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Em 2023, o Ministério Público do Estado de Goiás propôs ação civil pública em defesa de consumidores que teriam sido lesados por cobranças indevidas praticadas por instituição financeira. Durante o curso do processo, entrou em vigor nova lei estadual de organização judiciária que alterou o sistema de intimações, estabelecendo que todas as comunicações processuais seriam realizadas exclusivamente por meio eletrônico, com início automático do prazo a partir da disponibilização do ato no sistema. O juiz, entendendo que as normas processuais possuem aplicação imediata, aplicou a nova regra ao processo em curso e considerou intimada a instituição financeira ainda antes da vigência da lei, ao verificar que o ato havia sido disponibilizado no sistema em data anterior. A defesa interpôs recurso, alegando violação ao princípio da segurança jurídica e ao tempus regit actum, pois o regime de intimações vigente no momento do ato deveria ser preservado. À luz da teoria geral do processo e da aplicação intertemporal da lei processual civil, assinale a afirmativa que se harmoniza com o CPC/2015 e com os princípios constitucionais do processo: A
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Luciene Silva Porto

há 2 meses

Respostas

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há 2 meses

A questão trata da aplicação intertemporal da nova lei processual que alterou o sistema de intimações durante o curso do processo. Passo a passo: 1. Princípio do tempus regit actum: A regra geral é que o ato processual deve obedecer à lei vigente no momento em que é praticado. 2. Aplicação imediata da lei processual: O CPC/2015 prevê que a lei processual nova aplica-se imediatamente aos processos em curso, salvo se houver disposição em contrário. 3. Segurança jurídica e proteção da confiança: Embora a lei nova tenha aplicação imediata, não se pode retroagir para prejudicar direitos adquiridos ou atos já consumados sob a lei antiga. 4. No caso concreto: O juiz considerou a intimação válida antes da vigência da nova lei, com base na disponibilização eletrônica do ato. Isso implica retroatividade da nova regra, o que viola o princípio da segurança jurídica e o tempus regit actum. Conclusão correta: A nova regra processual deve ser aplicada aos atos praticados após sua vigência, preservando-se o regime anterior para atos realizados antes da lei entrar em vigor. Portanto, a intimação considerada feita antes da vigência da nova lei não pode ser validada com base nela. Resposta objetiva: A aplicação da nova regra de intimações deve respeitar o princípio do tempus regit actum, valendo para atos praticados após sua vigência, preservando o regime anterior para atos anteriores, garantindo a segurança jurídica e a proteção da confiança das partes, conforme o CPC/2015 e princípios constitucionais do processo.

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