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aula 4

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do Ministério da Economia para a
Unidade Administrativa vinculada ao Ministério.
A programação orçamentária e financeira consiste em compatibilizar o fluxo dos pagamentos com o
fluxo dos recebimentos, a fim de ajustar a despesa fixada às novas projeções de resultados e de
arrecadação.
A LRF trouxe dispositivos que auxiliam nessa programação. O Poder Executivo estabelece a
programação financeira e o cronograma de execução mensal de desembolso até trinta dias após a
publicação do orçamento (LOA). No âmbito federal, tal ato é realizado por decreto.
No caso de frustração da receita prevista na LOA, deve ser estabelecida limitação de gastos por parte
dos órgãos e poderes, a fim de se reestabelecer o equilíbrio das contas públicas.
Processo de licitação e contratação
De acordo com o MCASP, o processo de licitação e contratação compreende um conjunto de
procedimentos administrativos que objetivam adquirir materiais, contratar obras e serviços, alienar ou
ceder bens a terceiros bem como fazer concessões de serviços públicos com as melhores condições
para o Estado. Tal processo é realizado observando-se os princípios da legalidade, da
impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da
vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo e de outros que lhe são correlatos.
A CF/88 estabelece a obrigatoriedade do processo de licitar para todos os entes federados. A
regulamentação é feita pela Lei nº 14.133, de 01 de abril de 2021, que estabelece normas gerais
sobre licitações e contratos administrativos pertinentes a obras, serviços, inclusive de publicidade,
compras, alienações e locações.
EXECUÇÃO
A etapa da execução da despesa orçamentária se dá em três estágios: Empenho, Liquidação e
Pagamento. A Lei nº 4.320/1964 e o MCASP tratam sobre a matéria.
EMPENHO
De acordo com art. 58 da Lei nº 4.320/1964, o empenho de despesa é o ato emanado de autoridade
competente que cria para o Estado a obrigação de pagamento pendente ou não de implemento de
condição. Consiste na reserva de dotação orçamentária para um fim específico, comprometendo o
crédito orçamentário.
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Segundo o art. 59 da Lei nº 4.320/1964, o empenho da despesa não pode exceder o limite dos
créditos concedidos. Em outros termos, o limite da despesa não pode ser ultrapassado. Isso significa
que não pode empenhar mais do que está autorizado, fixado na LOA.
O art. 60, da Lei nº 4.320/1964, menciona um importante dispositivo: “É vedada a realização de
despesa sem prévio empenho”. Isso significa que, em regra, o empenho é obrigatório para a
realização da despesa pública.
Para cada empenho, é extraído um documento denominado “nota de empenho”, que indica o nome
do credor, a representação e a importância da despesa, bem como sua dedução do saldo da dotação
própria, conforme o art. 61, da Lei nº 4.320/1964. É o documento que formaliza o empenho e que fará
parte do processo de liquidação, para posterior pagamento.
LIQUIDAÇÃO
Conforme art. 63 da Lei nº 4.320/1964, a liquidação da despesa consiste na verificação do direito
adquirido pelo credor, tendo por base títulos e documentos comprobatórios do respectivo crédito. Para
o credor ter direito, são necessários: conferência do contrato, ajuste ou acordo respectivo; nota de
empenho e comprovantes da entrega de material ou da prestação efetiva do serviço.
Na fase de liquidação, a administração verifica o implemento da condição por parte do credor,
isto é, se ele cumpriu ou não com sua obrigação.
Nesse estágio, também ocorre a confrontação, ou conferência, do material entregue ou do serviço
prestado, em relação ao descrito na nota fiscal e na nota de empenho. Isso indica que o credor está
cumprindo com suas obrigações previstas em contrato, ajuste ou acordo respectivo. Se tudo estiver
correto, é necessário “atestar” esse comprovante, para posterior envio do processo para pagamento.
Esse “atestar” significa que os servidores responsáveis, ou a comissão designada, pelo recebimento
do material ou pelo serviço prestado assinam o comprovante, que normalmente é a nota fiscal,
afirmando que o material foi recebido ou que o serviço foi prestado.
PAGAMENTO
O pagamento da despesa só é realizado quando ordenado, após sua regular liquidação, de acordo
com o art. 62 da Lei nº 4.320/1964. Em outras palavras, é conferido, no processo, se a liquidação foi
feita e se está de acordo com os ditames da lei.
Estando tudo certo, é emitido um documento chamado de “ordem de pagamento”, que é o despacho
exarado por autoridade competente, determinando que a despesa seja paga, conforme o art. 64 da
Lei nº 4.320/1964.
O empenho da despesa é um ato administrativo.
Isso significa que o empenho em si não cria a obrigação de pagamento, ou seja, não gera um passivo
em termos patrimoniais. Dessa forma, a obrigação de pagamento só surge após a etapa da liquidação
(segunda etapa da execução orçamentária da despesa). Em regra, a liquidação compreende a
entrega do material ou da prestação do serviço. Portanto, a liquidação da despesa é o implemento de
condição por parte do credor para que exista a obrigação de pagamento.
O pagamento só é efetuado após o estágio da liquidação (que é o implemento da condição), de
acordo com a mencionada lei. Certamente, deverá ter disponibilidade de caixa, mas o pagamento
ocorrerá somente depois da entrega da mercadoria ou da efetiva prestação do serviço (liquidação).
Além disso, a administração realiza a entrega do numerário para o credor, conforme previsto em lei.
RESTOS A PAGAR
É importante conhecer os estágios da execução da despesa. Como vimos, a execução da despesa
orçamentária se dá respectivamente em três estágios, na forma prevista na Lei nº 4.320/1964:
empenho, liquidação e pagamento
Os Restos a Pagar (RP) estão dispostos no art. 36 da Lei nº 4.320/64, como segue:
“Art. 36. Consideram-se Restos a Pagar as despesas empenhadas mas não pagas até o dia 31 de
dezembro distinguindo-se as processadas das não processadas”.
Já o MCASP define que são Restos a Pagar todas as despesas regularmente empenhadas, do
exercício atual ou anterior, mas não pagas ou canceladas até 31 de dezembro do exercício financeiro
vigente. Distinguem-se dois tipos de Restos a Pagar: os processados (despesas já liquidadas) e os
não processados (despesas a liquidar ou em liquidação).
Isso significa que a continuidade dos estágios de execução das despesas ocorrerá no exercício
financeiro seguinte. Ao final do exercício, as despesas orçamentárias empenhadas e não pagas serão
inscritas em restos a pagar.
Os RP dividem-se em Restos a Pagar Não Processados (RPNP) e Restos a Pagar Processados
(RPP).
Entende-se que RPNP são inscritos decorrentes de despesas que foram empenhadas, mas não
foram liquidadas e não pagas até 31 de dezembro. Somente foi cumprido o primeiro estágio, o
empenho.
Já os RPP são inscritos decorrentes de despesas que foram empenhadas, foram liquidadas e não
pagas até 31 de dezembro. Nesse caso, foram cumpridos os estágios do empenho e da liquidação.
Observe que, em ambos os casos, tanto no RPNP e RPP, ocorre a falta da execução do estágio de
pagamento até final do exercício financeiro.
De acordo com o MCASP, o valor da despesa empenhada que ainda não foi paga pode ser inscrito
em RP, em 31 de dezembro. Subentende-se na lei que a receita orçamentária a ser usada para o
pagamento dessa despesa já tenha sido arrecadada no exercício no qual a despesa foi inscrita.
Por exemplo:
Ano 2020
Arrecadação = 100
Empenho = 100
Liquidação = 80
Pagamento = 70
Cálculo RP
RPNP = Empenho - Liquidação = 100 - 80 = 20
RPP = Liquidação - Pagamento = 80 - 70 = 10
Total do RP = Empenho - Pagamento = 100 - 70 = 30 (valor inscrito que será pago no ano de 2021)
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Logo, nesse caso, o montante restante no caixa, no valor de 30 (arrecadação - pagamento), arcará
com o pagamento no ano de 2021. Esse montante ficará “carimbado” para pagar as despesas
inscritas em RP no ano de 2020,

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