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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE RONDÔNIA – IFRO – CAMPUS JARU BACHARELADO EM MEDICINA VETERINÁRIA to Amanda Fambri Roberto Eliara Alves Letícia da Silva Vendrametto Micheli Salaroli Speroto Suellen da Silva Giestal Thaynan Pessoa Batista ElE. alves Letícia da Silva Vendrametto Micheli Salaroli Speroto Suellen da Silva Giestal Thaynan Pessoa Batista RACISMO E POLÍTICA Jaru - RO 2021 Trabalho apresentado como requisito parcial para obtenção de aprovação na disciplina de Ética, Política e Cidadania, no Curso de Medicina Veterinária, no Instituto Federal de Rondônia. Prof. Gustavo Adolfo Suckow Barbosa Jaru - RO 2021 Resumo O racismo é um obstáculo que afeta a sociedade brasileira desde a sua formação. Entre os séculos XVI e XIX, por mais de 300 anos, os africanos e seus descendentes foram escravizados. Mesmo com o término da escravidão em nosso país, não podemos proferir que houve uma igualdade racial no Brasil. O racismo está presente na própria constituição das políticas públicas, gerando padrões discriminatórios na distribuição e na eficácia entre grupos sociais conforme vínculos raciais e étnicos. Sabe-se que na sociedade é nítido a existência de desigualdades raciais, pois, nota-se como resultado a pobreza, o acúmulo de carências da população negra e a sua dificuldade para participar do mercado de trabalho. Palavras-chave: Democracia racial, desigualdade, negros. Desenvolvimento O Racismo é considerado a discriminação da sociedade baseada na ideia de que a espécie humana é dividida em raças e que uma pode ser superior às outras.Dessa maneira, trata- se de uma postura discriminatória, já que é incorreto falar em raças humanas. Historicamente e politicamente o racismo forma a deixar negros e seus descendentes e outras minorias à margem do sistema socioeconômico, gerando um desconforto social no Brasil. Embora tenha se passado mais de um século da abolição da escravatura, a população negra manteve-se, na maioria das vezes, fora dos espaços de prestígio. A relação de exclusão com base na cor da pele está presente nos ambientes de trabalho, nas universidades e nos hábitos cotidianos, em que pessoas negras são tratadas de maneiras diferentes. Assim, compreender como o racismo opera no tecido social, sobretudo, na relação de poder considerando um processo histórico e político é de suma importância. Dessa forma, um ponto relevante que vale destacar é a relação entre racismo e Estado na contemporaneidade que permanece de maneira complexa e implícita. Sabe-se que é por meio do Estado que a classificação de pessoas é realizada, o que acaba se refletindo em desigualdades econômicas, inacessibilidade aos campos científicos e políticos, postergando aos negros papéis de segunda classe. A partir disso, cabe analisar como o autor Silvio de Almeida, retrata o racismo: O racismo tem, portanto, duas funções ligadas ao poder do Estado: a primeira é a de fragmentação, de divisão no contínuo biológico da espécie humana, introduzindo hierarquias, distinções, classificações de raças. O racismo estabelecerá a linha divisória entre superiores e inferiores, entre bons e maus, entre os grupos que merecem viver e os que merecem morrer, entre os que terão a vida prolongada e os que serão deixados para a morte, entre os que devem permanecer vivos e o que serão mortos. E que se entenda que a morte aqui não é apenas a retirada da vida, mas também é entendida como a exposição ao risco da morte, a morte política, a expulsão e a rejeição. (ALMEIDA,2019,p.72) Nos dias atuais, a força da sociedade negra cresce no âmbito político, lutando por seus direitos, por meio de movimentos sociais, com o objetivo de adquirir igualdade, educação, direito à moradia e a liberdade. Porém, quando se analisa a representatividade de um homem negro dentro da política, nem sempre significa que a população negra esteja no poder e nem que o racismo esteja eliminado e sim que na maioria das vezes as instituições contem com a participação da representação de minorias por pressões sociais, uma vez que tais instituições buscam por preservar a sua legitimidade. Contudo, percebe-se que a luta contra o racismo e a discriminação está provocando resultados e formas diferentes. Nessa linha de pensamento, um dos maiores exemplos de representatividade negra, foi o Nelson Mandela (1918-2013), sendo o primeiro presidente eleito da África do Sul e um dos símbolos da luta contra o regime segregacionista do Apartheid, considerado um sistema racista que privilegiava a elite branca do país, enquanto a população negra deveria obedecer às regras impostas por esse sistema, além disso, Mandela lutava pelos direitos dos negros no país. Outro exemplo na representação foi a Marielle Franco (1979-2018), mulher negra, socióloga, política brasileira e um símbolo global da luta antirracista e contra a violência policial que reprimem os moradores negros. Em outro contexto, a lei Áurea de 13 de maio de 1888, declarava a escravidão no Brasil extinta e fazia com que os negros passassem a ser livres. Entretanto, esses indivíduos caíram em situação social ruim, que na sociedade contemporânea pode ser comparada com a desigualdade de tratamento entre negros e brancos e a marginalização racial. Embora, no artigo 5° da Constituição Federal de 1988 conste que todos são iguais perante a lei, sem distinção, e garanta o direito à vida, à liberdade, à segurança e a propriedade, infelizmente, essa lei não sai do papel e nem se aplica a população negra que sofrem historicamente e com frequência dentro da sociedade. Nesse âmbito, nota-se a falta de políticas públicas raciais que deem o devido ênfase em seus direitos de inclusão e percebe-se também a falta de possibilidades, justiça e equidade. Conforme a lei nº 7716, de 5 de janeiro de 1989, qualquer manifestação que exclua ou discrimine pessoas em função de sua cor, etnia ou raça, torna-se crime. Todavia, o não cumprimento dessa lei na prática potencializa ainda mais a desigualdade e a discriminação racial. Portanto, é importante considerar a participação social, econômica e a contribuição cultural da população negra para a formação brasileira. Ademais, é preciso que tenham investimentos em políticas públicas tanto no contexto orçamentário quanto na expansão de conhecimento a respeito do assunto e na democratização, com o intuito de gerar oportunidades para essa parcela da população, além da ascensão de negros na representação política. Referências Bibliográficas ALMEIDA, Silvio. Racismo Estrutural. In: ALMEIDA, Silvio. Racismo e Política. São Paulo: Pólen, 2019. p. 53-79. BRASIL. Constituição da República Federativa de 1988. Brasília, DF: Presidência da República. Disponível em https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm. Acesso em: 1 set. 2021. BRASIL. Lei n° 7.716 de 5 de janeiro de 1989. Brasília, DF: Presidência da República. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7716.htm. Acesso em: 1 set. 2021. GUIMARÃES, Antonio Sérgio Alfredo. A questão racial na política brasileira (os últimos quinze anos). Tempo Social, p. 123-136, nov. 2001. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0103- 20702001000200007. Acesso em: 1 set. 2021. MONTEIRO, Patrícia Fontes Cavalieri. Discussão acerca da eficácia da Lei Áurea. Meritum, v. 7, n. 01, p. 356-362, jan./jun. 2012 Disponível em: https://doi.org/10.46560/meritum.v7i1.1208. Acesso em: 31 ago. 2021. .