DO PROCESSO ADMINISTRATIVO Para fins de melhor esclarecimento, necessário trazer alguns pontos da avaliação administrativa do pedido. O INSS contabilizou o total de 29 anos, 07 meses e 24 dias de tempo de contribuição, reconhecendo parte do período especial na via administrativa, qual seja, de 01/11/2009 a 15/02/2012. Verifica-se que o INSS emitiu CTC para averbação de períodos no RPPS, portanto, tais períodos não podem ser considerados na contagem de tempo de contribuição para concessão da aposentadoria no RGPS (id.8619, fls.9). Consta na CTC emitida pelo INSS os seguintes períodos: "OBSERVAÇÕES: OS PERIODOS COMPREENDIDOS ENTRE 01.12.1983 A 30.04.1984 DE 01.05.1984 A 31.05.1985 E DE 01.09.1985 A 30.09.1989 FORAM CERTIFICADOS PARA A POLICIA MILITAR DE PERNAMBUCO E O PERIODO DE 01.10.1989 A 25.10.1994 FOI CERTIFICADO PARA O INSTITUTO DE RECURSOS HUMANOS DE PERNAMBUCO IRH CONFORME REQUERIMENTO". Ainda nos autos do processo administrativo, a autarquia abriu exigência para juntada de CTC dos vínculos municipais de Petrolina, Juazeiro e Fundo Municipal de Saúde. Conforme processo administrativo. A requerente cumpriu a exigência com a juntada da CTC da Prefeitura de Petrolina (30/06/2004 a 31/12/2008; 02/01/2009 a 31/10/2010; 01/03/2011 a 31/12/2012; 02/01/2013 a 31/12/2016; 02/01/2017 a 24/08/2022), assim como CTC do Fundo Municipal de Saúde (30/06/204 a 24/08/2022) e a CTC do Município de Juazeiro (01/06/2009 a 01/01/2013). Quanto a vínculos declarados por CTC, a lei 8.213/1991, em seu art. 96, assim prevê: "Art. 96. O tempo de contribuição ou de serviço de que trata esta Seção será contado de acordo com a legislação pertinente, observadas as normas seguintes: "VI - a CTC somente poderá ser emitida por regime próprio de previdência social para ex-servidor; (Incluído pela Lei nº 13.846, de 2019) VII - é vedada a contagem recíproca de tempo de contribuição do RGPS por regime próprio de previdência social sem a emissão da CTC correspondente, ainda que o tempo de contribuição referente ao RGPS tenha sido prestado pelo servidor público ao próprio ente instituidor; A TNU assim decidiu: "A Turma Nacional de Uniformização decidiu, por unanimidade conhecer e dar provimento ao incidente nacional de uniformização, para (i) reafirmar a tese de que "a CTC - Certidão de Tempo de Contribuição - é documento essencial para fins de aproveitamento e contagem recíproca de tempo trabalhado sob o regime próprio, no Regime Geral de Previdência Social"; e (ii) devolver os autos à Turma Recursal de Origem, nos termos da questão de Ordem nº 20/TNU, a fim de que seja proferido novo julgamento, observando a tese ora fixada". (Pedido de Uniformização de Interpretação de Lei (Turma) 0505109-40.2018.4.05.8015, JOSÉ FRANCISCO ANDREOTTI SPIZZIRRI - TURMA NACIONAL DE UNIFORMIZAÇÃO, em 23/09/2019) Portanto, os períodos declarados por CTC, pelos órgão municipais, devem ser contabilizados no tempo de contribuição para concessão da aposentadoria ora requerida. Com tais considerações, incluindo-se no tempo de contribuição os vínculos declarados por CTC pelos entes municipais, o período enquadrado como especial na via administrativa e o período ora reconhecido como especial, a parte autora alcança o total de 32 anos, 4 meses e 25 dias, até a EC 103/2019 o total de 28 anos, 11 meses e 8 dias, com 352 contribuições para carência, aos 59 anos de idade. Assim, cumpre avaliar se a parte autora preenche os requisitos para concessão do benefício de aposentadoria. DA APOSENTADORIA PELA REGRA DE TRANSIÇÃO - EC 103 A Emenda Constitucional 103 alterou e deu novo formato à aposentadoria por idade: Art. 201, § 7º, CF: É assegurada aposentadoria no regime geral de previdência social, nos termos da lei, obedecidas as seguintes condições: Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) I - 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se homem, e 62 (sessenta e dois) anos de idade, se mulher, observado tempo mínimo de contribuição; Art. 20, EC 103: O segurado ou o servidor público federal que se tenha filiado ao Regime Geral de Previdência Social ou ingressado no serviço público em cargo efetivo até a data de entrada em vigor desta Emenda Constitucional poderá aposentar-se voluntariamente quando preencher, cumulativamente, os seguintes requisitos: I - 57 (cinquenta e sete) anos de idade, se mulher, e 60 (sessenta) anos de idade, se homem; II - 30 (trinta) anos de contribuição, se mulher, e 35 (trinta e cinco) anos de contribuição, se homem; III - para os servidores públicos, 20 (vinte) anos de efetivo exercício no serviço público e 5 (cinco) anos no cargo efetivo em que se der a aposentadoria; IV - período adicional de contribuição correspondente ao tempo que, na data de entrada em vigor desta Emenda Constitucional, faltaria para atingir o tempo mínimo de contribuição referido no inciso II. Verifica-se, pois, que para a concessão do benefício em comento faz-se mister a implementação de dois requisitos exigidos pela legislação, quais sejam a idade e o tempo mínimo de contribuições para a Previdência Social até a data da entrada em vigor da Emenda, com possibilidade de pedágio. A parte autora, mulher, preenche todos os requisitos do artigo 20, haja vista ter cumprido o tempo mínimo de contribuição (30 anos), a carência mínima (180 contribuições), a idade mínima (57 anos), assim como cumpriu o pedágio (1 ano e 22 dias), sendo curial a procedência do pedido. DISPOSITIVO Posto isso, homologo a planilha de tempo de contribuição, e no mérito, JULGO PROCEDENTE o pedido (art. 487, I, do CPC) em ordem a CONDENAR o réu a: a) ESTABELECER em favor da autora o benefício de aposentadoria por tempo de contribuição pela regra do artigo 20 da EC 103/2019, com DIB na DER 07/08/2024 e DIP em 01/11/2025. resumir a implantação