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Jogos Indígenas – Celebrando a vida Por Tiago Aquino da Costa e Silva (Paçoca) Antes da chegada dos negros e portugueses no Brasil, existia um povo nativo no tão desconhecido Brasil, os índios e que com certeza influenciaram os jogos tradicionais acontecidos no Brasil. O predomínio das brincadeiras junto à natureza, nos rios, é característica do modo de brincar indígena. O brincar não é só coisa de criança, mas é próprio da vida adulta. Há brincadeiras comuns, em que meninos e meninas participam juntos e outras específicas, só de meninos, ou de homens, como são as danças e os jogos de lutas, nos quais o mérito está na participação e na apresentação, tão somente. As brincadeiras indígenas envolvem grande variedade nas formações inicias da ação: rodas, fileiras, colunas e dispostos aleatoriamente pelo espaço, como nos jogos de pega-pega, por exemplo. Todas as atividades são coletivas, onde todos os participantes se divertem e fazem a interação com a natureza. Segue logo abaixo uma lista de jogos indígenas. E agora é só BRINCAR! KAGIHUGU Na época das chuvas, um grupo de amigos combina, reúne-se e invade a casa de outro grupo familiar, com o objetivo de apagar a fogueira que as famílias costumam acender perto das redes quando se recolhem para dormir. O grupo invasor, camuflado com lama, aproxima-se silenciosa e discretamente da casa escolhida e um deles, que não participa da invasão propriamente dita, traz uma panela de cerâmica cheia de água e a deposita no chão, no lado externo da casa. Cada um dos invasores enche a boca com água e imitando sapos, entram pulando de cócoras na casa para cuspi-la na fogueira acesa. Enquanto os invasores, emitindo sons de sapos com as bocas fechadas, tentam de todo jeito aproximar-se da fogueira para apagá-la, as mulheres da casa defendem o fogo, batendo nos invasores com vassouras de buriti, e os homens da casa apenas assistem divertidos de suas redes. OKON DE ÁGUA Esta brincadeira acontece dentro da água. Okon significa marimbondo. Forma-se um grande círculo em torno do "dono da brincadeira", que em geral é quem a propõe. Os que fazem o círculo batem as mãos na água com os braços abertos, e o que está no centro mergulha. Quando este emerge do fundo, os da roda perguntam: "Como está o ninho do marimbondo?" Ele responde mostrando o tamanho com as mãos, e a seguir toma um lugar na roda. O participante que se encontra à sua direita vai então para o centro da roda e mergulha, e assim sucessivamente a cena vai-se repetindo entre os participantes. O espaço entre as mãos de cada um que mergulha no centro da roda vai aumentando, mostrando que o ninho está cada vez maior. Quando todos tiverem passado pelo centro, volta a ser a vez de o "dono da brincadeira" ocupá-lo. Este mergulha de novo, mas desta vez, ao emergir e ouvir a pergunta como está o ninho do marimbondo?, ele, gesticulando, mostra que o ninho não existe mais e sai "picando" (beliscando) os que conseguir alcançar, causando grande excitação e correria. Embora não haja surpresa em relação ao final do jogo, a agitação aumenta gradualmente a cada mergulho, na divertida antecipação do fim conhecido. Participam homens e crianças de todas as idades. BRIGA DE GALO É uma brincadeira aquática. Os jogadores são dispostos em duplas. Um dos companheiros subirá nos ombros do amigo. O jogo consiste em derrubar a dupla oponente, caso consiga, esta será considerada vencedora. GAVIÃO E GALINHA - O’ta i inyu. Um jogador é escolhido para ser o GAVIÃO (o pegador). Outra criança será a GALINHA, e esta será responsável por proteger os PINTINHOS (demais jogadores). O pegador correrá e tentará pegar o último pintinho da coluna. A galinha deverá proteger todos os pintinhos, em especial sempre o último da coluna. O gavião ao conseguir pegar o último pintinho, ele será incorporado com pintinho e outra criança será escolhida para ser o gavião. O jogo continua até quando houver motivação por parte dos jogadores. REFERÊNCIAS HERRERO, M.; FERNANDES, U.; FRANCO NETO, J.V. Jogos e Brincadeiras do Povo Kapalolo. São Paulo: SESC, 2006. COSTA E SILVA, T.A.; GONÇALVES, K.G.F. Manual de lazer e recreação: o mundo lúdico ao alcance de todos. São Paulo: Phorte Editora, 2010. Tiago Aquino da Costa e Silva (Paçoca): Graduado Em Educação Física – FMU. Especialista em Administração e Marketing, em Educação Física Escolar; e em Recreação e Lazer. Membro do LEL - Laboratório de Estudos do Lazer – UNESP/ Rio Claro e da WLO – World Leisure Organization. Diretor Executivo da S&P Produções em Entretenimento. Consultor e Educador Empresarial com 12 prêmios nacionais e internacionais. Palestrante Internacional e Autor de Livros. Site – www.professorpacoca.com.br