A maior rede de estudos do Brasil

Direito empresarial - recuperação judicial, a extrajudicial e a falência do empresário e da sociedade empresária

A lei nº 11.101/05 regula a recuperação judicial, a extrajudicial e a falência do empresário e da sociedade empresária. Quanto ao disposto no art.179, In verbis: Na falência, na recuperação judicial e na recuperação extrajudicial de sociedades, os seus sócios, diretores, gerentes, administradores e conselheiros, de fato ou de direito, bem como o administrador judicial, equiparam-se ao devedor ou falido para todos os efeitos penais decorrentes desta Lei, na medida de sua culpabilidade.”

Nesse sentido, é possível afirmar que o sócio que tenha se retirado da sociedade, há menos de 02 (dois) anos, também poderá ter seus bens alcançados, quanto às dívidas existentes na data do arquivamento da alteração do contrato, ou se o arquivamento for posterior a propositura do processo de falência? Justifique.

Direito Empresarial I

Humanas / Sociais


2 resposta(s) - Contém resposta de Especialista

User badge image

Paduan Seta Advocacia Verified user icon

Há mais de um mês

Sim, é possível afirmar. A afirmação é justamente o que está previsto no § 1º do artigo 81 da Lei de Falências:

Art. 81. A decisão que decreta a falência da sociedade com sócios ilimitadamente responsáveis também acarreta a falência destes, que ficam sujeitos aos mesmos efeitos jurídicos produzidos em relação à sociedade falida e, por isso, deverão ser citados para apresentar contestação, se assim o desejarem.

§ 1º O disposto no caput deste artigo aplica-se ao sócio que tenha se retirado voluntariamente ou que tenha sido excluído da sociedade, há menos de 2 (dois) anos, quanto às dívidas existentes na data do arquivamento da alteração do contrato, no caso de não terem sido solvidas até a data da decretação da falência.

Sim, é possível afirmar. A afirmação é justamente o que está previsto no § 1º do artigo 81 da Lei de Falências:

Art. 81. A decisão que decreta a falência da sociedade com sócios ilimitadamente responsáveis também acarreta a falência destes, que ficam sujeitos aos mesmos efeitos jurídicos produzidos em relação à sociedade falida e, por isso, deverão ser citados para apresentar contestação, se assim o desejarem.

§ 1º O disposto no caput deste artigo aplica-se ao sócio que tenha se retirado voluntariamente ou que tenha sido excluído da sociedade, há menos de 2 (dois) anos, quanto às dívidas existentes na data do arquivamento da alteração do contrato, no caso de não terem sido solvidas até a data da decretação da falência.

User badge image

lorena

Há mais de um mês

FÁBIO ULHOA COELHO, em comentário aos dispositivos legais citados, elucida quanto ao artigo 81 que: "Aqui, a lei operou uma mudança aparentemente significativa no trato da matéria, mas que, bem examinada, não tem nenhuma implicação prática de relevo. No diploma anterior, os sócios solidária e ilimitadamente responsáveis pelas obrigações da sociedade falida não eram 'atingidos pela falência', embora ficassem 'sujeitos aos demais efeitos jurídicos (da) sentença declaratória' (art.5º). Pela nova disciplina, esses sócios terão sua falência decretada junto com a sociedade. Note-se que a lei criou, aqui, uma hipótese de concurso falimentar em que o devedor não é necessariamente empresário individual ou sociedade empresária. A falta de implicação prática relevante reside no âmbito de incidência do preceito. Ele diz respeito unicamente às sociedades em nome coletivo, comandita simples (em relação ao comanditado) e por ações (em relação ao acionista-diretor). (...). Como esses tipos de sociedade são raramente utilizados hoje em dia, a profunda alteração que o dispositivo introduz acaba se limitando ao aspecto conceitual da questão. (...). Qualquer que seja o tipo societário - inclusive limitada ou anônima -, os seus representantes legais estão sujeitos às mesmas obrigações cabíveis ao falido. O § 2º aplica-se, assim, aos administradores e liquidantes da sociedade falida, independente do tipo. Mas é necessário destacar que os direitos e obrigações a que se refere o dispositivo são exclusivamente os estabelecidos pela própria Lei de Falências. Quer dizer, sempre que a lei prevê um ato processual a ser praticado pelo devedor, quem dele deve desincumbir-se ou estão legitimados a praticar são os representantes legais da sociedade falida, seus administradores ou liquidantes. (...). Em outros termos, não decorre do dispositivo em questão nenhuma responsabilidade objetiva dos administradores e liquidantes pelo passivo da sociedade falida. A responsabilidade dos administradores e liquidantes está exaustivamente delineada pelas leis societárias. Do mesmo modo, não deriva do preceito qualquer direito. (...) Em suma, a legislação falimentar cuida, nesse dispositivo, apenas do processo de falência, dos direitos e obrigações processuais do devedor que, em caso de falência da sociedade empresaria, cabem aos representantes legais desta".

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos especialistas