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Federação- Thiago Varella

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de Goiás.
Territórios
Os territórios não têm autonomia. De acordo com o art. 18, §2º, os territórios integram a União e tem a natureza jurídica de descentralização administrativa da União. Se uma determinada região do país não tem condição de se auto-sustentar, caberia à União administrá-la. Até 1988, o Brasil tinha três territórios federais: o Amapá, Roraima e Fernando de Noronha. Por decisão da Assembleia Nacional Constituinte, nos arts. 14 e 15 da ADCT, os territórios de Roraima e Amapá ganharam autonomia e viraram estados. Fernando de Norornha se tornou um distrito estadual de Pernambuco. A administração cabe a Pernambuco, mas as normas de proteção ambiental fazem com que ainda haja muita intervenção federal.
Por mais que não haja mais territórios, é jurídica e politicamente possível que estes voltem a existir e, portanto, é necessário que eles sejam estudados. O art. 33 prevê como seria a organização desses territórios. O §3º prevê que territórios com mais de cem mil habitantes terão governadores nomeados. A nomeação dos governadores, ao invés da eleição, se dá porque é uma descentralização da organização da União.
Repartição de competências
É a repartição de tarefas da federação. Existem tarefas da União, dos Estados e dos Municípios. A ideia da federação é exatamente essa divisão de atribuições. Uma federação não divide as suas atribuições apenas horizontalmente, na forma dos três poderes, mas também verticalmente, entre os entes federativos.
A ideia que deve nortear o poder constituinte originário no momento da repartição de competências é de que as atribuições da União são gerais, as dos Estados são regionais, as dos Municípios são locais e as do Distrito Federal são locais e regionais. 
Há também a divisão entre competências legislativa (com relação à criação de leis) e administrativa (com relação à execução da lei, realizar de fato as atribuições). O art. 21 determina quais são as competências administrativas da União. As competências arroladas no art. 21 são exclusivas, ou seja, indelegáveis. Atenção ao inciso I: mesmo que seja competância da União a manutenção de relações com Estados estrangeiros e participar de organizações internacionais, não é a União que exerce a soberania e que se obriga internacionalmente, quem o faz é o Brasil. Um tratado de direito internacional vincula todos os entes da federação. A União é pessoa jurídica de direito interno que, por força do inciso I, representa o Brasil no plano internacional, mas quem se obriga é a federação como um todo.
O art. 22 dispõe dobre a competência legislativa da União que, diferentemente da primeira, é privativa. A delegação prevista pelo art. 22, parágrafo único, é feita por lei complementar. Além disso, deve ser uma delegação geral, ou seja, não pode ser uma delegação para um estado específico. A matéria deve ser específica, estando vedada a delegação da legislação sobre direito penal de forma ampla, mas é possível delegar aos estados a legislação sobre a fixação de penas para o tráfico ilícido de entorpecentes, sendo fixada uma pena mínima e uma pena máxima para isso. 
Apesar de ser juridicamente possível, a União raramente faz isso. Apenas uma vez foi delegada uma matéria de competência privativa da União. Foi um caso de matéria trabalhista em que a lei ordinária determinou que os Estados poderiam legislar sobre o salário mínimo, mas este não poderia ser inferior ao mínimo federal.
PENSAR: o vagão feminino do metrô e o rodízio de carros em São Paulo.