Logo Passei Direto
Material
Study with thousands of resources!

Text Material Preview

Resumo em duas páginas de Hamlet, peça de William 
Shakespeare em cinco atos 
ou 
“Um artigo suicida” 
 
 
Um ator do nosso grupo tinha que montar uma cena 
para um curso de teatro que ele está fazendo. 
Escolheram para ele um trecho de Hamlet, começ ando 
justo a partir do monumental “Ser o não ser” (daí 
mesmo, sem exagero.). Tentando ajudar, fiz um 
resumo, com foco na bendita cena, a do crânio de Yorick. 
 
Como muitos não leram Hamlet, segue o resumo, que não substitui a 
leitura deste que é um texto fundamental, principalmente para 
quem, como nós, ama teatro, mas de repente desperta a vontade 
de ler! 
 
O pai de Hamlet era rei (da Dinamarca). Ele morreu. O irmão dele 
(portanto tio de Hamlet), era o sucessor imediato, logo tornou-se rei. 
 
O novo rei casou com a antiga rainha, mãe do Hamlet, viúva do seu 
irmão, logo sua cunhada. 
 
Hamlet sabe que seu tio matou o seu pai (envenenamento). Ninguém 
sabe. Ele sabe porque o espírito do pai lhe contou (éééé... 
Shakespeare!) 
 
Para vingar o pai (Shakespeare podia ser espírita, mas seus 
personagens não eram, definitivamente!) Hamlet se passa por louco. 
Todo mundo acredita, o que o deixa com certa liberdade de ação. 
 
Uma trupe de atores (!) chega à corte. Hamlet encomenda uma peça 
com enredo semelhante ao que aconteceu com o pai dele. 
 
Ao assistir a peça, o tio fica malzão de cabeça. Hamlet tem a 
confirmação: ele é o assassino! 
 
Hamlet discute com a mãe e mata, por engano, o pai da Ofélia, uma 
nobre a qual ele ama e é correspondido. 
 
O rei exila Hamlet na Inglaterra. Quem os acompanha são 
Rosencrantz e Gildestern. Esses dois levam ordens secretas para o rei 
da Inglaterra decapitar Hamlet assim que ele lá chegar. 
 
No navio Hamlet abre a ordem do tio e a substitui por outra, 
mandando matar Rosencrantz e Gildestern (mais tarde na peça tem 
uma frase “Rosencrantz e Gildestern estão mortos” que, em uma 
ideia tão genial que eu queria ter tido, virou um filme com esse título, 
também genial, com Gary Oldman e Tim Roth, contando a mesma 
história do ponto de vista desses dois personagens). 
 
Hamlet foge, voltando à Dinamarca. 
 
Ao chegar, escondido, vai ao cemitério. O coveiro está 
abrindo uma cova nova. Quem estava enterrado lá 
antes era o bobo da corte. Agora ele é só uma caveira. 
E ali Hamlet faz uma reflexão sobre a fragilidade da 
nossa existência. Hoje somos, em um minuto deixamos 
de ser. Leia a frase duas vezes, uma afirmativamente 
outra interrogativamente. É isso o que Hamlet está fazendo! 
Aquele ali enterrado foi uma pessoa humilde, um bobo, que o fez rir 
quando criança. Alexandre, o Grande, também virou lama, e sobre a 
lama da sua (in-)existência, o Império Romano pode ter sido erguido. 
O célebre monólogo “ser ou não ser” é a reflexão que todos nós 
fazemos, em algum ponto, sobre o sentido das nossas vidas. Não é 
um momento de força, mas de fragilidade. Ele pode até olhar para a 
caveira, mas na verdade procura algo maior e acaba vendo dentro de 
si mesmo. 
 
A viagem mental é interrompida com a chegada do enterro (o coveiro 
estava abrindo a cova, lembra?). Então, é o enterro de Ofélia. Ela 
realmente ficou lelé com a morte do pai pelas mãos do homem 
amado e suicidou. 
 
Por ser suicida, Ofélia não pode receber os mesmos ritos religiosos 
“das almas que morrem puras”, o que revolta seu irmão Laertes, que 
jura se vingar de Hamlet. Hamlet se mostra e a briga é feia. 
 
É marcado um duelo entre Hamlet e Laertes. O rei finge apostar em 
Hamlet, brinda e bebe, na frente de todos, à sua vitória. Mas, 
escondido, põe veneno no vinho. Laertes, que está mancomunado 
com o rei, põe um pouco do vinho envenenado na ponta do seu 
florete. A mãe de Hamlet, sem saber de nada, brinda e bebe à vitória 
do filho. O rei vê, e até tenta impedi-la, mas se ele se esforçar muito 
vai se entregar, logo... Laertes fere Hamlet (com o florete 
envenenado, tá acompanhando?). Hamlet desarma Laertes. Hamlet 
fere Laertes com o próprio florete. A mãe de Hamlet começa a morrer 
e entrega “fui envenenada” (livre adaptação da linguagem elevada de 
Shakespeare, lógico!). Hamlet, malzão de cabeça, mata o rei. Morre 
todo mundo (aí entra outra fala famosa do bardo “O resto é silêncio”, 
sacou o contexto?). Se aproveitando da confusão, o rei da Noruega 
invade a Dinamarca e vira rei da Dinamarca. Fim. 
 
Andréa Terra