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Patologia do Trato Genital Masculino

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Laísa Dinelli Schiaveto 
 
Patologia do Trato Genital Masculino 
INTRODUÇÃO 
 
Pênis 
MALFORMAÇÕES CONGÊNITAS 
HIPOSPADIAS E EPISPADIAS 
A malformação do sulco uretral e do canal uretral 
pode criar aberturas anormais na superfície ventral do 
pênis (hipospadias) ou na superfície dorsal (epispadias). 
Estas podem estar associadas a uma falha na descida 
normal dos testículos e malformações do trato 
urinário. 
Esses defeitos uretrais podem ter importância clínica, 
porque a abertura anormal frequentemente é 
estenosada, resultando em uma obstrução do trato 
urinário e num maior risco de infecções ascendentes 
do trato urinário. Ainda, quando situados próximos à 
base do pênis, a ejaculação normal e a inseminação 
estão dificultadas e podem ser um causa de 
esterilidade. 
Obs.: A malformação mais comum é a hipospadia, 
ocorrendo em aproximadamente um a cada 300 
nascidos vivos do sexo masculino. 
 
FIMOSE 
Ocorre quando o orifício do prepúcio (pele retrátil 
que encobre a cabeça do pênis – glande) é muito 
pequeno para permitir sua retração normal. Pode 
resultar de desenvolvimento anômalo, mas 
frequentemente é resultado de ataques repetidos de 
infecção que provocam a cicatrização do anel 
prepucial. 
É importante porque interfere com a limpeza e 
permite o acúmulo de secreções e detritos sob o 
prepúcio, favorecendo o desenvolvimento de 
infecções secundárias e, possivelmente carcinoma. 
 
INFLAMAÇÃO 
Quase invariavelmente envolvem a glande e o 
prepúcio. Incluem uma variedade de infecções 
específicas e inespecíficas. 
Infecções Específicas: Sífilis, gonorreia, cancroide, 
granuloma inguinal, linfopatia venérea e herpes genital 
(transmitidas sexualmente). 
Infecções Inespecíficas: Balanopostite. 
BALANOPOSTITE 
Refere-se a infecção da glande e do prepúcio causada 
por uma grande variedade de organismos. Entre os 
agentes mais comuns estão: Candida albicans, bactérias 
anaeróbicas, Gardnerella e bactérias piogênicas. 
A maioria dos casos ocorre como consequência da 
higiene local insatisfatória em homens não 
circuncidados, nos quais o acúmulo de células epiteliais 
descamadas, suor e resíduos – esmegma – age como 
irritante local. 
A persistência leva a uma cicatrização inflamatória, 
sendo uma causa comum de fimose. 
Laísa Dinelli Schiaveto 
 
TUMORES 
TUMORES BENIGNOS 
1) CONDILOMA ACUMINADO 
Trata-se de uma verruga benigna sexualmente 
transmissível, causada pelo papilomavírus humano 
(HPV), principalmente os tipos 6 e 11. 
Pode ocorrer em qualquer superfície cutâneo-mucosa 
úmida da genitália externa em qualquer sexo. 
MORFOLOGIA 
No pênis, ocorrem mais frequentemente próximo ao 
sulco coronal e na superfície interna do prepúcio. 
Consistem em excrescências papilares vermelhas 
únicas ou múltiplas, sésseis ou pediculadas, que podem 
ter vários milímetros de diâmetro. 
 
Histologicamente, um estroma de tecido conjuntivo 
ramificado, viloso ou papilar está recoberto por um 
epitélio que pode apresentar hiperceratose superficial 
considerável e espessamento da epiderme subjacente 
(acantose). 
 
Ainda, a maturação organizada normal das células 
epiteliais está preservada e a displasia não é evidente. 
Observa-se vacuolização citoplasmática das células 
escamosas (coilocitose), característica da infecção por 
HPV. 
 
Os condilomas acuminados tendem a recorrer, porém 
apenas raramente progridem para carcinoma in situ ou 
invasivos. 
2) DOENÇA DE PEYRONIE 
Resulta em bandas fibrosas que envolvem o corpo 
cavernoso do pênis. Clinicamente, a lesão resulta em 
curvatura peniana e dor durante a relação sexual. 
Obs.: Alguns classificam como uma variante de 
fibromatose. 
 
TUMORES MALIGNOS 
1) CARCINOMA IN SITU (CIS) 
Existem duas lesões que exibem aspectos histológicos 
de CIS: Doença de Bowen e Papulose Bowenoide. 
Ambas estão fortemente associadas à infecção por 
HPV de alto risco, principalmente o tipo 16. 
DOENÇA DE BOWEN 
Ocorre na região genital de homens e mulheres, 
geralmente em indivíduos acima de 35 anos. 
Em homens, tende a envolver a pele do corpo peniano 
e o escroto. Aparece como uma placa opaca, branco-
acinzentada, espessada e solitária. Pode, também, se 
manifestar na glande e no prepúcio como placas 
Laísa Dinelli Schiaveto 
 
vermelho-brilhantes, únicas ou múltiplas, algumas 
vezes aveludadas. 
Histologicamente, a epiderme mostra-se 
hiperproliferativa, contendo numerosas mitoses, 
algumas atípicas. Essas células são acentuadamente 
diplásicas, com grandes núcleos hipercromáticos e não 
exibem maturação bem arranjada. Entretanto, a borda 
dermoepidérmica está bem delineada por uma 
membrana basal intacta. 
 
Esta doença se transforma em carcinoma escamoso 
infiltrante em aproximadamente 10% dos pacientes, 
normalmente ao longo de um período de muitos anos. 
PAPULOSE BOWENOIDE 
Ocorre em adultos sexualmente ativos. Caracteriza-se 
pela idade mais nova dos pacientes e pela presença de 
múltiplas lesões papulares marrom-avermelhadas. 
Apesar de ser indistinguível histologicamente da 
doença de Bowen e também estar relacionada ao HPV 
tipo 16, ela nunca progride para um carcinoma invasivo 
e, em muitos casos, regride espontaneamente. 
2) CARCINOMA INVASIVO 
O carcinoma escamoso do pênis está associado à falta 
de higiene genital e com a infecção por HPV de alto 
risco (tipos 16 e 18), sendo geralmente encontrados 
em pacientes com idades entre 40 e 70 anos. 
A circuncisão confere proteção e, consequentemente, 
esse câncer é mais comum em populações nas quais a 
circuncisão não é praticada. Acredita-se que esta 
reduza a exposição a carcinógenos que possam estar 
concentrados no esmegma e diminua a probabilidade 
de infecção por tipos potencialmente oncogênicos de 
HPV. 
Obs.: O tabagismo eleva o risco de desenvolver 
câncer de pênis. 
MORFOLOGIA 
Geralmente, começa na glande ou na superfície interna 
do prepúcio, próximo ao sulco coronal. Existem dois 
padrões que podem ser observados: papilar e plano. 
Lesões Papilares: Simulam o condiloma acuminado e 
podem produzir uma massa vegetante com aspecto de 
couve-flor. 
Lesões Planas: Aparecem como áreas de 
espessamento epitelial com tonalidade acinzentada e 
formação de fissuras das superfície da mucosa. 
Com a progressão, uma pápula ulcerada se desenvolve. 
 
Histologicamente, ambas as lesões representam 
carcinomas escamosos com graus variáveis de 
diferenciação. O carcinoma verrucoso é uma variante 
bem diferenciada exofítica do carcinoma escamoso, 
que é localmente invasiva mas raramente gera 
metástase. Outros subtipos menos comuns incluem as 
variantes basaloide, verrucosa e papilar. 
ASPECTOS CLÍNICOS 
Trata-se de uma lesão localmente infiltrativa, de 
crescimento lento, que frequentemente já estava 
presente um ano ou mais antes de chegar à atenção do 
médico. 
As lesões são indolores até que elas sofram ulceração 
e infecção secundárias. As metástases para linfonodos 
inguinais podem ocorrem em estágios iniciais, porém a 
disseminação difusão é extremamente incomum até 
que a lesão esteja muito avançada. 
O prognóstico está relacionado ao estágio do tumor. 
Sem a disseminação para os linfonodos, a taxa de 
sobrevida em 5 anos é de 66%, enquanto a metástase 
para os linfonodos traz uma taxa de sobrevida de 27% 
em 5 anos. 
Laísa Dinelli Schiaveto 
 
Testículo e Epidídimo 
MALFORMAÇÕES CONGÊNITAS 
Com exceção dos testículos não descidos 
(criptorquidia), anomalias congênitas são 
extremamente raras e incluem a ausência de um ou 
dois testículos e a fusão dos testículos (sinorquia). 
CRIPTORQUIDIA 
Trata-se de uma falha completa ou parcial dos 
testículos intra-abdominais em descer para dentro da 
bolsa escrotal. Está associada com disfunção testicular 
e um risco aumentado de câncer testicular. É 
encontrada em aproximadamente 1% dos meninos de 
um ano de idade. Geralmente ocorrer como anomalia 
isolada, mas pode estar acompanha por outras 
malformações do trato geniturinário (ex.: hipospadias).

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