A maior rede de estudos do Brasil

aponte no minimo 5 diferenças entre o processo administrativo e o processo jurisdicional.


2 resposta(s)

User badge image

Especialistas PD

Há mais de um mês

Processo Administrativo  Processo Judicial
processo se instaura mediante provocação do interessado ou por iniciativa da própria Administração  processo se instaura por iniciativa de uma parte
é gratuito (em regra) não é gratuito (em regra)
decisão NÃO faz coisa julgada (não é definitiva) decisão faz coisa julgada (definitividade)
Cada ente possui a sua legislação regulando o processo administrativo somente a união legisla sobre direito processual
a parte não precisa estar representada por advogado a parte precisa estar representada por advogado (em regra)
instrução de provas possui certas restrições, uma vez que certos atos estão sujeitos à reserva de jurisdição (quebra de sigilo, etc) instrução probatória ampla
Processo Administrativo  Processo Judicial
processo se instaura mediante provocação do interessado ou por iniciativa da própria Administração  processo se instaura por iniciativa de uma parte
é gratuito (em regra) não é gratuito (em regra)
decisão NÃO faz coisa julgada (não é definitiva) decisão faz coisa julgada (definitividade)
Cada ente possui a sua legislação regulando o processo administrativo somente a união legisla sobre direito processual
a parte não precisa estar representada por advogado a parte precisa estar representada por advogado (em regra)
instrução de provas possui certas restrições, uma vez que certos atos estão sujeitos à reserva de jurisdição (quebra de sigilo, etc) instrução probatória ampla
User badge image

Jessiene

Há mais de um mês

Nome: Israel de Borba

 

A lei 9.784/99, ou seja, lei do processo administrativo federal será usada de paradigma em confronto ao processo judicial.

O processo judicial é trilateral, no qual uma parte, que está em conflito com outra, busca a intervenção do Estado-juiz, que até então era inerte, para resolver um conflito com imparcialidade, assegurando a igualdade de oportunidade às partes. Na seara administrativa há uma relação bilateral, sendo que o processo pode ser instaurado mediante provocação do interessado ou por iniciativa da própria administração pública, além disso, a movimentação (impulsão) e decisão do processo far-se-á também pela administração (principio da oficialidade – art. 5º).

Nos procedimentos administrativos dispensam-se, em regra, formas rígidas, em relação aos procedimentos judiciais, sendo este conhecido por principio do informalismo no processo administrativo (art. 2º, parágrafo único, IX c/c art. 22.

No direito brasileiro, não há um sistema uniforme para o processo administrativo, como existe para o processo judicial. Quanto ao procedimento judicial, no país inteiro se utiliza a mesma lei processual, civil ou penal, para julgar conflitos. Todavia, os Estados e Municípios, precisam elaborar suas próprias leis processuais administrativas para disporem da matéria, e, não podem ficar atrelados à lei federal, pois cada ente possui autonomia de serviços, podendo utilizar da legislação federal de forma subsidiaria (art. 1º e 69), conforme Meirelles.

No processo administrativo busca-se a verdade material, e não somente a verdade formal como no processo judicial em que somente pertence ao mundo dos fatos o que está nos autos, devendo as partes apresentar estes fatos para que o magistrado se convença, desde que tempestivamente. Contudo, no processo administrativo, como se busca a verdade efetiva, as provas podem ser apresentadas tanto pelos interessados quanto pela administração pública, a qualquer tempo e também produzidos em outro processo até o julgamento final (art. 3º, III c/c art. 29). E baseado neste principio da verdade real, é que se permite o reformatio in pejus no processo administrativo (art. 64), onde a autoridade que julgou, pode modificar uma decisão recorrida em desfavor do recorrente, porém deverá ser notificado para que formule suas alegações antes da decisão. Entretanto, no judicial o reformatio in pejus é proibido, visto haver o principio da adstrição, em que o juiz está limitado a julgar com base nos pedidos das partes, e não pode agravar a pena de quem recorre.

Tendo em vista que a administração pública é parte interessada no processo, decorre a gratuidade no processo administrativo, para que este não seja causa de ônus econômico ao administrado (art. 2º, parágrafo único, XI), e porque a administração atuará de acordo com seus interesses. Em contrapartida, no processo judicial, em regra, é de cobrança de taxas e emolumentos, pois o Estado, como terceiro estranho a lide a pedido das partes para que decida a causa de forma imparcial, e este procedimento é regulado pelas regras do CPC. No processo administrativo, o recurso independe de caução (art. 56, ss 2º), ao contrario do judicial.

No processo judicial, em regra, é necessário a presença de defesa técnica por advogado, sob pena de nulidade dos atos por afronta do devido processo legal, mas, no processo administrativo, a presença de advogado é facultativa (art. 3º, IV), demonstrando aqui o cerne do informalismo. O impedimento e suspeição, no processo judicial, são causas de nulidades absoluta e relativa, respectivamente, porém, no administrativo, ambos os institutos tornam o ato anulável, passível de convalidação por uma autoridade competente (art. 18 ao 21).

Outro aspecto importante, que é necessário diferenciar é a coisa julgada. A administração é parte interessada e julgadora ao mesmo tempo, o que por si só já seria suspeito o julgamento, e ainda assim, a nossa Constituição Federal, em seu art. , XXXV, diz que a lei não excluirá de apreciação do poder judiciário lesão ou ameaça a direito. Destarte, somente o processo judicial pode dizer o direito com força definitiva, com a chamada coisa julgada.

Com base nos recursos e pluralidade de instâncias (S. 473 do STF e arts. 53 e 57), a administração pública pode rever seus próprios atos eivados de vicio, ou por motivo de conveniência e oportunidade, e o recurso administrativo tramitará no máximo por três instâncias administrativas, salvo disposição diversa. Contudo, as diferencias entre as pluralidades de instância no processo judicial e administrativo decorrem do principio da verdade material, ou seja, neste podemos alegar em instância superior o que não foi arguido de inicio, e reexaminar a matéria de fato e produzir novas provas, e naquele o juiz deve ficar atrelado ao pedido das partes.


Bibliografia:

DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 23. Ed. São Paulo: Atlas, 2010.

Carvalho Filho, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo.20. Ed. Rio de Janeiro. Lumen Juris. 2008

GASPARINI, Diogenes. Direito administrativo. 12. Ed. Rev. Atual. São Paulo: Saraiva, 2007.

 

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos estudantes