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1
 
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE 
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
“Construindo competências profissionais para um ensino de qualidade” 
 
 
 
 INDE 
 INSTITUTO NACIONAL DO DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO 
 
Testagem 2012 
 
Módulos de Línguas Moçambicanas 
 
Formação de Professores do Ensino Primário 
Elaborado por: David Langa 
 
 
 2
 
Índice de Conteúdos 
0. Introdução ................................................................................................................................................. 6 
0.1. Competências a Desenvolver no Módulo ......................................................................................... 6 
0.2. Objectivos do Módulo ....................................................................................................................... 6 
0.3. Resultados de aprendizagem do módulo: .......................................................................................... 7 
0.4. Visão Geral dos Conteúdos do Módulo ................................................................................................. 8 
Unidade temática 1: Diversidade Linguística e Cultural .............................................................................. 9 
1.1.Evidências Requeridas da Unidade Temática: .................................................................................... 9 
1.2. O que é a língua? ................................................................................................................................ 9 
1.2.1. Língua vs Comunidade Linguística .............................................................................................. 10 
1.2.1. Conceito de Dialecto ..................................................................................................................... 10 
1.3. Importância do estudo das línguas bantu no desenvolvimento do país............................................ 10 
1.3.1. Qual é a importância do estudo das línguas moçambicanas no desenvolvimento do país? .......... 11 
1.4. Situação linguística do continente africano...................................................................................... 14 
1.5. Situação linguística de Moçambique ............................................................................................... 16 
1.6. Características das línguas bantu ..................................................................................................... 17 
1.6.1. Quais são as Características das línguas bantu? ............................................................................ 17 
1.6.1.1. Demonstração da característica (1a): veja-se a seguinte tabela: ................................................ 18 
1.6.2Actividades ..................................................................................................................................... 19 
1.6.3. Distribuição das Línguas bantu de Moçambique por zonas. ......................................................... 20 
1.6.4Autoavaliação ................................................................................................................................. 22 
1.6.5Chave de Correcção ........................................................................................................................ 23 
1.6.6Bibliografia Complementar............................................................................................................. 25 
Unidade Temática 2: Estrutura das línguas bantu faladas em Moçambique ............................................... 26 
2.1. Competencia da unidade .................................................................................................................. 26 
2.2. Sistema Ortográfico das Línguas Bantu ........................................................................................... 27 
2.2.1. Língua Citshwa ............................................................................................................................. 28 
2.2.1.1. O sistema de vogais do Citswha ................................................................................................ 29 
2.2.1.2. Consoantes do Citswha .............................................................................................................. 29 
2.2.1.3. Modificação de Consoantes ....................................................................................................... 31 
2.2.2. Xichangana ................................................................................................................................... 31 
2.2.2.1. Vogais do Xichangana ............................................................................................................... 32 
2.2.2.2. Consoantes do Xichangana ........................................................................................................ 32 
2.2.2.2. Modificação de Consoantes ....................................................................................................... 34 
2.2.3. Cinyungwe .................................................................................................................................... 34 
2.2.3.1. Vogais do Cinyungwe ................................................................................................................ 34 
2.2.3.2. Consoantes do Cinyungwe ......................................................................................................... 35 
2.2.3.3. Modificação de Consoantes ....................................................................................................... 36 
2.2.4. Emakhuwa..................................................................................................................................... 36 
2.2.4. 1. Vogais do Emakhuwa ............................................................................................................... 37 
2.2.4. 2. Consoantes do Emakhuwa ........................................................................................................ 38 
 
 3
2.2.4. Modificação de Consoantes .......................................................................................................... 39 
2.2.5. Cisena ............................................................................................................................................ 39 
2.2.5.1.Vogais do Cisena ........................................................................................................................ 40 
2.2.5.2.Consoantes do Cisena ................................................................................................................. 40 
2.2.5.3. Modificação de Consoantes ....................................................................................................... 41 
2.2.6. Ciyaawo ........................................................................................................................................ 42 
2.2.6.1. Vogais do Ciyaawo .................................................................................................................... 42 
2.2.6.2. Consoantes do Ciyaawo ............................................................................................................. 43 
2.2.6.3. Modificação de Consoantes ....................................................................................................... 44 
2.3Recursos de Aprendizagem:............................................................................................................... 44 
2.4Actividades ........................................................................................................................................ 46 
2.5Autoavaliação: ................................................................................................................................... 47 
2.6Chave de Correcção ...........................................................................................................................48 
2.7. Bibliografia Complementar.............................................................................................................. 48 
3. Morfologia Nominal ............................................................................................................................... 49 
3.1. Estrutura do nome nas línguas bantu ............................................................................................... 49 
3.1.1. Morfologia do Nome de Citswha .................................................................................................. 49 
3.1.1.1. Prefixos primários vs secundários .............................................................................................. 51 
3.1.1.2. Aumentativos e diminutivos ...................................................................................................... 52 
3.1.1.3. Locativização ............................................................................................................................. 52 
3.1.1.4. Integração de empréstimos em classes nominais ....................................................................... 53 
3.1.2. Morfologia do Nome de Xichangana ............................................................................................ 53 
3.1.2.1. Prefixos primários vs secundários .......................................................................................... 55 
3.1.2.2. Aumentativos e diminutivos ...................................................................................................... 56 
3.1.2.3. Locativização ............................................................................................................................. 56 
3.1.2.4. Integração de empréstimos em classes nominais ....................................................................... 57 
3.1.3. Morfologia do Nome de Cinyungwe ................................................................................................ 58 
3.1.3.1. Prefixos primários vs secundários: Aumentativos e diminutivos .............................................. 59 
3.1.3.2. Locativização ............................................................................................................................. 59 
3.1.3.2.1. Locativização Situacional ....................................................................................................... 60 
3.1.3.2.2. Locativização Direccional ....................................................................................................... 60 
3.1.3.2.3. Locativização de Interioridade ................................................................................................ 60 
3.1.3.3. Integração de empréstimos em classes nominais ....................................................................... 60 
3.1.4. Morfologia Nominal do Cisena ..................................................................................................... 62 
3.1.4.1. Prefixos primários vs secundários: Aumentativos e diminutivos .............................................. 63 
3.1.4.2. Locativização ............................................................................................................................. 63 
3.1.4.2.1. Locativização Situacional ....................................................................................................... 64 
3.1.4.2.2. Locativização Direccional ....................................................................................................... 64 
3.1.4.2.3. Locativização de Interioridade ................................................................................................ 64 
3.1.4.3. Integração de empréstimos em classes nominais ....................................................................... 65 
3.1.5. Morfologia Nominal do Emakhuwa ............................................................................................. 66 
3.1.5. 1. Classes nominais do Makhuwa ................................................................................................. 66 
 
 4
3.1.5. 2. Prefixos primários vs secundários ............................................................................................. 67 
3.1.5. 3. Aumentativos e diminutivos ..................................................................................................... 67 
3.1.5. 6. Locativização ............................................................................................................................ 68 
3.1.5. 6.1.Locativização Situacional ....................................................................................................... 68 
3.1.5. 6.2. Locativização Direccional ...................................................................................................... 68 
3.1.5. 6.3. Locativização de Interioridade ............................................................................................... 68 
3.1.5. 7. Integração de empréstimos em classes nominais ...................................................................... 69 
3.1.6. Morfologia Nominal de Ciyaawo ................................................................................................. 70 
3.1.6.1. Classes nominais do Yao ........................................................................................................... 70 
3.1.6.2. Locativização ............................................................................................................................. 71 
3.1.6.2.1. Locativização Situacional ....................................................................................................... 71 
3.1.6.2.2. Locativização Direccional ....................................................................................................... 71 
3.1.6.2.3. Locativização de Interioridade ................................................................................................ 71 
3.1.6.7. Integração de empréstimos em classes nominais ....................................................................... 72 
3.2. Morfologia verbal ............................................................................................................................ 74 
3.2.1. Estrutura do verbo das línguas bantu ............................................................................................ 74 
3.2.1. Extensões verbais das línguas bantu ............................................................................................. 74 
3.2.2. Conjugação do verbo nas línguas bantu ........................................................................................ 76 
3.2.2. 1. Língua Xichangana ................................................................................................................... 77 
3.2.2.1.1. Tempo passado ........................................................................................................................ 77 
3.2.2.1.2. Tempo presente ....................................................................................................................... 77 
3.2.2.1.3. Tempo presente simples .......................................................................................................... 77 
3.2.2.1.4. Tempo presente habitual ......................................................................................................... 78 
3.2.2.1.5. Tempo futuro .......................................................................................................................... 78 
3.2.2.2. Língua Cinyungwe ..................................................................................................................... 79 
3.2.2.2.1.Passado ..................................................................................................................................... 79 
3.2.2.3. Língua Emakhuwa .....................................................................................................................80 
3.2.2.4. Língua Cisena ............................................................................................................................ 81 
Pontual ................................................................................................................................................ 82 
2.2.3. Reduplicação ..................................................................................................................................... 83 
2.2.4. Frase verbal e frase não verbal ...................................................................................................... 84 
2.2.5. Sistema de Concordância .............................................................................................................. 85 
2.2.6. Discurso directo vs indirecto ......................................................................................................... 86 
2.2.7. Frase activa vs passiva .................................................................................................................. 86 
2.3Actividades ........................................................................................................................................ 88 
2.4Autoavaliação: ................................................................................................................................... 89 
2.5Chave de Correcção: .......................................................................................................................... 90 
2.8. Bibliografia Complementar: ............................................................................................................ 91 
Unidade III. Produção Oral ......................................................................................................................... 93 
4.1 Introdução ......................................................................................................................................... 93 
4.2. Evidências Requeridas da Unidade Temática .................................................................................. 93 
4.3. Orientação metodológica ................................................................................................................. 93 
 
 5
4.4. Formas de tratamento ....................................................................................................................... 94 
4.4.1.Debates ........................................................................................................................................... 94 
4.4.1.1. Aspectos a considerar na organização e realização de um debate ............................................. 94 
4.4.1.2. Preparação .................................................................................................................................. 95 
4.4.1.3. Papel do animador ...................................................................................................................... 95 
4.4.1.4. Expressões a usar na introdução das opiniões ............................................................................ 95 
4.5. Autoavaliação .................................................................................................................................. 96 
4.6. Chave de Correcção ......................................................................................................................... 96 
4.6. Bibliografia Complementar.............................................................................................................. 96 
Unidade IV: Tipologia Textual ................................................................................................................... 98 
5.1. Introdução ........................................................................................................................................ 98 
5.2. Evidências Requeridas da Unidade Temática .................................................................................. 98 
5.3. Metodologia ..................................................................................................................................... 99 
5.4. Autoavaliação ................................................................................................................................ 100 
5.5Chave de Correcção ......................................................................................................................... 100 
5.6Bibliografia Complementar: ............................................................................................................ 100 
 
 
 6
 
0. Introdução 
O presente módulo de disciplina de Línguas Bantu de Moçambique visa orientar o 
formador e os formandos em aspectos ligados à filosofia do ensino bilingue (ensino em duas 
línguas), aspectos estruturais das línguas bantu de Moçambique, bem como sobre os aspectos 
metodológicos e composição de textos formais nos Institutos de Formação de Professores (IFP) 
de Moçambique. 
 Devido a diversidade linguística do nosso país e não só, encontramos num IFP alunos 
falantes das mais diversas línguas moçambicanas tal que não é possível conceber um módulo 
para uma única língua bantu. Deste modo, o presente modo possibilita que o professor formador 
trabalhe numa sala multilingue. 
 Competências a Desenvolver no Módulo 
Após a conclusão deste módulo, o formando deverá ser capaz conhecer a filosofia por detrás do 
ensino bilingue, bem como o contributo desta modalidade de ensino para o desenvolvimento do 
país; dominar os aspectos estruturais das línguas bantu, designadamente, o seu sistema 
ortográfico, morfológico e sintáctico e ser capaz de se expressar oral e por escrito na sua língua 
bantu. 
0.1. Objectivos do Módulo 
Constituem os objectivos do presente módulo os seguintes: 
• Conheçer e reconheçer as diferenças sociolinguísticas e antropológicas das Línguas 
Moçambicanas; 
• Explicar a importância das Línguas Moçambicanas no ensino e no desevolvimento do 
país; 
• Usar correctamente a ortografia das línguas bantu, no geral, e especialmente a sua língua 
materna 
• Distinguir a estrutura do nome, do verbo e a construção frásicas da sua materna vs do 
português; 
• Produzir e interpretar diferentes tipos de textos na sua língua materna; 
 
 7
• Respeitar as diferenças culturais entre as difentes línguas bantu faladas em Moçambique. 
0.2. Resultados de aprendizagem do módulo: 
Concluído o módulo, o aluno deve ser capaz de: 
• Conheça e reconheça as diferenças sociolinguísticas e antropológicas das Línguas 
Moçambicanas; 
• O formando sabe e dissemina a importância das Línguas Moçambicanas no ensino e no 
desevolvimento do país; 
• Domina a ortografia das línguas bantu, no geral, e especialmente a sua língua materna 
• Distinga a estrutura do nome, do verbo e a construção frásicas da sua materna vs do 
português; 
• Produza e interpreta diferentes tipos de textos na sua língua materna; 
• Respeita as diferenças culturais entre as difentes línguas bantu faladas em Moçambique. 
 
 
 8
 
0.4. Visão Geral dos Conteúdos do Módulo 
 
Unidade Temática Temas Carga Horária 
1. Diversidade Linguística e Cultural 04 
2. Estrutura das línguas bantu de Moçambique 29 
3. Produção de enunciados orais adequados a 
diferentes contextos 
03 
4. Interpretação de textos de carácter 
informativo, reflexivo, argumentativo e 
literário utilizando técnicas e finalidades 
específicas em diferentes contextos 
18 
Total 54 
 
 
 9
 
Unidade temática 1: Diversidade Linguística e Cultural 
Duração da Unidade: 04 horas 
A presente unidade temática intitulada Diversidade Linguística e Cultural visa introduzir 
o formando nos conceitos operatórios básicos do que é uma língua no geral e uma língua bantu 
em particular. O conceito de língua, que é abstracto, não se desassocia da comunidade que a fala 
– a comunidade linguística ou de fala – conjunto de pessoas situadas numespaço ou zona 
particular. É a língua falada, no concreto, numa comunidade linguística ou de fala que se designa 
de dialecto. 
 Para além dos conceitos acima apresentados, nesta unidade, o aluno passará a saber da 
importância do estudo das línguas bantu no desenvolvimento do país. Para desenvolver esta 
subunidade, recorre-se aos objectivos do desenvolvimento do milénio que é uma agenda global 
de todos os países do mundo. 
A unidade termina com a apresentação, de forma breve, da situação linguística da África 
e de Moçambique em particular. 
Caro formando, tenha uma boa leitura! 
1.1.Evidências Requeridas da Unidade Temática: 
No fim desta unidade temática o formando deve ser capaz de: 
• Conhecer os principais conceitos operatórios (língua, dialecto…); 
• Conhecer as diferentes línguas faladas no país; 
• Respeitar as diferentes línguas faladas no país 
1.2. O que é a língua? 
A língua é definida de várias formas por diferentes autores. Contudo, de uma forma geral, a 
língua é definida como um código pelo qual um povo realiza a comunicação oral e/ou escrita. 
Hoje em dia, com o desenvolvimento das ciências de linguagem, o conceito de língua abarca o 
código de sinais usado por pessoas incapazes de produzir sons de fala – os mudos. Assim, as 
pessoas comunicam-se entre elas através de uma língua seja ela oral ou escrita ou de sinais. 
 
 
 10
Comentário: 
Como se pode depreender do parágrafo anterior, não existem línguas superiores nem línguas 
inferiores embora algumas políticas europeias no tempo colonial tenham usado erradamente o 
termo língua para distanciar a língua Portuguesa, no caso de Portugal, das línguas faladas na 
colónia (Moçambique, neste caso). Eles usavam o termo língua para se referir à língua 
portuguesa e dialecto para se referir as línguas moçambicanas. Essa distinção é errada porque 
como acima se viu, o termo língua designa um código pelo qual um povo realiza a comunicação 
oral ou escrita ou de sinais. 
1.2.1. Língua vs Comunidade Linguística 
A língua é um património comum a uma dada comunidade linguística. Para Saussure (1916: 
25-30) citado por Duarte (2000: 44): 
“língua é simultaneamente um produto social da faculdade da linguagem e um 
conjunto de convenções necessárias, adoptadas pelo corpo social para permitir o 
exercício desta faculdade pelos indivíduos (…) É um sistema de signos distintos 
que correspondem a ideias distintas.” (…) É um tesouro depositado, pela prática 
da fala, nos indivíduos que pertencem a uma mesma comunidade, um sistema 
gramatical que existe virtualmente no cérebro, ou mais exactamente nos 
cérebros de indivíduos;” 
Portanto, pode-se dizer que a língua é fundamentalmente “um fenómeno social” (Baylon & 
Fabre, 1979: 59) e como tal não pode ser dissociada da comunidade que a fala. 
1.2.1. Conceito de Dialecto 
A noção de língua não se deve confundir com a de dialecto. A diferença entre estas duas 
realidades reside a nível de estatutos: o dialecto é sempre uma variedade de um determinado 
sistema linguístico reconhecido oficialmente como língua. Geralmente se considera variedade de 
uma língua a variante linguística que caracteriza uma determinada zona. 
1.3. Importância do estudo das línguas bantu no desenvolvimento do país 
As principais razões que justificaram a utilização de LB no ensino básico são de natureza 
Linguístico-pedagógicas; (ii) Cultura e identidade e (iii) Direitos humanos do indivíduo. 
 
 11
Estando-se a viver numa “aldeia global”, é sempre importante que os moçambicanos conheçam 
as suas línguas maternas, não só devido a factores ligados à identidade dos mesmos mas 
sobretudo porque aprender na sua língua materna é um direito humano. No fim desta lição o 
aluno será capaz de responder a seguinte pergunta: 
 1.3.1. Qual é a importância do estudo das línguas moçambicanas no desenvolvimento do país? 
 
Veja se a seguinte citação do Director da UNESCO: 
“As línguas certamente são essenciais para a identidade de grupos e indivíduos e 
para sua coexistência pacífica. São um factor estratégico de progresso para o 
desenvolvimento sustentável e para uma relação harmoniosa entre o contexto 
global e o local. São de extrema importância para o alcance dos seis objectivos 
do programa “Educação para Todos” e das Metas de Desenvolvimento do 
Milénio, estabelecidas pelas Nações Unidas em 2000”. (Koïchiro Matsuura, 
Director General, UNESCO) 
Este tema é aqui abordado tendo como referência uma brochura elaborada pela Sociedade 
Internacional de Linguísticas (SIL), em 2008. Esta brochura foi desenvolvida para responder à 
pergunta sugerida pelo próprio tema desta unidade – Afinal para que serve o estudo das 
línguas bantu no desenvolvimento do país? 
 A resposta a esta pergunta é dada tendo como referência as Metas de Desenvolvimento 
do Milénio. Estas foram estabelecidas pelos 189 estados membros das Nações Unidas e 
oficialmente e estabeleceram um acordo para alcançá-las até 2015. Essas metas são as seguintes: 
(i) Erradicar a pobreza extrema e a fome, (ii) Atingir o ensino básico universal, (iii) Promover a 
igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres, (iv) Reduzir a mortalidade infantil, (v) 
Melhorar a saúde materna, (vi) Combater o HIV & SIDA, a malária e outras doenças, (vii) 
Garantir a sustentabilidade ambiental e (viii) Estabelecer uma parceria mundial para o 
desenvolvimento. 
Nas linhas que se seguem, apresenta-se como cada uma das metas pode ser alcançada tendo como 
ponto de partida a importância das línguas bantu no desenvolvimento do nosso país. 
Meta 1: Erradicar a pobreza extrema e a fome 
O acesso à alfabetização em línguas maternas permite com que a maior parte da população 
moçambicana não falante do Português (língua oficial) participe na vida económica do país. Por 
exemplo, pode se produzir materiais educativos em línguas maternas educando as pessoas sobre 
 
 12
os valores nutritivos dos alimentos que produzem nas suas machambas e que consomem. As 
pessoas podem ser educadas a manejar as suas finanças e seus recursos como se pode ver no 
seguinte texto extraído de SIL (2008: 1). 
O aumento da renda e o alívio da fome dentro das comunidades etnolinguísticas ocorrem quando 
informações que promovem uma mudança de vida são transmitidas em uma língua que as 
pessoas entendem bem. Maiores taxas de alfabetização frequentemente resultam em uma maior 
renda per capita. 
Meta 2: Atingir o ensino básico universal 
Os programas de ensino fundamental que começam na língua materna ajudam os alunos a 
desenvolverem habilidades de alfabetização e habilidades numéricas mais rapidamente. Quando 
ensinados em sua língua local, os alunos transferem as habilidades de alfabetização com 
facilidade para as línguas oficiais utilizadas no sistema de educação, adquirindo ferramentas 
essenciais para a aprendizagem por toda a vida. Os resultados são um aumento da auto-estima e 
uma comunidade melhor equipada para ser alfabetizada nas línguas de comunicação mais ampla. 
“Cinquenta por cento das crianças do mundo, que não frequentam a escola, vivem em 
comunidades onde a língua usada para a alfabetização é raramente usada em casa. Esse é o 
maior desafio em alcançar a Educação para Todos (EPT): um legado de práticas improdutivas 
que leva a baixos níveis de aprendizagem e altos níveis de reprovações." 
Meta 3: Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres 
Quase dois terços dos 875 milhões de analfabetos do mundo são mulheres. Nas comunidades 
etnolinguísticas, os rapazes frequentemente são encorajados a interagir com outros nas línguas 
de comunicação mais ampla. No entanto, espera-se tipicamente que as moças fiquem perto de 
casa, onde a língua local frequentemente é a única utilizada. Pesquisas mostram que as meninas 
e mulheres que são educadas nas línguas que conhecem melhor permanecem por mais tempo na 
escola e obtêm melhores resultados do que aquelas que não são instruídas na sua línguamaterna. 
“A língua materna do aluno é a chave para tornar a educação mais inclusiva para todos os grupos 
que se encontram em desvantagem, especialmente para as meninas e as mulheres.” 
 (Meninas: equidade educativa e língua materna), p.1, 2005, UNESCO-Bangkok) 
 
 13
Meta 4: Reduzir a mortalidade infantil 
O índice de mortalidade de crianças com menos de cinco anos diminui quando informações a 
respeito da prevenção e do tratamento de doenças são disponibilizadas em línguas locais. 
Por outro lado, a má compreensão pode levar a mal-entendidos perigosos e até fatais. As 
comunidades etnolinguísticas podem combater a diarreia, a malária e outras doenças comuns 
quando têm os recursos e a capacidade de obter informações essenciais sobre saúde. 
Meta 5: Melhorar a saúde materna 
Uma mãe pode cuidar melhor de si mesma e de sua família quando sabe ler e escrever em sua 
língua materna e tem acesso a informações sobre saúde em uma língua que entende bem. O 
desenvolvimento baseado na linguagem facilita a introdução de novos conceitos e a tradução 
apropriada de nova terminologia. 
Meta 6: Combater o HIV & SIDA, a malária e outras doenças 
As pessoas de comunidades etnolinguísticas são vulneráveis ao HIV& SIDA, à malária e a outras 
doenças em parte por causa da falta de informações essenciais na sua língua materna. A leitura 
de materiais sobre higiene, nutrição, prevenção e tratamento de doenças em línguas locais 
demonstrou ser efectiva para melhorar a saúde geral e a expectativa de vida da população. A 
disponibilidade de informação culturalmente relevante desfaz os conceitos errados que cercam o 
HIV& SIDA. 
Meta 7: Garantir a sustentabilidade ambiental 
Os princípios de preservação ambiental são comunicados entre as línguas através de programas 
de desenvolvimento baseados na linguagem e na produção de literatura. O desmatamento é um 
problema crítico em todo o mundo. Conforme as populações locais aprendem a tecnologia 
apropriada, somada ao conhecimento tradicional sobre a flora e fauna, suas necessidades 
económicas são supridas e, ao mesmo tempo, o meio-ambiente é protegido. 
Meta 8: Estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento 
As parcerias globais entre comunidades etnolinguísticas e sociedades nacionais e internacionais 
requerem comunicação e compreensão mútua. A revitalização da língua materna assegura que 
uma língua continue a servir aos diferentes objectivos de seus falantes e age, também, como uma 
 
 14
ponte para que uma comunidade atinja seus propósitos multilingues mais amplos ao aprender 
uma língua de comunicação mais abrangente. O desenvolvimento baseado na linguagem facilita 
o intercâmbio mais amplo de conhecimento tradicional, além de disponibilizar os benefícios da 
informação global e da tecnologia de comunicação. 
1.4. Situação linguística do continente africano 
Sabida a importância do estudo das línguas bantu para o desenvolvimento do país, nesta lição, 
você conhecerá a situação linguística do continente africano no geral. Como deve imaginar, nem 
todos os povos africanos falam línguas bantu. Estas são faladas com a maior proeminência na 
África subsaariana. O texto que a seguir se apresenta foi extraído da internet. Para uma melhor 
compreensão desta lição, a sua leitura deve ser acompanhada de um mapa do continente africano. 
Qual é a situação linguística do continente africano? 
A África é provavelmente a região do mundo onde a situação linguística é a mais diversificada 
(com 1000 línguas) e a menos conhecida (http://pt.wikipedia.org). Um dos vários estudos sobre a 
situação linguística do continente africano foi feito Joseph Harold Greenberg, um famoso 
linguista norte-americano, em 1955. Este estudioso distingue quatro grandes conjuntos: 
• A família khoisan ao sul, constituída essencialmente pelas línguas de cliques dos 
bosquímanos; 
• A família camito-semítica (dita também afro-asiática) ao norte, constituída pelo 
semítico (árabe, hebraico, etíope e outras), o berbere, o egípcio, o cuchítico e o chadiano 
(haúça); 
• A família nilo-saariana, que se estende sobre uma zona descontínua do Chade ao Sudão 
e ao Zaire, e compreende o songai, o maban, o koma, o fur e o nilo-chadiano, este 
dividido em sudanês central (sara, mangbetu) e sudanês oriental (línguas núbias); 
• A família nígero-congolesa, que ocupa a maior parte da África Negra, é dividida em seis 
grupos: o oeste-atlântico (peul, uolof, diola), o mandé ou mandinga (bambara, malinque, 
mende), o voltaico ou gur (mossi), o kwa (iorubá, iba, akan, ewe, kru), o grupo de 
Adamawa oriental e o grupo benuê-congolês, essencialmente constituído pelas bantu, que 
ocupam todo o sul do continente. Para fazer face a essa diversidade lingüística, foram 
desenvolvidas línguas de relação, faladas como segundas línguas nos conjuntos 
 
 15
geográficos mais vastos: o árabe, a língua mais falada do continente; o suaíle (a leste da 
África), primeira língua banta a utilizar a forma escrita; o lingala (oeste do Zaire); o 
bambara (Mali, Guiné, Costa do Marfim); o haúça (norte da Nigéria) e outras. 
Finalmente, as línguas européias herdadas da colonização (inglês, francês, português) são 
faladas pelas classes cultas e continuam a ser o alicerce linguístico de numerosos países. 
(in http://pt.wikipedia.org) 
 
 
 
 
 16
 
1.5. Situação linguística de Moçambique 
Moçambique é um país multilingue multiétnico onde se fala maioritariamente as línguas bantu, a 
língua portuguesa e algumas línguas asiáticas (Firmino, 2002). Para efeitos deste módulo, 
apresenta-se as línguas faladas por província (c.f. NELIMO 1989, Sitoe e Ngunga 2000, Ngunga 
e Faquir 2011). 
Tabela 1: Língua por Província 
Ordem Língua Província 
1. Kimwani Cabo-Delgado 
2. Shimakonde Cabo-Delgado 
3. Ciyaawo Niassa e Cabo-Delgado 
4. Emakhuwa Nampula, Cabo-Delgado, Niassa e Zambézia 
5. Echuwabu Zambézia e Sofala 
6. Cinyanja Niassa, Zambézia e Tete 
7. Cinyungwe Tete 
8. Cisena Manica, Sofala, Tete e Zambézia 
9. Cibalke Manica 
10. Cimanyika Manica 
11. Cindau Sofala, Manica e Inhambane 
12. Ciwute Manica 
13. Gitonga Inhambane 
14. Citshwa Inhambane, Gaza, Manica e Sofala 
15. Cicopi Gaza e Inhambane 
16. Xichangana Maputo, Gaza, Manica e Sofala 
17. Xirhonga Maputo, Gaza e Inhambane 
 
A tabela acima mostra as línguas faladas em Moçambique, por província. Algumas destas 
línguas são faladas em outros países vizinhos e não só. 
 
 
 17
 
1.6. Características das línguas bantu 
Depois de ter visto o que é uma língua, nesta ponto aprenderás o que é uma língua bantu, i.e., 
que característica uma língua deve ter para ser classificada de bantu ou não? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1.6.1. Quais são as Características das línguas bantu? 
Ngunga (2004:20-52) apresenta as características das línguas bantu de forma mais exaustiva. 
Contudo, para efeitos deste módulo, apresenta-se algumas características que podem ajudar o 
futuro professor a distinguir uma língua bantu da não bantu. Existem dois grupos de critérios, 
nomeadamente, critérios principais e critérios subsidiários (c.f. Ngunga 2004). Aqui, 
apresentam-se um critério e as suas características: 
(1) Ter um sistema de géneros gramaticais, em número não inferior a cinco, apresentando as 
seguintes características: 
a. Os indicadores de género devem ser prefixos, através dos quais os nomes podem 
ser distribuídos em classes cujo número varia, geralmente, entre 10 e 20; 
b. As classes devem associar-se regularmente em pares que opõem o singular do 
plural de cada género (…); 
c. Não há correlação entre género e a noção sexual ou qualquer outra categoria 
semântica claramente definida; 
Sugestões Metodológicas 
Visto que as salas de aula são multilingues, para leccionar esta aula, 
sugere-se o seguinte: 
• O formador já deve ter a lista dos estudantes por língua materna ou de 
formação; 
• Para não parecer que está a trabalhar com umalíngua apenas, o 
formador deve pedir aos alunos falantes de línguas diferentes para 
fornecerem exemplos de palavras da lista abaixo apresentada (veja 
actividades); 
• Depois fique atento, aos diferentes prefixos (parte inicial da palavra). 
Assim, ajuda os alunos a perceberem melhor as características. 
 
 18
d. Ter um vocabulário comum a outras línguas, a partir do qual se pode formular 
uma hipótese sobre a possível existência de uma língua ancestral comum. 
1.6.1.1. Demonstração da característica (1a): veja-se a seguinte tabela: 
(2) Tabela exemplificativa de Nyanja e Changana 
Classe Prefixos Nyanja Changana Significados 
1 mu- mu-nthu Munhu 'pessoa' 
2 a- a-nthu va-nhu 'pessoas' 
3 mu- m-tengo n-sinya 'árvore' 
4 mi- mi-tengo mi-sinya 'árvores' 
5 dzi- dzi-no ∅∅∅∅-tinyo ‘dente' 
6 ma- ma-so ma-tinyo 'olhos' 
7 ci- ci-nthu xi-lo ‘coisa' 
8 zi- zi-nthu svi-lo 'coisas' 
9 N- m-buzi m-buti 'cabrito' 
10 dzi- dzi-mbuzi ti -mbuti 'cabrito' 
 
Comentários: 
(i) Os números de 1-10, na primeira coluna são chamados classes nominais. Na 
tabela acima apenas apresentam-se 10 classes mas podem ser muito mais 
conforme veremos na unidade sobre “morfologia do nome”, deste módulo. Todas 
as palavras que conheces devem estar inseridas em classes. 
(ii) A segunda coluna apresenta os prefixos nominais. Na terceira coluna (em 
Cinyanja) e quarta (em Xichangana), cada prefixo está destacado em negrito. Diz-
se prefixo nominal porque a parte em negrito esta antes do que vem à direita não 
destacado. Essa parte chama-se tema nominal. i.e., depois de se remover o 
prefixo nominal resta o tema nominal. 
(iii) Como se pode ver, a classe 1 é singular da classe 2 e a classe 2 é plural da classe 
1. Da mesma maneira, a classe 3 é singular da classe 4 e esta plural da classe 3 e 
assim sucessivamente até a classe 10 que é plural da classe 9 e esta singular da 
classe 10. A esta oposição do singular e do plural chama-se género gramatical. O 
 
 19
conceito de género gramatical nas línguas bantu, não tem nada a ver com o 
conceito de sexo feminino ou masculino como acontece na língua portuguesa! 
(iv) Comparando as palavras do Cinyanja e do Xichangana pode-se pensar que as duas 
línguas usam as mesmas palavras – vocabulário comum. 
1.6.2. Actividades 
1. Preencha a seguinte tabela: 
 Língua Fala Dialecto Comunidade linguística 
Conceito 
Características 
Exemplo 
 
2. Esta lição pode ser dada com o recurso a leitura dos seguintes textos: 
• INDE/MINED. 2003. Plano Curricular do Ensino Básico, Programa das disciplinas do 
1º Ciclo: Ensino Básico (1ª e 2ª Classes). Maputo: INDE/MINED. 
• Visita ao Portal do Governo de Moçambique 
• Sociedade Internacional de Linguística (SIL). 2008. Por que as Línguas Importam: 
Alcançando as Metas do Desenvolvimento do Milénio Através das Línguas Locais. SIL 
Internacional. 
 
 20
1.6.3. Distribuição das Línguas bantu de Moçambique por zonas. 
 
 
3. Para o ponto 1.6. 
Exploração da lista de palavras da seguinte maneira: 
• Seleccionar 3 alunos que falem línguas diferentes 
 
 21
• Na ordem das palavras desta lista, pedir aos mesmos para que, à vez, digam a palavra 
no singular e no plural; 
• O formador vai anotando as palavras num quadro; 
• No fim disso, proceder como se fez nesta lição. 
Preencher a seguinte lista de palavras: 
Lista de palavras 
 Singular Plural 
1. pessoa ................................... ............................................. 
2. rapariga ...................................... ............................................. 
3. rapaz ..................................... .............................................. 
4. criança ...................................... ............................................. 
5. cabeça ....................................... ............................................. 
6. cabelo ....................................... ............................................. 
7. face ........................................ ............................................. 
8. bochecha ........................................ ............................................. 
9. olho ..................................... ............................................. 
10. boca ..................................... ............................................. 
11. dente ..................................... ............................................. 
12. gengiva ..................................... ............................................. 
13. língua (órgão). ..................................... ............................................. 
14. saliva ...................................... ............................................. 
15. orelha ...................................... ............................................. 
16. pescoço ...................................... ............................................. 
17. costas ....................................... ............................................. 
18. peito ....................................... ............................................. 
19. barriga ...................................... ............................................. 
20. umbigo ...................................... ............................................. 
21. pele ...................................... ............................................. 
22. nádega (tabú) ...................................... ............................................. 
23. pulmão ..................................... ............................................. 
 
 22
24. coração ...................................... ............................................. 
25. animal ...................................... ............................................. 
26. porco ....................................... ............................................. 
27. galinha ....................................... ............................................. 
28. cão ....................................... ............................................. 
29. cabrito ....................................... ............................................. 
30. gato ........................................ ............................................. 
31. pato ........................................ ............................................. 
32. leão ..................................... ............................................. 
33. leopardo ..................................... ............................................. 
34. elefante ..................................... ............................................. 
35. crocodilo ..................................... ............................................. 
36. hipopótamo ..................................... ............................................. 
37. boi ..................................... ............................................. 
38. pássaro ..................................... ... ............................................. 
 
1.6.4. Autoavaliação 
Agora resolva no seu caderno as actividades que lhe propomos para que possa avaliar o seu 
progresso. 
1. “A língua é simultaneamente o produto e o instrumento da comunicação”… 
a) Justifica. 
b) O que é a fala. 
2. Em que reside a diferença entre língua e dialecto? Apoie a sua resposta com exemplos. 
3. Caro formando, tu pertences a uma comunidade linguística? Se sim, diga qual? 
. Quais são os dialectos das sua língua? 
4. Algumas línguas bantu moçambicanas transfronteiriças (faladas em outros países, 
sobretudos vizinhos). 
a) Indica duas dessas línguas e diga em que países elas são faladas? 
 
 23
 
5. Qual é a LB moçambicana com maior número de falantes e em que províncias elas é 
falada? 
 Localiza as LB no continente africano. 
6. Identifica as razões quejustificaram a introdução das LB no ensino básico moçambicano. 
a) Explica as razões culturais e de identidade. 
b) Como é que as LB podem contribuir para a erradicação do HIV & SIDA. 
Para o ponto 1.6. 
1. Passe para o seu caderno a lista de palavras acima e preencha-a na sua língua 
materna. 
2. Com base nos dados da lista por si preenchida, responda às seguintes 
questões: 
a. Prove que na sua língua, a noção de género gramatical não tem a ver 
com a noção de sexo. 
b. Faça a listagem dos prefixos nominais da sua língua. 
c. Mencione os géneros gramaticais que encontrou na sua língua. 
3. Com base em evidências, prove que a sua língua materna é uma língua bantu. 
1.6.5. Chave de Correcção 
1. 
 a) É produto porque é ela que faz evoluir a língua e é o somatório das marcas individuais de 
cada falante; instrumento porque todos a utilizam na comunicação. 
 b) A fala é um acto individual de selecção e de actualização da língua (estas particularidades 
estão relacionadas com o sotaque, escolha de vocabulário, ordem pouco usual das palavras…) 
2. Ao critério de cada formando. É necessário realçar que enquanto Língua é“enquanto produto 
social da faculdade de linguagem e um conjunto de convenções necessárias, adoptadas pelo 
corpo social para permitir o exercício dessa faculdade nos indivíduos” (Genouvrier e Peytard, 
1974:151) o dialecto é variante de uma língua, distinta em termos sociais ou regionais e 
identificada por um conjunto de traços locais. 
 
 
 24
 3. Ao critério do formando. 
4. 
a) Ao critério do formando. O formando poderá, por exemplo, indicar o Xirhonga (falada na 
RSA e no Zimbabwe) e o Ciyaawo (falado em Malawi e na Tanzania, por exemplo). 
5. Segundo Ngunga e Faquir (2011), em Moçambique a LB com maior número de falantes é 
Emakhuwa, com 5 307 378 falantes. Ela é falada com maior proeminência, no território 
Moçambicano, nas províncias de Cabo Delgado, Niassa, Nampula e Zambézia. 
6. Segundo Ngunga (2004), no continente africano as LB abrangem uma vasta região que se 
estende a sul de uma linha que vai desde os Montes Camarões (a sul da Nigéria), junto à costa 
atlântica, até à foz do rio Tana (no Quénia). 
7. As principais razões que justificaram a utilização de LB no ensino básico são de natureza 
Linguístico-pedagógicas; (ii) Cultura e identidade e (iii) Direitos humanos do indivíduo. 
a) A língua não é somente um instrumento de transmissão de mensagens (comunicação). 
Também é um veículo de transmissão de valores culturais. Assim, para que o processo 
alcance os seus propósitos é necessário que se considere a complexidade etnolinguística 
dos aprendentes, das comunidades e da sociedade. 
 b) Segundo SIL as pessoas de comunidades etnolinguísticas são vulneráveis ao HIV& SIDA, 
por causa da falta de informações essenciais na sua língua materna. Assim, acredita-se que se os 
materiais sobre HIV& SIDA fossem escritos nas LB moçambicanas, facilitar-se-ia a 
comunicação. 
8. Ao critério do formador e do formando, tendo em conta a sua língua. 
 
 
 
 25
 
1.6.6. Bibliografia Complementar 
Baylon, C & Fabre, P. 1979. Iniciação à Linguística. Coimbra: Livraria Almedina. 
Faria et al. 1996. Introdução à Linguística Geral. Lisboa: Caminho. 
NELIMO. 1989. Relatório Sobre a padronização das Línguas Moçambicanas. Maputo: DLL 
Ngunga, Armindo e Osvaldo Faquir. 2011. Padronização da Ortografia das Línguas 
Moçambicanas: Relatório do III Seminário. Maputo: CEA. 
Ngunga, Armindo. 2000. Introdução à Linguística Bantu. Maputo: Imprensa Universitária. 
Ngunga, Armindo. 2004. Introdução à Linguística Bantu. Maputo: Imprensa Universitária. 
Saussure, Ferdinand. 1986. Curso de Linguística Geral. Lisboa: Publicações Dom Quixote. 
Sitoe, Bento e Armindo Ngunga. 2000. Relatório do II Seminário de Padronização da Ortografia 
de línguas moçambicanas. Maputo: NELIMO, Universidade Eduardo Mondlane. 
Sociedade Internacional de Linguística (SIL). 2008. Por que as Línguas Importam: Alcançando 
as Metas do Desenvolvimento do Milénio Através das Línguas Locais. SIL Internacional. 
 
 
 26
Unidade Temática 2: Estrutura das línguas bantu faladas em Moçambique 
Estimado formando, na unidade anterior abordámos a Diversidade Linguística e Cultural. 
Revímos diversos conceitos sobre a comunicação a discutimos a situação linguística do 
continente africano no geral e particularmente, do nosso país. Identificámos também as 
características específicas das LB. 
Nesta unidade, vamos mergulhar um pouco na estrutura das das LB de Moçambique. 
Vamos estudar a Ortografia das LB de Moçambique, a Morfologia (ramo da Linguistica que se 
dedica ao da estrutura ou as formas de palavras) e a Sintaxe (ramo da Linguística que se dedica 
ao estudo “das regras que regem a maneira como as palavras se combinam para formar as 
sentenças de uma língua” Crystal (1988). Portanto, vamos analisar a forma como os “bantuístas” 
formam as palavras e como ‘e que estruturam as palavras para formar frases, de modo a realizar 
a faculdade universal de comunicar pensamentos, sentimentos e volições. 
No PEA da língua “enquanto produto social da faculdade de linguagem e um conjunto 
de convenções necessárias, adoptadas pelo corpo social para permitir o exercício dessa 
faculdade nos indivíduos” (Genouvrier e Peytard, 1974:151), o formador (de língua) deve ter em 
mente que uma verdadeira aula de língua é aquela que está virada ao desenvolvimento das 
habilidades linguísticas, que acomoda a vivência cultural e, no caso específico, a experiência 
linguística do formando, de modo que ele possa adquirir as ferramentas necessárias para 
manipular a língua, de acordo com as suas necessidades comunicativas. Isto só é possível se, 
segundo Nunan (1995), as estratégias de ensino estiverem ancoradas a metodologias que tornem 
o ensino divertido e frutífero, dando maior relevo às interacções entre os actores do processo 
educativo. Assim, sugerimos que o senhor formador procure sempre trabalhar toda a diversidade 
linguística da turma, através de grupos linguísticos. 
2.1. Competencia da unidade 
• Usar correctamente a ortografia das línguas bantu, no geral, e especialmente a sua língua 
materna; 
• Distinga a estrutura do nome, do verbo e a construção frásicas da sua materna vs do 
português; 
 
 
 27
2.2. Sistema Ortográfico das Línguas Bantu 
O sistema ortográfico adoptado para a escrita das línguas moçambicanas foi 
convencionado no Primeiro Relatório Sobre a Padronização das Línguas Moçambicanas, 
compilado e, 1989 pelo Centro de Investigação das Línguas Moçambicanas (NELIMO) e revisto 
por Sitoe e Ngunga (2000) no Relatório do Segundo Seminário Sobre a Padronização das 
Línguas Moçambicanas e, mas recentemente por Ngunga e Faquir (2011) no Relatório do III 
Seminário das Línguas Moçambicanas. 
Até ao fim desta aula, o aluno deve ser capaz de conhecer e dominar a ortografia das 
línguas bantu em geral e da sua língua em particular. Tendo em consideração a diversidade 
linguística do país, para efeitos elucidativos, usar-se-ão as seguintes 6 línguas bantu faladas em: 
Línguas Changana, Citswha, Nyungwe, Sena, Makhuwa e Yaawo. 
 Para consolidar a situação linguística de Moçambique vista na unidade anterior, bem 
como para permitir um melhor contacto das referências básicas sobre a ortografia das línguas 
bantu faladas em Moçambique, nomeadamente, Sitoe e Ngunga (2000) e Ngunga e Faquir 
(2011), cada língua é introduzida pela apresentação das zonas onde ela é falada, as suas 
variantes. Depois apresentam-se as vogais e por fim as consoantes. 
 Diferentemente da ortografia da língua portuguesa, por exemplo, as vogais e as 
consoantes das línguas bantu, não mudam os seus valores independentemente dos contextos em 
que ocorrem. Por isso aconselha-se que a primeira leitura fosse acompanhada por um falante 
nativo ou por alguém que a domine de modo que o grafema seja melhor associado ao som de um 
falantenativo da língua. 
 
 
 28
Metodologia 
 O formador deve ter como ferramenta básica a lista de palavras do vocabulário básico 
(acima). Há medida que os alunos vão ditando a palavra, o professor deve escrever 
correctamente essa palavra seguindo o relatório ii ou iii sobre a padronização das línguas 
moçambicanas. 
 Ao ensinar a ortografia de uma dada língua, o formador deve também ler e confrontar os 
formandos a respeito das variantes das mesmas. 
 O formador deve ter já feito o levantamento das línguas faladas na sala de aulas e 
explorá-las para dar a ortografia das línguas bantu. 
Metodologicamente, para uma melhor assimilação dos conteúdos, primeiro apresenta-se 
o sistema vocálico e depois o consonântico. Para cada grafema, apresenta-se, destacado em 
negrito, um exemplo de uma palavra que o contenha. 
Para o ensino da ortografia, deve-se usar palavras simples (com duas ou 3 sílabas), 
usando consoantes simples (i.e. não combinadas) e se deve destacar (sublinhar) o grafema em 
causa. 
2.2.1. Língua Citshwa 
Segundo Sitoe e Ngunga (2000: 191), o Citshwa faz parte do grupo Tsonga que abrange três 
línguas, a saber: Xirhonga, Xichangana e Citshwa. Estas três línguas são mutuamente inteligíveis 
e são faladas nas províncias de Maputo, Gaza e Inhambane e na zona meridional das províncias 
de Manica e Sofala. O Citswha é falado por cerca de 10 000 falantes distribuídos pelas 3 
províncias (Firmino, 2000). Esta língua apresenta as seguintes variantes: 
(i) Xikhambani, falada no distrito de Panda; 
(ii) Xirhonga, falada na zona ocidental do distrito de Massinga; 
(iii) Xihlengwe, falada nos distritos de Morrumbene e Massinga, na zona de Funhalouro; 
(iv) Ximhandla, falada no distrito de Vilanculo; 
(v) Xidzhonge (ou Xidonge), falada na parte meridional do distrito de Inharime e 
(vi) Xidzivi, falada nos distritos de Morrumbene e Homoíne. 
 
 
 29
2.2.1.1. O sistema de vogais do Citswha 
O Citshwa apresenta um sistema vocálico constituído por cinco vogais, conforme se pode ver a 
baixo. 
 Grafema Exemplo Significado 
 a malevhu barba 
 e vele mama 
 i din’wa laranja 
 o nomu boca 
 u kubola apodrecer 
2.2.1.2. Consoantes do Citswha 
Para além das vogais, a língua apresenta um sistema de consoantes que se seguem. Os grafemas 
bem como os exemplos foram extraídos de Sitoe e Ngunga (2000: 109-111): 
Grafema Exemplo Significado 
 b kubeleka dar à luz 
 c comelo fermento 
 d din’wa laranja 
 f fole tabaco 
 g gambu sol 
 h humba caracol 
 j jaha rapaz 
 k kaya em casa 
 l kululama ser direito 
 m manu esperteza 
 n nala inimigo 
 p papilo carta 
 q mukhoqo beco 
 r r ibze pedra 
 s sangu esteira 
 t tihlo olho 
 
 30
 v vele seio/mama 
 w woko mão 
 x xaka parente 
 y yingwe leopardo 
 z zukulu sobrinho 
 bh kubhika cozinhar 
 bv kubvun’wala mergulhar 
 bz kubzala semear 
 dh dhadhani pai 
 dl kudlaladlaleka galopar 
 dz kudzaha fumar 
qg qgeke pátio 
hl hloko cabeça 
lh lhulamethi eucalipto 
n’ n’anga curandeiro 
n’q n’qolo carroça 
ny nyeleti estrela 
pf mupfumba hóspede 
ps kupsopsa chupar 
sv wusva papa de farinha de milho 
tl kutlakusa erguer 
ts tsetselelo perdão 
vh vholo manta 
xj xjelera geleira 
zv zvin’we juntos 
 
 
 31
2.2.1.3. Modificação de Consoantes 
As consoantes acima vistas não são modificadas. Contudo, todas elas podem ser produzidas com 
modificação da seguinte maneira: 
a. labialização/velarização: pw, bw, tw, dw, kw, gw, sw, zw, etc. 
b. palatalização: py, by, ty, dy, etc. 
c. pré-nasalização: mph, mb, nth, nd, nkh, ng, etc. 
d. aspiração: ph, th, ch, kh, etc. 
 
Nota: Cada formando, com a ajuda do seu formador, deve procurar exemplos de palavras em 
que as consoantes são produzidas com modificação. 
2.2.2. Xichangana 
Segundo Sitoe e Ngunga (2000: 191), o Changana é também conhecido por Tsonga (na África do 
sul) e Changana (em Moçambique). Ela é uma das línguas faladas com a maior proeminência na 
zona sul de Moçambique, nomeadamente nas províncias de Maputo, Gaza, parte das províncias 
de Inhambane e Manica (Sitoe 1996). A língua changana é também falada nos países vizinhos 
como a República da África do sul, na província de Transval, e na República de Zimbabwe 
(Sitoe and Ngunga 2000). Ela pertence ao grupo Tshwa-Rhonga, grupo S.50 na classificação de 
Guthrie (1967-71). Este grupo é composto por três línguas mutuamente inteligíveis, a saber, 
Changana (S.53), Tshwa (S. 51) e Ronga (S.54). 
De acordo com o relatório do Censo Geral da População citado por Sitoe e Ngunga (2000), a 
língua Changana é falada por aproximadamente 1.500.000 falantes. Esta língua apresenta as 
seguintes variantes: 
 a) Hlanganu (falada nos distritos de Namahaacha, Moamba e Magude) 
 b) Dzonga (falada nos distritos de Magude, Bilene e parte de Massingir) 
c) N’walungu (falada no distritos Massingir) 
d) Bila (falada no vale do limpompo e parte do distrito de Chibuto) 
e) Hlengwe (falada nos distritos de Xai-xai, Manjacaze, Chibuto, Guija, Chicualacuala, 
Panda, Morrumbene, Massinga, Vilanculos e Guvuro). 
 
 32
2.2.2.1. Vogais do Xichangana 
O Changana apresenta um sistema vocálico constituído por cinco vogais, conforme se 
pode ver a baixo. 
 Grafema Exemplo Significado 
 a malepfu barba 
 e vele mama/seio 
 i din’wa laranja 
 o nomu boca 
 u kubola apodrecer 
Para além das vogais, a língua apresenta um sistema de consoantes que se seguem. Os grafemas 
bem como os exemplos foram extraídos de Sitoe e Ngunga (2000: 109-111). 
2.2.2.2. Consoantes do Xichangana 
Grafema Exemplo Significado 
 b kuba bater 
 c covelo caril 
 d din’wa laranja 
 f fole tabaco/rapé 
 g gamba tipo de abóbora 
 h humba caracol 
 j jaha rapaz 
 k kaya em casa 
 l kululama ser direito 
 m manu esperteza 
 n nala inimigo 
 p papilo carta 
 q mukhoqo beco 
 r r ibze pedra 
 s sangu esteira 
 
 33
 t tihlo olho 
 v vele seio/mama 
 w woko mão 
 x xaka parente 
 y yingwe leopardo 
 z zinku zinco 
 bh kubhika anunciar 
 bv kubvun’wala mergulhar 
 bz kubzala semear 
 dl mudlyi assassino 
 dz kudzaha fumar 
qg qgeke pátio 
hl hloko cabeça 
lh lhulamethi eucalipto 
ny nyanga curandeiro 
n’q n’qolo carroça 
ny nyeleti estrela 
pf mupfumba hóspede 
ps kupsopsa chupar 
sv wusva papa de farinha de milho 
tl kutlakusa erguer 
ts tsetselelo perdão 
vh vholo manta 
xj xjelera geleira 
zv zvin’we juntos 
 
 34
 
2.2.2.2. Modificação de Consoantes 
As consoantes acima vistas não são modificadas. Contudo, todas elas podem ser produzidas com 
modificação da seguinte maneira: 
a. labialização/velarização: pw, bw, tw, dw, kw, gw, sw, zw, etc. 
b. palatalização: py, by, ty, dy, etc. 
c. pré-nasalização: mph, mb, nth, nd, nkh, ng, etc. 
d. aspiração: ph, th, ch, kh, etc. 
Nota: Cada formando, com a ajuda do seu formador, deve procurar exemplos de palavras em 
que as consoantes são produzidas com modificação. 
2.2.3. Cinyungwe 
Segundo o II Recenseamento Geral da População e Habitação, Firmino (2000), a língua 
Nyungwe é falada com maior proeminência na província de Tete por cerca de 30% da população 
da província. O Nyungwe é a língua da capital provincial de Tete, falada também ao longo do 
Rio Zambeze com maior predominância nos distritos de Changara, Moatize, Chiúta, Cahora 
Bassa, Zumbo e, parcialmente, no distrito de Macanga. 
2.2.3.1. Vogais do Cinyungwe 
O Nyungwe apresenta um sistema vocálico constituído por cinco vogais, conforme se pode ver a 
baixo. 
Grafema exemplo Significado 
a kufamba andar, caminhare kulewa dizer 
i kulima cultivar, capinar 
o kugona dormir 
 u kutenda agradecer 
Para além das vogais, a língua apresenta um sistema de consoantes que se seguem. Os grafemas 
bem como os exemplos foram extraídos de Sitoe e Ngunga (2000: 109-111). 
 
 35
2.2.3.2. Consoantes do Cinyungwe 
Grafema Exemplo Significado 
 p piri dois 
 bh bhatha pato 
 t tola levar 
 dh dhinda horta 
 c combo umbigo 
 j kujayira habituar-se/acustumar-se 
 k kuwona ver 
 g gombe praia fluvial 
 b baba pai 
 d yadidi bom, verdade 
 f famba andar, caminhar 
 v vima adivinhar 
 s masamba folhas, vegetais, verduras 
 sv kusvipa escurecer 
 z misozi lágrimas 
 zv kuzvenga rodopiar 
 x xanu cinco 
 h haci cavalo 
 ps kupsipa cuspir 
 pf pfupa osso 
 bz bzombo bagagem, utensílios 
 bv kubva ouvir 
 ts tsenga cortar lenha 
 dz dzino dente 
 m mulopa sangue 
 n nolo tipo de pedra para afiar facas ou instrumentos pontiagudos 
 ny nyama carne 
 ng´ ng´ombe boi 
 l lero hoje 
 
 36
 r ciropa fígado 
 w wana crianças 
 y yekha sozinho 
2.2.3.3. Modificação de Consoantes 
As consoantes acima vistas não são modificadas. Contudo, todas elas podem ser produzidas com 
modificação da seguinte maneira: 
a. labialização/velarização: pw, bw, tw, dw, kw, gw, sw, zw, etc. 
b. palatalização: py, by, ty, dy, etc. 
c. pré-nasalização: mph, mb, nth, nd, nkh, ng, etc. 
d. aspiração: ph, th, ch, kh, etc. 
 
Nota: Cada formando, com a ajuda do seu formador, deve procurar exemplos de palavras em 
que as consoantes são produzidas com modificação. 
2.2.4. Emakhuwa 
Segundo Katupha (1983) para além da língua portuguesa, a língua Makhuwa constitui a língua 
mais falada em Moçambique com cerca de 20% da população total do país (Sitoe e Ngunga 
2000). Ela é falada com maior proeminência, no território Moçambicano, nas províncias de Cabo 
Delgado, Niassa, Nampula e Zambézia. O Makhuwa, codificado P30 na classificação de Guthrie 
(1967-71), apresenta várias variantes de acordo com a província em que é falado (c.f. Sitoe e 
Ngunga 2000:67). 
(i) Na província de Nampula tem as seguintes variantes 
a. Emakhuwa, falada na cidade capital e arredores, nomeadamente, Mecuburi, 
Muecate, Meconta, parte de Murrupula, Maogovolas, Parte de Robáwe e Lalawa; 
b. Enahara, nos distritos de Mossuril, Ilha de Moçambique, Nacala-Porto, Nacala 
velha e parte de Memba; 
c. Esaaka, nos distritos de Eráti, Nacarôa e parte de Memba; 
d. Esankaci, parte de Angoche; 
e. Emarevoni, parte de Moma e Mongincual; 
 
 37
f. Elomwe, nos distritos de Malema, parte de Ribawe, parte de Murrupula e parte de 
Moma 
 
(ii) Na província de Cabo-delgado as variantes do Emakhuwa são as seguintes: 
a. Emeetto, falada nos distritos de Montepuez, Balama, Namuno, Pemba, Ancuabe, 
Quissanga, parte do distrito de Meluco, Macomia e Mocímboa da praia 
b. Esaaka, nos distritos de Chiúre e Mecúfi 
(iii) Na província da Zambézia, as variantes são as seguintes: 
a. Echirima, falado em Matarica e Cuamba 
b. Emakhuwa, falado em Mecanhelas, Cuamba, Maúa, Nipepe e Metarica 
c. Emeetto, em Marupa e Maúa 
(iv) Na província da Zambézia, as variantes são: 
a. Emakhuwa, falado em Pebane 
b. Elomwe, falado em Gurue, Gilé, Alto Molócue e Ile 
c. Emarevoni, falado numa parte de Pebane 
Para uma melhor assimilação dos conteúdos do presente Módulo, apresenta-se, em seguida, o 
sistema de consoantes e o sistema de vogais da língua Makhuwa. Para cada grafema, apresenta-
se, destacado em negrito, um exemplo de uma palavra que o contenha. 
2.2.4. 1. Vogais do Emakhuwa 
O Makhuwa apresenta um sistema vocálico constituído por dez vogais, das quais 5 são breves 
(as representadas por uma vogal) e outras 5 são longas (as representadas por duas vogais). 
1.a. Vogais breves 
Grafema exemplo 
1.a. a omala ‘acabar’ 
 e omela ‘germinar’ 
 i omila ‘assoar’ 
 o olola ‘trabalho em troca de bens’ 
 u orula ‘despir’ 
 
 38
 
1.b. Vogais longas do Emakhuwa 
 aa omaala ‘calar-se’ 
ee omeela ‘repartir’ 
ii omii la ‘entornar’ 
oo oloola ‘curar’ 
uu oruula ‘fazer emergir’ 
 
Como se pode depreender, as palavras em (1a) e (1b) diferem por uma ter uma vogal breve e a 
outra vogal longa. A distinção destas duas vogais na ortografia (breves e longas) é obrigatória 
porque distingue significados de palavras. Por fazer distinção entre palavras, estas vogais dizem-
se vogais contrastivas. 
2.2.4. 2. Consoantes do Emakhuwa 
Para além das vogais, a língua apresenta um sistema de consoantes que se seguem. Os grafemas 
bem como os exemplos foram extraídos de Sitoe e Ngunga (2000: 109-111). 
Grafema Exemplo Significado 
 c ocaca zangar 
 f ofya queimar 
 h ohela meter ou pôr 
k waakela rachar para alguém 
kh waakhela receber 
l olelo hoje 
m maama mãe 
n niino dente 
ny onyoonya aborrecido 
ng ongonga ressonar 
p epula chuva 
ph ephula nariz 
 
 39
r orupa dormir 
s osoma ler 
sh eshma massa 
t oteka construir 
th otheka descascar/bebida 
tt otteka abrir 
tth ottheka ofensa 
v ovava voar 
 
2.2.4. Modificação de Consoantes 
As consoantes acima vistas não são modificadas. Contudo, todas elas podem ser produzidas com 
modificação da seguinte maneira: 
a. labialização/velarização: pw, bw, tw, dw, kw, gw, sw, zw, etc. 
b. palatalização: py, by, ty, dy, etc. 
c. pré-nasalização: mph, mb, nth, nd, nkh, ng, etc. 
d. aspiração: ph, th, ch, kh, etc. 
 
Nota: Cada formando, com a ajuda do seu formador, deve procurar exemplos de palavras em 
que as consoantes são produzidas com modificação. 
2.2.5. Cisena 
Segundo Sitoe e Ngunga (2000: 105), o Cisena é falado em quatro província, a saber: Sofala, 
Manica, Zambézia e Tete por cerca de 900 falantes segundo o II Recenseamento Geral da 
População e Habitação de 1997. 
A língua Sena apresenta as seguintes variantes: 
a) Sena Tonga, falada no norte e no centro de Sofala, e nas fronteiras de Tete e Zambézia 
b) Sena Caia (“Sena do Norte”), falada nas províncias de Tete e provavelmente em 
Zambézia 
c) Sena Bangwe (“Sena do Sul”), falada na Beira 
 
 40
 d) Sena Phondzo, falada entre Sofala e Zambézia (de Marromeu, até Chinde) e Mopeia 
(Zambézia) 
 e) Sena Gombe, falada em Caia, Mutarara, Chemba (litoral), Chiringoma e a parte do litoral 
da Zambézia 
 f) Sena Gorongodzi, falado na área do Monte Gorongoza 
A Variante que foi tomada como sendo de referência é o Cisena de Caia 
2.2.5.1.Vogais do Cisena 
 Grafema Exemplo Significado 
 a mbati dizendo 
 e kule no chão 
 i ine eu 
 o nyoka cobra 
 u kutuma enviar 
 
Para além das vogais, a língua apresenta um sistema de consoantes que se seguem. os grafemas 
bem como os exemplos foram extraídos de Sitoe e Ngunga (2000: 109-111) 
2.2.5.2.Consoantes do Cisena 
Grafema Exemplo Significado 
 b kubala dar à luz 
 c cala dedo 
 d dimba horta 
 f kufamba andar, caminhar 
 g kugeya arrotar 
 h hadadya não comeu 
 j janela janela 
 k nkaka leite 
 l kulura chorar 
 
 41
 m manja mãos 
 n nana irmã mais velha 
 p pano aqui 
 r kur irima afogar-se 
 s tsisi cabelo 
 t kutowera perseguir 
 v kuvala vestir-se 
 w kutowera perseguir 
 x xamwali amigo 
 y yanga meu/minha 
 z kuzungunuka voltar-se 
 bh ubhudhu espécie de bebida 
 bv bvumbe rato 
 bz kubzala semear 
 ch chiru ratinho de casa 
 dh ubhudhu espécie de bebida 
 dj djanja palma da mão 
 dz dzai ovo 
 ng’ ng’ombe boi 
 ny nyanga corno 
 pf kupfuma ser rico 
 ps psiru maluco 
 ts tsamira encostar 
2.2.5.3. Modificação de Consoantes 
As consoantes acima vistas não são modificadas.Contudo, todas elas podem ser produzidas com 
modificação da seguinte maneira: 
a. labialização/velarização: pw, bw, tw, dw, kw, gw, sw, zw, etc. 
b. palatalização: py, by, ty, dy, etc. 
c. pré-nasalização: mph, mb, nth, nd, nkh, ng, etc. 
d. aspiração: ph, th, ch, kh, etc. 
 
 42
Nota: Cada formando, com a ajuda do seu formador, deve procurar exemplos de palavras em 
que as consoantes são produzidas com modificação. 
2.2.6. Ciyaawo 
CIYAO é uma língua do grupo P.20 (na classificação de Guthrie 1967-71) onde tem o código 
P.21. para além do Yao, o grupo P.20 inclui as línguas Shimakonde, Cimwela, Cimakwe dentre 
outras. Ciyao é falada principalmente em três países, a saber: Malawi, Moçambique e Tanzania. 
O total de falantes nos três países é estimada em cerca de um milhão e meio (Sitoe e Ngunga 
2000, Ngunga 2004). 
2.2.6.1. Vogais do Ciyaawo 
O Yao apresenta um sistema vocálico constituído por dez vogais sendo cinco vogais breves e 
cinco vogais longas. Considera-se que a língua tem 10 vogais porque a duração da vogal (o 
tempo que se leva a se produzir a vogal) distingue significados nesta língua. Veja-se os seguintes 
exemplos extraídos de Sitoe e Ngunga (2000): 
1.a. Vogais breves 
Grafema exemplo 
 a kupata ‘obter, adquirir’ 
 e kupeta ‘ornamentar’ 
 i kucima ‘odiar’ 
 o kusoma ‘picar’ 
 u kuputa ‘apagar’ 
As vogais apresentadas acima são breves. Em 1.b., apresenta-se as vogais vogais longas da 
língua 
1.b. Vogais longas 
 a kupaata ‘sacudir/limpar (com a mão)’ 
 e kupeeta ‘peneirar’ 
 i kuciima ‘ofegar’ 
 o kusooma ‘estudar, ler’ 
 u kupuuta ‘bater’ 
 
 43
As palavras, nos exemplos 1a e 1b, diferem uma da outra pelo facto de a penúltima vogal delas 
ser breve em 1a e longa em 1b. Por isso se diga que a língua tenha um sistema com 10 vogais. 
2.2.6.2. Consoantes do Ciyaawo 
Para além das vogais, a língua apresenta um sistema de consoantes. Os grafemas bem como os 
exemplos foram extraídos de Sitoe e Ngunga (2000) 
Grafema Exemplo Significado 
b baaba pai 
c cici? o quê? 
d kudila chorar 
g kugava dividir 
j kujajavala furar 
k kukaana negar 
l lilasi calvície 
m maama mãe 
n kunonopa ser duro ou caro 
ny kunyana fazer comichão 
ng’ ng’ombe boi, vaca 
p peete anel 
r ndr i!... ideofone de campainha 
s kuseka rir 
t kutiila fugir 
v kuvava amargar 
w kuwa morrer 
y yaala dedos 
 
 44
 
2.2.6.3. Modificação de Consoantes 
As consoantes acima vistas não são modificadas. Contudo, todas elas podem ser produzidas com 
modificação da seguinte maneira: 
a. labialização/velarização: pw, bw, tw, dw, kw, gw, sw, zw, etc. 
b. palatalização: py, by, ty, dy, etc. 
c. pré-nasalização: mph, mb, nth, nd, nkh, ng, etc. 
d. aspiração: ph, th, ch, kh, etc. 
 
Nota: Cada formando, com a ajuda do seu formador, deve procurar exemplos de palavras em 
que as consoantes são produzidas com modificação. 
2.3. Recursos de Aprendizagem: 
Exploração da lista de palavras da seguinte maneira: 
• Seleccionar 3 formandos que falem línguas diferentes 
• Na ordem das palavras desta lista, pedir aos mesmos para que, à vez, digam a 
palavra no singular e no plural; 
• O formador vai anotando as palavras num quadro; 
• No fim disso, proceder como se fez nesta lição. 
 
Lista de palavras 
 Singular Plural 
39. pessoa ................................... ............................................. 
40. rapariga ...................................... ............................................. 
41. rapaz ..................................... . ............................................. 
42. criança ...................................... .. ........................................... 
43. cabeça ....................................... ............................................. 
44. cabelo ....................................... ............................................. 
45. face ........................................ ............................................. 
 
 45
46. bochecha ........................................ ............................................. 
47. olho ..................................... . ............................................ 
48. boca ..................................... . ............................................ 
49. dente ..................................... . ............................................ 
50. gengiva ..................................... . ............................................ 
51. língua (órgão). ..................................... . ............................................ 
52. saliva ...................................... . ............................................ 
53. orelha ...................................... . ............................................ 
54. pescoço ...................................... ... .......................................... 
55. costas ....................................... ... .......................................... 
56. peito ....................................... ... .......................................... 
57. barriga ...................................... .... ......................................... 
58. umbigo ...................................... .... ......................................... 
59. pele ...................................... ..... ........................................ 
60. nádega (tabú) ...................................... ..... ........................................ 
61. pulmão ..................................... .... ......................................... 
62. coração ...................................... ..... ........................................ 
 
63. animal ...................................... ............................................. 
64. porco ....................................... .. ........................................... 
65. galinha ....................................... ... .......................................... 
66. cão ....................................... ... .......................................... 
67. cabrito ....................................... ..... ........................................ 
68. gato ........................................ ............................................. 
69. pato ........................................ ............................................. 
70. leão ..................................... ..... ........................................ 
71. leopardo ..................................... .... ......................................... 
72. elefante ..................................... .... ......................................... 
73. crocodilo ..................................... .... ......................................... 
74. hipopótamo ..................................... .... ......................................... 
75. boi ..................................... .... ......................................... 
76. pássaro ..................................... ... .......................................... 
 
 
 46
2.4. Actividades 
O aluno deve preencher a tabela comparativa que se segue usando a sua língua materna. Depois 
confronta-a na sala de aulas em grupos linguísticos (grupo de falantes da mesma língua). Feito 
isso, vão confrontar os resultados com as tabelas das outras línguas existentes na sala de aulas. A 
tabela comparativa ajuda o aluno a distinguir a ortografia que já conhece e esta familiarizado, a 
ortografia do Português, da ortografia das línguas bantu. 
 
Tabela Comparativa dos Grafemas do Português com a Língua primeira (L1) 1 
Ordem Grafemas 
do 
Português 
(L2) 
Grafemas de 
(L1) 
____________ 
com mesma 
escrita em 
Português (L2) 
Grafemas de (L1) 
________ com a 
mesma escrita em 
Português (L2) 
mas com som 
diferente 
Grafemas que sóexistem em (L1) 
 ______________ 
Listagem de todos 
os grafemas de 
(L1) 
______________ 
1. a 
2. b 
3. c 
4. d 
5. e 
6. f 
7. g 
8. h 
9. i 
10. j 
11. k 
12. l 
13. m 
14. n 
 
1 INDE-UEM 
 
 47
15. o 
16. p 
17. q 
18. r 
19. s 
20. t 
21. u 
22. v 
23. x 
24. w 
25. y 
26. z 
27. 
28. 
29. 
30. 
31. 
32. 
33. 
34. 
35. 
 
 
2.5. Autoavaliação: 
Responda a seguintes perguntas com base no quadro comparativo. 
1. Quais as principais diferenças entre a ortografia do Português e da sua língua 
materna quando a: 
a. Vogais 
b. Consoantes 
 
 48
2. Passe para o teu caderno e dê, pelo menos, 4 exemplos de palavras contendo esses 
grafemas: 
a. 5 consoantes modificadas por aspiração [h] 
b. 5 consoantes modificadas por labialização [w] 
c. 5 consoantes modificadas por pré-nasalização [NC] 
d. 5 consoantes modificadas mais de uma vez 
3. Elabore um texto de, pelo menos, 100 palavras, sobre a sua infância. 
2.6. Chave de Correcção 
 
A chave de correcção depende da língua. 
 
2.7. Bibliografia Complementar 
Ngunga, Armindo. 2004. Introdução à Linguística Bantu. Maputo: Imprensa Universitária. 
Ngunga, Armindo e Osvaldo Faquir. 2011. Padronização da Ortografia de Línguas 
Moçambicanas: Relatório do III Seminário. Maputo: CEA. 
Sitoe, Bento e Armindo Ngunga. 2000. Relatório do II Seminário de Padronização da 
Ortografia de línguas moçambicanas. Maputo: NELIMO, Universidade Eduardo 
Mondlane. 
Sitoe, Bento. 1996. Dicionário Changana – Português. Maputo: INDE 
 
 49
3. Morfologia Nominal 
 Com a ortografia das línguas bantu e tendo praticado a sua escrita na unidade anterior, o 
aluno sabe escrever a sua língua materna e tem bons conhecimentos da ortografia das outras 
línguas existentes na sala de aulas. Nesta unidade, o aluno aprenderá como é que o nome é 
organizado nas línguas bantu. Por exemplo, tendo como referência a língua portuguesa, que é a 
língua em que mais está familiarizado, o plural nas línguas bantu é formado por prefixação e não 
por sufixação (munhu ‘pessoa’ vs vanhu ‘pessoas’). Como se pode ver, para formar o plural em 
português basta acrescentar a letra s enquanto para as línguas bantu o prefixo mu- é substituído 
pelo prefixo va-. Esta e outras diferenças devem ser do domínio do formando. 
 O desenvolvimento desta unidade terá em conta as seis línguas acima mencionadas, 
nomeadamente, Citswha, Xichangana, Cinyungwe, Cisena, Emakhuwa e Ciyaawo. 
3.1. Estrutura do nome nas línguas bantu 
O nome nas línguas bantu apresenta a estrutura do tipo: Prefixo nominal + tema nominal 
(Ngunga 2004, Sitoe 1996, Katupha 1985) 
3.1.1. Morfologia do Nome de Citswha 
As palavras da língua Citswa, como da maior parte das línguas bantu, estão organizadas em 
grupos com prefixo específicos e com base nesse grupo se desencadeia o processo de 
concordância. A esse grupo de palavras que obedecem ao mesmo padrão de concordância 
designam-se Classes nominais (Ngunga 2000, Sitoe 1996, Guthrie 1974-91). Assim, a tabela 
que se segue apresenta o sistema de classes nominais em Citshwa. 
 
 50
 
Tabela 1: Classes e prefixos nominais da Língua Citswha 
Classes Prefixos Exemplos Significado 
1 mu- 
 
mu-nhu ‘pessoa’ 
2 va- 
 
va-nhu ‘pessoas’ 
3 mu- N-sinya ‘árvore’ 
4 mi- mi-sinya ‘árvores’ 
5 di- di-n’wa ‘laranja’ 
6 ma- ma-din’wa ‘laranjas’ 
7 ci- ci-manga ‘gato’ 
8 zvi- zvi-manga ‘gatos’ 
9 N- ngonyama ‘crocodilo’ 
10 Ti(n)- tingonyama ‘crocodilos’ 
14 (w)u- (w)u-sva ‘farinha de milho’ 
15 ku- ku-peta ‘meter, introduzir’ 
 
 
 51
Como se pode observar, em Citshwa, os nomes são agrupados em 14 classes nominais de acordo 
com a sua concordância inicial ou prefixo. 
3.1.1.1. Prefixos primários vs secundários 
A noção de prefixo primário e de prefixo secundário é associada à função dos prefixos. Os 
prefixos acima vistos podem ser considerados primários. Segundo Ngunga (2004:118) “de uma 
forma geral, os prefixos com função basicamente secundária são aqueles que se podem afixar 
tanto em nomes completos como em temas nominais e alteram a semântica nuclear do tema” 
como se pode ver nos seguintes exemplos: 
1.a. n’wana ‘criança’ 
 vana ‘crianças’ 
b. tafula ‘mesa’ 
 matafula ‘mesas’ 
c. Nhloko ‘cabeça’ 
 tinhloko ‘cabeças’ 
Em (1) estão apresentados nomes distribuídos em classes nominais. Assim, o nome em (1a) está 
nas classes 1 e 2 onde o singular é expresso pelo morfema mu- e o plural pelo morfema va-. Em 
(1b), classes 5 e 6, em que zero marca o prefixo da classe 5 e ma-a classe 6. Em (1c), a classe 9 e 
classe 1º é expressa por N- e a classe 10 por tin-. Estes prefixos por serem aqueles em que o 
nome é naturalmente inserido, chamam-se prefixos primários pela função que desempenham. 
Todos os nomes em (1), podem ser alterados a sua semântica para, por exemplo, expressar a 
ideia de pequenez: 
2.a. cimunhwana ‘pessoa pequena’ 
 zvivanhwana ‘‘pessoas pequenas’ 
b. cinhlokwana ‘cabeça pequena’ 
 zvinhloko ‘cabeças pequenas’ 
c. citinywana ‘dente pequeno’ 
 zvitinywana ‘dentes pequenos’ 
Em (2) mostra os nomes vistos em (1) mas, desta vez, adicionados prefixos secundários, pois, 
semanticamente, através dos morfemas ci- e -ana, exprime-se a ideia de pequenez. Assim, o 
prefixo da classe 7 desempenha, nesta palavra, uma função secundária que é a de modificar a 
palavra do seu sentido normal para o de pequenez. 
 
 52
3.1.1.2. Aumentativos e diminutivos 
Os graus aumentativos e diminutivos dos nomes têm também a ver com a função secundária dos 
prefixos nominais. Em (2), acima, a função secundária de xi- combinado com -ana visa expressar 
o diminutivo (pequenez) ao passo que, em Citswha, o aumentativo é expresso através da 
adjunção à palavra inicial da palavra -nkulu ‘grande’ como se pode ver em 3: 
3.a. munhu munkulu ‘pessoa grande’ 
 vanhu vakulu ‘pessoas grandes’ 
b. nhloko yikulu ‘cabeça grande’ 
 tinhloko tikulu ‘cabeças grandes’ 
c. tinyo rikulu ‘dente grande’ 
 matinyo makulu ‘dentes grandes’ 
3.1.1.3. Locativização 
Locativização é o nome que se dá à localização de coisas no tempo e/ou no espaço. Este processo 
é feito morfologicamente através de prefixos com função secundária. Em Citswha, a 
locativização é morfologicamente expressa pelo sufixo -eni, como se pode ver nos exemplos que 
se seguem: 
4.a. nhlaneni < nhlana + eni ‘nas costas’ 
 nhloko < nhloko + eni ‘na cabeça’ 
Em (4), apresenta-se a locativização expressa por sufixação do -ini em (4a) e -eni, em (4b). Para 
além do uso do sufixo -ini ou -eni, a locativização pode ser feita usando o partícula ka-: 
5. kanhloko ‘na cabeça’ 
 kanhlana ‘nas costas’ 
Como se pode ver, os exemplos (5) mostram que o prefixo ka- também expressa a locativização 
nesta língua. 
 
 
 
 
 53
3.1.1.4. Integração de empréstimos em classes nominais 
O empréstimo é um processo de formação de neologismos que “todas as línguas modernas 
utilizam no seu dia-a-dia”. Os empréstimos podem entrar directamente na língua acolhedora, sem 
qualquer transformação, ou podem sofrer alguma transformação de modo a acomodar-se à 
estrutura morfo-sintáctica da nova língua” (Mendes, 2010:144). A importação de novas unidades 
lexicais numa língua alvo obedece basicamente a dois processos, a saber: (i) o processo de 
importação do item lexical e (ii) o processo de acomodação do mesmo na nova língua. O 
primeiro processo é extra linguístico e é basicamente movido pelo contacto de povos e pela 
necessidade denominativa das novas realidades (Correia e Lemos 2005) ao passo que o segundo 
tem a ver exclusivamente com os factores linguísticos e se preocupa pela acomodação 
fonológica, morfológica e sintáctica do termo importado.6. komputadhori ‘computador’ 
bhuku ‘livro’ 
cikola ‘escola’ 
Em (6) estão apresentadas palavras que não existindo originariamente no Citswha, foram 
emprestadas de outras línguas. As palavras que designam computador e escola vêm do 
Português, mas a palavra que designa livro vem do Inglês book. 
3.1.2. Morfologia do Nome de Xichangana 
As palavras da língua Changana, como da maior parte das línguas bantu, estão organizadas em 
grupos que prefixo específicos e com base nesse grupo se desencadeia o processo de 
concordância. A esse grupo de palavras que obedecem ao mesmo padrão de concordância 
designam-se Classes nominais (Ngunga 2000, Sitoe 1996, Guthrie 1974-91). Assim, a tabela que 
se segue apresenta o sistema de classes nominais em Changana. 
 
 54
 
Tabela 1: Classes e prefixos nominais da Língua Changana 
 
Classes Prefixos Exemplos Significado 
1 mu- Mu-nhu ‘pessoa’ 
2 va- Va-nhu ‘pessoas’ 
3 mu- N-sinya ‘árvore’ 
4 mi- mi-sinya ‘árvores’ 
5 di- di-n’wa ‘laranja’ 
6 ma- Ma-din’wa ‘laranjas’ 
7 ci- ci-manga ‘gato’ 
8 zvi- Zvi-manga ‘gatos’ 
9 N- Ngonyama ‘crocodilo’ 
10 Ti(n)- tingonyama ‘crocodilos’ 
14 (w)u- (w)u-sva ‘farinha de milho’ 
15 ku- Ku-peta ‘meter, introduzir’ 
 
Como se pode observar, em Changana, os nomes são agrupados em 14 classes nominais de 
acordo com a sua concordância inicial ou prefixo. 
 
 
 55
3.1.2.1. Prefixos primários vs secundários 
A noção de prefixo primário e de prefixo secundário é associada à função dos prefixos. Os 
prefixos acima vistos podem ser considerados primários. Segundo Ngunga (2004:118) “de uma 
forma geral, os prefixos com função basicamente secundária são aqueles que se podem afixar 
tanto em nomes completos como em temas nominais e alteram a semântica nuclear do tema” 
como se pode ver nos seguintes exemplos: 
1.a. munhu ‘pessoa’ 
 vanhu ‘pessoas’ 
b. nhloko ‘cabeça’ 
 tinhloko ‘cabeça’ 
c. tinyo ‘dente’ 
 matinyo ‘dentes’ 
Em (1) estão apresentados nomes distribuídos em classes nominais. Assim, o nome em (1a) esta 
na classe 1 e 2 onde o singular é expresso pelo morfema mu- e o plural pelo morfema va-. Em 
(1b), classes 9 e 10, em que a classe 9 é expressa por N- e a classe 10 por tin-. Em (1c), as classes 
5 e 6 em que, zero marca o prefixo da classe 5 e ma- o da classe 10. Estes prefixos por serem 
aqueles em que o nome é naturalmente inserido, chamam-se prefixos primários pela função que 
desempenham. Todos os nomes em (1), podem ser alterados a sua semântica para, por exemplo, 
expressar a ideia de pequenez: 
2.a. ximunhwana ‘pessoa pequena’ 
 svivanhwana ‘‘pessoas pequenas’ 
b. xinhlokwana ‘cabeça pequena’ 
 svinhloko ‘cabeças pequenas’ 
c. xitinywana ‘dente pequeno’ 
 svitinywana ‘dentes pequenos’ 
Em (2) mostra os nomes vistos em (1) mas, desta vez, adicionados prefixos secundários, pois, 
semanticamente, através dos morfemas xi- e -ana, exprime-se a ideia de pequenez. Assim, o 
prefixo da classe 7 desempenha, nesta palavra, uma função secundária que é a de modificar a 
palavra do seu sentido normal para o de pequenez. 
 
 
 56
3.1.2.2. Aumentativos e diminutivos 
Os graus aumentativos e diminutivos dos nomes têm também a ver com a função secundária dos 
prefixos nominais. Em (2), acima, a função secundária de xi- combinado com -ana visa expressar 
o diminutivo (pequenez) ao passo que, em Changana, o aumentativo é expresso através da 
adjunção à palavra inicial da palavra -nkulu ‘grande’ como se pode ver em 3: 
3.a. munhu munkulu ‘pessoa grande’ 
 vanhu vakulu ‘pessoas grandes’ 
b. nhloko yikulu ‘cabeça grande’ 
 tinhloko tikulu ‘cabeças grandes’ 
c. tinyo rikulu ‘dente grande’ 
 matinyo makulu ‘dentes grandes’ 
3.1.2.3. Locativização 
Locativização é o nome que se dá à localização de coisas no tempo e/ou no espaço. Este processo 
é feito morfologicamente através de prefixos com função secundária. Em Changana, a 
locativização é morfologicamente expressa pelo sufixo –ini ou -eni, como se pode ver nos 
exemplos que se seguem: 
4.a. nsimwini < nsimu+ini ‘na machamba cultivada’ 
 ndlopfhwini < ndlopfhu + ini ‘no elefante’ 
 nomwini < nomu + ini ‘na boca’ 
 b. misaveni < misava + ini ‘na terra’ 
 khaleni < khala + ini ‘no carvão’ 
 mangeni < manga + ini ‘na manga’ 
 xikhambeni < xikhamba + ini ‘no cafuro’ 
Em (4), apresenta-se a locativização expressa por sufixação do -ini em (4a) e -eni, em (4b). Para 
além do uso do sufixo -ini ou -eni, a locativização pode ser feita usando o partícula ka-: 
5. kamunhu ‘na pessoa’ 
 kavanhu ‘nas pessoas’ 
 kanhloko ‘na cabeça’ 
 katinhloko ‘nas cabeça’ 
 katinyo ‘no dente’ 
 
 57
 kamatinyo ‘nos dentes’ 
Como se pode ver, os exemplos (5) mostram que o prefixo ka- também expressa a locativização 
nesta língua. 
3.1.2.4. Integração de empréstimos em classes nominais 
O empréstimo é um processo de formação de neologismos que “todas as línguas modernas 
utilizam no seu dia-a-dia. Os empréstimos podem entrar directamente na língua acolhedora, sem 
qualquer transformação, ou podem sofrer alguma transformação de modo a acomodar-se à 
estrutura morfo-sintáctica da nova língua” (Mendes, 2010:144). A importação de novas unidades 
lexicais numa língua alvo obedece basicamente a dois processos, a saber: (i) o processo de 
importação do item lexical e (ii) o processo de acomodação do mesmo na nova língua. O 
primeiro processo é extra linguístico e é basicamente movido pelo contacto de povos e pela 
necessidade denominativa das novas realidades (Correia e Lemos 2005) ao passo que o segundo 
tem a ver exclusivamente com os factores linguísticos e se preocupa pela acomodação 
fonológica, morfológica e sintáctica do termo importado. 
5.a. prisori ‘professor’ 
 prisora ‘professora’ 
 governadori ‘governador’ 
 governadora ‘governadora’ 
b. apagadori ‘apagador’ 
 kwadru ‘quadro’ 
 xjixji ‘giz’ 
Em (5) estão apresentadas palavras que não são originariamente do Changana. Para efeitos de 
nomear estas realidades, a língua Changana pediu emprestado as palavras ao português. Para 
além desta língua, as palavras podem ser emprestadas de outras línguas (Inglês, Francês, etc) 
deste que tenha havido contacto entre os povos falantes dessas línguas com o Changana. Em 
(5a), a palavra professor foi transformada ao entrar para o Changana tendo ficado prisori. Alguns 
changanas usam a palavras thica que vem do inglês teacher. As palavras em (b) são do uso 
comum na sala de aulas. Também forma emprestadas de outras línguas. 
 
 
 58
3.1.3. Morfologia do Nome de Cinyungwe 
As palavras da língua Nyungwe, como da maior parte das línguas bantu, estão organizadas em 
grupos que prefixo específicos e com base nesse grupo se desencadeia o processo de 
concordância. A esse grupo de palavras que obedecem ao mesmo padrão de concordância 
designam-se Classes Nominais (Ngunga 2000, Sitoe 1996, Guthrie 1974-91). Assim, a tabela que 
se segue apresenta o sistema de classes nominais em Nyungwe. 
Classes nominais de Nyungwe 
Classes Pref.ixos Exemplos Significado 
1 mu- mu-nthu 'pessoa' 
2 wa- wa-nthu 'pessoas' 
3 mu- mu-lomo 'boca' 
4 mi- mi-lomo 'bocas' 
5 di- di-so 'olho' 
6 ma- ma-so 'olhos’ 
7 ci- ci-pfu 'estômago' 
8 bzi- bzi-pfu 'estômagos' 
9 N- n-khalamba 'velho' 
10 N- n-khalamba 'velho' 
12 ka- ka-mwana 'criancinha' 
13 tu- tu-ana 'criancinhas' 
14 u- u-tsi 'fumo' 
15 ku- ku-lira 'chorar' 
16 pa- pa-nyumba 'em casa' 
17 ku- ku-nyumba 'para casa' 
18 mu- mu-nyumba 'dentro da casa' 
 
 59
Como se pode observar, em Nyungwe, os nomes são agrupados em 18 classes nominais de 
acordo com a sua concordância inicial ou prefixo. 
3.1.3.1. Prefixos primários vs secundários: Aumentativos e diminutivos 
Os graus aumentativos e diminutivos dos nomes têm também a ver com a função secundária dos 
prefixos nominais. Em (2), acima, a função secundária de xi- combinado com-ana visa expressar 
o diminutivo (pequenez) ao passo que, em Changana, o aumentativo é expresso através da 
adjunção à palavra inicial da palavra -nkulu ‘grande’ como se pode ver em 2: 
2a. kadiso ‘olhinho’ 
kacala ‘dedinho’ 
b. tumaso ‘olhinhos’ 
tucala ‘dedinhos’ 
Como se pode ver, os exemplos (2) mostram a função secundária dos prefixos nominais. Ao 
contrário do que se viu em Citswha e Changana em que a diminutivização ou pequenez é 
expressa pelo morfema da classe 7 combinada com –ana, em Cinyungwe, esta noção é expressa 
através de prefixos nominais da classe 12 (ka-) e da classe 13 (tu-). O aumentantivo por sua vez, 
é expresso através da adjunção da palavra –nkulu ‘grande’ à palavra que se pretende avaliar 
como se pode ver nos seguintes exemplos: 
3. diso dikulu ‘olho grande’ 
cala cikulu ‘dedo grande’ 
 mwana mukulu ‘criança grande’ 
Em 3 mostra o aumentativo em Cinyungwe expresso pela palavra -nkulu ‘grande’ que tem o 
prefixo di- se o nome dor da classe 5, ci- se o nome for da classe 7 e mu- se o nome for da classe 
1, respectivamente. 
3.1.3.2. Locativização 
Nesta língua, a locativização é feita por prefixação, i.e., através de um prefixo nominal para 
exprimir, nomeadamente: a situação, a direcção e a interioridade. 
 
 
 60
3.1.3.2.1. Locativização Situacional 
Este locativo é expressa, normalmente, a ideia de “em/por cima, em/por baixo, área aberta, etc” 
(c.f. Ngunga 2004:125), como mostram os seguintes exemplos 
4. panyumba 'em casa' 
pamunda 'na machamba' 
pathupi 'no corpo' 
3.1.3.2.2. Locativização Direccional 
Este locativo expressa a ideia de movimento (para, rumo a) e aproximação ou afastamento de 
algo (lá, ali ou cá) (c.f. Ngunga 2004). Vejam-se os seguintes exemplos: 
5. kunyumba ‘para casa’ 
kumunda ‘para a machamba’ 
kuthupi ‘para o corpo’ 
Como se pode ver, os exemplos acima indicam a direcção para a qual alguém ou algo se desloca. 
3.1.3.2.3. Locativização de Interioridade 
Esta locativização expressa o local ou estado de uma dada acção numa determinada unidade de 
tempo (c.f. Ngunga 2004). Vejam-se os seguintes exemplos: 
6. munyumba ‘em casa’ 
mumunda ‘na machamba’ 
muthupi ‘no corpo’ 
Em (6) mostram-se exemplos em que o prefixo mu- é prefixado a nomes para expressar a ideia 
de interioridade. 
3.1.3.3. Integração de empréstimos em classes nominais 
O empréstimo é um processo de formação de neologismos que “todas as línguas modernas 
utilizam no seu dia-a-dia. Os empréstimos podem entrar directamente na língua acolhedora, sem 
qualquer transformação, ou podem sofrer alguma transformação de modo a acomodar-se à 
estrutura morfo-sintáctica da nova língua” (Mendes, 2010:144). A importação de novas unidades 
lexicais numa língua alvo obedece basicamente a dois processos, a saber: (i) o processo de 
importação do item lexical e (ii) o processo de acomodação do mesmo na nova língua. O 
 
 61
primeiro processo é extra linguístico e é basicamente movido pelo contacto de povos e pela 
necessidade denominativa das novas realidades (Correia e Lemos 2005) ao passo que o segundo 
tem a ver exclusivamente com os factores linguísticos e se preocupa pela acomodação 
fonológica, morfológica e sintáctica do termo importado. 
7. komputadol ‘computador’ 
 makomputadol ‘computadores’ 
pirisoli ‘professor’ 
mapirisoli ‘professores’ 
Em (7) estão apresentadas palavras que não são originariamente de Cinyungwe por isso forma 
emprestadas de outras línguas, neste caso do Português. Para as palavras serem bem acomodadas 
em Nyungwe perderam a sua estrutura inicial chegadas a esta língua. Por exemplo, o r de 
computador passou para l em Cinyungwe e a mesma palavra foi integrada na classe 5 e 6. Para o 
caso da palavra professor em Português, também foi integrada na classe 5 e 6 e a sílaba pro foi 
transformada para duas sílabas, designadamente, pi… e ri.. 
 
 62
3.1.4. Morfologia Nominal do Cisena 
As palavras da língua Sena, como da maior parte das línguas bantu, estão organizadas em grupos 
que prefixo específicos e com base nesse grupo se desencadeia o processo de concordância. A 
esse grupo de palavras que odedecem ao mesmo padrão de concordância designam-se Classes 
nominais (Ngunga 2000, Sitoe 1996, Guthrie 1974-91). Assim, a tabela que se segue apresenta o 
sistema de classes nominais em Sena. 
Classes e prefixos nominais do Cisena 
Classes Prefixos Exemplos Significado 
1 mu- mu-nthu 'pessoa' 
2 wa- wa-nthu 'pessoas' 
3 mu- mu-lomo 'boca' 
4 mi- mi-lomo 'bocas' 
5 di- di-so 'olho' 
6 ma- ma-so 'olhos' 
7 ci- ci-pfu 'estômago' 
8 bzi- bzi-pfu 'estômagos’ 
9 N- N-khalamba 'velho’ 
10 N- N-khalamba 'velho' 
12 ka- ka-mwana 'criancinha' 
13 tu- tu-ana 'criancinhas' 
14 u- u-tsi 'fumo' 
15 ku- ku-lira 'chorar' 
16 pa- -nyumba 'em casa' 
17 ku- -nyumba 'para casa' 
18 mu- -nyumba 'dentro da casa' 
 
 63
Como se pode observar, no Sena, os nomes são agrupados em 18 classes nominais de acordo 
com a sua concordância inicial ou prefixo. 
3.1.4.1. Prefixos primários vs secundários: Aumentativos e diminutivos 
Os graus aumentativos e diminutivos dos nomes têm também a ver com a função secundária dos 
prefixos nominais. Em (2), acima, a função secundária de xi- combinado com -ana visa expressar 
o diminutivo (pequenez) ao passo que, em Cisena, o aumentativo é expresso através da adjunção 
à palavra inicial da palavra -nkulu ‘grande’ como se pode ver em 2: 
2a. kadiso ‘olhinho’ 
kacala ‘dedinho’ 
b. tumaso ‘olhinhos’ 
tucala ‘dedinhos’ 
 
Como se pode ver, os exemplos (2) mostram a função secundária dos prefixos nominais. Ao 
contrário do que se viu em Citswha e Changana em que a diminutivização ou pequenez é 
expressa pelo morfema da classe 7 combinada com –ana, em Cisena, esta noção é expressa 
através de prefixos nominais da classe 12 (ka-) e da classe 13 (tu-). O aumentantivo por sua vez, 
é expresso através da adjunção da palavra –nkulu ‘grande’ à palavra que se pretende avaliar 
como se pode ver nos seguintes exemplos: 
3. diso dikulu ‘olho grande’ 
cala cikulu ‘dedo grande’ 
 mwana mukulu ‘criança grande’ 
Em 3 mostra o aumentativo em Cisena expresso pela palavra -nkulu ‘grande’ que tem o prefixo 
di- se o nome dor da classe 5, ci- se o nome for da classe 7 e mu- se o nome for da classe 1, 
respectivamente. 
3.1.4.2. Locativização 
Nesta língua, a locativização é feita por prefixação, i.e., através de um prefixo nominal para 
exprimir, nomeadamente: a situação, a direcção e a interioridade. 
 
 
 64
3.1.4.2.1. Locativização Situacional 
Este locativo expressa, normalmente, a ideia de “em/por cima, em/por baixo, área aberta, etc” 
(c.f. Ngunga 2004:125), como mostram os seguintes exemplos 
4. panyumba 'em casa' 
pamunda 'na machamba' 
pathupi 'no corpo' 
3.1.4.2.2. Locativização Direccional 
Este locativo expressa a ideia de movimento (para, rumo a…) e aproximação ou afastamento de 
algo (lá, ali ou cá) (c.f. Ngunga 2004). Vejam-se os seguintes exemplos: 
5. kunyumba ‘para casa’ 
kumunda ‘para a machamba’ 
kuthupi ‘para o corpo’ 
Como se pode ver, os exemplos acima em (5) indicam a direcção para a qual alguém ou algo se 
desloca. 
3.1.4.2.3. Locativização de Interioridade 
Esta locativização expressa o local ou estado de uma dada acção numa determinada unidade de 
tempo (c.f. Ngunga 2004). Vejam-se os seguintes exemplos: 
6. munyumba ‘em casa’ 
mumunda ‘na machamba’ 
muthupi ‘no corpo’ 
Em (6) mostram-se exemplos em que o prefixo mu- é prefixado a nomes para expressar a ideia 
de interioridade. 
 
 
 
 65
3.1.4.3. Integração de empréstimos em classes nominais 
O empréstimo é um processo de formação de neologismos que “todas as línguas modernas 
utilizam no seu dia-a-dia. Os empréstimos podem entrar directamente na língua acolhedora, sem 
qualquer transformação, ou podem sofrer alguma transformação de modo a acomodar-se à 
estrutura morfo-sintácticada nova língua” (Mendes, 2010:144). A importação de novas unidades 
lexicais numa língua alvo obedece basicamente a dois processos, a saber: (i) o processo de 
importação do item lexical e (ii) o processo de acomodação do mesmo na nova língua. O 
primeiro processo é extra linguístico e é basicamente movido pelo contacto de povos e pela 
necessidade denominativa das novas realidades (Correia e Lemos 2005) ao passo que o segundo 
tem a ver exclusivamente com os factores linguísticos e se preocupa pela acomodação 
fonológica, morfológica e sintáctica do termo importado. 
7. komputadol ‘computador’ 
 makomputadol ‘computadores’ 
pirisoli ‘professor’ 
mapirisoli ‘professores’ 
Em (7) estão apresentadas palavras que não são originariamente de Cisena por isso forma 
emprestadas de outras línguas, neste caso do Português. Para as palavras serem bem acomodadas 
em Cisena perderam a sua estrutura inicial chegadas a esta língua. Por exemplo, o r de 
computador passou para l em Cisena e a mesma palavra foi integrada na classe 5 e 6. Para o caso 
da palavra professor em Português, também foi integrada na classe 5 e 6 e a sílaba pro foi 
transformada para duas sílabas, designadamente, pi.ri .. 
 
 66
 
3.1.5. Morfologia Nominal do Emakhuwa 
As palavras da língua Makhuwa, como da maior parte das línguas bantu, estão organizadas em 
grupos que prefixo específicos e com base nesse grupo se desencadeia o processo de 
concordância. A esse grupo de palavras que obedecem ao mesmo padrão de concordância 
designam-se Classes nominais (Ngunga 2000, Sitoe 1996, Guthrie 1974-91). Assim, a tabela que 
se segue apresenta o sistema de classes nominais em Makhuwa extraídas de Katupha (1983). 
3.1.5. 1. Classes nominais do Makhuwa 
Classes Prefixos Exemplos Significado 
1 mu- mu-tthu 'pessoa' 
2 a- a-tthu 'pessoas' 
3 mu- mu- nku 'focinho de animal' 
4 mi- mi-nku 'focinhos de animais' 
5 ni- ni-kutha 'joelho' 
6 ma- ma-kutha 'joelhos' 
7 e- e-puri 'cabrito’ 
8 i- i-puri 'cabritos' 
15 o- o-lima ‘cultivar’ 
16 va- va-culu ‘no topo’ 
17 o- o-culu ‘em volta/perto to topo’ 
18 mu- mu-hina mwa ora ‘dentro de uma hora’ 
Como se pode observar, em Makhuwa, os nomes são agrupados em 12 classes nominais de 
acordo com a sua concordância inicial ou prefixo. Diferentemente das línguas vistas até aqui, o 
Emakhuwa não apresenta as classes 9 e 10. Este sistema simplificado de classes nominais desta 
língua, assemelha-se ao das línguas a ela próximas, a saber: o Echuwabo, Elomwe e suas 
variantes. 
 
 67
3.1.5. 2. Prefixos primários vs secundários 
Os prefixos nominais acima apresentados, excepto os prefixos das classes 16, 17 e 18, todos 
desempenham uma função primária que é aquela classe ou grupo que as palavras originalmente 
pertencem. Contudo, ocorrem na língua alguns prefixos que se juntam a palavras já formadas 
para os modificar o seu sentido primário. Esses prefixos diz-se que desempenham uma função 
secundária. Vejam-se os seguintes exemplos: 
1. muxikola ‘no interior da escola’ 
m’muro ‘no interior do rio’ 
mwaliteya ‘no interior da adeia’ 
Os exemplos (1) mostram palavras xikola ‘escola’, muro ‘rio’ e eliteya ‘aldeia’ com os seus 
prefixos primários destacados em negrito,'prefixadas por mu-, prefixo locativo de interioridade. 
Este último desempenha uma função secundária porque junta-se a palavras que já têm um 
prefixo primário. 
3.1.5. 3. Aumentativos e diminutivos 
Em Emakhuwa, os graus aumentativos e diminutivos dos nomes têm também a ver com a função 
secundária dos prefixos nominais. Nesta língua, estes graus são expressos através da adjunção da 
palavra -khaani ‘pequeno’ ou -lupale ‘grande’ à palavra que se pretende qualificar. Vejam-se os 
seguintes exemplos: 
2. Muru mwakhaani ‘cabeça pequena’ 
Ekarro ekhaani ‘carro pequeno 
Ekaaro ikhaani ‘carros pequenos’ 
Nivaka nikhaani ‘zagaia pequena’ 
Mavaka makhaani ‘zagaias pequenas’ 
Em (2) estão apresentadas palavras que expressam pequenez através da adjunção da palavra –
khaani à palavra que se pretende qualificar. Em (3), para expressar o aumentativo, a palavra 
usada é –lupale ‘grande’ conforme se pode ver nos seguintes exemplos: 
3. muru milupale ‘cabeça grande’ 
ekarro elupale ‘carro grande’ 
ekaaro ilupale ‘carros grandes’ 
nivaka nilupale ‘zagaia grande’ 
 
 68
mavaka malupale ‘zagaias grandes’ 
3.1.5. 6. Locativização 
Nesta língua, a locativização é feita por prefixação, i.e., através de um prefixo nominal para 
exprimir, nomeadamente: a situação, a direcção e a interioridade. 
3.1.5. 6.1.Locativização Situacional 
Este locativo expressa, normalmente, a ideia de “em/por cima, em/por baixo, área aberta, etc” 
(c.f. Ngunga 2004:125), como mostram os seguintes exemplos: 
4. va-culu ‘no topo’ 
va-thi ‘no chão’ 
3.1.5. 6.2. Locativização Direccional 
Este locativo expressa a ideia de movimento (para, rumo a…) e aproximação ou afastamento de 
algo (lá, ali ou cá) (c.f. Ngunga 2004). Vejam-se os seguintes exemplos: 
5. o-culu ‘em volta/perto to topo’ 
 o-kaari ‘em direcção ao carro’ 
Como se pode ver, os exemplos acima indicam a direcção para a qual alguém ou algo se desloca. 
3.1.5. 6.3. Locativização de Interioridade 
Esta locativização expressa o local ou estado de uma dada acção numa determinada unidade de 
tempo (c.f. Ngunga 2004). Vejam-se os seguintes exemplos: 
6. m-hina ‘dentro’ 
m-culu ‘em cima do topo’ 
mu-kaari ‘dentro do carro’ 
Em (6) mostram-se exemplos em que o prefixo mu- é prefixado a nomes para expressar a ideia 
de interioridade. 
 
 
 69
3.1.5. 7. Integração de empréstimos em classes nominais 
O empréstimo é um processo de formação de neologismos que “todas as línguas modernas 
utilizam no seu dia-a-dia. Os empréstimos podem entrar directamente na língua acolhedora, sem 
qualquer transformação, ou podem sofrer alguma transformação de modo a acomodar-se à 
estrutura morfo-sintáctica da nova língua” (Mendes, 2010:144). A importação de novas unidades 
lexicais numa língua alvo obedece basicamente a dois processos, a saber: (i) o processo de 
importação do item lexical e (ii) o processo de acomodação do mesmo na nova língua. O 
primeiro processo é extra linguístico e é basicamente movido pelo contacto de povos e pela 
necessidade denominativa das novas realidades (Correia e Lemos 2005) ao passo que o segundo 
tem a ver exclusivamente com os factores linguísticos e se preocupa pela acomodação 
fonológica, morfológica e sintáctica do termo importado. 
7. ekaaro ‘carro’ 
ekomputatori ‘computador’ 
etaratori ‘tractor’ 
elivuru ‘livro’ 
ekaderunu ‘caderno’ 
As palavras acima (7), não são originais de Emakhuwa por isso foram emprestadas de outras 
línguas, neste caso Português. Como se pode ver, as mesmas tiveram que sofrer modificações 
nos seus sons para se integrarem melhor ao sistema dos sons desta língua. 
 
 70
3.1.6. Morfologia Nominal de Ciyaawo 
As palavras da língua Yao, como da maior parte das línguas bantu, estão organizadas em grupos 
que prefixo específicos e com base nesse grupo se desencadeia o processo de concordância. A 
esse grupo de palavras que obedecem ao mesmo padrão de concordância designam-se Classes 
nominais (Ngunga 2000, Sitoe 1996, Guthrie 1974-91). Assim, a tabela que se segue apresenta o 
sistema de classes nominais em Yao (Adaptado de Ngunga 2002: 68-69). 
3.1.6.1. Classes nominais do Yao 
Classes Prefixos Exemplos Significado 
1 mu- muundu Pessoa 
2 a- vaandu Pessoas 
3 mu- musi Aldeia 
4 mi- misi Aldeias 
5 di- digóómbo Banana 
6 ma- magóómbo Bananas 
7 ci- cikuse Saco 
8 yi- yikuse Sacos 
9 N- Mbúsi Cabrito 
10 N- mbúsi Cabritos 
11 lu- lusúló Rio 
12 ka- kasúló Riacho 
13 tu- tusúló Riachos 
14 wu- wugadi Massa 
15 ku- kudila Chorar 
16 pa- panyumba Em casa 
17 ku- kunyumba Para casa 
18 mu- munyumba Dentro da casa 
 
 71
Como se pode observar, em Yao, os nomes são agrupados em 18 classes nominais de acordocom a sua concordância inicial ou prefixo. 
3.1.6.2. Locativização 
Nesta língua, a locativização é feita por prefixação, i.e., através de um prefixo nominal para 
exprimir, nomeadamente: a situação, a direcção e a interioridade. 
3.1.6.2.1. Locativização Situacional 
Este locativo é expressa, normalmente, a ideia de “em/por cima, em/por baixo, área aberta, etc” 
(c.f. Ngunga 2004:125), como mostram os seguintes exemplos: 
1. pamusi ‘na aldeia’ 
pacikoola ‘na escola’ 
palusulo ‘a beira do rio’ 
Os exemplos acima mostram o prefixo pa- prefixado aos nomes para expressar a ideia de 
situação. 
3.1.6.2.2. Locativização Direccional 
Este locativo expressa a ideia de movimento (para, rumo a) e aproximação ou afastamento de 
algo (lá, ali ou cá) (c.f. Ngunga 2004). Vejam-se os seguintes exemplos: 
2. kumusi ‘(lá) na aldeia’ 
kucikola ‘lá) na escola’ 
kulusolo ‘(lá) no rio’ 
 
Como se pode ver, os exemplos acima indicam a direcção para a qual alguém ou algo se desloca. 
3.1.6.2.3. Locativização de Interioridade 
Esta locativização expressa o local ou estado de uma dada acção numa determinada unidade de 
tempo (c.f. Ngunga 2004). Vejam-se os seguintes exemplos: 
3. Muungokwe ‘no interior do celeiro’ 
Muundaavi ‘dentro do tempo’ 
Mw iicinga ‘dentro do carro’ 
 
 
 72
Em 3 mostram-se exemplos em que o prefixo mu- é prefixado a nomes para expressar a ideia de 
interioridade. 
3.1.6.7. Integração de empréstimos em classes nominais 
O empréstimo é um processo de formação de neologismos que “todas as línguas modernas 
utilizam no seu dia-a-dia. Os empréstimos podem entrar directamente na língua acolhedora, sem 
qualquer transformação, ou podem sofrer alguma transformação de modo a acomodar-se à 
estrutura morfo-sintáctica da nova língua” (Mendes, 2010:144). A importação de novas unidades 
lexicais numa língua alvo obedece basicamente a dois processos, a saber: (i) o processo de 
importação do item lexical e (ii) o processo de acomodação do mesmo na nova língua. O 
primeiro processo é extra linguístico e é basicamente movido pelo contacto de povos e pela 
necessidade denominativa das novas realidades (Correia e Lemos 2005) ao passo que o segundo 
tem a ver exclusivamente com os factores linguísticos e se preocupa pela acomodação 
fonológica, morfológica e sintáctica do termo importado. 
4. tiica ‘professor’ 
pelesidente ‘presidente’ 
cibuuku ‘livro’ 
Em (4) mostram-se palavras que não são do Ciyaawu integradas nesta língua. A palavra 
professor vem do Inglês teacher, a palavra presidente vem do Português presidente e a palavra 
cibuuku vem do Inglês book. 
 
 73
Bibliografia 
Correia, Margarita e Lúcia Lemos. 2005. Inovação Lexical em Português: Cadernos de Língua 
Portuguesa No4. Lisboa: Edições Colibri. 
Firmino, Gregório. Situação Linguística de Moçambique. Maputo: INE. 
Guthrie, Malcolm, 1967-71. Comparative Bantu. London: Gregg International Publishers. 
Katupha, Mateus. A Preliminary Description of Setence Structure in The e-Saaka Dialect of e-
Mákhuwa. Thesis Submitted for the Degree of Master of Philosophy, School of 
Oriental and African Studies, University of London. London: University of London. 
Mendes, Irene. 2010. Da Neologia ao Dicionário: O Caso do Português de Moçambique. 
Maputo: Texto Editores. 
NELIMO, 1989. Relatório do I Seminário sobre a Padronização da Ortografia de Línguas 
Moçambicanas. Maputo: NELIMO, UEM/INDE. 
Ngunga Armindo. 2004. Introdução à Linguística Bantu. Maputo: Imprensa Universitária. 
Ngunga, Armindo e David Langa. (Ms). 2000. Situação Linguística da Província de Tete. 
Maputo: Faculdade de Letras e Ciências Sociais. 
Ngunga, Armindo. 2002. Elementos da Gramática da Língua Yao. Maputo: Imprensa 
Universitária. 
Sitoe, Bento. 1996. Dicionário da Língua Changana. Maputo: INDE. 
Sitoe, Bento e Armindo Ngunga. 2000. Relatório do I Seminário sobre a Padronização da 
Ortografia de Línguas Moçambicanas. Maputo: Faculdade de Letras da 
Universidade Eduardo Mondlane. 
 
 
 74
3.2. Morfologia verbal 
Depois que na secção anterior estudou a morfologia do nome, o aluno já sabe que os nomes nas 
línguas bantu estão organizados em grupos ou classes nominais cujo seu número varia em função 
da língua, i.e., a língua Makhuwa tem classes e prefixos nominais diferentes do Ciyaawo e esta 
do Cisena, etc. Na Presente secção, o formando vai estudar a morfologia do verbo. Tal como 
aconteceu com o nome, o estudo do verbo será feito tendo em consideração algumas línguas 
bantu. 
3.2.1. Estrutura do verbo das línguas bantu 
A estrutura básica do verbo nas línguas bantu, é ku – Radical - (ext) -a onde ku- é o prefixo da 
classe 15, radical é parte que transporta o significado básico da palavra, -ext- (extensão verbal) e a- 
vogal final. Excepto nos casos de Emakhuwa, Elomwe, Echuwabo e outras línguas deste grupo, ao 
invés do uso do prefixo ku-, as línguas têm o prefixo o- (i.e. o- Radical- (ext) - a). 
3.2.1. Extensões verbais das línguas bantu 
Por extensão verbal designa-se um grupo de morfemas normalmente derivacionais que ao serem 
sufixados a um radical verbal modificam a semântica deste passando a ser um novo verbo (ex: -
som- ‘estudar’ vs -somel- ‘estudar para’ em Emakhuwa). Neste exemplo a parte -el- altera o 
verbo de estudar passando a ser estudar para. O número das extensões verbais varia de língua 
para língua. Na sua diversidade, as extensões verbais podem ser as seguintes: 
1. -el- aplicativa 
2. -is – causativa 
3. -isis – intensiva 
4. -ek- pseudo-passiva 
5. -ul- reversiva 
6. -iw- passiva 
7. -an – reciprocal 
8. -elel- persistiva 
9. -etel- iterativa 
 
 75
Como anteriormente se referiu, estas extensões verbais podem não ocorrer todas na mesma 
língua ou mesmos existir línguas quem mais extensões que as acima listadas.veja-se os seguintes 
exemplos extraídos de Ngunga (2002, 2004; Sitoe 1986 e Langa 2007). 
(1) Changana: -von- ‘ver’ 
von-el- ‘olhar por alguém’ (kuvona vs kuvonela) 
 -von-is- ‘fazer ver’ (kuvonisa) 
 -von-iw- ‘ser visto’ (kunoniwa) 
 -von-ek- ‘ser visivel’ (kunoneka) 
 
(2) Ndau: -suk- ‘lavar’ 
 -suk-il- ‘lavar para alguém’ (kusukila) 
 -suk-is- ‘fazer lavar’ (kusukisa) 
 -suk-iw- ‘ser lavado’ (kusukiwa) 
 -suk-an- ‘lavar-se mutuamente’ (kusukana) 
 
Sugestões Metodológicas 
Como ensinar as extensões verbais? 
 Para se ensinar as extensões verbais numa turma multilingue é necessário 
obedecer aos seguintes passos: 
(i) Organizar a turma em grupos linguísticos; 
(ii) Mande os alunos traduzirem um dos seguintes verbos para as suas línguas 
maternas: ver, comer, estudar, olhar, dançar, dormir, etc.; 
(iii) Instrua os alunos para que escrevam no quadro ou na sua folha de 
exercícios os radicais dos verbos traduzidos; 
(iv) Usando da lista das extensões verbais acima (pode usar apenas 4 ou 5 das 9 
extensões verbais acima), sufixe a cada extensão verbal ao radical e 
mande os alunos dizerem o significado da combinação entre o radical e 
a extensão verbal. 
Nota: Quanto mais línguas usar na exercitação, melhor será a compreensão 
dos alunos. 
 
 
 76
3.2.2. Conjugação do verbo nas línguas bantu 
Nas línguas bantu os verbos podem ser conjugados em 3 tempos, a saber: o passado, o presente e 
o futuro. Contudo, as línguas como Sena, Ndau, Yaawo, têm para além dos habituais 3 tempos, 
outras divisões de tempo. Por exemplo, estas línguas distingue o passado recente (passado de 
ontem) e o passado remoto (passado do mês ou ano passado), disignam também o futuro 
próximo (futuro de amanha) do futuro distante (futuro do próximo mês ou ano ao passo que as 
línguas Rhonga, Changana, Citswha já não a fazem, limitando-se um passado e um futuro. Para 
se acautelar destas nuances por língua recomenda-se que use as seguintes frases acompanhadas 
dos advérbios de tempo. 
 
Sugestões metodológicas 
Para acautelar as diferenças das marcas dos tempos verbais, explore as seguintesfrases extraídas 
da Lista de palavras do Vocabulário Básico. 
1. Traduza as seguintes palavras 
(i) (hoje) nós lavamos o prato ...................................................................................... 
(ii) (hoje de manhã) nós lavámos o prato.............................................................. 
(iii) (amanhã) nós lavaremos o prato..................................................................... 
(iv) (no próximo ano) nós lavaremos o prato.... ................................................ 
(v) (ontem) nós lavámos o prato ........................................................................ 
(vi) (no ano passado) nós lavámos o prato............................................................. 
Nota: explore cada um dos verbos acima apresentados. Os advérbios de tempo entre parênteses 
ajudam a ver se a forma verbal vai mudar ou não. Ao fazer este exercício não se esqueça de 
separar as marcas de sujeito, o radical verbal, a vogal final e as respectivas marcas de tempo 
como se mostra na discussão que é feita por língua em seguida. 
 
 
 77
3.2.2. 1. Língua Xichangana 
Esta língua apresenta 3 tempos verbais: o passado, o presente e o futuro como se pode ver na 
subsecções que se seguem: 
3.2.2.1.1. Tempo passado 
A conjugação do verbo será exemplificada com o verbo kuja ‘comer’ na forma afirmativa 
 
Número Pessoa 
gramatical 
pronome Prefixo de 
concordância 
Exemplo significado 
Singular 1ª pessoa Mina ni- mina nijile Eu comi 
2ª pessoa Wena u- wena ujile Tu comeste 
3ª pessoa Yena a- yena ajile Ele comeu 
Plural 1ª pessoa Hina hi- hina hijile Nós comemos 
2ª pessoa n’wina mu- n’wina mijile Vós comestes 
3ª pessoa Vona va- vona vajile Eles comeram 
 
A tabela acima mostra a conjugação do verbo no tempo passado. A marca do tempo passado é 
expresso por -ile colocada na posição final do verbo enquanto o prefixo de concordância é 
colocado na posição inicial do verbo. 
3.2.2.1.2. Tempo presente 
Nas línguas normalmente distinguem-se dois tipos de presentes. O presente simples ou pontual e 
o presente habitual. O primeiro descreve o que está exactamente a a contecer naquele preciso 
momento de enunciação e o segundo o que habitualmente acontece sem que necessariamente 
esteja a acontecer. 
3.2.2.1.3. Tempo presente simples 
Número Pessoa 
gramatical 
Pronome Prefixo de 
concordância 
Exemplo Significado 
 
 Singular 
1ª pessoa Mina ni- mina nija Eu como 
2ª pessoa Wena u- wena uja Tu comes 
3ª pessoa Yena a- yena aja Ele come 
 
 Plural 
1ª pessoa Hina hi- hina hija Nós comemos 
2ª pessoa n’wina mu- n’wina mija Vós comeis 
3ª pessoa Vona va- vona vaja Eles comem 
 
 
 
 
 78
Na tabela do tempo presente simples, as marcas de concordância com o sujeito, tal como na 
tabela do tempo passado, são as mesmas. O tempo presente simples marca-se pela substituição 
de ku- em kuja ‘comer’ na forma infinitiva pelo prefixo de concordância do sujeito. 
3.2.2.1.4. Tempo presente habitual 
Número Pessoa 
gramatical 
pronome Prefixo de 
concordância 
Exemplo Significado 
 
 Singular 
1ª pessoa mina ni- mina naja Eu estou a comer 
2ª pessoa wena u- wena waja Tu estás a comer 
3ª pessoa yena a- yena aaja Ele está comer 
 
 Plural 
1ª pessoa hina hi- hina haja Nós estamos a comer 
2ª pessoa n’wina mu- n’wina maja Vós estais a comer 
3ª pessoa vona va- vona vaaja Eles estão a comer 
 
O presente habitual é marcado pela vogal [a] que ocorre logo depois do prefixo de concordância 
do sujeito. Em alguns casos, a vogal do prefixo de concordância de sujeito é apagada pela vogal 
[a] da marca do presente habitual. Compare o presente simples do habitual para ver a diferença 
estrutural dos dois tempos. 
3.2.2.1.5. Tempo futuro 
Os verbos no tempo futuro na forma afirmativa nesta língua são conjudagos da seguinte maneira 
 
Número Pessoa 
gramatical 
Pronome 
Pessoal 
Prefixo de 
concordância 
Exemplo Significado 
Singular 1ª pessoa Mina ni- mina nitaja Eu comerei 
2ª pessoa Wena u- wena utaja Tu comerás 
3ª pessoa Yena a- yena ataja Ele comerá 
Plural 1ª pessoa Hina hi- hina hitaja Nós comeremos 
2ª pessoa n’wina mu- n’wina mitaja Vós comereis 
3ª pessoa Vona va- vona vataja Eles comerão 
 
 79
 
O tempo futuro é expresso por -ta- que se encontra logo depois da marca de concordância de 
sujeito. 
3.2.2.2. Língua Cinyungwe 
Apresentam-se a seguir as formas do verbo ku-lir-a "chorar" na primeira pessoa do singular do 
passado (remoto e recente), presente (pontual e habitual) e futuro (próximo e distante) nesta língua 
nas formas afirmativa e negativa: 
3.2.2.2.1.Passado 
Infinitivo 
Remoto Recente 
Significado 
ku-tsuk-a ndi-da-tsuk-a nd(i)-a-tsuk-a ‘lavar’ 
ku-lir-a ndi-da-lil-a nd(i)-a-lil-a ‘chorar’ 
Presente 
Infinitivo 
Pontual Habitual 
Significado 
ku-tsuk-a ni-n-tsuk-a ni-mba-tsuk-a ‘lavar’ 
ku-lir-a ni-n-lir-a ni-mba-lir-a ‘chorar’ 
 
Futuro 
Infinitivo 
Próximo Distante 
Significado 
ku-tsuk-a Ni-n-tsuk-a Ni-n-lir-a ‘lavar’ 
ku-lir-a Ni-n-lira ni-n-lira ‘chorar’ 
 
 
 80
Em Nyungwe, a marca de presente pontual e de passado é o morfema -a- que também pode marcar 
presente e de futuro. A vogal /i/ de ndi- apaga-se quando próximo de -a- que marca o tempo o segue 
imediatamente. Isto sugere um sistema simplicado de marcação de tempos verbais. 
A marca de aspecto habitual é -mba-. Neste caso, tal como acontece em muitas línguas bantu, a 
marca de aspecto sobrepõe-se à marca de tempo. 
3.2.2.3. Língua Emakhuwa 
A estrutura básica do verbo em Emakhuwa é o – Radical – a. Diferentemente das línguas bantu 
vistas acima que apresentam a forma ku-, em Emakhuwa, o prefixo que marca a forma de 
infinitivo é o-. Em seguida apresenta-se a conjugação do verbo nesta língua. 
Passado 
Miyo khorowa omatta eu fui a machamba 
António oholya enika o António comeu a banana 
O tempo passado é a construído através da adjunção de -ho- logo depois da marca de 
concordância com o sujeito. O prefixo do infinitivo ku- é substituído pelo prefixo de 
concordância e a vogal do prefixo é substituído por -ho-. 
Presente pontual 
Miyo kinrowa omatta eu vou à machamba 
António onlya enika o António come a banana 
 
Na formação do tempo presente (simples), a marca de tempo é –n- que é colocada lodo depois 
do prefixo de concordância nominal 
Presente habitual 
Miyo kinirowa omatta eu estou a ir a machamba 
António onilya enika o António está a comer a banana 
O tempo presente habitual é construído através da adição do prefixo –ni- logo depois da marca 
de concordância com o sujeito. 
 
 81
 
Futuro 
Miyo kinorowa omatta eu irei à machamba 
António anolya enika o António comerá a banana 
O futuro é construído com a adjunção do prefixo -no- logo depois da marca de sujeito. Para a 
conjugação de verbos neste tempo o prefixo ku- da marca do infinitivo é substituído pelo prefixo 
de sujeito. 
Tabela comparativa das marcas de tempo passado, presente e futuro em Makhuwa 
Passado (-ho-) Presente (-n-) Presente habitual 
 (-ni-) 
Futuro (-no-) 
 Miyo khorowa 
weyo mohorowa 
owo oorowa 
hiyo norowa 
nyuwo moorowa 
awo aarowa 
miyo kinrowa 
weyo onrowa 
owo onrowa 
hiyo ninrowa 
nyuwo munrowa 
awo anrowa 
miyo kinirowa 
weyo onirowa 
owo onirowa 
hiyo ninirowa 
nyuwo munirowa 
awo anirowa 
miyo kinorowa 
weyo onorowa 
owo onorowa 
hiyo nnorowa 
nyuwo monorowa 
awo anorowa 
 
3.2.2.4. Língua Cisena 
Apresentam-se a seguir as formas dos verbos ku-suk-a ‘lavar’ e ku-lir-a "chorar" na primeira 
pessoa do singular do passado (remoto e recente), presente (pontual e habitual) e futuro (próximo e 
distante) nesta língua nas formas afirmativa e negativa: 
 
 82
 
Passado 
Infinitivo 
Remoto Recente 
Significado 
Ku-suk-a ndi-da-suk-a nd(i)-a-suk-a ‘lavar’ 
Ku-lir-a ndi-da-lir-a nd(i)-a-lir-a ‘chorar’ 
Presente 
Infinitivo Pontual 
Habitual 
Significado 
Ku-suk-a n-a-suk-a ndi-as-suk-a ‘lavar’ 
Ku-lir-a n-a-lir-andi-as-lir-a ‘chorar’ 
Futuro 
Infinitivo 
Próximo Distante 
Significado 
Ku-suk-a n-a-dza-suk-a ndi-na-dza-suk-a ‘lavar’ 
Ku-lir-a n-a-dza-lir-a ndi-na-dza-lir-a ‘chorar’ 
 
Obsevando as formas verbais constantes das tabelas, (7) pode concluir-se que, tal como se notou no 
estudo da morfologia nominal, a estrutura morfológica do verbo merece também observações como 
as que se seguem: 
(i) As modificações gramaticais (ocorrência de morfemas co-referentes de sujeito na estrutura 
da forma verbal, marcadores de tempo e de aspecto), verificam-se em posição pré-radical, ficando, 
portanto, a base verbal indiferente a estas idiossincrasias; 
 (ii) Em Sena, parece existirem dois morfemas diferentes co-referentes de sujeito (ndi- e ni-) que 
estão em distribuição complementar e ocorrem em posição inicial na estrutura da forma verbal. O 
 
 83
morfema co-referente de sujeito realiza-se ndi- em todos os tempos verbais excepto no presente 
pontual e futuro próximo, onde se realiza ni- . A vogal /i/ de ndi- e de -ni- sofre elisão antes do -a- 
que ocorre imediatamente a seguir. Nos dados analisados não foi encontrada evidência de 
ocorrência de /i/ como parte do prefixo marcador de sujeito. Contudo, a evidência dos processos 
fonológicos em contextos análogos sugere que a nasal n- seja ni- a nível subjacente. 
(iii)A marca do passado remoto é -da- e do passado recente é -a- que também é marca aspectual 
perfectivo do presente (pontual) e do futuro próximo. 
(iv) O prefixo -sa- marca o aspecto imperfectivo (habitual) no presente e prefixo -na-, futuro, 
onde a marca de tempo é -dza-. 
(iv) É de notar que a marca de tempo pode se sobrepor à marca de aspecto que, na ausência de 
morfema co-referente de objecto, ocorre imediatamente antes de radical. Nos casos em que a 
marca de tempo é distinta da marca de aspecto, esta a precede imediatamente, como acontece no 
futuro. 
2.2.3. Reduplicação 
A reduplicação é “um processo de repetição de uma parte ou de todo o tema verbal (Ngunga 
2004:181). Este fenómeno é comum nas línguas bantu e visa sobretudo modar a interpretação 
semântica do radical verbal. Observe-se os seguintes exemplos extraídos de Ngunga (2004:182): 
Changana: 
- tlanga-tlanga 'brincar repetidamente' 
 -famba-famba 'andar repetidamente' 
 -hundza-hundza 'passar repetidamente' 
Sena: 
-fungula-fungula ‘abrir frequentemente’ 
-gula-gula ‘comprar frequentemente’ 
-lima-lima ‘cultivar repetidamente’ 
Rhonga: 
 -famba-famba ‘andar repetidamente’ 
 -jondza-jondza ‘estudar frequentemente’ 
 -tsala-tsala ‘escrever frequentemente’ 
Como se pode ver dos exemplos acima, a repetição do tema verbal origina novos significados. 
Normalmente a reduplicação expressa a repetição, a frequência, iterativadade. 
 
 
 84
Sugestão metodológica 
Para aperfeiçoar esta subunidade o formador deve proceder como vem procedindo nesta 
unidade. Escolhar alguns verbos e repita dos seus temas ou radicais na totalidade. Verá que o 
significado do verbo muda 
2.2.4. Frase verbal e frase não verbal 
Como foi dito na introdução, a Sintaxe é a área da Linguística que tem a frase como 
objecto de estudo. Segundo Costa (2010), é um enunciado de sentido completo, unidade mínima 
de comunicação, que pode ser constituída por uma única oração (frase simples), por mais do que 
uma oração (frase complexa) ou apenas por um verbo (frase elíptica), onde os restantes 
constituintes são subentendidos. Esta ideia pode ainda ser recuperada em Ngunga (2004), ao 
considerar a frase como uma palavra ou conjunto de palavras dispostas de uma maneira, de 
acordo com certas regras, para exprimir um determinado sentido. 
Segundo Katupa (1983) apud Ngunga (2005), nas LB, por vezes, nem sempre o núcleo da 
F é uma forma verbal. Na verdade, o núcleo pode ser uma cópula, um nome ou um ideofone. 
Para estes e outros estudiosos das LB, este aspecto não é marginal na medida em que permite a 
divisão das frases em verbal e não verbal. A diferença entre estas duas realidades reside no facto 
de, segundo Ngunga (op cit), a frase verbal ter como núcleo uma forma verbal, enquanto a frase 
não verbal não é uma forma verbal, mas sim, um nome (frase nominal), uma cópula (frase 
copulativa) ou um ideofone (frase ideofónica), como mostra o esquema e os exemplos seguintes: 
 
 Verbal 
 
 
 Frase 
a. Frase nominal 
 
 Não verbo b. Frase copulativa 
 c. Frase ideofónica 
Adaptado de Costa (2010) 
 
 85
Exemplos: 
Xirhonga; 1. a. Maria adile nyama ya patu. “Maria comeu carne de prato” 
 b. hileyi homo “está aqui o boi" 
 c. mbhinyi wa xikomu “cabo da enxada” 
 d. dambu dropsuu “o sol está vermelho” 
Nos exemplos (1) temos as frases verbais e as não verbais na língua rhonga. A Frase em (1a.) 
porque exibe uma forma verbal de kuda “comer”, destacado a negrito. As restantes frases não 
cabem na categoria de frase verbal (FV) na medida em que os seus núcleos não são formas 
verbais. Para o caso da língua Rhonga, em b. o núcleo é um nome (pronome demonstrativo), em 
c., uma cópula e em d. um ideofone. 
2.2.5. Sistema de Concordância 
Uma das características das LB é sem dúvida o seu sistema de concordância. Segundo Crystal 
(1988), a concordância é um termo usado na descrição gramatical para mostrar uma relação 
formal entre os elementos, em que a forma de uma palavra exige uma forma correspondente da 
outra. Isto significa que, na constituição de frases e sobretudo de discursos, as palavras não 
funcionam isoladamente. Para o caso das LB faladas no nosso país, existe um sistema de classes 
nominais em que os nomes estão organizados por classes, de acordo com os seus prefixos 
nominais e marcas de concordância. Esta concordância pode ser, por exemplo, em relação ao 
número. 
Nesta subsecção vamos analisar as estratégias de concordância que ocorrem em sintagma 
nominal simples (aquele que é constituído por apenas um nome) e em sintagma nominal 
complexo (aquele que é constituído por dois ou mais nomes ligados por uma conjunção ou por 
um sinal de pontuação). 
Exemplos 
Xirhonga; 1. a. xilondra xiholile “ferida sarou” 
 b. svilondra sviholile “feridas sararam” 
 
 86
 c. mbzana ni huku svavabza “cão e galinga estão doente” 
 d. mudondrisi ni n’wana vavabza “professor e filho (a) estão doente” 
 Nos exemplos (1) temos as frases que exibem o sintagma nominal simples e o sintagma nominal 
complexo. Os exemplos mostram que nesta língua, quando o SN é simples existe um tipo de 
morfema de concordância que se altera, quando o SN passa a ser complexo. Em (1.a), por 
exemplo, xilondra “uma e única ferrida” faz concordância com o prefixo xi- da classe 6. Quando 
alteramos o número para o plural svilondra “muitas ferridas” verifica-se, também a mudança da 
marca de concordância para svi-. Isto justifica a agramaticalidade das sequências *svilondra 
xiholile (*ferridas sarrouou) ou *xilondra sviholile (*ferrida sarraram). 
Os exemplos em 1.b e 1.c mostram que a concordância nas LB não é um assunto simples. 
Existem marcas de concordância conforme a natureza dos seres que corporizam o SN. É que o 
SN pode ser constituído por seres (+ Animados) ou seres (-Animados). 
2.2.6. Discurso directo vs indirecto 
Xirhonga; a. xilondra xiholile “ferida sarou” 
 b. svilondra sviholile “feridas sararam” 
 c. mbzana ni huku svavabza “cão e galinga estão doente” 
 d. mudondrisi ni n’wana vavabza “professor e filho (a) estão doente” 
2.2.7. Frase activa vs passiva 
Segundo Matos (2010), a oposiçãoentre a construção activa e a construção passiva constrói-se 
com base na oposição criada pela perspectiva distinta na análise de uma situação. 
Na construção da frase activa, os lugares de predicação são os opostos daqueles que ocorrem na 
frase passiva. Assim, na construção activa, a frase representa a perspectiva centrada a partir do 
sujeito que estabelece uma relação com outra (s) entidade (s), que, na frase passiva, se torna o 
agente da passiva ( ). 
 
 
 
 87
Ronga: a. vavanuna vaxavile sviluva. (FA) “homens compraram flores” 
 b. sviluva svixaviwile hi vavanuna. (FP) “ flores foram compradas pelos homens” 
 c. Maria anhlampsa buluku “Maria lava calças” 
 d. buluku dranhlampsiwa ha Maria “as calças são lavadas pela Maria” 
 
 Bibliografia 
Bernardo, Maurício. 2009. A Morfofonologia das Marcas do Passado Remoto Imperfectivo em 
Emakhuwa. In. Ngunga, Armindo .2009. (ed). Lexicografia e Descrição de Línguas Bantu. 
Colecção: As Nossas Línguas I. Maputo: Centro de Estudos Africanos (CEA) – UEM 
Chimbutana, Feliciano. 2002. Grammatical Function in Changana: Types, Properties and 
Function Alternation. (Tese de Mestrado não publicada). The Australian National 
University. 
Fumo, Paulino. 2009. Tempo e Aspecto em Rhonga. In. Ngunga, Armindo .2009. (ed). 
Lexicografia e Descrição de Línguas Bantu. Colecção: As Nossas Línguas I. Maputo: 
Centro de Estudos Africanos (CEA) – UEM. 
Guthrie, M. 1967-71. Comparative Bantu. Vols. I-IV. Claredon. Oxford University Press 
Langa, David. 2003. Ideofones em Changana. In. Ngunga, Armindo & Inocêncio Pereira. (eds). 
2003. Progressos na Investigação em Ciências Sociais e Humanas: Actas de Seminário de 
Investigação. Maputo: Imprensa Universitária. PP 59-77 
Langa, David. 2008. O Aspecto no Passado Afirmativo na Morfologia Verbal Do Changana. 
Tese de Mestrado não publicada. Maputo: UEM- Faculdade de Letras e Ciências Sociais, 
Departamento de Linguística 
Langa, David. 2009. Negation in the Past Tense in Changana (Comunicação apresentada na 
Conferência da LASU em Lesoto de 24-28 Novembro de 2009). Maputo: FLCS-UEM. 
Meeussen, A. 1967. Bantu Grammatical Reconstructions. Tervuren: Annales du Musée Royalle 
de l’Afrique Centrale. 
 
 88
Ngunga, Armindo (ed). 2009. Lexicografia e Descritiva de Línguas Bantu. Colecção as nossas 
línguas I. Maputo: Centro de Estudos Africanos (CEA)-UEM. 
Ngunga, Armindo. 2004. Introdução à linguística Bantu . Maputo, Livraria Universitária. 
Nhampoca, Ezra. 2010. Um proposta Metodológica para a Compilação de um dicionário de 
ideofones do Changana. Dissertação de mestrado em Linguística. Maputo: Faculdade de 
Letras e Ciências Sociais. 
Bachetti, C. 2006. Gramática da Língua Ronga. 1a Edição. Maputo: Paulinas Editorial. 
Crystal, D. (1997). A Dictionary of Linguistics and Phonetics. Oxford: Blackwel Publishers. 
Leão, Isabel V. Ponce de. 2000. Dicionário de Ciências da Comunicação. 2ª Edição. Porto: 
Porto Editora, Lda., Portugal. 
Ngunga, Armindo. 2000. Introdução à Linguística Bantu. Maputo: Imprensa Universitária. 
Nunan, D. (1995). Language Teaching Methodology: a texbook for teachers. New York: 
Phoenix. 
Genouvrier, Emile e Jean Peytard. (1974). Linguística e Ensino do Português. 4ª Edição. 
Coimbra: Livraria Almedina, Portugal. 
 
2.3. Actividades 
1. Com recursos a exemplos, explica a diferença entre vogais e consoantes. 
2. Quantas vogais existem em Ciyaawo? 
a) Indica-as. 
b) Qual é a função da duração vocálica nesta língua? 
3. O que são classes nominais? 
4. Como é as línguas bantu formam o aumentativo e o diminutivo? 
5. Apresenta as estruturas morfológicas do nome e do verbo, em bantu. 
6. O são extensões verbais? 
. Fornece 3 exemplos de extensões verbais da sua língua bantu. 
 
 89
7. O que é um verbo? 
8. Traduz os seguintes verbos e conjuga-os no presente, passado e futuro. 
a) Jogar; 
b) Brincar 
9. Identifica as marcas de tempo (MT) das formas verbais conjugadas em 6. 
10. O que são ideofones? 
11. O que é reduplicação? 
12. Diferencia a reduplicação total verbal da reduplicação parcial 
13. Explica a diferença entre a frase verbal e a frase não verbal. 
14. Quando é que se considera que numa frase existe concordância? 
 
 2.4. Autoavaliação: 
1. Recorrendo à língua Ciyaawo explica a função da duração vocálica. 
2. Com recurso a exemplos apresenta as classes nominais da sua LB. 
3. Faz o levantamento de todas as extensões verbais da sua língua. 
4. Traduz os seguintes verbos e conjuga-os no presente, passado e futuro. 
a) Escrever 
b) Comer 
5. Apresente 10 ideofones da sua língua. 
6. Apoiando se a exemplos da sua língua (ou outra), explica a diferença entre a reduplicação 
total da reduplicação parcial. 
7. Elabora 5 exemplos de frases verbais e igual número de frases não verbais. 
8. Traduz as seguintes frases para a sua LB 
a. A Maria gosta da sua filha - afirmou a Sandra. 
b. Peço a sua caneta vermelha – afirmou a Júlia 
c. Onde está a chave de carro – perguntou o pai ao empregado 
d. Não quero a sua ajuda – replicou a aluno à sua amiga 
e. No próximo ano passarei de classe – prometeu a filha ao pai 
1) Em que discurso estão as frases traduzidas? 
 
 90
2) Passa-as para o discurso contrário. 
 
9. Coloca A nas frases activas e P nas frases passivas 
1) Nyama ya patu yidiwile hi xipixi. “carne de patu foi comida pelo gato” 
2) Xinyanyana xihluviwile hi muhloti. “pássaro foi depenado pelo caçador” 
3) Marhungana axavile ximarhi. “alfaiate comprou agulha” 
 
10. Passa as frases em 2 para a forma activa e passiva, conforme o caso. 
11. Traduz as frases as frases e identifica os prefixos de concordância (PC) 
a) A escola que foi construída no ano passado tem rachas. 
c) O meu trabalhador não veio. 
d) Os meus trabalhadores não vieram 
e) A cadeira plástica não dura. 
f) As cadeiras plásticas não duram 
 
12. Indica a marca de negação na frase 4.5, traduzida. 
 
2.5. Chave de Correcção: 
1. Ao critério do formando e do formador. 
2. Ao critério do formando e do formador. 
3. O formando deverá apresentar, entre as várias extensões, a aplicativa,… 
4. Ao critério do formando e do formador. 
5. Ao critério do formando, tendo em conta a sua LB. É preciso referir que 
6. Ao critério do formando, tendo em conta a sua LB. É preciso referir que a reduplicação é 
um termo que Morfologia se refere a um processo de repetição através do qual a forma de 
um prefixo/sufixo reflecte certas características da raiz. 
 
 91
7. Ao critério do formando. A frase verbal é aquela que exibe uma forma verbal e a não 
verbal, o seu núcleo não é uma forma verbal. Ela exibe outros elementos. 
 
8. Ao critério do formando, tendo em conta a sua língua. 
8.1. As frases estão no discurso directo. 
8.2. Ao critério do formando. 
 
9. Coloca A nas frases activas e P nas frases passivas 
9.1. Nyama ya patu yidiwile hi xipixi. (P) 
9.2. Xinyanyana xihluviwile hi muhloti. (P) 
9.3. Marhungana axavile ximarhi. (A) 
10. Ao critério do formando. 
11. Traduz as frases e identifica os prefixos de concordância (PC) 
a) A escola que foi construída no ano passado tem rachas. 
b) O meu trabalhador não veio. 
c) Os meus trabalhadores não vieram 
d) A cadeira plástica não dura 
e) As cadeiras plásticas não duram 
12. Indica a marca de negação na frase 4.5, traduzida. 
 
 
2.8. Bibliografia Complementar: 
Langa, David. 2004. Ideofones em Changana. In. Actas de Seminário: Celebrando o Dia de 
África. Maputo: Imprensa Universitária. Pp 59 – 77. 
Ngunga, Armindo. 2000. Introdução à Linguística Bantu. Maputo: Imprensa Universitária. 
 
 92
Sitoe, Bento e Armindo Ngunga. 2000. Relatório do II Seminário de Padronização da Ortografia 
de línguas moçambicanas. Maputo:NELIMO, Universidade Eduardo Mondlane. 
Sitoe, Bento. 1996. Dicionário Changana – Português. Maputo: INDE. 
Sitoe,Bento e Armindo Ngunga. 2000. Relatório do II Seminário de Padronização da 
Ortografia de línguas moçambicanas. Maputo: NELIMO, Universidade Eduardo 
Mondlane. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 93
 
Unidade III. Produção Oral 
Duração da Unidade: 03 
4.1 Introdução 
Estimado formador, depois de termos discutidos aspectos da gramática das línguas bantu de 
Moçambique, nesta unidade vamos abordar as formas de tratamento (horizontais vs verticais), a 
conversa directa (em contextos formais e informais) e também debater temáticas transversais, em 
nas nossas línguas. Os debates versarão sobre aspectos actuais do país e sobretudo, da 
comunidade onde o Instituto está inserido, como forma de motivar os formandos a uma 
participação efectiva. Daí que se justifica a participação destes no processo de selecção de temas. 
A realização de debates visa fundamentalmente oferecer, ao futuro professor, uma oportunidade 
de aplicar, em situação real de comunicação, algumas palavras e expressões apreendidas nas 
unidades passadas, condição fundamental para o desenvolvimento de habilidades de expressão 
oral, na sua língua bantu. 
 
4.2. Evidências Requeridas da Unidade Temática 
 No fim desta unidade temática o formando deve ser capaz de: 
• Usar as formas de tratamento adequadas a diversas situações de comunicação; 
• Seleccionar as formas de tratamento adequadas aos interlocutores de comunicação; 
• Produzir enunciados orais adequados a diferentes contextos e 
• Expressar os seus argumentos em debates formais 
4.3. Orientação metodológica 
 
XXXXXXXXXXXXXX 
 
 94
4.4. Formas de tratamento 
Para o formador O professor deve explorar nesta unidade temas específicos das línguas bantu 
nomeadamente: 
(i) Formas de tratamento 
a. Como é que na sua língua um filho se dirige aos pais (pai ou mãe) no incio do dia, 
durante o dia e no fim do dia? 
b. Como é que o filho fala com os pais ou outros legítimos superiores? 
c. Como é que os meninos falam com as meninas? Em casa, na rua, com 
conhecidos, com desconhecidos, etc 
d. Como é que um aluno deve falar com o seu professor ou director da escola ou em 
contextos formais no geral? 
e. Na sua cultura, o que significa um beijinho, um abraço, um aperto de mão, um 
acenar da mão e em que contexto cada forma de cumprimento é feito? 
f. Na sua comunidade, que papel tem cada membro da família (pai, mãe, filho, filha, 
etc) nas actividades do quotidiano? 
Nota: O professor ao colher as respostas dos temas acima sugeridos estará, ao mesmo tempo, a 
ver que os alunos apresentam culturas diferentes e que as mesmas devem ser respeitadas como 
tal. Lembre-se que quanto mais sabemos das nossas diferenças, melhor nos conhecemos e nos 
respeitamos. 
4.4.1.Debates 
4.4.1.1. Aspectos a considerar na organização e realização de um debate 
O debate é uma actividade que decorre naturalmente da vida em sociedade e permite a 
troca de ideias, confronto de pontos de vista e uma reflexão activa. No PEA, ela permite que o 
aluno aumente as suas experiências e aprenda a expressar as suas ideias, formalmente. Para que 
exista um debate, em primeiro lugar, deve haver pelo menos duas posições difentes. Uma 
posição defendendo um Sim e a outra um Não, em relação a um dado tema. 
 
 95
Uma vez escolhido o tema, o sucesso do debate depende muito da sua preparação. Por 
isso, nas linhas seguintes oferecemos alguma informação que esperamos que auxilie os 
preparativos e a realização. 
4.4.1.2. Preparação 
. Escolha de assunto (simples e que desperte o interesse da turma); 
. Disponibilização de material de consulta 
. Acompanhamento dos alunos na exploração dos materiais 
. Estruturação da sala de aulas, tendo em conta o número de participantes 
. Ornamentação da sala de aulas tendo em conta o tema 
. Escolha de animadores 
. Escolha de secretários 
4.4.1.3. Papel do animador 
. Efectua o lançamento do debate, explicando com clareza o assunto; 
. Orienta o uso da palavra, durante o debate 
. Estimula os participantes de modo a expressarem as suas opiniões livremente 
. Assegura o tratamento do tema, evitando desta forma a discussão de assuntos marginais 
. Controla o tempo e, no fim apresenta as principais conclusões 
4.4.1.4. Expressões a usar na introdução das opiniões 
Construir um texto oral é ser capaz de organizar uma rede de sentido, garantindo a sua 
continuidade de modo a que o leitor o entenda do princípio ao fim do discurso. Assim, durante o 
uso da palavra é necessário ordenar as ideias, estabelecendo etapas. Para isso é preciso usar 
expressões que permitam articular, entre si, frases e unidades de discurso. 
 
 
 96
4.5. Autoavaliação 
Tendo em conta a natureza da unidade “Produção Oral”, não vamos sugerir actividades de 
fundo. Contudo, pensando na futura função de docência, elaboramos algumas questões: 
1. Explica a importância de debates no PEA. 
2. Que aspectos é preciso acautelar na preparação de debates. 
3. Qual é o papel do moderador durante a realização do debate. 
4.6. Chave de Correcção 
1. No PEA, os debates permitem que os formandos aumentem as suas experiências e 
aprendam a expressar as suas ideias em situações formais. 
2. Durante a preparacao de debates é necessário (i) escolher um assunto “polémico”, (ii) 
disponibilizar o material de consulta, (iii) estruturar da sala de aulas, (iv) escolher os 
animadores e (v) escolha os secretários. 
3. Durante o debate o animador (i) lança o debate, explicando com clareza o assunto, (ii) 
orienta o uso da palavra, (iii) estimula os participantes de modo a expressarem as suas 
opiniões livremente, (iv) assegura a não discussão de assuntos marginais e (v) controla o 
tempo. 
4.6. Bibliografia Complementar 
Abreu, António S. 2000. A arte de Argumentar. Cotia: ateliê Editores. 
Barreto, Luís de Lima. 1993. Aprender a Comentar um texto Literário — Modelos de análise 
Crítica e Comentário. 3ª Edição. Lisboa: Texto Editora. 
Câmara JR. & J. Mattoso. 1977. Manual de Expressão oral e Escrita. Petrópolis: Editora Vozes. 
 
 97
Nunes, M. R. 1973. O Estilo na Comunicação. Rio de Janeiro: Editora Agir. 
Santos, Pe. L. dos. 1950. Dicionário Português-Chope e Chope-Português. Lourenço Marques: 
Imprensa Nacional de Moçambique. 
Sitoe, Bento e Armindo Ngunga. 2000. Relatório do II Seminário de Padronização da 
Ortografia de línguas moçambicanas. Maputo: NELIMO, Universidade Eduardo Mondlane. 
Sitoe, Bento. 1996. Dicionário Changana – Português. Maputo: INDE. 
 
 98
 
Unidade IV: Tipologia Textual 
Duração da Unidade: 18 
5.1. Introdução 
 Na unidade anterior passámos em revista as formas de tratamento adequadas ao 
relacionamento entre os membros de uma família, entre amigos bem como ao diálogo com os 
superiores hierárquicos, em situações formais e informais. Em debates formais, expressou as 
suas opiniões e convições de modo a “convecer” os colegas. Aprendeu a usar da palavra “o 
poder” em situaçoes formais. Esperamos que tenha enriquecido as suas experiências não só 
linguísticas, mas sobretudo da vida em comunidade. 
 Agora estamos na última unidade do Módulo. Ela está reservada à tipologia textual em 
bantu. Nela, o formando vai aprofundar os seus conhecimentos em matéria da Tipologia Textual. 
Falamos dos Textos Funcionais (aviso, anúncio, requerimento, convite, carta formal e informal), 
Textos Literários (narrativo, descritivo, expositivo/argumentativo e poético) e de Textos 
Informativos (notícia e reportagem). Também vai recolher e resumir algums textos (contos e 
lendas) da sua comunidade linguística. A inclusão destes conteúdos neste programa visa 
possibitar a aplicação de conhecimentos sobre a ortografia e sintaxe das línguas bantu de 
Moçambique. 
5.2. Evidências Requeridas da Unidade Temática 
 No fim desta unidade temática o formando deve ser capaz de: 
• Interpretar diferentes tipos de textos; 
• Traduzir para a sua língua bantu difetentestipos de textos 
• Redigir na sua língua bantu diferentes tipos de textos e 
• Identifiqucar as características linguísticas de diferentes tipos de textos; 
• Recolher contos e lendas da sua comunidade e 
• Resumir constos e lendas da sua comunidade 
 
 
 99
5.3. Metodologia 
O estudo de textos de carácter informativo, reflexivo, argumentativo e literário utilizando 
técnicas e finalidades específicas em diferentes contextos não é específico de línguas bantu. Na 
verdade, a estrutura dos diferentes tipos de textos não varia de uma língua para a outra. Por isso, 
neste módulo este tema não será desenvolvido, cabendo ao senhor formador a tarefa de usar os 
materiais das disciplinas de língua portuguesa ou da língua inglesa. Todavia, tratando-se de 
línguas bantu, é preocupação deste módulo sugerir algumas indicações metodológicas como se 
pode ver a seguir: 
• Depois de o formador ter dado a estrutura do texto que pretende ensinar, bem como as 
suas características, as principais actividades das aulas vão se desenvolver em grupos de 
língua (i.e. formar grupos de alunos que falam a mesma língua); 
• Dado um modelo de um texto em Português, o formador orienta a actividade de tradução 
do mesmo para as línguas bantu faladas na sala de aulas (cada falante de uma língua 
traduz o texto no seu caderno); 
• Em grupos ou individualmente, o formador manda os alunos identificar os aspectos 
estruturais dos textos e outros exercícios relevantes para a assimilação dos conteúdos dos 
textos e 
• Individualmente, o professor orienta os alunos para redigirem textos e oralmente, os 
mesmos lê-nos para mostrar o grau da assimilaçãoo de conteúdos. 
Note-se que esta unidade visa acima de tudo, pôr os alunos a praticar a ortografia das suas 
línguas e a redigir e a interpretar os diferentes tipos de texto. Apostamos na criatividade do 
formador. Em anexo, sugerimos os aspectos a trabalhar, durante a interpretação de textos de 
vária natureza. 
 
 
 100
5.4. Autoavaliação 
1. Elabora (na sua língua bantu): 
. Um requerimento dirigido ao director do IFP a solicitar o certificado de conclusão do curso; 
. Um convite ao seu melhor amigo para a festa da sua graduação; 
. Um texto argumentativo argumentando a favor ou contra o consumo de tabaco; 
. Uma notícia sobre a abertura do ano lectivo de 2013. 
2. Recolhe 3 contos e 3 lendas da sua comunidade linguística. 
. Faz o resumo dos textos recolhidos. 
5.5. Chave de Correcção 
1. Ao critério do formando e do formador. 
2. Ao critério do formando e do formador. 
5.6. Bibliografia Complementar: 
Alves, P. Albano. 1957. Dicionário Português-Chisena e Chisena-Portutuês. Beira: Tipografia da 
Escola de Artes. 
Barreto, Luís de Lima. 1993. Aprender a Comentar um texto Literário — Modelos de análise 
Crítica e Comentário. 3ª Edição. Lisboa: Texto Editora. 
Branco, Pedro. (Edt). 1996. Língua Portuguesa 5. 2ª Edição. Lisboa: Constância Editores, 
Portugal. 
Morais, Maria Emília & Bertina Oliveira. 2009. Língua Portuguesa, 8ª Classe. 1ª Edição. Porto: 
Plural Editoras, Portugal. 
 
 101
Ngunga, Armindo. 2001. Writing in Ciyao: The past and the Future. In Pfaffe (ed). Cross-Border 
Languages within the Context of Mother Tongue Education. 
Ngunga, Armindo & Osvaldo Faquir. 2011. Padronização da Ortografia de Línguas 
Moçambicanas: Relatório do III Seminário de Padronização. Maputo: Ciedima, Centro de 
Estudos Africanos. 
Santos, Pe. L. dos. 1941. Gramática da língua chope. Lourenço Marques: Imprensa Nacional de 
Moçambique. 
Santos, Pe. L. dos. 1950. Dicionário Português-Chope e Chope-Português. Lourenço Marques: 
Imprensa Nacional de Moçambique. 
Sitoe, Bento e Armindo Ngunga. 2000. Relatório do II Seminário de Padronização da 
Ortografia de línguas moçambicanas. Maputo: NELIMO, Universidade Eduardo Mondlane. 
Sitoe, Bento. 1996. Dicionário Changana – Português. Maputo: INDE. 
Wilkes, A. 1985. Words and word division: A study of some orthographical problems in the 
problems in the writing systems of the Nguni and Sotho Languages. Pretoria: University of 
Pretoria.

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