Texto I A inconstância dos bens do mundo Nasce o Sol e não dura mais que um dia, Depois da Luz se segue a noite escura Em tristes sombras morre a formosura, Em contínuas tristezas a alegria. Porém, se acaba o Sol, por que nascia? Se é tão formosa a Luz, por que não dura? Como a beleza assim se transfigura? Como o gosto da pena assim se fia? Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza, Na formosura não se dê constância, E na alegria sinta-se tristeza. Começa o mundo enfim pela ignorância, E tem qualquer dos bens por natureza A firmeza somente na inconstância. MATOS, Gregório. Melhores poemas. Darcy Damasceno (org.) São Paulo: Global Editora; 8ª edição, 2014. Texto II Ensinamento Minha mãe achava estudo a coisa mais fina do mundo. Não é. A coisa mais fina do mundo é o sentimento. Aquele dia de noite, o pai fazendo serão, ela falou comigo: “Coitado, até essa hora no serviço pesado”. Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente. Não me falou em amor. Essa palavra de luxo. PRADO, Adélia. Bagagem. 27ª edição. Rio de Janeiro: Record, 2008. Os dois textos possuem diferenças estruturais que demonstram a forma como os gêneros literários sofreram transformações ao longo do tempo. Pensando na tradição e nas inovações do gênero lírico, leia as afirmativas a seguir. I.O texto I apresenta uma estrutura mais rígida, com versos de tamanhos quase iguais e também a presença de rimas, como podemos notar nos pares: escura/formosura, nascia/fia. II. O texto II não apresenta rimas, por isso não pode ser considerado do gênero lírico. III. Além da questão estrutural, a própria linguagem é diferente nos dois poemas. O texto I é mais formal e o texto II mais informal. IV. Apesar de não possuir rimas, o texto II tem momentos de maior ênfase como no verso “não é”, o que traz um ritmo para o poema. V. Ambos os textos são chamados de sonetos, o que os diferencia são as rimas (texto I) ou a ausência delas (texto II). É correto o que se afirma em: Alternativas Alternativ