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Como relacionar o filme "O Enigma de Kaspar Hause" do homem com a natureza?


2 resposta(s)

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Estudante PD

Há mais de um mês

É interessante observar, a partir do filme, a importância da vivência do homem em sociedade. O homem só é homem quando passa a recohnhecer a humidade que habita no Outro. No caso o filme, nem Kaspar, quando entra em contato com a Sociedade, reconhece a humindade dos demais, e, estes, também não recnhecem em Kaspar a sua humanidade.

É interessante observar, a partir do filme, a importância da vivência do homem em sociedade. O homem só é homem quando passa a recohnhecer a humidade que habita no Outro. No caso o filme, nem Kaspar, quando entra em contato com a Sociedade, reconhece a humindade dos demais, e, estes, também não recnhecem em Kaspar a sua humanidade.

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LR

Há mais de um mês

O filme O Enigma de Kaspar Hauser (1974), do diretor Werner Herzog, conta a história de um homem que após crescer completamente isolado, sem contato algum com outras pessoas, é abandonado em uma praça de Nuremberg. Esse homem, quando foi abandonado, apesar de já adulto, não sabia falar, nem andar. A vida de Kasper desde que transferido do quarto em que morava absolutamente sozinho, para a vida fora do quarto solitário mudou completamente. Por um lado, Kasper precisou se adaptar a sua nova condição, a condição de um homem em sociedade. Por outro, a sociedade o via com estranhamento, com um comportamento selvagem, não civilizado. A relação que se faz entre o filme e o debate sobre o homem e a natureza está na chave de Rousseua. Kaspes era o que Rousseau descreveu como o homem em sua condição de natureza: PAra Rousseau, a condição ideal do homem era exatamente essa: “exaltou a perfeição do estado de Natureza, argumentando que nessa condição o homem obedece apenas ao instinto, que é infalível” (ABBAGNANO, 2007: 817). A relação de Kasper com a civilização também é prevista por Rousseuau nos seguintes termos: “‘Tudo que sai das mãos do Criador é perfeito, tudo degenera nas mais do homem’” (ABBAGNANO, 2007: 817). Enquanto o homem é naturalmente bom, a sociedade é corrupta e corruptível.

Sobre o contratualismo de Rousseau: Em Rousseau, o contrato social estabelece clausulas, mesmo que nunca enunciadas, que fazem surgir o Estado. O pacto é anterior no sentido que as famílias e a união entre famílias são comunidades políticas anteriores ao Estado. As famílias, em se tratando da “mais antiga de todas as sociedades e a única natural” apenas permanece unida quando por convenção: “Os filhos, isentos da obediência que devem ao pai, isento este dos cuidados dos filhos [apenas obrigados aos cuidados até certa idade], entram todos igualmente em independência. Se continuam unidos, não é natural, senão voluntariamente, é a própria família não se sustém senão por convenção.” (ROUSSEAU, 2016: 19). O contrato social chega quando os homens, já reunidos em famílias, não são capazes de superar determinados obstáculos por eles mesmos criados: “Rousseau quem mais exaltou a perfeição do estado de N., argumentando que nessa condição o homem obedece apenas ao instinto, que é infalível (...). ‘Tudo que sai das mais do Criador é perfeito, tudo degenera nas mais do homem’ (...). No próprio Rousseau, porém, essa exaltação do estado de N. contrasta com o valor atribuída do estado civilizado, com base no contrato social; na realidade, em Rousseau a noção de estado de N. constitui o critério ou a norma de julgar a sociedade presente e delinear um ideal de progresso.” (ABBAGNANO, 2007: 817). Se reunindo em família, estabelecendo as primeiras relações de propriedade privada, saindo assim do estado natural, onde as mãos dos homens geram sua própria instabilidade, o pacto social não se quebra, e sim é dado um passo além através do contrato social: “Pois bem, como os homens não podem engendrar novas forças, senão somente unir e dirigir as existentes, não tem outro recurso para sua conservação além de formas por agregação de uma soma de forças que possa sobrepujar a resistência, pô-las em jogo para um só móvel e fazê-las agir conjuntamente.” (ROUSSEAU, 2016: 27 – 28). Dessa forma, trata-se os termos de um contrato de transferência mútua de direitos, firmada através da reafirmação de um pacto de confiança, ou seja, de uma promessa a ser obrigatoriamente cumprida onde cada parte deve abrir mão do direito natural de possuir sua liberdade natural: “Naquele instante, no lugar da pessoa particular de cada contratante este ato de associação produz um corpo moral e coletivo, composto de tantos membros como a assembleia de votantes, o qual recebe deste mesmo ato sua unidade, seu eu comum, sua vida e sua vontade. Essa pessoa pública que se forma assim pela união de todas as outras pessoas, recebeu antes o nome de cidade e agora recebe o de república ou de corpo político, chamado por seus membros Estado, quando é passivo; soberano, quanto é ativo, poder, comparando-o com seus semelhantes. Porém estes termos se confundem frequentemente e tomam-se uns pelos outros. Basta saber distinguir quando são empregados em sua verdadeira acepção.” (ROUSSEUAU, 2016: 29)

Referências bibliográficas:

ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do contrato social. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016.

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