A maior rede de estudos do Brasil

vídeo Escola: dominação ou transformação?video play button

Transcrição


com muito carinho que app-sindicato preparou esse painel sobre a questão educacional, convidando para estar conosco. Seguramente um dos pensadores que mais profundamente marcou a educação brasileira. Professor Dermeval Saviani Nós sabemos que a educação coincide com a origem dos homens. No momento em que o homem surgiu no universo, surgiu também a educação. Isto porque o que diferencia o homem dos demais animais é exatamente o fato de que o homem não tem a sua existência garantida pela natureza. O homem precisa produzir constantemente a sua existência. Em outros termos, se os animais em geral se adapta à natureza, o homem tem que fazer o contrário. Ele tem que adaptar à natureza. Assim ele tem que agir sobre a natureza, transformando se ele não quiser isto. Ele parece, não subsiste enquanto o homem e este ato de transformar a natureza é exatamente o que nós conhecemos pelo nome de trabalho. E é por isso que comumente se entende que o homem não pode viver sem trabalhar. O homem vive do trabalho, ou seja, vive do processo de produção dos meios da sua própria existência, vive do processo de transformação da natureza para satisfazer as suas necessidades. Portanto, no momento em que surge o homem, surge a questão dele se formar assim mesmo deles se constituir, assim mesmo dele se produzir a si mesmo e do aprendizado das formas de sua própria produção. É nesse sentido que, nas origens do homem à educação, coincidia com o próprio processo de existência, uma própria vida. Aí era verdade prática a frase educação é vida, uma frase que, a partir do final do século passado, a escola nova generalizou. No entanto, isto era verdade efetivamente nas origens da humanidade, ou seja, homem, aprendia a viver vivendo, aprende a trabalhar, trabalhando, aprende a lidar com a natureza, lidando com a natureza e isso era feito coletivamente. Era o que justamente se constituía nas chamadas sociedades comunistas primitivas, chamado comunismo primitivo. Aí não existe, então escola existia educação, mas não existia escola quando é que vai surgir a escola, Ela vai surgir no momento em que surge a propriedade privada, quando determinada parte dos homens se apropria do principal meio de produção da época, que era a terra. Então esses homens ganha condição de poder viver sem precisar trabalhar, ou seja, de poder viver não do próprio trabalho, mas o trabalho alheio. Veja então que continua sendo verdade que os homens não pode viver sem o trabalho que os homens vivem do trabalho, o que muda a partir daí, apenas o seguinte. Enquanto antes todos viviam do trabalho de todos, agora se torna possível alguns viverem do trabalho dos outros. Ou seja, quem não era proprietário acabava sendo constrangido a trabalhar para si e também para aquele que se apropriou da terra, da qual se tirava os meios de existência de uns e de outras Bem. Então, é nesse momento que surge uma educação diferenciada, ou seja, se antes a educação com este dia, com o próprio processo de trabalho, agora à medida em que uma parcela pode viver do ócio, uma parcela desfruta de lazer. Então surge uma educação específica para essa camada, para essa classe social. E, nesse sentido, então é nesse momento que surge a escola. Vocês sabem que a palavra escola escola é em grego, significa o lugar do ócio, o lugar da tempo livre. Portanto, a escola era para um dia os filhos daqueles que não precisavam trabalhar porque ele tinha a propriedade da terra. Isso, portanto, constituía uma minoria, porque a maioria continuava vivendo, continuava se educando pelo trabalho este processo caracterizou o mundo antigo e também a Idade Média na escola, portanto, que a atividade se desenvolviam escolas desenvolvia atividades físicas. Vocês sabem que a palavra ginásio também tem essa origem ao ginásio. Era e ainda é hoje o local dos jogos. Mas hoje ele é também um grau escolar, um nível do processo de educação escolar, então os os nobres, os proprietários. A classe dos proprietários ia à escola para praticar esportes, para desenvolver a música para desenvolver. Em suma, a arte da palavra da palavra se identificava com a arte do mando do mando, ou seja, aquela clássica era preparada para mandar, enquanto que a outra classe era preparada para executar as ordens. Vem nesse contexto a gente dispondo de tanto livre essa classe. Dispunha também da possibilidade de desenvolver ideias, de observar a natureza e, portanto, de desenvolver os conhecimentos relativos à realidade. Em outros termos, a escola está na origem de uma divisão entre o trabalho manual do trabalho intelectual e a escola vai se desenvolver como aquela agência que se especializa na formação intelectual por oposição à formação manual que se dava no próprio processo de trabalho. Mas até o final da idade média. Essa forma de educação era uma forma secundária. Era uma forma restrita de educação, porque a forma principal, a forma mais generalizada de educação, ainda era aquela que se desenvolvia através do próprio trabalho. Os servos. Na Idade Média, os artesãos na Idade Média se educava no próprio processo de trabalho, não através da escola e mesmo as corporações de ofício que desenvolveram formas bastante complexas e prolongadas de instrução. Era uma instrução diretamente articulada com o processo de trabalho. Os aprendizes aprendiam ofício junto ao mestre de ofício junto ao artesão céticas. É o mestre de ofícios que os iniciava nesse processo e, portanto, os formava e progressivamente eles podia se converter em companheiros, ou seja, em oficiais, e depois também poderia chegar à posição de mestre de ofício. Então era um processo de formação que se dava no próprio trabalho. Essa situação vai se alterar a partir do advento da sociedade moderna da sociedade burguesa, de processo esse que deslocou o eixo do processo de produção do campo para a Cidade, da agricultura para a indústria um. A partir daí, os próprios conhecimentos fazer a própria ciência foi assimilada como um meio de produção, então a ciência enquanto potência. Potência espiritual enquanto forma de conhecimento, ela se converte através da indústria impotência material enquanto forma de produzir bens materiais que vão inundar os mercados da época capitalista. Bem, essas transformações vão implicar também transformações nas relações sociais, ou seja, o homem se distancia da natureza das relações naturais e passa a se eleger por relações de tipo social dominadas pela forma da cidade e por isso a sociedade passa a se organizar e não mais com base no direito natural consuetudinária, mas o direito positivo e é isso que faz a passagem de uma sociedade de castas, de uma sociedade, de uma sociedade estratificada para uma sociedade de classes, na sociedade estratificada do período medieval. A posição dos indivíduos na sociedade, portanto, no processo de produção era determinada hereditariamente. Quem nascia nobre No Rio, a nobre quem nasce acervo morre Acervo A sociedade moderna vai revolucionar essa situação e as classes vão se definir não mais pelo sangue, pela pelo nascimento, mas vão se definir pela posição que se ocupa no próprio processo produtivo, abrindo se aí uma certa margem de mobilidade social que não existia anteriormente. Essa vida centrada na cidade e na indústria vai envolver então a incorporação não apenas da ciência na indústria, no processo produtivo, mas também dos conhecimentos intelectuais no âmbito da sociedade. É justamente a partir daí que começa a se colocar a necessidade da alfabetização como condição de participar da vida dessa nova sociedade. A partir daí, então que vai aparecer a questão da alfabetização como condição de cidadania, ou seja, para se ser cidadão era preciso dominar esses elementos, ser cidadão. O cidadão, na verdade, literalmente significa um habitante da cidade, dado que se trata de uma sociedade centrada na cidade. A participação na vida da cidade é que vai envolver o exercício da cidadania e notem vocês que a palavra Cidade cidadão tem origem no latim, mas o significado etimológico é o mesmo de burguês e burguesia que vem do germânico. O burgo era a cidade burguesa habitante da cidade, ass