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INTERVENÇAO FEDERAL

Como já foi dito, o Estado Federal assenta-se sob o principio da autonomia dos entes federados. Sendo que, a autonomia destes, caracteriza-se pela tríplice capacidade de auto-organização (constituição própria);, autogoverno (eleições próprias) e auto-administração.

Excepcionalmente, será admitido o afastamento dessa autonomia política, com finalidade de preservação da existência e unidade da própria Federação, através da intervenção.

Conceito: a intervenção consiste em medida excepcional de suspensão temporária da autonomia de determinado ente federativo, fundada em hipótese taxativa prevista na CF.

Quem pode intervir?

Em regra, a União poderá intervir nos Estados-membros e no DF; enquanto que os Estados-membros poderão intervir nos Municípios integrantes de seu território.

Requisitos para que ocorra a intervenção:

deve haver uma das hipóteses taxativas descritas na CF (art. 34 – intervenção federal) e (art. 35, intervenção estadual);

deve haver a decretação exclusiva – de forma discricionária ou vinculada – do Chefe do Executivo (Presidente da Republica no caso de intervenção federal e dos Governadores no caso de intervenção municipal), a quem caberá, igualmente, a execução das medidas interventivas.

Hipóteses Taxativas da CF

Art. 34, CF: A União não intervirá nos Estados nem no DF, exceto para:

I – manter a integridade nacional;

OBS: a idéia é de manter a união indissolúvel dos entes federados, sendo vedada a secessão. Sendo assim, o Presidente poderá decretar a intervenção, se utilizando de força militar, se necessário, para coibir a tentativa de secessão.

II – repelir invasão estrangeira ou de unidade federativa em outra; (idem a explicação anterior)

III – por termo a grave comprometimento da ordem publica;

OBS: Cabe ao Presidente fazer uma avaliação discricionária na situação, conforme seu próprio juízo e decretar a intervenção (o CN fará o controle político deste ato).

Exemplo: enviar o exercito para o RJ em face do trafico e violência pode caracterizar uma intervenção, se não houver solicitação de ajuda do governador do Estado. Se o governador solicitou então não caracteriza intervenção.

IV – garantir o livre exercício de qualquer dos poderes nas unidades federativas; (Poder Legislativo, Executivo e Judiciário).

OBS: um exemplo de desrespeito ao Poder Judiciário, vindo a prejudicar o cumprimento de sua missão (impossibilita seu funcionamento), é o não repasse do duodécimo do judiciário – art. 168, CF pelo governador do Estado. O remédio neste caso é a intervenção federal.

O poder coagido solicitara ao Presidente a intervenção para restabelecimento da normalidade.

V – reorganizar as finanças da unidade da Federação que:

a) suspender o pagamento de divida fundada por mais de 2 anos consecutivos, salvo motivo de força maior;

b) deixar de entregar aos municípios receitas tributarias fixadas nesta constituição, dentro dos prazos estabelecidos em lei;

OBS: exemplo: é o IPVA que deve ser repassado 50% dos valores arrecadados para o município. Caso o estado não repasse, a forma eficaz de obriga-lo é a intervenção federal.

VI – prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial;

OBS: é o caso de descumprir ordem judicial nos limites do estado, através da intervenção, se nomeara um interventor que irá restabelecer a ordem judicial.

VII – caso dos preceitos sensíveis: ler inciso e alíneas – se ferir um destes princípios, é caso de intervenção.

Procedimento de Intervenção Federal

Os procedimentos consistem em 4 fases, observando-se, porem, que nenhuma das hipóteses constitucionais permissivas da intervenção apresentara mais de 3 fases conjuntamente:
Iniciativa:

Presidente da Republica: cabe a este nas hipóteses do art. 34, inc. I, II, III e V, nestes casos, o presidente ex officio poderá tomar a iniciativa de decretar a intervenção federal;

Por solicitação dos Poderes locais (art. 34, IV, CF):

Os poderes legislativo (Assembléia Legislativa ou Camara Legislativa) e Executivo (governadores ou do DF) locais solicitarão ao Presidente da Republica a decretação da intervenção no caso de estarem sofrendo coação no exercício de suas funções.

Já o Poder Judiciário local, solicitara ao STF que, se este entender ser o caso, requisitara a intervenção ao Presidente da Republica.

Por requisição do STF, STJ e TSE, nas hipóteses previstas no art. 34, VI, segunda parte “VI – prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial”;

Assim, o STF, STJ e TSE poderão requisitar diretamente ao Presidente da Republica, a decretação da intervenção, quando ordem ou decisão suas for descumprida (há desobediência de ordem ou decisão judicial suas por Estados-membro ou DF).

Por ações propostas pelo Procurador Geral da Republica nas hipótese previstas nos arts.:

34, VI, inicio “prover a execução de lei federal” e VII, “assegurar a observância dos princípios constitucionais – forma republica, sistema presidencialista e regime democrático; direitos da pessoa humana; autonomia municipal; prestação de contas da administração direta e indireta; aplicação do mínimo exigido da receita de impostos estaduais para o ensino e saúde”.

Em ambos os casos – “ação de executoriedade de lei federal” como na “ação direta de inconstitucionalidade interventiva” – serão endereçadas as ações ao STF.

Fase Judicial

Essa fase só se apresenta nos 2 casos previstos de iniciativa da Procuradoria Geral da Republica (arts. 34, VI, inicio e VII), uma vez que se tratam de ações endereçadas ao STF.

Para que haja intervenção nestes dois casos, o STF deve julgar procedente quaisquer das ações, encaminhando ao Presidente da Republica para fins do decreto interventivo.

Nestes casos, a intervenção é vinculada, cabendo ao presidente a mera formalização de uma decisão tomada pelo Judiciário.

Decreto Interventivo – Procedimento

A intervenção será formalizada através de decreto presidencial (art. 84, X, CF);

O art. 36, p. 1o., determina que o decreto especifique a amplitude, o prazo e as condições de execução e, se necessário for, afaste as autoridades locais e nomeie temporariamente um interventor;

Ainda, deve submeter essa decisão à apreciação do Congresso Nacional – CN no prazo de 24 horas.

Nas hipóteses de intervenções espontâneas (art. 34, I, II, III e V), ouvirá os Conselhos da Republica (art. 90, I) e o de Defesa Nacional (91, p. 1o.), que opinarão a respeito. Apos, o aconselhamento, poderá decretar a intervenção discricionariamente (oportunidade e conveniência).

Com relação ao interventor – será considerado para todos os fins “servidor publico”; a amplitude e a executoriedade de suas funções dependerá dos limites estabelecidos no decreto interventivo.

Com relação aos atos de intervenção, a CF não os limitou, nem os discriminou, assim, entende-se que, os atos deverão ser adequados aos critérios de necessidade e proporcionalidade à lesão institucional.

4. Controle Político

A CF prevê a existência de um controle político sobre o ato interventivo.

Assim, o decreto de intervenção devera ser submetido à apreciação do CN no prazo de 24 horas.

O CN poderá:

rejeitá-la; ou

mediante decreto legislativo, aprovar a intervenção federal (art. 49, IV);

OBS: No caso do CN não aprovar a medida, Presidente devera cessa-la imediatamente, sob pena de crime de responsabilidade (art. 85, II).

OBS2: Nos casos do art. 34, VI, VII, o controle político é dispensado. Nestes casos, o decreto do legislativo limitar-se-á a suspender a execução do ato impugnado, se essa medida bastar ao restabelecimento da normalidade (no caso trata-se de requisição judicial, assim, não poderia o legislativo obsta-la, sob pena de vulnerar o principio da separação dos poderes).

INTERVENÇAO ESTADUAL NOS MUNICIPIOS

A intervenção cabe ao Estado-membro respectivo.

A regra é respeitar a autonomia dos municípios, cabendo a intervenção como exceção. Lembra-se que segue a mesma regra da intervenção federal, ou seja, somente cabe nos casos taxados pela CF, no art. 35.

Somente o governador do Estado poderá decreta-la,