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Qual é a distinção entre a eficácia imediata e a eficácia mediata dos direitos fundamentais nas relações privadas?

Distinção entre elas


4 resposta(s) - Contém resposta de Especialista

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Passei Direto

Há mais de um mês

Teoria da Eficácia Mediata, Indireta ou Horizontal

Para os adeptos desta teoria, os valores constitucionais, incorporados nas normas consagradoras de direitos fundamentais, aplicam-se ao direito privado por meio das cláusulas gerais oferecidas pela legislação civil, que devem ser interpretadas conforme seus ditames.

Consoante leciona DANIEL SARMENTO "teoria da eficácia mediata nega a possibilidade de aplicação direta dos direitos fundamentais nas relações privadas porque, segundo seus adeptos, esta incidência acabaria exterminando a autonomia da vontade, e desfigurando o Direito Privado, ao convertê-lo numa mera concretização do Direito Constitucional ". [ ]

Segundo a teoria da eficácia indireta cabe ao legislador mediar a aplicação dos direitos fundamentais aos particulares, sem descuidar da tutela da autonomia da vontade, de modo a estabelecer uma disciplina das relações privadas que se revele compatível com os valores constitucionais.

Além disto, cabe ao Judiciário o dever de preencher as cláusulas indeterminadas criadas pelo legislador, para aplicar normas privadas em compatibilidade com os preceitos fundamentais.

Para esta corrente, a força jurídica dos preceitos constitucionais no âmbito das relações entre particulares incide apenas mediatamente, por meio dos princípios e das normas próprias do direito privado, vez que os direitos fundamentais servem apenas para princípios para interpretação das cláusulas gerais e dos conceitos indeterminados, suscetíveis de concretização ou preenchimento (colmatação) de lacunas.

Justifica-se a aplicação mediata para assegurar a proteção constitucional da autonomia privada, o que pressupõe a possibilidade dos indivíduos renunciarem a direitos fundamentais no âmbito das relações privadas.

Teoria da eficácia Imediata, Direita ou Vertical

Os adeptos desta teoria justificam a eficácia direta dos direitos fundamentais nas relações privadas com base na constatação de que os perigos que espreitam os direitos fundamentais, no mundo contemporâneo, não provêm apenas do Estado, mas também dos poderes sociais e de terceiros em geral.

Ressalte-se que não se trata de uma doutrina radical, vez que não se nega a necessidade de ponderar o direito fundamental em jogo com a autonomia privada dos particulares envolvidos no caso, ou seja, essa teoria está longe de pregar a desconsideração da liberdade individual nas relações jurídicas privadas, como asseveram alguns.

Para esta corrente justifica-se a eficácia direta dos direitos fundamentais na esfera privada, sobretudo nos casos em que a dignidade da pessoa humana estiver sob ameaça ou diante de uma ingerência indevida na esfera da intimidade pessoal.

Sendo assim, considera-se a eficácia horizontal direta como um mecanismo essencial de correção de desigualdades sociais.

DIREITOS FUNDAMENTAIS NAS RELAÇÕES PRIVADAS

Os direitos fundamentais não possuem a finalidade de solucionar diretamente os conflitos de direito privado, mas devem ser aplicados através de meios colocados à disposição pelo próprio ordenamento jurídico.

Observe-se que os direitos fundamentais, na qualidade de princípios constitucionais, e por força do princípio da unidade do ordenamento jurídico devem ser aplicados relativamente a toda ordem jurídica, inclusive privada. Desta forma, devem ser aplicados nas relações manifestamente desiguais que se estabelecem entre os indivíduos e os detentores do poder social.

A garantia de observância dos direitos fundamentais é necessária para se proteger os particulares contra atos atentatórios a esses direitos oriundos de outros indivíduos ou entidades particulares. Neste aspecto os direitos fundamentais serão aplicados nas relações entre particulares em geral, pautadas, em princípio, pela igualdade.

SAVAZZONI, Simone de Alcantara. Eficácia dos Direitos Fundamentais. Disponível em http://www.lfg.com.br. 08 de abril de 2009.

Teoria da Eficácia Mediata, Indireta ou Horizontal

Para os adeptos desta teoria, os valores constitucionais, incorporados nas normas consagradoras de direitos fundamentais, aplicam-se ao direito privado por meio das cláusulas gerais oferecidas pela legislação civil, que devem ser interpretadas conforme seus ditames.

Consoante leciona DANIEL SARMENTO "teoria da eficácia mediata nega a possibilidade de aplicação direta dos direitos fundamentais nas relações privadas porque, segundo seus adeptos, esta incidência acabaria exterminando a autonomia da vontade, e desfigurando o Direito Privado, ao convertê-lo numa mera concretização do Direito Constitucional ". [ ]

Segundo a teoria da eficácia indireta cabe ao legislador mediar a aplicação dos direitos fundamentais aos particulares, sem descuidar da tutela da autonomia da vontade, de modo a estabelecer uma disciplina das relações privadas que se revele compatível com os valores constitucionais.

Além disto, cabe ao Judiciário o dever de preencher as cláusulas indeterminadas criadas pelo legislador, para aplicar normas privadas em compatibilidade com os preceitos fundamentais.

Para esta corrente, a força jurídica dos preceitos constitucionais no âmbito das relações entre particulares incide apenas mediatamente, por meio dos princípios e das normas próprias do direito privado, vez que os direitos fundamentais servem apenas para princípios para interpretação das cláusulas gerais e dos conceitos indeterminados, suscetíveis de concretização ou preenchimento (colmatação) de lacunas.

Justifica-se a aplicação mediata para assegurar a proteção constitucional da autonomia privada, o que pressupõe a possibilidade dos indivíduos renunciarem a direitos fundamentais no âmbito das relações privadas.

Teoria da eficácia Imediata, Direita ou Vertical

Os adeptos desta teoria justificam a eficácia direta dos direitos fundamentais nas relações privadas com base na constatação de que os perigos que espreitam os direitos fundamentais, no mundo contemporâneo, não provêm apenas do Estado, mas também dos poderes sociais e de terceiros em geral.

Ressalte-se que não se trata de uma doutrina radical, vez que não se nega a necessidade de ponderar o direito fundamental em jogo com a autonomia privada dos particulares envolvidos no caso, ou seja, essa teoria está longe de pregar a desconsideração da liberdade individual nas relações jurídicas privadas, como asseveram alguns.

Para esta corrente justifica-se a eficácia direta dos direitos fundamentais na esfera privada, sobretudo nos casos em que a dignidade da pessoa humana estiver sob ameaça ou diante de uma ingerência indevida na esfera da intimidade pessoal.

Sendo assim, considera-se a eficácia horizontal direta como um mecanismo essencial de correção de desigualdades sociais.

DIREITOS FUNDAMENTAIS NAS RELAÇÕES PRIVADAS

Os direitos fundamentais não possuem a finalidade de solucionar diretamente os conflitos de direito privado, mas devem ser aplicados através de meios colocados à disposição pelo próprio ordenamento jurídico.

Observe-se que os direitos fundamentais, na qualidade de princípios constitucionais, e por força do princípio da unidade do ordenamento jurídico devem ser aplicados relativamente a toda ordem jurídica, inclusive privada. Desta forma, devem ser aplicados nas relações manifestamente desiguais que se estabelecem entre os indivíduos e os detentores do poder social.

A garantia de observância dos direitos fundamentais é necessária para se proteger os particulares contra atos atentatórios a esses direitos oriundos de outros indivíduos ou entidades particulares. Neste aspecto os direitos fundamentais serão aplicados nas relações entre particulares em geral, pautadas, em princípio, pela igualdade.

SAVAZZONI, Simone de Alcantara. Eficácia dos Direitos Fundamentais. Disponível em http://www.lfg.com.br. 08 de abril de 2009.

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Gustavo

Há mais de um mês

R.A distinção entre a eficácia imediata e a eficácia mediata dos direitos fundamentais fica relacionada, em de acordo com os teóricos da eficácia imediata ou direta (Hans Carl Nipperdey), os direitos fundamentais são aplicáveis diretamente em relação aos particulares.Aos que defendem a teoria da eficácia direta das normas de direitos fundamentais entre os particulares, havendo ou não normas infraconstitucionais numa decisão, as normas constitucionais devem ser aplicadas como razões primárias e justificadoras, no entanto não necessariamente como as únicas, mas, como normas de comportamento aptas para incidir no conteúdo das relações particulares. A existência de uma regra legal que reitere expressamente norma ou princípio constitucional não seria óbice para a aplicação direta da norma constitucional, uma vez que a função do legislador não é constitutiva, mas, sim declarativa. Enquanto que, de acordo com os defensores da eficácia mediata ou indireta(GüntherDürig), os direitos fundamentais não têm por função precípua solver conflitos de direito privado, devendo a sua aplicação realizar-se mediante os meios colocados à disposição pelo próprio sistema jurídico. Cabe ao legislador, principal destinatário das normas de direitos fundamentais, realizar a aplicação das normas às relações jurídico-privadas e na ausência destas normas haveria a interpretação do poder judiciário em conformidade com os direitos fundamentais. Seria uma espécie de recepção dos direitos fundamentais pelo Direito Privado.

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Mateus

Há mais de um mês

Dá uma olhada nesse link: "http://jus.com.br/artigos/20057/a-eficacia-dos-direitos-fundamentais-nas-relacoes-interprivadas". 

Lembre-se que toda norma de eficácia imediata são aquelas que não precisam ser complementadas por outras normas. Enquanto as de eficácia mediata são aquelas que precisam de uma norma complementadora.

Quanto a eficácia horizontal dos direitos fundamentais nas relações privadas, seja lei de eficácia mediata ou imediata, ambas vão produzir o mesmo efeito, mas claro que haverá uma espécie de ponderação.

Espero ter ajudado. 

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Gustavo

Há mais de um mês

Valeu....Obrigado Mateus. abraço.

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos especialistas