seu livre uso e

gozo pelo particular, no sentido de que ou este lhe dá utilidade, concorrendo para o bem comum, ou ela não

se justifica.

Quais são as formas existentes, que possibilitam ao Estado intervir na propriedade privada, estabelecendo

restrições?

Há as seguintes modalidades: limitações administrativas, ocupação temporária, requisição administrativa,

tombamento, servidão e desapropriação.

Limitações administrativas

As limitações administrativas são medidas impostas no âmbito do Direito Administrativo, para que a

Administração Pública, tendo em vista o interesse público, possa estabelecer restrições ao domínio do

particular, através do poder de polícia.

Pela definição de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, as limitações administrativas consistem em "medidas de

caráter geral, previstas em lei com fundamento no poder de polícia do Estado, gerando para os proprietários

obrigações positivas ou negativas, com o fim de condicionar o exercício do direito de propriedade ao bem-

estar social.”

Servidão administrativa

A servidão administrativa é uma prerrogativa da Administração Pública, que age com o poder de império,

impondo um ônus real de uso sobre determinado bem particular, para possibilitar a realização de serviços

públicos.

A propriedade se mantém nas mãos do particular, não lhe é tirada, mas simplesmente fica onerada com o

uso público determinado pelo Estado.

Aula 1

02

Vamos nos reportar ao conceito que é formulado por Maria Sylvia Zanella Di Pietro. Segundo a autora,

"Servidão administrativa é o direito real de gozo, de natureza pública, instituído sobre imóvel de propriedade

alheia, com base em lei, por entidade pública ou por seus delegados, em favor de um serviço público ou de

um bem afetado a fim de utilidade pública."

Quais são as diferenças entre a limitação administrativa e a servidão?

De acordo com a doutrina, na limitação administrativa a restrição recai sobre um imóvel em benefício de

interesse público genérico e abstrato, ao passo que a servidão se configura quando, em relação ao

dominante, existe um interesse público que justifique a restrição. Vale lembrar que na servidão há dois pólos:

dominante e serviente, sendo que este último presta utilidade àquele, sendo que o proprietário do bem

serviente perde a exclusividade dos poderes que exercia sobre o imóvel de sua propriedade para o

dominante.

Ocupação temporária

Para Maria Sylvia Zanella Di Pietro, o conceito de ocupação temporária pode ser assim definido: "é a forma

de limitação do Estado à propriedade privada que se caracteriza pela utilização transitória, gratuita ou

remunerada, de imóvel de propriedade particular, para fins de interesse público."

Vale lembrar que a ocupação temporária não implica, de modo algum, a perda da propriedade pelo

particular, mas apenas, como o próprio nome diz, uma ocupação de caráter transitório, que permite que

terceiros se utilizem do imóvel do particular.

Requisição administrativa

Vamos nos valer da conceituação de Hely Lopes Meirelles, para quem a requisição administrativa "é a

utilização coativa de bens ou serviços particulares pelo Poder Público por ato de execução imediata e direta

da autoridade requisitante e indenização ulterior, para atendimento de necessidades coletivas urgentes e

transitórias.”

Por ser ato de urgência, não precisa de intervenção prévia do Judiciário, até porque é sempre um ato de

império do Poder Público, portanto, auto-executório, além de discricionário, mas condicionado à existência

de perigo público iminente.

Como bem adverte Maria Sylvia, quando a requisição recai sobre bem imóvel, ela se confunde com a

ocupação temporária, e quando recai sobre bens móveis, se assemelha à desapropriação. Só que na

requisição a indenização é posterior, ao passo que na desapropriação ela é prévia.

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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03

Tombamento

O tombamento é o instituto que tem por objeto a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional, que

constituem o patrimônio cultural como um todo. Trata-se de uma restrição parcial ao bem tombado, de

acordo com a lei que o disciplina, e por isso em regra não dá direito à indenização.

É tão importante que a tutela desses interesses está expressa em vários dispositivos da Constituição Federal,

sobretudo no art. 216 e respectivos parágrafos.

Através do tombamento de um bem, porque considerado o seu valor histórico ou artístico, o Estado visa

protegê-lo, para que conserve suas características e para que seu proprietário as respeite, sem modificá-las,

salvo se autorizado pelo próprio Poder Público.

De acordo com os ensinamentos de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, "o tombamento pode ser definido como o

procedimento administrativo pelo qual o Poder Público sujeita a restrições parciais os bens de qualquer

natureza cuja conservação seja de interesse público, por sua vinculação a fatos memoráveis da história ou

por seu excepcional valor arqueológico ou etnológico, bibliográfico ou artístico."

O tombamento pode se dar através de procedimento voluntário, quando o próprio dono da coisa o solicitar

ao órgão técnico competente, ou compulsório, quando feito por iniciativa do Poder Público, ainda que

contra a vontade do proprietário.

Uma vez realizado o tombamento, o proprietário fica limitado a várias imposições do Poder Público, no

sentido de que para ele resultam obrigações de fazer, de não fazer e de suportar.

Desapropriação

Segundo as lições de Maria Sylvia Zanella di Pietro, "a desapropriação é o procedimento administrativo pelo

qual o Poder Público ou seus delegados, mediante prévia declaração de necessidade pública, utilidade

pública ou interesse social, impõe ao proprietário a perda de um bem, substituindo-o em seu patrimônio por

justa indenização."

É forma originária de aquisição da propriedade. A conseqüência disso é que não importa saber quem é o

proprietário do bem, porque a Administração Pública pode promover a desapropriação mesmo que não

tenha conhecimento de quem seja ele ou onde