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Contexto e Ação Cultura, ciência e tecnologia (11)

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PARTE 1
CONEXÕES
TEMA 1
 
O problema do gosto
Os professores de Filoso�a, de História, de Sociologia e de Geogra�a são indicados, 
prioritariamente, para o trabalho deste segmento, com a colaboração do professor de Arte.
Quantas vezes você já ouviu falar que gosto não se 
discute? Possivelmente muitas, como todos nós. Afi-
nal, gosto é praticamente um sinônimo de preferência 
pessoal e comumente relacionado aos nossos senti-
dos: gosto de uma comida e não de outra; gosto de 
uma cor e não de outra; gosto de uma música e não 
de outra. Então não há mesmo o que discutir. Ou há?
Nem sempre a palavra teve esse significado. No sé-
culo XVIII, na Europa, o termo gosto definia uma capa-
cidade humana particular, assim como a razão, a sensi-
bilidade, a imaginação etc. O que era e qual era a função 
dessa capacidade não foi algo muito bem definido. 
De maneira geral, o gosto nos permitiria perceber 
o que é belo e perfeito com prazer e o que é feio e 
imperfeito com desprazer. O que é o belo e como seu 
sentimento nasce em nós são questões debatidas des-
de sempre e que parecem sem fim. O que se dizia a 
seu respeito é que ele seria de alguma maneira mental 
ou espiritual.
Aísthesis é uma palavra grega que significa “percep-
ção sensível”. A estética, então, surgiu como um ramo 
do conhecimento dedicado ao estudo da percepção: 
Como percebemos as coisas? Como sentimos os obje-
tos externos a nós mesmos? A percepção da natureza e 
a dos objetos criados pelo ser humano são diferentes?
Por levantar essas questões, entre muitas outras, 
os problemas estéticos foram tão importantes para os 
pensadores iluministas. Isso não significa que tais pro-
blemas não existissem antes, apenas não eram objeto 
de uma área de investigação específica. 
Os próprios pensadores do século XVIII, muito preo- 
cupados com a natureza histórica de suas teorias, bus-
caram inspiração nos pensadores antigos, como Platão 
(428 a.C.-347 a.C.), Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.) e ou-
tros filósofos da Antiguidade clássica, mesmo que fosse 
para os criticar e identificar suas diferenças. 
De fato, foi Platão quem levantou muitos problemas 
que até hoje pertencem à estética: Qual a natureza da 
inspiração? Quais os impactos – sensíveis ou intelectuais 
– de certos objetos sobre aquele que os recebe? O que 
diferencia a criação estética de outras? O que é a beleza? 
Ela pode ser definida? Pode ser imitada? Pode o artista 
recusá-la, preferindo a feiura? E, de fato, foi Aristóteles, 
seu aluno, o primeiro a sistematizar todos esses proble-
mas em uma única obra, Poética (c. 324 a.C.-323 a.C.).
Mas, na modernidade, a estética adquire novos 
contornos. Por que? Essa pergunta pode ser respon-
dida se você pensar nas transformações acontecidas a 
partir do fim da Idade Média: 
•	 as Grandes Navegações permitiram contatos 
com terras e gentes que antes nunca tinham se 
encontrado; 
•	 a Revolução Científica abalou as crenças conhe-
cidas sobre a natureza e o Universo, permitindo 
imaginar muitos outros mundos possíveis; 
•	 o fim do Feudalismo possibilitou o surgimento de 
novas formas de organização política e social, con-
duzindo ao fim do “mundo antigo”, no qual os con-
tinentes tinham normas fixas e realidades estáveis.
Uma nova concepção de mundo, menos fixa e está-
vel e mais aberta e maleável à ação humana, começou 
a se formar. A estética moderna nasce nesse contexto 
perturbador, de dúvidas quanto à própria condição hu-
mana: “Se a realidade externa que sinto, não com o co-
ração, mas com os sentidos, pode não ser exatamente o 
que percebo, será que o problema é com o mundo ou 
comigo? Bem, é mais provável que seja comigo.”.
O problema desse “novo mundo” está em enten-
der como o sujeito do conhecimento também sente, 
percebe, imita e cria objetos que parecem não ter ne-
nhuma finalidade definível.
Para Galileu Galilei (1564-1642), a matemática era a 
linguagem da realidade. Para ele, se não conhecemos a 
matemática, não conhecemos a realidade, pois os senti-
dos nos enganam: não percebemos que a Terra está em 
movimento, porque nela estamos e, se não nos move-
mos, sentimos que estamos parados. Portanto, pela ra-
zão e pela matemática, descobriu-se que a Terra se move 
e, por conseguinte, nós também. 
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A pintura acima mostra a influência da Revolução Científica sobre a arte, mesmo 
ao retratar a Sagrada Família em cenário noturno, de acordo com o relato bíblico.
A educação da sensibilidade
Como vimos anteriormente, a palavra gosto, no século XVIII, não significava 
apenas preferência pessoal, como entendemos hoje. Compreendia-se o gosto 
como uma faculdade humana específica para apreciar certas coisas e outras não. 
Diferentemente do conhecimento científico, o gosto não se baseava em evidências 
factuais, mas ainda assim não era totalmente subjetivo. 
Pensando nisso, podemos perguntar: Há padrões objetivos e universais para jul-
gar as obras de arte ou a apreciação artística é totalmente subjetiva?
Embora as pessoas discordem entre si a respeito do que gostam ou não – seja 
no belo natural, seja no belo artístico, isto é, cultural –, não há opiniões estéticas 
que são descartadas como falsas e outras como verdadeiras. Caso contrário, como 
explicar o fascínio de certas produções culturais que atravessam eras e culturas, 
como a Ilíada (século VIII a.C.) de Homero (928 a.C.-898 a.C.), as tapeçarias persas 
ou as pinturas do chinês Wang Ximeng (1096-1119)?
Esse é o chamado paradoxo do gosto, tal como enunciado por David Hume 
(1711-1776), o filósofo empirista inglês. Hume pensava que esse paradoxo podia 
ser solucionado se pensarmos em termos de prazer e desprazer: uma vez que há 
sentimentos universalmente agradáveis e outros desagradáveis, deve haver “leis” do 
gosto, quer dizer, padrões universalmente aceitos para dizer o que é ou não agradá-
vel à percepção sensível.
De acordo com seu empirismo, Hume defendia que a variação das experiên-
cias, em qualidade e quantidade, pode servir de base para o estabelecimento desse 
padrão. Como exemplo, ele referencia Dom Quixote (1605), de Miguel de Cervantes 
(1547-1616), para embasar seu argumento. 
Sancho Pança, uma das personagens de Dom Quixote, diz a seu patrão que sa-
ber avaliar bem os vinhos é herança familiar e explica sua afirmação por meio de 
Os professores de Filoso�a e de Sociologia são indicados, 
prioritariamente, para o trabalho deste segmento.
Fuga para o Egito, de Adam 
Elsheimer (1579-1610), 1609. 
Óleo sobre placa de cobre. 
Coleção particular. Pesquise 
outras imagens com o mesmo 
tema (fuga para o Egito), 
preferencialmente do período 
medieval, e compare com 
a pintura reproduzida ao 
lado. Reflita: Quem são os 
protagonistas da cena? O que o 
artista faz você ver?
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