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TEORIA GERAL DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS E DIREITO IMOBILIÁRIO TEMA 1 - Teoria Geral Dos Negócios Jurídicos AULA 1 – CONCEITOS INICIAIS Parte Geral do Código Civil de 2002. 1. Fato: é qualquer ocorrência. Se subdivide em: 1.1. Fato Jurídico “lato sensu” (direito) 1.1.1. Natural: fato jurídico “stricto sensu”. Ex.: chuva. 1.1.2. Humano: fato jurígeno, ou seja, fato provido de vontade 1.1.2.1. Lícito (ato jurídico): destinado para uma finalidade específica (negócio jurídico) ou para promover efeitos legais (ato jurídico). 1.1.2.2. Ilícito: 1.2. Fato não jurídico • Fato jurídico: é o fato que interessa ao direito, podendo ser natural ou humano. O fato humano é o fato jurígeno. Ex.; chuva, decurso do tempo, prescrição. • Ato jurídico: trata-se de um fato jurídico com elemento volitivo (vontade) e conteúdo lícito. Doutrina diverge se ato ilícito é ato jurídico. • Negócio Jurídico: um ato jurídico em que há uma composição de interesse ou interesses com finalidade específica. É a principal forma de expressão da autonomia privada. Há uma composição de interesses. o Autonomia privada: direito de autorregulamentação negocial. Regulamentar os próprios interesses. o Autonomia da vontade: traz ideia de autonomia plena e sem restrições. Todavia, isso não existe no direito privado. o Por isso a denominação “autonomia privada” é mais adequada, pois carrega a ideia de que se valoriza a liberdade, porém, existem restrições decorrentes de normas cogentes. AULA 2 – FATO JURÍDICO • Negócio Jurídico: um ato jurídico em que há uma composição de interesse ou interesses com finalidade específica. É a principal forma de expressão da autonomia privada. Há uma composição de interesses. o Autonomia privada: direito de autorregulamentação negocial. Regulamentar os próprios interesses. o Autonomia da vontade: traz ideia de autonomia plena e sem restrições. Todavia, isso não existe no direito privado. o Por isso a denominação “autonomia privada” é mais adequada, pois carrega a ideia de que se valoriza a liberdade, porém, existem restrições decorrentes de normas cogentes. Ex.: Lei da Liberdade Econômica. o Limites da autonomia privada nos negócios jurídicos imobiliários: normas e princípios de ordem pública. Ex.: 421 e 422, CC. AULA 3 – FATO JURÍDICO (CONTINUAÇÃO) • Ato jurídico em sentido estrito (stricto sensu): é um fato jurídico somado a vontade de praticar ato ilício que produz efeitos meramente legais. Não há busca de finalidade específica. Ex.: ocupação de imóvel, reconhecimento de um filho. Aplica-se as mesmas regras do negócio jurídico, no que couber. Ex.: vícios no negócio jurídico. • Ato-fato jurídico ou ato real (Pontes de Miranda): é um fato jurídico qualificado por uma vontade não relevante juridicamente em um primeiro momento, mas que se revela relevante por seus efeitos. Ex.: Criança de 10 anos (incapaz) que compra lanche na escolha; achado de um tesouro sem querer. TEMA 2 – ELEMENTOS CONSTITUTIVOS E ESTRUTURIAS DO NEGÓCIO JURÍDICO Aula 1 – Escada Ponteana Elementos constitutivos do Negócio Jurídico foram divididos por Pontes de Miranda em três planos, qual sejam: • Plano de Existência • Plano da Validade • Plano da Eficácia Devem ser preenchidos os requisitos da existência para seguir para a validade e da validade para seguir para a eficácia. Para que o negócio jurídico seja válido, deve existir. Para que o negócio jurídico gere efeitos, deve existir e ser válido, em regra. Exceção: negócio jurídico pode existir, ser inválido e estar gerando efeitos. Ex.: contrato acometido pelo vício da lesão, antes da ação anulatória. 1. Plano da Existência: Elementos mínimos exigidos do negócio jurídico que formam o seu suporte fático (pressupostos de existência). São eles: - Parte - Vontade - Objeto - Forma Se o negócio jurídico não apresentar tais pressupostos, ele será inexistente. Contudo, o Código Civil não se preocupou com a inexistência, pois voltou os olhos para a validade. Aula 2 – Escada Ponteana (continuação) 2. Plano da Validade: os elementos da existência são adjetivados (qualificados) - Partes capazes - Vontade livre - Objeto lícito, possível e determinado (determinável) - Forma prescrita ou não defesa em lei. O plano da existência está embutido no plano da vontade. Se o negócio jurídico apresentar problema ou vício quanto a esses elementos, será inválido, o que é resolvido pela teoria das nulidades. Classificação das invalidades do negócio jurídico: Quanto ao Grau • Nulidade absoluta: gera negócio jurídico nulo (art. 166, CC). Envolve a ordem pública e é mais grave. • Nulidade relativa ou anulabilidade: gera negócio jurídico anulável (Art. 171, CC) envolve a ordem privada (interesse particular) e é menos grave. Quanto a extensão: • Invalidade total: todo o negócio jurídico é nulo ou anulável; • Invalidade parcial: parte do negócio jurídico é nulo ou anulável. Segundo art. 184, CC, a parte inválida do negócio jurídico não prejudica a parte válida se ela for separável. Existe nulidade absoluta parcial? Sim, quando só parte do negócio é nula. Ex.: só uma cláusula do contrato (inerente a multa) é nula. Existe nulidade relativa total? Sim. Todo o negócio jurídico é anulável. Ex.: todo o contrato está acometido por lesão. Aula 3 – Escada Ponteana (continuação) 3. Plano da Eficácia Neste plano estão as consequências do negócio jurídico relacionadas a modificação ou extinção de direitos. Ex.: Resolução (inadimplemento); juros, cláusula penal, perdas e danos; regime de bens de casamento; Registro Imobiliário. a) Condição: é o elemento acidenta do negócio jurídico que subordina a sua eficácia a um evento futuro e incerto. Conjunções: “se” (condição suspensiva) ou “enquanto” (condição resolutiva). Classificação: 1. Quanto à licitude: - Condições lícitas: não contrariam a lei, a ordem pública e os bons costumes. - Condições ilícitas: contrariam os parâmetros acima e, por conseguinte, geram nulidade absoluta do negócio jurídica (art. 123, II). 2. Quanto à possibilidade - Condições possíveis: podem ser cumpridas fática e juridicamente. - Condições impossíveis: não podem ocorrer por razão fática ou jurídica. Por consequência, geram a nulidade absoluta do negócio jurídico quando suspensivas. Se a condição for resolutiva, é considerada não escrita. 3. Quanto à origem - Condições Causais: tem origem em fato natural - Condições Potestativas: tem origem na vontade. Se subdivide em simplesmente potestativa (vontade de uma + vontade de outro - lícita) ou puramente potestativa (vontade de um - ilícita). - Condições mistas: tem origem em fato natural e na vontade. 4. Quanto aos efeitos - Condições suspensivas (se): se não verificadas, suspendem a aquisição e o exercício do direito, logo, não há direito adquirido. - Condições resolutivas (enquanto): enquanto não verificadas, vigorará o negócio jurídico, cabendo o exercício de direitos (há direito adquirido). Sobrevindo a condição, o negócio jurídico será extinto para todos os efeitos. A condição resolutiva pode ser expressa ou tácita, com grande repercussão para os contratos imobiliários (Art. 474, CC). Aula 4 – Escada Ponteana (continuação) b) Termo: elemento acidental do negócio jurídico, que associa a sua eficácia a evento futuro e certo. Conjunto “quando”. Classificação: 1. Quanto à origem - Termo legal: decorre da lei. Ex.: termo inicial para atuação do inventariante. - Termo convencional (autonomia privada). Ex.: Contrato de Locação. 2. Quanto à determinação - Termo Certo (determinado): sabe o que ocorrerá e quanto ocorrerá. Ex.: Fim de contrato com prazo determinado. - Termo incerto (indeterminado): eu sei que ocorrerá, mas não sei quando. Ex.: Morte. Obs.: Regras importantes • Art. 131, CC: O termo inicial suspendo o exercício, mas não a aquisição do direito. A parte tem direito adquirido, mas não pode exercê-lo.• Art. 135, CC: Ao termo inicial e final aplicam-se, no que couber, as disposições relativas à condição suspensiva e resolutiva. A interpretação do artigo leva a entender que, quanto aos efeitos, o termo inicial equivale a condição suspensiva e o termo final equivale à condição resolutiva. c) Encargo ou modo: é um ônus, um “fardo negocial”, introduzido em ato de liberalidade (geralmente, doação). Conjunções: “para que” ou “com o fim de”. Ex.: “Dou-lhe um terreno PARA QUE você construa, em parte dele, um asilo”. - O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito; - Se o encargo for ilícito ou impossível, em regra, é considerado como não escrito. TEMA 3 – VÍCIOS DO NEGÓCIO JURÍDICO Aula 1 – Vício em geral – erro e dolo a) Vícios de vontade (vícios do consentimento): erro, dolo, coação moral, estado de perigo e lesão. b) Vícios sociais: simulação e fraude contra credores. - Vícios da vontade não se confundem com vícios redibitórios ou do produto, vez que os vícios da vontade atingem o consentimento do negociante, ou seja, são vícios subjetivos e envolvem o plano da validade. Os vícios redibitórios e do produto são objetivos, são vícios da coisa. ERRO (ignorância) – Art. 138 a 144, CC - No erro, há uma falsa noção da realidade; quanto a um elemento do negócio. - Na ignorância há um desconhecimento total. - Em ambos os casos, há um engano solitário. A pessoa se engana sozinha. - Erro é uma causa de anulabilidade, quando emanar de erro substancial. Obs.: Erro grosseiro (foi muito idiota) – Código Civil de 2002 adota o binômio escusabilidade e cognoscibilidade. Ou seja, quando a outra parte sabe do erro e não fala nada. Enunciado 12 da 1ª Jornada do Direito Civil: na sistemática do artigo 138, é irrelevante ser escusável ou não o erro, pois o artigo adota o princípio da confiança. Indução em erro é dolo e não erro. Aula 2 – Erro e Dolo Modalidades de Erro 1 - O erro deve ser substancial ou essencial. Isso quer dizer que o negócio jurídico só foi cometido pela presença do erro. É um erro objetivo, pois envolve alguma das qualidades do objeto. 2 – Erro subjetivo (in persona): erro quando a pessoa a quem se refira a declaração de vontade. 3 – Erro jurídico: é o erro de direito. É uma exceção ao artigo 3º da LINDB. Ex.: Locatário acha que perdeu prazo para ação renovatória e o locador se vale desse erro para realizar termo aditivo com valor muito superior ao praticado. Obs.: o erro, para anular o negócio jurídico, deve ser substancial (essencial). Logo, o falso motivo, em regra, não gera anulabilidade, salvo se for razão determinante do negócio jurídico. – Art. 140. Obs.: Erro sanável, pela possível identificação posterior. Não gera a anulabilidade. Ocorre com possível erro de identificação de pessoa ou coisa que eventualmente pode ser corrigido. – Art. 142. Obs.: Erro de cálculo: apenas autoriza a retificação da declaração de vontade. Art. 143. Obs.: Erro sanável, por oferecimento da outra parte. Quando a pessoa a quem a manifestação de vontade se dirige, se oferece para executá-la na conformidade da vontade real do manifestante. Art. 144. Princípio da conservação do negócio jurídico. Enunciado 22 da 1ª JDC – Conservação do NJ no sentido de preservação da autonomia privada e função social do contrato. Obs.: A transmissão errônea da vontade por meios interpostos é anulável nos mesmos casos em que o é a declaração direta. Art. 141. Meios interpostos são os meios digitais. Ex.: Contrato celebrado por meio digital. Aula 3 – Dolo (art. 145 a 150) DOLO - No erro há um engano solitário, enquanto no dolo alguém engana a pessoa (“indução em erro”). - É um problema de formação que atinge o plano da validade. - Dolo é a arma do estelionatário. 1 – Dolo essencial (Art. 145 - dolos causam): o dolo é o que levou a ser realizado o negócio jurídico, ou seja, o negociante só fechou acordo, por dolo praticado pelo outro negociante ou terceiro. 2 – Dolo acidente (art. 146): só gera perdas e danos, pois não é essencial. É acidental quando, a seu despeito, o negocia seria realizado, embora de outro modo. Ex.: imóvel vendido na planta, em que se demonstrava o apartamento decorado, levando a entender que qualquer móvel poderia ser colocado no bem. Todavia, era só sob medida. 3 – Dolo Positivo: é o dolo por ação. Ex.: Publicidade enganosa por ação. Fala que tem acessório que não tem. 4 – Dolo negativo: dolo por omissão. Deixar de prestar informações relevantes ao negócio que está celebrado. É um silencio intencional. Aula 4 – Dolo 5 – Dolus bonus: é o dolo bom, ou seja, não prejudica ou até beneficia o negociante. Em tese, não anula o negócio jurídico. Não se admite dolo bom em relação de consumo. 6 – Dolus malus: é o que gera anulação, a priori. 7 – Dolo de terceiro (art. 148): tem as mesmas consequências da coação de terceiro. O negócio jurídico pode ser anulado por dolo de terceiro, se a parte a quem aproveite dele tivesse ou devesse ter conhecimento. O terceiro responderá por todas as perdas e danos da parte a quem ludibriou. 8 – Dolo bilateral ou recíproco (art. 150) – é aquele dolo de ambas as partes. Neste caso, os dolos se compensam (dolo compensado). Nenhuma das partes pode alegá-lo para anular negócio jurídico ou reclamar indenização. Ninguém pode ser beneficiar da própria torpeza. TEMA 4 – VÍCIOS DO NEGÓCIO JURÍDICO (CONTINUAÇÃO) Aula 1 COAÇÃO - No erro alguém engana sozinho; no dolo é enganado; na coação há uma pressão. - É um vício subjetivo que impacta o plano da validade - Coação é uma pressão exercida pelo negociante ou por terceiro em face de outro negociante, para ter um benefício próprio. Classificação 1 – Coação Física (vis absoluta): aquela coação que retira a vontade da parte. Não está tratada no Código Civil. Há discussão doutrinária se acarreta negócio jurídico inexistente, pois não tem vontade OU se é um negócio jurídico nulo, pois o Código Civil não se preocupou com o plano da validade. 2 – Coação moral (vis compulsiva): pressão psicológica. Gera um dado temor de mal considerável (dano iminente) à sua pessoa, à sua família ou aos seus bens. Se for contra pessoa que não seja da família, o juiz analisará o caso concreto para decidir se houve coação. Tratada pelo Código Civil (art. 151). Consequência é nulidade relativa ou anulabilidade. AULA 2 COAÇÃO – CONTINUAÇÃO Exercício regular de um direito e termo reverencial - Não constituem coação. - Se a pessoa deve, é possível inscrever o seu nome no cadastro negativo (art. 43, CDC); - Relevância em questões condominiais, como por exemplo, é possível que conste em atas e livros as unidades inadimplentes. O que não é indicado é colocar o nome do morador. Coação de terceiro - Gera anulação do NJ; - Gera anulação se o beneficiário sabia ou deveria saber; - A parte que se aproveita responde solidariamente por perdas e danos. Obs.: O negócio subsistirá se o beneficiário não sabia. Contudo, o autor da coação responderá por perdas e danos que houver causado. Aplicação do princípio da conservação do negócio jurídico. Coação na Cobrança de Dívidas e CDC - Na cobrança de débitos o consumidor não será exposto a ridículo, nem será submetido a constrangimento ou ameaça. AULA 3 ESTADO DE PERIGO – Art. 156, CC - Configura-se estado de perigo quando uma pessoa precisa se salvar ou salvar alguém de sua família e, para isso, assume obrigação excessivamente onerosa. - Se não for pessoa da família, juiz decidirá conforme as circunstâncias. - Existe uma situação de perigo (elemento subjetivo) que atinge o próprio negociante, pessoa de sua família ou pessoa próxima. - A situação de perigo deve ser conhecida pela outra parte - Onerosidade excessiva (elemento objetivo), fazendo com que o contrato nasça desiquilibrado. - Consequência (Art. 171, CC): gera nulidade relativa ou anulabilidade;- Discute se cabe revisão negócio jurídico: entendimento majoritário é que sim. Enunciado 148 da 3º JDC. Exemplos: 1 – Alguém tem o filho sequestrado e o valor do resgate é de R$ 50.000,00 O vizinho sabe que você tem um bem que vale 1.000.000,00, mas oferece o valor do resgate. Nesse caso, cabe anulação. 2 – Está em uma cidade com poucos recursos médicos e o filho é atropelado. O médico cobra 150.000,00 e uma cirurgia que custaria 15.000,00. Neste caso, cabe revisão. 3 – Exigir cheque caução em hospital em casos de emergência. Flavio Tartuce entende que é prática abusiva (cláusula abusiva) e não estado de perigo. AULA 4 LESÃO – ART. 157, CC - Ocorre a lesão quando uma pessoa, sobre premente necessidade ou inexperiência, se obriga a obrigação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. - Premente necessidade ou inexperiência (elemento subjetivo). + - Onerosidade excessiva (elemento objetivo), fazendo com que o contrato nasça desiquilibrado. Consequência: nulidade relativa ou anulabilidade (art. 171) - É possível a revisão do negócio jurídico. Aprecia-se a desproporção segundo os valores vigentes ao tempo da celebração do negócio jurídico. - Não se decretará a anulação do negócio jurídico se for oferecido suplemento suficiente ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito. - Com relação a revisão, o lesionado tem 10 anos para requerer a revisão a contar do negócio jurídico (celebração do contrato). Prazo para anulação é de 4 anos. - Cabe ação direta de revisão. Diferença entre lesão e estado de perigo - Elemento subjetivo; - No estado de perigo situação de perigo que atinge o próprio negociante, pessoa de sua família ou pessoa próxima; - Na lesão é a premente necessidade ou experiencia. Diferença entre lesão e lesão usurária - Lesão usurária (Decreto-Lei 22.626/1933): ocorre quanto há cobrança de juros abusivos ou multa abusiva. Aqui ocorre a nulidade absoluta. Não tem o elemento subjetivo. Exemplos: 1 – Venda de imóvel na planta, no qual, geralmente, é uma pessoa inexperiente e o contrato prevê taxas (ex.: SAT), juros, etc. Em regra, ocorre a revisão do contrato (princípio da conservação dos contratos). TEMA 5 – VÍCIOS DO NEGÓCIO JURÍDICO (CONTINUAÇÃO) Aula 1 – Simulação - É um vício social, presente quando há uma discrepância entre a vontade interna e a manifestada. - Art. 167, CC. - Gera nulidade absoluta, pois impacta na ordem pública. - É uma diferença entre a aparência e a essência. “Parece, mas não é!” Modalidades de Simulação a) Simulação Absoluta: na aparência há um determinado negócio jurídico, mas na essência é um conjunto vazio. Há quem entenda, na doutrina, que é um negócio inexistente. Majoritária entende que é negócio jurídico nulo, pois o CC de 2002 não adotou a teoria da inexistência. Ex.: Pai vende imóvel para o filho só na aparência, pois continua a exercer os atos de domínio no imóvel. b) Simulação Relativa: É a mais comum. Na aparência há um determinado negócio jurídico, mas na essência existe outro negócio jurídico, que está escondido (dissimulado). O dissimulado será válido, desde que presentes os requisitos legais. Ex.: Celebra comodato, mas cobra aluguel por debaixo dos panos. Aula 2 – Simulação A simulação relativa se subdivide em objetiva e subjetiva. • Simulação relativa objetiva (Art. 167, §1º, incisos II e III): - Quando há problema no conteúdo do negócio jurídico, que não é o real. - Ex.: Documentos pós ou antedatados (referem-se apenas a documentos particulares). - Norma Rígida – documento particular com data retroativa acarreta nulidade de pleno direito. • Simulação relativa subjetiva (Art. 167, §1º, incisos I): - Problema inerente aos negociantes, que não é o real. Ex.: Contrato celebrado com testa de ferro (laranja); pessoa interposta. Negócio jurídico nulo (nulidade absoluta). Temas importantes: • Art. 104 do CC de 1916 preconizava que uma parte não poderia alegar simulação contra a outra. Esse artigo não foi reproduzido pelo Código Civil de 2002 (posição doutrinária dominante). • Enunciado 294 da IV Jordana do Direito Civil: Sendo a simulação uma causa de nulidade do NJ, pode ser alegada por uma das partes contra a outra. Clara observância da ordem pública. Aplicado pelo STJ (REsp 1.969.648/DF) • Art. 3º, inciso VIII da Lei da Liberdade Econômica (Contratos Empresariais Paritários): Dispõe o respeito da boa-fé, pacta sunt servanda e matérias de ordem pública. Aula 3 - Simulação Simulação Maliciosa x Simulação Inocente - Simulação maliciosa é aquela que traz prejuízo. - Simulação inocente, por sua vez, não acarreta prejuízo para as partes. - O art. 103 do CC/1916 previa que a simulação inocente não geraria nulidade do negócio jurídico. - Enunciado nº 152 da III JDC: “toda simulação, inclusive a inocente, é invalidante”. Não é posição unanime. - Art. 167, CC de 2002 fala que é nulo o negócio jurídico simulado (aparência). - Enunciado nº 293 da IV JDC (Conservação do NJ): Na simulação relativa, o aproveitamento do NJ dissimulado não decorre tão somente do afastamento do negócio jurídico simulado, mas do necessário preenchimento de todos os requisitos substanciais e formais da validade daquele”. Art. 104, CC. - Conhecimento de ofício: Sim, haja vista que afeta a ordem pública. Contudo, o artigo 10 do CPC/15 determina que ambas as partes sejam ouvida, em razão do contraditório e ampla defesa. - O prazo para ação declaratória de nulidade não existe, seja decadencial, seja prescricional. Art. 169, CC discorre que a nulidade não cura pelo tempo. - Tem interesse jurídico para pleitear a nulidade qualquer interessado, inclusive quem participou do ato e, também, o Ministério Público. Aula 4 - Simulação - Art. 167, §2º. Inoponibilidade de ato simulado frente a terceiros de boa-fé. “A boa-fé vence a simulação”. - Art. 170, CC de 2002 – Conservação Substancial do negócio jurídico: Na simulação tem dois negócios jurídicos, um simulado e outro dissimulado, que prevalecerá se observados os requisitos. Na conservação substancia, existem apenas um negócio jurídico que é nulo e será convertido em outro. - Reserva Mental (blefe essencial): Art. 110, CC de 2002. A manifestação de vontade subsiste ainda que seu autor haja feito a reserva mental (omissão relevante) de não querer o que manifestou, salvo se dela o destinatário tinha conhecimento. • Declarante omitiu uma informação; o Se a outra parte não tinha conhecimento da reserva, o NJ subsiste. o Se a outra parte tinha conhecimento da reserva, há quem entenda que o negócio entenda que o negócio jurídico é inexistente e há quem entenda que o negócio jurídico é nulo por simulação (majoritário). TEMA 6 – VÍCIOS DO NEGÓCIO JURÍDICO (CONTINUAÇÃO) Fraude Contra Credores – Art. 158 a 165, CC Aula 1 - É um vício social do negócio jurídico presente quando o devedor insolvente ou que beira a insolvência realiza atos de disposição gratuita (doação) ou onerosa, com intuito de prejudicar credores. - Exemplo: Pessoa tem obrigações assumidas (dívidas) e aliena ou doa seu patrimônio. - Ação anulatória (constitutiva negativa ou desconstitutiva) é denominada ação pauliana ou revocatória. Deve ser ajuizada conta o devedor insolvente, pessoa que com ele celebrou a estipulação considerada fraudulenta ou terceiros adquirentes que haja procedido de má-fé. Ou seja, protege os terceiros de boa-fé. É caso de litisconsórcio unitário. - Como é uma ação anulatória, se volta para o plano da validade. Requisitos da Fraude contra Credores 1. Disposição onerosa de bens (venda) Deve ter o conluio fraudulento entre quem comprou e quem vendeu ou colusão + o prejuízo ao credor. Art. 159, CC – Presunção relativa do conluio fraudulento, quando a insolvência de quem vendeu for notória ou quando houver motivo para ser conhecida do outro contratante. Ex.: Contrato celebrado entrefamiliares. 2. Disposição Gratuita dos bens (doação ou remissão de dívidas) Basta o prejuízo ao credor. Inclusive, presume-se fraude quando o devedor é garantidor de dívida (fiador ou da um bem em garantia). Aula 2 - Fraude não ultimada: é a fraude não aperfeiçoada (não consolidada). Prioriza o princípio da conservação do negócio jurídico ao possibilitar que o adquirente depositar em juízo o valor pactuado para celebração do contrato. - Se o valor pactuado for menor que o preço de mercado, deverá depositar o valor acordado e a diferença do preço de mercado. Ineficácia x Invalidade - Alguns autores defendiam que a solução deveria ser da ineficácia, pois a parte ganha, mas não levar, caso seja anulada e sobrevenha outra penhora que prevaleça na ordem dos credores. - Art. 171 prevê que é anulável, logo, seria questão de invalidade. - O art. 790, CPC/15 dispõe sobre a alienação anulada em virtude da fraude contra credores. Portanto, reafirmou a invalidade. Volta ao patrimônio do devedor (art. 165) - Anulado o NJ fraudulento, o bem reverterá ao acervo sobre que se tenha de efetuar o concurso de credores. Tutela do Patrimônio Mínimo - Presumem-se de boa-fé e vale o negócio ordinário indispensáveis à manutenção do estabelecimento mercantil, rural, ou industrial, ou à subsistência do devedor e de sua família. Aula 3 Tutela do Patrimônio Mínimo (continuação) - Também serve para questões empresariais, inclusive para vendas da imóveis. - É uma presunção relativa. Súmula 195, STJ: Embargos de terceiro não anula ato jurídico em virtude de fraude contra credores. Assim, necessário promover a ação pauliana, não substituída pelos embargos de terceiro. Fraude Contra Credores x Fraude à Execução - Direito civil (ordem privada – interesse particular) x Processo Civil (ordem pública – normas cogentes) - Fraude contra credores: plano da validade - Fraude à Execução: Plano da Eficácia Fraude à Execução (Art. 792, CPC) - Quando sobre o bem pender ação fundada em direito real ou com pretensão para retomada do bem, desde que tenha sido averbada na matrícula a existência da ação; - Quando houver averbação da pendência do processo de execução. - Averbação de hipoteca judiciária ou outro ato de constrição judicial originário do processo em que foi arguida fraude - Quando, ao tempo de alienação ou da oneração, tramitada contra o devedor ação capaz de reduzi-lo à insolvência. Ou seja, não basta olhar só a matrícula, mas também as certidões da parte, vez que o inciso IV estabelece a inversão do ônus da prova. Aula 4 Art. 54 da Lei nº 13.097/2015 alterado pela lei do SERP: • Em tese, se não teve averbação dos atos descritos nos incisos, não há fraude à execução; CONCENTRAÇÃO DOS ATOS NA MATRÍCULA • Parágrafo Primeiro: Não poderão ser opostas situações jurídicas não constantes na matrícula imobiliária, inclusive para fins de evicção. • Parágrafo segundo: Para a validade e eficácia dos negócios jurídicos não serão exigidas: o Apresentação de certidões forenses ou de distribuidores judiciários Obs.: A jurisprudência do STJ ainda indica a necessidade de solicitar as certidões, dado o ônus da prova da boa-fé do terceiro adquirente. FRAUDE CONTRA CREDORES FRAUDE À EXECUÇÃO Direito Civil (vício no negócio jurídico) Direito Processual Civil (responsabilidade patrimonial) A pessoa tem obrigações e aliena o patrimônio A pessoa tem ações / registros / averbações e aliena o patrimônio. Fraude à parte Fraude ao processo Ordem Privada Ordem pública Há necessidade de uma ação específica (ação pauliana) – não se conhece de ofício; Não há necessidade de uma ação específica, pois já existe uma demanda. Juiz pode conhecer de ofício, desde que garantido o contraditório. Invalidade do ato (anulação) – sentença constitutiva negativa ou desconstitutiva Ineficácia do ato – decisão declaratória Plano da validade do negócio jurídico Plano da eficácia do negócio jurídico TEMA 7 – TEORIA DAS NULIDADES DO NEGÓCIO JURÍDICO Aula 1 - Introdução - Art. 166 a 184, CC; - Invalidade (nulidade lato sensu): o negócio jurídico não produz os efeitos desejados. É um gênero do qual subdividem duas espécies, quais sejam, nulidade stritco sensu (nulidade absoluta) e anulabilidade (nulidade relativa); A teoria das invalidades abrange: 1. A inexistência do Negócio Jurídico; 2. A nulidade absoluta – aqui se situa a teoria das invalidades; 3. A nulidade relativa (anulabilidade) Inexistência e nulidade não se confundem, muito embora, no mais das vezes, as situações de inexistência sejam resolvidas pelo caminho da nulidade. Isso porque o negócio jurídico inexistente, por óbvio, é inválido. - Todo contrato é um negócio jurídico bilateral, por isso, é importante tornar o negócio válido. - Problema de nulidade ou anulabilidade pode acarretar a extinção do contrato por motivo anterior ao pacto ou na própria fase de formação do contrato. Aula 2 – Nulidade Absoluta - Nulidade absoluta é a primeira de duas espécies; - A nulidade absoluta é a sanção legal que retira efeitos jurídicos do ato negocial que desobedece às prescrições da norma jurídica. - É a consequência prevista em lei, nas hipóteses em que não estão preenchidos os requisitos básicos para a existência válida do ato negocial. - A nulidade pode ser de duas espécies: • Nulidade absoluta (stricto sensu); • Nulidade relativa ou anulabilidade; - A nulidade absoluta (stricto sensu) enseja na não produção de efeitos ao negócio jurídico, dada a ausência dos requisitos de validade previstos no Código Civil, quais sejam, • agente capaz, • vontade livre, • objeto possível, determinado ou determinável e • forma não prevista ou proibida em lei. - A nulidade absoluta viola normas de ordem pública, o que torna o negócio jurídico absolutamente inválido. Por tal motivo, a ação para declarar sua ocorrência é imprescritível, é uma ação não sujeita a decadência. Aula 3 – Hipóteses de Nulidade Absoluta - Art. 166, CC. São hipóteses de nulidade absoluta: 1. NJ celebrado por agente absolutamente incapaz, sem representação (menores de 16 anos); 2. NJ com objeto ilícito, impossível (física ou juridicamente), indeterminado ou indeterminável; 3. Quando o motivo determinante do NJ, para ambas as partes, for ilícito. Ex.: venda de imóvel para exploração de prostituição. 4. NJ que não observa a forma prescrita em lei ou quanto não é observada alguma solenidade que a lei considera essencial. Ex.: instituição de hipoteca por instrumento particular sobre imóvel com valor superior a 30 salários-mínimos. 5. NJ que tenha por objetivo fraudar uma lei imperativa. Se caracteriza quando há intenção de driblar uma norma proibitiva. Ex.: cláusula de retrovenda para camuflar garantia de agiotagem. 6. Quando a lei expressamente declarar nulo determinado NJ ou então quando proibir-lhe a prática, sem cominar sanção. Ex.: doação universal. Aula 4 – Efeitos e procedimentos a nulidade absoluta - A ação para o reconhecimento da nulidade é a ação declaratória de nulidade, que tramita pelo rito comum. - Em razão de sua natureza declaratória, é imprescritível, ou seja, não se sujeita à prescrição ou à decadência. Obs.: discute-se na doutrina a prescrição dos efeitos patrimoniais dessa declaração. Há quem entenda que a nulidade se sujeita ao prazo geral de prescrição de 10 anos para fins patrimoniais. - Art. 169 do CC: NJ nulo não é suscetível de convalidação, tampouco o convalesce com o decurso de tempo. - Corrente intermediária (Enunciado 536 da VI JDC): resultado o NJ nulo consequências patrimoniais capazes de ensejar pretensões, é possível, quanto a estas, a incidência da prescrição. - Como a nulidade absoluta gera impacto nas normas cogentes, qualquer pessoa interessada pode alegar a nulidade, inclusive o Ministério Público, bem como ser reconhecida de ofício. - Art. 367, CC: Salvo as obrigações simplesmente anuláveis,não podem ser objeto de novação as obrigações nulas ou extintas. - Art. 170, CC: Se o NJ nulo tiver requisitos de outro, subsistirá este quando o fim a que visavam as partes permitir supor que o teria querido (desejo das partes – requisito subjetivo), se houvessem previsto a nulidade. Requisito objetivo: elementos essenciais do outro negócio jurídico. - A nulidade absoluta gera efeitos erga omnes e extunc. Devem ser tutelados (protegidos) os interesses de terceiros de boa-fé. - Enunciado nº 537: A previsão do artigo 169 do Código Civil não impossibilita que, excepcionalmente, negócios jurídicos nulos produzam efeitos a serem preservados quando justificados por interesses merecedores de tutela. TEMA 8 – TEORIA DAS NULIDADES DO NEGÓCIO JURÍDICO ANULABILIDADE Aula 1 – Anulabilidade (Nulidade Relativa) - Envolve matérias de ordem privada, de interesse das partes, o que gera um regramento jurídico diferente daquele que vimos para as nulidades absolutas. Hipóteses (art. 171, CC): 1. NJ celebrado por relativamente incapaz (menores púberes – 16 a 18 anos), sem a devida assistência. 2. NJ acometido de vício, como erro, dolo, coação moral ou psicológica, lesão, estado de perigo ou fraude contra credores. Obs.: Coação física e simulação geram nulidade absoluta. 3. Casos especificados de anulabilidade. Ex.: ato que exigem a outorga uxória ou marital, à luz dos artigos 1647 e 1649, CC. Aula 2 – Ação Anulatória - Rito comum - É uma ação de anulabilidade e tem uma natureza desconstitutiva. - Um negócio que, a princípio, existe e é válido, até que a parte interessada busque desconstituir o negócio jurídico. - Existe a possibilidade do NJ ser convalidado com o decurso de tempo, pois se sujeita a decadência e prescrição. - Prazos decadenciais estão previstos nos artigos 178 e 179, CC, via de regra. Art. 178. É de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurídico, contado: I - no caso de coação, do dia em que ela cessar; II - no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que se realizou o negócio jurídico; III - no de atos de incapazes, do dia em que cessar a incapacidade. Art. 179. Quando a lei dispuser que determinado ato é anulável, sem estabelecer prazo para pleitear-se a anulação, será este de dois anos, a contar da data da conclusão do ato. - Há quem entenda que os prazos previstos acima devem ser contados não da celebração do ato, mas da sua ciência correspondente. Ex.: Compra e venda de imóvel contaria do registro na matrícula, mas não da assinatura da escritura de compra e venda. - Enunciado 538 da VI JDC: No que diz respeito a terceiros eventualmente prejudicados, o prazo decadencial não se conta da celebração do negócio, mas da ciência que dele tiverem. - Contudo, parte da doutrina entende que o prazo decadencial conta a partir da conclusão do NJ, ou seja, da celebração da escritura pública. Aula 3 – Convalidação Livre da Anulabilidade - Art. 172 a 176, CC - Valorização da boa-fé objetiva e a função social do contrato; - Negócio anulável pode ser confirmado pelas partes, vez que o NJ trata de bem disponível; - Permite confirmação tácita ou presumida quando o devedor cumpre sua obrigação, mesmo ciente do vício. - A confirmação expressa ou execução voluntária importa extinção de todas as ações ou exceções que contra ele dispusesse o devedor. - Quando a anulabilidade resultar de falta de autorização de terceiro, pode ocorrer a convalidação (confirmação) do NJ quando for dada autorização posterior. Aula 4 – Efeitos da Anulabilidade - Menor que ocultou dolosamente a idade não pode invocar sua idade para se eximir da obrigação. Não pode se valer da própria torpeza. - Aquele que celebrou negócio jurídico com incapaz e que pagou algo para esse incapaz não pode pedir a restituição a não ser que consiga provar que a quantia reverteu em proveito do incapaz. Vedação ao enriquecimento ilícito. - A sentença anulatória geraria efeitos inter pares e ex nunc (não retroativos). Art. 177, CC. Contudo, parte da doutrina entende que na ação anulatória os efeitos também seriam ex tunc (retroativos), com fundamento no artigo 182, CC. - A invalidade do instrumento não gera, automaticamente, a invalidade do negócio jurídico se puder provar o negócio por outros meios. Princípio da conversação do contrato. - A invalidade parcial do negócio jurídico não prejudicará a parte valide, se esta for separável. A invalidade da obrigação principal implica a das obrigações acessórias, mas a dessas não induz a da principal. TEMA 9 – PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA Aula 1 – Regras Gerais - Prazos concentrados nos artigos 205 e 206 do Código Civil. - Art. 205: prazo geral de 10 (dez) anos - Art. 206: prazos especiais (1, 2, 3, 4 e 5 anos). Obs.: Todos os demais prazos em outros artigos do Código Civil são de decadência. Dica 1 – Se o prazo for em dias, meses ou ano e dia: decadência 2 – Se o prazo for em anos: prescrição ou decadência. Prazos para ações: 1 – Ações anulatórias (nulidade): imprescritível; 2 – Ação Constitutiva positiva ou negativa (anulatória): decadência 3 – Ação condenatória (cobrança e reparação de danos): prescrição STJ pacificou entendimento segundo o qual o prazo de três anos do art. 206, §3º, inciso V, se aplica apenas à responsabilidade extracontratual (ato ilícito). Para responsabilidade civil contratual, o prazo é de 10 anos. Aula 2 – Regras Gerais (Continuação) - A prescrição é uma punição ao negligente. - Prescrição é a perda da pretensão, estando relacionada a direitos subjetivos de cunho patrimonial. Portanto, não é a perda do direito de ação. - O início do prazo, em regra, observa o artigo 189, CC. Enunciado 14 – JDC: o início do prazo se dá com o surgimento da pretensão, que ocorre com a violação do direito subjetivo. - Cresce na lei, jurisprudência e doutrina o entendimento segundo o qual o prazo prescricional terá início da ciência ou conhecimento da lesão. Ex.: Art. 27, CDC. Aula 3 – Regras Gerais (Continuação) - Não é só o ataque que prescreve. A exceção ou defesa também prescreve (art. 190, CC). - A prescrição decorre da lei. A decadência, por outro lado, por der legal ou convencional. - A prescrição pode ser alegada em qualquer grau de jurisdição pela pare a quem aproveita, ou seja, não existe preclusão. Art. 193, CC. - A prescrição não alegada em contestação pode ser alegada em apelação (STJ Resp 157.840/SP). - Conhecimento da prescrição de ofício foi revogado pelo Código Civil de 2002, mas reefetivado em 2006 somente em benefício do absolutamente incapaz. Com o CPC/15 reproduziu a regra do CPC/73 que admite o conhecimento de ofício da prescrição. - O artigo 332, §1º do CPC/15 permite que o juiz profira sentença de improcedência liminar do pedido, mas prevalece no STJ a garantia ao contraditório. - Em regra, o juiz intima as partes para se manifestarem antes de resolver de ofício, à luz do artigo 10, CPC/15. - Enunciado 581: A decretação ex officio da prescrição ou da decadência deve ser precedida da oitiva das partes. - A prescrição não anula a dívida, que continua existindo. TEMA 10 – PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA Aula 1 - Renúncia a prescrição é feita pelo devedor. Pode ser expressa (Ex.: declaração no processo) ou tácita (Ex.: pagamento da dívida prescrita). - A renúncia a prescrição só é possível após a consumação, não se admitindo renúncia prévia. - A prescrição pode ser impedida, suspensa ou interrompida. - No impedimento e na suspensão, os efeitos são similares: - Impedimento: o prazo não começa; - Suspensão: o prazo para. - Em ambos os casos (impedimento e suspensão), o prazo continua de onde parou. Decorrem de situações existenciais entre pessoas, mas não atos das partes. Estão previstos nos artigos 197, 198 e 199. - Na interrupção, o prazo para e volta ao início. Na interrupção,temos atos do credor ou do devedor. Previsto no art. 202, CC. Aula 2 Impedimento e Suspensão Situações familiares (Art. 197): - Não corre prescrição entre os cônjuges, na constância da sociedade conjugal. A regra também se aplica aos companheiros. Obs.: Basta separação de fato, para a prescrição iniciar a correr. - Não corre prescrição entre ascendentes e descendentes enquanto durar o poder familiar, em regra, quando o filho completa 18 anos. - Não corre prescrição entre tutores e tutelados, curadores e curatelados. Impossibilidade de Cobrança (Art. 198): - Não corre prescrição contra absolutamente incapazes (menores de 16 anos); - Não corre prescrição contra os ausentes do país em serviço público. Também se aplica ao ausente morto. - Não corre prescrição contra os que estiverem servindo nas forças armadas em tempos de guerra. Problemas inerente a dívida (Art. 199): - A prescrição não corre quando pendente condição suspensiva. Ex.: Súmula 229, STJ – pedido de pagamento à seguradora suspende o prazo até que o segurado tenha ciência inequívoca da decisão (prazo administrativo interno da segurada – prazo prescricional fica suspenso). - Não corre prescrição quando não está vencido o prazo para pagamento da dívida. - Não corre prescrição quando pendente a ação de evicção. Aula 3 – Interrupção - Segundo o art. 202, a interrupção da prescrição somente ocorrer uma vez. Hipóteses: - Haverá interrupção pelo despacho do juiz, que mesmo incompetente, ordenar a citação. O CPC/15 discorre que a interrupção ocorre com o despacho do juiz que ordena a citação, retroagindo à data da propositura da ação. - O protesto judicial; - Protesto cambial (prescrição extrajudicial). Ao entrar com ação de cobrança, haveria uma nova interrupção, de natureza judicial. - Apresentação de título de crédito em concurso de credores ou em juízo de inventário; - Qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor. Notificação extrajudicial não interrompe. - Atos do devedor, judiciais ou extrajudiciais, que importem em reconhecimento de dívida. Prescrição Intercorrente - É aquela que se dá no curso do processo. - Observará o mesmo prazo da pretensão originária. - Ocorre quando não for localizado o executado ou não possuir bens penhoráveis. - Juiz suspende a execução pelo prazo de um ano; - Decorrido um ano, o processo vai para o arquivo. Após mais um ano, começa a correr o prazo de prescrição intercorrente. - Termo inicial é a ciência da primeira tentativa infrutífera de localização do devedor ou de bens penhoráveis Aula 4 – Regras da Decadência - Decadência é a extinção de um direito potestativo. - Direito potestativo é aquele que se contrapõe a um estado de sujeição, encurralando a outra parte. Credor pode exigir um comportamento do devedor. - A decadência, em regra, não é impedida, suspensa ou interrompida. Exceção: não corre a decadência contra os absolutamente incapazes. - A decadência pode ser legal ou convencional (contratual). A decadência convencional não pode ser conhecida de ofício.