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Padrão de beleza é viver com a versão que 
mais lhe agrada de si! 
 
O século é o XXI, e, muitas pessoas ainda sofrem os efeitos de um padrão estético 
criado para ser inalcançável. Na Grécia antiga, em pleno século XIX, havia o culto 
ao corpo rechonchudo. As mulheres que apresentavam curvas e volume eram 
exaltadas e o corpo gordo passava a ser símbolo de desejo — já que representava 
a mulher honesta e de família. Anos se passaram e o padrão mudou sua roupagem, 
mudou a estética pela qual dominaria o imaginário coletivo, só não mudou a 
maneira perversa e avassaladora de segregação sociocultural. A ascensão e 
popularização das redes sociais, permitiu um diálogo mais massivo no que tange a 
necessidade de quebrarmos estereótipos - objetivando maior aceitação do nosso 
eu. É comum vermos “influencers” de todos os estilos, corpos, e gostos, que, ao 
levantarem suas bandeiras pela luta de alguma causa, compreende demandas tão 
necessárias de grupos (muitas vezes) oprimidos e marginalizados. É normal que, 
enquanto indivíduos dotados de discernimento e senso crítico, lutemos por uma 
sociedade mais democrática e heterogênea. É digno que sejamos, antes de 
prejulgados, entendidos enquanto alguém que transcende um corpo físico. Acontece 
que, antes de defendermos uma causa precisamos entender o motivo pelo qual ela 
ocorre. É preciso, antes de qualquer coisa, saber a quem ela beneficia e como ela 
se alimenta — ou retroalimenta — para, finalmente, conseguirmos combatê-la. E, no 
que diz respeitos aos padrões estéticos, costumo me perguntar: Por qual motivo 
existia um padrão antigo que difere do atual? Como os padrões estéticos são 
criados e a quem ele beneficia? E, quase que imediatamente, encontro a resposta 
— da forma mais intuitiva possível: os ditames estéticos são culturais, e, são criados 
para serem, antes de tudo, inatingíveis. O padrão estético é lucrativo, pois para ser 
combatido, antes, precisa ser aceito. Antes precisa ser seguido. Antes precisa ser 
arduamente cultuado. Na tentativa de nos aproximarmos a uma norma social 
imposta, que dissemina a ideia de aceitação mediante submissão, custeamos nosso 
próprio sofrimento. Quanto dinheiro gastamos em procedimentos estético cuja 
intencionalidade é nos aproximarmos, ao máximo, da beleza vitruviana, que exalta a 
simetria tal como uma top model exalta a passarela? Quanto despendemos em 
alimentos que, independentemente da sua composição nutricional, estampe em 
suas embalagens tendenciosas a nomenclatura “fit”? Vejo muita gente, nos lugares 
em que frequento, exaltando a segunda-feira como o dia internacional da dieta sem 
nem se dar conta do motivo pelo qual reproduz essa lógica. Pois é, nem sempre nos 
atentamos que se trata, de forma definitiva, de uma lógica mercadológica. O padrão 
é mutável para continuar sendo monetizado. Ele muda suas premissas, mas 
continua segregando, selecionando, e, adoecendo. Para destruí-lo, não acredito que 
seja muito efetivo lutar para que ele não exista, afinal, ele sempre dará um jeito de 
nos driblar e se instituir enquanto forma de diferenciar-nos. Para destruí-lo 
precisamos nos fortalecer enquanto seres singulares e diversos. É preciso saber 
exaltar a pluralidade e conviver com ela. Não basta exaltar a mulher gorda, o colega 
alternativo do colégio/faculdade, ou, a mulher preta que resolveu assumir os traços 
da sua negritude. Assim como, não me soa eficaz acusar as pessoas que cultuam o 
corpo magro e dotado de definições. Isso só causa mais alvoroço e impede que de 
fato atuemos no cerne do problema. É claro que, precisamos entender o motivo pelo 
qual desejamos cinturas finas, narizes afinados e cabelos sempre penteados e 
contidos, afinal, fazemos parte de uma dinâmica social e precisamos captar quais 
são suas ferramentas de dominação. No entanto, além de entender por que 
queremos o que queremos, é preciso que foquemos em tomar decisões 
conscientes. Isso não implica em rejeitar todo tipo de intervenção estética, mas em 
se questionar sobre os motivos pelos quais se quer realizar tal procedimento. Não é 
sobre deixar de fazer àquilo que te fará feliz, é se perguntar, inicialmente, se de fato 
se trata de um projeto de felicidade — firme, verdadeiro, e, duradouro — ou se é 
apenas mais uma das facetas do combo perverso da modelização dos corpos. 
Portanto, desejo que consigamos, além de fomentarmos a necessidade de 
aceitação estética e desejarmos seu remate, entender como se estruturam os 
padrões, quais são suas armadilhas, e, como conseguimos emancipar e instaurar 
um contra padrão.

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