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Andressa – P4 FMO – 2021.2 
Habilidades Médicas – Aulas 3 e 4 – Cardio 
♦PRESSÃO ARTERIAL: Pressão arterial é a 
força exercida pelo sangue sobre as paredes dos 
vasos. Sofre variações contínuas, na dependência 
da posição do indivíduo, das atividades e das 
situações em que ele se encontra. Tem por 
finalidade promover uma boa perfusão dos tecidos 
e assim possibilitar as trocas metabólicas. Está 
relacionada com o trabalho do coração e traduz o 
sistema de pressão vigente na árvore vascular 
arterial. A pressão ou tensão arterial é um 
parâmetro fisiológico indispensável na 
investigação diagnóstica, sendo o registro dos 
níveis pressóricos parte obrigatória do exame 
clínico. Apesar das dificuldades técnicas, deve ser 
realizada mesmo nos recém-nascidos e nas crianças 
menores, portanto nenhuma faixa etária deve ser 
excluída da aferição. Cumpre dar ênfase, de início, 
à necessidade de realizar a medida da pressão de 
modo adequado e de interpretar corretamente os 
dados fornecidos pelo aparelho de pressão; se 
forem mal usados, podem causar danos e 
malefícios em vez de contribuírem para o bom 
atendimento dos pacientes. 
♦Fatores determinantes da pressão arterial 
 A pressão arterial é determinada de maneira 
simplificada pela relação: PA = DC × RP em que: 
PA, pressão arterial; DC, débito cardíaco; RP, 
resistência periférica. Cada um desses fatores sofre 
influência de vários outros. Além do débito 
cardíaco e da resistência periférica, a pressão 
arterial depende da elasticidade da parede dos 
grandes vasos, da viscosidade sanguínea e da 
volemia. 
►Débito cardíaco. O débito cardíaco (DC) é a 
resultante do volume sistólico (VS), multiplicado 
pela frequência cardíaca (FC), expresso na seguinte 
fórmula: DC = VS × FC. No homem, em repouso 
e em condições normais, o débito cardíaco alcança 
aproximadamente 5 a 6 λ por minuto. As variações 
do débito cardíaco são muito grandes. Durante o 
exercício muscular, por exemplo, pode chegar a 
30 λ por minuto. Relaciona-se diretamente com a 
capacidade contrátil do miocárdio e com o retorno 
venoso, influindo de modo apreciável na pressão 
sistólica. Isso explica por que o exercício físico e 
as emoções fazem subir predominantemente a 
pressão sistólica. Em contrapartida, nas afecções 
em que existe comprometimento do miocárdio com 
redução de sua capacidade contrátil, verifica-se 
queda dos níveis pressóricos, particularmente da 
pressão sistólica, em decorrência da diminuição do 
volume sistólico. 
►Resistência periférica. É representada pela 
vasocontratilidade da rede arteriolar, sendo este o 
fator mais importante na manutenção e 
regulação da pressão diastólica. Tal fato decorre 
da função das arteríolas, que dispõem de 
abundantes fibras musculares em sua camada 
média proporcionalmente muito mais 
desenvolvidas que nas outras artérias. A resistência 
periférica depende, em parte, da ação do sistema 
nervoso simpático, por meio dos receptores alfa 
(vasoconstritores) e beta (vasodilatadores). 
Também é importante a influência humoral sobre a 
resistência periférica, representada pela 
angiotensina e pelas catecolaminas, que interferem 
na vasoconstrição, e pelas prostaglandinas e 
cininas, que agem na vasodilatação. 
►Elasticidade da parede dos grandes vasos. 
Grande distensibilidade é uma das características 
dos grandes vasos, principalmente da aorta, em 
cujas paredes predominam amplamente as fibras 
elásticas. Esta propriedade é fundamental para 
contrabalançar as consequências do funcionamento 
descontínuo do coração. A elasticidade das grandes 
artérias influi decisivamente na pressão sistólica. 
Diminuição da elasticidade da aorta, como ocorre 
nas pessoas idosas, resulta em aumento da pressão 
sistólica sem elevação concomitante da diastólica. 
►Volemia. O volume de sangue contido no 
sistema arterial interfere de maneira direta e 
significativa nos níveis das pressões sistólica e 
diastólica. Ao reduzir a volemia, como ocorre na 
desidratação e nas hemorragias, observa-se queda 
da pressão arterial, que pode chegar a níveis 
extremamente baixos. Na glomerulonefrite aguda, 
observa-se o oposto. Nessa enfermidade, além da 
secreção de renina, ocorre uma retenção hídrica 
com consequente hipervolemia que também 
participa da gênese da hipertensão arterial por esta 
causa. 
►Viscosidade sanguínea. A influência deste fator 
é relativamente pequena, embora participe tanto da 
determinação da pressão sistólica quanto da 
diastólica. Nas anemias graves, entretanto, a 
diminuição da viscosidade sanguínea pode ser o 
fator responsável por níveis pressóricos baixos. Ao 
contrário, nas policitemias o aumento da 
viscosidade do sangue pode acompanhar-se de 
elevação da pressão arterial. 
♦Regulação da pressão arterial: A 
multiplicidade de fatores que influenciam a pressão 
arterial cria a necessidade de existirem mecanismos 
reguladores, capazes de integrar e harmonizar a 
atuação dos vários elementos que agem por via 
neurogênica ou humoral. Deles participam o córtex 
cerebral, o hipotálamo, os centros vasomotores, o 
sistema nervoso autônomo – por meio de seus 
Andressa – P4 FMO – 2021.2 
componentes simpático e parassimpático – as 
suprarrenais, os rins, os barorreceptores e algumas 
vias nervosas especiais, como o nervo de Cyon e o 
de Hering. O sistema humoral, a cargo dos rins e 
das suprarrenais, é mediado por várias substâncias 
– renina, aldosterona, angiotensina, 
prostaglandinas, vasopressina, 
desoxicorticosterona e glicocorticoides. 
M A P A 
♦Monitoramento ambulatorial da pressão 
arterial 
No final da década 1950, Sokolow iniciou o 
desenvolvimento do monitoramento ambulatorial 
da pressão arterial (MAPA) por método não 
invasivo. Este método permitiu a realização de um 
número muito maior de medidas da PA tanto 
durante o dia, quanto à noite. Por meio dele foram 
agregadas inúmeras informações sobre valores 
pressóricos ao longo do dia, durante as atividades 
exercidas pelo paciente e à noite durante o sono. 
Atualmente a maioria dos equipamentos para 
monitoramento ambulatorial utiliza o método 
oscilométrico e podem ser programados para 
um número considerável de medidas nas 24 ou 
até em mais horas. A PA sofre influência do ritmo 
circadiano, apresentando variações acentuadas 
entre os períodos de vigília (diurno) e de sono 
(noturno). Essa variabilidade aparece também 
dentro de cada período e até mesmo a cada medida, 
principalmente na vigília, quando a pessoa está 
sujeita a constantes modificações nas atividades 
diárias, tais como refeições, atividades física e 
sexual, trabalho, concentração, 
estresse. 
 
 
■ Média da PA nas 24 horas: 
representa a média dos valores 
obtidos nas 24 horas, divididas em 
dois subperíodos, a vigília e o sono. 
A média das pressões obtidas pelo 
MAPA parece ser melhor preditora 
do comprometimento de órgãos alvo 
e das complicações cardiovasculares 
decorrentes da hipertensão arterial 
do que as medidas casuais 
■ Valores médios normais 
estabelecidos pelo Consenso 
Brasileiro 
• Média das 24 horas: PA < 130 × 80 
mmHg 
• Média no período de vigília: PA < 135 × 85 
mmHg • Média no período de sono: PA < 120 × 70 
mmHg ■ Descenso noturno (observado durante o 
sono): estimase como normal uma queda 
fisiológica da PA durante o sono em torno de 10%, 
tanto para a PA sistólica quanto para a diastólica. 
A falta de descenso é um fator prejudicial, assim 
como o é o descenso excessivo da PA durante o 
sono 
 
M R P A 
♦Monitoramento “residencial” da pressão 
arterial: O monitoramento “residencial” da 
pressão arterial (MRPA) é realizado com medidas 
da PA no domicílio e/ou trabalho pelo próprio 
paciente ou um familiar. Utiliza um protocolo 
preestabelecido, sendo realizadas por um período 
de 5 dias na semana (o primeiro dia para 
orientações e os 4 dias subsequentes para medidas). 
São recomendadas três medidas noperíodo 
matutino e três medidas no período vespertino, com 
um intervalo de 1 minuto entre elas. Os aparelhos 
empregados para este fim são semiautomáticos, 
devem ser validados e calibrados e possuem um 
programa que armazena e analisa os dados. Pode 
ser bastante útil na confirmação ou não de 
hipertensão arterial, para afastar hipertensão do 
avental branco, hipertensão mascarada e 
acompanhamento de eficácia do tratamento. Tem a 
vantagem de um custo menor que o do MAPA e 
causar menos desconforto, mas não fornece 
informações sobre o período do sono. São 
considerados anormais para o método valores da 
PA > 135 × 85 mmHg. 
 
 
 
Andressa – P4 FMO – 2021.2 
Semiologia Médica – Porto e Diretriz HAS 2020

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