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Livro Eletrônico Aula 03 Teoria da Contabilidade p/ CFC 2019.1 (Bacharel em Ciências Contábeis) Gilmar Possati 1 21 O Patrimônio Líquido e suas Teorias. 1 ʹ O Patrimônio Líquido e suas Teorias ............................................................................. 2 1.1. Contextualização ........................................................................................................................ 2 1.2. Teoria da Propriedade ................................................................................................................ 3 1.3. Teoria da Entidade ..................................................................................................................... 5 1.4. Teoria do Fundo .......................................................................................................................... 8 1.5. Teoria do Empreendimento (Empresarial) ................................................................................. 9 1.6. Teoria do Comandante (do Comando) ....................................................................................... 9 1.7. Teoria Residual (dos Direitos Residuais) .................................................................................. 10 2 ʹ Questões Comentadas ............................................................................................... 12 5 ʹ Gabarito ..................................................................................................................... 21 Gilmar Possati Aula 03 Teoria da Contabilidade p/ CFC 2019.1 (Bacharel em Ciências Contábeis) www.estrategiaconcursos.com.br 2 21 1 ʹ O PATRIMÔNIO LÍQUIDO E SUAS TEORIAS 1.1. CONTEXTUALIZAÇÃO Segundo Niyama e Silva (2013)1, as teorias do patrimônio líquido influenciam os procedimentos contábeis, sendo uma referência para a apresentação das demonstrações financeiras. Isso ocorre, segundo os autores, devido ao fato de que cada teoria interpreta a posição econômica de uma entidade de maneira diferente, interferindo na sua evidenciação. Referidos autores informam que no desenvolvimento histórico da Contabilidade, prevalecia a denominada teoria da propriedade. Sua contraposição, a teoria da entidade, somente surgiu no final do século XIX e início do século XX, com a popularização do mercado acionário e das demonstrações contábeis para o usuário externo. Ainda hoje, a Teoria da Propriedade é predominante pela influência que os donos exercem sobre a Contabilidade. Entretanto, destacam os autores, cada vez mais, o leque de usuários aumenta, tornando questionável esse predomínio. Segundo os autores, [...] a discussão sobre as teorias do patrimônio líquido apresenta como pressuposto implícito a necessidade de optar por uma das teorias. Isso garantiria uma consistência na apresentação das demonstrações contábeis. Entretanto, a existência de diferentes usuários, com diferentes interesses, torna difícil imaginar que a consistência venha a acontecer. Assim, nos dias de hoje, a discussão das teorias do patrimônio líquido que receberam grande atenção no passado torna-se secundária em decorrência do direcionamento das pesquisas contábeis para área empírica. Realizada essa breve contextualização do assunto, passemos à abordagem das teorias do patrimônio líquido, quais sejam: Teoria da Propriedade; Teoria da Entidade; Teoria do Fundo; Teoria do Empreendimento; Teoria do Comando; Teoria Residual. Porém, antes de entrarmos especificamente em cada uma das teorias acima descritas, vamos relembrar o conceito de patrimônio líquido. Segundo a NBC TG Estrutura Conceitual, o patrimônio líquido é o valor residual dos ativos da entidade depois de deduzidos todos os seus passivos. 1 NIYAMA, Jorge Katsumi; SILVA, César Augusto Tibúrcio. Teoria da Contabilidade. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2013. Gilmar Possati Aula 03 Teoria da Contabilidade p/ CFC 2019.1 (Bacharel em Ciências Contábeis) www.estrategiaconcursos.com.br 3 21 A seguir veremos que esse conceito está ligado à Teoria da Propriedade, haja vista que a ideia de valor residual (resíduo dos direitos de uma entidade após a liquidação de todas as suas obrigações) é o centro dessa teoria. Como a ideia do nosso curso é ser focado e objetivo, não vamos entrar nos devaneios doutrinários sobre o assunto, pois daria uma tese de doutorado. Passemos, portanto, ao estudo das principais teorias do patrimônio líquido. Destaca-se que diferentes teóricos e doutrinadores adotam diversas acepções para o assunto. Assim, seguiremos os teóricos mais renomados, desde os mais clássicos aos mais modernos, a saber: Kam2 (1986); Hendriksen e Van Breda3 (1999); Iudícibus4 (2004) e Niyama e Silva5 (2013). Tomaremos por base, ainda, a dissertação de Abe6 (2007) que destaca com propriedade o pensamento de diversos teóricos. 1.2. TEORIA DA PROPRIEDADE Na lição de Iudícibus (2004), segundo a Teoria da Propriedade, o proprietário é o centro de atenção da Contabilidade. As receitas são consideradas como acréscimo de propriedade e as despesas, decréscimos. Assim o lucro líquido, diferença entre receitas e despesas, é adicionado diretamente ao proprietário. Os dividendos representam retirada de capital, e os lucros acumulados são parte da transferência. Niyama e Silva (2013) ensinam que, segundo esta teoria, a entidade existe para satisfazer aos objetivos e necessidades do dono, razão pela qual a principal finalidade da Contabilidade é a determinação da riqueza líquida do proprietário. Segundo Kam, a noção de propriedade está no cerne do sistema de partidas dobradas, pois o foco de Luca Pacioli7 era o proprietário. Abe (2007) informa que com o desenvolvimento da Teoria Contábil, diversos autores do início do século XIX produziram livros para ensinar Contabilidade e o reconhecimento da propriedade aparece como um fato recorrente, pois era do interesse do próprio proprietário localizar, por meio de contas com nomenclatura o local em que ocorria seu ganho e sua perda. Nesse sentido, não havia interesse em analisar a propriedade da nomenclatura contábil em si, pois as contas eram usadas com o intuito de permitir o estudo e a análise pelo proprietário de seu capital alocado. Os autores entendiam que essa necessidade seria compatível com a verificação do estado de propriedade, tanto em aspecto positivo (ativos) quanto em aspecto negativo (passivos) e 2 KAM, Vernon. Accounting Theory. New York: John Wiley & Sons, 1986. 3 HENDRIKSEN, Eldon S.; VAN BREDA, Michael F. Teoria da Contabilidade. Traduzido por SANVINCENTE, Antônio Zoratto. 5 ed. São Paulo: Atlas, 1999. 4 IUDÍCIBUS, Sérgio de. Teoria da Contabilidade. 7 ed. São Paulo: Atlas, 2004. 5 NIYAMA, Jorge Katsumi; SILVA, César Augusto Tibúrcio. Teoria da Contabilidade. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2013. 6 ABE, Cesar Henrique Shogi. Teorias Contábeis sobre o Patrimônio Líquido e Teoria da Renda-Acréscimo Patrimonial: Um Estudo Interdisciplinar. Dissertação (Mestrado). Universidade de São Paulo, 2007 7 Luca Bartolomeo de Pacioli foi um monge franciscano e célebre matemático italiano. É considerado o pai da Contabilidade moderna. Gilmar Possati Aula 03 Teoria da Contabilidade p/ CFC 2019.1 (Bacharel em Ciências Contábeis) www.estrategiaconcursos.com.br 4 21 o quanto sobraria caso seus credores fossem integralmente satisfeitos. Essa noção resulta na equação comumente estudada de que o total do ativo menos o total do passivo é igual ao patrimônio líquido (ABE, 2007). Beleza, professor, entendi que o centro dessa teoria é o Proprietário. Mas, afinal quem é considerado o proprietário? Chow8 (1942) citado por Abe (2007) identifica o proprietário como a pessoa ou grupo de pessoas que realiza negócios por meio de uma forma de organização que lheconvenha, sendo o verdadeiro dono do negócio e quem tem o direito ao resíduo dos ativos após o pagamento de todas as obrigações. Nesse sentido, ele seria o próprio proprietário dos ativos e o próprio devedor dos passivos contratados pela sociedade e, assim, o excesso daqueles em relação a estes seria o seu interesse líquido ou o seu patrimônio líquido, em sentido estrito do termo, dos negócios. 1.2.1. Exemplos práticos da aplicação da Teoria da Propriedade na Contabilidade Moderna Segundo Kam, grande parte da prática contábil ainda é praticada com base na Teoria da Propriedade. Assim, acho interessante sabermos esses exemplos, pois pode ser exigido no Exame. Aliás, seria uma questão muito inteligente! Dividendos considerados como lucro e não como uma despesa da sociedade: o lucro realmente pertence aos proprietários e não é uma forma de retribuição do capital investido. Os juros passivos e o imposto de renda são considerados como despesa porque são pagamentos que o proprietário teria que fazer para terceiros. Método de Equivalência Patrimonial de avaliação de investimentos de uma sociedade: é uma visão de proprietário, pois o resultado da sociedade investida pertence ao sócio investidor na medida em que o resultado seja apurado e qualquer alteração no patrimônio líquido da investida precisa ser reconhecida no patrimônio líquido da sociedade investidora. Além desses dois exemplos, Niyama e Silva destacam: A apuração do resultado e sua apresentação, por meio da Demonstração do Resultado: nessa demonstração a principal informação diz respeito à existência ou não de lucro líquido do exercício, situação em que prevalece a Teoria da propriedade; O cálculo do lucro por ação: referido cálculo consiste na divisão do lucro do exercício pelo número de ações existentes no capital social da entidade ressaltando o interesse do proprietário. 1.2.2. Críticas à Teoria da Propriedade Kam citado por Abe (2007) entende que a visão da Teoria da Propriedade foi desenvolvida em um tempo que as empresas eram pequenas e que havia principalmente a figura do proprietário, e que com o advento das grandes sociedades essa teoria não seria capaz de explicá-las de forma 8 CHOW, Y. C. The doctrine of propriertorship. In: The Accounting Review, vol XVII, p. 157-163, April, 1942. Gilmar Possati Aula 03 Teoria da Contabilidade p/ CFC 2019.1 (Bacharel em Ciências Contábeis) www.estrategiaconcursos.com.br 5 21 adequada. A sociedade é um centro de imputação de direitos e obrigações, sendo efetiva e realmente proprietária de seus ativos e quem assume as obrigações. Ademais, com a figura da responsabilidade limitada, seria absurdo presumir que os proprietários se responsabilizam integralmente pelas dívidas da sociedade. Abe conclui que os próprios proprietários, enquanto acionistas minoritários ou participantes de uma sociedade de capitais com o controle diluído perdem a especialização de um empreendedor, como um profundo conhecedor da situação da sociedade, e não possuem mais a mesma capacidade de análise das informações contábeis. Para Vatter9 (1963) citado por Abe (2007), a Teoria da Propriedade estaria inadequada para uma sociedade moderna, por causa de restrições legais que (i) promovem o divórcio entre propriedade e o gerenciamento; (ii) reconhecem a unidade de negócios como uma entidade legal com certos direitos e deveres; (iii) limitam a responsabilidade da sociedade e das pessoas associadas a ela com terceiros に credores, proprietários de valores mobiliários, e assim sucessivamente; e (iv) prescrevem certos tipos de condutas, escopo e método de operações, incluindo formalidades e procedimentos a serem seguidos pelas atividades negociais. [...] a sociedade era de jure e se não de facto um indivíduo separado e apartado das pessoas reais que organizam, controlaram e se beneficiaram de suas atividades. Assim, Niyama e Silva concluem que a Teoria da Propriedade refere-se a uma visão de Contabilidade desenvolvida no momento em que a economia era composta por pequenos negócios, tornando-se inadequada com o advento da grande corporação. É nesse contexto que surge a Teoria da Entidade. 1.3. TEORIA DA ENTIDADE A Teoria da Entidade surgiu no final do século XIX e início do século XX, tendo em vista o crescimento das grandes companhias e a necessidade de separar a gestão da propriedade. Niyama e Silva ensinam que por essa teoria o patrimônio líquido deixa de ser o centro da Contabilidade para ser mais uma fonte de recursos para o ativo. Nesse sentido, a Teoria da Entidade preceitua que o centro de interesse da Contabilidade deve ser a entidade. Segundo essa teoria, a entidade deve ser representada pela igualdade entre o ativo e as obrigações: ATIVO = OBRIGAÇÕES PWゲゲラ;ノが さラHヴキェ;NロWゲざ na equação acima subentende-se por passivo + patrimônio líquido, pois a teoria da entidade considera que tanto os acionistas como os financiadores contribuem com recursos para a entidade. Deve, portanto, a entidade ser separada dos interesses dessas pessoas. 9 VATTER, William J. Corporate Stock Equities: Part I. In: BACKER, Morton. Handbook of modern accounting theory. Englewood Cliffs, NJ: Prentice-Hall, 1963. Gilmar Possati Aula 03 Teoria da Contabilidade p/ CFC 2019.1 (Bacharel em Ciências Contábeis) www.estrategiaconcursos.com.br 6 21 Segundo Iudícibus (2004) さ; WミデキS;SW デWマ ┌マ; ┗キS; Sキゲデキミデ; S;ゲ ;デキ┗キS;SWゲ W Sラゲ キミデWヴWゲゲWゲ pessoais dos proprietários de parcelas de seu capital. A entidade tem personalidade própria. [...] Ativo = Passivo [...]. O lucro do período apenas será lucro pessoal para os acionistas se o valor de mercado da ação reconhecê-lo ou incorporá-ノラ ぷくくくへざく Nesse sentido, Niyama e Silva ensinam que para a Teoria da Entidade não interessa, a rigor, a distinção entre dívida com terceiros e patrimônio líquido, razão pela qual as receitas são consideradas como da entidade, sendo compensação para os serviços prestados pela empresa, enquanto as despesas representam redução da receita. Referidos autores destacam que, ao contrário da Teoria da propriedade, a Teoria da Entidade considera os juros de um empréstimo como sendo distribuição de capital. Sob essa ótica, a demonstração do resultado deveria focar o lucro operacional, que corresponderia ao resultado da entidade, sendo qualquer lucro obtido considerado como da entidade, até ser distribuído como dividendo. O quadro a seguir, adaptado de Niyama e Silva, apresenta as principais diferenças entre essas teorias: Diferenças entre a Teoria da Propriedade e a Teoria da Entidade Teoria da Propriedade Teoria da Entidade Expressão Algébrica PL = Ativo に Passivo Ativo = Obrigações Centro de Interesse Proprietário Entidade Passivo Obrigações do Proprietário Obrigações da Entidade Separação do Passivo e do PL Importante para determinar o valor do PL Pouco relevante, pois são ambos fontes de recursos para a entidade Receitas Aumento da riqueza do dono Aumento da riqueza da entidade Despesas Redução da riqueza do dono Redução da riqueza da entidade Juros Representa despesa Constitui distribuição do resultado Lucro Lucro Líquido Lucro Operacional Tipo de Empresa Pequena empresa. O capital não está segregado da administração Grande empresa. O capital está separado da administração Gilmar Possati Aula 03 Teoria da Contabilidade p/ CFC 2019.1 (Bacharel em Ciências Contábeis) www.estrategiaconcursos.com.br 7 21 Lucro Líquido Lucro do proprietário Lucro da entidade até o momento de sua distribuição Taxação de dividendos Bitributação Tributação do resultado que será distribuído a uma das fontes de financiamento Início Primórdios do método das partidas dobradas (ou antes disso) Final do século XIX e início do século XX Autor Representativo PacioliPaton Índice representativo de preços Preço ao consumidor Índice Geral de Preços ou do Setor Demonstração Contábil Balanço Patrimonial Demonstração do Resultado 1.3.1. Exemplos práticos da aplicação da Teoria da Entidade na Contabilidade Moderna Assim como destacamos na Teoria da Propriedade existem modernamente reflexos da Teoria da Entidade: Princípio da Entidade: define a separação da sociedade e seus sócios. Criação de centros de lucros e resultados: para fins de Contabilidade Gerencial, criando a possibilidade de se gerenciar determinada atividade empresarial de forma isolada. Presença de formas societárias em que a responsabilidade do acionista está limitada à sua participação nos investimentos da empresa: demonstra a aceitação da Teoria da Entidade por parte do Direito Comercial 1.3.2. Críticas à Teoria da Entidade Mesmo que se reconheça a existência separada da sociedade de seus proprietários, ela ainda ;ゲゲキマ Yが ミ; ┗キゲ?ラ SW H┌ゲH;ミS ふヱΓンΒぶ Iキデ;Sラ ヮラヴ AHW ふヲヰヰΑぶ さ┌マ; aキIN?ラが uma personalidade artificial, não possui realidade objetivaが W ミ?ラ ヮラゲゲ┌キ ヮラSWヴWゲ ヮ;ヴ; ;デ┌;ヴ ラ┌ SキヴWIキラミ;ヴ ; ;N?ラざく Referido autor verificou que seria necessário incluir um novo elemento na teoria, a questão da agência ou a visão do empreendedor. Outro aspecto citado por Niyama e Silva é que temos dificuldades de aplicar o ponto de vista da entidade. Na contabilidade gerencial, por exemplo, deixamos de lado a entidade como um todo e focamos no centro de custos ou nos processos que interessam à administração interna. Gilmar Possati Aula 03 Teoria da Contabilidade p/ CFC 2019.1 (Bacharel em Ciências Contábeis) www.estrategiaconcursos.com.br 8 21 1.4. TEORIA DO FUNDO Proposta por William Vatter, segundo o qual a Teoria do Fundo seria uma extensão da Teoria da Entidade, mas com a diferença que a base da Contabilidade não seria nem o proprietário, ou a sociedade, e sim um grupo de ativos e um conjunto de atividades ou funções para as quais esses ativos são utilizados. Tal grupo de ativos é chamado de fundo. Assim, a noção de patrimônio líquido representaria a ideia da restrição que a gerência da sociedade possui em relação aos ativos, após o balanço dos passivos, do que a efetiva representação de um passivo. Nesse sentido, pela despersonalização do fundo, não haveria mais um destinatário personificado da informação final sobre o patrimônio líquido. Vatter10 (1963) WミデWミSW ケ┌W Y さ┌マ; ヴWゲデヴキN?ラ ェWヴ;ノ ケ┌W キミSキI; ケ┌W ラゲ ;デキ┗ラゲ Wゲデ?ラ SW┗ラデados para os propósitos e ラヮWヴ;NロWゲ Sラ a┌ミSラ ミ; ケ┌;ノ WノWゲ ;ヮ;ヴWIWマざく Assim, a equação ficaria: Ativo = Restrições ao Ativo T;ノ Wケ┌;N?ラ ヴWヮヴWゲWミデ; ; キSWキ; Sラ さa┌ミSラざが ヮラキゲ ラゲ ;デキ┗ラゲ IラマヮロWマ ラ a┌ミSラ ; ゲWヴ ┌ゲ;Sラ ヮWノ; administração para realizar as atividades necessárias do fundo. Além disso, todo o resultado do uso dos ativos, isto é, a diferença entre receitas e despesas deve ser distribuída, como retribuição Sラ aキミ;ミIキ;マWミデラ S;ゲ デヴ;ミゲ;NロWゲ ラ┌ ヴWデキSラが ミ;ゲ Iラミデ;ゲ Sラ Wミデ?ラ さヮ;デヴキマレミキラ ノケケ┌キSラざ ぷV;デデWヴ (1963) citado por Abe (2007)]. Niyama e Silva destacam que, pelas características dessa teoria, seu uso tem sido considerado mais apropriado para os setores governamentais e para as entidades sem fins lucrativos, organizações em que é comum a existência de recursos captados com finalidade específica, cuja aplicação pode estar sujeita a uma série de regras. Entretanto, segundo os autores, a Teoria do Fundo é também importante para organizações com fins lucrativos, como em situações de falência ou de contabilidade divisional. Essa questão da aplicabilidade da teoria do fundo em entidades governamentais e em entidades sem fins lucrativos é corroborada por Kam e Iudícibus, senão vejamos: Kam A teoria do fundo fornece um quadro de referência para organizações governamentais e sem finalidade de lucro. Vatter tinha a intenção que a contabilidade de fundo fosse também aplicável aos negócios, mas encontrou pouca aceitação neste setor [tradução livre de Abe (2007)] Iudícibus Esta teoria tem obtido, nos Estados Unidos, bastante êxito na contabilidade de entidades governamentais e não lucrativas. Entre nós, sua aplicação poderia ser notada em universidade e em outras entidades do gênero, em que os fundos são ligados a ativos específicos, e vice-versa. 10 VATTER, William J. Corporate Stock Equities: Part I. In: BACKER, Morton. Handbook of modern accounting theory. Englewood Cliffs, NJ: Prentice-Hall, 1963. Gilmar Possati Aula 03 Teoria da Contabilidade p/ CFC 2019.1 (Bacharel em Ciências Contábeis) www.estrategiaconcursos.com.br 9 21 Um exemplo clássico de aplicação dessa Teoria modernamente citado por Niyama e Silva é a prestação de contas de condomínios, que evidencia a origem dos recursos (dos condôminos) e sua aplicação (funcionários, energia elétrica, etc.). 1.5. TEORIA DO EMPREENDIMENTO (EMPRESARIAL) A Teoria do Empreendimento, também denominada de Teoria Empresarial, foi proposta por Suojanen (1954) a partir da visão da organização como um ente social que exerce influência sobre vários setores da sociedade. Nesse sentido, a sociedade é vista como um centro de tomada de decisões que afeta as pessoas que dela participam, quer sejam acionistas, empregados, credores, consumidores ou órgãos governamentais. Essa visão é corroborada por Niyama e Silva, segundo os quais essa teoria considera que a Contabilidade deve estar voltada para outros usuários como, por exemplo, empregados, governo, entidades reguladoras e público em geral. Essa teoria, segundo os autores, tem sido utilizada para justificar a publicação da demonstração do valor adicionado e do balanço social por parte das empresas, tendo em vista a necessidade de justificar as ações sociais da entidade. Assim, concluem os autores, a Teoria do Empreendimento possui uma visão diferente do resultado, considerando juros, dividendos e salários como sendo sua distribuição. Abe (2007) conclui que a Teoria Empresarial significa a aplicação de conceitos contábeis para uma grande sociedade, entendida como um conceito mais amplo do que o usado pela Teoria da Entidade, haja vista que esta se preocupa somente com a sociedade em si, isolada do resto das pessoas, e que aquela se preocupa com o papel da firma na sociedade como um todo. ASWマ;キゲが Wマ ┌マ; ;ミ=ノキゲW IヴケデキI;が AHW SWゲデ;I; ケ┌W ; ヮヴWラI┌ヮ;N?ラ SWゲゲ; デWラヴキ; さpassa ao largo da definição da renda da sociedade, preocupando-se mais com os beneficiários do valor adicionado criado pela sociedade. Há, na verdade, o incremento de informações, sem se preocupar com uma definição teórica e consistente acerca da acepção da rendaざく 1.6. TEORIA DO COMANDANTE (DO COMANDO) Proposta por Goldberg, essa teoria defende que a Contabilidade, mesmo a financeira, deve estar voltado para o gestor. Abe traz em sua dissertação que o foco da Teoria do Comando é direcionado para a função de controle, que tem uma característica econômica de poder, e somente pode ser exercida por pessoas que tenham o poder de decidir sobre o uso de recursos. Na visão de Goldberg, a noção de comando permitiria entender de uma forma melhor os propósitos de funções da Contabilidade. Niyama e Silva, em uma análise crítica, informam que essa teoria apresenta problemas substanciais que são difíceis de serem solucionados, pois os administradores exercem uma influência substancial sobre a Contabilidade. Assim, a aceitação da Teoria do Comandante exacerbaria o impacto do gestor, tornando-a enviesada. Segundo Hendriksen, embora seja de interesse para entender melhor a natureza da Contabilidade, a Teoria do Comando, falha, da mesma forma que as Teorias do Proprietário e da Entidade, em Gilmar Possati Aula 03 Teoria da Contabilidade p/ CFC 2019.1 (Bacharel em Ciências Contábeis) www.estrategiaconcursos.com.br 10 21 desenvolver um conceito geral que possa ser utilizado para descrever e avaliartoda a teoria contábil. 1.7. TEORIA RESIDUAL (DOS DIREITOS RESIDUAIS) A Teoria Residual, também denominada de Teoria dos Direitos Residuais, tem como foco a figura dos acionistas ordinários, os quais seriam os donos do negócio e a informação contábil deve focar a decisão destes acionistas e a previsão dos seus dividendos futuros. A equação contábil seria: Ações Ordinárias = Ativo ʹ Passivo ʹ Ações Preferenciais A Teoria dos Direitos Residuais foi proposta por Staubus (1959). Na visão do teórico, dado que a Contabilidade tem como objetivo central apresentar informações úteis para a tomada de decisões de investimentos, e considerando que uma informação importante é a previsão de fluxo de caixa futuro, faz-se necessário avaliar os direitos residuais para ajudar na análise desse fluxo de caixa futuro. Em sua dissertação, Abe (2007) informa: Como background de suas conclusões, Staubus verifica que a Contabilidade é uma atividade voltada a registrar, classificar, aglutinar, de forma qualitativa e quantitativa, determinados eventos econômicos de uma entidade. Para tanto, a Contabilidade tem uma razão de ser: fornecer informações úteis para a tomada de decisões econômicas. Assim, Staubus define o conceito de interesse residual da seguinte forma: さO キミデWヴWゲゲW ヴWゲキS┌;ノ ヮラSW ゲWヴ SWaキミキSラ Iラマラ ; Wケ┌キS;SW ヴWゲキS┌;ノ ミラゲ ;デキ┗ラゲ S; organização que absorverá os efeitos sobre esses ativos de qualquer evento econômico ケ┌W ミWミエ┌マ; ヮ;ヴデW キミデWヴWゲゲ;S; デWミエ; IラミIラヴS;Sラ WゲヮWIキaキI;マWミデW Wマ ;Hゲラヴ┗Wヴざく [Tradução livre de Abe (2007)] Segundo Niyama e Silva, essa teoria faz sentido nos países em que a figura das ações preferenciais aproxima-se do financiamento de terceiros, motivo pelo qual algumas obras de finanças têm classificado essas ações como sendo fonte de capital de terceiros. Por essa razão, a teoria residual considera a ação ordinária como sendo o financiador de capital com mais elevado nível de risco. Referidos autores ressaltam, no entanto, que as características do mercado financeiro no Brasil e sua legislação tornam essa teoria sem efeito no nosso país. P;ヴ; I┌SケIキH┌ゲ ふヲヰヰヴぶ Wゲデ; デWラヴキ; デWマ ラ ラHテWデキ┗ラ SW さfornecer melhor informação para o acionista ordinárioざ Wが ゲWミSラ ;ゲゲキマが ミ?ラ ゲW ヮヴWゲデ;ヴキ; ヮ;ヴ; W┝ヮノキI;ヴ ; ヮヴラHノWマ=デキI; S; SWaキミキN?ラ S; ヴWミS;く A seguir temos um resumo das diferenças entre as principais teorias do PL (Niyama e Silva): Gilmar Possati Aula 03 Teoria da Contabilidade p/ CFC 2019.1 (Bacharel em Ciências Contábeis) www.estrategiaconcursos.com.br 11 21 Diferença entre as principais teorias do patrimônio Teoria da propriedade Teoria da Entidade Teoria do Fundo Teoria do Empreendimento Centrado Proprietário Entidade Fundo Sociedade Equação PL = Ativo - Passivo Ativo = Obrigações Ativo = Restrições ao Ativo Demonstração Contábil Balanço Demonstraçã o do Resultado Fontes e usos de fundos Valor Adicionado e Balanço Social Tipo de Organização Pequena e Média empresas Grande empresa Governo e entidades sem fins lucrativos Entidade com impacto na sociedade Gilmar Possati Aula 03 Teoria da Contabilidade p/ CFC 2019.1 (Bacharel em Ciências Contábeis) www.estrategiaconcursos.com.br 12 21 2 ʹ QUESTÕES COMENTADAS Pessoal, em termos teóricos é isso! A seguir temos algumas questões para fixar os assuntos estudados na presente aula. Como encontramos poucas questões sobre o assunto, elaboramos algumas questões inéditas para complementar. 1. (CESPE/Contador/DPU/2016) Com base na teoria dos fundos, as exigibilidades são subtraendos dos ativos, ou ativos negativos; já os passivos são vistos como reservas ou restrições aos ativos, derivantes de considerações legais, equitativas, econômicas ou gerenciais. Comentários Vimos que a Teoria do Fundo, proposta por William Vatter, seria uma extensão da Teoria da Entidade, mas com a diferença que a base da Contabilidade não seria nem o proprietário, ou a sociedade, e sim um grupo de ativos e um conjunto de atividades ou funções para as quais esses ativos são utilizados. Tal grupo de ativos é chamado de fundo. Assim, a noção de patrimônio líquido representaria a ideia da restrição que a gerência da sociedade possui em relação aos ativos, após o balanço dos passivos, do que a efetiva representação de um passivo. Nesse sentido, pela despersonalização do fundo, não haveria mais um destinatário personificado da informação final sobre o patrimônio líquido. Vatter11 (1963) WミデWミSW ケ┌W Y さ┌マ; ヴWゲデヴキN?ラ ェWヴ;ノ ケ┌W キミSキI; ケ┌W ラゲ ;デキ┗ラゲ Wゲデ?ラ SW┗ラデ;Sラゲ ヮ;ヴ; ラゲ ヮヴラヮルゲキデラゲ W ラヮWヴ;NロWゲ Sラ a┌ミSラ ミ; ケ┌;ノ WノWゲ ;ヮ;ヴWIWマざく Assim, a equação ficaria: Ativo = Restrições ao Ativo Bem... voltando a questão. Apenas com o que vimos acima já da para identificar um erro no item, qual seja: さくくく ラゲ passivos ゲ?ラ ┗キゲデラゲ Iラマラ ヴWゲWヴ┗;ゲ ラ┌ ヴWゲデヴキNロWゲ ;ラゲ ;デキ┗ラゲ くくくざ Conforme vimos, os ativos são vistos como reservas ou restrições aos ativos. Além disso, há outro erro no item: さCラマ H;ゲW ミ; teoria dos fundos, as exigibilidades são subtraendos dos ativos, ou ativos ミWェ;デキ┗ラゲくくくざ É na teoria da propriedade que as exigibilidades são subtraendos dos ativos, ou ativos negativos. Essa afirmação é de um eminente teórico denominado Harfield, segundo o qual (grifo nosso): "Num sentido restrito, exigibilidades ... são subtraendos dos ativos, ou ativos negativos. Seria lógico, portanto, preparar um balanço no qual as exigibilidades totais fossem subtraídas dos ativos 11 VATTER, William J. Corporate Stock Equities: Part I. In: BACKER, Morton. Handbook of modern accounting theory. Englewood Cliffs, NJ: Prentice-Hall, 1963. Gilmar Possati Aula 03 Teoria da Contabilidade p/ CFC 2019.1 (Bacharel em Ciências Contábeis) www.estrategiaconcursos.com.br 13 21 totais, deixando no lado direito do balanço meramente os itens que representam a propriedade". (Accouting It's Principies and Problems, 192712) A afirmação do eminente teórico está de acordo com os preceitos da Teoria da Propriedade. Gabarito: Errado 2. (CESPE/Contador/DPU/2016) Na teoria da entidade, os juros referentes a empréstimo obtido representam despesas para a sociedade empresária, pois reduzem a riqueza da entidade e não a dos acionistas. Comentários Conforme estudamos, ao contrário da Teoria da propriedade, a Teoria da Entidade considera os juros de um empréstimo como sendo distribuição de capital. Logo, o item erra ao afirmar que os juros referentes a empréstimo obtido representam despesas para a sociedade empresária. Gabarito: Errado 3. (CESPE/Contador/DPU/2016) A teoria da entidade, em contraposição à teoria do fundo, aborda a necessidade de divulgação da demonstração do valor adicionado e do balanço social por empresas de grande e de médio porte. Comentários Conforme estudamos, A Teoria do Empreendimento, também denominada de Teoria Empresarial, foi proposta por Suojanen (1954) a partir da visão da organização como um ente social que exerce influência sobre vários setores da sociedade. Nesse sentido, a sociedade é vista como um centro de tomada de decisões que afeta as pessoas que dela participam, quer sejam acionistas, empregados, credores, consumidores ou órgãos governamentais. Essa visão é corroborada por Niyama e Silva, segundo os quais essa teoria considera que a Contabilidade deve estar voltada para outros usuários como, por exemplo, empregados, governo, entidades reguladoras e público em geral. Essa teoria, segundo os autores, tem sido utilizada para justificar a publicação da demonstração do valor adicionado e do balanço social por parte das empresas, tendo em vista a necessidade de justificar as ações sociais da entidade. Assim, concluem os autores, a Teoria do Empreendimento possui uma visão diferente do resultado, considerando juros, dividendos e salários como sendo sua distribuição. Doexposto, percebe-se que é a teoria empresarial e não a teoria da entidade que aborda a necessidade de divulgação da demonstração do valor adicionado e do balanço social por empresas de grande e de médio porte. Gabarito: Errado 12 Citado pelo Prof. Sérgio de Iudícibus (Teoria da Contabilidade. 6. ed. São Paulo : Atlas, 2000:145) Gilmar Possati Aula 03 Teoria da Contabilidade p/ CFC 2019.1 (Bacharel em Ciências Contábeis) www.estrategiaconcursos.com.br 14 21 4. (CESPE/Contador/DPU/2016) A teoria do proprietário é representada pela equação que descreve o patrimônio líquido como resultado da diferença entre ativo e passivo. Comentários Conforme estudamos, Na lição de Iudícibus (2004), segundo a Teoria da Propriedade, o proprietário é o centro de atenção da Contabilidade. As receitas são consideradas como acréscimo de propriedade e as despesas, decréscimos. Assim o lucro líquido, diferença entre receitas e despesas, é adicionado diretamente ao proprietário. Os dividendos representam retirada de capital, e os lucros acumulados são parte da transferência. Niyama e Silva (2013) ensinam que, segundo esta teoria, a entidade existe para satisfazer aos objetivos e necessidades do dono, razão pela qual a principal finalidade da Contabilidade é a determinação da riqueza líquida do proprietário. Segundo Kam, a noção de propriedade está no cerne do sistema de partidas dobradas, pois o foco de Luca Pacioli13 era o proprietário. Abe (2007) informa que com o desenvolvimento da Teoria Contábil, diversos autores do início do século XIX produziram livros para ensinar Contabilidade e o reconhecimento da propriedade aparece como um fato recorrente, pois era do interesse do próprio proprietário localizar, por meio de contas com nomenclatura o local em que ocorria seu ganho e sua perda. Nesse sentido, não havia interesse em analisar a propriedade da nomenclatura contábil em si, pois as contas eram usadas com o intuito de permitir o estudo e a análise pelo proprietário de seu capital alocado. Os autores entendiam que essa necessidade seria compatível com a verificação do estado de propriedade, tanto em aspecto positivo (ativos) quanto em aspecto negativo (passivos) e o quanto sobraria caso seus credores fossem integralmente satisfeitos. Essa noção resulta na equação comumente estudada de que o total do ativo menos o total do passivo é igual ao patrimônio líquido (ABE, 2007). Do exposto, percebe-se que o item está certo. Gabarito: Certo 5. (FUNIVERSA/Técnico em Contabilidade/IFB/2012) De acordo com a teoria da entidade, a) a entidade empresarial confunde-se com os negócios e outros interesses pessoais dos proprietários. b) a equação que melhor caracteriza a estrutura patrimonial é ativo = passivo + patrimônio líquido. c) os direitos dos sócios, em caso de liquidação, são os de proprietários de ativos específicos. d) o lucro líquido é o lucro dos sócios, a exemplo da teoria da propriedade. 13 Luca Bartolomeo de Pacioli foi um monge franciscano e célebre matemático italiano. É considerado o pai da contabilidade moderna. Gilmar Possati Aula 03 Teoria da Contabilidade p/ CFC 2019.1 (Bacharel em Ciências Contábeis) www.estrategiaconcursos.com.br 15 21 e) sua relevância para a consolidação das demonstrações decorre da concepção que prioriza a entidade jurídica, e não a econômica. Comentários Vamos analisar as opções. a. Errada. A teoria da entidade preceitua justamente o contrário: os interesses pessoais dos proprietários não devem se confundir com os negócios da entidade. b. Certa. Conforme vimos na parte teórica, a entidade deve ser representada pela igualdade entre o ativo e as obrigações: ATIVO = OBRIGAÇÕES N; ラヮラヴデ┌ミキS;SW SWゲデ;I;マラゲ ケ┌W ; W┝ヮヴWゲゲ?ラ さラHヴキェ;NロWゲざ ミ; Wケ┌;N?ラ ;Iキマ; ゲ┌HWミデWミSW-se por passivo + patrimônio líquido, pois a teoria da entidade considera que tanto os acionistas como os financiadores contribuem com recursos para a entidade. Deve, portanto, a entidade ser separada dos interesses dessas pessoas. c. Errada. Segundo a teoria da entidade, os direitos dos credores não se confundem com os dos sócios. d. Errada. O lucro líquido é o lucro da entidade. Segundo Iudícibus (2004) さ ぷくくくへ O lucro do período apenas será lucro pessoal para os acionistas se o valor de mercado da ação reconhecê-lo ou incorporá-lo ぷくくくへざく Nesse sentido, Niyama e Silva destacam que, ao contrário da Teoria da propriedade, a Teoria da Entidade considera os juros de um empréstimo como sendo distribuição de capital. Sob essa ótica, a demonstração do resultado deveria focar o lucro operacional, que corresponderia ao resultado da entidade, sendo qualquer lucro obtido considerado como da entidade, até ser distribuído como dividendo. e. Errada. A teoria da entidade prioriza o aspecto econômico sim. Tanto é verdade que a demonstração chave dessa teoria é a Demonstração do Resultado do Exercício, estritamente ligada ao aspecto econômico. Gabarito: B 6. (INÉDITA) As teorias do patrimônio líquido influenciam os procedimentos contábeis, sendo uma referência para a apresentação das demonstrações financeiras. Nesse sentido, são consideradas teorias do patrimônio líquido, EXCETO: a) Teoria do Comando b) Teoria da Companhia c) Teoria da Entidade d) Teoria do Empreendimento Comentários Conforme estudamos, são teorias do patrimônio líquido: Gilmar Possati Aula 03 Teoria da Contabilidade p/ CFC 2019.1 (Bacharel em Ciências Contábeis) www.estrategiaconcursos.com.br 16 21 Teoria da Propriedade; Teoria da Entidade; Teoria do Fundo; Teoria do Empreendimento; Teoria do Comando; Teoria Residual. Logo, não existe a teoria da companhia. Gabarito: B 7. (INÉDITA) Segundo a NBC TG Estrutura Conceitual, o patrimônio líquido é ラ さvalor residual dos ;デキ┗ラゲ S; WミデキS;SW SWヮラキゲ SW SWS┌┣キSラゲ デラSラゲ ラゲ ゲW┌ゲ ヮ;ゲゲキ┗ラゲざ. Nesse sentido, podemos afirmar que esse conceito está ligado à: a) Teoria da Entidade b) Teoria Residual c) Teoria da Propriedade d) Teoria do Empreendimento Comentários O conceito estabelecido na Estrutura Conceitual está ligado à Teoria da Propriedade, haja vista que a ideia de valor residual (resíduo dos direitos de uma entidade após a liquidação de todas as suas obrigações) é o centro dessa teoria. Gabarito: C 8. (INÉDITA) Julgue os itens abaixo referentes às Teorias do Patrimônio Líquido e, em seguida, assinale a opção CORRETA. I. Segundo a Teoria da Propriedade, o proprietário é o centro de atenção da Contabilidade. As receitas são consideradas como acréscimo de propriedade e as despesas, decréscimos. II. A Teoria da Entidade preceitua que o centro de interesse da Contabilidade deve ser a entidade. Referida teoria surgiu tendo em vista o crescimento das grandes companhias e a necessidade de separar a gestão da propriedade. III. Segundo a Teoria do Fundo a base da Contabilidade não seria nem o proprietário, ou a sociedade, e sim um grupo de ativos e passivos, além de um conjunto de atividades ou funções para as quais esses ativos e passivos são utilizados. Está(ão) certo(s) o(s) item(ns): a) I e II, apenas. b) I, II e III. c) II e III apenas. Gilmar Possati Aula 03 Teoria da Contabilidade p/ CFC 2019.1 (Bacharel em Ciências Contábeis) www.estrategiaconcursos.com.br 17 21 d) III, apenas. Comentários Item I に Certo. Na lição de Iudícibus (2004), segundo a Teoria da Propriedade, o proprietário é o centro de atenção da Contabilidade. As receitas são consideradas como acréscimo de propriedade e as despesas, decréscimos. Assim o lucro líquido, diferença entre receitas e despesas, é adicionado diretamente ao proprietário. Os dividendos representam retirada de capital, e os lucros acumulados são parte da transferência. Item II に Certo.Surgida no final do século XIX e início do século XX, tendo em vista o crescimento das grandes companhias e a necessidade de separar a gestão da propriedade. Niyama e Silva ensinam que por essa teoria o patrimônio líquido deixa de ser o centro da Contabilidade para ser mais uma fonte de recursos para o ativo. Nesse sentido, a Teoria da Entidade preceitua que o centro de interesse da Contabilidade deve ser a entidade. Item III に Errado. Proposta por William Vatter, segundo o qual a Teoria do Fundo seria uma extensão da Teoria da Entidade, mas com a diferença que a base da Contabilidade não seria nem o proprietário, ou a sociedade, e sim um grupo de ativos e um conjunto de atividades ou funções para as quais esses ativos são utilizados. Tal grupo de ativos é chamado de fundo. O erro da questão está em informar que a base da Contabilidade seria um grupo de ativos e passivos. Gabarito: A 9. (INÉDITA) Julgue os itens abaixo referentes às Teorias do Patrimônio Líquido e, em seguida, assinale a opção CORRETA. I. A Teoria do Empreendimento, também denominada de Teoria Empresarial, foi proposta a partir da visão da organização como um ente social que exerce influência sobre vários setores da sociedade. II. A Teoria Residual, também denominada de Teoria dos Direitos Residuais, tem como foco a figura dos acionistas ordinários. III. A Teoria do Comando defende que a Contabilidade, mesmo a financeira, deve estar voltada para o gestor. Nesse sentido, o foco dessa teoria é direcionado para a função de controle, que tem uma característica econômica de poder, e somente pode ser exercida por pessoas que tenham o poder de decidir sobre o uso de recursos. Está(ão) certo(s) o(s) item(ns): a) I e II, apenas. b) I, II e III. c) II e III apenas. d) III, apenas. Gilmar Possati Aula 03 Teoria da Contabilidade p/ CFC 2019.1 (Bacharel em Ciências Contábeis) www.estrategiaconcursos.com.br 18 21 Comentários Item I に Certo. A Teoria do Empreendimento, também denominada de Teoria Empresarial, foi proposta por Suojanen (1954) a partir da visão da organização como um ente social que exerce influência sobre vários setores da sociedade. Nesse sentido, a sociedade é vista como um centro de tomada de decisões que afeta as pessoas que dela participam, quer sejam acionistas, empregados, credores, consumidores ou órgãos governamentais. Item II に Certo. A Teoria Residual, também denominada de Teoria dos Direitos Residuais, tem como foco a figura dos acionistas ordinários, os quais seriam os donos do negócio e a informação contábil deve focar a decisão destes acionistas e a previsão dos seus dividendos futuros. Item III に Certo. Proposta por Goldberg, essa teoria defende que a Contabilidade, mesmo a financeira, deve estar voltada para o gestor. Abe traz em sua dissertação que o foco da Teoria do Comando é direcionado para a função de controle, que tem uma característica econômica de poder, e somente pode ser exercida por pessoas que tenham o poder de decidir sobre o uso de recursos. Na visão de Goldberg, a noção de comando permitiria entender de uma forma melhor os propósitos de funções da Contabilidade. Gabarito: B 10. (INÉDITA) Acerca da aplicabilidade das diferentes teorias do patrimônio líquido na Contabilidade Moderna julgue os itens a seguir e, em seguida, assinale a opção CORRETA. I. A consideração dos Dividendos como lucro e não como uma despesa da sociedade é uma aplicação da Teoria da Entidade. II. A presença de formas societárias em que a responsabilidade do acionista está limitada à sua participação nos investimentos da empresa demonstra a aceitação da Teoria da Propriedade por parte do Direito Comercial. III. O Princípio da Entidade que define a separação da sociedade e seus sócios é reflexo da Teoria da Entidade. Está(ão) certo(s) o(s) item(ns): a) I e II, apenas. b) I, II e III. c) II e III apenas. d) III, apenas. Comentários Item I に Errado. Os Dividendos considerados como lucro e não como uma despesa da sociedade é uma aplicação da Teoria da Propriedade. O lucro realmente pertence aos proprietários e não é uma forma de retribuição do capital investido. Os juros passivos e o imposto de renda são considerados como despesa porque são pagamentos que o proprietário teria que fazer para terceiros. Gilmar Possati Aula 03 Teoria da Contabilidade p/ CFC 2019.1 (Bacharel em Ciências Contábeis) www.estrategiaconcursos.com.br 19 21 Item II に Errado. A presença de formas societárias em que a responsabilidade do acionista está limitada à sua participação nos investimentos da empresa demonstra a aceitação da Teoria da Entidade por parte do Direito Comercial. Item III に Certo. De fato, conforme estudamos, o Princípio da Entidade decorre da aplicação da Teoria da Entidade. Gabarito: D 11. (INÉDITA) A discussão sobre as teorias do patrimônio líquido apresenta como pressuposto implícito a necessidade de optar por uma das teorias. Isso garantiria uma consistência na apresentação das demonstrações contábeis. Entretanto, a existência de diferentes usuários, com diferentes interesses, torna difícil imaginar que a consistência venha a acontecer. NIYAMA, Jorge Katsumi; SILVA, César Augusto Tibúrcio. Teoria da Contabilidade. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2013. Segundo a doutrina contábil, conforme trecho acima destacado, a existência de diferentes usuários, com diferentes interesses, torna difícil imaginar que a consistência na apresentação das demonstrações contábeis venha a acontecer. Nesse sentido, as teorias do patrimônio líquido recebem críticas pelos diversos teóricos. Acerca desse assunto, julgue os itens a seguir e, em seguida, assinale a opção CORRETA. I. A Teoria da Propriedade refere-se a uma visão de Contabilidade desenvolvida no momento em que a economia era composta por pequenos negócios, tornando-se inadequada com o advento da grande corporação. II. A Teoria da Entidade reconhece a existência separada da sociedade de seus proprietários. No entanto, segundo alguns teóricos, a sociedade é uma ficção, uma personalidade artificial que não possui realidade objetiva e não possui poderes para atuar ou direcionar a ação. III. A Teoria do Empreendimento, segundo alguns teóricos, não se preocupa com a definição de renda da sociedade, preocupando-se mais com os beneficiários do valor adicionado criado pela sociedade. Está(ão) certo(s) o(s) item(ns): a) I e II, apenas. b) I, II e III. c) II e III apenas. d) III, apenas. Comentários Item I に Certo. Kam citado por Abe (2007) entende que a visão da Teoria da Propriedade foi desenvolvida em um tempo que as empresas eram pequenas e que havia principalmente a figura do proprietário, e que com o advento das grandes sociedades essa teoria não seria capaz de explicá-las de forma adequada. Gilmar Possati Aula 03 Teoria da Contabilidade p/ CFC 2019.1 (Bacharel em Ciências Contábeis) www.estrategiaconcursos.com.br ==bf491== 20 21 Assim, Niyama e Silva concluem que a Teoria da Propriedade refere-se a uma visão de Contabilidade desenvolvida no momento em que a economia era composta por pequenos negócios, tornando-se inadequada com o advento da grande corporação. É nesse contexto que surge a Teoria da Entidade. Item II に Certo. Na visão de Husband (1938), mesmo que se reconheça a existência separada da ゲラIキWS;SW SW ゲW┌ゲ ヮヴラヮヴキWデ=ヴキラゲが Wノ; ;キミS; ;ゲゲキマ Y さ┌マ; aキIN?ラが uma personalidade artificial, não possui realidade objetivaが W ミ?ラ ヮラゲゲ┌キ ヮラSWヴWゲ ヮ;ヴ; ;デ┌;ヴ ラ┌ SキヴWIキラミ;ヴ ; ;N?ラざく RWaWヴキSラ ;┌デラヴ verificou que seria necessário incluir um novo elemento na teoria, a questão da agência ou a visão do empreendedor. Item III に Certo. Em uma análise crítica, Abe destaca que a preocupação da Teoria do EマヮヴWWミSキマWミデラ さpassa ao largo da definição da renda da sociedade, preocupando-se mais com os beneficiários do valor adicionado criado pela sociedade. Há, na verdade, oincremento de informações, sem se preocupar com uma definição teórica e consistente acerca da acepção da rendaざく Gabarito: B Gilmar Possati Aula 03 Teoria da Contabilidade p/ CFC 2019.1 (Bacharel em Ciências Contábeis) www.estrategiaconcursos.com.br 21 21 3 ʹ GABARITO 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. E E E C B B C A B D B Gilmar Possati Aula 03 Teoria da Contabilidade p/ CFC 2019.1 (Bacharel em Ciências Contábeis) www.estrategiaconcursos.com.br