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TEORIA GERAL DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS E DIREITO IMOBILIÁRIO 
 
TEMA 1 - Teoria Geral Dos Negócios Jurídicos 
 
AULA 1 – CONCEITOS INICIAIS 
Parte Geral do Código Civil de 2002. 
1. Fato: é qualquer ocorrência. Se subdivide em: 
1.1. Fato Jurídico “lato sensu” (direito) 
1.1.1. Natural: fato jurídico “stricto sensu”. Ex.: chuva. 
1.1.2. Humano: fato jurígeno, ou seja, fato provido de vontade 
1.1.2.1. Lícito (ato jurídico): destinado para uma finalidade específica 
(negócio jurídico) ou para promover efeitos legais (ato jurídico). 
1.1.2.2. Ilícito: 
1.2. Fato não jurídico 
 
• Fato jurídico: é o fato que interessa ao direito, podendo ser natural ou humano. O 
fato humano é o fato jurígeno. Ex.; chuva, decurso do tempo, prescrição. 
• Ato jurídico: trata-se de um fato jurídico com elemento volitivo (vontade) e 
conteúdo lícito. Doutrina diverge se ato ilícito é ato jurídico. 
• Negócio Jurídico: um ato jurídico em que há uma composição de interesse ou 
interesses com finalidade específica. É a principal forma de expressão da 
autonomia privada. Há uma composição de interesses. 
o Autonomia privada: direito de autorregulamentação negocial. 
Regulamentar os próprios interesses. 
o Autonomia da vontade: traz ideia de autonomia plena e sem restrições. 
Todavia, isso não existe no direito privado. 
o Por isso a denominação “autonomia privada” é mais adequada, pois 
carrega a ideia de que se valoriza a liberdade, porém, existem restrições 
decorrentes de normas cogentes. 
 
AULA 2 – FATO JURÍDICO 
• Negócio Jurídico: um ato jurídico em que há uma composição de interesse ou 
interesses com finalidade específica. É a principal forma de expressão da 
autonomia privada. Há uma composição de interesses. 
o Autonomia privada: direito de autorregulamentação negocial. 
Regulamentar os próprios interesses. 
o Autonomia da vontade: traz ideia de autonomia plena e sem restrições. 
Todavia, isso não existe no direito privado. 
o Por isso a denominação “autonomia privada” é mais adequada, pois 
carrega a ideia de que se valoriza a liberdade, porém, existem restrições 
decorrentes de normas cogentes. Ex.: Lei da Liberdade Econômica. 
o Limites da autonomia privada nos negócios jurídicos imobiliários: normas e 
princípios de ordem pública. Ex.: 421 e 422, CC. 
 
AULA 3 – FATO JURÍDICO (CONTINUAÇÃO) 
• Ato jurídico em sentido estrito (stricto sensu): é um fato jurídico somado a vontade 
de praticar ato ilício que produz efeitos meramente legais. 
Não há busca de finalidade específica. Ex.: ocupação de imóvel, reconhecimento de um 
filho. 
Aplica-se as mesmas regras do negócio jurídico, no que couber. Ex.: vícios no negócio 
jurídico. 
 
• Ato-fato jurídico ou ato real (Pontes de Miranda): é um fato jurídico qualificado por 
uma vontade não relevante juridicamente em um primeiro momento, mas que se 
revela relevante por seus efeitos. 
Ex.: Criança de 10 anos (incapaz) que compra lanche na escolha; achado de um 
tesouro sem querer. 
 
TEMA 2 – ELEMENTOS CONSTITUTIVOS E ESTRUTURIAS DO NEGÓCIO JURÍDICO 
 
Aula 1 – Escada Ponteana 
Elementos constitutivos do Negócio Jurídico foram divididos por Pontes de Miranda em três 
planos, qual sejam: 
• Plano de Existência 
• Plano da Validade 
• Plano da Eficácia 
Devem ser preenchidos os requisitos da existência para seguir para a validade e da validade 
para seguir para a eficácia. 
Para que o negócio jurídico seja válido, deve existir. 
Para que o negócio jurídico gere efeitos, deve existir e ser válido, em regra. 
Exceção: negócio jurídico pode existir, ser inválido e estar gerando efeitos. Ex.: contrato 
acometido pelo vício da lesão, antes da ação anulatória. 
1. Plano da Existência: Elementos mínimos exigidos do negócio jurídico que formam 
o seu suporte fático (pressupostos de existência). São eles: 
- Parte 
- Vontade 
- Objeto 
- Forma 
 
Se o negócio jurídico não apresentar tais pressupostos, ele será inexistente. 
Contudo, o Código Civil não se preocupou com a inexistência, pois voltou os olhos 
para a validade. 
 
Aula 2 – Escada Ponteana (continuação) 
2. Plano da Validade: os elementos da existência são adjetivados (qualificados) 
- Partes capazes 
- Vontade livre 
- Objeto lícito, possível e determinado (determinável) 
- Forma prescrita ou não defesa em lei. 
 
O plano da existência está embutido no plano da vontade. 
Se o negócio jurídico apresentar problema ou vício quanto a esses elementos, será 
inválido, o que é resolvido pela teoria das nulidades. 
 
Classificação das invalidades do negócio jurídico: 
Quanto ao Grau 
• Nulidade absoluta: gera negócio jurídico nulo (art. 166, CC). Envolve a ordem 
pública e é mais grave. 
• Nulidade relativa ou anulabilidade: gera negócio jurídico anulável (Art. 171, CC) 
envolve a ordem privada (interesse particular) e é menos grave. 
Quanto a extensão: 
• Invalidade total: todo o negócio jurídico é nulo ou anulável; 
• Invalidade parcial: parte do negócio jurídico é nulo ou anulável. Segundo art. 
184, CC, a parte inválida do negócio jurídico não prejudica a parte válida se ela 
for separável. 
Existe nulidade absoluta parcial? Sim, quando só parte do negócio é nula. Ex.: só uma 
cláusula do contrato (inerente a multa) é nula. 
Existe nulidade relativa total? Sim. Todo o negócio jurídico é anulável. Ex.: todo o 
contrato está acometido por lesão. 
 
Aula 3 – Escada Ponteana (continuação) 
3. Plano da Eficácia 
Neste plano estão as consequências do negócio jurídico relacionadas a 
modificação ou extinção de direitos. 
Ex.: Resolução (inadimplemento); juros, cláusula penal, perdas e danos; regime de 
bens de casamento; Registro Imobiliário. 
 
a) Condição: é o elemento acidenta do negócio jurídico que subordina a sua 
eficácia a um evento futuro e incerto. 
Conjunções: “se” (condição suspensiva) ou “enquanto” (condição resolutiva). 
 
Classificação: 
 
1. Quanto à licitude: 
- Condições lícitas: não contrariam a lei, a ordem pública e os bons costumes. 
 
- Condições ilícitas: contrariam os parâmetros acima e, por conseguinte, geram 
nulidade absoluta do negócio jurídica (art. 123, II). 
 
2. Quanto à possibilidade 
- Condições possíveis: podem ser cumpridas fática e juridicamente. 
 
- Condições impossíveis: não podem ocorrer por razão fática ou jurídica. Por 
consequência, geram a nulidade absoluta do negócio jurídico quando 
suspensivas. Se a condição for resolutiva, é considerada não escrita. 
 
3. Quanto à origem 
- Condições Causais: tem origem em fato natural 
 
- Condições Potestativas: tem origem na vontade. Se subdivide em 
simplesmente potestativa (vontade de uma + vontade de outro - lícita) ou 
puramente potestativa (vontade de um - ilícita). 
 
- Condições mistas: tem origem em fato natural e na vontade. 
 
4. Quanto aos efeitos 
- Condições suspensivas (se): se não verificadas, suspendem a aquisição e o 
exercício do direito, logo, não há direito adquirido. 
 
- Condições resolutivas (enquanto): enquanto não verificadas, vigorará o 
negócio jurídico, cabendo o exercício de direitos (há direito adquirido). 
Sobrevindo a condição, o negócio jurídico será extinto para todos os efeitos. 
 
A condição resolutiva pode ser expressa ou tácita, com grande repercussão 
para os contratos imobiliários (Art. 474, CC). 
 
Aula 4 – Escada Ponteana (continuação) 
b) Termo: elemento acidental do negócio jurídico, que associa a sua eficácia a 
evento futuro e certo. Conjunto “quando”. 
 
Classificação: 
1. Quanto à origem 
- Termo legal: decorre da lei. Ex.: termo inicial para atuação do 
inventariante. 
- Termo convencional (autonomia privada). Ex.: Contrato de Locação. 
 
2. Quanto à determinação 
- Termo Certo (determinado): sabe o que ocorrerá e quanto ocorrerá. Ex.: 
Fim de contrato com prazo determinado. 
- Termo incerto (indeterminado): eu sei que ocorrerá, mas não sei quando. 
Ex.: Morte. 
 
Obs.: Regras importantes 
• Art. 131, CC: O termo inicial suspendo o exercício, mas não a aquisição 
do direito. A parte tem direito adquirido, mas não pode exercê-lo.• Art. 135, CC: Ao termo inicial e final aplicam-se, no que couber, as 
disposições relativas à condição suspensiva e resolutiva. A 
interpretação do artigo leva a entender que, quanto aos efeitos, o termo 
inicial equivale a condição suspensiva e o termo final equivale à 
condição resolutiva. 
 
c) Encargo ou modo: é um ônus, um “fardo negocial”, introduzido em ato de 
liberalidade (geralmente, doação). Conjunções: “para que” ou “com o fim de”. 
 
Ex.: “Dou-lhe um terreno PARA QUE você construa, em parte dele, um asilo”. 
 
- O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito; 
- Se o encargo for ilícito ou impossível, em regra, é considerado como não 
escrito. 
 
TEMA 3 – VÍCIOS DO NEGÓCIO JURÍDICO 
 
Aula 1 – Vício em geral – erro e dolo 
a) Vícios de vontade (vícios do consentimento): erro, dolo, coação moral, estado de 
perigo e lesão. 
b) Vícios sociais: simulação e fraude contra credores. 
 
- Vícios da vontade não se confundem com vícios redibitórios ou do produto, vez que os 
vícios da vontade atingem o consentimento do negociante, ou seja, são vícios subjetivos e 
envolvem o plano da validade. 
Os vícios redibitórios e do produto são objetivos, são vícios da coisa. 
 
ERRO (ignorância) – Art. 138 a 144, CC 
- No erro, há uma falsa noção da realidade; quanto a um elemento do negócio. 
- Na ignorância há um desconhecimento total. 
- Em ambos os casos, há um engano solitário. A pessoa se engana sozinha. 
- Erro é uma causa de anulabilidade, quando emanar de erro substancial. 
 
Obs.: Erro grosseiro (foi muito idiota) – Código Civil de 2002 adota o binômio escusabilidade 
e cognoscibilidade. Ou seja, quando a outra parte sabe do erro e não fala nada. 
Enunciado 12 da 1ª Jornada do Direito Civil: na sistemática do artigo 138, é irrelevante ser 
escusável ou não o erro, pois o artigo adota o princípio da confiança. 
 
Indução em erro é dolo e não erro. 
 
Aula 2 – Erro e Dolo 
 
Modalidades de Erro 
1 - O erro deve ser substancial ou essencial. Isso quer dizer que o negócio jurídico só foi 
cometido pela presença do erro. É um erro objetivo, pois envolve alguma das qualidades 
do objeto. 
2 – Erro subjetivo (in persona): erro quando a pessoa a quem se refira a declaração de 
vontade. 
3 – Erro jurídico: é o erro de direito. É uma exceção ao artigo 3º da LINDB. Ex.: Locatário 
acha que perdeu prazo para ação renovatória e o locador se vale desse erro para realizar 
termo aditivo com valor muito superior ao praticado. 
 
Obs.: o erro, para anular o negócio jurídico, deve ser substancial (essencial). Logo, o falso 
motivo, em regra, não gera anulabilidade, salvo se for razão determinante do negócio 
jurídico. – Art. 140. 
 
Obs.: Erro sanável, pela possível identificação posterior. Não gera a anulabilidade. Ocorre 
com possível erro de identificação de pessoa ou coisa que eventualmente pode ser 
corrigido. – Art. 142. 
 
Obs.: Erro de cálculo: apenas autoriza a retificação da declaração de vontade. Art. 143. 
 
Obs.: Erro sanável, por oferecimento da outra parte. Quando a pessoa a quem a 
manifestação de vontade se dirige, se oferece para executá-la na conformidade da vontade 
real do manifestante. Art. 144. 
Princípio da conservação do negócio jurídico. 
Enunciado 22 da 1ª JDC – Conservação do NJ no sentido de preservação da autonomia 
privada e função social do contrato. 
 
Obs.: A transmissão errônea da vontade por meios interpostos é anulável nos mesmos 
casos em que o é a declaração direta. Art. 141. 
Meios interpostos são os meios digitais. Ex.: Contrato celebrado por meio digital. 
 
Aula 3 – Dolo (art. 145 a 150) 
DOLO 
- No erro há um engano solitário, enquanto no dolo alguém engana a pessoa (“indução em 
erro”). 
- É um problema de formação que atinge o plano da validade. 
- Dolo é a arma do estelionatário. 
 
1 – Dolo essencial (Art. 145 - dolos causam): o dolo é o que levou a ser realizado o negócio 
jurídico, ou seja, o negociante só fechou acordo, por dolo praticado pelo outro negociante 
ou terceiro. 
 
2 – Dolo acidente (art. 146): só gera perdas e danos, pois não é essencial. É acidental 
quando, a seu despeito, o negocia seria realizado, embora de outro modo. 
Ex.: imóvel vendido na planta, em que se demonstrava o apartamento decorado, levando a 
entender que qualquer móvel poderia ser colocado no bem. Todavia, era só sob medida. 
 
3 – Dolo Positivo: é o dolo por ação. 
Ex.: Publicidade enganosa por ação. Fala que tem acessório que não tem. 
 
4 – Dolo negativo: dolo por omissão. Deixar de prestar informações relevantes ao negócio 
que está celebrado. É um silencio intencional. 
 
Aula 4 – Dolo 
 
5 – Dolus bonus: é o dolo bom, ou seja, não prejudica ou até beneficia o negociante. Em 
tese, não anula o negócio jurídico. 
Não se admite dolo bom em relação de consumo. 
 
 
6 – Dolus malus: é o que gera anulação, a priori. 
 
7 – Dolo de terceiro (art. 148): tem as mesmas consequências da coação de terceiro. O 
negócio jurídico pode ser anulado por dolo de terceiro, se a parte a quem aproveite dele 
tivesse ou devesse ter conhecimento. 
O terceiro responderá por todas as perdas e danos da parte a quem ludibriou. 
 
8 – Dolo bilateral ou recíproco (art. 150) – é aquele dolo de ambas as partes. Neste caso, os 
dolos se compensam (dolo compensado). Nenhuma das partes pode alegá-lo para anular 
negócio jurídico ou reclamar indenização. 
Ninguém pode ser beneficiar da própria torpeza. 
 
TEMA 4 – VÍCIOS DO NEGÓCIO JURÍDICO (CONTINUAÇÃO) 
Aula 1 
COAÇÃO 
 - No erro alguém engana sozinho; no dolo é enganado; na coação há uma pressão. 
- É um vício subjetivo que impacta o plano da validade 
- Coação é uma pressão exercida pelo negociante ou por terceiro em face de outro 
negociante, para ter um benefício próprio. 
 
Classificação 
1 – Coação Física (vis absoluta): aquela coação que retira a vontade da parte. 
Não está tratada no Código Civil. 
Há discussão doutrinária se acarreta negócio jurídico inexistente, pois não tem vontade OU 
se é um negócio jurídico nulo, pois o Código Civil não se preocupou com o plano da 
validade. 
 
2 – Coação moral (vis compulsiva): pressão psicológica. Gera um dado temor de mal 
considerável (dano iminente) à sua pessoa, à sua família ou aos seus bens. 
Se for contra pessoa que não seja da família, o juiz analisará o caso concreto para decidir 
se houve coação. 
Tratada pelo Código Civil (art. 151). 
Consequência é nulidade relativa ou anulabilidade. 
 
 
 
AULA 2 
COAÇÃO – CONTINUAÇÃO 
 
Exercício regular de um direito e termo reverencial 
- Não constituem coação. 
- Se a pessoa deve, é possível inscrever o seu nome no cadastro negativo (art. 43, CDC); 
- Relevância em questões condominiais, como por exemplo, é possível que conste em atas 
e livros as unidades inadimplentes. 
O que não é indicado é colocar o nome do morador. 
 
Coação de terceiro 
- Gera anulação do NJ; 
- Gera anulação se o beneficiário sabia ou deveria saber; 
- A parte que se aproveita responde solidariamente por perdas e danos. 
Obs.: O negócio subsistirá se o beneficiário não sabia. Contudo, o autor da coação 
responderá por perdas e danos que houver causado. Aplicação do princípio da 
conservação do negócio jurídico. 
 
Coação na Cobrança de Dívidas e CDC 
- Na cobrança de débitos o consumidor não será exposto a ridículo, nem será submetido a 
constrangimento ou ameaça. 
 
AULA 3 
ESTADO DE PERIGO – Art. 156, CC 
- Configura-se estado de perigo quando uma pessoa precisa se salvar ou salvar alguém de 
sua família e, para isso, assume obrigação excessivamente onerosa. 
- Se não for pessoa da família, juiz decidirá conforme as circunstâncias. 
 
- Existe uma situação de perigo (elemento subjetivo) que atinge o próprio negociante, 
pessoa de sua família ou pessoa próxima. 
- A situação de perigo deve ser conhecida pela outra parte 
- Onerosidade excessiva (elemento objetivo), fazendo com que o contrato nasça 
desiquilibrado. 
 
- Consequência (Art. 171, CC): gera nulidade relativa ou anulabilidade;- Discute se cabe revisão negócio jurídico: entendimento majoritário é que sim. Enunciado 
148 da 3º JDC. 
 
Exemplos: 
 
1 – Alguém tem o filho sequestrado e o valor do resgate é de R$ 50.000,00 
O vizinho sabe que você tem um bem que vale 1.000.000,00, mas oferece o valor do 
resgate. 
Nesse caso, cabe anulação. 
 
2 – Está em uma cidade com poucos recursos médicos e o filho é atropelado. 
O médico cobra 150.000,00 e uma cirurgia que custaria 15.000,00. 
Neste caso, cabe revisão. 
 
3 – Exigir cheque caução em hospital em casos de emergência. 
Flavio Tartuce entende que é prática abusiva (cláusula abusiva) e não estado de perigo. 
 
AULA 4 
 
LESÃO – ART. 157, CC 
 
- Ocorre a lesão quando uma pessoa, sobre premente necessidade ou inexperiência, se 
obriga a obrigação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. 
 
- Premente necessidade ou inexperiência (elemento subjetivo). 
+ 
- Onerosidade excessiva (elemento objetivo), fazendo com que o contrato nasça 
desiquilibrado. 
 
Consequência: nulidade relativa ou anulabilidade (art. 171) 
 
- É possível a revisão do negócio jurídico. Aprecia-se a desproporção segundo os valores 
vigentes ao tempo da celebração do negócio jurídico. 
- Não se decretará a anulação do negócio jurídico se for oferecido suplemento suficiente 
ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito. 
- Com relação a revisão, o lesionado tem 10 anos para requerer a revisão a contar do 
negócio jurídico (celebração do contrato). Prazo para anulação é de 4 anos. 
- Cabe ação direta de revisão. 
 
Diferença entre lesão e estado de perigo 
- Elemento subjetivo; 
- No estado de perigo situação de perigo que atinge o próprio negociante, pessoa de sua 
família ou pessoa próxima; 
- Na lesão é a premente necessidade ou experiencia. 
 
Diferença entre lesão e lesão usurária 
- Lesão usurária (Decreto-Lei 22.626/1933): ocorre quanto há cobrança de juros abusivos 
ou multa abusiva. Aqui ocorre a nulidade absoluta. 
Não tem o elemento subjetivo. 
 
Exemplos: 
1 – Venda de imóvel na planta, no qual, geralmente, é uma pessoa inexperiente e o contrato 
prevê taxas (ex.: SAT), juros, etc. 
Em regra, ocorre a revisão do contrato (princípio da conservação dos contratos). 
 
 
 
TEMA 5 – VÍCIOS DO NEGÓCIO JURÍDICO (CONTINUAÇÃO) 
 
Aula 1 – Simulação 
- É um vício social, presente quando há uma discrepância entre a vontade interna e a 
manifestada. 
- Art. 167, CC. 
- Gera nulidade absoluta, pois impacta na ordem pública. 
- É uma diferença entre a aparência e a essência. “Parece, mas não é!” 
 
Modalidades de Simulação 
a) Simulação Absoluta: na aparência há um determinado negócio jurídico, mas na 
essência é um conjunto vazio. 
Há quem entenda, na doutrina, que é um negócio inexistente. 
Majoritária entende que é negócio jurídico nulo, pois o CC de 2002 não adotou a 
teoria da inexistência. 
Ex.: Pai vende imóvel para o filho só na aparência, pois continua a exercer os atos 
de domínio no imóvel. 
 
b) Simulação Relativa: É a mais comum. Na aparência há um determinado negócio 
jurídico, mas na essência existe outro negócio jurídico, que está escondido 
(dissimulado). 
O dissimulado será válido, desde que presentes os requisitos legais. 
Ex.: Celebra comodato, mas cobra aluguel por debaixo dos panos. 
 
Aula 2 – Simulação 
A simulação relativa se subdivide em objetiva e subjetiva. 
 
• Simulação relativa objetiva (Art. 167, §1º, incisos II e III): 
- Quando há problema no conteúdo do negócio jurídico, que não é o real. 
- Ex.: Documentos pós ou antedatados (referem-se apenas a documentos 
particulares). 
- Norma Rígida – documento particular com data retroativa acarreta nulidade de 
pleno direito. 
 
• Simulação relativa subjetiva (Art. 167, §1º, incisos I): 
- Problema inerente aos negociantes, que não é o real. 
Ex.: Contrato celebrado com testa de ferro (laranja); pessoa interposta. Negócio 
jurídico nulo (nulidade absoluta). 
 
Temas importantes: 
• Art. 104 do CC de 1916 preconizava que uma parte não poderia alegar simulação 
contra a outra. 
Esse artigo não foi reproduzido pelo Código Civil de 2002 (posição doutrinária 
dominante). 
• Enunciado 294 da IV Jordana do Direito Civil: Sendo a simulação uma causa de 
nulidade do NJ, pode ser alegada por uma das partes contra a outra. 
Clara observância da ordem pública. 
Aplicado pelo STJ (REsp 1.969.648/DF) 
• Art. 3º, inciso VIII da Lei da Liberdade Econômica (Contratos Empresariais 
Paritários): Dispõe o respeito da boa-fé, pacta sunt servanda e matérias de ordem 
pública. 
 
Aula 3 - Simulação 
Simulação Maliciosa x Simulação Inocente 
 
- Simulação maliciosa é aquela que traz prejuízo. 
- Simulação inocente, por sua vez, não acarreta prejuízo para as partes. 
 
- O art. 103 do CC/1916 previa que a simulação inocente não geraria nulidade do negócio 
jurídico. 
- Enunciado nº 152 da III JDC: “toda simulação, inclusive a inocente, é invalidante”. Não é 
posição unanime. 
- Art. 167, CC de 2002 fala que é nulo o negócio jurídico simulado (aparência). 
- Enunciado nº 293 da IV JDC (Conservação do NJ): Na simulação relativa, o 
aproveitamento do NJ dissimulado não decorre tão somente do afastamento do negócio 
jurídico simulado, mas do necessário preenchimento de todos os requisitos substanciais 
e formais da validade daquele”. Art. 104, CC. 
 
- Conhecimento de ofício: Sim, haja vista que afeta a ordem pública. Contudo, o artigo 10 
do CPC/15 determina que ambas as partes sejam ouvida, em razão do contraditório e 
ampla defesa. 
- O prazo para ação declaratória de nulidade não existe, seja decadencial, seja 
prescricional. Art. 169, CC discorre que a nulidade não cura pelo tempo. 
- Tem interesse jurídico para pleitear a nulidade qualquer interessado, inclusive quem 
participou do ato e, também, o Ministério Público. 
 
Aula 4 - Simulação 
- Art. 167, §2º. Inoponibilidade de ato simulado frente a terceiros de boa-fé. “A boa-fé vence 
a simulação”. 
- Art. 170, CC de 2002 – Conservação Substancial do negócio jurídico: 
Na simulação tem dois negócios jurídicos, um simulado e outro dissimulado, que 
prevalecerá se observados os requisitos. 
Na conservação substancia, existem apenas um negócio jurídico que é nulo e será 
convertido em outro. 
 
- Reserva Mental (blefe essencial): Art. 110, CC de 2002. A manifestação de vontade 
subsiste ainda que seu autor haja feito a reserva mental (omissão relevante) de não querer 
o que manifestou, salvo se dela o destinatário tinha conhecimento. 
• Declarante omitiu uma informação; 
o Se a outra parte não tinha conhecimento da reserva, o NJ subsiste. 
o Se a outra parte tinha conhecimento da reserva, há quem entenda que o 
negócio entenda que o negócio jurídico é inexistente e há quem entenda 
que o negócio jurídico é nulo por simulação (majoritário). 
 
 
TEMA 6 – VÍCIOS DO NEGÓCIO JURÍDICO (CONTINUAÇÃO) 
Fraude Contra Credores – Art. 158 a 165, CC 
 
Aula 1 
- É um vício social do negócio jurídico presente quando o devedor insolvente ou que beira 
a insolvência realiza atos de disposição gratuita (doação) ou onerosa, com intuito de 
prejudicar credores. 
- Exemplo: Pessoa tem obrigações assumidas (dívidas) e aliena ou doa seu patrimônio. 
- Ação anulatória (constitutiva negativa ou desconstitutiva) é denominada ação pauliana 
ou revocatória. 
Deve ser ajuizada conta o devedor insolvente, pessoa que com ele celebrou a estipulação 
considerada fraudulenta ou terceiros adquirentes que haja procedido de má-fé. Ou seja, 
protege os terceiros de boa-fé. 
É caso de litisconsórcio unitário. 
- Como é uma ação anulatória, se volta para o plano da validade. 
 
Requisitos da Fraude contra Credores 
1. Disposição onerosa de bens (venda) 
 
Deve ter o conluio fraudulento entre quem comprou e quem vendeu ou colusão + o prejuízo 
ao credor. 
Art. 159, CC – Presunção relativa do conluio fraudulento, quando a insolvência de quem 
vendeu for notória ou quando houver motivo para ser conhecida do outro contratante. 
Ex.: Contrato celebrado entrefamiliares. 
 
2. Disposição Gratuita dos bens (doação ou remissão de dívidas) 
 
Basta o prejuízo ao credor. 
Inclusive, presume-se fraude quando o devedor é garantidor de dívida (fiador ou da um bem 
em garantia). 
 
Aula 2 
- Fraude não ultimada: é a fraude não aperfeiçoada (não consolidada). Prioriza o princípio 
da conservação do negócio jurídico ao possibilitar que o adquirente depositar em juízo o 
valor pactuado para celebração do contrato. 
 - Se o valor pactuado for menor que o preço de mercado, deverá depositar o valor 
acordado e a diferença do preço de mercado. 
 
Ineficácia x Invalidade 
- Alguns autores defendiam que a solução deveria ser da ineficácia, pois a parte ganha, mas 
não levar, caso seja anulada e sobrevenha outra penhora que prevaleça na ordem dos 
credores. 
- Art. 171 prevê que é anulável, logo, seria questão de invalidade. 
- O art. 790, CPC/15 dispõe sobre a alienação anulada em virtude da fraude contra 
credores. Portanto, reafirmou a invalidade. 
 
Volta ao patrimônio do devedor (art. 165) 
- Anulado o NJ fraudulento, o bem reverterá ao acervo sobre que se tenha de efetuar o 
concurso de credores. 
 
Tutela do Patrimônio Mínimo 
- Presumem-se de boa-fé e vale o negócio ordinário indispensáveis à manutenção do 
estabelecimento mercantil, rural, ou industrial, ou à subsistência do devedor e de sua 
família. 
 
 
Aula 3 
 
Tutela do Patrimônio Mínimo (continuação) 
- Também serve para questões empresariais, inclusive para vendas da imóveis. 
- É uma presunção relativa. 
 
Súmula 195, STJ: Embargos de terceiro não anula ato jurídico em virtude de fraude contra 
credores. Assim, necessário promover a ação pauliana, não substituída pelos embargos de 
terceiro. 
 
Fraude Contra Credores x Fraude à Execução 
 
- Direito civil (ordem privada – interesse particular) x Processo Civil (ordem pública – 
normas cogentes) 
- Fraude contra credores: plano da validade 
- Fraude à Execução: Plano da Eficácia 
 
Fraude à Execução (Art. 792, CPC) 
- Quando sobre o bem pender ação fundada em direito real ou com pretensão para 
retomada do bem, desde que tenha sido averbada na matrícula a existência da ação; 
- Quando houver averbação da pendência do processo de execução. 
- Averbação de hipoteca judiciária ou outro ato de constrição judicial originário do processo 
em que foi arguida fraude 
- Quando, ao tempo de alienação ou da oneração, tramitada contra o devedor ação capaz 
de reduzi-lo à insolvência. Ou seja, não basta olhar só a matrícula, mas também as 
certidões da parte, vez que o inciso IV estabelece a inversão do ônus da prova. 
 
Aula 4 
Art. 54 da Lei nº 13.097/2015 alterado pela lei do SERP: 
• Em tese, se não teve averbação dos atos descritos nos incisos, não há fraude à 
execução; CONCENTRAÇÃO DOS ATOS NA MATRÍCULA 
• Parágrafo Primeiro: Não poderão ser opostas situações jurídicas não constantes na 
matrícula imobiliária, inclusive para fins de evicção. 
• Parágrafo segundo: Para a validade e eficácia dos negócios jurídicos não serão 
exigidas: 
o Apresentação de certidões forenses ou de distribuidores judiciários 
Obs.: A jurisprudência do STJ ainda indica a necessidade de solicitar as 
certidões, dado o ônus da prova da boa-fé do terceiro adquirente. 
 
FRAUDE CONTRA CREDORES FRAUDE À EXECUÇÃO 
Direito Civil (vício no negócio jurídico) Direito Processual Civil (responsabilidade 
patrimonial) 
A pessoa tem obrigações e aliena o 
patrimônio 
A pessoa tem ações / registros / 
averbações e aliena o patrimônio. 
Fraude à parte Fraude ao processo 
Ordem Privada Ordem pública 
Há necessidade de uma ação específica 
(ação pauliana) – não se conhece de ofício; 
Não há necessidade de uma ação 
específica, pois já existe uma demanda. 
Juiz pode conhecer de ofício, desde que 
garantido o contraditório. 
Invalidade do ato (anulação) – sentença 
constitutiva negativa ou desconstitutiva 
Ineficácia do ato – decisão declaratória 
Plano da validade do negócio jurídico Plano da eficácia do negócio jurídico 
 
TEMA 7 – TEORIA DAS NULIDADES DO NEGÓCIO JURÍDICO 
Aula 1 - Introdução 
- Art. 166 a 184, CC; 
- Invalidade (nulidade lato sensu): o negócio jurídico não produz os efeitos desejados. É um 
gênero do qual subdividem duas espécies, quais sejam, nulidade stritco sensu (nulidade 
absoluta) e anulabilidade (nulidade relativa); 
 
A teoria das invalidades abrange: 
1. A inexistência do Negócio Jurídico; 
2. A nulidade absoluta – aqui se situa a teoria das invalidades; 
3. A nulidade relativa (anulabilidade) 
Inexistência e nulidade não se confundem, muito embora, no mais das vezes, as situações 
de inexistência sejam resolvidas pelo caminho da nulidade. Isso porque o negócio jurídico 
inexistente, por óbvio, é inválido. 
 
- Todo contrato é um negócio jurídico bilateral, por isso, é importante tornar o negócio 
válido. 
- Problema de nulidade ou anulabilidade pode acarretar a extinção do contrato por motivo 
anterior ao pacto ou na própria fase de formação do contrato. 
 
Aula 2 – Nulidade Absoluta 
- Nulidade absoluta é a primeira de duas espécies; 
- A nulidade absoluta é a sanção legal que retira efeitos jurídicos do ato negocial que 
desobedece às prescrições da norma jurídica. 
- É a consequência prevista em lei, nas hipóteses em que não estão preenchidos os 
requisitos básicos para a existência válida do ato negocial. 
- A nulidade pode ser de duas espécies: 
• Nulidade absoluta (stricto sensu); 
• Nulidade relativa ou anulabilidade; 
- A nulidade absoluta (stricto sensu) enseja na não produção de efeitos ao negócio jurídico, 
dada a ausência dos requisitos de validade previstos no Código Civil, quais sejam, 
• agente capaz, 
• vontade livre, 
• objeto possível, determinado ou determinável e 
• forma não prevista ou proibida em lei. 
- A nulidade absoluta viola normas de ordem pública, o que torna o negócio jurídico 
absolutamente inválido. Por tal motivo, a ação para declarar sua ocorrência é 
imprescritível, é uma ação não sujeita a decadência. 
 
Aula 3 – Hipóteses de Nulidade Absoluta 
- Art. 166, CC. 
São hipóteses de nulidade absoluta: 
1. NJ celebrado por agente absolutamente incapaz, sem representação (menores de 
16 anos); 
2. NJ com objeto ilícito, impossível (física ou juridicamente), indeterminado ou 
indeterminável; 
3. Quando o motivo determinante do NJ, para ambas as partes, for ilícito. Ex.: venda 
de imóvel para exploração de prostituição. 
4. NJ que não observa a forma prescrita em lei ou quanto não é observada alguma 
solenidade que a lei considera essencial. Ex.: instituição de hipoteca por 
instrumento particular sobre imóvel com valor superior a 30 salários-mínimos. 
5. NJ que tenha por objetivo fraudar uma lei imperativa. Se caracteriza quando há 
intenção de driblar uma norma proibitiva. Ex.: cláusula de retrovenda para camuflar 
garantia de agiotagem. 
6. Quando a lei expressamente declarar nulo determinado NJ ou então quando 
proibir-lhe a prática, sem cominar sanção. Ex.: doação universal. 
 
Aula 4 – Efeitos e procedimentos a nulidade absoluta 
- A ação para o reconhecimento da nulidade é a ação declaratória de nulidade, que tramita 
pelo rito comum. 
- Em razão de sua natureza declaratória, é imprescritível, ou seja, não se sujeita à 
prescrição ou à decadência. 
Obs.: discute-se na doutrina a prescrição dos efeitos patrimoniais dessa declaração. 
Há quem entenda que a nulidade se sujeita ao prazo geral de prescrição de 10 anos 
para fins patrimoniais. 
- Art. 169 do CC: NJ nulo não é suscetível de convalidação, tampouco o convalesce com o 
decurso de tempo. 
- Corrente intermediária (Enunciado 536 da VI JDC): resultado o NJ nulo consequências 
patrimoniais capazes de ensejar pretensões, é possível, quanto a estas, a incidência da 
prescrição. 
- Como a nulidade absoluta gera impacto nas normas cogentes, qualquer pessoa 
interessada pode alegar a nulidade, inclusive o Ministério Público, bem como ser 
reconhecida de ofício. 
- Art. 367, CC: Salvo as obrigações simplesmente anuláveis,não podem ser objeto de 
novação as obrigações nulas ou extintas. 
- Art. 170, CC: Se o NJ nulo tiver requisitos de outro, subsistirá este quando o fim a que 
visavam as partes permitir supor que o teria querido (desejo das partes – requisito 
subjetivo), se houvessem previsto a nulidade. 
Requisito objetivo: elementos essenciais do outro negócio jurídico. 
- A nulidade absoluta gera efeitos erga omnes e extunc. Devem ser tutelados (protegidos) 
os interesses de terceiros de boa-fé. 
- Enunciado nº 537: A previsão do artigo 169 do Código Civil não impossibilita que, 
excepcionalmente, negócios jurídicos nulos produzam efeitos a serem preservados 
quando justificados por interesses merecedores de tutela. 
 
 
 
TEMA 8 – TEORIA DAS NULIDADES DO NEGÓCIO JURÍDICO 
ANULABILIDADE 
 
Aula 1 – Anulabilidade (Nulidade Relativa) 
- Envolve matérias de ordem privada, de interesse das partes, o que gera um regramento 
jurídico diferente daquele que vimos para as nulidades absolutas. 
 
Hipóteses (art. 171, CC): 
1. NJ celebrado por relativamente incapaz (menores púberes – 16 a 18 anos), sem a 
devida assistência. 
2. NJ acometido de vício, como erro, dolo, coação moral ou psicológica, lesão, estado 
de perigo ou fraude contra credores. Obs.: Coação física e simulação geram 
nulidade absoluta. 
3. Casos especificados de anulabilidade. Ex.: ato que exigem a outorga uxória ou 
marital, à luz dos artigos 1647 e 1649, CC. 
 
Aula 2 – Ação Anulatória 
- Rito comum 
- É uma ação de anulabilidade e tem uma natureza desconstitutiva. 
- Um negócio que, a princípio, existe e é válido, até que a parte interessada busque 
desconstituir o negócio jurídico. 
- Existe a possibilidade do NJ ser convalidado com o decurso de tempo, pois se sujeita a 
decadência e prescrição. 
- Prazos decadenciais estão previstos nos artigos 178 e 179, CC, via de regra. 
Art. 178. É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a 
anulação do negócio jurídico, contado: 
I - no caso de coação, do dia em que ela cessar; 
II - no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do 
dia em que se realizou o negócio jurídico; 
III - no de atos de incapazes, do dia em que cessar a incapacidade. 
 
Art. 179. Quando a lei dispuser que determinado ato é anulável, sem 
estabelecer prazo para pleitear-se a anulação, será este de dois anos, a 
contar da data da conclusão do ato. 
 
- Há quem entenda que os prazos previstos acima devem ser contados não da celebração 
do ato, mas da sua ciência correspondente. Ex.: Compra e venda de imóvel contaria do 
registro na matrícula, mas não da assinatura da escritura de compra e venda. 
- Enunciado 538 da VI JDC: No que diz respeito a terceiros eventualmente prejudicados, o 
prazo decadencial não se conta da celebração do negócio, mas da ciência que dele 
tiverem. 
- Contudo, parte da doutrina entende que o prazo decadencial conta a partir da conclusão 
do NJ, ou seja, da celebração da escritura pública. 
 
Aula 3 – Convalidação Livre da Anulabilidade 
- Art. 172 a 176, CC 
- Valorização da boa-fé objetiva e a função social do contrato; 
- Negócio anulável pode ser confirmado pelas partes, vez que o NJ trata de bem disponível; 
- Permite confirmação tácita ou presumida quando o devedor cumpre sua obrigação, 
mesmo ciente do vício. 
- A confirmação expressa ou execução voluntária importa extinção de todas as ações ou 
exceções que contra ele dispusesse o devedor. 
- Quando a anulabilidade resultar de falta de autorização de terceiro, pode ocorrer a 
convalidação (confirmação) do NJ quando for dada autorização posterior. 
 
Aula 4 – Efeitos da Anulabilidade 
- Menor que ocultou dolosamente a idade não pode invocar sua idade para se eximir da 
obrigação. Não pode se valer da própria torpeza. 
- Aquele que celebrou negócio jurídico com incapaz e que pagou algo para esse incapaz 
não pode pedir a restituição a não ser que consiga provar que a quantia reverteu em 
proveito do incapaz. Vedação ao enriquecimento ilícito. 
- A sentença anulatória geraria efeitos inter pares e ex nunc (não retroativos). Art. 177, CC. 
Contudo, parte da doutrina entende que na ação anulatória os efeitos também seriam ex 
tunc (retroativos), com fundamento no artigo 182, CC. 
- A invalidade do instrumento não gera, automaticamente, a invalidade do negócio jurídico 
se puder provar o negócio por outros meios. Princípio da conversação do contrato. 
- A invalidade parcial do negócio jurídico não prejudicará a parte valide, se esta for 
separável. A invalidade da obrigação principal implica a das obrigações acessórias, mas a 
dessas não induz a da principal. 
 
 
 
TEMA 9 – PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA 
 
Aula 1 – Regras Gerais 
- Prazos concentrados nos artigos 205 e 206 do Código Civil. 
- Art. 205: prazo geral de 10 (dez) anos 
- Art. 206: prazos especiais (1, 2, 3, 4 e 5 anos). 
Obs.: Todos os demais prazos em outros artigos do Código Civil são de decadência. 
Dica 
1 – Se o prazo for em dias, meses ou ano e dia: decadência 
2 – Se o prazo for em anos: prescrição ou decadência. 
 
Prazos para ações: 
1 – Ações anulatórias (nulidade): imprescritível; 
2 – Ação Constitutiva positiva ou negativa (anulatória): decadência 
3 – Ação condenatória (cobrança e reparação de danos): prescrição 
 
STJ pacificou entendimento segundo o qual o prazo de três anos do art. 206, §3º, inciso V, 
se aplica apenas à responsabilidade extracontratual (ato ilícito). 
Para responsabilidade civil contratual, o prazo é de 10 anos. 
 
Aula 2 – Regras Gerais (Continuação) 
- A prescrição é uma punição ao negligente. 
- Prescrição é a perda da pretensão, estando relacionada a direitos subjetivos de cunho 
patrimonial. Portanto, não é a perda do direito de ação. 
- O início do prazo, em regra, observa o artigo 189, CC. Enunciado 14 – JDC: o início do prazo 
se dá com o surgimento da pretensão, que ocorre com a violação do direito subjetivo. 
- Cresce na lei, jurisprudência e doutrina o entendimento segundo o qual o prazo 
prescricional terá início da ciência ou conhecimento da lesão. Ex.: Art. 27, CDC. 
 
Aula 3 – Regras Gerais (Continuação) 
- Não é só o ataque que prescreve. A exceção ou defesa também prescreve (art. 190, CC). 
- A prescrição decorre da lei. A decadência, por outro lado, por der legal ou convencional. 
- A prescrição pode ser alegada em qualquer grau de jurisdição pela pare a quem aproveita, 
ou seja, não existe preclusão. Art. 193, CC. 
- A prescrição não alegada em contestação pode ser alegada em apelação (STJ Resp 
157.840/SP). 
- Conhecimento da prescrição de ofício foi revogado pelo Código Civil de 2002, mas 
reefetivado em 2006 somente em benefício do absolutamente incapaz. Com o CPC/15 
reproduziu a regra do CPC/73 que admite o conhecimento de ofício da prescrição. 
- O artigo 332, §1º do CPC/15 permite que o juiz profira sentença de improcedência liminar 
do pedido, mas prevalece no STJ a garantia ao contraditório. 
- Em regra, o juiz intima as partes para se manifestarem antes de resolver de ofício, à luz do 
artigo 10, CPC/15. 
- Enunciado 581: A decretação ex officio da prescrição ou da decadência deve ser 
precedida da oitiva das partes. 
- A prescrição não anula a dívida, que continua existindo. 
 
TEMA 10 – PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA 
Aula 1 
- Renúncia a prescrição é feita pelo devedor. Pode ser expressa (Ex.: declaração no 
processo) ou tácita (Ex.: pagamento da dívida prescrita). 
- A renúncia a prescrição só é possível após a consumação, não se admitindo renúncia 
prévia. 
- A prescrição pode ser impedida, suspensa ou interrompida. 
- No impedimento e na suspensão, os efeitos são similares: 
 - Impedimento: o prazo não começa; 
 - Suspensão: o prazo para. 
- Em ambos os casos (impedimento e suspensão), o prazo continua de onde parou. 
Decorrem de situações existenciais entre pessoas, mas não atos das partes. 
Estão previstos nos artigos 197, 198 e 199. 
- Na interrupção, o prazo para e volta ao início. Na interrupção,temos atos do credor ou do 
devedor. Previsto no art. 202, CC. 
 
Aula 2 
Impedimento e Suspensão 
Situações familiares (Art. 197): 
- Não corre prescrição entre os cônjuges, na constância da sociedade conjugal. A regra 
também se aplica aos companheiros. 
Obs.: Basta separação de fato, para a prescrição iniciar a correr. 
- Não corre prescrição entre ascendentes e descendentes enquanto durar o poder familiar, 
em regra, quando o filho completa 18 anos. 
- Não corre prescrição entre tutores e tutelados, curadores e curatelados. 
 
Impossibilidade de Cobrança (Art. 198): 
- Não corre prescrição contra absolutamente incapazes (menores de 16 anos); 
- Não corre prescrição contra os ausentes do país em serviço público. Também se aplica 
ao ausente morto. 
- Não corre prescrição contra os que estiverem servindo nas forças armadas em tempos de 
guerra. 
 
Problemas inerente a dívida (Art. 199): 
- A prescrição não corre quando pendente condição suspensiva. Ex.: Súmula 229, STJ – 
pedido de pagamento à seguradora suspende o prazo até que o segurado tenha ciência 
inequívoca da decisão (prazo administrativo interno da segurada – prazo prescricional fica 
suspenso). 
- Não corre prescrição quando não está vencido o prazo para pagamento da dívida. 
- Não corre prescrição quando pendente a ação de evicção. 
 
Aula 3 – Interrupção 
- Segundo o art. 202, a interrupção da prescrição somente ocorrer uma vez. 
Hipóteses: 
- Haverá interrupção pelo despacho do juiz, que mesmo incompetente, ordenar a citação. 
O CPC/15 discorre que a interrupção ocorre com o despacho do juiz que ordena a citação, 
retroagindo à data da propositura da ação. 
- O protesto judicial; 
- Protesto cambial (prescrição extrajudicial). Ao entrar com ação de cobrança, haveria uma 
nova interrupção, de natureza judicial. 
- Apresentação de título de crédito em concurso de credores ou em juízo de inventário; 
- Qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor. Notificação extrajudicial não 
interrompe. 
- Atos do devedor, judiciais ou extrajudiciais, que importem em reconhecimento de dívida. 
 
Prescrição Intercorrente 
- É aquela que se dá no curso do processo. 
- Observará o mesmo prazo da pretensão originária. 
- Ocorre quando não for localizado o executado ou não possuir bens penhoráveis. 
- Juiz suspende a execução pelo prazo de um ano; 
- Decorrido um ano, o processo vai para o arquivo. Após mais um ano, começa a correr o 
prazo de prescrição intercorrente. 
- Termo inicial é a ciência da primeira tentativa infrutífera de localização do devedor ou de 
bens penhoráveis 
 
Aula 4 – Regras da Decadência 
- Decadência é a extinção de um direito potestativo. 
- Direito potestativo é aquele que se contrapõe a um estado de sujeição, encurralando a 
outra parte. Credor pode exigir um comportamento do devedor. 
- A decadência, em regra, não é impedida, suspensa ou interrompida. Exceção: não corre 
a decadência contra os absolutamente incapazes. 
- A decadência pode ser legal ou convencional (contratual). A decadência convencional 
não pode ser conhecida de ofício.