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Conceitos
● Artigo não-crítico: utilizado em procedimentos com baixíssimo risco de
desenvolvimento de infecções associadas: entra em contato apenas com pele íntegra.
Requer desinfecção de médio nível, considerando o risco de transmissão secundária
de microrganismos de importância epidemiológica. Ex.: mobiliário, paredes e pisos,
termômetro axilar, diafragma de estetoscópio, aparelhos de pressão, entre outros.
● Artigo semicrítico: instrumento ou material destinado ao contato com pele não íntegra
ou com mucosa. Requer desinfecção de alto nível ou esterilização para uso. Ex.:
equipamentos de terapia respiratória e de anestesia, endoscopia.
● Artigo crítico: instrumento ou material que quando utilizado representa alto risco para
desenvolvimento de infecções por penetrar em tecidos ou órgãos. Requer esterilização
para uso. Ex.: instrumental cirúrgico, cateteres vasculares, pinças, outros.
Limpeza
Definição: remoção mecânica e/ou química da sujidade, visando a remoção de resíduos
orgânicos, realizada anteriormente à desinfecção e à esterilização. Podem ser utilizadas
técnicas manuais ou automatizadas por ação química de detergentes e sabões.
Tipos:
- Química: limpeza por dissolução, lise, dispersão da sujeira. Ex: sabão e detergentes.
- Mecânica: ação física aplicada na superfície para remover a sujeira resistente à ação
do produto químico. Ex: Esfregar com esponjas, escova e panos, lavadoras, etc.
- Térmica: Ação do calor para reduzir a viscosidade da gordura para facilitar sua
remoção por ação química.
Agente químicos utilizados:
- Detergentes comuns (ionizantes): Torna solúveis em água substâncias não solúveis
ou de baixa solubilidade. Agem principalmente sobre gorduras.
- Detergentes enzimáticos: Possuem enzimas que agem sobre proteínas (proteases),
amido (amilases) e gorduras (lipases). Processo semelhante à digestão, mas não
danifica os utensílios. Usado para limpeza de materiais críticos.
Limpeza Concorrente: É aquela realizada diariamente e logo após a exposição à sujidade.
Inclui recolhimento do lixo, limpeza do piso e das superfícies do mobiliários geralmente uma
vez por semana turno, além da descontaminação imediata.
Limpeza terminal: é aquela geral, realizada semanal, quinzenal ou semanalmente conforme a
utilização e a possibilidade de contaminação de cada superfície. Inclui escovação do piso,
limpeza de teto, luminárias, paredes, janelas e divisórias.
Mecanismos de higiene:
- Manual: fricção mecânica com água e sabão
- Máquinas de limpeza com jatos de água quente (150°C) ou detergente
- Máquinas de limpeza a vapor (100°C)
- Máquinas de ultrassom com detergente (limpeza ultrassônica)-->: Há o bombeamento
pulsante da água, e a máquina produz bolhas por oscilação de ondas ultrassônicas, que
implodem na superfície dos artigos dissolvendo os resíduos. Limpeza por cavitação;
retira sujeiras minúsculas encontradas na superfície e nas reentrâncias dos artigos;
pode ser utilizada para limpezas de: instrumentos de videolaparoscopia e material de
coleta (comadre, papagaio, bandejas, outros).
Desinfecção
Definição: É a remoção ou redução dos microorganismos na forma vegetativa, independente
de serem patogênicos, presentes em artigos e superfícies inanimadas. Eventualmente não
implica na destruição dos mesmos e isso mediante a aplicação de agentes químicos e/ou
físicos.
Métodos de desinfecção:
- Físico: É geralmente a primeira escolha nos ambientes de saúde. Toda mecânica
desse método envolve o calor como agente desinfetante. Para o processo,
normalmente são usados equipamentos que permitem mais controle e menos risco
operacional.
- Química: É ainda mais complexo e exige grande atenção da equipe responsável pela
aplicação. Isso se deve aos perigos toxicológicos dos produtos químicos que, se mal
administrados, além de não completar sua função, podem prejudicar a saúde das
pessoas que estão no local.
Níveis de desinfecção:
- Baixo nível (Não crítico): São destruídas bactérias em forma vegetativa, alguns vírus
e fungos, mas não inativam esporos bacterianos. Alguns exemplos são os amônios
quaternários, Fenóis simples e detergentes.
- Nível intermediário (Semi crítico): São eliminados todos os microrganismos
vegetativos e todos os fungos, também é eficaz contra o bacilo da tuberculose, porém
sobrevivem os esporos e os vírus lentos. As soluções utilizadas são o Surfa'Safe,
Álcool Etílico (70º) e Isopropílico (92º), Hipoclorito de Sódio, Fenólicos e Iodóforos.
- Nível alto (Crítico): É o nível de desinfecção mais completo, eliminando bactérias
vegetativas, micobactérias, bacilo da tuberculose, fungos, vírus e parte dos esporos
bacterianos. As soluções adotadas são o Hipoclorito de Sódio, Glutaraldeído, Solução
de Peróxido de Hidrogênio, Cloro e Compostos Clorados.
Alguns tipos de desinfetantes:
● Álcool: São utilizados os álcoois etílico 70% (nível intermediário) e isopropílico. São
bactericidas rápidos, eliminando também o bacilo da tuberculose, os fungos e os
vírus, não agindo, porém, contra os esporos bacterianos.
○ Vantagem: ação rápida, fácil uso, baixo custo, compatível com metais.
○ Desvantagem: dilata e enrijece borracha e plástico, opacifica acrílico, danifica
lentes e materiais com verniz, inflamável
● Compostos quaternários de amônia: Tem sua própria ação antimicrobiana, atribuída
à inativação de enzimas produtoras de energia, desnaturando proteínas essenciais das
células e rompendo a membrana celular. São recomendados para sanitização do meio
hospitalar, como superfícies não críticas, chão, móveis e paredes.
○ Vantagem: baixa toxicidade
○ Desvantagem: podem causar irritação na pele. Podem danificar borrachas
sintéticas, cimento e alumínio.
● Compostos fenólicos (nível médio ou intermediário): São usados para desinfecção
do ambiente hospitalar, incluindo superfícies de laboratórios e artigos
médico-cirúrgicos não críticos.
○ Vantagem: pouco afetados por matéria orgânica
○ Desvantagem: impregnam materiais porosos não sendo indicados para artigos
que entrem em contato com o trato respiratório (borracha, látex). Contra
indicados para uso em berços e incubadoras.
● Compostos clorados: Acredita-se que estes produtos agem por inibição de algumas
reações enzimáticas-chave dentro das células, por desnaturação de proteína e por
inativação do ácido nucléico. São ativos contra o bacilo da tuberculose, vírus e
fungos. São geralmente usados para desinfecção de materiais não críticos.
○ Vantagem: baixo custo, ação rápida, baixa toxicidade.
○ Desvantagem: difícil de ser validado, corrosivo para metais, inativado na
presença de matéria orgânica, odor forte, irritante de mucosa.
Esterilização
Conceito: A esterilização é um processo que visa destruir todas as formas de vida
microbianas que possam contaminar produtos, materiais e objetos voltados para a saúde.
Portanto, são eliminados durante a esterilização organismos como vírus, bactérias e fungos.
Vale lembrar que o processo de desinfecção não é muito eficaz para os esporos e alguns
tipos de vírus, sendo necessário a esterilização de alguns materiais.
Por que é necessário a esterilização?
Como já citado anteriormente, os materiais críticos penetram nos tecidos e em órgãos, por
isso, devem ser esterilizados para a segurança do paciente. Devido também aos seus custos, a
esterilização garante a reutilização desses materiais dando assim, uma maior vida útil a eles e
garantindo uma maior economia aos estabelecimentos que os adquirem. Vale lembrar que
alguns materiais críticos são descartáveis após o uso e por isso não são esterilizados.
Tipos de esterilização
O tipo de esterilização a ser usada depende do tipo de material e do risco de contaminação e
são divididos em químicos e físicos
Métodos Químicos de esterilização:
● Óxido de Etileno (ETO): é um gás vastamente utilizado na esterilização de materiais
laboratoriais e hospitalares de uso único por causa do seu bom custo/benefício. Sua
ação se dá pela reação com uma proteína no núcleo da célula,impedindo a reprodução
dos microorganismos. Seu uso não provoca danos aos materiais, todavia é um gás
extremamente tóxico ao ambiente;
● Ácido Peracético: tem ação rápida, baixa toxicidade e é biodegradável. Porém,
danifica metais. Uma grande vantagem é ser efetivo mesmo na presença de matéria
orgânica (ou seja, os materiais não precisam ser previamente limpos). Em
compensação, os materiais devem ser utilizados imediatamente após a esterilização
por esse método, por isso não é muito utilizado;
https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%93xido_de_etileno
● Peróxido de hidrogênio (água oxigenada): em concentração de 3% e 6% tem ação
rápida, é biodegradável e atóxico, mas tem alta ação corrosiva. Sua ação é mais eficaz
em capilares hemodializadores e lentes de contato, mas esse processo não é muito
utilizado;
● Formaldeído: pode ser utilizado na forma gasosa e líquida e, para ter ação esporicida,
necessita de um longo tempo de exposição. É indicado para cateteres, drenos e tubos,
laparoscópios, artroscópios e ventriloscópios, enxertos de acrílico. Por ser
carcinogênico é irritante nas mucosas, seu uso está mais restrito.
● Glutaraldeído: líquido com potente ação biocida e pode ser utilizado em materiais
termossensíveis, mas necessita de um longo tempo de exposição para ser esporicida. É
muito utilizado por ter baixo custo e baixo poder corrosivo, porém é irritante das vias
aéreas; pode causar queimaduras na pele, membrana e mucosas; e materiais porosos
podem reter o produto. Enxertos de acrílico, cateteres, drenos e tubos de poliestireno
são os materiais rotineiramente esterilizados por esse processo.
➔ Vale ressaltar que alguns materiais que esterilizam também são utilizados na
desinfecção, se diferenciando apenas no tempo que ficam nos materiais e na
quantidade colocada. Os métodos químicos são indicados para materiais
termossensíveis, ou seja, para objetos que não resistem às altas temperaturas
dos processos físicos.
Métodos físicos de esterilização
● Radiação ionizante: destrói o DNA formando radicais super-reativos (superóxidos),
matando ou inativando os micro-organismos (quando são incapazes de se reproduzir).
Muitos materiais são compatíveis com esse tipo de esterilização, pois não há aumento
da temperatura nesse processo. Caso dos materiais termossensíveis e tecidos
biológicos para transplantes. Apesar de parecer, a radiação não é transmitida para os
produtos processados. É um processo livre de resíduos e ecológico, pois não gera
emissões tóxicas ou resíduos, além de não causar impactos na qualidade do ar ou da
água. Destacamos dois tipos delas:
Radiação Gama: a energia é gerada por fontes de Cobalto 60. Esse processo tem alto
poder de penetração, permitindo que os produtos sejam esterilizados já na embalagem
final, sem necessidade de manipulação.
E-beam (feixe de elétrons): utilizado preferencialmente para o processamento de
produtos de alto volume/baixa densidade, como seringas médicas, ou produtos de
baixo volume/alto valor, como dispositivos cardiotorácicos. Além disso, pode ser
utilizado para produtos biológicos e tecidos. Podem ser esterilizados na embalagem
final, pois a radiação E-beam também possui alto poder de penetração.
● Calor úmido (ex.: autoclavagem, fervura e pasteurização): provoca a desnaturação e
coagulação das proteínas e fluidificação dos lipídeos. Não pode ser utilizado em
materiais termossensíveis, nem para materiais que oxidam com água. A autoclavagem
é muito utilizada nos vários setores de serviços da saúde por ser de custo acessível e
de fácil utilização. Além disso, consegue esterilizar uma infinidade de materiais,
inclusive tecidos e soluções;
● Calor seco (ex.: estufa, flambagem e incineração): provoca a oxidação dos
constituintes celulares orgânicos. Penetra nas substâncias de uma forma mais lenta
que o calor úmido e por isso exige temperaturas mais elevadas e tempos mais longos.
Não pode ser utilizado para materiais termossensíveis;
● Filtração: utilizada para soluções e gases termolábeis, quando atravessam superfícies
filtrantes com poros bem pequenos, como velas porosas, discos de amianto, filtros de
vidro poroso, de celulose, e filtros “millipore” (membranas de acetato de celulose ou
de policarbonato);
● Radiação não-ionizante (ex.: luz UV): altera a replicação do DNA no momento da
reprodução. Muito utilizado em lâmpadas germicidas encontradas em centros
cirúrgicos, enfermarias, berçários, capelas de fluxo laminar. Tem como desvantagens:
baixo poder de penetração e efeitos deletérios sobre a pele e olhos, causando
queimaduras graves.
➔ O método de radiação é mais utilizado a nível industrial para artigos
médicos-hospitalares. Ela permite que materiais sejam esterilizados em
temperaturas baixas, mas é um processo caríssimo. Para os materiais
resistentes a temperaturas altas o mais indicado é a esterilização pelo calor,
pois além de ser um método seguro e não formar poluentes, é um método
super acessível.
Importante saber também: Nos hospitais, lugares onde há a existência de vários
microorganismos e altas chances de infecções hospitalares, existe uma Central de Material e
Esterilização (CME), responsável pela esterilização de materiais usados no hospital. A
Central de Material e Esterilização é considerada como o setor mais importante de uma
instituição hospitalar, sendo chamada de “coração do hospital”. Isso porque é a partir dela
que todos os outros setores dão continuidade à assistência dos pacientes. A esterilização dos
materiais hospitalares devem ser feitas na seguinte sequência:
1. Expurgo:
Todo o material “sujo” é recebido pelo setor e limpo antes da esterilização.
2. Preparo de materiais:
Os utensílios são inspecionados, identificados, separados, embalados e
preparados para a esterilização.
3. Esterilização:
Aqui, o material é esterilizado por meios físicos (calor úmido ou seco) ou
químicos (através de soluções);
4. Distribuição de materiais esterilizados:
O último processo consiste em armazenar o material esterilizado e
devolvê-lo aos setores de origem, com os cuidados necessários e
estabelecidos.
Referências bibliográficas
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BIOSAN. Métodos de desinfecção e produtos de limpeza. Disponível em:
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Disponível em: https://kasvi.com.br/esterilizacao-quais-os-tipos-e-sua-importancia-na-saude/.
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https://biosan.net.br/metodos-de-desinfeccao-e-produtos-de-limpeza/
https://blog.arkmeds.com/2016/12/20/central-de-material-e-esterilizacao-5-coisas-que-voce-precisa-saber/
https://blog.arkmeds.com/2016/12/20/central-de-material-e-esterilizacao-5-coisas-que-voce-precisa-saber/

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