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1 REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO “Construindo competências profissionais para um ensino de qualidade” INDE INSTITUTO NACIONAL DO DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO Testagem 2012 Módulos de Línguas Moçambicanas Formação de Professores do Ensino Primário Elaborado por: David Langa 2 Índice de Conteúdos 0. Introdução ................................................................................................................................................. 6 0.1. Competências a Desenvolver no Módulo ......................................................................................... 6 0.2. Objectivos do Módulo ....................................................................................................................... 6 0.3. Resultados de aprendizagem do módulo: .......................................................................................... 7 0.4. Visão Geral dos Conteúdos do Módulo ................................................................................................. 8 Unidade temática 1: Diversidade Linguística e Cultural .............................................................................. 9 1.1.Evidências Requeridas da Unidade Temática: .................................................................................... 9 1.2. O que é a língua? ................................................................................................................................ 9 1.2.1. Língua vs Comunidade Linguística .............................................................................................. 10 1.2.1. Conceito de Dialecto ..................................................................................................................... 10 1.3. Importância do estudo das línguas bantu no desenvolvimento do país............................................ 10 1.3.1. Qual é a importância do estudo das línguas moçambicanas no desenvolvimento do país? .......... 11 1.4. Situação linguística do continente africano...................................................................................... 14 1.5. Situação linguística de Moçambique ............................................................................................... 16 1.6. Características das línguas bantu ..................................................................................................... 17 1.6.1. Quais são as Características das línguas bantu? ............................................................................ 17 1.6.1.1. Demonstração da característica (1a): veja-se a seguinte tabela: ................................................ 18 1.6.2Actividades ..................................................................................................................................... 19 1.6.3. Distribuição das Línguas bantu de Moçambique por zonas. ......................................................... 20 1.6.4Autoavaliação ................................................................................................................................. 22 1.6.5Chave de Correcção ........................................................................................................................ 23 1.6.6Bibliografia Complementar............................................................................................................. 25 Unidade Temática 2: Estrutura das línguas bantu faladas em Moçambique ............................................... 26 2.1. Competencia da unidade .................................................................................................................. 26 2.2. Sistema Ortográfico das Línguas Bantu ........................................................................................... 27 2.2.1. Língua Citshwa ............................................................................................................................. 28 2.2.1.1. O sistema de vogais do Citswha ................................................................................................ 29 2.2.1.2. Consoantes do Citswha .............................................................................................................. 29 2.2.1.3. Modificação de Consoantes ....................................................................................................... 31 2.2.2. Xichangana ................................................................................................................................... 31 2.2.2.1. Vogais do Xichangana ............................................................................................................... 32 2.2.2.2. Consoantes do Xichangana ........................................................................................................ 32 2.2.2.2. Modificação de Consoantes ....................................................................................................... 34 2.2.3. Cinyungwe .................................................................................................................................... 34 2.2.3.1. Vogais do Cinyungwe ................................................................................................................ 34 2.2.3.2. Consoantes do Cinyungwe ......................................................................................................... 35 2.2.3.3. Modificação de Consoantes ....................................................................................................... 36 2.2.4. Emakhuwa..................................................................................................................................... 36 2.2.4. 1. Vogais do Emakhuwa ............................................................................................................... 37 2.2.4. 2. Consoantes do Emakhuwa ........................................................................................................ 38 3 2.2.4. Modificação de Consoantes .......................................................................................................... 39 2.2.5. Cisena ............................................................................................................................................ 39 2.2.5.1.Vogais do Cisena ........................................................................................................................ 40 2.2.5.2.Consoantes do Cisena ................................................................................................................. 40 2.2.5.3. Modificação de Consoantes ....................................................................................................... 41 2.2.6. Ciyaawo ........................................................................................................................................ 42 2.2.6.1. Vogais do Ciyaawo .................................................................................................................... 42 2.2.6.2. Consoantes do Ciyaawo ............................................................................................................. 43 2.2.6.3. Modificação de Consoantes ....................................................................................................... 44 2.3Recursos de Aprendizagem:............................................................................................................... 44 2.4Actividades ........................................................................................................................................ 46 2.5Autoavaliação: ................................................................................................................................... 47 2.6Chave de Correcção ...........................................................................................................................48 2.7. Bibliografia Complementar.............................................................................................................. 48 3. Morfologia Nominal ............................................................................................................................... 49 3.1. Estrutura do nome nas línguas bantu ............................................................................................... 49 3.1.1. Morfologia do Nome de Citswha .................................................................................................. 49 3.1.1.1. Prefixos primários vs secundários .............................................................................................. 51 3.1.1.2. Aumentativos e diminutivos ...................................................................................................... 52 3.1.1.3. Locativização ............................................................................................................................. 52 3.1.1.4. Integração de empréstimos em classes nominais ....................................................................... 53 3.1.2. Morfologia do Nome de Xichangana ............................................................................................ 53 3.1.2.1. Prefixos primários vs secundários .......................................................................................... 55 3.1.2.2. Aumentativos e diminutivos ...................................................................................................... 56 3.1.2.3. Locativização ............................................................................................................................. 56 3.1.2.4. Integração de empréstimos em classes nominais ....................................................................... 57 3.1.3. Morfologia do Nome de Cinyungwe ................................................................................................ 58 3.1.3.1. Prefixos primários vs secundários: Aumentativos e diminutivos .............................................. 59 3.1.3.2. Locativização ............................................................................................................................. 59 3.1.3.2.1. Locativização Situacional ....................................................................................................... 60 3.1.3.2.2. Locativização Direccional ....................................................................................................... 60 3.1.3.2.3. Locativização de Interioridade ................................................................................................ 60 3.1.3.3. Integração de empréstimos em classes nominais ....................................................................... 60 3.1.4. Morfologia Nominal do Cisena ..................................................................................................... 62 3.1.4.1. Prefixos primários vs secundários: Aumentativos e diminutivos .............................................. 63 3.1.4.2. Locativização ............................................................................................................................. 63 3.1.4.2.1. Locativização Situacional ....................................................................................................... 64 3.1.4.2.2. Locativização Direccional ....................................................................................................... 64 3.1.4.2.3. Locativização de Interioridade ................................................................................................ 64 3.1.4.3. Integração de empréstimos em classes nominais ....................................................................... 65 3.1.5. Morfologia Nominal do Emakhuwa ............................................................................................. 66 3.1.5. 1. Classes nominais do Makhuwa ................................................................................................. 66 4 3.1.5. 2. Prefixos primários vs secundários ............................................................................................. 67 3.1.5. 3. Aumentativos e diminutivos ..................................................................................................... 67 3.1.5. 6. Locativização ............................................................................................................................ 68 3.1.5. 6.1.Locativização Situacional ....................................................................................................... 68 3.1.5. 6.2. Locativização Direccional ...................................................................................................... 68 3.1.5. 6.3. Locativização de Interioridade ............................................................................................... 68 3.1.5. 7. Integração de empréstimos em classes nominais ...................................................................... 69 3.1.6. Morfologia Nominal de Ciyaawo ................................................................................................. 70 3.1.6.1. Classes nominais do Yao ........................................................................................................... 70 3.1.6.2. Locativização ............................................................................................................................. 71 3.1.6.2.1. Locativização Situacional ....................................................................................................... 71 3.1.6.2.2. Locativização Direccional ....................................................................................................... 71 3.1.6.2.3. Locativização de Interioridade ................................................................................................ 71 3.1.6.7. Integração de empréstimos em classes nominais ....................................................................... 72 3.2. Morfologia verbal ............................................................................................................................ 74 3.2.1. Estrutura do verbo das línguas bantu ............................................................................................ 74 3.2.1. Extensões verbais das línguas bantu ............................................................................................. 74 3.2.2. Conjugação do verbo nas línguas bantu ........................................................................................ 76 3.2.2. 1. Língua Xichangana ................................................................................................................... 77 3.2.2.1.1. Tempo passado ........................................................................................................................ 77 3.2.2.1.2. Tempo presente ....................................................................................................................... 77 3.2.2.1.3. Tempo presente simples .......................................................................................................... 77 3.2.2.1.4. Tempo presente habitual ......................................................................................................... 78 3.2.2.1.5. Tempo futuro .......................................................................................................................... 78 3.2.2.2. Língua Cinyungwe ..................................................................................................................... 79 3.2.2.2.1.Passado ..................................................................................................................................... 79 3.2.2.3. Língua Emakhuwa .....................................................................................................................80 3.2.2.4. Língua Cisena ............................................................................................................................ 81 Pontual ................................................................................................................................................ 82 2.2.3. Reduplicação ..................................................................................................................................... 83 2.2.4. Frase verbal e frase não verbal ...................................................................................................... 84 2.2.5. Sistema de Concordância .............................................................................................................. 85 2.2.6. Discurso directo vs indirecto ......................................................................................................... 86 2.2.7. Frase activa vs passiva .................................................................................................................. 86 2.3Actividades ........................................................................................................................................ 88 2.4Autoavaliação: ................................................................................................................................... 89 2.5Chave de Correcção: .......................................................................................................................... 90 2.8. Bibliografia Complementar: ............................................................................................................ 91 Unidade III. Produção Oral ......................................................................................................................... 93 4.1 Introdução ......................................................................................................................................... 93 4.2. Evidências Requeridas da Unidade Temática .................................................................................. 93 4.3. Orientação metodológica ................................................................................................................. 93 5 4.4. Formas de tratamento ....................................................................................................................... 94 4.4.1.Debates ........................................................................................................................................... 94 4.4.1.1. Aspectos a considerar na organização e realização de um debate ............................................. 94 4.4.1.2. Preparação .................................................................................................................................. 95 4.4.1.3. Papel do animador ...................................................................................................................... 95 4.4.1.4. Expressões a usar na introdução das opiniões ............................................................................ 95 4.5. Autoavaliação .................................................................................................................................. 96 4.6. Chave de Correcção ......................................................................................................................... 96 4.6. Bibliografia Complementar.............................................................................................................. 96 Unidade IV: Tipologia Textual ................................................................................................................... 98 5.1. Introdução ........................................................................................................................................ 98 5.2. Evidências Requeridas da Unidade Temática .................................................................................. 98 5.3. Metodologia ..................................................................................................................................... 99 5.4. Autoavaliação ................................................................................................................................ 100 5.5Chave de Correcção ......................................................................................................................... 100 5.6Bibliografia Complementar: ............................................................................................................ 100 6 0. Introdução O presente módulo de disciplina de Línguas Bantu de Moçambique visa orientar o formador e os formandos em aspectos ligados à filosofia do ensino bilingue (ensino em duas línguas), aspectos estruturais das línguas bantu de Moçambique, bem como sobre os aspectos metodológicos e composição de textos formais nos Institutos de Formação de Professores (IFP) de Moçambique. Devido a diversidade linguística do nosso país e não só, encontramos num IFP alunos falantes das mais diversas línguas moçambicanas tal que não é possível conceber um módulo para uma única língua bantu. Deste modo, o presente modo possibilita que o professor formador trabalhe numa sala multilingue. Competências a Desenvolver no Módulo Após a conclusão deste módulo, o formando deverá ser capaz conhecer a filosofia por detrás do ensino bilingue, bem como o contributo desta modalidade de ensino para o desenvolvimento do país; dominar os aspectos estruturais das línguas bantu, designadamente, o seu sistema ortográfico, morfológico e sintáctico e ser capaz de se expressar oral e por escrito na sua língua bantu. 0.1. Objectivos do Módulo Constituem os objectivos do presente módulo os seguintes: • Conheçer e reconheçer as diferenças sociolinguísticas e antropológicas das Línguas Moçambicanas; • Explicar a importância das Línguas Moçambicanas no ensino e no desevolvimento do país; • Usar correctamente a ortografia das línguas bantu, no geral, e especialmente a sua língua materna • Distinguir a estrutura do nome, do verbo e a construção frásicas da sua materna vs do português; • Produzir e interpretar diferentes tipos de textos na sua língua materna; 7 • Respeitar as diferenças culturais entre as difentes línguas bantu faladas em Moçambique. 0.2. Resultados de aprendizagem do módulo: Concluído o módulo, o aluno deve ser capaz de: • Conheça e reconheça as diferenças sociolinguísticas e antropológicas das Línguas Moçambicanas; • O formando sabe e dissemina a importância das Línguas Moçambicanas no ensino e no desevolvimento do país; • Domina a ortografia das línguas bantu, no geral, e especialmente a sua língua materna • Distinga a estrutura do nome, do verbo e a construção frásicas da sua materna vs do português; • Produza e interpreta diferentes tipos de textos na sua língua materna; • Respeita as diferenças culturais entre as difentes línguas bantu faladas em Moçambique. 8 0.4. Visão Geral dos Conteúdos do Módulo Unidade Temática Temas Carga Horária 1. Diversidade Linguística e Cultural 04 2. Estrutura das línguas bantu de Moçambique 29 3. Produção de enunciados orais adequados a diferentes contextos 03 4. Interpretação de textos de carácter informativo, reflexivo, argumentativo e literário utilizando técnicas e finalidades específicas em diferentes contextos 18 Total 54 9 Unidade temática 1: Diversidade Linguística e Cultural Duração da Unidade: 04 horas A presente unidade temática intitulada Diversidade Linguística e Cultural visa introduzir o formando nos conceitos operatórios básicos do que é uma língua no geral e uma língua bantu em particular. O conceito de língua, que é abstracto, não se desassocia da comunidade que a fala – a comunidade linguística ou de fala – conjunto de pessoas situadas numespaço ou zona particular. É a língua falada, no concreto, numa comunidade linguística ou de fala que se designa de dialecto. Para além dos conceitos acima apresentados, nesta unidade, o aluno passará a saber da importância do estudo das línguas bantu no desenvolvimento do país. Para desenvolver esta subunidade, recorre-se aos objectivos do desenvolvimento do milénio que é uma agenda global de todos os países do mundo. A unidade termina com a apresentação, de forma breve, da situação linguística da África e de Moçambique em particular. Caro formando, tenha uma boa leitura! 1.1.Evidências Requeridas da Unidade Temática: No fim desta unidade temática o formando deve ser capaz de: • Conhecer os principais conceitos operatórios (língua, dialecto…); • Conhecer as diferentes línguas faladas no país; • Respeitar as diferentes línguas faladas no país 1.2. O que é a língua? A língua é definida de várias formas por diferentes autores. Contudo, de uma forma geral, a língua é definida como um código pelo qual um povo realiza a comunicação oral e/ou escrita. Hoje em dia, com o desenvolvimento das ciências de linguagem, o conceito de língua abarca o código de sinais usado por pessoas incapazes de produzir sons de fala – os mudos. Assim, as pessoas comunicam-se entre elas através de uma língua seja ela oral ou escrita ou de sinais. 10 Comentário: Como se pode depreender do parágrafo anterior, não existem línguas superiores nem línguas inferiores embora algumas políticas europeias no tempo colonial tenham usado erradamente o termo língua para distanciar a língua Portuguesa, no caso de Portugal, das línguas faladas na colónia (Moçambique, neste caso). Eles usavam o termo língua para se referir à língua portuguesa e dialecto para se referir as línguas moçambicanas. Essa distinção é errada porque como acima se viu, o termo língua designa um código pelo qual um povo realiza a comunicação oral ou escrita ou de sinais. 1.2.1. Língua vs Comunidade Linguística A língua é um património comum a uma dada comunidade linguística. Para Saussure (1916: 25-30) citado por Duarte (2000: 44): “língua é simultaneamente um produto social da faculdade da linguagem e um conjunto de convenções necessárias, adoptadas pelo corpo social para permitir o exercício desta faculdade pelos indivíduos (…) É um sistema de signos distintos que correspondem a ideias distintas.” (…) É um tesouro depositado, pela prática da fala, nos indivíduos que pertencem a uma mesma comunidade, um sistema gramatical que existe virtualmente no cérebro, ou mais exactamente nos cérebros de indivíduos;” Portanto, pode-se dizer que a língua é fundamentalmente “um fenómeno social” (Baylon & Fabre, 1979: 59) e como tal não pode ser dissociada da comunidade que a fala. 1.2.1. Conceito de Dialecto A noção de língua não se deve confundir com a de dialecto. A diferença entre estas duas realidades reside a nível de estatutos: o dialecto é sempre uma variedade de um determinado sistema linguístico reconhecido oficialmente como língua. Geralmente se considera variedade de uma língua a variante linguística que caracteriza uma determinada zona. 1.3. Importância do estudo das línguas bantu no desenvolvimento do país As principais razões que justificaram a utilização de LB no ensino básico são de natureza Linguístico-pedagógicas; (ii) Cultura e identidade e (iii) Direitos humanos do indivíduo. 11 Estando-se a viver numa “aldeia global”, é sempre importante que os moçambicanos conheçam as suas línguas maternas, não só devido a factores ligados à identidade dos mesmos mas sobretudo porque aprender na sua língua materna é um direito humano. No fim desta lição o aluno será capaz de responder a seguinte pergunta: 1.3.1. Qual é a importância do estudo das línguas moçambicanas no desenvolvimento do país? Veja se a seguinte citação do Director da UNESCO: “As línguas certamente são essenciais para a identidade de grupos e indivíduos e para sua coexistência pacífica. São um factor estratégico de progresso para o desenvolvimento sustentável e para uma relação harmoniosa entre o contexto global e o local. São de extrema importância para o alcance dos seis objectivos do programa “Educação para Todos” e das Metas de Desenvolvimento do Milénio, estabelecidas pelas Nações Unidas em 2000”. (Koïchiro Matsuura, Director General, UNESCO) Este tema é aqui abordado tendo como referência uma brochura elaborada pela Sociedade Internacional de Linguísticas (SIL), em 2008. Esta brochura foi desenvolvida para responder à pergunta sugerida pelo próprio tema desta unidade – Afinal para que serve o estudo das línguas bantu no desenvolvimento do país? A resposta a esta pergunta é dada tendo como referência as Metas de Desenvolvimento do Milénio. Estas foram estabelecidas pelos 189 estados membros das Nações Unidas e oficialmente e estabeleceram um acordo para alcançá-las até 2015. Essas metas são as seguintes: (i) Erradicar a pobreza extrema e a fome, (ii) Atingir o ensino básico universal, (iii) Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres, (iv) Reduzir a mortalidade infantil, (v) Melhorar a saúde materna, (vi) Combater o HIV & SIDA, a malária e outras doenças, (vii) Garantir a sustentabilidade ambiental e (viii) Estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento. Nas linhas que se seguem, apresenta-se como cada uma das metas pode ser alcançada tendo como ponto de partida a importância das línguas bantu no desenvolvimento do nosso país. Meta 1: Erradicar a pobreza extrema e a fome O acesso à alfabetização em línguas maternas permite com que a maior parte da população moçambicana não falante do Português (língua oficial) participe na vida económica do país. Por exemplo, pode se produzir materiais educativos em línguas maternas educando as pessoas sobre 12 os valores nutritivos dos alimentos que produzem nas suas machambas e que consomem. As pessoas podem ser educadas a manejar as suas finanças e seus recursos como se pode ver no seguinte texto extraído de SIL (2008: 1). O aumento da renda e o alívio da fome dentro das comunidades etnolinguísticas ocorrem quando informações que promovem uma mudança de vida são transmitidas em uma língua que as pessoas entendem bem. Maiores taxas de alfabetização frequentemente resultam em uma maior renda per capita. Meta 2: Atingir o ensino básico universal Os programas de ensino fundamental que começam na língua materna ajudam os alunos a desenvolverem habilidades de alfabetização e habilidades numéricas mais rapidamente. Quando ensinados em sua língua local, os alunos transferem as habilidades de alfabetização com facilidade para as línguas oficiais utilizadas no sistema de educação, adquirindo ferramentas essenciais para a aprendizagem por toda a vida. Os resultados são um aumento da auto-estima e uma comunidade melhor equipada para ser alfabetizada nas línguas de comunicação mais ampla. “Cinquenta por cento das crianças do mundo, que não frequentam a escola, vivem em comunidades onde a língua usada para a alfabetização é raramente usada em casa. Esse é o maior desafio em alcançar a Educação para Todos (EPT): um legado de práticas improdutivas que leva a baixos níveis de aprendizagem e altos níveis de reprovações." Meta 3: Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres Quase dois terços dos 875 milhões de analfabetos do mundo são mulheres. Nas comunidades etnolinguísticas, os rapazes frequentemente são encorajados a interagir com outros nas línguas de comunicação mais ampla. No entanto, espera-se tipicamente que as moças fiquem perto de casa, onde a língua local frequentemente é a única utilizada. Pesquisas mostram que as meninas e mulheres que são educadas nas línguas que conhecem melhor permanecem por mais tempo na escola e obtêm melhores resultados do que aquelas que não são instruídas na sua línguamaterna. “A língua materna do aluno é a chave para tornar a educação mais inclusiva para todos os grupos que se encontram em desvantagem, especialmente para as meninas e as mulheres.” (Meninas: equidade educativa e língua materna), p.1, 2005, UNESCO-Bangkok) 13 Meta 4: Reduzir a mortalidade infantil O índice de mortalidade de crianças com menos de cinco anos diminui quando informações a respeito da prevenção e do tratamento de doenças são disponibilizadas em línguas locais. Por outro lado, a má compreensão pode levar a mal-entendidos perigosos e até fatais. As comunidades etnolinguísticas podem combater a diarreia, a malária e outras doenças comuns quando têm os recursos e a capacidade de obter informações essenciais sobre saúde. Meta 5: Melhorar a saúde materna Uma mãe pode cuidar melhor de si mesma e de sua família quando sabe ler e escrever em sua língua materna e tem acesso a informações sobre saúde em uma língua que entende bem. O desenvolvimento baseado na linguagem facilita a introdução de novos conceitos e a tradução apropriada de nova terminologia. Meta 6: Combater o HIV & SIDA, a malária e outras doenças As pessoas de comunidades etnolinguísticas são vulneráveis ao HIV& SIDA, à malária e a outras doenças em parte por causa da falta de informações essenciais na sua língua materna. A leitura de materiais sobre higiene, nutrição, prevenção e tratamento de doenças em línguas locais demonstrou ser efectiva para melhorar a saúde geral e a expectativa de vida da população. A disponibilidade de informação culturalmente relevante desfaz os conceitos errados que cercam o HIV& SIDA. Meta 7: Garantir a sustentabilidade ambiental Os princípios de preservação ambiental são comunicados entre as línguas através de programas de desenvolvimento baseados na linguagem e na produção de literatura. O desmatamento é um problema crítico em todo o mundo. Conforme as populações locais aprendem a tecnologia apropriada, somada ao conhecimento tradicional sobre a flora e fauna, suas necessidades económicas são supridas e, ao mesmo tempo, o meio-ambiente é protegido. Meta 8: Estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento As parcerias globais entre comunidades etnolinguísticas e sociedades nacionais e internacionais requerem comunicação e compreensão mútua. A revitalização da língua materna assegura que uma língua continue a servir aos diferentes objectivos de seus falantes e age, também, como uma 14 ponte para que uma comunidade atinja seus propósitos multilingues mais amplos ao aprender uma língua de comunicação mais abrangente. O desenvolvimento baseado na linguagem facilita o intercâmbio mais amplo de conhecimento tradicional, além de disponibilizar os benefícios da informação global e da tecnologia de comunicação. 1.4. Situação linguística do continente africano Sabida a importância do estudo das línguas bantu para o desenvolvimento do país, nesta lição, você conhecerá a situação linguística do continente africano no geral. Como deve imaginar, nem todos os povos africanos falam línguas bantu. Estas são faladas com a maior proeminência na África subsaariana. O texto que a seguir se apresenta foi extraído da internet. Para uma melhor compreensão desta lição, a sua leitura deve ser acompanhada de um mapa do continente africano. Qual é a situação linguística do continente africano? A África é provavelmente a região do mundo onde a situação linguística é a mais diversificada (com 1000 línguas) e a menos conhecida (http://pt.wikipedia.org). Um dos vários estudos sobre a situação linguística do continente africano foi feito Joseph Harold Greenberg, um famoso linguista norte-americano, em 1955. Este estudioso distingue quatro grandes conjuntos: • A família khoisan ao sul, constituída essencialmente pelas línguas de cliques dos bosquímanos; • A família camito-semítica (dita também afro-asiática) ao norte, constituída pelo semítico (árabe, hebraico, etíope e outras), o berbere, o egípcio, o cuchítico e o chadiano (haúça); • A família nilo-saariana, que se estende sobre uma zona descontínua do Chade ao Sudão e ao Zaire, e compreende o songai, o maban, o koma, o fur e o nilo-chadiano, este dividido em sudanês central (sara, mangbetu) e sudanês oriental (línguas núbias); • A família nígero-congolesa, que ocupa a maior parte da África Negra, é dividida em seis grupos: o oeste-atlântico (peul, uolof, diola), o mandé ou mandinga (bambara, malinque, mende), o voltaico ou gur (mossi), o kwa (iorubá, iba, akan, ewe, kru), o grupo de Adamawa oriental e o grupo benuê-congolês, essencialmente constituído pelas bantu, que ocupam todo o sul do continente. Para fazer face a essa diversidade lingüística, foram desenvolvidas línguas de relação, faladas como segundas línguas nos conjuntos 15 geográficos mais vastos: o árabe, a língua mais falada do continente; o suaíle (a leste da África), primeira língua banta a utilizar a forma escrita; o lingala (oeste do Zaire); o bambara (Mali, Guiné, Costa do Marfim); o haúça (norte da Nigéria) e outras. Finalmente, as línguas européias herdadas da colonização (inglês, francês, português) são faladas pelas classes cultas e continuam a ser o alicerce linguístico de numerosos países. (in http://pt.wikipedia.org) 16 1.5. Situação linguística de Moçambique Moçambique é um país multilingue multiétnico onde se fala maioritariamente as línguas bantu, a língua portuguesa e algumas línguas asiáticas (Firmino, 2002). Para efeitos deste módulo, apresenta-se as línguas faladas por província (c.f. NELIMO 1989, Sitoe e Ngunga 2000, Ngunga e Faquir 2011). Tabela 1: Língua por Província Ordem Língua Província 1. Kimwani Cabo-Delgado 2. Shimakonde Cabo-Delgado 3. Ciyaawo Niassa e Cabo-Delgado 4. Emakhuwa Nampula, Cabo-Delgado, Niassa e Zambézia 5. Echuwabu Zambézia e Sofala 6. Cinyanja Niassa, Zambézia e Tete 7. Cinyungwe Tete 8. Cisena Manica, Sofala, Tete e Zambézia 9. Cibalke Manica 10. Cimanyika Manica 11. Cindau Sofala, Manica e Inhambane 12. Ciwute Manica 13. Gitonga Inhambane 14. Citshwa Inhambane, Gaza, Manica e Sofala 15. Cicopi Gaza e Inhambane 16. Xichangana Maputo, Gaza, Manica e Sofala 17. Xirhonga Maputo, Gaza e Inhambane A tabela acima mostra as línguas faladas em Moçambique, por província. Algumas destas línguas são faladas em outros países vizinhos e não só. 17 1.6. Características das línguas bantu Depois de ter visto o que é uma língua, nesta ponto aprenderás o que é uma língua bantu, i.e., que característica uma língua deve ter para ser classificada de bantu ou não? 1.6.1. Quais são as Características das línguas bantu? Ngunga (2004:20-52) apresenta as características das línguas bantu de forma mais exaustiva. Contudo, para efeitos deste módulo, apresenta-se algumas características que podem ajudar o futuro professor a distinguir uma língua bantu da não bantu. Existem dois grupos de critérios, nomeadamente, critérios principais e critérios subsidiários (c.f. Ngunga 2004). Aqui, apresentam-se um critério e as suas características: (1) Ter um sistema de géneros gramaticais, em número não inferior a cinco, apresentando as seguintes características: a. Os indicadores de género devem ser prefixos, através dos quais os nomes podem ser distribuídos em classes cujo número varia, geralmente, entre 10 e 20; b. As classes devem associar-se regularmente em pares que opõem o singular do plural de cada género (…); c. Não há correlação entre género e a noção sexual ou qualquer outra categoria semântica claramente definida; Sugestões Metodológicas Visto que as salas de aula são multilingues, para leccionar esta aula, sugere-se o seguinte: • O formador já deve ter a lista dos estudantes por língua materna ou de formação; • Para não parecer que está a trabalhar com umalíngua apenas, o formador deve pedir aos alunos falantes de línguas diferentes para fornecerem exemplos de palavras da lista abaixo apresentada (veja actividades); • Depois fique atento, aos diferentes prefixos (parte inicial da palavra). Assim, ajuda os alunos a perceberem melhor as características. 18 d. Ter um vocabulário comum a outras línguas, a partir do qual se pode formular uma hipótese sobre a possível existência de uma língua ancestral comum. 1.6.1.1. Demonstração da característica (1a): veja-se a seguinte tabela: (2) Tabela exemplificativa de Nyanja e Changana Classe Prefixos Nyanja Changana Significados 1 mu- mu-nthu Munhu 'pessoa' 2 a- a-nthu va-nhu 'pessoas' 3 mu- m-tengo n-sinya 'árvore' 4 mi- mi-tengo mi-sinya 'árvores' 5 dzi- dzi-no ∅∅∅∅-tinyo ‘dente' 6 ma- ma-so ma-tinyo 'olhos' 7 ci- ci-nthu xi-lo ‘coisa' 8 zi- zi-nthu svi-lo 'coisas' 9 N- m-buzi m-buti 'cabrito' 10 dzi- dzi-mbuzi ti -mbuti 'cabrito' Comentários: (i) Os números de 1-10, na primeira coluna são chamados classes nominais. Na tabela acima apenas apresentam-se 10 classes mas podem ser muito mais conforme veremos na unidade sobre “morfologia do nome”, deste módulo. Todas as palavras que conheces devem estar inseridas em classes. (ii) A segunda coluna apresenta os prefixos nominais. Na terceira coluna (em Cinyanja) e quarta (em Xichangana), cada prefixo está destacado em negrito. Diz- se prefixo nominal porque a parte em negrito esta antes do que vem à direita não destacado. Essa parte chama-se tema nominal. i.e., depois de se remover o prefixo nominal resta o tema nominal. (iii) Como se pode ver, a classe 1 é singular da classe 2 e a classe 2 é plural da classe 1. Da mesma maneira, a classe 3 é singular da classe 4 e esta plural da classe 3 e assim sucessivamente até a classe 10 que é plural da classe 9 e esta singular da classe 10. A esta oposição do singular e do plural chama-se género gramatical. O 19 conceito de género gramatical nas línguas bantu, não tem nada a ver com o conceito de sexo feminino ou masculino como acontece na língua portuguesa! (iv) Comparando as palavras do Cinyanja e do Xichangana pode-se pensar que as duas línguas usam as mesmas palavras – vocabulário comum. 1.6.2. Actividades 1. Preencha a seguinte tabela: Língua Fala Dialecto Comunidade linguística Conceito Características Exemplo 2. Esta lição pode ser dada com o recurso a leitura dos seguintes textos: • INDE/MINED. 2003. Plano Curricular do Ensino Básico, Programa das disciplinas do 1º Ciclo: Ensino Básico (1ª e 2ª Classes). Maputo: INDE/MINED. • Visita ao Portal do Governo de Moçambique • Sociedade Internacional de Linguística (SIL). 2008. Por que as Línguas Importam: Alcançando as Metas do Desenvolvimento do Milénio Através das Línguas Locais. SIL Internacional. 20 1.6.3. Distribuição das Línguas bantu de Moçambique por zonas. 3. Para o ponto 1.6. Exploração da lista de palavras da seguinte maneira: • Seleccionar 3 alunos que falem línguas diferentes 21 • Na ordem das palavras desta lista, pedir aos mesmos para que, à vez, digam a palavra no singular e no plural; • O formador vai anotando as palavras num quadro; • No fim disso, proceder como se fez nesta lição. Preencher a seguinte lista de palavras: Lista de palavras Singular Plural 1. pessoa ................................... ............................................. 2. rapariga ...................................... ............................................. 3. rapaz ..................................... .............................................. 4. criança ...................................... ............................................. 5. cabeça ....................................... ............................................. 6. cabelo ....................................... ............................................. 7. face ........................................ ............................................. 8. bochecha ........................................ ............................................. 9. olho ..................................... ............................................. 10. boca ..................................... ............................................. 11. dente ..................................... ............................................. 12. gengiva ..................................... ............................................. 13. língua (órgão). ..................................... ............................................. 14. saliva ...................................... ............................................. 15. orelha ...................................... ............................................. 16. pescoço ...................................... ............................................. 17. costas ....................................... ............................................. 18. peito ....................................... ............................................. 19. barriga ...................................... ............................................. 20. umbigo ...................................... ............................................. 21. pele ...................................... ............................................. 22. nádega (tabú) ...................................... ............................................. 23. pulmão ..................................... ............................................. 22 24. coração ...................................... ............................................. 25. animal ...................................... ............................................. 26. porco ....................................... ............................................. 27. galinha ....................................... ............................................. 28. cão ....................................... ............................................. 29. cabrito ....................................... ............................................. 30. gato ........................................ ............................................. 31. pato ........................................ ............................................. 32. leão ..................................... ............................................. 33. leopardo ..................................... ............................................. 34. elefante ..................................... ............................................. 35. crocodilo ..................................... ............................................. 36. hipopótamo ..................................... ............................................. 37. boi ..................................... ............................................. 38. pássaro ..................................... ... ............................................. 1.6.4. Autoavaliação Agora resolva no seu caderno as actividades que lhe propomos para que possa avaliar o seu progresso. 1. “A língua é simultaneamente o produto e o instrumento da comunicação”… a) Justifica. b) O que é a fala. 2. Em que reside a diferença entre língua e dialecto? Apoie a sua resposta com exemplos. 3. Caro formando, tu pertences a uma comunidade linguística? Se sim, diga qual? . Quais são os dialectos das sua língua? 4. Algumas línguas bantu moçambicanas transfronteiriças (faladas em outros países, sobretudos vizinhos). a) Indica duas dessas línguas e diga em que países elas são faladas? 23 5. Qual é a LB moçambicana com maior número de falantes e em que províncias elas é falada? Localiza as LB no continente africano. 6. Identifica as razões quejustificaram a introdução das LB no ensino básico moçambicano. a) Explica as razões culturais e de identidade. b) Como é que as LB podem contribuir para a erradicação do HIV & SIDA. Para o ponto 1.6. 1. Passe para o seu caderno a lista de palavras acima e preencha-a na sua língua materna. 2. Com base nos dados da lista por si preenchida, responda às seguintes questões: a. Prove que na sua língua, a noção de género gramatical não tem a ver com a noção de sexo. b. Faça a listagem dos prefixos nominais da sua língua. c. Mencione os géneros gramaticais que encontrou na sua língua. 3. Com base em evidências, prove que a sua língua materna é uma língua bantu. 1.6.5. Chave de Correcção 1. a) É produto porque é ela que faz evoluir a língua e é o somatório das marcas individuais de cada falante; instrumento porque todos a utilizam na comunicação. b) A fala é um acto individual de selecção e de actualização da língua (estas particularidades estão relacionadas com o sotaque, escolha de vocabulário, ordem pouco usual das palavras…) 2. Ao critério de cada formando. É necessário realçar que enquanto Língua é“enquanto produto social da faculdade de linguagem e um conjunto de convenções necessárias, adoptadas pelo corpo social para permitir o exercício dessa faculdade nos indivíduos” (Genouvrier e Peytard, 1974:151) o dialecto é variante de uma língua, distinta em termos sociais ou regionais e identificada por um conjunto de traços locais. 24 3. Ao critério do formando. 4. a) Ao critério do formando. O formando poderá, por exemplo, indicar o Xirhonga (falada na RSA e no Zimbabwe) e o Ciyaawo (falado em Malawi e na Tanzania, por exemplo). 5. Segundo Ngunga e Faquir (2011), em Moçambique a LB com maior número de falantes é Emakhuwa, com 5 307 378 falantes. Ela é falada com maior proeminência, no território Moçambicano, nas províncias de Cabo Delgado, Niassa, Nampula e Zambézia. 6. Segundo Ngunga (2004), no continente africano as LB abrangem uma vasta região que se estende a sul de uma linha que vai desde os Montes Camarões (a sul da Nigéria), junto à costa atlântica, até à foz do rio Tana (no Quénia). 7. As principais razões que justificaram a utilização de LB no ensino básico são de natureza Linguístico-pedagógicas; (ii) Cultura e identidade e (iii) Direitos humanos do indivíduo. a) A língua não é somente um instrumento de transmissão de mensagens (comunicação). Também é um veículo de transmissão de valores culturais. Assim, para que o processo alcance os seus propósitos é necessário que se considere a complexidade etnolinguística dos aprendentes, das comunidades e da sociedade. b) Segundo SIL as pessoas de comunidades etnolinguísticas são vulneráveis ao HIV& SIDA, por causa da falta de informações essenciais na sua língua materna. Assim, acredita-se que se os materiais sobre HIV& SIDA fossem escritos nas LB moçambicanas, facilitar-se-ia a comunicação. 8. Ao critério do formador e do formando, tendo em conta a sua língua. 25 1.6.6. Bibliografia Complementar Baylon, C & Fabre, P. 1979. Iniciação à Linguística. Coimbra: Livraria Almedina. Faria et al. 1996. Introdução à Linguística Geral. Lisboa: Caminho. NELIMO. 1989. Relatório Sobre a padronização das Línguas Moçambicanas. Maputo: DLL Ngunga, Armindo e Osvaldo Faquir. 2011. Padronização da Ortografia das Línguas Moçambicanas: Relatório do III Seminário. Maputo: CEA. Ngunga, Armindo. 2000. Introdução à Linguística Bantu. Maputo: Imprensa Universitária. Ngunga, Armindo. 2004. Introdução à Linguística Bantu. Maputo: Imprensa Universitária. Saussure, Ferdinand. 1986. Curso de Linguística Geral. Lisboa: Publicações Dom Quixote. Sitoe, Bento e Armindo Ngunga. 2000. Relatório do II Seminário de Padronização da Ortografia de línguas moçambicanas. Maputo: NELIMO, Universidade Eduardo Mondlane. Sociedade Internacional de Linguística (SIL). 2008. Por que as Línguas Importam: Alcançando as Metas do Desenvolvimento do Milénio Através das Línguas Locais. SIL Internacional. 26 Unidade Temática 2: Estrutura das línguas bantu faladas em Moçambique Estimado formando, na unidade anterior abordámos a Diversidade Linguística e Cultural. Revímos diversos conceitos sobre a comunicação a discutimos a situação linguística do continente africano no geral e particularmente, do nosso país. Identificámos também as características específicas das LB. Nesta unidade, vamos mergulhar um pouco na estrutura das das LB de Moçambique. Vamos estudar a Ortografia das LB de Moçambique, a Morfologia (ramo da Linguistica que se dedica ao da estrutura ou as formas de palavras) e a Sintaxe (ramo da Linguística que se dedica ao estudo “das regras que regem a maneira como as palavras se combinam para formar as sentenças de uma língua” Crystal (1988). Portanto, vamos analisar a forma como os “bantuístas” formam as palavras e como ‘e que estruturam as palavras para formar frases, de modo a realizar a faculdade universal de comunicar pensamentos, sentimentos e volições. No PEA da língua “enquanto produto social da faculdade de linguagem e um conjunto de convenções necessárias, adoptadas pelo corpo social para permitir o exercício dessa faculdade nos indivíduos” (Genouvrier e Peytard, 1974:151), o formador (de língua) deve ter em mente que uma verdadeira aula de língua é aquela que está virada ao desenvolvimento das habilidades linguísticas, que acomoda a vivência cultural e, no caso específico, a experiência linguística do formando, de modo que ele possa adquirir as ferramentas necessárias para manipular a língua, de acordo com as suas necessidades comunicativas. Isto só é possível se, segundo Nunan (1995), as estratégias de ensino estiverem ancoradas a metodologias que tornem o ensino divertido e frutífero, dando maior relevo às interacções entre os actores do processo educativo. Assim, sugerimos que o senhor formador procure sempre trabalhar toda a diversidade linguística da turma, através de grupos linguísticos. 2.1. Competencia da unidade • Usar correctamente a ortografia das línguas bantu, no geral, e especialmente a sua língua materna; • Distinga a estrutura do nome, do verbo e a construção frásicas da sua materna vs do português; 27 2.2. Sistema Ortográfico das Línguas Bantu O sistema ortográfico adoptado para a escrita das línguas moçambicanas foi convencionado no Primeiro Relatório Sobre a Padronização das Línguas Moçambicanas, compilado e, 1989 pelo Centro de Investigação das Línguas Moçambicanas (NELIMO) e revisto por Sitoe e Ngunga (2000) no Relatório do Segundo Seminário Sobre a Padronização das Línguas Moçambicanas e, mas recentemente por Ngunga e Faquir (2011) no Relatório do III Seminário das Línguas Moçambicanas. Até ao fim desta aula, o aluno deve ser capaz de conhecer e dominar a ortografia das línguas bantu em geral e da sua língua em particular. Tendo em consideração a diversidade linguística do país, para efeitos elucidativos, usar-se-ão as seguintes 6 línguas bantu faladas em: Línguas Changana, Citswha, Nyungwe, Sena, Makhuwa e Yaawo. Para consolidar a situação linguística de Moçambique vista na unidade anterior, bem como para permitir um melhor contacto das referências básicas sobre a ortografia das línguas bantu faladas em Moçambique, nomeadamente, Sitoe e Ngunga (2000) e Ngunga e Faquir (2011), cada língua é introduzida pela apresentação das zonas onde ela é falada, as suas variantes. Depois apresentam-se as vogais e por fim as consoantes. Diferentemente da ortografia da língua portuguesa, por exemplo, as vogais e as consoantes das línguas bantu, não mudam os seus valores independentemente dos contextos em que ocorrem. Por isso aconselha-se que a primeira leitura fosse acompanhada por um falante nativo ou por alguém que a domine de modo que o grafema seja melhor associado ao som de um falantenativo da língua. 28 Metodologia O formador deve ter como ferramenta básica a lista de palavras do vocabulário básico (acima). Há medida que os alunos vão ditando a palavra, o professor deve escrever correctamente essa palavra seguindo o relatório ii ou iii sobre a padronização das línguas moçambicanas. Ao ensinar a ortografia de uma dada língua, o formador deve também ler e confrontar os formandos a respeito das variantes das mesmas. O formador deve ter já feito o levantamento das línguas faladas na sala de aulas e explorá-las para dar a ortografia das línguas bantu. Metodologicamente, para uma melhor assimilação dos conteúdos, primeiro apresenta-se o sistema vocálico e depois o consonântico. Para cada grafema, apresenta-se, destacado em negrito, um exemplo de uma palavra que o contenha. Para o ensino da ortografia, deve-se usar palavras simples (com duas ou 3 sílabas), usando consoantes simples (i.e. não combinadas) e se deve destacar (sublinhar) o grafema em causa. 2.2.1. Língua Citshwa Segundo Sitoe e Ngunga (2000: 191), o Citshwa faz parte do grupo Tsonga que abrange três línguas, a saber: Xirhonga, Xichangana e Citshwa. Estas três línguas são mutuamente inteligíveis e são faladas nas províncias de Maputo, Gaza e Inhambane e na zona meridional das províncias de Manica e Sofala. O Citswha é falado por cerca de 10 000 falantes distribuídos pelas 3 províncias (Firmino, 2000). Esta língua apresenta as seguintes variantes: (i) Xikhambani, falada no distrito de Panda; (ii) Xirhonga, falada na zona ocidental do distrito de Massinga; (iii) Xihlengwe, falada nos distritos de Morrumbene e Massinga, na zona de Funhalouro; (iv) Ximhandla, falada no distrito de Vilanculo; (v) Xidzhonge (ou Xidonge), falada na parte meridional do distrito de Inharime e (vi) Xidzivi, falada nos distritos de Morrumbene e Homoíne. 29 2.2.1.1. O sistema de vogais do Citswha O Citshwa apresenta um sistema vocálico constituído por cinco vogais, conforme se pode ver a baixo. Grafema Exemplo Significado a malevhu barba e vele mama i din’wa laranja o nomu boca u kubola apodrecer 2.2.1.2. Consoantes do Citswha Para além das vogais, a língua apresenta um sistema de consoantes que se seguem. Os grafemas bem como os exemplos foram extraídos de Sitoe e Ngunga (2000: 109-111): Grafema Exemplo Significado b kubeleka dar à luz c comelo fermento d din’wa laranja f fole tabaco g gambu sol h humba caracol j jaha rapaz k kaya em casa l kululama ser direito m manu esperteza n nala inimigo p papilo carta q mukhoqo beco r r ibze pedra s sangu esteira t tihlo olho 30 v vele seio/mama w woko mão x xaka parente y yingwe leopardo z zukulu sobrinho bh kubhika cozinhar bv kubvun’wala mergulhar bz kubzala semear dh dhadhani pai dl kudlaladlaleka galopar dz kudzaha fumar qg qgeke pátio hl hloko cabeça lh lhulamethi eucalipto n’ n’anga curandeiro n’q n’qolo carroça ny nyeleti estrela pf mupfumba hóspede ps kupsopsa chupar sv wusva papa de farinha de milho tl kutlakusa erguer ts tsetselelo perdão vh vholo manta xj xjelera geleira zv zvin’we juntos 31 2.2.1.3. Modificação de Consoantes As consoantes acima vistas não são modificadas. Contudo, todas elas podem ser produzidas com modificação da seguinte maneira: a. labialização/velarização: pw, bw, tw, dw, kw, gw, sw, zw, etc. b. palatalização: py, by, ty, dy, etc. c. pré-nasalização: mph, mb, nth, nd, nkh, ng, etc. d. aspiração: ph, th, ch, kh, etc. Nota: Cada formando, com a ajuda do seu formador, deve procurar exemplos de palavras em que as consoantes são produzidas com modificação. 2.2.2. Xichangana Segundo Sitoe e Ngunga (2000: 191), o Changana é também conhecido por Tsonga (na África do sul) e Changana (em Moçambique). Ela é uma das línguas faladas com a maior proeminência na zona sul de Moçambique, nomeadamente nas províncias de Maputo, Gaza, parte das províncias de Inhambane e Manica (Sitoe 1996). A língua changana é também falada nos países vizinhos como a República da África do sul, na província de Transval, e na República de Zimbabwe (Sitoe and Ngunga 2000). Ela pertence ao grupo Tshwa-Rhonga, grupo S.50 na classificação de Guthrie (1967-71). Este grupo é composto por três línguas mutuamente inteligíveis, a saber, Changana (S.53), Tshwa (S. 51) e Ronga (S.54). De acordo com o relatório do Censo Geral da População citado por Sitoe e Ngunga (2000), a língua Changana é falada por aproximadamente 1.500.000 falantes. Esta língua apresenta as seguintes variantes: a) Hlanganu (falada nos distritos de Namahaacha, Moamba e Magude) b) Dzonga (falada nos distritos de Magude, Bilene e parte de Massingir) c) N’walungu (falada no distritos Massingir) d) Bila (falada no vale do limpompo e parte do distrito de Chibuto) e) Hlengwe (falada nos distritos de Xai-xai, Manjacaze, Chibuto, Guija, Chicualacuala, Panda, Morrumbene, Massinga, Vilanculos e Guvuro). 32 2.2.2.1. Vogais do Xichangana O Changana apresenta um sistema vocálico constituído por cinco vogais, conforme se pode ver a baixo. Grafema Exemplo Significado a malepfu barba e vele mama/seio i din’wa laranja o nomu boca u kubola apodrecer Para além das vogais, a língua apresenta um sistema de consoantes que se seguem. Os grafemas bem como os exemplos foram extraídos de Sitoe e Ngunga (2000: 109-111). 2.2.2.2. Consoantes do Xichangana Grafema Exemplo Significado b kuba bater c covelo caril d din’wa laranja f fole tabaco/rapé g gamba tipo de abóbora h humba caracol j jaha rapaz k kaya em casa l kululama ser direito m manu esperteza n nala inimigo p papilo carta q mukhoqo beco r r ibze pedra s sangu esteira 33 t tihlo olho v vele seio/mama w woko mão x xaka parente y yingwe leopardo z zinku zinco bh kubhika anunciar bv kubvun’wala mergulhar bz kubzala semear dl mudlyi assassino dz kudzaha fumar qg qgeke pátio hl hloko cabeça lh lhulamethi eucalipto ny nyanga curandeiro n’q n’qolo carroça ny nyeleti estrela pf mupfumba hóspede ps kupsopsa chupar sv wusva papa de farinha de milho tl kutlakusa erguer ts tsetselelo perdão vh vholo manta xj xjelera geleira zv zvin’we juntos 34 2.2.2.2. Modificação de Consoantes As consoantes acima vistas não são modificadas. Contudo, todas elas podem ser produzidas com modificação da seguinte maneira: a. labialização/velarização: pw, bw, tw, dw, kw, gw, sw, zw, etc. b. palatalização: py, by, ty, dy, etc. c. pré-nasalização: mph, mb, nth, nd, nkh, ng, etc. d. aspiração: ph, th, ch, kh, etc. Nota: Cada formando, com a ajuda do seu formador, deve procurar exemplos de palavras em que as consoantes são produzidas com modificação. 2.2.3. Cinyungwe Segundo o II Recenseamento Geral da População e Habitação, Firmino (2000), a língua Nyungwe é falada com maior proeminência na província de Tete por cerca de 30% da população da província. O Nyungwe é a língua da capital provincial de Tete, falada também ao longo do Rio Zambeze com maior predominância nos distritos de Changara, Moatize, Chiúta, Cahora Bassa, Zumbo e, parcialmente, no distrito de Macanga. 2.2.3.1. Vogais do Cinyungwe O Nyungwe apresenta um sistema vocálico constituído por cinco vogais, conforme se pode ver a baixo. Grafema exemplo Significado a kufamba andar, caminhare kulewa dizer i kulima cultivar, capinar o kugona dormir u kutenda agradecer Para além das vogais, a língua apresenta um sistema de consoantes que se seguem. Os grafemas bem como os exemplos foram extraídos de Sitoe e Ngunga (2000: 109-111). 35 2.2.3.2. Consoantes do Cinyungwe Grafema Exemplo Significado p piri dois bh bhatha pato t tola levar dh dhinda horta c combo umbigo j kujayira habituar-se/acustumar-se k kuwona ver g gombe praia fluvial b baba pai d yadidi bom, verdade f famba andar, caminhar v vima adivinhar s masamba folhas, vegetais, verduras sv kusvipa escurecer z misozi lágrimas zv kuzvenga rodopiar x xanu cinco h haci cavalo ps kupsipa cuspir pf pfupa osso bz bzombo bagagem, utensílios bv kubva ouvir ts tsenga cortar lenha dz dzino dente m mulopa sangue n nolo tipo de pedra para afiar facas ou instrumentos pontiagudos ny nyama carne ng´ ng´ombe boi l lero hoje 36 r ciropa fígado w wana crianças y yekha sozinho 2.2.3.3. Modificação de Consoantes As consoantes acima vistas não são modificadas. Contudo, todas elas podem ser produzidas com modificação da seguinte maneira: a. labialização/velarização: pw, bw, tw, dw, kw, gw, sw, zw, etc. b. palatalização: py, by, ty, dy, etc. c. pré-nasalização: mph, mb, nth, nd, nkh, ng, etc. d. aspiração: ph, th, ch, kh, etc. Nota: Cada formando, com a ajuda do seu formador, deve procurar exemplos de palavras em que as consoantes são produzidas com modificação. 2.2.4. Emakhuwa Segundo Katupha (1983) para além da língua portuguesa, a língua Makhuwa constitui a língua mais falada em Moçambique com cerca de 20% da população total do país (Sitoe e Ngunga 2000). Ela é falada com maior proeminência, no território Moçambicano, nas províncias de Cabo Delgado, Niassa, Nampula e Zambézia. O Makhuwa, codificado P30 na classificação de Guthrie (1967-71), apresenta várias variantes de acordo com a província em que é falado (c.f. Sitoe e Ngunga 2000:67). (i) Na província de Nampula tem as seguintes variantes a. Emakhuwa, falada na cidade capital e arredores, nomeadamente, Mecuburi, Muecate, Meconta, parte de Murrupula, Maogovolas, Parte de Robáwe e Lalawa; b. Enahara, nos distritos de Mossuril, Ilha de Moçambique, Nacala-Porto, Nacala velha e parte de Memba; c. Esaaka, nos distritos de Eráti, Nacarôa e parte de Memba; d. Esankaci, parte de Angoche; e. Emarevoni, parte de Moma e Mongincual; 37 f. Elomwe, nos distritos de Malema, parte de Ribawe, parte de Murrupula e parte de Moma (ii) Na província de Cabo-delgado as variantes do Emakhuwa são as seguintes: a. Emeetto, falada nos distritos de Montepuez, Balama, Namuno, Pemba, Ancuabe, Quissanga, parte do distrito de Meluco, Macomia e Mocímboa da praia b. Esaaka, nos distritos de Chiúre e Mecúfi (iii) Na província da Zambézia, as variantes são as seguintes: a. Echirima, falado em Matarica e Cuamba b. Emakhuwa, falado em Mecanhelas, Cuamba, Maúa, Nipepe e Metarica c. Emeetto, em Marupa e Maúa (iv) Na província da Zambézia, as variantes são: a. Emakhuwa, falado em Pebane b. Elomwe, falado em Gurue, Gilé, Alto Molócue e Ile c. Emarevoni, falado numa parte de Pebane Para uma melhor assimilação dos conteúdos do presente Módulo, apresenta-se, em seguida, o sistema de consoantes e o sistema de vogais da língua Makhuwa. Para cada grafema, apresenta- se, destacado em negrito, um exemplo de uma palavra que o contenha. 2.2.4. 1. Vogais do Emakhuwa O Makhuwa apresenta um sistema vocálico constituído por dez vogais, das quais 5 são breves (as representadas por uma vogal) e outras 5 são longas (as representadas por duas vogais). 1.a. Vogais breves Grafema exemplo 1.a. a omala ‘acabar’ e omela ‘germinar’ i omila ‘assoar’ o olola ‘trabalho em troca de bens’ u orula ‘despir’ 38 1.b. Vogais longas do Emakhuwa aa omaala ‘calar-se’ ee omeela ‘repartir’ ii omii la ‘entornar’ oo oloola ‘curar’ uu oruula ‘fazer emergir’ Como se pode depreender, as palavras em (1a) e (1b) diferem por uma ter uma vogal breve e a outra vogal longa. A distinção destas duas vogais na ortografia (breves e longas) é obrigatória porque distingue significados de palavras. Por fazer distinção entre palavras, estas vogais dizem- se vogais contrastivas. 2.2.4. 2. Consoantes do Emakhuwa Para além das vogais, a língua apresenta um sistema de consoantes que se seguem. Os grafemas bem como os exemplos foram extraídos de Sitoe e Ngunga (2000: 109-111). Grafema Exemplo Significado c ocaca zangar f ofya queimar h ohela meter ou pôr k waakela rachar para alguém kh waakhela receber l olelo hoje m maama mãe n niino dente ny onyoonya aborrecido ng ongonga ressonar p epula chuva ph ephula nariz 39 r orupa dormir s osoma ler sh eshma massa t oteka construir th otheka descascar/bebida tt otteka abrir tth ottheka ofensa v ovava voar 2.2.4. Modificação de Consoantes As consoantes acima vistas não são modificadas. Contudo, todas elas podem ser produzidas com modificação da seguinte maneira: a. labialização/velarização: pw, bw, tw, dw, kw, gw, sw, zw, etc. b. palatalização: py, by, ty, dy, etc. c. pré-nasalização: mph, mb, nth, nd, nkh, ng, etc. d. aspiração: ph, th, ch, kh, etc. Nota: Cada formando, com a ajuda do seu formador, deve procurar exemplos de palavras em que as consoantes são produzidas com modificação. 2.2.5. Cisena Segundo Sitoe e Ngunga (2000: 105), o Cisena é falado em quatro província, a saber: Sofala, Manica, Zambézia e Tete por cerca de 900 falantes segundo o II Recenseamento Geral da População e Habitação de 1997. A língua Sena apresenta as seguintes variantes: a) Sena Tonga, falada no norte e no centro de Sofala, e nas fronteiras de Tete e Zambézia b) Sena Caia (“Sena do Norte”), falada nas províncias de Tete e provavelmente em Zambézia c) Sena Bangwe (“Sena do Sul”), falada na Beira 40 d) Sena Phondzo, falada entre Sofala e Zambézia (de Marromeu, até Chinde) e Mopeia (Zambézia) e) Sena Gombe, falada em Caia, Mutarara, Chemba (litoral), Chiringoma e a parte do litoral da Zambézia f) Sena Gorongodzi, falado na área do Monte Gorongoza A Variante que foi tomada como sendo de referência é o Cisena de Caia 2.2.5.1.Vogais do Cisena Grafema Exemplo Significado a mbati dizendo e kule no chão i ine eu o nyoka cobra u kutuma enviar Para além das vogais, a língua apresenta um sistema de consoantes que se seguem. os grafemas bem como os exemplos foram extraídos de Sitoe e Ngunga (2000: 109-111) 2.2.5.2.Consoantes do Cisena Grafema Exemplo Significado b kubala dar à luz c cala dedo d dimba horta f kufamba andar, caminhar g kugeya arrotar h hadadya não comeu j janela janela k nkaka leite l kulura chorar 41 m manja mãos n nana irmã mais velha p pano aqui r kur irima afogar-se s tsisi cabelo t kutowera perseguir v kuvala vestir-se w kutowera perseguir x xamwali amigo y yanga meu/minha z kuzungunuka voltar-se bh ubhudhu espécie de bebida bv bvumbe rato bz kubzala semear ch chiru ratinho de casa dh ubhudhu espécie de bebida dj djanja palma da mão dz dzai ovo ng’ ng’ombe boi ny nyanga corno pf kupfuma ser rico ps psiru maluco ts tsamira encostar 2.2.5.3. Modificação de Consoantes As consoantes acima vistas não são modificadas.Contudo, todas elas podem ser produzidas com modificação da seguinte maneira: a. labialização/velarização: pw, bw, tw, dw, kw, gw, sw, zw, etc. b. palatalização: py, by, ty, dy, etc. c. pré-nasalização: mph, mb, nth, nd, nkh, ng, etc. d. aspiração: ph, th, ch, kh, etc. 42 Nota: Cada formando, com a ajuda do seu formador, deve procurar exemplos de palavras em que as consoantes são produzidas com modificação. 2.2.6. Ciyaawo CIYAO é uma língua do grupo P.20 (na classificação de Guthrie 1967-71) onde tem o código P.21. para além do Yao, o grupo P.20 inclui as línguas Shimakonde, Cimwela, Cimakwe dentre outras. Ciyao é falada principalmente em três países, a saber: Malawi, Moçambique e Tanzania. O total de falantes nos três países é estimada em cerca de um milhão e meio (Sitoe e Ngunga 2000, Ngunga 2004). 2.2.6.1. Vogais do Ciyaawo O Yao apresenta um sistema vocálico constituído por dez vogais sendo cinco vogais breves e cinco vogais longas. Considera-se que a língua tem 10 vogais porque a duração da vogal (o tempo que se leva a se produzir a vogal) distingue significados nesta língua. Veja-se os seguintes exemplos extraídos de Sitoe e Ngunga (2000): 1.a. Vogais breves Grafema exemplo a kupata ‘obter, adquirir’ e kupeta ‘ornamentar’ i kucima ‘odiar’ o kusoma ‘picar’ u kuputa ‘apagar’ As vogais apresentadas acima são breves. Em 1.b., apresenta-se as vogais vogais longas da língua 1.b. Vogais longas a kupaata ‘sacudir/limpar (com a mão)’ e kupeeta ‘peneirar’ i kuciima ‘ofegar’ o kusooma ‘estudar, ler’ u kupuuta ‘bater’ 43 As palavras, nos exemplos 1a e 1b, diferem uma da outra pelo facto de a penúltima vogal delas ser breve em 1a e longa em 1b. Por isso se diga que a língua tenha um sistema com 10 vogais. 2.2.6.2. Consoantes do Ciyaawo Para além das vogais, a língua apresenta um sistema de consoantes. Os grafemas bem como os exemplos foram extraídos de Sitoe e Ngunga (2000) Grafema Exemplo Significado b baaba pai c cici? o quê? d kudila chorar g kugava dividir j kujajavala furar k kukaana negar l lilasi calvície m maama mãe n kunonopa ser duro ou caro ny kunyana fazer comichão ng’ ng’ombe boi, vaca p peete anel r ndr i!... ideofone de campainha s kuseka rir t kutiila fugir v kuvava amargar w kuwa morrer y yaala dedos 44 2.2.6.3. Modificação de Consoantes As consoantes acima vistas não são modificadas. Contudo, todas elas podem ser produzidas com modificação da seguinte maneira: a. labialização/velarização: pw, bw, tw, dw, kw, gw, sw, zw, etc. b. palatalização: py, by, ty, dy, etc. c. pré-nasalização: mph, mb, nth, nd, nkh, ng, etc. d. aspiração: ph, th, ch, kh, etc. Nota: Cada formando, com a ajuda do seu formador, deve procurar exemplos de palavras em que as consoantes são produzidas com modificação. 2.3. Recursos de Aprendizagem: Exploração da lista de palavras da seguinte maneira: • Seleccionar 3 formandos que falem línguas diferentes • Na ordem das palavras desta lista, pedir aos mesmos para que, à vez, digam a palavra no singular e no plural; • O formador vai anotando as palavras num quadro; • No fim disso, proceder como se fez nesta lição. Lista de palavras Singular Plural 39. pessoa ................................... ............................................. 40. rapariga ...................................... ............................................. 41. rapaz ..................................... . ............................................. 42. criança ...................................... .. ........................................... 43. cabeça ....................................... ............................................. 44. cabelo ....................................... ............................................. 45. face ........................................ ............................................. 45 46. bochecha ........................................ ............................................. 47. olho ..................................... . ............................................ 48. boca ..................................... . ............................................ 49. dente ..................................... . ............................................ 50. gengiva ..................................... . ............................................ 51. língua (órgão). ..................................... . ............................................ 52. saliva ...................................... . ............................................ 53. orelha ...................................... . ............................................ 54. pescoço ...................................... ... .......................................... 55. costas ....................................... ... .......................................... 56. peito ....................................... ... .......................................... 57. barriga ...................................... .... ......................................... 58. umbigo ...................................... .... ......................................... 59. pele ...................................... ..... ........................................ 60. nádega (tabú) ...................................... ..... ........................................ 61. pulmão ..................................... .... ......................................... 62. coração ...................................... ..... ........................................ 63. animal ...................................... ............................................. 64. porco ....................................... .. ........................................... 65. galinha ....................................... ... .......................................... 66. cão ....................................... ... .......................................... 67. cabrito ....................................... ..... ........................................ 68. gato ........................................ ............................................. 69. pato ........................................ ............................................. 70. leão ..................................... ..... ........................................ 71. leopardo ..................................... .... ......................................... 72. elefante ..................................... .... ......................................... 73. crocodilo ..................................... .... ......................................... 74. hipopótamo ..................................... .... ......................................... 75. boi ..................................... .... ......................................... 76. pássaro ..................................... ... .......................................... 46 2.4. Actividades O aluno deve preencher a tabela comparativa que se segue usando a sua língua materna. Depois confronta-a na sala de aulas em grupos linguísticos (grupo de falantes da mesma língua). Feito isso, vão confrontar os resultados com as tabelas das outras línguas existentes na sala de aulas. A tabela comparativa ajuda o aluno a distinguir a ortografia que já conhece e esta familiarizado, a ortografia do Português, da ortografia das línguas bantu. Tabela Comparativa dos Grafemas do Português com a Língua primeira (L1) 1 Ordem Grafemas do Português (L2) Grafemas de (L1) ____________ com mesma escrita em Português (L2) Grafemas de (L1) ________ com a mesma escrita em Português (L2) mas com som diferente Grafemas que sóexistem em (L1) ______________ Listagem de todos os grafemas de (L1) ______________ 1. a 2. b 3. c 4. d 5. e 6. f 7. g 8. h 9. i 10. j 11. k 12. l 13. m 14. n 1 INDE-UEM 47 15. o 16. p 17. q 18. r 19. s 20. t 21. u 22. v 23. x 24. w 25. y 26. z 27. 28. 29. 30. 31. 32. 33. 34. 35. 2.5. Autoavaliação: Responda a seguintes perguntas com base no quadro comparativo. 1. Quais as principais diferenças entre a ortografia do Português e da sua língua materna quando a: a. Vogais b. Consoantes 48 2. Passe para o teu caderno e dê, pelo menos, 4 exemplos de palavras contendo esses grafemas: a. 5 consoantes modificadas por aspiração [h] b. 5 consoantes modificadas por labialização [w] c. 5 consoantes modificadas por pré-nasalização [NC] d. 5 consoantes modificadas mais de uma vez 3. Elabore um texto de, pelo menos, 100 palavras, sobre a sua infância. 2.6. Chave de Correcção A chave de correcção depende da língua. 2.7. Bibliografia Complementar Ngunga, Armindo. 2004. Introdução à Linguística Bantu. Maputo: Imprensa Universitária. Ngunga, Armindo e Osvaldo Faquir. 2011. Padronização da Ortografia de Línguas Moçambicanas: Relatório do III Seminário. Maputo: CEA. Sitoe, Bento e Armindo Ngunga. 2000. Relatório do II Seminário de Padronização da Ortografia de línguas moçambicanas. Maputo: NELIMO, Universidade Eduardo Mondlane. Sitoe, Bento. 1996. Dicionário Changana – Português. Maputo: INDE 49 3. Morfologia Nominal Com a ortografia das línguas bantu e tendo praticado a sua escrita na unidade anterior, o aluno sabe escrever a sua língua materna e tem bons conhecimentos da ortografia das outras línguas existentes na sala de aulas. Nesta unidade, o aluno aprenderá como é que o nome é organizado nas línguas bantu. Por exemplo, tendo como referência a língua portuguesa, que é a língua em que mais está familiarizado, o plural nas línguas bantu é formado por prefixação e não por sufixação (munhu ‘pessoa’ vs vanhu ‘pessoas’). Como se pode ver, para formar o plural em português basta acrescentar a letra s enquanto para as línguas bantu o prefixo mu- é substituído pelo prefixo va-. Esta e outras diferenças devem ser do domínio do formando. O desenvolvimento desta unidade terá em conta as seis línguas acima mencionadas, nomeadamente, Citswha, Xichangana, Cinyungwe, Cisena, Emakhuwa e Ciyaawo. 3.1. Estrutura do nome nas línguas bantu O nome nas línguas bantu apresenta a estrutura do tipo: Prefixo nominal + tema nominal (Ngunga 2004, Sitoe 1996, Katupha 1985) 3.1.1. Morfologia do Nome de Citswha As palavras da língua Citswa, como da maior parte das línguas bantu, estão organizadas em grupos com prefixo específicos e com base nesse grupo se desencadeia o processo de concordância. A esse grupo de palavras que obedecem ao mesmo padrão de concordância designam-se Classes nominais (Ngunga 2000, Sitoe 1996, Guthrie 1974-91). Assim, a tabela que se segue apresenta o sistema de classes nominais em Citshwa. 50 Tabela 1: Classes e prefixos nominais da Língua Citswha Classes Prefixos Exemplos Significado 1 mu- mu-nhu ‘pessoa’ 2 va- va-nhu ‘pessoas’ 3 mu- N-sinya ‘árvore’ 4 mi- mi-sinya ‘árvores’ 5 di- di-n’wa ‘laranja’ 6 ma- ma-din’wa ‘laranjas’ 7 ci- ci-manga ‘gato’ 8 zvi- zvi-manga ‘gatos’ 9 N- ngonyama ‘crocodilo’ 10 Ti(n)- tingonyama ‘crocodilos’ 14 (w)u- (w)u-sva ‘farinha de milho’ 15 ku- ku-peta ‘meter, introduzir’ 51 Como se pode observar, em Citshwa, os nomes são agrupados em 14 classes nominais de acordo com a sua concordância inicial ou prefixo. 3.1.1.1. Prefixos primários vs secundários A noção de prefixo primário e de prefixo secundário é associada à função dos prefixos. Os prefixos acima vistos podem ser considerados primários. Segundo Ngunga (2004:118) “de uma forma geral, os prefixos com função basicamente secundária são aqueles que se podem afixar tanto em nomes completos como em temas nominais e alteram a semântica nuclear do tema” como se pode ver nos seguintes exemplos: 1.a. n’wana ‘criança’ vana ‘crianças’ b. tafula ‘mesa’ matafula ‘mesas’ c. Nhloko ‘cabeça’ tinhloko ‘cabeças’ Em (1) estão apresentados nomes distribuídos em classes nominais. Assim, o nome em (1a) está nas classes 1 e 2 onde o singular é expresso pelo morfema mu- e o plural pelo morfema va-. Em (1b), classes 5 e 6, em que zero marca o prefixo da classe 5 e ma-a classe 6. Em (1c), a classe 9 e classe 1º é expressa por N- e a classe 10 por tin-. Estes prefixos por serem aqueles em que o nome é naturalmente inserido, chamam-se prefixos primários pela função que desempenham. Todos os nomes em (1), podem ser alterados a sua semântica para, por exemplo, expressar a ideia de pequenez: 2.a. cimunhwana ‘pessoa pequena’ zvivanhwana ‘‘pessoas pequenas’ b. cinhlokwana ‘cabeça pequena’ zvinhloko ‘cabeças pequenas’ c. citinywana ‘dente pequeno’ zvitinywana ‘dentes pequenos’ Em (2) mostra os nomes vistos em (1) mas, desta vez, adicionados prefixos secundários, pois, semanticamente, através dos morfemas ci- e -ana, exprime-se a ideia de pequenez. Assim, o prefixo da classe 7 desempenha, nesta palavra, uma função secundária que é a de modificar a palavra do seu sentido normal para o de pequenez. 52 3.1.1.2. Aumentativos e diminutivos Os graus aumentativos e diminutivos dos nomes têm também a ver com a função secundária dos prefixos nominais. Em (2), acima, a função secundária de xi- combinado com -ana visa expressar o diminutivo (pequenez) ao passo que, em Citswha, o aumentativo é expresso através da adjunção à palavra inicial da palavra -nkulu ‘grande’ como se pode ver em 3: 3.a. munhu munkulu ‘pessoa grande’ vanhu vakulu ‘pessoas grandes’ b. nhloko yikulu ‘cabeça grande’ tinhloko tikulu ‘cabeças grandes’ c. tinyo rikulu ‘dente grande’ matinyo makulu ‘dentes grandes’ 3.1.1.3. Locativização Locativização é o nome que se dá à localização de coisas no tempo e/ou no espaço. Este processo é feito morfologicamente através de prefixos com função secundária. Em Citswha, a locativização é morfologicamente expressa pelo sufixo -eni, como se pode ver nos exemplos que se seguem: 4.a. nhlaneni < nhlana + eni ‘nas costas’ nhloko < nhloko + eni ‘na cabeça’ Em (4), apresenta-se a locativização expressa por sufixação do -ini em (4a) e -eni, em (4b). Para além do uso do sufixo -ini ou -eni, a locativização pode ser feita usando o partícula ka-: 5. kanhloko ‘na cabeça’ kanhlana ‘nas costas’ Como se pode ver, os exemplos (5) mostram que o prefixo ka- também expressa a locativização nesta língua. 53 3.1.1.4. Integração de empréstimos em classes nominais O empréstimo é um processo de formação de neologismos que “todas as línguas modernas utilizam no seu dia-a-dia”. Os empréstimos podem entrar directamente na língua acolhedora, sem qualquer transformação, ou podem sofrer alguma transformação de modo a acomodar-se à estrutura morfo-sintáctica da nova língua” (Mendes, 2010:144). A importação de novas unidades lexicais numa língua alvo obedece basicamente a dois processos, a saber: (i) o processo de importação do item lexical e (ii) o processo de acomodação do mesmo na nova língua. O primeiro processo é extra linguístico e é basicamente movido pelo contacto de povos e pela necessidade denominativa das novas realidades (Correia e Lemos 2005) ao passo que o segundo tem a ver exclusivamente com os factores linguísticos e se preocupa pela acomodação fonológica, morfológica e sintáctica do termo importado.6. komputadhori ‘computador’ bhuku ‘livro’ cikola ‘escola’ Em (6) estão apresentadas palavras que não existindo originariamente no Citswha, foram emprestadas de outras línguas. As palavras que designam computador e escola vêm do Português, mas a palavra que designa livro vem do Inglês book. 3.1.2. Morfologia do Nome de Xichangana As palavras da língua Changana, como da maior parte das línguas bantu, estão organizadas em grupos que prefixo específicos e com base nesse grupo se desencadeia o processo de concordância. A esse grupo de palavras que obedecem ao mesmo padrão de concordância designam-se Classes nominais (Ngunga 2000, Sitoe 1996, Guthrie 1974-91). Assim, a tabela que se segue apresenta o sistema de classes nominais em Changana. 54 Tabela 1: Classes e prefixos nominais da Língua Changana Classes Prefixos Exemplos Significado 1 mu- Mu-nhu ‘pessoa’ 2 va- Va-nhu ‘pessoas’ 3 mu- N-sinya ‘árvore’ 4 mi- mi-sinya ‘árvores’ 5 di- di-n’wa ‘laranja’ 6 ma- Ma-din’wa ‘laranjas’ 7 ci- ci-manga ‘gato’ 8 zvi- Zvi-manga ‘gatos’ 9 N- Ngonyama ‘crocodilo’ 10 Ti(n)- tingonyama ‘crocodilos’ 14 (w)u- (w)u-sva ‘farinha de milho’ 15 ku- Ku-peta ‘meter, introduzir’ Como se pode observar, em Changana, os nomes são agrupados em 14 classes nominais de acordo com a sua concordância inicial ou prefixo. 55 3.1.2.1. Prefixos primários vs secundários A noção de prefixo primário e de prefixo secundário é associada à função dos prefixos. Os prefixos acima vistos podem ser considerados primários. Segundo Ngunga (2004:118) “de uma forma geral, os prefixos com função basicamente secundária são aqueles que se podem afixar tanto em nomes completos como em temas nominais e alteram a semântica nuclear do tema” como se pode ver nos seguintes exemplos: 1.a. munhu ‘pessoa’ vanhu ‘pessoas’ b. nhloko ‘cabeça’ tinhloko ‘cabeça’ c. tinyo ‘dente’ matinyo ‘dentes’ Em (1) estão apresentados nomes distribuídos em classes nominais. Assim, o nome em (1a) esta na classe 1 e 2 onde o singular é expresso pelo morfema mu- e o plural pelo morfema va-. Em (1b), classes 9 e 10, em que a classe 9 é expressa por N- e a classe 10 por tin-. Em (1c), as classes 5 e 6 em que, zero marca o prefixo da classe 5 e ma- o da classe 10. Estes prefixos por serem aqueles em que o nome é naturalmente inserido, chamam-se prefixos primários pela função que desempenham. Todos os nomes em (1), podem ser alterados a sua semântica para, por exemplo, expressar a ideia de pequenez: 2.a. ximunhwana ‘pessoa pequena’ svivanhwana ‘‘pessoas pequenas’ b. xinhlokwana ‘cabeça pequena’ svinhloko ‘cabeças pequenas’ c. xitinywana ‘dente pequeno’ svitinywana ‘dentes pequenos’ Em (2) mostra os nomes vistos em (1) mas, desta vez, adicionados prefixos secundários, pois, semanticamente, através dos morfemas xi- e -ana, exprime-se a ideia de pequenez. Assim, o prefixo da classe 7 desempenha, nesta palavra, uma função secundária que é a de modificar a palavra do seu sentido normal para o de pequenez. 56 3.1.2.2. Aumentativos e diminutivos Os graus aumentativos e diminutivos dos nomes têm também a ver com a função secundária dos prefixos nominais. Em (2), acima, a função secundária de xi- combinado com -ana visa expressar o diminutivo (pequenez) ao passo que, em Changana, o aumentativo é expresso através da adjunção à palavra inicial da palavra -nkulu ‘grande’ como se pode ver em 3: 3.a. munhu munkulu ‘pessoa grande’ vanhu vakulu ‘pessoas grandes’ b. nhloko yikulu ‘cabeça grande’ tinhloko tikulu ‘cabeças grandes’ c. tinyo rikulu ‘dente grande’ matinyo makulu ‘dentes grandes’ 3.1.2.3. Locativização Locativização é o nome que se dá à localização de coisas no tempo e/ou no espaço. Este processo é feito morfologicamente através de prefixos com função secundária. Em Changana, a locativização é morfologicamente expressa pelo sufixo –ini ou -eni, como se pode ver nos exemplos que se seguem: 4.a. nsimwini < nsimu+ini ‘na machamba cultivada’ ndlopfhwini < ndlopfhu + ini ‘no elefante’ nomwini < nomu + ini ‘na boca’ b. misaveni < misava + ini ‘na terra’ khaleni < khala + ini ‘no carvão’ mangeni < manga + ini ‘na manga’ xikhambeni < xikhamba + ini ‘no cafuro’ Em (4), apresenta-se a locativização expressa por sufixação do -ini em (4a) e -eni, em (4b). Para além do uso do sufixo -ini ou -eni, a locativização pode ser feita usando o partícula ka-: 5. kamunhu ‘na pessoa’ kavanhu ‘nas pessoas’ kanhloko ‘na cabeça’ katinhloko ‘nas cabeça’ katinyo ‘no dente’ 57 kamatinyo ‘nos dentes’ Como se pode ver, os exemplos (5) mostram que o prefixo ka- também expressa a locativização nesta língua. 3.1.2.4. Integração de empréstimos em classes nominais O empréstimo é um processo de formação de neologismos que “todas as línguas modernas utilizam no seu dia-a-dia. Os empréstimos podem entrar directamente na língua acolhedora, sem qualquer transformação, ou podem sofrer alguma transformação de modo a acomodar-se à estrutura morfo-sintáctica da nova língua” (Mendes, 2010:144). A importação de novas unidades lexicais numa língua alvo obedece basicamente a dois processos, a saber: (i) o processo de importação do item lexical e (ii) o processo de acomodação do mesmo na nova língua. O primeiro processo é extra linguístico e é basicamente movido pelo contacto de povos e pela necessidade denominativa das novas realidades (Correia e Lemos 2005) ao passo que o segundo tem a ver exclusivamente com os factores linguísticos e se preocupa pela acomodação fonológica, morfológica e sintáctica do termo importado. 5.a. prisori ‘professor’ prisora ‘professora’ governadori ‘governador’ governadora ‘governadora’ b. apagadori ‘apagador’ kwadru ‘quadro’ xjixji ‘giz’ Em (5) estão apresentadas palavras que não são originariamente do Changana. Para efeitos de nomear estas realidades, a língua Changana pediu emprestado as palavras ao português. Para além desta língua, as palavras podem ser emprestadas de outras línguas (Inglês, Francês, etc) deste que tenha havido contacto entre os povos falantes dessas línguas com o Changana. Em (5a), a palavra professor foi transformada ao entrar para o Changana tendo ficado prisori. Alguns changanas usam a palavras thica que vem do inglês teacher. As palavras em (b) são do uso comum na sala de aulas. Também forma emprestadas de outras línguas. 58 3.1.3. Morfologia do Nome de Cinyungwe As palavras da língua Nyungwe, como da maior parte das línguas bantu, estão organizadas em grupos que prefixo específicos e com base nesse grupo se desencadeia o processo de concordância. A esse grupo de palavras que obedecem ao mesmo padrão de concordância designam-se Classes Nominais (Ngunga 2000, Sitoe 1996, Guthrie 1974-91). Assim, a tabela que se segue apresenta o sistema de classes nominais em Nyungwe. Classes nominais de Nyungwe Classes Pref.ixos Exemplos Significado 1 mu- mu-nthu 'pessoa' 2 wa- wa-nthu 'pessoas' 3 mu- mu-lomo 'boca' 4 mi- mi-lomo 'bocas' 5 di- di-so 'olho' 6 ma- ma-so 'olhos’ 7 ci- ci-pfu 'estômago' 8 bzi- bzi-pfu 'estômagos' 9 N- n-khalamba 'velho' 10 N- n-khalamba 'velho' 12 ka- ka-mwana 'criancinha' 13 tu- tu-ana 'criancinhas' 14 u- u-tsi 'fumo' 15 ku- ku-lira 'chorar' 16 pa- pa-nyumba 'em casa' 17 ku- ku-nyumba 'para casa' 18 mu- mu-nyumba 'dentro da casa' 59 Como se pode observar, em Nyungwe, os nomes são agrupados em 18 classes nominais de acordo com a sua concordância inicial ou prefixo. 3.1.3.1. Prefixos primários vs secundários: Aumentativos e diminutivos Os graus aumentativos e diminutivos dos nomes têm também a ver com a função secundária dos prefixos nominais. Em (2), acima, a função secundária de xi- combinado com-ana visa expressar o diminutivo (pequenez) ao passo que, em Changana, o aumentativo é expresso através da adjunção à palavra inicial da palavra -nkulu ‘grande’ como se pode ver em 2: 2a. kadiso ‘olhinho’ kacala ‘dedinho’ b. tumaso ‘olhinhos’ tucala ‘dedinhos’ Como se pode ver, os exemplos (2) mostram a função secundária dos prefixos nominais. Ao contrário do que se viu em Citswha e Changana em que a diminutivização ou pequenez é expressa pelo morfema da classe 7 combinada com –ana, em Cinyungwe, esta noção é expressa através de prefixos nominais da classe 12 (ka-) e da classe 13 (tu-). O aumentantivo por sua vez, é expresso através da adjunção da palavra –nkulu ‘grande’ à palavra que se pretende avaliar como se pode ver nos seguintes exemplos: 3. diso dikulu ‘olho grande’ cala cikulu ‘dedo grande’ mwana mukulu ‘criança grande’ Em 3 mostra o aumentativo em Cinyungwe expresso pela palavra -nkulu ‘grande’ que tem o prefixo di- se o nome dor da classe 5, ci- se o nome for da classe 7 e mu- se o nome for da classe 1, respectivamente. 3.1.3.2. Locativização Nesta língua, a locativização é feita por prefixação, i.e., através de um prefixo nominal para exprimir, nomeadamente: a situação, a direcção e a interioridade. 60 3.1.3.2.1. Locativização Situacional Este locativo é expressa, normalmente, a ideia de “em/por cima, em/por baixo, área aberta, etc” (c.f. Ngunga 2004:125), como mostram os seguintes exemplos 4. panyumba 'em casa' pamunda 'na machamba' pathupi 'no corpo' 3.1.3.2.2. Locativização Direccional Este locativo expressa a ideia de movimento (para, rumo a) e aproximação ou afastamento de algo (lá, ali ou cá) (c.f. Ngunga 2004). Vejam-se os seguintes exemplos: 5. kunyumba ‘para casa’ kumunda ‘para a machamba’ kuthupi ‘para o corpo’ Como se pode ver, os exemplos acima indicam a direcção para a qual alguém ou algo se desloca. 3.1.3.2.3. Locativização de Interioridade Esta locativização expressa o local ou estado de uma dada acção numa determinada unidade de tempo (c.f. Ngunga 2004). Vejam-se os seguintes exemplos: 6. munyumba ‘em casa’ mumunda ‘na machamba’ muthupi ‘no corpo’ Em (6) mostram-se exemplos em que o prefixo mu- é prefixado a nomes para expressar a ideia de interioridade. 3.1.3.3. Integração de empréstimos em classes nominais O empréstimo é um processo de formação de neologismos que “todas as línguas modernas utilizam no seu dia-a-dia. Os empréstimos podem entrar directamente na língua acolhedora, sem qualquer transformação, ou podem sofrer alguma transformação de modo a acomodar-se à estrutura morfo-sintáctica da nova língua” (Mendes, 2010:144). A importação de novas unidades lexicais numa língua alvo obedece basicamente a dois processos, a saber: (i) o processo de importação do item lexical e (ii) o processo de acomodação do mesmo na nova língua. O 61 primeiro processo é extra linguístico e é basicamente movido pelo contacto de povos e pela necessidade denominativa das novas realidades (Correia e Lemos 2005) ao passo que o segundo tem a ver exclusivamente com os factores linguísticos e se preocupa pela acomodação fonológica, morfológica e sintáctica do termo importado. 7. komputadol ‘computador’ makomputadol ‘computadores’ pirisoli ‘professor’ mapirisoli ‘professores’ Em (7) estão apresentadas palavras que não são originariamente de Cinyungwe por isso forma emprestadas de outras línguas, neste caso do Português. Para as palavras serem bem acomodadas em Nyungwe perderam a sua estrutura inicial chegadas a esta língua. Por exemplo, o r de computador passou para l em Cinyungwe e a mesma palavra foi integrada na classe 5 e 6. Para o caso da palavra professor em Português, também foi integrada na classe 5 e 6 e a sílaba pro foi transformada para duas sílabas, designadamente, pi… e ri.. 62 3.1.4. Morfologia Nominal do Cisena As palavras da língua Sena, como da maior parte das línguas bantu, estão organizadas em grupos que prefixo específicos e com base nesse grupo se desencadeia o processo de concordância. A esse grupo de palavras que odedecem ao mesmo padrão de concordância designam-se Classes nominais (Ngunga 2000, Sitoe 1996, Guthrie 1974-91). Assim, a tabela que se segue apresenta o sistema de classes nominais em Sena. Classes e prefixos nominais do Cisena Classes Prefixos Exemplos Significado 1 mu- mu-nthu 'pessoa' 2 wa- wa-nthu 'pessoas' 3 mu- mu-lomo 'boca' 4 mi- mi-lomo 'bocas' 5 di- di-so 'olho' 6 ma- ma-so 'olhos' 7 ci- ci-pfu 'estômago' 8 bzi- bzi-pfu 'estômagos’ 9 N- N-khalamba 'velho’ 10 N- N-khalamba 'velho' 12 ka- ka-mwana 'criancinha' 13 tu- tu-ana 'criancinhas' 14 u- u-tsi 'fumo' 15 ku- ku-lira 'chorar' 16 pa- -nyumba 'em casa' 17 ku- -nyumba 'para casa' 18 mu- -nyumba 'dentro da casa' 63 Como se pode observar, no Sena, os nomes são agrupados em 18 classes nominais de acordo com a sua concordância inicial ou prefixo. 3.1.4.1. Prefixos primários vs secundários: Aumentativos e diminutivos Os graus aumentativos e diminutivos dos nomes têm também a ver com a função secundária dos prefixos nominais. Em (2), acima, a função secundária de xi- combinado com -ana visa expressar o diminutivo (pequenez) ao passo que, em Cisena, o aumentativo é expresso através da adjunção à palavra inicial da palavra -nkulu ‘grande’ como se pode ver em 2: 2a. kadiso ‘olhinho’ kacala ‘dedinho’ b. tumaso ‘olhinhos’ tucala ‘dedinhos’ Como se pode ver, os exemplos (2) mostram a função secundária dos prefixos nominais. Ao contrário do que se viu em Citswha e Changana em que a diminutivização ou pequenez é expressa pelo morfema da classe 7 combinada com –ana, em Cisena, esta noção é expressa através de prefixos nominais da classe 12 (ka-) e da classe 13 (tu-). O aumentantivo por sua vez, é expresso através da adjunção da palavra –nkulu ‘grande’ à palavra que se pretende avaliar como se pode ver nos seguintes exemplos: 3. diso dikulu ‘olho grande’ cala cikulu ‘dedo grande’ mwana mukulu ‘criança grande’ Em 3 mostra o aumentativo em Cisena expresso pela palavra -nkulu ‘grande’ que tem o prefixo di- se o nome dor da classe 5, ci- se o nome for da classe 7 e mu- se o nome for da classe 1, respectivamente. 3.1.4.2. Locativização Nesta língua, a locativização é feita por prefixação, i.e., através de um prefixo nominal para exprimir, nomeadamente: a situação, a direcção e a interioridade. 64 3.1.4.2.1. Locativização Situacional Este locativo expressa, normalmente, a ideia de “em/por cima, em/por baixo, área aberta, etc” (c.f. Ngunga 2004:125), como mostram os seguintes exemplos 4. panyumba 'em casa' pamunda 'na machamba' pathupi 'no corpo' 3.1.4.2.2. Locativização Direccional Este locativo expressa a ideia de movimento (para, rumo a…) e aproximação ou afastamento de algo (lá, ali ou cá) (c.f. Ngunga 2004). Vejam-se os seguintes exemplos: 5. kunyumba ‘para casa’ kumunda ‘para a machamba’ kuthupi ‘para o corpo’ Como se pode ver, os exemplos acima em (5) indicam a direcção para a qual alguém ou algo se desloca. 3.1.4.2.3. Locativização de Interioridade Esta locativização expressa o local ou estado de uma dada acção numa determinada unidade de tempo (c.f. Ngunga 2004). Vejam-se os seguintes exemplos: 6. munyumba ‘em casa’ mumunda ‘na machamba’ muthupi ‘no corpo’ Em (6) mostram-se exemplos em que o prefixo mu- é prefixado a nomes para expressar a ideia de interioridade. 65 3.1.4.3. Integração de empréstimos em classes nominais O empréstimo é um processo de formação de neologismos que “todas as línguas modernas utilizam no seu dia-a-dia. Os empréstimos podem entrar directamente na língua acolhedora, sem qualquer transformação, ou podem sofrer alguma transformação de modo a acomodar-se à estrutura morfo-sintácticada nova língua” (Mendes, 2010:144). A importação de novas unidades lexicais numa língua alvo obedece basicamente a dois processos, a saber: (i) o processo de importação do item lexical e (ii) o processo de acomodação do mesmo na nova língua. O primeiro processo é extra linguístico e é basicamente movido pelo contacto de povos e pela necessidade denominativa das novas realidades (Correia e Lemos 2005) ao passo que o segundo tem a ver exclusivamente com os factores linguísticos e se preocupa pela acomodação fonológica, morfológica e sintáctica do termo importado. 7. komputadol ‘computador’ makomputadol ‘computadores’ pirisoli ‘professor’ mapirisoli ‘professores’ Em (7) estão apresentadas palavras que não são originariamente de Cisena por isso forma emprestadas de outras línguas, neste caso do Português. Para as palavras serem bem acomodadas em Cisena perderam a sua estrutura inicial chegadas a esta língua. Por exemplo, o r de computador passou para l em Cisena e a mesma palavra foi integrada na classe 5 e 6. Para o caso da palavra professor em Português, também foi integrada na classe 5 e 6 e a sílaba pro foi transformada para duas sílabas, designadamente, pi.ri .. 66 3.1.5. Morfologia Nominal do Emakhuwa As palavras da língua Makhuwa, como da maior parte das línguas bantu, estão organizadas em grupos que prefixo específicos e com base nesse grupo se desencadeia o processo de concordância. A esse grupo de palavras que obedecem ao mesmo padrão de concordância designam-se Classes nominais (Ngunga 2000, Sitoe 1996, Guthrie 1974-91). Assim, a tabela que se segue apresenta o sistema de classes nominais em Makhuwa extraídas de Katupha (1983). 3.1.5. 1. Classes nominais do Makhuwa Classes Prefixos Exemplos Significado 1 mu- mu-tthu 'pessoa' 2 a- a-tthu 'pessoas' 3 mu- mu- nku 'focinho de animal' 4 mi- mi-nku 'focinhos de animais' 5 ni- ni-kutha 'joelho' 6 ma- ma-kutha 'joelhos' 7 e- e-puri 'cabrito’ 8 i- i-puri 'cabritos' 15 o- o-lima ‘cultivar’ 16 va- va-culu ‘no topo’ 17 o- o-culu ‘em volta/perto to topo’ 18 mu- mu-hina mwa ora ‘dentro de uma hora’ Como se pode observar, em Makhuwa, os nomes são agrupados em 12 classes nominais de acordo com a sua concordância inicial ou prefixo. Diferentemente das línguas vistas até aqui, o Emakhuwa não apresenta as classes 9 e 10. Este sistema simplificado de classes nominais desta língua, assemelha-se ao das línguas a ela próximas, a saber: o Echuwabo, Elomwe e suas variantes. 67 3.1.5. 2. Prefixos primários vs secundários Os prefixos nominais acima apresentados, excepto os prefixos das classes 16, 17 e 18, todos desempenham uma função primária que é aquela classe ou grupo que as palavras originalmente pertencem. Contudo, ocorrem na língua alguns prefixos que se juntam a palavras já formadas para os modificar o seu sentido primário. Esses prefixos diz-se que desempenham uma função secundária. Vejam-se os seguintes exemplos: 1. muxikola ‘no interior da escola’ m’muro ‘no interior do rio’ mwaliteya ‘no interior da adeia’ Os exemplos (1) mostram palavras xikola ‘escola’, muro ‘rio’ e eliteya ‘aldeia’ com os seus prefixos primários destacados em negrito,'prefixadas por mu-, prefixo locativo de interioridade. Este último desempenha uma função secundária porque junta-se a palavras que já têm um prefixo primário. 3.1.5. 3. Aumentativos e diminutivos Em Emakhuwa, os graus aumentativos e diminutivos dos nomes têm também a ver com a função secundária dos prefixos nominais. Nesta língua, estes graus são expressos através da adjunção da palavra -khaani ‘pequeno’ ou -lupale ‘grande’ à palavra que se pretende qualificar. Vejam-se os seguintes exemplos: 2. Muru mwakhaani ‘cabeça pequena’ Ekarro ekhaani ‘carro pequeno Ekaaro ikhaani ‘carros pequenos’ Nivaka nikhaani ‘zagaia pequena’ Mavaka makhaani ‘zagaias pequenas’ Em (2) estão apresentadas palavras que expressam pequenez através da adjunção da palavra – khaani à palavra que se pretende qualificar. Em (3), para expressar o aumentativo, a palavra usada é –lupale ‘grande’ conforme se pode ver nos seguintes exemplos: 3. muru milupale ‘cabeça grande’ ekarro elupale ‘carro grande’ ekaaro ilupale ‘carros grandes’ nivaka nilupale ‘zagaia grande’ 68 mavaka malupale ‘zagaias grandes’ 3.1.5. 6. Locativização Nesta língua, a locativização é feita por prefixação, i.e., através de um prefixo nominal para exprimir, nomeadamente: a situação, a direcção e a interioridade. 3.1.5. 6.1.Locativização Situacional Este locativo expressa, normalmente, a ideia de “em/por cima, em/por baixo, área aberta, etc” (c.f. Ngunga 2004:125), como mostram os seguintes exemplos: 4. va-culu ‘no topo’ va-thi ‘no chão’ 3.1.5. 6.2. Locativização Direccional Este locativo expressa a ideia de movimento (para, rumo a…) e aproximação ou afastamento de algo (lá, ali ou cá) (c.f. Ngunga 2004). Vejam-se os seguintes exemplos: 5. o-culu ‘em volta/perto to topo’ o-kaari ‘em direcção ao carro’ Como se pode ver, os exemplos acima indicam a direcção para a qual alguém ou algo se desloca. 3.1.5. 6.3. Locativização de Interioridade Esta locativização expressa o local ou estado de uma dada acção numa determinada unidade de tempo (c.f. Ngunga 2004). Vejam-se os seguintes exemplos: 6. m-hina ‘dentro’ m-culu ‘em cima do topo’ mu-kaari ‘dentro do carro’ Em (6) mostram-se exemplos em que o prefixo mu- é prefixado a nomes para expressar a ideia de interioridade. 69 3.1.5. 7. Integração de empréstimos em classes nominais O empréstimo é um processo de formação de neologismos que “todas as línguas modernas utilizam no seu dia-a-dia. Os empréstimos podem entrar directamente na língua acolhedora, sem qualquer transformação, ou podem sofrer alguma transformação de modo a acomodar-se à estrutura morfo-sintáctica da nova língua” (Mendes, 2010:144). A importação de novas unidades lexicais numa língua alvo obedece basicamente a dois processos, a saber: (i) o processo de importação do item lexical e (ii) o processo de acomodação do mesmo na nova língua. O primeiro processo é extra linguístico e é basicamente movido pelo contacto de povos e pela necessidade denominativa das novas realidades (Correia e Lemos 2005) ao passo que o segundo tem a ver exclusivamente com os factores linguísticos e se preocupa pela acomodação fonológica, morfológica e sintáctica do termo importado. 7. ekaaro ‘carro’ ekomputatori ‘computador’ etaratori ‘tractor’ elivuru ‘livro’ ekaderunu ‘caderno’ As palavras acima (7), não são originais de Emakhuwa por isso foram emprestadas de outras línguas, neste caso Português. Como se pode ver, as mesmas tiveram que sofrer modificações nos seus sons para se integrarem melhor ao sistema dos sons desta língua. 70 3.1.6. Morfologia Nominal de Ciyaawo As palavras da língua Yao, como da maior parte das línguas bantu, estão organizadas em grupos que prefixo específicos e com base nesse grupo se desencadeia o processo de concordância. A esse grupo de palavras que obedecem ao mesmo padrão de concordância designam-se Classes nominais (Ngunga 2000, Sitoe 1996, Guthrie 1974-91). Assim, a tabela que se segue apresenta o sistema de classes nominais em Yao (Adaptado de Ngunga 2002: 68-69). 3.1.6.1. Classes nominais do Yao Classes Prefixos Exemplos Significado 1 mu- muundu Pessoa 2 a- vaandu Pessoas 3 mu- musi Aldeia 4 mi- misi Aldeias 5 di- digóómbo Banana 6 ma- magóómbo Bananas 7 ci- cikuse Saco 8 yi- yikuse Sacos 9 N- Mbúsi Cabrito 10 N- mbúsi Cabritos 11 lu- lusúló Rio 12 ka- kasúló Riacho 13 tu- tusúló Riachos 14 wu- wugadi Massa 15 ku- kudila Chorar 16 pa- panyumba Em casa 17 ku- kunyumba Para casa 18 mu- munyumba Dentro da casa 71 Como se pode observar, em Yao, os nomes são agrupados em 18 classes nominais de acordocom a sua concordância inicial ou prefixo. 3.1.6.2. Locativização Nesta língua, a locativização é feita por prefixação, i.e., através de um prefixo nominal para exprimir, nomeadamente: a situação, a direcção e a interioridade. 3.1.6.2.1. Locativização Situacional Este locativo é expressa, normalmente, a ideia de “em/por cima, em/por baixo, área aberta, etc” (c.f. Ngunga 2004:125), como mostram os seguintes exemplos: 1. pamusi ‘na aldeia’ pacikoola ‘na escola’ palusulo ‘a beira do rio’ Os exemplos acima mostram o prefixo pa- prefixado aos nomes para expressar a ideia de situação. 3.1.6.2.2. Locativização Direccional Este locativo expressa a ideia de movimento (para, rumo a) e aproximação ou afastamento de algo (lá, ali ou cá) (c.f. Ngunga 2004). Vejam-se os seguintes exemplos: 2. kumusi ‘(lá) na aldeia’ kucikola ‘lá) na escola’ kulusolo ‘(lá) no rio’ Como se pode ver, os exemplos acima indicam a direcção para a qual alguém ou algo se desloca. 3.1.6.2.3. Locativização de Interioridade Esta locativização expressa o local ou estado de uma dada acção numa determinada unidade de tempo (c.f. Ngunga 2004). Vejam-se os seguintes exemplos: 3. Muungokwe ‘no interior do celeiro’ Muundaavi ‘dentro do tempo’ Mw iicinga ‘dentro do carro’ 72 Em 3 mostram-se exemplos em que o prefixo mu- é prefixado a nomes para expressar a ideia de interioridade. 3.1.6.7. Integração de empréstimos em classes nominais O empréstimo é um processo de formação de neologismos que “todas as línguas modernas utilizam no seu dia-a-dia. Os empréstimos podem entrar directamente na língua acolhedora, sem qualquer transformação, ou podem sofrer alguma transformação de modo a acomodar-se à estrutura morfo-sintáctica da nova língua” (Mendes, 2010:144). A importação de novas unidades lexicais numa língua alvo obedece basicamente a dois processos, a saber: (i) o processo de importação do item lexical e (ii) o processo de acomodação do mesmo na nova língua. O primeiro processo é extra linguístico e é basicamente movido pelo contacto de povos e pela necessidade denominativa das novas realidades (Correia e Lemos 2005) ao passo que o segundo tem a ver exclusivamente com os factores linguísticos e se preocupa pela acomodação fonológica, morfológica e sintáctica do termo importado. 4. tiica ‘professor’ pelesidente ‘presidente’ cibuuku ‘livro’ Em (4) mostram-se palavras que não são do Ciyaawu integradas nesta língua. A palavra professor vem do Inglês teacher, a palavra presidente vem do Português presidente e a palavra cibuuku vem do Inglês book. 73 Bibliografia Correia, Margarita e Lúcia Lemos. 2005. Inovação Lexical em Português: Cadernos de Língua Portuguesa No4. Lisboa: Edições Colibri. Firmino, Gregório. Situação Linguística de Moçambique. Maputo: INE. Guthrie, Malcolm, 1967-71. Comparative Bantu. London: Gregg International Publishers. Katupha, Mateus. A Preliminary Description of Setence Structure in The e-Saaka Dialect of e- Mákhuwa. Thesis Submitted for the Degree of Master of Philosophy, School of Oriental and African Studies, University of London. London: University of London. Mendes, Irene. 2010. Da Neologia ao Dicionário: O Caso do Português de Moçambique. Maputo: Texto Editores. NELIMO, 1989. Relatório do I Seminário sobre a Padronização da Ortografia de Línguas Moçambicanas. Maputo: NELIMO, UEM/INDE. Ngunga Armindo. 2004. Introdução à Linguística Bantu. Maputo: Imprensa Universitária. Ngunga, Armindo e David Langa. (Ms). 2000. Situação Linguística da Província de Tete. Maputo: Faculdade de Letras e Ciências Sociais. Ngunga, Armindo. 2002. Elementos da Gramática da Língua Yao. Maputo: Imprensa Universitária. Sitoe, Bento. 1996. Dicionário da Língua Changana. Maputo: INDE. Sitoe, Bento e Armindo Ngunga. 2000. Relatório do I Seminário sobre a Padronização da Ortografia de Línguas Moçambicanas. Maputo: Faculdade de Letras da Universidade Eduardo Mondlane. 74 3.2. Morfologia verbal Depois que na secção anterior estudou a morfologia do nome, o aluno já sabe que os nomes nas línguas bantu estão organizados em grupos ou classes nominais cujo seu número varia em função da língua, i.e., a língua Makhuwa tem classes e prefixos nominais diferentes do Ciyaawo e esta do Cisena, etc. Na Presente secção, o formando vai estudar a morfologia do verbo. Tal como aconteceu com o nome, o estudo do verbo será feito tendo em consideração algumas línguas bantu. 3.2.1. Estrutura do verbo das línguas bantu A estrutura básica do verbo nas línguas bantu, é ku – Radical - (ext) -a onde ku- é o prefixo da classe 15, radical é parte que transporta o significado básico da palavra, -ext- (extensão verbal) e a- vogal final. Excepto nos casos de Emakhuwa, Elomwe, Echuwabo e outras línguas deste grupo, ao invés do uso do prefixo ku-, as línguas têm o prefixo o- (i.e. o- Radical- (ext) - a). 3.2.1. Extensões verbais das línguas bantu Por extensão verbal designa-se um grupo de morfemas normalmente derivacionais que ao serem sufixados a um radical verbal modificam a semântica deste passando a ser um novo verbo (ex: - som- ‘estudar’ vs -somel- ‘estudar para’ em Emakhuwa). Neste exemplo a parte -el- altera o verbo de estudar passando a ser estudar para. O número das extensões verbais varia de língua para língua. Na sua diversidade, as extensões verbais podem ser as seguintes: 1. -el- aplicativa 2. -is – causativa 3. -isis – intensiva 4. -ek- pseudo-passiva 5. -ul- reversiva 6. -iw- passiva 7. -an – reciprocal 8. -elel- persistiva 9. -etel- iterativa 75 Como anteriormente se referiu, estas extensões verbais podem não ocorrer todas na mesma língua ou mesmos existir línguas quem mais extensões que as acima listadas.veja-se os seguintes exemplos extraídos de Ngunga (2002, 2004; Sitoe 1986 e Langa 2007). (1) Changana: -von- ‘ver’ von-el- ‘olhar por alguém’ (kuvona vs kuvonela) -von-is- ‘fazer ver’ (kuvonisa) -von-iw- ‘ser visto’ (kunoniwa) -von-ek- ‘ser visivel’ (kunoneka) (2) Ndau: -suk- ‘lavar’ -suk-il- ‘lavar para alguém’ (kusukila) -suk-is- ‘fazer lavar’ (kusukisa) -suk-iw- ‘ser lavado’ (kusukiwa) -suk-an- ‘lavar-se mutuamente’ (kusukana) Sugestões Metodológicas Como ensinar as extensões verbais? Para se ensinar as extensões verbais numa turma multilingue é necessário obedecer aos seguintes passos: (i) Organizar a turma em grupos linguísticos; (ii) Mande os alunos traduzirem um dos seguintes verbos para as suas línguas maternas: ver, comer, estudar, olhar, dançar, dormir, etc.; (iii) Instrua os alunos para que escrevam no quadro ou na sua folha de exercícios os radicais dos verbos traduzidos; (iv) Usando da lista das extensões verbais acima (pode usar apenas 4 ou 5 das 9 extensões verbais acima), sufixe a cada extensão verbal ao radical e mande os alunos dizerem o significado da combinação entre o radical e a extensão verbal. Nota: Quanto mais línguas usar na exercitação, melhor será a compreensão dos alunos. 76 3.2.2. Conjugação do verbo nas línguas bantu Nas línguas bantu os verbos podem ser conjugados em 3 tempos, a saber: o passado, o presente e o futuro. Contudo, as línguas como Sena, Ndau, Yaawo, têm para além dos habituais 3 tempos, outras divisões de tempo. Por exemplo, estas línguas distingue o passado recente (passado de ontem) e o passado remoto (passado do mês ou ano passado), disignam também o futuro próximo (futuro de amanha) do futuro distante (futuro do próximo mês ou ano ao passo que as línguas Rhonga, Changana, Citswha já não a fazem, limitando-se um passado e um futuro. Para se acautelar destas nuances por língua recomenda-se que use as seguintes frases acompanhadas dos advérbios de tempo. Sugestões metodológicas Para acautelar as diferenças das marcas dos tempos verbais, explore as seguintesfrases extraídas da Lista de palavras do Vocabulário Básico. 1. Traduza as seguintes palavras (i) (hoje) nós lavamos o prato ...................................................................................... (ii) (hoje de manhã) nós lavámos o prato.............................................................. (iii) (amanhã) nós lavaremos o prato..................................................................... (iv) (no próximo ano) nós lavaremos o prato.... ................................................ (v) (ontem) nós lavámos o prato ........................................................................ (vi) (no ano passado) nós lavámos o prato............................................................. Nota: explore cada um dos verbos acima apresentados. Os advérbios de tempo entre parênteses ajudam a ver se a forma verbal vai mudar ou não. Ao fazer este exercício não se esqueça de separar as marcas de sujeito, o radical verbal, a vogal final e as respectivas marcas de tempo como se mostra na discussão que é feita por língua em seguida. 77 3.2.2. 1. Língua Xichangana Esta língua apresenta 3 tempos verbais: o passado, o presente e o futuro como se pode ver na subsecções que se seguem: 3.2.2.1.1. Tempo passado A conjugação do verbo será exemplificada com o verbo kuja ‘comer’ na forma afirmativa Número Pessoa gramatical pronome Prefixo de concordância Exemplo significado Singular 1ª pessoa Mina ni- mina nijile Eu comi 2ª pessoa Wena u- wena ujile Tu comeste 3ª pessoa Yena a- yena ajile Ele comeu Plural 1ª pessoa Hina hi- hina hijile Nós comemos 2ª pessoa n’wina mu- n’wina mijile Vós comestes 3ª pessoa Vona va- vona vajile Eles comeram A tabela acima mostra a conjugação do verbo no tempo passado. A marca do tempo passado é expresso por -ile colocada na posição final do verbo enquanto o prefixo de concordância é colocado na posição inicial do verbo. 3.2.2.1.2. Tempo presente Nas línguas normalmente distinguem-se dois tipos de presentes. O presente simples ou pontual e o presente habitual. O primeiro descreve o que está exactamente a a contecer naquele preciso momento de enunciação e o segundo o que habitualmente acontece sem que necessariamente esteja a acontecer. 3.2.2.1.3. Tempo presente simples Número Pessoa gramatical Pronome Prefixo de concordância Exemplo Significado Singular 1ª pessoa Mina ni- mina nija Eu como 2ª pessoa Wena u- wena uja Tu comes 3ª pessoa Yena a- yena aja Ele come Plural 1ª pessoa Hina hi- hina hija Nós comemos 2ª pessoa n’wina mu- n’wina mija Vós comeis 3ª pessoa Vona va- vona vaja Eles comem 78 Na tabela do tempo presente simples, as marcas de concordância com o sujeito, tal como na tabela do tempo passado, são as mesmas. O tempo presente simples marca-se pela substituição de ku- em kuja ‘comer’ na forma infinitiva pelo prefixo de concordância do sujeito. 3.2.2.1.4. Tempo presente habitual Número Pessoa gramatical pronome Prefixo de concordância Exemplo Significado Singular 1ª pessoa mina ni- mina naja Eu estou a comer 2ª pessoa wena u- wena waja Tu estás a comer 3ª pessoa yena a- yena aaja Ele está comer Plural 1ª pessoa hina hi- hina haja Nós estamos a comer 2ª pessoa n’wina mu- n’wina maja Vós estais a comer 3ª pessoa vona va- vona vaaja Eles estão a comer O presente habitual é marcado pela vogal [a] que ocorre logo depois do prefixo de concordância do sujeito. Em alguns casos, a vogal do prefixo de concordância de sujeito é apagada pela vogal [a] da marca do presente habitual. Compare o presente simples do habitual para ver a diferença estrutural dos dois tempos. 3.2.2.1.5. Tempo futuro Os verbos no tempo futuro na forma afirmativa nesta língua são conjudagos da seguinte maneira Número Pessoa gramatical Pronome Pessoal Prefixo de concordância Exemplo Significado Singular 1ª pessoa Mina ni- mina nitaja Eu comerei 2ª pessoa Wena u- wena utaja Tu comerás 3ª pessoa Yena a- yena ataja Ele comerá Plural 1ª pessoa Hina hi- hina hitaja Nós comeremos 2ª pessoa n’wina mu- n’wina mitaja Vós comereis 3ª pessoa Vona va- vona vataja Eles comerão 79 O tempo futuro é expresso por -ta- que se encontra logo depois da marca de concordância de sujeito. 3.2.2.2. Língua Cinyungwe Apresentam-se a seguir as formas do verbo ku-lir-a "chorar" na primeira pessoa do singular do passado (remoto e recente), presente (pontual e habitual) e futuro (próximo e distante) nesta língua nas formas afirmativa e negativa: 3.2.2.2.1.Passado Infinitivo Remoto Recente Significado ku-tsuk-a ndi-da-tsuk-a nd(i)-a-tsuk-a ‘lavar’ ku-lir-a ndi-da-lil-a nd(i)-a-lil-a ‘chorar’ Presente Infinitivo Pontual Habitual Significado ku-tsuk-a ni-n-tsuk-a ni-mba-tsuk-a ‘lavar’ ku-lir-a ni-n-lir-a ni-mba-lir-a ‘chorar’ Futuro Infinitivo Próximo Distante Significado ku-tsuk-a Ni-n-tsuk-a Ni-n-lir-a ‘lavar’ ku-lir-a Ni-n-lira ni-n-lira ‘chorar’ 80 Em Nyungwe, a marca de presente pontual e de passado é o morfema -a- que também pode marcar presente e de futuro. A vogal /i/ de ndi- apaga-se quando próximo de -a- que marca o tempo o segue imediatamente. Isto sugere um sistema simplicado de marcação de tempos verbais. A marca de aspecto habitual é -mba-. Neste caso, tal como acontece em muitas línguas bantu, a marca de aspecto sobrepõe-se à marca de tempo. 3.2.2.3. Língua Emakhuwa A estrutura básica do verbo em Emakhuwa é o – Radical – a. Diferentemente das línguas bantu vistas acima que apresentam a forma ku-, em Emakhuwa, o prefixo que marca a forma de infinitivo é o-. Em seguida apresenta-se a conjugação do verbo nesta língua. Passado Miyo khorowa omatta eu fui a machamba António oholya enika o António comeu a banana O tempo passado é a construído através da adjunção de -ho- logo depois da marca de concordância com o sujeito. O prefixo do infinitivo ku- é substituído pelo prefixo de concordância e a vogal do prefixo é substituído por -ho-. Presente pontual Miyo kinrowa omatta eu vou à machamba António onlya enika o António come a banana Na formação do tempo presente (simples), a marca de tempo é –n- que é colocada lodo depois do prefixo de concordância nominal Presente habitual Miyo kinirowa omatta eu estou a ir a machamba António onilya enika o António está a comer a banana O tempo presente habitual é construído através da adição do prefixo –ni- logo depois da marca de concordância com o sujeito. 81 Futuro Miyo kinorowa omatta eu irei à machamba António anolya enika o António comerá a banana O futuro é construído com a adjunção do prefixo -no- logo depois da marca de sujeito. Para a conjugação de verbos neste tempo o prefixo ku- da marca do infinitivo é substituído pelo prefixo de sujeito. Tabela comparativa das marcas de tempo passado, presente e futuro em Makhuwa Passado (-ho-) Presente (-n-) Presente habitual (-ni-) Futuro (-no-) Miyo khorowa weyo mohorowa owo oorowa hiyo norowa nyuwo moorowa awo aarowa miyo kinrowa weyo onrowa owo onrowa hiyo ninrowa nyuwo munrowa awo anrowa miyo kinirowa weyo onirowa owo onirowa hiyo ninirowa nyuwo munirowa awo anirowa miyo kinorowa weyo onorowa owo onorowa hiyo nnorowa nyuwo monorowa awo anorowa 3.2.2.4. Língua Cisena Apresentam-se a seguir as formas dos verbos ku-suk-a ‘lavar’ e ku-lir-a "chorar" na primeira pessoa do singular do passado (remoto e recente), presente (pontual e habitual) e futuro (próximo e distante) nesta língua nas formas afirmativa e negativa: 82 Passado Infinitivo Remoto Recente Significado Ku-suk-a ndi-da-suk-a nd(i)-a-suk-a ‘lavar’ Ku-lir-a ndi-da-lir-a nd(i)-a-lir-a ‘chorar’ Presente Infinitivo Pontual Habitual Significado Ku-suk-a n-a-suk-a ndi-as-suk-a ‘lavar’ Ku-lir-a n-a-lir-andi-as-lir-a ‘chorar’ Futuro Infinitivo Próximo Distante Significado Ku-suk-a n-a-dza-suk-a ndi-na-dza-suk-a ‘lavar’ Ku-lir-a n-a-dza-lir-a ndi-na-dza-lir-a ‘chorar’ Obsevando as formas verbais constantes das tabelas, (7) pode concluir-se que, tal como se notou no estudo da morfologia nominal, a estrutura morfológica do verbo merece também observações como as que se seguem: (i) As modificações gramaticais (ocorrência de morfemas co-referentes de sujeito na estrutura da forma verbal, marcadores de tempo e de aspecto), verificam-se em posição pré-radical, ficando, portanto, a base verbal indiferente a estas idiossincrasias; (ii) Em Sena, parece existirem dois morfemas diferentes co-referentes de sujeito (ndi- e ni-) que estão em distribuição complementar e ocorrem em posição inicial na estrutura da forma verbal. O 83 morfema co-referente de sujeito realiza-se ndi- em todos os tempos verbais excepto no presente pontual e futuro próximo, onde se realiza ni- . A vogal /i/ de ndi- e de -ni- sofre elisão antes do -a- que ocorre imediatamente a seguir. Nos dados analisados não foi encontrada evidência de ocorrência de /i/ como parte do prefixo marcador de sujeito. Contudo, a evidência dos processos fonológicos em contextos análogos sugere que a nasal n- seja ni- a nível subjacente. (iii)A marca do passado remoto é -da- e do passado recente é -a- que também é marca aspectual perfectivo do presente (pontual) e do futuro próximo. (iv) O prefixo -sa- marca o aspecto imperfectivo (habitual) no presente e prefixo -na-, futuro, onde a marca de tempo é -dza-. (iv) É de notar que a marca de tempo pode se sobrepor à marca de aspecto que, na ausência de morfema co-referente de objecto, ocorre imediatamente antes de radical. Nos casos em que a marca de tempo é distinta da marca de aspecto, esta a precede imediatamente, como acontece no futuro. 2.2.3. Reduplicação A reduplicação é “um processo de repetição de uma parte ou de todo o tema verbal (Ngunga 2004:181). Este fenómeno é comum nas línguas bantu e visa sobretudo modar a interpretação semântica do radical verbal. Observe-se os seguintes exemplos extraídos de Ngunga (2004:182): Changana: - tlanga-tlanga 'brincar repetidamente' -famba-famba 'andar repetidamente' -hundza-hundza 'passar repetidamente' Sena: -fungula-fungula ‘abrir frequentemente’ -gula-gula ‘comprar frequentemente’ -lima-lima ‘cultivar repetidamente’ Rhonga: -famba-famba ‘andar repetidamente’ -jondza-jondza ‘estudar frequentemente’ -tsala-tsala ‘escrever frequentemente’ Como se pode ver dos exemplos acima, a repetição do tema verbal origina novos significados. Normalmente a reduplicação expressa a repetição, a frequência, iterativadade. 84 Sugestão metodológica Para aperfeiçoar esta subunidade o formador deve proceder como vem procedindo nesta unidade. Escolhar alguns verbos e repita dos seus temas ou radicais na totalidade. Verá que o significado do verbo muda 2.2.4. Frase verbal e frase não verbal Como foi dito na introdução, a Sintaxe é a área da Linguística que tem a frase como objecto de estudo. Segundo Costa (2010), é um enunciado de sentido completo, unidade mínima de comunicação, que pode ser constituída por uma única oração (frase simples), por mais do que uma oração (frase complexa) ou apenas por um verbo (frase elíptica), onde os restantes constituintes são subentendidos. Esta ideia pode ainda ser recuperada em Ngunga (2004), ao considerar a frase como uma palavra ou conjunto de palavras dispostas de uma maneira, de acordo com certas regras, para exprimir um determinado sentido. Segundo Katupa (1983) apud Ngunga (2005), nas LB, por vezes, nem sempre o núcleo da F é uma forma verbal. Na verdade, o núcleo pode ser uma cópula, um nome ou um ideofone. Para estes e outros estudiosos das LB, este aspecto não é marginal na medida em que permite a divisão das frases em verbal e não verbal. A diferença entre estas duas realidades reside no facto de, segundo Ngunga (op cit), a frase verbal ter como núcleo uma forma verbal, enquanto a frase não verbal não é uma forma verbal, mas sim, um nome (frase nominal), uma cópula (frase copulativa) ou um ideofone (frase ideofónica), como mostra o esquema e os exemplos seguintes: Verbal Frase a. Frase nominal Não verbo b. Frase copulativa c. Frase ideofónica Adaptado de Costa (2010) 85 Exemplos: Xirhonga; 1. a. Maria adile nyama ya patu. “Maria comeu carne de prato” b. hileyi homo “está aqui o boi" c. mbhinyi wa xikomu “cabo da enxada” d. dambu dropsuu “o sol está vermelho” Nos exemplos (1) temos as frases verbais e as não verbais na língua rhonga. A Frase em (1a.) porque exibe uma forma verbal de kuda “comer”, destacado a negrito. As restantes frases não cabem na categoria de frase verbal (FV) na medida em que os seus núcleos não são formas verbais. Para o caso da língua Rhonga, em b. o núcleo é um nome (pronome demonstrativo), em c., uma cópula e em d. um ideofone. 2.2.5. Sistema de Concordância Uma das características das LB é sem dúvida o seu sistema de concordância. Segundo Crystal (1988), a concordância é um termo usado na descrição gramatical para mostrar uma relação formal entre os elementos, em que a forma de uma palavra exige uma forma correspondente da outra. Isto significa que, na constituição de frases e sobretudo de discursos, as palavras não funcionam isoladamente. Para o caso das LB faladas no nosso país, existe um sistema de classes nominais em que os nomes estão organizados por classes, de acordo com os seus prefixos nominais e marcas de concordância. Esta concordância pode ser, por exemplo, em relação ao número. Nesta subsecção vamos analisar as estratégias de concordância que ocorrem em sintagma nominal simples (aquele que é constituído por apenas um nome) e em sintagma nominal complexo (aquele que é constituído por dois ou mais nomes ligados por uma conjunção ou por um sinal de pontuação). Exemplos Xirhonga; 1. a. xilondra xiholile “ferida sarou” b. svilondra sviholile “feridas sararam” 86 c. mbzana ni huku svavabza “cão e galinga estão doente” d. mudondrisi ni n’wana vavabza “professor e filho (a) estão doente” Nos exemplos (1) temos as frases que exibem o sintagma nominal simples e o sintagma nominal complexo. Os exemplos mostram que nesta língua, quando o SN é simples existe um tipo de morfema de concordância que se altera, quando o SN passa a ser complexo. Em (1.a), por exemplo, xilondra “uma e única ferrida” faz concordância com o prefixo xi- da classe 6. Quando alteramos o número para o plural svilondra “muitas ferridas” verifica-se, também a mudança da marca de concordância para svi-. Isto justifica a agramaticalidade das sequências *svilondra xiholile (*ferridas sarrouou) ou *xilondra sviholile (*ferrida sarraram). Os exemplos em 1.b e 1.c mostram que a concordância nas LB não é um assunto simples. Existem marcas de concordância conforme a natureza dos seres que corporizam o SN. É que o SN pode ser constituído por seres (+ Animados) ou seres (-Animados). 2.2.6. Discurso directo vs indirecto Xirhonga; a. xilondra xiholile “ferida sarou” b. svilondra sviholile “feridas sararam” c. mbzana ni huku svavabza “cão e galinga estão doente” d. mudondrisi ni n’wana vavabza “professor e filho (a) estão doente” 2.2.7. Frase activa vs passiva Segundo Matos (2010), a oposiçãoentre a construção activa e a construção passiva constrói-se com base na oposição criada pela perspectiva distinta na análise de uma situação. Na construção da frase activa, os lugares de predicação são os opostos daqueles que ocorrem na frase passiva. Assim, na construção activa, a frase representa a perspectiva centrada a partir do sujeito que estabelece uma relação com outra (s) entidade (s), que, na frase passiva, se torna o agente da passiva ( ). 87 Ronga: a. vavanuna vaxavile sviluva. (FA) “homens compraram flores” b. sviluva svixaviwile hi vavanuna. (FP) “ flores foram compradas pelos homens” c. Maria anhlampsa buluku “Maria lava calças” d. buluku dranhlampsiwa ha Maria “as calças são lavadas pela Maria” Bibliografia Bernardo, Maurício. 2009. A Morfofonologia das Marcas do Passado Remoto Imperfectivo em Emakhuwa. In. Ngunga, Armindo .2009. (ed). Lexicografia e Descrição de Línguas Bantu. Colecção: As Nossas Línguas I. Maputo: Centro de Estudos Africanos (CEA) – UEM Chimbutana, Feliciano. 2002. Grammatical Function in Changana: Types, Properties and Function Alternation. (Tese de Mestrado não publicada). The Australian National University. Fumo, Paulino. 2009. Tempo e Aspecto em Rhonga. In. Ngunga, Armindo .2009. (ed). Lexicografia e Descrição de Línguas Bantu. Colecção: As Nossas Línguas I. Maputo: Centro de Estudos Africanos (CEA) – UEM. Guthrie, M. 1967-71. Comparative Bantu. Vols. I-IV. Claredon. Oxford University Press Langa, David. 2003. Ideofones em Changana. In. Ngunga, Armindo & Inocêncio Pereira. (eds). 2003. Progressos na Investigação em Ciências Sociais e Humanas: Actas de Seminário de Investigação. Maputo: Imprensa Universitária. PP 59-77 Langa, David. 2008. O Aspecto no Passado Afirmativo na Morfologia Verbal Do Changana. Tese de Mestrado não publicada. Maputo: UEM- Faculdade de Letras e Ciências Sociais, Departamento de Linguística Langa, David. 2009. Negation in the Past Tense in Changana (Comunicação apresentada na Conferência da LASU em Lesoto de 24-28 Novembro de 2009). Maputo: FLCS-UEM. Meeussen, A. 1967. Bantu Grammatical Reconstructions. Tervuren: Annales du Musée Royalle de l’Afrique Centrale. 88 Ngunga, Armindo (ed). 2009. Lexicografia e Descritiva de Línguas Bantu. Colecção as nossas línguas I. Maputo: Centro de Estudos Africanos (CEA)-UEM. Ngunga, Armindo. 2004. Introdução à linguística Bantu . Maputo, Livraria Universitária. Nhampoca, Ezra. 2010. Um proposta Metodológica para a Compilação de um dicionário de ideofones do Changana. Dissertação de mestrado em Linguística. Maputo: Faculdade de Letras e Ciências Sociais. Bachetti, C. 2006. Gramática da Língua Ronga. 1a Edição. Maputo: Paulinas Editorial. Crystal, D. (1997). A Dictionary of Linguistics and Phonetics. Oxford: Blackwel Publishers. Leão, Isabel V. Ponce de. 2000. Dicionário de Ciências da Comunicação. 2ª Edição. Porto: Porto Editora, Lda., Portugal. Ngunga, Armindo. 2000. Introdução à Linguística Bantu. Maputo: Imprensa Universitária. Nunan, D. (1995). Language Teaching Methodology: a texbook for teachers. New York: Phoenix. Genouvrier, Emile e Jean Peytard. (1974). Linguística e Ensino do Português. 4ª Edição. Coimbra: Livraria Almedina, Portugal. 2.3. Actividades 1. Com recursos a exemplos, explica a diferença entre vogais e consoantes. 2. Quantas vogais existem em Ciyaawo? a) Indica-as. b) Qual é a função da duração vocálica nesta língua? 3. O que são classes nominais? 4. Como é as línguas bantu formam o aumentativo e o diminutivo? 5. Apresenta as estruturas morfológicas do nome e do verbo, em bantu. 6. O são extensões verbais? . Fornece 3 exemplos de extensões verbais da sua língua bantu. 89 7. O que é um verbo? 8. Traduz os seguintes verbos e conjuga-os no presente, passado e futuro. a) Jogar; b) Brincar 9. Identifica as marcas de tempo (MT) das formas verbais conjugadas em 6. 10. O que são ideofones? 11. O que é reduplicação? 12. Diferencia a reduplicação total verbal da reduplicação parcial 13. Explica a diferença entre a frase verbal e a frase não verbal. 14. Quando é que se considera que numa frase existe concordância? 2.4. Autoavaliação: 1. Recorrendo à língua Ciyaawo explica a função da duração vocálica. 2. Com recurso a exemplos apresenta as classes nominais da sua LB. 3. Faz o levantamento de todas as extensões verbais da sua língua. 4. Traduz os seguintes verbos e conjuga-os no presente, passado e futuro. a) Escrever b) Comer 5. Apresente 10 ideofones da sua língua. 6. Apoiando se a exemplos da sua língua (ou outra), explica a diferença entre a reduplicação total da reduplicação parcial. 7. Elabora 5 exemplos de frases verbais e igual número de frases não verbais. 8. Traduz as seguintes frases para a sua LB a. A Maria gosta da sua filha - afirmou a Sandra. b. Peço a sua caneta vermelha – afirmou a Júlia c. Onde está a chave de carro – perguntou o pai ao empregado d. Não quero a sua ajuda – replicou a aluno à sua amiga e. No próximo ano passarei de classe – prometeu a filha ao pai 1) Em que discurso estão as frases traduzidas? 90 2) Passa-as para o discurso contrário. 9. Coloca A nas frases activas e P nas frases passivas 1) Nyama ya patu yidiwile hi xipixi. “carne de patu foi comida pelo gato” 2) Xinyanyana xihluviwile hi muhloti. “pássaro foi depenado pelo caçador” 3) Marhungana axavile ximarhi. “alfaiate comprou agulha” 10. Passa as frases em 2 para a forma activa e passiva, conforme o caso. 11. Traduz as frases as frases e identifica os prefixos de concordância (PC) a) A escola que foi construída no ano passado tem rachas. c) O meu trabalhador não veio. d) Os meus trabalhadores não vieram e) A cadeira plástica não dura. f) As cadeiras plásticas não duram 12. Indica a marca de negação na frase 4.5, traduzida. 2.5. Chave de Correcção: 1. Ao critério do formando e do formador. 2. Ao critério do formando e do formador. 3. O formando deverá apresentar, entre as várias extensões, a aplicativa,… 4. Ao critério do formando e do formador. 5. Ao critério do formando, tendo em conta a sua LB. É preciso referir que 6. Ao critério do formando, tendo em conta a sua LB. É preciso referir que a reduplicação é um termo que Morfologia se refere a um processo de repetição através do qual a forma de um prefixo/sufixo reflecte certas características da raiz. 91 7. Ao critério do formando. A frase verbal é aquela que exibe uma forma verbal e a não verbal, o seu núcleo não é uma forma verbal. Ela exibe outros elementos. 8. Ao critério do formando, tendo em conta a sua língua. 8.1. As frases estão no discurso directo. 8.2. Ao critério do formando. 9. Coloca A nas frases activas e P nas frases passivas 9.1. Nyama ya patu yidiwile hi xipixi. (P) 9.2. Xinyanyana xihluviwile hi muhloti. (P) 9.3. Marhungana axavile ximarhi. (A) 10. Ao critério do formando. 11. Traduz as frases e identifica os prefixos de concordância (PC) a) A escola que foi construída no ano passado tem rachas. b) O meu trabalhador não veio. c) Os meus trabalhadores não vieram d) A cadeira plástica não dura e) As cadeiras plásticas não duram 12. Indica a marca de negação na frase 4.5, traduzida. 2.8. Bibliografia Complementar: Langa, David. 2004. Ideofones em Changana. In. Actas de Seminário: Celebrando o Dia de África. Maputo: Imprensa Universitária. Pp 59 – 77. Ngunga, Armindo. 2000. Introdução à Linguística Bantu. Maputo: Imprensa Universitária. 92 Sitoe, Bento e Armindo Ngunga. 2000. Relatório do II Seminário de Padronização da Ortografia de línguas moçambicanas. Maputo:NELIMO, Universidade Eduardo Mondlane. Sitoe, Bento. 1996. Dicionário Changana – Português. Maputo: INDE. Sitoe,Bento e Armindo Ngunga. 2000. Relatório do II Seminário de Padronização da Ortografia de línguas moçambicanas. Maputo: NELIMO, Universidade Eduardo Mondlane. 93 Unidade III. Produção Oral Duração da Unidade: 03 4.1 Introdução Estimado formador, depois de termos discutidos aspectos da gramática das línguas bantu de Moçambique, nesta unidade vamos abordar as formas de tratamento (horizontais vs verticais), a conversa directa (em contextos formais e informais) e também debater temáticas transversais, em nas nossas línguas. Os debates versarão sobre aspectos actuais do país e sobretudo, da comunidade onde o Instituto está inserido, como forma de motivar os formandos a uma participação efectiva. Daí que se justifica a participação destes no processo de selecção de temas. A realização de debates visa fundamentalmente oferecer, ao futuro professor, uma oportunidade de aplicar, em situação real de comunicação, algumas palavras e expressões apreendidas nas unidades passadas, condição fundamental para o desenvolvimento de habilidades de expressão oral, na sua língua bantu. 4.2. Evidências Requeridas da Unidade Temática No fim desta unidade temática o formando deve ser capaz de: • Usar as formas de tratamento adequadas a diversas situações de comunicação; • Seleccionar as formas de tratamento adequadas aos interlocutores de comunicação; • Produzir enunciados orais adequados a diferentes contextos e • Expressar os seus argumentos em debates formais 4.3. Orientação metodológica XXXXXXXXXXXXXX 94 4.4. Formas de tratamento Para o formador O professor deve explorar nesta unidade temas específicos das línguas bantu nomeadamente: (i) Formas de tratamento a. Como é que na sua língua um filho se dirige aos pais (pai ou mãe) no incio do dia, durante o dia e no fim do dia? b. Como é que o filho fala com os pais ou outros legítimos superiores? c. Como é que os meninos falam com as meninas? Em casa, na rua, com conhecidos, com desconhecidos, etc d. Como é que um aluno deve falar com o seu professor ou director da escola ou em contextos formais no geral? e. Na sua cultura, o que significa um beijinho, um abraço, um aperto de mão, um acenar da mão e em que contexto cada forma de cumprimento é feito? f. Na sua comunidade, que papel tem cada membro da família (pai, mãe, filho, filha, etc) nas actividades do quotidiano? Nota: O professor ao colher as respostas dos temas acima sugeridos estará, ao mesmo tempo, a ver que os alunos apresentam culturas diferentes e que as mesmas devem ser respeitadas como tal. Lembre-se que quanto mais sabemos das nossas diferenças, melhor nos conhecemos e nos respeitamos. 4.4.1.Debates 4.4.1.1. Aspectos a considerar na organização e realização de um debate O debate é uma actividade que decorre naturalmente da vida em sociedade e permite a troca de ideias, confronto de pontos de vista e uma reflexão activa. No PEA, ela permite que o aluno aumente as suas experiências e aprenda a expressar as suas ideias, formalmente. Para que exista um debate, em primeiro lugar, deve haver pelo menos duas posições difentes. Uma posição defendendo um Sim e a outra um Não, em relação a um dado tema. 95 Uma vez escolhido o tema, o sucesso do debate depende muito da sua preparação. Por isso, nas linhas seguintes oferecemos alguma informação que esperamos que auxilie os preparativos e a realização. 4.4.1.2. Preparação . Escolha de assunto (simples e que desperte o interesse da turma); . Disponibilização de material de consulta . Acompanhamento dos alunos na exploração dos materiais . Estruturação da sala de aulas, tendo em conta o número de participantes . Ornamentação da sala de aulas tendo em conta o tema . Escolha de animadores . Escolha de secretários 4.4.1.3. Papel do animador . Efectua o lançamento do debate, explicando com clareza o assunto; . Orienta o uso da palavra, durante o debate . Estimula os participantes de modo a expressarem as suas opiniões livremente . Assegura o tratamento do tema, evitando desta forma a discussão de assuntos marginais . Controla o tempo e, no fim apresenta as principais conclusões 4.4.1.4. Expressões a usar na introdução das opiniões Construir um texto oral é ser capaz de organizar uma rede de sentido, garantindo a sua continuidade de modo a que o leitor o entenda do princípio ao fim do discurso. Assim, durante o uso da palavra é necessário ordenar as ideias, estabelecendo etapas. Para isso é preciso usar expressões que permitam articular, entre si, frases e unidades de discurso. 96 4.5. Autoavaliação Tendo em conta a natureza da unidade “Produção Oral”, não vamos sugerir actividades de fundo. Contudo, pensando na futura função de docência, elaboramos algumas questões: 1. Explica a importância de debates no PEA. 2. Que aspectos é preciso acautelar na preparação de debates. 3. Qual é o papel do moderador durante a realização do debate. 4.6. Chave de Correcção 1. No PEA, os debates permitem que os formandos aumentem as suas experiências e aprendam a expressar as suas ideias em situações formais. 2. Durante a preparacao de debates é necessário (i) escolher um assunto “polémico”, (ii) disponibilizar o material de consulta, (iii) estruturar da sala de aulas, (iv) escolher os animadores e (v) escolha os secretários. 3. Durante o debate o animador (i) lança o debate, explicando com clareza o assunto, (ii) orienta o uso da palavra, (iii) estimula os participantes de modo a expressarem as suas opiniões livremente, (iv) assegura a não discussão de assuntos marginais e (v) controla o tempo. 4.6. Bibliografia Complementar Abreu, António S. 2000. A arte de Argumentar. Cotia: ateliê Editores. Barreto, Luís de Lima. 1993. Aprender a Comentar um texto Literário — Modelos de análise Crítica e Comentário. 3ª Edição. Lisboa: Texto Editora. Câmara JR. & J. Mattoso. 1977. Manual de Expressão oral e Escrita. Petrópolis: Editora Vozes. 97 Nunes, M. R. 1973. O Estilo na Comunicação. Rio de Janeiro: Editora Agir. Santos, Pe. L. dos. 1950. Dicionário Português-Chope e Chope-Português. Lourenço Marques: Imprensa Nacional de Moçambique. Sitoe, Bento e Armindo Ngunga. 2000. Relatório do II Seminário de Padronização da Ortografia de línguas moçambicanas. Maputo: NELIMO, Universidade Eduardo Mondlane. Sitoe, Bento. 1996. Dicionário Changana – Português. Maputo: INDE. 98 Unidade IV: Tipologia Textual Duração da Unidade: 18 5.1. Introdução Na unidade anterior passámos em revista as formas de tratamento adequadas ao relacionamento entre os membros de uma família, entre amigos bem como ao diálogo com os superiores hierárquicos, em situações formais e informais. Em debates formais, expressou as suas opiniões e convições de modo a “convecer” os colegas. Aprendeu a usar da palavra “o poder” em situaçoes formais. Esperamos que tenha enriquecido as suas experiências não só linguísticas, mas sobretudo da vida em comunidade. Agora estamos na última unidade do Módulo. Ela está reservada à tipologia textual em bantu. Nela, o formando vai aprofundar os seus conhecimentos em matéria da Tipologia Textual. Falamos dos Textos Funcionais (aviso, anúncio, requerimento, convite, carta formal e informal), Textos Literários (narrativo, descritivo, expositivo/argumentativo e poético) e de Textos Informativos (notícia e reportagem). Também vai recolher e resumir algums textos (contos e lendas) da sua comunidade linguística. A inclusão destes conteúdos neste programa visa possibitar a aplicação de conhecimentos sobre a ortografia e sintaxe das línguas bantu de Moçambique. 5.2. Evidências Requeridas da Unidade Temática No fim desta unidade temática o formando deve ser capaz de: • Interpretar diferentes tipos de textos; • Traduzir para a sua língua bantu difetentestipos de textos • Redigir na sua língua bantu diferentes tipos de textos e • Identifiqucar as características linguísticas de diferentes tipos de textos; • Recolher contos e lendas da sua comunidade e • Resumir constos e lendas da sua comunidade 99 5.3. Metodologia O estudo de textos de carácter informativo, reflexivo, argumentativo e literário utilizando técnicas e finalidades específicas em diferentes contextos não é específico de línguas bantu. Na verdade, a estrutura dos diferentes tipos de textos não varia de uma língua para a outra. Por isso, neste módulo este tema não será desenvolvido, cabendo ao senhor formador a tarefa de usar os materiais das disciplinas de língua portuguesa ou da língua inglesa. Todavia, tratando-se de línguas bantu, é preocupação deste módulo sugerir algumas indicações metodológicas como se pode ver a seguir: • Depois de o formador ter dado a estrutura do texto que pretende ensinar, bem como as suas características, as principais actividades das aulas vão se desenvolver em grupos de língua (i.e. formar grupos de alunos que falam a mesma língua); • Dado um modelo de um texto em Português, o formador orienta a actividade de tradução do mesmo para as línguas bantu faladas na sala de aulas (cada falante de uma língua traduz o texto no seu caderno); • Em grupos ou individualmente, o formador manda os alunos identificar os aspectos estruturais dos textos e outros exercícios relevantes para a assimilação dos conteúdos dos textos e • Individualmente, o professor orienta os alunos para redigirem textos e oralmente, os mesmos lê-nos para mostrar o grau da assimilaçãoo de conteúdos. Note-se que esta unidade visa acima de tudo, pôr os alunos a praticar a ortografia das suas línguas e a redigir e a interpretar os diferentes tipos de texto. Apostamos na criatividade do formador. Em anexo, sugerimos os aspectos a trabalhar, durante a interpretação de textos de vária natureza. 100 5.4. Autoavaliação 1. Elabora (na sua língua bantu): . Um requerimento dirigido ao director do IFP a solicitar o certificado de conclusão do curso; . Um convite ao seu melhor amigo para a festa da sua graduação; . Um texto argumentativo argumentando a favor ou contra o consumo de tabaco; . Uma notícia sobre a abertura do ano lectivo de 2013. 2. Recolhe 3 contos e 3 lendas da sua comunidade linguística. . Faz o resumo dos textos recolhidos. 5.5. Chave de Correcção 1. Ao critério do formando e do formador. 2. Ao critério do formando e do formador. 5.6. Bibliografia Complementar: Alves, P. Albano. 1957. Dicionário Português-Chisena e Chisena-Portutuês. Beira: Tipografia da Escola de Artes. Barreto, Luís de Lima. 1993. Aprender a Comentar um texto Literário — Modelos de análise Crítica e Comentário. 3ª Edição. Lisboa: Texto Editora. Branco, Pedro. (Edt). 1996. Língua Portuguesa 5. 2ª Edição. Lisboa: Constância Editores, Portugal. Morais, Maria Emília & Bertina Oliveira. 2009. Língua Portuguesa, 8ª Classe. 1ª Edição. Porto: Plural Editoras, Portugal. 101 Ngunga, Armindo. 2001. Writing in Ciyao: The past and the Future. In Pfaffe (ed). Cross-Border Languages within the Context of Mother Tongue Education. Ngunga, Armindo & Osvaldo Faquir. 2011. Padronização da Ortografia de Línguas Moçambicanas: Relatório do III Seminário de Padronização. Maputo: Ciedima, Centro de Estudos Africanos. Santos, Pe. L. dos. 1941. Gramática da língua chope. Lourenço Marques: Imprensa Nacional de Moçambique. Santos, Pe. L. dos. 1950. Dicionário Português-Chope e Chope-Português. Lourenço Marques: Imprensa Nacional de Moçambique. Sitoe, Bento e Armindo Ngunga. 2000. Relatório do II Seminário de Padronização da Ortografia de línguas moçambicanas. Maputo: NELIMO, Universidade Eduardo Mondlane. Sitoe, Bento. 1996. Dicionário Changana – Português. Maputo: INDE. Wilkes, A. 1985. Words and word division: A study of some orthographical problems in the problems in the writing systems of the Nguni and Sotho Languages. Pretoria: University of Pretoria.