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Historia Global Volume 2 (5)

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Gilberto Cotrim 2
História
GlobalGlobal
MANUAL DO PROFESSOR
COMPONENTE 
CURRICULAR
HISTîRIA
2º ANO
ENSINO MÉDIO
HISTORIA GLOBAL 2 - capa professor.indd 3 09/05/16 11:21
MARCOS
Nota
parei na página 47
2
Gilberto Cotrim
Bacharel em História pela Universidade de São Paulo (USP) 
Licenciado em História pela Faculdade de Educação 
da Universidade de São Paulo (USP) 
Mestre em Educação, Arte e História da Cultura 
pela Universidade Mackenzie 
Professor de História na rede particular de ensino
Advogado
História 
Global
3ª- edição
São Paulo, 2016
Componente 
CurriCular
HISTÓRIA
2º ano
EnSIno mÉdIo
Manual do Professor
001a007_INICIAIS_HISTGLOBAL2_PNLD1.indd 1 5/17/16 10:47 AM
Diretora editorial Lidiane Vivaldini Olo
Gerente editorial Luiz Tonolli
Editor responsável Kelen L. Giordano Amaro
Editores Luciana Martinez, Ana Pelegrini, Carlos Eduardo de Almeida Ogawa
Editor assistente Adele Motta
Assessoria técnico-pedagógica Gabriel Farias Rodrigues, Giordana Cotrim
Gerente de produção editorial Ricardo de Gan Braga
Gerente de revisão Hélia de Jesus Gonsaga
Coordenador de revisão Camila Christi Gazzani 
Revisores Carlos Eduardo Sigrist, Cesar G. Sacramento, Luciana Azevedo, Sueli Bossi
Produtor editorial Roseli Said
Supervisor de iconografia Sílvio Kligin 
Coordenador de iconografia Cristina Akisino
Pesquisa iconográfica Daniela Ribeiro, Angelita Cardoso
Licenciamento de textos Erica Brambila, Paula Claro
Coordenador de artes José Maria de Oliveira 
Capa Carlos Magno
Design Luis Vassalo
Edição de arte Carlos Magno
Diagramação Estúdio Anexo
Assistente Bárbara de Souza
Cartografia Sidnei Moura, Studio Caparroz
Tratamento de imagens Emerson de Lima
Protótipos Magali Prado
077642.003.001 Impressão e acabamento
O material de publicidade e propaganda reproduzido nesta obra está sendo utilizado apenas para fins didáticos, 
não representando qualquer tipo de recomendação de produtos ou empresas por parte do(s) autor(es) e da editora.
História Global, 2o ano (Ensino Médio)
© Gilberto Cotrim
Direitos desta edição: Saraiva Educação Ltda., São Paulo, 2016
Todos os direitos reservados
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
 (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
 Cotrim, Gilberto
 História global 2 / Gilberto Cotrim. -- 3. ed. -- 
 São Paulo : Saraiva, 2016.
 Obra em 3 v.
 Suplementado pelo manual do professor.
 Bibliografia.
 ISBN 978-85-472-0567-6 (aluno)
 ISBN 978-85-472-0568-3 (professor)
 1. História (Ensino médio) I. Título.
16-03506 CDD-907
 Índices para catálogo sistemático:
 1. História : Ensino médio 907
Avenida das Nações Unidas, 7221 – 1º andar – Setor C – Pinheiros – CEP 05425-902
Pedestres caminham na 
região do Pelourinho, em 
Salvador, Bahia. Fotografia 
de 2013 de Sérgio Pedreira 
(Pulsar Imagens).
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Esta obra apresenta uma visão geral de alguns con-
teúdos históricos sobre diversas sociedades e culturas, 
com destaque para aqueles sobre o Brasil. A proposta é 
convidá-lo a refletir sobre o fazer histórico e dele parti-
cipar ativamente.
Nos vários percursos desta obra, foi realizada uma 
seleção de temas e interpretações históricas. No entan-
to, outros caminhos podem ser trilhados. Por isso, este 
livro deve ser debatido, questionado e aprimorado por 
suas pesquisas. 
Espero que, ao estudar História, você possa am-
pliar a consciência do que fomos para transformar o 
que somos. 
O autor
Caro estudante
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Abertura de unidade
Apresenta texto e imagem, 
sempre acompanhada de 
legenda, que conversam 
com temas abordados nos 
capítulos da unidade, por 
vezes estabelecendo relações 
entre o passado e o presente. 
As atividades da seção 
Conversando dialogam 
com o tema da abertura, 
muitas vezes trabalhando os 
conhecimentos prévios e as 
vivências dos estudantes. 
Abertura de capítulo
Procura atrair a atenção dos 
estudantes para o tema histórico 
que será estudado. Apresenta 
um breve texto que sintetiza o 
conteúdo do capítulo, uma imagem 
acompanhada de legenda e a seção 
Treinando o olhar, que propõe 
atividades de leitura da imagem, 
muitas vezes estabelecendo relações 
com História da Arte.
Conheça o livro
Vendedores de capim e de leite, obra de Jean-Baptiste Debret, produzida entre 1834 e 
1839. Na imagem, um escravo, à esquerda, carrega um pesado feixe de capim-de- 
-angola, que era muito utilizado para alimentar os cavalos no Brasil Colonial. À direita, 
três escravos vendem leite, bebida amplamente consumida com café e chá.
UNIDADE
1
O trabalho é uma atividade típica do ser hu-
mano e está profundamente ligado à história 
de cada sociedade. Por meio dele, construímos 
culturas, produzindo bens materiais e não ma-
teriais. No entanto, o trabalho também pode 
ser fonte de castigo e sofrimento. 
No Brasil Colônia, milhões de africanos, afro-
descendentes e indígenas foram submetidos à 
escravidão, que é uma das formas mais extremas 
de exploração humana. Mas eles resistiram a 
esta dominação e se rebelaram de vários modos.
A presença dos africanos e indígenas foi de-
cisiva na construção do Brasil. Eles produziram 
saberes, artes e ofícios que estão presentes na 
cultura brasileira.
A escravidão foi abolida, mas a cidadania 
precisa ser ampliada.
1. “O trabalho está associado a ter, ser e 
valer.” Reflita sobre essa frase e procure 
explicar por que, no Brasil atual, existem 
alguns trabalhos que têm mais prestígio 
social do que outros.
2. Qual profissão você quer ter no futuro? 
Procure explicar os motivos de sua escolha.
Trabalho e 
sociedade
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Revolução Francesa e 
Era Napoleônica
Liberdade, igualdade e fraternidade foram princípios da Revolução Francesa, que se 
difundiram pelo mundo como bandeira de vários movimentos sociais. 
Será que esses princípios tornaram-se direitos conquistados ou permanecem como 
objetivos a serem atingidos? 
• Observando essa obra, é possível notar a presença dos vários grupos sociais 
que atuaram na Revolução Francesa? Justifique.
A guarda nacional de Paris em armas em setembro de 1792. Óleo sobre tela, de Léon Cogniet, 1834. Pertence ao acervo do 
Museu Nacional do Palácio de Versalhes, na França.
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133CAPÍTULO 11 Revolução Francesa e Era Napoleônica
CAPÍTULO
11
sabotavam a produção, quebrando ferramentas ou 
incendiando plantações. Na produção do açúcar, por 
exemplo, a sabotagem dos escravos era uma ameaça 
constante. Pedaços de madeira em brasa lançados nos 
canaviais provocavam incêndios; pedaços de ossos, 
ferro ou pedra jogados na moenda do engenho por 
vezes inutilizavam o maquinário, comprometendo a 
produção e até mesmo arruinando a safra.
• Negociações – as “negociações” entre senhores e 
escravos também faziam parte do cotidiano escravis-
ta. Segundo os historiadores João José Reis e Eduardo 
Silva, muitos escravos faziam acordos de cumprir as 
exigências de obediência e trabalho em troca de um 
melhor padrão de sobrevivência (alimentos, vestuá-
rios, saúde) e da conquista de espaço para a expressão 
de sua cultura, organização de festas etc.5
Luta dos africanos
As diversas formas de resistência à escravidão
Os africanos trazidos para o Brasil e seus des-
cendentes não ficaram passivos à condição escrava. 
Analisando as formas de resistência empregadas pe-
los cativos, autores de obras mais recentes mostramque os africanos reagiram à escravidão na medida de 
suas possibilidades, ora promovendo uma luta aberta 
contra o sistema, ora até mesmo se “adaptando” a 
certas condições, mas propondo formas de minimizar 
seus aspectos mais perversos mediante negociações 
com os senhores.
Vejamos algumas das formas de resistência viven-
ciadas por eles: 
• Violência contra si mesmos – algumas mulheres, 
por exemplo, provocavam abortos para evitar que 
seus filhos também fossem escravos; outros cativos 
chegavam a praticar o suicídio, enforcando-se ou 
envenenando-se. 
• Fugas individuais e coletivas – 
as fugas eram constantes. Alguns 
escravos fugidos buscavam a pro-
teção de negros livres que viviam 
nas cidades; outros, para dificultar 
a captura e garantir a subsistência, 
formavam comuni-
dades, chamadas 
quilombos, com 
organização social 
própria e uma rede 
de alianças com di-
versos grupos da 
sociedade. 
• Confrontação, boicote e sabota-
gem – alguns se rebelavam e agiam 
com violência contra senhores e fei-
tores; boicotavam os trabalhos, redu-
zindo ou paralisando as atividades; 
5 Cf. REIS, João José; SILVA, Eduardo. Negociação e conflito. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
Quilombo: 
palavra 
de origem 
africana que 
significa 
população, 
união.
Comunidade remanescente de quilombo Kalunga Vão do Moleque durante um festejo. 
A comunidade está localizada no município de Cavalcante (GO). Fotografia de 2015.
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Investigando
� No mundo atual, existem casos de trabalhadores submetidos a condições análogas à de escravidão. Que 
mecanismos podem ser acionados para acabar com essa situação de violência? Há organizações e projetos 
que combatem o trabalho escravo em nosso país? Pesquise.
50 UNIDADE 1 Trabalho e sociedade
• Observe o mapa e identifique 
em quais dos atuais estados se 
concentrou a criação de gado, 
contribuindo para o seu povoa-
mento durante o século XVIII.
Observar o mapa
Fonte: ALBUQUERQUE, Manoel 
Maurício de et al. Atlas histórico 
escolar. 8. ed. Rio de Janeiro: 
MEC/Fename, 1986. p. 32. 
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Expansão territorial provocada 
pela pecuária (século XVIII) 
Investigando
• Você consome leite e seus derivados? Observe a embalagem desses alimentos e responda: em que cidade são 
produzidos? Quais são os principais nutrientes encontrados no leite? 
A propósito da importância da produção de couro no período da expansão da 
pecuária, o historiador Capistrano de Abreu (1853-1927) fala da existência de uma 
“época do couro”: 
De couro era a porta das cabanas, o rude leito aplicado ao chão duro, 
e mais tarde a cama para os partos; de couro todas as cordas, a borracha 
para carregar água, o mocó ou alforje para levar comida, a maca para 
guardar roupa, a mochila para milhar cavalo, a peia para prendê-lo em 
viagem, as bainhas de faca, [...] surr›es, a roupa de entrar no mato [...].
ABREU, Capistrano de. Capítulos de história colonial. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1988. p. 170.
Posteriormente, por volta de 1780, surgiu a indústria do charque, que abriu no-
vas possibilidades ao comércio da carne. Essa indústria desenvolveu-se rapidamente, 
impulsionada pelo crescente consumo. Suas instalações constituíam-se basicamente 
de um galpão, onde se preparava e salgava a carne, e de secadores ao ar livre. 
A produção de leite era pouco desenvolvida e estava longe de rivalizar com a 
existente em Minas Gerais. Em compensação, o sul, favorecido pelas baixas tem-
peraturas, era a única região produtora e consumidora de manteiga. 
Além do gado bovino, foi significativa no Rio Grande do Sul a criação de 
cavalos e, principalmente, de mulas (muares). Muito exportadas para a região de 
Minas Gerais, as mulas tornaram-se importante meio de transporte nos terrenos 
acidentados e montanhosos das áreas mineradoras.
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Área de pecuária
Limite atual do
território brasileiro
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0 239 km
OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
PACÍFICO
Mocó: bolsa de tiracolo 
para guardar pequenas 
provisões. 
Alforje: saco duplo para 
transportar objetos.
Peia: corda para prender 
o cavalo.
Surrão: bolsa ou saco de 
couro usado para guar-
dar alimentos.
Charque: nome sulino 
da carne bovina cortada 
em mantas, salgada e 
seca ao sol (o mesmo 
que jabá ou carne-seca).
78 UNIDADE 1 Trabalho e sociedade
Glossário
Pequenas notas explicam os 
significados de termos em 
destaque no texto. 
Textos e imagens
Procuram organizar e promover 
alguns conhecimentos históricos. 
Os temas abordados devem ser 
investigados, debatidos e ampliados. 
As imagens complementam o texto 
principal e explicitam aspectos dele. 
Investigando
As atividades deste boxe 
aproximam os temas históricos 
das vivências dos estudantes, 
promovendo a cidadania e o 
convívio solidário.
Observar o mapa
Esta seção apresenta atividades 
que trabalham a leitura dos mapas 
apresentados no capítulo. 
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Interpretar fonte
Esta seção propõe a análise de fonte 
histórica escrita ou não escrita, 
estimulando a interpretação e a 
reflexão. Procura aproximar os 
estudantes do ofício do historiador.
Em destaque
Esta seção apresenta 
textos que ampliam os 
assuntos estudados e/ou 
que apresentam diferentes 
versões históricas. Em 
muitos casos, os textos são 
acompanhados por imagens 
contextualizadas.
Oficina de História
Localizada ao final de cada capítulo, reúne 
diferentes tipos de atividades que visam promover 
a autonomia e o pensamento crítico dos 
estudantes. As atividades estão agrupadas em:
Vivenciar e refletir – propõe atividades de 
pesquisa, experimentação e debate. 
Diálogo interdisciplinar – propõe atividades 
que realizam diálogos entre a História e outros 
componentes curriculares.
De olho na universidade – apresenta questões 
de vestibulares de diferentes regiões do país e do 
Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
No último capítulo de cada unidade, o Para 
saber mais indica livros, sites e filmes relacionados 
a conteúdos trabalhados na unidade. As 
indicações são acompanhadas de atividades.
Projeto temático
Encontra-se ao final do volume e propõe atividades experimentais e/ou 
interdisciplinares, que trabalham com procedimentos de pesquisa. Pode ser 
desenvolvido no decorrer do ano e está relacionado a assuntos abordados ao 
longo do livro.
este livro não é consumível.
Faça todas as atividades
em seu caderno.
NÃO ESCREVA NO LIVRO
FA‚A NO
Oficina de História
Vivenciar e refletir
1. Leia um trecho do documento chamado “Carta de 
Jamaica”, escrito por Simón Bolívar em 1815.
Os acontecimentos de Terra Firme nos 
provaram que as instituições verdadeira-
mente representativas não são adequadas 
ao nosso caráter, costumes e conhecimen-
tos atuais. Em Caracas, o espírito de parti-
do teve sua origem nas sociedades, assem-
bleias e eleições populares, e estes partidos 
nos levaram à escravidão. Assim como a 
Venezuela tem sido a república america-
na que mais tem aperfeiçoado suas insti-
tuições políticas, também tem sido o mais 
claro exemplo da ineficácia da forma de-
mocrática e federal para nossos nascentes 
Estados. [...] Enquanto nossos compatrio-
tas não adquirirem os talentos e as vir-
tudes políticas que distinguem os nossos 
irmãos do norte, temo que os sistemas 
inteiramente populares, longe de nos se-
rem favoráveis, venham a ser nossa ruína. 
Infelizmente estasqualidades, na medida 
requerida, parecem estar muito distantes 
de nós; pelo contrário, estamos dominados 
pelos vícios que se contraem sob a direção 
de uma nação como a espanhola, que ape-
nas se tem sobressaído em crueldade, am-
bição, vingança e cobiça. 
BOLÍVAR, Simón. “Carta de Jamaica”. 
In: Simón Bolívar: política. São Paulo: Ática, 1983. p. 84. 
a) Pela leitura do texto, Bolívar era favorável à im-
plantação de sistemas inteiramente populares 
na América Espanhola? Como Bolívar justifica 
sua posição?
b) A quem Bolívar se refere com a expressão “ir-
mãos do norte”? 
2. No texto seguinte, a historiadora Maria Ligia Prado 
analisa as diferentes concepções de liberdade dos di-
versos agentes que participaram das independências:
Liberdade [...] não é um conceito en-
tendido de forma única; tem significados 
diversos, apropriados também de formas 
particulares pelos diversos segmentos da 
Diálogo interdisciplinar
4. Observe acima a escultura Mão, do arquiteto Oscar 
Niemeyer (1907-2012) e responda:
a) Descreva a escultura, atentando-se para todos 
os detalhes. Procure responder: O que seria essa 
forma em vermelho que se encontra no meio da 
obra e vai até o chão? 
b) Segundo Niemeyer, “suor, sangue e pobreza 
marcaram a história desta América Latina tão 
desarticulada e oprimida. Agora urge reajustá-la 
num monobloco intocável, capaz de fazê-la inde-
pendente e feliz”. (Disponível em: <http://www.
memorial.sp.gov.br/memorial/AgendaDetalhe.
do?agendaId=1897>. Acesso em: 10 dez. 2015.)
Que relações podemos estabelecer entre essa 
frase e a escultura? Comente.
c) Inspirado nas imagens do capítulo, crie uma re-
presentação artística (desenho, música, escultu-
ra, montagem com fotografias etc.) sobre a in-
dependência das colônias espanholas e do Haiti. 
De olho na universidade
5. (UFJF) A respeito do processo de independência na 
América espanhola, é incorreto afirmar que: 
a) a invasão da Espanha pelas tropas napoleônicas 
levou à reorganização do comércio das colônias, 
favorecendo a desarticulação do pacto colonial e 
a implantação de práticas comerciais mais livres. 
b) a Inglaterra ofereceu apoio à independência das 
colônias espanholas, pois via na região uma pos-
sibilidade de ampliação dos mercados para seus 
produtos industrializados. 
c) os índios lutaram contra a independência e para 
a manutenção do trabalho forçado, pois viam 
no sistema colonial a única maneira de preser-
vação de suas atividades econômicas. 
d) os criollos pretendiam romper o exclusivo colo-
nial, mas não pretendiam encaminhar uma alte-
ração na estrutura social das colônias. 
e) a emergência de uma revolução liberal na Espa-
nha dificultou o envio de tropas para as colô-
nias, favorecendo o processo de independência.
sociedade. Para um representante da classe 
dominante venezuelana, Simón Bolívar, li-
berdade era sinônimo de rompimento com 
a Espanha, para a criação de fulgurantes 
nações livres que seriam exemplos para o 
resto do universo. Mas, principalmente, 
nações livres para comerciar com todos 
os países, livres para produzir, única pos-
sibilidade, segundo essa visão, do desabro-
char do Novo Mundo. 
Já para Dessalines, o líder da revolução 
escrava do Haiti [...], a liberdade, antes de 
tudo, queria dizer o fim da escravidão, mas 
também carregava um conteúdo radical de 
ódio aos opressores franceses. [...] 
Para outros dominados e oprimidos, 
como os índios mexicanos, a liberdade pas-
sava distante da Espanha e muito próxima 
da questão da terra. Na década de 1810, os 
líderes da rebelião camponesa mexicana 
[...] clamavam por terra para os deserda-
dos. Seus exércitos [...] lutaram para que a 
terra, inclusive a da Igreja, fosse dividida 
entre os pobres. 
PRADO, Maria Ligia. A formação das nações 
latino-americanas. São Paulo: 
Atual, 1997. p. 13-14. 
De acordo com a interpretação de Maria Ligia Pra-
do, qual era o significado de “liberdade” para Simón 
Bolívar? E para Dessalines? E para os indígenas mexi-
canos? Compare as diversas concepções e indique as 
semelhanças e as diferenças entre elas. 
3. Pesquise em diferentes meios de comunicação 
imagens de um mesmo movimento popular. Apre-
sente e debata com seus colegas a maneira como 
o movimento popular que você escolheu foi re-
presentado em cada órgão de imprensa. Em segui-
da, com base no que estudamos neste capítulo e 
nos anteriores, reflita sobre o seguinte tema:
“Os papéis das elites dominantes (políticas e econô-
micas) e dos movimentos populares nos processos 
históricos. Qual é a diferença?”. 
Depois, participe de um debate sobre o assunto, ou-
vindo a opinião dos colegas e expressando a sua visão.
Escultura Mão, de Oscar Niemeyer, localizada no Memorial da 
América Latina, em São Paulo (SP). Fotografia de 2009. 
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Para saber mais
Na internet 
• A história da energia: https://www.youtube.com/
watch?v=U3-OsY4C39o
Vídeo-documentário da série Ordem e desordem, produzida 
pela BBC. Narra as descobertas e invenções relacionadas ao 
conceito de energia.
Em grupos, elaborem um relatório sobre o vídeo destacando os 
usos e aplicações da energia a partir da Revolução Industrial. 
(Acesso em: 10 dez. 2015.) 
Nos livros 
• FORTES, Luiz R. Salinas. O Iluminismo e os reis filó-
sofos. São Paulo: Brasiliense, 1993. 
Escrito por um filósofo brasileiro especialista no pensamento 
de Jean-Jacques Rousseau, o livro analisa os significados e o 
alcance do Iluminismo, bem como sua influência na política 
no século XVIII.
Em grupos, elaborem um breve texto dissertativo relacionan-
do as ideias de um pensador iluminista a um dos temas abor-
dados nesta unidade. 
Nos filmes 
• Libertador. Direção de Alberto Arvelo. Venezuela/
Espanha, 2014, 123 min. 
Filme sobre a vida do líder militar e político Simón Bolívar.
Assista ao filme procurando analisar algumas características 
atribuídas ao protagonista. Em seguida, debata com seus 
colegas: Simón Bolívar foi representado como um “herói 
nacional”?
158 159UNIDADE 2 Súdito e cidadão CAPÍTULO 12 Independências na América Latina
O mural A Guerra da Independência do México foi criado pelo artista Diego Rivera em 1910. Em 
suas obras, Rivera procurava representar os indígenas e as pessoas mais pobres como protagonistas e 
não apenas como espectadores de sua história.
Na parte superior do mural, há uma faixa com o lema “Tierra y Libertad” (Terra e Liberdade), que 
foi usado por camponeses e indígenas tanto nas lutas pela independência como na Revolução Mexica-
na de 1910. Com isso, o artista estabeleceu relações entre as lutas do passado e as lutas de sua época.
Na parte inferior do mural, há uma grande águia, que simboliza a fundação de Tenochtitlán. Essa 
cidade era sede do império asteca e sobre ela foi construída a atual Cidade do México. 
Interpretar fonte A Guerra da Independência do México
Detalhe do afresco A Guerra da Independência do México, que se encontra no Palácio Nacional, na 
Cidade do México. 
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� Com suas palavras, explique a frase: “Rivera procurava representar os indígenas e as pessoas mais pobres 
como protagonistas e não apenas como espectadores de sua história”.
154 UNIDADE 2 Súdito e cidadão
OCEANO
ATLÂNTICO
50º O
10º S
Em 1500
Em 2008
Atual divisão política do Brasil
Limites atuais do Brasil
0 328 km
Em destaque Devastação ambiental
A devastação do meio ambiente começou cedo no território do país onde vivemos. Teve início 
com a extração de pau-brasil, logo nos primeiros anos de colonização. Como resultado da intensa 
extração, em poucas décadas o pau-brasil começou a escassear. O mesmo destino tiveram muitas 
árvores frutíferas, derrubadas sem preocupação com o replantio. Para a historiadora Laima Mesgravis, 
[...] o maravilhoso patrimônio da natureza, onde os índios viviam em harmonia com seu 
espaço e que tanto deslumbrou osprimeiros observadores, incentivou, até certo ponto, a 
crença da abundância fácil, sem trabalho, infindável. 
MESGRAVIS, Laima. O Brasil nos primeiros séculos. São Paulo: Contexto, 1989. p. 62. 
Atualmente, temos consciência 
de que, apesar de imensos, os recur-
sos florestais brasileiros não são ines-
gotáveis. Calcula-se que, em 1500, a 
mata Atlântica ocupava uma faixa de 
1 milhão de quilômetros quadrados. 
Atualmente, restam apenas 8% dessa 
área, espalhados em matas que, em 
boa parte, se localizam em proprieda-
des particulares. 
Estima-se que somente no século 
XVI tenham sido derrubados aproxi-
madamente 2 milhões de árvores, de-
vastando cerca de 6 mil quilômetros 
quadrados da mata Atlântica. 
Depois [da extração do pau-
-brasil] vieram cinco séculos de 
queimada. A cana, o pasto, o 
café, tudo foi plantado nas cin-
zas da Mata Atlântica. Dela saiu 
a lenha para os fornos dos en-
genhos de açúcar, locomotivas, 
termelétricas e siderúrgicas. 
CORREIA, Marcos Sá. In: Veja. São Paulo: Abril, 
n. 51, 24 dez. 1997. p. 81. Suplemento Especial. 
Fonte: Mapas SOS Mata Atlântica. 
Disponível em: <http://mapas.sosma.org.br>. 
Acesso em: 27 out. 2015. 
Distribuição da mata Atlântica 
(1500-2008)
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1. De acordo com o texto, quais foram as principais consequências da exploração econômica indiscrimina-
da realizada pelos europeus nas áreas litorâneas do Brasil?
2. Identifique, no mapa, as regiões que apresentavam áreas cobertas pela mata Atlântica em 1500 e as que 
não possuem mais essa cobertura.
14 UNIDADE 1 Trabalho e sociedade
Projeto temático
Dimensões do trabalho
280 281
Nos projetos temáticos, vocês irão realizar atividades experimentais que problema-
tizam a realidade e ajudam a pensar historicamente.
O tema deste projeto é o trabalho e suas dimensões. Para desenvolvê-lo, propõe-se 
a elaboração de uma revista sobre as dimensões do trabalho no Brasil.
Reúnam-se em grupos e leiam as orientações a seguir.
1. A revista deve contar com seis seções: capa, matéria, entrevista, charge, resenha de 
filme e editorial.
2. Utilizando as sugestões de pesquisa encontradas nas próximas páginas, redijam uma 
matéria (texto jornalístico) sobre um dos temas listados a seguir:
• alguns marcos dos direitos trabalhistas no Brasil, como o surgimento da Consoli-
dação das Leis Trabalhistas (CLT);
• o ingresso dos jovens no mercado de trabalho – possibilidades e dificuldades;
• as mulheres no mercado de trabalho;
• formas de trabalho escravo no mundo contemporâneo;
• a escolha da profissão e a construção da identidade. 
4. Criem uma charge inspirando-se em uma cena de trabalho da sua cidade.
5. Escrevam uma resenha sobre um filme que aborde o tema do trabalho. Há diversas 
sugestões de vídeos e filmes nas páginas 282 e 283. Para elaborar a resenha:
• apresentem uma ficha técnica do filme contendo título, local e ano de produção, 
diretor, atores principais, livro em que o roteiro se baseou (se for o caso), entre 
outras informações;
• analisem como o mundo do trabalho foi representado no filme. Procurem obser-
var elementos como personagens, cenários e trilha sonora, caso se trate de ficção, 
ou entrevistas e imagens de arquivo, se for um documentário.
6. Elaborem um editorial inspirando-se nas seguintes questões: 
• qual é a visão de vocês a respeito do mundo do trabalho?;
• por que é importante refletir sobre o mundo do trabalho?
7. Criem uma capa com os seguintes elementos: nome da revista, manchete e imagem 
que atraia a atenção do leitor para um de seus conteúdos. 
8. Montem a revista reunindo capa, editorial e miolo (matéria, entrevista, charge e 
resenha do filme). 
9. Apresentem a revista aos colegas e expliquem o que vocês aprenderam com esse 
projeto. 
Feirante trabalhando na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em 2006.
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Três advogados se reúnem para examinar documentos. 
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3. Entrevistem uma pessoa adulta que já tenha alguma 
experiência no mercado de trabalho e explorem a 
compreensão da relação das pessoas com o mundo 
do trabalho. As perguntas abaixo podem ser utiliza-
das como roteiro para a entrevista:
• qual é seu nome, sua idade, sua nacionalidade e sua 
escolaridade?;
• você trabalha ou já trabalhou? Com o quê? Você 
sempre quis trabalhar com isso?;
• quando você começou a trabalhar? Por quê?;
• você já ficou desempregado? Por quanto tempo? 
Como se sentiu nessa época?;
• como costuma passar seu tempo livre? Gostaria de 
ter mais tempo livre? Por quê?;
• você se sente feliz com seu trabalho? Você se sente va-
lorizado em seu ambiente de trabalho? Exemplifique.;
• além do seu sustento, o que esse trabalho pode 
proporcionar para você?;
• que conselho você daria para um jovem que vai co-
meçar a trabalhar?;
• você já pensou na aposentadoria? O que pretende 
fazer quando se aposentar?;
• que história relacionada ao seu trabalho você con-
sidera marcante?
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Sumário
Unidade 1 
Trabalho e sociedade
Capítulo 1 - Mercantilismo e colonização 10
Mercantilismo: Política econômica do Estado moderno 11
Colonialismo: A dominação das metrópoles sobre as colônias 11
Primeiras expedições: Reconhecimento das terras e das gentes 12
Colonização: A decisão de ocupar a terra 15
Oficina de História 18
Capítulo 2 - Estado e religião 20
Capitanias hereditárias: Início da administração colonial 21
Governo-geral: A busca da centralização administrativa 23
Alternâncias na administração: Centralizações e descentralizações do 
governo 25
Padroado: Vínculos entre governo e Igreja Católica 27
Oficina de História 30
Capítulo 3 - Sociedade açucareira 32
Açúcar: A implantação de um negócio lucrativo 33
Engenho: Núcleo econômico e social 33
Mercado interno na colônia: A pecuária e produções agrícolas 
variadas 35
Mão de obra: A escravização de milhões de africanos 36
Oficina de História 38
Capítulo 4 - Escravidão e resistência 40
Tráfico negreiro: O comércio de vidas humanas 41
Diversidade: Povos africanos e suas condições de vida 47
Luta dos africanos: As diversas formas de resistência à escravidão 50
Oficina de História 54
Capítulo 5 - Holandeses no Brasil 56
União Ibérica: Portugal e Espanha sob a mesma Coroa 57
Invasões holandesas: Lutas pelo controle do negócio açucareiro 59
Portugal após a União Ibérica: Problemas econômicos e 
sociais 64
Oficina de História 66
Capítulo 6 - Expansão territorial 68
Povoamento: A marcha da colonização 69
Expedições militares: Expansão patrocinada pelo governo 70
Bandeirismo: Expansão patrocinada por particulares 71
Jesuítas: A fundação de aldeamentos no interior 74
Pecuária: O povoamento do sertão nordestino e do sul 77
Tratados e fronteiras: Os acordos internacionais sobre o território 
colonial 79
Oficina de História 80
Capítulo 7 - Sociedade mineradora 82
Enfim, muito ouro: A realização do velho sonho português 83
Controle: A administração das minas pelo governo 86
Sociedade do ouro: Desenvolvimento da vida urbana em Minas 
Gerais 88
Crise da mineração: O declínio da produção aurífera 89
Oficina de História 92
Unidade 2 
Súdito e cidadão
Capítulo 8 - Antigo Regime e Iluminismo 96
O Antigo Regime: Vida social e política na Europa 
moderna 97
Iluminismo: A razão em busca de liberdade 100
Pensadores iluministas: Diversidade de ideias e objetivos 102
Despotismo esclarecido: Absolutismo e algumas reformas 
sociais 106
Oficina de História 108
Capítulo 9 - Inglaterra e Revolução Industrial 110
Revolução Inglesa: Do absolutismo à monarquia 
parlamentar 111
Revolução Industrial: Da produção artesanal à produção nas 
fábricas 113
Impactos: As sociedades urbanas e industriais 116
Oficinade História 120
Capítulo 10 - Formação dos Estados Unidos 122
As 13 colônias: Ocupação inglesa na América do Norte 123
Emancipação: O nascimento dos Estados Unidos 126
Oficina de História 131
Capítulo 11 - Revolução Francesa e 
Era Napoleônica 133
Crise do Antigo Regime: A França às vésperas da 
Revolução 134
Revolução: A longa trama revolucionária 136
Era Napoleônica: Conquistas e tragédias 142
Congresso de Viena: A reação conservadora de governos 
europeus 146
Oficina de História 148
Capítulo 12 - Independências na América Latina 150
Crise colonial: Raízes do processo emancipatório 151
Rompimento: Lutas pela independência 152
Oficina de História 158
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Capítulo 13 - Independência do Brasil 162
Crise colonial: Contradições e declínio de um sistema de 
exploração 163
Rebeliões coloniais: Conflitos entre colonos e 
colonizadores 165
A corte no Brasil: Caminhos da emancipação brasileira 168
Ruptura: O resultado das pressões portuguesas 171
Oficina de História 174
Capítulo 14 - Primeiro Reinado 176
O novo país: Lutas internas e negociações internacionais 177
Primeira Constituição: As lutas políticas pelo controle do 
poder 179
Confederação do Equador: O projeto de uma república no 
nordeste 182
Abdicação do trono: A conjuntura do Final do Primeiro 
Reinado 184
Oficina de História 188
Capítulo 15 - Período regencial 190
Cenário político: Os grupos partidários do período 
regencial 191
Período regencial: As regências que governaram o 
império 192
Revoltas provinciais: Contestações ao governo central e às 
condições de vida 196
Oficina de História 204
Capítulo 16 - Segundo Reinado 205
Política interna: O jogo político entre liberais e 
conservadores 206
Praieira: A revolta liberal pernambucana 208
Modernização: O impacto das transformações 
econômicas 209
Oficina de História 216
Capítulo 17 - Crise do império 218
Política externa: Conflitos internacionais no Segundo
Reinado 219
Abolicionismo: A luta pelo fim da escravidão no Brasil 226
Queda da monarquia: Condições que levaram à instituição da 
República 231
Oficina de História 234
Capítulo 18 - Europa no século XIX 240
Onda de revoltas: Nacionalismo, liberalismo, socialismo e 
anarquismo 241
França: Revoltas liberais repercutem na Europa 244
Unificação da Itália: A formação do Estado italiano 249
Unificação da Alemanha: A formação de uma nova potência 
econômica 251
Oficina de História 253
Capítulo 19 - Imperialismo na África e na Ásia 255
Avanço capitalista: O surgimento de grandes potências 256
Neocolonialismo: Um mundo partilhado entre as grandes 
potências 258
África e Ásia: A dominação neocolonial em dois continentes 
259
Oficina de História 264
Capítulo 20 - América no século XIX 266
América Anglo-saxônica: O desenvolvimento dos Estados 
Unidos 267
América Latina: Diferenças e elementos históricos 
comuns 273
Imperialismo: A dominação da América Latina pelos Estados 
Unidos 275
Oficina de História 277
Unidade 3
Liberdade e independência
Unidade 4
Tecnologia e dominação
Cronologia 284
Bibliografia 287
Manual do Professor – Orientações didáticas 289
Projeto Temático: Dimensões do trabalho 280
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unidade
1
O trabalho é uma atividade típica do ser hu-
mano e está profundamente ligado à história 
de cada sociedade. Por meio dele, construímos 
culturas, produzindo bens materiais e não ma-
teriais. No entanto, o trabalho também pode 
ser fonte de castigo e sofrimento. 
No Brasil Colônia, milhões de africanos, afro-
descendentes e indígenas foram submetidos à 
escravidão, que é uma das formas mais extremas 
de exploração humana. Mas eles resistiram a 
esta dominação e se rebelaram de vários modos.
A presença dos africanos e indígenas foi de-
cisiva na construção do Brasil. Eles produziram 
saberes, artes e ofícios que estão presentes na 
cultura brasileira.
A escravidão foi abolida, mas a cidadania 
precisa ser ampliada.
1. “O trabalho está associado a ter, ser e 
valer.” Reflita sobre essa frase e procure 
explicar por que, no Brasil atual, existem 
alguns trabalhos que têm mais prestígio 
social do que outros.
2. Qual profissão você quer ter no futuro? 
Procure explicar os motivos de sua escolha.
Trabalho e 
sociedade
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Vendedores de capim e de leite, obra de Jean-Baptiste Debret, produzida entre 1834 e 
1839. Na imagem, um escravo, à esquerda, carrega um pesado feixe de capim-de- 
-angola, que era muito utilizado para alimentar os cavalos no Brasil Colonial. À direita, 
três escravos vendem leite, bebida amplamente consumida com café e chá.
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Mercantilismo e 
colonização
O Brasil possui uma das maiores áreas florestais do planeta, com destaque para a flo-
resta Amazônica. Todavia, o país ainda apresenta níveis significativos de desmatamen-
to e práticas inadequadas de exploração que são responsáveis por danos ambientais. 
Quais são as raízes desse processo?
1. Que personagens aparecem no mapa? Como eles foram representados?
2. Que instrumento é utilizado por um dos personagens? De que material ele é
feito? Levante hipóteses.
3. Esse instrumento pode simbolizar o contato entre indígenas e portugueses?
Explique.
Detalhe de mapa 
publicado no Atlas de 
Sebastião Lopes em 
cerca de 1565. Nesse 
mapa, foi representada 
a exploração de 
pau-brasil.
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10 UNIDADE 1 Trabalho e sociedade
capítulo
1
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Investigando
1. Qual o sentido da expressão “concorrência econômica”? Você sabe como essa concorrência pode afetar os 
valores dos produtos que você consome? Pesquise.
2. Na sua opinião, a economia de um Estado só pode se desenvolver à custa de outras economias? Debata esse 
assunto com seus colegas.
Mercantilismo
Política econômica do Estado moderno
Colonialismo
A dominação das metrópoles sobre as colônias
O termo mercantilismo é utilizado por alguns eco-
nomistas e historiadores para designar um conjunto de 
práticas econômicas que vigoraram em países da Europa 
ocidental entre os séculos XV e XVIII. Essas práticas varia-
vam de país para país, mas tinham o objetivo comum de 
fortalecer o Estado, em aliança com setores comerciais.
Segundo historiadores, o termo mercantilismo te-
ria sido empregado pela primeira vez pelo economista 
escocês Adam Smith (1723-1790) para se referir, de 
maneira depreciativa, às políticas econômicas interven-
cionistas dos governos de sua época e propor, em seu 
lugar, políticas liberais.
Práticas mercantilistas
No início da Idade Moderna, a riqueza de um 
Estado também foi medida pela quantidade de me-
tais preciosos (ouro e prata) que ele possuía dentro 
de suas fronteiras. Assim, aumentar a quantidade de 
metais preciosos tornou-se um dos objetivos funda-
mentais dos governos mercantilistas. Esse pensamen-
to econômico foi chamado de metalismo.
A fim de acumular riquezas, o Estado procurava, 
entre outras coisas, manter uma balança comercial 
favorável, isto é, o valor das exportações do país 
devia superar as importações (gerando superávit).Para isso, o Estado adotava uma série de medidas 
protecionistas, como incentivar a produção interna 
de artigos manufaturados que pudessem concorrer 
vantajosamente nos mercados internacionais.
Além disso, o Estado dificultava a entrada de al-
guns produtos estrangeiros, para resguardar seu mer-
cado interno e o de suas colônias. O protecionismo se 
fazia por meio da política alfandegária (aumento ou 
redução dos tributos sobre importação e exportação).
Investigando
1. Em sua opinião, quais são os bens econômicos mais valorizados na sociedade brasileira atual? Justifique.
2. Pesquise notícias atuais que apresentem as expressões: “balança comercial favorável”, “protecionismo” ou “in-
tervencionismo estatal”. Depois, analise com seus colegas em que contexto essas expressões foram utilizadas.
A adoção das práticas mercantilistas por diversos 
Estados europeus gerou choque de interesses entre 
eles. A concorrência econômica se acirrou com dispu-
tas de mercados.
 Nesse cenário, Estados como Portugal e Espanha 
(chamados metrópoles) passaram a exercer um domí-
nio peculiar sobre suas colônias de modo que pudes-
sem obter vantagens comerciais, se possível exclusivas.
Segundo a interpretação do historiador Fernando 
Novais, foi no contexto do colonialismo mercantilista 
que se desenvolveu, como peça fundamental, um sis-
tema de exploração colonial.1
1 Cf. NOVAIS, Fernando A. Portugal e Brasil na crise do antigo sistema colonial (1777-1808). São Paulo: Hucitec, 1983. p. 57-92; VAINFAS, Ronaldo. Mercantilismo. 
In: Dicionário do Brasil colonial (1500-1808). Rio de Janeiro: Objetiva, 2000. p. 392-393.
11CAPÍTULO 1 Mercantilismo e colonização
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AMÉRICA
DO NORTE
BAHAMAS
PORTO RICO
HAITI
GUIANAS
AMÉRICA 
DO SUL
Açores
Ilha da Madeira
Ilhas
Canárias
I. Cabo
Verde
INGLATERRA
FRANÇA
HOLANDA
EUROPA
ESPANHA
ÍNDIA
MOÇAMBIQUE
ANGOLA
MADAGÁSCAR
Diu
Bombaim
Goa
Calicute
CEILÃO MÁLACA
ÁSIA
São Jorge da Mina
ÁFRICA
Forte James
St. Louis
Agadir
PORTUGAL
Tânger
FILIPINAS
São
Tomé
JAPÃO
20º N
40º L
OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
ÍNDICO
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO
PACÍFICO
Império espanhol
Império francês
Império holandês
Império inglês
Império português 0 2 210 km
1. Identifique quais metrópoles tinham colônias na América, na África e na Ásia. 
2. Pelo que você pode observar nesse mapa, os governos de França, Inglaterra e Holanda respeitaram a determi-
nação do Tratado de Tordesilhas? Explique.
Observar o mapa
Impérios coloniais europeus (século XVII)
Fonte: McEVEDY, Colin. Atlas da história moderna. São Paulo: Verbo/Edusp, 1979. p. 53. 
Características gerais
No colonialismo mercantilista, o relacionamento 
entre metrópole e colônia obedecia a certas linhas 
gerais.
A economia da colônia era organizada em fun-
ção da metrópole, de tal maneira que a colônia 
deveria atender ou complementar a produção da 
metrópole. 
Primeiras expedições
Reconhecimento das terras e das gentes
Com a descoberta do novo caminho para as Ín-
dias, o comércio de especiarias passou a ser uma das 
fontes de riqueza de Portugal. A cidade de Lisboa, 
capital desse lucrativo comércio, destacava-se pela 
agitada vida econômica.
Nessa época em que as atenções de setores da 
sociedade portuguesa estavam voltadas para o co-
mércio oriental, ocorreu a chegada às terras que 
mais tarde formariam o Brasil. 
Nas primeiras expedições às novas terras, os 
enviados da Coroa encontraram grande quanti- 
dade de pau-brasil no litoral. Mas não descobriram 
Além disso, a metrópole impunha o “direito ex-
clusivo” de fazer comércio com a região colonizada, 
comprando os produtos dela pelo preço mais baixo e 
vendendo-lhe mercadorias pelo valor mais alto. 
Nesse contexto histórico, diversas nações euro-
peias formaram verdadeiros impérios coloniais, entre 
os quais se destacaram Portugal e Espanha.
as desejadas jazidas de ouro. Com isso, o governo 
português percebeu que não seria possível obter 
lucros fáceis e imediatos na região, pois o lucro ge-
rado pela exploração da madeira seria menor do 
que o então vantajoso comércio de produtos afri-
canos e asiáticos. 
Por esse motivo, durante 30 anos (1500-1530), 
o governo português limitou-se a enviar para o Brasil 
algumas expedições marítimas destinadas principal-
mente ao reconhecimento da terra e à preservação 
de sua posse. O efetivo processo de colonização só 
ocorreu posteriormente.
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12 UNIDADE 1 Trabalho e sociedade
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As principais expedições marítimas portuguesas 
enviadas nesse período, chamado por historiadores 
de “pré-colonizador”, foram:
•	Expedição comandada por Gaspar de Lemos 
(1501) – explorou grande parte do litoral brasilei-
ro e deu nome aos principais acidentes geográficos 
então encontrados (ilhas, cabos, rios, baías).
•	Expedição comandada por Gonçalo Coelho 
(1503) – organizada por conta de um contrato assi-
nado entre o rei de Portugal e um grupo de comer-
ciantes interessados na exploração do pau-brasil, 
dentre os quais se destacava Fernão de Noronha.
•	Expedições comandadas por Cristóvão Jacques 
(1516 e 1520) – foram organizadas para deter o 
contrabando de pau-brasil feito por outros comer-
ciantes europeus. Não foram bem-sucedidas pela 
extensão do litoral.
Extração do pau-brasil
A primeira riqueza explorada pelos europeus em 
terras brasileiras foi o pau-brasil (Caesalpinia echinata) 
— árvore assim denominada devido à cor de brasa 
do interior de seu tronco. Os indígenas a chamavam 
ibirapitanga ou arabutã, que significa “madeira ou 
pau vermelho”. 
Ao ser informado sobre a existência de pau-brasil 
nestas terras, o rei de Portugal declarou que a explo-
ração dessa árvore era monopólio da Coroa, ou seja, 
ninguém poderia retirá-la das matas brasileiras sem 
permissão do governo português e sem pagamento 
do tributo correspondente. Essa declaração, no en-
tanto, não foi respeitada por ingleses, espanhóis e, 
principalmente, franceses. 
A primeira concessão da Coroa para a exploração 
do pau-brasil foi dada ao comerciante português Fernão 
de Noronha, em 1503. Seus navios foram os primeiros a 
chegar à ilha que mais tarde recebeu seu nome. 
As pessoas que tinham como ocupação o comér-
cio do pau-brasil eram chamadas brasileiros — ter-
mo que, com o tempo, perdeu o sentido original e 
passou a ser utilizado para designar os colonos nas-
cidos no Brasil. Observe que o sufixo -eiro é utilizado 
para designar ofício ou ocupação, como ocorre em 
engenheiro, marceneiro, livreiro.
Trabalho indígena
A extração de pau-brasil nesse período dependia 
da mão de obra dos indígenas — eles derrubavam as 
árvores, cortavam-nas em toras e carregavam-nas até 
os locais de armazenamento (feitorias), de onde eram 
levadas para os navios. Esse trabalho era conseguido 
de forma amigável, por meio do escambo. Em troca 
de uma série de objetos (como pedaços de tecido, 
anzóis, espelhos e, às vezes, facas e canivetes), os in-
dígenas eram aliciados a derrubar as árvores com os 
machados fornecidos pelos europeus. 
Por seu caráter predatório, a extração de pau-
-brasil demandava que os exploradores se deslocas-
sem pelas matas litorâneas à medida que a madeira ia 
se esgotando. Por isso, essa atividade não deu origem 
a núcleos significativos de povoamento. Foram cons-
truídas feitorias apenas em pontos da costa onde a 
madeira era mais abundante.
Escambo: câmbio de 
bens ou serviços sem in-
termediação de dinheiro.
Aliciado: seduzido, 
envolvido, incitado.
Pau-brasil no parque do 
Ibirapuera, na cidade 
de São Paulo. Essa 
árvore, que tem madeira 
resistente e costuma 
medir entre 8 e 12 metros 
de altura, encontra-se 
ameaçada de extinção. 
Fotografia de 2015. 
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13CAPÍTULO 1 Mercantilismo e colonização
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OCEANO
ATLÂNTICO
50º O
10º S
Em 1500
Em 2008
Atual divisão política do Brasil
Limites atuais do Brasil
0 328 km
Em destaque Devastação	ambiental
A devastação do meio ambiente começou cedo no território do país onde vivemos. Teve início 
com a extração de pau-brasil, logo nos primeiros anos de colonização. Como resultado da intensa 
extração, em poucas décadas o pau-brasil começou a escassear. O mesmo destino tiveram muitas 
árvores frutíferas, derrubadas sem preocupação com o replantio. Para a historiadora Laima Mesgravis, 
[...] o maravilhoso patrimônio da natureza, onde os índios viviam em harmonia com seu 
espaço e que tanto deslumbrou os primeiros observadores, incentivou, até certo ponto, a 
crença da abundância fácil, sem trabalho, infindável. 
MESGRAVIS, Laima. O Brasil nos primeiros séculos. São Paulo: Contexto, 1989. p. 62. 
Atualmente, temos consciência 
de que, apesar de imensos, os recur-
sos florestais brasileiros não são ines-
gotáveis. Calcula-se que, em 1500, a 
mata Atlântica ocupava uma faixa de 
1 milhão de quilômetros quadrados. 
Atualmente, restam apenas 8% dessa 
área, espalhados em matas que, em 
boa parte, se localizam em proprieda-
des particulares. 
Estima-se que somente no século 
XVI tenham sido derrubados aproxi-
madamente 2 milhões de árvores, de-
vastando cerca de 6 mil quilômetros 
quadrados da mata Atlântica. 
Depois [da extração do pau-
-brasil] vieram cinco séculos de 
queimada. A cana, o pasto, o 
café, tudo foi plantado nas cin-
zas da Mata Atlântica. Dela saiu 
a lenha para os fornos dos en-
genhos de açúcar, locomotivas, 
termelétricas e siderúrgicas. 
CORREIA, Marcos Sá. In: Veja. São Paulo: Abril, 
n. 51, 24 dez. 1997. p. 81. Suplemento Especial. 
Distribuição da mata Atlântica 
(1500-2008)
1. De acordo com o texto, quais foram as principais consequências da exploração econômica indiscrimina-
da realizada pelos europeus nas áreas litorâneas do Brasil?
2. Identifique, no mapa, as regiões que apresentavam áreas cobertas pela mata Atlântica em 1500 e as que 
não possuem mais essa cobertura.
Fonte: Mapas SOS Mata Atlântica. 
Disponível em: <http://mapas.sosma.org.br>. 
Acesso em: 27 out. 2015. 
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OCEANO
ATLÂNTICO
50º O
10º S
Chegada em
janeiro de 1531
Partida em
dezembro de 1530
BRASIL
Fundação da Vila de
São Vicente (1532)
Piratininga
Feitoria de Cabo Frio
Baía de Todos os Santos
Ilha de Cananeia
Ilha de Itamaracá
Ilha de Santa Catarina
Cabo de 
Santa Maria
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Limites atuais do Brasil 0 390 km
Expedição de Martim Afonso 
de Souza (século XVI)
Colonização
A decisão de ocupar a terra
De acordo com o Tratado de Tordesilhas, Portugal 
e Espanha eram os únicos donos das terras da Améri-
ca. Mas franceses, holandeses e ingleses não respeita-
vam esse tratado e disputavam a posse de territórios 
americanos com portugueses e espanhóis. 
Essa disputa intensificou-se principalmente a par-
tir da notícia de que os espanhóis haviam descoberto 
ouro e prata em áreas que hoje correspondem ao Mé-
xico e ao Peru. 
Nesse contexto, o governo português receava per-
der as terras americanas. As expedições que tinha envia-
do até então não conseguiam deter a atuação clandes-
tina de outros europeus, especialmente dos franceses, 
que haviam estabelecido alianças com os indígenas 
tupinambás para a extração do pau-brasil. Para acabar 
com esse contrabando e evitar as invasões, a Coroa por-
tuguesa decidiu colonizar efetivamente o Brasil. 
Além disso, a colonização da América começou a 
ser vista pelos portugueses como uma alternativa para 
buscar novos lucros comerciais, uma vez que o comércio 
de Portugal com o Oriente havia entrado em declínio.
A expedição de Martim 
Afonso de Souza 
Cinco navios e uma tripulação de cerca de 400 
pessoas. Assim era composta a expedição comandada 
por Martim Afonso de Souza, que partiu de Lisboa em 
dezembro de 1530. Segundo alguns estudiosos, essa 
expedição tinha, entre seus objetivos: 
•	iniciar a ocupação da terra e sua exploração econô-
mica por colonos portugueses; 
•	combater corsários estrangeiros; 
•	procurar metais preciosos; 
•	fazer melhor reconhecimento geográfico do litoral. 
Em 22 de janeiro de 1532, buscando estabelecer 
núcleos de povoamento, Martim Afonso fundou a pri-
meira vila do Brasil: São Vicente. Fundou também alguns 
povoados, como Santo André da Borda do Campo.
Cultivo da cana-de-açúcar
Para colonizar o Brasil, os portugueses decidiram 
implantar a produção açucareira em certos trechos do 
litoral, uma vez que o açúcar era um produto que ti-
nha grande procura na Europa. Por meio da cultura 
da cana, seria possível promover a ocupação sistemá-
tica da colônia. 
Ao implantar a empresa açucareira na colônia, 
Portugal deixava a atividade meramente extrativista 
e predatória (a exploração de pau-brasil) e iniciava a 
montagem de uma organização produtiva dentro das 
diretrizes do sistema colonial. A produção de açúcar 
para o mercado europeu marcaria a história colonial 
do Brasil. 
No Brasil, o primeiro estabelecimento de produ-
ção de açúcar (engenho) foi instalado na região de 
São Vicente.
Fonte: ALBUQUERQUE, Manoel Maurício de et al. Atlas 
histórico escolar. 8. ed. Rio de Janeiro: MEC/Fename, 1986. p. 14.
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15CAPÍTULO 1 Mercantilismo e colonização
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Monopólio comercial português 
No início do século XVI, época da instalação dos primeiros engenhos e núcleos 
de povoamento, o comércio do açúcar era relativamente livre. A Coroa concedia 
terras a portugueses que tivessem recursos para a instalação de engenhos. 
Entre 1560 e 1570, a economia açucareira apresentou crescimento expressivo. 
Percebendo a expansão do negócio do açúcar, o governo de Portugal decidiu esta-
belecer normas mais rígidas para a concessão de terras. Em 1571, decretou que o 
comércio colonial com o Brasil deveria ser feito exclusivamente por navios portugue-
ses. O governo pretendia implantar o monopólio comercial (que era chamado, na 
época, de exclusivo metropolitano) nas transações do açúcar. 
Com o monopólio, os produtos coloniais eram comprados pelos preços mais 
baixos do mercado, enquanto os artigos metropolitanos eram vendidos para os 
colonos do Brasil pelos preços mais altos.
Escravização dos indígenas
O relacionamento entre os colonos portugueses e os vários povos indígenas foi 
se tornando conflituoso à medida que os nativos resistiam ao processo de coloni-
zação. Os colonos, no entanto, para satisfazer suas necessidades, usaram violência 
contra os indígenas e passaram a escravizá-los. 
A escravização indígena estabeleceu-se a partir da década de 1530, principal-
mente quando os colonos portugueses necessitaram de mão de obra para a produ-
ção açucareira. Os portugueses e alguns aliados nativos guerreavam contra os “in-
dígenas inimigos”, e os prisioneiros eram distribuídos ou vendidos como escravos. 
No século XVII, a escravização indígena continuou ligada à expansão açuca-
reira pelo litoral, mas se estendeu também para as áreas dos atuais estados de 
São Paulo, Maranhão, Pará, entre outros. Nessas regiões, os nativos trabalhavam 
em atividades como o cultivo de milho, feijão, arroz e mandioca e a extração das 
chamadas “drogas do sertão” (guaraná, cravo, castanha, baunilha, plantas aro-
máticas e medicinais). 
Além disso, o escravo indígena foi utilizado para o transporte de mercadorias. 
De São Paulo a Santos, por exemplo, o carregador nativo descia a Serra do Mar 
transportando nos ombros cargas de aproximadamente 30 quilos.
Cacho de guaraná na cidade 
de Camamu, Bahia. Foram os 
indígenas Sateré-Mawé que, há 
mais de 500 anos, domesticaram 
a planta do guaraná, cujo nome 
científicoé Paullinia cupana. 
Esse povo, que vive no atual 
Amazonas, possibilitou que 
o guaraná fosse conhecido e 
consumido no mundo inteiro. 
Fotografia de 2015. 
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MARCOS
Realce
MARCOS
Nota
Investigando
•	 Em sua opinião, alguma guerra pode ser considerada justa? Reflita.
“Guerras justas”
Apesar de o governo português ter defendido, em princípio, a liberdade in-
dígena, os colonos recorreram por diversas vezes à “guerra justa” para conseguir 
escravos entre os povos nativos. Assim se chamava a guerra contra os indígenas 
autorizada pelo governo português ou seus representantes. 
As “guerras justas” podiam ocorrer quando os indígenas não se conver-
tiam à fé cristã – imposta pelos colonizadores – ou impediam a divulgação 
dessa religião; quebravam acordos ou agiam com hostilidade em relação aos 
portugueses. 
No entanto, os colonos burlavam as normas oficiais sobre a “guerra justa”, 
alegando, por exemplo, que eram atacados ou ameaçados pelos indígenas. 
Sucessivas guerras contra povos indígenas marcaram a conquista das regiões 
litorâneas pelos europeus no século XVI. Foi o caso, por exemplo, das guerras 
contra os indígenas caetés, tupinambás, carijós, tupiniquins, guaranis, tabajaras 
e potiguares.
Gravura de Thomas Marie Hippolyte Taunay e Ferdinand-Jean Denis, datada de 1822, representando ritual dos tupinambás com 
feiticeiros soprando o espírito de força do povo.
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17CAPÍTULO 1 Mercantilismo e colonização
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MARCOS
Realce
Oficina de História
Vivenciar e refletir
1. Alguns indígenas queriam saber por que portugueses 
e franceses, desde a chegada às suas terras, precisavam 
tirar tanta madeira das florestas. Leia um trecho do texto 
do francês Jean de Léry, que esteve no Brasil em 1558, 
narrando o diálogo que teve com um velho tupinambá.
Por que vindes vós outros, maírs e pêros 
(franceses e portugueses), buscar lenha de tão 
longe para vos aquecer? Não tendes madeira 
em vossa terra? Respondi que tínhamos mui-
ta, mas não daquela qualidade, e que não a 
queimávamos, como ele o supunha, mas dela 
extraíamos tinta para tingir, tal qual o faziam 
eles com os seus cordões de algodão e suas 
plumas. Retrucou o velho tupinambá imedia-
tamente: e porventura precisais de muito? — 
Sim, respondi-lhe, pois no nosso país existem 
negociantes que possuem mais panos, facas, 
tesouras, espelhos e outras mercadorias do 
que podeis imaginar e um só deles compra 
todo o pau-brasil com que muitos navios vol-
tam carregados. — Ah! Retrucou o selvagem, tu 
me contas maravilhas, acrescentando depois 
de bem compreeender o que eu lhe dissera: 
Mas esse homem tão rico de que me falas não 
morre? — Sim, disse eu, morre como os outros. 
Mas os selvagens são grandes discursa-
dores e costumam ir em qualquer assunto 
até o fim, por isso perguntou-me de novo: e 
quando morrem para quem fica o que dei-
xam? — Para seus filhos se os têm, respondi! 
— Na verdade, continuou o velho, […] agora 
vejo que vós outros maírs sois grandes loucos, 
pois atravessais o mar e sofreis grandes in-
cômodos, como dizeis quando aqui chegais, 
e trabalhais tanto para amontoar riquezas 
para vossos filhos ou para aqueles que vos 
sobrevivem! Não será a terra que vos nutriu 
suficiente para alimentá-los também? Temos 
pais, mães e filhos a quem amamos; mas es-
tamos certos de que, depois de nossa morte, 
a terra que nos nutriu também os nutrirá, por 
isso descansamos sem maiores cuidados. 
LÉRY, Jean de. Viagem à terra do Brasil. 
Belo Horizonte/São Paulo: Itatiaia/Edusp, 1980. p. 170.
a) Por que o indígena tupinambá não entendia a ne-
cessidade de extrair tanta madeira das florestas? 
b) Que diferença cultural é possível perceber entre o 
modo de vida europeu e o modo de vida indígena?
Diálogo interdisciplinar
2. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, 472 espé-
cies de árvores estão ameaçadas de extinção no Brasil 
contemporâneo. É o caso do pau-brasil, da cerejeira, 
da castanheira, do jacarandá, do mogno, da imbuia e 
da araucária. Crie um cartaz sobre uma dessas espé-
cies. Para isso, em grupos, façam o que se pede.
a) Escolham uma árvore e pesquisem: nome cien-
tífico, outros nomes pelos quais é conhecida, al-
tura máxima que atinge, biomas em que ocorre, 
motivos pelos quais corre risco de extinção e o 
que tem sido feito para preservá-la. 
b) Elaborem uma ficha sobre a árvore resumindo 
as informações pesquisadas.
c) Com base na pesquisa, criem um título chamati-
vo para seu cartaz.
d) Selecionem fotografias da árvore e escrevam le-
gendas para as imagens.
e) Organizem a ficha, o título e as fotografias em um 
cartaz. Depois, apresentem o cartaz para seus co-
legas e debatam com eles as medidas de preser-
vação das espécies ameaçadas de extinção. 
3. O historiador Warren Dean comenta que as facas 
e os machados de aço que os europeus davam 
aos indígenas
[…] encurtavam em cerca de oito vezes o 
tempo gasto para derrubar árvores e escul-
pir canoas. Além disso, anzóis de ferro inau-
guravam uma nova maneira de explorar os 
recursos alimentícios dos estuários. É difícil 
imaginar […] o quanto isso foi transforma-
dor de sua cultura [dos indígenas] e o quanto 
foi destrutivo para a floresta.
DEAN, Warren. A ferro e fogo: a história e a devastação da 
mata Atlântica brasileira. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. p. 65.
Diálogo interdisciplinar com Biologia.
Diálogo interdisciplinar com Biologia e Sociologia.
Estuário: desembocadura de um rio, formando um “bra-
ço de mar”.
a) De acordo com Warren Dean, os instrumentos 
europeus causaram grande impacto em duas 
esferas. Quais são elas? Por quê?
b) Em sua opinião, que objetos causaram maior 
impacto social e ambiental no mundo contem-
porâneo? Reflita sobre o assunto e dê exemplos. 
18 UNIDADE 1 Trabalho e sociedade
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4. Examine a cena da tirinha de Calvin e Haroldo. Qual é a crítica da tirinha? Com os 
colegas, relacione a tirinha ao conteúdo do capítulo. 
Diálogo interdisciplinar com Arte e Geografia.
De olho na universidade
5. (Fuvest-SP) 
O ouro e a prata que os reis incas tiveram em grande quantidade 
não eram avaliados [por eles] como tesouro porque, como se sabe, 
não vendiam nem compravam coisa alguma por prata nem por ouro, 
nem por eles pagavam os soldados, nem os gastavam com alguma 
necessidade que lhes aparecesse; tinham-nos como supérfluos, por-
que não eram de comer. Somente os estimavam por sua formosura e 
esplendor e para ornamento [das casas reais e ofícios religiosos]. 
Garcilaso de la Vega. Comentários reais, 1609.
Com base no texto, aponte:
a) As principais diferenças entre o conjunto das ideias expostas no texto e a vi-
são dos conquistadores espanhóis sobre a importância dos metais preciosos 
na colonização. 
b) Os princípios básicos do mercantilismo.
6. (UFRJ) 
A primeira coisa que os moradores desta costa do Brasil preten-
dem são índios escravizados para trabalharem nas suas fazendas, 
pois sem eles não se podem sustentar na terra. 
GANDAVO, Pero Magalhães. Tratado descritivo da terra do Brasil. 
São Paulo: Itatiaia/Edusp, 1982. p. 42 [1576] (adaptado pela instituição). 
Nesse trecho percebe-se a adesão do cronista ao ideário dos colonos lusos no Brasil 
de fins do século XVI. 
Com base no texto, e considerando que em Portugal prevalecia uma hierarquia so-
cial aristocrática e católica, explique por que, ao desembarcarem na América portugue-
sa da época, os colonos imediatamente procuravam lançar mão do trabalho escravo.
Tirinha dos personagens 
Calvin e Haroldo, criados 
pelo artista Bill Watterson.
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19CAPÍTULO 1 Mercantilismo e colonização
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Estado e religião
Liberdade de crença e livre exercício de culto religioso são direitos fundamentais 
garantidos na Constituição Federal. Essa liberdade religiosa decorre da separa-
ção entre Estado e Igreja, que vigora no Brasil desde o início da República (1889). 
Mas nem sempre foi assim.
Como era a relação entre o Estado e a Igreja Católica no período colonial?
•	 Observe o painel de Candido Portinari, intitulado A primeira missa no Brasil. 
Depois, leia o trecho da carta de Pero Vaz de Caminha, relatando episódios 
da chegada dos portugueses ao Brasil: 
E quando se veio ao Evangelho, que nos erguemos todos em pé, com as 
mãos levantadas, eles [os indígenas] se levantaram conosco, e alçaram as 
mãos, estando assim até se chegar ao fim; e então tornaram-se a assentar, 
como nós [...] e em tal maneira sossegados que certifico a Vossa Alteza que 
nos fez muita devoção. 
CAMINHA, Pero Vaz de. Carta a El Rei D. Manuel. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/ 
DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=2003>. Acesso em: 28 out. 2015. 
	 Na sua compreensão, há algum ponto em comum entre o relato de Pero Vaz 
de Caminha e a pintura de Portinari? Comente.
A primeira missa no Brasil. Painel de Candido Portinari, de 1948. 
A obra faz parte do acervo do Instituto Brasileiro de Museus.
Candido Portinari. a Primeira missa no Brasil. 1948/museu naCional de Belas artes/rj
20 UNIDADE 1 Trabalho e sociedade
capítulo
2
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•	 Observe o mapa e compare-o com um mapa da 
atual divisão política do Brasil. Depois, identifique: 
a) a capitania mais setentrional (ao norte) e o(s) 
estado(s) do(s) qual(is) faz parte atualmente; 
b) a capitania mais meridional (ao sul) e o(s) 
estado(s) do(s) qual(is) faz parte atualmente; 
c) caso seja possível, a capitania em cujo territó-
rio está situada a cidade onde você vive.
Observar	o	mapa
Capitanias	hereditárias	
Início da administração colonial
O governo português não dispunha de recursos 
suficientes para investir na colonização do Brasil. A 
solução encontrada no começo desse processo foi 
transferir a tarefa para particulares, geralmente pes-
soas da pequena nobreza lusitana. 
Assim, em 1534, o rei D. João III ordenou a divisão 
do território da colônia em grandes porções de ter-
ra — 15 capitanias ou donatárias — e as entregou a 
pessoas que se habilitaram ao empreendimento, cha-
madas capitães ou donatários. 
Nomeado pelo rei, o donatário era a autorida-
de máxima dentro da capitania. Com sua morte, em 
princípio, a administração passava para seus descen-
dentes. Por esse motivo, as terras eram chamadas de 
capitanias hereditárias. 
Direitos	e	deveres	dos	
donatários	
O vínculo jurídico entre o rei de Portugal e os do-
natários era estabelecido em dois documentos básicos: 
•	Carta de Doação – conferia ao donatário a posse 
hereditária da capitania. Os donatários não eram 
proprietários das capitanias, apenas de uma parce-
la das terras. A eles era transferido, entretanto, o 
direito de administrar toda a capitania e explorá-la 
economicamente. 
•	Carta Foral – estabelecia os direitos e os deveres 
dos donatários, relativos à exploração da terra.
Vejamos alguns deles no quadro a seguir:
Alguns	direitos Alguns	deveres
• Criar vilas e distribuir terras (sesmarias) a quem desejasse e 
pudesse cultivá-las. 
• Exercer plena autoridade judicial e administrativa. 
• Por meio da chamada “guerra justa”, escravizar os indígenas 
considerados inimigos, obrigando-os a trabalhar na lavoura. 
• Receber 5% dos lucros sobre o comércio do pau-brasil. 
Assegurar ao rei de Portugal: 
• 10% dos lucros sobre todos os produtos da terra; 
• 25% dos lucros sobre os metais e as pedras preciosas que fos-
sem encontrados; 
• o monopólio da exploração do pau-brasil.
OCEANO
ATLÂNTICO
10º S
40º O
MARANHÃO (2o lote)
MARANHÃO (1o lote)
CEARÁ
RIO GRANDE
ITAMARACÁ
BAHIA
PERNAMBUCO
ILHÉUS
PORTO SEGURO
ESPÍRITO SANTO
SÃO TOMÉ
SANTANA
SANTO AMARO
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SÃO VICENTE
SÃO VICENTE
0 390 km
Fonte: ALBUQUERQUE, Manoel Maurício 
de et al. Atlas histórico escolar. 8. ed. Rio de 
Janeiro: MEC/Fename, 1986. p. 14.
Capitanias	hereditárias	(1534)
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21CAPÍTULO 2 Estado e religião
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MARCOS
Nota
MARCOS
Nota
MARCOS
Nota
O que era a Carta de doação
O que era a Carta foral
MARCOS
Nota
Dificuldades	com	as	capitanias
Do ponto de vista econômico, o sistema de capita-
nias não alcançou os resultados esperados pelo governo 
português. Entre as poucas capitanias que progrediram 
e obtiveram lucros, principalmente com a produção de 
açúcar, estavam a de Pernambuco e a de São Vicente. 
Como veremos a seguir, as demais capitanias não pros-
peraram em decorrência de várias condições.
As capitanias eram muito extensas, e os donatários 
geralmente não tinham recursos suficientes para explo-
rá-las. Muitos perderam o interesse pelas capitanias, 
acreditando que o retorno financeiro não compensaria o 
trabalho empenhado e o capital investido na produção. 
Alguns nem chegaram a tomar posse de suas terras.
Os colonos também tinham de enfrentar a hostilida-
de dos grupos indígenas que resistiam à dominação por-
tuguesa. Para muitos nativos, a luta era a única forma 
de se defender da invasão de suas terras e da escravidão 
que o conquistador queria impor.
Havia também problemas de comunicação entre as 
capitanias: separadas por grandes distâncias e sob as 
Mulheres	na	administração
Algumas mulheres de origem portuguesa chega-
ram a participar da administração de capitanias he-
reditárias. Brites de Carvalho, por exemplo, assumiu 
o controle de uma sesmaria no norte da Bahia em 
1583, depois da morte de seu marido.
A esposa de Duarte Coelho, donatário da capitania 
de Pernambuco, também se destacou. Brites Mendes 
de Albuquerque assumiu o governo da capitania após 
a morte do marido. De acordo com pesquisadores:
precárias condições dos meios de transporte da época, 
elas ficavam isoladas umas das outras e em relação a 
Portugal. Por exemplo, uma viagem de navio da Bahia 
a Lisboa levava em média dois meses. 
Além disso, nem todas as capitanias tinham solo 
propício ao cultivo de cana-de-açúcar, produção que 
mais interessava aos objetivos da Coroa e dos comer-
ciantes envolvidos no comércio colonial. Restava aos 
donatários a exploração do pau-brasil, atividade que 
gerava pouco lucro para os donatários. 
Apesar dessas dificuldades, historiadores apontam 
que o sistema de capitanias lançou as bases da colo-
nização da América portuguesa, estimulando a for-
mação e o desenvolvimento dos primeiros núcleos de 
povoamento, como São Vicente (1532), Porto Seguro 
(1535), Ilhéus (1536), Olinda (1537) e Santos (1545). 
Contribuiu, também, em relação aos colonizadores 
lusos, para preservar a posse das terras e revelar as 
possibilidades de exploração econômica da colônia.
Durante o governo de Brites, Pernambuco 
era a mais desenvolvida capitania do Brasil. 
Tinha mais de mil colonos e mais de mil es-
cravos. [...] nos anos 1570 havia na capitania 
cerca de 66 engenhos, que produziam 200 mil 
arrobas de açúcar anuais. [...]
BRAZIL, Érico Vital; SCHUMAHER, Schuma (Orgs.). Dicionário mulheres do 
Brasil: de 1500 até a atualidade. Rio de Janeiro: Zahar, 2000. p. 122. 
Fundação de São Vicente, óleo sobre tela de Benedito Calixto, de 1900. Historiador e artista, Calixto destacou-se na pintura religiosa e 
paisagística. A obra pertence ao acervo do Museu Paulista da USP, em São Paulo.
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MARCOS
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Governo-geral
A busca da centralização administrativa
Os problemas das capitanias hereditárias levaram 
a Coroa portuguesa a procurar soluções diferentes 
para administrar sua colônia na América. Foi assim 
que, ainda no reinado de D. João III, instituiu o gover-
no-geral, conduzido por um funcionário do governo 
português, denominado governador-geral. Este daria 
ajuda aos donatários e interferiria mais diretamente 
no processo de colonização do Brasil.
Portanto, o governo-geral coexistiu com o siste-
ma das capitanias hereditárias. Essa coexistência per-
durou até 1759, quando as últimas capitanias here-
ditárias foram extintas e o território brasileiro passou 
Já Ana Pimentel participou da administração da 
capitania de São Vicente. Ela era esposa do donatário 
Martim Afonso de Souza. 
Após um breve período em terras brasileiras, Mar-
tim Afonso retornou a Portugal para ocupar o cargo 
de capitão-mor da armada da Índia. Ana Pimentel 
tornou-se, então, a responsável pelo governo da ca-
pitania. Em sua administração, ela organizou o cultivo 
de laranja, de arroz e de trigo, além de introduzir a 
criação de gado naquelas terras.
a ser efetivamente administrado pelos representantes 
da Coroa portuguesa, não mais por particulares.
O governo português escolheu a capitania da 
Bahia como sede do governo-geral, que, então, foi 
retomada pela Coroa. A escolha foi motivada por inte-
resses administrativos, pois essa capitania localizava-se 
em um ponto central da costa, o que facilitava a co-
municação com as demais capitanias. Ali foi erguida a 
primeira capital do Brasil — Salvador —, cujas obras de 
construção tiveram início no dia 1o de maio de 1549, 
em um terreno elevado e de frente para o mar. Essa 
localização facilitava a defesa militar da cidade.
Investigando
1. Qual é a capital do estado onde 
você mora? Que serviços públi-
cos são encontrados na capital 
do seu estado? 
2. Você já ouviu expressões como 
“capital do samba”, “capital do 
acarajé”, “capital da moda”? O 
que a palavra “capital” pode sig-
nificar nessas expressões?
Investigando
•	 No Brasil Colonial algumas mulheres chegaram a assumir cargos importantes no governo das capitanias he-
reditárias. No entanto, essa prática não era tão comum na época. Foi só a partir do século XX que aumentou 
a participação das mulheres no mercado de trabalho e o acesso delas a cargos de prestígio. Em sua opinião, 
quais são os principais desafios enfrentados atualmente pelas mulheres no mercado de trabalho? Pesquise.
Vista da cidade de Salvador do século 
XVI. Litografia do cartógrafo escocês 
John Ogilby. Na imagem, pode-se 
observar a muralha que cercava a 
parte alta da capital colonial.
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23CAPÍTULO 2 Estado e religião
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Regimento	do	governo-geral
Embora tenham existido diferentes regimentos 
para estabelecer o papel dos governadores-gerais, 
quase todos possuíam itens relativos à defesa da terra 
contra ataques estrangeiros, ao incentivo à busca de 
metais preciosos, ao apoio à religião católica e à luta 
contra a resistência indígena. 
Ainda conforme esses regimentos, o governador 
tinha funções: 
•	militares – comando e defesa militar da colônia; 
•	administrativas – relacionamento com os gover-
nadores das capitanias e controle dos assuntos liga-
dos às finanças; 
•	judiciárias – direito de nomear funcionários da Jus-
tiça e alterar penas; 
•	eclesiásticas – indicação de sacerdotes para 
as paróquias.
Para o desempenho de suas funções, o governa-
dor-geral contava com três auxiliares principais: 
•	o ouvidor-mor, encarregado dos negócios da Jus-
tiça; 
•	o provedor-mor, encarregado dos assuntos 
da Fazenda; 
•	o capitão-mor, encarregado da defesa do litoral. 
Os governadores-gerais tiveram, no entanto, pro-
blemas no cumprimento de suas funções. Além da 
dificuldade de comunicação entre as capitanias, o 
governo-geral muitas vezes enfrentava a oposição de 
poderes locais, especificamente dos “homens-bons”. 
Essa expressão era aplicada aos homens de posses, 
proprietários de terra, de gado e de escravos. Nas vilas 
e cidades em que residiam, eram eles que formavam 
as câmaras municipais. 
As câmaras municipais, encarregadas da admi-
nistração local, foram sendo estruturadas paralela-
mente à formação das primeiras vilas. Sua atuação 
abrangia setores como o abastecimento, a tributa-
ção e a execução das leis. Além disso, organizavam 
expedições contra os indígenas, determinavam a 
construção de povoados e estabeleciam os preços 
das mercadorias. 
Os três primeiros governadores-gerais do Bra-
sil foram Tomé de Sousa, Duarte da Costa e Mem 
de Sá.
Primeiro	governo-geral
Tomé de Sousa foi o primeiro governador-geral 
do Brasil. Em seu governo (1549-1553) ocorreram a 
fundação de Salvador (1549), primeira cidade e ca-
pital do Brasil; a criação do primeiro bispado brasi-
leiro (1551); a implantação da pecuária; o incentivo 
ao cultivo da cana-de-açúcar; e a organização de 
expedições para explorar o território à procura de 
metais preciosos.
Aculturação	dos	indígenas
Com Tomé de Sousa vieram seis jesuítas, chefiados 
pelo padre português Manuel da Nóbrega, com a mis-
são de catequizar os indígenas. 
Os jesuítas faziam parte de um mundo regula-
do pelas normas e pelos costumes das sociedades 
católicas europeias e não aceitavam ou compre-
endiam diversos aspectos das culturas indígenas 
como a nudez, a poligamia, a antropofagia e as 
crenças próprias. 
Iniciou-se, assim, um processo de modificação da 
cultura dos indígenas (aculturação). Para transmitir-
-lhes os valores europeus e do cristianismo, os jesuí-
tas reuniram as populações indígenas em aldeias ou 
aldeamentos.
Investigando
1. Compare o papel das câmaras municipais na época do Brasil Colônia com o das câmaras municipais na 
atualidade. Qual é a função típica das câmaras municipais atuais? Pesquise. 
2. Em sua interpretação, em que medida o poder econômico e o poder político estão associados no Brasil 
atual? Reflita e dê exemplos.
3. O que você sabe sobre a história de sua cidade? Pesquise elementos como a data de fundação, a po-
pulação atual, características da arquitetura local, opções públicas de lazer e cultura, características da 
economia etc.
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Segundo	governo-geral
Duarte da Costa foi o segundo governador-geral 
do Brasil. Em seu governo (1553-1558), vieram mais 
jesuítas para a colônia, entre os quais se destacou 
José de Anchieta.
Em janeiro de 1554, Anchieta e Manuel da Nó-
brega fundaram o Colégio de São Paulo, junto ao 
qual surgiu a vila que deu origem à cidade de São 
Paulo, no planalto de Piratininga. 
Foi também no governo de Duarte da Costa que 
os franceses, contando com o apoio de grupos indí-
genas (como os tupinam-
bás), invadiram a baía de 
Guanabara, no atual Rio 
de Janeiro, e fundaram 
um povoamento que re-
cebeu o nome de França 
Antártica (1555-1567).
Alternâncias	na	administração
Centralizações e descentralizações do governo
Historiadores consideram que a administração 
colonial da América portuguesa apresentava duas 
tendências que se revezaram: a centralização (uni-
ficação) e a descentralização (divisão) do governo. 
A centralização era praticada quando a metrópo-
le queria controlar e fiscalizar melhor a colônia. Já a 
descentralização era preferida quando a metrópole 
pretendia ocupar regiões despovoadas, impulsionar o 
desenvolvimento local e adaptar o governo às neces-
sidades dos colonos. 
Com os governos-gerais, a administração do 
Brasil Colôniafoi centralizada. Porém, no final do 
governo de Mem de Sá, o rei de Portugal resolveu 
dividir a administração da colônia entre os governos 
do Norte e do Sul.
O governo do Norte, com sede na cidade de Sal-
vador, era chefiado pelo conselheiro Luís de Brito de 
Almeida (1573-1578). O do Sul, com sede na cidade 
do Rio de Janeiro, era chefiado pelo desembargador 
Antônio Salema (1574-1578). 
Entretanto, em 1578, insatisfeito com os resulta-
dos práticos da experiência, o rei de Portugal decidiu 
voltar atrás e estabeleceu novamente um único cen-
tro administrativo no Brasil, com sede em Salvador.
Terceiro	governo-geral
Mem de Sá foi o terceiro governador-geral do 
Brasil. Em seu governo (1558-1572), os franceses 
foram expulsos do Rio de Janeiro, com a ajuda do 
chefe militar Estácio de Sá (seu sobrinho). 
Além de expulsar os franceses (1567), o tercei-
ro governo-geral reuniu forças para lutar contra os 
indígenas que resistiam à conquista colonial por-
tuguesa. As ações do governo levaram à destrui-
ção de centenas de aldeias do litoral brasileiro no 
século XVI.
Vista do Pátio do Colégio, 
ao lado do Museu Padre 
Anchieta. Esse local é 
considerado o marco da 
fundação da cidade 
de São Paulo.
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25CAPÍTULO 2 Estado e religião
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Em destaque Confederação	dos	Tamoios
Vejamos um texto do filósofo Benedito Prezia e do historiador Eduardo Hoornaert, em que apresen-
tam suas interpretações do que foi a chamada Confederação dos Tamoios. 
Para combater a escravização dos indígenas, feita em grande escala pela família de João 
Ramalho que vivia no planalto de Piratininga, e como protesto contra as aldeias dos padres 
jesuítas, várias nações indígenas resolveram se unir. 
Assim, os tupinambás, parte dos tupiniquins, os carijós e os guayanás das regiões de São 
Paulo e Rio de Janeiro, com o apoio dos franceses, fizeram uma grande aliança de guerra, 
que recebeu o nome de Confederação dos Tamoios. 
Tamoio ou tamuya, na língua tupi, significa nativo, velho, do lugar. Era portanto uma 
guerra dos antigos do lugar, isto é, dos donos da terra, contra os portugueses, os invasores 
e inimigos dos indígenas. 
Esta guerra durou cinco anos, de 1562 a 1567. Vários líderes tupinambás se destacaram, 
principalmente Cunhambebe e Aimberê. Os ataques tiveram altos e baixos e o grande aliado 
dos portugueses foi certamente a varíola. Por volta de 1564 uma forte epidemia atacou todo 
o litoral, de norte a sul. Centenas de indígenas morreram, inclusive o grande Cunhambebe. 
Com a expulsão dos franceses do Rio de Janeiro, a Confederação dos Tamuya foi enfra-
quecendo, pois já não tinha de quem receber armas de fogo. Os portugueses jogaram pe-
sado, não só enviando de Portugal um grande reforço militar como também envolvendo os 
jesuítas nessa guerra violenta. 
A participação do padre Manuel da Nóbrega e do padre José de Anchieta foi decisiva para 
a vitória lusitana. Através deles aconteceu o Tratado de Paz de Iperoig, que na realidade 
tornou-se um tratado de morte para os tupinambás. 
O final da guerra foi desigual e violento. Três mil sobreviventes desta campanha militar 
foram levados para algumas aldeias dirigidas pelos jesuítas, no Rio de Janeiro e na Bahia. 
PREZIA, Benedito; HOORNAERT, Eduardo. Esta terra tinha dono. 4. ed. São Paulo: FTD, 1995. p. 81-82. 
•	 De acordo com os autores, em que contexto histórico ocorreu a união de várias nações indígenas nas 
regiões de São Paulo e Rio de Janeiro?
O último tamoio, pintura 
criada por Rodolfo 
Amoedo em 1883. Nessa 
obra, o indígena Aimberê, 
líder dos tamoios, aparece 
morto em uma praia 
enquanto é amparado pelo 
padre Anchieta. Embora 
os dois personagens 
tenham participado 
da Confederação dos 
Tamoios, essa cena nunca 
aconteceu. A obra faz 
parte do acervo do Museu 
Nacional de Belas Artes, no 
Rio de Janeiro.
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Padroado
Vínculos entre governo e Igreja Católica
Na época da colonização, o catolicismo era a 
religião oficial de Portugal. Assim, os súditos portu-
gueses deveriam ser católicos obrigatoriamente, caso 
contrário estariam sujeitos a perseguição.
Além disso, diversos religiosos católicos participa-
ram do processo de colonização, em um esforço con-
junto com representantes da Coroa portuguesa. Essa 
participação ocorreu porque o governo de Portugal e 
a Igreja estavam ligados pelo regime do padroado, 
um acordo entre o papa e o rei que estabelecia uma 
série de deveres e direitos da Coroa portuguesa em 
relação à Igreja. Entre os principais deveres, estavam: 
garantir a expansão do catolicismo em todas as terras 
conquistadas pelos portugueses; construir igrejas e 
cuidar de sua conservação; e remunerar os sacerdotes 
por seu trabalho religioso. Já entre os principais direi-
tos, podem ser citados: nomear bispos e criar dioceses 
(regiões eclesiásticas administradas pelos bispos); e 
recolher o dízimo (a décima parte dos ganhos) ofertado 
pelos fiéis à Igreja.
A Igreja e o Estado português atuavam em re-
lativa harmonia. As autoridades políticas deveriam 
administrar a colônia, decidindo, por exemplo, sobre 
as formas de ocupação do território, povoamento e 
produção econômica. Os religiosos eram responsáveis 
pela tarefa de ensinar a obediência a Deus e ao rei, 
defendendo o trono por meio do altar. 
Houve, no entanto, vários momentos de conflito 
entre sacerdotes católicos e autoridades da Coroa. 
Nesse sentido, podemos dizer que se tornou fre-
quente, por exemplo, a participação de padres em 
rebeliões coloniais.
Investigando
•	 No período colonial, a Igreja Católica foi uma instituição que, além do campo especificamente religioso, 
exercia influência ampla na sociedade, na política e na cultura em geral. Pesquise sobre a influência da Igreja 
Católica e de outras instituições religiosas na atualidade.
Em destaque Vivência	religiosa
No texto, o historiador Luiz Mott descreve alguns aspectos religiosos observados entre a popula-
ção brasileira da época colonial.
No Brasil colonial, seguindo o costume português, desde o despertar, o cristão se via ro-
deado de lembranças do Reino dos Céus. Na parede contígua à cama, havia sempre algum 
símbolo visível da fé cristã: um quadrinho ou caixilho com gravura do anjo da guarda ou do 
santo; uma pequena concha com água-benta; o rosário dependurado na cabeceira da cama. 
Antes de levantar-se da cama, da esteira ou da rede, todo cristão devia fazer imediata-
mente o sinal da cruz completo, recitando a jaculatória [oração curta]: pelo sinal da santa 
cruz, livrai-nos, Deus Nosso Senhor, dos nossos inimigos. Em nome do Padre, do Filho e do 
Espírito Santo, amém. Os mais devotos, ajoelhados no chão, quando menos recitavam o 
bê-á-bá do devocionário popular: a ave-maria, o pai-nosso, o credo e a salve-rainha. Orações 
que via de regra todos sabiam de cor. [...] 
Na parede da sala de muitas casas coloniais, saindo do quarto, lá estavam para ser vene-
rados e saudados os quadros dos santos. [...] 
MOTT, Luiz. Cotidiano e vivência religiosa: entre a capela e o calundu. In: SOUZA, Laura de Mello e (Org.). História da vida privada no Brasil. 
São Paulo: Companhia das Letras, 1997. v. 1. p. 164-166. 
1. Com base no texto, como você definiria a vivência religiosa dos colonos? Justifique com exemplos. 
2. Na sua opinião, qual é a intensidade das vivências religiosas na sociedade atual? Comente o tema. 
27CAPÍTULO 2 Estado e religião
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Cristão-novo: judeu 
obrigado a se converter 
ao catolicismo em Portu-
gal, em 1497. Na Espanha 
aconteceu um processo 
semelhante; ali os judeus 
convertidosà força ao 
catolicismo eram conhe-
cidos como marranos. 
Blasfêmia: palavra que 
ofende a divindade ou a 
religião cristã.
Inquisição	no	Brasil
Nem tudo estava sob o domínio do catolicismo oficial na América portugue-
sa. No cotidiano, parte da população colonial resistia ou escapava à obrigação 
de seguir a religião católica, praticando outras formas de religiosidade, nascidas 
do sincretismo de crenças e ritos provenientes de tradições culturais indígenas, 
africanas e europeias. Catimbós, calundus, candomblé, benzimentos e simpatias 
são exemplos dessas manifestações religiosas que, mesmo condenadas pela Igreja, 
eram praticadas na vida privada por diversos grupos sociais.
Para combater essas práticas — os chamados “crimes contra as verdades da fé 
cristã” —, as autoridades da Igreja Católica e da Coroa portuguesa enviaram para 
o Brasil representantes do Tribunal da Inquisição (reativado na Europa em meados 
do século XVI). Eram as chamadas visitações, em que o sacerdote representante da 
Inquisição (visitador) abria processo punitivo contra as pessoas acusadas de crime 
contra a fé católica. Muitos acusados foram levados para Portugal para julgamento.
Nas visitações realizadas em Pernambuco e na Bahia (1591, 1618 e 1627), no 
sul da colônia (1605 e 1627) e no Pará (1763 a 1769), a Inquisição perseguiu gran-
de número de cristãos-novos que tinham vindo de Portugal para a colônia. Eles 
eram acusados de praticar, em segredo, a religião judaica. A Inquisição também 
perseguiu muitas outras pessoas, acusadas, por exemplo, de feitiçaria, blasfêmia 
e práticas sexuais então proibidas (prostituição, homossexualidade).
Culto de candomblé da nação Ketu, na cidade de Lauro de Freitas, Bahia. Fotografia de 2014. 
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Em destaque Círio	de	Nazaré
O Círio de Nazaré é uma celebração religiosa realizada há mais de dois séculos no Brasil. Trata-se 
de uma celebração católica criada em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré. Em função de sua 
importância cultural, o Círio foi declarado Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco.
 Ao longo do tempo, o Círio tornou-se uma tradição cultural ampla, mesclando aspectos religio-
sos, artísticos e alimentares. Assim, festas, feiras, apresentações artísticas e rituais alimentares foram 
sendo incorporados ao Círio. Dentre as apresentações destaca-se o arrastão do boi da pavulagem, 
cortejo que reúne pessoas em torno da brincandeira do bumba meu boi. 
Além disso, dois pratos de origem indígena (a maniçoba e o pato ao tucupi) são as comidas mais 
tradicionais do almoço do Círio. Em Belém do Pará, a procissão do Círio já chegou a reunir mais de 
2 milhões de pessoas.
•	 Por que é importante preservar o patrimônio histórico brasileiro? Comente. 
Além da procissão principal 
do Círio de Nazaré, são 
realizadas outras procissões, 
feitas a pé, de carro, de 
bicicleta, de barco e de moto. 
Nessa imagem, embarcações 
acompanham o navio que 
conduzia a imagem da Nossa 
Senhora de Nazaré nas 
águas da baía do Guajará. 
Fotografia de 2015.
Procissão do Círio de Nazaré 
nas ruas de Belém, Pará, 
em 2014. Na fotografia, 
milhares de pessoas festejam 
a passagem da berlinda que 
protege a imagem da Nossa 
Senhora de Nazaré, que no 
catolicismo é um dos nomes 
dados à mãe de Jesus Cristo.
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29CAPÍTULO 2 Estado e religião
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Oficina de História
Vivenciar	e	refletir
1. Formem grupos e leiam o texto da historiadora Mary Del Priore. Depois, façam o 
que se pede: 
Uma das atividades de maior importância desenvolvidas pela Igre-
ja Católica na colônia foi a educação escolar. Nessa atividade, a Com-
panhia de Jesus desempenhou o papel principal, entre todas as con-
gregações e ordens religiosas. [...] 
Na Bahia, a escola onde se davam o ensino e a catequese era, se-
gundo as cartas escritas pelos próprios jesuítas, uma pequena cons-
trução térrea, com um dormitório, uma área de estudo, um corredor 
e uma sacristia. Dormiam aí padres e irmãos “assaz apertados”. A 
cozinha, o refeitório e a despensa serviam aos jesuítas e às crianças. 
Em salas separadas, lia-se gramática e ensinava-se a ler e escrever. 
DEL PRIORE, Mary. Religião e religiosidade no Brasil colonial. São Paulo: Ática, 1997. p. 59-60. 
a) Descrevam a organização espacial da sua escola e comparem-na com a da 
escola jesuíta descrita no texto.
b) Você modificaria a organização espacial de sua escola? Pense nas áreas ocupa-
das pela biblioteca, salas de aula, pátios, quadras etc. Explique sua resposta. 
2. A conquista do território indígena se fez à custa de guerras e destruições. 
a) Essa situação de hostilidade aos indígenas tornou-se diferente no Brasil dos 
últimos tempos? Pesquise a extensão atual de terras indígenas em seu estado. 
b) Com base em sua pesquisa e no conteúdo do capítulo, escreva um texto 
sobre a relação entre os indígenas e o poder público na atualidade. 
Diálogo	interdisciplinar
3. Os jesuítas também aprenderam algumas línguas dos nativos e as utilizaram em 
sua tarefa evangelizadora. Foi o caso do padre jesuíta José de Anchieta, que pro-
duziu uma obra poética e dramática em língua tupi. Eram textos simples, de gos-
to popular, que se distribuíam aos indígenas para serem cantados ou encenados, 
de preferência com música e dança. Seu objetivo era conquistá-los para a fé cristã, 
mesclando elementos das culturas indígenas e espirituais do catolicismo. 
Leia e interprete o seguinte trecho de um dos poemas de José de Anchieta: 
Vinde, crianças, receber 
o bondoso Jesus. 
Meninos, rapazes, 
guardai-o em vossos corações. 
Alegre-me eu ao vos alimentardes dele. 
In: MARTINS, M. L. P. Poesia: José de Anchieta S. J. São Paulo: 
Comissão IV Centenário de São Paulo/Museu Paulista, 1954. p. 570 e 646. 
Depois, em resposta a esses versos, crie um poema que promova uma reflexão sobre 
o projeto de aculturação dos indígenas.
Diálogo interdisciplinar com Língua Portuguesa e Arte.
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4. Analise a imagem e faça as atividades a seguir: 
Diálogo interdisciplinar com Arte.
a) Na obra de Victor Meirelles, a figura do frade Henrique de Coimbra, vestido 
de branco, com uma enorme cruz, marca o centro da pintura. Como os indí-
genas foram representados nessa obra? E de que forma o artista representou 
o ambiente em que se passa a primeira missa? 
b) Retome o painel intitulado A primeira missa no Brasil, de Candido Portinari 
(página 20). Depois, compare as obras de Victor Meirelles e Portinari. Que 
elementos da pintura de Candido Portinari não se encaixam na representação 
presente na obra de Victor Meirelles?
De	olho	na	universidade
5. (Mackenzie-SP) Entre as funções desempenhadas pela Igreja Católica no Período 
Colonial, destaca-se: 
a) o incentivo à escravização dos nativos, pelos colonos, por meio da qualifica-
ção de todos os índios como criaturas sem alma; 
b) a tentativa de restringir a utilização de mão de obra escrava indígena apenas 
aos serviços agrícolas nas áreas de extração do ouro e da prata; 
c) a orientação da educação indígena, no sentido de estimular a formação, na 
colônia, de uma elite intelectual católica; 
d) a imposição dos princípios cristãos por meio da catequese, favorecendo o 
avanço do processo colonizador.
A primeira missa no Brasil, obra de Victor Meirelles, produzida em 1860. A obra pertence ao 
acervo do Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro.
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Sociedade açucareira
No Brasil contemporâneo, uma minoria de 1% de proprietários rurais é dona 
de, aproximadamente, 45% das terras cultiváveis.1 A concentração de terras 
ocorre desde o período colonial, quando o governo português favorecia pou-
cas pessoas, concedendo-lhes grandes áreas rurais destinadas à construção de 
engenhos e outros estabelecimentos. 
Quais foram os interesses envolvidos na implantação dessas grandes proprie-
dades rurais?
•	 Descreva a imagem. Quais instrumentos são utilizados na produção da cana-
-de-açúcar?
1 Cf. Atlas do espaço rural brasileiro. Rio de Janeiro: IBGE, 2011.
A cana-de-açúcar é cultivada no Brasil há mais de 400 anos. Desse modo, é possível dizer que a história 
do país está intimamente ligada à agricultura dessa planta. Atualmente, o Brasil é o maior produtor 
mundial de cana-de-açúcar. Na imagem, colheita mecanizada de cana-de-açúcar no interior do estado 
de São Paulo. Fotografia de 2014.
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32 UNIDADE 1 Trabalho e sociedade
capítulo
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dições de riqueza, poder, prestígio e nobreza do Brasil 
colonial”.2 Os seus proprietários ficaram conhecidos 
como senhores de engenho. Eram geralmente pesso-
as cuja autoridade ultrapassava os limites de suas ter-
ras, estendendo-se às vilas e aos povoados vizinhos. 
No começo do século XVIII, o padre jesuíta Anto-
nil traçou o seguinte perfil dos senhores de engenho 
da Bahia: 
Engenho
Núcleo econômico e social
No Brasil Colonial, a maioria da população vivia no 
campo, trabalhando em propriedades rurais ligadas à 
produção agrícola e à pecuária. Essas propriedades 
rurais tornaram-se também núcleos sociais, adminis-
trativos e culturais, como foi o caso de muitos enge-
nhos (estabelecimentos onde se produzia o açúcar). 
Para alguns historiadores, “o engenho de açúcar 
é a unidade produtiva que melhor caracteriza as con-
Açúcar
A implantação de um negócio lucrativo 
Os colonos que vieram com Martim Afonso de 
Souza plantaram as primeiras mudas de cana-de-
-açúcar e instalaram o primeiro engenho da colônia 
em São Vicente, no ano de 1533, na região do atual 
estado de São Paulo. 
A partir dessa época, os engenhos multiplicaram-
-se pela costa brasileira. A maior concentração deles 
ocorreu no Nordeste, principalmente nas regiões dos 
atuais estados de Pernambuco e da Bahia. 
Em pouco tempo, a produção açucareira superou 
em importância a atividade extrativa do pau-brasil, 
embora a exploração intensa dessa madeira tenha 
continuado até o início do século XVII.
Por que produzir açúcar
Diversos motivos levaram a Coroa portuguesa a im-
plantar a produção açucareira em sua colônia americana.
Havia, em certas regiões do Brasil, condições na-
turais favoráveis ao desenvolvimento da lavoura ca-
Investigando
1. Você sabe qual é a principal atividade econômica do seu estado? Ela gera algum impacto ambiental? Qual? 
Pesquise.
2. Atualmente, o Brasil é o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo. Que produtos são fabricados a partir 
da cana? Pesquise.
2 FARIA, Sheila de Castro. Engenho. In: VAINFAS, Ronaldo (Org.). Dicionário do Brasil colonial. 
Rio de Janeiro: Objetiva, 2000. p. 190.
navieira, como o clima quente e úmido e o solo de 
massapê do litoral do nordeste. 
Além disso, os portugueses dominavam o cultivo 
da cana e a produção do açúcar, implantados com 
sucesso em suas colônias na ilha da Madeira e no ar-
quipélago dos Açores. Assim, a metrópole sabia que 
poderia obter lucros com a produção do açúcar, con-
siderado então um produto de luxo, uma especiaria, 
que alcançava altos preços no mercado europeu. 
O negócio açucareiro contou também com a 
participação dos holandeses. Enquanto os portugue-
ses dominaram a etapa de produção do açúcar, os 
holandeses controlaram sua distribuição comercial 
(transporte, refino e venda no mercado europeu). Al-
guns historiadores afirmam que o trabalho de produ-
zir açúcar trazia menos lucros do que comercializar 
o produto. Considerando isso, o negócio do açúcar 
acabou sendo mais lucrativo para os holandeses do 
que para os portugueses.
Antonil: pseudônimo do padre italiano 
Giovanni Antonio Andreoni (1649-1716), 
que dirigiu o Colégio de Salvador. 
33CAPÍTULO 3 Sociedade açucareira
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Casa-grande e senzala
Casa-grande e senzala é o título de um livro rele-
vante e polêmico da historiografia brasileira, escrito pelo 
sociólogo e antropólogo pernambucano Gilberto Freyre 
(1900-1987). Foi publicado pela primeira vez em 1933.
O título é uma referência às duas construções 
mais características dos engenhos. A casa-grande era 
o casarão onde moravam o senhor de engenho e sua 
família. Constituía também o centro administrativo 
do engenho. A senzala era a construção onde viviam 
os escravos africanos e seus descendentes, alojados 
de maneira precária. Além dessas moradias, o enge-
nho tinha outras construções, entre elas: 
•	casa do engenho – com instalações como a moen-
da e as fornalhas; 
•	casa de purgar – onde o açúcar, depois de resfria-
do e condensado, era branqueado; 
•	galpões – onde os blocos de açúcar eram quebrados 
em várias partes e reduzidos a pó; 
•	capela – onde a comunidade local reunia-se aos 
domingos e em dias festivos.
Investigando
•	 Em sua opinião, quais construções arquitetônicas são representativas da cidade onde você vive? Justifique.
O senhor de engenho é título a que mui-
tos aspiram, porque traz consigo o ser ser-
vido, obedecido e respeitado de muitos. [...] 
Servem ao senhor do engenho, em vários 
ofícios, além de escravos [...] nas fazendas 
e na moenda [...], barqueiros, canoeiros [...], 
carreiros, oleiros, vaqueiros, pastores e pes-
cadores. [...] cada senhor destes, necessaria-
mente, [tem] um mestre de açúcar [...], um 
purgador, um caixeiro no engenho e outro 
na cidade, feitores, e para o espiritual um 
sacerdote. 
ANTONIL, André João. Cultura e opulência do Brasil. 
Belo Horizonte: Itatiaia, 1997. p. 75. 
A sociedade colonial não era formada apenas por 
senhores de engenho e pessoas escravizadas. Além 
deles, havia pessoas de diversas ocupações, como: 
comerciantes, pescadores, ferreiros, carpinteiros, fei-
tores, mestres de açúcar, purgadores, agregados, 
padres, alguns funcionários do rei (governadores, ju-
ízes, militares) e profissionais liberais (médicos, advo-
gados, engenheiros).
Mestre de açúcar: aquele que, no engenho, dá o ponto ao açúcar. 
Purgador: o encarregado de purgar (purificar) o açúcar. 
Agregado: morador do engenho que prestava serviços ao senhor em troca de favores.
Engenho, pintura criada pelo artista holandês Frans Post (1612-1680), que representou diversas paisagens brasileiras.
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34 UNIDADE 1 Trabalho e sociedade
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MARCOS
Realce
Interpretar fonte Trapiche
Observe a obra Moagem de cana no 
engenho (sem data), de Benedito Calixto, 
elaborada com base no desenho original de 
Hercules Florence (1880). Nela, está retrata-
do um trapiche, que é um engenho movido 
a força animal, em geral de bovinos.
Mercado interno na colônia
A pecuária e produções agrícolas variadas 
Apesar da importância do latifúndio exportador, as atividades econômicas dirigidas ao mercado externo 
não foram as únicas praticadas no Brasil Colonial. 
As novas correntes historiográficas ressaltam que se estabeleceu no Brasil considerável número de pecuaristas 
e pequenos proprietários rurais que produziam gêneros alimentícios para o consumo interno, tais como mandio-
ca, milho, feijão e arroz. Essa produção de alimentos era essencial para a população da colônia.A criação de gado para o mercado local, por exemplo, tornou-se uma das principais atividades eco-
nômicas na época. Além de servir de alimento e fornecer couro, os bois também eram utilizados como 
força motriz e meio de transporte. Assim, diversas regiões especializaram-se na pecuária, como áreas 
dos atuais estados do Piauí, Mara-
nhão, Bahia, Rio de Janeiro, Minas 
Gerais e Rio Grande do Sul. 
É certo, portanto, que a econo-
mia do Brasil Colonial não se reduziu 
à plantation, aos escravos, ao açúcar, 
ao tabaco, ao ouro e aos diamantes. 
A palavra inglesa plantation é utiliza-
da para denominar as grandes pro-
priedades de terras que reuniam três 
características da produção agrícola 
colonial: monocultura, escravidão e 
produção para exportação.
1. Como é movida a moenda?
2. Quem são os trabalhadores representados 
e qual atividade cada um deles exerce?
3. O que se pode concluir a respeito da pre-
sença de animais na imagem?
Aquarela de Debret 
intitulada Carro de boi 
transportando carne, 
feita em 1822.
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35CAPÍTULO 3 Sociedade açucareira
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Mão de obra
A escravização de milhões de africanos
Além de experiência produtiva e recursos finan-
ceiros, a economia açucareira necessitou de recur-
sos humanos, isto é, de mão de obra para executar 
as tarefas nos engenhos. 
No início, o colonizador utilizou-se do trabalho 
do indígena escravizado, que foi uma solução rela-
tivamente barata e em quantidade suficiente para 
atender à demanda de mão de obra na colônia. En-
tretanto, principalmente a partir do começo do sé-
culo XVII, houve predomínio da escravidão africana 
em relação à indígena em áreas agroexportadoras.
A mão de obra africana acabou constituindo 
a base das principais atividades desenvolvidas em 
todo o período colonial. Foi utilizada na produção 
de açúcar, na mineração, em outros cultivos agríco-
las (arroz, tabaco e algodão), bem como na criação 
de animais, no transporte, no comércio e no serviço 
doméstico. 
Predomínio da escravidão 
africana 
Diversos motivos costumam ser apontados pelos 
historiadores para explicar o predomínio da escravi-
zação africana em relação à indígena. Vejamos al-
guns dos aspectos apontados nessas interpretações 
históricas: 
•	Barreira cultural – os indígenas do sexo masculi-
no não estavam adaptados ao trabalho na lavou-
ra, que era incumbência das mulheres indígenas. 
Havia, portanto, uma barreira cultural difícil de ser 
rompida pelo colonizador. 
•	Epidemias – milhares de indígenas contraíram 
doenças ao entrarem em contato com os coloni-
zadores europeus. Doenças como varíola e gripe 
provocaram muitas mortes e se transformaram 
em epidemias. Essa situação fez com que senho-
res de engenho considerassem arriscado investir 
tempo e capital na mão de obra indígena. 
•	Domínio de certas técnicas pelos africanos 
– muitos negros provinham de culturas familia-
rizadas com a metalurgia e a criação de gado 
– atividades úteis na empresa açucareira. Como 
escreveu o historiador Stuart Schwartz, “os afri-
canos sem dúvida não eram mais ‘predispostos’ 
ao cativeiro do que índios, portugueses, ingleses 
ou qualquer outro povo arrancado de sua terra 
natal e submetido à vontade alheia, mas as se-
melhanças de sua herança cultural com as tra-
dições europeias valorizavam-nos aos olhos dos 
europeus.”3
•	Oposição à escravidão indígena – vários setores 
da Igreja e da Coroa opuseram-se à escravização 
dos indígenas, o que não aconteceu em relação à 
escravização dos africanos.
Além desses apontamentos, destacamos, tam-
bém, a interpretação do historiador Fernando No-
vais, segundo a qual a preferência pela escravização 
dos africanos foi principalmente motivada pelos lu-
cros gerados com o tráfico negreiro, que se inseria 
na “engrenagem do sistema colonial” montado no 
Brasil.4 
A escravidão de africanos originou, portanto, 
“um lucrativo tráfico de escravos entre as costas da 
África, a Bahia, Pernambuco e o Rio de Janeiro”.5
O mesmo não ocorria com o comércio dos indí-
genas capturados, pois seus ganhos ficavam dentro 
da colônia, com aqueles que se dedicavam a esse 
tipo de atividade. 
Já os lucros com o tráfico negreiro iam para a 
metrópole, ou seja, para os negociantes envolvidos 
nesse comércio e para a Coroa, que recebia os im-
postos.
Por isso, a escravização dos africanos foi incen-
tivada, enquanto a dos indígenas foi desestimulada 
e até mesmo proibida em certos lugares e períodos.
3 SCHWARTZ, Stuart. Segredos internos: engenhos e escravos na sociedade colonial, 1550-1835. São Paulo: Companhia das Letras, 1988. p. 70.
4 Cf. NOVAIS, Fernando. Portugal e Brasil na crise do antigo sistema colonial (1777-1808). São Paulo: Hucitec, 1983. p. 98-102.
5 LINHARES, Maria Yedda; SILVA, Francisco Carlos Teixeira da. Terra prometida: uma história da questão agrária no Brasil. Rio de Janeiro: Campus, 1999. p. 58.
36 UNIDADE 1 Trabalho e sociedade
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Em destaque Cotidiano	dos	escravos	nos	engenhos
O texto a seguir trata de alguns aspectos do cotidiano dos escravos nos engenhos. Foi extraído do 
livro Segredos internos: engenhos e escravos na sociedade colonial, do historiador Stuart Schwartz. 
Os escravos foram o elemento crucial na manufatura do açúcar. Suas condições de vida e trabalho 
são fundamentais para explicar a natureza da sociedade que se originou da economia açucareira.
No século XVII, muitos senhores de engenho aparentemente aceitavam a teoria da admi-
nistração da escravaria mencionada por Antonil, segundo a qual os cativos necessitavam de 
três P, a saber: pau, pano e pão. 
Castigos 
Observadores estrangeiros, como John Nieuhoff, que visitou o Brasil no século XVII, fa-
lavam invariavelmente da brutalidade do regime escravista e informavam que os escravos 
brasileiros eram mal-alimentados, mal-abrigados e malvestidos. 
Ocasionalmente, senhores eram presos quando seus crimes contra os cativos tornavam-
-se públicos. Francisco Jorge foi detido por açoitar até a morte um escravo, mas seu apelo em 
1678, dizendo que era um homem pobre com mulher e filhos e que a história era invenção 
de seus inimigos, conseguiu-lhe o perdão da Relação [Tribunal de Justiça da Bahia]. 
Caso semelhante ocorreu em 1737, quando Pedro Pais Machado, proprietário do engenho 
Capanema, foi preso por matar dois escravos e um homem livre, um deles pendurado pelos 
testículos na moenda até a morte. 
Pais Machado foi libertado após uma investigação judicial que atestou, entre outras coi-
sas, que o réu era uma pessoa nobre, com obrigações de família. Nesse caso, os escravos 
eram de outro proprietário, mas Pais Machado aparentemente não relutara em puni-los 
com a morte pelo crime de haverem ferido um boi. 
Vestuário 
A vestimenta fornecida aos cativos era exígua. Observadores do século XVII muitas vezes 
descreveram os escravos como andando “nus” e constantemente expostos às oscilações do 
clima. Os homens normalmente usavam ceroulas que lhes cobriam até abaixo do joelho, 
andavam sem camisa e envolviam a testa com um lenço ou uma faixa. As mulheres tinham 
trajes mais completos, com saia, anágua, blusa e corpete, mas tal vestuário pode ter sido 
usado apenas na hora da venda das cativas e não no trabalho do campo. Em geral dava-se 
aos escravos o “pano da terra”, um tecido grosseiro de fio cru. 
Por volta do século XIX, os comentários e gravuras feitos por viajantes no Brasil deixavam 
claro que o vestuário dos escravos refletia as diferenças de ocupações e a hierarquia interna 
da senzala. Os que trabalhavamno campo eram em geral mais malvestidos que os servido-
res domésticos e os artesãos. 
Alimentação 
Os escravos comiam tudo o que lhes caísse nas mãos. Além de sua cota de comida, os 
escravos adulavam, mendigavam e roubavam por mais alimento. [...] 
O Manual do fazendeiro, publicado por João Imbert em 1832, dá-nos uma ideia da ração 
de um escravo trabalhador dos campos. Esse autor demonstrava especial orgulho pela ali-
mentação que fornecia a seus cativos e, portanto, podemos supor que ela fosse melhor que 
a da maioria. Os escravos de Imbert recebiam pão e um copo de cachaça ao saírem para o 
campo. Às nove da manhã, paravam para uma refeição composta de arroz, toucinho e café. 
O jantar era comido no campo, e consistia de carne-seca e legumes, embora ocasional-
mente houvesse carne fresca. Ao anoitecer, comia-se uma ceia de legumes cozidos, farinha 
de mandioca e frutas. [...] 
SCHWARTZ, Stuart. op. cit., p. 122-127. 
•	 A partir do texto, explique como os escravos eram geralmente tratados nos engenhos. 
37CAPÍTULO 3 Sociedade açucareira
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MARCOS
Nota
ler depois
Oficina de História
Vivenciar e refletir
1. Interprete a frase a seguir e responda às questões: “Com a implantação da empresa 
açucareira no Brasil, a atividade extrativa (do pau-brasil) foi perdendo sua impor-
tância para aquela organização produtiva”. 
a) Por que atualmente se diz que a extração do pau-brasil era uma atividade 
predatória? 
b) Por que se afirma que a empresa açucareira era uma organização produtiva? 
c) Com a aprovação da Lei de Crimes Ambientais (ou Lei da Natureza, n. 9605 
de 13 de fevereiro de 1998), a sociedade brasileira e os órgãos ambientais pas-
saram a contar com um mecanismo para punição aos infratores do meio am-
biente. Pesquise quais são os principais tipos de crimes ambientais previstos 
nessa lei. 
2. Observe os três personagens representados neste painel e responda:
Painel, sem data, que 
representa indígena, 
branco e negro. 
•	 pecuária • mercado interno • plantation
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a) Que características nos ajudam a identificar quem é quem? 
b) O que esses personagens e seus aparatos simbolizam?
3. Escreva um texto sobre o Brasil Colonial relacionando as seguintes expressões: 
Diálogo interdisciplinar
4. Sob a orientação do professor, organizem-se em grupos. Pesquisem em livros, revis-
tas e na internet a produção atual de cana-de-açúcar no Brasil, seguindo o roteiro: 
Diálogo interdisciplinar com Geografia.
38 UNIDADE 1 Trabalho e sociedade
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a) Onde ela é plantada, seus subprodutos e seu 
impacto no meio ambiente e na vida das popu-
lações de seu entorno. 
b) Se possível, acessem os sites indicados: 
•	<www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/cana- 
de-acucar/Abertura.html>; 
•	<http://www.agricultura.gov.br/vegetal/culturas/
cana-de-acucar>; 
•	<http://infoener.iee.usp.br/scripts/biomassa/br_
cana.asp>. 
c) Produzam um relatório final com todas as infor-
mações obtidas. 
5. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agro-
pecuária (Embrapa), cada brasileiro consome em 
média 55 quilogramas de açúcar por ano, en-
quanto a média mundial é de 21 quilogramas por 
ano. Além disso, a Organização Mundial da Saúde 
(OMS) recomenda que cada pessoa consuma de 
25 a 50 gramas de açúcar por dia. Essa recomen-
dação abrange todos os tipos de açúcar (sacarose, 
glicose e frutose), que provêm de alimentos como 
o açúcar de mesa, mel, sucos e polpa de frutas ou 
produtos industrializados. 
a) Com base nos dados da Embrapa, calcule quanto 
açúcar um brasileiro consome, em média, por dia.
b) Observe as embalagens dos alimentos que 
você consome e verifique quais deles possuem 
açúcar entre seus ingredientes. Você saberia di-
zer se sua dieta está dentro da recomendação 
da OMS? 
c) Pesquise doenças que podem ser provocadas 
pelo consumo exagerado de açúcar. 
d) Em grupo, elaborem um cardápio de café da 
manhã, almoço, lanche e jantar que contenha a 
quantidade de açúcar recomendada pela OMS. 
6. O Proálcool — Programa Brasileiro de Álcool — foi 
criado em 1975 a fim de substituir os combustíveis 
automotivos derivados do petróleo pelo álcool. Isso 
diminuiria a importação do petróleo pelo Brasil e 
estimularia a produção interna de álcool. 
Diálogo interdisciplinar com Matemática e Biologia.
Diálogo interdisciplinar com Química, Biologia e Geografia.
a) Faça uma pesquisa em livros, revistas e na inter-
net a respeito desse programa nacional e discu-
ta o assunto com seus colegas. Para entender o 
funcionamento do Proálcool e do uso do álcool 
enquanto combustível, consulte os professores 
de Química, Biologia e Geografia. 
b) Após a pesquisa e a discussão em classe, escreva 
um texto refletindo a respeito das possíveis rela-
ções entre o atual programa do ProÁlcool e os 
conteúdos do capítulo estudado.
De olho na universidade
7. (Enem-2011) 
O açúcar e suas técnicas de produção fo-
ram levados à Europa pelos árabes no sécu-
lo VIII, durante a Idade Média, mas foi prin-
cipalmente a partir das Cruzadas (séculos 
XI e XIII) que a sua procura foi aumentan-
do. Nessa época passou a ser importado 
do Oriente Médio e produzido em pequena 
escala no sul da Itália, mas continuou a ser 
um produto de luxo, extremamente caro, 
chegando a figurar nos dotes de princesas 
casadoiras. 
CAMPOS, R. Grandeza do Brasil no tempo 
de Antonil (1681-1716). São Paulo: Atual, 1996. 
Considerando o conceito do Antigo Sistema Co-
lonial, o açúcar foi o produto escolhido por Por-
tugal para dar início à colonização brasileira, em 
virtude de: 
a) o lucro obtido com o seu comércio ser muito 
vantajoso. 
b) os árabes serem aliados históricos dos portugueses. 
c) a mão de obra necessária para o cultivo ser insu-
ficiente. 
d) as feitorias africanas facilitarem a comercializa-
ção desse produto. 
e) os nativos da América dominarem uma técnica 
de cultivo semelhante.
39CAPÍTULO 3 Sociedade açucareira
032a039_U1_C3_HISTGLOBAL2_PNLD18.indd 39 5/17/16 10:54 AM
Escravidão e resistência
Os responsáveis pelo tráfico negreiro trouxeram para o Brasil cerca de 4 milhões 
de africanos durante mais de três séculos de escravidão. 
Devido, em grande parte, a essa migração compulsória, o Brasil tem atualmente 
uma das maiores populações de afrodescendentes do mundo.
Como se desenvolveu esse “infame comércio”1 de escravos? Quem eram esses 
africanos arrancados de suas sociedades? Quais foram suas estratégias de resis-
tência à escravidão?
1. Em sua interpretação, quem são os personagens representados? 
2. Há mulheres representadas na obra? O que elas estão fazendo? 
3. Que instrumento musical aparece na obra? Qual é sua função na capoeira?
1 Cf. RODRIGUES, Jaime. O infame comércio. Campinas: Ed. Unicamp, 2005.
Obra Jogar capoeira, pintura criada por Johann Moritz Rugendas em 1835. A capoeira é uma 
manifestação cultural afro-brasileira que envolve dança e luta. Para muitos escravos e libertos, a 
capoeira era uma forma de expressar sua cultura e de enfrentar os agentes do regime escravocrata. No 
Brasil, a capoeira é praticada há mais de 200 anos e, devido à sua história, tornou-se um dos símbolos 
da identidade nacional.
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40 UNIDADE 1 Trabalho e sociedade
capítulo
4
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Os africanos trazidos ao 
Brasil como escravos eram, 
em sua maioria, originários 
da África central, geralmente 
de Angola e do Congo, e 
também das regiões africanas 
de Daomé (Benin), Nigéria e 
Guiné, na África ocidental.
2 Cf. SILVA, Albertoda Costa e. A enxada e a lança: a África antes dos portugueses. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006. p. 671.
Tráfico negreiro
O comércio de vidas humanas
A escravidão foi uma prática tão antiga quanto perversa. Foi aplicada de ma-
neira diversificada entre os povos que a adotaram.
Mesopotâmicos, gregos, romanos, astecas e incas — entre muitos outros po-
vos — costumavam transformar em escravos os adversários e prisioneiros derrota-
dos em conflitos armados.
Os árabes já adquiriam africanos no centro-sul da África para negociá-los na 
região do Mediterrâneo oriental, muito antes dos europeus. Entre os fatores que 
favoreciam esse comércio, podemos destacar os conflitos entre povos dessa região 
— certos grupos africanos costumavam prender seus rivais para depois vendê-los 
como escravos aos comerciantes estrangeiros.
Há estimativas de que, no período de 650 a 1600, tenham sido levados para 
o mundo islâmico do norte da África cerca de 4 820 000 escravos.2 Os cálculos são 
imprecisos e permanecem no campo das conjecturas históricas.
Na Europa, os portugueses foram os primeiros a realizar o comércio de escra-
vos africanos através do Atlântico — seguidos por holandeses, ingleses e france-
ses. Isso foi possível depois de os portugueses terem dominado muitas regiões no 
litoral da África (onde fundaram feitorias ao longo dos séculos XV e XVI) e estabe-
lecido alianças com comerciantes e soberanos locais. 
O tráfico negreiro realizado pelos europeus a partir do século XVI uniu interes-
ses dos grupos escravistas em três continentes: África, Europa e América. Forman-
do um comércio triangular, os navios europeus levavam mercadorias da colônia e 
da metrópole para a costa africana (como tecidos, aguardente, tabaco e armas), 
que eram trocadas por escravos. Em seguida, esses escravos eram vendidos para os 
colonos americanos, 
que necessitavam de 
mão de obra para 
suas lavouras, minas 
ou outra atividade 
econômica.
Veja, no mapa, al-
gumas sociedades no 
continente africano 
em 1500.
Conjectura: hipótese, 
suposição provável, 
baseada em presunções, 
evidências incompletas.
MADAGASCAR
CONGO
MONOMOTAPA
AKAN BENIN
ESTADOS
IORUBAS
ESTADOS
MOSSI
ESTADOS
HAUÇÁS
KWARARAFA
CANURE
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Império/Reino/Estado
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Áreas convertidas ao 
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África Subsaariana em 1500 
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Fonte: Atlas da história do 
mundo. São Paulo: Folha de 
S.Paulo, 1995. p. 134-135. 
41CAPÍTULO 4 Escravidão e resistência
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Impactos do comércio 
de escravos
Devido ao tráfico negreiro, milhões de africanos acabaram desterrados, ar-
rancados da África e escravizados. Segundo o historiador Patrick Manning, além 
do tráfico, outras condições (epidemias, secas, fome) dificultaram o crescimento 
da população africana até o século XX, pois o número dos que nasciam era prati-
camente igual à soma dos que morriam e dos que eram vendidos como escravos 
para fora do continente.3
As estimativas sobre o total de escravos trazidos para a América, especial-
mente para o Brasil, variam muito. O número exato provavelmente jamais será 
conhecido. Para todo o continente americano, as estimativas dos diversos ana-
listas variam entre 10 e 20 milhões de escravos, entre os séculos XVI e XIX. O 
impacto do tráfico negreiro tem uma dimensão muito ampla nas sociedades 
africanas. Veja o que diz a respeito o historiador Alberto da Costa e Silva: 
Os estragos do tráfico foram, porém, incomensuravelmente mais 
dramáticos do que essas estimativas. Basta lembrar que o preço de 
cada escravo vendido em terra do Islame ou desembarcado nas Améri-
cas era o de vários seres humanos, que morriam nos ataques armados, 
nas caminhadas do interior para o Sael e para a costa, na espera junto 
aos caravançarás e aos portos e na viagem através do Saara, do mar 
Vermelho, do Índico e do Atlântico. 
O comércio negreiro desorganizou muitas sociedades africanas, afetou-
-lhes a produção, corrompeu lealdades, tradições e princípios, partiu li-
nhagens e famílias, disseminou continente afora a insegurança e o medo.
SILVA, Alberto da Costa e. op. cit., p. 55.
3 Cf. MANNING, Patrick. Escravidão e mudança social na África. In: Novos Estudos Cebrap. São Paulo: n. 21, jul. 1988. p. 8-29.
Caravançará: local de 
abrigo dos caravaneiros.
Antes de serem embarcados nos navios negreiros, os africanos escravizados 
eram mantidos em barracões, como se vê nessa gravura anônima do século XIX.
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42 UNIDADE 1 Trabalho e sociedade
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Em destaque Comércio hediondo
O texto a seguir, escrito pelo historiador africano Joseph Ki-Zerbo, trata do impacto do tráfico 
negreiro na África.
No século XVI, começou a invasão vinda do exterior: uma grande intromissão, com as 
“grandes descobertas” da África ao sul do Saara e da América Latina. Essas descobertas 
implicaram [...] o tráfico dos negros. Depois do genocídio dos índios da América, o tráfico 
custou a vida de dezenas de milhões de africanos, que foram arrancados a este continente 
e expedidos, em condições atrozes, para além do oceano Atlânti-
co. Nenhuma coletividade humana foi mais inferiorizada do que 
os negros depois do século XV. Foram encomendados escravos 
negros aos milhões; utilizaram-se os negros como reprodutores 
de outros negros, em “coudelarias” constituídas para produzir 
novos negrinhos para o trabalho nas plantações. Quantas crianças africanas foram jogadas 
dos navios, ou abandonadas nos mercados de escravos, longe das mães que eram levadas, 
porque era preciso muito tempo para alimentá-las até que fossem exploráveis. Os escravos 
eram comprados às toneladas. [...] Durante esse tempo, na Europa, os teólogos debatiam 
doutamente a questão de saber se os negros tinham alma. Foi uma pergunta que não se 
fez a propósito de outros grupos humanos. Tudo isso é conhecido, ninguém pode negá-lo. 
Mas como se pode conseguir não reconhecer que toda a espécie humana foi inferiorizada, 
humilhada, crucificada por esse tratamento? O tráfico foi o ponto de partida de uma desa-
celeração, um arrastamento, uma paragem da história africana. [...] Se ignorarmos o que se 
passou com o tráfico negreiro, não compreenderemos nada sobre a África.
KI-ZERBO, Joseph. Para quando a África? Entrevista com René Holensteis. Rio de Janeiro: Pallas, 2006. p. 24-25. 
Coudelaria: estabeleci-
mento destinado à cria-
ção e seleção de animais.
•	 Debata com seus colegas possíveis argumentos para demonstrar a afirmação da última frase do texto.
O mercado de escravos. Água-tinta sobre papel, do século XIX, feita por Henry Chamberlain, um oficial da Artilharia Real 
Britânica e pintor que representou aspectos da cidade do Rio de Janeiro como o cotidiano e a arquitetura.
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43CAPÍTULO 4 Escravidão e resistência
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O tráfico negreiro no Brasil 
No século XVI, o primeiro da colonização, o número de africanos trazidos 
para o Brasil foi menor que nos séculos subsequentes, pois as atividades eco-
nômicas ainda eram relativamente reduzidas e grande parte da mão de obra 
nelas utilizada era indígena. As primeiras capitanias do Brasil que receberam 
escravos africanos foram Bahia e Pernambuco,locais onde a produção de açú-
car mais prosperou. 
No século XVII, a retomada pelos portugueses do controle da comercialização 
de açúcar e dos territórios que estavam sob domínio dos holandeses levou ao 
aumento da importação de escravos africanos. Ao longo desse século, é provável 
que o tráfico de escravos tenha sido mais lucrativo para a metrópole portuguesa 
do que o negócio do açúcar.
No século XVIII, a economia passou por um processo de diversificação, e 
foram descobertas jazidas de ouro no interior, o que fez crescer a necessidade 
de mão de obra.
No século XIX, a importação de escravos africanos foi ainda mais intensa do 
que nos séculos anteriores e destinava-se a abastecer principalmente a lavoura de 
café, que se expandia pelo sudeste do país. O tráfico negreiro foi legalmente extin-
to no Brasil em 1850, mas continuou como contrabando até 1855.
O historiador Herbert Klein estima que cerca de 4 milhões de africanos desem-
barcaram no Brasil para serem escravizados, entre 1531 e 1855.
Investigando
•	 Com base na tabela e nas informações sobre o comércio de escravos no Brasil, 
responda: 
a) Em que período houve o maior crescimento do tráfico negreiro, em nú-
meros absolutos? 
b) Por que isso aconteceu? Formule hipóteses e escreva um comentário a 
respeito. 
Fonte: Organizada a partir de tabelas elaboradas por KLEIN, Herbert. 
Tráfico de escravos. In: Estatísticas históricas do Brasil. Rio de Janeiro: 
IBGE, 1987.
Estimativas de desembarque de africanos no Brasil (1531-1855)
Período Número de escravos
1531-1600 50 000
1601-1700 560 000
1701-1800 1 680 100
1801-1855 1 719 300
Total 4 009 400
44 UNIDADE 1 Trabalho e sociedade
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Observar o mapa
•	 Com base no mapa, res-
ponda:
a) Em que regiões do Brasil 
Colonial mais se concen-
trava a população escrava?
b) De que regiões da África 
saíam e para onde iam 
os escravos africanos?
40º S
20º O
Belém
São Luís
Fortaleza
Natal
Ajudá Lagos
Costa do
Marfim
Costa do
Ouro
Costa dos
Escravos
SUDÃO
ANGOLA
ÁFRICA
BRASIL
CONGO
Cabinda
Loango
Luanda
São Paulo de Luanda
Benguela
Mossamedes
Moçambique
Mombaça
Recife
Salvador
Rio de Janeiro Santos
São
Vicente
 
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
ÍNDICO
 
Sudaneses
Bantos
Principais portos de saída de cativos
Focos disseminadores
Limite atual do território brasileiro
Irradiação
0 644 km
A viagem nos navios negreiros
Depois de aprisionados em seu continente, os africanos eram acorrentados 
e marcados com ferro em brasa para identificação. Eram, então, vendidos aos 
comerciantes de escravos que se estabeleciam no litoral da África e os mandavam 
para a América nos navios negreiros. 
Segundo o historiador britânico Charles R. Boxer, os navios negreiros saíam 
da África, em média, com 600 escravos, embora esse número variasse de acordo 
com o tipo e o tamanho das embarcações. Receando possíveis revoltas durante a 
travessia, os traficantes acorrentavam os africanos nos porões dos navios. 
A viagem era muito longa e extenuante: de Luanda (África) até o Recife (Brasil) levava 
por volta de 35 dias; até a Bahia, 40 dias; até o Rio de Janeiro, cerca de dois meses.4
Nos porões escuros dos navios, o espaço era reduzido e o calor quase insupor-
tável. A água era suja e o alimento insuficiente para todos. Formava-se, assim, um 
quadro propício para o desenvolvimento de doenças e epidemias, que vitimavam os 
africanos debilitados. 
Devido a esses fatores, às péssimas condições do transporte e aos maus-tratos 
a que eram submetidos, calcula-se que entre 5 e 25% dos africanos morriam du-
rante a viagem. Por isso, os navios negreiros foram chamados de tumbeiros (em 
referência a tumba) ou túmulos flutuantes. 
Aos sobreviventes, ficava a difícil tarefa de reconstruir suas vidas em um novo 
continente. Muitos africanos trazidos para a América entravam em um estado de 
tristeza profunda associada à violência da escravidão e à saudade de sua terra natal. 
Esse estado psicológico de depressão ficou conhecido como banzo e podia provocar 
a apatia, a inanição e, até mesmo, a morte.
4 Cf. BOXER, C. R. Salvador de Sá e a luta pelo Brasil e Angola (1602-1686). São Paulo: Nacional, 1973. p. 244.
O tráfico negreiro (séculos XVI-XIX)
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a Fonte: ALBUQUERQUE, 
Manoel Maurício de et al. 
Atlas histórico escolar. 8. ed. 
Rio de Janeiro: MEC/Fename, 
1986. p. 36. 
45CAPÍTULO 4 Escravidão e resistência
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O poeta brasileiro Castro Alves (1847-1871) foi um importante abolicionista. Aos 21 anos, escreveu 
um de seus poemas mais conhecidos: “O navio negreiro”, que denuncia a crueldade da escravidão. Para 
criar esse poema, Castro Alves baseou-se em relatos de escravos que conheceu quando criança.
Interpretar fonte O navio negreiro
O navio negreiro
Senhor Deus dos desgraçados! 
Dizei-me vós, Senhor Deus! 
Se é loucura... se é verdade 
Tanto horror perante os céus?! 
Ó mar, por que não apagas 
Co’a esponja de tuas vagas 
De teu manto este borrão?
[...]
Quem são estes desgraçados 
Que não encontram em vós 
Mais que o rir calmo da turba 
Que excita a fúria do algoz? 
[...]
São os filhos do deserto, 
Onde a terra esposa a luz. 
[...]
Ontem simples, fortes, bravos. 
Hoje míseros escravos, 
Sem luz, sem ar, sem razão... 
[...]
Ontem plena liberdade,
A vontade por poder... 
Hoje... cúm’lo de maldade, 
Nem são livres p’ra morrer...
ALVES, Castro. Navio negreiro. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/ 
DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=1786>. Acesso em: 17 nov. 2015.
Johann Moritz Rugendas (1802-1858) foi um pintor alemão que visitou o Brasil em duas ocasiões, 
entre 1822 e 1825 e, depois, entre 1845 e 1846. Inspirando-se no que vivenciou durante sua primeira 
visita, Rugendas publicou, em 1835, a obra Viagem pitoresca através do Brasil. Observe sua obra Navio 
Negreiro, criada entre 1821 e 1825.
1. As obras de Castro Alves e Johann Moritz Rugendas podem ser utilizadas como fontes históricas? Explique 
e, depois, relacione algumas diferenças e semelhanças entre elas.
2. Explique a que se referem as palavras “desgraçados” e “horror” nos primeiros versos do poema.
3. De acordo com a pintura, que condições os africanos enfrentavam na viagem para a América? Descreva 
alguns elementos da obra e compare com o texto deste capítulo.
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46 UNIDADE 1 Trabalho e sociedade
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IMAGEM EM BAIXA
Investigando
•	 Existem vendedores de rua na cidade onde você mora? Eles comercializam comidas? Quais?
Diversidade
Povos africanos e suas condições de vida
Por meio do tráfico negreiro, chegaram ao Bra-
sil homens e mulheres de diversas regiões da África. 
Entre os principais grupos africanos trazidos para o 
Brasil, destacaram-se: 
•	os bantos – originários da África central, geral-
mente de Angola e do Congo; foram levados prin-
cipalmente para Pernambuco, Rio de Janeiro e Mi-
nas Gerais; 
•	os sudaneses – provinham das regiões africanas de 
Daomé (Benin), Nigéria e Guiné, na África ociden-
tal; foram levados principalmente para a Bahia. 
Nos séculos XVII e XVIII, os africanos de origem 
sudanesa eram comprados por um preço maior, pois 
muitos senhores no Brasil os consideravam mais for-
tes e inteligentes que os demais. Entretanto, esses es-
cravos também foram os líderes de muitas revoltas, 
especialmente nos séculos XVIII e XIX. 
Devido a isso e a limitações impostas aos trafican-
tes no século XIX, os africanos bantos passaram a ser 
mais procurados. Os senhores os consideravam “mais 
pacíficos e adaptados ao trabalho”.
Distinções entre africanos 
escravizados
Chegando ao Brasil, os africanos que sobreviviam 
à viagem nos navios negreiros eram vendidos,geral-
mente no próprio porto, em leilões. Depois, passaram 
a trabalhar nos engenhos de açúcar, nas plantações 
de algodão, na mineração, nos serviços domésticos, 
no artesanato ou ainda nas cidades. 
Submetidos à escravidão, os africanos costuma-
vam ser diferenciados pelos colonos de acordo com o 
trabalho que desempenhavam e o tempo de vida na 
colônia, além de critérios principalmente relacionados 
à origem cultural e linguística. Os compradores de es-
cravos evitavam adquirir indivíduos do mesmo grupo 
linguístico, para que, assim, fossem obrigados a se co-
municar em português. Vejamos algumas distinções.
Escravo de ganho 
Os escravos de ganho eram aqueles que viviam nas 
cidades e realizavam trabalhos temporários em troca de 
pagamento, que era revertido, parcial ou totalmente, 
para seus proprietários. Entre os escravos de ganho pre-
dominava o comércio ambulante. No período colonial 
brasileiro, escravas de ganho preparavam e vendiam 
nas ruas comidas, como mingaus, peixes fritos, acarajé 
e bolos, sobretudo em cidades como Rio de Janeiro, 
Salvador e Recife. Segundo pesquisadores, esse comér-
cio originou o ofício das baianas do acarajé que, no 
Brasil Contemporâneo, foi declarado Patrimônio Imate-
rial do país pelo Iphan.
Devido às maiores possibilidades de circulação e 
de ganho, os escravos preferiam a vida nas cidades; 
ali, podiam juntar algum dinheiro com suas tarefas 
e, eventualmente, conseguir comprar sua liberdade. 
A venda de um escravo urbano para uma fazenda 
era, muitas vezes, uma forma de castigo usada pelos 
senhores.
O acarajé é um bolinho de feijão-fradinho frito no azeite 
de dendê e, muitas vezes, recheado com vatapá, caruru 
e camarão seco. Essa receita foi trazida para o Brasil por 
africanos escravizados e está ligada ao candomblé, uma 
religião afro-brasileira. Fotografia de 2015.
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47CAPÍTULO 4 Escravidão e resistência
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MARCOS
Realce
Escravos do eito
Os escravos que trabalhavam nas lavouras eram chamados de negros do eito. 
Assim como os que lidavam com a mineração, viviam sob a fiscalização do feitor 
e trabalhavam até 15 horas por dia. Quando desobedeciam às ordens, podiam 
sofrer vários tipos de castigo, geralmente aplicados em público, para que os outros 
escravos também se intimidassem — era o chamado “castigo exemplar”.
O excesso de trabalho, a má alimentação, as péssimas condições de higiene 
e os castigos que sofriam deterioravam rapidamente sua saúde. Muitos escravos 
morriam depois de cinco a dez anos de trabalho. 
Escravos domésticos 
Os escravos domésticos eram escolhidos entre aqueles que os senhores consi-
deravam mais bonitos, dóceis e confiáveis. Muitas vezes recebiam roupas melho-
res, alimentação mais adequada etc. 
Boçal e ladino 
Outro fator que distinguia os escravos era o processo de “adaptação” cultural. 
Tinha menor valor o boçal, designação dada ao escravo recém-chegado da África, 
que desconhecia a língua portuguesa e o trabalho na colônia. Em contrapartida, o 
ladino era mais valorizado: o escravo que entendia a língua portuguesa e já havia 
aprendido a rotina do trabalho.
Sobre a distinção entre os escravos, o jesuíta Antonil, que viveu no Brasil no 
início do século XVIII, apresentou a seguinte visão: 
Uns chegam ao Brasil muito rudes e muito fechados e assim conti-
nuam por toda a vida. Outros, em poucos anos, saem ladinos e espertos, 
assim para aprenderem a doutrina cristã, como para buscarem modo de 
passar a vida. [...] Os que nasceram no Brasil, ou se criaram desde peque-
nos em casa dos brancos, afeiçoando-se a seus senhores, dão boa conta 
de si, e levando bom cativeiro, qualquer deles vale por quatro boçais. 
ANTONIL, André João. Cultura e opulência do Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia, 1997. p. 89.
Eito: roça ou plantação 
onde trabalhavam os 
escravos. 
Obra do pintor 
alemão Emil Bauch, 
de 1858, que retrata 
escravos de ganho 
no Rio de Janeiro.
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48 UNIDADE 1 Trabalho e sociedade
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Em destaque Culturas africanas
RECORTARRECORTAR
•	 Segundo Pierre Verger, o que teria favorecido a manutenção das identidades culturais africanas em certas 
regiões brasileiras e em outras não? 
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São Mateus, obra em madeira produzida por Mestre 
Valentim (1745-1813), escultor e urbanista descendente 
de africanos, que trabalhou no Rio de Janeiro. Pertence 
hoje ao Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro.
Apesar de terem chegado ao Brasil sob as mais penosas condições, os 
africanos participaram intensamente das vivências culturais brasileiras. Essa 
participação deu-se por meio de um processo contínuo, rico e diversificado, 
sendo marcante, por exemplo, na literatura, na língua falada, no vocabulá-
rio, na música, na alimentação, na religião, no vestuário, nas técnicas e na 
ciência. 
Vejamos o que diz sobre o assunto o etnólogo francês Pierre Verger: 
[...] Na Bahia [...] os africanos provenientes da região do gol-
fo de Benin puderam dar continuidade aos cultos dos antigos 
voduns e orixás, semelhantes aos dos atuais habitantes do 
sul do Daomé e sudoeste da Nigéria. As especialidades 
culinárias da Bahia levam, ainda, nomes pertencentes aos 
vocabulários iorubá e daomeano. No resto do Brasil, por 
outro lado, são mais aparentes as influências banto do 
Congo e de Angola. 
A permanência visível de costumes africanos na 
cultura baiana pode ser explicada, em parte, pela 
concentração, no último século da escravidão, de 
africanos de uma mesma procedência da África 
nessa região do Brasil. Enquanto, no Rio de Janei-
ro, desembarcavam africanos de todas as nações, 
muitas vezes inimigos uns dos outros, na Bahia che-
gavam escravos jejes (daomeanos), ussás e nagôs 
provenientes da Costa da Mina, que mantinham 
identidades culturais e eram unidos entre si. 
VERGER, Pierre. Fluxo e refluxo: do tráfico de escravos entre 
o golfo de Benin e a Bahia de Todos os Santos, dos 
séculos XVII a XIX. São Paulo: Corrupio, 1987. 
Espalhadas por todas as regiões do país, as culturas 
africanas integram o modo de ser, pensar e viver da po-
pulação brasileira. Do mesmo modo, o trabalho do afri-
cano e de seus descendentes marca a economia brasileira 
no passado e no presente. 
49CAPÍTULO 4 Escravidão e resistência
040a055_U1_C4_HISTGLOBAL2_PNLD18.indd 49 5/17/16 10:56 AM
sabotavam a produção, quebrando ferramentas ou 
incendiando plantações. Na produção do açúcar, por 
exemplo, a sabotagem dos escravos era uma ameaça 
constante. Pedaços de madeira em brasa lançados nos 
canaviais provocavam incêndios; pedaços de ossos, 
ferro ou pedra jogados na moenda do engenho por 
vezes inutilizavam o maquinário, comprometendo a 
produção e até mesmo arruinando a safra.
•	Negociações – as “negociações” entre senhores e 
escravos também faziam parte do cotidiano escravis-
ta. Segundo os historiadores João José Reis e Eduardo 
Silva, muitos escravos faziam acordos de cumprir as 
exigências de obediência e trabalho em troca de um 
melhor padrão de sobrevivência (alimentos, vestuá-
rios, saúde) e da conquista de espaço para a expressão 
de sua cultura, organização de festas etc.5
Luta dos africanos
As diversas formas de resistência à escravidão
Os africanos trazidos para o Brasil e seus des-
cendentes não ficaram passivos à condição escrava. 
Analisando as formas de resistência empregadas pe-
los cativos, autores de obras mais recentes mostram 
que os africanos reagiram à escravidão na medida de 
suas possibilidades, ora promovendo uma luta aberta 
contra o sistema, ora até mesmo se “adaptando” a 
certas condições, mas propondo formas de minimizarseus aspectos mais perversos mediante negociações 
com os senhores.
Vejamos algumas das formas de resistência viven-
ciadas por eles: 
•	Violência contra si mesmos – algumas mulheres, 
por exemplo, provocavam abortos para evitar que 
seus filhos também fossem escravos; outros cativos 
chegavam a praticar o suicídio, enforcando-se ou 
envenenando-se. 
•	Fugas individuais e coletivas – 
as fugas eram constantes. Alguns 
escravos fugidos buscavam a pro-
teção de negros livres que viviam 
nas cidades; outros, para dificultar 
a captura e garantir a subsistência, 
formavam comuni-
dades, chamadas 
quilombos, com 
organização social 
própria e uma rede 
de alianças com di-
versos grupos da 
sociedade. 
•	Confrontação, boicote e sabota-
gem – alguns se rebelavam e agiam 
com violência contra senhores e fei-
tores; boicotavam os trabalhos, redu-
zindo ou paralisando as atividades; 
5 Cf. REIS, João José; SILVA, Eduardo. Negociação e conflito. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
Quilombo: 
palavra 
de origem 
africana que 
significa 
população, 
união.
Investigando
•	 No mundo atual, existem casos de trabalhadores submetidos a condições análogas à de escravidão. Que 
mecanismos podem ser acionados para acabar com essa situação de violência? Há organizações e projetos 
que combatem o trabalho escravo em nosso país? Pesquise.
Comunidade remanescente de quilombo Kalunga Vão do Moleque durante um festejo. 
A comunidade está localizada no município de Cavalcante (GO). Fotografia de 2015.
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Interpretar fonte Negociação e conflito
Tarrafa: espécie de 
rede de pesca circular, 
com pequenos pesos 
distribuídos em torno 
da circunferência.
Resistência quilombola
Foi frequente, no continente americano, a forma-
ção de grupos de escravos fugidos como forma de re-
sistência à escravidão. No Brasil, esses grupos recebiam 
o nome de quilombos ou mocambos, e seus membros 
eram chamados de quilombolas ou mocambeiros.
A resistência quilombola foi uma forma de luta 
escrava frequente e importante em vários períodos e 
regiões da América portuguesa. Do século XVII até 
os anos finais da escravidão, muitos africanos e seus 
descendentes fugiram e se reuniram nessas comuni-
dades, construindo histórias de luta pela liberdade. 
Vários estudos históricos sobre quilombos de São 
Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás, Rio de Janeiro, 
Rio Grande do Sul, Bahia e Pernambuco mostram que, 
embora a população dos quilombos fosse composta 
principalmente de africanos e seus descendentes, havia 
também entre eles indígenas ameaçados pelo avanço 
europeu, soldados desertores, pessoas perseguidas pela 
justiça ou simples aventureiros e comerciantes.
A vida nos quilombos estava ligada a atividades 
como: agricultura, caça, criação de animais, mineração 
e comércio. Seus integrantes sustentavam-se por meio 
de alianças “clandestinas” com escravos de ganho ou 
libertos e homens livres, principalmente comerciantes.
Quilombo dos Palmares
Palmares, considerado o quilombo mais importante 
de nossa história, recebeu esse nome porque ocupava 
uma extensa região de palmeiras. Situava-se no atual 
estado de Alagoas, que, na época, fazia parte da 
capitania de Pernambuco. 
Em Palmares, os quilombolas criavam gado e cul-
tivavam milho, feijão, cana-de-açúcar e mandioca, 
além de realizar um razoável comércio com os povo-
ados próximos. 
Apesar das várias expedições militares organiza-
das para destruí-lo, o quilombo resistiu por 65 anos 
(1629-1694), chegando a ter, segundo um governador 
da capitania de Pernambuco do período, aproximada-
mente 20 mil habitantes. Esse número provavelmente 
era menor; acredita-se que tenha sido aumentado pelo 
governador para justificar o fracasso das primeiras ex-
pedições militares enviadas contra o quilombo.
Leia, a seguir, trechos do tratado proposto por um grupo de escravos rebeldes a um senhor de 
engenho de Santana de Ilhéus, Bahia, em aproximadamente 1789. 
Tratado proposto a Manuel da Silva Ferreira pelos seus escravos durante o tempo em 
que se conservaram levantados (cerca de 1789). 
Meu senhor, nós queremos paz e não queremos guerra; se meu senhor também quiser 
nossa paz há de ser nessa conformidade, se quiser estar pelo que nós quisermos, a saber: 
Em cada semana nos há de dar os dias de sexta-feira e de sábado para trabalharmos para 
nós não tirando um destes dias por causa de dia santo. 
Para podermos viver nos há de dar rede, tarrafas e canoas. [...] 
Os atuais feitores não os queremos, faça eleição de outros com a nossa aprovação. [...] 
Poderemos plantar nosso arroz onde quisermos, e em qualquer brejo, sem que para isso peça-
mos licença, e poderemos cada um tirar jacarandás ou qualquer pau sem darmos parte para isso. 
A estar por todos os artigos acima, e conceder-nos estar sempre de 
posse da ferramenta, estamos prontos para o servirmos como dantes, 
porque não queremos seguir os maus costumes dos mais engenhos. 
Poderemos brincar, folgar e cantar em todos os tempos que qui-
sermos sem que nos impeça e nem seja preciso licença. 
In: REIS, João José; SILVA, Eduardo. Negociação e conflito. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. p. 123-124. 
•	 Com relação ao documento, identifique: quem o elaborou; quando foi elaborado; a quem se destinava; quais 
são as principais reivindicações dos escravos rebelados; o que se oferece em contrapartida.
51CAPÍTULO 4 Escravidão e resistência
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Lideranças de Ganga Zumba e Zumbi
O primeiro líder a se destacar em Palmares foi Ganga Zumba (que quer dizer “gran-
de senhor”), que governou o quilombo de 1656 a 1678. Pressionado, porém, pelos 
ataques frequentes dos colonos, Zumba firmou com o governador de Pernambuco um 
acordo de paz que previa liberdade para os negros nascidos em Palmares, com a condi-
ção de serem devolvidos aos colonos os escravos recém-chegados ao quilombo. 
Zumbi, sobrinho de Ganga Zumba, não concordou com essa condição e liderou 
um grupo que se opôs ao acordo. Zumba acabou destituído e assassinado, e Zumbi 
passou a liderar Palmares, comandando a luta contra vários ataques dos brancos.
Destruição de Palmares
Em 1687, o governo e os senhores de engenho contrataram o bandeirante 
Domingos Jorge Velho e seus comandados para destruir Palmares. Em 1692, cer-
caram e atacaram o quilombo com o objetivo de prender os seus membros. Lide-
rados por Zumbi, os quilombolas defenderam seu modo de vida, e os bandeirantes 
foram derrotados. Milhares de pessoas morreram nesses confrontos.
Em 1694, o governo enviou cerca de 6 mil homens para ajudar os bandeiran-
tes comandados por Jorge Velho em novo ataque ao quilombo. Os quilombolas 
não tinham armas nem munição suficiente, mas ainda assim resistiram durante um 
mês. Ao final do combate, o quilombo foi destruído e sua população, massacrada. 
Zumbi conseguiu escapar ao cerco, mas foi preso e morto em 1695, após muitas 
perseguições. Cortaram-lhe a cabeça, que foi exposta em praça pública em Recife.
Consciência negra
A memória de Zumbi permaneceu viva como símbolo da resistência negra à 
violência da escravidão. O dia de sua morte (20 de novembro) é lembrado atual-
mente como o Dia da Consciência Negra. 
Do passado ao presente, a luta contínua dos movimentos negros tem propi-
ciado algumas conquistas sociais. Entre elas, está o reconhecimento pela Consti-
tuição brasileira atual do direito dos descendentes de quilombolas às terras dos 
quilombos. Essas terras têm sido objeto de ações judiciais para que sejam demar-
cadas e entregues legalmente aos membros dessas comunidades, espalhadas por 
todo o país. 
IMAGEM EM BAIXA
cadas e entregues legalmenteaos membros dessas comunidades, espalhadas por 
Pessoas comemoram o Dia da 
Consciência Negra em frente ao 
Monumento Nacional Zumbi dos 
Palmares, no Rio de Janeiro (RJ).
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Investigando
1. A Constituição brasileira define o racismo como crime inafiançável e imprescritível. O que isso significa?
2. O que podemos fazer, no nosso dia a dia, para combater o racismo? Reflita.
3. Em sua opinião, como a escola pode contribuir para a superação de preconceitos e construção de uma so-
ciedade mais democrática? Debata.
Outra conquista é a definição na atual Constituição Federal de racismo como 
crime inafiançável e imprescritível. Nesse sentido, o artigo 5o da Constituição es-
tabelece que:
A prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, su-
jeito à pena de reclusão, nos termos da lei; [...]
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ 
constituicao.htm>. Acesso em: 26 fev. 2015.
Além disso, foi aprovada em 2003 a Lei no 10.639, que torna obrigatório o 
ensino de história da África e de cultura afro-brasileira nas escolas do país. O ob-
jetivo dessa lei é fortalecer o papel da escola como um espaço privilegiado para a 
superação de preconceitos e a construção de uma sociedade mais democrática. 
Diversas pessoas participam da 
lavagem da Estátua de Zumbi 
dos Palmares, em Salvador 
(BA), em comemoração ao 
Dia da Consciência Negra. 
Fotografia de 2015.
Mulheres visitam o Museu Afro 
Brasil, no Parque Ibirapuera em 
São Paulo. Esse espaço apresenta 
diversas produções culturais 
afro-brasileiras. Além disso, 
valoriza o protagonismo africano 
na formação do patrimônio, da 
identidade e da cultura brasileira.
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53CAPÍTULO 4 Escravidão e resistência
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Oficina de História
Vivenciar e refletir
1. Reflita sobre semelhanças e diferenças entre as con-
dições de vida dos escravos na América portuguesa 
e na Antiguidade romana. Escreva um texto relacio-
nando questões como trabalho, formas de escravi-
zação e resistência à submissão nos dois períodos. 
2. Interprete o texto e comente as múltiplas formas de 
resistência à escravidão. Escreva um comentário so-
bre o assunto e troque-o com os colegas. 
Durante as caminhadas nos sertões afri-
canos, nos barracões das feitorias, a bordo 
dos navios tumbeiros ou nas cidades e plan-
tações, o cativo lutou, como pôde, contra a 
escravidão. Trabalhava mal, fugia, aquilom-
bava-se, roubava, assassinava senhores e 
feitores, organizava revoltas e insurreições. 
MAESTRI FILHO, Mário. O escravismo no Brasil. São Paulo: Atual, 1994. p. 6.
Diálogo interdisciplinar
3. Apesar da destruição de Palmares e de outros qui-
lombos, ainda há uma grande quantidade de co-
munidades remanescentes dos quilombos. Segun-
do a Fundação Cultural Palmares, no Brasil há mais 
de mil comunidades quilombolas. Os descenden-
tes dos quilombolas estão tendo suas terras regu-
larizadas, de acordo com direito reconhecido pela 
Constituição Federal. Leia o texto e responda às 
questões propostas: 
Quase 800 hectares por dia, em média, vi-
raram terras de comunidades quilombolas 
pelo país desde 2005. 
São 144 áreas identificadas pelo Incra 
como de descendentes de escravos e que já 
receberam um “relatório técnico de demar-
cação” do órgão ou foram tituladas. 
As perícias levam em conta dados, como 
mapas e testamentos, que podem datar até 
do século 17. Uma área já demarcada no 
Amazonas soma 7.100 km2, o equivalente a 
4,7 cidades de São Paulo. 
O caminho para que os quilombolas as-
sumam a posse é cheio de disputas com 
produtores rurais, que dizem ter documen-
tos das terras. [...]
Diálogo interdisciplinar com Geografia.
Um caso típico é a terra Morro Alto, em 
Maquiné (RS), que recebeu relatório de de-
marcação em março. De um lado, 400 fa-
mílias que afirmam ser descendentes de 
escravos. De outro, outras 400 que insistem 
que possuem escrituras das terras. 
A comunidade negra do local diz que uma 
área de 40 mil hectares havia sido doada no 
século 19 por uma fazendeira a escravos 
libertados. A tese foi aceita no laudo feito 
por antropólogos para o Incra, mas a área 
demarcada foi limitada a 4.500 hectares. [...] 
O direito dos quilombolas à terra foi fi-
xado na Constituição de 1988. Em 2003, de-
creto de Lula regulamentou sua demarca-
ção e titulação. 
Pela norma, os não quilombolas devem 
receber indenização e sair da área. 
Segundo o Incra, já há mais de mil pro-
cessos, mas o total poderá chegar a 3.000. 
BÄCHTOLD, Felipe. Terras de quilombos aumentam 800 hectares por dia 
desde 2005. Folha de S.Paulo, 4 set. 2011. Disponível em: <http://www1.
folha.uol.com.br/poder/969963-terras-de-quilombos-aumentam-800- 
hectares-por-dia-desde-2005.shtml>. Acesso em: 26 out. 2012. 
a) De acordo com o texto, quais são as dificuldades 
enfrentadas pelos quilombolas para consegui-
rem a posse legal de suas terras? 
b) Sob a orientação do professor, organizem-se em 
grupos. Pesquisem uma comunidade remanes-
cente de quilombo em seu estado ou região. No 
site da Comissão Pró-Índio de São Paulo, por 
exemplo, há informações sobre comunidades 
quilombolas em diversos estados brasileiros: 
<www.cpisp.org.br>. 
c) Elaborem um texto sobre a história, a popula-
ção e o modo de ser e de viver da comunidade 
quilombola pesquisada. Depois, apresentem-no 
a seus colegas. 
4. Compare as obras de Jean-Baptiste Debret e Johann 
Moritz Rugendas, com base nos seguintes aspec-
tos: época de produção; tema; cenário; número de 
personagens; atitudes dos personagens; condições 
físicas e roupas dos escravos. Escreva um texto 
apresentando as semelhanças e diferenças entre as 
duas obras.
Diálogo interdisciplinar com Arte.
54 UNIDADE 1 Trabalho e sociedade
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De olho na universidade
5. (Unicamp) O escravo no Brasil é geralmente representado como dócil, dominado 
pela força e submisso ao senhor. Porém, muitos historiadores mostram a impor-
tância da resistência dos escravos aos senhores e o medo que os senhores sentiram 
diante dos quilombos, insurreições, revoltas, atentados e fugas de escravos. 
a) Descreva o que eram os quilombos. 
b) Por que a metrópole portuguesa e os senhores combateram os quilombos, as 
revoltas, os atentados e as fugas de escravos no período colonial brasileiro?
Mercado de escravos da Rua do Valongo, de Jean-Baptiste Debret, produzida entre 1816 e 1828.
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Mercado de escravos, de Johann Moritz Rugendas, produzida entre 1827 e 1835.
55CAPÍTULO 4 Escravidão e resistência
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Holandeses no Brasil
No século XVII, os holandeses ocuparam parte do nordeste brasileiro. Atualmen-
te, nas cidades pernambucanas de Recife e Olinda, encontramos heranças dessa 
permanência holandesa em casas e sobrados, ruas e pontes. 
O que teria levado os holandeses a ocupar essa região do Brasil?
Representação da chegada dos holandeses à costa brasileira, criada por Bonaventura Peeters em 1663. 
Pertence ao acervo do Museu de História Cultural, em Osnabruque, Alemanha. 
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•	 Descreva o que você observou na imagem: cenário, personagens, objetos, embar-
cações etc. 
56 UNIDADE 1 Trabalho e sociedade
capítulo
5
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Nota
lido completo no dia 28/04
Em 1580, o rei de Portugal, D. Henrique, morreu sem deixar herdeiros diretos, 
encerrando a dinastia de Avis. Nas disputas pelo trono português, saiu-se vencedor 
Filipe II, rei da Espanha, cujos exércitos invadiram e conquistaram Portugal. Com 
isso, teve início o domínio espanhol, que se estendeu por 60 anos, até 1640. Esse 
período foi chamado de União Ibérica ou União Peninsular, já que Espanha e Por-
tugal localizam-se na península Ibérica. 
Ao dominar Portugal, o governo espanhol passou a controlar também todas 
as colônias portuguesas (na América, na costa da África, nas Índias e na China), 
ampliando ainda mais seu vasto império. 
União Ibérica
Portugal e Espanha sob a mesma Coroa
Consequências da União Ibérica para o Brasil 
No início da União Ibérica, a Coroa portuguesa manteve certa autonomia na 
gestão direta de seu povo e de suas colônias. Assim, a administração colonial do 
Brasil praticamente não sofreu alterações: os funcionários do governo lusitano 
foram mantidos e o idioma oficial continuou sendo o português.
Porém, ocorreram mudanças como a flexibilização das fronteiras estabelecidas 
pelo Tratado de Tordesilhas e o envio ao Brasil de visitadores do Tribunal do Santo 
Ofício, cuja missão era zelar pela “pureza” da fé dos colonos e condenar o que 
essas autoridades consideravam “desvios”. Entre esses “desvios” estavam as cha-
madas práticas judaizantes, isto é, relacionadas aos costumes da religião judaica. 
Além disso, em função da União Ibérica, alguns acontecimentos ligados à polí-
tica externa espanhola repercutiram diretamente no Brasil. Tais eventos trouxeram 
sérias consequências territoriais e econômicas, tanto para os portugueses como 
para os colonos no Brasil. 
Fonte: KINDER, Hermann; HILGEMAN, Werner. Atlas histórico mundial: de los orígenes a la Revolución Francesa. 
11. ed. Madri: Ediciones Istmo, 1982. p. 258. 
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20º N
40º L
ÁSIA
ÁFRICA
AMÉRICA
OCEANIA
EUROPA
S. Jorge
da Mina 
Açores
Madeira
Canárias
Cabo Verde
Ascensão
Santa Helena
0 3 782 km
Territórios sob domínio 
de Filipe II
Domínios ibéricos no final do século XVI 
57CAPÍTULO 5 Holandeses no Brasil
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Embargo Espanhol e comércio do açúcar
No século XVI, a Holanda e outros territórios do 
norte da Europa eram domínios do rei espanhol. 
Em 1581, porém, depois de muitas lutas, alguns 
desses territórios conquistaram a independência, com 
a proclamação da República das Províncias Unidas, 
cuja capital passou a ser a cidade de Amsterdã, na 
época um dos mais importantes centros comerciais 
da Europa. 
Como represália à independência das Províncias 
Unidas, Filipe II proibiu os produtores e comerciantes de 
suas colônias de negociar com os holandeses, preten-
dendo, assim, impor-lhes um bloqueio econômico. Tal 
proibição ficou conhecida como Embargo Espanhol.
Esse bloqueio afetou as relações comerciais entre 
os governos de Portugal e Holanda, causando grandes 
prejuízos aos holandeses. No Brasil, especificamente, 
eles participavam do negócio açucareiro, controlando 
a lucrativa operação de transporte, refino e distribui-
ção comercial do açúcar no mercado europeu. Partici-
pavam também do comércio de outros produtos co-
loniais brasileiros, como pau-brasil, algodão e couro.
Ocupação do nordeste brasileiro
Como primeira reação ao embargo espanhol, os 
holandeses decidiram atacar algumas regiões per-
tencentes à União Ibérica. Assim, pilharam a costa 
africana dominada pelos portugueses, em 1595, e 
a cidade de Salvador, no Brasil, em 1604. Também 
criaram a Companhia das Índias Orientais, em 1602, 
empresa privada encarregada de controlar o comér-
cio com o Oriente. 
Algum tempo depois, em 1621, os holandeses 
fundaram outra empresa, a Companhia das Índias 
Ocidentais, que recebeu do governo holandês o mo-
nopólio do comércio com regiões da África atlântica e 
da América, incluindo o Brasil. 
Para cumprir sua missão, os dirigentes dessa com-
panhia planejaram a ocupação do nordeste brasileiro, 
rompendo o embargo espanhol e reativando as rotas 
comerciais entre a Europa e algumas possessões da 
África e da América. Apoderar-se do nordeste bra-
sileiro significava, principalmente, a possibilidade de 
manter o controle sobre os lucrativos negócios do 
açúcar e dos escravos africanos.
A rendição de Breda, 
obra do pintor 
espanhol Diego 
Velázquez, produzida 
entre 1634 e 1635. Ela 
representa a derrota da 
cidade holandesa de 
Breda em 1625 frente 
aos espanhóis. A obra 
pertence ao acervo do 
Museu do Prado, em 
Madri, Espanha.
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58 UNIDADE 1 Trabalho e sociedade
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Nota
o que foi o embargo espanhol ?
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Invasões holandesas
Lutas pelo controle do negócio açucareiro
Além de exercer a atividade comercial, a Compa-
nhia das Índias Ocidentais tinha autorização do go-
verno holandês para organizar tropas e estabelecer 
colônias. Um dos principais objetivos dessa Compa-
nhia holandesa era promover a conquista do Brasil. 
Vejamos como isso aconteceu.
Bahia
A primeira investida holandesa ocorreu em 8 de 
maio de 1624, na Bahia. Embora tenham ocupado 
Salvador, os holandeses não conseguiram permanecer 
na cidade por muito tempo. As forças luso-brasileiras 
impediram a ocupação do território utilizando táticas 
de guerrilha e contando com o reforço de tropas es-
panholas e guerreiros indígenas. 
Depois de um ano de lutas, os holandeses foram 
expulsos da Bahia e a Companhia das Índias Ociden-
tais teve grande prejuízo financeiro. Essas perdas foram 
compensadas, porém, em 1628, quando uma esqua-
dra holandesa assaltou uma frota de navios espanhóis 
carregados de metais preciosos (prata e ouro) e artigos 
obtidos na América. Com o lucro do assalto, os diri-
gentes da Companhia das Índias Ocidentais refizeram 
seus ânimos e arquitetaram novo ataque ao Brasil. 
Pernambuco
Na segunda investida holandesa, uma poderosa 
esquadra foi aparelhada para conquistar Pernam-
buco, a capitania mais atraente da época devido à 
produção açucareira. A frota, que contava com 56 
No relatório Jean de Walbeeck aos dirigentes do governo holandês, datado de 1633, fica evidente 
o interesse econômico pelo Brasil. 
O Brasil oferece grandes lucros aos portugueses. Em relação ao nosso país, verificar-se-á 
que esses lucros e vantagens são maiores para nós. Os açúcares do Brasil, enviados direta-
mente a nosso país, custarão bem menos do que custam agora, pois que serão libertados dos 
impostos que sobre eles se cobram em Portugal, e desta forma destruiremos seu comércio 
de açúcar. Os artigos europeus, tais como tecidos, pano etc., poderão, pela mesma razão, ser 
fornecidos por nós ao Brasil muito mais barato; o mesmo se dá com a madeira e o fumo. 
WALBEECK, Jean de. Documentos holandeses. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Saúde, 1945. v. 1. p. 123-126. 
Interpretar fonte Os	interesses	pelos	produtos	brasileiros
•	 Que argumento o autor do documento usa para mostrar a vantagem econômica trazida pela ocupação do 
nordeste brasileiro pelos holandeses? Como você entende esse argumento?
navios, chegou ao litoral pernambucano em 14 de 
fevereiro de 1630. 
Sem forças suficientes para enfrentar os holande-
ses, as tropas lideradas por Matias de Albuquerque, 
governador da capitania, refugiaram-se no interior do 
território, onde fundaram o Arraial do Bom Jesus. O 
arraial tornou-se o principal foco de resistência contra 
os holandeses, e a tática empregada por Albuquerque 
foi a guerrilha. 
Durante cinco anos de luta, a resistêncialuso-bra-
sileira obteve alguns bons resultados, e os holandeses 
não conseguiram dominar totalmente a região dos 
engenhos de açúcar. Mas esse quadro modificou-se 
a partir do momento em que Domingos Fernandes 
Calabar, grande conhecedor da região, passou a cola-
borar com os holandeses. 
As tropas de Matias de Albuquerque sofreram, en-
tão, uma série de derrotas, o que levou Albuquerque 
a desistir do comando da resistência. Antes, porém, 
em 1635, conquistou Porto Calvo (no atual estado de 
Alagoas), cidade natal de Calabar, que também estava 
sob o domínio dos holandeses. Nessa cidade, Calabar 
acabou preso e enforcado, acusado de traição.
Dentro de certa tradição historiográfica, Calabar 
foi considerado um “traidor” do Brasil, mas esse jul-
gamento tem sido questionado. Afinal, que Brasil Ca-
labar traiu? O Brasil que, na época, estava dominado 
pela Espanha? Além disso, muitos outros luso-brasi-
leiros (lavradores, senhores de engenho etc.) auxilia-
ram os holandeses e não foram considerados traido-
res, nem foram condenados à morte.
59CAPÍTULO 5 Holandeses no Brasil
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Governo de Nassau (1637-1644)
Com o fim da luta armada em Pernambuco, a Companhia das Índias Ociden-
tais concentrou-se na tarefa de reorganizar a administração da região conquistada. 
Os anos de guerra tinham causado grande desordem na produção do açúcar e um 
relaxamento no controle sobre os escravos. Estes aproveitaram a situação e aca-
baram organizando diversas fugas dos engenhos. O quilombo dos Palmares, por 
exemplo, cresceu muito nesse período, reunindo milhares de habitantes.
Por tudo isso, tanto os senhores de engenho luso-brasileiros quanto os ho-
landeses desejavam ordem e paz para se dedicar à atividade açucareira. Com 
esse propósito, a Companhia das Índias Ocidentais enviou para o Brasil o conde 
João Maurício de Nassau-Siegen, nomeando-o governador-geral desse “Brasil 
holandês”. Nassau chegou a Pernambuco em 1637, pretendendo pacificar a 
região e governar com a colaboração dos luso-brasileiros. Na avaliação de his-
toriadores, a administração de Nassau apresentou as seguintes características:
•	reativação econômica – por meio da Companhia das Índias Ocidentais, o go-
verno de Nassau concedeu créditos aos senhores de engenho para o reaparelha-
mento das propriedades, a recuperação dos canaviais e a compra de escravos. 
O objetivo era reativar a produção açucareira;
•	tolerância religiosa – diversas religiões (catolicismo, judaísmo, protestantismo 
etc.) foram, em certa medida, toleradas pelo governo de Nassau. Nesse período, 
por exemplo, famílias judaicas europeias foram autorizadas a imigrar para a re-
gião, onde fundaram uma sinagoga, considerada a primeira das Américas. Os 
holandeses não tinham como objetivo principal expandir sua fé religiosa, o calvi-
nismo, embora ele tenha se tornado a religião oficial do Brasil holandês;
•	reforma urbanística – Nassau investiu na urbanização de Recife, com a cons-
trução de casas, pontes, obras sanitárias, calçamento das ruas, jardins e praças. 
Criou também a cidade Maurícia, na ilha de Antonio Vaz, hoje um bairro da 
capital pernambucana. A ilha ligava-se ao continente por intermédio de uma 
ponte erguida sobre o rio Capibaribe;
•	estímulo à vida cultural – nesse período, sob o patrocínio do governo de Nas-
sau, Pernambuco recebeu artistas, médicos, astrônomos e naturalistas holande-
ses.1 Nas ciências, destacaram-se Georg Marcgraf, que realizou estudos da flora e 
da fauna do território brasileiro, e Willen Piso, médico de Maurício de Nassau, que 
pesquisou as doenças mais frequentes na região e as plantas medicinais já utili-
zadas pelos habitantes locais. Nas artes, destacaram-se pintores como Frans Post 
e Albert Eckhout, que retrataram personagens e paisagens brasileiras. As obras 
desses artistas podem ser consideradas fontes históricas da época da ocupação 
holandesa no Brasil.
1 Cf. FREEDBERG, David. Ciência, comércio e arte. In: HERKENHOFF, Paulo (Org.). O Brasil e os holandeses. Rio de 
Janeiro: GMT Editores, 1999.
Investigando
1. O calçamento das ruas, os jardins e as praças da sua cidade são bem conserva-
dos? Como as autoridades políticas e os cidadãos podem ajudar a conservá-los?
2. Em relação à infraestrutura, a prefeitura de sua cidade realiza tratamento de es-
goto e coleta seletiva de lixo? Por que esses serviços públicos são importantes?
Sinagoga: local de cul-
to, “casa de oração” da 
religião judaica.
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Investigando
1. No século XVII, artistas holandeses utilizaram pinturas para representar paisagens do Brasil. Atualmente, 
como as pessoas costumam registrar suas experiências? 
2. É importante preservar registros que ajudem a contar nossa história de vida? Debata. 
Interpretar fonte História	natural	do	Brasil
Historia naturalis brasiliae (História natural do Brasil) 
é o título de um livro publicado pelos holandeses duran-
te a ocupação do nordeste brasileiro. Essa obra apresen-
ta registros sobre a flora, a fauna e outros aspectos da 
natureza do Brasil, especialmente da faixa ocupada pela 
Companhia das Índias Ocidentais. Foi escrito por Willen 
Piso, com observações de Georg Marcgraf e H. Gralitzio. 
1. Analise a capa do livro Historia naturalis brasiliae. Que 
imagens foram utilizadas para representar a natureza 
brasileira?
2. Leia um trecho do livro em questão. Em seguida, respon-
da: em que a imagem e o trecho retirado do livro se com-
plementam? Formule uma hipótese. 
[...] os habitantes atingem cedo a puberdade 
e envelhecem tarde, por isso ultrapassam os 
cem anos, gozando de verde e longeva velhice, 
não só os brasis como também os próprios eu-
ropeus [...]. 
PISO, Willen (com observações de Georg 
Marcgraf e H. Gralitzio). História natural do Brasil (Historia 
naturalis brasiliae), 1648. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1948. 
Frans Post viveu no nordeste 
brasileiro entre 1637 e 1644. 
Em sua pintura Forte Ceulen, 
ele representa o primeiro 
contato entre holandeses e 
indígenas tapuias. Ao fundo 
da imagem, pode-se observar 
o Forte Reis Magos, em Natal 
(RN). Esse forte é, atualmente, 
Patrimônio Histórico Nacional 
registrado pelo Iphan. 
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Frontispício do livro Historia naturalis brasiliae. 
Gravura de Georg Marcgraf, de 1648.
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61CAPÍTULO 5 Holandeses no Brasil
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Saída de Nassau
Maurício de Nassau ganhou prestígio como administrador, mas surgiram de-
sentendimentos entre ele e a Companhia das Índias Ocidentais. Depois de certo 
tempo, os líderes da Companhia chegaram a acusá-lo de usar dinheiro para satis-
fazer suas vaidades e quiseram limitar seus poderes. Nassau, por sua vez, acusava a 
direção da Companhia de não entender os problemas locais e de agir com excessi-
va ganância. Esses desentendimentos levaram à sua saída do cargo de governador-
-geral, em 1644.
Com a saída de Nassau, a administração holandesa intensificou a busca de lu-
cros. Os dirigentes da Companhia das Índias Ocidentais passaram a pressionar os 
senhores de engenho para que aumentassem a produção de açúcar, pagassem mais 
impostos e liquidassem as dívidas atrasadas. Ameaçavam confiscar os engenhos de 
seus proprietários, caso as exigências não fossem cumpridas. Além disso, limitaram a 
tolerânciareligiosa, proibindo os católicos de praticar livremente sua religião.
Expulsão dos holandeses
A União Ibérica terminou em 1640, quando um duque português, com o 
apoio da alta nobreza e da burguesia, pôs fim ao domínio espanhol. Ao assumir 
o trono de Portugal, ele recebeu o título de D. João IV, iniciando a dinastia de 
Bragança (veja o quadro). Esse episódio da história portuguesa é conhecido como 
Restauração. Com a Restauração, Portugal procurou realizar acordos com os ho-
landeses a fim de recuperar o controle dos territórios brasileiros que haviam sido 
conquistados. Os entendimentos, em princípio, foram difíceis e não tiveram êxito.
Insurreição Pernambucana (1645-1654)
Em 1645, grupos de luso-brasileiros estavam descontentes com a severa ad-
ministração adotada pelos holandeses após a saída de Nassau. Assim, iniciaram 
uma luta pela expulsão dos holandeses de Pernambuco, em um movimento co-
nhecido como Insurreição Pernambucana. Diversos setores sociais da colônia 
– entre eles, senhores de engenho, grupos de indígenas e africanos –, uniram-se 
momentaneamente para o combate.
Governo da Dinastia 
de Bragança sobre o 
Brasil
Soberano Período
D. João IV 1640-1656
D. Afonso VI 1656-1683
D. Pedro II 1683-1706
D. João V 1706-1750
D. José I 1750-1777
D. Maria I 1777-1816
D. João VI 1816-1826*
D. Pedro I 1822-1831
D. Pedro II 1840-1889
* Após a independência
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Olinda, gravura de Frans 
Post que retrata a capital de 
Pernambuco no século XVII. 
Essa ilustração foi publicada, 
em 1647, no livro escrito 
pelo intelectual holandês 
Gaspar Barléu, encomendado 
por Maurício de Nassau 
para enaltecer seu governo 
no Brasil. Pertence hoje ao 
acervo da Biblioteca Nacional, 
no Rio de Janeiro.
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Investigando
•	 Na sua interpretação, por que a união entre senhores de engenho, grupos de indígenas e africanos foi consi-
derada momentânea? Como era a relação entre esses grupos sociais antes da ocupação holandesa?
Em destaque Holandeses	ou	portugueses:	o	que	seria	melhor?	
Vejamos as reflexões do historiador Boris Fausto a respeito da presença holandesa no Brasil.
Uma pergunta que sempre surge quando se estuda a presença holandesa no Brasil é a seguin-
te: o destino do país seria diferente se tivesse ficado nas mãos da Holanda e não de Portugal? 
Não há uma resposta segura para essa questão, pois ela envolve uma conjectura, uma 
possibilidade que não se tornou real. Quando se compara o governo de Nassau com a ru-
deza lusa e a natureza muitas vezes predatória de sua colonização, a resposta parece ser 
positiva. Mas convém lembrar que Nassau representava apenas uma tendência e a Compa-
nhia das Índias Ocidentais outra, mais próxima do estilo do empreendimento colonial por-
tuguês. Vista a questão sob esse ângulo, e quando se constata o que aconteceu nas colônias 
holandesas da Ásia e das Antilhas, as dúvidas crescem. A colonização dependeu menos da 
nacionalidade do colonizador e mais do tipo de colonização implantado. 
Os ingleses, por exemplo, estabeleceram colônias bem diversas nos Estados Unidos e na 
Jamaica. Nas mãos de portugueses ou holandeses, com matizes certamente diversos, o Bra-
sil teria mantido a mesma condição de colônia de exploração integrada no sistema colonial. 
FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 1995. p. 89-90. 
Depois de vários conflitos, como as Batalhas dos Guararapes (1648 e 1649), 
os holandeses renderam-se em 1654. Entretanto, a rendição holandesa foi con-
solidada somente com acordos posteriores entre os governos de Portugal e da 
Holanda. Pelo último acordo, de 1669, Portugal, em troca do nordeste brasileiro 
(e de possessões na África), comprometeu-se a pagar aos holandeses uma elevada 
indenização em dinheiro, equivalente ao preço de 63 toneladas de ouro.
•	 O que o historiador brasileiro Boris Fausto quer dizer quando afirma que “A colonização dependeu menos da 
nacionalidade do colonizador e mais do tipo de colonização implantado”? Escreva um comentário a respeito.
Batalha dos Guararapes (1879), 
do artista brasileiro Victor 
Meirelles, que visitou o local das 
batalhas e pesquisou armas e 
roupas do século XVII. Essa obra 
foi encomendada pelo governo 
do Brasil para exaltar a vitória 
dos luso-brasileiros sobre os 
holandeses. Pertence ao acervo do 
Museu Nacional de Belas Artes, 
no Rio de Janeiro.
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63CAPÍTULO 5 Holandeses no Brasil
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Portugal após a União Ibérica 
Problemas econômicos e sociais
O governo português dependia em grande medida do comércio colonial. 
Porém, durante o período em que esteve submetido à dominação espanhola, 
Portugal perdeu parte de suas colônias para holandeses, franceses e ingleses. 
Essa perda de colônias, somada às guerras contra espanhóis e holandeses e à 
queda dos preços do açúcar no mercado internacional, conduziu o país a uma 
grave crise econômica. 
Procurando solucionar essa crise, o governo português recorreu à Inglaterra 
e assinou diversos tratados, a fim de dinamizar de imediato a economia do país, 
principalmente por meio de empréstimos. Além disso, adotou uma política colo-
nial rigorosa em relação ao Brasil, uma das poucas colônias lucrativas que ainda 
lhe restavam.
Tratados econômicos entre Portugal 
e Inglaterra 
Pelos tratados assinados com o governo da Inglaterra, os soberanos de Portu-
gal receberiam proteção político-militar. Além disso, os comerciantes portugueses 
poderiam comprar produtos manufaturados da Inglaterra em troca de vantagens 
comerciais concedidas aos ingleses. 
Entre esses tratados, destaca-se o de Methuen, de 1703 (também conhecido 
como Tratado dos Panos e Vinhos), pelo qual o governo de Portugal se comprome-
tia a admitir em seu reino os tecidos de lã fabricados na Inglaterra, que, em troca, 
compraria os vinhos portugueses. Na época, a assinatura desse tratado satisfez aos 
interesses de grupos econômicos de ambos os lados. Porém, muitos historiadores 
consideram que suas consequências foram desastrosas para Portugal, uma vez que 
o tratado contribuiu para a estagnação da produção manufatureira portuguesa e 
levou à canalização de parte do ouro do Brasil para a Inglaterra.
Gravura representando 
tecelagem inglesa criada em 
1747 pelo artista William 
Hogarth. O tear representado 
na imagem é manual. A 
indústria de tecidos da 
Inglaterra cresceu muito a 
partir da segunda metade do 
século XVIII, quando passou 
a utilizar teares mecânicos. 
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Concorrência do açúcar antilhano
Mergulhado na crise econômica, o governo português procurou explorar ao 
máximo as riquezas do Brasil, com destaque para o açúcar. Mas um fato novo 
atrapalhou os planos portugueses.
Expulsos do Brasil, os holandeses levaram mudas de cana-de-açúcar para as 
Antilhas e passaram a produzir, eles próprios, o açúcar, acabando com o mono-
pólio brasileiro de sua produção.
A concorrência antilhana provocou queda de 50% nos preços do açúcar brasi-
leiro, nos mercados internacionais, entre 1650 e 1700. A empresa açucareira nor-
destina entrou, então, em declínio, passando por um período de readaptação, em 
busca de aprimoramentos técnicos tanto no sistema de produção quanto na mão 
de obra. Apesar dos esforços, foi somente no final do século XVIII que o açúcar 
brasileiro recuperou parte da importância que tivera entre os séculos XVI e XVII.
Guerra dosMascates (1710)
Devido à queda do preço do açúcar no mercado europeu, os senhores de 
engenho de Olinda, principal cidade de Pernambuco na época, viram-se em difi-
culdades financeiras. Começaram, então, a pedir empréstimos aos comerciantes 
do povoado do Recife, que cobravam juros bastante elevados.
Essa dinâmica fez com que os senhores de engenho (em geral, luso-brasileiros) 
ficassem cada vez mais endividados e os comerciantes do Recife (em geral, portu-
gueses) enriquecessem. Surgiram, então, hostilidades entre eles.
Os comerciantes portugueses, inclusive os mais 
importantes atacadistas, eram conhecidos como mas-
cates, expressão de cunho pejorativo usada pela aris-
tocracia olindense.
Convencido de sua relevância social, esse grupo 
pediu ao rei de Portugal, D. João V, que seu povoado 
fosse elevado à categoria de vila. Queriam, dessa for-
ma, ver Recife independente de Olinda e, assim, não 
ter de pagar-lhe impostos ou submeter-se às suas or-
dens. D. João V atendeu ao pedido dos comerciantes.
Contrários à decisão do rei, os senhores de en-
genho organizaram uma rebelião. Liderados pelo 
proprietário de engenho Bernardo Vieira de Melo, 
invadiram Recife. Sem condições de resistir, os co-
merciantes mais ricos fugiram para não serem captu-
rados. Esse confronto ficou conhecido como Guerra 
dos Mascates.
Em 1711, o governo português interveio na 
região, reprimindo duramente os revoltosos. Ber-
nardo Vieira de Melo e outros líderes foram presos 
e condenados ao exílio. Os mascates reassumiram 
suas posições.
Antilhas: conjunto de 
ilhas caribenhas situadas 
ao norte da América do 
Sul, que foram conquis-
tadas pelos holandeses 
no século XVII.
Vista da cidade histórica de Olinda. 
Observe, ao fundo, a cidade de Recife. 
Fotografia de 2013. 
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65CAPÍTULO 5 Holandeses no Brasil
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Oficina de História
Vivenciar e refletir
1. Que formas de exploração eram utilizadas no nor-
deste da colônia durante os domínios português e 
holandês? A mudança de colonizador trouxe altera-
ções na economia ou manteve-se a mesma estrutu-
ra produtiva? Explique. 
Diálogo interdisciplinar
2. A ocupação holandesa deixou muitos descenden-
tes no Brasil, contribuindo para a diversidade ét-
nica e cultural da sociedade brasileira. Um desses 
descendentes, segundo o genealogista Bartolomeu 
Buarque de Holanda, é o cantor, compositor e escri-
tor Chico Buarque de Hollanda, como já denuncia 
seu nome. 
Analise o trecho da canção Paratodos, escrita por 
Chico Buarque, e debata com seus colegas a sua men-
sagem. Em seguida, escrevam um comentário relacio-
nando a letra da canção ao conteúdo do capítulo.
O meu pai era paulista 
Meu avô, pernambucano 
O meu bisavô, mineiro 
Meu tataravô, baiano 
Vou na estrada há muitos anos 
Sou um artista brasileiro. 
HOLLANDA, Chico Buarque de. Paratodos. In: Paratodos © Marola Edi-
ções Musicais Ltda., 1993. Direitos de execução pública 
controlados pelo ECAD (AMAR).
3. Leia a notícia e responda às questões: 
O Instituto Arqueológico, Histórico e Geo-
gráfico Pernambucano quer transformar 
em livro um de seus acervos mais raros: 
o conjunto de mapas feitos pelo holandês 
Johan Vingboons. 
Os mapas foram produzidos por volta de 
1660 e, no final do ano passado, receberam 
o título de Memória do Mundo da Unesco. 
São 33 pranchas aquareladas, algumas 
com mais de um metro de largura. Elas 
mostram o litoral brasileiro, o interior do 
continente em capitanias como a da Bahia 
e de Pernambuco, além dos arredores do Re-
cife, do Rio de Janeiro e de São Vicente. 
Diálogo interdisciplinar com Arte e 
Língua Portuguesa.
Diálogo interdisciplinar com Geografia.
Os mapas chamam a atenção pela pre-
cisão e pelos detalhes do território, como 
a malha hidrográfica, as estradas que leva-
vam aos engenhos e até os currais de gado. 
Vingboons trabalhava numa das princi-
pais empresas cartográficas da Holanda, 
o ateliê de Johan Blaeu, responsável pela 
produção dos mapas da Companhia das Ín-
dias Ocidentais, empresa que coordenava 
as atividades holandesas na América. 
O ateliê era um centro privilegiado de in-
formação. Regularmente, cartógrafos ou co-
mandantes de navios voltavam com novos 
detalhes. “Com esses relatórios, eles iam 
produzindo mapas de três continentes, com 
ênfase em onde havia interesse comercial 
da Companhia das Índias”, diz o historiador 
Marcos Galindo.
A capitania de Pernambuco, ocupada 
pela companhia, era um de seus principais 
produtores de açúcar. Por ser uma empresa 
de capital aberto, havia interesse em divul-
gar suas possessões aos acionistas, o que 
fomentou a criação das cartas.
Vingboons era responsável pela produção 
de edições de luxo. Ele compilava as infor-
mações que vinham de diversas fontes e 
produzia grandes mapas feitos à mão, com 
acabamento artístico.
BORTOLOTI, Marcelo. Instituto procura patrocínio para acervo raro do 
Brasil holandês. In: Folha de S.Paulo, 14 mar. 2011. Disponível em: <http://
www1.folha.uol.com.br/ciencia/888290-instituto-procura-patrocinio-para- 
acervo-raro-do-brasil-holandes.shtml>. Acesso em: 25 nov. 2015.
a) Qual é a relação feita pelo texto entre os mapas 
de Johan Vingboons e a Companhia das Índias 
Ocidentais?
b) Reflita a respeito dos motivos pelos quais a 
Companhia das Índias Ocidentais precisava de 
mapas de regiões brasileiras. Escreva um comen-
tário a respeito.
c) Discuta com seus colegas: qual é a importância 
desses mapas atualmente? A que se deve a aten-
ção dada a eles?
66 UNIDADE 1 Trabalho e sociedade
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4. Após a Restauração, o rei português D. João IV afir-
mou que o Brasil era sua “vaca de leite”. Analise essa 
afirmação e crie uma charge crítica inspirando-se nela. 
5. As representações de um indígena tupiniquim e de 
um indígena tapuia, pintadas pelo holandês Albert 
Eckhout — que veio ao Brasil com Maurício de 
Nassau — constituem alegorias de guerra, da an-
tropofagia e da aculturação conforme a análise do 
historiador Ronald Raminelli, em seu livro Imagens 
da colonização. Observe as imagens e responda às 
questões: 
a) Na primeira imagem (abaixo), o indígena tupi-
niquim carrega uma faca em sua cintura. O que 
simbolizaria a posse dessa faca? 
b) Na segunda imagem (ao lado), como o pintor 
retratou o indígena tapuia? Indique os elemen-
tos que simbolizam a diferença do indígena 
tapuia em relação à cultura que a colonização 
procura implantar. 
Diálogo interdisciplinar com Arte.
De olho na universidade
6. (UFMG) O interesse dos holandeses em ocupar 
áreas no Brasil está relacionado com: 
a) a conquista territorial de pontos estratégicos vi-
sando quebrar o monopólio da rota da prata. 
b) as barreiras impostas pela Espanha à participa-
ção flamenga no comércio açucareiro. 
c) os contratos comerciais preferenciais firmados 
entre Portugal e Inglaterra. 
d) as solicitações dos senhores de engenho, insatis-
feitos com o supermonopólio metropolitano. 
e) a instalação de técnicas mais avançadas, visando 
à elevação da produtividade.
Obra Índio tapuia, datada de 1643. Pertence hoje ao acervo do 
Museu Nacional da Dinamarca, em Copenhague.
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Obra Índio tupiniquim, datada de 1643. Pertence hoje ao acervo 
do Museu Nacional da Dinamarca, em Copenhague. 
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67CAPÍTULO 5 Holandeses no Brasil
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Expansão territorial
O Brasil é o quinto maior país do mundo em extensão territorial. A formação desse 
imenso território resultou de um processo complexo. Envolveu diversos agentessociais e foi marcada por muitos conflitos com os povos indígenas. 
Quais foram os principais interesses e motivos envolvidos nessa expansão territorial?
1. Observe a imagem e descreva os elementos que compõem a obra. Procure 
observar as pessoas e suas feições, itens de vestuário, objetos que carregam etc.
2. O que está sendo puxado pelos personagens da escultura? Quais poderiam 
ser as funções desse objeto na expedição?
Monumento às bandeiras. Essa obra de Victor Brecheret está localizada em uma das entradas do Parque 
Ibirapuera, em São Paulo. A escultura foi encomendada pelo governo de São Paulo em 1921 para 
representar as expedições que participaram do processo de expansão territorial do Brasil Colônia. Foi 
inaugurada em 1953. Fotografia de 2006. 
G. EvanGElista/OpçãO Brasil imaGEns
68 UNIDADE 1 Trabalho e sociedade
capítulo
6
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Observar o mapa
•	 Observe o mapa, que representa o povoa-
mento da colônia no século XVI, e identifique: 
a) as cidades e as vilas situadas na costa 
nordeste; 
b) as cidades e as vilas situadas na costa 
sudeste; 
c) as cidades e as vilas não situadas na costa.
OCEANO
ATLÂNTICO
10º S
50º O
Natal (1599)
Filipeia (1585)
Igaraçu (1536)
Olinda (1537)
São Cristóvão (1590)
Salvador (1549)
Ilhéus (1536)
Santa Cruz (1536)
Porto Seguro (1535)
Vitória (1551)
Espírito Santo (1551)
São Paulo (1558)
Rio de Janeiro (1565)
Santos (1545)
São Vicente (1532)
Itanhaém (1561)
Cananeia (1600)
 
0 573 km
 
Áreas provavelmente sob a influência das cidades 
e vilas
Áreas conhecidas e povoadas de maneira mais ou 
menos estável, mas sem nenhuma vila ou cidade
Cidades ou vilas
Limite atual do território brasileiro
A marcha do povoamento e 
a urbanização (século XVI ) 
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Povoamento
A marcha da colonização
As estimativas sobre a população do Brasil Colonial 
do século XVI variam entre 70 mil e 100 mil habitantes 
— incluindo os indígenas que estavam em contato com 
os colonos. Na época, a maior parte desses habitantes 
concentrava-se no litoral. No entanto, a partir do século 
XVII, o povoamento do interior do Brasil ganhou força.
Povoamento litorâneo 
No fim do século XVI, a população colonial da 
América portuguesa espalhava-se de forma descon-
tínua pela extensa costa, desde Natal até Cananeia. 
Ao escrever, em 1627, o livro História do Brasil, 
frei Vicente do Salvador lamentou que a colonização 
portuguesa não avançasse em direção ao interior do 
território. Queixava-se de que os portugueses, viven-
do próximos aos portos de embarque dos navios, ex-
ploravam a terra com os olhos voltados para Portugal: 
“por mais arraigados que na terra estejam e mais ri-
cos que sejam, tudo pretendem levar a Portugal”.1
Nessa época, a vila de São Paulo de Piratininga 
(futura cidade de São Paulo) era uma exceção, pois 
situava-se no interior do território.
Interiorização do povoamento 
A partir de meados do século XVII, a ocupação 
territorial ganhou força em direção ao interior e ao 
litoral norte (do atual estado do Rio Grande do Norte 
até o atual estado do Amapá). Essa ocupação resultou 
de ações realizadas por diferentes grupos, entre os 
quais podemos destacar: 
•	exploradores em expedições militares – foram 
patrocinados pelo governo para expulsar estrangei-
ros que ocupavam partes do território; 
•	bandeirantes – percorreram o sertão aprisionando 
indígenas e escravos africanos fugidos ou procuran-
do metais preciosos; 
•	jesuítas missionários – fundaram aldeamentos 
para catequizar os indígenas e explorar economica-
mente as riquezas naturais do sertão; 
•	criadores de gado – tiveram seus rebanhos e fa-
zendas “empurrados” para o interior do território 
em função de interesses socioeconômicos.
1 SALVADOR, Frei Vicente do. História do Brasil (1500-1627). São Paulo: Edusp; Belo Horizonte: Itatiaia, 1982. p. 57-58. 
A seguir, analise mapas que representam diferen-
tes momentos da interiorização da ocupação do ter-
ritório brasileiro.
Fonte: HOLANDA, Sérgio Buarque de (Org.) História geral da 
civilização brasileira. 4. ed. São Paulo: Difel, tomo I, v. I. p. 196. 
69CAPÍTULO 6 Expansão territorial
068a081_U1_C6_HISTGLOBAL2_PNLD18.indd 69 5/17/16 11:03 AM
•	 Identifique nos mapas as cidades fundadas no século XVII e as que se desenvolveram no século XVIII. 
Observar os mapas
OCEANO
ATLÂNTICO
60º O
10º S
Olinda
Paraíba
São Luís (1612)
Belém (1616)
Salvador
Rio de Janeiro
Cabo Frio (1616)
 
Áreas provavelmente sob a influência das cidades e vilas
Áreas conhecidas e povoadas de maneira mais relativamente estável,
mas sem nenhuma vila ou cidade
Cidades
Vilas
Limite atual do território brasileiro
0 565 km
OCEANO
ATLÂNTICO
60º O
10º S
Olinda
Paraíba
Oeiras
(1761)
São Luís
Belém
Salvador
Rio de Janeiro
São Paulo
Cabo Frio
Mariana (1745)
 
Áreas provavelmente sob a influência das cidades e vilas
Áreas conhecidas e povoadas de maneira mais relativamente estável,
mas sem nenhuma vila ou cidade
Cidades
Vilas
Limite atual do território brasileiro
0 565 km
A marcha do povoamento e 
a urbanização (século XVII) 
A marcha do povoamento e 
a urbanização (século XVIII) 
Fonte: HOLANDA, Sérgio Buarque de (Org.). História geral da 
civilização brasileira. 4. ed. São Paulo: Difel, tomo I, v. I. p. 293.
Fonte: HOLANDA, Sérgio Buarque de (Org.). História geral da 
civilização brasileira. 4. ed. São Paulo: Difel, tomo I, v. I. p. 371. 
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Expedições militares 
Expansão patrocinada pelo governo
Desde o início da colonização, o governo português organizou expedi-
ções militares para ocupar as terras brasileiras ameaçadas pela presença de 
estrangeiros, principalmente franceses e espanhóis. Essa ocupação costuma 
ser denominada expansão oficial. 
Avanço para o norte-nordeste
No final do século XVI, forças expedicionárias ergueram fortificações no litoral 
norte e nordeste, lutando contra estrangeiros e grupos indígenas que resistiam à 
ocupação colonial.
Essa expansão deu origem a importantes cidades, inclusive algumas que se tornaram 
capitais, tais como Filipeia de Nossa Senhora das Neves (1584 – atual cidade de João 
Pessoa), Forte dos Reis Magos (1597 – atual cidade de Natal), Fortaleza de São Pedro 
(1613 – atual cidade de Fortaleza) e Forte do Presépio (1616 – atual cidade de Belém).
70 UNIDADE 1 Trabalho e sociedade
068a081_U1_C6_HISTGLOBAL2_PNLD18.indd 70 5/17/16 11:03 AM
•	Observando o mapa, procure localizar onde se 
concentraram e para a ocupação de quais regiões 
contribuíram:
a) as principais bandeiras de apresamento;
b) as principais bandeiras de prospecção;
c) as principais bandeiras de contrato.
Observar o mapa
Domingos J. Velho
Domingos J. Velho
Moraes Navarro
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e M. C. Almeida
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Apresamento
Prospecção
Sertanismo de contrato
Silva Braga Armador responsável
Limite atual do
território brasileiro 0 617 km
A partir do século XVII, foram organizadas expedições 
patrocinadas apenas por particulares, chamadas bandei-
ras. A maioria das bandeiras partiu da vila de São Paulo 
em direção ao interior do território. 
As bandeiras eram compostas, em geral, de indivíduos 
brancos, mestiçose indígenas. O responsável por sua orga-
nização e por seu comando era chamado de armador. Veja-
mos o que o historiador Davidoff diz sobre o assunto: 
Do ponto de vista de sua organização, a expe-
dição bandeirante era comandada por um chefe, 
branco ou mameluco, que encerrava em suas mãos 
poderes absolutos sobre os subordinados. Sob seu 
comando estavam os escravos indígenas que, con-
forme a descrição de C. R. Boxer, eram usados como 
batedores de caminhos, coletores de alimentos, 
guias e carregadores. [...] O número de componen-
tes de uma bandeira era variável; podia ser uma ex-
pedição de quinze a vinte homens e também podia 
chegar a reunir centenas de participantes [...].
DAVIDOFF, Carlos. Bandeirantismo: verso e reverso. 
São Paulo: Brasiliense, 1982. p. 27-28.
Os historiadores costumam distinguir três tipos de ban-
deirismo: 
•	de apresamento – dedicava-se à captura de indígenas 
para vendê-los como escravos; 
•	sertanismo de contrato – dedicava-se ao combate 
de rebeliões indígenas e à captura de escravos negros 
fugitivos, prestando serviços à classe dominante da 
colônias;
•	de prospecç‹o – dedicava-se à procura de metais 
preciosos.
Avanço para o oeste-sudoeste 
Na segunda metade do século XVIII, a administração colonial direcionou as 
expedições militares mais para o interior, ou “sertão adentro”, como se dizia na 
época. Seu objetivo era “fazer do [rio] Tietê uma linha estratégica que possibilitas-
se a ocupação mais efetiva do oeste e do sudoeste e, ao mesmo tempo, contivesse 
os eventuais avanços espanhóis”.2
De modo geral, essas expedições não respeitaram o Tratado de Tordesilhas, 
que estabelecia os limites das possessões portuguesas e espanholas. Vimos, in-
clusive, que, no período da União Ibérica, as fronteiras traçadas em Tordesilhas se 
afrouxaram, pois Portugal estava integrado ao reino espanhol.
Bandeirismo 
Expansão patrocinada por particulares 
2 SOUZA, Laura de Mello e. Formas provisórias de existência: a vida cotidiana nos caminhos, nas fronteiras e nas fortificações. In: História da vida privada no 
Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. v. 1. p. 71.
Fonte: ALBUQUERQUE, Manoel Maurício de et al. Atlas histórico 
escolar. 8. ed. Rio de Janeiro: MEC/Fename, 1986. p. 22. 
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Principais bandeiras 
(séculos XVII-XVIII)
71CAPÍTULO 6 Expansão territorial
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Bandeiras de apresamento 
As bandeiras de apresamento tornaram-se um importante negócio durante 
o período do domínio holandês no Brasil (1637-1654). Nessa época, os holan-
deses conquistaram algumas colônias portuguesas fornecedoras de escravos 
negros na África. Com isso, desmontaram o tráfico negreiro organizado pelos 
portugueses e só permitiram a vinda de escravos para as áreas sob domínio 
holandês. Como consequência, a mão de obra escrava tornou-se escassa nas 
regiões da América portuguesa.
Expedições de bandeirantes passaram, então, a capturar indígenas para su-
prir a carência de mão de obra nessas regiões. Muitas bandeiras de apresamento 
partiam da vila de São Paulo, assim como as bandeiras de prospecção. Por isso, 
São Paulo ficou conhecida como a “terra dos bandeirantes”. 
De modo geral, a concentração do bandeirismo nessa região está vinculada 
ao declínio do negócio açucareiro, quando a população pobre da vila de São Vi-
cente dirigiu-se para São Paulo. Fugindo da miséria e buscando alternativas para 
sobreviver, parte dessa população se dedicou ao apresamento de indígenas e à 
sua venda como escravos. 
Os “negros da terra” — antiga expressão que os portugueses davam aos 
indígenas — eram forçados a trabalhar nas lavouras que abasteciam as vilas e 
povoações do litoral e também no transporte de mercadorias que circulavam 
entre o planalto e o litoral. 
A princípio, os bandeirantes capturavam indígenas em regiões próximas de 
São Paulo. Depois, foram avançando para regiões mais distantes. 
Até meados do século XVII, os bandeirantes paulistas atacavam, inclusive, 
os aldeamentos fundados pelos jesuítas espanhóis, espalhados ao longo dos rios 
Paraguai e Paraná, nos atuais estados do Paraná e Mato Grosso do Sul, e tam-
bém alguns situados nos atuais Paraguai e Argentina. Entre essas expedições, 
ficaram mais conhecidas as comandadas por Raposo Tavares e Manoel Preto. 
Em reação aos constantes ataques dos bandeirantes, os padres jesuítas ob-
tiveram autorização do rei da Espanha para munir os indígenas com armas de 
fogo e fazê-los defender as missões. Desse modo, as missões conseguiram con-
ter os bandeirantes por algum tempo. 
Sertanismo de contrato 
As bandeiras que se dedicavam ao chamado sertanismo de contrato partiam, 
em geral, de Salvador, Recife e Olinda. Elas foram empreendidas principalmente 
após a expulsão dos holandeses do Brasil, quando o tráfico negreiro foi reorga-
nizado e a escravização indígena perdeu intensidade. 
A partir desse momento, autoridades governamentais, senhores de engenho 
e grandes pecuaristas passaram a contratar os serviços dos bandeirantes como 
seu “braço armado” em situações específicas, fosse para reprimir rebeliões in-
dígenas, fosse para capturar escravos fugitivos, especialmente aqueles reunidos 
em quilombos. 
Desse modo, os bandeirantes acabaram sendo responsáveis pelo massacre 
de milhares de indígenas, despovoando amplas áreas do interior do território, 
muitas das quais foram posteriormente ocupadas por fazendas de gado. 
72 UNIDADE 1 Trabalho e sociedade
068a081_U1_C6_HISTGLOBAL2_PNLD18.indd 72 5/17/16 11:03 AM
Bandeiras de prospecção 
Na segunda metade do século XVII, o governo por-
tuguês enfrentou uma crise financeira, em decorrência 
de fatores como as invasões holandesas. Assim, passou 
a estimular o bandeirismo de prospecção por meio de 
recompensas materiais, promessas de títulos e honra-
rias e até perdão de eventuais crimes cometidos. 
Animados com as pequenas quantidades de ouro 
encontradas no início do século XVII em regiões das 
atuais cidades de São Paulo, Curitiba e Paranaguá, os 
bandeirantes decidiram entrar pelo sertão em bus-
ca de jazidas mais abundantes. Com esse propósito 
específico, a bandeira liderada por Fernão Dias Pais 
— que partiu de São Paulo em 1674 em direção ao 
interior do atual estado de Minas Gerais — passou 
Entre os séculos XVII e XVIII, os bandeirantes encontraram jazidas de ouro em lugares isolados e dis-
tantes do litoral. Diante disso, milhares de pessoas migraram para essas regiões motivadas pela possibili-
dade de enriquecimento com a mineração.
Nesse contexto, foram organizadas “bandeiras de comércio” denominadas monções, que tinham o ob-
jetivo de fornecer alimentos, roupas e outros produtos àquelas regiões. Navegando pelos rios de São Paulo, 
Mato Grosso e Goiás, as monções também serviam como meio de comunicação e transporte. 
Inspirando-se na história da expansão territorial da colônia, o artista Almeida Júnior (1850-1899) criou a 
obra A partida da monção. Essa pintura pode ser utilizada como fonte histórica. Observe-a a seguir.
Interpretar fonte Monções:	expedições	de	comércio
1. Descreva o que você observou na imagem: cenário, personagens, objetos, embarcações etc. 
2. Segundo intelectuais como Mário de Andrade e Monteiro Lobato, as obras de Almeida Júnior estão entre as 
primeiras expressões do caráter nacional na pintura brasileira. Em sua opinião, como poderíamos relacionar esse 
ponto de vista com a pintura A partida da monção?
sete anos explorando o sertão mineiro, encontrando 
apenas pedras de turmalina. 
O caminho percorrido pela bandeira de Fernão 
Dias foi seguido depois por outros bandeirantes, que 
acabaram encontrando ouro em Minas Gerais, no fi-
nal do século XVII. 
Dentre as bandeiras que descobriram jazidas de 
ouro no Brasil, destacam-se as expedições comanda-
das por: 
•	Antônio Rodrigo Arzão – descobriu ouro em Mi-
nas Gerais, por volta de 1693; 
•	Pascoal MoreiraCabral – descobriu ouro em Mato 
Grosso, por volta de 1719; 
•	Bartolomeu Bueno da Silva – descobriu ouro em 
Goiás, por volta de 1725.
A partida da monção. 
Óleo sobre tela 
de Almeida Júnior 
feito com base em 
desenhos originais de 
Hercules Florence, de 
1897. A obra pertence 
hoje ao acervo do 
Museu Paulista da USP.
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73CAPÍTULO 6 Expansão territorial
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Missões jesuíticas
Desde que chegaram ao Brasil Colônia, em 
1549, os jesuítas dedicaram-se à catequização dos 
indígenas. Para realizar essa tarefa, eles fundaram 
aldeamentos (ou missões) em terras concedidas pelo 
governo. 
Nos aldeamentos, os jesuítas ensinavam a dou-
trina católica, a língua portuguesa e outros aspec-
tos da cultura europeia. Nesse processo, comba-
tiam costumes e tradições indígenas que entrassem 
em choque com o cristianismo — isso incluía, por 
exemplo, a poligamia, a nudez e a crença nos rituais 
dos pajés.
Em geral, a rotina diária dos aldeamentos começava 
bem cedo, com a cerimônia da missa. Depois, alguns in-
dígenas iam trabalhar nas plantações coletivas, e outros 
nas atividades artesanais. 
Enquanto os adultos trabalhavam para suprir as ne-
cessidades materiais da aldeia, as crianças aprendiam a 
ler, escrever e contar, e também tinham aulas de moral 
e religião. Os jesuítas pensavam que as crianças assimi-
lariam os novos hábitos culturais com mais facilidade do 
que os adultos.
Além disso, nas missões do norte da colônia, os 
jesuítas faziam com que os indígenas trabalhassem na 
extração de riquezas naturais, conhecidas como drogas 
do sertão (guaraná, pimenta, castanha, baunilha, plan-
tas aromáticas e medicinais), cuja venda proporcionava 
bons lucros aos padres da Companhia de Jesus.
Por tudo isso, as missões jesuíticas tornaram-se o 
alvo predileto das bandeiras de apresamento, pois lá 
os bandeirantes encontravam o chamado índio ladino, 
isto é, aculturado e conhecedor de ofícios que interes-
savam ao comprador de escravos.
Jesuítas
A fundação de aldeamentos no interior
Os jesuítas são sacerdotes pertencentes à Com-
panhia de Jesus ou Ordem Jesuítica, fundada na Eu-
ropa por Inácio de Loyola, em 1534. Entre os ob-
jetivos dos jesuítas estava a divulgação da religião 
católica pelo mundo. No século XVI, a ordem procu-
rava fazer de seus sacerdotes uma espécie de “sol-
dados do catolicismo”. Foi com essa intenção que, 
em 29 de março de 1549, desembarcou na Baía de 
Todos-os-Santos o primeiro grupo de jesuítas, che-
fiados por Manuel da Nóbrega.
Limite atual do
território brasileiro
Missões portuguesas
Atual divisão política
do Brasil
Belém
São Luís
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10º S
60º O
Missões espanholas
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Fontes: ALBUQUERQUE, Manoel Maurício de et al. Atlas 
histórico escolar. 8. ed. Rio de Janeiro: MEC/Fename, 1986. 
p. 20 e 26. ARUDA, J. J. de. Atlas histórico básico. 
São Paulo: Ática, 2001. p. 37.
Missões jesuíticas 
(séculos XVI e XVII)
Observar o mapa
•	 Compare o mapa sobre as missões jesuíticas aci-
ma com um mapa atual da divisão política do 
Brasil e responda ao que se pede.
a) Identifique os estados atuais onde se con-
centraram as missões jesuíticas no período 
colonial. 
b) As missões jesuíticas portuguesas “invadi-
ram” o território espanhol vizinho, estabele-
cido pelo Tratado de Tordesilhas? Justifique 
com exemplos.
74 UNIDADE 1 Trabalho e sociedade
068a081_U1_C6_HISTGLOBAL2_PNLD18.indd 74 5/17/16 11:03 AM
Revolta de Beckman
Durante o período colonial, houve divergências en-
tre colonos e jesuítas. Vários colonos, por exemplo, que-
riam capturar e escravizar os indígenas para utilizá-los 
como mão de obra, contrariando os jesuítas, que de-
fendiam a proposta de aculturá-los e controlá-los dentro 
das missões. Essas divergências geraram uma série de 
conflitos, como a chamada Revolta de Beckman.
Na época da União Ibérica (1580-1640), os je-
suítas conseguiram com a metrópole a edição de 
normas que proibiam o ataque e a escravização dos 
indígenas. Assim, “protegiam” os nativos dos colo-
nos, embora se possa dizer que eles os exploravam 
à sua maneira. 
A partir de 1650, porém, a capitania do Maranhão 
começou a passar por grave crise econômica, provo-
cada pela redução dos preços do açúcar no mercado 
internacional. Sem condições de pagar os altos preços 
cobrados pelo escravo africano, os senhores de en-
genho da região organizaram tropas para invadir os 
aldeamentos dos jesuítas e capturar indígenas para o 
trabalho escravo em suas propriedades. Essa atitude 
provocou o protesto dos jesuítas junto ao governo por-
tuguês, que acabou reafirmando a proibição de escra-
vizar indígenas aldeados. 
Nesse contexto, o governo português criou a 
Companhia Geral de Comércio do Estado do Ma-
ranhão (1682), com o objetivo de fornecer mão de 
obra para a capitania. A ideia era introduzir na região 
500 escravos negros por ano, durante 20 anos. Essa 
companhia não conseguiu, no entanto, cumprir seus 
compromissos, agravando a crise de mão de obra e 
aumentando o descontentamento dos colonos. 
Além disso, a Companhia também devia abaste-
cer a região com produtos como tecidos, bacalhau e 
trigo e comprar o açúcar ali produzido para revendê-
-lo à metrópole. Mas a Companhia cobrava um alto 
valor pelos produtos fornecidos aos colonos e paga-
va-lhes pouco pelo açúcar adquirido. Mais motivos 
para descontentamento. 
Um grupo de senhores de engenho maranhenses, 
liderado por Manuel Beckman, organizou um movimen-
to para acabar com a Companhia de Comércio e com 
a influência dos jesuítas. Esse grupo queria, também, 
obter de Portugal autorização para escravizar os indí-
genas. A rebelião eclodiu na noite de 24 de fevereiro de 
1684. Os armazéns da Companhia foram destruídos, a 
escola dos jesuítas foi invadida e estes foram expulsos 
do Maranhão. 
Os rebeldes constituíram um governo provisório, e o 
irmão de Manuel Beckman, Tomás, foi encarregado de 
ir a Lisboa expor a situação ao rei de Portugal. Ao saber 
dos acontecimentos, o rei não aceitou a atitude dos re-
voltosos: ordenou a prisão de Tomás Beckman e enviou 
ao Maranhão um novo governador, Gomes Freire de 
Andrade, que ali chegando, em 1685, mandou enforcar 
Manuel Beckman e outros dois líderes do movimento. 
Apesar da reação severa, a metrópole mudou sua 
política na região. Os jesuítas puderam retornar ao Ma-
ranhão, a Companhia de Comércio foi extinta e a escra-
vização dos indígenas foi autorizada em alguns casos.
Investigando
•	 No mundo atual, os jovens apren-
dem novos hábitos culturais com 
mais facilidade do que os adultos? 
Debata o assunto com os colegas.
Cena do filme A Missão, drama histórico que conta 
a história de um violento mercador de escravos 
de meados do século XVIII que se converte em 
missionário jesuíta e passa a viver em Sete Povos das 
Missões. (Direção de Roland Joffé, Inglaterra, 1986). 
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75CAPÍTULO 6 Expansão territorial
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Em destaque Povos	indígenas	na	atualidade
De acordo com o Censo 2010, 896 917 pessoas se declararam indígenas, ou seja, cerca de 0,4% 
da população total do Brasil. No país, vivem 305 povos diferentes e são faladas cerca de 274 línguas 
indígenas. De acordo com o Instituto Socioambiental, o território brasileiro conta com 680 Terras Indí-
genas reconhecidas: 
A demarcação de uma Terra Indígena tem por objetivo garantir o direito indígena à terra. 
Ela deve estabelecer a real extensão da posse indígena, assegurando a proteção dos limites 
demarcados e impedindo a ocupação por terceiros. 
InstitutoSocioambiental. Disponível em: <http://pib.socioambiental.org/pt/c/terras-indigenas/demarcacoes/introducao>. Acesso em: 30 nov. 2015. 
População indígena no Brasil, 2010 – Distribuição por unidades da Federação* 
UF População UF População
Acre (AC) 17 578 Paraíba (PB) 25 043
Alagoas (AL) 16 921 Paraná (PR) 26 559
Amapá (AP) 7 411 Pernambuco (PE) 60 995 
Amazonas (AM) 183 514 Piauí (PI) 2 944 
Bahia (BA) 60 120 Rio de Janeiro (RJ) 15 894 
Ceará (CE) 20 697 Rio Grande do Norte (RN) 2 597 
Distrito Federal 6 128 Rio Grande do Sul (RS) 34 001 
Espírito Santo (ES) 9 585 Rondônia (RO) 13 076 
Goiás (GO) 8 583 Roraima (RR) 55 922 
Maranhão (MA) 38 831 Santa Catarina (SC) 18 213 
Mato Grosso (MT) 51 696 São Paulo (SP) 41 981 
Mato Grosso do Sul (MS) 77 025 Sergipe (SE) 5 221 
Minas Gerais (MG) 31 677 Tocantins (TO) 14 118 
Pará (PA) 51 217 Total 896 917 
* Fonte da tabela: IBGE, Censo Demográfico 2010. Disponível em: <http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/95/
cd_2010_indigenas_universo.pdf>. Acesso em: 27 nov. 2015.
1. De acordo com o Censo 2010, qual é 
a população indígena do estado onde 
você mora? 
2. Que povos indígenas vivem em seu es-
tado? Pesquise. 
Jovem indígena da etnia kayapó na Aldeia 
Multiétnica de Alto Paraíso, em Goiás. 
Fotografia de 2014. 
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76 UNIDADE 1 Trabalho e sociedade
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A pecuária desempenhou importante papel na 
economia colonial. Além de abastecer a população de 
carne e couro, os animais serviam como força motriz 
e meio de transporte.
Ao contrário da produção de açúcar, voltada para 
o mercado externo, a pecuária atendia basicamente 
ao mercado interno. Assim, a pecuária escapava aos 
padrões predominantes que caracterizavam o sistema 
colonial mercantilista. Na prática, ela era pouco incen-
tivada pela metrópole porque destinava à exportação 
apenas uma parte do couro produzido desde o Mara-
nhão até a Bahia.
Pretendendo incentivar a lucrativa produção açu-
careira — cujos engenhos estendiam-se pelas áreas 
litorâneas —, a administração portuguesa chegou a 
proibir, em 1701, a criação de gado em uma faixa 
de 80 quilômetros a partir da costa. Os pecuaristas 
foram, então, obrigados a instalar suas fazendas de 
gado no interior, em áreas que não eram apropriadas 
à agricultura exportadora. Dessa forma, no período 
colonial, a pecuária desenvolveu-se principalmente 
em duas grandes zonas criatórias: a caatinga no nor-
deste e as campinas do sul.
Pecuária nordestina 
Segundo historiadores, as primei-
ras criações de gado desenvolvidas no 
Brasil ocorreram no nordeste. Além 
de couro e carne fresca, os pecuaris-
tas nordestinos forneciam carne-seca 
(salgada e seca ao sol), que, devido 
ao sal, se conservava por mais tempo, 
o que possibilitava sua comercializa-
ção em locais distantes. 
Durante a expansão das fazen-
das de gado pelo interior nordesti-
no, ocorreram muitos conflitos entre 
colonos e indígenas, que resistiram à 
invasão de suas terras. Ao final des-
sas lutas, muitos povos indígenas fo-
ram dizimados.
A partir do século XVIII, a ativi-
dade pecuária no nordeste entrou 
em declínio, devido à concorrência 
da criação de gado bovino em Minas 
Pecuária
O povoamento do sertão nordestino e do sul
Gerais, que passou a abastecer as zonas mineradoras. 
As secas de 1791 e 1793 desferiram o golpe final na 
já decadente pecuária nordestina. 
Pecuária sulina
Nas vastas campinas do atual estado do Rio Gran-
de do Sul, a pecuária encontrou condições favoráveis 
ao seu desenvolvimento. Em todo o período colonial, 
essa foi a atividade mais importante da região, fazen-
do nascer ali uma sociedade tipicamente pastoril.
Nas estâncias, o traba-
lho era realizado pelo capa-
taz e pelos peões (na maioria 
das vezes, brancos, indígenas 
e mestiços assalariados). Em 
geral, o dono da estância e 
sua família administravam diretamente o trabalho pe-
cuário, gerenciando as tarefas do dia a dia.
Até fins do século XVIII, a principal finalidade 
da criação de gado bovino nessa região foi a pro-
dução de couro. A princípio, a maior parte da carne 
do gado abatido era desperdiçada, pois não havia 
quem a consumisse.
Estância: no Rio 
Grande do Sul, gran-
de propriedade rural, 
geralmente dedicada 
à criação de gado. 
Gravura, feita em 1823 por Jean Baptiste Debret, com representação de embarcação 
feita de couro de boi. Esse tipo de embarcação, também chamada de pelota, era 
rebocada por um nadador. Foi empregada na travessia dos rios da província do Rio 
Grande. A gravura pertence ao acervo dos Museus Castro Maya, no Rio de Janeiro.
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3.
77CAPÍTULO 6 Expansão territorial
068a081_U1_C6_HISTGLOBAL2_PNLD18.indd 77 5/17/16 11:03 AM
•	 Observe o mapa e identifique 
em quais dos atuais estados se 
concentrou a criação de gado, 
contribuindo para o seu povoa-
mento durante o século XVIII.
Observar o mapa
Fonte: ALBUQUERQUE, Manoel 
Maurício de et al. Atlas histórico 
escolar. 8. ed. Rio de Janeiro: 
MEC/Fename, 1986. p. 32. 
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Expansão territorial provocada 
pela pecuária (século XVIII) 
Investigando
•	 Você consome leite e seus derivados? Observe a embalagem desses alimentos e responda: em que cidade são 
produzidos? Quais são os principais nutrientes encontrados no leite? 
A propósito da importância da produção de couro no período da expansão da 
pecuária, o historiador Capistrano de Abreu (1853-1927) fala da existência de uma 
“época do couro”: 
De couro era a porta das cabanas, o rude leito aplicado ao chão duro, 
e mais tarde a cama para os partos; de couro todas as cordas, a borracha 
para carregar água, o mocó ou alforje para levar comida, a maca para 
guardar roupa, a mochila para milhar cavalo, a peia para prendê-lo em 
viagem, as bainhas de faca, [...] surrões, a roupa de entrar no mato [...].
ABREU, Capistrano de. Capítulos de história colonial. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1988. p. 170.
Posteriormente, por volta de 1780, surgiu a indústria do charque, que abriu no-
vas possibilidades ao comércio da carne. Essa indústria desenvolveu-se rapidamente, 
impulsionada pelo crescente consumo. Suas instalações constituíam-se basicamente 
de um galpão, onde se preparava e salgava a carne, e de secadores ao ar livre. 
A produção de leite era pouco desenvolvida e estava longe de rivalizar com a 
existente em Minas Gerais. Em compensação, o sul, favorecido pelas baixas tem-
peraturas, era a única região produtora e consumidora de manteiga. 
Além do gado bovino, foi significativa no Rio Grande do Sul a criação de 
cavalos e, principalmente, de mulas (muares). Muito exportadas para a região de 
Minas Gerais, as mulas tornaram-se importante meio de transporte nos terrenos 
acidentados e montanhosos das áreas mineradoras.
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Rio Solimões
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Área de pecuária
Limite atual do
território brasileiro
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0 239 km
OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
PACÍFICO
Mocó: bolsa de tiracolo 
para guardar pequenas 
provisões. 
Alforje: saco duplo para 
transportar objetos.
Peia: corda para prender 
o cavalo.
Surrão: bolsa ou saco de 
couro usado para guar-
dar alimentos.
Charque: nome sulino 
da carne bovina cortada 
em mantas, salgada e 
seca ao sol (o mesmo 
que jabá ou carne-seca).
78 UNIDADE 1 Trabalhoe sociedade
068a081_U1_C6_HISTGLOBAL2_PNLD18.indd 78 5/17/16 11:03 AM
•	 Observando o mapa, identifique as áreas 
do atual território brasileiro que não ha-
viam sido ainda incorporadas pelos trata-
dos de limites dos séculos XVIII e XIX.
Observar o mapa
Tratados e fronteiras 
Os acordos internacionais sobre o território colonial
Vimos, até aqui, que a colonização portuguesa 
não respeitou o Tratado de Tordesilhas. Os espanhóis, 
por sua vez, também descumpriram esse tratado, 
já que ocuparam colônias portuguesas situadas no 
Oriente, como as ilhas Filipinas. 
Era necessário, portanto, renegociar e fixar as no-
vas fronteiras coloniais na América. Foi assim que, a 
partir do século XVIII, os dois países ibéricos, além da 
França, assinaram tratados fronteiriços: 
•	Tratados de Utrecht (1713 e 1715) – o primeiro 
tratado, assinado entre representantes de Portugal 
e da França, estabelecia que o rio Oiapoque, no 
extremo norte da colônia, seria o limite de fron-
teira entre o Brasil (no atual Amapá) e a Guiana 
Francesa. O segundo procurava resolver as diver-
gências entre portugueses e espanhóis quanto aos 
limites de seus domínios no sul do Brasil. Estabe-
lecia que a Colônia do Sacramento, fundada por 
Portugal (hoje cidade uruguaia), pertenceria aos 
portugueses. Houve, porém, resistência dos espa-
nhóis que lá moravam. 
•	Tratado de Madri (1750) – estabelecido entre 
representantes dos reis da Espanha e de Portugal, 
determinava que a cada um desses países caberia a 
posse das terras que ocupavam. Porém, a Colônia 
do Sacramento pertenceria aos espanhóis, e a re-
gião dos Sete Povos das Missões (que ocupava parte 
do atual estado do Rio Grande do Sul) pertenceria 
aos portugueses. O tratado não pôde ser cumprido, 
pois jesuítas e indígenas guaranis dos aldeamentos 
dos Sete Povos das Missões não aceitaram o contro-
le português. Houve violenta luta (Guerra Guaraní-
tica) contra a ocupação portuguesa, e, diante dessa 
situação, o governo de Portugal não entregou aos 
espanhóis a Colônia do Sacramento. 
•	Tratado de Santo Ildefonso (1777) – assinado 
por representantes de Portugal e Espanha, estabe-
lecia que os espanhóis ficariam com a Colônia do 
Sacramento e a região dos Sete Povos das Missões, 
mas devolveriam aos portugueses terras que, nesse 
período, haviam ocupado no atual estado do Rio 
Grande do Sul. O tratado foi considerado desvanta-
joso pelos portugueses, pois perdiam a Colônia do 
Sacramento e recebiam quase nada em troca. 
•	Tratado de Badaj—s (1801) – estabeleceu, final-
mente, que a região dos Sete Povos das Missões 
ficaria com os portugueses e a Colônia do Sacra-
mento, com os espanhóis. Depois de muitas lutas, 
confirmavam-se as fronteiras que, basicamente, ti-
nham sido definidas pelo Tratado de Madri.
OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
PACÍFICO
60º O
10º S
Barra do
Rio Negro
Belém
São Luís
Fortaleza
Natal
Paraíba (atual João Pessoa)
Olinda
Salvador
Rio de JaneiroSão Paulo
Santos
LagunaRio
Grande
de São
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Colônia do
Sacramento
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POVOS
DAS
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Área incorporada ao Brasil
pelo Tratado de Badajós
Tratado de Utrecht
Tratado de Madri
Tratado de Santo Ildefonso
Limite atual do
território brasileiro
Território atual do Brasil
0 304 km
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Tratados de limites (séculos XVIII e XIX)
Fonte: ALBUQUERQUE, Manoel Maurício 
de et al. Atlas histórico escolar. 8. ed. Rio de 
Janeiro: MEC/Fename, 1986. p. 26.
79CAPÍTULO 6 Expansão territorial
068a081_U1_C6_HISTGLOBAL2_PNLD18.indd 79 5/17/16 11:03 AM
Oficina de História
Vivenciar e refletir
1. A ação jesuítica contra a escravização dos indíge-
nas não teve o mesmo caráter no que se referia aos 
africanos. Como essa diferença pode ser explicada? 
Pesquise. 
2. O Brasil é, atualmente, o quinto maior país do mun-
do em extensão territorial. Sobre isso, o historiador 
Evaldo Cabral de Mello opinou: 
Seria ótimo se tivéssemos respeitado a 
linha de Tordesilhas. O país hoje seria bem 
menor e os problemas, talvez, mais adminis-
tráveis.
Folha de S.Paulo, 14 jul. 1999, Brasil 1. p. 7. 
a) A fala de Evaldo Cabral tem conteúdo polêmico. 
Qual é sua opinião sobre essa afirmação? Debata 
o assunto com os colegas. 
b) Pesquise quais são os quatro países maiores que o 
Brasil em extensão territorial. Em seguida, construa 
uma tabela apresentando a extensão territorial, o 
número de habitantes, a densidade demográfica, 
o percentual de população urbana e o Índice de 
Desenvolvimento Humano (IDH) de cada um.
Diálogo interdisciplinar
3. Pesquise em atlas ou em livros de Geografia um 
mapa atualizado com a distribuição da população 
no Brasil (densidade demográfica). Verifique a dis-
tribuição dos habitantes por km2. A população está 
mais concentrada no litoral ou no interior? Como 
isso se explica historicamente? 
4. Leia os trechos extraídos de obra do historiador Sér-
gio Buarque de Holanda, analise a obra de Benedito 
Calixto e faça o que se pede. 
Trecho 1 
Muito embora a documentação existen-
te a respeito seja bastante falha, há mais 
de um motivo para supor-se que, nas suas 
longas jornadas, os bandeirantes e cabos de 
tropa andassem frequentemente descalços. 
Trecho 2 
Mais transigentes do que o gentio da ter-
ra mostraram-se muitos colonos brancos, 
Diálogo interdisciplinar com Geografia.
Diálogo interdisciplinar com Arte. 
adotando em larga 
escala os recursos 
e táticas indígenas 
de aproveitamento 
do mundo animal e 
vegetal para a aquisi-
ção de meios de sub-
sistência. Um passo 
importante nesse 
sentido, a acomodação à dieta familiar dos 
primitivos moradores do país, que constitui 
certamente resultado de um longo esforço de 
adaptação ao seu clima e às suas condições 
materiais, terá favorecido qualidades de ener-
gia e resistência, as mesmas qualidades que 
assinalaram os antigos paulistas, por exemplo, 
em todos os recantos do Brasil. 
Muito alimento que pareceria repug-
nante a paladares europeus teve de ser 
acolhido desde cedo por aquela gente, 
principalmente durante as correrias no 
sertão, pois a fome é companheira cons-
tante da aventura. 
HOLANDA, Sérgio Buarque de. Caminhos 
e fronteiras. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. p. 26 e 56. 
Transigente: aquele 
que aceita ideias, com-
portamentos e opi-
niões alheias, mesmo 
que não sejam condi-
zentes com seu modo 
próprio de pensar.
O bandeirante Domingos Jorge Velho, em suposto retrato. 
Detalhe da obra de Benedito Calixto, de 1903, pertencente ao 
acervo do Museu Paulista. Na obra, o bandeirante, descendente 
de indígenas, tem traços europeus e usa roupas de gala.
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80 UNIDADE 1 Trabalho e sociedade
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Fonte da tabela: Censo 2010, IBGE. Dados disponìveis em: 
<http://www.ibge.gov.br/indigenas/indigena_censo2010.pdf>. 
Acesso em: 28 nov. 2015.
a) Compare o conteúdo dos textos com o quadro 
de Domingos Jorge Velho, feito pelo artista Be-
nedito Calixto. 
b) Em seguida, discuta com seus colegas: qual é a 
imagem que o autor da pintura, Benedito Calix-
to, desejava passar a respeito dos bandeirantes? 
E que imagem o historiador Sérgio Buarque de 
Holanda passa a respeito dos bandeirantes, em 
seu texto? Em sua opinião, as obras analisadas 
emitem visões diferentes a respeito dos bandei-
rantes? Por quê? 
c) Inspirando-se na descrição de Sérgio Buarque de 
Holanda, crie uma expressão artística sobre os 
bandeirantes. 
d) Escreva um pequeno texto com suas conclusões. 
5. A maioria dos povos indígenas do Brasil vive, atual-
mente, nas chamadas Terras Indígenas. Mas boa parte 
vive também em zonas urbanas. De acordo com da-
dos do Censo 2010 e do Instituto Socioambiental, 
Com relação à presença indígenanos 
municípios brasileiros, dos 5 565 municí-
pios, 1 085 não têm nenhuma população 
autodeclarada indígena, 4 382 têm menos 
do que 10% de sua população declarada 
indígena e 12 municípios possuem mais 
de 50% da população contabilizada como 
indígena, sendo eles majoritariamente da 
região norte e nordeste. 
Instituto Socioambiental. Disponível em: <http://pib.socioambiental.org/
pt/c/no-brasil-atual/quantos-sao/ocenso-2010-e-os-povos-indigenas>. 
Acesso em: 30 out. 2012. 
Observe a tabela ao lado, que mostra os dez municí-
pios que apresentam mais de 50% de população indígena.
a) Sob a orientação do professor, reúnam-se em 
grupos. Calculem, com base nos dados da tabe-
la, a proporção de população indígena em rela-
ção à população total de cada município. Exem-
plo: o município de Amajari (RR) apresenta uma 
população de 9 327 habitantes, e, desse total, a 
população indígena é de 5 014. Portanto, 53,76% 
dos habitantes de Amajari são indígenas.
b) Em seguida, respondam: qual é o município 
brasileiro que apresenta maior proporção de 
população indígena? Montem uma nova tabela, 
colocando, em ordem crescente, as cidades com 
maior proporção de população indígena. 
Di‡logo interdisciplinar com Matem‡tica. 
Pode-se afirmar que a construção dos fortes pelos 
portugueses visava, principalmente, dominar: 
a) militarmente a bacia hidrográfica do Amazonas. 
b) economicamente as grandes rotas comerciais. 
c) as fronteiras entre nações indígenas. 
d) o escoamento da produção agrícola. 
e) o potencial de pesca da região.
Municípios brasileiros com mais de 50% de 
população indígena, em 2010 
População 
total
População 
indígena 
Amajari (RR) 9 327 5 014
Baía da Traição (PB) 8 012 5 687
Marcação (PB) 7 609 5 895
Normandia (RR) 8 940 5 091
Pacaraima (RR) 10 433 5 785
Santa Isabel do Rio Negro (AM) 18 146 10 749
Santa Rosa do Purus (AC) 4 691 2 526 
São Gabriel da Cachoeira (AM) 37 896 29 017 
São João das Missões (MG) 11 715 7 936
Uiramutã (RR) 8 375 7 382
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ATLÂNTICO
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PACÍFICO
 
0 583 km
Meridiano de Tordesilhas
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De olho na universidade
6. (Enem-2003) O mapa abaixo apresenta parte do con-
torno da América do Sul, destacando a bacia amazô-
nica. Os pontos assinalados representam fortificações 
militares instaladas no século XVIII pelos portugueses. 
A linha indica o [meridiano do] Tratado de Tordesilhas, 
revogado pelo Tratado de Madri apenas em 1750. 
81CAPÍTULO	6 Expansão territorial
068a081_U1_C6_HISTGLOBAL2_PNLD18.indd 81 5/17/16 11:03 AM
Sociedade mineradora
1. Observando a obra de Clóvis Graciano, pode-se deduzir quem eram 
as pessoas que trabalhavam na mineração e onde ela ocorria? 
2. Que características aproximam a obra de Candido Portinari, 
reproduzida na página de abertura do capítulo 2, e esta obra 
de Clóvis Graciano? Comente.
No século XVIII, com a exploração do ouro, a região das minas teve 
grande crescimento econômico. A colonização avançou para o interior 
e novas cidades surgiram. Muitas delas, ainda hoje, exibem o legado 
artístico e arquitetônico daquela época. A história dessas cidades, com 
seu esplendor e seus problemas, esteve em boa parte ligada à minera-
ção. Como foi esse processo histórico?
Clóvis GraCiano. Mineração. 1954. pinaCoteCa MuniCipal de são paulo
Mineração, óleo sobre aglomerado de madeira pintado por Clóvis Graciano, em 1954. 
Hoje a obra se encontra na Coleção de Arte da Cidade, São Paulo (SP).
82 UNIDADE 1 Trabalho e sociedade
capítulo
7
082a093_U1_C7_HISTGLOBAL2_PNLD18.indd 82 5/17/16 11:04 AM
Enfim, muito ouro 
A realização do velho sonho português
Ao final do domínio espanhol (1640), Portugal estava mergulhado em grave 
crise econômica. Os preços do açúcar haviam caído, devido, sobretudo, à con-
corrência da produção antilhana, que fez com que a oferta do produto aumen-
tasse no mercado internacional. 
Em busca de novas fontes de riqueza, o governo português revigorou o 
antigo sonho de encontrar ouro na América portuguesa. 
A data e o local dos primeiros achados não são conhecidos exatamente. 
Sabe-se apenas que as descobertas iniciais do ouro de aluvião nos vales dos 
rios das Mortes e Doce, na região de Minas Gerais, ocorreram entre os anos de 
1693 e 1695. 
Em destaque Extração do ouro de aluvião 
ouro de aluvião: aquele 
encontrado nos depó-
sitos de areia, argila e 
cascalho que se formam 
nas margens dos rios ou 
em seu leito, acumulado 
pela erosão.
O historiador Warren Dean descreveu como era o trabalho de exploração do ouro de aluvião: 
A princípio, a extração de ouro era feita por lavagem na bateia. As turmas de escravos 
trabalhavam com água pelos joelhos nos leitos dos riachos e recolhiam cascalho e água em 
bacias chatas e cônicas de madeira, que eram agitadas e novamente cheias até restar ape-
nas os flocos de ouro mais pesados. Foram africanos da Costa do Ouro que ensinaram seus 
proprietários a batear e se mostraram peritos em localizar minas. [...]
Nos anos de 1730, a trabalhosa e insa-
lubre atividade de batear [...] não era mais 
lucrativa em diversas minas. Os arrendatá-
rios agora dragavam os riachos maiores com 
caçambas primitivas e desviavam riachos 
menores para pesquisar meticulosamente 
seus leitos. Feito isso, empreendia-se a la-
vagem dos aluviões — os riachos eram im-
pelidos contra suas margens. A degradação 
provocada pela mineração foi mais intensa 
nas planícies aluviais cheias de cascalho e 
nos fundos dos rios. Registrou-se que os rios 
Sabará e das Velhas começavam a tornar-se 
lamacentos devido à lavagem de aluviões. 
DEAN, Warren. A ferro e fogo: a história e a devastação da 
Mata Atlântica brasileira. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. p. 113. 
1. Podemos afirmar que os escravos africanos, 
com suas próprias culturas, influenciaram a 
maneira de explorar os minérios na colônia 
portuguesa? Justifique. 
2. Pesquise o que é assoreamento e, depois, pro-
cure relacionar esse processo à atividade mi-
neradora praticada no Brasil no século XVII. 
Gravura representando a extração do ouro de aluvião em 
Itacolomi (MG). Litografia a partir de um desenho original de 
Johann Moritz Rugendas, século XIX.
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83CAPÍTULO 7 Sociedade mineradora
082a093_U1_C7_HISTGLOBAL2_PNLD18.indd 83 5/17/16 11:04 AM
observar o mapa
ocupação do sertão
A notícia da descoberta de ouro espalhou-se rapi-
damente, e um grande número de pessoas dirigiu-se 
à região das minas. 
Além da população colonial, calcula-se que 
uma quantidade considerável de portugueses te-
nha emigrado do reino para a colônia em busca de 
ouro. Por contar com uma população relativamente 
pequena, o governo de Portugal lançou um decre-
to, em março de 1720, restringindo a emigração 
para o Brasil. 
Investigando
1. Considerando que a população da região das minas correspondia a 15% do total de habitantes da colônia 
em 1786, qual era a população do Brasil nessa época?
2. Vimos, no capítulo anterior, que, no final do século XVI, a colônia portuguesa contava com cerca de 70 a 100 mil 
habitantes. Quantas vezes a população do Brasil aumentou entre o final do século XVI e o final do século XVIII?
Recife
Salvador
Jacobina
Sabará
Vila Rica (Ouro Preto)
São João
del Rei
Ribeirão do Carmo
(Mariana)
Rio de Janeiro
São Paulo
Vila Boa
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60º O
10º S
Limite atual do
território brasileiro
Atual divisão política
do Brasil
Áreas de exploração
de minérios
OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
PACÍFICO
0 235 km
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Mineração (século XVIII) 
Com tanta gente chegando, a região passou 
por transformações.A corrida do ouro impulsionou 
o surgimento, em poucos anos, de vilas e cidades, 
como Vila Rica (atual Ouro Preto), Ribeirão do Car-
mo (atual Mariana), São João del Rei e Sabará. 
A população de Minas Gerais continuou crescen-
do durante todo o “século do ouro” (1701-1800). 
Em 1786, calcula-se que havia na região aproximada-
mente 394 mil habitantes, que correspondiam a cerca 
de 15% da população total da colônia na época.
•	 Observe este mapa e identifique: 
a) os estados atuais em cujo território se desenvolveu a mineração; 
b) quais desses estados se encontram a oeste do Meridiano de Tordesilhas.
Fonte: ALBUQUERQUE, 
Manoel Maurício de et al. 
Atlas histórico escolar. 8. ed. 
Rio de Janeiro: MEC/ 
Fename, 1986. p. 32.
84 UNIDADE 1 Trabalho e sociedade
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Na obra Cultura e opulência do Brasil, o jesuíta italiano André João Antonil, que viveu no Brasil no 
século XVIII, apresenta uma breve análise sobre a busca pelo ouro naquele período. 
A sede insaciável do ouro estimulou tantos a deixarem suas terras e a meterem-se por 
caminhos tão ásperos como são os das minas, que dificultosamente se poderá dar conta do 
número de pessoas que lá estão. [...] 
Cada ano vêm nas frotas quantidades de portugueses e de estrangeiros, para passarem às 
minas. Das cidades, vilas, recôncavos e sertão do Brasil vão brancos, pardos, pretos e muitos 
índios, de que os paulistas se servem. A mistura é de toda a condição de pessoas: homens e 
mulheres, moços e velhos, pobres e ricos, nobres e plebeus [...]. 
ANTONIL, André João. Cultura e opulência do Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia, 1997. p. 167. 
Interpretar fonte Em busca do ouro
Guerra dos Emboabas 
O rápido e caótico afluxo de milhares de pessoas 
para a região das minas logo gerou problemas. Os 
paulistas, descobridores do ouro de Minas Gerais, 
sentiam-se no direito de explorá-lo com exclusivi-
dade. Entretanto, os não paulistas vindos de outras 
partes da colônia e os portugueses emigrados da 
metrópole também queriam apoderar-se das jazidas 
descobertas. A tensão cresceu quando portugueses 
passaram a controlar o abastecimento de mercado-
rias para a região. 
Ocorreram, então, entre paulistas e portugue-
ses, conflitos violentos que ficaram conhecidos como 
Guerra dos Emboabas. 
Muitos paulistas chamavam os portugueses de em-
boabas, palavra de origem tupi, que, segundo fontes, 
significa “aves de pernas emplumadas”. Era uma refe-
rência às botas que os portugueses usavam, em con-
traste com os paulistas, que andavam descalços pelo 
matagal.1
Mais tarde, o termo passou a ser usado para de-
signar de forma injuriosa os oponentes dos paulistas, 
com o sentido de “forasteiro”, “pessoa que vem de 
outra região”. Por sua vez, os “forasteiros” chama-
vam os paulistas de “bandoleiros sem lei”.
Um dos principais líderes dos emboabas foi Ma-
nuel Nunes Viana, pecuarista e comerciante que lide-
rou tropas contra os paulistas, vencendo-os em Saba-
rá e Cachoeira do Campo. 
O conflito teve fim em 1709, em um local que fi-
cou conhecido como Capão da Traição, onde muitos 
paulistas foram mortos por tropas emboabas. Poste-
riormente, os paulistas organizaram uma vingança. 
Segundo a historiadora Laura de Mello e Souza, 
depois de “dois anos e cinco meses de confronto, che-
gava ao fim aquela guerra, que não teve ganhadores”.2
Entre as consequências da Guerra dos Emboabas, 
podemos destacar: 
•	controle da metrópole – procurando evitar novos 
conflitos, o governo português interveio na região 
e passou a exercer firme controle administrativo e 
fiscal das minas; 
•	elevação de São Paulo à categoria de cidade – 
por determinação do rei de Portugal, D. João V, a 
vila de São Paulo foi elevada à categoria de cidade; 
•	criação da capitania de São Paulo e Minas do 
Ouro – desmembrada do Rio de Janeiro, a nova 
capitania, criada em 1709, seria dividida novamen-
te, em 1720, nas capitanias de São Paulo e de Mi-
nas Gerais; 
•	descoberta de ouro em Mato Grosso e Goiás 
– com o fim da Guerra dos Emboabas, os paulistas 
passaram a procurar novas jazidas de ouro em ou-
tros lugares do Brasil. O resultado foi a descoberta 
do metal nas regiões dos atuais estados de Mato 
Grosso (1718) e Goiás (1726), territórios pertencen-
tes na época à capitania de São Paulo.
1 Cf. BOXER, Charles. A Idade de Ouro do Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000. p. 105.
2 Cf. SOUZA, Laura de Mello e et al. 1680-1720: o império deste mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. p. 69.
•	 Como Antonil caracterizou a multidão que ia para as minas em busca do ouro?
85CAPÍTULO 7 Sociedade mineradora
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controle
A administração das minas pelo governo
A riqueza das minas pertencia à Coroa portuguesa, que concedia datas (lotes) 
aos mineradores para a exploração do ouro. O trabalho nesses lotes era realizado 
por escravos, em locais denominados lavras. 
Percebendo no ouro a possibilidade de revigorar sua economia, o governo portu-
guês organizou um rígido esquema administrativo para controlar a região mineradora. 
Intendência das Minas
O principal órgão dessa estrutura administrativa portuguesa era a Intendência 
das Minas. Criado em 1702, esse órgão era responsável por tarefas como: 
•	distribuição de datas (lotes) para a exploração do ouro; 
•	fiscalização da atividade mineradora; 
•	julgamento de questões referentes ao desenvolvimento dessa atividade; 
•	cobrança de impostos pela exploração das jazidas, principalmente. 
Os mineradores deviam pagar ao governo português um tributo correspon-
dente a um quinto (20%) de qualquer quantidade de metal extraído. Com o tem-
po, a expressão quinto passou a designar popularmente o próprio imposto.
casas de Fundição
No início da exploração mineira, o ouro em pó ou em pepitas circulava livre-
mente pela região das minas. Isso dificultava a cobrança de impostos sobre o ouro 
extraído e favorecia o contrabando. 
Para resolver esse problema, o 
governo português proibiu a circu-
lação do ouro em pó e em pepi-
tas e criou, por volta de 1720, as 
Casas de Fundição. Nesses locais, 
todo o ouro deveria ser fundi-
do e transformado em barras. Ao 
recebê-lo, as Casas de Fundição 
retirariam a parte correspondente 
ao imposto cobrado pela Fazenda 
Real (Coroa). O restante receberia 
um selo oficial que comprovaria o 
pagamento do quinto, podendo 
ser legalmente negociado. Era o 
ouro quintado, isto é, do qual já se 
havia extraído a quinta parte. 
Quem fosse encontrado por-
tando ouro em pó ou barras não 
quintadas poderia sofrer penas se-
veras, que iam desde a perda de 
todos os bens até o exílio perpétuo 
em colônias portuguesas na África.
Fachada de casa de fundição construída em 1770 na cidade de Mariana, Minas Gerais. 
Atualmente, é a Casa de Cultura e Academia Marianense de Letras. Fotografia de 2011. 
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86 UNIDADE 1 Trabalho e sociedade
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Revolta de Vila Rica 
O anúncio da criação das Casas de Fundição causou insatisfação entre os 
mineradores. Eles consideravam que a medida dificultava a circulação e o co-
mércio do ouro dentro da capitania, facilitando apenas a cobrança de impos-
tos. Tal descontentamento acabou provocando a Revolta de Vila Rica, em 28 
de junho de 1720. 
Cerca de 2 mil revoltosos, comandados pelo tropeiro português Felipe dos 
Santos, conquistaram a cidade de Vila Rica. O grupo, que era composto de donos 
de grandes lavras e de parte da população, incluindo centenas de escravos ar-
mados por seus senhores, 
exigia do governador da 
capitania de Minas Gerais, 
Pedro de Almeida Portu-
gal, o conde de Assumar, 
a extinção das Casas de 
Fundição. 
Apanhado de surpre-
sa, o governador fingiu 
aceitar as exigências e 
prometeu acabar com as 
Casas de Fundição,ga-
nhando tempo para or-
ganizar tropas e reagir se-
veramente. Pouco depois, 
os líderes do movimento 
foram presos, e Felipe dos 
Santos foi condenado, 
enforcado e esquartejado 
em praça pública, em 16 
de julho de 1720. 
Intendência dos Diamantes
A partir de 1729, foram encontradas jazidas de diamantes no Arraial do Tijuco, 
atual cidade de Diamantina. O governo português também teve dificuldade para 
controlar a cobrança de impostos sobre essas pedras preciosas. Grande quantida-
de delas era escondida da fiscalização pelos mineradores, que, assim, deixavam de 
pagar o quinto cobrado pela Fazenda Real. 
Por esse motivo, em 1739, o governo português decidiu entregar a extração 
das pedras preciosas a particulares. A extração era permitida mediante um contra-
to de exploração, que estabelecia a figura de um contratador, responsável tanto 
pela exploração dos diamantes como pela entrega de parte da produção à Coroa. 
O sistema durou até 1771, quando a Coroa portuguesa assumiu diretamente a 
extração diamantina e criou a Intendência dos Diamantes. Esse órgão passou a 
ter amplos poderes sobre a população do Distrito Diamantino. Seus fiscais podiam, 
por exemplo, confiscar bens e controlar a entrada e a saída de pessoas do distrito. 
Mas nem assim o contrabando de diamantes terminou. 
Calcula-se que, apenas da capitania de Minas Gerais, foram extraídos aproxi-
madamente 160 quilos de diamantes entre 1730 e 1830.
tropeiro: condutor de 
tropas de animais, espe-
cialmente de carga. 
Tropeiros ou Arrieiros. Gravura em água-tinta de Henry Chamberlain, de 1822. Os muares 
eram utilizados no transporte de cargas a longa distância devido à sua resistência.
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87CAPÍTULO 7 Sociedade mineradora
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Sociedade do ouro
Desenvolvimento da vida urbana em Minas Gerais
3 Cf. Estatísticas históricas do Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 1986. p. 28-29.
4 Cf. SOUZA, Laura de Mello e. Desclassificados do ouro: a pobreza mineira no século XVIII. 4. ed. Rio de Janeiro: Graal, 2004.
Os habitantes de Minas Gerais organizaram suas 
atividades principalmente em torno do ouro, fazendo 
surgir uma série de núcleos urbanos, como Vila Rica, 
Congonhas do Campo, Ribeirão do Carmo, Sabará e 
São João del Rei. 
A região mineira se tornou um excelente mercado 
comprador de alimentos, roupas, ferramentas e ou-
tros produtos, fornecidos por inúmeros comerciantes 
de Portugal e da própria colônia. 
No Nordeste, a produção açucareira havia dado 
origem a uma sociedade rural, com o domínio dos 
senhores de engenho. Já em Minas Gerais a explo-
ração do ouro propiciou a formação de uma socie-
dade urbana, com pessoas de diferentes situações 
socioeconômicas, da qual faziam parte, por exemplo, 
mineradores, comerciantes, quituteiras, carpinteiros, 
ferreiros, pedreiros, padres, militares, funcionários da 
Coroa e advogados. Havia ainda, como base dessa 
sociedade, um grande número de escravos africanos. 
Segundo estimativas, em 1786, esses africanos repre-
sentavam quase metade da população total da capi-
tania de Minas Gerais.3
ascensão social e pobreza
Na sociedade que se desenvolveu na região das 
minas, a ascensão social era possível, pois uma pessoa 
poderia enriquecer com a extração do ouro e de dia-
mantes ou com o comércio e o artesanato. 
Comparada com a empresa açucareira, a ativida-
de mineradora exigia menor quantidade de equipa-
mentos, instalações e mão de obra. Assim, os inves-
timentos necessários para entrar nesse negócio eram 
menores que os exigidos para o funcionamento de 
um engenho. Isso permitia que um número maior de 
pessoas “tentasse a sorte” com a mineração. 
No entanto, a concentração de riqueza foi uma 
das marcas da sociedade mineradora, já que a maior 
parte das lavras importantes pertencia aos ricos se-
nhores. Conforme analisou a historiadora Laura de 
Mello e Souza, o que predominou no conjunto dessa 
sociedade não foi a riqueza, mas a pobreza.4
Mesmo no auge da economia do ouro, de 1733 a 
1748, grande parte da população livre de Minas Ge-
rais era constituída de gente pobre, que desempenha-
va funções de comerciantes, artesãos etc.
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6.
Cena do filme Xica da Silva, 
inspirado na vida de Francisca 
da Silva. Filha de uma escrava 
com um homem branco, ela foi 
vendida para um dos maiores 
contratadores de diamantes de 
Minas Gerais, João Fernandes 
de Oliveira. Manteve um 
relacionamento com ele, na 
condição de liberta, durante 17 
anos. (Direção de Cacá Diegues, 
Brasil, 1976).
88 UNIDADE 1 Trabalho e sociedade
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Ao longo do século XVIII, com a intensa explora-
ção aurífera, até mesmo as maiores jazidas da colônia 
foram se esgotando. Consequentemente, na segunda 
metade desse século, a produção de ouro diminuiu 
brutalmente. 
O governo português, acreditando que a escassez 
do metal ocorria devido ao contrabando e à negligên-
cia com o trabalho, continuou aumentando as formas 
de controle sobre os mineradores. 
As duas situações listadas a seguir ilustram como 
se dava essa pressão: 
•	cota mínima anual – em 1750, o soberano portu-
guês determinou que a soma final do quinto deveria 
atingir pelo menos 100 
arrobas de ouro por 
ano. Com o progressi-
vo esgotamento das ja-
zidas, os mineradores tiveram muita dificuldade em 
extrair ouro suficiente para cobrir essa cota mínima 
anual. A maioria não conseguiu pagar o tributo, o que 
contribuiu para o acúmulo de dívidas; 
•	derrama – em consequência, em 1765, o gover-
no português decretou a derrama, isto é, a co-
brança de todos os impostos atrasados. Na exe-
cução da derrama, as autoridades não pouparam 
nem mesmo os mineradores empobrecidos, que 
acabaram perdendo os poucos bens que lhes res-
tavam. A insatisfação contra o peso dos tributos 
despertaria um clima de revolta em diferentes se-
tores da sociedade colonial mineira. Foi o caso, 
por exemplo, do movimento conhecido como 
Conjuração Mineira, que veremos ao longo do 
nosso estudo. 
consequências da exploração 
do ouro 
Entre as principais consequências da exploração 
do ouro no Brasil do século XVIII, podem ser des-
tacados:
•	desenvolvimento das artes – diversas pessoas 
empregaram suas riquezas para incentivar as ar-
tes durante o ciclo do ouro. Não é de admirar 
que o primeiro movimento literário brasileiro sig-
nificativo, o Arcadismo, tenha surgido em Minas 
Gerais (expresso na obra de Cláudio Manuel da 
Costa e Tomás Antônio Gonzaga, entre outros). 
Do mesmo modo, nessa capitania surgiram, no 
campo das artes plásticas, as primeiras grandes 
figuras do Barroco (como Antônio Francisco Lis-
boa, o Aleijadinho, e Manuel da Costa Ataíde, 
o Mestre Ataíde), além dos principais represen-
tantes da música colonial (como Emérico Lobo 
de Mesquita, Francisco Gomes da Rocha e Inácio 
Parreiras Neves);
•	expansão territorial e populacional – como 
vimos, o ouro atraiu muitas pessoas para o inte-
rior do território brasileiro, favorecendo o desbra-
vamento e o povoamento do sertão, uma maior 
integração entre as capitanias, antes isoladas en-
tre si, além do aumento da população. Durante 
o século do ouro, o número de colonos cresceu 
quase 11 vezes, passando, segundo algumas es-
timativas, de 300 mil habitantes (em 1700) para 
3,25 milhões de habitantes (em 1800); 
•	mudança da capital – em 1763, a capital da 
colônia foi transferida de Salvador para o Rio de 
Janeiro, mudança que reflete o deslocamento do 
centro econômico do Nordeste açucareiro para a 
região mineradora do Sudeste. O Rio de Janeiro, 
com seu porto marítimo mais próximo às áreas 
mineradoras, favorecia o transportedo ouro. A 
mudança também facilitou a comunicação com 
a metrópole; 
•	revoltas coloniais – as questões em torno da ex-
ploração do ouro contribuíram para aguçar a opo-
sição de interesses entre os colonos brasileiros e o 
governo português. Nesse período, a intensifica-
ção do controle por parte da metrópole contribuiu 
para que setores da classe dominante colonial se 
rebelassem contra Portugal e também para que 
diversas revoltas fossem organizadas na região 
das minas.
crise da mineração
O declínio da produção aurífera
arroba: unidade de me-
dida de peso equivalente 
a cerca de 15 quilos.
89CAPÍTULO 7 Sociedade mineradora
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Queijo artesanal de MinasEm destaque
O queijo artesanal de Minas é produzido desde o século 
XVIII e se tornou um símbolo da identidade cultural mineira. 
Em 2008, o modo de fazê-lo artesanalmente foi considerado 
Patrimônio Cultural do Brasil pelo Iphan. 
As técnicas de produção do queijo artesanal de Minas vie-
ram de Portugal, mas foram adaptadas às condições naturais 
e sociais das serras mineiras. Para as famílias que o produzem, 
trata-se de uma importante tradição e fonte de renda. 
Além disso, o queijo faz parte do cotidiano dos mineiros. 
Está em expressões populares como “pão, pão; queijo, quei-
jo” e faz parte da receita de comidas como o pão de queijo, 
o queijo com goiabada, as broas, as farofas, entre outros sal-
gados e doces.
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•	 Na região onde você mora, existe alguma comida tradicio-
nal? Qual? Sua receita pode ser considerada um patrimônio 
da região?
Fachada da Igreja de São Francisco, em Ouro Preto (MG). 
Construída no século XVIII, com projeto arquitetônico e 
diversos elementos ornamentais criados por Aleijadinho. 
Fotografia de 2015.
Em seu interior, encontram-se 
pinturas impressionantes do Mestre 
Ataíde, como a Assunção da Virgem, 
no teto da nave. Fotografia de 2015. 
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Etapa do processo de fabricação de queijo 
artesanal de Minas, na cidade de São Roque 
de Minas (MG). Fotografia de 2015. 
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com quem ficou o ouro brasileiro?
A produção aurífera brasileira foi bas-
tante significativa nos primeiros 60 anos 
do século XVIII. Nesse período, calcula-se 
que a quantidade de ouro explorada no 
Brasil tenha sido maior do que em toda a 
América espanhola em quase quatro sécu-
los. A quantidade do metal extraída na co-
lônia portuguesa correspondeu a cerca de 
50% de toda a produção mundial entre os 
séculos XV e XVIII. Veja o gráfico ao lado.
Diante desses números, é possível 
perguntar: com quem ficou o ouro brasi-
leiro? Para toda grande questão histórica, 
as respostas são complexas. No entanto, 
podemos começar a refletir sobre o assun-
to a partir de algumas considerações. Sa-
bemos, em primeiro lugar, que toda essa 
riqueza não ficou na colônia nem foi utili-
zada para seu desenvolvimento. É inegável 
que a região das minas apresentou vigor 
econômico e cultural, como mostram as 
ruas, as igrejas e as construções edificadas 
na época. Mas isso representa uma parte 
pequena da produção mineira. 
Sabemos também que Portugal não foi o único beneficiário do ouro extra-
ído de sua colônia, já que não superou totalmente a crise econômica em que 
havia mergulhado após o domínio espanhol (1580-1640). Com os lucros do 
ouro brasileiro, a economia portuguesa equilibrou-se momentaneamente, mas 
não o suficiente para se livrar da estagnação e da dependência em relação aos 
ingleses. 
Alguns historiadores consideram que a maior parte do ouro brasileiro escoou 
para a Europa, servindo ao enriquecimento de outras nações. Acredita-se também 
que a grande beneficiária do ouro brasileiro foi a Inglaterra, que passou a domi-
nar a economia portuguesa por meio de diversos acordos, como o Tratado de 
Methuen, de 1703. 
Exportando produtos agrícolas para o mercado inglês e importando dos fabri-
cantes britânicos manufaturas por preços elevados, os governantes de Portugal 
estavam sempre em dívida com seus parceiros. Para pagar essa dívida, recorriam 
constantemente ao ouro do Brasil. Desse modo, o ouro brasileiro transferiu-se, em 
grande parte, para os capitalistas ingleses, contribuindo para o desenvolvimento 
do processo de industrialização da Inglaterra. 
Com relação à não industrialização de Portugal, podemos dizer que as con-
dições expressas no Tratado de Methuen não foram os únicos fatores responsá-
veis pelas dificuldades do reino nesse setor. As causas da não industrialização 
de Portugal são amplas, antigas e continuam sendo estudadas por diversos 
historiadores.
 1700 1710 1720 1730 1740 1750 1760 1770 1780 1790 1800
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produção de ouro no Brasil 
(século XVII ) 
Fonte: PINTO, Virgílio Noya. In: SOUZA, Laura de Mello e. Desclassificados 
do ouro: a pobreza mineira no século XVI . 4. ed. Rio de Janeiro: Graal, 
2004. p. 75. 
91CAPÍTULO 7 Sociedade mineradora
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Oficina de História
Vivenciar e refletir
1. Leia o texto:
Os prestidigi-
tadores da Europa 
não teriam a des-
treza e a sutileza 
dos negros para esconderem, diante dos olhos 
do feitor, as pedras que descobrem. Um inten-
dente quis, certo dia, verificar pessoalmente 
até onde chegava aquela prática. Chamou um 
negro que gozava, entre os companheiros, da 
fama de ser habilidoso, colocou, ele próprio, um 
pequeno diamante num monte de cascalho 
e areia e prometeu ao escravo a liberdade se, 
diante de seus olhos, conseguisse tirar o dia-
mante sem ser percebido. O escravo começou a 
trabalhar, e o intendente não o perdia de vista.
— Então? Onde está a pedra? — pergun-
tou o intendente no fim de alguns minutos.
— Se os brancos costumam cumprir suas 
promessas, estou livre — respondeu o es-
cravo, tirando da boca a pedra e mostrando-
-a ao intendente.
D’ORBIGNY, Alcide. Viagem pitoresca através do Brasil. Belo Horizonte: 
Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1976. p. 138-139.
O texto do naturalista francês D’Orbigny (1802-
-1857) deixa clara a habilidade dos escravos em furtar 
as pedras preciosas, apesar da vigilância dos feitores. 
Você descreveria essa prática como uma forma de resis-
tência? Justifique sua resposta. Compare-a com a sabo-
tagem realizada nos engenhos pelos escravos africanos.
Diálogo interdisciplinar
2. Pesquise e construa uma tabela procurando infor-
mações atuais sobre os seguintes metais: ouro, pra-
ta, cobre, alumínio e estanho. Sugerimos que sua 
tabela apresente, em relação a cada metal, o símbo-
lo químico, os cinco maiores países produtores e os 
principais usos.
3. Leia o trecho de reportagem e responda às questões:
Feitas para facilitar trabalhos de restaura-
ção e preservação, começam a sair da fôrma 
as réplicas dos Doze Profetas, conjunto de 
esculturas de Aleijadinho na cidade mineira 
de Congonhas (a 90 km de Belo Horizonte). 
Diálogo interdisciplinar com Geografia e Química.
Diálogo interdisciplinar com Arte, Química e Biologia.
prestidigitador: mági-
co muito hábil e rápido 
com as mãos.
Confeccionados em silicone, os moldes 
serão utilizados para desvendar formas, 
técnicas e materiais empregados por Antô-
nio Francisco Lisboa (1730-1814). 
Patrimônio da humanidade, as esculturas 
de pedra-sabão estão expostas ao ar livre no 
santuário de Bom Jesus de Matosinhos desde 
1800, quando começaram os trabalhos que 
terminariam cinco anos mais tarde. 
No local, as peças estão sujeitas à ação de 
fungos e bactérias, além do vandalismo. Por 
essa razão, de tempos em tempos surgem 
propostas para substituir as obras originais 
por réplicas. Por ora, o Iphan (Instituto do 
Patrimônio Históricoe Artístico Nacional) 
afasta essa possibilidade. No entanto, o de-
bate deve continuar. 
[...] 
A criação das réplicas é essencial, de acor-
do com o Iphan, para a restauração das escul-
turas que forem eventualmente danificadas. 
Duas delas já foram moldadas. As cópias fí-
sicas terão todos os detalhes das peças ori-
ginais, até mesmo as inscrições feitas por 
vândalos. 
[...] 
PEIXOTO, Paulo. Em Minas, obras de Aleijadinho 
ganham réplicas; veja. Folha de S.Paulo, 20 nov. 2011. 
Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/
cotidian/11451-em-minas-obras-de-aleijadinho-
ganham-replicas.shtml>. Acesso em: 19 out. 2015.
a) Faça uma breve pesquisa em li-
vros, revistas e sites da internet a 
fim de saber quem foi Aleija-
dinho e como são as escul-
turas dos 12 profetas, obra 
de sua autoria. 
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Escultura do profeta Amós. Obra 
em pedra-sabão de Aleijadinho, 
localizada no Santuário do 
Bom Jesus de Matosinhos, em 
Congonhas (MG). Integra o 
conjunto de esculturas dos doze 
profetas feitas pelo artista 
entre 1800 e 1805. 
Fotografia de 2006.
92 UNIDADE 1 Trabalho e sociedade
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b) O texto indica que, no local onde se encontram as escul-
turas feitas por Aleijadinho, as peças estão sujeitas à ação 
de fungos e bactérias. Que problemas a ação desses agentes 
biológicos pode trazer às esculturas? 
c) Releia o trecho de reportagem tendo em vista a preserva-
ção do patrimônio histórico. O que relata o texto a respeito 
do assunto? Em seguida, reflita com seus colegas: qual é a 
importância histórica de um monumento como esse? Quais 
são os motivos pelos quais é pensada a retirada dos profetas 
da praça pública? Que procedimentos deveriam ser adota-
dos pela população e pelos turistas a fim de preservá-los? 
De olho na universidade
4. (Enem-2010) 
Os tropeiros foram figuras decisivas na formação de 
vilarejos e cidades do Brasil colonial. A palavra tropeiro 
vem de “tropa” que, no passado, se referia ao conjunto de 
homens que transportava gado e mercadoria. Por volta do 
século XVIII, muita coisa era levada de um lugar a outro 
no lombo de mulas. O tropeirismo acabou associado à 
atividade mineradora, cujo auge foi a exploração de ouro 
em Minas Gerais e, mais tarde, em Goiás. A extração de 
pedras preciosas também atraiu grandes contingentes 
populacionais para as novas áreas e, por isso, era cada vez 
mais necessário dispor de alimentos e produtos básicos. 
A alimentação dos tropeiros era constituída por toucinho, 
feijão-preto, farinha, pimenta-do-reino, café, fubá e coité 
(um molho de vinagre com fruto cáustico espremido). 
Nos pousos, os tropeiros comiam feijão quase sem 
molho com pedaços de carne de sol e toucinho, que 
era servido com farofa e couve picada. O feijão-tropei-
ro é um dos pratos típicos da cozinha mineira e recebe 
esse nome porque era preparado pelos cozinheiros das 
tropas que conduziam o gado. 
Disponível em: <http://www.tribunadoplanalto.com.br>. Acesso em: 27 nov. 2008. 
A criação do feijão-tropeiro na culinária brasileira está relacionada à: 
a) atividade comercial exercida pelos homens que trabalhavam 
nas minas. 
b) atividade culinária exercida pelos moradores cozinheiros que 
viviam nas regiões das minas. 
c) atividade mercantil exercida pelos homens que transporta-
vam gado e mercadoria. 
d) atividade agropecuária exercida pelos tropeiros que necessi-
tavam dispor de alimentos. 
e) atividade mineradora exercida pelos tropeiros no auge da ex-
ploração do ouro.
para saber mais
Na internet
•	Museu Virtual de Ouro Pre-
to: http://www.museuvirtual 
deouropreto.com.br/tour- 
virtual.html
Página com passeio virtual e infor-
mações sobre as principais igrejas 
coloniais de Ouro Preto. Clique em 
uma das igrejas e veja sua parte 
interna em 360°. Alguns objetos 
abrem uma tela com informações. 
Role a página do passeio e leia um 
texto sobre a igreja.
Em grupo, elaborem um relatório 
sobre sua visita, identificando a 
época da construção, os materiais 
utilizados e os artistas envolvidos. 
(Acesso em: 27 nov. 2015.) 
Nos livros 
•	 DAVIDOFF, Carlos. Bandei-
rantismo: verso e reverso. 
São Paulo: Brasiliense, 1994. 
Apresenta as principais característi-
cas das bandeiras e analisa a cons-
trução do mito bandeirante.
Depois de ler o livro, organizem um 
seminário, em grupo, sobre um de 
seus capítulos. Apresentem o semi-
nário utilizando ilustrações, fotogra-
fias, vídeos e textos. 
Nos filmes 
•	 Abril despedaçado. Direção 
de Walter Salles. Brasil/Fran-
ça/Suíça, 2001. 105 min.
No sertão brasileiro, uma rivalidade 
entre famílias pela posse da terra se 
desenvolve em uma lógica de vin-
gança e violência.
Debata com seus colegas como o 
trabalho no canavial e o patriarcalis-
mo são representados no filme. Em 
seguida, identifique semelhanças e 
diferenças entre a abordagem des-
ses temas no filme e nos capítulos 
da unidade sobre Brasil Colonial.
93CAPÍTULO 7 Sociedade mineradora
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UNIDADE
2
Nos séculos XVII e XVIII, Europa e América 
foram marcadas por grandes transformações. 
A industrialização inaugurou formas de produ-
ção econômica mecanizada. Filósofos iluminis-
tas defenderam sociedades mais livres. Revo-
luções abalaram o absolutismo monárquico. 
Colônias da América romperam laços de opres-
são com suas metrópoles.
Essas mudanças promoveram a passagem 
do súdito ao cidadão. Porém, há outras faces 
desses processos históricos.
Revoluções e independências não garanti-
ram cidadania para todos. As novidades tec-
nológicas muitas vezes degradaram o meio 
ambiente e pouco contribuíram para diminuir 
a exploração dos trabalhadores.
Ao mesclar conquistas e decepções, toda 
história permanece aberta a novas perguntas, 
pesquisas e interpretações.
•	Na sua interpretação, a reflexão 
apresentada no último parágrafo do 
texto também pode se referir a outros 
períodos históricos? Comente.
Súdito e cidadãoSúdito e cidadão
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Jovens passam em frente ao Big Ben, relógio localizado em uma torre do Palácio de Westminster, que, no 
passado, serviu de residência aos reis ingleses e, hoje, abriga as duas casas do Parlamento Britânico. Construído 
no século XI, o Palácio é registrado como Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco desde 1987.
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Antigo Regime 
e Iluminismo
“O Estado sou eu”, teria dito o rei francês Luís XIV. A frase tornou-se emblemática 
nas referências ao absolutismo monárquico, que marcou as sociedades europeias do 
chamado Antigo Regime. 
Como se desenvolveu a crítica iluminista ao Antigo Regime?
•	 Na sua interpretação, quais seriam as possíveis atividades desenvolvidas pelas 
pessoas representadas na pintura? A que grupo social elas pertenceriam?
A charrete. Óleo sobre tela de Louis Le Nain, datado de 1641. A obra encontra-se hoje no 
Museu do Louvre, em Paris, França.
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96 UNIDADE 2 Súdito e cidadão
capítulo
8
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O grupo familiar dos proprietários de terras e dos 
arrendatários também não trabalhava na lavoura. 
Em geral, viviam do trabalho dos camponeses, que 
estavam submetidos a variadas formas de servidão.
Nas cidades, havia centros de comércio permanen-
tes ou feiras temporárias. Por essa razão, considerável 
parcela dos habitantes das cidades pertencia à burgue-
sia comercial, incluindo desde o pequeno mercador das 
feiras até o grande negociante que promovia comércio 
com diferentes regiões do mundo.
Várias cidades situavam-se em zonas litorâneas e 
possuíam portos, como 
Veneza, Gênova, Sevilha, 
Marselha, Lisboa, Lon-
dres, Brugese Amsterdã. 
Um porto é também uma 
porta (do latim porta, cuja 
origem é a mesma de 
portus) por onde entram 
e saem mercadorias.1
Investigando
1. Existem feiras na região onde você mora? Que produtos são vendidos? Onde são realizadas? 
2. Quais são os portos mais importantes do Brasil atual? Que mercadorias são mais movimentadas nesses por-
tos? Pesquise.
A expressão Antigo Regime foi utilizada por re-
volucionários franceses do século XVIII para se referir 
às sociedades contra as quais eles lutavam. Posterior-
mente, a expressão passou a ser utilizada por historia-
dores para se referir a diversas sociedades europeias 
da Idade Moderna, cujas principais características va-
mos apontar a seguir.
Sociedades rurais 
Entre os séculos XVI e XVIII, a distribuição da po-
pulação europeia era bem diferente da atual. Havia 
um predomínio da população rural sobre a urbana — 
cerca de 80% das pessoas viviam no campo. 
A maior parte da população rural trabalhava na 
agricultura ou na pecuária. Havia também comercian-
tes e artífices que exerciam ofícios variados, como os 
de ferreiro, metalúrgico, moleiro, carpinteiro, cera-
mista, seleiro, trabalhador das pedreiras da constru-
ção civil, construtor de carroças e carruagens etc. 
O Antigo Regime 
Vida social e política na Europa moderna
Moleiro: que mói ce-
reais no moinho. 
Seleiro: que faz selas e 
arreios. 
Arrendatário: pessoa 
que contrata com o 
dono da terra o uso da 
propriedade por preço e 
tempo determinados.
1 Cf. SALLES, Manoel Whitaker. Dentro do dentro: os nomes das coisas. São Paulo: Mercuryo, 2002. 
Estradas como a representada 
nesta imagem serviam de 
ligação entre as áreas rurais e 
as cidades. Construção de uma 
estrada em 1774, óleo sobre tela 
de Joseph Vernet (século XVIII). 
Pertence ao acervo do Museu 
do Louvre, em Paris, na França.
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97CAPÍTULO 8 Antigo Regime e Iluminismo
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Desigualdade jurídica
Uma característica marcante do Antigo Regime era 
a existência de uma estratificação social rígida. As socie-
dades estavam organizadas em três grandes estamentos: 
clero, nobreza e terceiro estado. O terceiro estado era 
formado pela maior parte da população e incluía comer-
ciantes, artesãos, agricultores, profissionais urbanos etc. 
Os estamentos eram definidos desde o nasci-
mento, isto é, as pessoas pertenciam ao estamento 
de seus pais ou ascendentes. Cada estamento tinha 
um estatuto jurídico próprio. De maneira geral, esses 
estatutos asseguravam muitos privilégios para poucos 
súditos e pesadas obrigações para o terceiro estado.
A nobreza e o clero não tinham de pagar tributos, 
só eram julgados por tribunais especiais e ocupavam 
os cargos mais elevados na administração do Estado. 
Os membros do terceiro estado não desfrutavam de 
tais privilégios e eram excluídos das decisões políticas, 
cabendo-lhes apenas cumpri-las.
Em relação às obrigações, cabia ao clero praticar o 
ofício religioso, dedicando-se à missão de conduzir os fiéis 
à salvação eterna. Para a nobreza, a principal obrigação 
era garantir a defesa militar da sociedade. Já para o ter-
ceiro estado, a obrigação era trabalhar para o sustento de 
todos, cumprir deveres gerais de súdito e pagar tributos. 
Nas sociedades estamentais, a lei não era igual 
para todos porque as pessoas eram consideradas de-
siguais desde o nascimento. A mudança dessa estru-
tura estamental implicou transformações históricas, 
associadas ao pensamento liberal, que promoveram 
a passagem do súdito ao cidadão.
Investigando
•	 Debata com os colegas: atualmente, as pessoas têm outros privilégios decorrentes do nascimento? Por quê? 
Em destaque Etiqueta	e	dominação
Entre os séculos XV e XVIII, a 
nobreza da França criou e difundiu 
regras de etiqueta com o objetivo de 
construir laços de respeito e hierar-
quia entre os nobres distinguindo-os 
dos demais grupos sociais.
As regras de etiqueta estabe-
leciam formas adequadas de falar, 
comer, cumprimentar e se vestir. 
Na corte de Luís XIV, por exemplo, 
cada nobre era cumprimentado de 
acordo com sua posição social. Para 
saudar um príncipe, o rei retirava 
completamente seu chapéu; para 
saudar um marquês, ele levantava 
parcialmente o chapéu. 
•	 A etiqueta diz respeito às normas de conduta que são consideradas “boas maneiras”. Cite exemplos de 
“boas maneiras” praticadas no seu convívio social. Pense nas diferentes formas de falar, comer, cumpri-
mentar e se vestir.
Primeira promoção da Ordem de São Luís, óleo sobre tela pintado em 1693 
por François Marot. Pertence hoje ao acervo do Museu Nacional do Palácio de 
Versalhes, na França. 
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98 UNIDADE 2 Súdito e cidadão
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2 Cf. BOBBIO, Norberto et al. Dicionário de política. Brasília: UnB, 1986. p. 1.
3 Cf. BURKE, Peter. A fabricação do rei. Rio de Janeiro: Zahar, 1994. p. 22-23; 101-102. 
4 Cf. A Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulinas. p. 939.
Thomas Hobbes 
O filósofo inglês Tho-
mas Hobbes (1588-1679) 
defendia o poder absolu-
to como condição neces-
sária para a paz e o pro-
gresso. Escreveu o livro 
Leviatã (1651), em que 
compara o Estado a um monstro poderoso, criado para 
acabar com a desordem e a insegurança da sociedade.
Segundo Hobbes, nas sociedades primitivas, “o 
homem era o lobo do próprio homem”. Isso quer di-
zer que as pessoas viviam em constantes guerras e 
matanças entre si, cada qual lutando por sua sobre-
vivência e olhando para seus interesses individuais. 
Só havia uma solução duradoura para esses conflitos: 
estabelecer um “contrato social”, no qual cada um 
deveria renunciar à sua liberdade em favor de um go-
verno absoluto, capaz de garantir a ordem, a direção 
e a segurança no convívio social.
Assim, Hobbes justificava o poder absoluto do 
governante como condição necessária à paz e ao pro-
gresso da sociedade. O poder do Estado nasceria desse 
“contrato social”, acordo no qual a vontade de quem 
governasse (uma pessoa ou uma assembleia) passaria 
a valer como vontade de todos. Buscar o bem-estar do 
povo seria o dever básico do titular do poder político.
Jacques Bossuet
O bispo francês Jacques Bossuet (1627-1704) de-
fendia o poder absoluto do rei como direito divino. 
Bossuet dizia que o rei era predestinado por Deus 
para governar. Assim, seu poder, sendo de origem 
divina, só podia ser absoluto. Por isso, o rei estava 
acima de todos os súditos e não precisava justificar a 
ninguém suas atitudes e ordens — somente Deus po-
deria julgá-las. Mas era natural ao “bom” rei usar seu 
poder para a felicidade geral do povo. É de Bossuet a 
frase “Um rei, uma fé, uma lei”, que se tornou uma 
espécie de lema das monarquias cristãs absolutistas.
Absolutismo monárquico
Durante a Idade Moderna ocorreu o fortalecimen-
to gradual dos governos das monarquias nacionais em 
grande parte da Europa. Desse processo, resultou ou-
tra característica do Antigo Regime, que foi o absolu-
tismo monárquico. 
 A expressão absolutismo monárquico surgiu prova-
velmente entre as correntes liberais do século XVIII, com 
um sentido de crítica ao poder ilimitado e pleno assumido 
por considerável parcela dos monarcas desse período.2
Nas monarquias absolutistas, a autoridade do rei 
constituía a fonte suprema dos poderes do Estado. 
Em nome do soberano, o poder era exercido pelos 
diversos setores do governo: nas finanças, na elabo-
ração das leis, nos tribunais de justiça, no exército, 
nas relações exteriores etc. O regime absolutista, sob 
diferentes formas, ocorreu em países como Portugal, 
Espanha, Inglaterra e França. 
O rei Luís XIV da França, que assumiu o trono em 
1651 e governou até 1715, é um dos exemplos mais 
representativos de monarca absolutista.Era considerado 
o centro do qual irradiava a “luz da França” e, por isso, 
adotou o Sol como símbolo de seu poder. Atribui-se a 
ele a famosa frase: L’État c’est moi (“O Estado sou eu”) 
para indicar que ele era o representante máximo do Esta-
do. Sua figura era também considerada sagrada, muitas 
pessoas acreditavam que o toque da mão do rei tinha o 
poder de curar certas doenças. Os objetos ligados à sua 
pesssoa despertavam o respeito que se confere às coisas 
sagradas. Isso valia para o trono, o manto real, o cetro, seu 
quarto de dormir, a sala de sua refeição, o retrato real.3 
A defesa do absolutismo 
Por que as pessoas de uma sociedade deveriam 
permitir que os poderes do Estado se concentrassem 
nas mãos do rei? Vários teóricos daquele período 
tentaram responder a essa pergunta, elaborando ar-
gumentos que justificassem o absolutismo. Dentre 
eles, destacamos Thomas Hobbes e Jacques Bossuet.
Leviatã: monstro mari-
nho (às vezes, identifica-
do como um dragão ou 
uma serpente gigante) 
mencionado na Bíblia, 
no livro de Jó (40:25-32).4
Investigando
•	 Como vimos, o poder do governante absolutista foi justificado, por alguns pensadores, por sua origem divina 
ou pelo “contrato social”. Nos dias atuais, como se justifica o poder dos governantes em nosso país?
99CAPÍTULO 8 Antigo Regime e Iluminismo
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O Iluminismo (também conhecido como Ilustração 
ou Esclarecimento) foi um movimento social, intelec-
tual e filosófico que se desenvolveu, principalmente, 
na Inglaterra e na França entre os séculos XVII e XVIII.
As ideias defendidas pelos pensadores iluminis-
tas espalharam-se para outros centros culturais da 
Europa e acabaram inspirando transformações polí-
ticas em várias sociedades da época, tanto na Euro-
pa quanto na América, como a Revolução Francesa e 
revoltas das colônias contra as metrópoles europeias.
Embora não tenha sido um movimento coeso e 
uniforme, teve como uma de suas características a crí-
tica social ao Antigo Regime.
A crítica iluminista ao 
Antigo Regime 
Ao expressar anseios de mudanças sociais, os ilu-
ministas criticaram as estruturas do Antigo Regime, 
entre elas o absolutismo monárquico. Essas críticas 
incorporavam, em grande medida, um ideário que 
agradava aos burgueses.
Para o historiador Eric Hobsbawm, libertar o ser 
humano de certas “algemas” que o prendiam parecia 
Iluminismo
A razão em busca de liberdade
ser o objetivo de muitos iluministas. Entre essas “alge-
mas”, estavam o tradicionalismo religioso, as práticas 
consideradas supersticiosas e o poder da magia, além 
da divisão social baseada em uma hierarquia de estra-
tos determinada pelo nascimento.5
Foi nesse contexto que diferentes pensadores ilu-
ministas formularam teorias em defesa: 
•	do liberalismo político e econômico (contra o abso-
lutismo e o mercantilismo), com base, sobretudo, 
na não intervenção do Estado na economia, na divi-
são de poderes dentro do Estado e na formação de 
governos representativos; 
•	da igualdade jurídica entre as pessoas (contra a de-
sigualdade existente na sociedade estamental); 
•	da tolerância religiosa (contra o poder e o tradi-
cionalismo da Igreja), pela qual as pessoas teriam 
liberdade para escolher e seguir a religião que qui-
sessem, sem a imposição do Estado;
•	da liberdade de expressão, da educação do povo 
etc. 
Os iluministas acreditavam que tais elementos 
eram essenciais para a edificação de uma sociedade 
mais justa e mais livre.
5 Cf. HOBSBAWM, Eric. A era das revoluções. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982. p. 37.
Em suas Memórias, o rei francês Luís XIV escreveu: 
Todo poder, toda autoridade estão nas mãos do rei e não pode haver outra no reino que 
aquela por ele estabelecida [...]. 
A vontade de Deus é que todo aquele que nasceu súdito obedeça cegamente. [...] É somente 
à cabeça que compete deliberar e resolver, e todas as funções dos outros membros consistem 
apenas na execução das ordens que lhes são dadas. 
Luís XIV. Memórias. In: ISAAC, Jules; ALBA, André. Tempos modernos. São Paulo: Mestre Jou, 1968. p. 165. 
Interpretar fonte O	rei	define	seu	poder	
1. Segundo o texto de Luís XIV, qual era a “fonte” da autoridade do rei? 
2. Luís XIV também compara a sociedade ao organismo humano. Nessa comparação, qual era o papel do rei 
e o dos demais membros da sociedade? 
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6 KANT, I. O que é ilustração. In: WEFFORT, Francisco (Org.). Os clássicos da política. São Paulo: Ática, 1990. v. 2. p. 83-84.
Investigando
•	 Em nossos dias, as pessoas têm “a coragem de servir-se de sua própria razão”? Debata o assunto com seus colegas.
Em destaque O	Grande	Relojoeiro
Entre as derivações do racionalismo, difundiu-se nesse período 
o mecanicismo, fundamentado no pensamento filosófico de René 
Descartes (1596-1650) e nas teorias físico-matemáticas de Galileu 
Galilei (1564-1642) e de Isaac Newton (1642-1727). Assim, algumas 
concepções iluministas também se expressaram em termos de um 
racionalismo mecanicista. 
Vejamos um exemplo: para alguns pensadores franceses dessa 
época, o universo assemelhava-se a uma imensa engrenagem forma-
da de inúmeras peças. Nesse caso, a figura de Deus foi concebida 
como o construtor dessa engrenagem universal — “o Grande Relo-
joeiro”, nas palavras de Voltaire —, responsável pela criação e pelo 
funcionamento da máquina do mundo. 
Se Deus era a expressão máxima da razão ou lei universal, os seres 
humanos, como criaturas de Deus, eram racionais e, consequentemen-
te, livres-pensadores. Nessa linha de raciocínio, a melhor homenagem 
que se poderia prestar a Deus seria, de um lado, desenvolver o conheci-
mento racional e a ciência e, de outro, combater a fé cega, as crendices 
e as superstições. Tudo deveria ser submetido à autoridade da razão.
O jurista Montesquieu, nessa época, definiu as leis como “relações necessárias que decorrem 
da natureza das coisas”. Quem celebrasse o “Deus iluminista”, construtor e legislador do Universo, 
saberia que ele, logicamente, respeitava os direitos universais do ser humano, entre eles o direito ao 
exercício da razão, da liberdade de pensar e de se exprimir. 
Mecanicismo: doutrina 
filosófica que concebe a na-
tureza como uma máquina, 
em que todos os fenômenos 
naturais podem ser expli-
cados por um sistema de 
determinações mecânicas 
de causa e efeito. 
Livre-pensador: aquele que 
pensa livremente em maté-
ria religiosa. O livre-pensa-
mento foi uma corrente do 
Iluminismo francês e inglês 
que negava a imposição 
de veracidade da revelação 
bíblica, combatia a intole-
rância religiosa e contestava 
os dogmas, os mistérios e os 
milagres da Igreja Católica.
A razão iluminista 
Desde o Renascimento, podemos dizer que o ra-
cionalismo firmava-se como o modo de pensar do-
minante entre os intelectuais europeus. Valorizava-se 
cada vez mais o papel da razão, do pensamento lógi-
co, na tarefa de explicar o mundo, as sociedades e os 
seres humanos. Essa atitude contribuiu para o desen-
volvimento das ciências e das tecnologias. 
No plano filosófico, o Iluminismo foi a expressão 
mais concreta da tendência racionalista. Daí vem a 
designação atribuída a esse movimento, pois esses 
filósofos pretendiam que a “luz da razão” iluminasse 
a mente das pessoas. Por isso, o século XVIII costu-
ma ser denominado “Século das Luzes”. O filósofo 
Immanuel Kant, em 1784, escreveu que o lema do 
Iluminismo era: “Ousai Saber! Tenha a coragem de 
servir-se de sua própria razão”6. E comparava o “es-
clarecimento” ao processo pelo qual o ser humano 
abandonaria sua “menoridade”, tornando-se cons-ciente da força e independência de sua razão. Ao as-
sumir a liberdade da própria razão, a pessoa deixaria 
de ser tutelada e guiada por outros. 
Para os iluministas, a razão era o instrumento le-
gítimo para conhecer, compreender e julgar. Desse 
modo, usando a razão, seríamos capazes de construir 
uma vida melhor. 
•	 Com base no texto, relacione as seguintes expressões: racionalismo, mecanicismo e Deus.
101CAPÍTULO 8 Antigo Regime e Iluminismo
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Pensadores iluministas 
Diversidade de ideias e objetivos
Vejamos como alguns dos conceitos que acabamos de estudar estão presentes 
na filosofia dos principais teóricos iluministas. 
Locke: empirismo e liberalismo político
John Locke (1632-1704), filósofo inglês, é considerado o “pai do Ilumi-
nismo”. Em sua principal obra, Ensaio sobre o entendimento humano, afirma 
que, quando nascemos, nossa mente é como uma tábula rasa, ou seja, sem 
conhecimento algum. Como, então, passamos a conhecer? Esse conhecimento 
é adquirido primeiro por meio dos sentidos (daí, o nome empirismo, que vem 
do grego empeiría, “experiência sensorial”) e, depois, desenvolvido pelo esfor-
ço da razão.
No plano político, Locke condenou o absolutismo monárquico e o poder 
inato (divino) dos reis. Por outro lado, defendeu o respeito à liberdade dos 
cidadãos, a tolerância religiosa, os direitos de propriedade privada e de livre-
-iniciativa econômica.
Interpretar fonte O	liberalismo	político	de	Locke
Leia o texto extraído do livro Segundo tratado sobre o governo (1690), no qual Locke expõe suas 
ideias liberais no campo político.
A liberdade natural do homem consiste em estar livre de qualquer poder superior na 
Terra [...], tendo somente a lei da natureza como regra. [...] 
Sendo os homens, [...] por natureza, todos livres, iguais e independentes, ninguém pode 
ser expulso de sua propriedade e submetido ao poder político de outrem sem dar consen-
timento. [...] 
Se o homem no estado de natureza é tão livre, conforme dissemos, se é senhor absoluto 
de sua própria pessoa e posses, [...] por que abrirá ele mão dessa liberdade [...] e sujeitar-se-á 
ao domínio e controle de qualquer outro poder? Ao que é óbvio responder que, embora no 
estado de natureza tenha tal direito, a fruição do mesmo é muito incerta e está constan-
temente exposta à invasão de terceiros [...]; e não é sem razão que procura de boa vontade 
juntar-se em sociedade com outros [...] para mútua conservação da vida, da liberdade e dos 
bens a que chamo de “propriedades”. 
LOCKE, John. Segundo tratado sobre o governo. In: Locke. 
São Paulo: Abril, 1978. p. 43, 71, 82. 
•	 Segundo o texto de John Locke: 
a) Como seria o ser humano em estado de natureza? 
b) A que problemas o ser humano estaria exposto em estado de natureza?
c) Como se justificam a origem e a instituição das sociedades?
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Nota
Voltaire: liberdade de pensamento e crítica à 
Igreja Católica 
O filósofo e dramaturgo francês François-Marie Arouet, que usava o pseu-
dônimo Voltaire (1694-1778), foi um dos mais conhecidos pensadores do Ilu-
minismo. Destacou-se pelas críticas que fez ao clero católico, à intolerância 
religiosa e à prepotência dos poderosos. Foi autor de obras como Cândido ou 
o otimismo, Cartas inglesas e Ensaio sobre os costumes.
Não era propriamente um democrata, ou seja, não defendia a participação da 
maioria do povo no poder, mas considerava que a monarquia deveria respeitar as 
liberdades individuais. Segundo ele, o soberano tinha de ser “esclarecido” — isto 
é, seguir as ideias defendidas pelo Iluminismo — e atuar com a assessoria de pen-
sadores iluministas. 
Entre os grandes pilares da construção social imaginada por Voltaire estavam 
as liberdades individuais e as garantias para a propriedade privada.
Montesquieu: a separação dos poderes 
O jurista francês Charles-Louis de Secondat, o barão de Montesquieu 
(1689-1755), é autor de O espírito das leis. Nessa obra defendeu a separação 
dos poderes do Estado em: Legislativo, Executivo e Judiciário. Dessa forma, a 
liberdade individual estaria mais protegida dos abusos dos governantes. Vale 
lembrar que, no Antigo Regime, os poderes do Estado estavam concentrados 
na figura do rei. 
Montesquieu, entretanto, não defendia um governo burguês. Suas simpatias 
políticas inclinavam-se para um liberalismo aristocrático, uma monarquia modera-
da, inspirada na Inglaterra de seu tempo.7
Interpretar fonte A	divisão	dos	poderes
7 Cf. FORTES, Luiz R. Salinas. O Iluminismo e os reis filósofos. São Paulo: Brasiliense, 1982. p. 39.
Leia um trecho adaptado do livro O espírito das leis (1748), sobre a questão dos poderes. 
Quando os poderes Legislativo e Executivo ficam reunidos numa mesma pessoa ou insti-
tuição do Estado, a liberdade desaparece [...]. 
Não haverá também liberdade se o poder Judiciário não estiver separado do Legislativo e 
do Executivo. Se o Judiciário se unisse ao Executivo, o juiz poderia ter a força de um opressor. 
E tudo estaria perdido se uma mesma pessoa — ou uma mesma instituição do Estado — 
exercesse os três poderes: o de fazer as leis, o de ordenar a sua execução e o de julgar os 
conflitos entre os cidadãos. 
MONTESQUIEU. O espírito das leis. São Paulo: Martins Fontes, 1996. p. 168.
•	 Segundo o texto de Montesquieu: 
a) Quais são os três poderes do Estado e qual é a função de cada um deles? 
b) Em que situações não há liberdade?
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Riscado
Diderot e D’Alembert: a Enciclopédia 
Os franceses Denis Diderot (1713-1784) e 
Jean Le Rond D’Alembert (1717-1783) foram 
os principais organizadores de uma enciclopé-
dia de vários volumes, elaborada com o objetivo 
de reunir os principais conhecimentos da épo-
ca nos campos artístico, científico e filosófico. 
A Enciclopédia contou com a colaboração de 
numerosos autores, entre os quais se destaca-
ram Buffon, Montesquieu, Turgot, Condorcet, 
Voltaire, Holbach, Quesnay e Rousseau. 
Essa obra exerceu grande influência sobre o 
pensamento político burguês. Em linhas gerais, 
defendia o racionalismo (em oposição à fé reli-
giosa), a independência do Estado em relação à 
Igreja e a confiança no progresso humano por 
meio das realizações científicas.
Investigando
1. Você costuma consultar enciclopédias? Que assuntos você pesquisa com mais frequência? 
2. Para você, as informações disponíveis nas enciclopédias atuais são confiáveis? Por quê?
Diderot é considerado, por muitos estudiosos, a principal figura da Enciclopédia. Diderot declarava-
-se ateu e materialista, rompendo com a teologia e com a filosofia tradicionais. No texto seguinte, ele 
expressa esse materialismo. 
Se é que podemos acreditar que veremos quando não tivermos olhos; que ouviremos 
quando não tivermos mais ouvidos; que pensaremos quando não tivermos mais cabeça; que 
sentiremos quando não tivermos mais coração; que existiremos quando não estivermos em 
parte alguma; que seremos algo sem extensão e sem lugar [...]. 
Ou seja, se é possível acreditar em tamanhos absurdos, então consinto em que há algo 
além da matéria. 
Tudo é matéria, [...] e a matéria é a essência do real. 
DIDEROT, Denis. In: FORTES, Luiz R. Salinas. op. cit., p. 56. 
Interpretar fonte Materialismo	em	Diderot
•	 Uma das características da reflexão iluminista foi sua independência em relação à tradição religiosa. Como 
isso se expressa no texto de Diderot?
A leitora. Óleo sobre tela de Jean-Honore 
Fragonard de aproximadamente 1776. 
O artista francês notabilizou-se por suas 
pinturas de gênero, que reproduzem o 
cotidiano e cenasda intimidade. Pertence 
ao acervo da Galeria Nacional de Arte, em 
Washington D.C., nos EUA.
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Rousseau: o bom selvagem e o 
contrato social 
Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) nasceu em 
Genebra, na Suíça, e, em 1742, mudou-se para a 
França. É autor de O contrato social, obra na qual 
afirma que o soberano deveria conduzir o Estado 
de acordo com a vontade de seu povo. Segundo 
ele, somente um Estado com bases democráticas 
teria condições de oferecer igualdade jurídica a to-
dos os cidadãos. 
Leia um trecho da obra Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os ho-
mens, em que Rousseau exalta as virtudes da vida natural e ataca a corrupção, a avareza e os vícios da 
sociedade “civilizada”. 
O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, 
disse isto é meu e encontrou pessoas suficientemente simples para respeitá-lo. Quantos 
crimes, guerras, assassinatos, misérias e horrores teria evitado à humanidade aquele que, 
arrancando as estacas desta cerca [...], tivesse gritado: Não escutem esse impostor pois os 
frutos são de todos e a terra é de ninguém. 
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens. In: Rousseau. São Paulo: Abril, 1978. p. 259. 
Interpretar fonte Origem	da	desigualdade
Adam Smith: o liberalismo econômico 
Em outra de suas obras, Discurso sobre a origem 
e os fundamentos da desigualdade entre os homens, 
Rousseau enaltece os valores da vida na natureza, elo-
giando a liberdade e a pureza do selvagem em seu 
estado natural, em contraste com a falsidade e o ar-
tificialismo do mundo civilizado. Assim surgiu o mito 
do bom selvagem.
Rousseau destacou-se como defensor da pequena 
burguesia — pequenos comerciantes, artesãos etc. — 
e inspirador dos ideais que estariam presentes na Revo-
lução Francesa.
jogo da oferta e da procura de mercado. Segundo 
Smith, o trabalho era a verdadeira fonte de riqueza 
para as nações e deveria ser conduzido pela livre-ini-
ciativa particular.
Os representantes da burguesia criticavam a no-
breza e o alto clero que, na sua maneira de ver, nada 
produziam e viviam à custa do Estado absolutista. 
Criticavam, também, a política econômica do Estado 
mercantilista. Podemos dizer que as ideias burguesas 
tinham as seguintes premissas:
•	o Estado é verdadeiramente poderoso se for rico; 
•	para enriquecer, o Estado precisa expandir as ativi-
dades econômicas capitalistas;
•	para expandir as atividades capitalistas, o Estado 
precisa dar liberdade econômica e política para os 
grupos particulares. 
O conjunto dessas ideias ficou conhecido como 
liberalismo econ™mico. Seu principal representante 
foi o economista escocês Adam Smith (1723-1790), 
autor da obra A riqueza das nações. 
Nela, Smith criticou a política mercantilista, por 
meio da qual o Estado interferia na vida econômica. 
Para ele, a economia deveria ser dirigida pelo livre 
1. Como Rousseau explica a fundação da sociedade civil? 
2. Que instituição social acompanha essa fundação e recebe as críticas do autor?
Pessoas caminham em frente à Bolsa de Valores de Nova 
York. Em uma bolsa de valores, são negociados ações e títulos 
financeiros, cujos preços podem variar de acordo com o jogo da 
oferta e da procura de mercado. Fotografia de 2015. 
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Leia um trecho do livro A riqueza das nações, de Adam Smith. 
Todo homem, desde que não viole a justiça, deve ser livre para que seus produtos possam 
competir com quaisquer outros. Nesse sistema de liberdade econômica, o Estado só tem três 
obrigações: proteger a sociedade contra a violência ou invasão de outros países; proteger a 
sociedade da injustiça e da opressão internas; manter e construir obras que sejam do inte-
resse geral, mas que não interessem aos particulares. 
SMITH, Adam. A riqueza das nações. In: LOZÓN, Ignacio et al. História. Madri: Esla, 1992. p. 182. 
Interpretar fonte Funções	do	Estado
Despotismo esclarecido
Absolutismo e algumas reformas sociais
Na Europa, durante a segunda metade do século 
XVIII, houve diversos Estados absolutistas nos quais os 
respectivos monarcas e seus ministros tentaram de al-
guma forma pôr em prática certos princípios da Ilustra-
ção, sem abrir mão, é claro, do próprio absolutismo.8
Essa experiência política foi posteriormente cha-
mada pelos historiadores de despotismo esclareci-
do – ou absolutismo ilustrado. Associando absolutis-
mo e ilustração, o despotismo esclarecido modificou 
a concepção de poder monárquico do absolutismo. 
No despotismo esclarecido, o governante apresen-
ta-se como “o primeiro servidor do Estado”, em con-
traste com a ideia expressa na frase “O Estado sou eu”, 
atribuída a Luís XIV. Segundo essa nova concepção, o 
Estado existe para atender aos interesses dos súditos, 
promover a felicidade pública e o bem-estar geral.9
Os chamados déspotas esclarecidos promoveram 
uma série de reformas públicas, como o incentivo à 
educação pública – por meio da construção de esco-
las, do apoio a academias literárias e científicas e da 
divulgação de textos eruditos – e o aperfeiçoamento 
do sistema de arrecadação tributária, procurando tor-
nar menos opressiva a carga de tributos cobrados das 
classes populares.
8 FALCON, Francisco J. C. Despotismo esclarecido. São Paulo: Ática, 1986. p. 13.
9 Cf. FALCON, Francisco J. C. op. cit., p. 14.
Investigando
•	 Atualmente, além da escola, que espaços e situações contribuem para a construção do conhecimento?
Principais déspotas 
esclarecidos 
Entre os déspotas esclarecidos europeus, pode-
mos destacar: 
•	Frederico II, da Prússia (1712-1786) – aboliu a 
tortura aos suspeitos de ações criminosas, construiu 
diversas escolas de ensino elementar e estimulou 
o desenvolvimento da indústria e da agricultura. 
Manteve amizade com influentes pensadores ilumi-
nistas, como Voltaire. 
•	Catarina II, da Rússia (1729-1796) – mantendo 
intensa correspondência com Diderot, Voltaire e 
D’Alembert, mandou construir escolas e hospitais, 
modernizou a cidade de São Petersburgo, e também 
a administração pública, e tomou bens e terras da 
Igreja Ortodoxa Russa (embora as tenha distribuído 
a seus protegidos). 
1. Segundo o texto de Adam Smith, a que deveria se reduzir o papel do Estado? 
2. De acordo com Adam Smith, qual é a relação entre as obrigações do Estado e a ideia de liberdade econômica?
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Nota
O despotismo esclarecido foi uma forma de governo inspirada em alguns princípios do Iluminismo europeu.
DESPOTISMO ESCLARECIDO
O fenômeno ocorreu em certas monarquias da Europa continental, sobretudo a partir da segunda metade do XVIII.

Origem
A expressão “despotismo esclarecido” foi cunhada pelo historiador alemão Wilhelm Roscher, em 1847, portanto, não foi contemporânea a tal política.

O historiador, com este termo, queria explicar uma série de governos que adotaram vários princípios iluministas como o racionalismo, os ideais filantrópicos e o progresso.

No entanto, estes mesmos governos não fizeram nenhuma concessão à limitação do poder real ou expandiram os direitos políticos para as demais camadas da população.

Por isso, ele é também conhecido por "despotismo benévolo" ou "absolutismo esclarecido".

De forma geral, podemos considerá-lo como um regime onde se aprofunda a ruptura com a tradição típica do Antigo Regime, para uma forma de governar mais eficiente. Contudo, sem abandonar os fatores absolutistas dasmonarquias.

De fato, as regiões mais afetadas por essa política foram a Rússia, França, Áustria, Prússia e a Península Ibérica.
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•	José I, de Portugal (1714-1777) – seu principal 
ministro, Marquês de Pombal (1699-1782), exerceu 
a administração do reino como se fosse o monarca, 
reformando o ensino, modernizando o funciona-
mento das receitas do Estado, estimulando o co-
mércio e favorecendo a formação de uma burgue-
sia comercial e manufatureira.
Apesar das reformas que realizaram, os déspotas 
esclarecidos não abandonaram suas posições conser-
vadoras, mantendo como estava a ordem social e po-
lítica. As reformas inspiradas no Iluminismo tiveram 
o propósito de fortalecer o tipo de Estado que go-
vernavam. Ainda assim, mexeram de algum modo no 
velho edifício do Antigo Regime, liberando forças que 
se revelariam incontroláveis.10
Marquês de Pombal: as bases 
do mercantilismo ilustrado 
O ano de 1750 assinala o fim, em Portugal, do 
reinado absolutista de D. João V. Assinala, também, 
o momento de transição modernizadora do Estado 
português. Portugal era um país enfraquecido devido 
a vários fatores, como a enorme dependência política 
e econômica em relação à Inglaterra, os entraves da 
burocracia administrativa e o domínio da mentalidade 
católica conservadora, entre outros. 
O novo rei, D. José I (que reinou de 1750 a 1777), 
convidou Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro 
Marquês de Pombal, para promover reformas no Esta-
do. Durante 27 anos, Pombal foi o principal ministro 
e homem forte do governo português. Em sua obra 
reformista, combinou mercantilismo e Iluminismo, 
atuando às vezes como déspota esclarecido e outras 
apenas como déspota. Por isso, costuma ser lembra-
do em Portugal como o homem que levou para o país 
os “ares da ilustração europeia”, enquanto no Brasil a 
imagem que ficou dele é a de um governante despó-
tico que acirrou a opressão colonial, na forma de um 
mercantilismo ilustrado. 
Entre as principais medidas tomadas pelo Mar-
quês de Pombal, podemos citar:
•	estímulo às exportações portuguesas (vinho) e à 
produção manufatureira (tecidos), visando diminuir 
a influência inglesa; 
•	reforço do monopólio comercial em relação ao Bra-
sil, visando explorar ao máximo as riquezas colo-
niais, como ouro, açúcar, fumo, entre outros;
•	ampliação dos tributos da mineração (para 100 ar-
robas anuais) e combate ao contrabando, além da 
transferência da capital do Brasil para o Rio de Ja-
neiro, em 1763, para melhor controlar a saída de 
ouro e diamantes; 
•	expulsão dos jesuítas de Portugal e do Brasil, visan-
do acabar com a influência que exerciam no setor 
educacional e nas diversas comunidades indígenas. 
Com a expulsão deles, em 1759, o Estado portu-
guês apropriou-se da imensa riqueza acumulada 
pelos jesuítas (fazendas, imóveis urbanos, armazéns 
de especiarias etc.). Grande parte desses bens foi 
transferida para os amigos da Coroa: funcionários 
leais ao governo e alguns fazendeiros e comercian-
tes bem relacionados.
10 Cf. FALCON, Francisco J. C. op. cit., p. 88.
Retrato de Sebastião José de 
Carvalho e Melo, obra feita pelo 
pintor belga Louis-Michel van 
Loo, em 1766. O Marquês de 
Pombal, então Conde de Oeiras, 
foi representado indicando o 
embarque dos jesuítas no porto 
de Lisboa. Nos papéis, desenhos 
referentes à reconstrução da 
capital portuguesa, destruída por 
um terremoto em 1755. A obra 
hoje faz parte do acervo do Museu 
da Cidade, em Lisboa, Portugal.
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Oficina de História
Vivenciar e refletir
1. Há uma frase atribuída a Voltaire que se tornou sím-
bolo da liberdade de expressão: “Posso não concor-
dar com nenhuma das palavras que você diz, mas 
defenderei até a morte o seu direito de dizê-las.”.
a) Relacione essa afirmação à postura da Igreja Ca-
tólica até a Idade Moderna. 
b) Relacione essa frase à postura dos meios de co-
municação de massa ou das religiões nos dias 
atuais. Em seguida, elabore um texto criativo so-
bre o tema liberdade de expressão.
2. Analise a representação do rei Luís XIV e leia um 
texto sobre a construção de sua imagem oficial:
Por exemplo, Luís não era um homem alto. 
Media apenas cerca de 1,60 metro. Esta dis-
crepância entre sua altura real e o que pode-
ríamos chamar de sua “altura social” tinha de 
ser camuflada de vários modos. […] A peruca 
e os saltos altos […] ajudavam a tornar Luís 
mais imponente. A peruca disfarçava tam-
bém o fato de que o rei perdera boa parte do 
cabelo durante uma doença em 1659. Seus 
retratos tendiam a melhorar sua aparência, 
embora o próprio Luís tenha permitido que o 
retratassem envelhecendo, e até sem dentes. 
BURKE, Peter. A fabricação do rei. Rio de Janeiro: Zahar, 1994. p. 137.
a) Que objetos representados na pintura simboli-
zam o poder real? 
b) Relacione os elementos apontados no texto 
com a representação de Luís XIV. 
c) Em sua opinião, as autoridades políticas de hoje 
se preocupam com a construção de sua ima-
gem? Debata. 
Diálogo interdisciplinar
3. Crie uma charge, inspirado em uma das seguintes frases: 
•	“O Estado sou eu.” 
•	“Um rei, uma fé, uma lei.”
•	“o homem era o lobo do próprio homem”.
4. Leia o trecho do artigo 5 do capítulo IV da atual 
Constituição Federal do Brasil: 
Todos são iguais perante a lei, sem dis-
tinção de qualquer natureza, garantindo-se 
aos brasileiros e estrangeiros residentes no 
País a inviolabilidade do direito à vida, à li-
berdade, à segurança, à propriedade [...]. 
Constituição da República Federativa do Brasil. Disponível em: <http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ConstituicaoCompilado.htm>. 
Acesso em: 7 dez. 2015. 
Comente a diferença entre as concepções jurídicas 
das sociedades estamentais do Antigo Regime e esse 
trecho da Constituição Federal. 
5. Na época do Iluminismo, eram realizados com fre-
quência os salões literários. Neles, pessoas eruditas 
se encontravam a convite de um anfitrião. Deba-
tiam questões filosóficas e morais, liam textos va-
riados e se divertiam. Analise uma representação de 
um desses salões e faça o que se pede:
Diálogo interdisciplinar com Língua Portuguesa e Arte. 
Diálogo interdisciplinar com Sociologia e Filosofia. 
Diálogo interdisciplinar com Arte. 
Luís XIV, óleo sobre tela do pintor Hyacinthe Rigaud 
(1701). Esta pintura pertence ao acervo do Museu 
do Louvre, em Paris, na França.
Havia incômodas discrepâncias entre a 
imagem oficial do rei e a realidade cotidiana 
tal como percebida por seus contemporâ-
neos […]. Essas discrepâncias […] complica-
vam a tarefa de artistas, escritores e outros 
envolvidos com o que se poderia chamar de 
a “administração” da imagem real. 
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a) Descreva detalhes dessa obra. Procure identificar 
os personagens, suas atitudes, vestimentas e alguns 
objetos que compõem o cenário representado.
b) Quais eram as figuras em maior número nessas 
reuniões: homens ou mulheres? Em sua opinião, 
por que isso aconteceria?
De olho na universidade
6. (UFG) Leia e compare os documentos.
O trono real não é o trono de um homem, 
mas o trono do próprio Deus. Três razões 
fazem ver que a monarquia hereditária é o 
melhorgoverno. A primeira é que é o mais 
natural e se perpetua por si próprio. A se-
gunda razão é que esse governo é o que 
interessa mais na conservação do Estado 
e dos poderes que o constituem: o prínci-
pe, que trabalha para o seu Estado, trabalha 
para seus filhos. A terceira razão retira-se 
da dignidade das casas reais. 
BOSSUET, Jacques-Bénigne. A política inspirada na Sagrada Escritura. In: 
FREITAS, Gustavo de. 900 textos e documentos de História. Lisboa: Plátano, 
1977 (adaptado pela instituição). 
Nenhum homem recebeu da natureza o 
direito de comandar os outros. A liberdade 
é um presente do céu, e cada indivíduo da 
mesma espécie tem o direito de gozar dela 
logo que goze da razão. Toda autoridade 
(que não a paterna) vem duma outra ori-
gem, que não é a da natureza. Examinan-
do-a bem, sempre se fará remontar a uma 
dessas duas fontes: ou a força e violência 
daquele que dela se apoderou; ou o consen-
timento daqueles que lhe são submetidos, 
por um contrato celebrado ou suposto entre 
eles e a quem deferiram a autoridade. 
DIDEROT, Denis. Autoridade política. In: FREITAS, Gustavo de. 900 textos e 
documentos de História. Lisboa: Plátano, 1977. 
O primeiro documento data de 1708, ao passo 
que o segundo faz parte da Enciclopédia, cujos vo-
lumes foram publicados entre 1751 e 1780. Ambos 
os escritos tratam do poder político e da relação 
entre governantes e governados, expressando pers-
pectivas distintas. Nesse sentido, identifique e expli-
que os princípios presentes em cada um dos docu-
mentos, que definiram a relação entre governantes 
e governados.
Leitura da tragédia “O órfão chinês” no salão de madame Geoffrin ou Uma tarde na casa de madame Geoffrin. Óleo sobre tela de Anicet- 
-Charles Lemonnier (1755). Esta pintura pertence ao acervo do Museu Nacional do Palácio de Malmaison, em Rueil-Malmaison, na França.
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Inglaterra e Revolução 
Industrial
Na Inglaterra, após o fim do absolutismo, ocorreram transformações que ficaram co-
nhecidas como Revolução Industrial. A partir desse processo, foram desenvolvidas 
máquinas e tecnologias que marcariam o mundo contemporâneo. 
Quais foram os impactos dessa revolução? Você imagina como seria o nosso cotidiano 
sem automóveis, eletrodomésticos, telefones, computadores?
1. Nesta obra, vemos o contraste marcante de duas cenas. Em sua opinião, o que 
representa esse contraste? 
2. Compare-a com a imagem de abertura do capítulo 8 e responda: quais elemen-
tos, na imagem desta página, pode representar as sociedades do Antigo Regime?
Coalbrookdale à noite. Óleo sobre tela de Philip Jacques de Loutherbourg produzido em 1801, representando 
uma das primeiras cidades inglesas a participar da Revolução Industrial. Pertence ao acervo do Museu de 
Ciências, em Londres, Inglaterra.
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capítulo
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Durante o século XVII, a Inglaterra foi palco de mu-
danças políticas que levaram ao fim do absolutismo mo-
nárquico. Essas mudanças fazem parte do longo processo 
chamado de Revolução Inglesa (1642-1689).
O absolutismo inglês teve início com o rei Hen-
rique VII (1457-1509), fundador da dinastia dos Tu-
dor. Os sucessores deste rei consolidaram os poderes 
da monarquia. 
O auge do absolutismo inglês ocorreu no reinado 
de Elizabeth I (1533-1603). Nesse período, teve início 
a expansão colonial inglesa e a colonização da Amé-
rica do Norte. Foi uma época de crescimento econô-
mico do país.
Depois do reinado de Elizabeth I, já na dinastia 
dos Stuart, vários setores da sociedade inglesa (gru-
pos de comerciantes, donos de manufaturas e parte 
dos proprietários rurais) se uniram em torno do Parla-
mento tendo por objetivo controlar ou frear os avan-
ços do absolutismo monárquico. Seguiram-se longos 
conflitos entre os aliados do rei e as forças do Parla-
mento. De um lado, o rei lutava pelo reconhecimento 
de seu poder absoluto. De outro lado, o Parlamento 
lutava pela limitação jurídica do poder real.
Revolução Inglesa
Do absolutismo à monarquia parlamentar 
OCEANO
ATLÂNTICO
MAR DO
NORTE
0º
50º N
LondresBristol
Cardiff
Manchester
Liverpool
Belfast
Glasgow
Edimburgo
Dublin
IRLANDA
IRLANDA
DO NORTE
ESCÓCIA
PAÍS DE
GALES INGLATERRA
0 116 km
Reino Unido atualmente 
Fonte: CALDINI, Vera; ÍSOLA, Leda. Atlas geográfico Saraiva. 3. ed. 
São Paulo: Saraiva, 2009. p. 116. 
O Reino Unido tem suas raízes em meados do século XVII, 
durante o processo da Revolução Inglesa. Essa união política 
formou-se com Inglaterra, Escócia e País de Gales. Posteriormente, 
a Irlanda do Norte passou a integrar o Reino Unido. 
Os conflitos terminaram quando o rei Guilherme III 
assumiu o trono britânico e teve de assinar a Declara-
ção de Direitos (Bill of Rights), em 1689. Esse episódio 
é conhecido como Revolução Gloriosa. A Declaração 
de Direitos limitava os poderes monárquicos. A partir 
de então, o rei não poderia, por exemplo, suspender lei 
alguma nem aumentar tributos sem a aprovação dos 
parlamentares. Estabelecia-se, assim, a superioridade 
da lei sobre a vontade do rei. Esse passo decisivo signi-
ficou o fim do absolutismo na Inglaterra. A monarquia 
tradicional continuou a existir, mas com poderes limita-
dos pelo respeito às leis.
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Rainha Elizabeth I. Painel a óleo de Nicholas Hilliard 
(cerca de 1574). Filha de Henrique VIII, ela consolidou o 
absolutismo e o anglicanismo na Inglaterra. A obra está 
hoje na galeria de arte Walker, em Liverpool, Inglaterra.
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111CAPÍTULO 9 Inglaterra e Revolução Industrial
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Desdobramentos na vida social
Após a Revolução Gloriosa, instalou-se a monarquia parlamentar no Reino 
Unido, que vigora até a atualidade. Para caracterizar a nova condição do monarca 
inglês, tornou-se costume dizer, jocosamente, que “o rei reina, mas não governa”. 
De modo geral, o governo é exercido por um primeiro-ministro, normalmente 
o líder do partido que possui o maior número de parlamentares na Câmara dos 
Comuns. Porém, o monarca inglês continua exercendo funções importantes, como: 
•	a chefia do Estado, representando-o perante outros países; 
•	a chefia das Forças Armadas; 
•	a chefia da Igreja Anglicana, que congrega cerca de 43% da população do Reino 
Unido.
A Revolução Gloriosa foi acompanhada de transformações na vida econômica. 
O sistema feudal foi extinto no Reino Unido, abrindo espaço para a moderniza-
ção da propriedade agrária, das relações de trabalho no campo e das técnicas de 
produção.
A burguesia das cidades e a nobreza rural melhoraram sua convivência políti-
ca e econômica. O país tornou-se a maior potência comercial da época e lançou 
as bases para o desenvolvimento do capitalismo industrial. 
Além disso, historiadores costumam destacar outras consequências da Revo-
lução Gloriosa, como: 
•	Tolerância religiosa – os ingleses passaram a desfrutar mais liberdade religiosa 
que outros europeus. O anglicanismo predominava no país, mas era permiti-
do aos católicos e protestantes celebrar publicamente seus cultos religiosos. Na 
mesma época, em boa parte dos reinos e principados europeus, era permitida 
a prática de uma única religião, de acordo com o princípio expresso pelo bispo 
Bossuet: “Um rei, uma fé, uma lei”. 
•	Liberdade de expressão política e filosófica – a monarquia parlamentar 
proporcionou maior liberdade de expressão política e filosófica, fazendo 
com que o regime inglês fosse admirado, no século XVIII, por intelectuaisliberais de várias regiões da Europa, a exemplo do filósofo francês Voltaire.
Rainha Elisabeth II em cerimônia na Câmara dos Lordes. Seu reinado foi iniciado em 1952 e dura até 
hoje. É o mais longo da história do Reino Unido, que permanece na atualidade como monarquia 
parlamentar. Fotografia de 2015. 
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112 UNIDADE 2 Súdito e cidadão
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Revolução Industrial
Da produção artesanal à produção nas fábricas
Na Europa, entre os séculos XVIII e XIX, desenvolveu-se uma nova forma de 
produção de bens, realizada por trabalhadores assalariados e com o uso predomi-
nante de máquinas. Esse processo foi chamado de Revolução Industrial. 
Segundo historiadores, a Revolução Industrial começou na Inglaterra por volta 
do século XVIII e se espalhou por outros países a partir do século seguinte. No en-
tanto, tais transformações não ocorreram ao mesmo tempo em todos os lugares, 
tampouco obedeceram aos mesmos padrões. 
Antes da Revolução Industrial, as formas predominantes de produção de 
mercadorias eram o artesanato e a manufatura. Vejamos algumas de suas ca-
racterísticas.
•	Artesanato – produção realizada de forma manual, com o auxílio de ferramen-
tas e em pequena escala. O produtor (artesão) trabalhava em sua casa ou oficina 
e controlava as diversas fases da produção artesanal. O economista Adam Smith 
ilustrou essa produção da seguinte maneira: um artesão que fizesse alfinetes 
precisaria conhecer e executar várias tarefas. Ele devia endireitar um arame, cor-
tá-lo, afiar uma ponta, colocar a cabeça na outra extremidade e dar o polimento 
final. Além de dominar as fases do processo produtivo, o artesão também era 
geralmente o dono das matérias-primas e dos instrumentos de produção (a ofi-
cina, as ferramentas etc.). 
Trabalhando em sua própria casa ou oficina, o artesão produzia na medida de sua necessidade, disposição e ritmo de trabalho. Esta 
gravura publicada no livro O vestuário em Yorkshire (1814) representa mulheres realizando algumas etapas do trabalho de fiação.
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113CAPÍTULO 9 Inglaterra e Revolução Industrial
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A forma de produção característica da Revolução 
Industrial foi a maquinofatura. Trata-se da produção 
mecanizada que se desenvolveu quando os avanços 
técnicos, aliados ao aperfeiçoamento dos métodos 
produtivos, propiciaram a criação das máquinas in-
dustriais e a geração de produtos em série nas fábri-
cas. As novas máquinas foram substituindo várias fer-
ramentas e, muitas vezes, o próprio trabalhador. Nas 
fábricas, o trabalhador era um operário que recebia 
salários para executar tarefas sob as ordens de um 
gerente de produção.
 A maquinofatura e a sociedade industrial trouxe-
ram mudanças significativas na relação do trabalha-
dor com o produto do seu trabalho.
Como o trabalho do operário foi subdividido em 
múltiplas tarefas específicas, essa especialização do 
trabalhador conduziu à perda da noção de conjunto 
do processo produtivo. A fragmentação do trabalho 
representava uma fragmentação do saber e do fazer.
Além disso, a produção 
em série e em larga escala 
colaborou para massificar o 
gosto das pessoas que com-
pravam produtos do mesmo 
tipo industrial.
•	Manufatura – em alguns países, como Inglaterra 
e França, a transformação de matérias-primas em 
mercadorias também se organizou em manufatu-
ras, que eram grandes oficinas onde vários artesãos 
executavam as tarefas manuais usando ferramen-
tas, sob o controle do dono da manufatura. Nessas 
oficinas, começaram a ser implantados a produção 
em série e um sistema de divisão do trabalho, pelo 
qual cada artesão passou a cumprir uma tarefa es-
pecífica dentro da fabricação de uma mesma mer-
cadoria. Esse processo daria origem às linhas de 
produção e montagem que se tornaram típicas da 
era industrial. Assim, voltando ao exemplo de Adam 
Smith, a produção de alfinetes em uma manufatura 
contava com artesãos que executavam apenas uma 
parte do trabalho. Um artesão puxava o arame, ou-
tro o endireitava, um terceiro o cortava, um quarto 
afiava uma extremidade, um quinto esmerilhava a 
outra ponta para a colocação da cabeça, um sexto 
colocava a cabeça e um sétimo dava o polimento 
final. Com isso, aumentava-se a velocidade de pro-
dução, pois cada trabalhador passava o dia todo 
fazendo a mesma tarefa, tornando-se ágil em sua 
realização, além de ter um compromisso em dar 
sequência ao trabalho de seus companheiros. 
Investigando
1. No Brasil atual, há uma massificação no gosto das pessoas? Explique e dê exemplos. 
2. Por que é importante respeitar diferentes gostos? Reflita.
Tipo industrial: 
padrão ou modelo 
utilizado para pro-
duzir objetos iguais 
ou semelhantes.
Operárias e operários 
trabalham na separação de 
carvão, em Blanzy, na França. 
Obra de 1836.f
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114 UNIDADE 2 Súdito e cidadão
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Ao considerar os países envolvidos e as inovações 
técnicas, os historiadores costumam identificar gran-
des momentos da industrialização:
•	Primeiro momento (entre os séculos XVIII e 
XIX) – o processo de industrialização ficou mais 
concentrado no Reino Unido. O maior destaque foi 
o desenvolvimento da indústria de tecidos de algo-
dão, com a utilização do tear mecânico. Além disso, 
o aperfeiçoamento e a utilização de máquinas a va-
por teve importância notável para o desenvolvimen-
to das fábricas. Essa fase costuma ser chamada de 
Primeira Revolução Industrial.
•	Segundo momento (entre os séculos XIX e XX) – 
a industrialização espalhou-se por algumas áreas da 
Europa, atingindo países como Bélgica, França, Ale-
manha, Itália e Rússia. Alcançou também outros con-
tinentes, ganhando espaço nos Estados Unidos e no 
Japão. Nesse período, o progresso tecnológico foi de 
tal modo significativo que costuma ser caracterizado 
como Segunda Revolução Industrial. As principais 
Investigando
1. Em sua opinião, no futuro, todo trabalho será realizado por máquinas ou existem atividades que uma má-
quina nunca será capaz de executar? Reflita.
2. Na atualidade, quais são as fontes de energia consideradas alternativas aos combustíveis fósseis?
Em destaque O	desenvolvimento	da	aviação
A aviação começou a se desenvolver a partir do século XX. Até essa época, a maioria das viagens de 
longa distância eram feitas pela terra e pelo mar. 
Os primeiros modelos de avião fo-
ram projetados pelo brasileiro Alberto 
Santos Dumont e pelos irmãos estadu-
nidenses Wright. Entre 1902 e 1903, 
Orville e Wilbur Wright voaram a bordo 
do Flyer, nos EUA. Em 1906, Dumont 
voou a bordo do 14-bis na França. En-
quanto o invento dos irmãos Wright 
precisava ser impulsionado por outro 
veículo para alçar voo, o 14-bis era ca-
paz de realizar uma decolagem autô-
noma. Depois disso, foram construídos 
inúmeros modelos precursores da avia-
ção moderna.
Avião 14-bis, concebido pelo brasileiro Santos Dumont, pioneiro da aviação. 
Em 23 de outubro de 1906, Dumont percorreu 60 metros em 7 segundos na 
cidade de Paris. Fotografia de 1906. 
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inovações técnicas foram a utilização do aço, o apro-
veitamento da energia elétrica e dos combustíveis pe-
trolíferos, a invenção do motor a explosão e o desen-
volvimento de produtos químicos. Além disso, foram 
inventados meios de transporte e comunicação, como 
o automóvel, o avião, o telefone, o rádio e o cinema.•	Terceiro momento (desde meados do século 
XX) – os grandes avanços tecnológicos do mun-
do contemporâneo levaram alguns historiadores a 
considerar a existência de uma Terceira Revolução 
Industrial. Nesse período, foram desenvolvidas 
novas tecnologias como o microcomputador, a mi-
croeletrônica, a robótica, a engenharia genética, a 
telemática (uso combinado do computador e das 
telecomunicações, como fax, celular, internet, tele-
visão) etc. Tal como ocorreu no primeiro momento 
da Revolução Industrial, entre as principais conse-
quências dessa “Terceira Revolução Industrial” está 
o aumento da produtividade, com a utilização de 
um número cada vez menor de trabalhadores.
• Você conhece outras invenções desenvolvidas por brasileiros? Quais? Pesquise.
115CAPÍTULO 9 Inglaterra e Revolução Industrial
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Em destaque O	mundo	ficou	menor
Ao longo do século XIX, foram desenvolvidos diversos modelos de locomotivas que se tornaram 
um símbolo da Revolução Industrial. Esses novos veículos provocaram grandes mudanças na econo-
mia e no cotidiano das sociedades industrializadas, pois diminuíram o tempo gasto nos deslocamen-
tos e aceleraram o ritmo da vida. 
Dos trens movidos a vapor aos elétricos, a velocidade e o número de pessoas e cargas transporta-
das aumentou muito. Por exemplo, a locomotiva Rocket, fabricada em 1829, atingia uma velocidade 
média de 22 km/h. Atualmente, existem trens capazes de atingir 300 km/h.
Impactos
As sociedades urbanas e industriais
A difusão da Revolução Industrial provocou di-
versas transformações nas condições de vida das 
pessoas, nas relações de trabalho, no crescimento 
das populações e das cidades. 
Condições de trabalho
Para aumentar os lucros e expandir suas empresas, 
os industriais empenharam-se em obter liberdade eco-
nômica, mercados consumidores e mão de obra barata.
Assim, a maioria dos operários recebia salários 
baixos. Os salários eram tão reduzidos que, com fre-
quência, toda a família era obrigada a trabalhar nas 
fábricas para sobreviver, inclusive mulheres e crianças.
Era comum, em diversas indústrias, que os ope-
rários trabalhassem mais de 15 horas por dia. Para se 
ter uma ideia do que isso significa, por volta de 1780, 
um operário na Inglaterra vivia, em média, 55 anos e 
trabalhava 125 mil horas ao longo da vida. Atualmen-
te, nos países desenvolvidos, um operário vive cerca 
de 78 anos e trabalha 69 mil horas ao longo da vida.
Além disso, as precárias instalações das fábricas 
prejudicavam a saúde dos trabalhadores. Em muitas 
fábricas, o ambiente era sujo, poeirento e mal venti-
lado. Apesar dos avanços da medicina, propagavam-
-se várias doenças ligadas às péssimas condições de 
trabalho e de moradia dos operários desse período.
• Escreva um texto relacionando as seguintes frases: “as locomotivas tornaram-se um símbolo da Revo-
lução Industrial” e “o mundo ficou menor”. 
Réplica da locomotiva 
Rocket, palavra que significa 
“foguete” em inglês. 
Fotografia de 2010. 
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Investigando
• Na sua casa, as tarefas domésticas são distribuídas igualmente entre homens e 
mulheres?
O trabalho feminino e infantil
A Revolução Industrial não inventou o trabalho feminino e infantil. Em outros 
tempos e sociedades, mulheres e crianças trabalhavam na agricultura, na criação 
de animais e no artesanato. A diferença é que, a partir do século XVIII, a mão de 
obra feminina e infantil passou a ser utilizada em lugares distantes das casas, cum-
prindo a disciplina das fábricas, com horários controlados de forma rígida, como 
acontecia com os demais operários. Em contraste com a maioria dos homens, as 
mulheres que trabalhavam nas fábricas também costumavam trabalhar em casa, 
cuidando das tarefas domésticas e dos filhos.
Resistências operárias
As más condições de trabalho provocaram conflitos entre operários e empre-
sários, não só na Inglaterra como em outras sociedades onde se desenvolveu o 
sistema fabril. 
Nesses conflitos, houve casos de grupos de operários que invadiram fábricas e 
destruíram máquinas. Para eles, as máquinas representavam o desemprego, a mi-
séria, os salários baixos e a opressão. Porém, boa parte dos trabalhadores percebeu 
que a luta do movimento operário não deveria ser dirigida propriamente contra 
as máquinas, mas sim contra o sistema de injustiças do capitalismo industrial. 
Surgiram, então, na Inglaterra, no final do século XVIII, organizações operárias 
que iniciaram a luta por melhores salários e condições de vida para o trabalhador, 
dando origem aos primeiros sindicatos.
Mulheres e crianças operárias 
recebiam salários inferiores 
àqueles pagos aos homens 
adultos. Nesta fotografia, vemos 
crianças trabalhando em uma 
fábrica de ferramentas na França, 
por volta de 1880. Fotografia que 
pertence ao acervo dos Arquivos 
Departamentais de Ardennes, em 
Charleville-Mezieres, na França.
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117CAPÍTULO 9 Inglaterra e Revolução Industrial
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População e cidades
No contexto das revoluções industriais e dos avanços científicos, houve o de-
senvolvimento da teoria atômica, da teoria da divisão celular, das primeiras leis da 
genética, da anestesia com éter, bem como a descoberta do bacilo da tuberculose 
e da necessidade de assepsia nos procedimentos médicos etc. Tudo isso contribuiu 
para melhorar os padrões de saúde pública e reduzir as taxas de mortalidade pro-
vocadas por doenças como varíola, cólera, tifo, difteria e tuberculose. 
Pesquisadores apontam que, a partir de meados do século XVIII, ocorreu pro-
funda mudança no ritmo de crescimento da população mundial. De acordo com 
os cálculos demográficos de J. Durand, a população mundial no ano 1 do calendá-
rio cristão era de 500 milhões de pessoas. Em 1750, essa população foi estimada 
em quase 800 milhões de pessoas. A partir desse período, houve um crescimento 
impressionante da taxa populacional. 
De 1750 a 1800, a população mundial atingiu cerca de 1 bilhão de pessoas. 
Em 1927, saltou para 2 bilhões. Em 1960, atingiu 3 bilhões de pessoas. Em 2015, 
estima-se que a população mundial tenha alcançado cerca de 7,35 bilhões de pes-
soas. Veja na tabela este crescimento.
O aumento demográfico fez-se sentir no crescimento das cidades. Um rápi-
do balanço do que aconteceu na Europa mostra que, em 1801, existiam apenas 
23 cidades europeias com mais de 100 mil habitantes. Já em 1900 esse número 
ampliou-se para 135 cidades.1
Como fenômeno mundial, o crescimento das cidades desdobrou-se em várias 
dimensões da vida social: ritmos de trabalho, formas de lazer, moradias, alimen-
tação, transporte, comunicação, educação etc. Para o historiador René Rémond, 
poucos fenômenos do mundo contemporâneo tiveram um caráter tão global e 
abrangente quanto a urbanização.
1 Cf. RÉMOND, René. Introdução à história do nosso tempo: do Antigo Regime aos nossos dias. Lisboa: Gradiva, 1994. p. 226.
Procedimento cirúrgico realizado na Tunísia em 2015. As cirurgias estão 
entre os procedimentos médicos que ajudam a aumentar a média da 
expectativa de vida da população. 
Estimativas de crescimento da população mundial
População Ano
0,5 bilhão 1
0,8 bilhão 1750
1 bilhão 1801
2 bilhões 1927
3 bilhões 1960
4 bilhões 1974
5 bilhões 1987
6 bilhões 2000
7 bilhões 2011
8 bilhões 2026
9 bilhões 2050
11 bilhões 2100
Fontes: DURAND, J. D. Historical 
Estimates of World Population: 
an Evaluation. Universidade da 
Pensilvânia: Filadélfia, 1974; NAÇÕES 
UNIDAS. The Determinants and 
Consequences of Population Trends. 
v. 1; ONU: Nova York, 1973; idem. 
World Population Prospects as Assessed 
in 1963. ONU: Nova York, 1966; idem. 
World PopulationProspects: The 1998 
Revision. ONU: Nova York, 1998; idem. 
World Population Prospects: The 2015 
Revision, Key Findings and Advance 
Tables. ONU: Nova York, 2015.
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118 UNIDADE 2 Súdito e cidadão
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Em destaque Urbanização	e	aglomerações	humanas
A urbanização é um fenômeno social que alcançou sociedades de vários continentes. Atualmente, 
cerca de 54% da população mundial vive em cidades. Há mais de 200 cidades no mundo com popula-
ção superior a 1 milhão de habitantes. E há várias cidades cuja população ultrapassa 10 milhões. Novos 
termos foram criados para denominar essas gigantescas aglomerações humanas, como metrópoles, 
megalópoles e megacidades.
Fonte: United Nations, Department of Economic and Social Affairs, Population Division (2015). Disponível em: <http://esa.
un.org/unpd/wpp/>. Acesso em: 16 out. 2015. 
Principais aglomerações urbanas no mundo 
(estimativas para 2030) (em milhões de habitantes) 
Cidade País População
1 Tóquio Japão 37,1
2 Nova Délhi Índia 36,0
3 Shangai China 30,7
4 Mumbai Índia 27,8
5 Beijing China 27,7
6 Dacca Bangladesh 27,3
7 Karachi Paquistão 24,8
8 Cairo Egito 24,5
9 Lagos Nigéria 24,2
10
Cidade do 
México
México 23,8
Principais aglomerações urbanas no mundo 
(2014) (em milhões de habitantes) 
Cidade País População
1 Tóquio Japão 37,8
2 Nova Délhi Índia 24,9
3 Shangai China 23,0
4
Cidade do 
México
México 20,8
5 Grande São Paulo Brasil 20,8
6 Mumbai Índia 20,7
7 Osaka China 20,1
8 Beijing China 19,5
9
Nova York-
-Newark
Estados 
Unidos
18,5
10 Cairo Egito 18,4
1. Em que continente estão as maiores aglomerações urbanas? 
2. Quais são as cidades mais populosas do Brasil atual? Para responder, consulte um atlas geográfico.
3. Com base nas suas experiências pessoais, reflita: quais seriam as vantagens e as desvantagens de se viver em 
cidades? Responda em grupo. 
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Vista da cidade do 
Cairo, capital do Egito, 
em 2015. Trata-se de 
uma das 10 maiores 
cidades do mundo. 
119CAPÍTULO 9 Inglaterra e Revolução Industrial
110a121_U2_C9_HISTGLOBAL2_PNLD18.indd 119 5/17/16 11:20 AM
Oficina de História
Vivenciar e refletir
1. Leia um trecho adaptado da Declaração de Direitos, 
de 1689.
Art. 1o. O pretenso poder de suspender as 
leis pela autoridade real, sem consentimen-
to do Parlamento, é ilegal. 
Art. 4o. O direito de cobrar impostos para 
uso da Coroa, sem autorização do Parla-
mento, é ilegal. 
Art. 5o. É direito dos súditos apresentar 
pedidos judiciais (petições) ao rei. 
Art. 8o. As eleições dos deputados ao Par-
lamento serão livres. 
Art. 9o. A liberdade de expressão nos de-
bates parlamentares não será questionada 
em nenhuma outra Corte a não ser no pró-
prio Parlamento. 
Art. 12o. Para corrigir, fortalecer e preser-
var as leis é necessário que o Parlamento se 
reúna com frequência. 
Cf. Declaração de Direitos, de 1689. In: Coletânea de documentos históricos 
para o primeiro grau. São Paulo: Cenp, 1978. p. 84. 
a) O texto apresenta limitações ao poder do rei? 
Justifique com exemplos. 
b) Quais são os trechos em que o Parlamento ga-
rante para si o exercício de seus poderes? 
2. Observe a imagem e escreva um texto dissertativo 
sobre as transformações que a Revolução Industrial 
trouxe à vida das pessoas da época. 
3. A expansão da produção industrial acabou com 
o artesanato nos dias atuais? Em sua casa existem 
mais objetos produzidos industrial ou artesa- 
nalmente?
Selecione e apresente para seus colegas um obje-
to produzido artesanalmente. Se possível, explique 
onde o objeto foi produzido, de que material é feito, 
para que serve etc.
Diálogo interdisciplinar
4. Em grupos, assistam ao filme Tempos Modernos 
(Estados Unidos, 1936), de Charlie Chaplin. Em se-
guida, respondam às questões: 
a) Como podemos relacionar a narrativa do filme 
ao que foi estudado no capítulo? 
b) Podemos afirmar que Chaplin tece críticas à 
vida moderna por meio do humor? Responda 
com base na leitura do capítulo e nas cenas do 
filme. 
c) Compare a história vivida pelo operário (Char-
lie Chaplin) com a da jovem órfã (Paulette 
Goddard). Quais são as semelhanças e as dife-
renças entre essas histórias? 
d) Como são representados os movimentos ope-
rários no filme? As cenas fazem alguma crítica 
com relação a esse assunto?
e) Em sua opinião, o final do filme é otimista? Argu-
mente.
5. Leia o texto sobre a vida nas comunidades rurais an-
tes da industrialização: 
[...] eram comuns as festas religiosas e as 
festas do trabalho que aconteciam ao final 
da colheita da safra agrícola. Nesse período 
ainda não existia uma separação rígida en-
tre tempo de trabalho e tempo de lazer ou 
descanso. Muitas atividades do trabalho ru-
ral eram exercidas ao som de canções, que 
também serviam para dar ritmo à execução 
das tarefas. [...]
Antes do sistema fabril, as pessoas tra-
balhavam artesanalmente e em pequenos 
grupos, geralmente uma família e seus 
Diálogo interdisciplinar com Arte e Sociologia.
Diálogo interdisciplinar com Sociologia e Geografia. 
Prensa a vapor, telégrafo elétrico, locomotiva e barco a vapor: 
todos inventados no século XIX. Na parte inferior da imagem, 
de 1876, lê-se: “O progresso do século”.
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120 UNIDADE 2 Súdito e cidadão
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dependentes, que se especializavam na 
confecção de determinado produto. O ar-
tesão era independente, dono da oficina e 
das ferramentas nela utilizadas, e auxilia-
do por aprendizes aos quais ensinava aos 
poucos as etapas do serviço, até que se tor-
nassem oficiais; esses grupos de trabalho 
se reuniam em associações, corporações 
de ofício (pois todos aprendiam o mesmo 
ofício) ou ainda guildas, que tinham uma 
produção predeterminada. 
DECCA, Edgar de; MENEGUELLO, Cristina. Fábricas e homens: a Revolução 
Industrial e o cotidiano dos trabalhadores. São Paulo: Atual, 1999. p. 29-30. 
Que relações você pode estabelecer entre o modo 
de trabalho descrito e o que se verifica na atualidade? 
Aponte transformações e continuidades.
6. Leia o texto sobre alguns dos problemas referentes 
às condições de vida nas grandes cidades: 
Antes de 1850, nenhum país tinha uma 
população predominantemente urbana. 
Foi então que a Inglaterra, pioneiramente, 
passou a ter uma composição demográfica 
na qual deixava de prevalecer a população 
rural.
[...] Com a predominância da popula-
ção urbana [...], alguns dos problemas do 
tipo de vida existente nas grandes cidades 
passaram a exercer uma influência mais 
acentuada sobre o conjunto da população. 
[...] 
Georg Simmel, na passagem do século 
XIX para o século XX, observou que os mo-
radores das grandes cidades esbarram fisi-
camente uns nos outros e no entanto é raro 
que eles cheguem a se conhecer humana-
mente. [...] 
No começo do século XX, Louis Wirth 
notou que o morador da grande cidade se 
relaciona com grande número de pessoas, 
porém não pode aprofundar essas relações, 
o que lhe acarreta frustrações [...]
Di‡logo interdisciplinar com Geografia e Sociologia.
No espaço da cidade passam a ser rude-
mente contrapostos [...] os polos da riqueza 
e da pobreza. [...] 
De um lado, ficam os excluídos: despre-
parados para a rude competição do merca-
do, angustiados pela premência das neces-
sidades básicas insatisfeitas [...]. Do outro, 
os privilegiados, [...] empenhados em prote-
ger suas vidas e seu patrimônio de perigos 
crescentes, encastelados atrás de grades e 
muralhas. [...] 
KONDER, Leandro. Os sofrimentos do homem burguês. 
São Paulo: Senac, 2000. p. 63-66.
a) Quais aspectos apresentados no texto fazem 
parte do seu cotidiano? Reflita. 
b) Na sua interpretação, as grandes cidades estão 
divididas por abismossociais que separam os 
“incluídos” dos “excluídos”? Explique. 
De olho na universidade
7. (Unicamp)
Na Europa, até o século XVIII, o passa-
do era o modelo para o presente e para o 
futuro. O velho representava a sabedoria, 
não apenas em termos de uma longa expe-
riência, mas também da memória de como 
eram as coisas, como eram feitas e, por-
tanto, de como deveriam ser feitas. Atual-
mente, a experiência acumulada não é mais 
considerada tão relevante. Desde o início da 
Revolução Industrial, a novidade trazida por 
cada geração é muito mais marcante do que 
sua semelhança com o que havia antes. 
HOBSBAWM, Eric. O que a história tem a dizer-nos sobre a sociedade 
contemporânea? In: Sobre História. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. 
p. 37-38 (adaptado pela instituição). 
a) Segundo o texto, como a Revolução Industrial 
transformou nossa atitude em relação ao pas-
sado? 
b) De que maneiras a Revolução Industrial dos sé-
culos XVIII e XIX alterou o sistema de produção? 
121CAPÍTULO 9 Inglaterra e Revolução Industrial
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Formação dos Estados 
Unidos
Nos dias atuais, os Estados Unidos são considerados um dos países mais poderosos do 
planeta. Detêm o maior PIB entre todas as nações, controlam o maior arsenal bélico 
mundial e difundem seu estilo de vida através da presença internacional do idioma 
inglês e de expressões culturais, como o cinema e a música. 
Que histórias marcaram a formação dos Estados Unidos?
1. Quais elementos da imagem sugerem que a cena representa o momento da 
chegada dessas pessoas a algum lugar? 
2. Após a leitura do capítulo, volte à imagem e responda: das causas apontadas 
como motivadoras da colonização inglesa na América do Norte, qual está 
evidenciada na imagem?
A chegada dos pais peregrinos. Óleo sobre tela de Antonio Gisbert. Obra produzida em cerca de 1864. 
Pertence a uma coleção particular.
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122 UNIDADE 2 Súdito e cidadão
capítulo
10
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Durante o século XVI, os ingleses realizaram 
algumas tentativas de colonização da América do 
Norte. No entanto, a região só foi efetivamente 
colonizada no século XVII. 
Em 1607, formou-se uma primeira colônia, 
chamada Virgínia. Na época, o governo inglês 
havia concedido o monopólio sobre a exploração 
dessa colônia a uma empresa privada.
Pouco tempo depois, comunidades inteiras 
de protestantes e alguns grupos de católicos co-
meçaram a emigrar da Europa para a América 
do Norte, fugindo de perseguições religiosas e de 
dificuldades econômicas. O primeiro desembar-
que dos colonos protestantes ocorreu em 1620, 
em Massachusetts, vindos no navio Mayflower. 
Esses primeiros colonos, que ficaram conhecidos 
como “pais peregrinos”, “são, de certa forma, os 
fundadores do que, mais tarde, seriam os EUA. 
Não são os pais de toda a nação, são os pais da 
parte WASP (em inglês, white anglo-saxon pro-
testant, ou seja, branco, anglo-saxão, protestan-
te) dos EUA”.1
Esses grupos se estabeleceram em diferentes 
áreas da costa leste, onde foram construindo no-
vas colônias. Até o século XVIII, foram fundadas 
13 colônias independentes entre si, mas subordi-
nadas à metrópole inglesa.
Uma das intenções de boa parte desses pri-
meiros colonos da América do Norte era construir 
sociedades autônomas, em que pudessem erguer 
um “novo lar” para começar uma nova vida. 
Com o decorrer da colonização, esse projeto 
foi crescendo, principalmente nas colônias da re-
gião centro-norte, onde foram criados sistemas 
de autogoverno dos colonos (assembleias locais 
com poderes para elaborar leis e fixar tributos). 
1 KARNAL, Leandro. Estados Unidos: da colônia à independência. São Paulo: Contexto, 1999. p. 30.
As 13 colônias
Ocupação inglesa na América do Norte 
Emigrar: deixar um país, comu-
mente o país de origem, com o 
intuito de estabelecer-se em outro.
Investigando
1. Levante hipóteses sobre o que motiva pessoas a migrarem para regiões distantes.
2. Você deseja em algum momento viver em outra cidade ou país? 
Fonte: ALBUQUERQUE, Manoel Maurício de et al. Atlas histórico 
escolar. 8. ed. Rio de Janeiro: MEC/Fename, 1986. p. 70. 
OCEANO
ATLÂNTICO
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30º N
70º O
MASSACHUSETTS
(MAINE)
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RHODE ISLAND
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VIRGÍNIA
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DO NORTE
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As 13 colônias inglesas na 
América (1775) 
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123CAPÍTULO 10 Formação dos Estados Unidos
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Colonos e indígenas
No projeto de povoamento dos grupos recém-chegados à América do Norte, 
não havia um projeto de “integração” dos povos indígenas. Assim, ao erguer a 
sociedade autônoma que desejavam, os colonos europeus e seus descendentes 
acabaram empreendendo uma luta sistemática contra centenas de grupos indíge-
nas que habitavam, há milhares de anos, o território norte-americano. 
Entre guerras abertas, alianças rompidas e breves períodos de paz, os indíge-
nas foram dizimados ou obrigados a migrar para o interior do território.
Em destaque Dia de Ação de Graças
Atualmente, o dia de Ação de Graças é um feriado nacional nos Estados Unidos, comemorado 
todos os anos na última quinta-feira do mês de novembro. A celebração está relacionada às trocas 
culturais entre colonos e indígenas americanos. 
Os colonos que chegaram à América em 1620 enfrentaram dificuldades para sobreviver e muitos de-
les morreram. Nesse contexto, os indígenas wampanoags ensinaram os colonos a caçar, a pescar e a cul-
tivar plantas nativas como o milho e a abóbora. Assim, as colheitas do ano seguinte foram abundantes. 
Em agradecimento, conta-se que os colo-
nos convidaram os wampanoags para uma far-
ta refeição em 1621. A celebração teria sido o 
primeiro dia de Ação de Graças. Leia o texto a 
seguir sobre o evento:
A amigável celebração da colheita de 
1621 foi seguida por uma relação longa e 
dolorosa entre nativos americanos e colo-
nos europeus. Muitos nativos americanos 
nos Estados Unidos veem o dia de Ação de 
Graças como um “dia de luto nacional”.
No entanto, outros desfrutam de uma 
refeição tradicional de Ação de Graças em 
casa ou em grandes reuniões comunitá-
rias com a família e amigos. A história e 
a cultura dos nativos americanos são fre-
quentemente discutidas em escolas [...] 
durante o mês de novembro, designado 
como Mês Nacional da Herança dos Ín-
dios Americanos e dos Nativos do Alasca.
Departamento de Estado dos EUA/Embaixada dos Estados Unidos. 
“Dia de Ação de Graças”. Publicado em novembro de 2011. 
Disponível em: <http://photos.state.gov/libraries/amgov/133183/
portuguese/P_US_Holidays_Thanksgiving_Day_Portuguese.pdf>. 
Acesso em: 8 dez. 2015. 
1. Segundo o texto, como foram os primeiros contatos entre os peregrinos e os wampanoags? 
2. Por que, atualmente, o dia de Ação de Graças passou a ser visto por muitos nativos americanos como o “dia 
de luto nacional”? 
3. Toda data comemorativa tem uma história. Pesquise a história de um feriado nacional brasileiro e compar-
tilhe com seus colegas. 
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Liberdade da pobreza, obra também conhecida como 
Retrato do Dia de Ação de Graças, criado em 1943 pelo artista 
estadunidense Norman Rockwell. Pertence ao acervo do 
Museu Norman Rockwell, Stockbridge, EUA.
124 UNIDADE 2 Súdito e cidadão
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OCEANO
ATLÂNTICO
Golfo do
México
OCEANO
PACÍFICO
110° O
36° 30´ N
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CHICKASAW
TIMUCUAN
POWHATAN
CHEROKEE
CREEK
COMANCHE
DAKOTA
BLACKFOOT
NEZ
PERCE
Áreas culturais
Limite atual dos Estados Unidos
Costa Oriental, Sudeste e
Grandes Lagos
Planícies
Califórnia e Grande Bacia
Sudoeste
Costa Noroeste
0 314 km
Alguns povos indígenas no território que hoje 
compreende os Estados Unidos (século XVI)
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Modelos de colonização
Alguns historiadores costumam distinguir dois mo-
delos de colonização adotados na América do Norte.
Colônias do centro-norte
Nas colônias inglesas do centro-norte, implemen-
tou-se uma produção agrícola diversificada (policul-
tura) para o mercado interno, baseada na pequena e 
média propriedade rural. 
Nelas, predominavam o trabalho livre e assalaria-
do e a servidão temporária (no caso do imigrante, até 
que ele pagasse, por exemplo, suas despesas da via-
gem para a América). 
No norte, destacaram-se também a extração de 
madeira e peles, a atividade pesqueira e um dinâmico 
comércio marítimo com as Antilhas e regiões da Áfri-
ca. Ao contrário do que ocorria no Brasil Colonial, os 
colonos dessa região não eram proibidos de realizar 
comércio com estrangeiros. 
No centro, sobressaíram as culturas de trigo, ce-
vada e centeio, além da criação de bois, cabras e por-
cos. O comércio tornou-se expressivo com a exporta-
ção de madeira, peles e peixe seco, e a importação de 
açúcar e vinho, entre outros produtos. 
Nessas duas regiões, desenvolveram-se colônias 
relativamente autônomas, que escaparam da intensa 
exploração colonial — que ocorreu, por exemplo, na 
América portuguesa e na espanhola.
Colônias do sul 
Já nas colônias inglesas do sul, desenvolveu-se 
uma produção agrícola mais voltada para o merca-
do externo (tabaco e algodão), baseada em grandes 
propriedades rurais (plantations) e na utilização do 
trabalho escravo africano. A partir do século XVIII, os 
escravos compunham quase 40% da população das 
colônias sulistas.
Fonte: MELATTI, Júlio Cesar. Índios da América do Norte. Disponível em: <http://www.juliomelatti.pro.br/>. Acesso em: 8 dez. 2015.
125CAPÍTULO 10 Formação dos Estados Unidos
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Emancipação 
O nascimento dos Estados Unidos 
Apesar do controle colonial, o governo inglês 
costumava não interferir nos assuntos internos das 
Treze Colônias, respeitando suas tradições de auto-
governo (self-government).
Esse cenário mudou no século XVIII, quando a In-
glaterra começou a fazer imposições às colônias, proi-
bindo, por exemplo, a implantação de fábricas que 
concorressem com a indústria inglesa.
Os conflitos entre colonos americanos e auto-
ridades britânicas acirraram-se após a Guerra dos 
Sete Anos, entre Inglaterra e França (1756-1763). 
Entre outras disputas, esses dois países lutavam 
pela posse de áreas na América do Norte.
Intensificação do domínio inglês
Embora os ingleses tenham saído vitoriosos da 
Guerra dos Sete Anos, suas finanças públicas ficaram 
abaladas pelas grandes despesas militares. Para recupe-
rá-las, o governo inglês adotou medidas que aumenta-
vam a arrecadação fiscal e restringiam a autonomia das 
13 colônias norte-americanas. Entre as leis decretadas, 
historiadores costumam destacar as seguintes: 
•	Lei do Açúcar (1764) – cobrava taxas sobre a im-
portação de açúcar (melaço) que não viesse das 
Antilhas britânicas e proibia a importação de rum, 
Companhia Inglesa 
das Índias Orientais: 
empresa controlada por 
comerciantes de Londres, 
criada em 1600 para 
efetuar a comercialização 
dos produtos coloniais, 
em consequência da 
expansão ultramarina.
Os colonos do sul eram mais de-
pendentes dos laços com a metró-
pole inglesa. Havia entre eles certo 
receio de que um rompimento com 
a Inglaterra implicasse o desmorona-
mento da produção econômica co-
lonial, da qual eles se beneficiavam. 
Contudo, quando o processo de 
independência teve início, muitos 
desses colonos acabaram mudando 
de posição e participando do movi-
mento, na perspectiva de continuar 
exportando seus produtos (princi-
palmente o algodão), com a vanta-
gem de não terem de pagar as taxas 
impostas pelo governo inglês.
bebida obtida a partir da fermentação e destilação 
do melaço, pelos colonos;
•	Lei do Selo (1765) – cobrava uma taxa sobre diferentes 
documentos comerciais, jornais, livros, anúncios etc.;
•	Lei dos Alojamentos (1765) – obrigava os colonos 
a fornecer alojamento e alimentação às tropas in-
glesas que estivessem em território americano;
•	Lei do Chá (1773) – concedia o monopólio de ven-
da de chá nas colônias à Companhia Inglesa das 
Índias Orientais. O objetivo do governo inglês era 
combater o contrabando do produto realizado pe-
los comerciantes das colônias;
•	Leis Intoleráveis (1774) – foram decretadas para 
conter o clima de revolta que se espalhou pelas co-
lônias. Era um conjunto de duras medidas — chama-
das, por isso, de “intoleráveis” — que determinavam, 
por exemplo, o fecha-
mento do porto de Bos-
ton e autorizavam o go-
verno colonial a julgar 
e punir severamente 
os colonos envolvidos 
em distúrbios políticos 
contrários às autorida-
des inglesas. 
Plantação de algodão na Louisiana, sul dos Estados Unidos. Em 2013, os EUA eram o 
terceiro maior produtor de algodão do mundo, seguidos pelo Paquistão e pelo Brasil. 
Fotografia de 2014. 
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126 UNIDADE 2 Súdito e cidadão
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O protesto das 13 colônias 
Essas leis provocaram a reação das elites coloniais 
americanas, que temiam perder sua relativa autono-
mia local. Assim, os comerciantes, proprietários de 
terras e membros da classe média urbana — princi-
palmente das colônias do norte — não aceitaram a 
intensificação da exploração colonial. 
Por esse motivo, desencadearam-se várias re-
voltas. Para protestar contra a Lei do Chá, no dia 
16 de dezembro de 1773, comerciantes americanos 
trajaram-se de indígenas e destruíram carregamen-
tos de chá que estavam nos navios da Companhia 
Inglesa das Índias Orientais, atracados no porto de 
Boston. O evento ficou conhecido como Festa do 
Chá de Boston. 
Contra as Leis Intoleráveis, representantes das 13 
colônias realizaram, em setembro de 1774, o Primeiro 
Congresso de Filadélfia. Nesse encontro, elaboraram 
um documento de protesto enviado ao governo in-
glês. Este, porém, não estava disposto a fazer con-
cessões, o que motivou o confronto armado entre 
colonos e tropas inglesas.
Observe, a seguir, uma representação do episódio da Festa do Chá de Boston. A obra nomeada Destrui-
ção de chá no porto de Boston é uma litografia de Nathaniel Currier e foi produzida em 1846.
Interpretar fonte Festa do Chá de Boston
1. Elabore um texto descrevendo aspectos que você considera mais importantes nesta imagem. 
2. Em sua interpretação, as pessoas representadas no cais estavam apoiando ou criticando a revolta? 
Justifique. 
A obra pertence hoje à Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, que fica em Washington D.C.
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127CAPÍTULO 10 Formação dos Estados Unidos
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Guerra pela independência 
A guerra pela independência das 13 colônias teve iní-
cio com a Batalha de Lexington, em 19 de abril de 1775. 
Nessa data, tropas inglesas tentaram destruir um depó-
sito de armas controlado pelos colonos e enfrentaram 
grande resistência. Quase um mês depois, em maio de 
1775, os colonos que desejavam a independência realiza-
ram o Segundo Congresso de Filadélfia, que conclamou 
os cidadãos às armas e nomeou George Washington 
(1732-1799) comandante das tropas coloniais. No dia 4 
de julho de 1776, tornou-se pública a declaração de inde-
pendência das 13 colônias (definidascomo “Treze Esta-
dos Unidos da América”). A partir de então, a nova nação 
passou a ser designada Estados Unidos da América. 
A Declaração de Independência dos Estados Uni-
dos foi influenciada por ideais iluministas. Entre outras 
coisas, ela defendia a liberdade individual do cidadão 
e criticava a tirania dos governantes. Seu principal re-
dator, o político Thomas Jefferson (1743-1826), era 
um admirador de John Locke. Leia, a seguir, um trecho 
desse documento. 
Todos os homens são criados iguais e são 
dotados por Deus de certos direitos funda-
mentais, como o direito à vida, à liberdade e à 
busca da felicidade.
Para garantir esses direitos são instituí-
dos governos entre os homens. O justo poder 
desses governos provém do consentimento 
dos governados. Todas as vezes que qualquer 
forma de governo destruir esses objetivos, o 
povo tem o direito de alterá-la ou aboli-la e 
estabelecer um novo governo em nome de 
sua própria segurança e felicidade. 
Declaração de Independência dos Estados Unidos, 1776 
(fragmentos). In: TUSELL, Javier et al. Historia del mundo 
contemporáneo. Madri: Ediciones SM, 1997. p. 31. (Tradução do Autor)
A Inglaterra não aceitou a declaração de inde-
pendência de suas colônias, e a guerra prolongou-se 
até 1781, levando à morte cerca de 70 mil comba-
tentes. Nesses conflitos, é possível identificar dois 
momentos principais: 
•	Primeiro momento (1775-1778) – as tropas dos 
EUA lutaram praticamente sozinhas contra as for-
ças inglesas.
•	Segundo momento (1778-1781) – as tropas dos 
EUA contaram com a ajuda financeira e militar dos 
governos da França, da Espanha e das Províncias 
Unidas (atual Holanda). A participação das tropas 
francesas, sobretudo, foi decisiva para garantir a vi-
tória das tropas coloniais.
No dia 19 de outubro de 1781, o último exército 
inglês foi derrotado em Yorktown. A guerra termina-
ra, mas o governo inglês reconheceria oficialmente 
a independência de suas 13 colônias americanas so-
mente em 1783.
Representação do dia 
da desocupação das 13 
colônias e da entrada 
triunfal de George 
Washington e seus 
oficiais em Nova York, 
em 25 de novembro 
de 1783. Litografia de 
Edmund P. Restein e 
Ludwig Restein, de 
1879. Pertence ao 
acervo da Biblioteca 
do Congresso dos 
Estados Unidos, em 
Washington D.C.
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Constituição dos Estados Unidos 
A Constituição dos Estados Unidos foi promulgada em 17 de setembro de 
1787. Essa constituição regula até hoje as instituições fundamentais dos EUA. En-
tre os pontos fundamentais desse documento, podemos citar:
•	tipo de Estado – estabelece que os Estados Unidos são uma República Federa-
tiva presidencialista, ou seja, formada por estados-membros associados em uma 
União política (Federação) chefiada por um presidente;
•	cidadania – assegura o exercício de direitos políticos e civis, como a liberdade 
de expressão, de imprensa, de crença religiosa e de reunião, a inviolabilidade do 
domicílio e o direito a julgamento (ou seja, ninguém pode ser preso e condenado 
sem o devido processo judicial), entre outros;
•	tripartição dos poderes – determina que os poderes do Estado sejam repar-
tidos em Executivo (administração), Legislativo (elaboração das leis) e Judiciário 
(aplicação da justiça). 
De forma mais específica, o texto constitucional estadunidense define que o 
Poder Executivo é encabeçado pelo presidente da República, com mandato de 
quatro anos. Ele também é o comandante das Forças Armadas e responsável pelo 
equilíbrio entre os estados-membros da Federação e pela política exterior. O pri-
meiro presidente dos Estados Unidos foi George Washington. 
Já o Poder Legislativo é exercido pelo Congresso, que se divide em Câmara dos 
Representantes e Senado (ambos compostos de parlamentares eleitos pelo voto 
popular, com mandatos de, respectivamente, dois e seis anos).
Por último, o Poder Judiciário tem como principal órgão a Suprema Corte, cuja 
função essencial é garantir o cumprimento da Constituição.
Em destaque Estátua da Liberdade
A Estátua da Liberdade foi criada em 
estilo neoclássico pelos franceses Fréderic-
-Auguste Bartholdi e Gustave Eiffel, proje-
tista da famosa torre de Paris. A estátua foi 
presente do governo da França em home-
nagem ao centenário de independência dos 
Estados Unidos. Foi inaugurada em 1886 na 
cidade de Nova York e logo tornou-se sím-
bolo do país. 
Em uma das mãos, a estátua carrega 
uma tábua com a inscrição: 4 de julho de 
1776 (data da Declaração de Independên-
cia). Na outra mão, porta uma tocha folhea-
da a ouro que representaria o princípio: “ilu-
minar o mundo”. 
•	 Como a Liberdade foi representada pe-
los artistas franceses? Como você repre-
sentaria a Liberdade? Estátua da Liberdade, em Nova York. Fotografia de 2015.
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129CAPÍTULO 10 Formação dos Estados Unidos
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A luta pelos direitos nos EUA 
Embora a Declaração de Independência dos Estados Unidos afirme, em seu 
início, que “todos os homens são criados iguais e são dotados por Deus de certos 
direitos fundamentais”, tal proclamação não se aplicou a todos de imediato. Vá-
rios grupos sociais tiveram de lutar durante mais de dois séculos — alguns ainda 
lutam — por essa igualdade e pela garantia de seus direitos. 
A escravidão africana, por exemplo, foi mantida nos Estados Unidos até a 
Guerra de Secessão (1861-1865). Assim, os líderes da independência dos Estados 
Unidos não trataram uma questão que afetava mais de meio milhão de negros que 
viviam em regime de trabalho escravo. O próprio Thomas Jefferson, por exemplo, 
era um grande proprietário de escravos, embora fosse, em teoria, antiescravista e 
abolicionista. 
Os indígenas da América do Norte também não tiveram os mesmos direitos à 
vida, à liberdade e à busca da felicidade, garantidos aos brancos. Depois da inde-
pendência, muitos povos continuaram sendo massacrados, expulsos de suas terras 
ou tiveram sua cultura destruída. 
Outro exemplo é o das mulheres estadunidenses, que não tinham os mesmos 
direitos civis que os homens, como o direito de voto, só reconhecido quase 140 
anos depois. Naquela época, a mulher era considerada um “ser frágil”, devendo 
por isso subordinar-se, de modo geral, ao poder masculino. 
Quem, então, exercia plenamente os direitos de cidadão, assegurados na 
Constituição dos Estados Unidos de 1787? Basicamente, a cidadania na sua forma 
plena foi exercida pelos homens adultos e brancos pertencentes à elite econômica, 
composta, principalmente, da burguesia industrial e comercial e pelos proprietá-
rios de fazendas e escravos.
Investigando
•	 Atualmente em nossa sociedade as mulheres ainda são consideradas “seres frágeis”? Debata.
Protestantes marcham 
pacificamente contra a 
violência policial que atingiu, 
em 2014, a população afro- 
-americana em Ferguson, 
EUA. Naquele ano, o jovem 
negro Michael Brown, que 
estava desarmado, foi baleado 
por um policial. O episódio 
gerou uma série de protestos. 
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Oficina de História
Vivenciar e refletir
1. Que diferenças e semelhanças você pode estabele-
cer entre a colonização inglesa na América do Norte 
e a colonização portuguesa na América do Sul? 
2. Com relação à Declaração de Independência dos 
Estados Unidos e à Constituição estadunidense, que 
contradições se revelaram entre os ideais defendidos 
e os direitosestabelecidos por esses documentos e 
sua prática? Faça uma pesquisa em jornais e na inter-
net e justifique sua resposta com exemplos.
Diálogo interdisciplinar
3. No fim do século XIX, estados do sul dos EUA anun-
ciaram as leis Jim Crow, cujo conteúdo legalizava a 
segregação negra e dificultava o direito de voto dos 
negros. Em todo o país, legislações semelhantes 
passaram a “pipocar”, possibilitando, entre outros 
aspectos, uma divisão entre o espaço dos negros e o 
dos brancos em lugares públicos. 
Em dezembro de 1955, uma mulher negra — Rosa 
Parks — recusou-se a ceder seu lugar num ônibus mu-
nicipal de Montgomery para um homem branco, o 
que a levou a ser presa, julgada e condenada. Diante 
disso, foi criada a Montgomery Improvement Associa-
tion (MIA) a fim de lutar contra injustiças que pre-
judicavam os negros. O líder do movimento passou 
a ser o pastor Martin Luther King (1929-1968), que se 
tornou conhecido por sua luta a favor dos direitos civis 
dos negros nos EUA. 
Leia um trecho de um dos discursos mais conheci-
dos de Martin Luther King, proferido em Washington, 
capital dos EUA, no ano de 1963:
[...] Digo hoje a vocês, meus amigos, que 
apesar das dificuldades e frustrações do mo-
mento, ainda tenho um sonho. É um sonho 
profundamente enraizado no sonho ame-
ricano. Eu tenho um sonho de que um dia 
esta nação vai se levantar e viver o verdadei-
ro significado de sua crença: “Consideramos 
essas verdades autoevidentes: que todos os 
homens são criados iguais”. Eu tenho um so-
nho de que um dia, nas montanhas da Geór-
gia, os filhos de antigos escravos e os filhos 
de antigos donos de escravos serão capazes 
de sentarem-se juntos à mesa da fraternida-
Diálogo interdisciplinar com Sociologia.
de. Eu tenho um sonho de que meus quatro 
filhos um dia viverão numa nação onde não 
serão julgados pela cor de sua pele, mas sim 
pelo conteúdo de seu caráter [...]. Quando 
permitirmos que a liberdade ecoe, quan- 
do permitirmos que ela ecoe em cada vila e 
cada aldeia, em cada estado e cada cidade, 
seremos capazes de avançar rumo ao dia em 
que todos os filhos de Deus, negros e bran-
cos, judeus e gentios, protestantes e católi-
cos, poderão dar as mãos e cantar as pala-
vras da velha cantiga negra, “Enfim livres! 
Enfim livres! Graças a Deus Todo-Poderoso, 
enfim estamos livres!”. 
Discurso de Martin Luther King. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/
historia/morte-martin-luther-king/discursos-eu-tenho-um-sonho-retorica-
voz-alma.shtml>. Acesso em: 8 nov. 2012. 
Após ler o trecho do discurso de Martin Luther 
King, reflita com os colegas a respeito de suas ideias 
principais e escreva um texto relacionando esse docu-
mento ao conteúdo deste capítulo. 
4. Assista ao filme O patriota (Estados Unidos, 2000, 
164 min), dirigido por Roland Emmerich. Essa obra 
ficcional foi ambientada na Carolina do Sul no ano 
de 1776, no contexto da luta pela independência 
dos Estados Unidos. Em seguida, formem grupos e 
façam o que se pede: 
Diálogo interdisciplinar com Arte. 
a) Como as batalhas foram representadas no filme? 
Procure analisar cenários, uniformes, atitudes 
das personagens etc. 
Cena do filme O patriota, protagonizado pelo ator Mel Gibson, 
que aparece no centro.
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b) Quais personagens foram representados como he-
róis? E como vilões? Que valores eles expressam?
c) Relacione aspectos mostrados no filme com os 
temas abordados neste capítulo. 
d) Vocês contariam essa história de outra maneira?
De olho na universidade
5. (Enem-2007) 
Em 4 de julho de 1776, as treze colônias 
que vieram inicialmente a constituir os Es-
tados Unidos da América (EUA) declaravam 
sua independência e justificavam a ruptura 
do Pacto Colonial. Em palavras profunda-
mente subversivas para a época, afirmavam 
a igualdade dos homens e apregoavam como 
seus direitos inalienáveis: o direito à vida, à 
liberdade e à busca da felicidade. Afirmavam 
que o poder dos governantes, aos quais ca-
bia a defesa daqueles direitos, derivava dos 
governados. Esses conceitos revolucionários 
que ecoavam o Iluminismo foram retoma-
dos com maior vigor e amplitude treze anos 
mais tarde, em 1789, na França. 
COSTA, Emília Viotti da. In: POMAR, Wladimir. 
Revolução Chinesa. São Paulo: Unesp, 2003 (com 
adaptações feitas pelo Enem). 
Considerando o texto acerca da independência dos 
EUA e da Revolução Francesa, é correto afirmar:
a) A independência dos EUA e a Revolução Fran-
cesa integravam o mesmo contexto histórico, 
mas se baseavam em princípios e ideais opostos. 
b) O processo revolucionário francês identificou-se 
com o movimento de independência norte-ame-
ricana no apoio ao absolutismo esclarecido. 
c) Tanto nos EUA quanto na França, as teses ilu-
ministas sustentavam a luta pelo reconheci-
mento dos direitos considerados essenciais à 
dignidade humana. 
d) Por ter sido pioneira, a Revolução Francesa exer-
ceu forte influência no desencadeamento da in-
dependência norte-americana. 
e) Ao romper o Pacto Colonial, a Revolução Fran-
cesa abriu o caminho para as independências 
das colônias ibéricas situadas na América. 
6. (Uerj) 
Que os tiranos de todos os países, que to-
dos os opressores políticos ou sagrados sai-
bam que existe um lugar no mundo onde 
se pode escapar aos seus grilhões, onde a 
humanidade desonrada reergueu a cabeça; 
[...]; onde as leis não fazem mais que garan-
tir a felicidade; onde [...] a consciência dei-
xou de ser escrava [...]. 
RAYNAL. A Revolução da América. Rio de 
Janeiro: Arquivo Nacional, 1993. 
A posição apresentada pelo abade Raynal sintetiza 
alguns aspectos da ilustração política. 
a) A partir do texto, indique, com suas próprias pa-
lavras, dois princípios do pensamento iluminista. 
b) Para o autor do texto, a independência das treze 
colônias inglesas foi um processo revolucioná-
rio, razão pela qual denomina-a de Revolução 
Americana. Cite e explique um fator que contri-
buiu para essa Revolução. 
7. (UFMA) Sobre a colonização inglesa, é correto afir-
mar que: 
a) os colonos ingleses que vieram para a América 
pretendiam criar uma sociedade socialista de 
base religiosa. 
b) a Inglaterra implantou um rígido sistema de 
controle econômico sobre suas colônias, basea-
do no monopólio comercial. 
c) as colônias do Norte desenvolveram-se com 
base na grande propriedade, no trabalho escra-
vo e na agricultura de exportação. 
d) as treze colônias na América do Norte podem 
ser divididas em dois grupos: colônias de explo-
ração e colônias de povoamento. 
e) nas treze colônias foi usado o trabalho escravo 
de ingleses expulsos do campo pelo cercamento 
das terras.
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Revolução Francesa e 
Era Napoleônica
Liberdade, igualdade e fraternidade foram princípios da Revolução Francesa, que se 
difundiram pelo mundo como bandeira de vários movimentos sociais. 
Será que esses princípios tornaram-se direitos conquistados ou permanecem como 
objetivos a serem atingidos? 
•	 Observando essa obra, é possível notar a presença dos vários grupos sociais 
que atuaram na Revolução Francesa? Justifique.
A guarda nacional de Paris em armas em setembro de 1792. Óleo sobre tela, de Léon Cogniet, 1834. Pertence ao acervo do 
Museu Nacional do Palácio de Versalhes, na França.
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133CAPÍTULO 11 Revolução Francesa e Era Napoleônica
capítulo
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crise do antigo Regime
A França às vésperas da Revolução
1 Cf. SOBOUL, Albert.História da Revolução Francesa. Rio de Janeiro: Zahar, 1981. p. 22-30.
Revolução Francesa foi o movimento que se de-
senvolveu na França entre 1789 e 1799 e provocou 
grandes transformações políticas e sociais. Contou 
com a participação de vários grupos da burguesia, 
das populações pobres das cidades e dos camponeses 
explorados pela servidão. 
Ao final de um longo processo, a Revolução des-
truiu as estruturas do Antigo Regime e extinguiu os pri-
vilégios da nobreza. Em 
vez do status garantido 
pelo nascimento, a bur-
guesia valorizava o mérito 
da conquista de riquezas.
Por sua repercussão no Ocidente, a Revolução 
Francesa foi considerada por alguns historiadores um 
marco da Idade Contemporânea.
Para entender esse processo revolucionário, é pre-
ciso conhecer as características da França no final do 
século XVIII.
Grandes desigualdades sociais
Por volta de 1789, a França era o país mais po-
puloso da Europa ocidental, com aproximadamente 
25 milhões de habitantes. Era governada por um rei 
absolutista, Luís XVI, que detinha controle sobre os 
poderes do Estado. 
Marcada por desigualdades profundas, a socieda-
de francesa dividia-se em três “estados” ou ordens: o 
clero, a nobreza e o restante da população, incluindo 
a burguesia.
Cada um desses “estados” dividia-se interna-
mente em grupos, muitas vezes rivais. Vejamos como 
eram essas divisões, com base nas considerações do 
historiador francês Albert Soboul.1
primeiro estado 
Constituído pelo clero, era composto de aproxi-
madamente 120 mil pessoas. Dividia-se em: 
•	Alto clero – reunia bispos, abades e cônegos, oriun-
dos de famílias da nobreza. Sua fortuna era prove-
niente de dízimos (contribuições dos fiéis) e dos imó-
veis urbanos e rurais de propriedade da Igreja. 
•	Baixo clero – compunha-se de sacerdotes pobres, 
muitos dos quais simpatizantes dos ideais revolucio-
nários. Esses sacerdotes eram geralmente responsá-
veis pelas paróquias mais carentes. 
Segundo estado 
Constituído pela nobreza, era composto de apro-
ximadamente 350 mil pessoas. Dividia-se em três gru-
pos principais: 
•	Nobreza cortesã – formada por cerca de 4 mil pes-
soas que viviam no palácio de Versalhes, em torno 
do rei, recebendo pensões do Estado. 
•	Nobreza provincial – formada por nobres, muitas 
vezes empobrecidos, que viviam nas províncias (in-
terior) e sobreviviam à custa de taxas cobradas dos 
camponeses, a título de direitos feudais. 
•	Nobreza de toga – formada por burgueses ricos 
que compravam títulos de nobreza e cargos políti-
cos e administrativos.
terceiro estado 
Constituído pela grande maioria da população, 
reunia mais de 24 milhões de pessoas em diversos 
grupos sociais, entre os quais podemos distinguir: 
•	Camponeses – trabalhadores rurais submetidos a 
diferentes formas de trabalho (livres, semilivres e 
servos presos às obrigações feudais).
•	Sans-culottes – camada social urbana, de aproxi-
madamente 200 mil pessoas, concentrada em Paris 
e composta de aprendizes de ofícios, assalariados 
e desempregados marginalizados. A expressão 
sans-culotte (sem culote) refere-se às calças largas 
usadas pela população francesa mais pobre. Essa 
vestimenta contrastava com um tipo de calça justa 
(culotes) usada pela nobreza. 
•	Pequena burguesia – pequenos comerciantes e 
artesãos. 
•	Média burguesia – profissionais liberais, como 
médicos, advogados, professores e comerciantes. 
•	Alta burguesia – banqueiros, grandes empresários 
e comerciantes (incluindo os que compravam e ven-
diam mercadorias coloniais). 
Status: termo latino que 
se refere à condição ou 
posição de alguém den-
tro da sociedade.
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Num conhecido panfleto político de 1789, o aba-
de Emmanuel Joseph Sieyès (1748-1836) resumiu a 
situação do terceiro estado: 
1o O que é o terceiro estado? Tudo.
2o O que tem ele sido em nosso sistema po-
lítico? Nada.
3o O que ele pretende? Ser alguma coisa.
SIEYÈS, E. J. Qu’est-ce que c´est le Tiers état? 
Tradução do autor. Paris: Boucher, 2002. p. 1. 
crise econômica
Desde meados do século XVIII, a França apresen-
tava sinais de uma crise econômica crescente. 
Nessa época, a economia francesa era predomi-
nantemente agrária. Cerca de 80% da população tra-
balhava no campo, mas a produção de alimentos não 
atendia satisfatoriamente à demanda da sociedade. 
Problemas climáticos, como secas e inundações, agra-
vavam essa situação desde 1784. Com a baixa produ-
ção, o preço dos alimentos elevou-se e boa parte do 
povo enfrentou situação de miséria e fome. 
Além disto, a indústria têxtil do país passava por di-
ficuldades devido à concorrência dos tecidos ingleses, 
que invadiram o mercado interno da França. Isso pro-
vocou desemprego de operários do setor têxtil, aumen-
tando o número de famintos e marginalizados urbanos. 
Paralelamente, a burguesia francesa ligada à manufatu-
ra e ao comércio foi ficando cada vez mais descontente.
Por fim, o governo francês atravessava uma crise 
financeira, desde o reinado de Luís XIV. As despesas 
do Estado eram muito superiores às receitas do tesou-
ro público. Essa situação foi agravada pelas guerras 
em que o país se envolveu na Europa (Guerra dos Sete 
Anos) e na América (Guerra de Independência dos Es-
tados Unidos). Para sanar o déficit crônico, o ministro 
das Finanças pretendia promover uma reforma tribu-
tária que eliminasse a isenção de impostos concedida 
ao clero e à nobreza. Mas esses estamentos não es-
tavam dispostos a perder seus tradicionais privilégios.
Observe a gravura a seguir, de 1789, representando os três estados do Antigo Regime (clero, nobreza 
e trabalhadores):
Interpretar fonte Os	três	estados
•	 Descreva as três personagens representadas na gravura. Qual delas representa o clero, a nobreza e os traba-
lhadores?
Isso não vai durar 
para sempre, gravura 
popular francesa, de 
1789, ilustrando as três 
ordens ou estados. 
Pertence ao acervo da 
Biblioteca Nacional da 
França, em Paris.
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135CAPÍTULO 11 Revolução Francesa e Era Napoleônica
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Revolução 
A longa trama revolucionária 
O processo revolucionário francês durou cerca de dez anos. Analisando sua com-
plexa trama, os historiadores costumam identificar alguns momentos marcantes:
•	Revolta aristocrática; 
•	Assembleia Nacional Constituinte; 
•	Monarquia constitucional; 
•	República e Convenção Nacional; 
•	Governo do Diretório. 
Revolta aristocrática 
Para contornar a crise financeira, alguns membros do governo pensaram em 
aumentar a cobrança de impostos. Se não fosse possível aumentar a carga tributária 
do terceiro estado, então seria necessário cobrar impostos da nobreza e do clero. 
Para discutir as questões da crise, a nobreza, o clero e ministros da corte 
pressionaram o rei a convocar a Assembleia dos Estados Gerais, uma instituição 
parlamentar antiga que não se reunia há 175 anos. Participavam dela represen-
tantes dos três estados. No seu sistema de votação tradicional, cada estado tinha 
direito a um voto. Desse modo, clero e nobreza, unidos, teriam sempre dois 
votos contra um do terceiro. 
A convocação ocorreu e os Estados Gerais se reuniram em maio de 1789. As 
consequências da convocação dos Estados Gerais revelaram-se devastadoras tanto 
para a nobreza e o clero como para o regime absolutista representado pelo rei. Isso 
ocorreu por duas razões básicas: 
•	as forças conservadoras (do clero e da nobreza) subestimaram a capacidade polí-
tica do terceiro estado; 
•	a convocação coincidiu com um momento de grave crise econômica, fome e 
desemprego. A multidão de pobres do campo e das cidades estava desesperada.
Assim, as eleições para a escolha dos deputados à Assembleia dos Esta-
dos Gerais transcorreramem meio a grande agitação popular, que favoreceu os 
objetivos políticos do terceiro estado. Os representantes das diferentes ordens 
manifestavam suas reivindicações por meio dos Cadernos de Queixas (Cahiers 
de D—leances). Nesse momento, a burguesia aproveitou para divulgar seu pro-
grama de reformas por meio de intensa propaganda. E as massas camponesas e 
urbanas também tiveram, pela primeira vez, espaço para demonstrar, em termos 
políticos, todo o seu descontentamento.2
assembleia Nacional constituinte 
Quando a Assembleia dos Estados Gerais se reuniu no palácio de Versalhes, 
logo na abertura dos trabalhos iniciou-se o conflito entre as ordens privilegiadas 
(nobreza e clero) e o terceiro estado. A nobreza e o clero queriam continuar a 
votar os projetos pelo sistema tradicional, isto é, um voto para cada ordem, inde-
pendentemente do número de representantes. Mas o terceiro estado, que tinha 
2 Cf. FLORENZANO, Modesto. As revoluções burguesas. São Paulo: Brasiliense, 1982. p. 35-36.
136 UNIDADE 2 Súdito e cidadão
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1. De acordo com o artigo 14 da Constituição federal brasileira, o voto de cada ci-
dadão é universal, direto, secreto e tem igual valor entre todos os eleitores. Você 
já tem título de eleitor? E as pessoas com quem você convive? 
2. Como você escolhe seus candidatos? Após as eleições, você costuma acompa-
nhar as atitudes dos eleitos?
Investigando
mais deputados que a nobreza e o clero, exigiu que a votação fosse realizada de 
forma individual, isto é, um voto para cada representante, o que tornaria possível 
a este grupo vencer e fazer valer suas decisões. 
Apoiados pelo rei, os deputados da nobreza e do clero recusaram a proposta 
do terceiro estado, e o impasse paralisou os trabalhos. Revoltados, os represen-
tantes do terceiro estado se autoproclamaram Assembleia Nacional, em 17 de 
junho de 1789. Assim, afirmaram o princípio da soberania nacional contra a 
monarquia absoluta de direito divino.
O rei Luís XVI reagiu ordenando o encerramento dos trabalhos. Porém, os 
representantes do terceiro estado se transferiram para um salão de jogos do 
palácio (que era utilizado pela nobreza). Nesse local improvisado, no dia 9 de 
julho, proclamaram-se Assembleia Nacional Constituinte. O objetivo era ela-
borar uma Constituição para a França limitando o poder absoluto do rei. Esse 
episódio ficou conhecido como o Juramento do Jogo da Pela. 
pela: bola usada em 
antigo jogo que utilizava 
uma espécie de raquete 
para golpeá-la; provável 
ancestral do jogo de 
tênis e esportes afins.
Juramento do Jogo da Pela. Obra de Jacques-Louis David de 1791, representando o dia em que os deputados do terceiro estado se reuniram 
no salão do Jogo da Pela, em Paris, em 20 de junho de 1789. Pertence ao acervo do Museu Nacional do Palácio de Versalhes, na França.
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137CAPÍTULO 11 Revolução Francesa e Era Napoleônica
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tomada da Bastilha 
A situação política fugia do controle do governo. O rei Luís XVI tentou dominar 
a revolta organizando tropas para combater os motins realizados pelos membros 
do terceiro estado. No entanto, a rebelião popular já havia tomado conta das ruas 
de Paris. Um dos principais lemas repetidos pelos revolucionários era “Liberdade, 
igualdade e fraternidade”. 
No dia 14 de julho de 1789, uma multidão invadiu a antiga prisão da Bastilha, 
símbolo do poder absoluto do rei, onde ficavam presos os inimigos políticos da 
monarquia francesa. Libertaram os presos e apoderaram-se das armas ali estoca-
das. De Paris, a revolta popular espalhou-se pela França. 
Sem força para dominar a rebelião, o rei Luís XVI foi obrigado a reconhecer a 
legitimidade da Assembleia Nacional Constituinte.
Investigando
•	 Que significados o lema “liberdade, igualdade e fraternidade” tem para você? Re-
flita a partir de suas vivências. 
Fim dos privilégios feudais 
A Assembleia Constituinte se viu forçada a tomar atitudes imediatas para 
acalmar os ânimos dos grupos revolucionários que agiam por toda a França. Em 
várias regiões do país, alguns castelos foram incendiados e houve casos em que 
membros da nobreza foram punidos com tortura, enforcamento, esquarteja-
mento etc. Esses episódios, que tiveram início no mês de julho, ficaram conheci-
dos como Grande Medo. 
Na noite de 4 de agosto de 1789, a Assembleia Constituinte decretou o fim do 
regime feudal, abolindo os direitos senhoriais sobre os camponeses. Aboliu também 
os privilégios tributários do clero e da nobreza. Todos deveriam pagar impostos.
No dia 26 de agosto, a Assembleia proclamou a Declaração dos Direitos do 
Homem e do Cidadão, cujos principais pontos eram:
•	o respeito pela dignidade das pessoas; 
•	a liberdade de pensamento e opinião; 
•	a igualdade dos cidadãos perante a lei; 
•	o direito à propriedade individual; 
•	o direito de resistência à opressão política.
A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão proclamava vários prin-
cípios dos filósofos iluministas. Em termos políticos, sinalizava a transição dos sú-
ditos do Antigo Regime para os cidadãos do Estado contemporâneo. Durante o 
Antigo Regime, os súditos eram educados para obedecer de forma incondicional 
ao soberano absolutista. Agora, os líderes da Revolução Francesa enfatizavam a 
formação de cidadãos que lutavam pelo direito de participar da vida pública in-
fluenciando as decisões do governo. 
Redução do poder do clero 
Em 1790, a Assembleia Constituinte confiscou diversas terras da Igreja e 
subordinou o clero à autoridade do Estado. Essa medida foi tomada por meio 
de um documento chamado Constituição Civil do Clero.
138 UNIDADE 2 Súdito e cidadão
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O papa não aceitou as determinações da Assem-
bleia Constituinte, e, com isso, os sacerdotes católicos 
tiveram duas opções: sair da França ou lutar contra os 
revolucionários. No entanto, muitos deles acataram 
as novas leis francesas e permaneceram no país. Os 
religiosos descontentes e vários membros da nobreza 
refugiaram-se no exterior e decidiram organizar um 
exército para reagir à revolução.
Monarquia constitucional
Em setembro de 1791, a Assembleia promulgou 
a Constituição da França. Com ela, a nação francesa 
tornava-se uma monarquia constitucional, na qual o 
rei perdia os “poderes absolutos”. Vejamos os princi-
pais pontos da Constituição.
•	Organização social – estabelecimento da igualda-
de jurídica entre todos os indivíduos, extinguindo-
-se os privilégios do clero e da nobreza, mas com a 
manutenção da escravidão nas colônias. 
•	Economia – instauração da liberdade de produção 
e de comércio, afastando-se a interferência do Esta-
do e proibindo-se as greves dos trabalhadores. 
•	Religião – garantia de liberdade de crença, separa-
ção entre Estado e Igreja e nacionalização dos bens 
do clero.
•	Organização política – criação de três poderes 
(Legislativo, Executivo e Judiciário) e estabelecimen-
to da representatividade popular pelo voto. Os cida-
dãos estavam divididos em “ativos” e “passivos”, 
sendo que apenas os ativos — por possuírem de-
terminada renda — tinham o direito de votar. O rei 
seria o chefe do poder Executivo, mas não poderia 
contrariar as normas constitucionais.
As mudanças trazidas pela Constituição não beneficia-
ram as pessoas pobres e as mulheres, que foram excluídas 
dos direitos políticos (não podiam votar, nem ser votadas), 
embora representassem mais de 80% da população.
Forças contrarrevolucionárias
O rei Luís XVI, inconformado com a perda de 
poder, conspirava contra a revolução. Para isso, fa-
zia contatos com nobres franceses que estavam no 
exterior e com os monarcas da Áustria e da Prússia. 
O objetivo era organizar um exército que invadisse a 
França e restabelecesse a monarquiaabsolutista. 
Pouco antes da promulgação da nova Constitui-
ção, em julho de 1791, Luís XVI tentou fugir do país 
para se unir às forças contrárias à Revolução. Mas, 
durante a fuga, foi reconhecido e preso, sendo re-
conduzido à capital francesa e mantido sob vigilância. 
O exército austro-prussiano invadiu a França, con-
tando com o apoio secreto da família real, que transmitia 
segredos militares às tropas estrangeiras. Para defender 
o país, líderes revolucionários, como Danton e Marat, 
apelavam aos cidadãos para que lutassem em defesa da 
pátria. Em 20 de setembro de 1792, o exército invasor 
foi derrotado pelas tropas francesas na Batalha de Valmy. 
República e convenção Nacional 
A vitória contra os exércitos estrangeiros deu nova 
força aos revolucionários franceses. Os principais líde-
res da revolução decidiram, então, proclamar a Repú-
blica, o que ocorreu em 1792. Luís XVI foi mantido 
preso sob a acusação de traição à pátria.
Com o novo sistema de governo, a Assembleia 
Legislativa foi dissolvida e criou-se a Convenção Na-
cional. Sua principal missão era elaborar uma nova 
Constituição para a França, agora, de caráter republi-
cano. Nessa época, surgiram os termos direita, cen-
tro e esquerda que ainda hoje são utilizados para se 
referir a grupos políticos. 
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Carta iluminista 
que toma emprestada a imagem dos Dez Mandamentos.
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139CAPÍTULO 11 Revolução Francesa e Era Napoleônica
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A morte de Marat é uma 
obra do artista neoclássico 
Jacques-Louis David.
Na pintura, Marat foi repre-
sentado como um mártir, que 
morreu em nome de um ideal. 
Esse líder jacobino foi assassina-
do em 1793, durante o banho, 
por uma jovem girondina.
David desenhou os mús-
culos e tendões de Marat com 
base em estudos de esculturas 
greco-romanas, incutindo bele-
za em um corpo sem vida.
•	 Como o personagem foi repre-
sentado? Descreva a obra.
Interpretar fonte A morte de Marat
Na Convenção, as forças políticas mais importan-
tes eram: 
•	os girondinos – representantes da alta burgue-
sia (comerciantes, armadores, banqueiros etc.), 
defendiam posições moderadas, temendo que as 
camadas populares assumissem o controle da re-
volução. Na sala de reunião, sentavam à direita 
da Presidência.
•	os jacobinos – representantes da pequena e mé-
dia burguesia (profissionais liberais, lojistas, fun-
cionários) e do proletariado de Paris, defendiam 
posições mais radicais e de interesse popular. 
Sentavam-se à esquerda da mesa da Presidência.
•	a planície – representantes de uma burguesia con-
siderada oportunista, isto é, mudavam de posição 
conforme suas conveniências imediatas, embora, 
Guilhotina: instrumento de decapitação utilizado na 
Europa desde a Idade Média. Foi aperfeiçoado pelo Dr. 
Guillotin (1738-1814), que sugeriu sua utilização com os 
condenados à morte durante a Revolução Francesa.
frequentemente, apoiassem os girondinos. Senta-
vam-se ao centro da sala de reunião.
Quando Luís XVI foi levado a julgamento, os 
girondinos procuraram defendê-lo, enquanto os ja-
cobinos, liderados por Robespierre e Saint-Just, pre-
gavam sua condenação à morte. Venceu a corrente 
jacobina, e o rei foi sentenciado à pena de morte, 
por conspirar contra a liberdade e a segurança da 
nação. Foi decapitado na guilhotina em janeiro de 
1793. Alguns meses depois, a rainha Maria Antonie-
ta foi também sentenciada à morte.
A obra pertence ao 
acervo dos Museus 
Reais de Belas- 
-Artes da Bélgica.
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140 UNIDADE 2 Súdito e cidadão
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Ditadura jacobina
A execução do rei provocou, internamente, a re-
volta dos girondinos — que defendiam o monarca — 
e, no exterior, a reorganização das forças estrangeiras 
partidárias do absolutismo.
Para enfrentar essa reação, os jacobinos — que 
assumiram o poder, fortalecidos pelo apoio popular 
— criaram uma série de órgãos encarregados da de-
fesa da revolução, entre eles o Comitê de Salvação 
Pública, responsável pelo controle do exército e da 
administração do país, e o Tribunal Revolucionário, 
encarregado de vigiar, prender e punir os traidores da 
causa revolucionária. 
O Tribunal foi responsável pela morte de milhares de 
pessoas consideradas inimigas da revolução ou suspeitas 
de conspirar contra ela. Alguns historiadores calculam 
que tenham sido executadas entre 40 e 50 mil pessoas. 
Nessa fase, também conhecida como Terror, insta-
lou-se uma ditadura dos jacobinos, sob a liderança de 
Robespierre. Esse período foi considerado o mais radical 
da Revolução e também aquele que implementou al-
gumas das propostas mais ousadas dos revolucionários. 
O governo tabelou preços de alimentos, criou impostos 
sobre os mais ricos, abriu escolas públicas, instituiu o di-
vórcio, aboliu a escravidão nas colônias francesas etc.
Durante o governo de Robespierre, entrou em vi-
gor a nova Constituição da República (1793), que 
assegurava o voto universal masculino, o direito de 
rebelião, de trabalho e de subsistência. Continha tam-
bém a declaração oficial de que o bem comum — a 
felicidade de todos — era a finalidade do governo. 
Aliviadas as tensões decorrentes da ameaça es-
trangeira, os girondinos e o grupo da planície uniram-
-se contra o governo de Robespierre. Sem o necessá-
rio apoio político, Robespierre não teve condições de 
reagir a seus opositores, sendo preso em 1794. Logo 
depois, foi guilhotinado, sem julgamento.
Governo do Diretório 
Depois que Robespierre foi tirado do poder, a 
Convenção Nacional passou a ser controlada pelos gi-
rondinos. Com nova orientação política, essa conven-
ção decidiu elaborar outra Constituição para a França. 
Concluída em 1795, a nova Constituição esta-
beleceu a continuidade do regime republicano, que 
seria controlado pelo Diretório, composto de cinco 
membros eleitos pelo Poder Legislativo.
O Diretório vigorou de 1795 a 1799, período em 
que tentou conter o descontentamento popular e re-
forçar o controle político da burguesia sobre o país. 
Paralelamente, o território francês voltou a ser ame-
açado pelas forças abso-
lutistas vizinhas. Nesse 
período, o jovem general 
Napoleão Bonaparte ga-
nhava prestígio por seu 
desempenho militar nas 
lutas em defesa do go-
verno francês. 
Em 10 de novem-
bro de 1799 (18 Brumá-
rio, pelo calendário da 
Revolução), Napoleão 
Bonaparte, com apoio 
do Exército e da burgue-
sia, dissolveu o Diretório 
e estabeleceu um novo 
governo, denominado 
Consulado. Esse episódio 
ficou conhecido como 
Golpe de 18 Brumário. O 
novo governo encerrou o 
ciclo revolucionário.
calendário da Revolu-
ção: instituído em 1793 
pelos revolucionários 
franceses. O ano I come-
çou com o término da 
monarquia na França (22 
de setembro de 1792). 
Os meses foram dividi-
dos a partir dessa data 
e nomeados de acordo 
com as características 
das estações do ano 
no hemisfério Norte. 
Por exemplo: brumaire 
(brumoso), segundo mês 
do calendário, de 23 de 
outubro a 21 de novem-
bro; nivôse (nevoso), 
quarto mês, de 22 de de-
zembro a 21 de janeiro; 
ventôse (ventoso), sexto 
mês, de 19 de fevereiro a 
20 de março.
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Bonaparte no Conselho dos 500, em 10 de novembro de 1799. Óleo 
sobre tela de François Bouchot representando o golpe de Estado 
do 18 Brumário que colocou

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