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DJi - SURSIS - Suspensão Condicional da Pena - Suspensão de Execução de Penas

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(Cf. RJSTJ, 5/468 e RT, 676/352.).
Após o vencimento do prazo probatório do "sursis", o juiz cientifica-se de
que o réu está sendo processado por outro crime ou contravenção.
Nesse caso, poderá o prazo do período de prova ser prorrogado? Os
tribunais têm-se manifestado pela possibilidade de prorrogação do
período de prova do sursis nessa hipótese. Isto porque a prorrogação é
automática, independe de despacho do juiz. Basta que o beneficiado
esteja sendo processado por outro crime para que se dê obrigatória e
automaticamente a prorrogação do período de prova, ainda que o
conhecimento do outro processo se dê após o vencimento do benefício
concedido. Esse é o posicionamento do Supremo Tribunal Federal: "se o
beneficiário do sursis está sendo processado por outro crime, prorroga-
se automaticamente o prazo da suspensão até o julgamento definitivo, o
que implica dizer que essa prorrogação se dará ainda que só se tome
conhecimento do outro processo depois de vencido o prazo probatório.
Precedentes do STF" (RT, 631/393.). Cumpre esclarecer que isso
somente será possível se o juiz ainda não declarou extinta a pena pelo
decurso do prazo do período de prova. Caso já tenha se pronunciado
pela extinção da pena, não poderá mais inovar no processo de modo a
prorrogar o prazo do período de prova.
É possível a revogação do "sursis" depois de expirado o prazo do
período de prova? Segundo o entendimento do Supremo Tribunal
Federal, "nada impede a revogação do sursis, mesmo depois do término
do prazo de prova, se verificado que, no seu decurso, o réu veio a ser
condenado por crime doloso, mediante sentença irrecorrível. O princípio
legal estabelece revogação automática (art. 81, I, do CP)" (RT,
619/401.). No mesmo sentido se manifestou o Superior Tribunal de
Justiça: "não importa que o juiz só venha declarar a revogação depois de
expirado o prazo de prova, já que a mesma ocorre de forma automática,
com o trânsito em julgado da sentença condenatória" (RT, 731/540.). E
já se manifestou o Supremo Tribunal Federal pela revogação do sursis
ainda que a condenação irrecorrível seja descoberta após o vencimento
do período de prova inicial. Assim, caso o beneficiário, durante o prazo
assim prorrogado, volte a ser condenado em sentença irrecorrível, por
crime doloso, é obrigatória a revogação do próprio sursis, conforme o
art. 81, I, do CP, sendo irrelevante a descoberta dessas circunstâncias
após o vencimento do prazo inicial (Nesse sentido: STF, RT, 631/393.).
Em sentido contrário, manifestou-se o Superior Tribunal de Justiça:
"Expirado sem revogação o período de prova do sursis, extingue-se
automaticamente a pena, sendo irrelevante que tenha havido instauração,
nesse tempo, contra o beneficiário, de outro processo criminal, se a
notícia veio a lume depois do término do prazo" (RT, 753/568.).
Importante esclarecer que a revogação somente será possível se o juiz
ainda não declarou extinta a pena pelo decurso do prazo do período de
prova. Caso já o tenha feito, não poderá mais inovar no processo de
modo a revogar o sursis.
Insubsistência das condições durante a prorrogação: durante o período
resultante da prorrogação, nos termos do art. 81, § 2º, não subsistem as
condições impostas.
Audiência admonitória: é a audiência de advertência, que tem como única
finalidade cientificar o sentenciado das condições impostas e das
conseqüências de seu descumprimento. É ato ligado à execução da pena,
logo, só pode ser realizada após o trânsito em julgado da decisão
condenatória (cf. art. 160 da LEP). A sua realização antes desse
momento viola o princípio constitucional da presunção da inocência (art.
5º, LVII), pois, antes da certeza de sua culpa, o acusado não pode ser
advertido. Caso seja, no entanto, realizada equivocadamente antes do
trânsito em julgado, não acarreta nulidade, em face do princípio da
instrumentalidade das formas. Assim, como os efeitos só se produzem
mesmo após o trânsito em julgado, inexiste prejuízo a inquinar o
antecipado ato de vício insanável (Nesse sentido, JTACrimSP, 93/190.).
Cassação do "sursis": ocorre pelos seguintes motivos:
a) não-comparecimento do sentenciado à audiência admonitória: acarreta
a cassação do benefício (art. 161 da LEP). A jurisprudência, no entanto,
tem abrandado o tratamento dispensado pela LEP e pelo art. 705 do
CPP, ao deixar a critério do magistrado a possibilidade de restauração
do sursis (RT, 690/355.). Exemplo: o condenado que justifica
satisfatoriamente o seu não-comparecimento, por motivo de doença, à
audiência mediante atestado médico;
b) aumento de pena que exclua o benefício em decorrência do
provimento do recurso da acusação.
"Sursis" e revelia: a revelia do acusado citado pessoalmente não impede a
concessão do benefício da suspensão condicional da pena, caso sejam
preenchidos todos os requisitos legais. Entretanto, o seu não-
comparecimento à audiência admonitória acarreta a revogação do
benefício nos termos dos arts. 161 da LEP e 705 do CPP. Assim, não se
denega o sursis por ser o réu revel e estar foragido. Somente a não-
localização ou o não-comparecimento quando intimado para a audiência
de advertência é que poderão ensejar a revogação do benefício:
a) réu citado pessoal e validamente que não comparece a juízo: o réu que
é pessoalmente e validamente citado para integrar a lide, porém não o
faz, deixando o processo transcorrer a sua revelia, é passível de ser
beneficiado pelo sursis. Como nesse caso o processo não tem a sua
trarnitação suspensa em decorrência da revelia, nos termos das inovações
introduzi das pela Lei n. 9.271/96, é possível que seja prol atada
sentença condenatória com a concessão do sursis, sendo certo que
somente depois de intimado para a audiência admonitória e ainda assim o
beneficiário não comparecer é que o benefício poderá ser revogado;
b) réu citado por edital que não comparece a juízo nem constitui
advogado: o processo ficará suspenso e também suspenso o prazo
prescricional, até sua localização (de acordo com a nova redação do art.
366, caput, do CPP). Nesse caso, suspende-se a tramitação do
processo, não havendo que falar em provimento jurisdicional final, e,
portanto, a possibilidade de concessão do sursis ao réu revel.
Extinção sem oitiva do Ministério Público: ao Ministério Público incumbe
a fiscalização da execução da pena e da medida de segurança, oficiando
no processo executivo e nos incidentes da execução (art. 67 da LEP).
Em conseqüência, a decisão que declarar extinta a pena, sem a prévia
manifestação do Ministério Público, é nula (Nesse sentido: REsp 659-SP,
6ª T. do STJ, publicado na RJSTJ, 15/225.).
Os tribunais têm também se manifestado no sentido de que o vencimento
do prazo do sursis não autoriza a extinção da pena privativa de liberdade
se o representante do Ministério Público requerer a verificação de
eventual causa de revogação ou prorrogação daquele período de prova.
Diante disso, deve o magistrado atender à diligência requerida pelo
Ministério Público, objetivando certidão de antecedentes criminais do
condenado (Nesse sentido: STF, RT, 6461384 e TACrimSP, RT,
611/356-357.).
Revogação sem oitiva do sentenciado: não é possível, pois viola os
princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, que
persistem durante a execução da pena (Nesse sentido: RHC 614-GO, 6ª
T. do STJ, publicado na RJSTJ, 10/137.).
Renúncia ao "sursis": é possível, pois se trata de um benefício, cuja
aceitação não é obrigatória, podendo ser renunciado pelo condenado por
ocasião da audiência admonitória ou durante a entrada em vigor do
período de prova.
"Sursis" para estrangeiro: tem as seguintes características:
se tiver carteira com visto permanente, tem direito ao beneficio (TRF da
2ª Região, 1ª T., RJSTJ, 7/356.);
o fato de ser estrangeiro, por si só, não impede o benefício (RT,
605/386.);
c) o estrangeiro, mesmo em caráter temporário no país, tem direito ao
sursis, uma vez que o Decreto-Lei n. 4.865/42, que proibia a concessão
em tal hipótese, foi revogado pela Lei n. 6.815/80 (RT,