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A súmula vinculante seria um exemplo de Poder Vinculado?

atos administrativos

Direito Administrativo I

Humanas / Sociais


6 resposta(s)

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Roberto Martos

Há mais de um mês

Colega Espero que te Ajude.

 

Súmula Vinculante: um poder vinculado

O caso da Súmula nº 4 do Supremo Tribunal Federal

Alessandro da Silva*

Jorge Luiz Souto Maior**

1 - Introdução

Com o argumento de conferir celeridade ao Poder Judiciário, atingindo também a esfera do contencioso administrativo, inseriu-se em nosso ordenamento jurídico a denominada súmula vinculante (art. 103-A da Constituição Federal (clique aqui), regulamentado pela Lei 11.417/2006 - clique aqui).

A súmula vinculante, como próprio nome diz, vincula ao seu conteúdo todos os juízes e Tribunais assim como a Administração Pública. No âmbito administrativo, a não observância da Súmula acarreta a anulação do ato administrativo e na esfera judiciária a cassação da decisão judicial, com determinação de "que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso" (art. 103-A, § 3º, da Constituição Federal).

O STF não hesitou em adotar o novo instituto jurídico e desde maio de 2007 vem editando tais súmulas. Até o presente momento foram dez, das quais as últimas sete foram aprovadas a partir de 30.4.2008.

Um aspecto, no entanto, tem passado despercebido: é que a obrigatoriedade de observação das súmulas nas decisões administrativas e judiciais exige que os seus enunciados tenham redação clara e precisa (por boa técnica, devem ser breves, pois são um resumo da decisão adotada como paradigma). As súmulas, ademais, devem obedecer os limites impostos pela própria Constituição.

Aliás, outro aspecto merece grande relevo. Referimo-nos ao fato de que as súmulas vinculantes não se servem a substituir a lei, ou seja, não se destinam a regular situações em abstrato, fixando a correspondente coercitibilidade. Não se discute o poder dos juízes de dizer o direito e mesmo de criar, pela jurisprudência, uma normatização para as hipóteses fáticas que lhes são postas em julgamento e até, pelo padrão jurídico estabelecido, de se incorporarem da função de "legislador", sobretudo no que tange ao Supremo Tribunal Federal, quando instado a se manifestar nas questões que envolvem a aplicação da Constituição, vez que esta, embora seja um instrumento inserto na ordem jurídica, possui grande conteúdo de natureza política. Mas, mesmo o Supremo Tribunal Federal deve, por óbvio, respeitar a Constituição.

Assim, ainda que não se negue uma grande parcela do poder institucional do Estado ao Supremo Tribunal Federal, este seu poder, no que tange à possibilidade de impor limites à atuação jurisdicional dos demais membros do Judiciário, para preservação dos princípios democráticos, não pode ser exercido sem qualquer limite.

Bem entendido, não estamos pondo em discussão os limites da atuação jurisdicional do Supremo Tribunal Federal, que entendemos bastante amplos, nos moldes, aliás, como vem preconizando o seu atual Presidente, Gilmar Mendes. Referimo-nos, precisamente, à sua atuação no que tange à edição de súmulas vinculantes, que é uma atribuição bastante específica e que possui o grave efeito, ainda que assumido como possível na perspectiva de um mal necessário, de limitar a atuação jurisdicional de tantos que foram constitucionalmente investidos na condição de juízes e que, por isso mesmo, possuem o mesmo poder de dizer o direito, com independência.

Neste sentido, aliás, pode-se até discutir a constitucionalidade da Emenda que autoriza o Supremo Tribunal Federal a impor aos demais juízes um modo de julgar, pois que contraria o princípio da independência dos juízes, entendida como preceito fundamental do Estado de Direito.

 

Colega Espero que te Ajude.

 

Súmula Vinculante: um poder vinculado

O caso da Súmula nº 4 do Supremo Tribunal Federal

Alessandro da Silva*

Jorge Luiz Souto Maior**

1 - Introdução

Com o argumento de conferir celeridade ao Poder Judiciário, atingindo também a esfera do contencioso administrativo, inseriu-se em nosso ordenamento jurídico a denominada súmula vinculante (art. 103-A da Constituição Federal (clique aqui), regulamentado pela Lei 11.417/2006 - clique aqui).

A súmula vinculante, como próprio nome diz, vincula ao seu conteúdo todos os juízes e Tribunais assim como a Administração Pública. No âmbito administrativo, a não observância da Súmula acarreta a anulação do ato administrativo e na esfera judiciária a cassação da decisão judicial, com determinação de "que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso" (art. 103-A, § 3º, da Constituição Federal).

O STF não hesitou em adotar o novo instituto jurídico e desde maio de 2007 vem editando tais súmulas. Até o presente momento foram dez, das quais as últimas sete foram aprovadas a partir de 30.4.2008.

Um aspecto, no entanto, tem passado despercebido: é que a obrigatoriedade de observação das súmulas nas decisões administrativas e judiciais exige que os seus enunciados tenham redação clara e precisa (por boa técnica, devem ser breves, pois são um resumo da decisão adotada como paradigma). As súmulas, ademais, devem obedecer os limites impostos pela própria Constituição.

Aliás, outro aspecto merece grande relevo. Referimo-nos ao fato de que as súmulas vinculantes não se servem a substituir a lei, ou seja, não se destinam a regular situações em abstrato, fixando a correspondente coercitibilidade. Não se discute o poder dos juízes de dizer o direito e mesmo de criar, pela jurisprudência, uma normatização para as hipóteses fáticas que lhes são postas em julgamento e até, pelo padrão jurídico estabelecido, de se incorporarem da função de "legislador", sobretudo no que tange ao Supremo Tribunal Federal, quando instado a se manifestar nas questões que envolvem a aplicação da Constituição, vez que esta, embora seja um instrumento inserto na ordem jurídica, possui grande conteúdo de natureza política. Mas, mesmo o Supremo Tribunal Federal deve, por óbvio, respeitar a Constituição.

Assim, ainda que não se negue uma grande parcela do poder institucional do Estado ao Supremo Tribunal Federal, este seu poder, no que tange à possibilidade de impor limites à atuação jurisdicional dos demais membros do Judiciário, para preservação dos princípios democráticos, não pode ser exercido sem qualquer limite.

Bem entendido, não estamos pondo em discussão os limites da atuação jurisdicional do Supremo Tribunal Federal, que entendemos bastante amplos, nos moldes, aliás, como vem preconizando o seu atual Presidente, Gilmar Mendes. Referimo-nos, precisamente, à sua atuação no que tange à edição de súmulas vinculantes, que é uma atribuição bastante específica e que possui o grave efeito, ainda que assumido como possível na perspectiva de um mal necessário, de limitar a atuação jurisdicional de tantos que foram constitucionalmente investidos na condição de juízes e que, por isso mesmo, possuem o mesmo poder de dizer o direito, com independência.

Neste sentido, aliás, pode-se até discutir a constitucionalidade da Emenda que autoriza o Supremo Tribunal Federal a impor aos demais juízes um modo de julgar, pois que contraria o princípio da independência dos juízes, entendida como preceito fundamental do Estado de Direito.

 

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Andreia Freitas

Há mais de um mês

A súmula vinculante seria um exemplo de Poder Vinculado? Sim, Pois em efetivamente pode-se com bastante razoabilidade questionar a Constitucionalidade da Emenda Constitucional nº. 45 na parte que instituiu a súmula vinculante. O nosso propósito é advertir para o fato de que a Constituição não conferiu um poder aberto ao Supremo nesta seara. LEI Nº 11.417, DE 19 DE DEZEMBRO DE 2006. “Art. 64-B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, dar-se-á ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal.” Com efeito, o § 1º do art. 103-A, da Constituição, com a redação que lhe fora dada pela Emenda Constitucional nº. 45, é claro ao fixar que: "A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica." A súmula vinculante não se destina a dizer aos juízes como devem julgar um conflito. Aliás, a própria previsão do § 3º. do mesmo artigo 103-A, quando atribui efeito ao descumprimento da súmula, fixando que o Supremo "determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso", vai no mesmo sentido, demonstrando que o mérito mesmo do conflito é de livre convencimento do juiz, podendo, ou não, valer-se da norma interpretada ou avaliada nos aspectos da validade e eficácia, pelo STF, por intermédio da Súmula. O atendimento de todos esses requisitos, constitucionalmente previstos, é imprescindível para que uma súmula possa vincular outros julgadores, sendo certo que a redação do enunciado necessita de prazo razoável para o amadurecimento e aperfeiçoamento. "reiteradas decisões sobre matéria constitucional", o que implica dizer que a norma a ser interpretada ou avaliada, nos prismas da validade ou eficácia, deve desafiar outra de nível constitucional. “Art. 64-A. Se o recorrente alegar violação de enunciado da súmula vinculante, o órgão competente para decidir o recurso explicitará as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da súmula, conforme o caso.” Conclusivamente, por mais poder que tenha o Supremo Tribunal Federal para dizer o direito, não se lhe permite determinar aos juízes como devem julgar os casos em concreto. Poder Vinculado: é aquele que a lei confere à Administração Pública para a prática de ato de sua competência, determinando os elementos e requisitos necessários à sua formalização. Nesses atos, a Administração Pública fica inteiramente "presa" aos dispositivos legais, não havendo opções ao administrador: diante de determinados fatos, deve agir de tal forma. Assim, diante de um Poder Vinculado, o particular tem um direito subjetivo de exigir da autoridade à edição de determinado ato. Como exemplo do exercício do Poder Vinculado, temos a licença para construir. Se o particular atender a todos os requisitos estabelecidos em lei, a Administração Pública é obrigada a dar a licença.

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Leoberto Bittencourt Filho

Há mais de um mês

Não. A Súmula Vinculante é um entendimento majoritário resumido a termo com força de Lei, prolatado pelo Supremo Tribunal Federal, que obrigatoriamente sumbmete-se à Constituição Federal.
Sendo assim, todas as esferas do direito necessitam observar o entendimento do STF, já que o Poder Vinculado conferido ao ramo administrativo é limitado.

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos estudantes