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Preparação para a heterossexualidade: política do amor parte II 
Dee Graham 
 
Nenhuma mulher é heterossexual. O que homens chamam de heterossexualidade é uma 
instituição na qual homens fazem mulheres reféns de PIV (traduzido como “pênis na 
vagina”), para controlar nossas funções reprodutivas e se apropriar do nosso trabalho. 
Heterossexualidade, ou sexualidade com homens ​não existe​, porque a única relação com 
homens que existe é violência masculina, invasão física e mental - que homens tão bem 
criaram e disfarçaram por tanto tempo que nós as confundimos por atração, desejos 
sexuais ou amor. A “atração” de todas as mulheres por homens é um trauma 
completamente erotizado/síndrome de estocolmo. Não há nenhuma outra forma possível 
de atração por homens além dessa. Nenhuma. Qualquer mulher “sexualmente” ou 
“sentimentalmente” atraída por um homem é apenas ligada por trauma a ele. Esta é uma 
regra universal sob o patriarcado. 
Como uma nota histórica, o termo “heterossexualidade” apenas começou a ser utilizado 
ao fim do século XIX por uma contingência de homens psicóticos e aparentemente foi 
primeiro nomeado por um alemão (isso se encontra no contexto da repercussão da 
psicanálise freudiana contra mulheres). Foi inventado para substituir o termo 
“normalsexual” que era provavelmente político em excesso - e em oposição a 
“homossexual”. Os homens nos departamentos psicogenocidas o inventaram com os 
seguintes propósitos: 
1. Patologizar o lesbianismo (e a homossexualidade) e tratá-lo como um desvio para 
ser curada/punida. Patologizar mulheres que resistiram ao PIV e ao casamento, 
escolhendo se relacionar com mulheres; 
2. Definir o domínio sexual masculino de mulheres como ​norma​ (= seu uso de 
mulheres como buracos para pênis e reprodutoras = 
estupro/impregnação/gravidez forçada/abuso); 
3. Define o domínio sexual masculino de mulheres como uma “sexualidade” e 
“orientação sexual” para esconder a violência nisso; 
4. Naturalizar isso, isto é, definir isso como uma direção biológica natural tanto por 
homens quanto por mulheres. 
 
Se olharmos a etimologia do termo: 
Heteros = diferente (do grego) 
Sexuality = sexualidade 
Então o significado literal de heterossexualidade é orientação 
sexual/atração/prática e relação sexual e amorosa com um membro do ​sexo oposto​. A 
palavra “heterossexualidade” define a realidade de nossos relacionamentos com 
homens no patriarcado? Não. Nós precisamos parar de usar a palavra “hétero” quando 
nos referirmos a mulheres ​ocupadas​ por homens. É incorreto. Eu frequentemente 
também vejo o termo “heteronormatividade” circulando por aí. Isso se aplica ​apenas a 
homens​. Mulheres não estão dentro da norma no mundo hétero, porque não somos 
beneficiárias disso, mas somos os alvos e vítimas primárias dele. 
Voltando ao começo. Nós realmente precisamos saber e compreender como 
nossas respostas traumatizadas aos homens funcionam. Eu vejo algumas feministas se 
perguntando por que mulheres ainda se atrairiam por homens após se tornarem 
feministas, por que elas ainda se disporiam a namorar-los. Elas não entendem por que 
essas mulheres se mantém “héteros” se elas foram capazes de ver quão perigosos 
homens são. Sem mencionar aquelas que acreditam que a única razão pelas quais 
mulheres ficam com homens é por supostos “benefícios” - esquecendo junto o modo 
que a proximidade forçada (sujeição) a homens + PIV/violência masculina é ​A 
definição da nossa opressão e que não há maneira pela qual podemos nos beneficiar 
disso. Nenhum mesmo, nunca! Acreditar nisso é acreditar nas mentiras masculinas 
anti-mulher que a opressão é boa ou natural para nós. Que de alguma forma nós 
podemos aproveitar, querer ou lidar com ela. Essa é uma ​mentira​; não é feminista 
acreditar nisso, não serve à nossa realidade de forma alguma. Realmente, esse é um 
entendimento básico de como a violência e alienação masculina opera. 
Homens sabem como nós reagimos às suas violências e deliberadamente 
manipulam nossas respostas para aumentar seu controle sobre nós enquanto 
diminuem os esforços que precisam para tal. Está no interesse masculino disfarçar 
sua violência tanto quanto possível. Não é por nada que o patriarcado ocidental 
moderno aperfeiçoou ciências “psicóticas” e “comportamentais” (alienação e 
controle mental) por séculos como uma poderosa ferramenta de libertação 
anti-mulher, e que homens se apoiam intensamente nisso para nos manter ao seus 
pés, ou melhor, abaixo de seus paus. É parte da infraestrutura global masculina que 
assegura homens um constante fornecimento de mulheres já domadas and 
pre-possuídas para que possam enfiar seus pênis sem esforço, engravidá-las e 
abusá-las. Quanto mais cresce, mais fácil é para cada homem individualmente 
romper o arbítrio e enganá-la para ser possuída e praticar PIV com ele - mantendo 
assim o nível de submissão com a ajuda da instituição masculina. 
E para então preparar mulheres para a “heterossexualidade”, a forma mais 
eficiente de controle mental que eles encontraram é traumatizar mulheres desde o 
nascimento através de abuso (muitas vezes sexual) parental/familiar/infantil - e daí 
em diante, usar essa memória traumática/TEPT (transtorno de estresse 
pós-traumático) para abusar de mulheres sem que elas estejam cientes disso (ou da 
extensão disso). O ponto é direcionar o abuso diretamente ao nosso inconsciente, 
tornando assim impossível que escapemos disso porque nós não seremos mais 
capazes de perceber abusos por homens como abusivo no nível consciente. Em 
outras palavras, a estratégia é nos programar para responder à violência masculina 
através de dissociação e vínculo traumático, e encobrir/renomear essas respostas 
como “amor” ou “atração” por homens - então ao final eles nos fazem acreditar que 
nós ​queremos​ isso. 
Vamos relembrar o que vínculo traumático é: se olharmos para o trabalho de 
Dee Graham (p. 4, ​Loving to Survive​), para uma mulher se ligar traumaticamente a 
um homem é: 
1. Ela deve perceber seu captor - o homem - como quem tem poder de vida e 
morte sobre ela 
2. Ela deve perceber que não pode escapar e que portanto sua vida depende de seu 
captor 
3. Ela deve estar isolada de outros de modo que a perspectiva do homem em 
questão seja a única perspectiva disponível 
4. Ela deve sentir como se seu captor a disponha um tanto de carinho e atenção 
 
Essa situação de captor-refém é a situação de todas as mulheres para todos os 
homens (esse é também o ponto que D.G. marca em seu livro). Isso é, todos os 
homens mantém todas as mulheres reféns. Todas as mulheres são prisioneiras e 
reféns de ao mundo dos homens. O mundo dos homens é como uma vasta prisão ou 
campo de concentração para mulheres. Isso não é uma metáfora, é a realidade. Cada 
homem é uma ameaça; Nós não podemos escapar de homens. Somos forçadas a 
depender deles e de infraestruturas masculinas para nossa sobrevivência. 
Perspectivas masculinas (e a linguagem masculina que nomeia suas perspectivas) é a 
única perspectiva disponível e nós estamos isoladas de outras mulheres e 
perspectivas centradas em mulheres. Nem todos os homens estupram e abusam de 
nós em todos os momentos - um homem que aja educamente pode fazer com que nos 
sintamos agradecidas. 
Então apenas olhando a realidade da dominação masculina de mulheres, vê-se 
que o apego emocional ou sexual por homens é sempre um vínculo traumático, 
porque para que ​não ​fosse um vínculo traumático, homens teriam de ​não ​ser nossos 
opressores. Mas há mais a respeito disso do que Dee Graham diz, então construo 
sobre sua teoria aqui. 
A razão pela qual tantas de nós nos vinculamos através do trauma tão 
instantânea e intensamente a homens em nossas proximidades e em vezes a qualquer 
homem que cruze nossos caminhos, quer sejamos lésbicas, celibatárias, separatistas 
ou héteros, é que nós estamos programadas e “adestradas” para reagir dessa forma à 
ameaça masculinadesde o berço. A chave para entender isso é a dissociação, já que 
o vínculo traumático é uma forma de dissociação; então antes que eu continue para a 
teoria de aliciamento de meninas, explicarei o que quero dizer por dissociação e por 
que o vínculo traumático é uma forma de dissociação. Me desculpo se está 
comprido, mas ainda terei que encontrar uma forma mais curta de explicar isso. 
Dissociação é uma reação normal de sobrevivência à intencional violência 
humana (masculina). A condição de dissociação é quando nós percebemos que não 
podemos escapar da violência e ficamos “congeladas” no lugar. A maioria senão 
todos as violências de homens contra mulheres se encaixam nesse critério, porque 
ela acontece dentro de um contexto de cativeiro de mulheres por homens. Quanto 
mais próximo e mais dependente do abusador estamos, mais teremos de nos 
dissociar, especialmente em uma idade jovem, especialmente se o abuso é 
recorrente. Também, quanto mais a violência é socialmente escondida, 
não-nomeada, negada ou renomeada como outra coisa, mais provável estamos de 
dissociar disso, porque não conseguimos conectar nossas respostas à situação (nos 
sentimentos mal, mas não conseguimos identificar a violência como violência). Esse 
é um jogo mental, que causa pavor e dissociação. 
Dissociação é quando, em uma situação de estar presa na violência, o cérebro 
cria uma curto-circuito neural para que não morramos de estresse. Estresse/medo é 
uma reação normal ao perigo e situação insegura e significa que adrenalina e cortisol 
são mandados para o coração e para o cérebro para reagir rápido, pensar rápido e 
fugir rápido. Se não podemos compreender o sentido do perigo e fugir disso, o 
cérebro anula tudo para parar a resposta à emergência (o envio de adrenalina e 
cortisol) porque senão isso poderia intoxicar nosso corpo. O cérebro então envia 
alguns outros entorpecentes químicos (como são endorfina e ketamina) para criar 
uma amnésia ou clarão em nossas mentes e amortecer a dor. Essa é a dissociação. 
Outras formas de mandar esses entorpecentes dissociativos além de diretamente do 
cérebro é através de excitação genital, laços afetivos baseados no trauma ou uso de 
drogas externas, como álcool ou outros anestésicos. Dissociação é o que nos causa a 
resposta traumática, isso é, memória inconsciente de violência que permanece fixada 
no sistema límbico (região relacionada à memória de curto-prazo) devido ao 
curto-circuito - ela não poderia mais se conectar às outras partes do cérebro para 
chegar à memória de longo prazo, onde armazenamos nossas experiências - para que 
possamos aprender com elas. A memória que nunca é processada, reaparece para nós 
de formas invasivas, quer por flashes, sonhos, sensações, ou em maneiras mais 
enigmáticas como distúrbios somáticos, reencenação de traumas similares com 
outras pessoas, etc. 
Então sim, dissociação funciona como uma ​droga​, quer como uma função 
biológica/química ou com a ajuda de recursos externos, quando o interno já não é 
mais forte suficiente para amortecer a dor. Isso significa que nós talvez nos tornemos 
viciadas à dissociação e então a violência que serve de gatilho para o estado 
dissociativo talvez possa se tornar viciante também. E os homens garantem que a 
única atividade disponível para mulheres são violentas e dissociativas: desde PIV até 
práticas de mutilação da “feminilidade”, embriaguez social excessiva, 
relacionamentos traumáticos, ​workaholism​, etc. 
Quando nós pensamos em dissociação, imaginamos extrema tortura e então um 
sentimento de distanciamento de nosso corpo, ou nos sentirmos drogadas: mesmo 
que isso possa acontecer assim, frequentemente pode ser tão simples quanto um 
apagão mental após ver uma propaganda misógina, or esquecer a conversa que 
estava tendo quando vê um homem assediar sexualmente sua “namorada”, ou se 
sentir desperta quando encontra um homem que se pareça com outro com quem você 
teve uma relação traumática/te abusou de alguma forma, ou se sentir impelida a 
tomar um copo de cerveja após ser insultada ou provocada por homens (apenas para 
dar alguns exemplos). Porque violência masculina está presente em nossas rotinas, 
da mesma forma está a dissociação, mas com frequência nós não percebemos como 
estamos desconectadas até que nos reconectemos de novo de uma forma ou outra e 
nos tornemos mais atenta à violência. 
Agora sobre heterossexualidade e dissociação. Relações com homens ou 
qualquer outra intenção sexual por parte deles é, quando não repulsiva e fazendo 
com que queiramos fugir, necessariamente dissociativa e baseada em trauma. Isso 
por causa da combinação violência/bondade percebida na “heterossexualidade 
(ponto 1, 2 e 3 das condições descritas por Graham para síndrome de Estocolmo). 
1. Para o vínculo traumático, além de tudo dito por D. G., precisa haver de 
fato violência ou ameaça de violência, não apenas a percepção da mesma. 
Nossas percepções e respostas nunca nos enganam, nós apenas nos 
relacionamos por trauma às pessoas que representam uma ameaça real ou 
dentro que um mecanismo desigual e inseguro. Estar com qualquer 
homens nos constitui uma ameaça a nós, porque são nossos opressores. 
Ser desejada por um homem e que ele a trate como ​dele​ é 
intrinsecamente violento​. Isso é qualquer coisa desde ele demonstrando 
que a quer, namorar com você, estar em um relacionamento ou casar-se. 
Em qualquer caso, isso consiste em alguma forma de violação física ou 
mental da parte dele, acima da constante ameaça de PIV/estupro que ele 
representa enquanto homem, quer ele decida impor isso ou não. 
2. Segundo, homens alienam mulheres para que acreditem que um homem 
nos querer é ​atenção positiva​. Pior, somos persuadidas que não podemos 
existir, ser felizes ou completas se um homem não nos quer. Eles 
conduzem uma intensa lavagem cerebral em meninas e mulheres para 
forçar a perspectiva que PIV não é estupro mas sim “sexo”, que assédio 
sexual é “sedução”, que “cortejar” e sermos possuídas por homens é 
“amor”, “romance”. Nós devemos ativamente procurar fazer com que 
homens nos queiras e isso deveria ser o centro de nossas preocupações e 
atividades. E não importa quão violento eles sejam quando nos querem, 
isso significa ​que gostam de nós​. Nós deveríamos ser gratas. 
Por causa disso, qualquer coisa dentro da “heterossexualidade” desde homens 
sendo educados em nossa presença até “namorar”, de nos pagar uma bebida até 
PIV/estupro, até nos atacar causa uma reação similar ao vínculo traumático 
(dependendo quão preparadas estamos para isso para começar) porque se ele nos 
quer, isso é uma atenção positiva. E um homem “gostar de nós” quer dizer ​existir​, 
ser salva, resgatada da não-existência ou quase morte. Então nós nos sentimos gratas 
por essa atenção mesmo se ela for horrenda, terrivelmente destrutiva - nós talvez 
voltemos para ele porque nos sentimentos culpadas por não mostrar gratidão por essa 
atenção. Nós nos sentimos obrigadas a agradecê-los. Acabamos nos culpando pelo 
desconforto da experiência, porque não há nenhuma outra explicação disponível para 
nós. É por nossa causa se isso pareceu errado, nós apenas escolhemos o cara errado, 
não nos abrimos o suficiente para aproveitar, não fizemos o suficiente para 
agradá-lo, etc. 
Isso significa que a invasão sexualizada masculina (heterossexualidade) é 
essencialmente uma desestabilização mental. Essa violência/aspecto “legal” disso é 
inerente à heterossexualidade. O que é percebido como “legal” ​é​ o ato da invasão em 
si mesmo, não há nenhuma separação entre as atitudes percebidas como 
“boas/legais” e a violência aqui. Então se somos feitas dependentes da violência 
sexual masculina, percebida como atenção positiva, isso é experienciado apenas 
através de um estado dissociativo. Nós não podemos experienciar a violência em um 
nível consciente porque não podemos ver por que isso faz nos sentirmos horrível 
apesardo “amor/atração” (vínculo traumático). Nós sabemos que nos sentimos mal 
mas não podemos conectar isso a situação porque isso tudo só poderia significar uma 
atenção positiva da parte deles. E não há nada nem ninguém para confirmar a 
realidade dessa violência. Nós podemos apenas negar e suprimir nossas respostas e 
dissociar disso - e nos culpar por nos sentirmos mal. É um jogo mental porque é um 
paradoxo: o que nos é dito deveria ​ser o melhor para nós​, ao que deveríamos nos 
agarrar e procurar a vida toda, é exatamente ​o que mais nos machuca​. ​Em uma mão 
nossa existência é construída para depender de um homem, mas na outra nossa 
existência está em perigo por estarmos junto desse homem​. Se não conseguimos tirar 
sentido disso, nos mantemos presas, em choque e ligadas através do trauma pelo 
homem. 
Então por causa dessa natureza “legal”/de jogo mental da invasão sexual 
masculina, a dissociação é quase automática e isso toma a forma do vínculo 
traumático. Nós mudamos para esse estado de vínculo traumático na presença de 
homens tão mais automaticamente como se estivéssemos “drogadas” nisso por anos, 
especialmente se passamos por várias experiências de PIV/estupro que causou 
excitação genital, que aumenta a intensidade do vínculo traumático 
exponencialmente (a intensidade do vínculo traumático e dissociação é sempre 
proporcional à violência). Isso nos intoxica e nós imediatamente perdemos os 
sentidos, é como ser direcionada para fora de nós mesmas. É como ser uma casca 
vazia preenchida por ele, nos apegando a ele mesmo que ele seja um babaca. Isso 
instantaneamente cria um estado de melancolia porque nós somos levadas para fora 
de nós mesmas, mas porque estamos colonizadas pelo cara, acreditamos que é 
porque sentimos falta. Na verdade estamos sentindo falta de nós mesmas e isso é um 
sentimento muito doloroso, como estivesse sendo corroída por dentro.&& Isso é o 
genocídio recorrente de mulheres por homens. Mesmo que eles matem muitas de 
nós, eles ainda precisam de nós vivas e amarradas à eles para que possam continuar 
nos usando para PIV/reprodução, então o que fazem é nos matar por dentro tanto 
quanto possível, tirar-nos de nossos corpos ao exílio de nós mesmas. 
Essa reação automática de vínculo traumático por homens que nós 
confundimos como desejos sexuais ou apaixonamento é uma das razões principais 
que o separatismo de homens é tão importante. Enquanto homens são nossos 
opressores e provavelmente enquanto tiverem pênis, eles serão uma ameaça e então a 
única forma de impedir que relações traumáticas continuem a acontecer é evitar 
qualquer contato próximo com homens. Caso isso aconteça, é algo que não está em 
nosso controle, especialmente se fomos intensamente “drogadas” por relações 
traumáticas/PIV antes. Escolher conviver apenas com mulheres não é uma 
identidade especial ou um status VIP radfem que outras feministas têm que atingir, 
mas sim uma questão de proteção. Mesmo após vários anos distante de interagir com 
homens e escolhendo amar apenas mulheres, (eu) ainda sinto flashes invasivos e 
pesadelos com PIV/estupro, ainda me apego através do trauma com homens se não 
consigo evitar a aproximação com algum e ele é “amigável”. Apesar disso, espero 
que isso se dissipe mais com o passar do tempo. 
A razão pela qual nós recorremos ao vínculo traumático por homens tão 
rapidamente em primeiro lugar, em vez de outras formas de dissociação ou de se 
horrorizar pelo que meninos e homens são e evitá-los como fossem pragas, é 
realmente porque homens nos programam para reagir dessa forma ao abuso desde 
que nascemos e à época em que estamos crescidas, esse mecanismo se torna uma 
segunda pele. Vínculo traumático por pais, mais do que qualquer outra forma de 
dissociação, é o modelo primário para o qual somos criadas quando meninas, que os 
homens constroem para abusar de nós como mulheres adultas. Seria completamente 
impossível para os homens nos subordinarem da forma como fazem sem o abuso de 
meninas por parte dos pais (mães e pais). 
Agora, por favor, aproveitem meu super diagrama sobre a preparação infantil 
 
Algumas anotações sobre o diagrama: o centro do círculo é o núcleo, o mínimo 
necessário de abuso infantil, inerente à "família" patriarcal. As condições em que as 
mulheres dão à luz são inerentemente abusivas no patriarcado. Nós pertencemos a 
uma mulher que pertenceu e foi abusada por um homem. 
 
Basicamente com meninas nós temos a mesma configuração, o mesmo 
paradoxo que com a heterossexualidade onde as mesmas pessoas de quem somos 
emocional e fisicamente dependentes para sobreviver são os que colocam em perigo 
nossas vidas, atacando nossa integridade ao nos tratar como posses, descuido, 
negligência e abuso. Não podemos escapar de nossos pais: abandono efetivamente 
significa morte. Nós somos aterrorizadas de sermos mais prejudicadas ou 
abandonadas. 
Porque não há nenhuma forma enquanto bebês ou crianças de tirarmos sentido 
dessa violência e jogo mental conforme a realidade disso nunca é nomeada ou 
confirmada, como estamos totalmente sozinhas em nosso sofrimento e impotentes 
nessa situação, nossa reação instintiva é o vínculo através do trauma por nossos pais 
e nos culpar por seus maus tratos. Nós pensamentos que se eles não cuidam de nós 
ou nos tratam mal, é porque não gostam de mim, porque sou ruim, sou defeituosa, 
descartável, que sou um monstro, que não sou digna ser amada e protegida, que sou 
uma péssima garota. Ganhar a aprovação de nossos pais e agradá-los, 
desesperadamente querendo ser “amadas” por eles e dissociando do abuso e 
negligência é uma reação de sobrevivência. 
Esse cativeiro abusivo por quem nos detém (os pais) é chamado de família e 
amor e nós devemos ser eternamente gratas aos nossos pais. 
A esse cativeiro/relação traumática nós adicionamos a “educação” patriarcal, 
frequentemente administrada desde o nascimento, que consiste em suprimir na 
criança qualquer expressão de raiva, angústia (que é sempre justificada) ou vontade 
individual, apesar de punições e recompensas. Se uma criança chora ou grita, para 
expressar necessidades normais ou protestar sobre sua condição, ela tem de ser 
“corrigida” sendo gritada, desprezada, apontada os dedos, colocada em um canto ou 
espancada. Ela também pode ser recompensada pela atenção ou boas notas por ser 
obediente. Então, os adultos nos negam o direito de expressar qualquer raiva ou 
resistência a esse tratamento, porque "é para o nosso próprio bem". Essa é a 
preparação lenta, mas constante, para se dissociar da violência - sendo punida por 
reagir à violência e a realidade da violência sendo constantemente negada, 
aprendemos a suprimir nossas respostas normais ao abuso e nossa capacidade de nos 
defendermos dela. Aprendemos a fragmentar nossas mentes e experimentar a 
violência em andamento apenas no nível inconsciente, para sobreviver. Quanto mais 
extrema a violência, como nos graves abusos psicológicos, sexuais ou físicos, mais 
vivemos na dissociação. 
A isso, é claro, acrescentamos preparação constante ao serviço sexual de 
homens e lavagem cerebral para o PIV, assédio sexual constante e abuso de homens 
em geral, práticas mutiladoras de feminilidade e o ódio geral às mulheres. 
Este é o modelo no qual a preparação para a heterossexualidade é fixada. Eu 
acredito que a razão pela qual podemos mudar tão facilmente para o vínculo 
traumático com os homens, experimentar a aprovação dos homens como uma 
questão de vida ou morte, perceber que nossa autoestima depende tanto da atenção 
externa de outra pessoa, mesmo que sejam babacas repugnantes, é porque foi assim 
que aprendemos a viver e sobreviver quando criança, desde o nascimento. Então, 
simplesmente continuamos a nos adaptar dessa maneira à violência masculina à 
medida que crescemos, não conhecemos outra maneira de reagir ao abuso. O sistema 
de cativeiro pelos pais é o mesmo da propriedademasculina/relacionamento com os 
homens. O mesmo isolamento, o mesmo cativeiro, a mesma necessidade de 
dissociar/vínculo traumático dos abusos contínuos, etc. Não há como nos 
dissociarmos tão facilmente dos abusos de homens, não fosse por esse tratamento 
como meninas. Não haveria como chegarmos perto de homens. 
Portanto, todas essas palavras para explicar de todas as formas possíveis que a 
heterossexualidade não existe e nossos "desejos" de se relacionar com elas 
emocional ou sexualmente não são impulsos naturais, mas reações normais do TEPT 
a anos de abuso e programação mental.

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