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fundamentos das ciencias sociais

O estudo da religião é uma atividade desafiadora, que impõe demandas muito especiais à imaginação sociológica. Ao analisar práticas religiosas, temos que compreender as muitas crenças e rituais diferentes encontrados nas diversas culturas humanas. (GIDDENS, A. Sociologia. 6ª edição. Porto Alegre: Penso, 2012, p. 483.) A abordagem sociológica acerca do fenômeno da religião é bastante variada. Karl Marx, ao analisar a função da religião na sociedade capitalista, faz uma interpretação bem diferente daquele de Durkheim e de Weber. Que abordagem é essa adotada por Marx?


2 resposta(s)

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Graydon Bluhm Jr

Há mais de um mês

Quando pensamos em Marx devemos ter em mente que ele teoriza em torno da luta de classes como motor do desenvolvimento humando estando de um lado os proprietários dos meios de produção (PMP) e de outro lado a classe trabalhadora que é oprimida e explorada pelos PMP. Assim sendo a religião segundo sua análise é um instrumento de controle social, ou seja, uma forma de dominação utilizada para manter a classe trabalhadora na sua condição de subserviência.

Quando pensamos em Marx devemos ter em mente que ele teoriza em torno da luta de classes como motor do desenvolvimento humando estando de um lado os proprietários dos meios de produção (PMP) e de outro lado a classe trabalhadora que é oprimida e explorada pelos PMP. Assim sendo a religião segundo sua análise é um instrumento de controle social, ou seja, uma forma de dominação utilizada para manter a classe trabalhadora na sua condição de subserviência.

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LR

Há mais de um mês

 

Resposta resumida: Primeiramente, Giddens salienta que Marx não se debruçou exaustivamente no estudo da religião. Dito isso, sobre a abordagem de Marx a respeito da questão da religião, Giddens apresenta a seguinte síntese: “Em uma frase famosa, Marx declarou que a religião é o ‘ópio do povo’. A religião adia a alegria e as recompensas para a vida após a morte, ensinando a aceitar resignadamente as condições da existência nessa vida. Dessa forma, desvia-se a atenção das desigualdades e das injustiças encontradas neste mundo em razão da promessa do que virá no próximo. A religião possui um forte elemento ideológico: as crenças e os valores religiosos muitas vezes servem para justificar desigualdades em termos de riqueza e de poder. Por exemplo, o ensinamento de que ‘os mansos herdarão a terra’ sugere atitudes de humildade e de não-resistência diante da opressão.” (GIDDENS, 2005: 431).

Trecho do livro onde Giddens expõe a questão da religião segundo Marx:

“Apesar de sua influência sobre esse assunto, Karl Marx nunca estudou a religião detalhadamente. Suas ideias originam-se principalmente nos escritos de diversos autores de teologia e filosofia do início do século XIX. Um deles foi Ludwig Feuerbach, que escreveu uma obra famosa intitulada The Essence os Christianity (1957; publicada originalmente em 1841). Segundo Feuercbach, a religião consiste em ideias e valores produzidos por seres humanos no decorrer de seu desenvolvimento cultural, mas que são equivocadamente projetados nas forças divinas e nos deuses. Como os seres humanos não têm uma compreensão plena de sua própria história, eles tendem a atribuir valores e normas gerados socialmente às atividades dos deuses. Assim, a história dos dez mandamentos dados por Deus a Moisés é uma versão mítica da origem dos preceitos morais que controlam a vida de judeus e cristãos.” (GIDDENS, 2005: 431).

“Se não entendermos a natureza dos símbolos religiosos que nós mesmos criamos, sustenta Feurbach, estaremos condenados a ser prisioneiros das forças da história que não conseguimos controlar. Feuerbach emprega o termo alienação para se referir à instituição de deuses ou forças divinas distintas dos seres humanos. Ideias e valores humanamente criados acabam sendo vistos como o produto de seres alienados ou independentes – forças religiosas e deuses. Ainda que os efeitos como alienação, segundo Feuerbach, é um caminho bastante promissor para o futuro. Uma vez que os seres humanos tenham compreendido que os valores projetados na religião são, na verdade, seus próprios valores, será possível concretizá-los na terra, em vez de adiá-los para uma vida após a morte. Os próprios seres humanos podem apropriar-se dos poderes atribuídos a Deus no cristianismo. Os cristões acreditam que, enquanto Deus é todo-poderoso e todo-amor, os seres humanos têm defeitos e imperfeições. Contudo, o potencial para o amor e a bondade e o poder para controlar nossas próprias vidas, pensava Feuerbach, estão presentes nas instituições humanas, e podermos aproveita-los assim que tivermos compreendido sua verdadeira natureza.” (GIDDENS, 2005: 431).

“Marx concordava com a visão de que a religião representa a auto- alienação humana. Muitas vezes, acreditou-se que Marx rejeitasse a religião, mas essa ideia está longe de ser verdade. A religião, escreve ele, é o ‘coração de um mundo sem coração’ – um refúgio da dureza da realidade cotidiana. Sua opinião é a de que a concepção tradicional da religião irá, e deverá, desaparecer; mas somente porque os valores positivos incorporados na religião podem se transformar em ideias que orientem a melhoria do destino da humanidade nesta terra, e não porque esses mesmos ideais e valores estejam errados. Não deveríamos temer os deuses que nós mesmos criamos, e deveríamos parar de dotá-los de valores que nós mesmos podemos concretizar.” (GIDDENS, 2005: 431).

“Em uma frase famosa, Marx declarou que a religião é o ‘ópio do povo’. A religião adia a alegria e as recompensas para a vida após a morte, ensinando a aceitar resignadamente as condições da existência nessa vida. Dessa forma, desvia-se a atenção das desigualdades e das injustiças encontradas neste mundo em razão da promessa do que virá no próximo. A religião possui um forte elemento ideológico: as crenças e os valores religiosos muitas vezes servem para justificar desigualdades em termos de riqueza e de poder. Por exemplo, o ensinamento de que ‘os mansos herdarão a terra’ sugere atitudes de humildade e de não-resistência diante da opressão.” (GIDDENS, 2005: 431).

Referência bibliográfica:

GIDDENS, Anthony. Sociologia. 4. ed. Porto Alegre: ArtMed, 2005.

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