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letramento e analfalbetismo funcionalplay_circle_filled

Transcrição


olá pessoal, estamos aqui de volta, dessa vez para conversar sobre o letramento e analfabetismo funcional. Nós estivemos aqui na aula passada conversando sobre uma concepção de língua que faz sentido pela interação, pela possibilidade que ela fazer o sujeito criar, de se inserir na sociedade, disse de se relacionar com os outros de aprender e também de ensinar. Mas a pergunta que eu faço é a seguinte quanto os brasileiros têm a possibilidade, essa possibilidade de usufruir da língua nessa perspectiva criativa e democrática? A gente sabe pelo último IBGE, que o Brasil tem perto de treze milhões de analfabetos e esses são, com certeza, sujeitos que já estão condenados a e a marginalidade. E há uma possibilidade muito pequena de criar e de se relacionar com o mundo numa perspectiva mais ampla. Mas os outros, o que dizer dos outros tantos brasileiros que não os treze milhões de analfabetos? É aí que entra a nossa conversa. É aí que entra a conversa sobre o letramento. Vou contar para vocês no Brasil, durante muito tempo. Estar alfabetizado era simplesmente desenhar o nome, ou então conheceu mínimo do sistema para poder decodificar ali alguma coisa que tivesse no papel e aquilo já era mais do que suficiente, mas na virada do século, no final do século passado, principalmente no começo desse, com a a questão da globalização, das novas tecnologias, da emergência, da Sociedade, da Informação e no Brasil, mais especificamente com a abertura política, com a expansão das das vagas escolares e com a demanda social, econômica e política, as pessoas foram percebendo que não adianta. Você sabe conhecer o sistema? É preciso mais do que isso. Mais do que conhecer o sistema da escrita, é preciso se tornar um usuário da língua escrita. E foi aí que apareceu o conceito de letramento, que veio traduzido direto do inglês do litro, se inglês e que foi traduzido como letramento No começo do começo dos anos noventa, diria esse termo foi usado até porque não era adicionado usado. Ele foi usado por diferentes teóricos por diferentes pessoas, com diferentes concepções. Conta com diferentes entendimentos até que a professora Magda Soares, uma professora da UFMG Federal de Minas Gerais e ela sistematizou esse conceito do letramento, criando um marco decisivo para a gente compreender essa questão. E o termo acabou sendo recentemente adicionar visado. Então vamos entender essa contribuição da Magda Soares. A Magda diz que alfabetização é a ação de ensinar ou aprender a ler e escrever. É você conhecer o sistema, você conhecer as regras do sistema, que é alguma coisa absolutamente indispensável. Mas por outro lado, você tem o letramento, que é o letramento, segundo a Magda Soares, é o estado ou condição de quem não apenas sabe ler e escrever mais, cultiva e exerce as práticas sociais que usam a língua escrita. Em outras palavras, é você poder se tornar o usuário da língua escrita. A ideia é a seguinte o que eu quero dizer com práticas sociais, práticas sociais da língua? Justamente você poder conferir um contrato de aluguel. Você escreveu um bilhete, você fazer uma lista de compras, você usar a língua escrita para resolver os seus problemas do dia a dia. Eu chama a atenção também para esses, para essas duas palavrinhas aqui, Estado ou condição. Porque o que diz a Magda é que quem chega a ser um usuário da língua escrita ele mudou seu status. Ele muda a forma de se relacionar com a sociedade e tem mais duas palavrinhas aqui que merecem atenção, cultiva e exerce no sentido de que ele conhece a língua e ele cultiva no sentido de que ele vai atrás. Ele busca contextos letrados para se divertir para trabalhar e exerce no sentido de que ele responde aos apelos da sua sociedade. Eu diria para vocês que esse conceito, as duas coisas acontecem juntas. É importante marcar a alfabetização e o letramento como duas coisas inseparáveis. Elas devem necessariamente acontecer juntas e essa que é a proposta da Magda Soares. Por isso que eu fiz questão de colocar esse símbolo aqui para dizer que eles têm que acontecer na escola de uma forma em trincada. Quer dizer, o professor tem que ensinar a ler e escrever. Mas o professor tem também que ensina ao sujeito a ser um usuário da língua escrita. Esse é o advento desse novo conceito. No Brasil. Ele foi muito importante porque ele permitiu, em primeiro lugar, a compreensão em grande parte do fracasso escolar, que era o caso de crianças que aprendiam, mas que não usavam ou inverso. Pessoas que tinham uma noção usavam minimamente, mas não dominavam o sistema. O conceito também permitiu a gente compreender melhor a dimensão do quadro leitor e escritor no Brasil, porque não se trata só de alfabetizados e analfabetos. Mas de como? Que níveis? O que as pessoas dão conta de fazer? Como que elas equilibram essa? Esses dois lados da moeda? Vamos dizer assim E aí fica a pergunta Como é que essas duas coisas? Nesses dois lados, convivem a alfabetização de um lado e o letramento do outro? Eu diria para vocês que são quatro situações típicas. Em primeiro lugar, a gente tem um alfabetizado letrado, a melhor situação, porque ele é alfabetizado. Ele conhece o sistema, ele é letrado, ele faz uso do sistema. Aí a gente tem o não alfabetizado, pouco letrado. Essa é a pior situação, porque ele não está alfabetizado. Ele conhece pouco sistema e ele não sabe usar também uma terceira possibilidade. A gente tenha uma situação híbrida que é muito interessante, o letrado, pouco alfabetizado. Esse é aquele que conhece um pouco o funcionamento da língua. Ele sabe, por exemplo, que numa receita culinária tem que ter os ingredientes e o modo de fazer. Ele sabe, por exemplo, que tipo de informação ele pode encontrar uma bula de remédio. Ele sabe, por exemplo, ditar uma carta para alguém numa linguagem bem próxima da língua escrita. Mas ele é pouco alfabetizado, então ele acaba não dando conta de lei escrever. E o último caso. O alfabetizado, pouco letrado, é aquele que conhece um pouco a língua. Ele ele, como alfabetizado, ele conhece o sistema. Ele dá conta de escrever, mas ele não sabe encaixar nos usos. Ele não sabe compreender a parte viva da língua, a parte social da língua. Então, essa tipicamente, aquele aluno que foi para a escola aprendeu a ler e escrever. Ele decodifica muito bem, mas ele jamais se insere neste mundo letrado. O que a gente tem aqui? De interessante a ideia de que nesta zona, aqui, entre o letrado pouco alfabetizado e o alfabetizado, pouco letrado, que se dá a incidência do analfabetismo funcional, letrado, pouco alfabetizado, se ele for muito pouco pouco ele acaba caindo para a situação de analfabetismo. Mas, nessas situações híbridas, o que acontece são pessoas que aprenderam a ler e escrever. Muitas vezes foram para a escola, aprenderam a ler e escrever, mas não deram conta de se configurar, de se inserir na sociedade de um jeito funcional, no sentido de aproveitar a língua e de usufruir e exercer as suas práticas sociais. Para falar disso, eu vou mostrar pra vocês um vídeo que traz muito de perto a dimensão humana, a realidade humana desse analfabeto funcional. Vamos a você vai conhecer. Agora, crianças que, apesar de estarem na escola, não conseguem ler. É o que os especialistas chamam de analfabetismo funcional. Esse é um grande desafio para a educação no Brasil. Um problema que tem solução simples, como mostra reportagem da série Era uma vez. Era uma vez um menino que queria muito a aprender a ler em dez anos, além de estudar mais, está aprendendo além da base. O que tem aqui, nessa frase. O Everton já está na quarta série do ensino fundamental, mas ainda não consegue identificar todas as letras. Não ser colada ainda. Vai levar alguns meses e muitas aulas de reforço para o Everton. Conseguiu ler direito. Ele não é exceção. O maior desafio da educação hoje, não é manter a criança na sala de aula, é combater o que os estudiosos chamam de analfabetismo funcional, quando alguém tem limitações de leitura e escrita mesmo dentro da escola. No nosso país, de vinte e sete milhões de jovens como Everton, No ensino fundamental, sessenta por cento chegou ao