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Análise do papel do centro de Acolhimento Menino Jesus da Manhiça no processo de reintegração social das raparigas de 18 anos de idade às famílias em 2020 a 2021

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seria um 
retrocesso” R06. Algumas são vistas como a única fonte de renda por conta da vulnerabilidade 
económica que se semeia nas famílias, “ […] assim que o centro me ajudou a estudar e na 
colocação para trabalhar a família olha para mim para todas as necessidades da casa, e não tenho 
 
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como continuar a estudar para aumentar o meu nível uma vez que todas as finanças tenho que 
canalizar para as necessidades da família” R11. 
Considerando as declarações das raparigas, verifica-se que algumas não têm alguém com quem 
possa contar para a reintegração por conta da perda dos pais outros por ter familiares totalmente 
tóxicos, ambientes de risco para as raparigas. Mas os sucessos e satisfação de cada uma das 
raparigas são manifestados de diferentes formas assim com podemos visitar uma história de uma 
das raparigas que já está reintegrada na família: 
[…] nasci aos 16 de Junho de 1999 na província de Maputo Distrito de 
Catembe, sou a primeira filha dos 2 irmãs, e de um pai desconhecido. Aos 2 
anos a minha mãe viajou para África do Sul a procura de melhores condições de 
vida, eu vivia com os meus tios em Chamanculo, o tempo foi passando a situação 
de vida foi piorando, dai que um dos meus tios procurou um Centro de 
acolhimento onde poderia ter uma boa educação, e conseguiu no Centro Menino 
Jesus da Manhiça na responsabilidade das Irmãs Franciscanas. Ai inicia uma 
nova vida, não foi fácil me ambiental, o tempo foi passando, iniciei os meus 
estudos na escola primária de Manhiça sede, conclui a 12ª na Escola Secundária 
dos Irmãos Maristas em Manhiça. Após ter terminado o Centro não tinha 
condições porque os nossos doadores estavam a passar por uma crise económica 
em Portugal, não havia outra coisa a fazer para além de sentar aprender a decorar 
chinelos, para vender isso um ano depois 2013conseguiram doadores que se 
prontificou a custear os estudos, em 3 anos, terminei os meus estudos, consegui 
trabalhar no projecto na ADPP, sou muito grata a esta família das Irmãs 
Franciscanas, e aprendi que família não é somente aquela que carrega o nosso 
sangue, mas sim aquele que cuida e que, está presente na nossa vida sempre que 
precisamos […] R08. 
Pelas histórias de secesso aqui trazidas pelas raparigas, reforçam o que as raparigas conseguem 
nesse centro, mas também nos deparamos com situações de raparigas que mesmo atingindo 18 
anos continuam no centro. Como anteriormente as raparigas evidenciaram que algumas não têm 
com que contar mais da família e, com o receio do centro fazer um investimento perdido, ou seja, 
sob o risco delas voltarem à rua, acabam deixando elas mais tempo no centro até que consigam 
emprego que lhes garanta o auto-sustento. 
 
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3.3.Estratégias do Centro de Acolhimento Menino Jesus da Manhiça na reintegração social 
das raparigas acolhidas às famílias; 
Em Moçambique, o governo regulamenta as instituições não-governamentais de acolhimento de 
crianças e, faz a devida fiscalização. O artigo 70 da lei no.5/2008, apoia as crianças em lar de 
acolhimento nos aspectos de reintegração desde que a criança se íntegra no programa de 
protecção, eis as obrigações para as instituições vocacionadas ao atendimento e acolhimento nos 
seguintes princípios: 
a) Preservar sempre que possível, os vínculos e as relações familiares, o nome, a 
nacionalidade e a identidade sociocultural; 
b) Assegurar a não separação de irmãos; 
c) Garantir a existência de actividades educativas, culturais e de lazer; 
d) Evitar transferência para outras instituições de acolhimento; 
e) Assegurar a preparação da criança para uma vida independente e auto-sustentável; 
f) Promover o envolvimento da comunidade nas acções de atendimento; 
g) Assegurar a participação da criança na vida da comunidade local. 
Estes princípios asseguram desde início do programa de acolhimento a preservação do contacto 
com as famílias de origem para que o processo de reintegração não venha ter problemas. 
Com apoio dos dispostos acima, pesquisamos junto do centro de acolhimento Menino Jesus as 
estratégias que são levadas a cabo para reintegração social das raparigas às famílias de origem, 
nessa óptica trabalhamos com três (3) monitoras do centro, correspondentes a 100%. 
Uma (1) das mentoras correspondente a 33.3% refere que existem desafios de várias ordens 
desde os factores de risco como por exemplo, fragilidade económica, doenças crónicas, 
dependência química do membro da família com que a rapariga antes vivia e violência 
doméstica. Portanto as estratégias prevêem estes factores desde o acolhimento da rapariga a 
sensibilização da família para ao longo do processo de acolhimento para ver-se se muda de 
comportamento para quando chegar a fase de receber a rapariga de volta não constitua um risco 
para ela. Um depoimento de uma das mentoras refere que… 
 
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…aqui já tivemos raparigas cujos familiares viviam em uma situação 
extrema de dependência química e sem lugar fixo para viver, durante o 
processo de acolhimento da rapariga, o centro, várias vezes tentou 
mobilizar a família à mudança, mas infelizmente foram tentativas sem 
sucesso, e como nessas condições o centro não tem outra escolha que 
continuar com a rapariga até que ela encontre algum lugar próprio para 
continuar com a vida sozinha, mas claro ajudando ela antes a encontrar 
um emprego que lhe garanta o auto-sustento, (M01). 
O depoimento desta monitora deixa claro que nem sempre o processo de retorno à família de 
origem é sucedido. A terceira monitora relata que o centro sempre mantém a educação das 
raparigas como garantia de um dos seus direitos fundamentais, e isso acaba tirando ela o risco de 
ficar sem estudar garantindo assim o seu futuro e a sua pertença na sociedade, isto é, quando ela 
sentir que está a contribuir para a sociedade não qual está inserida é uma satisfação pessoal e 
garante o seu bem-estar social. 
As monitoras referem igualmente que a preparação da rapariga para o retorno à família de 
origem é feita desde o dia de entrada fazendo-se: 
 Preparação da família quanto aos direitos fundamentais da criança; 
 Garantir a formação vocacional para as raparigas para garantir uma vida independente e 
auto-sustentável; 
 Permitir que a rapariga vá regularmente visitar os membros da família, para garantir o 
vínculo; 
 Promoção de eventos culturais que envolvem a comunidade para aproximar as raparigas 
da vida social da comunidade local. 
Sobre o plano de visitação, as monitoras M01 e M03 mencionaram que é montado um 
planeamento da condução do caso e é organizado um plano de visitas junto com as famílias. 
Segundo elas, quando é permitido pelo órgão de justiça, é garantido o contacto do acolhido com 
sua família, bem como uma periodicidade dessas visitas. Segundo as monitoras, “ [...] as famílias 
vêm visitar as raparigas de acordo com cada caso. Conforme apresentamos anteriormente, são 
poucas que tem pai/mãe, 58% delas apenas tem avós que não podem visitá-las por conta da 
idade. “ [...] e aí facilitamos essas visitas, nos finais de semana, de 15 em 15 dias, para as 
raparigas passarem com as famílias” (M02). 
 
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Para as monitoras essas fazem parte das estratégias de reintegração social das raparigas às suas 
famílias, que garantem com que a rapariga não sinta o afastamento da vida social da sua família 
assim como da comunidade em que está inserida. Uma das mentoras refere que essas estratégias 
têm vindo a surtir um grande efeito o que faz com que as taxas de insucesso para retorno da 
rapariga é família de origem sejam cada vez menores. 
 
3.4.Descrever as características sócio demográficas das famílias das raparigas acolhidas 
pelo Centro de Acolhimento Menino Jesus da Manhiça 
Assim como foram seleccionadas 12 raparigas consequentemente tivemos que trabalhar com 12 
famílias que representam as raparigas. As famílias envolvidas nessa pesquisa são de diferentes 
zonas do país respectivamente

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