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MÓDULO II
//curso de
APERFEIÇOAMENTO 
FORTALECIMENTO 
DAS AÇÕES DE IMUNIZAÇÃO 
NOS TERRITÓRIOS 
MUNICIPAIS
Aula 
07
// BASES IMUNOLÓGICAS
C
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o
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/
/
Todos os direitos reservados. É permitida a 
reprodução parcial ou total desta obra, desde 
que citada a fonte e que não seja para venda 
ou qualquer fim comercial. O conteúdo desta 
publicação foi desenvolvido e aperfeiçoado pela 
equipe MaisCONASEMS e Faculdade São 
Leopoldo Mandic.
Material de Referência. Mais CONASEMS. Curso de 
Aperfeiçoamento Fortalecimento das Ações de Imunização nos 
Territórios Municipais. Módulo II: Bases Imunológicas, 
Epidemiológicas, Vigilância Epidemiológica e Cuidado em Saúde
- Aula 7 – Bases Imunológicas.
F ic ha 
C at al ogr áf ic a 
Ficha 
Técnica
Curadoria e Produção de Conteúdos 
Mandic 
André Ricardo Ribas Freitas
Fabiana Medeiros Lopes de Oliveira 
Giuliano Dimarzio
Laura Andrade Lagoa Nóbrega 
Márcia Fonseca
Regina Célia de Menezes Succi
Gestor Educacional
Rubensmidt Ramos Riani
Coordenação Técnica e Pedagógica
Cristina Crespo
Valdívia Marçal
Coordenação Pedagógica – Faculdade 
São Leopoldo Mandic
Fabiana Succi
Patricia Zen Tempski
Especialista em Educação a Distância
Kelly Santana
Priscila Rondas
Designer instrucional 
Alexandra Gusmão
Carla Cristini Justino de Oliveira
Juliana de Almeida Fortunato
Pollyanna Micheline Lucarelli
Simone Ferreira de Assis
Web Desenvolvedor 
Aidan Bruno
Alexandre Itabayana
Cristina Perrone 
Paloma Eveir
Este material foi 
elaborado e desenvolvido 
pela equipe técnica e 
pedagógica do Mais 
CONASEMS em parceria 
com a Faculdade São 
Leopoldo Mandic.
Coordenação Geral 
Conexões Consultoria em 
Saúde Ltda.
Revisão textual 
Gehilde Reis Paula de Moura
Olá!
Este é o seu Material de 
Referência da Aula 7 do 
Módulo II que apresenta de 
forma mais aprofundada o 
conteúdo referente ao tema 
bases imunológicas. A proposta 
é agregar mais conhecimento à 
sua aprendizagem, por isso leia-
o com atenção e consulte-o 
sempre que necessário!
Objetivos de 
aprendizagem
Conhecer os principais acontecimentos históricos para 
a construção do conhecimento da imunologia.
Reconhecer as células, moléculas e órgãos do sistema 
imune.
Compreender os princípios dos mecanismos da 
resposta Imune e seu desenvolvimento.
Compreender os princípios da imunidade ativa e 
passiva.
Entender como as respostas primária e secundária 
interferem nos esquemas vacinais.
Entender a influência dos fatores relacionados ao 
vacinado e à vacina na resposta imune.
Entender como o período de incubação das doenças e 
a memória imunológica podem interferir na 
necessidade de doses de reforço das vacinas. 
01
02
03
04
05
06
07
Entender sobre segurança e eficácia das diferentes 
vacinas. 08
Intro
dução
Na aula 7, você irá aprimorar seus conhecimentos, 
habilidades e atitudes essenciais às competências de 
um cuidador que se mantém atualizado e melhor 
preparado; que direciona sua prática a partir da 
compreensão dos mecanismos de defesa inata e 
adaptativa do processo de adoecimento e sabe como 
os conceitos de imunologia se aplicam nesse contexto.
Primeiramente, será apresentado um breve histórico 
da imunologia; na sequência, como funciona o sistema 
imunológico humano, os tipos de vacina e como este 
sistema imunológico responde a elas.
B oa lei tur a!
// História da 
Imunologia
/ / H i s t ó r i a d a I m u n o l o g i a
O conceito de Imunidade data 
do 5º século depois de Cristo, 
na Grécia com Thucydides. No 
século 10, na China, ocorreu a 
primeira tentativa de induzir 
imunidade para Varíola. Lady 
Montagu trouxe do Império 
Otomano a noção de 
“Variolização” para a Europa.
/ / H i s t ó r i a d a I m u n o l o g i a
Edward Jenner, em 1796, desenvolveu a 
imunização segura para a Varíola chamada de Vacina 
(originada da palavra vaccina - Vaca). Esta imunização 
foi desenvolvida a partir de Varíola bovina (cowpox) na 
qual pessoas eram expostas à varíola bovina 
(variolização), menos agressiva que a Varíola humana 
(smallpox). Ao observar que pessoas que ordenhavam 
vacas não contraíam a varíola, desde que tivessem 
adquirido a forma animal da doença, Jenner extraiu o 
pus da mão de uma ordenhadora que havia contraído 
a varíola bovina e o inoculou em um menino saudável, 
James Phipps, de oito anos, em 04 de maio de 1796. 
O menino contraiu a doença de forma branda e logo 
ficou curado. Em 1º de julho, Jenner inoculou no 
mesmo menino, líquido extraído de uma pústula de 
varíola humana. James não contraiu a doença, o que 
significava que estava imune à varíola. Assim, ficou 
evidenciado que a infecção através da pele ao invés da 
inalatória, proporcionou tempo suficiente ao sistema 
imunológico para desenvolver defesas antes da 
multiplicação do vírus. A vacina jenneriana foi, 
inicialmente, recebida com descrédito e receio que 
acabaram sendo relativamente superados. A vacina 
difundiu-se por todo o mundo, ao mesmo tempo em 
que novos estudos vinham somar-se aos originais.
/ / H i s t ó r i a d a I m u n o l o g i a
Em agosto de 1881, Robert Koch iniciou suas 
pesquisas: infectou duas cobaias com material 
tuberculoso e esperou que estas adoecessem. 
Paralelamente, preparava amostras, coloria e 
examinava-as no microscópio. Sempre trabalhando 
com técnicas novas de coloração, Robert Koch 
procurava tornar visível o que ninguém conseguira ver 
até então. No 271º preparado, o pesquisador 
encontrou o que tanto procurara: bacilos finos em 
forma de bastão com sinuosidades e espiralações. Ele 
conseguiu desenvolver uma cultura desses 
microrganismos sobre nutrientes. Em função disso, foi 
possível descrever o agente etiológico da Tuberculose 
do bacilo de Koch como o agente biológico causal.
Louis Pasteur desenvolveu vacinas para Raiva e 
Anthrax e chamou o procedimento de Vacinação em 
homenagem a Jenner. No entanto, existem 
informações de que Pasteur não construiu as bases 
teóricas para a imunidade propriamente dita pois 
preocupava-se antes em generalizar o conceito de 
imunização através da atenuação da virulência dos 
microrganismos, e assim estabelecer um programa 
empírico de imunização, através do controle em 
laboratório do desenvolvimento dos microrganismos, 
mas não se preocupava com o fenômeno de 
atenuação in vivo. Pasteur é considerado o pai da 
Imunologia e Microbiologia e junto com Koch 
estabeleceram a teoria da doença induzida por germes 
Germ Theory of Disease. 
/ / H i s t ó r i a d a I m u n o l o g i a
A descoberta do significado biológico da fagocitose 
por Elie Metchnikoff (1845-1916) está intimamente 
ligada à história da noção de antígenos próprios e 
não próprios. 
Figura 1 - Louis Pasteur
A teoria baseada nessa propriedade das células 
defensivas, eu dei o nome de Teoria da Fagocitose 
(METCHNIKOFF, 1891). 
Eu fiz o uso do termo fagocitose para 
designar células ameboides capazes 
de capturar e digerir microrganismos 
e outros elementos.“ 
”
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Louis_Pasteur. Acesso em 
12 abr 21
/ / H i s t ó r i a d a I m u n o l o g i a
A relevância de seus trabalhos 
para a medicina deu ao biólogo 
russo o prêmio Nobel de 
Medicina e Fisiologia em 1908, 
juntamente com Paul Ehrlich, o 
pai da teoria humoral (anticorpos) 
dos mecanismos de defesa do 
organismo contra infecções. Com 
a Teoria da Fagocitose nasceu a 
imunologia celular.
Figura 2 - Esquema ilustrativo de fagocitose por uma Ameba ou Fagócito.
Fonte: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=fagocitose&title=Special: 
MediaSearch&go=Go&type=image&haslicense=unrestricted . Acesso em 12 abr 21
/ / H i s t ó r i a d a I m u n o l o g i a
Nos anos de 1966 e 1967, Claman, Davis e 
Mitchison demonstraram que os linfócitos T e 
B dependem da interação entre si para a 
produção da resposta imune adaptativa. Vários 
fenômenos, tais como: a alteração de classes de 
imunoglobulinas para outra (por exemplo, IgM
para IgG) produzidas pelos linfócitos B, são 
dependentes desinalização dos linfócitos T. 
Susumo Tonegawa demonstrou que apesar de 
o ser humano possuir apenas 30.000 genes 
através de rearranjo genético, ele pode produzir 
milhões de diferentes anticorpos. Ampliou o 
conhecimento da Resposta Adaptativa e ganhou 
o Prêmio Nobel de Medicina, em 1987.
/ / H i s t ó r i a d a I m u n o l o g i a
Em 1988, Greg Winter e sua equipe foram 
pioneiros nas técnicas para humanizar os 
anticorpos monoclonais, eliminando as reações 
que muitos anticorpos monoclonais causaram 
em alguns pacientes.
Christiane Nusslein-Volhard por meio dos 
estudos com Drosophilas descobriu as bases 
para o descobrimento do receptor do tipo Toll-
like. Essa classe de proteínas permite que o 
organismo reconheça um microrganismo assim 
que ele ultrapassa as barreiras como a pele, 
sendo receptores fundamentais na Resposta 
Inata (1ª linha de defesa inespecífica). Por sua 
descoberta, ganhou o Prêmio Nobel de 
Medicina em 1995.
// Resposta 
Imune
/ / R e s p o s t a I m u n e
O sistema imunológico é uma 
organização complexa de tecidos, 
células, produtos de células e 
mediadores químicos biologicamente 
ativos que interagem para produzir a 
resposta imune. Sua principal função é 
reconhecer substâncias estranhas ao 
organismo e protegê-lo contra 
invasores patogênicos. 
Células e 
Tecidos da 
Imunidade 
Inata
O sistema imune inato é a primeira linha de defesa do 
hospedeiro contra microrganismos, e os mecanismos da 
imunidade natural existem antes mesmo da exposição 
ao microrganismo. A imunidade inata é a resposta inicial 
aos microrganismos que impede, controla ou elimina a 
infecção do hospedeiro. Muitos microrganismos 
patogênicos desenvolveram estratégias para resistir à 
imunidade inata, e essas estratégias são cruciais para a 
virulência dos microrganismos.
A imunidade inata aos microrganismos estimula as 
respostas imunológicas adquiridas e pode influenciar na 
natureza das respostas imunológicas adquiridas para 
torná-las otimamente eficazes contra os diferentes tipos 
de microrganismos, influenciando no tipo de resposta 
imunológica adquirida que se desenvolverá (humoral 
ou celular).
/ / R e s p o s t a I m u n e
Os componentes da imunidade inata reconhecem 
estruturas que são características de patógenos 
microbianos e não estão presentes nas células dos 
mamíferos. Essas estruturas são chamadas de 
Padrões Moleculares Associados a Patógenos (PAMP)
e os receptores que se ligam a essas estruturas são 
chamados de Receptores de Reconhecimento de 
Padrões (PRR), sendo os receptores conhecidos como 
receptores do tipo toll (Toll like receptors – TLR), os 
mais importantes.
O sangue é formado por plasma, uma porção acelular 
e os chamados elementos figurados que constituem 
a parte celular. Essa última porção é formada por 
tipos celulares: hemácias, leucócitos e plaquetas. 
/ / R e s p o s t a I m u n e
Os leucócitos, também chamados de glóbulos 
brancos, são células incolores que atuam 
principalmente na defesa do corpo, protegendo-o 
contra organismos invasores e desencadeando 
respostas imunológicas. Os leucócitos são 
produzidos na medula óssea, local onde a maioria 
também amadurece. A partir desse local, eles são 
levados através dos vasos sanguíneos para todo o 
corpo junto a outras células do sangue. Podemos 
dividir os leucócitos em dois grandes grupos: os 
granulócitos e os agranulócitos. O primeiro grupo 
apresenta grânulos no citoplasma e núcleo com 
formato irregular. Em razão da forma de seus 
núcleos, esses tipos de leucócitos também 
recebem o nome de polimorfonucleares. Já os 
agranulócitos não possuem grânulos e apresentam 
núcleo com formato relativamente regular.
/ / R e s p o s t a I m u n e
Os leucócitos englobam todas as células brancas do 
sistema imune. Eles são capazes de sair dos vasos 
sanguíneos por diapedese, passando entre as células 
endoteliais para penetrar no tecido conjuntivo. Essas 
células migram para os locais de agressão atraídos 
por quimiotaxia (atraídos por citocinas 
quimioatraentes). 
/ / R e s p o s t a I m u n e
O número de 
leucócitos 
médio por 
mililitro 
cúbico de 
sangue:
Nascimento – 20.000 mm3
Adulto – 4.000 a 10.000 mm3
Atenção!
O aumento (leucocitose) ou a 
diminuição (leucopenia) do 
número de leucócitos no 
sangue pode indicar infecções 
ou outras alterações.
01 neutrófilos
Os granulócitos são classificados 
em três tipos diferentes:
neutrófilos, eosinófilos e basófilos. Já 
os agranulócitos podem ser de dois 
tipos: linfócitos e monócitos.
/ / R e s p o s t a I m u n e
Os neutrófilos também chamados de 
leucócitos polimorfo-nucleares, são a 
população mais abundante de células 
sanguíneas brancas circulantes 
(aproximadamente 60% das células 
brancas) e medeiam as fases iniciais das 
respostas inflamatórias. O núcleo 
contém de 3 a 5 lóbulos, daí o termo 
polimorfonuclear. Possuem a capacidade 
de fagocitose (identificar, ingerir e 
destruir os microrganismos). Duram em 
média 6 horas na corrente sanguínea. 
Possuem em sua superfície receptores 
de proteínas do complemento, 
receptores de fragmento Fc de 
imunoglobulinas e moléculas de adesão.
02 eosinófilos
/ / R e s p o s t a I m u n e
São responsáveis pela ação contra parasitas e 
juntamente com os mastócitos controlam os 
mecanismos associados à alergia e asma. 
Desenvolvem-se na medula óssea e migram 
para o sangue periférico e persistem de 8 a 
12 horas, podendo sobreviver nos tecidos 
por até 12 dias. Correspondem de 1 a 5% dos 
leucócitos.
03 basófilos
Estas células participam de processos 
alérgicos e produzem histamina e heparina. 
São ativados pela presença de estímulos 
como algumas proteínas do sistema 
complemento (C3a, C4a, C5a) e o complexo 
IgE-antígeno e compreendem 1% dos 
leucócitos.
Monócitos/
Macrófagos
Os monócitos possuem núcleo em forma de 
feijão e correspondem a aproximadamente 5% 
dos leucócitos. Uma vez que migram do sangue 
para os tecidos tornam-se macrófagos, os quais 
em diferentes tecidos possuem nomes distintos, 
por exemplo, micróglia no sistema nervoso 
central, células de Kupfer no fígado). Respondem 
tão rapidamente como os neutrófilos, mas 
persistem por muito mais tempo nos locais da 
inflamação. Assim como os neutrófilos, possuem 
receptores TLR em sua membrana, permitindo o 
reconhecimento de PAMP e consequente 
fagocitose dos microrganismos. Possuem uma 
característica importante e, por isso, são 
conhecidas como células apresentadoras de 
antígeno (APC). 
/ / R e s p o s t a I m u n e
Linfócitos
São pequenos e apresentam um grande núcleo 
circular e importante papel na resposta imune. 
Essas células podem ser classificadas em dois 
tipos principais: linfócitos B e linfócitos T.
• Linfócitos B – originam-se e terminam sua 
maturação ainda na medula. Quando sofrem 
ativação, diferenciam-se em plasmócitos, 
que possuem como principal função a 
produção de anticorpos.
• Linfócitos T – recebem esse nome por 
completarem sua maturação no timo. Esse 
grupo de células diferenciam-se em duas 
classes: CD8+, ou citotóxicas e as CD4+ ou 
auxiliares. O primeiro grupo mata as células 
infectadas, enquanto o CD4+ relaciona-se 
com a ativação dos linfócitos B e macrófagos. 
/ / R e s p o s t a I m u n e
Mastócitos
São derivados de progenitores da medula óssea e 
quando maduros, predominam perto dos vasos 
sanguíneos e abaixo do epitélio e são 
responsáveis pela reação de hipersensibilidade.
/ / R e s p o s t a I m u n e
/ / R e s p o s t a I m u n e
Células 
dendríticas
As células dendríticas possuem longas projeções 
membranosas e capacidade fagocítica e são 
amplamente distribuídas nos tecidos linfoides. 
Possuem diferentes TLR em sua membrana 
conseguindo assim identificar e capturar diferentes 
microrganismos. Uma vez capturados esses 
microrganismos, as células dendríticas migram para 
os linfonodos a fim de apresentarem o antígeno. 
São consideradas as principais células 
apresentadoras de antígeno (APC). 
/ / R e s po s t a I m u n e
Recrutamento 
de leucócitos 
para os locais 
de infecção
Em locais de infecção, os macrófagos que 
encontraram microrganismos produzem citocinas 
(como TNF e IL-1) que ativam as células endoteliais 
de vênulas vizinhas a produzirem selectinas, 
ligantes de integrinas e quimiocinas. As selectinas 
medeiam a adesão fraca e a rolagem dos leucócitos 
sanguíneos, tais como neutrófilos sobre o 
endotélio. As integrinas medeiam a adesão firme 
dos neutrófilos; as quimiocinas aumentam a 
afinidade das integrinas dos neutrófilos e 
estimulam a migração das células pelo endotélio 
para o local da infecção. Os neutrófilos, monócitos 
e linfócitos T sanguíneos ativados utilizam 
essencialmente os mesmos mecanismos para 
migrar para os locais de infecção.
/ / R e s p o s t a I m u n e
Fagocitose de 
microrganismos
Os neutrófilos e macrófagos são considerados 
células fagocíticas (fagócitos) que ingerem 
microrganismos ligados nas vesículas pelo processo 
de fagocitose. O primeiro passo na fagocitose é o 
reconhecimento do microrganismo pelo fagócito 
por meio dos diferentes receptores que estes 
possuem, como receptores do tipo toll (TLR). Outro 
grupo de receptores nos fagócitos reconhecem 
certas proteínas do hospedeiro que recobrem os 
microrganismos, as quais são chamadas de 
opsoninas e incluem anticorpos, proteínas do 
complemento e lectinas.
/ / R e s p o s t a I m u n e
Células 
Natural Killer 
(NK)
As células NK reconhecem ligantes nas células 
infectadas ou células sob outros tipos de estresse e 
destroem as células do hospedeiro. Desta maneira, 
as células NK eliminam reservatórios de infecção 
bem como as células disfuncionais. As células NK 
respondem a IL-12 (interleucina-2) produzida pelos 
macrófagos e secretam Interferon gama (IFN-γ) que 
ativa os macrófagos a eliminarem os 
microrganismos fagocitados.
/ / R e s p o s t a I m u n e
Os interferons (IFN) foram identificados pela 
primeira vez com base em sua profunda capacidade 
de tornar as células resistentes à infecção por vírus. 
Quase todas as células expressam receptores para 
interferon, que, ao sinalizar, induzem rapidamente 
vários genes de resposta antiviral para inibir a 
replicação do vírus em células infectadas e enviam 
um alerta para prevenir a infecção de células 
próximas. A prova do papel fundamental do IFN-I 
no controle do vírus são as observações em 
camundongos de que, na ausência da sinalização 
do IFN-I, os vírus que normalmente são controlados 
rapidamente tornam-se letais ou persistem. 
Tradicionalmente, a eficácia da vacina tem sido 
medida pela resposta de anticorpos produzidos 
pela imunidade humoral. No entanto uma 
assinatura dos genes induzidos por interferon (IFN) 
entre 12 e 36 horas após a vacinação é 
fundamental para a eficácia da vacina porque IFNs
tipo I aumentam a apresentação cruzada de 
antígenos para células T CD8+, promovem a 
diferenciação T auxiliar, diferenciação de células B 
em plasmoblastos produtores de anticorpos e 
induzem maturação da célula dendrítica.
/ / R e s p o s t a I m u n e
Muitas vacinas vivas atenuadas, também, conferem 
efeitos heterólogos benéficos associados com 
proteção contra patógenos divergentes. Vacinas 
vivas atenuadas ativam as mesmas vias inatas 
desencadeadas durante a infecção natural. Esta 
etapa de ativação resulta na produção de citocinas 
específicas que regulam a geração e a qualidade de 
respostas imunes adaptativas subsequentes. O 
Interferon tipo I é uma potente citocina induzida 
por infecção viral que promove um estado antiviral 
e exerce um potencial imunomodulador para 
regular o linfócito T helper antiviral tipo 1 (Th1). 
Após administração de uma vacina viva atenuada 
também ocorre produção de interferon, o que vai 
determinar o intervalo mínimo para outra vacina 
viva atenuada.
/ / R e s p o s t a I m u n e
Células e 
Tecidos da 
Imunidade 
Adaptativa
A organização anatômica das células e dos tecidos 
do sistema imunológico tem importância crítica 
para a geração das respostas imunológicas. Essa 
organização permite que um pequeno número de 
linfócitos específicos para um antígeno localize e 
responda efetivamente àquele antígeno 
independentemente do local em que ele é 
introduzido no corpo. 
A resposta imunológica adquirida depende de 
linfócitos específicos para o antígeno, células 
apresentadoras de antígenos necessárias para a 
ativação dos linfócitos e células efetoras que 
eliminam os antígenos.
/ / R e s p o s t a I m u n e
Os linfócitos consistem em populações distintas 
que diferem quanto a sua função. Os linfócitos B 
são os responsáveis pela produção de anticorpos. 
Os linfócitos T são os mediadores da imunidade 
celular. Os linfócitos T e B derivam de um precursor 
comum na medula óssea. O desenvolvimento das 
células B continua na medula óssea, enquanto os 
precursores das células T migram para o timo, onde 
se desenvolvem. Assim, os órgãos do sistema 
imunológico podem ser divididos em órgãos 
geradores (medula óssea e timo), onde os linfócitos 
se desenvolvem e em órgãos periféricos (linfonodos 
e baço), onde os linfócitos virgens são ativados 
pelos antígenos os quais são apresentados pelas 
células apresentadoras de antígenos.
Após completar o seu desenvolvimento, as células T 
e B deixam a medula óssea e o timo, entram na 
circulação sanguínea e vão povoar os órgãos 
linfoides periféricos. As células B e T virgens são 
linfócitos maduros que ainda não foram 
estimulados pelos antígenos. Quando elas 
encontram os antígenos, elas se diferenciam em 
linfócitos efetores que atuam nas respostas 
imunológicas protetoras. Os linfócitos B efetores 
são chamados de plasmócitos e secretam 
anticorpos. As células T efetoras incluem as células 
T auxiliares CD4, que secretam citocinas e ativam e 
amplificam a resposta inflamatória e células T 
citotóxicas CD8 que destroem células infectadas.
/ / R e s p o s t a I m u n e
Os linfonodos são os locais onde as células B e T 
respondem aos antígenos que são coletados pela 
linfa dos tecidos periféricos. O baço é o órgão no 
qual os linfócitos respondem a antígenos 
presentes no sangue.
Tanto os linfonodos quanto o baço são divididos 
em zonas de células B (folículos) e zonas de células 
T. As áreas de células T são também os locais em 
que se encontram as células dendríticas maduras, 
que são células apresentadoras de antígeno 
especializadas para ativação das células T virgens. 
As células dendríticas foliculares estão localizadas 
nas áreas de células B e ativam essas células 
durante a resposta imunológica humoral 
(produção de anticorpos) contra antígenos 
proteicos. 
Deixar claro que a resposta imunológica T-
dependente produz memória imunológica e 
proteção de longa duração, além de estimular 
resposta de reforço após reexposição (resposta 
anamnéstica). Relacionando com a prática, explicar 
porque não reiniciamos esquemas vacinais 
atrasados, mas sim completamos os esquemas já 
iniciados (há memória da produção de anticorpos, 
mas não em quantidade suficiente para dar 
proteção). E ao contrário, vacinas polissacarídicas
são T-independentes e só podem ser utilizadas a 
partir de dois anos de idade.
A resposta imunológica T-dependente produz 
memória imunológica e proteção de longa 
duração, além de estimular resposta de reforço 
após reexposição (resposta anamnéstica). Dessa 
forma, não reiniciamos esquemas vacinais 
atrasados, mas sim, completamos os esquemas 
vacinais já iniciados (há memória da produção de 
anticorpos, mas não em quantidade suficiente 
para dar proteção). E, ao contrário, vacinas 
polissacarídicas (como a vacina pneumocócica 23-
valente) são T-independentes, possuem proteção 
limitada e só podem ser utilizadas a partir de dois 
anos de idade.
/ / R e s p o s t a I m u n e
Atenção!
Importante manter IgM e IgG, inclusive 
para explicar a resposta primária, 
secundária e cicatriz sorológica. 
Importante, nesse ponto, ressaltar sobre a 
resposta imune ao SARS-CoV-2 que até o 
momento nãofunciona ou não se tem 
evidências ainda ou ainda ocorre limitação 
dos testes que siga esta forma clássica.
/ / R e s p o s t a I m u n e
As moléculas de anticorpos podem ser divididas em 
diferentes classes e sub-classes com base nas 
diferenças na estrutura das regiões constantes da 
cadeia pesada. Estas classes de anticorpos são 
também chamadas de isotipos e são: IgD, IgA, IgE, 
IgM e IgG .
Isotipo Características
IgM
• Plasma (10% do total das Ig).
• Formas: monomérica e pentamérica.
• Cadeia J (juncional).
• Ativa o sistema complemento.
• Importante na resposta imune primária. 
IgG
• Mais abundante no soro.
• Menor e mais flexível.
• Forma: monomérica.
• Importante na resposta imune secundária.
• Atravessa a placenta.
IgD
• Baixas concentrações séricas.
• Forma: monomérica.
• Importante na resposta imune primária.
• Função de receptor de antígeno em células B 
virgens.
IgE
• Baixas concentrações séricas.
• Alta afinidade às superfícies de mastócitos, 
basófilos e eosinófilos.
• Reações inflamatórias intensas.
• Reações alérgicas.
• Imunidade contra parasitas. 
IgA
• Isotipo mais produzido no organismo.
• Formas: monomérica (geralmente no soro).
• Dimérica (geralmente nas secreções).
• Principal anticorpo na proteção das mucosas.
• Subclasses: IgA1 e IgA2.
• IgA secretora. 
/ / R e s p o s t a I m u n e
Atenção!
A ligação do anticorpo ao antígeno 
pode ser altamente específica, 
distinguindo pequenas diferenças 
na estrutura química, mas podem 
ocorrer reações cruzadas nas quais 
pelo menos dois antígenos podem 
ser ligados pelo mesmo anticorpo.
IgA secretora
• produzidas por plasmócitos de células B nos tecidos 
linfoides associados às mucosas (MALT).
• resistentes às enzimas proteolíticas.
• neutralização de bactérias e toxinas.
• bloqueio da adesão e aglutinação.
• baixa indução da resposta inflamatória (< ativação do 
complemento).
• cadeia J (liga 2 moléculas monoméricas de IgA, 
tornando-as diméricas).
• componente secretor: origem das células epiteliais.
• transporte de IgA através das mucosas e glândulas.
/ / R e s p o s t a I m u n e
A capacidade de anticorpos em qualquer indivíduo 
de se ligar especificamente a um grande número 
de diferentes antígenos é reflexo da diversidade do 
anticorpo, e a coleção total de anticorpos com 
especificidades diferentes representa o repertório 
de anticorpos. Os mecanismos genéticos que 
geram esse grande repertório de anticorpos 
ocorrem nos linfócitos. São baseados na 
recombinação aleatória de um número limitado de 
sequências de DNA, herdadas da linhagem 
germinativa em genes funcionais que codificam as 
regiões variáveis das cadeias pesadas e leves, 
assim como na adição de sequências de 
nucleotídeos durante o processo de 
recombinação.
Um mecanismo para a geração de anticorpos de 
grande afinidade envolve alterações sutis na 
estrutura das regiões variáveis dos anticorpos 
durante as respostas humorais dependentes das 
células T aos antígenos proteicos. Essas alterações 
ocorrem por um processo de mutação somática 
em linfócitos B estimulados por antígenos que 
geram novas estruturas para os domínios variáveis, 
alguns dos quais ligam o antígeno com maior 
afinidade do que o domínio variável original.
Alteração nos isotipos (classes) dos anticorpos 
durante a resposta humoral influencia em como e 
quando as respostas irão reagir para erradicar o 
antígeno. Células B virgens, produzem 
simultaneamente IgM e IgD que funcionam como 
receptores de superfície para antígenos. Quando 
estas células B são ativadas por um antígeno 
(resposta primária) estas inicialmente produzem 
grande quantidade de IgM que são secretadas e as 
células B passam por um processo chamado de 
recombinação de troca em que ocorre a mudança 
do isotipo do anticorpo produzido pelas células B 
sem que a especificidade seja alterada. Como 
resultado da recombinação de troca, uma prole 
diferente da célula B original que produzia IgM e IgD
produzem isotipos que estão mais preparados para 
eliminar o antígeno como IgG, IgE ou IgA, 
dependendo do antígeno. Assim, são formados 
clones de células B de memória para este 
determinado antígeno e, uma vez que ocorre uma 
nova exposição ao antígeno, estas células produzem 
isotipos IgG, IgE ou IgA em grande quantidade e 
com maior rapidez (resposta secundária).
/ / R e s p o s t a I m u n e
Saiba 
mais!
Para saber mais sobre 
sistema imunológico leia o 
artigo da Revista 
Superinteresante:
“Sistema Imunológico: Os 
Defensores” de Lúcia Helena de 
Oliveira. Disponível em: 
https://super.abril.com.br/saude/s
istema-imunologico-os-
defensores/ Acesso em 14 abr. 21
/ / R e s p o s t a I m u n e
// Imunidade 
Passiva X 
Imunidade Ativa
A imunidade ativa refere-se ao processo de 
exposição do corpo a um antígeno para gerar uma 
resposta imune adaptativa. A resposta leva dias / 
semanas para se desenvolver, mas pode ser de longa 
duração - até por toda a vida. A imunidade ativa é 
geralmente classificada como natural ou adquirida. A 
infecção natural, por exemplo, com o vírus da 
hepatite A (HAV) e a recuperação subsequente 
dão origem a uma resposta imune ativa natural 
geralmente levando a uma proteção vitalícia. De 
maneira semelhante, a administração de duas doses 
de vacina contra hepatite A gera uma resposta imune 
ativa adquirida que leva a uma proteção duradoura 
(possivelmente vitalícia). 
/ / I m u n i d a d e P a s s i v a X I m u n i d a d e A t i v a
Figura 3: Pessoa com hepatite A
Fonte:https://pt.wikipedia.org/wiki/Hepatite_A#/media/Ficheiro:Ja
undice_eye.jpg. Acesso em 13 abr. 21
Atenção!
Muitas vezes, a indicação de 
imunização passiva decorre de falha 
no cumprimento do calendário 
vacinal de rotina, como após 
ferimentos (tétano) ou acidentes 
por instrumentos perfurocortantes 
em hospitais e clínicas (hepatite B). 
A imunidade passiva refere-se ao processo de 
fornecer anticorpos IgG para proteger contra 
infecções; dá proteção imediata, mas de curta 
duração - várias semanas a 3 ou 4 meses no máximo. 
A imunidade passiva é geralmente classificada como 
natural ou artificial. A transferência de anticorpos 
maternos contra o tétano (principalmente IgG) 
através da placenta fornece imunidade passiva 
natural para o recém-nascido por várias semanas / 
meses até que esse anticorpo seja degradado e 
perdido. Já a imunidade passiva artificial refere-se ao 
processo de obtenção de soro de indivíduos imunes, 
reunindo-o, concentrando a fração de 
imunoglobulina e, em seguida, injetando-a para 
proteger uma pessoa suscetível.
/ / I m u n i d a d e P a s s i v a X I m u n i d a d e A t i v a
A terapia passiva de anticorpos é baseada em 
preparações de anticorpos derivados de soros de 
doadores imunizados. Ao contrário da vacinação, 
com a qual a imunidade protetora demora a ter 
início, a administração passiva de anticorpos pode 
conferir proteção instantânea. Essa imunidade 
imediata é teoricamente independente do status 
imunológico do receptor, enquanto as vacinas 
dependem da capacidade do hospedeiro de montar 
uma resposta imunológica.
No início da década de 1890, Behring e Kitasato
mostraram que a terapia passiva com anticorpos 
poderia proteger contra a infecção por difteria. 
Desde o início do século 20, o soro de indivíduos se 
recuperando do sarampo era dado para proteger 
contra a doença. Embora a soroterapia tenha sido 
eficaz, seu uso foi associado a reações de 
hipersensibilidade e doença do soro causada por 
grandes quantidades de proteína animal. A doença 
do soro é causada pela formação de complexos 
imunes - o sistema imunológico do receptor 
reconhece proteínas em amostras de soro animal 
como antígenos estranhos. As melhorias na 
qualidade do fracionamento de anticorpos e no 
desenvolvimento de terapias de anticorpos contra 
doenças para as quais nenhuma terapia 
antimicrobiana estava disponível levaram a um 
interesse renovado na terapia de anticorpos passivos 
na segunda metade do século XX./ / I m u n i d a d e P a s s i v a X I m u n i d a d e A t i v a
Os tratamentos de imunização passiva visam 
aumentar a resposta imunológica do paciente, 
evitando que a doença progrida para condições mais 
graves. Esta estratégia tem sido usada recentemente 
em países europeus afetados por covid-19 como 
terapia adjuvante a antivirais e outros medicamentos, 
pois atua diretamente na neutralização viral, 
prevenindo a progressão da doença. Os destaques 
entre esses produtos biotecnológicos são 
imunoglobulinas intravenosas, plasma 
convalescente, anticorpos monoclonais, 
nanocorpos e soros hiperimunes.
As imunoglobulinas intravenosas são obtidas de 
doadores saudáveis e são utilizadas para promover a 
imunização passiva em pacientes com 
agamaglobulinemia congênita, 
hipogamaglobulinemia e imunodeficiência 
combinada. Elas são usadas, também, ​​no tratamento 
de doenças como a Síndrome de Guillain-Barré. 
/ / I m u n i d a d e P a s s i v a X I m u n i d a d e A t i v a
O plasma convalescente é coletado de indivíduos 
curados da infecção de interesse. O plasma deve ser 
purificado e isento de agentes infecciosos, podendo 
ser administrado a pacientes com quadros mais 
graves. Vale ressaltar que essa terapia foi utilizada no 
tratamento de formas graves de gripe e 
citomegalovírus. No entanto, apesar do potencial, 
seu uso para doenças como a covid-19 ainda é 
experimental e tem a limitação do número de 
doadores disponíveis com anticorpos para 
coronavírus.
Os anticorpos monoclonais são anticorpos 
seletivos para um antígeno viral específico e são 
homogêneos, produzidos por um único clone de 
célula B. Um exemplo é palivizumabe, uma solução 
de anticorpo "pronto" que induz imunização passiva 
específica contra o vírus sincicial respiratório (VSR). 
Atualmente, muitos estudos nessa área envolvem 
anticorpos contra a proteína S do SARS-CoV-2 
podendo ser usados no tratamento. Esses anticorpos 
podem ser administrados sozinhos ou como 
coquetéis de anticorpos monoclonais.
Os nanocorpos são fragmentos ativos de anticorpos 
(domínios variáveis ​​monoméricos únicos) que, nos 
últimos anos, foram amplamente explorados para o 
tratamento de envenenamento por animais 
peçonhentos, bactérias e zoonoses parasitas. Eles 
podem reconhecer antígenos e foram estudados para 
terapias contra, por exemplo, o vírus da influenza, 
MERS-CoV e o vírus da febre hemorrágica do Congo. 
/ / I m u n i d a d e P a s s i v a X I m u n i d a d e A t i v a
Os soros hiperimunes contêm anticorpos 
policlonais que podem ser usados ​​terapeuticamente 
para tratar infecções virais. Desde o século 19, as 
terapias de imunoglobulina policlonal têm sido 
amplamente utilizadas. Eles são feitos com soro de 
doador animal ou humano com altos títulos 
neutralizantes. Os mais usados são os antiveneno (ex: 
antiofídico, contra picada de cobra; e antiarcnídico, 
contra picada de aranha), antitóxico (ex: antitetânico 
e antibotulínico) e antiviral (ex: antirrábico, contra o 
vírus da raiva).
/ / I m u n i d a d e P a s s i v a X I m u n i d a d e A t i v a
// Fatores Inerentes 
ao Indivíduo 
A definição geral de falha vacinal, 
também denominada falha de proteção 
adequada ou falha na eficácia da vacina, 
baseia-se em dois aspectos: fatores 
relacionados à vacina e ao 
hospedeiro, sendo aqueles inerentes 
ao hospedeiro:
/ / F a t o r e s I n e r e n t e s a o I n d i v í d u o 
a) Imunodeficiência: ausência ou deficiência de 
resposta imune.
b) Idade: imaturidade ou senescência 
(envelhecimento) da resposta imune. Esse é o 
motivo para existir idade correta para início de 
esquemas vacinais, além de existir esquemas 
diferentes para idades diferentes.
c) Insuficiente resposta imune (outra que não a 
imunodeficiência) para um ou mais componentes 
antigênicos, tipos ou sorotipos de vacinas – esta 
talvez não seja medida por meio de dosagens 
laboratoriais de anticorpos.
d) Interferência de outros agentes infecciosos: 
por exemplo, infecções naturais por enterovírus não 
pólio interferindo na resposta imune à vacina 
poliomielite oral.
e) Imunidade baixa: estado de saúde prévio, como 
em decorrência de desnutrição, doenças de base, 
uso de terapias imunossupressoras.
f) Interferência imunológica: anticorpos 
maternos, uso de imunoglobulinas.
g) Infecções preexistentes com o mesmo 
patógeno presente na vacina: genótipos do HPV, 
imunização durante o período de incubação de uma 
infecção.
Todas as vacinas funcionam da mesma 
maneira que a versão nada tecnológica 
de Jenner: estimulando o organismo a 
produzir anticorpos contra um 
determinado microrganismo, sem que, 
para isso, seja preciso ficar doente. 
Isso é o suficiente para que o 
organismo comece a produzir uma 
defesa específica para combater 
aquele vírus ou bactéria. Quando a 
infecção for eliminada, as células de 
defesa já terão criado uma “memória” 
contra a doença.
/ / F a t o r e s I n e r e n t e s a o I n d i v í d u o 
// Tipos de 
Vacina 
Vacina 
atenuada
Atualmente, as vacinas são produzidas, principalmente, a 
partir de fragmentos de vírus e bactérias ou com esses 
microrganismos atenuados ou inativados.
/ / T i p o s d e V a c i n a 
Contém uma versão 
enfraquecida do vírus, portanto 
não causa a doença em pessoas 
com o sistema imunológico 
saudável. Como é feita com um 
vírus vivo, é a que consegue 
causar uma infecção “mais 
natural”, o que produz uma 
resposta melhor do nosso 
sistema de defesa. Não é 
indicada a pessoas com 
problemas imunológicos, como 
pessoas em tratamento com 
quimioterapia. 
Exemplos: 
pólio oral (Sabin), 
sarampo, caxumba, 
rubéola e varicela.
Vacina 
inativa
Produzidas com microrganismos 
mortos ou com seus 
fragmentos. São mais seguras, 
mas também desencadeiam 
uma resposta imunológica 
menor. Frequentemente, são 
necessárias mais de uma dose 
para uma defesa prolongada. Exemplos: 
pólio injetável (Salk), 
raiva, influenza, 
hepatite A. 
/ / T i p o s d e V a c i n a 
Toxoides
vacina feita com toxinas 
modificadas de bactérias. 
Seu objetivo é prevenir as 
doenças que são causadas 
não pela bactéria em si, mas 
pela toxina que ela produz 
dentro do nosso corpo. 
Exemplos: 
difteria e tétano. 
/ / T i p o s d e V a c i n a 
Conjugadas
Combatem doenças causadas 
por bactérias encapsuladas 
(possuem uma capa protetora 
de polissacarídeos). A vacina age 
conectando esses 
polissacarídeos a antígenos aos 
quais nosso sistema imune 
responde de maneira eficaz. Exemplos: 
pneumocócica 10-
valente.
/ / T i p o s d e V a c i n a 
O sistema imune também tem a capacidade de se 
lembrar das ameaças já combatidas, por isso, sempre 
que os mesmos agentes infecciosos entram em 
contato com nosso organismo, o complexo processo 
de proteção é reativado. Em alguns casos, a memória 
imunológica é tão eficiente que não deixa uma 
doença ocorrer mais de uma vez na mesma pessoa. 
Isso acontece, por exemplo, quando contraímos 
sarampo ou catapora (varicela) ou quando nos 
vacinamos contra essas doenças.
Mas não é sempre assim. No caso da doença 
meningocócica, da difteria, do tétano e da 
coqueluche, tanto as infecções quanto as vacinas que 
as previnem não geram proteção para toda a vida, 
seja porque o estímulo do sistema imune não é 
suficiente a ponto de produzir uma ótima memória 
imunológica, seja porque ter memória imunológica, 
nesses casos, não basta para manter a proteção no 
longo prazo. É por isso que às vezes precisamos 
tomar doses de reforço de algumas vacinas.
Algumas vacinas não fornecem imunização adequada 
já na primeira dose, o que é particularmente verdade 
nas vacinas inativadas, produzidas com o 
microrganismo morto. Na segunda e até na terceira 
dose a sensibilização inicial é potencializada e a 
resposta imunológica se torna muito maior. No caso 
da vacina contra a gripe, as injeções são anuais 
porque são vírus que mudam com rapidez e variam 
ao longo do tempo. Por isso, elas são produzidas com 
as variações do vírus quesão esperadas em 
circulação naquele determinado ano.
/ / T i p o s d e V a c i n a 
V a c i n a s d e 
u n i d a d e s 
p r o t e i c a s
Com o aprimoramento das técnicas de produção de 
proteínas recombinantes por meio de sistemas de 
expressão heteróloga, bactérias, leveduras, células de 
mamíferos e insetos (tecnologia de DNA 
recombinante) são usados como fonte para os 
antígenos a serem incorporados nas formulações 
vacinais, tais como a vacina voltada para o controle 
da hepatite B, pertussis acelular e, mais 
recentemente, a vacina preventiva para infecções 
com vírus do papiloma humano (HPV).
V a c i n a R N A
O RNA é uma molécula que leva instruções para a 
síntese de proteínas e para outras funções biológicas 
para os ribossomos, que são estruturas do 
citoplasma da célula que efetivamente produzem as 
proteínas com as instruções trazidas pelo RNA 
mensageiro.
/ / T i p o s d e V a c i n a 
As vacinas de RNA carregam o código genético do 
vírus que contém as instruções para que as células do 
corpo produzam determinadas proteínas. Uma vez 
que essa proteína seja processada dentro do corpo e 
exposta ao nosso sistema imunológico, este pode 
identificá-la como algo estranho, um antígeno e criar 
imunidade contra ele. Essa imunidade, representada 
pelos anticorpos (células de defesa) e linfócitos T, dá 
ao organismo a capacidade de se defender quando 
em contato com o vírus.
As vacinas de RNA carregam o código genético do 
vírus que contém as instruções para que as células do 
corpo produzam determinadas proteínas. Uma vez 
que essa proteína seja processada dentro do corpo e 
exposta ao nosso sistema imunológico, este pode 
identificá-la como algo estranho, um antígeno e criar 
imunidade contra ele. Essa imunidade, representada 
pelos anticorpos (células de defesa) e linfócitos T, dá 
ao organismo a capacidade de se defender quando 
em contato com o vírus.
/ / T i p o s d e V a c i n a 
01
Desta forma, utilizando uma fita de RNA 
mensageiro, a vacina codifica um antígeno 
específico daquela doença.
02
Quando o RNAm é inserido no 
organismo, as células usam a 
informação genética para produzir 
esse antígeno.
03
O antígeno se espalha pela superfície das células e é 
reconhecido pelo sistema imunológico, que entende 
que aquela proteína não faz parte do organismo e 
passa a produzir anticorpos para combater aquela 
doença. 
04
A vacina de RNA mensageiro simula o 
processo que ocorre no corpo de uma 
pessoa que realmente contraiu aquela 
doença, mas de uma maneira que não 
possibilita a infecção de quem está 
sendo vacinado - apenas apresentando 
ao organismo sobre como responder 
àquele invasor.
/ / T i p o s d e V a c i n a 
O desenvolvimento e a fabricação de vacinas seguem 
altos padrões de exigência e qualidade nas diversas 
etapas, desde a fases iniciais de pesquisa, passando pelas 
fases de testes em animais e humanos, seguindo para os 
processos de avaliação pelas agências regulatórias. 
Figura 4: Logo da Anvisa
Fonte: 
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Logotip
o_da_Anvisa.jpg Acesso em 17 abr. 21
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) é o 
órgão responsável pela avaliação dos estudos de 
segurança e eficácia das vacinas no Brasil. Caso o produto 
seja aprovado por essa avaliação, receberá a autorização 
de registro pela ANVISA. O processo de registro segue 
uma avaliação criteriosa, com requisitos mínimos para 
registro desses produtos biológicos que estão 
estabelecidos por meio de uma Resolução da ANVISA 
(RDC n. 55, de 16 de dezembro de 2010). 
/ / T i p o s d e V a c i n a 
Assim, as vacinas que recebem registro são 
consideradas produtos muito seguros. Após o 
registro, que permite o uso do produto na 
população, inicia-se a fase de farmacovigilância 
pós comercialização, que conta com um sistema 
de vigilância de Eventos Adversos Pós-vacinação, 
estruturado para quantificar e qualificar os 
eventos adversos. Dessa forma, é possível garantir 
que os riscos de complicações graves causadas 
pelas vacinas são muito menores que os das 
doenças contra as quais elas protegem.
/ / T i p o s d e V a c i n a 
// Considerações 
Finais
Chegamos ao final deste conteúdo. 
É importante destacar os seguintes 
pontos abordados:
• A imunidade inata é a resposta inicial aos 
microrganismos que impedem, controlam ou 
eliminam a infecção do hospedeiro. A imunidade inata 
aos microrganismos estimula as respostas 
imunológicas adquiridas e pode influenciar na 
natureza das respostas imunológicas adquiridas para 
torná-las otimamente eficazes contra os diferentes 
tipos de microrganismos, influenciando no tipo de 
resposta imunológica adquirida que se desenvolvera 
(humoral ou celular).
• Os interferons (IFN) foram identificados pela 
primeira vez com base em sua profunda capacidade 
de tornar as células resistentes à infecção por vírus. 
Quase todas as células expressam receptores para 
interferon, que, ao sinalizar, induzem rapidamente 
vários genes de resposta antiviral para inibir a 
replicação do vírus em células infectadas.
• Características dos antígenos microbianos para 
induzir respostas humoral (produção de anticorpos) T-
dependente e T-independente.
/ / C o n s i d e r a ç õ e s F i n a i s
• Diferença entre imunidade passiva e imunidade 
ativa.
• Saber os motivos gerais de falha vacinal em função 
dos fatores relacionados ao hospedeiro.
• Principais formas para o desenvolvimento de 
vacinas: Vacina atenuada; Vacina inativa; Toxoides; 
Conjugadas.
Esperamos que o conhecimento adquirido sobre os 
mecanismos de defesa, processo de adoecimento e 
conceitos de imunologia o auxilie nas boas práticas 
de cuidado com o paciente no seu dia a dia.
/ / C o n s i d e r a ç õ e s F i n a i s
Até a 
próxima!
Abbas, Abul K.; Lichtman, Andrew H.; Pilai, 
Shiv. Imunologia celular e molecular. Rio de 
Janeiro: Elsevier, 2008.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de 
Vigilância em Saúde. Departamento de 
Imunizações e Doenças Transmissíveis. Manual 
de vigilância epidemiológica de eventos 
adversos pós-vacinação [recurso eletrônico] / 
Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância 
em Saúde, Departamento de Imunizações e 
Doenças Transmissíveis. 4a ed. Brasília: 
Ministério da Saúde, 2020. 340 p.
Fernandes, Tania. Vacina antivariólica: seu 
primeiro século no Brasil (da vacina jenneriana
à animal). História, Ciências, Saúde-
Manguinhos, 6(1), 29-51. 1999. [acesso em 17 
abr. 21] Disponível em: 
https://doi.org/10.1590/S0104-
59701999000200002..
Napimoga M. ; Pinho Jr AJ. A importância da 
resposta imune celular na Covid-19. 
InterAmerican Journal of Medicine and Health 
4. [acesso em 17 abr. 21] Disponível em: 
https://doi.org/10.31005/iajmh.v4i.185 . 
/ / r e f e r ê n c i a s
r
e
f
e
r
ê
n
c
i
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/
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/ / c r é d i t o s
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