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DESCRIÇÃO
Conceitos gerais da parasitologia: relações parasita-hospedeiro, ciclos parasitários, habitats
dos parasitos e políticas públicas de saúde contra as parasitoses.
PROPÓSITO
Compreender os conceitos da parasitologia para o entendimento de diferentes formas de
relações parasito-hospedeiro e de doenças parasitárias, assim como de políticas públicas na
área da saúde, a fim de criar melhores ações de prevenção e combate às parasitoses.
OBJETIVOS
MÓDULO 1
Descrever o parasitismo, os principais grupos de parasitas, seus vetores, as políticas públicas
de Saúde e o papel do SUS no combate às parasitoses
MÓDULO 2
Reconhecer os ciclos parasitários, os principais tipos de habitat dos parasitos e os processos
patológicos relacionados ao parasitismo
INTRODUÇÃO
A grande diversidade de seres vivos e as relações que eles estabelecem sempre foram motivo
de fascínio pela humanidade. Se pararmos para pensar, até alguns séculos atrás, os
estudiosos ainda discutiam a origem de muitos organismos pela teoria da geração espontânea.
Os defensores dessa teoria se baseavam na observação do surgimento de larvas na matéria
orgânica em decomposição e acreditavam que os organismos eram gerados a partir de matéria
orgânica, inorgânica ou da combinação de ambas. Atualmente, sabemos que as larvas são
colocadas por moscas adultas que encontram na matéria orgânica uma boa fonte de nutrientes
para a sua progênie. Essa teoria foi derrubada pelas incríveis descobertas de Louis Pasteur.
Felizmente, as teorias e hipóteses avançaram e hoje podemos compreender melhor os
mecanismos evolutivos dos microrganismos em seus diferentes hospedeiros e ambientes. Por
exemplo, no início do século XX, mais precisamente em 1909, que o médico brasileiro Carlos
Chagas identificou o parasito responsável pela tripanossomíase americana ou, como ficou
conhecida depois, doença de Chagas. Atualmente, muito se conhece sobre a doença, a
transmissão, o parasita, o diagnóstico, a prevenção e o tratamento. Entretanto, ainda sabemos
muito pouco sobre outras doenças parasitárias, como a angiostrongilíase e a oncorcercose.
Muito além da visão antropocêntrica ou voltada apenas para a doença, as relações parasito-
hospedeiro definem aspectos das interações entre todos os seres vivos, do mais simples ao
mais complexo. Dos milhares de seres unicelulares e multicelulares, alguns encontram no
homem as condições ideais para sua sobrevivência e podem ser capazes de gerar ou não
doença.
Assim, vamos iniciar o nosso estudo sobre a parasitologia, uma ciência que estuda os
parasitas e suas relações com o hospedeiro, vamos lá?
MÓDULO 1
 Descrever o parasitismo, os principais grupos de parasitas do homem, seus vetores,
as políticas públicas de saúde e o papel do SUS no combate às parasitoses
INTRODUÇÃO AO CONCEITO DE
PARASITISMO
Conceitualmente, podemos chamar de parasito todo aquele ser vivo que encontra no outro o
seu nicho ecológico. Entretanto, para entendermos o conceito de parasitismo, precisamos
compreender o complexo e equilibrado ambiente ecológico e evolutivo das relações parasito-
hospedeiro e alguns conceitos ecológicos que serão importantes, são eles:
 
Foto: Shutterstock.com.
Habitat: área geográfica e ecológica em que determinada espécie é encontrada e pode exercer
suas características comportamentais, se alimentar e reproduzir. Existem diferentes tipos de
habitat, entre eles terrestre, marinho, urbano, extremos, artificiais etc., onde cada um abriga
uma ou mais espécies vivendo em comunidade.
 
Foto: Hanson59 / Wikimedia commons / CC BY SA 3.0 Unported.
Ecossistema: meio em que os elementos físicos (água, luz solar, temperatura) interagem com
os seres vivos, formando uma complexa rede de interações, associações e de sobrevivência.
Existem desde microecossistemas, como o encontrado na água acumulada nas bromélias, até
macroecossistemas, como florestas e ecossistemas marinhos.
 
Foto: Shutterstock.com.
Nicho ecológico: tem relação com o papel ou com o modo de vida daquele organismo na
comunidade em que ele vive.
ECOLOGIA
Ciência que estuda as interações entre os seres vivos.
Dentro de uma mesma comunidade, existem diferentes espécies que possuem características
próprias e que, por habitarem o mesmo espaço, acabam estabelecendo interações ecológicas
que são complexas e delicadas. Muitos fatores podem desequilibrar essa balança ecológica e
afetar a harmonia entre as espécies, como o desmatamento, a introdução de espécies
exóticas, as mudanças climáticas etc.
Uma forte corrente de estudiosos da Ecologia defende que estudar um organismo sem
considerar o meio em que ele vive e as interações que ele estabelece é falho e pode levar a
interpretações ecológicas equivocadas.
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A questão do desequilíbrio ecológico se tornou fundamental para a saúde do planeta,
principalmente desde o final do século XVIII, quando a Revolução Industrial provocou
profundas mudanças no estilo de vida da humanidade.
Mas qual a relação disso com o parasitismo?
ANTRÓPICA
É a ciência que estuda a ação ou resultado da ação do ser humano sobre o meio
ambiente.
Os animais interagem com outros animais e com o meio em que habitam, então qualquer
interferência antrópica, ou seja, de ação humana, nesse harmônico ambiente pode ter
consequências graves. Por exemplo, várias pragas agrícolas são também resultantes do
desequilíbrio ambiental e climático.
 
Foto: Shutterstock.com.
Estudos indicam que o coronavírus, conhecido pela sigla SARS-CoV-2, tem sua origem muito
provavelmente relacionada a morcegos e que o local dos primeiros relatos de casos, a
província de Wuhan, na China, é um território com grande ação antrópica. Sérias alterações
ambientais na região são provocadas pelo desmatamento, pela caça e pelo consumo de
animais silvestres.
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Imagem: Shutterstock.com.
 ATENÇÃO
Acredita-se que o coronavírus emergiu dos morcegos, passou por um hospedeiro intermediário
e depois encontrou os humanos. Esse é um excelente exemplo para pensamos nas relações e
intervenções entre o homem e o ambiente e seus reflexos para a saúde individual e coletiva.
FORMAS DE ASSOCIAÇÃO ENTRE OS SERES
VIVOS
Na natureza, os organismos estabelecem relações entre si que podem ser intraespecíficas ou
interespecíficas. No primeiro caso, indivíduos de uma mesma espécie interagem uns com os
outros, para garantir a sua sobrevivência. São muitos os exemplos, porém é mais fácil de
entendermos citando o caso das abelhas e formigas.
 
Foto: Shutterstock.com.
Esses seres vivos vivem em intensa intrarrelação com uma organização social bem definida.
Já as relações interespecíficas são mais complexas, existindo muitas tentativas de classificar e
estabelecer os limites entre os benefícios e malefícios das relações entre os seres vivos.
Didaticamente, os estudiosos da Ecologia dividiram essas relações em vários tipos, a depender
do grau de vínculo metabólico. Antes, é preciso esclarecer que toda forma de associação
entre espécies é uma simbiose. Posto isso, classificou-se a simbiose em variadas formas que
veremos a seguir:
PARASITISMO
O parasitismo é uma associação de unilateralidade, onde somente o parasito é beneficiado.
O nível de dependência pode ser tanto que alguns parasitos só encontram as condições ideais
de sobrevivência em uma única espécie de hospedeiro. A Entamoeba histolytica é um exemplo
clássico, pois obtém seus nutrientes a partir da digestão enzimática das células epiteliais da
mucosa intestinal do hospedeiro, o que pode provocar necrose, apoptose e inflamação local.
MUTUALISMO
No mutualismo, há o convívio mútuo e benéfico de duas espécies diferentes. Entretanto,
apesar de vantajosa para os dois lados, essa relação não é de dependência, podendo o
hospedeiro sobreviver sem o parasito. Podemos citar, como exemplo, a microbiota rica de
bactéria e protozoários presentes no rúmen, um dos quatro compartimentos gástricos dos
ruminantes, que auxiliam na digestão dacelulose. Do mesmo modo que o animal se beneficia
da quebra da celulose, os microrganismos ganham alimento e um excelente habitat para a sua
sobrevivência.
COMENSALISMO
O comensalismo é caracterizado pela associação entre duas espécies, onde apenas uma
delas é beneficiada, entretanto, sem que a outra saia prejudicada desta relação. O
parasitismo comensal da Entamoeba coli no intestino grosso é um exemplo.
A seguir, vemos um resumo dessas interações:
 
Imagem: Shutterstock.com, adaptado por Leandro Souteiro.
 Principais formas de associação entre parasitos e seus hospedeiros.
Por meio do seu modo de vida, os parasitos influenciam no desenvolvimento, na produção de
hormônios, na reprodução, no estado nutricional e até mesmo no comportamento de seus
hospedeiros. Vejamos um exemplo:
 EXEMPLO
 
Imagem: Shutterstock.com.
Os parasitos que habitam cavidades ou tecidos internos necessitam exclusivamente dos
nutrientes fornecidos pelo hospedeiro.
CESTÓIDES
Vermes em forma de fita que se caracterizam pela ausência do sistema digestivo e
captam seus alimentos a partir da absorção direta do meio. São exemplos a Taenia
solium e Taenia saginata causadoras da teníase.
Muitos cestóides perderam, ao longo de sua evolução, a capacidade de sintetizar enzimas,
fato que os mantém na dependência do suco gástrico e das enzimas digestivas dos animais
que são parasitados.
Vamos a um outro exemplo, dessa vez não relacionado à nutrição, mas ao metabolismo
endócrino.
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 EXEMPLO
 
Foto: Shutterstock.com.
O protozoário ciliado Opalina ranarum, parasito de anfíbios, consegue sincronizar o seu ciclo
biológico com o ciclo sexual do hospedeiro. Desse modo, o protozoário produz os seus cistos
no período reprodutivo dos anfíbios, quando esses procuram a água, assegurando aos ciliados
uma grande chance infectar as gerações de girinos (filhotes de sapos). Em laboratório,
pesquisadores descobriram que os elevados níveis de hormônios sexuais dos anfíbios induzem
o processo de encistamento do parasito.
O impacto do parasitismo pode ser positivo, negativo ou neutro, dependendo da relação que
estabelecem. A capacidade de um parasito em proliferar é dependente de seu sucesso em
também encontrar um equilíbrio vantajoso entre o custo energético e o nutricional, vinculado à
sua presença no organismo do hospedeiro. Nos casos do parasitismo acidental, onde a
virulência e a patogenicidade são elevadas, o hospedeiro geralmente morre antes do parasito
completar o seu ciclo. A relação evolutiva ideal é aquela em que ambos são beneficiados,
como é o caso das bactérias da nossa microbiota.
FATORES LIMITANTES PARA O
CRESCIMENTO DOS ORGANISMOS
Para que uma espécie possa se manter e gerar descendentes, é preciso que condições ideais
sejam encontradas para a sua sobrevivência. Existem elementos que são limitantes para o
crescimento e a reprodução das espécies. Determinadas bactérias não crescem no meio de
cultura se alguns nutrientes e as condições ambientais necessárias não forem encontrados, por
exemplo.
 
Imagem: Shutterstock.com.
Já as bactérias anaeróbias estritas só conseguem sobreviver em ambientes com pouca ou
nenhuma concentração de oxigênio, pois este é extremamente tóxico para elas. Além disso,
um mesmo organismo pode precisar de uma alta temperatura para o crescimento, mas
também baixa concentração de oxigênio.
Pode-se dizer que um organismo tolera de modo qualitativo e quantitativo uma série de
elementos necessários para seu desenvolvimento. Os organismos podem tolerar mais ou
menos determinado elemento e, nas espécies que são mais tolerantes, as variações
conseguem habitar espaços diferentes.
Os principais elementos físicos limitantes são: temperatura, disponibilidade de água, umidade –
relacionada com a água e a temperatura – e a biodisponibilidade de elementos químicos
fundamentais, como o ferro e o zinco.
Nas regiões tropicais do planeta, onde existe maior biodiversidade, a temperatura oscila dentro
de uma faixa maior.
 
Foto: Shutterstock.com.
No bioma Pantanal, existem dois períodos bioclimáticos bem definidos: seca e chuva. Os
animais são bem adaptados às enchentes e secas anuais e essa variação é importante para a
manutenção daquele ecossistema. Se a temperatura e o nível de precipitação (de chuvas)
ficassem constantes ao longo do tempo, certas espécies de plantas e animais teriam suas
populações drasticamente diminuídas, o chamado efeito depressor.
Muitas bactérias e muitos protozoários são sensíveis à variação de umidade e temperatura e
podem dessecar no ambiente externo.
 EXEMPLO
As bactérias anaeróbias e os fungos que podem passar por um processo de esporulação em
condições ambientais adversas ao seu crescimento e, assim, resistir às dificuldades
nutricionais e ambientais. Caso encontrem um estado de ótimas condições, podem retornar ao
estado vegetativo. Alguns protozoários passam por um processo semelhante, denominado de
encistamento.
ESPORULAÇÃO
É o processo pelo qual alguns microrganismos formam esporos – estruturas de
resistência – frente a condições ambientais adversas à sua sobrevivência.
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PRINCIPAIS GRUPOS DE PROTOZOÁRIOS
E METAZOÁRIOS PARASITOS DO HOMEM E
SEUS VETORES
Os principais parasitas estudados pela Parasitologia são os protozoários (organismos
eucariotos, unicelulares e heterotróficos) do reino Protista e os metazoários (organismos
eucariotos, multicelulares e heterotróficos) Nematoda e Platyhelminthes (platelmintos), além de
Arthropoda (artrópodes), do reino Animalia, todos contidos no domínio Eukarya.
A classificação taxonômica, uma importante ferramenta de identificação, dos parasitas é
baseada em fatores morfológicos, genéticos, bioquímicos e fenotípicos, tendo sido alterada ao
longo dos anos, principalmente, pelo avanço das técnicas moleculares e de sequenciamento
genético.
Nessa classificação, são adotadas algumas terminologias que têm importância na descrição e
localização zoológica do parasito. Vamos adotar a classificação recomendada pelo Comitê de
Sistemática e Evolução da Sociedade de Protozoologia, conforme o quadro a seguir.
EXEMPLOS
CATEGORIA SUFIXOS PROTOZOÁRIOS HELMINTOS
Reino ... Protista Animalia
Sub-reino -a Protozoa Metazoa
Filo -a Sarcomastigophora -
Subfilo -a Sarcodina Platoda
Superclasse -a Rhizopoda Acercomermorpha
Classe -ea Lobosea Digenea
Subclasse -ia Gymnamoebia -
Superordem -idea - Fasciolidea
Ordem -ida Amoebida Schistosomatida
Subordem -ina Tubulina Schistosomatina
Superfamília -oidea - Schistosomatoidea
Família -idae Entamoebidae Schistosomatidae
Subfamília -inae - Schistosomatinae
Gênero ... Entamoeba Schistosoma
Espécie ... E. histolytica S. mansoni
 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal
 Quadro: Categorias taxonômicas de protozoários e helmintos. 
Extraída de Rey, L., 2008. p. 133.
Podemos encontrar algumas terminologias que não seguem o proposto no quadro acima, pois
a classificação atual pode entrar em conflito com denominações utilizadas há muito tempo
pelos estudiosos da área.
 SAIBA MAIS
Na taxonomia, todas as categorias, como reino, filo, família, gênero e espécie, são escritas em
latim. Para os protozoários, gênero e espécie são as únicas categorias que devem ser escritas
em itálico ou em texto corrido sublinhado. As bactérias fogem à regra e as categorias acima de
gênero (família, ordem etc.) também são escritas em itálico. 
 
O gênero deve ser sempre escrito com a primeira letra em maiúsculo e, para designar a
espécie, basta escrever o epíteto específico em minúsculo (exemplo: Entamoeba histolytica).
Se você quiser abreviar uma espécie, basta escrever a primeira letra do gênero e o ponto de
abreviação, seguido do epíteto por extenso (exemplo: E. histolytica). 
 
Quando a espécie não for identificada, o nome do gênero será seguido de sp. (para uma
espécie) ou de spp. (para mais de uma espécie). 
Tome cuidado, sp. e spp. não são grafados em itálico!SUBGRUPOS
Pode ser utilizado também “clados” ou até mesmo “super-reinos”.
O domínio Eukarya é dividido em seis subclassificações chamadas de supergrupos. Dentro
desses subgrupos apenas Amoebozoa, Chromalveolata, Excavata e Opisthokonta
possuem parasitas capazes de infectar os humanos. A seguir vamos conhecer cada um deles.
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Imagem: Shutterstock.com / Servier Medical Art / Wikimedia Commons / licença (CC-BY-2.0),
adaptado por Leandro Souteiro.
 Relações filogenéticas gerais entre os grupos de parasitos de humanos.
O supergrupo Excavata é dividido em quatro subgrupos: Fornicata (subdivisão Eopharyngia),
Parabasalia (subdivisão Trichomonadida), Heterolobosea (subdivisão Vahlkampfiidae) e
Euglenozoa (subdivisão Kinetoplastea).
 
Imagem: Wikimedia Commons / Domínio público.
 Excavata: Giardia duodenalis.
GIARDIA DUODENALIS
Alguns autores chamam de G. lamblia ou Giardia intestinalis.
CERATITE
É a inflamação da córnea, a camada mais externa do olho, podendo ser desencadeada
por uma infecção ou por qualquer agente irritante da mucosa ocular.
EOPHARYNGIA
A subdivisão Eopharyngia é caracterizada por apresentar indivíduos com um ou dois
núcleos, cada um com seu sistema locomotor. A principal espécie de interesse médico dessa
subdivisão é a Giardia duodenalis, que pode causar quadros de diarreia sanguinolenta
(giardíase). A transmissão ocorre quando cistos são ingeridos a partir de água ou alimentos
contaminados. Outros parasitos comensais esofaríngeos podem ser encontrados no intestino,
como Chilomastix mesnili e Retortamonas intestinalis.
TRICHOMONADIDA
Os flagelados da subdivisão Trichomonadida (tricomonadídeos ou parabasilídeos), gêneros
Dientamoeba, Pentatrichomonas e Trichomonas, parasitam a luz intestinal humana. Este último
gênero tem importância médica, pois nele está presente a Trichomonas vaginalis. A infecção
por T. vaginalis é assintomática em cerca de 20 a 50% das mulheres, mas pode evoluir para
um quadro de corrimento e prurido vaginal (tricomoníase). A grande maioria dos casos tem
prognóstico favorável, se seguidas as recomendações de higiene e tratamento, geralmente
metronidazol ou secnidazol. Assim como qualquer outra infecção sexualmente transmissível, a
melhor maneira de prevenir a tricomoníase é usando preservativos.
VAHLKAMPFIIDAE
A subdivisão Vahlkampfiidae reúne protozoários de núcleo único que podem ter flagelos ou
forma ameboide, a maioria de vida livre. Dois gêneros são associados a doenças em humanos:
Vahlkampfia e Naegleria. Até recentemente acreditava-se que o primeiro não era um patógeno
humano, entretanto pesquisadores conseguiram identificar uma espécie (Allovahlkampfia
spelaea) causando ceratite. Naegleria é o agente etiológico da meningoencefalite amebiana
primária, doença do sistema nervoso central (SNC), de alta letalidade e incidente no hemisfério
norte.
EUGLENOZOA
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A última divisão do supergrupo Excavata é a Euglenozoa, que, por sua vez, é subdividida em
Kinetoplastea. As espécies desse grupo são parasitos obrigatórios com um flagelo localizado
anterior ou lateralmente. Trypanosoma e Leishmania são os gêneros de maior importância em
saúde pública, responsáveis pela tripanossomíase americana (doença de Chagas) e africana
(doença do sono), e pelas leishmaníases (tegumentar e visceral), respectivamente.
 
Ambas são doenças incidentes no Brasil, ainda endêmicas em algumas regiões do país e
transmitidas por vetores. A doença de Chagas é transmitida a partir da picada de triatomíneos,
já a leishmaniose pela picada de flebotomíneos.
Do supergrupo Amebozoa derivam quatro divisões sistemáticas:
 
Foto: dr.Tsukii Yuuji / Protist.i.hosei.ac.jp / CC BY-SA 2.5.
 Amebozoa.
TUBILINEA
O gênero Hartmannella (divisão Tubilinea) tem como principal representante a Hartmannella
veriformis, causadora de meningoencefalite e broncopneumonia de evolução rápida e alta
letalidade. A transmissão está associada ao contato com água poluída.
ACANTHAMOEBIDAE
O gênero Acanthamoeba pertence à divisão Acanthamoebidae e reúne alguns protozoários
associados à doença em humanos. A. polyphaga, A. castellanii, A. divionensis, A. lugdunensis
são associados com lesões granulomatosas na pele, conjuntiva ocular (conjuntivite) e córnea
(ceratoconjuntivite), podendo invadir o SNC. Indivíduos imunodeprimidos podem evoluir
rapidamente para um quadro de meningite amebiana. A contaminação geralmente ocorre
durante o contato com fonte de águas contaminadas com cistos ou trofozoítos.
ENTAMOEBIDAE
A divisão Entamoebidae possui como principal representante patogênico a Entamoeba
histolytica. Estima-se que cerca de 40 mil a 100 mil óbitos anuais em todo o mundo sejam
relacionados com a amebíase por E. histolytica, principalmente em crianças e indivíduos
malnutridos ou imunodeprimidos. A contaminação ocorre pela ingestão de cistos a partir de
alimentos e água impróprios para consumo. Apesar de morfologicamente semelhante à E.
histolytica, E. dispar é um organismo não patogênico e comum na microbiota intestinal.
MASTIGAMOEBIDAE
A divisão Mastigamoebidae engloba muitas amebas de vida livre ou endobióticas, algumas
comensais de humanos, outros mamíferos, além de aves e anfíbios. Endolimax nana é parasito
comensal do cólon, mas pode ser encontrado em outras partes do intestino. E.nana se
alimenta de bactérias da microbiota, sem agredir a mucosa intestinal.
O supergrupo Chromalveolata é um dos maiores grupos de protozoários da natureza, tendo
representante com ou sem flagelos e com ou sem cílio. Duas subdivisões são de interesse
médico:
 
Imagem: Shutterstock.com.
 Chromalveolata: Plasmodium spp.
APICOMPLEXA
O filo Apicomplexa recebe esse nome pela presença nos parasitos, em pelo menos um estágio
de sua vida, de um complexo apical anterior composto por organelas especializadas. A malária
é provocada pela infecção dos apicomplexos do gênero Plasmodium - P. falciparum, P. ovale,
P. vivax e P. simium – a partir da picada de mosquitos do gênero Anopheles. A babesiose
(Babesia spp.), sarcocistose (Sarcocystis hominis), isosporíase (Isospora belli) e toxoplasmose
(Toxoplasma gondii) também são doenças provocas por apicomplexos.
CILIOPHORA
Os organismos ciliados têm como principal característica a presença de cílios que recobrem
todo o corpo do protozoário e são utilizados principalmente para a locomoção. A única espécie
de ciliado conhecida por causar doenças em humanos é Balantidium coli. A balantidiose, como
é chamada a doença, é transmitida pela ingestão de cistos presentes em alimentos e água
contaminada. O quadro clínico é marcado por uma diarreia intensa semelhante à amebíase por
E. histolytica.
O supergrupo Opisthokonta, que inclui os Reinos Animalia e Fungi, além de outros grupos de
metazoários, é muito importante em Saúde Pública e engloba várias doenças humanas.
Alguns metazoários podem ser parasitos comensais ou oportunistas, como o fungo
Rhinosporidium seeberi. A rinosporidiose é incidente na América do Sul e em outras regiões do
mundo e manifesta-se pelo aparecimento de pólipos na cavidade nasal e faringe ou na pele
(forma cutânea).
 
Foto: Shutterstock.com.
 Reinos Fungi.
No reino Animalia, os parasitos do homem e seus vetores apresentam como principais filos de
interesse médico os Platyhelminthes, Nemathelminthes, Arthropoda e Mollusca, que são
divididos em várias Ordens e Famílias, conforme observamos no esquema a seguir:
 
Imagem: Helver Gonçalves Dias, adaptado por Leandro Souteiro.
 Alguns parasitos do homem e seus vetores compreendidos no Reino Animalia.
Filo Platyhelminthes
Composto por organismos com corpo achatado dorso-ventralmente, habitando ambientes
aquáticos, solo ou interior de outros animais, como o homem. Os trematódeos digenéticos
(classe Trematoda) possuem estruturas de fixação chamadas ventosas e sistema digestório
incompleto (não há ânus). O representante mais conhecido por causar doença em humanos é
Schistosoma mansoni,agente etiológico da esquistossomose. O homem pode se infectar ao
entrar em contato com a água contaminada pelas cercárias, que são a forma infectante que
penetra na pele.
Fasciola hepatica também ganha importância, principalmente pelo impacto econômico na
ovinocultura, sendo o homem hospedeiro infectado quando ingere acidentalmente água e
verduras contaminadas com as formas larvais do parasito, as metacercárias.
 ATENÇÃO
Outros parasitos também encontram no homem ambiente propício, mesmo que eventualmente
acidental, para o parasitismo, como Paragonimus westermani, Heterophyes heterophyes e
Gastrodiscoides hominis.
Os cestódeos (classe Cestoidea) não têm sistema digestório, possuem ventosas e corpo
segmentado em três partes: escólex, colo e proglotes. Quatro famílias são importantes por
causarem doenças distribuídas mundialmente: Diphyllobothriidae, Taeniidae, Hymenolepididae,
Dilepididae.
 
Imagem: Shutterstock.com.
 Taenia saginata aderida à mucosa intestinal. A escólex apresenta cinco ventosas.
A difilobotríase ocorre após o consumo de peixe cru ou malcozido que esteja contaminado com
a forma infectante do Diphyllobothrium latum. O homem é hospedeiro definitivo por propiciar a
maturidade sexual do parasito no trato intestinal. Taenia solium e Taenia saginata infectam o
homem (hospedeiro definitivo) após o consumo de carne suína ou bovina malpassada,
respectivamente, contaminada com ovos do parasito. A teníase é uma doença bastante
incidente e negligenciada que ainda apresenta quadros graves, principalmente em crianças
malnutridas e imunodeprimidos.
Hymenolepis nana é uma espécie cosmopolita, parasitando com maior prevalência crianças em
áreas sem saneamento básico. As infecções são, em sua maioria, assintomáticas. A dipilidiose
é uma doença majoritariamente de cães e gatos, entretanto o homem pode ser infectado pela
ingestão acidental de pulgas contendo cisticercoides. Os casos humanos são raros, mas têm
sido reportados em todos os continentes.
Os nematelmintos (filo Nemathelminthes)
São organismos de corpo cilíndrico e afilado nas duas pontas. São amplamente distribuídos e
prevalentes na população em geral. Dentre as doenças causadas por nematódeos e
transmitidas pela ingestão de ovos, podemos citar: ascaridíase (Ascaris lumbricoides),
toxocaríase (Toxocara canis), oxiuríase (Enterobius vermicularis) e tricuríase (Trichuris
trichiura).
 ATENÇÃO
Outro grupo de doenças causadas por nematódeos são aquelas transmitidas pela larva
infectante, como a estrongiloidíase (Strongyloides stercoralis), ancilostomíase ou amarelão
(Ancylostoma duodenale) e a angiostrongilíase (Angiostrongylus costaricensis). Com exceção
dessa última, todas as demais são doenças associadas à falta de hábitos de higiene e de
saneamento básico.
Apesar de rara, a angiostrongilíase tem sido relatada no Brasil, sendo transmitida pela ingestão
de larvas infectantes que são liberadas por moluscos (hospedeiro intermediário). A filariose
(Wuchereria bancrofti) e a oncorcercíase (Oncocerca vulvulus) são as únicas transmitidas por
vetores, o Culex quinquefasciatus e Simulium sp., respectivamente.
 
Imagem: Shutterstock.com.
 Perna de uma pessoa com filariose linfática, conhecida popularmente como elefantíase.
Filo Arthropoda
Reúne uma grande diversidade de organismos, que compartilham a característica principal de
possuir o corpo protegido por um exoesqueleto de quitina. Seis famílias de insetos
hematófagos são extremamente importantes para a transmissão de parasitos e vírus aos
humanos.
Os gêneros Triatoma, Rhodnius e Panstrongylus são compostos por triatomíneos conhecidos
popularmente por barbeiros e estão envolvidos na transmissão do T. cruzi. Diferentemente dos
mosquitos, os triatomíneos não inoculam o parasito através do aparelho sugador. O parasito é
eliminado pelas fezes do vetor durante o repasto sanguíneo.
Os flebotomíneos são os transmissores das leishmanioses tegumentar e visceral e apresentam
ampla distribuição geografia. Aedes e Culex estão implicados na transmissão de diversas
arboviroses endêmicas no Brasil e são mosquitos muito bem adaptados ao ambiente urbano.
Como citado anteriormente, Culex também é o vetor do agente da filariose linfática. Os
ceratopogonídeos (gênero Culicoides) são mosquitos bem pequenos transmissores de
algumas filarias (Mansonella) e do vírus Oropouche. Algumas espécies do gênero Chrysops
são transmissoras da filaria Loa loa na África.
 
Imagem: mogrzewalska / Shutterstock.com.
 O carrapato Amblyomma cajennense é principal transmissor da febre maculosa no Brasil.
A febre maculosa é uma importante zoonose transmitida pelo carrapato-estrela (Amblyomma)
no Brasil. O último gênero de artrópodes associados a doença em humanos é composto por
ácaros causadores da escabiose, conhecida como sarna.
Filo Mollusca
Reúne animais de corpo mole, em geral protegido por uma concha calcária rígida. Os gêneros
Oncomelania, Biomphalaria, Lymnaea e Sarasinula possuem importância médica por serem
hospedeiros de alguns parasitos de humanos. Espécies do gênero Biomphalaria são
hospedeiras intermediárias do parasito causador da esquistossomose. Lymnaea columella e
Sarasinula marginata são hospedeiros intermediários do trematódeo Fasciola hepatica e
nematódeo Angiostrongylus costaricensis, respectivamente.
O HOMEM E SEUS PARASITOS
Assista ao vídeo em que o especialista irá Helver Dias falará sobre a relação entre o
parasitismo e os principais grupos de protozoários do homem.
INQUÉRITOS COPROPARASITOLÓGICOS
Grandes estudos onde se verifica a prevalência de uma ou mais doença enteroparasitária
por meio de exames de fezes ou coprológico.
POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE E O
PAPEL DO SUS NO COMBATE ÀS
PARASITOSES
Os parasitos intestinais estão entre os patógenos mais frequentes em humanos, constituindo
importante agravo à saúde. O Brasil é endêmico para diversas doenças parasitárias e muitas
delas são consideradas negligenciadas. São escassos os inquéritos coproparasitológicos
que investigam a real amplitude e distribuição geográfica das infecções parasitárias no Brasil.
Os grandes estudos realizados nas décadas passadas não refletem com fidelidade o cenário
epidemiológico atual.
A incidência (novos casos) de doenças parasitárias está relacionada à pobreza e às péssimas
condições sanitárias, como ausência de esgotamento sanitário, condições de moradia,
ausência de água encanada e potável, além de solos contaminados. Nesse contexto, as
populações mais afetadas são as mais carentes, como indivíduos de quilombos,
assentamentos, favelas, áreas rurais e indígenas.
A desigualdade social no Brasil favorece a marginalização dessas pessoas e adia a
consolidação de políticas públicas necessárias para o enfrentamento das parasitoses.
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Foto: arindambanerjee / Shutterstock.com.
Atualmente, os parasitas, como Ascaris lumbricoides, Toxoplasma gondii, Entamoeba
histolytica, Giardia duodenalis, Trypanosoma cruzi, Leishmania spp. e Schistosoma spp.
contribuem enormemente para o quantitativo global de doenças. Entretanto, parasitos
intestinais, como a enterobiose, são negligenciados, mesmo tendo contribuição para o déficit
de crescimento e aprendizagem de crianças nos países mais pobres.
 
Imagem: Shutterstock.com.
 ATENÇÃO
É preciso destacar que o conceito de saúde não é aquele apenas relacionado à ausência de
doença, mas também à manutenção e melhora do próprio estado de saúde física e
psicossocial do indivíduo.
Nesse sentido, faz-se necessária a implementação de políticas públicas que integrem
universalização da saúde, habitação, saneamento básico, planejamento urbano e promoção da
saúde. O enfrentamento parte de um olhar holístico da questão.
E você, sabe o que são as Políticas Públicas de Saúde?
Políticas públicas de saúde podem ser entendidas como um conjunto de disposições que
fazem parte do campo de ação social do Estado, orientado para organizar e nortear a
promoção, recuperação e proteçãoda saúde da população.
Com a redemocratização do país no final da década de 1980, a promulgação da Constituição
Federal trouxe um novo horizonte para as políticas públicas em Saúde no Brasil.
A Constituição adota um modelo de seguridade social para a saúde norteada por três
diretrizes:
Descentralização
Atendimento integral
Participação da comunidade
 ATENÇÃO
Todas as demais leis e políticas públicas têm ação infraconstitucional, ou seja, estão
hierarquicamente abaixo do texto constitucional.
As conquistas do povo em relação à saúde foram asseguradas na Constituição por meio de
uma intensa luta e movimentação social ocorridas nos anos anteriores. O Movimento Sanitário
e outros movimentos políticos e sociais debateram profundamente as temáticas da saúde a
partir de um olhar amplo e voltado para a construção de uma política de saúde includente para
toda a população brasileira.
 
Foto: Nana Moraes / Fiocruz / CC BY-NC.
No Artigo 196, a Constituição define “a saúde como um direito de todos e dever do Estado” e o
Artigo 198 dispõe sobre a criação do Sistema Único de Saúde (SUS). O SUS é a
materialização da vontade e esforço nacional para assegurar o acesso universal de seus
cidadãos aos cuidados em Saúde. Muitos autores definem o SUS como a própria política de
saúde brasileira.
 
Foto: Shutterstock.com.
A seguir vamos entender um pouco do histórico das Políticas Públicas em Saúde no Brasil.
POLÍTICAS PÚBLICAS EM SAÚDE
Ainda que o SUS tenha sido criado em 1988, sua regulamentação e operacionalização efetiva-
se apenas com a aprovação da Lei Orgânica (LO) nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, e da
LO nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990.
 
A primeira LO do SUS normatiza em seu texto: os objetivos e as atribuições; os princípios e
diretrizes; a organização, direção, gestão, competências e atribuições de cada esfera de
governo (federal, estadual e municipal); a participação complementar da iniciativa privada; o
financiamento e a gestão financeira dos recursos.
 
A LO nº 8.142/90 dispõe sobre a participação popular na própria gestão do SUS e sobre as
transferências intergovernamentais de recursos financeiros. O Artigo 1 democratiza e
institucionaliza a participação popular na saúde, a partir da composição dos Conselhos de
Saúde e das Conferências de Saúde. A instituição do Conselho Nacional de Secretários de
Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems) têm
importante papel na formulação de estratégias e no controle de execução da política de saúde
no país.
 
A Constituição Federal em sua seção II, juntamente com as LO nº 8.080/90 e nº 8.142/90,
compõe o arcabouço jurídico do SUS.
 
Em 1993, foi publicada a Norma Operacional Básica do SUS (NOB-SUS 93), que definiu
estratégias operacionais que assegurassem o compromisso de implementação do sistema
único. De modo simultâneo, a NOB-SUS-93 aperfeiçoou a gestão do SUS e reafirmou a
descentralização político-administrativa na saúde pública. A definição do papel dos estados e
municípios, saindo da lógica de prestadores de serviços e passando a assumir o papel de
gestores, é importante para o pleno exercício da gestão em Saúde.
 
Os mecanismos criados pelas Leis Orgânicas e pelas NOB’s permitiram a sistematização da
implementação do SUS em suas esferas administrativas e incorporaram a participação do
usuário no processo decisório de formulação da política de saúde.
 
Em 1994, é criado pelo Governo Federal o Programa Saúde da Família (PSF), hoje conhecido
como Estratégia Saúde da Família (ESF), que consistia na proposta de implementação da
Atenção Primária nos municípios. O programa tinha como estratégia central a substituição da
visão assistencial vigente à época – ou seja, voltada para o doente e ao atendimento hospitalar
de emergência –, a incorporação da lógica de promoção da saúde e a participação popular.
 
A implementação do PSF é facilitada pela existência do Programa de Agentes Comunitários de
Saúde (PACS), oficializado em 1991, pelo Ministério da Saúde. Ao longo das últimas três
décadas, o PACS se consolidou como o maior programa de Atenção Primária à Saúde do
Brasil, englobando atualmente mais de 260 mil Agentes Comunitários de Saúde (ACS). Por ser
membro da comunidade em que atua, o ACS é o vínculo indispensável entre o cidadão e a
equipe da unidade de saúde.
 
A Atenção Básica fortaleceu um aspecto fundamental da política de saúde brasileira, a
descentralização. A capilaridade alcançada pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS),
presentes no próprio território, permitiu a obtenção de dados sobre as condições de vida e
saúde das populações.
 
No Rio de Janeiro, por exemplo, as UBS alcançam territórios marginalizados dentro de favelas
e em locais historicamente negligenciados pelo poder público. A adoção de um modelo de
territorialidade permite melhorar o planejamento com base na identificação de vulnerabilidades
e seleção de problemas prioritários para a população daquele determinado território.
 
A ESF (Estratégia de Saúde da Família.) tem papel central no combate e na prevenção das
doenças parasitárias, principalmente por proporcionar fácil acesso à saúde, pelos aspectos de
promoção e educação em saúde e prevenção de agravos. Diferentes municípios têm adotado
estratégias de enfrentamento das parasitoses com base no conhecimento da dinâmica
territorial e sanitária aliada à educação em saúde. Campanhas de educação sanitária em
escolas e conscientização realizada pelos ACS (Agentes comunitários de saúde.) , durante
visitas domiciliares, resultam na incorporação de hábitos de higiene, tais como o simples hábito
de lavar as mãos e higienização correta dos alimentos, e a consequente redução da incidência
das parasitoses.
 
A Secretaria de Vigilância em Saúde, órgão do Ministério da Saúde, lançou em 2005 o Plano
Nacional de Vigilância e Controle das Enteroparasitoses, tendo como objetivo geral a definição
de estratégias para a redução da prevalência, morbidade e mortalidade por enteroparasitoses
no país. A partir da análise epidemiológica de cada localidade, pode-se criar estratégias de
controle para serem adotadas nos diferentes níveis administrativos. O Plano integrava ações
da vigilância epidemiológica, educação em saúde, diagnóstico e assistência e saneamento
básico. Esse ponto é importante, pois no contexto brasileiro as políticas de saúde são
indissociáveis das políticas ambientais e de saneamento.

 
Foto: Brunocaput / Wikimedia Commons.
1988
Promulgação da Constituição.
1990
Lei Orgânica da Saúde 8.142/90.
 
Imagem: Portal da Saúde - Ministério da Saúde / Saude.gov / Domínio público.


 
Imagem: Shutterstock.com.
1990
Lei Orgânica da Saúde 8.080/90.
1991
Programa de Agentes Comunitários de Saúde.
 
Imagem: Shutterstock.com, adaptada por Leandro Souteiro.


 
Imagem: Shutterstock.com.
1994
Programa Saúde da Família.
2005
Plano Nacional de Vigilância e Controle das Enteroparasitoses.
 
Imagem: Shutterstock.com.

O Ministério da Saúde determina que algumas doenças ou agravos sejam notificados
compulsoriamente, ou seja, quando feito o diagnóstico clínico e/ou laboratorial ou identificada a
situação-problema, o profissional da unidade de saúde deve obrigatoriamente notificar o
sistema de vigilância em saúde sobre a ocorrência.
 ATENÇÃO
O sistema não é apenas para a notificação de doenças, mas também para agravos à saúde,
como tentativas de suicídio, violência doméstica e acidente de trabalho. Dentre as doenças
listadas, apenas a doença de Chagas, esquistossomose, toxoplasmose gestacional e
congênita, malária e leishmaniose cutânea e visceral são causadas por parasitos. Todas as
enteroparasitoses não são listadas, portanto não são de notificação compulsória.
Assim, o SUS tem, por meio da ESF, o papel central no controle das parasitoses enquanto
doenças negligenciadas. A rede de atenção primária ainda é muito deficiente em alguns
estados, principalmente nas regiõesNordeste e Norte do país. A falta de infraestrutura, de
profissionais qualificados e de recursos compromete a consolidação da ESF e põe em xeque
políticas de controle de doenças endêmicas.
MIF
Mercurocromo ou mertiolate + iodo + formol.
 SAIBA MAIS
O diagnóstico de parasitoses intestinais é feito pelo exame parasitológico de fezes (EPF), a
partir da coleta de uma amostra de fezes frescas ou amostras consecutivas coletadas em
frascos contendo soluções conservantes, como o MIF. Para as parasitoses sanguíneas, como
a malária e doença de Chagas, o exame parasitológico de sangue é o recomendado.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. APRENDEMOS QUE EXISTEM DIFERENTES TIPOS DE INTERAÇÃO
ENTRE OS SERES VIVOS, COMO O MUTUALISMO, O COMENSALISMO E
O PARASITISMO. ABAIXO CITAMOS ALGUMAS CARACTERÍSTICAS
DESSAS INTERAÇÕES. ASSINALE A ALTERNATIVA QUE APRESENTA
UMA CARACTERÍSTICA CORRETA DESSA INTERAÇÃO.
A) No comensalismo, há o convívio mútuo e benéfico do parasita e seu hospedeiro.
B) O comensalismo é caracterizado pela não dependência metabólica do parasita.
C) O mutualismo é uma associação de unilateralidade, onde somente o hospedeiro é
beneficiado.
D) No parasitismo, o parasito procura apenas abrigo, proteção e locomoção.
E) No comensalismo, apenas uma delas é beneficiada, mas sem prejudicar a outra.
2. O SUS TENTA OLHAR O PACIENTE NÃO SOMENTE PELO LADO DA
DOENÇA, MAS ENTENDER QUE AQUELE INDIVÍDUO É INSERIDO
DENTRO DE UM CONTEXTO SOCIAL. NESSE SENTIDO, QUAL
ALTERNATIVA CONTEMPLA UM FATOR ASSOCIADO À OCORRÊNCIA DE
ENTEROPARASITOSES E QUAL DOENÇA É DE NOTIFICAÇÃO
COMPULSÓRIA NO BRASIL?
A) Diminuição da desigualdade social e giardíase
B) Diminuição das condições de higiene da população e enterobiose
C) Diminuição da desigualdade social e ascaridíase
D) Baixo índice de esgotamento sanitário e toxoplasmose
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E) Diminuição das condições de higiene da população e ascaridíase
GABARITO
1. Aprendemos que existem diferentes tipos de interação entre os seres vivos, como o
mutualismo, o comensalismo e o parasitismo. Abaixo citamos algumas características
dessas interações. Assinale a alternativa que apresenta uma característica correta dessa
interação.
A alternativa "E " está correta.
 
A interação entre espécies em que apenas uma é beneficiada sem prejudicar a outra é
conhecida como comensalismo. Podemos citar, como exemplo, a Entamoeba coli no intestino
grosso, um parasita comensal que obtém seus nutrientes, sem causar doença no hospedeiro.
2. O SUS tenta olhar o paciente não somente pelo lado da doença, mas entender que
aquele indivíduo é inserido dentro de um contexto social. Nesse sentido, qual alternativa
contempla um fator associado à ocorrência de enteroparasitoses e qual doença é de
notificação compulsória no Brasil?
A alternativa "D " está correta.
 
As parasitoses são doenças, na maioria das vezes, relacionadas a questões como falta de
higiene no momento da manipulação dos alimentos, falta de um saneamento básico de
qualidade, ausência de água potável e encanada, acometendo assim as áreas mais pobres do
país. A toxoplasmose gestacional e congênita é uma doença de notificação compulsória.
MÓDULO 2
 Reconhecer os ciclos parasitários, os principais tipos de habitat dos parasitos e os
processos patológicos relacionados ao parasitismo
CICLOS PARASITÁRIOS
O ciclo biológico de um parasito compreende os mecanismos, as etapas e os fenômenos aos
quais ele é submetido ao longo de suas fases de vida, passando por um ou mais hospedeiros
(nome dado ao organismo que habita o parasita em seu interior).
A complexa série de acontecimentos físicos, químicos e bioquímicos é ordenada por fatores
ambientais e genéticos, dependendo das características fisiológicas e biológicas de cada grupo
de parasito.
 
Imagem: Shutterstock.com.
Grande parte do conhecimento adquirido sobre os ciclos parasitários vem de estudos com
parasitos que causam doenças de importância em saúde pública e saúde animal. O caráter
negativo ou patogênico do parasitismo é muito baseado na concepção de doença e pode levar
a interpretações científicas prematuras. Isso também gera uma grande lacuna no
conhecimento de aspectos do ciclo de inúmeros parasitos que não têm o homem como
hospedeiro.
A amebíase enquanto doença é causada pela Entamoeba histolytica ou por variedades
semelhantes. Entretanto, existem outras espécies, como a E. coli, E. hartmani, Endolimax nana
que não parecem causar nenhum processo patogênico. Conhecemos muito mais da E.
histolytica do que das demais espécies simbiontes do nosso intestino. Como veremos a seguir,
o intestino humano é um excelente habitat para diferentes grupos de parasitos, como os
nematelmintos, platelmintos e as amebas.
 
Foto: CDC – Centers for disease control and prevention.
 Parasito intestinal Entamoeba histolytica presente nas fezes humanas.
DOENÇA PARASITÁRIA
É uma doença infecciosa causada por um protozoário, helminto ou metazoário.
 ATENÇÃO
É preciso destacar que infecção parasitária não é o mesmo que doença parasitária. São
fenômenos diferentes. A infecção por um parasito não leva necessariamente ao aparecimento
de sinais e sintomas que caracterizam o estado de doença. A interação entre o parasito, o
hospedeiro e o ambiente definem condições evolutivas e biológicas dinâmicas que podem
passar por momentos de equilíbrio e desequilíbrio. 
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Ainda não são claros os mecanismos, mas em alguns casos o parasitismo intestinal por E.
histolytica pode desencadear uma forte ação patogênica, levando ao quadro de amebíase -
doença.
Na fase aguda de algumas infecções parasitárias, o organismo do hospedeiro consegue tolerar
e controlar a carga parasitária, principalmente a partir de mecanismos imunológicos e
celulares. Deste modo, a infecção torna-se contida e assintomática. O retorno dos sintomas
clínicos pode ocorrer em casos de estados transitórios ou crônicos de diminuição da imunidade
no hospedeiro, como no caso da AIDS ou em pacientes que tomam altas doses de corticoides.
Em seu ciclo de vida, os parasitos podem infectar mais de um hospedeiro, causando ou não
dano ao mesmo. Em geral, quanto mais branda e harmônica é a relação de parasitismo, maior
é o tempo decorrido de evolução biológica. Do ponto de vista evolutivo, não é interessante para
o parasito levar o seu hospedeiro à morte. Relações de parasitismo que resultam em infecção
grave são, em sua maioria, provocadas por relações evolutivas mais recentes.
Os hospedeiros se dividem em 5 características. Veja a diferença entre eles.
Hospedeiro natural
O hospedeiro que não sofre com o parasitismo e garante a multiplicação e dispersão do
parasito.

Hospedeiro terminal
Já os hospedeiros que adoecem com o parasitismo, podendo até mesmo evoluir para a morte,
são denominados de hospedeiros anormais. Esses animais também são conhecidos como
hospedeiros terminais, pois interrompem o ciclo de transmissão do parasito.

Hospedeiro definitivo
É aquele que habita o parasita na sua forma sexuada, como é o caso do S. mansoni com o
homem.

Hospedeiro intermediário
É aquele que habita o hospedeiro em sua fase larvária ou assexuada, relação do S. mansoni
com o caramujo.

Hospedeiro de transporte
É aquele que serve de ponte a um novo hospedeiro definitivo, mas o parasito não sofre
desenvolvimento ou reprodução e permanece viável.
Esses conceitos são importantes para o estudo das doenças transmitidas ao homem por
animais. O termo zoonose refere-se exatamente a esse grupo de doenças, como a raiva, a
febre maculosa e a toxoplasmose.
Alguns animais são hospedeiros naturais, contudo, por também manterem uma alta carga
parasitária, acabam atuando como fonte de infecção para outros animais, incluindo o homem.
Os morcegos são reservatórios de diversos parasitos, como vírus, bactérias, fungos e
protozoários (como novas espécies de Leishmania e Trypanosoma), daí o grande interesse em
estudá-los para o entendimento da ecologia de algumas doençasinfecciosas.
 
Foto: Shutterstock.com.
CLASSIFICAÇÃO DOS PARASITAS
 
Imagem: Shutterstok.com.
Os parasitos podem ser classificados de acordo com diferentes características, entre elas a
quantidade de hospedeiros que infectam (especificidade parasitária) e em relação ao tipo de
ciclo biológico. Entenda a diferença dessas características.
Eurixenos
Há parasitos que apresentam uma especificidade parasitária ampla, podendo parasitar
diferentes espécies de animais, como o Toxoplasma gondii e a Leishmania spp.

Estenoxenos
Por outro lado, também há um grupo de especificidade reduzida que admite apenas uma única
espécie de hospedeiro ou espécies próximas. É o caso do Ascaris lumbricoides e do
Enterobius vermicularis, os quais têm o homem como hospedeiro definitivo.

Monoxenos
Existem ainda os parasitos que necessitam de apenas um hospedeiro para completar o seu
ciclo biológico.

Heteroxenos
Por fim, existem os parasitos heteroxenos que necessitam de mais de um hospedeiro para
completar o seu ciclo, como a Taenia solium.
 ATENÇÃO
Tome cuidado para não confundir os conceitos, alguns parasitos, apesar de exigirem ou
necessitarem de apenas um único hospedeiro para completar o seu ciclo, podem também
infectar outras espécies, mas não concluindo nelas seu ciclo.
Veja a seguir a classificação de acordo com o grau de especificidade parasitária.
 
Imagem: Helver Dias.
Parasito que apresenta especificidade parasitária ampla, parasitando diferentes hospedeiros.
 
Imagem: Helver Dias.
Parasito que apresenta especificidade parasitária reduzida ou estrita, parasitando uma
única espécie ou espécies próximas do hospedeiro.
 
Imagem: Helver Dias.
Parasito que necessita/exige apenas um hospedeiro para completar o seu ciclo biológico.
 
Imagem: Helver Dias.
Parasito que necessita/exige mais de um hospedeiro para completar o seu ciclo biológico.
De acordo com as suas características biológicas alguns parasitos podem pertencer a mais de
uma classificação. Eles admitem infectar várias espécies, mas necessitam de apenas um
hospedeiro para completar o seu ciclo biológico.
Toxoplasma gondii é eurixeno e monoxeno, pois pode parasitar diferentes grupos de
animais, mas apenas nos felinos consegue completar o seu ciclo.
Trypanosoma cruzi é um exemplo de grande adaptabilidade parasitária, dada a sua
capacidade de infectar diferentes hospedeiros. O seu ciclo biológico é classificado como
heteroxeno e eurixeno, tendo a participação de hospedeiros intermediários e definitivos. T.
cruzi desenvolve-se no tubo digestivo de triatomíneos (pode ser em mais de uma espécie – ex.:
gêneros Rhodnius e Triatoma) e no sangue e nos tecidos de várias espécies de mamíferos. Em
cada um desses hospedeiros, completa uma etapa do seu ciclo biológico. Portanto, o
parasitismo em mais de um hospedeiro é requerido para a sua sobrevivência.
 
Imagem: Shutterstock.com, adaptado por Leandro Souteiro.
 Ciclo biológico do Trypanosoma cruzi.
Caso parecido é o da Taenia solium que apresenta um ciclo heteroxeno e estenoxeno, isto
é, necessita de somente um hospedeiro intermediário (porcos) e um outro definitivo (homem)
para completar seu ciclo. Diferente do T. cruzi, neste exemplo só é requerida uma única
espécie de hospedeiro para cada etapa do ciclo.
Os parasitos intestinais Ascaris lumbricoides e Enterobius vermicularis são monoxenos,
pois necessitam de somente um hospedeiro para completar seu ciclo (os humanos) e
estenoxenos, pois só conseguem parasitar os próprios humanos ou espécies muito próximas.
 
Imagem: Shutterstock.com, adaptado por Leandro Souteiro.
 Ciclo biológico do Enterobius vermicularis.
MENINGOENCEFALITE
É um processo inflamatório difuso ou localizado que envolve as meninges e o encéfalo
(cérebro).
SAPRÓFITA
São organismos que se alimentam de matéria orgânica originária de processos de
decomposição.
MIÍASE
É uma infecção de pele causada pela presença de larvas de moscas.
A seguir entenda as classificações dos parasitos.
PARASITISMO FACULTATIVO
Os parasitos acidentais, também chamados de parasitos facultativos são aqueles
microrganismos que podem eventualmente infectar hospedeiros que não pertencem ao seu
ciclo biológico, podendo ou não causar doença, por exemplo, o adulto de Dipylidium caninum
parasitando humanos. 
 
A partir de 2010, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos começou
a identificar casos raros de meningoencefalite relacionados à infecção acidental por um
parasito de vida livre, a ameba Naegleria fowleri. Esse microrganismo é facilmente encontrado
habitando fontes termais e a infecção ocorre quando banhistas entram na água. A ameba
consegue penetrar pela mucosa nasal e invadir o sistema nervoso central e, por isso, ficou
conhecida como “ameba comedora de cérebros”.
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Imagem: Shutterstock.com.
 Meningoencefalite associada ao parasitismo acidental por Naegleria fowler.
PARASITISMO OBRIGATÓRIO
É aquele em que o parasito depende integralmente de sua relação com o hospedeiro, seja para
nutrição, replicação ou reprodução. A maioria dos helmintos mantém seu ciclo de vida dividido
em uma fase saprófita e outra de parasitismo obrigatório. 
 
Um exemplo é o Ancylostoma duodenal que causa a ancilostomose. Ao atingirem o solo, os
ovos desse parasita eclodem, liberando pequenas larvas que depois vão adquirir a capacidade
de penetrar ativamente a pele do pé de indivíduos que andam descalços. Após a penetração,
as larvas se estabelecem definitivamente no intestino e atingem a maturidade sexual,
concluindo o seu ciclo de vida. Nesse caso, as larvas adultas precisam obrigatoriamente do
hospedeiro para completar o seu ciclo sexual e eliminar seus ovos nas fezes iniciando um novo
ciclo.
PARASITISMO PROTELIANO
Por outro lado, existem espécies que são essencialmente parasitos na fase larvária inicial de
suas vidas. Você já deve ter ouvido falar na mosca do berne ou nas larvas causadoras da
miíase, esta última comum em animais com feridas abertas. A mosca deposita as larvas jovens
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na pele lesionada e estas últimas se alimentam do tecido necrosado. Esse tipo de parasitismo,
obrigatoriamente da fase larvária, é conhecido como parasitismo proteliano.
PARASITISMO ERRÁTICO
Já o parasitismo errático é quando um parasita se encontra fora do habitat natural, como o
isolamento de Enterobius vermicularis na cavidade vaginal.
ENDOPARASITISMO
Parasitam as cavidades naturais ou tecidos.
ECTOPARASITISMO
Quando se instalam fora do corpo do hospedeiro, como é o caso de piolhos, ácaro, pulgas etc.
 
Imagem: Shuttertock.com.
PRINCIPAIS TIPOS DE HABITAT DOS
PARASITOS
Os animais vertebrados superiores apresentam uma enorme diversidade estrutural, histológica,
funcional e fisiológica. As propriedades funcionais do fígado são completamente diferentes do
intestino, o que também confere aos parasitos que ali residem características distintas de
adaptabilidade ao meio.
O sistema digestivo abriga grande parte dos parasitos que costumamos estudar, mas outros
órgãos podem ser parasitados transitoriamente ou definitivamente, como as glândulas anexas,
o sistema vascular sanguíneo, o sistema linfático e outros tecidos.
Vejamos agora as espécies de parasitos que habitam cada parte do sistema digestivo
Ao longo da evolução da espécie humana, é possível que nossos ancestrais tenham entrado
em contato com muitos parasitos por meio da alimentação. Essa talvez seja a provável rota de
contaminação e de origem adaptativa da maioria dos parasitos intestinais. Aqueles que
conseguiram resistir às adversidades do ambiente intestinal, foram se instalando, adaptando e
reproduzindo. A relação parasito-hospedeiro provavelmente levou centenas de anos para
encontrar o equilíbrio necessário para ambas as espécies coevoluírem harmonicamente.
O grau de adaptação é tanto que para alguns parasitos a especificidade de habitat se dá por
segmentos estritos do intestino, como o duodeno,o íleo ou o reto. Determinadas espécies
podem viver nesses ambientes temporariamente ou indefinidamente, levando, inclusive, a
quadros de gastroenterite no hospedeiro. Essa preferência por ambientes não é por acaso,
cada parasito tem interesse por condições físico-químicas específicas.
 EXEMPLO
A concentração de oxigênio é maior na porção mais superior do sistema digestivo e diminui
conforme se aproxima do estômago, então as espécies que parasitam a cavidade oral são bem
adaptadas à exposição ao oxigênio e demais gases presentes no ar. De forma diferente, o
intestino delgado é altamente anaeróbio, abundante em gás carbônico e metano, estando
presentes ali apenas as espécies capazes de sobreviver a essas condições. Além disso, as
espécies têm que conseguir sobreviver e suportar o pH do trato gastrointestinal e obter seus
nutrientes.
No esquema a seguir, vemos a enorme diversidade de protozoários e helmintos que
encontraram no trato digestivo um ambiente ótimo para a sua sobrevivência.
1 - Cavidade oral
2 - Fígado
3 - Duodeno
4 - Cólon ascendente
5 - Intestino delgado
6 - Cólon descendente
7 - Reto
1 - Cavidade oral
Entamoeba gengivalis
Trichomonas tenax
2 - Fígado
Leishmania donovani
E. histolytica (abcessos hepáticos)
Schistossoma mansoni
Fasciola hepatica
Plasmódios (ciclo pré-eritrocítico)
3 - Duodeno
Giardia lamblia
Ancylostoma duodenale
Necator americanus
4 - Cólon ascendente
E. Histolytica
E. hartmani
E. coli
Endolimax nana
Trichomonas hominis
Balantidium coli
Enterobius vermicularis
Trichuris trichiura
5 - Intestino delgado
Trypanosoma cruzi (megacólon)
Schistosoma mansoni
E. histolytica
6 - Cólon descendente
Giardia lamblia
Taenia solium
Taenia saginata
Hymenolepis nana
Ancylostoma duodenale
Necator americanus
Ascaris lumbricoides
Strongyloides stercoralis
Isospora belli
7 - Reto
E. histolytica
Via de eliminação dos ovos
de protozoários e helmintos
 Os diferentes parasitas no sistema digestivo.
Vejamos as espécies de parasitas que habita em cada parte do sistema digestivo.
CAVIDADE BUCAL
Encontramos duas espécies principais de protozoários: Entamoeba gengivalis e Trichomonas
tenax. A primeira é uma ameba não patogênica de distribuição cosmopolita e que pode ser
transmitida pelo beijo. Já T. tenax também apresenta ampla distribuição e está associada a
infecções periodontais em indivíduos com precária higiene bucal.
ESÔFAGO E ESTÔMAGO
Nenhuma espécie de parasita permanentemente é encontrada, principalmente em virtude do
baixo pH e das condições hostis a sua sobrevivência. No estômago, o pH pode chegar a 1,5,
condição não tolerada pela maioria das larvas e vermes adultos. No entanto, devido à proteção
conferida pela resistente casca ou cutícula, os ovos de parasitos conseguem resistir ao
ambiente ácido.
INTESTINO DELGADO - DUODENO
Posterior ao estômago, é o primeiro segmento do intestino delgado e serve de importante sítio
de desencistamento de protozoários e eclosão de ovos de helmintos. Dois importantes fluidos
digestivos são lançados no duodeno, a bile e o suco pancreático o que torna o meio mais
básico. Além disso, as enzimas presentes em ambos podem modificar a permeabilidade da
membrana dos cistos e ovos e estimular a movimentação das larvas. Nesse ambiente é que
são encontrados Ancilostoma duodenale, Giardia dudenalis e Necator americanus.
 
Saiba mais: No intestino, o valor de pH varia em cada segmento. Por exemplo, o pH no
duodeno está atrelado à abertura do piloro – esfíncter localizado na porção final do
estômago – que permite a passagem do suco gástrico e deixa o meio mais ácido em
relação a porções mais terminais do intestino.
INTESTINO DELGADO – JEJUNO E ÍLEO
Nos dois segmentos consecutivos do intestino delgado, o jejuno e o íleo, encontram-se Giardia
duodenalis, Taenia solium, Taenia saginata, Necator americanus, Ascaris lumbricoides,
Strongyloides stercoralis, entre outros. A intensa atividade mecânica provocada pelos
movimentos peristálticos pode dificultar a fixação inicial de alguns helmintos.
INTESTINO GROSSO
Na porção descendente do intestino grosso, há intensa absorção de água e eletrólitos pela
mucosa, o que diminui significativamente a concentração osmótica. Ademais, outras condições
ambientais também são encontradas, o peristaltismo é reduzido e a mucosa apresenta pregas,
muco e células especializadas na reabsorção. Ao longo dos segmentos, é possível encontrar
helmintos e protozoários fixados na mucosa. Os ancilostomídeos sugam sangue dos pequenos
vasos e as giárdias ficam aderidas à mucosa por meio do disco suctorial. As amebas e alguns
protistas ciliados tendem a invadir a mucosa e submucosa, provocando sangramentos e
inflamação local.
 
Por fim, em sua porção mais terminal, o intestino grosso pode abrigar no sigmoide e no reto
espécies como Entamoeba histolytica, Schistosoma mansoni, Schistosoma japonicum, além de
ovos e cistos que serão eliminados nas fezes.
Fígado e vias biliares
O fígado é considerado a maior glândula do corpo humano e desempenha funções vitais para a
homeostase. Pode-se destacar a secreção de bile – importante função digestiva, a degradação
e excreção de hormônios, regulação do metabolismo de carboidratos, proteínas e lipídios, e
metabolização de drogas e bilirrubina.
Por ser um ambiente altamente vascularizado e rico em nutrientes, o fígado é frequentemente
parasitado por algumas espécies, como:
As formas esporozoíticas do gênero Plasmodium spp. infectam as células do fígado
(hepatócitos), dando início ao ciclo pré-eritrocítico. O P. ovale e o P. vivax podem apresentar
formas dormentes, chamadas de hipnozoítos, que podem ficar latentes por meses ou até anos
no órgão. Ao completar a fase tecidual, os esquizontes provocam intensa lise dos hepatócitos,
liberando milhares de parasitos na corrente sanguínea que irão invadir as hemácias e iniciar o
ciclo eritrocítico.
 
Imagem: Shutterstock.com.
BILIAR
Interrupção ou diminuição do fluxo de bile da vesícula biliar para a luz intestinal.
ICTERÍCIA
Coloração amarelada da pele e/ou olhos causados por um aumento na concentração de
bilirrubina na corrente sanguínea.
Outro exemplo é a forma larval do cestoide Echinococcus granulosus responsável pela
hidatidose cística.
 
Imagem: Shutterstock.com.
 Cisto hidático de Echinococcus granulosus no fígado.
O ciclo biológico é mantido entre cães (hospedeiro definitivo), suínos, ovinos, caprinos e
bovinos (hospedeiros intermediários), mas o homem pode ser acidentalmente contaminado
pela ingestão de ovos do parasito. A grande maioria dos casos é assintomático, mas alguns
indivíduos podem apresentar sintomas e complicações decorrentes.
Em humanos, as localizações mais frequentes dos cistos são fígado e pulmões, além de
cérebro, músculos e rins. O acometimento hepático dependerá de alguns fatores, como
tamanho e número de cistos, e da localização dentro do órgão. Cistos grandes e profundos
podem levar à obstrução porta, estase biliar e icterícia.
Ascaris Lumbricoides geralmente habita a luz intestinal, mas as larvas podem ser
encontradas em locais atípicos, como as vias biliares e pancreáticas. A invasão desses locais
pode provocar quadros graves e agudos de colangite, abcesso hepático, pancreatite e
apendicite.
 SAIBA MAIS
Dezenas de outros parasitos podem habitar o fígado, como Fasciola hepatica, Clonorchis
sinensis, Opisthorchis viverrini, Schistossoma mansoni e Leishmanis donovani.
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Sistema fagocítico mononuclear
As células do Sistema Fagocítico Mononuclear (SFM) têm origem nas células hematopoiéticas
mieloides e apresentam características em comum, tais como presença de enzimas no
citoplasma e forte capacidade de realizar fagocitose. São os componentes da imunidade inata
responsáveis pela primeira linha de defesa do organismo. O SFM compreende promonócitos,
monócitos, histiócitos e macrófagos residentes dos tecidos.
 SAIBA MAIS
Fagocitose é o processo pelo qual uma célula usa sua membrana plasmáticapara englobar
partículas grandes, dando origem a um compartimento interno chamado fagossoma. No
sistema imunológico de organismos multicelulares, a fagocitose é um dos principais
mecanismos usados para remover patógenos e restos celulares.
 
Imagem: Shutterstock.com.
 Fagocitose.
CÉLULAS FAGOCÍTICAS
As células fagocíticas profissionais incluem os neutrófilos, monócitos, macrófagos e
células dendríticas.
A internalização de alguns parasitos ocorre através da fagocitose mediada por células do SFM.
O habitat das formas amastigotas de Leishmania spp. no homem são as células do SFM,
principalmente os macrófagos. Alguns parasitos conseguem modular e resistir às defesas do
organismo, escapando eficientemente do sistema imune. Nesse caso, as células fagocíticas
profissionais conseguem fagocitar os parasitos, mas não conseguem destruí-los nos
fagolisossomos. Mecanismo similar de interação do parasito com as células fagocíticas ocorre
na infecção por Trypanosoma cruzi e Toxoplasma gondii.
Sangue e linfa
Os protozoários parasitos podem viver livres no plasma, como o Trypanosoma cruzi ou
instalados no interior das hemácias como o Plasmodium spp. Entre os helmintos de habitat
sanguíneo estão o Schistosoma mansoni e as microfilárias de vários filarídeos.
 
Foto: Shutterstock.com.
Os parasitos da malária durante a fase em que evoluem no interior dos eritrócitos, digerem a
hemoglobina, assimilando os aminoácidos da fração globina e deixando um resíduo insolúvel
de hemossiderina, rico em ferro, que se conhece também como pigmento malárico. A linfa é o
habitat de filarias, como a Wuchereria bancrofti.
PARASITISMO E PROCESSOS
PATOLÓGICOS
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As múltiplas interações entre parasitos e hospedeiros, baseadas nas relações ecológicas e
metabólicas, podem resultar no desenvolvimento de mecanismos nocivos para um ou para
ambos os organismos. Assim, para entender um pouco mais sobre os processos patológicos
desenvolvidos pelos parasitas, estudaremos alguns mecanismos de agressão e lesão
provocadas pelos parasitas.
Normalmente, essas desordens são provocadas pela ação direta do parasito, como o processo
de invasão tecidual, ou por ação protetiva do sistema imune do hospedeiro, como as respostas
inflamatórias agudas e granulomatosa que podem ser desencadeadas durante às infecções
parasitárias.
Patogenicidade x virulência
Denomina-se de patogênicos os parasitos capazes de estimular ou causar dano (doença) no
hospedeiro. Esse prejuízo pode ser local ou sistêmico, levando a disfunções fisiológicas
importantes para o hospedeiro. A patogenicidade não é sempre presente, sendo determinada
por fatores como carga parasitária, estado imune do hospedeiro e sítio anatômico de
parasitismo. Convencionalmente, chama-se de não patogênicos os parasitos que não
causam doenças.

O conceito de virulência relaciona-se com o grau de dano que o parasito pode provocar em
determinado hospedeiro. Parasitos muito virulentos provocam doenças graves, geralmente
com alta mortalidade. Acredita-se que a alta virulência seja um estágio primitivo do parasitismo,
sem o tempo evolutivo decorrido para a adaptação de ambos. A virulência pode variar em
função das condições ambientais do hospedeiro, como imunidade e estado nutricional, de
características genéticas e fenotípicas do parasito, como tipo de linhagem e cepa, e da
capacidade invasiva.
FÔMITES
Objeto inanimado capaz de absorver, reter e transportar um organismo contaminante de
um indivíduo para o outro.
MECANISMOS PARASITÁRIOS DE INVASÃO DO
HOSPEDEIRO
Cada parasito possui um mecanismo próprio de invasão ou penetração do hospedeiro, mas
podemos dividi-los em ativos ou passivos. Os ovos e cistos, tais como de Ascaris
lumbricoides, Taenia solium e Tania saginata, entram no organismo a partir da ingestão de
água ou alimentos contaminados, portanto, passivamente. Também penetram de modo
passivo os parasitos inoculados por intermédio de insetos vetores hematófagos, como
Leishmania spp., Trypanosoma sp. e Plasmodium spp.
A transmissão passiva também pode ocorrer de forma congênita (transplacentária) ou
transmamária, ou ainda por transfusão de sangue. Além disso, um indivíduo parasitado pode
aturar como o seu próprio veículo de contaminação, de forma direta, quando ele mesmo leva
as mãos ao ânus e depois à boca (principalmente crianças e idosos), ou indireta, quando os
ovos presentes na poeira, fômites ou alimentos atingem o mesmo hospedeiro que os eliminou.
A penetração ativa é aquela observada na infecção por esquistossomos, estrongiloides e
ancilostomídeos. As cercárias de Schistosoma mansoni lançam mão de mecanismos
mecânicos e líticos (como secreção de enzimas proteolíticas), para penetrar na pele e ganhar a
corrente sanguínea. No caso da esquistossomose, após concluídas as primeiras horas da
penetração das cercárias, é possível observar a presença de forte infiltrado inflamatório,
composto principalmente por células mononucleares e polimorfonucleares.
A manifestação cutânea associada é chamada de dermatite cercariana e apresenta erupções
pruriginosas:
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Foto: Cornellier / Wikimedia commons / CC BY SA 3.0 Unported.
 Dermatite provocada pela penetração de cercárias de Schistosoma mansoni na pele.
 ATENÇÃO
É importante ressaltar que, para entrar no organismo, os parasitas têm que ser capazes de
passar por todos os mecanismos de defesa inicial do organismo, como as barreias epiteliais
(epiderme), presença da microbiota, de substâncias microbicidas etc.
Os danos gerados podem ser diretos, ou seja, pela presença dos parasitas ou por substâncias
secretadas por eles, ou indiretos, quando acarretados pela a reação no hospedeiro. Podem
ainda causar uma série de prejuízos, tendo diferentes ações, como:
Obstrutivas
Compressivas
Destrutivas
Tóxicas
Pungitiva (causa dor)
Alergizante
Espoliativas (ocorre perda de substâncias nutritivas pelo hospedeiro, caso que ocorre na
teníase, por exemplo)
Enzimáticas (liberação de secreções enzimáticas que geram uma destruição tecidual,
caso comum nas infecções por e. Hystolitica)
Todos esses mecanismos levam a uma inflamação, que constitui o principal mecanismo de
lesão tecidual observado nas doenças parasitárias. Inicialmente, a inflamação tem papel
importante para o controle da disseminação do parasito, mas seus efeitos adversos podem
representar disfunções locais e sistêmicas para o organismo.
Podemos definir inflamação como a reação fisiológica protetora do tecido conjuntivo
vascularizado a partir de algum mecanismo de lesão ou agressão.
 ATENÇÃO
Observa-se nos animais vertebrados, complexos mecanismos inflamatórios, com reações em
cascata com a participação de diferentes moléculas e tipos celulares. Entretanto, a inflamação
também ocorre em organismos invertebrados e avasculares, com mecanismos mais simples de
migração de células e fagocitose.
ARTERÍOLAS
Pequenos vasos sanguíneos resultantes das ramificações das artérias.
EXSUDATO INFLAMATÓRIO
O aumento da permeabilidade endotelial permite a passagem de células, moléculas e
líquido para os tecidos, resultando na formação do exsudato.
QUIMIOTAXIA
É o movimento de atração das células em resposta a sinais químicos no ambiente.
EOSINOFILIA
Aumento dos eosinófilos.
HIPERSENSIBILIDADE
São as reações excessivas, indesejáveis (danosas, desconfortáveis e às vezes fatais)
produzidas pelo sistema imune normal.
FIBRINOGÊNESE
Produção e formação de fibrina que vai originar o tecido de cicatrização.
Agora veremos resumidamente as etapas da resposta inflamatória contra parasitos e suas
consequências locais e sistêmicas. Vamos lá?
ETAPA 1
ETAPA 2
ETAPA 3
ETAPA 4
ETAPA 5
ETAPA 6
ETAPA 7
ETAPA 1
Após a entrada dos parasitas, como no caso das cercárias de S. mansoni através da pele,
ocorre a liberação de histamina e moléculas vasodilatadoras, que levam ao aumento do calibre
das arteríolas e do fluxo de sangue local. Consequentemente, há uma diminuição da pressão
intravasculare o aumento da permeabilidade endotelial, resultando no extravasamento
plasmático e no acúmulo de líquido no tecido (exsudato inflamatório). A partir desse
momento, ocorre a liberação de mediadores que têm por função a atração e migração de
células fagocíticas do sangue por quimiotaxia ao tecido.
ETAPA 2
As células endoteliais começam a expressar receptores de membranas que servirão de âncora
para os leucócitos durante o processo de migração dos vasos sanguíneos para o tecido
parasitado. Os macrófagos residentes e células dendríticas atuam fagocitando e apresentando
antígenos para os linfócitos, liberando citocinas que atrairão outros tipos celulares. 
 
Nas infecções por protozoários, os macrófagos assumem papel importante pela alta
capacidade fagocítica, mesmo que alguns parasitos consigam fugir dos mecanismos de
defesa.
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ETAPA 3
Após a fagocitose, os macrófagos liberam a interleucina 12 (IL-12) que permite a ativação e
migração de células natural killer (NK) que possuem forte ação citotóxica, induzindo a apoptose
das células infectadas. 
 
Na infecção por helmintos, a presença de eosinófilos é acentuada, sendo marca
importante das lesões imunopatológicas.
ETAPA 4
Os antígenos parasitários estimulam a produção de IL-4 e IL-5, que induzem à síntese de
imunoglobulinas da classe IgE e forte ativação de eosinófilos. A eosinofilia é detectada em
indivíduos com quadros de parasitoses agudos e crônicos, tendo por função o controle da
infecção pela liberação de espécies reativas de oxigênio e liberação de seus grânulos
citoplasmáticos – processo conhecido como degranulação. É frequente encontrarmos infiltrado
eosinofílico ao redor de ovos e larvas nos tecidos e no plasma de indivíduos infectados. A
secreção de IL-4 e IL-13 estimula a produção de muco na mucosa do intestino grosso e o
aumento do peristaltismo na tentativa de expulsar os parasitos da luz intestinal.
ETAPA 5
A inflamação aguda é limitada e deve resolver-se dentro de um curto período, porém, podem
evoluir para um quadro crônico com eventos longos que podem persistir por toda a vida do
hospedeiro. Na inflamação crônica, misturam-se mecanismos vasculares, de reparo (fibrose) e
formação de exsudato. O exsudato da inflamação aguda é composto principalmente por
fagócitos e líquido extravasado.
Já na inflamação crônica, predomina o infiltrado mononuclear (linfócitos, plasmócitos e
macrófagos). A inflamação crônica granulomatosa é um importante mecanismo
imunopatogênico presente nas infecções por alguns protozoários e helmintos, com destaque
para a esquistossomose.
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ETAPA 6
A deposição dos ovos maduros do S. mansoni no parênquima hepático desencadeia um
processo inflamatório importante e organizado. A reação inflamatória granulomatosa é
considerada uma reação de hipersensibilidade tardia mediada principalmente por linfócitos
TCD4. As células TCD4 podem ser divididas em duas populações (Th1 e Th2), de acordo com
o tipo de citocinas e respostas que desencadearam.
ETAPA 7
Os linfócitos do subgrupo Th1 secretam as citocinas (IL-2 e fator de necrose tumoral e
interferon) que induzem à ativação da resposta inflamatória e à formação e deposição de
colágeno no local da lesão, contribuindo para a formação da fibrose, característica nos
granulomas. Já os linfócitos do subgrupo Th2 secretam IL-4, IL-5, IL-10 e IL-13 que medeia a
produção de anticorpos IgE e aumenta a proliferação dos eosinófilos. O equilíbrio entre a
resposta do tipo Th1 e Th2 determina a evolução da lesão tecidual. 
 
Pesquisas já demonstraram que na esquistossomose, a IL-13 estimula os fibroblastos
hepáticos a sintetizarem proteínas da matriz extracelular, aumentando a fibrinogênese e a
disfunção hepática.
A fibrose, também chamada de cicatrização patológica, é caracterizada pela abundante
geração de tecido conjuntivo cicatricial, em detrimento da regeneração do tecido
parenquimatoso – no caso da esquistossomose, o hepático. Em estado de homeostase, a
destruição das células do parênquima é seguida da regeneração celular que resulta na volta
integral das funções daquele órgão.
Entretanto, dependendo da extensão da lesão e dos estímulos (antígenos e liberação de
citocinas), a formação do tecido cicatricial pode ser muito intensa e difusa, resultando em
alterações orgânicas do órgão.
A biópsia de uma lesão granulomatosa na esquistossomose, observada no microscópio óptico,
revela arcos concêntricos de tipos celulares diferentes ao redor do ovo do parasito.
Confuso? Calma vamos entender melhor!
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Mais próximos aos ovos podem ser observados eosinófilos, seguidos de macrófagos e
fibroblastos produtores de colágeno. Marginalmente estão localizados os linfócitos B –
produtores de anticorpos – e os linfócitos TCD4.
 
Imagem: feito no BioRender pelo Helver Dias.
 Esquema de inflamação crônica granulomatosa induzida por ovos de S. mansoni.
A quantidade e intensidade dos granulomas no parênquima hepático determinam a gravidade e
o comprometimento do fígado. Casos avançados podem resultar em graves disfunções
hepáticas irreversíveis, como cirrose e consequente hipertensão portal.
Vamos agora pensar em outra doença parasitária: a doença de Chagas.
 
Foto: Shutterstock.com.
Essa doença pode seguir dois cursos clínicos possíveis: aguda e crônica. A fase aguda
geralmente é assintomática e pode durar de 4 a 8 semanas. Cerca de 60 a 70% dos indivíduos
infectados evoluem para um quadro benigno, sem manifestações clínicas.
No entanto, em alguns casos, eles podem evoluir para a forma crônica, com manifestações
digestivas ou cardíacas que aparecem depois de alguns anos ou décadas. Para os indivíduos
crônicos, a cardiomiopatia é a manifestação mais incidente, seguido do megaesôfago ou
megacólon.
O megacólon é caracterizado pela destruição dos plexos nervosos da musculatura entérica,
aumento do tamanho e do número de células o que leva à perda ou diminuição do
peristaltismo, desregulação dos esfíncteres e constipação.
CARDIOMIÓCITOS
Células da musculatura do coração, também são conhecidas como fibras musculares
cardíacas.
QUIMIOCINAS
Moléculas parecidas com as citocinas que têm a função de controlar a migração e a
permanência de células imunes em locais determinados.
Os mecanismos imunopatogênicos da cardiomiopatia chagásica são complexos e têm relação
com a resposta inflamatória. Ainda durante a fase aguda, os cardiomiócitos são infectados
pela forma amastigota do parasito, o que induz à formação de forte infiltrado inflamatório. Além
disso, a apoptose das células infectadas gera mais estímulos de migração celular para o tecido
cardíaco. As citocinas e quimiocinas liberadas recrutam primeiramente macrófagos e
neutrófilos e, em seguida, linfócitos T e B.
O infiltrado inflamatório, dependendo de sua extensão, pode gerar disfunções como a
hipertrofia dos cardiomiócitos (aumento do volume ou tamanho celular), que caracteriza o
coração chagásico, também chamado de “coração grande”.
 
Imagem: Patrick J. Lynch, 2006 / Wikimedia commons / CC BY 2.5.
 Corte transversal de um coração chagásico, evidenciando a hipertrofia do ventrículo
esquerdo.
Em estágios mais avançados, denominados clinicamente de cardiomiopatia chagásica crônica,
além do infiltrado inflamatório, há aparente destruição de fibras miocárdicas com redução da
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quantidade de parasitos e deposição de colágeno. A formação da fibrose tecidual pode levar ao
comprometimento contrátil do músculo e disfunções sistólicas e/ou ventriculares.
DIARREIA E PARASITOS: QUAL A
RELAÇÃO?
Assista ao vídeo em que o especialista Helver Dias falará sobre os principais parasitos
causadores de diarreia e as modificações fisiológicas que desencadeiam esse quadro.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. OS PARASITOS APRESENTAM DIFERENTES ESTRATÉGIAS PARA
PENETRAR NO HOSPEDEIRO, ALGUNS POSSUEM MECANISMOS
ATIVOS, OUTROSPASSIVOS. ACERCA DESSE ASSUNTO, ANALISE AS
AFIRMATIVAS A SEGUIR: 
 
I. ASCARIS LUMBRICOIDES E TAENIA SAGINATA PENETRAM NO
ORGANISMO ATIVAMENTE. 
II. PARASITOS DOS GÊNEROS LEISHMANIA, TRYPANOSOMA E
PLASMODIUM PENETRAM NO ORGANISMO PASSIVAMENTE. 
III. AS CERCÁRIAS DE SCHISTOSOMA MANSONI PENETRAM NA PELE
ATIVAMENTE. 
 
ESTÁ CORRETO O QUE SE AFIRMA EM:
A) I
B) II
C) III
D) I e II
E) II e III
2. OS ANIMAIS PODEM ASSUMIR DIFERENTES PAPÉIS NO CICLO DE
VIDA DOS PARASITOS. ALGUNS HOSPEDEIROS, APESAR DE
PARASITADOS, NÃO SOFREM NENHUM DANO OU PREJUÍZO, OUTROS,
ENTRETANTO, PODEM MANIFESTAR SINTOMAS LEVES E GRAVES.
ACERCA DESSE ASSUNTO, ASSINALE A ALTERNATIVA QUE TRAZ A
CORRETA RELAÇÃO DOS HOSPEDEIROS NOS CICLOS DOS PARASITAS.
A) Hospedeiro natural não sofre com o parasitismo e garante a multiplicação e dispersão do
parasito.
B) Hospedeiro natural sofre profundamente com o parasitismo, resultando na morte dele antes
do parasito completar o seu ciclo.
C) Hospedeiro anormal é aquele que não sofre com o parasitismo e garante a multiplicação e
dispersão do parasito.
D) Hospedeiros naturais são aqueles em que a relação parasito-hospedeiro tem, do ponto de
vista evolutivo, pouco tempo decorrido.
E) Zoonoses são doenças que o homem transmite para os animais.
GABARITO
1. Os parasitos apresentam diferentes estratégias para penetrar no hospedeiro, alguns
possuem mecanismos ativos, outros passivos. Acerca desse assunto, analise as
afirmativas a seguir: 
 
I. Ascaris lumbricoides e Taenia saginata penetram no organismo ativamente. 
II. Parasitos dos gêneros Leishmania, Trypanosoma e Plasmodium penetram no
organismo passivamente. 
III. As cercárias de Schistosoma mansoni penetram na pele ativamente.
 
Está correto o que se afirma em:
A alternativa "E " está correta.
 
Os parasitas que penetram passivamente são aqueles inoculados por um vetor, como ocorre
com os gêneros Leishmania, Trypanosoma e Plasmodium, ou pela ingestão de água e
alimentos contaminados, como ocorre com o Ascaris lumbricoides e Taenia saginata. A
penetração ativa é quando o parasita penetra por mecanismos que rompem a barreira epitelial
do organismo, como as cercárias do S. mansoni.
2. Os animais podem assumir diferentes papéis no ciclo de vida dos parasitos. Alguns
hospedeiros, apesar de parasitados, não sofrem nenhum dano ou prejuízo, outros,
entretanto, podem manifestar sintomas leves e graves. Acerca desse assunto, assinale a
alternativa que traz a correta relação dos hospedeiros nos ciclos dos parasitas.
A alternativa "A " está correta.
 
Os hospedeiros naturais são aqueles que não sofrem com o parasitismo, mas são essenciais
para a dispersão e multiplicação dos organismos. Os que sofrem com o parasitismo podendo
levar a morte são chamados de hospedeiros anormais. Do ponto de vista ecológico, relações
com menor tempo decorrido são fatais ao hospedeiro. Zoonose é o nome dado às doenças que
são transmitidas pelos animais aos homens, como a raiva.
CONCLUSÃO
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao longo desse tema, aprendemos os conceitos gerais do parasitismo, visitando os principais
parasitas, os tipos de habitat, os ciclos parasitários e os processos patológicos associados ao
parasitismo em humanos, que levam ao desenvolvimento de doenças e ações preventivas
adotadas pelo SUS. Com posse desses conceitos, conseguiremos avançar na Parasitologia,
entendendo a partir daqui, de forma isolada, cada grupo de parasita, suas doenças,
manifestações clínicas e, principalmente, que medidas tomar para evitar as parasitoses.
Assim, como futuros profissionais da área de Saúde, ofereceremos à população uma
assistência adequada, seja no tratamento e acompanhamento dos pacientes seja com
orientações sobre as ações educativas e preventivas. Bem-vindo à Parasitologia!
AVALIAÇÃO DO TEMA:
REFERÊNCIAS
ANTUNES, R.F et al. Parasitoses intestinais: prevalência e aspectos epidemiológicos em
moradores de rua. In: RBAC, 2020. Consultado em meio eletrônico em: 19 fev. 2021.
NEVES, D.P. Parasitologia Humana. 11. ed. São Paulo: Atheneu, 2005.
REY, L. Bases da Parasitologia Médica. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.
REY, L. Parasitologia. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.
SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE. Ministério da Saúde. Brasil. Guia de Vigilância
Epidemiológica. Brasília (DF), 2009.
EXPLORE+
Para aprofundar os conhecimentos sobre o tema:
LEIA
O livro O tapete de Penélope, do escritor Walter Boeger, que mostra como as
associações podem influenciar intensamente a evolução das espécies que habitam o
planeta.
Sobre os fundamentos do sistema imunológico, no artigo “Sistema Imunitário – Parte I
Fundamentos da imunidade” inata com ênfase nos mecanismos moleculares e
celulares da resposta inflamatória.
ASSISTA
Ao vídeo “O SUS do Brasil”, do canal Fiocruz, que levanta discussões sobre a conquista
de direitos na saúde, no contexto de redemocratização do Brasil, além de ressaltar a
atuação do sanitarista Sergio Arouca.
Ao vídeo “Doenças negligenciadas”, do canal Fiocruz, revisita alguns conteúdos
importantes sobre as doenças negligenciadas.
Ao vídeo “Amebas de Vida Livre: Naegleria fowleri, Acanthamoeba e Balamuthia
mandrillaris” e aprenda mais sobre as amebas de vida livre e sobre as doenças causadas
por elas.
PESQUISE
Sobre a ecologia da doença de Chagas, no site da Fiocruz.
Sobre os testes parasitológicos, visite Norma Brasileira: “laboratórios clínicos – Exame
parasitológico de fezes” e “Técnicas básicas: Exame parasitológico de fezes”.
CONTEUDISTA
Helver Gonçalves Dias
 CURRÍCULO LATTES
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<
DESCRIÇÃO
Principais protozoários parasitas do homem: epidemiologia, formas de transmissão,
sintomatologia e controle da doença.
PROPÓSITO
Conhecer os principais protozoários de importância médica inseridos na parasitologia, bem
como a transmissão de doenças, a epidemiologia e a forma de controle para que o profissional
da área da saúde tenha uma visão mais ampla sobre as principais parasitoses, auxiliando no
diagnóstico e tratamento de tais doenças.
OBJETIVOS
MÓDULO 1
Identificar as formas de transmissão e prevenção das amebas e apicomplexos
MÓDULO 2
Descrever as formas de transmissão e prevenção dos flagelados parasitas do sangue e tecidos
INTRODUÇÃO
Parasitas (principalmente parasitas intestinais) são antigos na evolução. Embora os parasitas
tenham evoluído com o hospedeiro humano, existe um número relativamente pequeno ao qual
somos expostos. As doenças parasitárias protozoárias são endêmicas em muitas áreas do
mundo, especialmente nos países em desenvolvimento devido às precárias condições de
saneamento básico. Vamos aprender ao longo deste tema alguns protozoários que parasitam o
homem, sua epidemiologia, sintomatologia e forma de controle e prevenção. Vamos juntos?
MÓDULO 1
 Identificar as formas de transmissão e prevenção das amebas e apicomplexos
INTRODUÇÃO AOS PROTOZOÁRIOS
PARASITOS DO HOMEM
Existem diversos protozoários que colonizam o trato gastrointestinal humano que podem ou
não provocar doenças parasitárias. Os protozoários não formam um grupo homogêneo e sua
fisiologia e bioquímica são amplamente voltados para o habitat em que ele se encontra. Além
disso, existem diferentes mecanismos de entrada no hospedeiro, que varia se os parasitas são
intracelulares ou extracelulares, podendo ser protozoários especializados no hospedeiro (por
exemplo, Entamoeba histolytica ) ou adaptados a mais de um hospedeiro (como a Giardia
duodenalis ).
Antes de começarmos a falar especificamente de cada parasito, vamos relembrar uma parte da
classificação taxonômica.
Na classificação dos grupos de protozoários, são considerados aspectos morfológicos,
métodos bioquímicos e métodos moleculares referentes ao material genético do parasito.
Essas características são levadas em consideração quando são feitas as classificações
taxonômicas.
Você se lembra da sigla “ReFiCOFaGE”?
Essa sigla se refere à hierarquia de classificação biológicados seres vivos, onde:
Re = Reino
Fi = Filo
C = Classe
O = Ordem
Fa = Família
G = Gênero
E = Espécie
 
Imagem: Shuttertock.com.
 Hierarquia de classificação biológica.
Existem sete filos dentro do reino Protozoa, mas os filos com maior importância médica, que
iremos estudar ao longo deste tema, são: Apicomplexa, Sarcomastigophora e Cilliophora,
conforme demostrado a seguir.
 Taxonomia do reino Protozoa.
Esses filos são responsáveis por uma série de doenças de importância médica, são elas:
APICOMPLEXA
CILIOPHORA
SARCOMASTIGOPHORA
APICOMPLEXA
Compreende os agentes causadores da malária e da toxoplasmose.
CILIOPHORA
Tem como representante o agente causador da balantidíase.
SARCOMASTIGOPHORA
Filo grande e diverso, no qual encontramos muitos parasitos de importância médica. Apresenta
dois grandes subfilos: Sarcodina e Mastigophora.
Mas você sabe quem é o principal representante dos protozoários de importância médica do
subfilo Sarcodina? Isso mesmo, o agente causador da amebíase.
Vamos então iniciar nosso estudo pelo filo Sarcomastigophora subfilo Sarcodina, e, no módulo
seguinte, conheceremos o subfilo Mastigophora. Além disso, visitaremos o filo Apicomplexo e
Ciliophora.
FILO SARCOMASTIGOPHORA: SUBFILO
SARCODINA – AMEBAS QUE PARASITAM O
HOMEM
Os protozoários pertencentes ao subfilo Sarcodina apresentam cílios, flagelos (em
determinadas fases do ciclo reprodutivo) ou pseudópodes e se movem por movimentos
ameboides mediante fluxo de citoplasma ou por meio de pseudópodes evidentes.
DIVISÃO OU FISSÃO BINÁRIA
Divisão binária: Processo de reprodução assexuada dos organismos unicelulares que
consiste na divisão de uma célula em duas, cada uma com o mesmo genoma da "célula-
mãe"
De modo geral, a reprodução se dá por divisão ou fissão binária, mas quando ocorre
reprodução sexuada ela se dá por meio da produção de gametas flagelados ou ameboides.
ENTAMOEBA HISTOLYSTICA
Importante parasita entre os humanos, causador da amebíase. Esse parasita foi
descoberto por Loesch (em 1875), pela visualização de trofozoítas nas fezes de
pacientes com disenteria.
Esse subfilo apresenta uma grande diversidade no quesito forma de vida. Eles podem ser de
vida livre, ou seja, vivem na natureza geralmente em ambientes aquáticos e úmidos. Alguns
protozoários de vida livre podem se tornar parasitos ocasionais, como a Naegleria fowleri ,
uma ameba encontrada em algumas coleções de águas naturais e que pode infectar banhistas
penetrando a mucosa nasal, podendo chegar até o sistema nervoso central.
Além disso, podem ser parasitos obrigatórios, como a Entamoeba histolytica presente na
família Endamoebidae, na ordem Amoebida e ao gênero Endamoeba .
O ciclo de vida desse parasita é monóxeno (inclui parasitas que realizam seu ciclo de vida em
um único hospedeiro) e apresenta quatro estágios evolutivos:
TROFOZOÍTOS
Forma móvel que apresenta um único núcleo, com cariossoma central, membrana nuclear
delgada e cromatina uniforme. Fazem rápida emissão de pseudópodes responsáveis pela sua
locomoção. A multiplicação do parasito ocorre por meio de divisão binária.
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PRÉ-CISTO
Forma de transição entre trofozoíto e cistos. Há redução da motilidade e emissão de
pseudópodes, sua forma se torna esférica ou ovoide e se inicia a formação da parede cística.
CISTOS
Forma de resistência ao ambiente externo. São esféricos ou ovoides, com cerca de 12 μm de
diâmetro. A parede do cisto é delgada com duplo contorno. Cistos jovens apresentam somente
um núcleo e, com o tempo, amadurecem e passam a apresentar até 4 núcleos.
METACISTO
Forma intermediária multinucleada que, por ter sofrido várias divisões nucleares e
citoplasmáticas, dá origem a oito trofozoítos.
 
Imagem: Shuttertock.com.
 Ciclo biológico da Entamoeba histolytica .
Agora, vamos entender como esse parasita se comporta no organismo humano, a partir da
figura a seguir:
A
B
C
D
E-F
G
A
Após a ingestão dos cistos presentes na água e/ou em alimentos contaminados, eles chegam
ao estômago e mesmo com a ação do suco gástrico não ocorre o desencistamento.
B
No entanto, ao chegarem ao intestino delgado, mais precisamente à porção terminal do íleo,
passam pelo processo de desencistamento, o qual leva à liberação do metacisto, a partir de
uma pequena fenda na parede cística.
C
Essa forma sofre várias divisões nucleares e citoplasmáticas que originam oito trofozoítos. Os
trofozoítos liberados migrarão para o intestino grosso onde se aderem à parede da mucosa e
se alimentam por pinocitose e fagocitose de bactérias e restos celulares.
Os trofozoítos se multiplicam por fissão binária e podem se desprender do intestino e sofrer o
processo de encistamento que leva à formação do pré-cisto e, posteriormente, do cisto.
D
Os cistos, por sua vez, são liberados nas fezes fechando assim o ciclo biológico. Devido às
características morfológicas e metabólicas dos cistos, eles conseguem sobrevivência por várias
semanas no ambiente externo. Naturalmente, você deve ter concluído que a infecção por E.
histolytica no homem é sempre patogênica. Na verdade, nem sempre a infecção causa
sintomas exacerbados. A forma mais usual é a ocorrência dos trofozoítos na luz intestinal,
chamada de amebíase não invasiva, em que a pessoa elimina os cistos nas fezes e é
assintomática.
E-F
Na invasão tecidual do intestino pelo parasito, ocorre a chamada amebíase invasiva.
G
Os trofozoítos, por meio da corrente sanguínea, conseguem atingir outros órgãos como fígado,
cérebro e pulmões.
 
Imagem: Bases da Parasitologia Médica, Luis Rey, 2010, pág. 99.
 Entamoeba histolytica no organismo do homem.
A invasão da mucosa intestinal leva a uma inflamação local. A doença também é conhecida
como colite amebiana aguda ou como disenteria amebiana. Os sintomas mais comuns são: dor
abdominal, febre, diarreia com possível aparecimento de muco, pus ou sangue nas fezes,
distensão abdominal e leucocitose.
 Trofozoítos no intestino delgado.
Como você pode perceber, existem outras doenças intestinais, como infecções causadas por
bactérias, que podem levar a sintomas muito parecidos com a da amebíase.
 ATENÇÃO
Podem também ocorrer formas mais graves, em que o paciente apresenta anemia severa e
necrose extensa da mucosa intestinal. No caso de o trofozoíto chegar a órgãos como o fígado,
pode ocorrer até mesmo a formação de abcessos, desenvolvendo um quadro que pode ser
fatal.
A amebíase é uma doença de importante morbimortalidade que apresenta uma maior
prevalência nos países em desenvolvimento e subdesenvolvidos, devido às péssimas
condições socioeconômicas e de saneamento básico.
SEGUNDO A ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE
(OMS), CERCA DE 45 MILHÕES DE INDIVÍDUOS ESTÃO
INFECTADOS DOS QUAIS 100 MIL VÃO A ÓBITO
ANUALMENTE, O QUE A TORNA A SEGUNDA
PRINCIPAL CAUSA DE MORTES POR INFECÇÃO
PROVOCADA POR PROTOZOÁRIOS/PARASITAS”.
(SOUZA et al ., 2019)
No Brasil, não existem muitos dados em relação à epidemiologia desse protozoário, mas é
observada uma diferença entre cada região no país, com predomínio na região norte e
nordeste. Souza e colaboradores (2019) observaram que entre os anos de 2012-2016
ocorreram 14.268 internações por amebíase, com maior prevalência nas cidades do Pará e
Roraima (Norte), seguida do Maranhão (Nordeste).
Atualmente, a prevalência da E. histolytica é superestimada devido à sua semelhança com
outras espécies do mesmo gênero que apresentam formas muito semelhantes e muitas vezes
são confundidas nos exames diagnósticos (exame parasitológicos de fezes - EPF).
Esse é o caso da Entamoeba dispar e da Entamoeba moshkovskii , formando o complexo E.
histolytica/ E. díspar /E. moshkovskii . Para identificação correta dessa espécie, são
necessários exames de biologia molecular que não são empregados nas rotinas dos
laboratórios de análises clínicas.
 
Imagem: Shuttertock.com.
 Cisto de Entamoeba histolytica.
Mas qual é a diferença entre esses protozoários?
Como abordado anteriormente,nem todo protozoário causa doença. Alguns vivem com a
relação de comensalismo com o homem, não sendo assim patogênico, como é no caso da E.
díspar, E. Hartmanni, Iodamoeba butschlii e Endolimax nana . Portanto, ao serem
confundidos devido à semelhança morfológica nos exames empregados, pode ocorrer um
diagnóstico falso indicando uma infecção por E. histolytica quando na verdade é uma relação
de comensalismo com E. díspar. O aumento da notificação de alguma doença pode alarmar
sobre uma possível epidemia em dado local enquanto na verdade não se trata disso.
O COMENSALISMO DAS AMEBAS COM O
HOMEM
Neste vídeo, a especialista Raquel de Lima explica as relações ecológicas interespecíficas
(harmônicas e desarmônicas) especificamente o comensalismo e o parasitismo e os principais
protozoários ameboides que vivem em relação de comensalismo com o homem.
Como podemos prevenir essa doença?
A prevenção da amebíase se faz principalmente por meio da higiene pessoal e alimentar, já
que sua transmissão ocorre por via fecal-oral. É de extrema importância que todos tenham
acesso a boas condições sanitárias e à educação correta da higiene pessoal. O hábito e a
forma de lavar as mãos é uma das medidas mais importantes para evitar a transmissão da
doença, assim como a higienização correta dos alimentos e da água que será consumida. Vale
lembrar que os cistos apresentam grande resistência e que, por muitas vezes, não são
inativados com a adição de cloro na água, sendo necessário que a água seja fervida ou filtrada
antes do consumo.
 
Foto: Shuttertock.com.
FILO APICOMPLEXA: OS ESPOROZOÁRIOS
OU APICOMPLEXA
O filo Apicomplexa é composto por diversos parasitas que se replicam exclusivamente em
hospedeiros animais. Nesse filo, temos os agentes etiológicos de várias doenças humanas
importantes, como a malária, causada por Plasmodium spp., e a toxoplasmose causada por
Toxoplasma gondii.
Os integrantes desse filo apresentam locomoção por deslizamento , ciclo intracelular,
reprodução assexuada e sexuada e não possuem cílios. A sua característica principal é a
presença do complexo apical, que não se encontra em todas as fases do ciclo evolutivo do
parasita, estando restrito às fases de esporozoíto e de merozoíto. Ele apresenta organelas
secretoras características (micronemas (Suas proteínas têm papel na adesão e invasão. ) e
roptrias (Têm papel na invasão e formação do vacúolo parasitóforo. ) ) e estruturas
citoesqueléticas (anel polar apical e cilindro de microtúbulos) que auxiliam na fixação e
penetração do parasita na célula hospedeira.
 
Imagem: Bases da Parasitologia Médica, Luis Rey, 2010, p. 109.
 O aparelho apical de um esporozoário.
O ciclo biológico dos protozoários pertencentes a esse filo apresenta tanto uma fase de
reprodução sexuada quanto uma fase de reprodução assexuada.
Você deve estar se perguntando qual a ligação entre a forma evolutiva e a fase do ciclo
biológico. Em cada fase do ciclo, encontramos diferentes formas dos parasitos desse filo.
Essas formas podem variar de acordo com o gênero em questão, mas algumas delas se
mantêm independentemente do gênero, e outras são exclusivas do gênero.
MICROGAMETÓCITOS
São os Gametas masculinos. Apresentam aparência delgada. São flagelados, portanto se
movem.
MACROGAMETÓCITOS
São os gametas femininos. São maiores que os gametas masculinos e imóveis.
Encontramos nas fases:
ASSEXUADA
TROFOZOÍTO
Estágio intracelular no qual o parasita se alimenta de partículas presentes na célula
hospedeiro, ele pode sofrer esquizogonia (reprodução assexuada) e gera o esquizonte.
ESQUIZONTES
Forma multinucleada do esporozoíto que multiplica seu núcleo de forma assexuada, processo
chamado de esquizonia.
MEROZOÍTAS
Forma uninucleada resultante da divisão do citoplasma dos esquizontes gerados por
esquizogonia. Os merozoítas também possuem um complexo apical que lhes permitirá invadir
novas células do mesmo hospedeiro, mantendo o ciclo assexuado no hospedeiro.
ESPOROZOÍTOS
Apresenta forma alongada com complexo apical. É a fase móvel do parasito. Essa fase é
formada no interior do esporocisto.
TAQUIZÓITOS
Forma infectante de proliferação rápida presente no ciclo de Toxoplasma gondii na fase
aguda.
BRADIZOÍTOS
São encontrados dentro de cistos que vão se alojar nos tecidos do hospedeiro na fase crônica
da doença, como a toxoplasmose.
CISTO
contêm em seu interior os bradizoítos e se alojam no tecido do hospedeiro na fase crônica.
SEXUADA
GAMETÓCITOS (CÉLULAS CAPAZES DE FORMAR
GAMETAS)
Microgametócitos e macrogametócitos
OOCINETO
Formado quando os gametas (feminino e masculino) se unem formando um zigoto. É capaz de
se mover e de penetrar em células do intestino dos hospedeiros.
OOCISTOS
É formado quando os gametas (feminino e masculino) se unem formando um zigoto e depois
se encista.
A seguir, aprenderemos um pouco mais sobre duas ordens (Eucoccidiida e Hemosporidiida)
desse filo que despertam bastante interesse na parasitologia médica.
ORDEM EUCOCCIDIIDA – GÊNERO TOXOPLASMA
O gênero Toxoplasma foi criado em 1909 ao observarem um novo protozoário que não havia
sido descrito em gundi, roedores africanos. Nicolle e Manceaux propuseram o termo
toxoplasma (toxon = arco e plasma = corpo em grego) devido à sua morfologia
característica.
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Foto: Shuttertock.com.
 Roedores africanos gundi.
HETERÓXENO
É aquele parasito que precisa de mais de um hospedeiro para completar seu ciclo de
vida.
A toxoplasmose é uma zoonose que tem como agente etiológico o protozoário Toxoplasma
gondii , um parasito intracelular obrigatório, que infecta principalmente células mononucleares
do sistema fagocítico. Essa espécie apresenta um ciclo heteróxeno o qual é composto de
hospedeiro definitivo (apenas felinos, como os gatos) e intermediários, espécies de mamíferos
(carneiro, cabra, porco, homem, camundongo etc.) e aves. Nos hospedeiros intermediários,
ocorre a esquizogonia; nos hospedeiros definitivos, pode ocorrer tanto a reprodução assexuada
como a sexuada (gametogonia).
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Imagem: Shuttertock.com.
 Hospedeiros do T.gondii .
Existem três formas do T. gondii que podem iniciar a infecção nos vertebrados: os oocistos,
taquizoítos e bradizoítos. A transmissão pode ocorrer após a ingestão dos oocistos
esporulados expelidos nas fezes de gatos suscetíveis, do bradizoíto presentes em cistos, em
carne crua ou malcozida, especialmente de porco e carneiro, e a partir do taquizoíto presente
nos fluídos corporais, como o leite. Além disso, pode ocorrer a transmissão pela via vertical,
por transmissão transplacentária dos taquizoítas da mãe para o feto em desenvolvimento.
 VOCÊ SABIA
O homem pode se infectar por causa do contato direto com as fezes dos gatos, limpando as
caixinhas de areia, por exemplo. Gatos domésticos podem excretar milhões de oocistos
imaturos após ingerirem apenas um bradizoíta ou um cisto tecidual. Mas fique calmo, menos
1% da população de gatos pode ser encontrada liberando oocistos.
O ciclo pode ser dividido didaticamente em duas partes, conforme ilustra a figura a seguir:
 
Imagem: LadyofHats / Wikimedia Commons / Livre de Direitos Autorais.
 Ciclo biológico do T. gondii.
Vamos entender melhor cada uma dessas partes:
O PRIMEIRO CICLO (ESQUERDA)
Inicia quando os hospedeiros intermediários ingerem os oocistos esporulados, os cistos
contendo os bradizoítos ou diretamente os taquizoítos.
No estômago, o oocisto sofre ação do pH ácido e das enzimas digestivas, auxiliando a
desmontagem da parede do oocisto e do cisto, liberando respectivamente os esporozoítos e os
bradizoítos.
As duas formas parasitárias invadem os enterócitos, multiplicam-se rapidamente (reprodução
assexuada) e transformam-se em taquizoítos (fase aguda ou proliferativa doença). Os
taquizoítos, quando ingeridos, invadem diretamente a mucosa intestinal.
As células nucleadas, cheias de parasitos, rompem-se, e os taquizoítos, levados pela
circulaçãosanguínea e linfática, penetram novas células dos tecidos musculares, nervoso etc.
A formação de bradizoítos dentro dos cistos (fase crônica da doença, com a reprodução mais
lenta) ocorre quando o hospedeiro intermediário começa a desenvolver uma resposta
imunológica inflamatória na tentativa de eliminar os taquizoítos, pois os cistos não provocam
reações inflamatórias no hospedeiro e, assim, podem persistir viáveis por longo tempo.
Qualquer depressão no sistema imunológico pode liberar os bradizoítos do cisto que vão
penetrar em outras células, dando origem a novos grupos de taquizoítas e eventualmente a
novos cistos.
O SEGUNDO CICLO (DIREITA)
Os hospedeiros definitivos (ciclo da direita) são contaminados quando ingerem os cistos
presentes no tecido de camundongo ou rato ou ainda quando ingerem oocistos esporulados de
ambientes contaminados. No estômago, acontece o desencistamento, assim como ocorre nos
hospedeiros intermediários, liberando as formas parasitárias que penetram as células
intestinais dentro de um vacúolo citoplasmático, transformam-se em taquizoítos. Esses, por sua
vez, podem multiplicar e formar mais taquizoítos ou se diferenciarem em bradizoítos,
originando os cistos teciduais (reprodução assexuada), ou podem ainda se diferenciar em
gametócitos (microgametócitos ou macrogametócitos – reprodução sexuada). Os gametócitos
se unem e formam o zigoto, que posteriormente amadurece e gera o oocisto, o qual é liberado
junto com as fezes do animal de forma imatura.
No ambiente, com a presença de oxigênio e temperaturas entre 20°C e 30°C, os cistos
amadurecem e esporulam, apresentando em seu interior 2 esporocistos com 4 esporozoítos
cada. Os oocistos começam a ser eliminados com as fezes dos gatos 5 a 10 dias após a
infecção.
Agora você pode estar preocupado se seu gato tem T. gondii ou não e se vai o infectar. Fique
tranquilo! Os oocistos são liberados por apenas um curto intervalo de tempo (de uma a duas
semanas) na vida do felino e, geralmente, essa liberação ocorre em gatos jovens. Raramente,
gatos domésticos que comem ração e que não têm acesso à rua estão infectados com T.
gondii e seriam capazes de transmitir o parasito.
 
Foto: Shutterstock.com.
 Oocisto de Toxoplasma gondii .
A toxoplasmose causa uma infecção aguda em criança e adultos, mas na maior parte das
vezes é assintomática. Quando sintomática, os indivíduos infectados podem apresentar um
quadro febril, acompanhado de cansaço, mal-estar, dor de cabeça, garganta, mialgia e
adenopatia (-1% dos casos). Algumas pessoas apresentam o quadro grave, principalmente
pacientes imunocomprometidos, caracterizados por retinocoroidite (Inflamação da retina e da
coroide.) , encefalite (Inflamação e infecção do cérebro desencadeada por algum patógeno.) ,
miocardite (Inflamação do músculo do coração, chamado de miocárdio.) e
hepatite (Inflamação do fígado.) .
O quadro assintomático e o sintomático podem evoluir para a forma crônica da doença, na qual
o parasita pode permanecer inativo em diversos tecidos do corpo hospedeiro por toda a vida,
sem que ocorra nenhuma reativação.
 SAIBA MAIS
A transmissão vertical (congênita) da toxoplasmose é resultante da infecção primária materna
durante a gravidez. Por isso, é incluído no pré-natal de toda mulher um exame sorológico para
saber se a grávida já teve contato com Toxoplasma gondii . Quando ocorre a infecção, suas
consequências podem variar de acordo com a idade gestacional no momento da infecção,
podendo ir desde o aborto a lesões neurológicas ou oculares no nascimento.
A toxoplasmose congênita e gestacional é uma doença de notificação compulsória ao
Ministério da Saúde. Além disso, casos de suspeitas de surtos também devem ser notificados.
Cerca de 30 a 50% da população mundial é cronicamente infectada por T. gondii fazendo
assim da toxoplasmose uma das zoonoses mais prevalentes no mundo. No Brasil, a
soroprevalência varia com a região. Na cidade de Belém, ela é alta e chega a 70%. A alta
prevalência está diretamente relacionada aos hábitos alimentares e comportamentais da
população. Além disso, nos últimos anos, surtos de toxoplasmose aguda têm sido relatados no
Brasil. Esses casos são associados à transmissão pela contaminação do sistema hídrico e de
alimentos, muitas vezes em restaurantes. (BRASIL, 2007; FLEGR et al ., 2014; CARMO, et
al ., 2016; MORAIS, et al ., 2016.)
Vejamos as formas mais eficientes de prevenção:
 
Foto: Shutterstock.com.
Uma das formas mais eficientes de prevenção é alimentar os gatos com ração ou outros
produtos comerciais de qualidade. A carne oferecida ao animal deve sempre estar bem cozida.
 
Foto: Shutterstock.com.
As fezes dos animais devem ser coletadas diariamente e seu ambiente higienizado. É
importante sempre ter cuidado ao manusear as fezes (usar luvas, pás e lavar as mãos após a
manipulação) e dar-lhes o destino adequado.
 
Foto: Shutterstock.com.
Outra forma de prevenção é evitar carne malcozida ou crua. É muito importante não se
esquecer de lavar as mãos com água e sabão depois de manusear carnes cruas. As gestantes
devem evitar o contato com as fezes dos animais e evitar ingerir carne malcozida ou crua.
DOENÇA NEGLIGENCIADA
São doenças endêmicas em regiões de baixa renda que são causadas por agentes
infecciosos e não apresentam investimento no atendimento das pessoas e em pesquisa
para produção de medicamentos, controle da doença e sua prevenção.
ORDEM HEMOSPORIDIIDA – GÊNERO PLASMODIUM
Doenças causada pelas espécies do gênero Plasmodium apareciam em descrições
encontradas em textos antigos da China, Índia, Oriente Médio, África e Europa, indicando que
os humanos têm lutado contra infecções por esse parasita ao longo de grande parte de nossa
história. Mais conhecida como malária, a infecção por Plasmodium spp. é um dos problemas
de saúde pública mais sérios no mundo e, mesmo gerando grande números de mortes na
África e de casos em diversos países devido à globalização, ainda é classificada como uma
doença negligenciada.
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Depois de muitos anos, a malária ainda é umas das doenças parasitárias mais importantes,
apesar do estabelecimento de medidas de controle e do surgimento de medicamentos para o
tratamento, que reduziram sua extensão geográfica ou sua incidência em muitas áreas.
 
Foto: Shutterstock.com.
Dentro do gênero Plasmodium , são encontradas mais de 100 espécies e, dessas, pelo menos
5 são de importância médica, são elas: Plasmodium falciparum, Plasmodium vivax,
Plasmodium malariae, Plasmodium ovale e Plasmodium knowllesi .
A transmissão ocorre por meio da picada da fêmea infectada do mosquito Anopheles sp. No
Brasil, o principal vetor é Anopheles darlingi e a doença é endêmica principalmente na região
Amazônica (Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e
Tocantins). No entanto, não pode ser afastada a possibilidade de ocorrência em outras áreas
do país.
 COMENTÁRIO
Outras formas de transmissão são a transfusão sanguínea, o uso de seringas e agulhas
contaminadas e até mesmo a transmissão vertical, levando à malária congênita.
REPASTO SANGUÍNEO
Nome dado ao ato de se alimentar de sangue de outros animais, comum em insetos
hematófogos.
Vamos entender como acontece o ciclo desse parasita:
1
2
3
4
5
6
1
O ciclo do parasita se inicia quando as fêmeas do gênero Anopheles fazem o repasto
sanguíneo e inoculam esporozoítos que estavam presentes na glândula salivar na corrente
sanguínea do hospedeiro.
2
Esses esporozoítos migram até o hepatócito, e lá há formação do vacúolo parasitóforo, onde
ocorre a transformação em esquizonte teciduais e depois em merozoítos.
3
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Há o rompimento dos hepatócitos e libração dos merozoítos que atingem a corrente sanguínea
e interagem com proteínas presentes na superfície dos eritrócitos e consegue assim invadir
ativamente as hemácias.
4
Dentro das hemácias, ocorre o ciclo assexuado, em que os merozoítos geram novos
trofozoítosque por sua vez dão origem a esquizontes e, posteriormente, a novos merozoítos,
que são liberados após a ruptura das hemácias. Alguns trofozoítos darão origem aos
gametócitos.
5
Quando um homem infectado é novamente picado pela fêmea do gênero Anopheles , esses
gametócitos presentes na circulação sanguínea são ingeridos e chegam ao intestino do inseto.
6
No intestino, ocorre a diferenciação em microgametócito e macrogametócito e, após a
fecundação, formam um zigoto diploide. O zigoto, por sua vez, se diferencia em oocineto, uma
forma móvel do parasito que, ao migrar na parede do intestino do mosquito, leva à sua
diferenciação em oocisto. O oocisto leva em torno de 15 dias para se tornar maduro. Quando
esse momento chega, o oocisto libera esporozoítos na hemolinfa que seguem até a glândula
salivar, onde eles permanecem e tornam esse mosquito apto a infectar ao realizar o repasto
sanguíneo.
 
Imagem: Shutterstock.com.
 Ciclo biológico do Plasmodium spp.
Os ciclos em que ocorrem a replicação nas hemácias e que levam à sua ruptura, de acordo
com a espécie do Plasmodium , são relacionados com o ritmo de crises febris que a pessoa
apresenta.
Por exemplo, o P. falciparum produz a febre terçã maligna com quadros clínicos em que os
episódios de febre se repetem com intervalo de 36 a 48 horas. O P. malarie , responsável pela
febre quartã, manifesta os ciclos a cada 72 horas. O P. vivax , que provoca a terçã benigna,
apresenta ataques febris de 48 horas. Plasmodium ovale , com distribuição limitada ao
continente africano e responsável por outra forma de febre terçã benigna, tem ciclo de 48
horas.
 
Foto: Shutterstock.com.
 Esquizonte de Plasmodium vivax no sangue.
 
Imagem: Shutterstock.com.
 Representação 3D do P. falciparum .
Outros sintomas comuns na infecção por Plasmodium spp. são cefaleia, calafrios, mialgia,
vômitos e náuseas. Após a fase sintomática inicial, podem aparecer outros sintomas mais
graves como anemia severa, disfunção hepática, esplenomegalia, edema pulmonar agudo,
hipoglicemia, disfunção cardíaca e insuficiência renal aguda chegando até a casos de malária
cerebral.
No Brasil, cerca de 90% dos casos ocorrem na região amazônica. No entanto, devido ao
crescimento do número de casos diagnosticados em outros estados, foi criado o Programa
Nacional de Prevenção e Controle da Malária (PNCM) para facilitar o sistema de vigilância
sobre a área extra-amazônica, como Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná,
Mato Grosso do Sul, Ceará, Piauí e Espírito Santo, Pernambuco, entre outros. É importante
ressaltar que a malária é uma doença de notificação compulsória, sendo na área não endêmica
de investigação obrigatória (BRASIL, 2020a).
O gráfico a seguir mostra um panorama geral do número de casos notificados de malária ao
ministério da saúde.
 
Imagem: Boletim epidemiológico, Brasil, 2020a, p. 12.
 Casos de malária notificados no Brasil entre 1959 a 2019.
A partir do gráfico, vemos que o P. vivax é a espécie predominante no Brasil, mas existem
casos causados pela espécie P. falciparum.
Além disso, notamos uma queda do número de casos a partir de 2009, que pode ser atribuído
aos seguintes motivos:
1)
Os programas de prevenção e controle da malária estão sendo seguidos e mostrando assim
seu efeito no número de casos notificados.
2)
Muitas regiões estão notificando devidamente o número de casos. Em 2018, foram notificados
187.736, em 2019 foram notificados 153.270 casos, e em 2020 (de janeiro a junho) tivemos
59.651 casos notificados.
Apesar dessa queda gradual, é necessário que o número de casos seja reduzido ainda mais
não só no Brasil, mas também nos outros países que sofrem com a negligência dessa doença.
A malária é uma doença séria, que pode ser fatal e de difícil tratamento!
No entanto, mesmo com tantos estudos mostrando a importância e as problemáticas do ciclo
da malária, até hoje enfrentamos grandes dificuldades no controle dessa doença. Mas por que
isso acontece?
A malária é endêmica em regiões que sofrem com a falta de informação em relação ao parasito
e à doença e com problemas de infraestrutura e socioeconômicos. Além disso, o complexo
ciclo biológico do parasita implica no diagnóstico rápido e preciso, que demora o início do
tratamento específico, e os parasitas apresentam resistência às drogas disponíveis para o
tratamento.
Qual a melhor forma de prevenir uma infecção por Plasmodium spp.?
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o melhor modo de prevenção é o controle vetorial.
O uso de repelentes, de telas em portas e janelas e o uso de mosquiteiros impregnados com
inseticidas de longa duração são boas formas de se prevenir.
Com a malária, fechamos os parasitos que apresentam flagelos para locomoção.
 
Foto: Shutterstock.com.
O próximo filo que será abordado é composto de protozoários que apresentam cílios em suas
formas evolutivas.
FILO CILIOPHORA – ORDEM
TRICHOSTOMATIDA
O filo Ciliophora tem em sua maioria espécies de vida livre, porém podem ser parasitas ou
simbiontes de diferentes tipos de hospedeiros. Os protozoários pertencentes a esse filo
apresentam dois tipos de núcleo (micronúcleo e macronúcleo), são organismos com cílios
simples ou compostos, presentes em pelo menos uma fase evolutiva. A reprodução se dá por
divisão binária, divisão múltipla ou por brotamento, mas pode haver reprodução sexuada
envolvendo conjugação.
Somente a ordem Trichostomatida apresenta um protozoário, o Balantidium coli , que é capaz
de infectar o homem e primatas não humanos. Esse parasita apresenta duas formas de vida:
Trofozoítos e Cisto.
Os trofozoítos apresentam forma ovoide, sendo a extremidade anterior a mais fina. Na
extremidade anterior, encontramos o citóstoma, que é por onde o parasito se alimenta. Ele
apresenta cílios em toda a sua superfície cujo batimento coordenado faz com que o protozoário
se movimente e se alimente. Além disso, apresenta dois vacúolos pulsáteis, um na região
anterior e outro na região posterior com função osmorreguladora, ou seja, regula a quantidade
de água e de substâncias tóxicas dentro dos protozoários, fazendo a excreção quando
necessário. E por último e não menos importante, temos o macronúcleo e o micronúcleo,
responsáveis pela reprodução.
Os cistos apresentam duas paredes (interior e exterior) que conferem resistência ao ambiente,
micro e macronúcleo e vacúolo pulsátil.
 
Imagem: Shutterstock.com.
 Balantidium coli: Cisto x trofozoíto.
Qual é a via de transmissão desse parasito?
A balantidíase é uma doença zoonótica causada por Balantidium coli , que causa infecção no
intestino grosso dos hospedeiros habituais, os porcos. No entanto, os humanos podem ser
contaminados, pela via fecal-oral, a partir da água ou alimentos contaminados com cistos
provenientes das fezes de humanos ou dos animais contaminados. Após a ingestão dos cistos,
ocorre o processo de desencistamento ao passar pelo estômago e chegar ao intestino,
tornando-se trofozoíto. No intestino grosso, os trofozoítos se reproduzem por fissão binária,
gerando mais trofozoítos; e podem ainda realizar reprodução sexuada por conjugação
originando os cistos. Os cistos são liberados nas fezes e assim o ciclo se mantém.
 
Imagem: Alexander J. da Silva, PhD; Melanie Moser / CDC / Domínio público
 Ciclo biológico do Balantidium coli.
Grande parte das pessoas quando infectadas são assintomáticas. Entretanto, quando
sintomáticas, apresentam diarreia persistente, disenteria, dor abdominal, náuseas e vômito.
Casos mais graves geralmente estão ligados a pessoas com algum comprometimento
imunológico.
 
Imagem: Shutterstock.com.
 Balantidium coli infeta o intestino grosso do homem.
B.coli tem uma distribuição mundial (cosmopolita), com maior número de casos nos trópicos,
porém não há muita informação sobre sua epidemiologia.
 SAIBA MAIS
Em regiões de criação de porcos, mesmo sendo detectada a infecção de B. coli nos animais,
é raro observar a infecção emseus tratadores. Acredita-se que isso se deve aos cuidados de
higiene. A taxa de parasitismo foi sempre muito baixa, menos de 1%.
Mesmo a balantidíase não sendo uma doença muito comum, é importante saber as medidas de
prevenção. Por ser transmitida pela via fecal-oral, devemos manter as boas práticas de higiene,
lavando sempre as mãos com água e sabão após ir ao banheiro, trocar fraldas, chegar da rua e
antes de manusear alimentos. Sempre lave todas as frutas e vegetais antes de prepará-los
e/ou de comer. É também importante ensinar e tornar sempre um hábito as práticas de higiene
para as crianças. Com esses cuidados você não vai prevenir somente a balantidíase, mas
muitas e muitas outras doenças que apresentam a mesma via de transmissão.
 
Foto: Shutterstock.com.
 Higiene pessoal é a melhor forma de prevenir inúmeras doenças.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. (ADAPTADO DE FIOCRUZ - CONCURSO PÚBLICO 2010) 
NAS ALTERNATIVAS ABAIXO, VOCÊ IRÁ ENCONTRAR MEDIDAS DE
HIGIENE NORMALMENTE UTILIZADAS NA PREVENÇÃO DA
DISSEMINAÇÃO DE DOENÇAS, ASSINALE A MEDIDA INEFICAZ PARA O
CONTROLE DA AMEBÍASE.
A) Lavar as mãos com água e sabão.
B) Lavar alimentos que serão consumidos crus.
C) Educação sobre higiene pessoal e da comunidade.
D) Cloração da água potável.
E) Saneamento básico adequado.
2. (ADAPTADO DE FURMAC-2015) 
EM INQUÉRITOS SOROLÓGICOS REALIZADOS NO PAÍS COM
DIFERENTES ESPÉCIES ANIMAIS, OBSERVAMOS QUE 19% DE GATOS
TINHAM ANTICORPOS PARA TOXOPLASMA GONDII , PRINCIPALMENTE
OS JOVENS. EM BOVINOS, A PREVALÊNCIA VARIOU ENTRE 32%, EM
CAPRINOS 56%, EM EQUINOS 20% E EM SUÍNOS 23%. NA POPULAÇÃO
HUMANA, OS ÍNDICES VARIARAM EM ADULTOS ENTRE 50 A 70%. ESSES
DADOS SÃO IMPORTANTES PARA O CONTROLE DA DOENÇA. 
 
ASSINALE A ALTERNATIVA QUE CORRESPONDE À PRINCIPAL FORMA
DE TRANSMISSÃO DESSA DOENÇA:
A) Ingestão de carne suína e bovina contendo os oocistos.
B) Picada de insetos do gênero Anopheles contendo bradizoítos.
C) Inalação de taquizoítos presentes nas secreções e excreções de animais.
D) Ingestão de oocistos eliminados nas fezes dos gatos.
E) Picada de insetos do gênero Anopheles contendo trofozoítos
GABARITO
1. (Adaptado de FIOCRUZ - Concurso Público 2010) 
Nas alternativas abaixo, você irá encontrar medidas de higiene normalmente utilizadas
na prevenção da disseminação de doenças, assinale a medida ineficaz para o controle
da amebíase.
A alternativa "D " está correta.
 
A principal forma de transmissão é a fecal-oral por ingestão de água e alimentos contaminados,
portanto devemos sempre lavar as mãos e os alimentos que serão consumidos. Porém, os
cistos da Entamoeba histolytica são resistentes à cloração, sendo o ideal que a água seja
fervida e filtrada.
2. (Adaptado de Furmac-2015) 
Em inquéritos sorológicos realizados no país com diferentes espécies animais,
observamos que 19% de gatos tinham anticorpos para Toxoplasma gondii ,
principalmente os jovens. Em bovinos, a prevalência variou entre 32%, em caprinos 56%,
em equinos 20% e em suínos 23%. Na população humana, os índices variaram em
adultos entre 50 a 70%. Esses dados são importantes para o controle da doença. 
 
Assinale a alternativa que corresponde à principal forma de transmissão dessa doença:
A alternativa "D " está correta.
 
A principal forma de transmissão da toxoplasmose é pela ingestão de água e alimentos
contaminados com oocistos eliminados nas fezes dos gatos. Existem outras formas de infecção
como a ingestão de cistos com bradizoítos presentes em carne ou malcozida, ou até mesmo a
infecção fetal em razão da passagem de taquizoítas pela barreira placentária e a partir de
fluidos corporais, como o leite.
MÓDULO 2
 Descrever as formas de transmissão e prevenção dos flagelados parasitas do sangue
e tecidos
INTRODUÇÃO AOS FLAGELADOS E
PARASITOS DO SANGUE E TECIDOS
Como mencionado anteriormente, o filo Sarcomastigophora, apresenta dois subfilos, o
Sarcodina e o Mastigophora, o qual estudaremos ao longo deste módulo.
Esse subfilo reúne os protozoários que chamamos de flagelados que se locomoverem por
propulsão flagelar. Eles podem apresentar morfologia simples com o formato mais ovalado ou
alongado, com um ou mais flagelos.
Dentro do subfilo Mastigophora e da classe Zoomastigophora, existem três ordens,
Kinetoplastida, Diplomonadida e Trichomonadida, com importantes parasitas capazes de
infectar o homem. Vamos conhecê-los?
FILO SARCOMASTIGOPHORA – ORDEM
KINETOPLASTIDA
Dentro dessa ordem, temos a família Trypanosomatidae que compreende dois gêneros:
Trypanosoma e Leishmania .
 COMENTÁRIO
Esses dois gêneros compreendem parasitos capazes de causar doenças em humanos e em
animais, causando a doença de Chagas (Trypanosoma cruzi ), a doença do sono (T. brucei
gambiense ou Trypanosoma brucei rhodesiense ), Leishmania tegumentar (Leishmania
braziliensis, L. mexicana, L. peruviana, L. tropica ) e o calazar (L. donovani e L. infantum ).
A principal característica morfológica encontrada nesse grupo é a presença do cinetoplasto.
Essa organela típica encontrada na parte posterior do parasito contém DNA mitocondrial
condensado e se localiza sempre próximo ao flagelo nos tripanosomatídeos. O corpo é
geralmente alongado e pode apresentar dois flagelos que saem do fundo do bolso flagelar.
Dependendo do parasito, o flagelo se adere a todo o corpo na membrana ondulante ficando
livre na região anterior.
 
Imagem: Bases da Parasitologia Médica, Luis Rey, 2010, p. 38.
 Representação esquemática de um tripanossoma.
Nessa ordem, cada gênero pode apresentar morfologia diferente que varia não só pelo gênero
em questão ou a espécie, mas também pelo ciclo biológico. Essas mudanças vão do tipo de
hospedeiro que o parasito se encontra ao tecido que esteja parasitando. O gênero
Trypanosoma pode apresentar as seguintes formas no ciclo biológico:
 
Imagem: Bases da Parasitologia Médica, Luis Rey, 2010, p. 38.
 Principais formas evolutivas encontradas em Trypanosoma .
AMASTIGOTA
PROMASTIGOTA
EPIMASTIGOTA
TRIPOMASTIGOTA
AMASTIGOTA
Forma ovoide, de corpo achatado, com pouco citoplasma e núcleo grande. Apresenta
cinetoplasmo. O flagelo é pequeno, e por isso apresenta pouca mobilidade.
PROMASTIGOTA
Forma alongada, com a inserção do flagelo na região anterior, sendo ele livre. O cinetoplasto
também se encontra na região anterior, próximo ao bolso flagelar. Núcleo centralizado.
EPIMASTIGOTA
Forma alongada (fusiforme), com inserção do flagelo longe da extremidade já que a bolso
flagelar abre-se lateralmente mais próximo ao centro do parasito. O flagelo está preso à
membrana ondulante até chegar à extremidade anterior, onde se torna livre.
TRIPOMASTIGOTA
Forma longa e achatada, semelhante ao epimastigota, porém com o cinetoplasto e bolso
flagelar presentes na região posterior. O flagelo sai dessa região posterior e segue preso pela
membrana ondulatória por todo o corpo do parasito até se tornar livre na região anterior.
Existem a forma metacíclica, que é infectante e não replicativa, e a forma procíclica, que
também é não infectante, mas replica.
GÊNERO TRYPANOSOMA
As espécies presentes no gênero Trypanosoma apresentam ciclos heteróxenos em que
infectam hospedeiros vertebrados e invertebrados hematófagos (Aqueles que se alimentam de
sangue) . Uma das formas de classificar as diferentes espécies é levando em consideração um
conjunto de informações como: hospedeiros (vertebrados ou invertebrado), origem, morfologia,
ciclo de vida, patogenia entre outras características. Se considerarmos, por exemplo, seu
desenvolvimento no hospedeiro invertebrado (seu vetor) podemos dividir em dois grupos:
Stercoraria e Salivaria.
Vamos conhecê-los mais detalhadamente.
GRUPO STERCORARIA
Nesse grupo, o desenvolvimento do parasita no vetor ocorre no intestino e as formas
infectantes são eliminadas pelas fezes no momento do repasto sanguíneo. São constituintes
desse grupo as espécies Trypanosoma cruzi , Trypanosoma lewis e Trypanosoma theileri .
Dentre elas, destaca-seo T. cruzi , protozoário que causa a doença de Chagas. Esse parasito
foi descrito por Carlos Chagas em Minas Gerais, em 1909. Sua transmissão ocorre pelos
hemípteros dos gêneros Panstrongylus , Rhodnius e Triatoma .
 VOCÊ SABIA
No Brasil, Triatoma infestans é o principal vetor da doença de chagas. Ele é conhecido
popularmente por Barbeiro, que apresenta hábitos noturnos. Muitas vezes, as pessoas ao
dormir se cobrem, deixando somente o rosto de fora, sendo esse o principal local onde o inseto
pica, por isso o nome barbeiro.
PAU A PIQUE
A casa de pau a pique consiste em casa construídas com madeiras verticais fixadas no
solo, com vigas horizontais, geralmente de bambu, amarradas entre si por cipós, e a
parede feita de barro.
 
Foto: Shutterstock.com.
O barbeiro costuma ser encontrado em frestas e pequenos buracos dentro das residências,
principalmente em construções conhecidas como pau a pique. Com a melhoria das
construções e o uso de inseticidas específicos, hoje, a região peridomicílio se tornou a região
de maior risco para o contato com o barbeiro. Outras formas de transmissão são a transfusão
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sanguínea, o transplante de órgãos, a ingestão acidental de alimentos contaminados com
triatomíneos infectados ou suas excretas (transmissão contaminativa).
 
Foto: Shutterstock.com.
 Triatoma Infestans.
A figura a seguir ilustra o ciclo biológico do T. cruzi , vamos conhecer?
 
Imagem: Débora Familiar Rodrigues Macedo.
 Ciclo biológico do Trypanosoma cruzi .
Ao picar uma pessoa infectada, o barbeiro ingere, juntamente com o sangue, a forma
tripomastigota. Essa por sua vez, migra até o intestino onde se transformará em epimastigotas.
Ainda no intestino, os epimastigotas sofrem divisão binária, aumentando assim a quantidade de
parasitos no vetor. A caminho da porção final do intestino, há uma nova transformação,
gerando tripomastigotas metacíclicas que serão eliminadas nas fezes do barbeiro quando ele
for novamente se alimentar.
Ao realizar um novo repasto sanguíneo, o vetor defeca, e junto às fezes é liberada a forma
infectante (tripomastigotas metacíclicas) na pele lesionada pela coceira, ocasionada pela
picada ou pela mucosa. Essas formas conseguem atingir a corrente sanguínea e penetrar
ativamente nas células do Sistema Fagocítico Mononuclear. Ao infectar essas células, é
formado o vacúolo parasitóforo, onde ocorre a multiplicação do parasita até o rompimento do
vacúolo e a liberação de inúmeros tripomastigotas metacíclicos no citoplasma celular. No
citoplasma, elas se transformam em amastigotas, que também realizam replicação assexuada
e se diferenciam em tripomastigotas. Como o ciclo replicativo leva ao excesso de parasito
dentro das células do sistema fagocítico mononuclear, como os macrófagos, essas células
então se rompem e liberam todas as formas parasitárias presentes dentro dela na corrente
sanguínea, o que possibilita a contaminação de novas células. A parasitemia frequente começa
a ser mais intensa em torno do dia 10 a 15 após a contaminação e corresponde à fase aguda
da doença.
O ciclo se completa quando o barbeiro realizar um novo repasto sanguíneo em uma pessoa
infectada.
 COMENTÁRIO
Na maior parte das vezes, a infecção por T. cruzi é assintomática, mas quando sintomático,
os sinais clínicos começam de 6 a 10 dias após a infecção, apresentando quadro febril
passageiro e inespecífico, linfadenopatia e esplenomegalia branda. Essa fase pode se resolver
entre 4 e 8 semanas. Porém, alguns pacientes podem evoluir para formas crônicas ou graves,
apresentando quadros de meningites graves e insuficiência cardíaca que podem levar ao óbito.
O coração é o órgão normalmente mais afetado. Quando caem na corrente sanguínea, os
parasitos podem formar "ninhos de amastigotas" no coração, desencadeando uma resposta
inflamatória local, que pode levar à disfunção cardíaca, ao aumento dos cardiomiócitos
(aumento do volume ou tamanho celular), causando a formação do coração chagásico,
também chamado de “coração grande”.
 
Imagem: Patrick J. Lynch, medical illustrator / Wikimedia Commons / CC BY 2.5
 Corte transversal de um coração chagásico, evidenciando a hipertrofia do ventrículo
esquerdo.
A doença de Chagas está presente em 21 países da América Latina, tendo relatos de casos na
Europa e na América do Norte. No Brasil, entre os anos de 2001-2018, ocorreram 5.184 casos
com distribuição heterogênea pelo país. A maior parte dos casos notificados ocorreram em
menores de 18 anos e em idosos na região Norte do país (SANTOS, 2020; BRASIL, 2020b).
É importante destacar que a doença de chagas aguda é uma doença de notificação
compulsória. Além disso, a partir da Portaria n° 264, de 17 de fevereiro de 2020, a doença de
chagas crônica foi incluída na lista Nacional de Notificação Compulsória de doenças, agravos e
eventos de saúde pública nos serviços de saúde públicos e privados em todo o território
nacional.
Muitas vezes, imaginamos que a maior parte das infecções ocorre por meio da transmissão
vetorial. No entanto, a partir de 2005, foi verificado um aumento significativo da transmissão via
oral, sendo o Pará responsável por 81% dos casos, ligado à safra de açaí e bacaba (A bacaba,
bacaba-açu ou bacaba-verdadeira é uma palmeira nativa da Amazônia.) que estavam
contaminadas com as fezes do inseto (BRASIL, 2015).
Nos últimos anos, foi verificada uma redução no número dos casos da doença de Chagas no
Brasil. No entanto, devemos manter e reforçar todas as medidas de prevenção para evitarmos
que ocorra um novo aumento do número de casos.
Mas quais medidas seriam necessárias para combater a doença de Chagas?
Pensando na transmissão vetorial, deve-se evitar com o uso de inseticidas específicos e que o
triatomíneo faça ninhos dentro da residência.
 ATENÇÃO
Caso veja algum triatomíneo, não o mate esmagando, lembre-se de que as fezes deles contém
o parasito na sua forma infectante. O ideal é que consiga capturar o inseto com um pote com
tampa de rosca ou um saco plástico.
Em casas próximas a regiões de risco, devem-se colocar telas nas portas e janelas, evitando a
sua entrada voando. O uso de repelentes e roupas compridas é sempre indicado em locais
endêmicos para a doença, principalmente à noite. Além disso, devem ser criados programas
para melhorias de moradias rurais para que não existam mais construções em que o inseto
possa colonizar.
E em relação à transmissão oral e transfusão sanguínea?
Devem ser intensificadas medidas sanitárias e de inspeção em todas as etapas da produção
de alimentos susceptíveis a contaminação. O resfriamento ou congelamento de alimentos não
previne a transmissão oral por T. cruzi , mas, sim, o cozimento acima de 45°C, a
pasteurização e a liofilização. Portanto, sempre que possível, ferva o alimento. Para transfusão
de sangue, durante a triagem clínica, os médicos pesquisam se o doador esteve em áreas
endêmicas e todas as bolsas devem ser testadas antes de serem transfundidas em qualquer
paciente.
GRUPO SALIVARIA
De forma diferente, no grupo Salivaria, o parasita se multiplica na probóscide da mosca e fica
armazenado na glândula salivar, sendo inoculado quando o vetor pica o hospedeiro vertebrado.
Fazem parte desse grupo as espécies: Trypanosoma brucei, Trypanosoma vivax, Trypanosoma
congolese e Trypanosoma suis . Essas espécies são amplamente distribuídas na África.
Dentre elas, destaca-se o Trypanosoma brucei , responsável pela doença do sono. Essa
doença conhecida é popularmente como Tripanossomíase Africana Humana (TAH). A TAH
pode ser crônica, causada pelo Trypanosoma brucei gambiense , ou aguda, causada pelo T.
brucei rhodesiiense . Existe outra subespécie, T. brucei , que infecta apenas os animais
domésticos e de reprodução, como equídeos, ovinos, bovinos, causando uma doença
chamada Nagana. Essa infecção causa impacto econômico negativo na produção de leite e
carne.
A transmissão da TAH e Nagana é vetorial a partir da mosca Tsé-tsé, da famíliaMuscidea, do
gênero Glossina spp. Os humanos são considerados os principais reservatórios do
Trypanosoma brucei gambiense, mas essa espécie também pode ser encontrada em animais.
Já para T. brucei rhodesiense , ao que tudo indica, o gado parece ser o reservatório animal de
maior importância.
 
Foto: Judy Gallagher / Wikimedia Commons / CC BY 2.0
 Mosca Tsé-tsé.
O ciclo biológico de T. brucei difere em alguns pontos do ciclo de T. cruzi. Na figura a seguir,
temos um resumo do ciclo biológico.
 
Imagem: Débora Familiar Rodrigues Macedo.
 Ciclo Biológico do Trypanosoma brucei gambiense e T. brucei rhodesiense.
A mosca tsé-tsé, ao se alimentar em um indivíduo que esteja infectado, ingere juntamente com
o sangue os parasitos na forma de tripomastigotas. Após a ingestão, no intestino, ela se
transforma em tripomastigota procíclica e sofre divisão binária aumentando a quantidade de
parasitos no inseto. As tripomastigotas procíclicas migram até a glândula salivar onde se
transformam em epimastigotas e, em seguida, sofrem nova divisão binária. Posteriormente,
transformam-se em tripomastigotas metacíclicas, a forma infectante.
Ao realizar um novo repasto sanguíneo em um hospedeiro mamífero, como o homem, a mosca
libera junto com a saliva as tripomastigotas metacíclicos. No sangue, elas se transformam em
tripomastigotas que se multiplicam, aumentando a carga parasitária, e alcançam outros fluidos
corporais (como a linfa e o fluido espinhal). Nesses locais, essa forma continua a sua
replicação por divisões binária (fase hemolinfática). Todo o ciclo de vida dos tripanossomas
africanos é representado por estágios extracelulares, diferentemente do que ocorre com o
T.cruzi .
A mosca tsé-tsé é infectada com tripomastigotas da corrente sanguínea ao fazer um novo
repasto sanguíneo em um hospedeiro mamífero infectado.
A sintomatologia da doença do sono pode ser dividida em dois estágios. O primeiro envolve
sinais e sintomas inespecíficos relacionados com fase hemolinfática em que há o aparecimento
de febre intermitente, prurido e linfadenopatia. O sinal de Winterbottom (Inchaço dos
linfonodos cervicais posteriores.) costuma ser observado em T. b. gambiense e a
linfadenopatia de linfonodos submandibulares, axilares e inguinais em T. b. rhodesiense . O
segundo estágio ocorre após a invasão do sistema nervoso central que leva a manifestações
neuropsiquiátricas, como distúrbio do sono. O envolvimento cardíaco grave também ocorre.
As duas espécies de T. brucei (T. brucei gambiense e T. brucei rhodesiense ) são
endêmicas na África, sendo a T. b. gambiense mais presente na África Ocidental e Central
enquanto o T. b. rhodesiense está mais presente na África Oriental e Sudeste. Estima-se que
60 milhões de pessoas estão sob risco para a doença do sono, ocorrendo trinta mil novos
casos a cada ano.
 DICA
Assim como para Trypanosoma cruzi , algumas formas de prevenção estão relacionadas com
os hábitos do vetor. Então, durante os períodos mais quentes do dia, quando a mosca é menos
ativa, devemos evitar ficar próximo a arbustos, onde esse inseto pousa. Deve-se usar sempre
calças e camisas de manga comprida nas regiões endêmicas do vetor, e o ideal é que sejam
roupas que tenham tecido mais grosso para impedir que a mosca seja capaz de picar. Ainda, é
sempre bom usar roupas de cores neutras e claras, pois esse inseto é atraído por cores
brilhantes e muito escuras. O uso de repelente não tem se mostrado eficaz contra o vetor, mas
é uma forma de prevenção para outras doenças.
GÊNERO LEISHMANIA
A leishmaniose é uma infecção crônica, não contagiosa, causada por diversas espécies de
protozoários do gênero Leishmania e transmitida de animais para o homem por fêmeas de
flebotomíneos infectadas. Esse gênero compreende os protozoários parasitas da ordem
Kinetoplastida e a família Trypanosomatidae, capazes de infectar animais selvagens e
domésticos, humanos e insetos.
O ciclo da leishmaniose apresenta um hospedeiro vertebrado e um invertebrado. Você lembra
o nome desse tipo de ciclo? Isso mesmo, é o ciclo heteroxêno.
O hospedeiro invertebrado é um flebotomíneo do gênero Lutzomyia (Novo mundo (Termo
utilizado para descrever as Américas, que foram descobertas no final do século XV. ) ) e
Phlebotomus (Velho mundo (Termo utilizado para a definição de mundo conhecida pelos
europeus do século XV. Compreende a Europa, África e Ásia.) ). Entre os nomes populares
estão mosquito-palha e birigui.
 
Foto: Luis Fernández García / Wikimedia Commons / CC BY-AS 3.0
 Lutzomyia longipalpis .
A Leishmania apresenta duas formas principais:
 
Foto: Shutterstock.com.
 Leishmania spp. na forma amastigota – Microscopia.
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AMASTIGOTAS
Forma intracelular, ovoide, imóvel e sem flagelo.
 
Abanima / Wikimedia Commons / CC-BY-SA-3.0,2.5,2.0,1.0
 Forma promastigota.
PROMASTIGOTAS
Forma alongada, flagelada e com grande mobilidade.
Os flebotomíneos, ao fazer o repasto sanguíneo, são infectados pela ingestão de células
fagocíticas infectadas, como macrófagos, com a forma amastigota. Ao chegar ao intestino, as
formas amastigotas se transformam em promastigotas. Se o parasito em questão for do
subgênero Vianna, essa transformação ocorre no intestino posterior; se for do subgênero
Leishmania , transforma-se no intestino médio. Depois dessa transformação, as formas
promastigotas migram para a probóscide do flebotomíneo.
Caso o vetor, pique uma pessoa ou um animal, sendo ele doméstico (considerado hospedeiro
acidental) ou não, ele transmitirá a Leishmania spp. No homem, por exemplo, a forma
promastigota injetada junto com a saliva do vetor vai ser fagocitada por células fagocíticas,
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como os macrófagos, e dentro dele vai se transformar em amastigotas, que se multiplicam.
Caso o homem infectado seja picado novamente por outro flebotomíneo, ele será capaz de dar
continuidade ao ciclo, pela ingestão da forma amastigotas.
As características intrínsecas do parasita, do hospedeiro e outros fatores afetam o tipo de
doença no hospedeiro, que pode ser leishmaniose cutânea ou visceral.
Vamos conhecer a seguir o ciclo de vida resumido?
 
Imagem: Débora Familiar Rodrigues Macedo.
 Ciclo Biológico da Leishmania spp.
Durante muito tempo, a taxonomia do gênero Leishmania era baseada em parâmetros
extrínsecos como distribuição geográfica, vetores, trofismo, propriedades antigênicas, entre
outros fatores. Mas muitas vezes os critérios pareciam inadequados. Com o avanço da
tecnologia e o crescimento dos testes moleculares, foi possível cada vez mais fazer a
classificação dos integrantes desse gênero da forma mais adequada. Recentemente,
subdividiram o gênero Leishmania em dois subgrupos:
Paraleishmania
O grupo Paraleishmania , ainda pouco estudado, é composto por L. hertigi, L. deanei, L.
herreri, L. equatorensis e L. colombiensis .

Euleishmania
Já o grupo Euleishmania engloba os subgêneros Leishmania, Viannia , Sauroleishmania.
Para nosso estudo, são de grande importância o subgênero Leishmania e Viannia . Dentro
de cada subgênero, encontramos espécies de importância médica e veterinária.
A classificação desse grupo de parasitas sempre foi motivo de confusão. Com o intuito de
melhorar a classificação de acordo com as espécies, foram criados o que chamamos de
“complexos”, ou "complexos de espécies".
 COMENTÁRIO
Cada complexo é nomeado de acordo com uma das espécies constituintes. A razão por trás
disso é que as espécies pertencentes ao mesmo complexo muitas vezes estão intimamente
relacionadas, o que não só complica sua identificação, mas também dificulta uma inequívoca
definição de espécie.
No subgênero Leishmania , temos quatro complexos: Leishmania major, Leishmania tropica,
Leishmania donovani , Leishmania mexicana. Já no subgênero Viannia , temos dois
complexos: Leishmania braziliensis e Leishmania guyanensis .
Outra forma clássica de dividir a leishmaniose é de acordo com o tipo de doença que causa.Sendo então dividida em dois grupos: leishmaniose cutânea ou tegumentar (LC ou LT) e
leishmaniose visceral (LV).
A leishmaniose tegumentar (LT) é uma das principais manifestações clínicas da infecção
humana. Em contraste com a leishmaniose visceral (LV), não é letal, mas frequentemente
traumática e associada à estigmatização social.
Todas as espécies de Leishmania que são patogênicas para humanos podem causar
doenças cutâneas, embora com várias gravidades. Existem outras duas formas leishmaniose
mucocutânea e a leishmaniose cutâneo-difusa, mas essas duas últimas formas não
estudaremos aqui.
A seguir vamos conhecer mais a LT e a LV.
LEISHMANIOSE TEGUMENTAR
A leishmaniose tegumentar, no Brasil conhecida como leishmaniose tegumentar americana
(LTA), por muito tempo foi considerada uma zoonose de animais silvestres que acometia
ocasionalmente humanos que tivessem contato com as regiões de matas. Depois de algum
tempo, a doença começou a se expandir e ganhar regiões rurais e regiões periurbanas.
Ainda hoje, observamos esses dois perfis de transmissão silvestre que ocorrem em áreas de
vegetação primária (zoonose silvestre) e rural ou periurbano, que são locais de desmatamento
ou em que houve adaptação do vetor ao peridomicílio (zona de mata residuais e/ou
antropozoonose). Além disso, observamos um terceiro perfil de transmissão que seria o perfil
ocupacional ou de lazer, em que a transmissão está associada à exploração da floresta, ao
crescimento da urbanização e à invasão de habitat natural dos vetores e reservatórios da
doença.
Os roedores e marsupiais silvestres são descritos como reservatórios da doença. Ainda não foi
comprovado cientificamente que os animais domésticos, como cães e gatos, sejam um
reservatório da doença, sendo considerado por enquanto um hospedeiro acidental.
Os parasitas causadores da leishmaniose tegumentar parasitam principalmente a pele. As
lesões geralmente se desenvolvem algumas semanas ou meses após a picada do
flebotomíneo, sendo elas simples ou múltiplas, regional ou com focos espalhados pelo corpo
podendo atingir mucosa nasal ou orofaríngea. A aparência pode ser alterar com o tempo assim
como seu tamanho. Muitas vezes as lesões começam como pápulas ou nódulos e podem
terminar como úlceras.
 
Foto: Shutterstock.com.
 Lesões na pele na LT.
Para LT, foram descritas mais de 11 espécies, sendo 7 identificadas no Brasil. Dessas, seis
espécies são do subgênero Viannia e uma do subgênero Leishmania . As três principais
espécies circulantes no Brasil são: Leishmania (Viannia) braziliensis, Leishmania (Viannia)
guyanensis e Leishmania (Leishmania) amazonensis .
 SAIBA MAIS
A leishmaniose tegumentar é um problema de saúde pública em 85 países em diferentes
continentes como nas Américas, Europa, África e Ásia. Mundialmente há o registro anual de
0,7 a 1,3 milhões de casos. A LT chega a ser considerada pela OMS, como uma das seis mais
importantes doenças infecciosas, por causa dos elevados número de casos e pela capacidade
de produzir deformidades (BRASIL, 2017).
No Brasil, a LT apresenta ampla distribuição com registro de casos em todas as regiões
brasileiras, com maior incidência na região Norte e Centro Oeste, mas com casos no Nordeste,
Sudeste e Sul do país. Em 1985, foi observada uma tendência ao aumento do número de
casos, e, assim, houve a implantação de ações de vigilância e controle da LTA no país
colocando essa doença como uma doença de notificação obrigatória.
LEISHMANIOSE VISCERAL (LV)
A leishmaniose visceral é descrita desde a antiguidade. Foi na Índia que surgiu o nome Kala-
azar (Calazar), que significa doença negra devido à aparência escurecida da pele nos
acometidos. A doença geralmente se desenvolve dentro de meses (às vezes até anos) após a
picada do flebotomíneo. A leishmaniose visceral afeta órgãos, por isso é considerada mais
grave que a LT, necessitando de tratamento rápido. Normalmente, 90% das pessoas morrem
por causa dessa doença e as crianças menores de 10 anos costumam ser as mais afetadas.
Os parasitos desse grupo infectam também células fagocíticas do sistema imune como os
macrófagos, mas, ao invés de ficar restrito a pele, esses parasitos apresentam tendência de
invadir órgãos como baço, fígado, medula óssea e órgãos linfoides. As espécies que causam
leishmaniose visceral pertencem ao complexo Leishmania donovani , que compreende
Leishmania donovani , Leishmania infantum e Leishmania chagasi . No Brasil, é causado
por Leishmania chagasi .
 
Imagem: Shutterstock.com.
 Ilustração 3D de macrófagos infectados por Leishmania spp.
Apesar de grave, algumas pessoas não apresentam sintomas quando infectadas. As pessoas
que desenvolvem sinais e sintomas geralmente apresentam febre, perda de peso, inchaço do
fígado e baço, anemia e leucopenia assim como trombocitopenia.
 SAIBA MAIS
Em relação aos cães, quando adoecem, apresentam principalmente apatia, lesões de pele,
queda de pelos, inicialmente ao redor dos olhos e nas orelhas e emagrecimento.
Estima-se que cerca de 182 milhões de pessoas no mundo estão em risco de serem
acometidas pela doença. A LV é endêmica em 47 países, sendo o Brasil o país com mais
endemicidade da doença nas Américas. Você nunca ia imaginar que cerca 96% dos casos de
leishmaniose visceral americana ocorrem no Brasil, com 90% das notificações vindas do
Nordeste (CUNHA et al. , 2020; OPAS/OMS, 2019).
A leishmaniose visceral apresenta o mesmo perfil de transmissão da leishmaniose tegumentar.
Inicialmente o maior foco de transmissão era em regiões de matas, que foi se expandindo para
regiões rurais desmatadas. Após os anos 1980, atingiu as regiões periurbanas de grandes
cidades.
PREVENÇÃO E CONTROLE DA LEISHMANIOSE
Você vai notar que prevenção de doenças transmitidas por vetores é sempre muito parecida,
principalmente daqueles que apresentam hábitos semelhantes.
A melhor forma de evitar a infecção por Leishmania spp. é o uso de repelente, principalmente
onde o vetor costuma ser encontrado, além de evitar exposição ao vetor no seu horário de
maior atividade, sendo o entardecer e a noite no caso dos flebotomíneos. O uso de telas em
portas e janelas e do uso de mosquiteiros também é recomendado. É preciso evitar possíveis
criadouros para os flebotomíneos no quintal, mantendo-o sempre limpo e com as árvores
podadas e evitando, assim, o aparecimento de outros animais que possam ser reservatórios do
parasito. Se você mora em área com casos de leishmaniose, faça sempre exames periódicos
em seu gato ou cachorro, pois muitas vezes os animais levam anos para desenvolver algum
sintoma.
 
Foto: Shutterstock.com.
FILO SARCOMASTIGOPHORA – ORDEM
DIPLOMONADIDA E ORDEM
TRICHOMONADIDA
São parasitas flagelados encontrados nas vias digestivas e geniturinárias e que causam
doenças parasitárias importantes como a Giardíase e a tricomoníase.
ORDEM DIPLOMONADIDA – FAMÍLIA HEXAMITIDAE
Os parasitos dessa ordem apresentam um complexo flagelar junto ao núcleo chamado de
cariomastigonte e dele partem de 1 a 4 flagelos. A família Hexamitidae apresenta membros
importantes como Giardia lamblia também chamada de Giardia duodenalis ou Giardia
intestinalis , um protozoário flagelado que parasita o intestino do homem e de vários animais.
 
Imagem: Public Domain Images.
 Trofozoíto de G. Lamblia.
TROFOZOÍTOS
Além disso, apresentam um achatamento dorsoventral. Na superfície ventral,
encontramos o disco adesivo ou disco suctorial que apresenta grande importância na
adesão e alimentação do parasito. Essa forma vive no intestino, no duodeno e nas
primeiras porções do jejuno, alimentando-se a partir da absorção de gorduras e vitaminas
lipossolúveis por pinocitose tanto na parte ventral quanto na parte dorsal. A reprodução
dos trofozoítos se dá por divisão binária longitudinal.
CISTOS
Têm uma membrana externa fina e bem destacada do citoplasma, 4 núcleos pequenos e
com cariossomo central e representam as formas de resistência no ambiente,
sobrevivendona água por aproximadamente 2 meses ou mais. O desencistamento ocorre
na exposição a pH ácido e a temperatura de 37°C.
Durante seu ciclo biológico apresenta duas formas evolutivas:
 
Imagem: Shutterstock.com.
TROFOZOÍTOS
Apresentam de 10-20 μm de comprimento por 5 a 15 μm de largura, têm simetria bilateral e
contorno piriforme.
Trofozoítos

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Imagem: Shutterstock.com.
CISTOS
São geralmente ovoides medindo cerca de 12 μm de comprimento.
Cistos
A pessoa se infecta após a ingestão de água e alimentos contaminados com cistos. Após a
ingestão, o cisto passa pelo processo de desencistamento no intestino se tornando trofozoíto.
O trofozoíto, por sua vez, multiplica-se por divisão binária gerando novos trofozoítos. Parte
deles darão origem a novos cistos. Tanto cistos como trofozoítos são liberados nas fezes,
principalmente durante episódios de diarreia.
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Imagem: Shutterstock.com.
 Ciclo biológico da Giardia lamblia .
Alguns indivíduos não desenvolvem sintomas, mas, na maior parte das pessoas, após o
período de incubação (1-3 semanas), pode ocorrer um quadro de enterite benigna chamado de
Giardíase. Os principais sintomas são: diarreia líquida ou pastosa, mal-estar, cólicas
abdominais, fraqueza e perda de peso. A diarreia pode ocorrer em episódios agudos, ou
intermitentes ou de forma crônica e persistente e apresentam mau odor, aspecto claro, às
vezes com presença de muco ou sangue.
Outros sintomas observados com menos frequência são: a diminuição do apetite, náuseas,
vômito, flatulência, distensão abdominal, ligeira febre e cefaleia.
GIARDÍASE: EPIDEMIOLOGIA E
PREVENÇÃO
Neste vídeo, veremos os cuidados necessários para não contrair a doença e vamos entender
um pouco sobre a sua distribuição no Brasil
ORDEM TRICHOMONADIDA – FAMÍLIA
TRICHOMONADIDAE
Essa ordem tem como integrantes protozoários anaeróbicos. Alguns dos organismos nessa
ordem incluem: Trichomonas vaginalis , Dientamoeba fragilis , Histomonas meleagridis
(parasito de aves) e Mixotricha paradoxa (simbionte com cupins). Aqui, vamos aprender sobre
Trichomonas vaginalis , responsável pela tricomoníase, uma infecção sexualmente
transmissível (IST) e pertencente à família Trichomonadidae.
COSTA
Faixa que percorre o citoplasma nas proximidades do flagelo que sai do mesmo
blefaroplasto.
HIDROGENOSSOMOS
Organela que representaria a mitocôndria, porém sem DNA e citocromos.
CORPO PARABASAL
Conjunto de fibras, uma mais longa que a outra, juntamente com o aparelho de Golgi,
com suas membranas paralelas e suas vesículas.
Morfologicamente, o T. vaginalis apresenta de 3 a 6 flagelos que servem tanto para
locomoção quanto para a nutrição. Um dos flagelos se dirige para trás, formando uma
membrana ondulante quando se move. Outra estrutura característica é a estrutura em forma de
bastonete que percorre o corpo do protozoário chamado de axóstilo. Além disso, apresenta um
citóstoma que é uma abertura situada na origem do flagelo, um periplasto que é a membrana
que recobre o parasito, e um blefaroplasto que está presente no citoplasma, de onde se origina
o flagelo. Ainda temos a costa, os hidrogenossomos e o corpo parabasal.
 
Imagem: Bases da Parasitologia Médica, Luis Rey, 2010, p. 86.
 Ultraestrutura de Trichomonas .
PSEUDOCISTOS
Forma arredondada, sem motilidade e que apresenta todos os flagelos internalizados.
T. vaginalis é um parasito encontrado na mucosa vaginal da mulher, mas que pode ser
observado até mesmo em outros lugares do aparelho urinário feminino. No homem, já foi
isolado na uretra, próstata e no prepúcio. Para esse parasito, existe basicamente somente uma
forma, trofozoítos, embora recentemente venha se discutindo a sua importância e o papel dos
pseudocistos no ciclo.
 SAIBA MAIS
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Algumas espécies de tricomonadídeos (Trichomitus batrachorum , Trichomitus sanguisuga e
Ditrichomonas honigbergii ) possuem cistos verdadeiros.
A reprodução de T. vaginalis é exclusivamente por divisão binária longitudinal, não havendo
assim reprodução sexuada, bem como não há a formação de cistos para a propagação.
Mesmo não havendo formas resistentes ao ambiente, os trofozoítas de T. vaginalis são
capazes de sobreviver várias horas em uma gota de secreção vaginal e, na água, resiste 2
horas a 40°C.
 
Imagem: Débora Familiar Rodrigues Macedo.
 Ciclo biológico do T. vaginalis .
A forma de transmissão ocorre por meio do contato sexual ou por contato íntimo com
secreções contaminadas. Pode haver transmissão de mulher para mulher, de mulher para
homens e de homens para mulher. Além disso, pode ocorrer infecção do bebê durante o parto
normal, caso a mãe esteja contaminada.
Após o contato com o trofozoíto, a mulher passa por um período de incubação que dura entre 4
a 28 dias. Passado o período de incubação, aparecem os sintomas que normalmente são: um
corrimento espumoso e de odor forte, prurido intenso, aumento do pH vaginal e o aparecimento
de pontos hemorrágicos no colo uterino que apresentam a aparência chamada de “Cérvix em
morango”.
 
Imagem: Shutterstock.com.
Quando não tratada, pode haver algumas complicações, como a ruptura prematura das
membranas placentárias. Pode ainda facilitar a transmissão do vírus da imunodeficiência
humana (HIV) por conta do processo inflamatório que leva ao rompimento da barreira
mecânica e ao comprometimento da resposta imune. Além disso, pode favorecer o
aparecimento do câncer de próstata ou câncer cervical. Nos homens normalmente, essa
doença é assintomática.
O diagnóstico nas mulheres é feito a partir da análise de secreções coletadas durante o exame
papanicolau e nos homens pela cultura de urina ou cultura após a coleta do swab uretral. Além
disso, pode ser feito a partir de testes moleculares.
 
Foto: Shutterstock.com.
 Tricomonas no esfregaço de Papanicolau.
Estima-se que a cada ano, no mundo, mais de 200 milhões de casos novos sejam reportados
e, no Brasil, 4 milhões de novos casos. Por não ser uma doença de notificação obrigatória e/ou
compulsória, os números de infectados são ainda maiores, sem que se consiga ter um
panorama real da epidemiologia da doença. Outro fator que contribui para altos números de
casos sem termos um real panorama é a ausência de exames preventivos que poderiam
diagnosticar infecções assintomáticas ou casos brandos.
A melhor forma de prevenção da tricomoníase é utilizando preservativo em todas as relações
sexuais. Desse modo, além dessa IST, você se protegerá de tantas outras doenças
sexualmente transmissíveis. Mesmo que as chances sejam pequenas de se infectar a partir de
contato com superfícies contaminadas, como os assentos de vasos sanitários, é sempre bom
ter cautela em ambientes públicos e nunca compartilhar objetos pessoais como calcinhas e
toalhas de banho.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. (ADAPTADO DE FUNRIO - 2016 - IF-BA - TÉCNICO DE LABORATÓRIO –
BIOLOGIA) 
A DOENÇA DE CHAGAS FOI DESCOBERTA POR CARLOS CHAGAS, EM
1909, E É CAUSADA PELA INFECÇÃO DO PROTOZOÁRIO
TRYPANOSOMA CRUZI . SOBRE A DOENÇA DE CHAGAS, ANALISE AS
CONSIDERAÇÕES ABAIXO: 
 
I – AGENTE ETIOLÓGICO É UM PROTOZOÁRIO PORTADOR DE CÍLIOS.
 
II - CICLO DE VIDA DO AGENTE ETIOLÓGICO É HETEROXÊNO.
 
III – HOSPEDEIRO INTERMEDIÁRIO É UM INSETO HEMÍPTERO,
TRIATOMA INFESTANS .
 
IV – ESSA DOENÇA PROVOCA ULCERAÇÕES GRAVES NA PELE EM
HUMANOS (HOSPEDEIRO DEFINITIVO).
 
V – IMPEDIR A PROLIFERAÇÃO DOS INSETOS É UMA MEDIDA
PROFILÁTICA.
 
 
E CORRETO O QUE SE AFIRMA EM:
A) I, II e III
B) I, III e IV
C) II, III e V
D) II, IV e V
E) I, IV e V
2. (ADAPTADOS DE FIOCRUZ – CONCURSO PÚBLICO 2010) 
A ESPÉCIE GIARDIA LAMBLIA PODE SER RESPONSÁVEL POR UM
QUADRO DE ENTERITE, GERALMENTE BENIGNO, QUE RECEBE MAIS
COMUMENTE O NOME DE GIARDÍASE. SOBRE ESSE PARASITO
INTESTINAL, PODE-SE DIZER QUE:
A) É um protozoário ciliado, que durante o seu ciclo de vida apresenta duas formas:
epimastigota e cisto.B) Quando infectam o ser humano, os trofozoítas vivem somente no sangue, infectando as
células do sistema fagocítico mononuclear.
C) G. lamblia é encontrada apenas na Europa, não estando difundido nos países
subdesenvolvidos.
D) A pessoa com giardíase apresenta tosse, dor de cabeça e exantema, diarreia sanguinolenta
e dor abdominal.
E) A reprodução é assexuada existindo somente a forma trofozoítas e cisto no ciclo biológico.
GABARITO
1. (Adaptado de FUNRIO - 2016 - IF-BA - Técnico de Laboratório – Biologia) 
A doença de Chagas foi descoberta por Carlos Chagas, em 1909, e é causada pela
infecção do protozoário Trypanosoma cruzi . Sobre a doença de Chagas, analise as
considerações abaixo: 
 
I – Agente etiológico é um protozoário portador de cílios.
 
II - Ciclo de vida do agente etiológico é heteroxêno.
 
III – Hospedeiro intermediário é um inseto hemíptero, Triatoma infestans .
 
IV – Essa doença provoca ulcerações graves na pele em humanos (hospedeiro
definitivo).
 
V – Impedir a proliferação dos insetos é uma medida profilática.
 
 
E correto o que se afirma em:
A alternativa "C " está correta.
 
A doença de chagas apresenta dois hospedeiros, um vertebrado e um invertebrado, assim o
ciclo é heteroxêno. Os vetores dessa doença são insetos hemípteros do gênero
Panstrongylus , Rhodnius e Triatoma , sendo a principal espécie encontrada no Brasil o
Triatoma infestans . A prevenção ocorre pelo controle dos vetores, os triatomíneos, pela
melhoria na moradia, pelo uso de telas nas portas e janelas, de repelentes e de roupas
compridas, entre outras medidas.
2. (Adaptados de FIOCRUZ – Concurso Público 2010) 
A espécie Giardia lamblia pode ser responsável por um quadro de enterite, geralmente
benigno, que recebe mais comumente o nome de Giardíase. Sobre esse parasito
intestinal, pode-se dizer que:
A alternativa "E " está correta.
 
No ciclo de vida da Giardia lamblia estão presentes apenas os trofozoítos e cistos. No
hospedeiro definitivo, ocorre apenas a reprodução assexuada por divisão binária longitudinal,
não existindo uma fase de reprodução sexuada. .
CONCLUSÃO
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao longo desse tema, visitamos as principais doenças parasitárias causadas por protozoários
presentes no Brasil. Vimos as amebas e os apicomplexos sanguíneos, assim como os
principais parasitas flagelados de sangue e tecido. Aprendemos sobre a amebíase, a
toxoplasmose, malária, balantidíase, doença de chagas, doença do sono, leishmaniose,
tricomoníase e giardíase.
Vimos que essas doenças apresentam grande impacto na saúde pública, são responsáveis por
grande morbimortalidade e de fácil combate, muitas vezes apenas por medidas
socioeducativas. Você, como profissional da saúde, irá se tornar propagador de informações
verdadeiras baseadas em fatos comprovados cientificamente, contribuindo para prevenção e o
tratamento adequado dessas doenças.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de vigilância da leishmaniose tegumentar. 2017. In:
Biblioteca virtual em saúde. Consultado em meio eletrônico em: 01 mar. 2021.
BRASIL. Secretaria de Vigilância Sanitária. Boletim eletrônico Epidemiológico. Número 08.
2007. In: Biblioteca virtual em saúde. Consultado em meio eletrônico em: 01 mar. 2021.
BRASIL. Secretaria de Vigilância Sanitária. Boletim Epidemiológico. Número 21. Volume 46.
2015. Doença de Chagas aguda no Brasil: série histórica de 2000 a 2013. In: Biblioteca virtual
em saúde. Consultado em meio eletrônico em: 01 mar. 2021.
BRASIL. Secretaria de Vigilância Sanitária. Boletim Epidemiológico. Número especial. Nov.
2020a. In: Biblioteca virtual em saúde. Consultado em meio eletrônico em: 01 mar. 2021.
BRASIL. Ministério da Saúde. Doença de Chagas. 2020b. In: Biblioteca virtual em saúde.
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CARMO, E. L. et al . Soroepidemiologia da infecção pelo Toxoplasma gondii no
Município de Novo Repartimento, Estado do Pará, Brasil. Rev Pan-Amaz Saude. v.7, n.4,
p.;79-87, 2016. Consultado em meio eletrônico em: 10 mar. 2021.
CUNHA, C. R, et al. Tipificação Epidemiológica dos casos de Leishmaniose Visceral
Humana no Brasil, no período de 2013 A 2017. Revista Eletrônica Acervo Saúde. v.sup.,
n.41., p.1:10, 2020. Consultado em meio eletrônico em: 10 mar. 2021.
FLEGR, J. et al. Toxoplasmosis – A Global Threat. Correlation of Latent Toxoplasmosis with
Specific Disease Burden in a Set of 88 Countries. PLOS ONE. v.9, n.3, p.1-22, 2014.
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MORAIS, R.A.P.B. et al. Surto de toxoplasmose aguda no Município de Ponta de Pedras,
Arquipélago do Marajó, Estado do Pará, Brasil: características clínicas, laboratoriais e
epidemiológicas. Rev Pan-Amaz Saude. v.7, n. especial, p. 143-152, 2016. Consultado em
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ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE - OPAS/OMS. Leishmaniose: Informe
Epidemiológico das Américas. Informe de Leishmanioses. Número 07.2019. In: PAHO.
Consultado em meio eletrônico em: 02 mar. 2021.
REY, L. Bases da parasitologia médica. 3.ed. - Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010.
SANTOS, E. F et al. Acute Chagas disease in Brazil from 2001 to 2018: A nationwide
spatiotemporal analysis. PLOS Neglected Tropical Diseases v.14; n.8, 2020. Consultado em
meio eletrônico em: 10 mar. 2021.
SOUZA, C. S. et al . Amebíase no contexto da emergência: análise do perfil de internações
e morbimortalidade nos Estados brasileiros em 5 anos. Rev Soc Bras Clin Med. v. 17, n.2,
p.:66-70, 2019. Consultado em meio eletrônico em: 10 mar. 2021.
EXPLORE+
Para aprimorar os seus conhecimentos no assunto estudado neste tema:
Visite o portal da Encyclopaedia Britannica e aprenda mais sobre a história,
classificação e evolução dos protozoários.
Leia o livro Toxoplasmose & Toxoplasma gondii, de Wanderley de Souza e Rubens
Belfort Jr, publicado pela Editora Fiocruz e aprenda mais sobre toxoplasmose.
Visite os sites da Organização mundial da saúde e do CDC e encontre informações
confiáveis e sempre atualizadas sobre Trypanosoma .
Leia o artigo Trypanosoma cruzi transmission in the wild and its most important reservoir
hosts in Brazil , de Jansen, Xavier e Roque (2018), encontrado no site Bio Med Central,
para ver mais informações sobre Trypanosoma no Brasil.
Leia o artigo Current world status of Balantidium coli , de Schuster e Ramirez-Avila
(2008), encontrado no site da PubMed, para saber mais informações sobre Balantidium
coli .
Leia o artigo Amebíase no contexto da emergência: análise do perfil de internações e
morbimortalidade nos Estados brasileiros em 5 anos, de Camylla Santos de Souza e
colaboradores (2019), encontrado no site da SBCM, para conhecer mais sobre amebíase
no Brasil.
CONTEUDISTA
Débora Familiar Rodrigues Macedo
 CURRÍCULO LATTES
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DESCRIÇÃO
Estudo dos platelmintos parasitos do homem e causadores de esquistossomose, fasciolíase,
teníase, cisticercose humana, hidatidose e himenolepíase.
PROPÓSITO
Compreender as diferentes classes do filo Platyhelminthes para o conhecimento da
epidemiologia, das formas evolutivas dos parasitos, do ciclo de vida, da sintomatologia e do
tratamento é importante, pois algumas classes incluem muitas espécies de interesse médico
por infectar o homem e/ou os animais domésticos.
OBJETIVOS
MÓDULO 1
Descrever as características dos helmintos trematódeos dos gêneros Schistosoma e Fasciola e
suas respectivas doenças associadas
MÓDULO 2
Reconhecer os principais cestoides parasitos do homem e suas características
INTRODUÇÃO
Os platelmintos são helmintos popularmente conhecidos como “vermes chatos” por possuírem
o corpo achatado dorsoventralmente. Além disso, apresentam simetria bilateral, são
multicelulares, com diversos órgãos que formam diferentes sistemas.
Podem medir de milímetros a metros de comprimento e na maioria dos casos são
hermafroditas.
Este filo é composto por quatro classes: Turbellaria, Monogenea, Trematoda e Cestoda. As
duas últimastêm importância parasitológica, apresentando gêneros que parasitam o homem
e/ou os animais domésticos, e serão o foco do nosso estudo. A análise da morfologia das
formas evolutivas e do ciclo de vida destes parasitas é essencial para a compreensão das
doenças associadas e da sintomatologia. Você já ouviu falar da doença barriga d’água? Você
sabe por que algumas pessoas relatam ter “solitárias” no intestino? Já ouviu falar em
fasciolíase, hidatidose ou himenolepíase? Vamos juntos aqui decifrar e explorar mais sobre
platelmintos parasitos do homem.
SIMETRIA BILATERAL
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Os platelmintos são animais bilateralmente simétricos, ou seja, a anatomia do lado
esquerdo e direito se espelham como imagens invertidas um do outro.
MÓDULO 1
 Descrever as características dos helmintos trematódeos dos gêneros Schistosoma e
Fasciola e suas respectivas doenças associadas
CLASSE TREMATODA
Os platelmintos da classe Trematoda recebem este nome por apresentarem no seu órgão de
fixação cavidades semelhantes a ventosas, as quais permitem a fixação do parasito no seu
hospedeiro.
Vejamos suas subclasses:
DIGENEA
Apresenta um ciclo de vida complexo, parasitando quase sempre dois hospedeiros:
Hospedeiro intermediário - moluscos, na maior parte dos casos.
Hospedeiro definitivo – peixes, aves e mamíferos. Essa é a subclasse mais abundante, na
qual algumas espécies parasitam o homem e possuem grande importância médica e social,
como a esquistossomose.
ASPIDOGASTREA
Apresenta menor número de espécies, que variam em comprimento de um milímetro a vários
centímetros. São parasitas de moluscos de água doce e marinhos e vertebrados (peixes
cartilaginosos e ósseos e tartarugas). A maturação pode ocorrer no hospedeiro molusco ou
vertebrado. Nenhuma das espécies tem importância econômica, mas desperta interesse de
pesquisadores, uma vez que são parasitas de hospedeiros de mais de 450 mil anos.
Como a subclasse Digenea acomete a população que habita regiões de clima temperado e
tropical, principalmente áreas subdesenvolvidas ou em desenvolvimento, será o foco de
nosso estudo.
SCHISTOSOMA SP. E ESQUISTOSSOMOSE
A esquistossomose (bilharzíase) é uma doença crônica causada por helmintos trematódeos do
gênero Schistosoma e por diferentes espécies. Entre elas, Schistosoma haematobium (África),
Schistosoma japonicum (África, sudeste da Ásia e Costa Oeste do Pacífico) e Schistosoma
mansoni (África, sudeste da Ásia, América e Caribe) são as de maior importância e
responsáveis pelas duas principais formas de esquistossomose, a intestinal e a urogenital.
BILHARZÍASE
Acredita-se que a doença tenha se originado há mais de 2000 anos. Estudos
demonstram a presença de ovos do verme em vísceras de múmias egípcias e em
cadáveres da cidade chinesa de Cehang-lha.
Atualmente, a esquistossomose apresenta alta incidência e prevalência em países
subdesenvolvidos. As zonas de clima tropical e temperado são as áreas endêmicas da
parasitose. Estima-se que há mais de 240 milhões de pessoas infectadas em 78 países, das
quais 280 mil chegam a óbito anualmente. Além disso, em 2018, foram tratadas mais de 97,2
milhões de pessoas.
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Imagem: BUTROUS G., 2019. Adaptado por Angelo Oliveira.
 Distribuição geográfica da Esquistossomose.
Juntamente com a malária, a esquistossomose é uma das mais importantes de todas as
doenças parasitárias humanas. Considerada uma das 17 doenças tropicais negligenciadas
(DTNs) pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em razão do impacto médico e econômico
nos países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos.
 SAIBA MAIS
As doenças tropicais negligenciadas (DTNs) — um grupo diversificado de doenças
transmissíveis que prevalecem em condições tropicais e subtropicais em 149 países —afetam
mais de 1 bilhão de pessoas e custam bilhões de dólares às economias em desenvolvimento
todos os anos. As populações que vivem em situação de pobreza, sem saneamento adequado
e em contato próximo com vetores infecciosos, animais domésticos e gado são as mais
afetadas.
Os países endêmicos nas Américas são: Brasil, Suriname, Venezuela e Ilhas do Caribe.
Destes, o Brasil possui a maior área endêmica. Dados do Ministério da Saúde revelam que
entre os anos de 2010 e 2012 ocorreram 1.464 óbitos e 941 internações por 100 mil habitantes
em razão da esquistossomose. No entanto, essa é uma doença considerada de baixa
letalidade. As principais causas de morte são relacionadas às formas clínicas graves. Em 2017,
existia no país 1,5 milhão de pessoas infectadas, 80% delas na região Nordeste.
INTRODUÇÃO DA DOENÇA NO BRASIL
No Brasil, acredita-se que a introdução da doença aconteceu no período colonial,
acompanhando o tráfico de escravos da África ocidental para o Nordeste, principalmente
Recife e Salvador. Dessas regiões, a doença foi transmitida para todo o território brasileiro.
Aqui, os parasitas encontraram condições favoráveis à transmissão, constituindo hoje um
grande problema de saúde pública. Além disso, características como o tempo de vida dos
vermes adultos, a grande quantidade de ovos que são depositados pelas fêmeas, a
precariedade do saneamento básico, o caráter crônico da doença e a ampla distribuição dos
hospedeiros intermediários suscetíveis são alguns dos fatores que contribuíram para a
distribuição da doença no país.
Atualmente, a esquistossomose mansônica está presente ao longo de quase toda região
litorânea do Nordeste, a partir do Rio Grande do Norte em direção ao Sul, seguindo o trajeto de
importantes bacias hidrográficas. As áreas endêmicas abrangem os estados de Alagoas,
Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte (faixa litorânea), Paraíba, Sergipe, Espírito Santo e
Minas Gerais (predominantemente no norte e nordeste do estado).
FORMAS EVOLUTIVAS E CICLO DE VIDA DO S.
MANSONI
O Schistosoma mansoni é um parasito do gênero Schistosoma, da família Schistosomatidae,
classe Trematoda e subclasse Digenea, com acentuado dimorfismo sexual. Possui um ciclo
biológico do tipo heteroxênico, diferentes estágios de desenvolvimento e duas formas
aquáticas.
DIMORFISMO
Dimorfismo sexual: ocorrência de indivíduos do sexo masculino e feminino de uma
espécie com caracteres físicos, não sexuais, marcadamente distintos.
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HETEROXÊNICO
Ciclo de vida que se caracteriza pela apresentação de dois ou mais hospedeiros para que
seja completo.
O parasito apresenta um ciclo biológico complexo envolvendo uma passagem por um
hospedeiro intermediário — representado por moluscos (caramujos) do gênero Biomphalaria
— no qual ocorre a reprodução assexuada, e um habitat permanente no hospedeiro
definitivo, representado pela espécie humana, na qual ocorre a reprodução sexuada.
No Brasil, os hospedeiros intermediários de maior interesse são caramujos da espécie
Biomphalaria glabrata e, em menor extensão, das espécies B. straminea e B. tenagophila.
 
Imagem: Shutterstock.com.
 Caramujo do gênero Biomphalaria.
Durante o ciclo de vida do S. mansoni ocorrem diversas mudanças em nível estrutural,
fisiológico e bioquímico no parasita em razão das adaptações sofridas em diferentes meios (a
água e o ambiente interno de seus hospedeiros). A ilustração a seguir mostra o ciclo, desde
quando indivíduos infectados defecam em coleções de água doce (híbridas) e liberam,
juntamente com as fezes, os ovos de S. mansoni.
 
Imagem: Guido4/ Wikimedia commons/ licença (CC BY-SA 4.0).
Vamos agora conhecer um pouco mais sobre o ciclo de vida do Schistosoma mansoni.
 
Quando os ovos são liberados, eles contêm um embrião ainda em formação, que após uma
semana torna-se maduro.
 
Em contato com a água, os ovos eclodem estimulados pela temperatura, luz intensa e
oxigenação, liberando a primeira forma larval denominada miracídio.
1
 
Imagem: Shutterstock.com.
O miracídio tem o corpo ciliado e nada ativamente no meio aquático até encontrar o hospedeiro
intermediário, o molusco (caramujo) do gênero Biomphalaria. Em seguida,adere-se e penetra
no molusco
Quarenta e oito horas após penetrar o molusco, o miracídio perde seus cílios e se transforma
em esporocisto primário, cujas células germinativas se multiplicam rapidamente por
reprodução assexuada formando numerosos esporocistos secundários.
 
Fonte: CARVALHO; COELHO; LENZI (Orgs.), 2008. p. 51.
 Corte histológico de Biomphalaria sp. mostrando esporocisto primário (ES1) e secundário
(ES2) de S. mansoni.
2
3
 
Imagem: Shutterstock.com.
 Cercárias.
Os esporocistos secundários movem-se para as glândulas digestivas onde crescem em 2 ou 4
semanas, por reprodução assexuada, e originam de 300 a 400 cercárias (Última forma larval)
que saem do molusco estimuladas pela luz solar e temperatura da água. Elas apresentam uma
cauda de extremidade curta e bifurcada. Após deixarem o molusco (devido ao fototropismo), as
cercárias nadam por movimentação da cauda e permanecem agrupadas em águas rasas.
Estudos mostram que a liberação das cercárias ocorre preferencialmente nas horas mais
claras do dia, após 4 a 7 semanas da infecção do caramujo por um ano (tempo médio de vida
do caramujo). Na água, as cercárias sobrevivem até suas reservas de glicogênio acabarem
(aproximadamente 72 horas após a liberação).
Em contato com a pele do hospedeiro definitivo (homem) , as cercárias penetram por meio
de ação combinada da secreção de várias enzimas, como as proteases, e dos movimentos
vibratórios da cauda, podendo produzir uma irritação de intensidade variável de indivíduo para
indivíduo. Durante a penetração, as cercarias perdem a cauda e transformam-se em
esquistossômulos. Os esquistossômulos, por sua vez, migram na derme, caem na corrente
sanguínea e/ou linfática, atingem a circulação venosa e são levados ao coração e aos
pulmões. Em torno do 8º ao 15º dia de infecção, os esquistossômulos deixam os pulmões e se
encaminham para a circulação porta hepática, onde ocorrerá o amadurecimento sexual e
consequente transformação em vermes adultos nos vasos intra-hepáticos.
 
Imagem: CARVALHO; COELHO; LENZI (Orgs.), 2008. p. 57.
4
Os vermes adultos são os agentes etiológicos da esquistossomose, os quais sobrevivem
uma média de 3 a 10 anos em seus hospedeiros humanos. Eles apresentam sexos separados,
forte dimorfismo sexual, tegumento complexo, trato digestivo incompleto e órgãos reprodutivos.
Alimentam-se das células sanguíneas e globulinas, as quais são digeridas no trato intestinal.
Os vermes adultos não possuem ânus e por isso não podem excretar resíduos, então
regurgitam os resíduos na corrente sanguínea e urina. Vivem nos vasos sanguíneos da
cavidade abdominal.
 
Imagem: CARVALHO; COELHO; LENZI (Orgs.), 2008. p. 115.
 Corte longitudinal de S. mansoni adulto macho, em contato com endotélio (seta), portando
uma fêmea no canal ginecóforo.
 
VERME MACHO
Apresentam o corpo esbranquiçado, duas ventosas (oral e ventral) na região anterior, um canal
ginecóforo que alberga uma fêmea e a transporta para as pequenas vênulas e a ajuda na
ingestão de sangue.
 
Imagem: عالء / Wikimedia commons/ licença (CC BY-SA 4.0).
 Fêmea adulta no interior do canal ginecóforo do macho.
VERME FÊMEA
Mais fina e de cor mais escura que o macho, tem o corpo filiforme e apresenta duas pequenas
ventosas. Após o acasalamento, formam-se casais de parasitos os quais migram unidos em
sentido contrário ao fluxo sanguíneo para seu nicho final nas veias mesentéricas.
 SAIBA MAIS
Veias mesentéricas: veias que drenam sangue dos intestinos. A veia mesentérica inferior drena
para a veia esplênica, enquanto a veia mesentérica superior junta-se à veia esplênica para
formar a veia porta.
Após um mês de infecção, as fêmeas acasaladas iniciam a oviposição, com média de 300
ovos por dia. O homem infectado pode eliminar ovos viáveis por um período de 6 a 10 anos,
chegando a mais de 20 anos.
 
Imagem: CARVALHO; COELHO; LENZI (Orgs.), 2008. p. 66.
 Sistema reprodutor de vermes fêmeas de Schistosoma mansoni: contraste de interferência
diferencial do ovo (O), do ovário (OV) e do vielotelo (VT).
Os ovos que ficam retidos nos tecidos levam sete dias para tornarem-se maduros (com
miracídio formado no seu interior). Da submucosa intestinal, parte dos numerosos ovos
chega à luz e é excretada com as fezes, completando o ciclo do parasito. Entretanto,
parte dos ovos fica retida principalmente no fígado e no intestino, conduzindo a uma
resposta inflamatória característica do processo patológico da esquistossomose que veremos a
seguir.
O ciclo de vida do gênero Schistosoma é semelhante para as diferentes espécies,
apresentando poucas diferenças. Enquanto nas espécies S. mansoni e S. japonicum, após o
acasalamento, os parasitos adultos migram para as veias mesentéricas, na espécie S.
haematobium as larvas migram para as veias do sistema urogenital de seus hospedeiros
definitivos.
 SAIBA MAIS
Os ovos de Schistosoma sp. têm formato oval e são reconhecidos por apresentarem um
espinho lateral, chamado de espículo.
 
Imagem: BUTROUS, G., 2019.
 Ovos dos três principais gêneros do Schistosoma, mostrando os espículos.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
A evolução clínica da esquistossomose mansônica depende da resposta imunológica do
hospedeiro à invasão, ao amadurecimento e à oviposição do verme. Clinicamente, a
esquistossomose pode ser classificada em fase inicial (aguda) – intervalo entre a contaminação
até a oviposição e a fase tardia (crônica) que inicia após meses da infecção. A forma crônica
ocorre raramente e pode ser assintomática ou sintomática apresentando quadros de
hepatoesplenomegalia e sinais de hipertensão porta.
A fase inicial começa após a penetração da cercária na pele intacta, causando manifestações
alérgicas e alterações dermatológicas. Após a penetração, uma parte das larvas morre na pele
enquanto a outra atinge a circulação sanguínea e/ou linfática.
Na pele, a resposta imune inata contra as larvas mortas dá origem a reações de
hipersensibilidade, podendo causar uma reação pruriginosa maculopapular, chamada dermatite
cercariana, em partes do corpo que foram expostas à água contendo cercarias.
 
Imagem: Tomas Machacek/ Wikimedia commons/ licença (CC BY-SA 4.0).
 Dermatite cercariana.
Além das manifestações dermatológicas, o paciente pode apresentar outros sintomas clínicos,
como febre, indisposição, anorexia, dores abdominais, diarreia, emagrecimento, mialgias,
cefaleia, vômitos, náuseas e prostração. Essa sintomatologia é conhecida como Febre de
Katayama, e é causada por uma reação do sistema imune à migração e à produção de ovos do
parasita no organismo.
Essa fase também é caracterizada pela presença de granulomas periovulares, grandes, com
muitos eosinófilos e necrose central em diversos órgãos, como fígado, intestino e pulmão.
GRANULOMAS
Granulomas esquistossomóticos são uma coleção de células inflamatórias, como
eosinófilos, neutrófilos, linfócitos e macrófagos, que se acumulam em resposta e ao redor
dos ovos de S. mansoni.
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Imagem: BUTROUS G., 2019.
 
Imagem: BUTROUS G., 2019.
Podemos perceber que a formação do granuloma começa com o recrutamento inicial de
macrófagos, eosinófilos e neutrófilos que se depositam ao redor do ovo aprisionado.
 
Imagem: BUTROUS G., 2019.
Essas células causam uma reação inflamatória resultando no recrutamento de mais células e o
início do desenvolvimento do granuloma.
 
Imagem: BUTROUS G., 2019.
No estágio final, com a tentativa de resolução do granuloma pelo organismo, temos a
deposição de colágeno, com subsequente degradação e remodelação dessa proteína, o que
contribui para a fibrose do tecido.
As manifestações clínicas da fase aguda coincidem com o início da eliminação dos ovos nas
fezes. É importante relatar que pessoas que vivem em área endêmicas podem apresentar
esses sintomas de maneira discreta ou até mesmo ser assintomático.
Após 6 meses da infecção, inicia-se a fase crônica, a qual pode durar anos. Nessa fase,
surgem os sinais de progressãoda doença para diversos órgãos. A doença é dividida nas
seguintes formas:
FORMA CRÔNICA LEVE OU HEPATOINTESTINAL
Consiste na maioria dos casos, em que os indivíduos infectados de áreas endêmicas eliminam
os ovos nas fezes de forma constante e permanecem assintomáticos ou com queixas
inespecíficas (diarreias e epigastralgia). No fígado, é possível observar a presença de
granulomas isolados ao redor dos ovos em várias fases de evolução.
 
Imagem: Shutterstock.com.
 Hepatomegalia: fígado saudável x fígado aumentado.
FORMA CRÔNICA GRAVE OU HEPATOESPLÊNICA
Com o efeito acumulativo das lesões granulomatosas em torno dos ovos, as alterações
hepáticas tornam-se mais severas. O fígado, que inicialmente sofre um aumento de volume
(hepatomegalia), em uma fase mais adiantada pode ficar menor e fibrosado. Essa fibrose
periportal (evidenciada pelo ultrassom) provoca obstrução dos ramos intra-hepáticos da veia
porta e, consequentemente, a hipertensão porta, que pode se intensificar com a evolução da
doença, levando a complicações potencialmente graves, como ascite, esplenomegalia,
surgimento de varizes de esôfago (vista em radiografia de esôfago) e até mesmo ao óbito.
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Imagem: Shutterstock.com.
 Baço normal X baço aumentado (esplenomegalia).
 
Imagem: Shutterstock.com.
 Ascite, popularmente conhecida como “barriga d’água”.
HIPERTENSÃO PORTA
A hipertensão portal é definida como um aumento anormal da pressão sanguínea na veia
porta, aquela de grande calibre que transporta o sangue do intestino ao fígado e às suas
ramificações.
ASCITE
Ascite, ou barriga d’água, é o nome dado ao acúmulo anormal de líquidos dentro da
cavidade peritoneal - um espaço entre os órgãos abdominais e os tecidos que revestem o
abdômen.
Além das manifestações apontadas anteriormente, os pacientes com esquistossomose podem
apresentar outras complicações. São elas:
1
 
Imagem: Shutterstock.com.
HIPERTENSÃO PULMONAR
Ocorre por obstrução vascular, provocada por ovos, vermes mortos e/ou vasculite pulmonar por
imunocomplexos.
IMUNOCOMPLEXOS
É um complexo formado por imunoglobulina ligada a antígenos solúveis.
GLOMERULOPATIA
Ocorre por síndrome nefrótica, provocada por imunocomplexos.
 
Imagem: Shutterstock.com.
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Imagem: Shutterstock.com.
NEUROLÓGICA
Ocorre por lesões no sistema nervoso central, provocadas pela presença de ovos e de
granulomas esquistossomóticos. A mielite transversa é a mais frequente na esquistossomose
mansônica.
Neste vídeo, a especialista resume o ciclo de vida evidenciando as formas evolutivas do
parasita.
 ATENÇÃO
Segundo a Portaria do Ministério da saúde nº 264 e 17 de fevereiro de 2020, esquistossomose
é uma doença de notificação compulsória. Nas áreas endêmicas, o registro dos dados
operacionais e epidemiológicos de rotina deve ser realizado por meio do Sistema de
Informações do Programa de Vigilância e Controle da Esquistossomose (SISPCE). Quanto às
áreas não endêmicas e aos casos graves nas áreas endêmicas, as notificações devem ser
feitas ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), por meio da ficha de
investigação da esquistossomose.
TRATAMENTO E PROFILAXIA DA ESQUISTOSSOMOSE
A utilização dos fármacos praziquantel e oxaminiquina são formas de tratamento da
esquistossomose. Ambos podem ser administrados tanto em adultos quanto em crianças.
O controle da esquistossomose depende de algumas ações preventivas:
Identificação de fontes de infecção por meio do diagnóstico precoce e tratamento
oportuno com esquistossomicidas.
Vigilância e controle dos hospedeiros intermediários (moluscos).
Ações educativas em saúde para promover a mudança de hábitos e comportamentos que
facilitam a transmissão.
Ações de saneamento para evitar a contaminação dos ambientes aquáticos com fezes.
Ações das equipes da saúde da família para o diagnóstico e acompanhamento do
tratamento adequado.
 ATENÇÃO
Em breve, teremos vacinação contra esquistossomose!
O Brasil é o primeiro país a desenvolver uma vacina contra a esquistossomose SM-14, a qual
se encontra na última etapa de teste em humanos. Para a produção da vacina, os
pesquisadores utilizaram a proteína S. mansoni 14 (Sm-14) presente em todas as fases do
ciclo evolutivo do parasita. Essa proteína pertence ao grupo de proteínas ligadoras de ácidos
graxos responsáveis pelo transporte e pela absorção de lipídeos provenientes do hospedeiro
definitivo e intermediário.
A vacinação estimula a resposta imune adaptativa para a produção de memória imunológica
celular e anticorpos anti-Sm-14. Esses anticorpos impedem o funcionamento normal da
proteína. Uma vez que o parasita não consegue sintetizar por si só os lipídios, há o bloqueio do
metabolismo energético do parasita e, assim, a eliminação do esquistossomo dentro do
organismo antes da manifestação dos sintomas.
FASCIOLA HEPATICA E FASCIOLOSE
A fasciolose é uma zoonose causada por helmintos trematódeos do gênero Fasciola hepatica.
Esse parasita tem ciclo heteroxênico, apresentando como hospedeiro intermediário moluscos
(caramujos) do gênero Lymnaea e como hospedeiro definitivo vertebrados como ovFasciola
hepaticaelhas, equinos, suínos, animais silvestres e gado. O homem é um hospedeiro
acidental, decorrente da ingesta de agrião ou outras plantas aquáticas contaminados com
fezes de animais (contendo ovos de F. hepatica).
 
Imagem: Smithsonian Environmental Research Center/ Wikimedia commons/licença (CC BY
2.0).
 Lymnaea columela.
 SAIBA MAIS
No Brasil, foram identificadas quatro espécies de caramujo: Lymnaea columela, Lymnaea
viatrix, Lymnaea cubensis e Lymnaea rupestres. Esses moluscos são hermafroditas e vivem
nas margens úmidas, sob a vegetação aquática ou submersos em lagos, lagoas, córregos de
água límpida e correnteza fraca, brejos e pântanos e canais de irrigação com pouca água.
A fasciolose causa grandes prejuízos econômicos ao setor produtivo de carne no Brasil e no
mundo, em razão de perdas no rendimento das carcaças, diminuição na produção de leite,
redução da fertilidade e condenação de fígados (principal órgão acometido) dos animais
detectados na inspeção post mortem.
Estima-se que mais de 300 bilhões de bovinos e 280 milhões de ovinos no mundo estejam em
áreas endêmicas e que os danos econômicos estejam na casa de 3,2 bilhões de dólares/por
ano.
 SAIBA MAIS
As principais causas de condenação de cortes ou carcaças no mundo são as lesões causadas
por parasitoses, como cisticercose, hidatidose e fasciolose. No próximo módulo, estudaremos a
cisticercose e a hidatidose.
A fasciolose humana acidental ocorre em alguns lugares do mundo, como Europa, África,
China e América do Sul. É considerada uma das 17 doenças tropicais negligenciadas (DTNs).
Em geral, a doença em humanos acompanha a distribuição da doença nos animais — as
regiões de clima subtropical e tropical são as mais afetadas. Atualmente, estima-se que existe
entre 2,4 milhões a 17 milhões de pessoas infectadas no mundo. A maior prevalência da
doença conhecida em humanos foi relatada no norte da Bolívia.
No Brasil, há casos confirmados nos estados do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas
Gerais, Mato Grosso do Sul, Bahia, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. No entanto, como a
doença em humanos não é de notificação compulsória, o controle do número de casos é
baseado em publicações científicas. É importante informar que casos de fasciolose em animais
devem ser notificados mensalmente ao órgão competente.
 
Imagem: Shutterstock.com. Adaptado por Angelo Souza.
 Estados brasileiros com casos de fasciolose.
 VOCÊ SABIA
O primeiro caso de notificação de F. hepatica em bovinos no Brasil ocorreu em 1918, mas
apenas em 1958 foi feito o primeiro relato da doença em humanos: uma criança de 3 anos na
cidade de Campo Grande no Mato Grosso do Sul.
FORMAS EVOLUTIVAS E CICLO DE VIDA DA
FASCIOLA HEPATICA
Os vermes adultos de Fasciola hepatica possuem as característicasa seguir.
São hermafroditas (como a maioria dos helmintos trematódeos, com exceção dos
esquistossomos).
Medem em torno de 2 a 4 cm de comprimento.
Possuem o corpo achatado dorsoventralmente (como a maioria dos platelmintos).
Possuem duas ventosas, oral e ventral.
São encontrados no interior da vesícula e nos canais biliares mais calibrosos
(hospedeiros comuns); e nas vias biliares e nos alvéolos pulmonares (homem,
hospedeiro acidental).
O desenvolvimento da larva ocorre no ambiente aquático.
Apresentam formato de uma folha de planta alongada e cor pardo-acinzentada. 
 
Imagem: Shutterstock.com.
O ovo é grande, de cor amarelada, formato elíptico e apresenta um opérculo em uma das
extremidades. No interior do ovo, estão as células vitelinogênicas que abrigam uma
célula-ovo com o núcleo. 
 
Imagem: Shutterstock.com.
CICLO DE VIDA DA FASCIOLA HEPATICA
1
 
Imagem: Servier Medical Art/ Wikimedia commons/ licença (CC BY 2.0).
A fasciolose é adquirida pela ingestão de plantas, especialmente agrião, contendo
metacercárias que, após a ingestão, desencistam-se no duodeno e migram da parede intestinal
até o parênquima hepático e para os ductos biliares.
Nos ductos biliares, as metacercárias se transformam em vermes adultos que passam a liberar
os ovos.
 
Imagem: Servier Medical Art/ Wikimedia commons/ licença (CC BY 2.0).
2
3
 
Imagem: Servier Medical Art/ Wikimedia commons/ licença (CC BY 2.0).
Os ovos são arrastados pela bile, alcançam as fezes e chegam ao ambiente externo.
O desenvolvimento embrionário e a formação do miracídio ocorrem quando os ovos entram em
contato com a água em temperatura adequada.
 
Imagem: Servier Medical Art/ Wikimedia commons/ licença (CC BY 2.0).
3
4
 
Imagem: Shutterstock.com.
Após a eclosão dos ovos, os miracídios são liberados e nadam até encontrar e invadir o
hospedeiro intermediário — moluscos do gênero Lymnaea.
No interior do caramujo, o miracídio passa por vários estágios de desenvolvimento
transformando-se em um esporocisto, que dá origem de 5 a 8 rédias.
 
Imagem: Servier Medical Art/ Wikimedia commons/ licença (CC BY 2.0).
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Imagem: Servier Medical Art/ Wikimedia commons/ licença (CC BY 2.0).
As rédias podem dar origem a rédias de segunda geração (condições adversas) ou às
cercarias (apresenta cauda única e não é bifurcada). A parte do ciclo que ocorre no interior do
molusco dura por volta de 30-40 dias. As cercárias liberadas aderem com suas ventosas à
vegetação aquática e se encistam como metacercárias na vegetação aquática ou em outras
superfícies.
O hospedeiro vertebrado (gado, ovelhas e acidentalmente o homem) se infecta ao ingerir água,
alimentos (gravetos, capins etc.) ou verduras (principalmente o agrião) contaminados com
metacercárias, completando o ciclo.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
Nos humanos, as manifestações clínicas mais comuns são:
Febre, que pode ser acompanhada de dores abdominais e diarreia.
Eosinofilia, de 60 a 80% de eosinófilos no sangue.
Ulcerações na parede dos canais biliares em semanas.
Aumento do fígado e da vesícula biliar.
Obstrução, fibrose e calcificação das vias biliares.
Cirrose biliar.
Insuficiência hepática em casos mais graves.
 SAIBA MAIS
Nos animais, a patogenia varia de acordo com a carga parasitária e o estágio de
desenvolvimento dos parasitas. Além disso, o grau de suscetibilidade da doença varia de
acordo com a espécie.
TRATAMENTO E PROFILAXIA DA FASCIOLOSE
A droga de escolha para o tratamento da fasciolose é o triclabendazol, administrado por via
oral, geralmente em duas doses. A maioria das pessoas responde bem ao tratamento.
O controle da fasciolose depende de algumas ações preventivas relativamente simples,
como:
Manter as hortas cercadas e irrigadas, para evitar a contaminação das valas com fezes
de gado/ovelhas.
Não consumir agrião silvestre proveniente de zonas endêmicas.
Não beber água de córregos ou alagadiços.
Ferver ou filtrar a água em zonas endêmicas.
Controlar os hospedeiros intermediários (moluscos).
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. (ADAPTADO DE ENEM, 2019) A ESQUISTOSSOMOSE (BARRIGA-
D’ÁGUA) CARACTERIZA-SE PELA INFLAMAÇÃO DO FÍGADO E DO BAÇO
CAUSADA PELO VERME SCHISTOSOMA MANSONI (ESQUISTOSSOMO).
O CONTÁGIO OCORRE DEPOIS QUE LARVAS DO VERME SÃO
LIBERADAS NA ÁGUA PELO CARAMUJO DO GÊNERO BIOMPHALARIA,
SEU HOSPEDEIRO INTERMEDIÁRIO, E PENETRAM NA PELE HUMANA.
APÓS O DIAGNÓSTICO, O TRATAMENTO TRADICIONAL UTILIZA
MEDICAMENTOS POR VIA ORAL PARA MATAR O PARASITA. UMA NOVA
ESTRATÉGIA TERAPÊUTICA BASEIA-SE NA UTILIZAÇÃO DE UMA
VACINA, FEITA A PARTIR DE UMA PROTEÍNA EXTRAÍDA DO VERME,
QUE INDUZ O ORGANISMO HUMANO A PRODUZIR ANTICORPOS PARA
COMBATER E PREVENIR A DOENÇA. (FONTE: INSTITUTO OSWALDO
CRUZ/FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ (IOC/FIOCRUZ, 2019.) 
 
UMA VANTAGEM DA VACINA EM RELAÇÃO AO TRATAMENTO
TRADICIONAL É QUE ELA PODERÁ:
A) Impedir a penetração do parasita na pele.
B) Eliminar o caramujo para que não haja contágio.
C) Impedir o acesso do esquistossomo especificamente no fígado.
D) Eliminar o esquistossomo antes que ocorra contato com o organismo.
E) Eliminar o esquistossomo dentro do organismo antes da manifestação de sintomas.
2. (ADAPTADO DE FUNDATEC, 2019) A FASCIOLOSE É UMA DOENÇA
PARASITÁRIA CAUSADA PELA FASCIOLA HEPATICA, CONHECIDA
POPULARMENTE COMO “BARATINHA DO FÍGADO” OU “SAGUAIPÉ”. O
PARASITA, PARA COMPLETAR SEU CICLO, PRECISA DE DOIS
HOSPEDEIROS: UM INTERMEDIÁRIO E OUTRO DEFINITIVO. A FORMA
LARVAL DO PARASITA SE DESENVOLVE:
A) No interior de caramujos do gênero Lymnaea.
B) No interior de caramujos do gênero Biomphalaria.
C) No intestino de peixes contaminados com larvas de Diphyllobothrium.
D) No respiráculo das larvas de mosquitos do gênero Culex.
E) Junto aos flagelos dos miracídeos.
GABARITO
1. (Adaptado de ENEM, 2019) A esquistossomose (barriga-d’água) caracteriza-se pela
inflamação do fígado e do baço causada pelo verme Schistosoma mansoni
(esquistossomo). O contágio ocorre depois que larvas do verme são liberadas na água
pelo caramujo do gênero Biomphalaria, seu hospedeiro intermediário, e penetram na
pele humana. Após o diagnóstico, o tratamento tradicional utiliza medicamentos por via
oral para matar o parasita. Uma nova estratégia terapêutica baseia-se na utilização de
uma vacina, feita a partir de uma proteína extraída do verme, que induz o organismo
humano a produzir anticorpos para combater e prevenir a doença. (Fonte: Instituto
Oswaldo Cruz/Fundação Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz, 2019.) 
 
Uma vantagem da vacina em relação ao tratamento tradicional é que ela poderá:
A alternativa "E " está correta.
 
A vacina é uma medida profilática que visa induzir a formação de anticorpos e células de
memória imunológica. Logo, sua vantagem em relação ao tratamento tradicional é eliminar o
esquistossomo dentro do organismo antes da manifestação de sintomas pela ação dos
anticorpos.
2. (Adaptado de Fundatec, 2019) A fasciolose é uma doença parasitária causada pela
Fasciola hepatica, conhecida popularmente como “baratinha do fígado” ou “saguaipé”.
O parasita, para completar seu ciclo, precisa de dois hospedeiros: um intermediário e
outro definitivo. A forma larval do parasita se desenvolve:
A alternativa "A " está correta.
 
Fasciola hepatica apresenta um ciclo biológico do tipo heteroxênico: tem como hospedeiro
intermediário caramujos do gênero Lymnaea e como hospedeiro definitivo vertebrados como
ovelhas e gado — o homem é um hospedeiro acidental.
MÓDULO 2
 Reconhecer os principais cestoides parasitos do homem e suas características
CLASSE CESTODA
Os platelmintos cestodas são hermafroditas, apresentam tamanhos diversos e, na maioria dos
casos, o corpo achatado dorsoventralmente. Possuem órgãos de adesão, mas não sistema
digestório. Os principais cestodas que parasitam o homem pertencem à família Taenidae,
gênero Taenia, destacando-se Taenia solium e Taenia saginata, responsáveis pelo complexo
teníase/cisticercose, um grave problema de saúde pública de interesse médicoe veterinário.
TAENIA SP. E TENÍASE/CISTICERCOSE
A teníase humana e a cisticercose são doenças causadas pelos parasitas da classe
Cestoda, mas apresentam diferentes formas de contágio e manifestações clínicas. A teníase
humana é uma doença infecciosa causada pela ingestão do estágio larval (cisticerco) das
espécies:
 
Imagem: Shutterstock.com.
Taenia saginata presente na carne bovina.
 
Imagem: Shutterstock.com.
Taenia solium presente na carne suína.
A cisticercose é uma doença causada pela ingestão de ovos de Taenia solium e caracteriza-
se pela presença do estado larval (cisticercos) nos tecidos do hospedeiro. Quando presente no
sistema nervoso central, essa infecção recebe o nome de neurocisticercose.
 ATENÇÃO
A neurocisticercose em humanos é uma das principais causas de morbidade neurológica no
mundo, daí a importância dos estudos sobre a Taenia solium.
O complexo teníase/cisticercose está incluído na lista de doenças zoonóticas negligenciadas
pela OMS e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO),
principalmente em razão da ausência de dados sobre a sua distribuição geográfica e a falta de
recursos para o seu controle.
Segundo dados da OMS, a teníase tem distribuição mundial, principalmente em países onde
inexiste ou é precária a inspeção sanitária das carnes bovinas e/ou suínas. Para a T. saginata,
estima-se 40 milhões de portadores no mundo, enquanto para a T. solium estima-se mais de
2,5 milhões de pessoas acometidas. No Brasil, temos alguns estados considerados endêmicos
como São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Goiás.
 
Imagem: Shutterstock.com. Adaptado por Angelo Souza.
 Estados brasileiros considerados endêmicos.
A espécie Taenia saginata raramente causa cisticercose em humanos, porém tem importância
para a saúde pública devido à morbidade causada pela teníase, bem como aos grandes
prejuízos financeiros por uma causa importante de abate bovino em frigoríficos inspecionados.
FORMAS EVOLUTIVAS E CICLO BIOLÓGICO DA
TENÍASE
Solitária é o nome popular mais utilizado para tênia. Embora o termo indique que o hospedeiro
definitivo abriga apenas um parasito, na verdade, o hospedeiro pode abrigar mais de uma tênia
da mesma espécie.
O verme adulto de Taenia saginata e Taenia solium apresenta cor branca e corpo achatado em
forma de fita.
 
Imagem: Shutterstock.com.
 Morfologia do verme adulto de Taenia solium.
Basicamente, o corpo do verme adulto é dividido em três partes: escólex (cabeça), colo
(pescoço) e estróbilo (corpo). Vamos agora conhecer melhor cada uma dessas estruturas:
ESCÓLEX
Situado na extremidade anterior, o escólex funciona como órgão de fixação do helminto à
mucosa intestinal humana. Apresenta quatro ventosas arredondadas. A T. solium possui
também outra estrutura de fixação, o rostro, contendo duas fileiras de acúleos (pequenas
estruturas em forma de foice, constituídas por escleroproteínas – chamados de ganchos).
 
Imagem: Shutterstock.com.
 Estrutura da T. solium.
 
Imagem: Shutterstock.com.
 Estrutura da T. saginata.
COLO
Porção mais fina do corpo, local de intensa atividade de multiplicação das células
parenquimatosas e de crescimento do parasito com a formação das proglotes.
ESTRÓBILO
É o restante do corpo do parasito, composto de proglotes. O estróbilo pode apresentar até 3
metros na T. solium e até 8 metros na T. saginata. Quantos mais afastadas, mais evoluídas são
as proglotes, que se dividem em: jovens - mais curtas, sem maturação sexual e que estão
mais perto do colo; maduras - possuem os sistemas genitais masculino e feminino completos e
aptos para iniciar a fecundação; e grávidas - mais compridas, com ramificações uterinas
repletas de ovos: até 80 mil (T. solium) e até 160 mil (T. saginata), entretanto apenas metade
serão maduros e férteis. As proglotes grávidas de T. solium se soltam do estróbilo e são
liberadas passivamente nas fezes, enquanto as proglotes grávidas de T. saginata podem se
deslocar ativamente e serem encontradas na roupa íntima do hospedeiro.
 
Imagem: Shutterstock.com.
 Esquema ilustrando uma proglote gravídica.
É importante ressaltar que as proglotes gravídicas possuem características peculiares para
cada espécie: na T. saginata, suas ramificações uterinas são numerosas e têm terminações
dicotômicas; na T. solium, há poucas ramificações e seu aspecto é dendrítico.
 
Imagem: CNX OpenStax/ Wikimedia commons/ licença (CC BY 4.0).
 Proglotes gravídicas da T. saginata (à esquerda) e T. solium (à direita).
 
Imagem: Shutterstock.com.
 Ovos de Taenia sp.
Os ovos são pequenos, esféricos, possuem uma casca interna e externa protetora e no interior
um embrião hexacanto denominado oncosfera. Não há diferença morfológica entre as duas
espécies.
Os cisticercos consistem na forma larvar: a larva da T. saginata é o Cysticercus bovis e a
larva da T. solium é o Cysticercus cellulosae. Os cisticercos são constituídos por uma vesícula
membranosa contendo no seu interior um líquido e o escólex.
 VOCÊ SABIA
Na cultura popular, o cisticerco é conhecido como canjiquinha ou pedra.
TENÍASE HUMANA
A infecção humana ocorre pela ingestão de carne crua ou mal cozida de boi contaminada com
cisticercos de T. saginata ou carne crua ou mal cozida de porco contaminada com cisticercos
de T. solium.
No intestino delgado, o cisticerco se adere à mucosa intestinal (por meio do escólex) e
transforma-se em tênia adulta. Esse verme adulto, após dois a três meses da ingesta da carne
contaminada, começa a eliminar proglotes grávidas contendo e liberando no solo milhares de
ovos (de 30 a 80 mil ovos por proglote).
Um hospedeiro intermediário (suíno para T. solium e bovino para T. saginata) ingere tais ovos
presentes no solo. No seu intestino delgado, ocorre a liberação da oncosfera que se transforma
em cisticerco nos músculos cardíacos e esqueléticos, cérebro, língua e coração. O ciclo
recomeça quando o homem (hospedeiro definitivo) ingere carnes suínas ou bovinas cruas ou
mal passadas contaminadas.
 
Imagem: EternamenteAprendiz/ Wikimedia commons/ licença (CC-BY-SA-3.0). Adaptado por
Angelo Souza.
 Ciclo biológico de Taenia sp.
Agora entendemos como acontece a teníase. Mas você sabe como o homem desenvolve a
cisticercose?
A cisticercose ocorre quando há ingestão acidental de ovos da T. solium eliminados nas fezes
de pessoas com teníase. Isso pode acontecer de três maneiras:
AUTOINFECÇÃO EXTERNA
O indivíduo com teníase libera proglotes grávidas e ovos nas fezes e pode ingerir esses ovos
através das mãos contaminadas.
 
AUTOINFECÇÃO INTERNA
Ao vomitar, as proglotes grávidas podem chegar ao estômago do indivíduo com teníase. Além
disso, alguns autores acreditam que as proglotes podem migrar do intestino para o estômago.
Uma vez no estômago, elas liberam ovos que, posteriormente, ativam o embrião (oncosfera)
que volta ao intestino delgado e se desenvolve em cisticerco.
 
HETEROINFECÇÃO
Ocorre por ingesta de água ou alimentos contaminados com ovos de T. solium.
A seguir, apresentamos o ciclo biológico do C. cellulosae, causador da cisticercose. Após 24 a
72 horas da ingestão acidental de ovos de T. solium, as oncosferas (que saem dos ovos no
intestino delgado do ser humano a partir da ação das enzimas digestivas) fixam-se em diversos
órgãos e se transformam nas larvas (cisticercos) ocasionando a cisticercose.
 
Imagem: Maria Lima
 Ciclo biológico do Cysticercus cellulosae.
Neste vídeo, a especialista resume o ciclo de vida evidenciando as formas evolutivas do
parasita.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
A teníase é frequentemente assintomática, mas em alguns casos os indivíduos infectados
(com vermes adultos no intestino) relatam dor abdominal, náuseas, fraqueza e perda de peso .
Com menor frequência, proglotes podem penetrar no apêndice causando apendicite e
obstrução intestinal pela massa do estróbilo. A cisticercose humana consiste em um problema
de maior gravidade para o paciente decorrente de lesões gravese uma grande variedade de
manifestações clínicas, uma vez que os cisticercos podem se alojar em diversos locais do
organismo, como tecidos musculares e subcutâneos, olhos e, principalmente, sistema nervoso
central (SNC).
A seguir são relatados alguns males que os cisticercos podem causar:
Tecido muscular ou subcutâneo: pouca alteração, em geral em indivíduos assintomáticos.
Coração: palpitações ou dispneia (cisticercos nas válvulas).
Olhos: instalam-se na retina, provocando descolamento ou perfuração e,
consequentemente, perda parcial ou total da visão.
Sistema nervoso central: a maioria das pessoas com neurocisticercose permanece
assintomática por toda a vida, mas, quando os sintomas clínicos estão presentes, eles
podem se manifestar principalmente como ataques epilépticos, dores de cabeça com ou
sem hipertensão intracraniana associada, sintomas neurológicos focais e deficiências
cognitivas. O principal fardo da doença humana é conferido pela morte e incapacidade
por neurocisticercose. Além dos sintomas neurológicos, a neurocisticercose pode
contribuir para dificuldades de aprendizagem na infância, perda funcional por fraqueza
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motora resultante, déficits sensoriais ou dor crônica, demência de início precoce,
manifestações neuropsiquiátricas e estigmatização social, levando à redução da
produtividade e perdas econômicas. Vários casos de afogamento acidental e
queimaduras já foram associados a ataques epilépticos.
PERDA DE PESO
Acelerado crescimento do verme e consequente competição nutricional com o
hospedeiro.
 ATENÇÃO
Tanto os casos de cisticercose como os de teníase devem ser informados aos serviços de
saúde para o mapeamento das áreas, buscando adoções de medidas profiláticas e sanitárias
adequadas. Entretanto, essas duas doenças não são de notificação compulsória.
TRATAMENTO E PROFILAXIA DA TENÍASE E DA
CISTICERCOSE
Para o tratamento da teníase, existem algumas opções, como: mebendazol, praziquantel,
albendazol, niclosamida ou nitazoxanida. É comum, após o tratamento, pedaços da tênia
serem eliminados por vários dias.
Quanto ao tratamento da cisticercose, os casos assintomáticos não precisam ser tratados,
entretanto, nos casos sintomáticos de neurocisticercose, as opções de tratamento são:
albendazol e praziquantel. Além dos antiparasitários, corticoides como a dexametasona ou
a prednisona são comumente indicados para amenizar o edema cerebral causado pela morte
do cisticerco.
Entre as medidas de profilaxia, podemos destacar:
Inspeção sanitária rigorosa das carnes bovinas e/ou suínas destinadas ao consumo
humano e fiscalização dos abatedouros.
Orientação da população para não comer carne crua ou mal cozida/mal passada.
Tratamento em massa dos indivíduos infectados.
Construção de redes e tratamento de esgoto, para que os dejetos sejam eliminados
corretamente, impedindo a contaminação de suínos, bovinos, água e alimentos.
Ações de conscientização da importância da higienização dos alimentos e da higiene
pessoal: lavagem das mãos após ida ao banheiro, antes de manusear alimentos e
objetos de cozinha, antes de se alimentar.
ECHINOCOCCUS SP E HIDATIDOSE
Entre os platelmintos cestodas pertencentes à família Taeniidae, encontramos o gênero
Echinococcus que possui duas espécies importantes causadoras de hidatidose (parasitose
intestinal): o Echinococcus granulosus e o Echinococcus vogelis.
E. granulosus: Apresenta distribuição mundial, é encontrado na Europa, África, Oceania e
América Latina. É o agente causador da hidatidose cística, cuja ocorrência se dá em locais de
alta taxa de infecção de carneiros ou bois. Cães que se alimentam de vísceras de
carneiros/bovinos facilitam a transmissão da doença. Essa espécie será o foco do nosso
estudo.
E. vogeli: Encontra-se distribuído em alguns países de clima tropical da América Latina e do
Sul, como Peru, Venezuela, Colômbia e Equador. É o agente causador da hidatidose
policística. Essa espécie foi descrita em 1972; no Brasil, os primeiros relatos dessa doença
aconteceram no final da década de 1990, tendo uma alta prevalência nas áreas silvestres no
país, como o Acre.
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HIDATIDOSE POLICÍSTICA
A forma larval é responsável pela hidatidose policística, caracterizada por cistos múltiplos,
que podem atingir vários tecidos.
FORMAS EVOLUTIVAS E CICLO BIOLÓGICO DE E.
GRANULOSUS
Assim como ocorre na esquistossomose, fasciolose e teníase estudadas até aqui, o E.
granulosus também possui um ciclo heteróxeno e, portanto, possui como hospedeiro
definitivo os cães (intestino delgado) e como hospedeiro intermediário os ovinos, bovinos,
suínos, caprinos e cervídeos (fígado e pulmões).
O verme adulto apresenta um escólex com quatro ventosas e um rostro com acúleos; colo
curto e estróbilo com três ou quatro proglotes — apenas a última grávida contendo os ovos.
 
Imagem: Shutterstock.com.
 Verme adulto do E. granulosus.
 
Imagem: Shutterstock.com.
 Cisto hidático.
Os ovos, semelhantes aos de Taenia, possuem uma membrana externa e um embrião
hexacanto também chamado de oncosfera. O cisto hidático é a forma larvar, comumente
chamada de “bolha d’água” por ser arredondada e cheia de líquido transparente — é composta
por três membranas e outras estruturas:
Membrana adventícia: externa.
Membrana anista: intermediária.
Membrana prolígera: interna, que secreta o líquido hidático e de onde brotam as
vesículas prolígeras com os escólex.
Vesículas prolígeras.
O ciclo biológico se inicia quando o hospedeiro definitivo (cães), uma vez contaminado com
E. granulosus, defeca no meio ambiente, liberando nas fezes ovos ou proglotes grávidas. Os
hospedeiros intermediários, ao ingerir alimentos presentes no pasto, como grama e gravetos
contaminados pelas fezes do hospedeiro definitivo, terão, no intestino, a liberação das
oncosferas que, por sua vez, através dos ganchos, penetram a mucosa intestinal e alcançam a
corrente sanguínea, chegando ao fígado e pulmões.
Em seis meses, ocorre a produção dos cistos hidáticos que permanecem viáveis (férteis) por
muitos anos. Quando hospedeiros definitivos (cães) se alimentam das vísceras dos
hospedeiros intermediários contendo cisto hidático fértil, este chega ao intestino dos cães e
amadurece em 60 dias, tornando-se vermes adultos capazes de liberar proglotes grávidas e
ovos nas fezes.
Abaixo o ciclo biológico do E. granulosus:
 
Imagem: Conceitos e Métodos para a formação de profissionais em laboratórios de saúde,
Molinaro, Etelcia; Caputo, Luzia; Amendoeira, Regina, 2012, pág 235. Adaptado por Angelo
Souza.
 Ciclo biológico do E. granulosus
O homem é considerado um hospedeiro acidental da hidatidose. Neste caso, a transmissão se
dá pela ingestão de ovos presentes no ambiente onde transitam cães infectados (ovos
aderidos ao pelo da região perianal dos cães). No homem, o ciclo se inicia de forma
semelhante ao que ocorre nos hospedeiros intermediários. Os órgãos afetados são
principalmente fígado e pulmão e mais raramente cérebro e rins.
 
Imagem: Shutterstock.com.
 Hidatidose.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
Os cistos evoluem lentamente e, portanto, os sintomas podem demorar a surgir. Além disso, a
patogenia depende da quantidade/tamanho dos cistos e de quais órgãos são afetados.
 
Imagem: Shutterstock.com.
 Fígado com manifestações clínicas da hidatidose.
Não havendo ruptura dos cistos, os indivíduos apresentam-se com frequência assintomáticos.
Entre as manifestações clínicas, de acordo com o órgão afetado, podemos observar, no fígado,
distúrbios gástricos, congestão porta e estase biliar, com icterícia e ascite nos casos mais
graves. Já no pulmão, os sintomas são cansaço, dispneia e tosse com expectoração.
TRATAMENTO E PROFILAXIA DA HIDATIDOSE
O tratamento da hidatidose é feito com antiparasitários como mebendazol, albendazol e
praziquantel.
As principais medidas profiláticas são:
Educação sanitária para evitar o contato muito próximo com cães que se alimentam de
carnes cruas de boise/ou carneiros.
Interdição de abates clandestinos.
Rigoroso controle sanitário do gado abatido.
Diagnóstico e tratamento de cães infectados.
HYMENOLEPIS SP E HIMENOLEPÍASE
A himenolepíase é uma doença que afeta homens e roedores, causada por Hymenolepis nana
— helmintos cestodas da família Hymenolepididae. Esse parasita, que tem como habitat
principal do verme adulto o intestino delgado, é cosmopolita, ou seja, pode ser encontrado no
mundo todo, embora mais frequentemente em regiões mais frias e cuja população tenha hábito
de viver em lugares fechados. Estima-se que 20 milhões de pessoas no mundo estejam
infectadas, com maior prevalência entre as crianças menores de 10 anos de idade. No Brasil,
ele apresenta alta prevalência na região Sul.
 VOCÊ SABIA
Hymenolepis nana foi descoberto em 1851, após uma necropsia no intestino delgado de uma
criança egípcia. É popularmente conhecido como “tênia anã”.
FORMAS EVOLUTIVAS E CICLO BIOLÓGICO DE
HYMENOLEPIS NANA
O H. nana apresenta três formas evolutivas:
 
Imagem: NEVES, 2005. Pg 253.
O verme adulto tem escólex com quatro ventosas e um rostro, colo e estróbilo com 100-200
proglotes.
 
Imagem: NEVES, 2005. Pg 253.
O ovo é transparente, possui membrana externa e uma interna que envolve a oncosfera no seu
interior.
 
Imagem: EternamenteAprendiz/ Wikimedia commons/ licença (CC BY 3.0).
A larva cisticercoide é uma pequena larva, formada por um escólex invaginado e envolvido por
uma membrana, com cerca de 500 µm de diâmetro.
O ciclo biológico dessa espécie de parasita pode ser tanto monoxênico quanto heteroxênico.
Conheça abaixo:
CICLO MONOXÊNICO
É o mais frequente e não necessita de um hospedeiro intermediário. O verme adulto no
intestino delgado do homem produz numerosos ovos que são eliminados junto com as fezes.
Quando outro indivíduo ingere esses ovos (na água ou em alimentos contaminados), eles
eclodem liberando a oncosfera que, no intestino delgado, transforma-se na forma larvar
(cisticercoide). Em três semanas, tornam-se vermes adultos e, a partir das proglotes, liberam
ovos que serão eliminados nas fezes, fechando o ciclo.
CICLO HETEROXÊNICO
Os hospedeiros intermediários são insetos (pulgas da espécie: Xenopsylla cheopis,
Ctenocephalides canis, Pulex irritans e coleópteros da espécie Tenebrio molitor, T. obscurus e
Tribolium confusum). Os ovos, quando ingeridos pelos hospedeiros intermediários,
transformam-se nas larvas cisticercoides. Se um ser humano (hospedeiro definitivo) ingere
acidentalmente tais insetos contaminados, as larvas dão origem aos vermes adultos que, a
partir das proglotes, liberam os ovos que serão eliminados nas fezes, fechando o ciclo. Uma
vez que o homem é hospedeiro acidental, o hospedeiro definitivo comum são os roedores.
Abaixo vemos o resumo dos dois ciclos.
 
Imagem: EternamenteAprendiz/ Wikimedia commons/ licença (CC BY 3.0). Adaptado por
Angelo Souza
 Ciclos biológicos do Hymenolepis nana .
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
A maioria dos indivíduos apresentam-se assintomáticos. Entre os sintomas mais relatados
estão: dor abdominal, náuseas, falta de apetite, irritabilidade, dor de cabeça e perda de peso.
TRATAMENTO E PROFILAXIA DA HIMENOLEPÍASE
O tratamento normalmente é realizado com drogas, como praziquantel, mas pode ser usada
a nitazoxanida como alternativa.
As principais medidas profiláticas são:
Diagnóstico e tratamento dos indivíduos infectados.
Construção de redes e tratamento de esgoto, para que os dejetos sejam eliminados
corretamente.
Ações de conscientização sobre a importância da higiene pessoal: lavagem correta e
constante das mãos e combate a insetos e pulgas no ambiente.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. (VUNESP, 2006) CONSIDERE AS AFIRMAÇÕES SOBRE A TAENIA SP. 
 
A TRANSMISSÃO DA TENÍASE PARA O HOMEM OCORRE POR MEIO DA INGESTÃO
DE CARNE DE PORCO OU BOI CONTENDO A LARVA CISTICERCO.
A TRANSMISSÃO DA CISTICERCOSE OCORRE POR MEIO DA INGESTÃO DA CARNE
DE PORCO CONTENDO A LARVA CISTICERCO.
A FORMA ADULTA DE TAENIA SOLIUM PODE MIGRAR PARA O CÉREBRO CAUSANDO
A NEUROCISTICERCOSE.
O PORCO E O BOI ADQUIREM A CISTICERCOSE AO INGERIR ÁGUA OU ALIMENTO
CONTAMINADO POR OVOS DE TAENIA SP.
 
É CORRETO O QUE SE AFIRMA EM:
A) I e II
B) I e IV
C) I e II
D) I, II e III
E) I, III e IV
2. (VUNESP, 2019) A HIDATIDOSE, TAMBÉM CONHECIDA COMO
EQUINOCOCOSE, É UMA DOENÇA PARASITÁRIA, EM QUE CÃES,
RAPOSAS E OUTROS CARNÍVOROS ABRIGAM OS VERMES ADULTOS
NO INTESTINO E EVACUAM OS OVOS DO PARASITA NAS FEZES. SE OS
OVOS SÃO INGERIDOS POR HUMANOS, ELES SE DESENVOLVEM EM
LARVAS EM VÁRIOS ÓRGÃOS, PRINCIPALMENTE NO FÍGADO E NOS
PULMÕES. OCORREM EM DUAS FORMAS PRINCIPAIS: HIDATIDOSE
CÍSTICA E HIDATIDOSE POLICÍSTICA, CAUSADAS, RESPECTIVAMENTE,
POR:
A) Echinococcus granulosus e Echinococcus vogeli.
B) Echinococcus oligarthrus e Echinococcus granulosus.
C) Echinococcus canadensis e Echinococcus felidis.
D) Echinococcus multilocularis e Echinococcus oligarthrus.
E) Echinococcus shiquicus e Echinococcus granulosus .
GABARITO
1. (Vunesp, 2006) Considere as afirmações sobre a Taenia sp. 
 
A transmissão da teníase para o homem ocorre por meio da ingestão de carne de porco ou boi contendo
a larva cisticerco.
A transmissão da cisticercose ocorre por meio da ingestão da carne de porco contendo a larva
cisticerco.
A forma adulta de Taenia solium pode migrar para o cérebro causando a neurocisticercose.
O porco e o boi adquirem a cisticercose ao ingerir água ou alimento contaminado por ovos de Taenia sp.
 
É correto o que se afirma em:
A alternativa "B " está correta.
 
A teníase no homem ocorre após a ingestão do cisticerco presente na carne do boi ou porco.
De forma diferente, o boi ou porco são contaminados após a ingestão dos ovos da Taenia sp.
presente na água ou nos alimentos contaminados.
2. (Vunesp, 2019) A hidatidose, também conhecida como equinococose, é uma doença
parasitária, em que cães, raposas e outros carnívoros abrigam os vermes adultos no
intestino e evacuam os ovos do parasita nas fezes. Se os ovos são ingeridos por
humanos, eles se desenvolvem em larvas em vários órgãos, principalmente no fígado e
nos pulmões. Ocorrem em duas formas principais: hidatidose cística e hidatidose
policística, causadas, respectivamente, por:
A alternativa "A " está correta.
 
Entre os platelmintos cestodas, pertencentes à família Taeniidae, encontramos o gênero
Echinococcus, que possui duas espécies importantes causadoras de hidatidose policística e a
hidatidose cística, causada pela espécie Echinococcus granulosus e Echinococcus vogeli,
respectivamente.
CONCLUSÃO
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste tema, descrevemos as características morfológicas e o ciclo de vida de helmintos
trematódeos dos gêneros Schistosoma e Fasciola, bem como suas respectivas doenças
associadas.
Os parasitas estudados ao longo dessa jornada são responsáveis por doenças importantes que
acometem grande parte da população brasileira, principalmente as pessoas mais carentes, que
vivem sem saneamento básico e ações efetivas de orientação e educação para o combate a
esses vermes.
Ainda hoje, no Brasil, existem muitos casos de parasitoses devido à ausência de condições
mínimas de higiene, como tratamento de esgoto ou água encanada ou simplesmente por levar
as mãos sujas a boca. Isso permite a disseminação desses vermes e sua manutenção em
território nacional entre os hospedeiros importantes para a perpetuação dos ciclos biológicos.
Dessa forma, saber a peculiaridade de cada parasito, o ciclo biológico, as manifestações
clínicas e evolução da doença, as formas de transmissão, tratamento e medidas profiláticas,
ajuda o profissional da saúde a garantir ao paciente uma melhor assistência, diagnóstico
diferencial, tratamento correto e orientação da população sobre essas doenças muitas vezes
negligenciadas e que são um grave problema de saúde pública nacional.
REFERÊNCIAS
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e biológicos das diferentes fases de desenvolvimento do Schistosoma mansoni. In:
CARVALHO, O. DOS S.; COELHO, P. M. Z.; LENZI, H. L. (Orgs.). Schistosoma mansoni e
esquistossomose: uma visão multidisciplinar. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2008. p. 43-84.
EXPLORE+
Para saber mais sobre os assuntos tratados neste tema:
Assista ao vídeo do canal IOC sobre a vacina para esquistossomose: Vacina inédita
para esquistossomose: nova fase de estudos clínicos.
Assista ao vídeo em formato de música realizado pelo canal VideoSaúde —Distribuidora
da Fiocruz intitulado: Esquistossomose: quebrando o ciclo.
Assista ao vídeo em formato de música realizado pelo canal VideoSaúde — Distribuidora
da Fiocruz intitulado: Esquistossomose.
Leia o Manual MSD – Versão para profissionais da saúde que aponta os principais
tópicos a respeito da Fasciola hepatica no texto: Fasciolíase.
CONTEUDISTA
Alice Maria de Magalhães Ornelas
 CURRÍCULO LATTES
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DESCRIÇÃO
Os principais gêneros de nematelmintos que infectam o homem e as doenças associadas.
PROPÓSITO
Compreender a epidemiologia e a dinâmica de transmissão dos diferentes gêneros de nematelmintos de
interesse médico/veterinário e os processos patológicos associados à infecção é importante para auxiliar
o diagnóstico e tratamento de algumas doenças.
OBJETIVOS
MÓDULO 1
Descrever a epidemiologia, as principais características morfológicas e as parasitoses causadas pelos
gêneros Trichiura, Ascaris e Enterobius
MÓDULO 2
Reconhecer a epidemiologia, as principais características morfológicas e as parasitoses causadas pelos
gêneros Ancylostoma/Necator , Strongyloides , Angiostrongilus , Larva migrans e Lagochilascaris
minor
MÓDULO 3
Descrever a epidemiologia, as principais características morfológicas e as parasitoses causadas pelos
gêneros Wuchereria/Oncocerca e outros nematoides
INTRODUÇÃO
Muitas doenças humanas e veterinárias são provocadas por diferentes espécies de parasitos. Os
nematelmintos são agentes de diversas parasitoses intestinais amplamente distribuídas e prevalentes
em todo o mundo. O filo Nemathelmintes é composto por organismos com simetria bilateral, de corpo
cilíndrico, alongado e de extremidades afiladas.
Algumas classes desse filo são importantes endoparasitas do homem, por exemplo, o Ascaris
lumbricoides , popularmente conhecido como lombriga. Apesar de importantes parasitos do homem, a
maioria das espécies conhecidas habita o solo úmido e ambientes aquáticos.
Geralmente, a doença apresenta curso benigno, assintomático, o que revela a grande adaptação
evolutiva da vida parasitária. Existem mais de 50 espécies de nematelmintos capazes de parasitar o
homem, mas destacaremos apenas as de maior relevância na saúde pública.
Vamos lá?
 
Imagem: Shutterstock.com
 Nemathelmintes.
MÓDULO 1
 Descrever a epidemiologia, as principais características morfológicas e as parasitoses
causadas pelos gêneros Trichiura, Ascaris e Enterobius
OS NEMATELMINTOS
Os nematelmintos ou nematoides distinguem-se dos demais parasitos humanos por sua classificação
evolutiva. São organismos de estrutura corporal mais complexa, possuem sistema digestivo completo,
musculatura, pseudoceloma, cordões nervosos e dimorfismo sexual. Assim como os platelmintos, seus
parentes evolutivos, apresentam respiração cutânea. Do ovo até a forma adulta, esses vermes passam
por quatro estágios larvários e várias mudas ou ecdises.
DIMORFISMO SEXUAL
Ocorre quando temos ocorrência de indivíduos do sexo masculino e feminino, sem envolver diferenças
entre os caracteres sexuais, ou seja, eles são diferentes externamente. Vamos verificar que os
nematelmintos fêmeas são normalmente maiores que os machos.
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ECDISES
Processo pelo qual o verme troca a membrana externa, chamada de cutícula.
 Anatomia de um nematelminto.
Os nematelmintos são revestidos por uma estrutura externa resistente denominada cutícula, a qual tem
função principal de proteção. A resposta imune do hospedeiro é ativada por antígenos altamente
imunogênicos, como proteínas e lipídios, presentes na cutícula, que vão induzir uma intensa migração
de eosinófilos para o local da lesão.
LOCOMOÇÃO
Sua locomoção, seja no solo, na água ou na luz intestinal, é realizada pelos movimentos ondulatórios,
que são semelhantes aos de uma serpente. Ao contraírem os músculos longitudinais, cria-se uma região
de pressão hidrostática na parte que manteve os músculos relaxados, resultando em movimentos
craniocaudais.
REPRODUÇÃO
A reprodução é sexuada, tanto o macho quanto a fêmea apresentam órgãos sexuais desenvolvidos,
entretanto algumas espécies de vida livre reproduzem-se por partenogênese ou hermafrodistismo. Os
machos possuem, dependendo da espécie, um ou dois testículos em formato cilíndrico, um ducto
espermático e um ducto ejaculador, e as fêmeas possuem vagina, ovidutos e ovários.
PARTENOGÊNESE
Partenogênese refere-se a um tipo de reprodução assexuada de animais em que o embrião se
desenvolve de um óvulo sem ocorrência da fecundação.
HERMAFRODISTISMO
O hermafroditismo ocorre quando os animais apresentam ambos os órgãos sexuais.
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 SAIBAMAIS
O aparelho copulador dos nematelmintos machos é constituído por espículos e por uma glândula
prostática que produz um material cuja função é a fixação. Algumas espécies possuem dois espículos
que são projetados no momento da cópula e auxiliam na estabilidade, facilitando a eliminação dos
espermatozoides, que têm morfologia ameboide, sem a presença de flagelos para locomoção.
Do ponto de vista sanitário, as infecções por esses parasitos representam um importante problema de
saúde pública, principalmente em populações vulneráveis e em países em desenvolvimento. No Brasil,
as helmintíases ainda são uma realidade, e seu controle está condicionado às melhorias nas condições
de higiene e saneamento básico.
As estimativas da carga global de doenças provocadas por helmintos são baseadas em inquéritos
coproparasitológicos que, apesar de raros, fornecem informações essenciais de prevalência e
morbidade. Acredita-se que cerca de 1,5 bilhão de pessoas tenha alguma infecção por helmintos e sofra
algum impacto decorrente desse parasitismo, como redução da produtividade e perda de qualidade de
vida (SBP, 2020).
ASCARIS LUMBRICOIDES E ASCARIDÍASE
EPIDEMIOLOGIA DA ASCARIDÍASE
O parasito intestinal Ascaris lumbricoides é considerado o mais prevalente na população humana
dentre os helmintos causadores de doenças, sendo responsável pela infecção denominada de
ascaridíase.
Essa doença tem alcance mundial, mas com aumento expressivo da prevalência em áreas da América
Latina, Caribe, África e Ásia. Estima-se que cerca de 820 milhões a 1,2 bilhão de pessoas no mundo
estão infectadas com esse parasito.
 ATENÇÃO
No Brasil, a alta incidência em municípios do interior ou em bolsões de pobreza nas grandes cidades
está relacionada principalmente ao consumo de água não tratada. Apesar de ser endêmico, a
prevalência no país é heterogênea, as regiões Norte e Nordeste ainda concentram as maiores taxas,
enquanto o Sul apresenta progressiva tendência de queda nas infecções (BRASIL, 2018).
As crianças são as mais afetadas pelo parasitismo, tendo perda de absorção nutricional, fadiga crônica,
comprometimento cognitivo ou até obstrução intestinal. Estima-se que cerca de 70% a 90% das crianças
serão infectadas pelo parasito, em especial aquelas em idade pré-escolar, evidenciando as parasitoses
intestinais como fator de risco para o aprendizado e desenvolvimento escolar infantil (SEIXAS et al .,
2011).
 SAIBA MAIS
Alguns autores defendem que a diminuição do rendimento escolar tem relação com três fatores:
Subnutrição originária do parasitismo por Ascaris spp., que reduz a absorção intestinal.
Atividade hematofágica (sucção do sangue) de alguns parasitos, como Ancylostoma spp.
Ulceração da mucosa por ação proteolítica de Entamoeba spp. e outros parasitos que
apresentem esse mecanismo.
O resultado é o desenvolvimento de anemia associada às enteroparasitoses e o comprometimento
progressivo da habilidade para o aprendizado.
O gênero Ascaris apresenta duas espécies conhecidas:
ASCARIS LUMBRICOIDES
É o parasito do homem e de alguns primatas não humanos superiores.
ASCARIS SUUM
É o parasito de porcos.
 SAIBA MAIS
Por serem muito semelhantes morfologicamente e antigenicamente, alguns especialistas na área
defendem que a espécie do porco é, na verdade, uma subespécie ou variedade de A. lumbricoides .
Estudos em laboratório demonstraram que o A. lumbricoides desenvolve-se sem dificuldades de
adaptação no porco, e o A. suum já foi reportado no homem, apesar de os casos serem raros.
É interessante destacar que a diferenciação é difícil, não sendo evidenciada pelo exame
coproparasitológico, então é provável que a infecção humana por A. suum seja subnotificada.
MORFOLOGIA DO A. LUMBRICOIDES
 Macho e fêmea de A. lumbricoides
Em relação à macromorfologia do verme adulto, as fêmeas são maiores, mais grossas e apresentam a
região caudal retilínea, em contraste com o formato espiralado da porção caudal dos machos.
REGIÃO CRANIAL
Localiza-se a boca, sendo constituída por três lábios que possuem papilas sensoriais.
REGIÃO CAUDAL
Oposta à região cranial. Nela encontram-se a abertura anal e os órgãos reprodutores.
Esses vermes são monoxênicos, isto é, apresentam um único hospedeiro, o homem. A fêmea pode
liberar ovos não fecundados ou fecundados, mas apenas estes últimos darão continuidade ao ciclo
biológico do parasito.
Visto ao microscópio de luz, os ovos férteis têm formato arredondado e superfície ligeiramente irregular,
também chamada de mamilonada.
A casca do ovo é impermeável e espessa, conferindo proteção às adversidades do ambiente, inclusive a
algumas metodologias de descontaminação química e térmica.
 Ovo fértil de A. lumbricoides com a larva em seu interior.
O solo úmido e de temperatura amena proporciona ambiente favorável ao embrionamento dos ovos. O
A. lumbricoides , bem como alguns outros parasitos, é considerado um geo-helminto, pois a passagem
pelo solo é etapa obrigatória no ciclo biológico. Nessa etapa, o parasito já esgotou as reservas
nutricionais e precisa realizar o metabolismo aeróbico, necessitando do oxigênio. Ainda no interior do
ovo, a larva formada (L1 rabditoide) realiza a primeira eclidise, crescendo de tamanho e trocando a
cutícula.
CICLO DE BIOLÓGICO DO A. LUMBRICOIDES
1
A transmissão ocorre por via oral-fecal, a partir da ingestão de ovos férteis eliminados nas fezes. Após a
ingestão, a eclosão dos ovos ocorre no intestino delgado, estimulada principalmente pela concentração
de CO2.
Nesse ponto, a larva de segundo estágio é aeróbia e não consegue se manter na luz intestinal, o que
inicia um intenso processo de invasão da mucosa intestinal em direção à corrente sanguínea ou linfática.
2
3
Cerca de 4 a 5 dias após a ingestão dos ovos, as larvas de segundo estágio chegam ao pulmão para
continuar a sua maturação, onde evolui para larvas de terceiro estágio.
Após romperem os capilares, as larvas alcançam os alvéolos pulmonares e realizam a última ecdise,
transformando-se em larvas de quarto estágio.
4
5
Decorridos alguns dias, as larvas chegam aos bronquíolos e são vagarosamente expulsas por meio dos
movimentos ciliados na mucosa até alcançarem a laringe, onde são finalmente deglutidas e voltam para
o seu destino, o intestino.
ESTÁGIO
Intervalo entre duas mudas da larva de artrópode ou helminto
 Ciclo biológico do Ascaris lumbricoides .
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 SAIBA MAIS
O ciclo pulmonar ou ciclo de Loss ocorre na ascaridíase e em algumas outras poucas helmintíases.
Nessa fase, o indivíduo pode apresentar tosse ou irritação na árvore brônquica. Nas crianças, pode
ocorrer a síndrome de Loeffer, caracterizada por febre, dificuldade de respirar e eosinofilia pulmonar.
A localização intestinal dos vermes adultos depende da carga parasitária do hospedeiro nos seguintes
casos:
Quando a infecção resulta em quantidade pequena de parasitos, localizam-se preferencialmente
no jejuno e íleo.
Havendo um intenso parasitismo, pode-se encontrar vermes em todo o intestino delgado.
 COMENTÁRIO
Crianças tendem a desenvolver uma infecção com carga parasitária mais alta e, em alguns casos raros,
chegando a eliminar vermes pelas narinas e boca.
SINTOMAS DA ASCARIDÍASE
Na maioria dos casos, a ascaridíase é assintomática, mas pode ser sintomática ocasionado quadros de
desconforto e dor abdominal, perda de apetite e emagrecimento.
Quadros graves são observados principalmente por ação obstrutiva provocada pelos vermes adultos.
Quando obstruem as vias biliares e o apêndice, levam à colangite e apendicite, respectivamente,
requerendo intervenção cirúrgica.
COLANGITE
Inflamação das vias biliares, secundária à obstrução.
ENTEROBIUS VERMICULARIS E ENTEROBÍASE
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EPIDEMIOLOGIA DA ENTEROBÍASE
O gênero Enterobius reúne atualmente 23 espécies de oxiurídeos que parasitam primatas de todo o
mundo. Apenas uma espécie, E. vermicularis , é conhecida por infectar e causar doença, denominada
enterobíase,em humanos.
 COMENTÁRIO
Você também pode encontrar o termo oxiuríase referindo-se à doença, mas essa nomenclatura não é
mais utilizada.
A enterobíase é endêmica em diversas regiões do planeta, e sua incidência pode estar relacionada às
más condições de higiene e deficiências no sistema sanitário.
Um ponto interessante e ainda hoje muito controverso é como alguns países do Hemisfério Norte,
mesmo com excelentes taxas do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), ainda apresentam
incidência elevada. Acredita-se que os hábitos culturais das populações de países frios, como o uso da
mesma roupa por tempo prolongado e a escassez de água, além da baixa temperatura, podem
favorecer a disseminação da infecção, bem como a integridade e viabilidade dos ovos.
A transmissão é facilitada em creches, orfanatos, lares de idosos e em instituições psiquiátricas, onde a
manutenção da higiene é mais difícil. Inquéritos coproparasitológicos realizados em crianças em idade
escolar na Índia, Rússia e Suécia revelaram taxas de prevalência de 61%, 42% e 37%, respectivamente
(BURKHART; BURKHART, 2005).
No Brasil, os dados são dispersos e revelam uma grande heterogeneidade em relação à prevalência
geral. Segundo levantamentos realizados a partir de banco de dados científicos, estima-se que a
prevalência no país seja de em torno de 2%, mas, em algumas regiões negligenciadas, pode chegar a
quase 40% (BRASIL, 2005). Como a doença tem curso quase sempre benigno e não é de notificação
compulsória, acredita-se que os números são subestimados.
 SAIBA MAIS
De acordo com dados extraídos do Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde, no
período de 2008 a 2017 foram registrados 32 óbitos por enterobíase no Brasil, sendo os estados do
Nordeste os detentores do maior número de mortes (LIMA et al ., 2018). Outro dado a destacar refere-
se à faixa etária mais acometida, os idosos acima de 80 anos foram as principais vítimas.
MORFOLOGIA DO E. VERMICULARIS
Em relação à morfologia, os vermes adultos apresentam formato alongado e com as extremidades
mais estreitas (fusiforme), coloração branca, e a fêmea é maior que o macho.
A porção caudal do macho é recurvada ventralmente, o que facilita a distinção do sexo.
Na região cefálica é possível visualizar duas estruturas membranosas laterais que parecem asas, muito
utilizadas na identificação macroscópica do gênero, denominadas de asas cefálicas.
 Asas cefálicas no verme adulto E. vermicularis .
 Ovos de E. vermicularis .
Os ovos têm morfologia bem característica e são compostos por três camadas, uma interna composta
de lipídios, uma intermediária formada de quitina e a mais externa de albumina.
A larva é encontrada no interior do ovo, mas ainda precisará de algumas horas para amadurecer e
chegar ao seu estágio infeccioso.
CICLO BIOLÓGICO DO E. VERMICULARIS
1
O homem é o único hospedeiro, sendo, portanto, o ciclo do E. vermicularis monoxênico e
estenoxênico. A transmissão ocorre pela ingestão dos ovos embrionários, que, ao atingir o intestino
delgado, liberam as larvas que migram até o lúmen do ceco.
No intestino, os vermes se alimentam de detritos celulares, bactérias da microbiota e dos nutrientes
provenientes da dieta do hospedeiro. Na maioria do tempo, ficam livres na luz intestinal, principalmente
na região do ceco, mas podem, mesmo que em menor frequência, ficar presos à mucosa.
2
3
A fêmea grávida acumula os ovos no útero, pois não há oviposição dentro do intestino. Nessa fase, a
fêmea migra até o reto, esperando o período noturno para sair ativamente pelo ânus e chegar à região
perianal, onde deposita os milhares de ovos.
O período da oviposição é marcado por intenso prurido anal e irritação da mucosa perianal, sendo
frequente a criança tentar se coçar e depois levar a mão à boca (autoinfecção). Após a oviposição as
fêmeas não voltam para o reto e morrem ali mesmo.
4
 Ciclo biológico do E. vermicularis. .
Diferentemente dos geo-helmintos, o ovo de E. vermicularis não precisa do solo para completar o seu
amadurecimento, a temperatura da própria região perianal é suficiente para esse processo.
MECANISMO DE INFECÇÃO DO E. VERMICULARIS
É importante destacar que o mesmo indivíduo pode se infectar de diferentes maneiras:
AUTOINFECÇÃO DIRETA
Quando ele mesmo leva as mãos ao ânus e depois à boca (principalmente crianças e idosos).
AUTOINFECÇÃO INDIRETA
Quando o próprio hospedeiro que eliminou ingere os ovos presentes na poeira, fômites ou alimentos.
HETEROINFECÇÃO
Consiste na ingestão dos ovos presentes no ambiente ou nos alimentos, provenientes de um outro
hospedeiro.
SINTOMAS DA ENTEROBÍASE
O parasitismo por E. vermicularis não manifesta grandes complicações, evoluindo, na grande maioria
dos casos, de forma assintomática.
As crianças e os idosos podem apresentar sintomas leves, como irritação e ulceração da mucosa anal,
infecções secundárias, inquietação e irritabilidade. Alguns relatos clínicos demonstram a ocorrência da
formação de granulomas e vulvovaginites.
TRICHURIS TRICHIURA E TRICURÍASE
EPIDEMIOLOGIA DA TRICURÍASE
Trichuris trichiura é um nematódeo intestinal, denominado por muitos anos como Trichocephalus
trichiura . Esse parasito já foi encontrado nas fezes de múmias da era pré-colombiana, o que indica o
estabelecimento de uma relação parasito-hospedeiro mais equilibrada do ponto de visto evolutivo.
Estimativas feitas no final da década de 1940 trazem número da ordem de 350 milhões de indivíduos
infectados, constituindo uma das parasitoses humanas mais prevalentes (STOLL, 1999). Com a
melhoria das condições de vida e a ampliação do acesso ao esgotamento sanitário e água potável, é
possível que as estimativas tenham reduzido.
Como as infecções são quase sempre assintomáticas e a vigilância dessa enteroparasitose é
negligenciada, as taxas de prevalência não são precisas.
Segundo levantamento do Ministério da Saúde (2018) entre os anos de 2005 e 2016, a prevalência da
tricuríase é elevada na região Norte e Nordeste do Brasil, onde habitações sem esgotamento sanitário e
sem acesso à água potável ainda é uma realidade, principalmente devido à baixa taxa de saneamento
básico e à deficiência em políticas de educação sanitárias nas cidades dessas regiões.
MORFOLOGIA DO T. TRICHIURA
 Fêmea adulta de T. trichiura .
A morfologia do verme adulto assemelha-se a um chicote, a parte anterior é mais alongada e delgada
que a posterior. A fêmea, com 4 cm, é ligeiramente maior que o macho, que apresenta 3 cm de
comprimento.
O macho apresenta a extremidade posterior do corpo enrolada ventralmente, na qual se pode observar
o espículo, utilizado para a fixação no momento da cópula, e somente um testículo.
Diferentemente do que se acreditava, a boca fica localizada na região mais delgada, e o ânus e os
órgãos reprodutores na porção mais volumosa.
Os ovos têm aspecto de barril e apresentam três camadas: duas cascas internas de material claro que
envolvem diretamente a célula-ovo e uma camada externa de cor castanha que não circunda totalmente
a camada interior, pois é interrompida nas extremidades pela presença de um material hialino e
refringente.
 Ovos de T. trichiura .
CICLO BIOLÓGICO DO T. TRICHIURA
1
Ao serem eliminados nas fezes, os ovos amadurecem no ambiente externo, começando pela
segmentação da célula-ovo que resultará, após algumas semanas, na formação de uma larva. A partir
desse momento, o ovo passa a ser infectante para o homem (único hospedeiro) e pode permanecer
viável no meio por meses.
Depois de ingeridos, os ovos finalmente eclodem no intestino delgado, e as larvas rapidamente se
prendem à mucosa até virarem vermes adultos. Normalmente, vivem no ceco, mas também podem ser
encontrados no cólon e íleo, sempre fixados na mucosa pela porção anterior (boca).
2
3
Cada fêmea pode colocar mais de 5.000 ovos por dia.
 Ciclo biológico de Trichuris trichiura .
SINAIS E SINTOMAS DA TRICURÍASE
A infecção é predominantemente assintomática, sendo extremamenteraros os relatos de casos de
complicação e manifestações clínicas graves; mas, quando há sintomas graves, estes estão associados
à imunodepressão ou ao superparasitismo.
Crianças e idosos podem apresentar irritabilidade, perda de apetite, dor abdominal, e o hemograma
pode revelar eosinofilia. Casos atípicos de superinfestação em crianças podem resultar em constipação
intestinal e prolapso retal.
MEDIDAS PROFILÁTICAS E PROGRAMAS DE
CONTROLE CONTRA OS HELMINTOS
O especialista Helver Dias aborda as medidas profiláticas contra os helmintos.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
MÓDULO 2
 Reconhecer a epidemiologia, as principais características morfológicas e as parasitoses
causadas pelos gêneros Ancylostoma/Necator , Strongyloides , Angiostrongilus , Larva
migrans e Lagochilascaris minor
ANCILOSTOMÍDEOS E ANCILOSTOMÍASE
EPIDEMIOLOGIA DA ANCILOSTOMÍASE
A família Ancylostomatidae é composta por nematelmintos de corpo alongado e coloração branca que
parasitam várias espécies de vertebrados. A ancilostomíase também é conhecida como amarelão,
devido à presença de intensa anemia que deixa a pele do indivíduo infectado com aspecto amarelado.
Três espécies podem causar a doença em humanos:
Ancylostoma duodenale
Necator americanus
Ancylostoma ceylanicum
Curiosamente, a distribuição das espécies varia de acordo com a localização geográfica, talvez por
fatores evolutivos de um parasito ancestral que coevoluiu com grupos de hominídeos para diferentes
regiões.
A. DUODENALE
É encontrado na África, Américas e algumas ilhas do oceano Pacífico.
N. AMERICANUS
É mais prevalente no Hemisfério Norte.
A.CEYLANICUM
É encontrado no sudeste asiático e pode parasitar eventualmente o homem, além de cães e gatos.
 SAIBA MAIS
Ancylostoma e Necator são uns dos mais antigos parasitos humanos, tendo evidências da infecção
em múmias pré-colombianas de mais de 900 anos. Ovos de ancilostomídeos foram recuperados a partir
de coprólitos humanos, em um corpo mumificado de 2.800 anos em Minas Gerais.
A paleoparasitologia é a ciência que se dedica aos estudos da parasitologia em materiais arqueológicos.
As maiores taxas de prevalência da ancilostomíase são encontradas nos países subsaarianos e em
algumas regiões da Ásia e América do Sul. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou que no
final do século passado cerca de 1 bilhão de pessoas poderiam estar infectadas com ancilostomídeos,
das quais mais de 150 milhões desenvolveriam a doença com alguma manifestação clínica (WHO,
2012).
No Brasil, a infecção ocorre em todas em regiões, especialmente em alguns estados do Nordeste, Norte
e Centro-oeste do país, como Pernambuco, Amazonas e Mato Grosso, respectivamente.
 COMENTÁRIO
Acredita-se que a ancilostomíase era a segunda causa de mortes no Brasil até meados do século XIX,
perdendo apenas para a malária, principalmente na população negra, que era proibida de usar calçados.
Levantamentos realizados em São Paulo no início do século XX apontam para altas taxas de
prevalência em algumas cidades. Contudo, a melhoria das condições sanitárias nas cidades e o início
das campanhas de controle e tratamento gratuito contribuíram para a diminuição desse índice.
A inexistência de levantamentos nacionais prejudica o conhecimento da real situação epidemiológica da
ancilostomíase, bem como de outras enteroparasitoses. As investigações mais atuais feitas em
diferentes populações revelam as seguintes prevalências:
MORFOLOGIA DOS ANCILOSTOMÍDEOS
Os vermes adultos são pequenos, cerca de 1 cm, sendo a fêmea maior que o macho, e ambos
possuem a cápsula bucal bem desenvolvida, provida de dentes ou lâminas quitinosas cortantes,
característica que permite a sua fixação na mucosa intestinal.
Além disso, essa característica possibilita a fácil identificação do gênero, pois o A. duodenale possui
dois pares de dentes, o A. ceylanicum possui três pares, e o N. americanus caracteriza-se pela
presença de lâminas cortantes, em substituição aos dentes.
 Presença de estruturas quitinosas semelhantes a dentes na cápsula bucal.
Os machos possuem uma estrutura bem característica do sexo localizada na extremidade posterior,
chamada de bolsa copuladora, além de órgãos auxiliares da cópula denominados de espículas e um
testículo.
O aparelho reprodutor feminino é formado de estruturas emaranhadas que ocupam uma boa parte da
cavidade interna do corpo do helminto, e por dois ovários.
 Ovos de A. duodenale .
Os ovos são de fácil identificação. Seu conteúdo interno pode variar de acordo com o grau de
segmentação da célula-ovo, mas sempre há um espaço hialino, que costuma ser refringente na
microscopia de luz, entre a casca e a célula-ovo.
CICLO BIOLÓGICO DOS ANCILOSTOMÍDEOS
1
Depois de eliminados pela fêmea, os ovos são carreados pelas fezes até o ambiente externo, onde
encontram condições favoráveis ao embrionamento.
As larvas que eclodem dos ovos (radbitoides) alimentam-se da matéria orgânica presente no solo e após
aproximadamente 48 horas sofrem a primeira ecdise, em larvas de segundo estágio, ainda
radbitoides.
2
3
Por sua vez, as larvas de segundo estágio se convertem em larvas de terceiro estágio, já filarioides,
após sofrerem mais uma ecdise. Contudo, as larvas filarioides não se alimentam mais de nutrientes
presentes no solo, dependendo totalmente das suas próprias reservas energéticas, o que não diminui a
sua movimentação e atividade.
As larvas filarioides presentes no solo penetram ativamente pela pele a partir da ação mecânica e
proteolítica de enzimas liberadas pelo parasito. As larvas que tiverem êxito nessa etapa entrarão na
corrente sanguínea até chegarem ao ventrículo direito, de onde seguirão o fluxo sanguíneo até
ganharem o pulmão, onde rompem os capilares, penetrando nos alvéolos, e adquirem a cápsula bucal
provisória.
4
5
A partir dos movimentos ciliares da mucosa, as larvas são expulsas da árvore brônquica, sendo
finalmente deglutidas com o muco. Assim, percorrem o estômago, sem sofrerem ação do ácido gástrico,
e chegam ao seu sítio final, o intestino delgado.
Decorridos alguns dias, a larva sofre a última ecdise, ganhando a cápsula bucal definitiva e
diferenciando-se sexualmente em machos e fêmeas. As formas adultas fixam-se na mucosa e iniciam
intensa sucção de sangue, levando o hospedeiro ao quadro anêmico. Um novo ciclo se inicia quando os
vermes adultos copulam e as fêmeas começam a oviposição, liberando milhares de ovos nas fezes.
6
 Ciclo biológico dos ancilostomídeos.
 SAIBA MAIS
Apesar de pouco relatada, a infecção por via oral também pode ocorrer a partir da ingestão de alimentos
ou água contaminados. Nesse caso, as larvas vão direto para o intestino, sem a necessidade do ciclo
pulmonar.
SINAIS E SINTOMAS DA ANCILOSTOMÍASE
Os sintomas da ancilostomíase podem distinguir-se em duas fases, clique para conhecer:
FASE INICIAL
A fase inicial de penetração na pele pode resultar em uma espécie de dermatite acompanhada de
prurido, edema e erupções, conhecida em algumas regiões como “coceira da terra”. Em alguns casos,
assemelha-se à dermatite cercariana de Schistosoma mansoni . Ao chegarem ao pulmão, as larvas
podem desencadear um estado transitório de irritabilidade e eosinofilia sanguínea, seguido de tosse e
febre.
 COMENTÁRIO
Muitos fatores podem contribuir para o quadro e não devemos utilizar um olhar apenas voltado para a
doença, é preciso atenção às condições sanitárias e ao contexto social da população. Indivíduos
malnutridos com deficiência de ferro tendem a desenvolver anemias mais profundas e complicações
decorrentes.
FASE CRÔNICA
A fase crônica da doença ficou eternizada no personagem de Monteiro Lobato, Jeca Tatu, que
simbolizava o caipira, andando sempre descalço, cansado, abandonado pelo poder público.
Trabalhadores do campo tendem a apresentar fadiga extrema, perda de apetite, dores musculares,
além de outros sinais e sintomas.
Já as crianças são prejudicadas pela redução no aprendizado escolar e comprometimentodo
desenvolvimento corporal e intelectual.
Além disso, casos crônicos graves podem apresentar sintomas da insuficiência cardíaca congestiva,
com palpitações, arritmias cardíacas, perda súbita de força.
MONTEIRO LOBATO
Monteiro Lobato (1882-1948) foi um escritor e editor brasileiro. O Sítio do Pica-pau Amarelo é sua obra
de maior destaque na literatura infantil. Criou a Editora Monteiro Lobato e mais tarde a Companhia
Editora Nacional. Foi um dos primeiros autores de literatura infantil de nosso país e de toda América
Latina.
Fonte: Ebiografia.com
STRONGILOIDES STERCORALIS E
ESTRONGILOIDÍASE
EPIDEMIOLOGIA DA ESTRONGILOIDÍASE
O gênero Strongyloides pode gerar infecção assintomática por anos ou décadas, ou, ainda, provocar
doença com manifestações clínicas variadas. Existem 52 espécies descritas, entre as quais somente
duas podem parasitar o homem:
S. STERCORALIS
É a mais conhecida e de distribuição cosmopolita.
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S. FUELLEBORNI
Ocorre na África central e tem o macaco como hospedeiro principal e o homem como hospedeiro
acidental.
De acordo com classificações internacionais, a prevalência da estrongiloidíase pode ser dividida da
seguinte maneira:
Esporádica (<1%)
Endêmica (1-5%)
Hiperendêmica (>5%)
Os países em desenvolvimento na América Latina, África e Ásia apresentam em muitas regiões níveis
endêmicos ou hiperendêmicos (PIRES; DREYER, 1993).
A prevalência das parasitoses intestinais está fortemente relacionada a fatores sociais, como a pobreza.
Algumas regiões nos Estados Unidos e na Europa apresentam taxas mais altas quando comparadas à
média nacional, principalmente em zonas rurais afastadas e em aglomerações urbanas.
No Brasil, os estudos são fragmentados, mas alguns levantamentos realizados retrospectivamente, ou
seja, a partir de dados já publicados, constataram que a média brasileira gira em torno de 5,5%, ou seja,
hiperendêmica (SANTANA; LOUREIRO, 2016).
 COMENTÁRIO
É claro que há uma variação regional, sendo o Nordeste a região com a maior taxa (7,9%), seguido da
região Centro-Oeste (6,6%).
Alguns grupos populacionais específicos, como pacientes HIV/AIDS e pacientes neoplásicos, podem
apresentar maior frequência de infecção (PAULA; COSTA-CRUZ, 2011).
Os idosos também constituem um grupo com alta prevalência, independentemente se
institucionalizados (lares de acolhimento, asilos) ou não.
MORFOLOGIA E CICLO BIOLÓGICO DO S.
STERCORALIS
Ciclo biológico
O S. stercoralis apresenta um ciclo biológico complexo, com a particularidade de realizar dois ciclos
evolutivos: ciclo de vida livre e ciclo parasitário.
 Ciclo biológico do Strongyloides stercoralis .
No ciclo de vida livre, os vermes alimentam-se de matéria orgânica, bactérias e nutrientes disponíveis
no solo. São bastante sensíveis às variações de temperatura e aos ambientes secos.
As fêmeas de vida livre fecundadas colocam ovos com casca bem fina.

Em condições ambientais ideais, os ovos eclodem liberando larvas rabditoides.

Depois de alguns dias, as larvas rabditoides sofrem uma ecdise e se transformam em larvas filarioides,
infectantes para os humanos.
Algumas larvas rabditoides podem transformar-se diretamente em larvas filarioides. Isso ocorre por
mecanismos ainda não descritos. Apesar de pouco estudado, acredita-se que as larvas de vida livre que
infectam humanos não conseguem se reproduzir e, assim, se mantêm no solo por tempo indefinido.
Em condições ambientais ideais, as larvas filarioides permanecem por vários dias no solo.
CICLO PARASITÁRIO DO S. STERCORALIS
1
Ao encontrarem um hospedeiro, geralmente indivíduos que andam descalços, as larvas penetram
ativamente na pele de forma mecânica e bioquímica, como a secreção de enzimas que facilitam o
processo de penetração na epiderme.
Depois de penetrar na pele, as larvas ganham a corrente sanguínea e chegam aos pulmões, onde
conseguem invadir os alvéolos e migrar pela árvore brônquica até o esôfago, onde são finalmente
deglutidas e chegam ao intestino.
2
3
Uma vez no intestino, os vermes adultos ficam aderidos à mucosa, principalmente na região do
duodeno. Para se alimentarem, as fêmeas perfuram a camada superficial da mucosa e sugam o sangue
dos pequenos vasos, provocando, curiosamente, pouca ou nenhuma reação inflamatória local.
Diferentemente da maioria dos parasitos intestinais, as fêmeas colocam os ovos, e esses eclodem no
interior do intestino, liberando larvas rabditoides L1, que rapidamente sofrem ecdise e viram larvas
rabditoides L2, sendo eliminadas no bolo fecal, juntamente com os ovos que não eclodiram.
4
Morfologia
As larvas de vida livre são menores e mais espessas que a forma parasita, principalmente pela grande
quantidade de ovos no útero.
Já as fêmeas parasitas vivem na mucosa intestinal e são partenogenéticas, sendo capazes de produzir
ovos que darão origem a machos e fêmeas. Ainda são desconhecidos os mecanismos que determinam
a diferenciação sexual nos ovos das fêmeas parternogenéticas.
 Fêmeas de S. stercoralis de vida livre.
Você deve estar se perguntando:
SE AS FÊMEAS PODEM SE REPRODUZIR POR
PARTENOGÊNESE, QUAL O PAPEL DOS MACHOS?
RESPOSTA
OÓCITOS
Também conhecidos como ovócitos, são células germinativas femininas ou células sexuais produzidas
nos ovários.
Os vermes adultos têm corpo fusiforme, sendo os machos menores que as fêmeas e com a porção
terminal curvada ventralmente. O macho apresenta ainda espículas na extremidade posterior que
auxiliam na cópula.
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OS MECANISMOS DE INFECÇÃO DO S.
STERCORALIS
Como observamos anteriormente, o homem pode se infectar a partir das larvas filarioides oriundas do
ciclo de vida livre e do ciclo parasitário, na heteroinfecção.
Além disso, a contaminação pode ser a partir de dois tipos de autoinfecção, clique para conhecer cada
um:
AUTOINFECÇÃO EXTERNA
Indivíduos já parasitados eliminam larvas rabditoides que se transformam em filarioides ainda na região
anal ou perianal, e essas larvas conseguem penetrar na mucosa, ganhar a corrente sanguínea, iniciando
o ciclo parasitário.
AUTOINFECÇÃO INTERNA
Algumas larvas rabditoides L2 podem se transformar em filarioides ainda na luz intestinal, invadindo a
mucosa e ganhando a corrente sanguínea, iniciando, assim, o ciclo parasitário.
 ATENÇÃO
Os mecanismos de autoinfecção parecem ser importantes em indivíduos crônicos e poliparasitados, pois
assegura a população de fêmeas adultas no intestino.
SINAIS E SINTOMAS DA ESTRONGILOIDÍASE
Embora a maioria dos casos evolua sem sintomas e complicações, uma parcela dos indivíduos pode
apresentar sintomas como irritação cutânea (pela penetração das larvas na pele), edema pulmonar
localizado, pneumonia, desconforto intestinal, diarreia e dor abdominal.
 ATENÇÃO
Algumas condições especiais, como imunossupressão (adquirida ou induzida), coinfecção com HTLV ou
HIV, desnutrição e alcoolismo, podem gerar predisposição à infecção disseminada e piora do quadro.
A maioria dos indivíduos que necessita de suporte médico ou hospitalar para tratamento da
estrongiloidíase é poliparasitada, mostrando que o descontrole da quantidade de vermes no intestino é
fator de risco.
LARVA MIGRANS
Várias espécies de nematoides que parasitam o homem podem não concluir seu ciclo no corpo humano,
ficando localizadas em sítios anatômicos atípicos. Nesses casos, o parasitismo é acidental, mas o
homem acaba sendo um hospedeiro terminal, uma vez que os parasitas não chegam à forma adulta.
Pouco se sabe sobre os mecanismos relacionados a essa descontinuação do ciclo do parasito, talvez
isso ocorra por influência do sistema imune, ou por alguma deficiência do próprio parasito.
LARVA MIGRANS CUTÂNEA
As espécies que penetram na pele e não conseguem evoluir ou migrar para o órgão final, geralmente o
intestino, podem ficar presas na pele, causando o quadro conhecido por larva migrans cutânea ou
dermatite serpiginosa.
LARVA MIGRANS VISCERAL
São aqueles que conseguem penetrar eficientemente a pele e ganham a correntesanguínea, mas ficam
presos nos pulmões ou fígado, resultando na larva migrans visceral.
Larva migrans cutânea
É causada predominantemente pela espécie Ancylostoma braziliense , um parasita de felinos e
caninos, mas também pelas espécies Gnathostoma spinigerum , Ancylostoma duodenale , Necator
americanus e Strongyloides stercoralis .
 Lesão de larva migrans cutânea.
Depois de penetrarem a pele, as larvas filarioides locomovem-se por túneis gerados pela destruição da
derme e epiderme. A lesão é caracterizada pela presença de infiltrado inflamatório e eosinófilos,
podendo ser acompanhada de infecção bacteriana secundária. O caminho percorrido pelas larvas é
visível na superfície da pele, gerando lesões parecidas com cordões, causando coceira intensa (prurido)
no local.
A transmissão acontece em locais onde as pessoas andam descalças, têm contato íntimo com o solo e
onde há cães e gatos parasitados com A. braziliense . Parques públicos com areia para as crianças
brincarem também podem ser locais de contaminação, principalmente se houver gatos que frequentem
o mesmo ambiente. Rocha et al . (2019), ao realizarem um estudo coletando amostras de solos de
parques públicos da cidade de Belém, no Pará, constatou que 80% das amostras foram positivas para a
presença de formas parasitárias, sendo as larvas filarioides de ancilostomídeos as mais predominantes.
 Areia de parque com presença de animais.
A presença de gatos e cães em parques pode estar associada à contaminação do solo por parasitas que
causam a larva migrans cutânea. A areia da praia também pode ser um local de contaminação, exceto
pelas porções que são completamente banhadas pela água do mar, pois a salinidade é nociva para as
larvas.
Larva migrans visceral
A espécie Toxocara canis é a mais comumente associada ao quadro visceral, mas Ancylostoma
caninum e Toxocara catti também podem provocar a infecção, mesmo que em menor frequência.
1
 Ovos embrionados de Toxocara canis .
As fêmeas adultas de T. canis localizadas no intestino delgado dos cães liberam os ovos, que são
eliminados nas fezes do animal.
Os humanos são contaminados a partir da ingestão de alimentos e água contaminados com os ovos do
parasito. Crianças podem se infectar após brincarem no solo contaminado e levarem a mão
contaminada diretamente à boca.
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3
 Larva migrans visceral no olho esquerdo.
Depois de eclodirem no intestino, as larvas penetram na mucosa intestinal e ganham a corrente
sanguínea, migrando para vários locais, como fígado, pulmão, cérebro, músculos e olhos.
É importante destacar que os parasitas tipicamente humanos, como Ascaris lumbricoides e
Strongyloides stercoralis — mesmo nos casos em que estão localizados nos órgãos, como fígado e
pulmão, ficando ali por longo período —, não desenvolvem o quadro de larva migrans visceral, já que
conseguem atingir a forma adulta no organismo.
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5
Os dados de prevalência da larva migrans visceral são muito fragmentados e subnotificados,
principalmente pela dificuldade de diagnóstico preciso. É uma doença que ocorre em países da Europa
e nos Estados Unidos, não estando necessariamente associada a baixos níveis socioeconômicos da
população.
ANGIOSTRONGYLUS COSTARICENSIS E
ANGIOESTRONGILÍASE
EPIDEMIOLOGIA DA ANGIOESTRONGILÍASE
Talvez você nunca tenha ouvido falar na angioestrongilíase, principalmente pelo fato de ela ser uma
doença negligenciada e de baixa incidência. Essa parasitose é causada pela espécie Angiostrongylys
costaricensis , caracterizada pela formação de um granuloma abdominal com a presença de intenso um
infiltrado eosinofílico.
O primeiro caso dessa doença foi descrito em uma criança que apresentava uma massa palpável na
região do abdômen, o que indicava um suposto tumor intestinal. Entretanto, os exames histológicos
revelaram a existência de muitos eosinófilos e uma estrutura com morfologia semelhante à de um
helminto.
Desde então, a angiostrongilíase abdominal tem sido relatada em diversos países da América Latina,
em especial na América Central, com casos fatais associados à perfuração da parede abdominal, que
pode agravar o quadro pelo desenvolvimento de peritonite e sepse (EUA, 2018).
No Brasil, foram notificados cerca de 90 casos até 2013, o que caracteriza a doença como emergente no
país.
PERITONITE E SEPSE
Peritonite - Infecção do peritônio (membrana que reveste as paredes da cavidade abdominal e recobre
órgãos abdominais e pélvicos).
Sepse - O extravasamento do conteúdo intestinal pode levar a uma reação inflamatória generalizada,
conhecida como sepse.
CICLO BIOLÓGICO DO A. COSTARICENSIS
 Rato.
A forma adulta de A. costaricensis tem como hospedeiros definitivos os roedores, como ratos e
camundongos que vivem nas cidades. As fêmeas adultas habitam as veias mesentéricas (do intestino)
desses animais e colocam os ovos nessa região.
Os ovos eclodem dentro dos capilares mesentéricos, liberando larvas L1 que penetram rapidamente na
parede vascular até chegarem à luz intestinal na altura do íleo. As larvas L1 que conseguem migrar até
a luz intestinal são finalmente eliminadas nas fezes.
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No ambiente, as larvas sofrem duas ecdises e se transformam em larvas L3, que podem infectar um
hospedeiro (desta vez intermediário), principalmente espécies de moluscos gastrópodes, como lesmas e
caramujos.
 SAIBA MAIS
No Brasil, o caramujo africano da espécie Achatina fulica , também conhecido como caramujo gigante
africano, é um importante hospedeiro intermediário. Esse caramujo é uma espécie invasora que se
adaptou muito bem ao ambiente brasileiro e hoje é encontrada em todas as regiões, servindo como
vetores da doença.
 Achatina fulica .
Quando roedores se alimentam de gastrópodes contaminados, as larvas L3 migram para os vasos
linfáticos e, depois de 24 horas, migram para os vasos mesentéricos, onde se tornam sexualmente
ativas.
A infecção humana pode ocorrer pela ingestão acidental e direta de gastrópodes contaminados, visto
que em algumas regiões esses moluscos são considerados iguarias gastronômicas, ou também pela
ingestão de alimentos ou água contaminados com as larvas L1.
No corpo humano, as larvas ingeridas migram para a parede do intestino, e a presença de ovos e larvas
desencadeia forte reação inflamatória granulomatosa com intensa presença de eosinófilos. A resposta
inflamatória exacerbada pode obstruir vasos, gerando necrose tecidual, além da eventual perfuração
intestinal, agravando o quadro.
 Ciclo biológico do Angiostrongylus costaricensis .
Não se sabe ao certo qual o percentual de indivíduos parasitados que permanecem assintomáticos, ou
qual o período de incubação, mas acredita-se que fatores do próprio hospedeiro, como a condição
imunológica, possam ser decisivos para o prognóstico favorável. Indivíduos que desenvolveram a
estrongiloidíase abdominal podem apresentar episódios recorrentes, visto que o tratamento com anti-
helmínticos pode agravar o quadro. Casos graves geralmente são tratados cirurgicamente com a
retirada dos vermes da parede intestinal.
As larvas e os ovos não são eliminados nas fezes, então o diagnóstico por meio do exame
parasitológico de fezes é ineficaz. A angioestrongilíase é frequentemente confundida com apendicite e
quadros obstrutivos inflamatórios agudos do intestino, resultando em prevalência subestimada da
doença. A intervenção cirúrgica é o modo mais recomendado para se chegar ao diagnóstico final, pois é
possível visualizar facilmente os vermes no local da lesão.
 SAIBA MAIS
Outra espécie do gênero Angiostrongylus também pode provocar doença em humanos. A meningite
eosinofílica é um tipo de doença emergente desencadeada pela infiltração massiva de eosinófilos nas
meninges. O estímulo inicial é dado pela presença de larvas no sistema nervoso central, principalmente
nas meninges, mas também está presente em outras regiões, podendo causar quadros de encefalite e
meningoencefalite.
Angiostrongylus cantonensis tem algumasespécies de gastrópodes como hospedeiros
intermediários e roedores como hospedeiros definitivos. Assim como na infecção por A.
costaricensis , o homem sempre é hospedeiro acidental e pode se infectar pela ingestão das larvas a
partir de alimentos e água, ou mesmo pelo consumo dos gastrópodes.
Existem três mudas de larvas (L1-L2 e L3). Na figura a seguir, vemos as larvas L2 e L3.
 Angiostrongylus cantonensis isolado de A. fulica . Em A e B larvas L2; C e D larvas L3; em E
mostra a extremindade anterior, destacando o ânus e a cauda com ponta pontiaguda.
MENINGITE EOSINOFÍLICA
O especialista Helver Gonçalves Dias apresenta o relato de caso sobre meningite eosinofílica.
LAGOCHILASCARIS MINOR E
LAGOQUILASCARÍASE
EPIDEMIOLOGIA DA LAGOQUILASCARÍASE
A lagoquilascaríase é uma doença tropical negligenciada, pouco conhecida e de baixa incidência
provocada pelo parasito Lagochilascaris minor . O primeiro caso foi relatado no início do século
passado na América Central, e, desde então, outros casos têm sido notificados nos países da América
Latina.
No Brasil, os relatos são raros e pontuais, descrevendo casos em indivíduos que habitam zonas rurais
ou áreas de mata e que têm o hábito de consumir carne de caça. Nas regiões Norte e Nordeste,
concentram-se quase todos os casos registrados, e o estado do Pará lidera com o maior número de
notificações.
Acredita-se que felinos silvestres sejam os hospedeiros intermediários e a eliminação de larvas nas
fezes contamine a água e os alimentos que são ingeridos pelos humanos, sendo essa uma das
possíveis vias de transmissão.
O consumo de carnes de caça cruas ou malcozidas contendo nódulos com larvas é também uma das
rotas de transmissão.
A LAGOQUILASCARÍASE
Análises laboratoriais apontam que gatos alimentados com ratos infectados com L. minor apresentam,
depois de cerca de duas semanas, nódulos em diferentes partes do corpo, como esôfago, estômago e
musculatura esquelética.
Em humanos, acredita-se que, após a ingestão, as larvas eclodam dos nódulos no estômago e migrem
para o esôfago, onde iniciam um mecanismo de autoinfecção. Assim como nos gatos, as larvas também
podem migrar para outros locais, principalmente a região cervical (perto do pescoço), ouvido e
orofaringe, desencadeando uma forte reação inflamatória, muitas vezes com formação de um abscesso
com secreção purulenta. Embora raros, casos atípicos e graves podem atingir o cérebro, os olhos e os
pulmões.
O diagnóstico é dificultado pela raridade dos casos e pelo pouco conhecimento da doença, chegando a
alguns casos de nódulos cervicais serem confundidos com tumores de pescoço. No entanto, o
profissional que trabalha em áreas de conhecida transmissão ativa, sobretudo no Norte e Nordeste,
deve realizar o diagnóstico diferencial e perguntar na anamnese se o paciente faz consumo de carnes
de caça. A partir da suspeita, o profissional pode solicitar o diagnóstico laboratorial para visualização dos
ovos ou das larvas na secreção presente na lesão.
ANAMNESE
Entrevista realizada pelo profissional de saúde com o paciente, com a intenção de ser um ponto inicial
no diagnóstico de uma doença.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
MÓDULO 3
 Descrever a epidemiologia, as principais características morfológicas e as parasitoses
causadas pelos gêneros Wuchereria/Oncocerca e outros nematoides
WUCHERERIA BANCROFTI E FILARIOSE
LINFÁTICA
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EPIDEMIOLOGIA DA FILARIOSE LINFÁTICA
Várias espécies de filárias podem provocar doenças em humanos com manifestações clínicas muito
diferentes. A filariose linfática talvez seja a doença filarioide mais conhecida, principalmente por um
quadro clínico específico e característico, a elefantíase, que é bem conhecida pela condição
incapacitante que proporciona ao doente.
 A elefantíase é uma das formas de apresentação clínica da filariose linfática.
A filária Wuchereria bancrofti é a principal causadora da filariose linfática na África e nas Américas,
enquanto a Brugia malayi e a Brugia timori são encontradas na Ásia e podem provocar o mesmo
quadro.
Nas Américas, também é possível encontrar a filária Mansonella ozzardi , no entanto ainda não foi
estabelecida relação causal com alguma doença. Muitos índios da região Amazônica são parasitados
pela M. ozzardi , mas os poucos estudos desenvolvidos não foram suficientes para esclarecer o seu
possível papel patogênico, o que denuncia certa negligência com relação a essas parasitoses.
No século passado, as regiões Norte e Nordeste do Brasil eram áreas endêmicas de transmissão ativa
e com número elevado de novos casos anualmente.
ÁREAS ENDÊMICAS
Área endêmica é região geográfica em que determinada doença ocorre por um período de tempo, curto
ou longo.
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Como veremos a seguir, os mosquitos do gênero Culex são os principais vetores e infestam os
centros urbanos e as áreas rurais, contribuindo enormemente para a transmissão da doença. Nas
últimas décadas, projetos do Brasil em parceria a OMS visaram ao estabelecimento de programas de
eliminação da filariose linfática baseados na interrupção da transmissão.
O Brasil fez muito progresso no combate ao fator de transmissão da doença. Atualmente existe apenas
um foco ativo de transmissão, localizado no estado de Pernambuco. No mundo todo, estima-se que 115
milhões de pessoas estejam infectadas, sendo 40 milhões incapacitadas ou desfiguradas pela doença
(MICHAEL; BUNDY; GRENFELL, 1996).
MORFOLOGIA DA W. BANCROFTI
As filárias são vermes de corpo filiforme, ou seja, alongado e delgado, de tamanho bem maior que a
maioria dos helmintos não intestinais. Além disso, elas habitam preferencialmente os vasos e gânglios
linfáticos, resultando na obstrução e interrupção da circulação da linfa.
Os machos são menores em relação às fêmeas, medindo em torno de 4 a 5 cm. Além disso, possuem a
porção terminal bastante enrolada ventralmente.
Já as fêmeas podem chegar a 10 cm de comprimento. Elas armazenam os ovos embrionados no útero
e, aos poucos, vão liberando estes, até que cheguem à vagina, onde já serão larvas pequenas e
alongadas denominadas de microfilárias.
As microfilárias são envoltas em uma membrana fina que não se rompe, mas acaba distendendo-se e
cobrindo todo o corpo da microfilária, criando uma espécie de bainha. As fêmeas podem liberar milhares
de microfilárias por dia, que depois seguem para a circulação sanguínea e ficam alocadas nos vasos
dos pulmões.
 SAIBA MAIS
Quando observadas ao microscópio, as microfilárias são muito ativas e movimentam-se com
intensidade.
Por motivos ainda desconhecidos, as microfilárias não participam da circulação periférica durante o dia,
acumulando-se somente nos pulmões. Ao anoitecer, elas saem pela corrente sanguínea e passam a
circular pelos vasos periféricos, podendo ser detectadas a partir de uma simples gota de sangue vista ao
microscópio.
 COMENTÁRIO
Ainda não são conhecidos os mecanismos associados a essa periodicidade, mas acredita-se que os
hormônios tenham papel importante na regulação.
Em regiões endêmicas, os profissionais da saúde costumam ir às casas dos pacientes no período
noturno para detectar a microfilaremia pelo exame de gota espessa.
 Amostra de sangue contaminado com microfilárias.
MICROFILAREMIA
Presença de microfilárias no sangue.
CICLO BIOLÓGICO DA W. BANCROFTI
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1
A transmissão do parasito ocorre quando um mosquito infectado vai fazer o repasto sanguíneo (se
alimentar do sangue do hospedeiro) e acaba liberando larvas L3 nos vasos linfáticos do hospedeiro. Não
se sabe, no entanto, quantas mudas ou quais os processos que as larvas L3 sofrem até chegar ao
estágio de maturação sexual que possibilite a eliminação das microfilárias.
Como vimos, em indivíduos parasitados, a microfilaremia ocorre durante à noite, e é exatamente nesse
período que os vetores também podem se contaminar sugando o sangue repleto de microfilárias,
iniciando o ciclo no mosquito.
2
3
 Mosquito Culex quinquefasciatusdurante repasto sanguíneo na pele humana.
No Brasil, Culex quinquefasciatus , conhecido popularmente como pernilongo, tem atividade noturna e é
a espécie de vetor associada à transmissão.
No corpo do mosquito, as larvas ingeridas junto com o sangue penetram a parede do estômago e
nadam pela hemolinfa (o mosquito não possui vasos sanguíneos) até o tórax do inseto. Nos músculos
torácicos, as microfilárias transformam-se em larvas L2 e, em cerca de duas semanas, chegam ao
estágio L3, já na forma filarioide infectante.
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4
5
Por fim, as larvas L3 migram para a região cefálica do mosquito até o momento adequado para o
mosquito realizar o repasto sanguíneo em um hospedeiro. Acredita-se que as larvas sejam estimuladas
pela temperatura corpórea do hospedeiro definitivo e comecem a migrar ativamente em direção ao
aparelho bucal do mosquito.
HEMOLINFA
Fluido corporal circulante do corpo dos animais invertebrados.
É importante destacar que as larvas não conseguem penetrar ativamente pela pele, então, o mecanismo
proposto é de que elas entrem pela pequena abertura deixada pelo mosquito no momento do repasto.
 Ciclo biológico do Wuchereria bancrofti .
SINAIS E SINTOMAS DA W. BANCROFTI
Apesar de a filariose ser uma doença antiga e incapacitar certa parcela dos indivíduos infectados, pouco
se sabe sobre os mecanismos patológicos envolvidos na resposta aos parasitos.
Os estudos indicam que a regulação imune do hospedeiro tem papel central no desenvolvimento de
formas graves da doença. Cerca de 1% dos indivíduos parasitados desenvolve uma forma grave de
desregulação imune que afeta os pulmões denominada de pneumopatia eosinofilia tropical.
Nessa condição, o estímulo provocado pelos antígenos das microfilárias nos vasos pulmonares resulta
em forte produção de anticorpos, principalmente da classe IgE, e migração massiva de eosinófilos, que
pode resultar ainda em fibrose nos casos crônicos.
Por outro lado, em indivíduos parasitados assintomáticos, os anticorpos IgE parecem ter um papel
importante no controle da microfilaremia. Esses dados indicam que a diferença entre o dano tecidual
(doença em si) e o controle da parasitemia está relacionada diretamente à regulação imune.
Como vimos, o acúmulo de larvas nos vasos linfáticos provoca intenso processo inflamatório, chamado
de linfangite, com consequente obstrução dos vasos, o que impede a reabsorção de linfa, que se
acumula nos espaços intercelulares, causando o edema.
Além disso, no local da lesão, há acentuada migração de eosinófilos, macrófagos, linfócitos e
mastócitos, que contribuem para o espessamento do endotélio linfático e a interrupção do fluxo. A
resposta inflamatória consegue imobilizar e matar as larvas, mas a quantidade de antígenos é muito
grande e acaba por desencadear a formação de granulomas necrosantes.
A linfangite pode ocorrer em qualquer vaso linfático, mas é encontrada com maior frequência nos
membros inferiores, na região pélvica e no abdômen. A obstrução do vaso é seguida de um acúmulo
gradual de linfa que provoca o edema linfático. Em alguns casos, a linfa acumulada pode derramar-se
para outros espaços, como a pleura e a região genital masculina.
As infecções bacterianas secundárias também representam um grande problema para os pacientes,
pois a perturbação ou total interrupção do fluxo linfático desencadeia o extravasamento de parte da linfa
para os tecidos, propiciando um ambiente ideal para o crescimento bacteriano.
Aos poucos, o tecido cronicamente inflamado torna-se enrijecido pela formação de fibrose, e o membro
tem a sua função comprometida. A todo esse conjunto de manifestações, incluindo a obstrução linfática,
o edema linfático, a inflamação crônica, a formação de tecido fibrótico, e infecção bacteriana secundária,
dá-se o nome de elefantíase.
ONCHOCERCA VOLVULUS E ONCOCERCÍASE
EPIDEMIOLOGIA DA ONCOCERCÍASE
A oncocercíase, também conhecida como oncocercose, é uma doença endêmica negligenciada em
diversos países da África e América Latina.
Um dos quadros clínicos mais característicos é a cegueira e, por esse motivo, também é denominada
“cegueira dos rios” em algumas regiões.
Atualmente, a África subsaariana constitui o principal foco de transmissão da doença no mundo.
Na América do Sul, os dois últimos focos continuam sendo áreas indígenas na fronteira entre
Venezuela e Brasil, principalmente na reserva Yanomami. Muitos esforços têm sido feitos nos últimos
anos a fim de eliminar a doença na região, mas a crise econômica e migratória na Venezuela prejudicou
as atividades do programa de eliminação (CRUMP; MOREL; OMURA, 2012).
Os índios Yanomami e Makiritare habitam a região de fronteira há séculos e têm por costume migrar de
tempos em tempos para áreas diferentes à procura de novos recursos, como os nômades. Esse
costume é um aspecto cultural que deve ser respeitado, mas que dificulta o controle da doença, pois
necessita da coordenação dos serviços de saúde brasileiro e venezuelano na vigilância e no tratamento
de novos casos. Essa situação é interessante para pensarmos na dimensão social, cultural e
política das doenças negligenciadas.
Assim como a filariose linfática, a oncocercíase é transmitida pela picada de insetos, chamados de
simulídeos (Família Simuliidae). Popularmente, o nome pode variar de acordo com a região, mas no
Norte do Brasil as pessoas costumam chamá-lo de borrachudo.
Existem várias espécies de simulídeos que podem servir de hospedeiro para o verme, mas somente
aquelas espécies com certo grau de antropofilia é que efetivamente podem participar da transmissão.
ANTROPOFILIA
Característica de uma espécie com tendência a se alimentar de sangue humano.
No Norte, quatro espécies estão envolvidas na transmissão:
Simulium guianense
S. incrustatum
S. oyapockense
S. roraimense
Os simulídeos são insetos diferentes dos mosquitos, pois assemelham-se mais a pequenas moscas.
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 Os simulídeos são insetos que se assemelham às moscas.
O homem é o único hospedeiro vertebrado de Onchocerca volvulus , não se tem o conhecimento de
animais que também sejam parasitados. Vários fatores estão associados ao risco de transmissão, como
presença de criadouros dos simulídeos e presença de indivíduos parasitados.
CICLO BIOLÓGICO DA O. VOLVULUS
As fêmeas de O. volvulus podem medir de 30 a 80 cm de comprimento e a extremidade final é mais
delgada.
Os machos são bem menores, chegam a no máximo 5 cm, e têm a porção terminal enrolada,
permitindo a fácil distinção dos sexos.
Os vermes adultos podem viver por muitos anos, em alguns casos até 15 anos, reproduzindo e
liberando microfilárias em processos cíclicos. As microfilárias, por outro lado, morrem depois de alguns
meses, já que não se desenvolvem no corpo humano.
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A fêmea fecundada pode liberar muitas microfilárias que migram pelo tecido subcutâneo até os vasos
linfáticos, indo também para outros tecidos do corpo. Diferentemente das microfilárias de W. bancrofti ,
as microfilárias de O. volvulus não apresentam a bainha que recobre a larva e não fazem
microfilaremia sanguínea, sendo possível durante todo o dia localizá-las nos vasos linfáticos e na pele.
As microfilárias presentes no tecido subcutâneo são sugadas pelo inseto durante o repasto sanguíneo e
iniciam o processo de desenvolvimento e ecdises dentro do vetor, até chegarem à forma infectante L3. A
larva L3, por sua vez, em processo semelhante ao observado pela W. bancrofti , migra até o aparelho
bucal do simulídeo e espera a hora em que o vetor vai fazer o repasto.
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Nesse momento, ao sentir a temperatura corpórea do hospedeiro mais elevada, a larva atravessa a
cutícula labial do vetor e migra para a pele do indivíduo, entrando no tecido subcutâneo sem
dificuldades. No corpo humano, a larva L3 sofre uma ecdise e se transforma em larva L4, que, após
algumas semanas, chega finalmente à forma adulta com maturidade sexual.
Os vermes adultos localizam-se preferencialmente no tecido subcutâneo,formando estruturas
enoveladas represadas por tecido fibroso produzido pelo organismo. A quantidade de larvas pode variar,
mas geralmente uma fêmea é acompanhada de um ou mais machos.
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 Ciclo biológico de Onchocerca volvulus .
SINAIS E SINTOMAS DA ONCOCERCÍASE
Os novelos de vermes e a fibrose tecidual formam nódulos chamados de oncocercomas, que são
palpáveis e visíveis a olho nu. Não se sabe ao certo o que determina a distribuição das larvas, visto que
em alguns casos elas ficam no tecido subcutâneo sem formar os novelos, migrando para outras partes
do corpo.
 Oncocercoma no tórax.
A formação dos nódulos leva à suspeita clínica, pois são bem característicos.
A presença de microfilárias no tecido subcutâneo também pode desencadear reação inflamatória local,
seguida de intenso prurido, vermelhidão, edema e, em alguns casos, dor local.
Em algumas regiões, são mais frequentes as alterações dermatológicas relacionadas à
despigmentação da pele, provocando grandes lesões esbranquiçadas e espessamento da camada mais
superficial da pele, resultando na hiperqueratose. Ambos os quadros provocam alterações estéticas e
funcionais importantes e diminuem a qualidade de vida do doente.
O acometimento ocular é visto em alguns casos no continente americano e em quase todos os casos
nos países africanos.
Como vimos no início, a oncocercíase também é chamada de “cegueira dos rios” exatamente pelo
comprometimento ocular gerado tanto pela presença das microfilárias como pela ceratite puntiforme, um
processo inflamatório na córnea que resulta em lesões no formato de pequenos pontos que podem ir se
juntando ao longo dos anos, formando grandes placas esbranquiçadas. Dependendo do estágio da
ceratite, o indivíduo pode perder completamente a visão.
MANSONELÍASE E OUTRAS FILARÍASES
EPIDEMIOLOGIA DA MANSONELÍASE
 Parasito Mansonella ozzardi corado com Giemsa e visto ao microscópio de luz.
A mansonelíase é uma infecção pouco estudada que ocorre nos países da América do Sul e da
América Central, e o agente etiológico é o nematelminto Mansonella ozzardi .
Em regiões endêmicas de oncocercíase, o parasitismo por M. ozzardi pode gerar confusão no
diagnóstico, pois as microfilárias são muito parecidas. Por outro lado, a diferenciação em relação à W.
bancrofti é facilitada pelo fato de:
M. ozzardi apresentar microfilaremia durante o dia e a noite.

W. bancrofti apresentar microfilaremia noturna apenas.
No Brasil, a transmissão ocorre pela picada de simulídeos, principalmente pela espécie Simulium
amazonicum , parasitados com a larva infectante L3. Pouco se sabe sobre o desenvolvimento biológico
do parasito no corpo do vetor ou do ser humano. A doença é limitada a áreas de mata e floresta e
parece ser prevalente em comunidades indígenas e populações ribeirinhas.
SINAIS E SINTOMAS DA MANSONELÍASE
A real patogenicidade de M. ozzardi é motivo de controvérsia, visto que ainda não foi estabelecida uma
relação causal entre o parasitismo e o surgimento de um quadro infeccioso específico. O achado
hematológico mais evidente é a eosinofilia, seguido de algumas manifestações clínicas inespecíficas,
como febre, cefaleia e placas avermelhadas na pele.
Outras espécies do gênero Mansonella podem infectar humanos, como M. perstans e M.
streptocerca , e são transmitidas por vetores. Apesar da aparente microfilaremia persistente que
desenvolvem no hospedeiro, ainda há muita discussão sobre o real papel patogênico dessas filárias. É
importante ressaltar que essas espécies estão muito presentes na África.
OUTRAS FILARIOSES
No Brasil, existe ainda o parasito Dirofilaria immitis , agente causador da dirofilariose. A doença é
importante em cães, pois as larvas são encontradas nas artérias pulmonares e nos compartimentos do
coração, sendo, por essa razão, também conhecida como “verme do coração”.
 Microfilária de Dirofilaria immitis no linfonodo de um cão.
Ainda em cães, os sintomas incluem perda de peso, tosse crônica, síncope, endocardite e, em casos
graves, insuficiência cardíaca, ascite e aumento do tamanho do fígado e baço.
Apesar de pouco documentada, a infecção zoonótica em humanos também pode ocorrer, constituindo
dois quadros clínicos: dirofilariose pulmonar e dirofilariose subcutânea.
Ambos os quadros são benignos e usualmente apresentam-se como nódulos inflamatórios no pulmão ou
no tecido subcutâneo, que são acompanhados da formação de tecido fibroso. Com certa frequência, o
nódulo pulmonar é confundido com tumores e os pacientes chegam a ser submetidos à cirurgia para
extração da massa benigna.
Os vetores do gênero Culex têm sido implicados na transmissão, mas outros mosquitos hematófagos
já foram encontrados naturalmente infectados, como Aedes , Mansonia e Anopheles .
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SÍNCOPE E ENDOCARDITE
Síncope - Perda súbita e transitória da consciência, seguida de desmaio.
Endocardite - Inflamação na membrana que reveste a parede interna do coração.
ASCITE
Acúmulo de líquido anormal no abdômen.
TRICHINELLA SPIRALIS E TRIQUINELOSE
EPIDEMIOLOGIA DA TRIQUINELOSE
A triquenelose é uma zoonose emergente em muitas regiões da Europa e da América do Norte, mas
também há registros esporádicos em alguns países da América Latina. No Brasil, a doença nunca foi
identificada em humanos, mesmo com a confirmação da infecção em porcos selvagens e javalis, que
são um dos hospedeiros definitivos, nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e
Mato Grosso.
Nas Américas, a espécie Trichinella spiralis é a mais frequentemente encontrada infectando animais e
o homem. Na Europa, na África e no Canadá circulam as espécies T. nelsoni e T. nativa , ambas com
potencial zoonótico.
MORFOLOGIA E MECANISMOS DE INFECÇÃO
TRICHINELLA SPIRALIS
Diferentemente das outras filárias que estudamos até agora, os vermes adultos de Thichinella são
muito pequenos, medindo apenas poucos milímetros e de corpo delgado.
A transmissão à humanos ocorre pela ingestão de carnes cruas ou malcozidas de animais de caça,
como javalis, que contenham nódulos com larvas.
 Javali.
CICLO BIOLÓGICO DA T. SPIRALIS
1
Os vermes adultos ficam aderidos à mucosa do intestino delgado, e as fêmeas podem eliminar milhares
de larvas na luz intestinal.
Uma parcela dessas larvas é eliminada nas fezes, mas o restante consegue penetrar através da
mucosa, alcançando os capilares sanguíneos ou linfáticos, de onde migram para vários tecidos, em
especial para os pulmões, o coração, o fígado e o tecido muscular esquelético.
2
3
 Corte histológico de tecido muscular evidenciando os múltiplos nódulos com o parasito Thichinella
spiralis .
Somente as larvas que alcançam os músculos esqueléticos é que conseguem evoluir, transformando-se
em larvas adultas que acabam sendo envolvidas por tecido fibroso produzido pelo hospedeiro, formando
nódulos.
As larvas podem permanecer latentes nesses nódulos por vários anos, sem necessariamente
provocarem doença.
4
SINAIS E SINTOMAS DA TRIQUINELOSE
A triquinelose pode manifestar-se por vários sintomas, geralmente inespecíficos, que podem gerar
dificuldade e confusão no diagnóstico.
Durante a fase de invasão da mucosa intestinal, os pacientes podem apresentar náuseas, vômitos,
diarreia e inflamação da mucosa lesionada.
Na fase de migração sanguínea e linfática em direção aos tecidos, as larvas que acabam morrendo
podem desencadear processos inflamatórios que levam ao dano endotelial e distúrbios circulatórios
localizados, além da acentuada eosinofilia.
CORAÇÃO
Em menor frequência, a migração das larvas pode terminar no coração, levando a processos
inflamatórios cardíacos graves.
SISTEMA NERVOSO CENTRAL
Os casos de migração para o sistema nervoso central resultam em encefalites e meningites com
prognóstico não favorável.
MÚSCULOS E OUTROS TECIDOS
Nos músculos e em alguns outros tecidos, os vermes adultos aprisionados em nódulos ou cistos param
de reproduzir e a parasitemia não é mais observada.
TRATAMENTOE DIAGNÓSTICOS DAS
INFECÇÕES POR HELMINTOS
O especialista Helver Gonçalves Dias explica o tratamento e o diagnóstico das parasitoses por
helmintos.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
CONCLUSÃO
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao longo deste tema, aprendemos os aspectos epidemiológicos de distribuição e dinâmica de
transmissão das doenças provocadas por diversos gêneros de nematelmintos, além dos variados tipos
de ciclo biológico desses parasitos. Também vimos os principais processos patológicos e quadros
clínicos apresentados pelos indivíduos parasitados.
Assim, a partir dos assuntos abordados, conseguimos entender com maior clareza os processos
biológicos e sociais envolvidos na transmissão dos helmintos e a ocorrência dessas doenças que ainda
são muito prevalentes. Compreender esses aspectos auxilia na adoção de medidas de vigilância,
laboratorial ou sindrômica, para nortear a criação de políticas públicas de saúde voltadas para o controle
das enteroparasitoses no Brasil.
 PODCAST
Agora, o especialista Helver Gonçalves Dias encerra o tema falando sobre o impacto das principais
doenças parasitárias negligenciadas no Brasil e no mundo.
AVALIAÇÃO DO TEMA:
REFERÊNCIAS
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Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Brasília:
Ministério da Saúde, 2018.
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EXPLORE+
Procure ler o documento formulado pela Organização Mundial de Saúde e conheça mais sobre os
programas de controle e eliminação das doenças tropicais negligenciadas.
O vídeo Filariose, do canal Fiocruz, levanta discussões sobre alguns aspectos da filariose no
estado de Pernambuco, último foco da doença no Brasil.
O vídeo Geo-helmintíase, do canal Fiocruz, aborda tópicos importantes sobre a transmissão das
geo-helmintíases no Brasil.
Para conhecer mais sobre os testes parasitológicos leia a Norma Brasileira: “Laboratórios
clínicos – Exame parasitológico de fezes”.
CONTEUDISTA
Helver Gonçalves Dias
 CURRÍCULO LATTES
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