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CAPÍTULO 06 - O PODER LEGISLATIVO E SUAS TAREFAS

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Fonte: CRETELLA JUNIOR, J. e CRETELLA NETO, J. - 1.000 Perguntas e Respostas de Direito Constitucional – Editora Forense Jurídica (Grupo GEN).
CAPÍTULO VI - O PODER LEGISLATIVO E SUAS TAREFAS
VI.1. ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DO PODER LEGISLATIVO
310) Qual a atribuição do Poder Legislativo, segundo a doutrina clássica?
R.: A doutrina clássica de concepção do Estado (Montesquieu), que atribui a cada um dos Poderes funções determinadas, prevê que ao Poder Legislativo cabe exclusividade no estabelecimento de regras de direito gerais, abstratas e impessoais (isto é, leis), que devem ser observadas por toda a sociedade.
311) Por que a doutrina clássica não pode ser aplicada rigidamente ao Estado atual?
R.: As Constituições rígidas não delegavam funções de um Poder a outro, mas, em face das crescentes exigências sócio-econômicas da sociedade atual, relativas a questões cada vez mais complexas, não tem mais o Parlamento a necessária agilidade para atendê-las; assim, é freqüente a delegação dos poderes que o Legislativo não consegue desempenhar, como, por exemplo, a edição de regulamentos administrativos por parte do Poder Executivo. Há uma evidente crise no Legislativo, e conseqüente fortalecimento do Executivo.
312) Quais as formas existentes de organização do Legislativo?
R.: Existem, basicamente, duas formas de organização do Legislativo, o unicameral (utilizado somente em países de pequeno território e população reduzida, como Liechtenstein e Luxemburgo) e o bicameral, em que duas Casas Legislativas, atuando de forma complementar e conjunta, desempenham as funções típicas desse poder.
313) De que espécies pode ser o bicameralismo?
R.: O bicameralismo pode ser aristocrático, federal, sistemático (ou de moderação) e técnico.
314) Em que consiste o bicameralismo aristocrático?
R.: Bicameralismo aristocrático é o sistema em que uma das Câmaras representa a nobreza, um modelo que vigorou até o século XIX, do qual é exemplo a Câmara dos Lordes, da Grã-Bretanha, estando, atualmente, em desuso; tem força política por causa da tradição da Coroa, mas juridicamente sua influência é cada vez mais reduzida.
315) Em que consiste o bicameralismo federal?
R.: Bicameralismo federal é o sistema em que uma das Casas representa os Estados Federados (Câmara Alta) e a outra, o povo (Câmara Baixa), modelo encontrado, atualmente, em todos os Estados federais.
316) Em que consiste o bicameralismo sistemático?
R.: Bicameralismo sistemático (ou de moderação) é o sistema em que uma das Casas tempera os impulsos da outra, atuando como contrapeso, modelo seguido, por exemplo, pela França e pela Itália, com o papel moderador desempenhado pelos respectivos Senados.
317) Em que consiste o bicameralismo técnico?
R.: Bicameralismo técnico é o sistema em que uma das Casas desempenha assessoria técnica especializada.
318) O que é lei?
R.: Lei é ato normativo formal e escrito, aprovado e editado pelo Parlamento, de caráter geral e abstrato, que estabelece direitos e obrigações, indicando a forma de atuação do Estado, estabelecendo o âmbito e os limites da atuação estatal, e cujo conteúdo reflete a concepção de justiça da maioria parlamentar; dito de outra forma: é a declaração solene da norma jurídica feita pelo Poder competente.
319) Existem outras regras jurídicas válidas, além da lei, que regulam a conduta das pessoas?
R.: Sim. Além da lei, existem outros mecanismos que disciplinam da conduta, denominados equivalentes funcionais reguladores, dentre os quais podem ser mencionados: a autonomia contratual da vontade, o mercado (no plano econômico), as soluções comunitárias de conflitos, e as barganhas políticas.
320) O que são normas-regra?
R.: Normas-regra são aquelas em que o legislador prescreve e disciplina condutas, ou instrumenta a organização de entidades e de atividades; seguem um critério de efetividade. 
321) O que são normas-objetivo? 
R.: Normas-objetivo são aquelas em que o legislador determina resultados concretos a alcançar, isto é, fins a perseguir; seguem um critério finalístico.
322) Como se classificam as leis, quanto à abrangência? 
R.: Classificam-se as leis, quanto à abrangência, em leis gerais, especiais e singulares.
323) O que é lei geral? 
R.: Lei geral, que é a regra, é a norma jurídica dotada de abrangência máxima, caracterizando-se pela impessoalidade; na órbita federal, temos, por exemplo, o Código Civil, o Código de Processo Civil, o Código Penal, etc.
324) O que é lei especial? 
R.: Lei especial é a norma jurídica que enquadra classes ou categorias de pessoas, como, por exemplo, o Estatuto da OAB, o Estatuto dos Funcionários Públicos da União, etc.
325) O que é lei singular? 
R.: Lei singular é a norma jurídica que incide sobre uma única pessoa, ou sobre um número restrito de pessoas, como, por exemplo, lei que define os crimes de responsabilidade do Presidente da República.
326) Que espécies de leis existem, no Brasil? 
R.: Além das leis constitucionais, existem, no Brasil, leis ordinárias, leis complementares e leis delegadas.
327) O que é lei ordinária?
R.: Lei ordinária é a norma infraconstitucional que não necessita de maioria parlamentar absoluta para ser aprovada.
328) O que é lei complementar?
R.: Lei complementar é uma espécie de regra jurídica que, na hierarquia dos atos normativos, situa-se entre a norma constitucional e a lei ordinária, não ostentando a rigidez das primeiras, nem podendo ser revogadas pela segunda, e cuja aprovação depende de maioria parlamentar absoluta.
329) Quais as conseqüências da posição da lei complementar, na hierarquia dos atos normativos?
R.: As conseqüências da posição da lei complementar, na hierarquia dos atos normativos, isto é, situada entre a norma constitucional e a lei ordinária são: a) a lei complementar não pode contrariar a Constituição vigente, sob pena de ser inválida, inconstitucional; b) lei ordinária e lei delegada não podem contrariar lei complementar.
330) Qual a natureza jurídica da lei complementar?
R.: Considera-se a lei complementar como ato complexo desigual, pois conta com a participação do Presidente da República (que pode, inclusive, ter a iniciativa para sua elaboração) e também do Congresso Nacional, mas só se aperfeiçoa quando a vontade do Parlamento coincide com a do Presidente da República ou, caso não coincidam essas vontades, deve ser o veto do Presidente suprido por meio de novo ato complexo parlamentar.
331) Qual o quorum necessário para a aprovação de lei complementar?
R.: Segundo a CF, art. 69, a lei complementar deverá ser aprovada por maioria absoluta em cada Casa do Congresso Nacional.
332) Qual o rito legislativo para a elaboração de lei complementar. 
R.: O rito legislativo para a elaboração de lei complementar é o mesmo seguido para a elaboração da lei ordinária, exceto quanto ao quorum, que deve ser qualificado (maioria absoluta).
333) O que é lei delegada?
R.: Lei delegada é ato normativo elaborado e editado por comissão especial do Congresso Nacional, por comissão da Câmara dos Deputados, por comissão do Senado Federal ou pelo Presidente da República, em virtude de autorização concedida pelo Poder Legislativo, e dentro dos limites por ele impostos.
334) Qual a natureza da lei delegada?
R.: Considera-se a lei delegada, quanto ao conteúdo e eficácia, ato primário, pois deriva imediatamente da Constituição, embora por ela condicionado, e estabelece normas que se situam no primeiro nível de eficácia; quanto à formalização, no entanto, pode ser classificada como ato secundário, pois depende de ato primário do Congresso Nacional, que efetiva a delegação e impõe limites.
335) Como é autorizada a delegação?
R.: A delegação é sempre autorizada por meio de Resolução, que especificará seu conteúdo e os termos de seu exercício, e que deve ter origem: a) no Congresso Nacional, quando a delegação é ao Presidente da República ou à Comissão Especial do Congresso, podendo a Resolução ser elaborada em sessão conjunta ou em separado, em cada uma das Casas; e b) na Câmara Federal ou no Senado, quando a delegaçãofor à comissão de uma Casa ou de outra, respectivamente.
336) Que matérias são vedadas à delegação?
R.: São vedadas à delegação as seguintes matérias: I) de forma expressa, indica a CF, art. 68, § 1.º, I, II e III, os atos de competência exclusiva do Congresso e os atos de competência privativa da Câmara ou do Senado, a matéria reservada à lei complementar nem a legislação sobre: a) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público, a carreira e a garantia de seus membros; b) nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais; c) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias e orçamentos; II) de forma implícita, e mediante interpretação do art. 150, I, que veda exigir ou aumentar tributos sem que lei o estabeleça, conclui-se que matéria tributária não pode ser objeto de delegação ao Executivo.
337) Poderá o Legislativo editar lei ordinária, objeto da mesma matéria, durante o prazo de vigência da delegação?
R.: Sim. A delegação é meramente uma habilitação concedida a outro Poder, mas que não retira do Legislativo qualquer parcela de seu próprio poder.
338) Poderá o Legislativo revogar a delegação, durante o prazo de sua vigência?
R.: Sim. O Poder delegante poderá desfazer a delegação, se lhe parecer conveniente, porque continua a ter a faculdade de praticar atos de sua competência.
339) Qual a principal força do Poder Legislativo?
R.: Antes mesmo da concepção de Estado moderno, já tinha o Parlamento relevante poder financeiro, na medida em que tem, antes como agora, competência para instituir tributos, autorizar gastos públicos e fiscalizar a Administração Pública.
VI.2. A FUNÇÃO FISCALIZADORA DO PARLAMENTO. OS TRIBUNAIS DE CONTAS. AS COMISSÕES PARLAMENTARES
340) De que forma exerce o Parlamento sua função físcalizadora da Administração Pública?
R.: A fiscalização da Administração Pública é efetuada por meio do Tribunal de Contas, órgão especializado, que examina a realização do orçamento aprovado e a aplicação do dinheiro por parte dos órgãos encarregados de efetuar as despesas previstas.
341) Qual o fundamento jurídico que justifica a existência de órgãos de fiscalização, tais como o Tribunal de Contas?
R.: O fundamento jurídico que justifica a existência de órgãos fiscalizadores é o principio da obrigatoriedade de prestação de contas da Administração, direta e indireta, encontrado na CF, art. 34, VII, c.
342) Como surgiu o Tribunal de Contas, no Brasil?
R.: O Tribunal de Contas é criação do Governo Provisório Republicano, por meio do Decreto n.º 966-A, de 07.11.1890, elaborado por Rui Barbosa e que passou a constar do texto constitucional a partir da primeira Constituição da República, de 1891.
343) Em que esferas conta o Legislativo com Tribunais de Contas?
R.: O Legislativo conta com Tribunais de Contas da União (TCU), dos Estados (TCE), e do Distrito Federal, além de Tribunais de Contas nos Municípios de São Paulo e Rio de Janeiro (TCM).
344) Qual a natureza jurídica do Tribunal de Contas? 
R.: O Tribunal de Contas tem natureza jurídica de órgão auxiliar do Poder Legislativo, e é a ele funcionalmente ligado (e não ao Poder Judiciário, apesar do nome "Tribunal"); o Tribunal de Contas não tem jurisdição (juris dicere, dizer o Direito, distribuir Justiça), que é própria e exclusiva do Poder Judiciário, com o qual não tem qualquer vinculação. Assim, é incorreto dizer-se que o Tribunal de Contas "julga". Ele apenas "aprecia" as contas de determinado órgão, sempre adotando as posições do Legislativo, emitindo pareceres de cunho técnico.
345) Quais as garantias constitucionais concedidas ao Tribunal de Contas da União, para garantir sua independência orgânica? 
R.: Ao Tribunal de Contas da União, assegura a CF o exercício das mesmas competências previstas para os Tribunais do Poder Judiciário, conforme consta do art. 96, tais como: a) eleger seus órgãos diretivos e elaborar seus regimentos internos; b) organizar suas secretarias e serviços auxiliares; c) prover os cargos administrativos, por concurso público; d) propor ao Congresso Nacional a criação e a extinção de cargos e a fixação de vencimentos de seus membros e de serviços auxiliares.
346) Quais os privilégios constitucionais garantidos aos Ministros do TCU?
R.: A CF assegura aos Ministros do TCU as mesmas garantias, prerrogativas, vencimentos e vantagens dos Ministros do STJ, além da garantia de aposentadoria após somente 5 anos de efetivo exercício do cargo; têm, também, os mesmos impedimentos dos Ministros do STJ.
347) Quais os requisitos a que devem satisfazer os Ministros do TCU?
R.: O TCU, sediado no Distrito Federal, é composto por 9 Ministros nomeados dentre brasileiros que satisfaçam os seguintes requisitos: a) ter mais de 35 e menos de 65 anos de idade; b) idoneidade moral e reputação ilibada; c) notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros ou de administração pública; e d) mais de 10 anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija os conhecimentos mencionados no item anterior (art. 73, § 1.º).
348) Como são escolhidos os Ministros do TCU?
R.: Os Ministros do TCU são escolhidos: a) um terço pelo Presidente da República, com aprovação do Senado, sendo dois alternadamente dentre auditores e membros do MP junto ao Tribunal, indicados em lista tríplice pelo Tribunal, segundo os critérios de antigüidade e merecimento; e b) dois terços pelo Congresso Nacional.
349) Em que consiste a fiscalização exercida pelo Congresso Nacional sobre a União e entidades da administração direta e indireta?
R.: Segundo o art. 70 da CF, cabe ao Congresso Nacional a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia das receitas, mediante controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder.
350) Quem estará sujeito à prestação de contas perante o Congresso Nacional?
R.: Segundo o art. 70, parágrafo único, da CF, estará sujeita à prestação de contas qualquer pessoa física ou entidade pública que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome destas, assuma obrigações de natureza pecuniária.
351) Citar três atribuições do Tribunal de Contas da União.
R.: Dentre as atribuições do TCU, elencadas no art. 71 da CF, podem ser citadas as seguintes: a) apreciar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República; b) julgar (rectius: apreciar) as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público; e c) fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a Município.
352) Qual a estrutura e composição dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal e dos Tribunais de Conselhos e Contas dos Municípios?
R.: De modo geral, aplicam-se, no que couber, as normas estabelecidas na Seção IX do Capítulo I da CF (arts. 70 a 75), quanto à organização, composição e fiscalização desses órgãos; as Constituições Estaduais disporão sobre seus respectivos Tribunais de Contas, compostos por 7 Conselheiros.
353) Como é efetuado o controle das contas municipais, onde não há Tribunal de Contas do Município, isto é, excetuados São Paulo e Rio de Janeiro?
R.: Em alguns Estados, o controle é efetuado pelo Tribunal de Contas do Estado a que pertence o Município; em outros, criou-se órgão estadual para esse fim, denominado Conselho de Contas Municipais.
354) De que forma exerce o Parlamento controle político sobre os órgãos do governo?
R.: Os Tribunais de Contas auxiliam o Parlamento quanto ao aspecto técnico da fiscalização;o Parlamento exerce controle político sobre o governo, recorrendo freqüentemente aos pareceres técnicos emitidos pelos Tribunais de Contas, sendo esse controle relevante no processo político do país. No parlamentarismo são habituais as moções de censura ou de desconfiança ao Governo que levam, se aprovadas, à demissão do Primeiro-Ministro ou de todo o Gabinete; no Presidencialismo, esse controle é exercido, principalmente, por meio das Comissões Parlamentares de Inquérito - CPIs.
355) De que espécies podem ser as Comissões criadas no Senado e na Câmara Federal?
R.: As Comissões criadas podem ser temporárias (ou especiais), ou permanentes conforme o prazo para seu funcionamento seja ou não limitado.
356) O que são as Comissões Parlamentares de Inquérito - CPIs?
R.: As CPI's são comissões temporárias, constituídas pela Câmara, pelo Senado, ou em conjunto, destinadas à apuração de fatos determinados, e que têm amplo poder de investigação, visando ao encaminhamento de suas conclusões ao Plenário, para a adoção de providências, ou ao Ministério Público, para que apure as responsabilidades dos infratores.
357) Como podem ser criadas as CPI's?
R.: Existe liberdade para a criação de tantas CPI's quantas necessárias, desde que atendam às seguintes exigências: a) pelo menos um terço dos membros de cada Casa, ou de ambas, deverá assinar o requerimento de criação, conforme a CPI seja de uma só delas ou mista; b) o objeto da criação da CPI deve ser a apuração de fato ou de fatos determinados; e c) a CPI deve funcionar por prazo determinado, sendo, no entanto, possível prorrogá-lo.
358) Qual o diploma legal que dispõe sobre as Comissões Parlamentares de Inquérito?
R.: O diploma legal que dispõe sobre as CPI's é a Lei n.º 1.579, de 18.03.1952.
359) Qual a função das Comissões permanentes?
R.: As Comissões permanentes, criadas em cada Casa, assegurada a representação proporcional dos partidos ou blocos partidários, têm suas funções determinadas, em razão da matéria, pelo Regimento Interno ou pelo ato de criação. Cabe-lhes, por exemplo, discutir e votar projeto de lei, em determinados casos, realizar audiências públicas com entidades da sociedade civil, e convocar Ministros de Estado para prestar esclarecimentos sobre suas pastas.
360) Quais as atribuições da Comissão parlamentar permanente mista, criada pela CF de 1988?
R.: A CF de 1988 criou (art. 166, § 1.º) uma Comissão permanente composta por membros do Senado e da Câmara Federal, e considerada a mais importante do Congresso Nacional, por suas atribuições, que são, principalmente: a) examinar e emitir parecer sobre projetos de plano plurianual, lei de diretrizes orçamentárias (LDO), de orçamento anual e de créditos adicionais; b) examinar e emitir pareceres sobre os planos e programas nacionais, regionais e setoriais previstos na CF e exercer o acompanhamento e fiscalização orçamentária, independentemente da atuação das demais Comissões; e c) solicitar à autoridade governamental responsável que preste esclarecimentos, no prazo de 5 dias, sobre despesas não autorizadas.
361) O que são Comissões representativas?
R.: Comissões representativas são aquelas que funcionam durante o recesso do Congresso Nacional (16 de dezembro até 31 de janeiro para a primeira legislatura e até 14 de fevereiro, nas demais). Compostas por membros das duas Casas, eleitos durante a última sessão ordinária do período legislativo, e cuja proporção deverá espelhar a representação de cada partido no Congresso; têm por função representar o Congresso Nacional durante o recesso, sendo suas atribuições e a composição definidas no regimento comum.
362) Para que serve o recesso parlamentar?
R.: Historicamente, servia o recesso parlamentar para que os membros do Parlamento retornassem às regiões eleitorais de origem, reforçando a legitimidade de seus mandatos, pelo contato com as bases; hoje, o recesso atende a outras necessidades, inclusive como férias dos parlamentares.
363) O que é legislatura?
R.: Legislatura é o período de 4 anos, contados a partir do início do mandato dos deputados federais e que termina no dia anterior ao início do próximo mandato, e que marca o espaço de tempo que caracteriza cada Congresso.
364) Em que ocasiões ou eventos desenvolve o Congresso Nacional suas atividades, durante determinada legislatura?
R.: Em determinada legislatura, o Congresso Nacional desenvolve suas atividades durante sessões legislativas (que podem ser ordinárias ou extraordinárias) e reuniões conjuntas (que podem ser ordinárias e extraordinárias).
365) O que é sessão legislativa ordinária?
R.: Sessão legislativa ordinária é o período anual em que se reúne o Congresso Nacional, para exercer suas atividades, dividido em duas partes, de 15 de fevereiro a 30 de junho e de 1.º de agosto a 15 de dezembro.
366) O que é sessão legislativa extraordinária?
R: Sessão legislativa extraordinária é aquela convocada pelo Presidente da República, ou pelos Presidentes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, ou ainda, pela maioria dos membros de ambas as Casas.
367) Em que casos pode ser convocada a sessão legislativa extraordinária?
R.: O Presidente da República, os Presidentes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados e a maioria dos parlamentares podem convocar sessão legislativa extraordinária em casos de urgência ou de interesse público relevante; o Presidente do Senado Federal, deverá, ainda, proceder à convocação quando da posse do Presidente e do Vice-Presidente da República, de pedido para a decretação de estado de sítio ou em caso de decretação de estado de defesa ou de intervenção federal.
368) O que é sessão ordinária?
R.: Sessão ordinária é aquela em que o Congresso Nacional se reúne habitualmente, de segunda a sexta-feira, sendo disciplinada pelos Regimentos Internos da Câmara e do Senado.
369) O que é sessão extraordinária?
R.: Sessão extraordinária é aquela convocada por qualquer das Casas do Congresso Nacional, para que aprecie determinada matéria, ou que conclua a apreciação de matéria que já tenha iniciado a discutir, e que funciona em horário diferente do das sessões ordinárias.
370) O que são reuniões conjuntas?
R.: Reuniões conjuntas são sessões em que os membros da Câmara dos Deputados e do Senado Federal exercem trabalhos legislativos, cabendo a direção à Mesa do Congresso Nacional (art. 57, § 5.º), presidida pelo Presidente do Senado.
371) Que matérias devem ser objeto das reuniões conjuntas?
R.: A CF Federal prevê, no art: 57, § 3.º, as seguintes hipóteses: a) inaugurar a sessão legislativa, em 15 de fevereiro de cada ano; b) elaborar o regimento comum; c) regular a criação de serviços comuns às duas Casas; d) receber o compromisso do Presidente e do Vice-Presidente da República; e) conhecer do veto e sobre ele deliberar; f) deliberar sobre medidas provisórias; e g) discutir e votar o Orçamento.
372) Quais são as atribuições privativas da Câmara dos Deputados? 
R.: Segundo o art. 51 da CF, compete privativamente à Câmara dos Deputados: a) autorizar, por dois terços de seus membros, a instauração de processo contra o Presidente e o Vice-Presidente da República e os Ministros de Estado; b) proceder à tomada de contas do Presidente da República, quando não apresentadas ao Congresso Nacional dentro de 60 dias após a abertura; c) elaborar seu Regimento Interno; e d) dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção de cargos, empregos e funções de seus serviços e fixação da respectiva remuneração, observados os parâmetros estabelecidos no art. 27, § 2.º, da CF (modificado pela EC n.º 1, de 31.12.1992) e na LDO.
373) Quais as principais atribuições privativas do Senado Federal?
R.: O art. 52 elenca, em seus incisos I a XIV, extensa série de atribuições do Senado Federal, que lhe são privativas, isto é, compete-lhe com absoluta exclusividade, desempenhar; dentre algumas das mais importantes, podemos citar: a) processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsabilidade e os Ministros de Estado noscrimes da mesma natureza conexos com eles; b) autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; c) dispor sobre limites globais e condições para as operações de crédito externo e interno da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de suas autarquias e demais entidades controladas pelo Poder Público federal; d) suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF; e e) elaborar seu Regimento Interno.
374) Qual o quorum necessário para que sejam tomadas deliberações na Câmara e no Senado?
R.: De modo geral, o quorum necessário para tomar deliberações é o da maioria simples de votos dos membros da Câmara ou do Senado; a CF, no entanto, fixa casos em que as deliberações somente podem ser tomadas por maioria qualificada, que são: a) maioria absoluta, arts. 55, § 2.º, 66, § 4.º e 69; b) três quintos (60%), art. 60, § 2.º; e c) dois terços (66,67%), arts. 51, I, 52, parágrafo único e 86.
375) O que é maioria simples?
R.: Maioria simples é a quantidade de votos superior à metade dos votos apurados, calculada em relação a todos os votos dos efetivamente presentes; aritmeticamente, é o número inteiro imediatamente superior à metade do número total de votos dos presentes (não é simplesmente, metade mais um, pois o número total pode ser ímpar, e a metade, um número fracionário; nesse caso, metade mais um seria, também, número fracionário).
376) O que é maioria absoluta?
R.: Maioria absoluta é a quantidade de votos superior à metade da quantidade total de eleitores com direito a voto, presentes ou não à votação.
377) O que é maioria relativa?
R.: Maioria relativa é a quantidade de votos superior à metade dos votos apurados e válidos, calculada em relação a todos os votos.
378) O que é maioria qualificada?
R.: Maioria qualificada é a quantidade de votos traduzida por um número predeterminado em lei, expressa por uma fração do número total de votos (dois terços, três quintos).
379) Qual a composição do Senado?
R.: No Senado Federal, ou Câmara Alta, cada um dos Estados-Membros e mais o Distrito Federal tem três representantes cada, eleitos por um período de oito anos; a cada quatro anos são renovados um terço ou dois terços dos Senadores, sucessivamente.
380) Qual a composição da Câmara Federal?
R.: A composição da Câmara Federal, ou Câmara Baixa, é variável, atribuindo-se a cada Estado-Membro da Federação e ao Distrito Federal o número mínimo de 8 e máximo de 70 Deputados Federais, sendo as cadeiras distribuídas segundo a proporção de habitantes do Estado, em relação à do país.
381) Qual a crítica mais freqüente, feita pela doutrina, sobre a distribuição das cadeiras na Câmara dos Deputados, no Brasil?
R.: A limitação do número de deputados a 70, e o critério da proporcionalidade ao número de habitantes de cada Estado, provocam distorção na representatividade, pois um Estado que tenha 400.000 habitantes, terá 8 representantes, enquanto que outro, com 40.000.000, terá 70. Em outras palavras, no primeiro, 50.000 habitantes são representados por um Deputado, e no segundo, cada Deputado representará 571.428 habitantes, o que significa que os habitantes do primeiro têm "valor parlamentar" superior a 12 vezes o valor dos habitantes do segundo.
382) De que forma são eleitos os Deputados?
R.: A cada 4 anos são realizadas eleições para Deputado, admitida a reeleição sem limitação do número de mandatos consecutivos; computam-se os votos válidos (votos a cada legenda mais votos em branco), dividindo-se esse número pelo número de cadeiras a preencher; o resultado é o quociente eleitoral de cada partido. Divide-se o número de votos recebido por cada partido pelo quociente eleitoral; o resultado é o número de eleitos. Havendo sobra de votos, soma-se uma unidade ao número de candidatos eleitos por cada partido, descartando-se os que não atingirem o quociente eleitoral; o resultado é dividido pelo total de votos dados a cada partido, buscando-se a maior média de votos, para apontar os eleitos "por legenda", isto é, aqueles que receberão sobras de votos dadas aos partidos.
	
VI.3. PROCESSO LEGISLATIVO. A ELABORAÇÃO DA LEI
383) Em que consiste o processo legislativo?
R.: Processo legislativo é o conjunto de atos preordenados (procedimentos), praticados pelos órgãos pertencentes ao Poder Legislativo, e que têm por objeto a elaboração normativa, isto é, a produção de normas de Direito.
384) Que espécies de normas de Direito são elaboradas pelo Poder Legislativo?
R.: De acordo com o art. 59 da CF, o Poder Legislativo elabora as seguintes espécies de normas: a) emendas à Constituição; b) leis complementares; c) leis ordinárias; d) leis delegadas; e) medidas provisórias; f) decretos legislativos; e g) resoluções.
385) Medidas provisórias são elaboradas pelo Poder Legislativo?
R.: Não. Medidas provisórias são normas jurídicas elaboradas privativamente pelo Presidente da República (CF, art. 62), adotadas em caso de relevância e urgência, e imediatamente submetidas ao Congresso Nacional, para que as converta em lei e discipline as relações jurídicas delas decorrentes.
386) O que ocorrerá se o Congresso estiver em recesso?
R.: Se o Congresso estiver em recesso, será convocado extraordinariamente, para se reunir no prazo de cinco dias (art. 62, caput).
387) Que papel cabe ao Congresso na apreciação das medidas provisórias, e quais as conseqüências de sua atuação?
R.: Se o Congresso Nacional não converter a medida provisória (que, ao ser editada, já tem força de lei) em lei, dentro de 30 dias após sua publicação, esta perderá sua eficácia; caso, dentro de 30 dias, a medida provisória seja convertida em lei, caberá ainda, ao Congresso Nacional, disciplinar as relações jurídicas dela decorrentes.
388) Quais as diferenças entre o antigo decreto-lei e as medidas provisórias?
R.: Tanto o antigo decreto-lei quanto a medida provisória são medidas de lei sujeitas a uma condição resolutiva, isto é, perdem a eficácia se, decorridos 30 dias da edição, não forem convertidos em lei. A diferença reside nos efeitos jurídicos de uma e de outra, quando não ocorre conversão em lei: no caso do decreto-lei, todas as relações jurídicas dele decorrentes permaneciam válidas; no caso da medida provisória, se não reeditada ou não convertida em lei, todas as relações jurídicas dela derivadas ficarão invalidadas.
389) Quais as limitações ao emprego de medidas provisórias?
R.: A Emenda Constitucional n.º 6/95 vedou a adoção de medida provisória na regulamentação de artigo da CF, cuja redação tenha sido alterada por EC a partir de 1995; além disso, somente podem ser disciplinadas por medida provisória, situações ou matérias que não podem ser delegadas.
390) Leis delegadas são elaboradas mediante processo legislativo?
R.: Não. Embora o art. 59 da CF inclua leis delegadas no processo legislativo, a verdade é que sua criação é resultado de mero procedimento elaborativo, não se confundindo sua elaboração com a resolução do Congresso Nacional, especificando seu conteúdo e o termo de seu exercício, e que outorga a delegação ao Presidente da República, mediante solicitação, nos termos do art. 68, § 2.º, da CF; essa resolução do Congresso Nacional é que é resultado de processo legislativo.
391) Quais os atos legislativos típicos, praticados durante o processo legislativo, visando a elaboração de normas jurídicas?
R.: São atos legislativos típicos, praticados visando a elaboração de normas jurídicas: a) emendas; b) iniciativa legislativa; c) votação; d) sanção; e) veto; f) promulgação; e g) publicação.
392) O que são emendas?
R.: Emendas são propostas elaboradas em caráter privativo, pelos membros ou órgãos da Câmara ou do Senado, destinadas a modificar matéria contida em projetos de lei, e que têm caráter acessório.
393) O que é a iniciativa legislativa?
R.: Iniciativa legislativa é apresentação de projeto de lei ao Legislativo, qualquer pessoa ou órgão, atribuindo a lei, às vezes, competência corrente, e às vezes,competência exclusiva para submeter a matéria ao Parlamento.
394) Citar três casos em que o Presidente da República tem competência exclusiva para a iniciativa legislativa.
R.: Tem competência exclusiva o Presidente da República para a iniciativa de leis cuja matéria versa sobre: a) criação e atribuição de Ministérios; b) regime jurídico dos servidores públicos da União; e c) normas gerais para a organização do MP e da Defensoria Pública dos Estados e do Distrito Federal.
395) Citar três casos em que o Supremo Tribunal Federal tem competência exclusiva para a iniciativa legislativa.
R.: Tem competência exclusiva o Supremo Tribunal Federal para a iniciativa de leis cuja matéria verse sobre: a) Estatuto da Magistratura, por meio de lei complementar; b) criação e extinção de cargos da Magistratura e fixação de vencimentos de seus membros; e c) proposta orçamentária, dentro dos limites estipulados conjuntamente com os demais Poderes na LDO, por meio de seu Presidente, e com a aprovação dos membros do Tribunal, nos termos do art. 99, § 2.º, I.
396) Citar dois casos em que os Tribunais Superiores têm competência exclusiva para a iniciativa legislativa.
R.: Têm competência exclusiva os Tribunais Superiores para a iniciativa de leis cuja matéria verse sobre: a) alteração do número de membros dos Tribunais inferiores; e b) criação e extinção de cargos e fixação de vencimentos de seus membros e dos juízes dos Tribunais inferiores.
397) O que é sanção?
R.: Sanção é o ato legislativo, de exclusiva competência do Presidente da República, que consiste em aprovação, expressa ou tácita, a projeto de lei aprovado pelo Poder Legislativo.
398) Quando ocorrerá sanção expressa e sanção tácita?
R: Ocorrerá sanção expressa quando, recebido o projeto de lei aprovado pelo Legislativo, apuser o Presidente da República sua assinatura; ocorrerá sanção tácita quando, recebido o projeto de lei, não for assinado durante os 15 dias úteis subseqüentes ao recebimento.
399) O que é veto?
R.: Veto é o ato legislativo, de exclusiva competência do Presidente da República, que consiste em desaprovação, total ou parcial, de projeto de lei aprovado pelo Poder Legislativo.
400) Quais os limites ao veto presidencial?
R.: O veto total, evidentemente, refere-se a discordância quanto ao texto integral do projeto de lei; quando parcial, nos termos do art. 66, § 2.º, deverá o veto abranger texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea, isto é, não poderá recair meramente sobre algumas palavras ou sobre parte de um inciso, por exemplo.
401) Que fundamentos poderá invocar o Presidente da República para vetar projeto de lei?
R.: Nos termos do art. 66, § 1º, o Presidente da República poderá vetar o projeto, no todo ou em parte, com fundamento em sua inconstitucionalidade ou se considerá-lo contrário ao interesse público.
402) Qual deverá ser o procedimento, se o projeto de lei for vetado, total ou parcialmente?
R.: Vetado parcial ou totalmente o projeto de lei, deverá o Presidente da República comunicar ao Presidente do Senado Federal, dentro de 48 horas, os motivos do veto.
403) Qual deverá ser o procedimento do Parlamento, após o envio do veto pelo Presidente da República? 
R.: Nos termos do art. 66, § 4.º, o veto deverá ser apreciado em sessão conjunta, dentro de 30 dias do recebimento, somente podendo ser rejeitado por maioria absoluta dos Deputados e Senadores, em votação secreta; nos termos do § 6.º do mesmo artigo, se o Parlamento não deliberar sobre o veto no prazo de 30 dias, deverá ser colocado na ordem do dia da sessão imediatamente a seguir, sobrestadas quaisquer outras proposições, até sua votação final.
404) O que deverá ocorrer se o veto não for mantido?
R.: Nos termos do art. 66, § 7.º, se não for mantido o veto, deverá o projeto de lei ser enviado de volta ao Presidente da República, que deverá promulgá-la dentro de 48 horas.
405) O que deverá ocorrer se o Presidente da República não proceder à promulgação, dentro do prazo legal de 48 horas? 
R.: Se a lei não for promulgada em 48 horas, deverá ser promulgada pelo Presidente do Senado, dentro de 48 horas; se não o fizer, dentro deste prazo, caberá ao Vice-Presidente do Senado fazê-lo.
406) O que é a promulgação da lei?
R.: Promulgação é a comunicação de que a norma jurídica existe e de que é válida (condições de existência e validade); a autoridade que promulga a lei deve determinar-lhe a publicação.
407) O que é publicação de uma lei?
R.: Publicação é o ato solene, pelo qual se comunica, por escrito, em jornal oficial, que uma norma jurídica está em vigor e é eficaz (condições de vigência e eficácia).
408) Estão também as leis delegadas e as medidas provisórias sujeitas a sanção, veto ou promulgação?
R.: Não. Leis delegadas e medidas provisórias não estão sujeitas a sanção, veto ou promulgação, cabendo somente edição, mediante publicação oficial.
409) O que é procedimento legislativo?
R.: Procedimento legislativo é ato praticado pelo Poder Legislativo, (cujo conjunto consiste no processo legislativo), visando a elaboração de projetos de lei e impulsionando-os em direção à apreciação e à votação final, e a integração do texto, quando aprovado, no ordenamento jurídico vigente.
410) De que espécies pode ser o procedimento legislativo?
R.: O procedimento legislativo pode ser ordinário, sumário ou especial.
411) Em que consiste o procedimento legislativo ordinário?
R.: Procedimento legislativo ordinário, o mais comum e normalmente o mais demorado, pois permite muitas oportunidades para manifestações a respeito, das duas Casas, é aquele destinado à elaboração de leis ordinárias.
412) Quais as fases do procedimento legislativo ordinário?
R.: Costuma-se dividir o procedimento legislativo ordinário em cinco fases: a) introdutória, em que é apresentado o projeto de lei; b) exame nas comissões permanentes, que emitem pareceres, emendas ou substitutivos ao projeto; c) discussões, em plenário, quase sempre na Casa onde se originou o projeto, fase em que o projeto pode receber emendas; d) decisória, em que o projeto é votado, o que poderá ocorrer em um ou dois turnos; e e) revisória, em turno único de discussão e votação, quando a Casa, em que não ocorreu ainda a votação, recebe o projeto de lei aprovado, sem emendas (art. 65, caput), pela outra Casa.
413) Em que Casa terão início a discussão e a votação dos projetos lei de iniciativa do Presidente da República, do STF e dos Tribunais Superiores? 
R.: De acordo com o art. 64, caput, da CF, a discussão e a votação desses projetos de lei terão início na Câmara dos Deputados.
414) O que ocorrerá ao término da revisão pela Casa revisora? 
R.: Se a Casa revisora rejeitar o projeto de lei, será arquivado; se o projeto for aprovado, com ou sem emendas, voltará à Casa iniciadora (art. 65); a Casa na qual tenha sido concluída a votação enviará o projeto de lei ao Presidente da República que, aquiescendo, o sancionará (art. 66, caput).
415) Em que consiste o procedimento legislativo sumário? 
R.: Procedimento legislativo sumário é aquele cuja instauração depende de solicitação do Presidente da República à Câmara dos Deputados, tendo por finalidade a apreciação, em caráter de urgência, de projetos de lei de sua iniciativa, conforme o art. 64, § 4.º, da CF.
416) O que ocorrerá se nem a Câmara dos Deputados nem o Senado Federal se manifestarem, cada qual, sucessivamente, em até 45 dias, sobre a proposição? 
R.: Não ocorrendo manifestação de nenhuma das Casas, dentro do prazo de 45 dias, a proposição será incluída na ordem do dia, sobrestando-se a deliberação quanto aos demais assuntos, para que seja votada.
417) O que ocorrerá se o projeto de lei for aprovado pela Câmara, mas o Senado Federal apresentar emendas? 
R.: Neste caso, o projeto de lei retornará à Câmara dos Deputados, que terá 10 dias de prazo para apreciá-las (art. 63, § 3.º).
418) Em que casos se veda especificamente o procedimento legislativo sumário? 
R.: A atual CF veda especificamente o procedimento legislativo sumário a projetos de Códigos (art.64, § 4.º), e os prazos desse artigo não correm durante os períodos de recesso do Congresso Nacional.
419) Em que consiste o procedimento legislativo especial?
R.: Procedimento legislativo especial é o instaurado para a elaboração de emendas constitucionais, de leis financeiras, de leis delegadas, de medidas provisórias e de leis complementares.
420) Quais as principais prerrogativas dos congressistas?
R.: A CF, em seu art. 53, estabeleceu que os Deputados e Senadores gozam das seguintes prerrogativas: a) inviolabilidade: são invioláveis por suas opiniões, palavras e votos (caput); b) imunidade: não podem ser presos, exceto em flagrante de crime inafiançável, nem processados criminalmente, sem prévia licença de sua Casa (§ 1.º); c) privilégio de foro: serão criminalmente julgados pelo STF (§ 4.º); d) limitação ao dever de testemunhar: não terão o dever de testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas em razão do exercício do mandato, nem sobre as pessoas que lhes confiaram ou deles receberam informações (§ 5.º); e e) isenção do serviço militar: somente podem ser incorporados às Forças Armadas se a Casa a que pertence o Parlamentar conceder licença, mesmo que o parlamentar seja militar ou o país esteja em guerra (§ 6.º).
421) Qual a diferença entre a inviolabilidade e a imunidade?
R.: Inviolabilidade (ou imunidade material) consiste em, ocorrido o fato típico, não ser ele considerado como antijurídico, deixando, portanto de constituir crime; imunidade (melhor denominada imunidade formal) consiste em, ocorrido o fato típico, ser ele considerado antijurídico (e, portanto, crime), mas impedir que seja instaurado o processo, sem que a Casa a que pertence o parlamentar conceda prévia autorização.
422) O que ocorre em relação ao prazo para a instauração de processo contra o parlamentar que cometer crime, no caso de indeferimento de licença, ou falta de deliberação, por parte da Casa a que pertence? 
R.: Nesses casos, não fluirá prazo para que seja processado, ficando em suspenso a prescrição até o término do mandato do parlamentar (§ 2º).
423) Qual o procedimento, no caso de parlamentar preso em flagrante por crime inafiançável?
R.: Preso o parlamentar em flagrante, por crime inafiançável, serão os autos remetidos à Casa à qual pertença, no prazo de 24 horas, para que esta resolva, por meio de voto secreto da maioria de seus membros, sobre sua prisão e autorize, ou não, a formação de culpa (§ 3.º).
424) Quais as vedações impostas a Deputados e Senadores, a partir da expedição do diploma?
R.: As vedações (ou incompatibilidades) impostas a Deputados e Senadores, a partir da expedição do diploma são (art. 54, I, a e b): a) firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de Direito Público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público, salvo quando o contrato obedecer a cláusulas uniformes; e b) aceitar ou exercer cargo, função ou emprego remunerado, inclusive o que seja demissível ad nutum, nas entidades constantes do item anterior.
425) Quais as vedações impostas a Deputados e Senadores, a partir da posse?
R.: As vedações (ou incompatibilidades) impostas a Deputados e Senadores, a partir da posse são (art. 54, II, a, b, c e d): a) ser proprietários, controladores, ou diretores de empresa, que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de Direito Público, ou nela exercer função remunerada; b) ocupar cargo ou função de que sejam demissíveis ad nutum, em pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público, salvo quando o contrato obedecer a cláusulas uniformes; c) patrocinar causa em que seja interessada qualquer das entidades referidas no item anterior; e d) ser titulares de mais de um cargo ou mandato público eletivo.
426) De que formas pode o parlamentar perder o mandato?
R.: O parlamentar pode perder o mandato por cassação ou por extinção.
427) Em que consiste a cassação do mandato?
R.: Cassação do mandato é o afastamento do cargo do parlamentar, mediante procedimento político, que se instaura por motivo do cometimento de infração capitulada no art. 54, I (desde a expedição do diploma) ou no art. 54, II (desde a posse) da CF.
428) Em que consiste a extinção do mandato?
R.: Extinção do mandato é a perda da função de deputado ou senador, por decurso do tempo, ou pela renúncia, por exemplo.
429) Em que casos prevê a CF a perda do mandato parlamentar?
R.: A CF (art. 55) prevê a perda do mandato parlamentar quando o titular: I) infringir qualquer das proibições do art. 54; II) tiver procedimento declarado incompatível com o decoro parlamentar; III) deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, à terça parte das sessões ordinárias da Casa a que pertencer, salvo licença ou missão por esta autorizada; IV) perder ou tiver suspensos os direitos políticos; V) tiver o mandato cassado pela Justiça Eleitoral, nos casos previstos na CF; e VI) sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado. Visando conferir maior rigor ao processo que vise ou possa levar à perda do mandato, os efeitos da renúncia do parlamentar ficarão suspensos até as deliberações finais (ECR n.º 6, de 07.06.1994).
430) O que se considera incompatível com o decoro parlamentar?
R.: Considera-se incompatível com o decoro parlamentar o abuso das prerrogativas asseguradas a membros do Congresso Nacional ou a percepção de vantagens indevidas; além disso, o regimento interno das Casas define os casos considerados como incompatíveis com o decoro parlamentar (art. 55, § 1.º).
431) Quais os casos correspondentes à cassação do mandato e à extinção do mandato parlamentar, previstos no art. 55 da CF?
R.: Cassação de mandato: I, II e VI; extinção do mandato: III, IV e V.
432) Qual a natureza jurídica das decisões sobre a cassação e a extinção do mandato parlamentar?
R.: Cassação: natureza desconstitutiva (ou constitutiva-negativa); extinção: natureza declaratória.
433) Quem deverá decidir sobre a perda do mandato?
R.: A perda do mandato será decidida: I) nos casos dos itens I, II e VI acima, pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal, por voto secreto e maioria absoluta, mediante provocação da respectiva Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa (art. 55, § 1.º); II) nos casos dos itens III, IV e V, pela Mesa da Casa respectiva, de ofício ou mediante provocação de qualquer de seus membros, ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa.
434) Em que circunstâncias não perderá o mandato, o parlamentar afastado do Parlamento?
R.: Não perderá o mandato o Deputado ou Senador: I) investido no cargo de Ministro de Estado, Secretário de Estado, de Prefeitura de Capital ou chefe de missão diplomática temporária; II) licenciado pela respectiva Casa por motivo de doença, ou para tratar, sem remuneração, de interesse particular, desde que, nesse caso, o afastamento não ultrapasse 120 dias por sessão legislativa.
435) Que espécies de direitos são assegurados aos congressistas?
R.: Aos congressistas são assegurados direitos, que podem ser classificados em genéricos, pois são ligados à condição de parlamentares e sua atividade no Parlamento, e específicos, que encontram amparo no texto constitucional.
436) Quais os direitos genéricos dos congressistas?
R.: Os congressistas, para poderem exercer livremente seus mandatos, têm inúmeros direitos, tais como participar das atividades do Poder Legislativo, debatendo matérias submetidas à Casa a que pertencem ou a comissões parlamentares, solicitar informações, e votar projetos de lei.
437) Quais os direitos específicos dos congressistas?
R.: A CF dispõe, no art. 49, VII, que compete exclusivamente ao Congresso Nacional, em cada legislatura, para a legislatura subseqüente, a fixação de remuneração (principal direito específico) para os Deputados Federais e Senadores, que deve ser idêntica para ambos.

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