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Sobre o poder constituinte reformador e suas limitações materiais.

Alguns criticam o fato do poder reformador ser limitado, uma vez que ele emana do povo, assim como o poder constituinte, logo, seria como impor para as gerações futuras, uma decisão tomada numa geração anterior, fato esse que não é verdade, uma vez que as gerações posteriores ainda tem o direito de manifestar e romper a qualquer momento que se sentir insatisfeita com o que foi proposto pela geração anterior, logo o argumento não seria válido.

Pensando sobre a segurança jurídica das instituições e do próprio texto magno, essa ferramenta de reforma limitada a manifestações e rupturas, não geram mais insegurança para o sistema? Quer dizer, não seria melhor um poder reformador ilimitado, assim manteríamos a rigidez de alteração do texto magno, aliado a uma maior segurança de continuação da paz social?


4 resposta(s) - Contém resposta de Especialista

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Júnior Oliveira Verified user icon

Há mais de um mês

É extamente o contrário: a limitação do poder constituinte reformador é que garante, ou tenta garantir, rigidez constitucional e segurança jurídica ao Estado e seus governados.

Se ao Poder Reformador fosse atribuída a possibilidade de modificar qualquer parte da Constituição, a todo tempo, não haveria segurança, pois a cada legislatura poder-se-ia ter uma nova Carta Política. Ou seja, o fato de somente o Constituinte Originário ter poderes ilimitados significa a rigidez da sistemática constitucional, evitando-se reformas muito profundas em curtos espaços de tempo.

É extamente o contrário: a limitação do poder constituinte reformador é que garante, ou tenta garantir, rigidez constitucional e segurança jurídica ao Estado e seus governados.

Se ao Poder Reformador fosse atribuída a possibilidade de modificar qualquer parte da Constituição, a todo tempo, não haveria segurança, pois a cada legislatura poder-se-ia ter uma nova Carta Política. Ou seja, o fato de somente o Constituinte Originário ter poderes ilimitados significa a rigidez da sistemática constitucional, evitando-se reformas muito profundas em curtos espaços de tempo.

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Luciana

Há mais de um mês

Um poder reformardor ilimitado iria desproteger o que já foi conquistado, pois a reforma pode existir, desde que seja para acrescentar e fazer melhorias... Por exemplo esse da prisão perpétua, já foi melhorado, quando a CF-88 nos garante :

Art. XLVII - não haverá penas: (...) b) de caráter perpétuo;

Assim como não pode haver pena de morte, exceto em caso de guerra declarada.

 

Se fosse ilimidado, os direitos adquiridos poderiam sofrer diminuições e até mesmo serem abolidos.

A limitação é justamente para nos proteger de desmandos e autoritarismos.

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Lyra

Há mais de um mês

Desculpa colega, você pode ser mais claro? 3 linha: que fato não é verdade?... não entendi como um sistema sem limites para reforma pode privilegiar a segurança jurídica. Você quer saber se não seria melhor abrir mão da rigidez constitucional em favor da dinâmica social do que termos limites constitucionais ao Poder Constituído Reformador?

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Wenderson

Há mais de um mês

Exatamente,

Desculpe caro(a) colega, quando eu citei "fato", fiz uma alusão a passagem "seria como impor para as gerações futuras, uma decisão tomada numa geração anterior", a primeira passagem é um resumo retirado de (MENDES, Gilmar Ferreira; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito Consitucional. 7ª ed. São Paulo: Saraiva, p. 140, 2012).

Essa dúvida surgiu por que, imagina a necessidade de mudar uma cláusula pétrea, algo que tem bastante comoção social hoje é "prisão pérpetua", seria necessário romper com o sistema atual e instaurar um novo poder constituinte..

Partindo do ponto de vista que o poder reformador é limitado, visando maior proteção ao texto constitucional, e segundo o autor, o povo poderia a qualquer momento romper com a ordem anterior ao seu tempo, afim de mudar aquilo que não pode ser mudado, pergunto: Não seria mais inteligente o poder reformador ser também ilimitado? Uma vez que ele também emana do povo e poderia atender aos interesses sociais, sem necessitar de uma ruptura abrupta com o antigo sistema, se fosse preciso mudar uma cláusula pétrea, por exemplo?

Espero ter sido claro.

 

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos especialistas